FALSO HORIZONTE | Capítulo 4

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Continuação imediata/

Perseu, com um tiro na barriga, cai no chão. Marcos larga a arma, arrependido.

Marcos    – Não! Não! Meu deus! O que foi que eu fiz?

Ele desata a chorar, desesperado. Ele sobe as escadas correndo.

 

CENA 02. RANCHO DO PERSEU/SUÍTE DO MARCOS/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra, atordoado e desesperado, ele senta na cama.

Marcos    – Eu preciso sair daqui. Eu, eu… urgente!

Ele levanta, caminha até a cômoda e começa a fazer as malas. Ele abre uma caixa e pega algum dinheiro. Marcos pega um papel e uma caneta.

Marcos    – Eu preciso escrever algo pro César, me explicando.

Ele escreve e assim que acaba, já sai correndo com as malas.

 

CENA 03. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos desce as escadas com as malas e com o papel na mão. Ele passa pelo pai caído no chão. Marcos sai da casa e é quando o Perseu abre os olhos.

Perseu    – Filho da puta!

Ele levanta com muita dificuldade e segurando o ferimento com as próprias mãos. Ele sai.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Perseu anda na rua, segurando o ferimento com as mãos. Ele tenta se apoiar na parede, não consegue e cai no chão. Uma senhora vê e se aproxima.

Senhora   – Meu deus do céu! O que aconteceu com o senhor?

Perseu    – Me ajuda! Eu preciso de ajuda, senhora.

Senhora   – Claro, claro. (grita) Chamem a ambulância pelo amor de deus

Eles se encaram, nervosos.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/NOITE:

Marcos se aproxima da porta da casa. Ele deixa a carta no capacho e sai com as malas.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

César está sentado no sofá ninando o Lauro. Ele sorri e o bebê também.

César     – Onde será que o Marcos está? Não chegou até agora.

Ele levanta e se aproxima do telefone. Ele disca os números e espera atender, mas ninguém atende.

César     – Ele deve estar vindo pra cá.

Ele desliga e continua ninando o Lauro.

 

CENA 07. CONSULTÓRIO MÉDICO/SALA/INTERIOR/DIA:

Perseu está deitado na cama, ele desperta lentamente. O médico entra e se aproxima.

Perseu    – Onde eu estou?

Médico    – O senhor chegou aqui apagado, mas até que estava bem a julgar pela sua situação. (pausa) A sua cirurgia foi ótima, a bala não acertou nenhum órgão vital.

Perseu    – Então eu posso embora?

Médico    – Não, precisa ficar uns dias em observação. (pausa) O protocolo aqui no hospital diz que quando um paciente chega com um ferimento a bala e não sabemos o motivo, devemos chamar a polícia. O delegado está aqui para te ver.

Perseu    – Pode deixar ele entrar. Obrigado doutor.

O médico sai da sala e o delegado Leonel (homem alto, cabelos pretos e barba) entra e se aproxima.

Leonel    – Senhor? O meu nome é Leonel, eu sou o delegado da cidade.

Perseu    – Pode me chamar de você, delegado.

Leonel    – Eu preciso sabe quem fez isso com você? Se não souber quem é, descreva a pessoa o mais preciso possível.

Perseu    – Foi o meu filho. O filho da puta do meu filho fez isso comigo. (pausa) E ele fugiu.

Leonel    – O senhor não tem ideia do lugar que ele foi?

Perseu    – Não. Mas o namoradinho dele, o César pode saber.

Leonel    – César?

Perseu    – César Mendonça, meu vizinho. Eu lhe dou o endereço.

Perseu continuar a falar, em off.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

César abre a porta e pega o jornal. E ao pegar o jornal, ele acha a carta. Ele pega a carta.

César     – O que é isso? (ele lê) “César, eu não vou poder cuidar do Laurinho hoje e talvez nunca mais eu possa. Eu fiz uma merda e preciso sair da cidade, não posso dizer pra onde eu vou. Não me procure, é melhor assim. Eu vou sentir a sua falta e falta do Lauro, mas um dia eu volto. Te amo! Assinado: Marcos” (ele para) Que merda é essa?

Ele volta pra casa com o jornal e com a carta, confuso.

 

CENA 09. CLIP/EXTERIOR, INTERIOR/DIA:

Bahia, capital

/Na rodoviária, Marcos sai do ônibus. Ele está decidido, carregando as malas.

/Em frente ao aeroporto, Marcos sai do táxi e entra no aeroporto.

/No aeroporto, Marcos entra na fila de embarque.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

César está descendo as escadas quando batem na porta. Ele se aproxima e abre a porta. Leonel entra.

César     – Posso ajudar?

Leonel    – César? Pode sim. O meu nome é Leonel, eu sou o delegado da cidade.

César     – Delegado? O que aconteceu, senhor?

Leonel    – O seu vizinho, o Perseu, foi baleado pelo filho dele, o Marcos. O Marcos fugiu e segundo o Perseu, você sabe onde ele está.

César     – Eu não sei o que o Perseu te falou, mas eu não sei de nada (pausa) quer dizer, ele deixou uma carta na minha porta, mas eu só a vi agora pela mãe. Não sabia que o Perseu tinha sido baleado.

Leonel    – Posso ver a carta?

César     – Pode, é claro.

César se aproxima do criado-mudo e pega a carta. Ele entrega ao Leonel, que lê.

Leonel    – O senhor tem certeza que não sabe de nada? A carta indica que uma aproximação amorosa entre vocês dois.

César     – Eu sou homem, delegado. Eu não tenho nada com o Marcos, mas parece que ele gosta de mim.

Leonel    – É mais do que só gostar. Obrigado pela ajuda, César, nós manteremos contato.

César     – Porque diabos o Marcos atirou no Perseu?

Leonel    – Pelo que parece, por dinheiro.

César     – Dinheiro? Tem certeza?

Leonel    – Porque a pergunta?

César     – O Perseu batia na esposa, espancava ela. Ela fugiu de casa, cansada disso. Talvez ele tenha tentado fazer o mesmo com o Marcos, mas o Marcos revidou.

Leonel    – Obrigado pela informação, eu vou investigar.

Um policial entra na casa e se aproxima do Leonel.

Policial  – Nenhum sinal do Marcos nas estradas, rodoviárias e nos aeroportos.

Leonel    – Isso é impossível!

Policial  – Ele deve ter usado um identidade falsa.

Leonel    – E tem isso por aqui?

César     – Tinha, eu era pequeno, mas tinha um rancho aqui perto que vendia essas coisas. O cara ainda está vivo, mas ele mora na cidade.

Leonel    – O nome dele?

César     – (ri) Sério? Ele vendia identidades falsas, ninguém sabia o verdadeiro nome dele.

Leonel    – Obrigado mais uma vez, eu vou investigar.

Leonel e o policial saem. César fecha a porta e entra na cozinha.

 

CENA 11. CONSULTÓRIO MÉDICO/SALA/INTERIOR/DIA:

Dias depois

Perseu está sentado na cama. O médico entra e se aproxima.

Médico    – O senhor está livre pra ir pra casa, Perseu.

Perseu    – Graças a deus!

Médico    – Pretende voltar pra casa?

Perseu    – Não, enquanto estava aqui botei ela pra vender. (pausa) Eu vou atrás do meu filho!

Ele encara a câmera, sério.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado na cadeira, escrevendo algo. Policial entra e se aproxima.

Leonel    – Alguma coisa boa?

Policial  – Uma mulher foi assaltada, o caso é seu.

Leonel    – Não é isso, quero dizer sobre o Marcos, algo?

Policial  – Não senhor. Ele sumiu do mapa! E nós não encontramos o homem que vende identidades.

Leonel    – E se o César estiver mentindo pra encobrir o Marcos?

Policial  – Por que ele faria isso? Ele nem parece gostar tanto assim do Marcos e ele tem um bebê pra criar, não faria uma merda dessas.

Leonel    – É, tem razão. Faz um favor? Arquiva esse caso e manda a mulher entrar.

O policial sai. Leonel bufa.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

Mário (jovem, pele escura e cabelos pretos) se aproxima e bate na porta. César abre e eles se encaram.

Mário     – Bom dia. O meu nome é Mário (pausa), estou aqui para anuncia que logo vamos ser vizinhos. Eu quero comprar o rancho do Perseu.

César     – Eu também quero comprar o rancho, Mário.

Mário     – Mas você já tem o seu, está na hora de eu ter o meu, não acha?

César     – Não.

Mário     – Bom, eu já fiz uma oferta e eu acho difícil o Perseu recusar. Então sinto muito. (pausa) Será que podemos ser amigos?

César     – Não!

César bate à porta e com o baque fade out.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/EXTERIOR/DIA:

Anos depois, atualmente

Lauro (agora mais velho, igual o César quando mais novo) anda pelo pasto. Bois, vacas e bezerros em seus cercados.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

César (agora mais velho) está deitado na cama, dormindo. Amparo (jovem, cabelos pretos, pele negra) entra no quarto. Ela se aproxima do César e o acorda.

Amparo    – Bom dia, senhor.

César     – Bom dia, Amparo. (pausa) Onde está o meu filho?

Amparo    – No pasto, cuidando dos bichos. Eu já chamei ele pra tomar café.

César     – Obrigado. Você é um anjo, Amparo.

Amparo    – Para com isso. Se veste e desce, que o café já está na mesa.

Ela sai do quarto. César levanta e entra no banheiro da suíte.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

César está sentado à mesa, Amparo está servindo ele. Lauro entra e senta frente ao pai. Amparo o serve também.

Lauro     – Bom dia, pai.

César     – Bom dia. E os animais, estão bem hoje?

Lauro     – Ótimos. Eu acho que a produção esse mês será excelente.

César     – Isso é música pros meus ouvidos.

Amparo    – Cês só falam disso, até no café da manhã.

Lauro     – É a nossa vida, Amparo (pausa) e a única coisa que temos em comum.

César     – Não é verdade, temos mais coisas em comum.

Lauro     – O que, por exemplo?

Amparo    – (muda de assunto) Gostaram do bolo?

César     – Está ótimo, Amparo.

Amparo    – Que bom, é uma receita nova e mais fácil de fazer.

Amparo segue falando em off. César e Lauro se encaram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia (mulher madura, pele morena e cabelos pretos) está sentada a mesa ao lado da Nádia (parecida com a mãe, mas mais nova) e Omar (jovem, pele morena e cabelos pretos). Eles estão tomando café.

Zélia     – Cadê o seu pai?

Omar      – Ele deve está descendo, mãe. Não disse que ele chegou tarde?

Zélia     – Eu disse, mas está demorando demais.

Nádia     – Toma cuidado em dona, Zélia. Ele pode está tendo um caso.

Omar      – Nádia! Papai não é igual a você que vive (pausa) por aí.

Nádia     – Eu gostava de você, irmão, quando era mais jovem e inocente. Agora que você vendeu a alma pra deus, é tão chato.

Zélia     – Nádia! Chega! Não ouse em falar o nome do senhor em vão.

Nádia     – Aí mãe! (zomba) Desculpa senhor se eu pequei.

Omar      – Mãe, ela está zombando de deus. Isso é errado!

Zélia     – Chega vocês dois! Nós três vamos a igreja hoje, precisamos conversar com o padre.

Nádia     – Nem pensar! Eu sou uma bruxa, mãe, se eu entrar naquele lugar serei queimada.

Zélia     – Não fale besteira, está decidido Nádia.

Nádia     – Não está! Eu não vou e pronto, tenho mais o que fazer.

Zélia     – O que? O que você tem pra fazer hoje?

Omar      – Ele tem um encontro com alguém mais velho e casado provavelmente.

Zélia     – É sério isso?

Nádia     – Não, mãe, não é sério. Ele está brincando, eu vou sair com uma amiga.

Zélia     – Que amiga?

Nádia     – Você não conhece.

Omar      – É do bordel?

Nádia     – Talvez.

Zélia     – Esse tipo de pessoa não deve andar com os meus filhos. Eu acho que esse bordel deveria ser fechado e lacrado.

Nádia     – Estou indo, mãe. Não espere acordada.

Nádia levanta e sai. Mário (agora mais velho) entra na sala e senta à mesa.

Mário     – Onde é que a Nádia foi?

Omar      – Encontro.

Zélia     – Ela disse que ia se encontrar com uma amiga.

Mário     – Novidade.

Zélia     – sabe que amiga é essa, Mário? Estou preocupada.

Mário     – Não fique. É aquela menina do bordel, não sei o nome dela

Zélia     – Isso é motivo de preocupação, ela não deveria sair com essa gente.

Mário     – É só uma menina. Não é porque você odeia o bordel que todo mundo nessa casa deve odiar.

Omar      – Eu também odeio, não acho um bom lugar pra nossa cidade.

Mário     – Você era tão mais legal antes de entrar pra igreja, Omar.

Omar      – É o que eu quero fazer, pai. Eu quero ser padre.

Zélia     – Não escuta ele, Omar. Vem, vamos nos arrumar pra ir na igreja.

Mário     – Vai me deixar sozinho?

Zélia     – Você demorou demais, desculpa.

Zélia e Omar levantam da mesa e saem. Mário segue tomando café.

 

CENA 18. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha (jovem, cabelos loiros e pele clara) está sentada numa cadeira. Leonel (agora mais velho) entra e se aproxima.

Leonel    – Bom dia, filha. Eu nem te vi sair de casa.

Agatha    – Um caso mais cedo. Um homem foi assaltado.

Leonel    – E o bandido?

Agatha    – Eu cuidei disso, está preso já. (pausa) Eu sinto falta de quando isso aqui era mais agitado, sabe? Esse deve ser o único caso do dia. Essa cidade é muito calma, nada demais acontece.

Leonel    – É sempre assim, querido. Nós temos um período de primavera, onde tudo é bonito e calma e depois nós temos o inverno. E no inverno as coisas são feias e agitadas.

Agatha    – Que o inverno chegue logo então.

Leonel    – Algo me diz que ele está perto te chegar.

Leonel senta na cadeira próxima a filha. Eles sorriem.

 

CENA 19. HOTEL/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Rio de Janeiro

Pérola (jovem, pele clara, cabelos loiros) está sentada frente à TV. Marilda e Robson (ambos jovens, peles negras, cabelos crespos) estão sentados atrás dela.

Pérola    – Ah lá, vai falar sobre aquela cidadezinha.

Marilda   – A cidade que encontram pedras preciosas?

Pérola    – Exatamente! Calados!

Inicia-se o áudio da TV.

Repórter  – Encontram diamantes, esmeraldas e até um rubi em uma cidadezinha do interior da Bahia. A cidade, Porto dos Milagres, ganhou fama no Brasil inteiro e ficou conhecida como Porto dos Diamantes. Eu tenho certeza que a pessoa que encontrou está muito feliz agora.

O áudio volta a ficar off.

Pérola    – Nós perdemos uma grande oportunidade. É por isso que digo: não podemos mais ficar parados no Rio, precisamos agir.

Robson    – Isso não é uma competição, Pérola. Nós acabamos de voltar da África, preciso descansar.

Pérola    – E você vai poder descansar bastante depois que acharmos mais pedras.

Marilda   – Encontraram pedras preciosas nessa cidade, certo? Nós encontramos diamantes em cidades vizinhas na África, certo?

Pérola    – Certo.

Marilda   – E se na cidade vizinha de Porto dos Milagres há diamantes, esmeraldas e rubis também?

Pérola    – Seria como um presente divino. Qual é a cidade vizinha?

Marilda   – Google existe.

Marilda pega o celular e pesquisa. Pérola está ansiosa, Robson não se importa.

Pérola    – Achou?

Marilda   – Achei duas cidades vizinhas. A primeira é Serro Azul e a segunda é Ilhabela.

Pérola    – Ilhabela?

Robson    – Não vá me dizer que conhece alguém nesse fim de mundo.

Pérola    – Na verdade, conheço. Ela é dona de um bordel.

Marilda   – E como você conhece alguém assim?

Robson    – De repente essa conversa ficou interessante.

Pérola    – Safado! Não é nada disso que está pensando, eu conheci ela quando estava em Salvador.

Marilda   – Então vamos pra Ilhabela?

Pérola    – Ilhabela, aí vamos nós.

Marilda e Pérola riem. Robson encara as duas e sorri.

 

CENA 20. REDAÇÃO DE JORNAL/INTERIOR/DIA:

Rio, também.

Uma típica redação de jornal agitada. Um homem anda em meio a essas pessoas, ele está de costas. E quando se vira revela ser o Marcos.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 3

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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Tempo-10

 

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Marcos encara a parteira, perplexo. Ele senta na cama ao lado da Lúcia.

Marcos    – Como assim? O que aconteceu?

Parteira  – Eclampsia. (pausa) Não há nada a fazer.

Marcos    – Como não?

Parteira  – Não há, se estivéssemos no hospital (pausa) talvez, mas não aqui. Ela estava fraca demais, eu errei.

Marcos    – Aí deus!

Parteira  – É melhor você ir falar com o César, eu preciso cuidar do bebê.

Ele concorda. Marcos dá o bebê pra parteira e sai do quarto.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César está andando de um lado pro outro, nervoso. Marcos desce as escadas e se aproxima.

César     – (sorrindo) O que foi? É um menino? (sério) O que aconteceu?

Marcos    – É um menino, César.

César     – Um menino? É um menino, porra! (sério) Que cara é essa, Marcos?

Marcos    – O bebê está bem, a parteira está cuidando dele. Mas a Lúcia/

César     – (corta) Não! Não! Não me diga que… não! Não pode ser!

Marcos    – Ela faleceu, César. (pausa) Eu sinto muito.

César     – Não é possível! Não! Nãaaaaaaao! (grita)

Marcos    – Eclampsia. A parteira disse que ela estava fraca demais e que não podia fazer nada.

César     – (começa a chorar) Não, deus! Não pode ser!

Ele desata a chorar. Marcos o abraça e César retribui, desabando.

 

CENA 03. CEMITÉRIO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

O caixão sendo posto dentro da cova. Algumas pessoas vestidas de preto por perto, César e Marcos entre essas pessoas.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Marcos está lavando a louça. César entra na cozinha e se aproxima.

César     – Eu achei que você já tivesse ido embora.

Marcos    – Não, eu sei que você não sabe cozinhar então eu fiz o almoço e tem bastante pra janta também. (pausa) Eu tenho que ir, se quiser ajuda amanhã é só chamar.

César     – Eu vou chamar.

Marcos    – E o meninão da família?

César     – Ele está descansando. (pausa) Eu não sei se vou saber criar ele sozinho.

Marcos    – Você não está sozinho. Eu estou aqui e sei que a Lúcia também, de alguma forma, ela está.

Ele acaba de lavar a louça e ia saindo. César pega o braço dele e eles se encaram.

César     – Obrigado (pausa) por tudo o que você está fazendo por mim e pelo Lauro.

Marcos    – Lauro? É um bom nome, acho que a Lúcia ia gostar.

César     – Ela ia sim, é o nome que ela queria. (pausa) Mas sério, obrigado.

Marcos    – Não é nada. Eu tenho que ir agora.

Marcos sai da casa.

 

CENA 05. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Perseu está sentado no sofá, bebendo. Marcos entra e se aproxima.

Marcos    – Sabe que horas são, pai? O senhor está perdendo a noção! Não são nem meio-dia e já está bebendo.

Perseu    – Não encha a porra do meu saco, Marcos. é igualzinho a sua mãe, um chato!

Marcos    – Minha mãe é o motivo disso tudo? O senhor destruiu a nossa família.

Perseu    – Eu? Ela que me abandonou, Marcos, ela que nos abandonou.

Marcos    – Depois de você agredir ela diariamente.

Perseu    – Eu acho que ela tem nos visitado a noite.

Marcos    – O que?

Perseu    – Eu escutei passos no campo a noite e eu acho que ela.

Marcos    – E porque a mamãe ia ficar andando pelo campo de noite?

Perseu    – Pra me assustar. Ela quer a minha ruína!

Marcos    – O senhor está maluco!

Perseu    – Cala a boca! (pausa) E o outro, o vizinho?

Marcos    – O César está bem na medida do possível.

Perseu não diz nada, ele continua bebendo. Marcos bufa e sobe as escadas.

 

CENA 06. EXTERNA. DIA/NOITE:

Anoitece.

A chuva cai, carros na rua. Pessoas fugindo da chuva, o mato molhando.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César está deitado na cama, dormindo. O bebê começa a chorar e ele acorda, resmungando.

César     – Droga!

Ele levanta da cama e caminha até o berço. Ele pega o bebê e tenta acalmá-lo, em vão.

César     – O que você quer? Eu não sei o que você quer, Lauro.

Ele continua tentando, não conseguindo.

 

CENA 08. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

O telefone tocando. Marcos desce as escadas e se aproxima, atendendo.

Marcos    – Seja lá quem esteja ligando, já passou da meia-noite.

César     – Desculpa, Marcos, eu sei. Eu preciso de ajuda com o Lauro.

Marcos    – O que houve?

César     – Eu não sei, ele está chorando e eu não sei o que fazer, não sei o que ele quer.

Marcos    – Eu vou pegar a capa de chuva e estou indo.

Marcos desliga e sobe as escadas.

 

CENA 09. RANCHO DO PERSEU/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

O barulho da porta batendo acorda o Perseu. Ele levanta, confuso.

Perseu    – Marília? É a puta da Marília! Eu sabia.

Ele pega a espingarda que estava debaixo da cama e sai correndo.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César está esperando frente a porta. Marcos entra usando uma capa de chuva toda molhada.

César     – Obrigado! Ele não para de chorar, não sei mais o que fazer.

Marcos    – Eu vou subir.

César     – A capa, me dá a capa.

Marcos tira a capa e entrega ao César. O primeiro sobe as escadas.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Marcos com o bebê no colo, ele já não chora mais. César olhando.

Marcos    – Ele está quase dormindo.

César     – Obrigado, sério, muito obrigado por tudo.

Marcos    – Tudo bem, ele só estava com fome, só isso.

César     – Você falando parece tão fácil, mas eu achei que ele fosse morrer de tanto chorar.

Marcos    – Geralmente quando ele acordar de madrugada é porque está com fome, mas pode ser que a fralda precise ser trocada.

César     – Entendi, obrigado. E desculpa ter te tirado de casa nessa chuva.

Marcos    – Tudo bem, César. Eu disse que você poderia me chamar a qualquer hora.

César     – A Lúcia vai fazer falta.

Marcos    – Eu sei que vai, eu sinto falta dela, das conversas com ela.

César     – Eu também.

Marcos    – Ele dormiu. É melhor nós descermos.

Marcos bota o bebê no berço e sai. César vai logo atrás.

 

CENA 12. CAMPO/EXTERIOR/NOITE:

Perseu andando pelo campo na chuva. Ele está armado e apontando pra vários lugares. Ele está se afastando a sua casa e se aproximando da casa do César.

Perseu    – Será que a vadia foi se esconder na casa do César?

Ele se segue se aproximando da casa do César, olhando pra vários lugares.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César sentam no sofá e eles se encaram. Marcos sorri.

Marcos    – Eu sei que já falei isso, mas eu quero deixar claro: eu estou aqui para te ajudar.

César     – Eu sei e obrigado, mas eu não quero te acordar de madrugada pedindo ajuda toda vez que o Lauro chorar.

Marcos    – Não tem problema me chamar, pode me chamar a hora que for. Eu venho!

César     – Obrigado por tudo.

Marcos    – Não é nada já disse.

Perseu se aproxima da janela e vê os dois sentados, juntos.

Marcos    – Eu tenho que ir, agora. Boa noite e qualquer coisa, já sabe.

Ele levanta, mas o César segura a mão dele. Eles se encaram. Perseu olha a cena.

César     – Eu estava pensando (pausa) quer ser o padrinho do Lauro?

Marcos    – É claro que sim.

César sorri e levanta. Eles se abraçam. Perseu engatilha a arma, olhando.

 

CENA 14. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra na sala, tira a capa de chuva e quando ia subir a escada se depara com o Perseu apontando a arma pra ele.

Marcos    – Pai?

Perseu    – Eu estava certo. Eu sempre estive certo! A sua mãe lhe criou mal, ela te criou como uma menininha!

Marcos    – Pai, o que está acontecendo? Baixa essa arma.

Perseu    – Eu vi, Marcos. Eu escutei um barulho estranho e fui ver pra ver se era a sua mãe, mas não era ela. Era você!

Marcos    – O que o senhor está falando? Baixa isso por deus!

Perseu    – Esse tempo todo… todos os barulhos a noite no campo eu achava que era a sua mãe, era você com o seu namoradinho de merda.

Marcos    – O que? Pai eu não namoro ninguém, isso é loucura!

Perseu    – O César, Marcos. Ele é seu namorado? Viadinho de merda!

Marcos    – Ele não é o meu namorado, ele ama a Lúcia e sempre vai amar a Lúcia.

Perseu    – É melhor você parar com esse teatro porque eu vi. Eu vi você se pegando com o César.

Marcos    – O senhor claramente enlouqueceu.

Perseu    – Eu não admito isso! Filho meu não pode ser viado! Você vai virar homem, querendo ou não.

Marcos    – (ri) Eu não sei o que você viu, mas eu e o César não somos namorados. (pausa) E eu sou homem, pai, mesmo gostando de outro homem eu continuo sendo homem.

Perseu    – Homem que ama outro homem não é homem. É viado! É pecador! É sujo!

Marcos    – E você acha mesmo que eu vou deixar de gostar de outro cara porque você está me ameaçando?

Perseu    – Acho não, eu tenho certeza porque senão… eu te mato!

Perseu larga a arma e se aproxima do Marcos que recua. Perseu joga o filho na parede e dá um soco na barriga dele. Marcos tenta se defender, não consegue, Perseu dá um soco no rosto do Marcos. Ele cai.

Perseu    – Levanta!

Marcos    – (sem forças) Pai, para, por favor, para.

Perseu    – Levanta seu merda! Levanta senão vai ser pior. Levanta!

Marcos levanta, com dificuldade. Perseu dá outro soco no rosto de dele, e outro na barriga e um chute na perna. Marcos cai novamente e Perseu continua chutando ele.

Perseu    – É isso que você merece! É isso seu viado!

Marcos    – (chora) Pai, por favor.

Perseu    – Para de chorar! Viado! Nojento!

Ele dá mais um chute e se afasta. Perseu ri e começa a subir as escadas. Marcos se arrasta pelo chão até a espingarda. Ele levanta, com muita dificuldade, e aponta a arma pro pai.

Marcos    – Pai!

Perseu    – (olha) Vai fazer o que? Viado nojento!

Perseu começa a ri. Marcos engatilha a arma e atira na barriga do Perseu que cai.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Segundo Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Lúcia está ajoelhada na frente do vaso, vomitando. Ela está soando.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Lúcia sai do banheiro, soando. César entra no quarto e se aproxima dela.

César     – Está bem?

Lúcia     – Estou bem, eu acho. Eu só estou enjoada.

César     – Deve ter sido algo que comeu ontem.

Lúcia     – Não comi nada demais ontem, César. Eu estou bem, deve ser só um enjoo normal.

César     – Eu estou indo na cidade, então. Qualquer coisa grita que eu venho correndo.

Ela sorri e ele a beija. César sai do quarto e Lúcia deita na cama.

 

CENA 03. RANCHO DO PERSEU/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Marcos sai de seu quarto, anda pelo corredor e encontra o pai sentado no chão, bêbado.

Marcos    – Pai!

Ele se aproxima e o levanta.

Marcos    – O senhor está bem?

Perseu    – Na medida do possível, estou bem.

Marcos    – Não quero ver o senhor se destruindo assim, pai.

Perseu    – Eu estou bem! Não estou me destruindo, caramba.

Marcos    – Olha pra você, pai. O senhor está na merda, está doente.

Perseu    – Me coloca na cama, Marcos, e cala a boca.

Marcos    – Cama? Nada disso, o senhor precisa de um banho frio.

Marcos leva o pai pelo corredor até o banheiro.

 

CENA 04. RANCHO DO PERSEU/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Perseu está dentro da banheira, se lavando, e Marcos está escovando suas costas.

Marcos    – Pai (pausa) a mãe vai vir me buscar e eu vou com ela.

Perseu    – Não!

Marcos    – Eu não posso te ver se destruindo assim, pai. O senhor precisa entender que está doente e que precisa de ajuda.

Perseu    – Eu estou bem! Eu estou bem! Eu só quero beber, fumar e foder em paz, caralho!

Marcos    – Não é só isso, pai, e o senhor sabe disso.

Perseu    – Chega desse papo Marcos! Chega desse inferno!

Marcos    – Eu vou visitá-lo toda semana para ver como o senhor está.

Perseu    – Você não vai embora com a sua mãe, Marcos. Ela não vai voltar atrás de você.

Marcos    – Ela disse que voltaria.

Perseu    – Ela não vai! Ela não te ama! Ela não me ama! Ela só queria sair daqui pra fugir com o amantezinho dela.

Marcos    – Não! O senhor está maluco. A minha mãe nos ama e ela só saiu daqui por que você estava machucando ela.

Perseu    – Eu não estava machucando ela, eu estava dando uma lição nela. Uma mulher não tem que se meter na vida do marido! E ela precisava aprender isso.

Marcos    – Pai, não é assim que funciona!

Perseu    – Frouxo! A sua mãe te deixou um frouxo, um merdinha, mas agora que ela foi embora eu vou te transformar num homem de verdade, filho. (pausa) Você vai aprender a ser homem, entendeu?

Marcos    – Eu sou homem e não quero ser um homem igual a você.

Perseu    – Mas vai ser e é assim que todos os homens são, a não ser que você seja um viadinho. (pausa) Chega! Eu termino de tomar banho sozinho, pode ir.

Marcos    – Eu vou ver a Lúcia, volto mais tarde.

Perseu    – Ela é noiva, Marcos. Olhar mulher alheia é feio.

Marcos    – Eu não gosto dela, pai, não desse jeito.

Perseu    – É claro que gosta. Ela é mulher, gostosa! É meu tipo de mulher, filho.

Marcos    – Eu tenho que ir.

Ele sai correndo. Perseu continua se banhando.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos entra na casa, olho pros lados. Ele anda um pouco pela sala e não vê ninguém.

Marcos    – (grita) Lúcia?

Lúcia     – (longe/off) Aqui em cima!

Marcos    – (grita) Estou subindo.

Marcos sob as escadas.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Lúcia está deitada na cama. Marcos entra e se aproxima dela, sentando ao seu lado.

Marcos    – Ei! tá bem?

Lúcia     – Não sei, acho que não. Eu estou enjoada a um algum tempinho, mas hoje o enjoo piorou.

Marcos    – Nossa! O César sabe?

Lúcia     – Não, ele só descobriu hoje e eu não contei que já faz alguns dias, não queria preocupá-lo.

Marcos    – Foi ao médico?

Lúcia     – Não achei que fosse preciso, mas agora estou preocupada.

Marcos    – Eu te levo.

Lúcia     – Não vai ser um incomodo, eu soube da sua mãe?

Marcos    – Não, não vai. O que ela fez foi o melhor pra ela e pra mim

Lúcia     – Eu imagino que sim.

Ele a levanta e eles saem juntos.

 

CENA 07. RANCHO DO PERSEU/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Perseu entra, enrolado na toalha. Ele se agacha e pega um baú que estava debaixo da cama. Perseu abre o baú e tira uma espingarda de dentro dele.

Perseu    – Está na hora de matar essa vagabunda!

Ele encara a arma, sádico.

 

CENA 08. RANCHO DO PERSEU/FRENTE À CASA/INTERIROR/DIA:

Perseu, já vestido, em frente à casa segurando a espingarda. Marília se aproxima da casa.

Perseu    – Eu sabia que você ia vir, vagabunda.

Marília   – Eu não posso deixar o meu filho contigo. Onde ele está?

Perseu    – Não aqui. E você não vai levá-lo daqui.

Marília   – Ele é meu filho!

Perseu    – Ele é meu filho também e eu vou criá-lo muito melhor que você.

Marília   – Ele já é um homem feito, Perseu, ele pode decidir com que vai viver e ele não quer viver com você.

Perseu    – Esse é o problema, Marília! Você o criou tão mal que o garoto nem homem é.

Marília   – E que tipo de homem que você quer que ele se torne? Igual a você?

Perseu    – Exatamente, Marília.

Marília   – Eu não quero que o meu filho se torne uma pessoa asquerosa como você.

Perseu    – É melhor ele ser igual a mim do que um viado de merda.

Marília   – Olha o que você fala, deixa eu entrar e pegar o meu filho.

Perseu    – Você não entra mais aqui, vadia. Não pisa mais na minha casa e nem toca no meu filho, nunca mais!

Marília   – E quem vai me impedir?

Perseu    – Eu e a minha arma, vadia de merda.

Marília   – Você nunca disparou isso, nunca disparou arma se quer.

Perseu    – Sempre tem a primeira vez!

Ele aponta a arma pra ela, com a mão no gatilho. Marília recua.

Perseu    – Se eu souber que você pisou aqui ou que você falou com o Marcos, eu te mato!

Marília   – Não pode fazer isso.

Perseu    – Eu posso e vou! É um aviso, Marília, se você não se alertar, eu caço e te mato.

Marília   – Eu tenho nojo de você, Perseu. Nojo!

Ela começa a chorar. Ele aponta a arma pro chão, próximo ao pé dela, e atira. Ela se assusta.

Perseu    – A próxima bala eu acerto se você não sair daqui.

Marília   – Maluco! Nojento!

Perseu    – Sai daqui!

Ele aponta a arma pra cima e atira. Marília sai correndo, chorando.

 

CENA 09. CONSULTÓRIO MÉDICO/SALA/INTERIOR/TARDE:

Começo de tarde.

Marcos e Lúcia estão sentados. O médico entra com um papel em mãos.

Lúcia     – O que eu tenho, doutor?

Marcos    – É algo grave, doutor?

Médico    – Não, podem ficar despreocupados. É algo ótimo!

Lúcia     – Ótimo! O que é?

Médico    – Você está grávida, Lúcia!

Lúcia     – Grávida? Aí meu deus, Marcos, eu estou grávida!

Marcos    – (enciumado) É, eu escutei. (pausa) Parabéns.

Lúcia     – Obrigada. (animada) Aí meu deus! Eu estou grávida!

Ela toda animada, a comemorar. Fecha em Marcos, triste e enciumado.

 

CENA 10. BAR/INTERIOR/TARDE:

César está sentando no banco, bebendo. Perseu entra no bar e se aproxima.

Perseu    – César!

César     – Perseu! Eu soube da sua esposa, como você tá?

Perseu    – Estou bem e não quero falar dessa vagabunda, eu só quero beber.

César     – Boa bebedeira pra você, eu tenho que ir.

Perseu    – Como assim? Eu acabei de chegar, César.

César     – A Lúcia/

Perseu    – (corta) Esquece a sua esposa só por um tempinho e bebe comigo, depois pode ir atrás dela.

César     – Está bem, mas é só uma rodada hein.

Perseu senta ao lado dele e eles começam a beber, copo atrás de copo.

 

CENA 11. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Marcos entra em casa, bravo. Ele derruba coisas no chão, pega uma garrafa de uísque e começa a beber.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César entra em casa e vê a Lúcia sentada no sofá. Ele se aproxima, bêbado.

César     – Desculpa, amor. Eu estava no bar com o Perseu e perdi a hora.

Lúcia     – Isso não importa agora, César. Senta aqui.

César     – Está melhor? (ele senta ao lado dela) O que foi?

Lúcia     – Eu fui ao médico com o Marcos pra ver o que era.

César     – Aí deus! É grave?

Lúcia     – Não, calma. É algo ótimo pra mim, mas não sei se vai ser pra você. (pausa) Eu estou grávida!

César     – O que?

Lúcia     – Eu sei, é cedo. Nós nem casamos ainda e eu engravidei.

César     – Isso é ótimo!

Lúcia     – acha mesmo?

César     – É claro, meu amor. É tudo o que eu queria, um filho!

Eles se abraçam, se beijam. César bota a mão na barriga dela, feliz.

 

CENA 13. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos está sentado no chão, bebendo. Perseu entra e vê a bagunça.

Perseu    – O que aconteceu aqui, Marcos?

Marcos    – A mamãe não veio, né?

Perseu    – E você achou que ela iria vir atrás de ti? (ri) Idiota!

Ele sobe as escadas, rindo. Marcos chora e bebe o uísque.

 

CENA 14. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nove meses depois

Perseu está andando na rua, bêbado. Ele esbarra na parede e nas pessoas.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Lúcia está deitada na cama, soando frio. Entre as pernas dela está uma parteira e o Marcos ajudando as duas.

Marcos    – Você está indo bem, Lúcia. Continua assim!

Parteira  – Empurra! Eu estou vendo a cabeça, Lúcia!

Ela grita, fazendo força. Marcos segura a mão dela, sorrindo.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César está bebendo uísque. Ele anda pra um lado e pro outro, nervoso.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lúcia gritando muito, ela está soando. Marcos segurando a mão dela.

Parteira  – Marcos! Ela está não conseguindo.

Lúcia     – Estou sim! (ela grita)

Marcos    – O que está acontecendo?

Parteira  – Ela (pausa) empurra Lúcia! Empurra!

Marcos    – O que está acontecendo?

Parteira  – Ela não está com forças, ela não estava pronta.

Marcos    – Como assim? Ela sentiu as dores e você disse que ela estava pronta.

Parteira  – Eu errei! (a Lúcia) Empurra! Empurra essa criança!

Lúcia continua fazendo força. Logo depois, o bebê nasce, mas ele não chora. Marcos e a parteira se encaram.

Lúcia     – O meu bebê! O que aconteceu com o meu bebê?

A parteira dá um tapa no bumbum do bebê e ele chora. Eles respiram, aliviados.

Parteira  – Graças a deus.

Lúcia     – Eu (pausa) eu… eu…

Ela começa a se contorcer, tremer. Marcos segura a mão dela, firme. Logo depois, Lúcia para de tremer.

Marcos    – O que aconteceu?

Parteira  – Segura o bebê.

Ele segura o bebê. Ela se aproxima da Lúcia e checa a pulsação dela.

Parteira  – Ela morreu!

 

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

 

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HOJE em FALSO HORIZONTE | Segundo Capítulo

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, close-up

Eliane Giardini interpreta a sofrida “Marília”

FALSO HORIZONTE | Capítulo 02: Terça-Feira, 25 de julho:

 

NARRADOR – O casamento de Marília e Perseu está cada vez pior:

Perseu respira fundo e dá um tapão na Marília. Ela cai no chão. Ele se agacha e pega o cabelo da Marília.

Perseu – Vagabunda de merda!

Marília – Me solta!

 

NARRADOR – E agora, esse casamento pode acabar de vez:

Perseu – Eu sabia que você ia vir, vagabunda.

Marília – Eu não posso deixar o meu filho contigo. Onde ele está?

Perseu – Não aqui. E você não vai levá-lo daqui.

 

NARRADOR – Hoje a partir das 22h, não percam o segundo capítulo de Falso Horizonte!

FALSO HORIZONTE | Primeiro Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/EXTERIOR/DIA:

Ilhabela – Ano de 1995

Interior da Bahia

 

Bois, vacas e bezerros em seus cercadinhos, se alimentado. Um homem andando frente a esses cercados, indo em direção a uma casa.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

O mesmo homem, César, – alto, bonito, caucasiano – entra na cozinha. Ele senta numa cadeira e CÂM mostra uma mulher, Lúcia, – bonita, cabelos pretos e pele clara – cozinhando.

Lúcia     – Bom dia, amor.

César     – Bom dia. Eu estou muito feliz, a produção de leite hoje foi excelente.

Lúcia     – Isso é ótimo! (pausa) Vai na cidade que horas?

César     – Daqui a pouco. Está fazendo o que de bom aí?

Lúcia     – Só uma comidinha. O Marcos está vindo pra me ajudar com a sobremesa.

César     – Ele anda sumido.

Lúcia     – É ciúmes.

César     – Ciúmes? Não sabia que o Marcos gostava de você.

Lúcia     – Não é de mim que ele tem ciúmes, é de você.

César     – Não fala besteira! Eu sou sujeito homem.

Lúcia     – Eu sei amor, mas isso não muda o fato dele gostar de você.

César     – Para com esse papo!

Ele levanta, a beija e sai da cozinha.

 

CENA 03. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Uma mulher, Marília, – cabelos pretos, bonita e pele clara – está sentada, lendo jornal. Um homem, Marcos, – bonito, cabelos pretos e pele clara – desce as escadas.

Marcos – Estou indo no rancho do César.

Marília   – Não é pra voltar tarde hein. (olha pra ele) Está lindo!

Marcos    – Obrigado. E o papai?

Marília   – Chegou tarde, bêbado, e ainda está dormindo. Mas eu preciso acordá-lo.

Marcos    – Toma cuidado com ele, mãe. Ele não está bem e isso anda machucando você.

Marília   – Eu estou bem, filho.

Marcos    – Não está, mãe. Eu sei. Ontem mesmo estava com o braço todo roxo.

Marília   – Eu caí!

Marcos    – Eu acreditava nisso antigamente, mas não hoje. Eu sei o que ele faz contigo e me dói não poder fazer nada.

Marília   – Eu sei, filho. Mas eu estou bem, não se preocupa comigo.

Ele se inclina e beija o rosto da mãe. Marília retribui o beijo e ele sai.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

César está sentada frente à casa, fumando. Marcos se aproxima dele.

Marcos    – Bom dia, César.

César     – Bom dia.

Marcos    – A Lúcia está aí? Eu vou ajudá-la na sobremesa.

César     – Ela está na cozinha.

Marcos    – Claro. (pausa) Está tudo bem? Está estranho.

César     – Está tudo ótimo.

Marcos, estranhando, entra na casa. César continua fumando.

 

CENA 05. RANCHO DO PERSEU/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Um homem, Perseu, – cabelos brancos, pele clara – está deitado na cama, dormindo. Marília entra e se aproxima.

Marília   – Perseu!

Perseu    – (sonolento) O que foi?

Marília   – Já passou da dez, precisa ir na cidade entregar as carnes.

Perseu    – (sonolento) Você não gosta de ficar andando pra lá e pra cá? Vá você!

Marília   – Eu gosto? Você está chegando pela manhã todos os dias. Eu nem durmo preocupada contigo, Perseu.

Perseu    – (sonolento) Eu sou homem e tenho as minhas necessidades. E eu nunca te pedi pra me esperar.

Marília   – Mas eu me preocupo/

Perseu    – (corta/grita) Chega! Eu acordei! Estou indo na cidade.

Marília   – Perseu/

Perseu    – (corta) O que é, caramba?

Marília   – Nada não.

Ela sai do quarto, cabisbaixa.

 

CENA 06. RANCHO DO PERSEU/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Marília sai do quarto. Ela encosta na parede e desata a chorar, atordoada.

Marília   – (chorando) Eu não aguento mais! Eu… aí meu deus! Eu não posso mais!

Ela limpas as lágrimas e sai do corredor, triste e cabisbaixa.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Lúcia está cozinhando. Marcos entra e se aproxima dela.

Lúcia     – Marcos! Saudades de você, não vem mais aqui.

Marcos    – É, eu precisava ficar mais tempo em casa ao lado dos meus pais.

Lúcia     – É claro sim. Eu sinto saudade dos meus pais todos os dias.

Marcos    – O que aconteceu com o César? Isso tem a ver com a produção de leite?

Lúcia     – Não, não. Está tudo bem com a produção. Ele está ótimo.

Marcos    – Então é só comigo. Ele quase nem olhou na minha cara.

Lúcia     – Aí deus! Eu disse a ele que você andou sumido porque você gosta dele, deve ser por isso.

Marcos    – Porque você disse isso? Isso não é verdade!

Lúcia     – É sim e todo mundo sabe, menos o César porque ele é homem.

Marcos    – Lúcia, eu/

Lúcia     – (corta) Está tudo bem, Marcos. Eu sei que o César é bonito e que ele vai atrair olhares.

Marcos    – Mas eu sou seu amigo, não deveria gostar dele.

Lúcia     – Então trate de esquecer ele e eu digo isso pro seu bem: ele nunca vai te olhar desse jeito.

Marcos    – Eu sei e vou fazer isso.

Lúcia     – Ótimo! Agora me ajuda a fazer a sobremesa, não faço ideia de como fazer isso!

Marcos começa a ajudar a Lúcia. Eles brincam, riem e conversam em off.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SALA DA JANTAR/INTERIOR/TARDE:

Começo de tarde.

Lúcia e Marcos estão servindo a mesa. César está sentado nela.

Lúcia     – Está uma delícia, amor. E depois ainda tem uma sobremesa feita pelo Marcos.

Marcos    – E pela Lúcia também. Você também ajudou.

Lúcia     – Eu tentei.

Marcos    – Eu vou indo, minha mãe deve estar me esperando.

Lúcia     – Não! Fica e almoça com a gente.

Marcos    – Eu posso?

Lúcia     – Pode! É lógico que pode, não é César?

César     – Pode, pode sim.

Marcos e Lúcia sentam a mesa. Os três começam a almoçar.

 

CENA 09. RANCHO DO PERSEU/SALA DE JANTAR/INTERIOR/TARDE:

A mesa posta, Marília sentada numa cadeira. Ela olha pro relógio da parede e bufa.

Marília   – Onde que esse homem tá, senhor? (pausa) Chega! Cansei dele.

Ela começa a almoçar.

 

CENA 10. BAR/EXTERIOR/TARDE:

Perseu está sentado num banco, bebendo. Ele bebe um, dois, três copos de cachaça.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/TARDE:

Lúcia e Marcos estão lavando a louça. César entra e se aproxima.

César     – Estão acabando aí?

Marcos    – Só falta mais um prato e dois copos.

Lúcia     – Está com pressa?

César     – Um pouco. Eu quero ficar sozinho com a minha recém noiva, Marcos.

Marcos    – É claro que quer. Eu não devia ter ficado pro almoço, sinto muito.

Lúcia     – Não, Marcos/

Marcos    – (corta) É sim, Lúcia. Eu claramente estou atrapalhando o casal.

Ele larga o prato na pia e sai da casa. Lúcia encara o César.

Lúcia     – Olha o que você fez!

César     – Eu só quero ficar mais perto da minha esposa, só isso.

Lúcia     – Não é só isso! Isso é preconceito, César.

César     – É preconceito não querer uma pessoa duvidosa dentro da minha casa?

Lúcia     – Duvidosa? Vá atrás dele e pede desculpas, agora!

César     – Droga!

César vai atrás, contrariado.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/TARDE:

Marcos está saindo e César o alcança. Eles se encaram.

César     – Não faz assim, Marcos.

Marcos    – Não faz assim, como? É óbvio que eu estou sendo um incomodo!

César     – Não está não. Eu me expressei mal, só quero ficar mais próximo da Lúcia.

Marcos    – Eu entendo, estou indo embora por isso.

César     – Não! Está indo embora porque acha que eu não gosto de você.

Marcos    – Não gosta?

César     – Como amigo, gosto. Você é amigo da Lúcia e é meu amigo.

Marcos    – Eu vou embora do mesmo jeito, quero deixar vocês dois sozinhos.

César     – Mas está tudo bem?

Marcos    – Está, é claro.

Marcos sai. César bufa e entra na casa.

 

CENA 13. BAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Perseu está bebendo no bar. Marília entra no bar e se aproxima.

Perseu está com voz embriagada durante todo esse diálogo e nas cenas seguintes.

Marília   – Perseu? Eu sabia que você estava aqui.

Perseu    – O que está fazendo aqui?

Marília   – O que eu estou fazendo aqui? Você não veio almoçar e ficou bebendo com essa gentinha.

Ela desata de chorar.

Marília   – Eu estou cansada! Você está acabando com o nosso casamento

Perseu    – Você fala demais, Marília. Não dá! Cala a boca!

Marília   – Perseu! Venha pra casa comigo, Perseu.

Perseu    – Não!

Marília   – Eu tô te pedindo pelo amor de deus, se você ainda me ama e ama o nosso filho, venha comigo.

Perseu    – Chata! Isso é um saco, sabia?

Marília   – Você vem?

Perseu    – Estou indo, caramba.

Ele levanta, mas não consegue ficar em pé e logo caí. Marília chora mais.

Marília   – Você não consegue nem ficar em pé, Perseu.

Perseu    – Eu consigo sim. (ele levanta) Consegui!

Marília   – Então vem comigo. Nós vamos pra casa.

Ele se apoia nela e sai. Marília limpa as lágrimas, mas ainda chora.

 

CENA 14. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Marília chora, carregando o marido. Ele não consegue se equilibrar direito.

 

CENA 15. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marília e Perseu entram em casa. Ela larga o marido e ele consegue ficar em pé.

Marília   – Eu estou farta! Perseu, olha pra mim.

Perseu    – O que foi, caramba?

Marília   – Olha pra mim! Eu estou cansada, homem. Eu não posso mais deixar de comer e dormir por causa de você. Você precisa tomar jeito!

Perseu    – É crime querer beber com os amigos de vez em quando?

Marília   – Não é de vez em quando! É sempre! Todos os dias! Ou você me promete que essa foi a última vez ou/

Perseu    – (corta) Ou o que? Vai me deixar, vagabunda!

Marília   – Eu não posso deixar você fazer isso comigo, não posso.

Perseu    – E vai deixar o seu filho querido?

Marília   – Não, ele vem comigo. Não vou deixar você destruir a vida dele.

Perseu    – Ele não vai contigo! Ele é homem e precisa ser criado por um homem também.

Marília   – Ele é o meu filho!

Perseu    – E é meu também, vagabunda. (pausa) É isso mesmo o que você quer? Me deixar?

Marília   – Não porque eu te amo, mas eu não posso mais viver assim.

Perseu respira fundo e dá um tapão na Marília. Ela cai no chão. Ele se agacha e pega o cabelo da Marília.

Perseu    – Vagabunda de merda!

Marília   – Me solta!

Ele solta e se aproxima do sofá, sentando nele. Marília levanta e sobe as escadas, chorando muito.

 

CENA 16. RANCHO DO PERSEU/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Marília está arrumando a mala, rápida. Ela chora enquanto faz. Marcos entra no quarto e se aproxima.

Marcos    – Mãe?

Marília   – Eu estou indo embora, Marcos, mas eu não posso te levar agora. Eu volto, eu juro.

Marcos    – Não me deixa sozinho com ele, mãe. Eu não vou aguentar.

Marília   – Eu não vou, eu vou voltar e vou te levar comigo.

Marcos    – Promete?

Marília   – Prometo! Juro! É sério, eu vou e vou voltar amanhã mesmo para te levar comigo.

Ela beija o filho e sai levando a mala. Marcos vai atrás.

 

CENA 17. RANCHO DO PERSEU/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Perseu está deitado no sofá. Marília desce as escadas com a mala. Marcos a encara da escada. Ela abre a porta e sai.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Estreia Amanhã às 22h

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Conheça os personagens principais do elenco fictício da próxima novela das 22h, que estreia segunda (24) :

 

Lauro Oliveira Mendonça (Johnny Massaro) pouco mais de vinte anos. É um menino esperto e que sonha em assumir o lugar do pai quando o mesmo morrer. Lauro ama o seu pai, mas não tem muita sintonia com ele já que ambos pensam diferente sobre a vida. E quando Pérola entra na sua vida ele se apaixona e fica dividido: impedir que ela escave as terras de seu pai ou entregar o seu amor a ela. Esse romance não será impedido só pelo pai, mas também pela Nádia que gosta dele. Lauro não quer nada com ela a não ser sexo. Ele sente falta de sua mãe mesmo sem ter a conhecido e, no fundo, se culpa pela morte dela.

Pérola Freire (Bruna Linzmeyer) – pouco mais de vinte anos. Ela ganhou muito dinheiro achando pedras preciosas em terras alheias e se orgulha disso. Nunca amou ninguém na vida, mas isso muda quando conhece o Lauro. Ela chega na história já criando dois inimigos: César e a Nádia, e não tem problemas com isso e está sempre pronta para uma briga.

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César Mendonça (Thiago Lacerda) – começa a história com vinte poucos anos e na segunda fase tem quarenta poucos. Antes da morte da Lúcia, ele era um homem doce que havia acabado de herdar uma fortuna, depois se torna um outro homem. O novo César é chato, rabugento e vive reclamando de tudo. Ele ama o filho e quer que ele assuma tudo após a sua morte. César sente falta do seu amigo, Marcos.

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Marcos Gusmão Sampaio (Reynaldo Gianecchini) – tem a mesma idade do César. É uma pessoa invejosa e capaz de tudo para conseguir o que quer. Ele se viu apaixonado pelo César e quando a Lúcia morreu, viu uma oportunidade. Não conseguiu o romance que queria já que César é heterossexual. O seu pai acaba descobrindo que ele é gay e numa discussão, Marcos acaba baleando o Perseu. Ele decide fugir da cidade e só volta anos depois disposto a conquistar o César.

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Nádia Almeida Souza (Marina Nery) – É uma menina assanhada, ama sexo e usa isso para conseguir o que quer. Mas isso acaba quando ela se apaixona pelo Lauro. Não tem uma boa relação com a mãe, mas tem com o pai.

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FALSO HORIZONTE | Estreia Segunda às 22h

 

C FH

 

Conheça um pouco da história do seu novo horizonte das 22h:

“César é o dono de uma fazenda e seu filho, Lauro, aprende os oficios para que um dia herde tudo. O que eles não sabem é que debaixo dessa fazenda há diamantes e a Pérola, uma caçadora de pedras preciosas, chega a cidade com a objetivo de pegar os diamantes.
Quem não vai gostar disso é o Mário, vizinho de César, que sente inveja por não ter dado a mesma sorte que ele. E por causa disso, ele será capaz de tudo para conseguir os diamantes.
Além disso, a chegada de Marcos -um antigo amigo de César – vai botar a cidade de pernas pro ar.”

 

 

 

Encontro com Fátima Bernardes 05/07/2017 – Fátima recebe o ator Alexandre Borges

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O Encontro com Fátima Bernardes desta quarta-feira 05/07/2017, traz muitas atrações para que a sua manhã tenha ainda mais entretenimento e informação.

Tem o debate de mais alguns temas interessantes que são debatidos entre a apresentadora e seus convidados que falam mais sobre os assuntos do dia que são assuntos atuais que vem sendo debatidos entre a população.

Fátima recebe o ator Alexandre Borges. A música fica por conta das cantoras Wanderléa e Sandra de Sá.