FALSO HORIZONTE | Capítulo 22

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Agatha e Leonel se encarando. Thiago só observando.

Zélia     – É o que? Expliquem isso agora mesmo.

Leonel    – Uma mulher foi encontrada morta no rancho vizinho e ele é o nosso principal suspeito.

Agatha    – E nós queremos acompanhá-lo para delegacia.

Zélia     – O assassinato não aconteceu aqui, certo? Aconteceu lá! Prendam o César e não o meu marido.

Leonel    – Nós temos provas que o seu marido a matou e não o César.

Agatha    – Aonde é que está o Mário?

Zélia     – Eu não falo e até onde eu sei vocês precisam de um mandato pra revistar a minha casa. Então, tchau.

Leonel    – (sorri) Isso aqui não é a capital, Zélia. Nós não temos um tribunal, nós dois fazemos as regras.

Zélia     – Pois eu não digo onde o Mário está.

Agatha    – (ao Thiago) Onde está o seu chefe?

Zélia     – Não diz!

Thiago    – Lá em cima, no quarto.

Agatha    – Obrigada.

Agatha sobe as escadas. Zélia ia pra cima do Thiago, mas o Leonel a segura.

Leonel    – Quer ser presa por agressão, Zélia? Não, né?

Zélia     – (ao Thiago) Você está demitido! Sai daqui!

Thiago não o faz. Zélia se ajeita e encara o Leonel, furiosa.

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Agatha entra e encontra o Mário saindo do banheiro, ele se surpreende.

Mário     – O que é isso?

Agatha    – Você está preso!

Mário     – Isso é loucura! O que foi que eu fiz? Posso saber?

Agatha    – Você está sendo acusado do assassinato da Marilda.

Mário     – Marilda? Eu nem sei quem é essa! Isso é coisa do César, né? Isso é ele tentando me culpar.

Agatha    – Mário, não resista a prisão, vai ser pior.

Mário     – Não estou resistindo, estou questionando. É loucura!

Ela se aproxima e o joga na parede, o prendendo. Ele começa a gritar e eles saem.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar comendo alguma coisa e vendo TV. Eles escutam os gritos do Mário.

Nádia     – O que é isso?

Omar      – É o papai!

Eles se encaram, levantam e saem do quarto, preocupados.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Mário sendo levado pela Agatha. Omar e Nádia saem e vêm a cena.

Nádia     – Pai?

Omar      – O que aconteceu? Solta ele! Solta o meu pai!

Agatha    – O seu pai está sendo levado à delegacia, sua mãe vai explicar vocês o que está acontecendo.

Leonel    – Eu vou voltar, filhos. Isso é coisa do César, eu volto.

Agatha sai com o Leonel. Nádia e Omar, confusos, seguem atrás.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário, Agatha e Leonel saem. Nádia e Omar descem as escadas e se aproximam da Zélia.

Nádia     – Que merda está acontecendo, mãe? O que o papai fez?

Zélia     – Ao que parece que matou a Marilda, menina que trabalhava aqui com a Pérola.

Omar      – E porque ele faria isso?

Zélia     – E eu sei? Eu só sei que ele é o principal suspeito. O corpo foi achado no quintal do vizinho.

Nádia     – Ele disse que é uma armação do César, é possível?

Zélia     – Não, isso é loucura do seu pai. O César não tem nada a ver com isso.

Omar      – E como você sabe?

Zélia     – Eu conheço o César.

Nádia     – Então está dizendo que o papai matou essa moça?

Zélia     – Não sei, vai saber. O seu pai chegou em casa estranho, gritou comigo sem motivo. Pode ser!

Omar      – Meu deus! O nosso pai é um assassino? Quer dizer, quantas mais foram mortas por ele?

Nádia     – Como você está de boas com isso, mãe? É o papai sendo preso por assassinato.

Zélia     – Eu estou de boas porque o seu pai não me importa agora. O que me importa agora sou eu! É a nossa família! Eu estou concorrendo a prefeitura. Vão foder com a gente agora. É isso que eu me importo!

Nádia     – Meu deus! Você se tornou uma pessoa fria, mãe. Como você pode pensar nisso nessas horas?

Zélia     – É a realidade, filha. Não vou mentir pra vocês.

Omar      – Vamos subir, Nádia. É melhor a gente subir.

Nádia     – Omar/

Omar      – (corta) É melhor a gente subir, Nádia.

Nádia e Omar sobem as escadas. E Zélia, bufando, senta no sofá.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago está sentado numa cadeira. Amparo entra e senta ao lado dele.

Amparo    – Consegui dá uma saída lá do rancho. E aí?

Thiago    – E aí que levaram ele. Isso é inacreditável! É o seu Mário sendo preso por assassinato.

Amparo    – Não é? Ele é maluquinho, nós até suspeitamos que ele pudesse roubar as pedras. Mas matar essa moça?

Thiago    – E sabe que eu lembrei agora? O Mário sendo preso afeta na candidatura da Suzana com a Zélia.

Amparo    – É mesmo. Ligou pra Leila?

Thiago    – Não, pensei que você tivesse ligado.

Amparo    – Não liguei não, mas vou fazer isso agora.

Ela levanta e se aproxima do telefone, já discando os números.

Leila     – (off) Alô.

Amparo    – Leila, é a Amparo. O Mário acabou de ser preso acusado de assassinato.

Leila     – (off) É o que?

Amparo    – Sabe a Pérola? Ela tem uma amiga chamada Marilda, então, ela morreu! E o principal suspeito é o Mário e ele foi levado.

Leila     – (off) Meu deus! Isso vai afetar na eleição, com certeza.

Amparo    – É pra isso que estou te ligando. Avisa a Suzana sobre isso, ela precisa estar preparada.

Leila     – (off) Vou fazer isso agora mesmo. Tchau.

Ela desliga e se aproxima do Thiago novamente. Eles seguem conversando em off.

 

CENA 07. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo. Leila se aproxima. 

Leila     – Suzana?

Suzana    – Ainda está acordada, Leila? Pode ir dormir.

Leila     – Eu quero falar algo contigo, é importante.

Suzana    – Fala, criatura.

Leila     – Eu acho que não tem jeito de falar isso sem que/

Suzana    – (corta) Fala logo!

Leila     – O Mário acabou de ser preso acusado de assassinato.

Suzana    – Não! Diz pra mim que isso é mentira, o idiota do Mário não faria algo assim. Ele não iria destruir as minhas chances de ser prefeita!

Leila     – Eu acho que ele não pensou nisso quando ele matou essa moça.

Suzana    – Essa mulher que morreu era da cidade?

Leila     – Não, não. É uma visitante, estava aqui por causa do lance das pedras preciosas.

Suzana    – Oh, menos mal. Ninguém se importa com esse grupinho.

Leila     – O que a senhora vai fazer?

Suzana    – Não, preciso pensar em algo. E não ouse em contar pro Alberto.

Leila     – Não vou, mas ele vai descobrir de qualquer jeito.

Suzana    – Eu sei, está liberada Leila. Pode ir.

Leila sai. Suzana pega a garrafa de uísque e começa a beber no gargalo.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Robson entram no bordel, abalados e tristes. Clara, Gina e Iris percebem.

Clara     – O que aconteceu? Onde está a Marilda?

Iris      – Aí deus! Não diga que ela está/

Robson    – (corta) Ela morreu! Marilda está morta.

Pérola    – Nós não queremos falar sobre isso, então, vamos subir.

Gina      – Como ela morreu?

Clara     – Gina!

Robson    – Ela foi assassinada pelo Mário, ele já foi preso.

Gina sobe as escadas correndo. O restante não entende o que aconteceu.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda estão deitadas na cama, nuas e aos beijos. Gina entra.

Eleonora  – Gina!

Gina      – Desculpa, não queria atrapalhar. Mas é algo aconteceu.

Nilda     – O que aconteceu?

Gina      – O Mário matou a Marilda e ele foi preso.

Eleonora  – O Mário?

Nilda     – Isso significa que/

Gina      – (completa) que a candidatura da Suzana e da Zélia foi prejudicada.

Nilda sorri e beija a Eleonora de felicidade. Ela se veste e sai, Eleonora e Gina se encaram.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nilda encostada na parede. Ela está com telefone no ouvido.

Nilda     – Alberto, escuta, isso é ótimo!

Alberto   – (off) Uma pessoa morreu, Nilda, isso não é bom.

Nilda     – Essa parte é ruim, mas com a morte dela, as pessoas vão cair em cima da Zélia.

Alberto   – (off) Nós devemos usar a morte da Marilda pra ganhar?

Nilda     – Nós devemos e podemos, Alberto.

Alberto   – (off) Está bem. Nós conversamos melhor amanhã.

Ela desliga, sorrindo.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Mário está sentado na frente do Leonel e da Agatha. Diálogo já iniciado.

Mário     – Eu quero um advogado! Eu exijo um.

Agatha    – Isso de novo? Isso aqui não é série americana não, é realidade.

Leonel    – Mário, nós temos todas as provas contra você. Vai assumir ou não?

Mário     – Não! Porque não fui eu! Eu não matei a Marilda.

Agatha    – A única coisa que falta pra gente ter certeza que é você é a arma do crime. Nós vamos entrar na sua casa e achar.

Leonel    – E nessa arma, provavelmente uma enxada, vai ter sua digital e o sangue da vítima.

Mário     – Vocês não vão encontrar nada porque eu não matei ela.

Agatha    – Chega! (grita) Policial!

O policial entra e leva o Mário. Agatha encara o Leonel, ambos irritados.

 

CENA 12. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá. Alberto desce as escadas, batendo palmas.

Alberto   – Você disse que ia jogar sujo usando o meu caso com a Gina. E agora eu tenho o assassinato da Marilda contra você.

Suzana    – Não é contra mim, é contra a Zélia e o Mário.

Alberto   – Ela é sua vice, Suzana. E mesmo que você tire ela, as pessoas vão te questionar. Afinal você confiou na mulher de um assassino.

Suzana    – E sua vice é uma prostituta dona de um bordel.

Alberto   – Mas ela nunca matou ninguém, muito pelo contrário. Nilda abrigou na casa dela aquelas meninas e dá prazer a muitos homens e mulheres dessa cidade.

Suzana    – Faça-me o favor. Abrigou? Ela escraviza aquelas meninas. (pausa) Era só isso que você queria? Jogar na minha cara?

Alberto   – Não, eu desci até aqui porque eu quero te fazer uma proposta. Eu não quero usar a morte dessa menina. Então vamos fazer assim: eu não uso isso e você não usa a Gina.

Suzana    – Não!

Alberto   – Não? Você vai perder, Alberto.

Suzana    – Não! Eu me garanto, não preciso de propostinha pra ganhar.

Alberto   – Ok, você que sabe.

Ele sobe as escadas. Suzana bufa.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Zélia está deitada no sofá, pensativa e preocupada.

Zélia     – Eu preciso resolver as merdas do Mário, mas como meu deus?

Ela fica se revirando no sofá, bem inquieta. Até que ela para e pensa.

Zélia     – Ele chegou estranho, estava escondendo algo. Eu vi (pausa) devia ser a arma do crime. Então a polícia não tem a arma do crime? (pensa) Ele deve ter levado a arma lá pra baixo. Oh deus! É isso!

Ela levando e sai correndo.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Cômodo empoeirado e sujo. Zélia desce as escadas e olha em volta.

Zélia     – Há quanto tempo o idiota do Thiago não limpa isso aqui? Meu deus! (pausa) Onde está a merda da arma?

Ela olha em volta e encontra a enxada suja de sangue. Ela sorri.

Zélia     – Achei! Agora eu preciso dá um fim nisso. Mas aonde? Fogo? Não! Lago? Sim!

Ela pega a enxada e sai correndo com ela, mas ao mesmo tempo com cautela para que não a vejam.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia está sentada na cama e Omar está dormindo no chão. Ele começa a despertar e percebe que a Nádia está acordada.

Omar      – (sonolento) Bom dia. Você dormiu bem?

Nádia     – Não, na verdade eu nem dormi. O nosso pai foi preso e a nossa mãe não está nem ligando pra isso. Que família é essa, Omar?

Omar      – Eu sei, eu também fiquei pensando nisso. Sonhei com ele matando mais gente.

Nádia     – O nosso pai é um assassino! Ele pode ter matado mais gente e ter escondido no nosso quintal.

Omar      – Não, acho que ele não é um serial killer. Acho que foi a primeira, tanto que acharam ele rapidamente.

Nádia     – É, tem razão. Mas do mesmo jeito, ele matou uma mulher inocente. (pausa) E a nossa mãe nem se importa?

Omar      – Ela está ocupada com outras coisas, talvez não tenha caído a ficha ainda.

Nádia     – Para de defender ela! Ela não merece todo esse amor. Ela está preocupada com a prefeitura, com o fechamento do bordel e não com a gente.

Omar      – Eu sei, mas isso não muda o fato dela ser a nossa mãe, Nádia. Ela tem seus defeitos, não são poucos, mas ela é a nossa mãe.

Nádia bufa e emburra a cara. Omar levanta e senta ao lado dela.

Omar      – Eu te entendo e entendo o seu ponto. Mas eu não vou deixar de ficar do lado dela.

Nádia     – Eu sei disso. Você sempre vai defender ela.

Omar      – Não é isso, é que eu a entendo mais que você a entende. Mas eu também acho que ela está errada.

Omar abraça a Nádia e ela deita sua cabeça no ombro dele.

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos e César estão sentados, tomando café. Amparo os serve.

Marcos    – O que foi que aconteceu ontem aqui?

César     – Eu não entendi até agora. O Mário entrou aqui pra roubar os kimberlito? E acabou matando a Marilda?

Marcos    – Ela desconfiou e veio atrás dele. (pausa) O Mário já tinha apresentado esse tipo de comportamento antes?

César     – Não mesmo. Quer dizer, ele sempre pareceu maluco pra mim, mas matar?

Marcos    – Estranho.

Amparo    – Engraçado você julgar ele por ter matado alguém, quando já fez isso antes.

Marcos    – Eu nunca matei ninguém, Amparo. Mas você jura que sim.

Amparo    – Não sou só eu, querido. O delegado também. (pausa) Eu soube que o seu motivo de estar aqui era uma matéria para o seu jornal e quem tinha te chamado era a Marilda. Ela morreu e agora?

Marcos    – Agora eu vou continuar aqui. Não estava trabalhando só pra ela, mas também com o Robson e com a Pérola. E ela me pediu algo antes de morrer, e estou pensando em realizar esse pedido.

Amparo    – É claro que está.

César     – Chega disso vocês dois. Eu já disse que não quero essa troca de farpas.

Eles se calam. Lauro entra, confuso, e senta frente a eles. Amparo o serve.

Lauro     – Meu deus! Minha cabeça está doendo tanto.

Amparo    – Tem remédio aqui, depois que tomar o café eu te dou.

Marcos    – Você perdeu algo chocante ontem à noite.

Lauro     – O que aconteceu?

César     – Marilda morreu no meu pasto, assassinado pelo Mário.

Lauro     – É o que?

Amparo    – Isso mesmo que escutou.

Lauro     – Meu deus! A Pérola, ela deve estar muito mal. Eu preciso falar com ela.

Amparo    – Você não vai sair daqui nesse estado.

César     – E agora ela deve estar querendo estar sozinha. É melhor vocês se falarem depois.

Lauro     – É claro. (pausa) E a Nádia? O pai dela matou alguém. Ela também deve estar na merda.

Amparo    – Você está realmente querendo ir falar com depois do que você fez.

Marcos    – O que ele fez?

Amparo    – Ele traiu ela com a Pérola e ela viu tudo.

Lauro     – Sem julgamentos. Eu sei que errei e não, eu não vou falar com ela agora. Eu vou piorar tudo.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado na cadeira, mexendo no computador. Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – Bom dia, pai. Eu tenho uma boa e eu uma má notícia.

Leonel    – Bom dia. Me fala a boa primeiro.

Agatha    – A boa é nós conseguimos acesso as câmeras da rua.

Leonel    – E aí?

Agatha    – Provou o que a gente já sabia. Todo mundo sai de casa, o Mário entra e logo depois entra a Marilda.

Leonel    – Isso é ótimo! Mas nós ainda não temos a arma do crime e nem a confissão.

Agatha    – E é sobre isso que é a má. Eu liguei pro juiz vizinho e consegui o mandato pra revistar a casa.

Leonel    – Isso é bom.

Agatha    – Espera. Ele disse que só vai entregar o mandato se o Mário tiver os direitos dele.

Leonel    – Advogado?

Agatha    – Isso mesmo e a gente não encontrar a arma, ele vai conseguir sair daqui fácil fácil.

Leonel    – Não aceito ter que arquivar mais um caso. Chama o Mário aqui, vamos tentar conseguir uma confissão.

Agatha concorda e sai.

 

CENA 18. LAGO/EXTERIOR/DIA:

Zélia se aproxima do lago segurando uma enxada envolvida num plástico.

Zélia    – Adeus!

Ela joga a enxada no lago e ela começa a afundar. Ela sorri e sai.

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra com o Mário. Ele sente frente ao Leonel e ela senta ao lado dele.

Mário     – O que querem agora?

Leonel    – Nós queremos uma confissão, Mário. Nós sabemos que foi você, temos o vídeo de segurança.

Agatha    – Vamos fazer um acordo. Você confessa e nós diminuímos a sua pena.

Mário     – Eu não falo nada, não digo nada e não assino acordo nenhum sem o meu advogado.

Agatha    – Nós ajuda a te ajudar, Mário.

Mário     – Não! Eu quero o meu advogado! E enquanto eu não tiver, eu não digo nada.

Leonel    – Isso é perda de tempo! É ridículo! (grita) Policial!

O policial entra e leva o Mário. Leonel encara a Agatha.

Leonel    – Chama a Zélia aqui, diz pra ela ligar pra um advogado.

Agatha    – E a revista da casa?

Leonel    – Você fica aqui com a Zélia e com o Mário, eu vou revisto a casa. Liga pro juiz.

Agatha    – É melhor você encontrar essa arma, pai.

Leonel    – Eu vou.

Ele levanta e sai. Agatha começa a fazer umas ligações.

 

CENA 20. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda e Alberto estão sentados, conversando. Gina desce as escadas e o vê.

Alberto   – Eu cansei de brincar com a Suzana. Eu tentei fazer um acordo com ela, mas não rolou.

Nilda     – E o que isso significa?

Alberto   – Isso significa que nós vamos jogar sujo também.

Nilda     – Ótimo! Eu vou marcar o comício pra amanhã mesmo.

Alberto   – Marca o mais perto possível da hora do enterro.

Nilda     – Não é ousado demais?

Alberto   – Não, eu vou jogar direito. Eu sei o que fazer.

Nilda sorri. Gina faz barulho e Alberto percebe. Ele levanta e se aproxima.

Alberto   – Gina (pausa) nós podemos conversar?

Eles se encaram.

 

CENA 21. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada na cama, chorando. Robson entra e se aproxima.

Robson    – Ei! Você precisa comer alguma coisa.

Pérola    – Eu estou sem fome, eu só quero a Marilda de volta.

Robson    – Eu também, mas pense nela Pérola. Ela não ia gostar de te ver nesse estado.

Pérola    – Eu sei, mas eu não consigo. Eu penso nela toda hora.

Robson    – A culpa é minha. Eu poderia ter evitado isso se tivesse ido com ela.

Pérola    – Não! Não é. É a Marilda, ela teria ido de qualquer jeito. E se você tivesse ido, poderia estar morto também. E aí eu não ia aguentar, Robson.

Robson    – Tem razão, mas eu ainda sinto que a culpa é minha.

Pérola    – Não é, é do Mário. A culpa é toda dele! (pausa) Aí deus! Eu esqueci de ligar pra família dela. Nem perguntei se está tudo bem ela ser enterrada aqui.

Robson    – Eu liguei. A mãe está vindo, mas eu não disse nada sobre o enterro. Eu acho que ela vai querer levar a Marilda.

Pérola    – É claro que vai. Eu sou uma idiota mesmo.

Robson    – Não, você não é. Está tudo bem, Pérola. Quando ela chegar, nós conversamos com ela.

Pérola deita no colo do Robson e ele faz carinho no cabelo dela.

 

CENA 22. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia estão deitados na cama, assistindo TV e conversando.

Nádia     – Sabe o que estava lembrando? De quando a mãe era uma pessoa normal, de quando essa família era normal.

Omar      – Isso faz tempo, eu ainda era pequeno.

Nádia     – As coisas mudaram tão rápido com a gente.

Omar      – Desculpa.

Nádia     – Não! A culpa não é sua. Mamãe que botou esse sonho de ser padre na sua cabeça. E as coisas mudaram.

Omar      – Não é só a mãe, eu também quero ser padre.

Nádia     – Eu sei. (pausa) Mas de qualquer jeito a culpa não é sua. (pausa) Será que aquelas fotos ainda estão no porão?

Omar      – Eu acho que sim.

Nádia     – Vamos lá pegar? Estou com vontade de ver essas fotos.

Omar      – Vamos, mas aquele lugar tá sujo demais. O Thiago nunca limpou ali dentro.

Nádia     – Tá com medo de rato agora, Omar? Meu deus! Vamos logo.

Omar e Nádia levantam da cama e saem do quarto.

 

CENA 23. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia descem as escadas. Eles olham em volta, procurando.

Nádia     – Tem boneca minha ali, eu nunca gostei de brincar de boneca.

Omar      – E nem eu de bola. Nunca entendi a graça de vinte dois homens correndo atrás de uma bola.

Nádia     – Estereótipos nem sempre se aplicam, né mesmo?

Omar      – (aponta) Será que está naquele baú?

Omar se aproxima do baú e abre. Ele encontra um saco e ao abrir esse saco encontra os kimberlito.

Omar      – Meu deus!

Nádia     – O que foi?

Ela se aproxima e vê. Os dois se encaram, assustados.

Nádia     – Isso é?

Omar      – Os kimberlito!

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

FALSO HORIZONTE | Capítulo 21

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Mário olhando pro corpo da Marilda, totalmente atordoado.

Mário     – Meu deus! O que foi que eu fiz? (gagueja) E-e-eu a matei? Oh deus!

Ele agacha, pega os kimberlito e a enxada. Ele começa a sair, nervoso e atrapalhado.

Mário     – Eu a matei? Eu a matei! Eu sou um assassino. Meu deus!

CÂM mostra o corpo de Marilda e o muito sangue saindo de sua cabeça.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro entra em casa, bebendo uma garrafa de uísque. Ele está bêbado. Lauro cai no sofá e continua a beber.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário entra em casa todo nervoso segurando os kimberlito e a enxada. Zélia, da escada, o vê e ele percebe, escondendo o que tem nas mãos.

Zélia     – Mário?

Mário     – Oi, oi. Ainda está acordada? Está tarde.

Zélia     – Eu estava te esperando. Está tudo bem?

Mário     – Está tudo perfeito, porque não estaria?

Zélia     – Onde você estava?

Mário     – Eu sai pra andar. (pausa) Eu preciso ir no porão guardar um negócio.

Zélia     – Eu vou te esperar pra dormir, não demora.

Mário     – Não, não (pausa) está bem. Eu não vou demorar.

Ele sai escondendo o que tem em mãos. Zélia não percebe e sai das escadas.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/NOITE:

Mário desce e acende a luz do porão. É um local bastante empoeirado.

Mário     – Eu preciso esconder isso. O que eu faço senhor?

Ele abre uma caixa e guarda os kimberlito dentro. Ele deixa a enxada em qualquer lugar por ali e sai.

 

CENA 05. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César sentados à mesa. Eles estão jantando e conversando.

Marcos    – Você já reparou que a Amparo gosta de você?

César     – Reparei, Marcos. Eu sei disso a algum tempo.

Marcos    – E o que você tem a dizer sobre isso?

César     – Nada. Eu não gosto dela desse jeito.

Marcos    – Interessante.

César     – E eu também não gosto de você desse jeito.

Marcos    – Eu sei, César, eu sei. Não precisa dizer isso toda vez.

César     – Desculpa, é que eu não quero alimentar esperanças.

Marcos    – E você não alimenta. Eu sei disso a muito tempo e aceito isso.

César     – É bom saber disso. (pausa) O que está achando do jantar?

Marcos    – Ótimo. Eu gostei da comida daqui, melhor que a comida da Amparo, não acha?

César     – Marcos!

Marcos    – É brincadeira.

Marcos ri, eles continuam conversando em off.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Leila, Amparo e Thiago estão andando na rua e conversando.

Thiago    – Eu estou preocupado com o que o Mário disse mais cedo. E se ele fizer alguma coisa?

Amparo    – O que ele pode fazer?

Leila     – É o Mário, Thiago. Acho que ele não vai fazer nada pra ninguém não.

Thiago    – Aí sei lá e se ele conseguir roubar as pedras?

Leila     – Como? Tem sempre gente no rancho do César.

Amparo    – Essa noite não.

Thiago    – O que?

Amparo    – Eu estou aqui, o Marcos e César saíram e o Lauro sabe-se lá onde está.

Leila     – Será que ele fez isso?

Thiago    – É melhor você correr pra lá, Amparo.

Amparo    – É isso que eu vou fazer. Eu aviso qualquer coisa.

Amparo sai andando na frente. Leila e Thiago se encaram.

Thiago    – Agora que ela se foi/

Leila     – Meu deus! Você é nojento. E se o Mário realmente tiver feito algo?

Thiago    – Eu não me importo com aquelas pedras, o que me importa é você, é a gente.

Leila     – É mesmo?

Thiago    – É mesmo.

Eles riem, se beijam. Thiago a joga na parede e eles começam a se agarrar.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson e Iris estão sentados, conversando e bebendo. Eleonora sentada perto deles.

Iris      – Nós precisamos repetir aquela noite, Robson.

Robson    – Eu também acho.

Iris      – E que tal a gente repetir agora mesmo?

Robson    – Por mim tudo bem.

Eles começam a se beijar. Pérola desce as escadas e se aproxima da Eleonora.

Pérola    – Eleonora (pausa/olha pro dois) a quanto tempo isso tá rolando?

Eleonora  – Eles estão bebendo a algum tempo, mas se beijar começou agora.

Pérola    – Eu nem sei porque eu me surpreendo, é o Robson. Enfim, sabe da Marilda?

Eleonora  – Não, não a vejo desde de manhã acho.

Pérola    – Ela sumiu. Não atende o celular, não está em nenhum lugar aqui.

Pérola se aproxima do Robson e da Iris. Eles percebem e param de se beijar.

Robson    – O que você quer, Pérola? Eu estou meio ocupado.

Pérola    – É claro que está. Algum de vocês sabem da Marilda?

Iris      – Não faço ideia.

Robson    – Ela saiu faz um tempinho, estava desconfiada que o Mário ia fazer alguma coisa com as pedras do César. Eu disse que ela era loucura e mesmo assim ela foi ver isso.

Pérola    – E você deixou ela ir sozinha?

Robson    – Eu não acho que o Mário ia fazer alguma.

Pérola    – Ninguém sabe dela, Robson. Ela saiu daqui e foi atrás de alguém que está perturbado. Ela não atende o celular e se algo aconteceu com ela?

Robson    – Não, nada aconteceu com ela Pérola. Ela está bem.

Pérola    – Nós não sabemos disso. Levanta a bunda daí que nós vamos atrás dela. Aonde ela disse que ia? Rancho do César ou do Mário?

Robson    – O rancho do César.

Pérola    – Vamos!

Eles saem. Iris bufa e começa a beber sozinha, desgostosa.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos entram em casa, rindo de alguma coisa, animados. Eles vêm o Lauro e se aproximam.

Marcos    – Deus! O que aconteceu?

César     – E eu sei? Deve ter bebido até não aguentar mais.

Marcos    – Isso me lembra do meu pai e não é bom. Você não pode deixar o Lauro se afundar assim.

César     – Eu não vou, Marcos. Irei conversar com ele sobre isso amanhã mesmo. (pausa) Me ajuda a levar ele lá pra cima.

Eles levantam o Lauro e sobem as escadas com ele, com dificuldades.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos entram como o Lauro. Eles o botam na cama e se encaram.

César     – Obrigado.

Marcos    – Por nada e não se esqueça de falar com ele sobre isso. Vício em bebida é coisa séria.

César     – Eu sei e irei. Obrigado por tudo novamente. 

Tocam a campainha. Eles estranham.

Marcos    – Que horas são?

César     – Não está tarde pra visitas, deus? Vamos ver quem é.

Eles saem do quarto.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Amparo entra pelos fundos e vê um rastro de sangue. Ela estranha.

Amparo    – O que é isso? Será que o louco do Mário matou algum animal?

Ela segue o rastro de sangue e dá de cara com o corpo da Marilda. Ela dá um berro ensurdecedor.

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César abrem a porta. Robson e Pérola do outro lado, eles sorriem.

 Marcos    – Boa noite.

César     – Sabem que horas são? O que vocês querem aqui?

Pérola    – Desculpa. É nós estamos preocupados com a Marilda.

Robson    – Ela sumiu.

César     – Ela não/

O grito da Amparo é escutado. Os quatro estranham e saem correndo.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Amparo frente ao corpo da Marilda, gritando alto. Robson, Pérola, César e Marcos se aproximam.

Marcos    – Meu deus isso é/

César     – (corta) É um corpo?

Amparo    – (alto) É um corpo de um ser humano aqui no pasto.

Pérola e Robson vêm. Ela ajoelha e desata a chorar, os outros a encaram.

Pérola    – (chora) É a Marilda, meu deus! É a Marilda, minha amiga. Ela (pausa) não! Não!

Robson    – Pérola, nós não sabemos. O rosto está bem amaçado, sei lá. E está escuro, né?

Pérola    – (chora/grita) Para! Para com isso! Para de se enganar. (pausa) Ela está morta! Minha amiga está morta.

Robson    – Não, não é ela. Não pode ser, Pérola. A Marilda (pausa) não! Não! Não é ela!

Pérola    – (chora) Olha pra ela, Robson. É ela!

Robson vira o rosto e desata a chorar. Pérola abraça a Marilda, chorando e nervosa. César, Marcos e a Amparo se afastam.

César     – Meu deus! O que a gente faz agora?

Marcos    – Chama a polícia.

Amparo    – Estou indo. (sai)

César     – Mas e você? Eles podem achar que você tem alguma coisa a ver com isso.

Marcos    – Eu estava com você, no restaurante e tem várias pessoas que podem provar isso. O importante agora é que tem uma pessoa morta aqui, ela e os amigos precisam da nossa ajuda.

César     – Como você consegue se manter tão calmo assim?

Marcos    – Eu sou jornalista, César. Eu já vi coisa pior.

César o encara, suspeitando. CÂM mostra a Pérola agarrada a Marilda e Robson, de costas, chorando.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Iris está sentada, bebendo. Gina se aproxima e senta ao lado dela.

Gina      – Ué, não estava com o Robson? O que aconteceu?

Iris      – Ele saiu com a Pérola correndo atrás da Marilda.

Gina      – O que aconteceu com ela?

Iris      – E eu sei? Não deve ser nada. Ela gosta do Robson e deve tá fazendo esses dramas.

Gina      – Pode ser que não seja drama. Ela pode estar em perigo ou sei lá.

Iris      – Será? Acho que não.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 14. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nilda está esperando no corredor. Clara se aproxima.

Clara     – Está me esperando alguém, Nilda?

Nilda     – A Eleonora. Ela disse que está preparando uma surpresa pra mim.

Clara     – Vocês são uns amores juntas, sabia?

Nilda     – Obrigada. Você e o Omar também, está tudo bem entre vocês né?

Clara     – Tudo ótimo. Estamos um pouco afastados por causa do que está rolando com o bordel e também o que aconteceu com a irmã dela.

Nilda     – Já tinha até me esquecido daquela cena. Mas não deixem isso abalar vocês, continuem juntos.

Clara     – Nós vamos e estamos.

Elas sorriem. Eleonora sai do quarto e chama a Nilda, ela entra. Clara sorri e sai.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda entram no quarto que está todo decorado romanticamente.

Nilda     – Pra que tudo isso?

Eleonora  – Não sei. Eu quis demonstrar o meu amor por ti.

Nilda     – Você já demonstra todos os dias.

Eleonora  – Eu sei, só queria deixar mais claro.

Nilda     – Eu te amo.

Eleonora  – Eu também.

Elas beijam e começam a se agarrar.

 

CENA 16. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e Leonel estão indo embora, saindo da sala. O telefone toca e Leonel atende.

Leonel    – Boa noite. (pausa) O que? Nós estamos indo. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – Um corpo no rancho do César e é onde está o Marcos.

Agatha    – Um corpo em Ilhabela? Meu deus que novidade é essa.

Leonel    – Temos que ir rápido.

Eles saem correndo.

 

CENA 17. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo uísque. Alberto entra na sala, também bebendo.

Alberto   – E o comício hoje?

Suzana    – Gostou? Nós saímos aplaudidas, Alberto.

Alberto   – Eu vi, só não se esqueça que isso não significa nada. Há quatro anos, o meu adversário saiu aplaudido e quem ganhou fui eu.

Suzana    – Vamos ver se isso se repete esse ano.

Alberto   – Eu sei que vai porque esse povo me ama.

Suzana    – Ama? E esse eles souberem que o prefeito deles traia a esposa com uma travesti?

Alberto   – Você não faria isso.

Suzana    – Eu faria de tudo pra vencer você, Alberto.

Alberto   – Você disse que era guerra então eu imaginei que fosse jogar limpo. Mas se vai jogar sujo/

Suzana    – (corta) Eu vou! Porque eu quero vencer essa merda.

Alberto, estressado, sobe as escadas. Suzana continua bebendo o uísque.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário está sentado na mesa de jantar. Ele está bebendo e ainda está nervoso. Zélia se aproxima e senta ao lado dele.

Zélia     – Mário? Eu estou te esperando e você não subiu. O que aconteceu?

Mário     – Nada, só estou sem sono. Então sentei aqui pra beber.

Zélia     – Está estranho, Mário. O que houve? Você está bem?

Mário     – Eu estou bem, porra! Não enche o meu saco!

Zélia     – Não quer falar, não fala. Não precisa ser grosso.

Mário     – Zélia, desculpa/

Zélia     – (corta) Não! Estou indo dormir.

Ela levanta e sai. Ele continua bebendo.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Amparo abre a porta, Agatha e Leonel entram. Os três se encaram.

Amparo    – Ainda bem que vocês chegaram.

Leonel    – Onde está o/

Amparo    – (completa) O corpo? Está no pasto.

Agatha    – E quem encontrou o corpo?

Amparo    – Eu encontrei. O César, o outro, a Pérola e o Robson já estavam aqui.

Leonel    – O outro?

Amparo    – Mar/ quer dizer, o Rafael. Ele estava aqui com os outros.

Agatha    – E onde eles estão?

Amparo    – Estão espalhados pela casa. Nós vimos um corpo! Meu deus!

Leonel    – Nós entendemos.

Agatha    – Procura ficar calma.

Eles saem. Amparo fecha a porta.

CENA 20. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Robson e Pérola estão abraçados. Eles ainda estão chorando, abalados.

Pérola    – Desculpa eu ter gritado contigo.

Robson    – Não, está tudo bem. Eu precisava desse acorde.

Pérola    – O que nós vamos fazer sem ela, Robson?

Robson    – Eu não sei, eu não sei.

Agatha e Leonel se aproximam. Pérola e Robson encaram os dois.

Agatha    – Eu sinto muito. Vocês reconheceram a vítima?

Pérola    – Sim, é a minha amiga Marilda. Ela trabalha comigo.

Leonel    – Podem nos acompanhar?

Os quatros saem juntos.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Agatha, Leonel, Pérola e Robson saem. Os dois últimos não olham pra Marilda.

Leonel    – Nossa! O rosto dela está bem machucado, tem certeza que é ela?

Pérola    – Eu conheço ela, são as roupas dela. É ela.

Robson    – Ela estava com essa roupa antes de sair e não é só rosto, é tudo. É a Marilda.

Agatha agacha e encontra um anel. Ela mostra o anel a Pérola.

Agatha    – Reconhecem?

Pérola    – Sim, é meu. Eu tinha emprestado pra Marilda.

Leonel    – Nós sentimos muito pela perda da amiga, mas nós precisamos fazer perguntas.

Robson    – Nós entendemos.

Leonel    – Porque ela estava aqui?

Pérola    – Nós tivemos uma conserva com o Mário, nós dissemos pra ele que não havia nenhum sinal de kimberlito no rancho dele.

Robson    – Ele ficou irritado e disse que ia ter o que é dele de um jeito ou de outro.

Pérola    – Nós não ligamos pra isso. Pensamos que ele estava dizendo isso no calor do momento, estava irritado.

Robson    – Eu e a Pérola não ligamos pra isso, mas a Marilda ligou. Ela achou que ele pudesse de algum jeito invadir o rancho do César e roubar as pedras.

Pérola    – Ela alertou o Robson, mas ele achou que era loucura. Mas ela veio mesmo assim e aí está.

Leonel    – Vocês estão dizendo que foi o Mário que fez isso?

Robson    – Não estamos apenas dizendo, nós estamos afirmando. A Marilda veio aqui, pegou ele no flagra e ele a matou.

Pérola    – Está vendo aquele buraco perto do corpo? Ele deve ter cavado pra achar o kimberlito.

Agatha    – Eu acho que não resta dúvidas então.

Leonel    – Espera e o César? E o Marcos? E o Lauro?

Marcos e César entram e se aproximam deles.

Marcos    – Primeiramente que o meu nome não é Marcos, eu nem sei quem ele é. E segundo que eu e o César estávamos jantando fora.

Leonel    – Aonde?

César     – No restaurante perto do bordel. Duvida da gente? Tem câmeras no local e um monte de testemunhas.

Agatha    – E o Lauro?

Marcos    – Ele está lá em cima, dormindo e bêbado. Ele está num estado tão horrível que não poderia ter matado ninguém.

Leonel    – E se ele a matou e depois começou a beber?

Agatha    – Pai! Podemos falar lá dentro?

Agatha e Leonel entram. Os demais se encaram.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Agatha e Leonel entram no corredor. Eles se encaram.

Leonel    – Agatha/

Agatha    – (corta) Não! Nós vamos sair daqui e prender o Mário porque ele é o nosso suspeito. E não o Marcos ou sei lá quem for.

Leonel    – Mas é estranho/

Agatha    – (corta) Quer investigar o Marcos? Nós vamos, mas antes vamos prender o nosso suspeito. Nós temos que fazer algo por essa pobre moça e pelos amigos dela.

Leonel    – Está certo. Mas eu quero conferir os álibis deles.

Agatha    – E nós vamos. Mas antes vamos fazer o nosso trabalho.

Leonel concorda e eles saem. Amparo, que estava olhando, entra na cozinha.

 

CENA 23. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago entra na cozinha. O telefone toca e ele atende.

Thiago    – Boa noite?

Amparo    – (off) Escuta! Marilda, a amiga da Pérola, foi encontrada morta aqui no rancho. E o principal suspeito é o Mário.

Thiago    – O que?

Amparo    – (off) Isso mesmo que você ouviu. Fica de olho em tudo por aí.

Thiago desliga. A campainha toca e ele sai da cozinha, curioso.

 

CENA 24. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia abre a porta, Agatha e Leonel entram. Eles olham em tudo em volta. Thiago à parte, só olhando.

Zélia     – Sabem que horas são? Eu estava dormindo.

Leonel    – O seu marido está?

Zélia     – Está, porque?

Agatha    – Porque ele é suspeito de assassinato e nós precisamos levar ele pra delegacia.

Zélia     – É o que?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

FALSO HORIZONTE | Capítulo 20

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Zélia sob um palanquezinho. Elas encaram o povo que está em volta delas.

Suzana    – Bom dia cidadãos de Ilhabela. Eu imagino que vocês me conheçam e também imagino que vocês conheçam a Zélia.

Zélia     – Nós estamos aqui para alertar vocês do que está acontecendo na nossa cidade.

Suzana    – É algo importante a ser ressaltado, meu povo. Nós estamos vivendo numa cidade impura e corrompida.

Zélia     – De um lado temos a igreja e de outro temos aquele bordel. Aquele local onde homens traem as suas esposas, em que seus filhos correm riscos de pegar uma doença. Essas mulheres impuras e corrompidas e tudo isso causado por uma pessoa: a Nilda.

Suzana    – E nós não podemos deixar que essa mulher vença, que essa mulher controle a nossa cidade.

Zélia     – E é por isso que nós estamos aqui, queridos.

Suzana    – Nós estamos aqui para pedir o seu voto pra mim, eu quero ser a prefeita da cidade. E eu irei derrotar a Nilda que está apoiando o Alberto, meu marido.

Zélia     – E te pergunto: de que lado quer ficar? O da mulher correta ou do homem corrompido? Faça sua escolha.

Um grande burburinho começa. Zélia e Suzana se encaram, sorrindo.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Marcos encarando a Amparo.

Marcos    – Você ficou maluca? Você vai me pagar por esse tapa e vai ser em dobro.

Amparo    – Eu não tive escolha, você estava me machucando.

Marcos    – Cê se acha tão linda, maravilhosa por ter conquistado o César, né? Idiota! Ele é homem. É conquistado por qualquer rabo de saia meia-boca.

Amparo    – Então é esse o seu rancor, né? Ele nunca vai gostar de um rabo de calça, né? Eu imagino que seja difícil aceita isso, mas isso não vai mudar Marcos.

Marcos    – Eu não sei do que você está falando. Eu não gosto do César.

Amparo    – Gosta, é por isso esse ódio todo por mim. Ele nunca vai gostar de você! (ri) Você é homem, Marcos, ele não gosta de homem. Idiota! (ri)

Ele desfere um tapa na cara dela. Ela o encara, com raiva.

Amparo    – Pode bater. Bate mais forte, isso não vai fazer você ser menos imbecil. (séria) Espera, foi você matou a Lúcia?

Marcos    – Do que você está falando? Lúcia era minha melhor amiga, eu amava ela.

Amparo    – Mas você ama o César, sempre amou e ela estava no meio. Você matou a Lúcia! Assassino! Imagina só quando o César souber disso.

Marcos    – Cala a boca! Cala a merda da boca! Eu não matei a Lúcia! Cala a boca! Nojenta! Cala essa boca nojenta!

Amparo    – E se eu não calar? Vai fazer o que? O mesmo que você fez com a Lúcia?

César chega, já gritando.

César     – Chega! Chega com essa merda! O que é isso dentro da minha casa? Eu não quero mais escutar esses gritos, porra.

Marcos    – Ela estava me provocando, César, eu só me defendi.

Amparo    – Mentiroso! Ele está mentindo, César.

César     – Eu não quero saber. Eu não me importo! Chega! (ao Marcos) Vem comigo na sala, nós precisamos conversar.

César sai. Marcos, encarando a Amparo, vai atrás. Ela bufa e volta a cozinhar.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos e César entram. O segundo senta no sofá e o primeiro senta ao seu lado.

César     – O que aconteceu lá dentro, Marcos? A verdade.

Marcos    – Eu fui tentar conversar amigavelmente com ela e ela foi grossa, então eu peguei no braço dela e ela me deu um tapa na cara. E a partir daí foi um gritando com o outro.

César     – Eu não ver isso na minha casa, não quero ver meus dois amigos discutindo.

Marcos    – Desculpa, mas ela me acusou de ter matado a Lúcia. Ela disse que eu matei a minha melhor amiga.

César     – E você matou?

Marcos    – O que? Está duvidando de mim, César? Eu amava a Lúcia, nunca seria capaz de fazer nada contra ela.

César     – Eu sei disso, mas vamos combinar que faz sentido Marcos. Ela estava grávida de mim, nós iriamos casar e quem ia sobrar ia ser você.

Marcos    – Não faz sentido porque eu não sou um psicopata. Eu nunca mataria a minha melhor amiga, a pessoa que eu amava.

César     – Eu só queria ter certeza disso, obrigado por esclarecer

Marcos    – (faz que não com a cabeça) Eu não acredito nisso! Não é possível que você realmente estava duvidando de mim por causa de algo que aquela maldita disse.

César     – Não é isso/

Marcos    – (corta) É isso sim. É bom sabe que você confia em mim, César. Obrigado.

Marcos levanta e sobe as escadas, irritado. César bufa.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Lauro está deitado na cama. Ele pega o celular e faz uma ligação.

Lauro     – Iris?

Iris      – (off) O que você quer, Lauro? Não cansou de fazer merda por hoje?

Lauro     – Eu tentei ligar pra Nádia e ela não atendeu, pede pra ela me atender. Eu quero falar com ela.

Iris      – (off) Deixa eu pensar no seu caso. Espera, pensei e a resposta é não! Você é maluco? Não deveria nem ter ligado pra ela, idiota. Ela não quer te ver e nem escutar essa voz nunca mais.

Lauro     – Eu quero me desculpar.

Iris      – (off) Não tem desculpa. Viva com isso, fez merda agora aguenta a merda. E se eu souber que você foi até lá: eu não respondo pelos meus atos.

Ela desliga. Lauro bufa e joga o celular na parede, chateado.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia e Omar estão deitados na cama, tomando sorvete e assistindo algo na TV.

Nádia     – E a Clara?

Omar      – Hoje é o comício da mamãe, lembra? Ela e as meninas do bordel estão preocupadas com isso.

Nádia     – Nós tínhamos que está lá, dando apoio pra elas.

Omar      – Não! Você está mal, nós temos que ficar aqui, tomando sorvete e vendo TV.

Nádia     – Mas está tudo bem entre você e a Clara?

Omar      – Sim, nós estamos melhores que antes. Nós estamos vivendo um dia de cada vez.

Nádia     – Isso é bom.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 06. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto está sentado frente ao bordel. Padre Fagundes se aproxima e senta ao lado dele.

Alberto   – Não deveria estar lá com elas, padre?

Fagundes  – Eu não quero me meter nessas coisas, Alberto. Cê sabe disso

Alberto   – E se elas ganharem?

Fagundes  – É porque foi a vontade de deus e nem sempre nós entendemos a vontade de deus.

Alberto   – Obrigado, padre. Ajudou muito.

Fagundes  – (ri) Eu sei que não é conclusivo, mas é o que eu posso te falar. E posso te dar um conselho?

Alberto   – Claro, padre.

Fagundes  – Quanto mais nós ficarmos pensando no negativo, mais coisas negativas acontecem.

Alberto não responde. Eles encaram o comício que está rolando distante deles.

 

CENA 07. BOATE PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola sentada na cama. Marilda e Robson entram e sentam ao lado dela.

Marilda   – Nós precisamos conversar, Pérola.

Pérola    – O que aconteceu?

Robson    – O que aconteceu é que eu estava errado. Não há nada no rancho do Mário, eu te iludi de esperanças.

Pérola    – Não é verdade.

Marilda   – É sim, Pérola. Há mais de quatro buracos abertos naquele rancho, não há nenhum sinal de kimberlito ali.

Pérola    – Se pudéssemos usar dinamite seria mais rápido de encontrar

Robson    – Talvez, mas o Lauro achou aquele diamante sem nem precisar cavar. É obvio que tem algo nas terras do César.

Marilda   – E nós precisamos ter essas pedras e podemos contar com a ajuda do Rafael.

Pérola    – E o que vocês pretendem fazer?

Marilda   – Nós precisamos falar com o Mário, falar que estamos desistindo.

Pérola    – Está certo. Nós precisamos ligar pro Mário e marcar um encontro com ele agora mesmo.

Robson    – Concordo. É melhor falar logo agora, vou ligar pra ele.

Robson pega o celular e faz uma ligação. Enquanto espera, CÂM mostra a Marilda olhando um anel que está no dedo da Pérola.

Marilda   – Lindo! É novo? Não lembro de ter visto antes.

Pérola    – Mais ou menos, comprei no Rio antes de vir pra cá.

Marilda   – Empresta?

Pérola    – Só se me devolver, tem um monte de joia minha contigo.

Marilda   – Mentira, só umas dez. E eu te devolvo quando lembro.

Pérola empresta o anel e a Marilda põe no dedo. CÂM volta a mostrar o Robson ao celular.

Robson    – Mário? É o Robson, nós queremos conversar com o senhor. Ok, estamos indo pro rancho agora mesmo. Até lá.

Ele desliga e encara as meninas.

Robson    – Ele tá no comício e disse que está indo pra lá.

Marilda   – É melhor nós irmos indo.

Pérola    – Fazer o que, né?

Os três saem.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora está sentada e Iris desce as escadas, se aproximando.

Iris      – Acredita que o idiota do Lauro ligou pra mim porque não estava conseguindo ligar pra Nádia?

Eleonora  – Ele é homem, amiga. É tudo assim, um bando de idiota.

Iris      – Você tem sorte por ter a Nilda.

Eleonora  – Mas ao mesmo tempo transo com um monte de homem por dinheiro.

Iris      – E porque não fica só a Nilda? Tenho certeza que ela pode te bancar.

Eleonora  – Eu não nasci pra ser bancada, eu trabalho pra isso.

Iris      – Está certo.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marilda, Robson e Pérola estão sentadas no sofá. Thiago os serve café e sai. Eles bebem, logo depois, o Mário chega.

Mário     – Desculpa a demora o comício está uma loucura. (senta) Então, o que aconteceu?

Pérola    – Nós precisamos conversar sobre suas terras.

Marilda   – Nós infelizmente vamos ter que parar com as escavações.

Robson    – Nós não encontramos nada em suas terras então é provável que não tenha nada.

Mário     – O que?

Pérola    – Nós sentimos muito, sabemos que criamos expectativas. Eu estava com expectativas altas.

Marilda   – Mas essa é a verdade.

Mário     – Isso só pode ser uma brincadeira. Vocês pensam que eu sou idiota? Eu dei as minhas terras pra vocês e agora vocês simplesmente ignoram?

Robson    – Não é isso/

Mário     – (corta) É isso sim! Vocês estão desistindo! Estão sendo fracos e imbecis. Eu não aceito isso!

Marilda   – Desculpa, seu Mário. Mas essa é verdade.

Mário     – Eu caguei! Eu quero os meus diamantes! Eles são meus! Eu tenho direito a essas pedras!

Pérola    – Você teria direito se tivessem algo em suas terras. Mas não tem.

Mário     – Como não tem? É claro que tem! Meus diamantes! Meus rubis e esmeraldas! Tem eles aqui sim! (pausa) Se não tem aqui, onde é que tem?

Marilda   – Nós não sabemos, Mário.

Mário     – Nas terras do César? É lá que tem os diamantes? É isso?

Robson    – Não temos certeza.

Mário     – Saiam daqui!

Pérola    – Seu Mário/

Mário     – (corta) Sai daqui! Eu mandei vocês saírem da minha casa. Eu quero os meus diamantes e eu vou ter eles. Eu vou ter!

Mário levanta, abre a porta e os três saem com medo. Ele derruba coisas no chão e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. Mário entra e se aproxima.

Mário     – Eu quero o que é meu por direito, Thiago.

Thiago    – E o que é seu por direito, Mário?

Mário     – Meus diamantes, minhas pedras preciosas.

Thiago    – É claro.

Mário     – E eu vou tê-las! Nem que eu tenha que roubá-las.

Ele pega um copo d’água e sai.

 

CENA 11. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Zélia em cima do palanque em frente ao povo que estão em volta delas.

Suzana    – Obrigada, eu só tenho a agradecer meu povo.

Zélia     – Nós estamos gratas por terem nos escutado.

Suzana    – E não se esqueçam: votem na gente, em quem acredita na moral dessa cidade.

Zélia     – Obrigada.

Suzana    – Obrigada.

Elas saem, sorrindo e a maioria do povo as aplaude.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Eleonora está sentada, mexendo no celular. Nilda desce as escadas e se aproxima.

Nilda     – Nós não vamos abrir hoje por causa do comício.

Eleonora  – Nós também não abrimos ontem, Nilda. Daqui a pouco as meninas reclamam.

Nilda     – Elas não vivem só do bordel, tem um monte de cliente por fora que eu sei.

Eleonora  – Mesmo assim, aqui é aonde tem mais lucro.

Nilda     – Amanhã a gente abre, eu juro. É só que eu não estou com cabeça pra isso.

Eleonora  – Está tudo bem, amor. Foi só um comício, tudo vai dar certo.

Nilda     – Eu espero que dê mesmo. Não que essa cidade se torne um inferno.

Eleonora  – Se ela se tornar um inferno, eu estou aqui amor.

Elas se beijam.

 

CENA 13. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/NOITE:

Lauro se aproxima do rancho. Ele bate na porta, esperançoso.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar se aproxima da porta e vê que é o Lauro. Ele abre, mas não o deixa passar. 

Lauro     – Deixa eu passar.

Omar      – Eu não acredito que você teve coragem de vir aqui. É muita cara de pau.

Lauro     – Deixa eu passar, Omar. Ou eu passo por cima de você e dessa porta.

Omar      – Passa então.

Lauro     – Eu só quero falar com a sua irmã, só isso.

Omar      – Ela está machucada. Você destruiu ela!

Lauro     – Não foi intencional.

Omar      – Mas você fez e é isso que importa. Agora, sai daqui!

Omar fecha a porta. E Lauro, bufando, sai andando.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

César está andando pelo corredor. Marcos vê e o alcança.

Marcos    – Ei! Nós precisamos nos acalmar sobre tudo o que aconteceu.

César     – Eu também acho. Não quero ficar brigado com você.

Marcos    – O que acha da gente sair pra jantar? Liberar a Amparo.

César     – Eu acho ótimo.

Eles sorriem e seguem andando. Amparo olha os dois, irritada.

 

CENA 16. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/NOITE:

Marcos e César saem de casa. Mário os vê saindo do seu quintal e sorri.

Mário     – Hora de agir.

Ele pega uma enxada (ou algo assim) e sai com ela, sorrindo sadicamente.

 

CENA 17. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo está sentada no banco, Leila e Thiago se aproximam e sentam ao lado dela.

Leila     – Nós viemos correndo. O que aconteceu?

Amparo    – O Marcos aconteceu. Ele é um sádico! Um maníaco! E eu tô achando que ele matou a Lúcia pra poder ficar com o César.

Thiago    – O César é gay?

Amparo    – Não, mas o Marcos é e é apaixonado por ele.

Leila     – Aí amiga, mas é melhor ter certeza antes de fazer alguma coisa.

Amparo    – Mas eu já fiz! Eu gritei bem na cara dele o que eu achava.

Thiago    – Cê é doida? E se ele for realmente um assassino?

Amparo    – Ele não vai me matar. Aí mesmo que o César vai suspeitar dele.

Thiago    – E por falar em suspeita: tô achando que o Mário vai fazer alguma merda.

Amparo    – Porque?

Thiago    – Pérola e o grupinho dela disseram pra ele que não tinha nada nas terras dele. E ele ficou possesso.

Leila     – Eu também ficaria, o coitado estava cheio de esperança.

Thiago    – Mas o pior veio depois: ele disse pra mim que ia conseguir as pedras dele e que se fosse preciso roubaria elas.

Amparo    – Ele pretende roubar as pedras do César?

Thiago    – Acho que sim, mas será que tem algo nas terras do César?

Leila     – Essa é a questão.

Eles continuam conversando.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/QAURTO/INTERIOR/NOITE:

Robson está deitado na cama. Marilda entra e senta ao lado dele.

Marilda   – Eu estava pensando numa coisa, Robson.

Robson    – Coisa boa não deve ser.

Marilda   – O Mário disse que ele faria qualquer coisa pra ter as pedras dele, certo?

Robson    – Sim.

Marilda   – E ele se tentar roubar ou conseguir roubar as pedras que tem nas terras do César.

Robson    – Mas ele estava transtornado quando disse isso.

Marilda   – Exato! Do que uma pessoa transtornada não é capaz de fazer?

Robson    – Você está viajando, Marilda. Ele não vai fazer nada. É o Mário, sabe?

Marilda   – Eu não vou conseguir dormir se não tiver certeza.

Robson    – Ok, me liga se precisar de alguma coisa.

Ela sai correndo.

 

CENA 19. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Lauro andando na rua, triste e de cabeça baixa. Ele entra no bar e começa a beber, CÂM o observa do lado de fora.

 

CENA 20. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Mário invade o pasto e começa a cavar buraco das terras com a enxada (ou algo assim).

 

CENA 21. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/NOITE:

Marilda bate na porta. Ninguém abre, ela invade pela lateral.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Mário cavando as terras com uma enxada. Marilda se aproxima e ele percebe. 

Mário     – Se afasta de mim!

Marilda   – Mário, se acalma. É melhor a gente conversar sobre isso.

Mário     – Não! São as minhas pedras! Meus diamantes!

Marilda   – Nós dois podemos dividir o que você achar isso. É só se acalmar.

Mário     – Não! Isso é meu! É só meu e de mais ninguém, Marilda.

Ele pega a enxada e ameaça a Marilda. Ela continua se aproximando.

Mário     – Para aí mesmo! Não se aproxima mais!

Marilda   – Mário, abaixo isso. Vamos conversar, por favor.

Marilda percebe que ele não vai abaixar e deixa o anel da Pérola cair no chão. Ela se aproxima mais.

Mário     – Eu mandei você se afastar! Sai daqui! É sério.

Ela continua, com calma. Mário pega na enxada com força e dá na cabeça da Marilda. Ela cai no chão, sangrando, mas ainda viva.

Mário     – Idiota! Eu não queria fazer isso contigo. Idiota! Você que fez isso consigo mesmo!

Marilda se mexe e Mário percebe. Ele pega a enxada com força e dá novamente na cabeça dela, matando-a. CAM foca no rosto dela, morto.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 19

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Nádia encarando o Lauro e a Pérola sem entender. Os demais à parte.

Nádia     – O que está acontecendo aqui? Porque diabos vocês dois estão descendo do andar de cima, desarrumados? O que diabos o Lauro está fazendo aqui?

Lauro     – Não é nada disso que você está pensando Nádia.

Nádia     – Não joga essa frase clichê pra cima de mim, idiota.

Lauro     – Deixa eu explicar.

Nádia     – Explicar o que? O que você tem a explicar?

Lauro se aproxima da Nádia, encosta nela e ela desfere um tapa nele. Os outros reagem.

Lauro     – Nádia/

Nádia     – (corta) Chega! Acabou! E não ouse encostar as mãos em mim de novo. Idiota!

Lauro     – Desculpa.

Nádia     – Vá pedir desculpas pro capeta, vá à merda! (a Pérola) E você, criatura? Não vai falar nada?

Pérola    – Eu não sabia que ele tinha uma namorada, desculpa.

Nádia     – A culpa não é sua, querida. A culpa é dele! Ele me traiu! Ele é o idiota, imbecil!

Lauro     – Eu não/

Nádia     – (corta) Essa é a última vez que nós estamos nos falando. Acabou!

Ela sai. Iris vai atrás. Lauro bufa, e sendo encarado por todos, sai também.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Nádia sai segurando o choro, Iris vem atrás e a alcança. Lauro sai logo depois.

Iris      – Eu juro que não sabia, amiga. Como cê tá?

Nádia     – Estou ótima! É um idiota a menos na minha vida e eu não posso demonstrar fraqueza pra esse imbecil de merda.

Iris      – Você está certa. Precisa de alguma coisa?

Nádia     – Eu preciso ficar sozinha, obrigada.

Lauro se aproxima e ela desfere outro tapa na cara dele. Nádia sai e Iris impede que ele vá atrás.

Iris      – Chega por hoje!

Lauro     – Eu/

Iris      – (corta) Vá embora! E vá por outro caminho, não ouse falar com a Nádia.

Lauro     – Não foi a minha intenção fazer mal a ela.

Iris      – Mas você fez.

Ele sai e Iris volta pro bordel.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Iris entra e encara a Pérola. Robson e Marilda se encaram.

Pérola    – Gente, eu não sabia que ele tinha namorada.

Eleonora  – Está tudo bem, nós não temos nada com isso.

Nilda     – E acredite: essa briga aí foi de boas.

Clara     – Nós já tivemos briga que precisamos chamar a polícia.

Gina      – E o importante é que já acabou. Chega disso.

Iris      – Não, chega não, vocês não estão trabalhando na casa da Nádia? Como não sabiam?

Robson    – Nós só vimos a Nádia duas vezes no máximo.

Marilda   – E nem falamos com ela. Pérola realmente não sabia.

Pérola    – Eu nunca ficaria com ele se soubesse.

Nilda     – Chega desse assunto! Vamos tomar café.

Eles o fazem, calados.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos encarando os dois. Amparo começa a despertar e César também, os três se olham. A primeira levanta.

Amparo    – Acho que a gente passou da hora, um pouco.

César     – (ri) Um pouco? (ao Marcos) Você saiu! O que aconteceu?

Marcos    – É melhor a gente conversar a sós, longe de gente que não é confiável.

Amparo    – Eu vou indo.

Amparo sai. César levanta e se aproxima do Marcos.

César     – Marcos! Não fala assim com a Amparo.

Marcos    – Mas é verdade: eu não confio nela e nem você deveria.

César     – Mas eu confio. (pausa) Enfim, como foram as coisas na delegacia? O que aconteceu?

Marcos    – Eles não tinham como provar que eu sou o Marcos, tudo o que existe sobre mim está com o nome de Rafael.

César     – Isso é bom.

Marcos    – Não é bom, não. Eu vou precisar sair daqui logo e enquanto eu estiver aqui é preciso que você e todos me chamem de Rafael.

César     – Não posso garantir nada pelo Lauro e pela Amparo, mas eu vou te chamar apenas de Rafael agora.

Marcos    – Obrigado. E depois nós temos que conversar sobre as pedras preciosas, mas não agora. Não tenho cabeça pra isso. Eu quero dormir, nem consegui fazer isso direito.

Marcos sobe as escadas e sai.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Lauro entra e dá de cara com a Amparo, sentada. Ele se aproxima.

Amparo    – Entrando pelos fundos? Dormiu com quem?

Lauro     – Não foi com a Nádia e pode ficar tranquila, tudo está acabado.

Amparo    – O que aconteceu?

Lauro     – Você não se importa.

Amparo    – É claro que eu me importo. Eu amo essa família, Lauro. E eu quero que você seja feliz, mas namorar a Nádia agora é uma péssima ideia. (pausa) O que aconteceu?

Lauro     – Eu estava com dúvida entre a Nádia e a Pérola, então eu fui jantar com a Pérola e acabou rolando. Nós transamos e a Nádia viu tudo.

Amparo    – Lauro!

Lauro     – Eu sei que estou errado, mas não foi intencional, só aconteceu.

Amparo    – Coitada da Nádia.

Lauro     – Eu não queria magoar ela, eu gosto da Nádia. Mas também gosto da Pérola.

Amparo    – E agora você não tem ninguém, certo?

Lauro     – Certo. E quer saber? Talvez seja bom não ter nenhuma mulher na minha vida por enquanto.

Amparo levanta e o abraça. Eles se afastam e ele sai.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Omar está sentado, assistindo algo na TV. Nádia entra, chorando e correndo. Omar vê.

Omar      – Nádia? O que aconteceu? (grita) Nádia!

Nádia     – (chorando/nervosa) Agora não, Omar.

Ela sobe as escadas. Ele levanta e corre atrás dela, preocupado.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia está ajeitando a mesa de jantar. Mário se aproxima e ela o olha.

Zélia     – Thiago deixou tudo bagunçado, tô pensando em demitir ele.

Mário     – Ele é o melhor empregado que já tivemos. Para de ser chata.

Zélia     – Eu só quero alguém que cuide bem da casa, só isso.

Mário     – Mudando de assunto: e o comício?

Zélia     – É daqui a pouco. Cê vai, né? Tem que estar lá para me dá apoio.

Mário     – Eu vou sim, é do meu interesse que você ganhe isso.

Zélia     – Ótimo.

Ela dá um selinho nele e sai. Mário sorri e sai logo depois.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia está deitada na cama, chorando. Omar entra e senta ao lado dela.

Nádia     – Não!

Omar      – Eu quero te ajudar, Nádia. O que aconteceu?

Nádia     – (chorando) O Lauro aconteceu. O filho da puta me traiu com a Pérola.

Omar      – A Pérola das pedras preciosas? Como você descobriu?

Nádia     – (chorando) Eu vi tudo! Eu sou muito idiota. Como eu pude me deixar levar pelo Lauro? Eu não sou assim, Omar. Eu não me apaixono e aí do nada, eu estava apaixonada. (pausa) E estava acreditando que isso era possível, que eu seria feliz ao lado dele. Eu sou idiota!

Omar      – Você não é idiota. Você é ótima! É inteligente, bonita, esperta, legal e a melhor irmã do mundo. E sabe de uma coisa? Quem está perdendo é ele! Ele está perdendo a mulher mais legal dessa cidade.

Nádia     – (chorando) Eu te amo.

Omar      – Eu também te amo.

Nádia     – (chorando) Me dá um abraço?

Omar abraça a Nádia. Ele limpa as lágrimas dela e ela sorri.

Nádia     – Obrigada por tudo.

Omar      – Eu queria fazer mais por você. Ir lá e bater nele por ter feito isso com você.

Nádia     – Não. Você não tem que ser esse tipo de pessoa, você é ótimo do jeito que é. E bater nele não iria me ajudar em nada, e eu já batei nele.

Omar      – (ri) É claro que você já bateu. Sempre foi assim, né?

Nádia     – Sim, sempre foi. (pausa) Lembra de quando eu bati naquele idiota da escola porque estava zoando você?

Omar      – Esse dia foi ótimo. E engraçado. Ele chorou, não chorou?

Nádia     – Ele chorou muito, coitado. Eu acho que exagerei com ele.

Omar      – Talvez.

Eles riem e continuam abraçados.

 

CENA 09. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana, Célia e Divina estão sentadas no sofá tomando café. Alberto olhando, escondido.

Suzana    – Está na quase na hora, acho melhor a gente encontrar a Zélia lá mesmo.

Célia     – Eu também acho. Estou ansiosa pra isso, mal posso esperar pra ver a cara da Nilda cair.

Divina    – Nós temos que ganhar, Suzana. Precisamos nos livrar da sem-vergonhice.

Suzana    – E nós vamos, Divina. Nós vamos ganhar e eu vou fechar aquele maldito bordel.

Elas levantam, sorrindo e saem.

 

CENA 10. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Alberto olhando a Suzana e as beatas. Leila se aproxima.

Leila     – O senhor vai no comício?

Alberto   – Vou sim, o povo precisa saber que dessa vez nós não estamos do mesmo lado.

Leila     – E o senhor acha que o povo vai gostar de ver marido e esposa em lados opostos?

Alberto   – Eu acho que eles vão achar interessante e tenho certeza que isso dividir a cidade. (pausa) E posso fazer uma pergunta?

Leila     – É claro.

Alberto   – Acha que ela ganha?

Leila     – Não sei dizer, mas o meu voto é nela. Ela é forte, senhor, e por mais que esteja fazendo escolhas erradas fechando o bordel. Ela é mulher, forte e poderosa.

Alberto   – Eu entendo, obrigado pela sinceridade.

Alberto sai e Leila começa a arrumar a mesa de jantar.

 

CENA 11. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Marilda e Robson estão sentados, conversando. Eleonora à parte.

Marilda   – Está na hora da gente conversar com o Mário sobre as pedras preciosas.

Robson    – Eu também acho, mas é melhor falarmos com a Pérola primeiro.

Marilda   – Eu também.

Robson    – Espero que ele aja bem ou pelo menos finja estar bem.

Marilda   – Ele tinha que estar preparado pra mim. Em nenhum momento nós dissemos com certeza que lá teria pedras preciosas.

Robson concorda. Eleonora deixa de ficar à parte e se aproxima.

Eleonora  – Ei! Está na hora de eu os atualizar sobre tudo.

Marilda   – Ainda bem! Não aguentava mais criar teorias sobre o que anda acontecendo nessa cidade.

Robson    – Comece pelo começo de tudo, por favor.

Eleonora  – É claro.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 12. RUA/EXTERIOR/DIA:

Clara andando da rua. Ela dá de cara com um monte de pessoas frente à igreja. Ela se aproxima das beatas.

Clara     – Isso que vocês estão fazendo é ridículo.

Célia     – Ridículo é o que vocês estão fazendo com essa cidade.

Divina    – Você abusou do menino Omar e a polícia não fez nada.

Clara     – Eu não fiz isso. Essa acusação também é ridícula.

Ela se afasta das beatas.

 

CENA 13. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Zélia se aproxima da Suzana, que a encara.

Suzana    – Finalmente! Nós temos que começar isso logo.

Zélia     – Eu estou nervosa.

Suzana    – Eu também, mas nós precisamos e vamos fazer isso. Pensa no bordel sendo fechado.

Zélia     – É nisso que eu estou pensando mesmo.

Suzana    – Então, ótimo. Vamos lá.

Elas dão a mão e sorriem.

 

CENA 14. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Nilda estão em frente ao bordel, conversando. Gina olhando pela janela.

Nilda     – Não quer chegar mais perto?

Alberto   – Não quero me aproximar daquela gente, das beatas.

Nilda     – E nem eu. (pausa) Está curioso com que elas vão falar?

Alberto   – Curioso e nervoso. O que elas falarem pode ser crucial pra nosso comício.

Nilda     – Imagino que sim.

Eles continuam conversando. E Gina continua os olhando.

 

CENA 15. FRENTE À DELEGACIA/EXTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel estão sentados em frente à delegacia, conversando.

Agatha    – Já sabe em quem vai votar, pai?

Leonel    – No Alberto, com certeza. Não importa o que digam nos comícios. Não quero trabalhar com a igreja mandando em mim.

Agatha    – É, mas seria interessante ter uma mulher no controle dessa cidade.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Amparo está cozinhando e Marcos se aproxima, irritado.

Amparo    – O que o senhor quer?

Marcos    – Nós precisamos conversar, não acha?

Amparo    – Não acho não.

Ela dá as costas pra ele e ele a pega pelo braço. Eles se encaram.

Amparo    – Me solta!

Marcos    – Primeiro nós vamos ter a nossa conversa e depois eu te solto.

Ela desfere um tapa na cara dele e ele solta ela. Marcos a encara, raivoso.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 18

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Continuação imediata/

Marcos    – É o que?

Leonel    – O senhor é Marcos Gusmão Sampaio, certo?

Marcos    – Não, o meu nome é Rafael Moreira. Pode ver na minha identidade, está tudo lá em cima no quarto.

César     – Ele não é o Marcos.

Agatha    – César, o senhor pode ser preso por cumplicidade nisso tudo.

Marcos    – Mas nisso tudo o que? Primeiro que eu não sou esse Marcos e segundo que eu nem sei do que vocês estão me acusando.

Leonel    – Marcos, não se faça de sonso. Você sabe muito bem do que é acusado.

Agatha    – Tentativa de assassinato e pelo visto, falsa identidade.

Marcos    – Mas isso é um absurdo gente. Isso não existe!

Agatha vira o Marcos a força e o algema. Eles saem juntos. Leonel ia sair, mas César pega no braço dele.

 

CENA 02. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola estão sentadas, jantando e conversando. 

Pérola    – E qual é o motivo desse encontro repentino, Lauro?

Lauro     – Nós precisamos conversar depois do que aconteceu, não acha?

Pérola    – Precisamos.

Lauro     – Eu não quero mais sobre esse assunto de pedras. Elas são importantes pra você e pros seus amigos assim com como as terras são pra mim e pro meu pai.

Pérola    – Eu entendi isso e concordo, não vamos mais falar sobre esse assunto.

Lauro     – Ótimo. E outro motivo de ter te chamado pra jantar é que eu fiquei com saudades e eu gosto muito de você.

Pérola    – Eu também fiquei com saudades, mas precisávamos sair de lá.

Lauro     – Mas eu não te expulsei.

Pérola    – Não, mas foi o melhor a fazer. Principalmente por causa do seu pai.

Lauro     – Não vamos nos afastar de novo, ok? Nós nos gostamos, certo? Não podemos fazer isso.

Pérola    – Trato feito então. Não vamos nos afastar, vamos só nos aproximar mais.

Eles sorriem. Pérola pega na mão do Lauro e ele sorri.

 

CENA 03. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo e Leila estão sentadas no banco, conversando.

Amparo    – Então como é que você pode me ajudar?

Leila     – O maior conselho que eu posso te dar agora é atacar. Beija ele, provoca ele, ele precisa saber que você gosta dele.

Amparo    – E se ele não gostar?

Leila     – O problema é dele, foi ele que perdeu essa mulher maravilhosa. É um novo mundo agora, os homens precisam aprender que mulheres também podem e devem tomar iniciativas.

Amparo    – E como eu faço isso?

Leila     – Toca ele, abrace ele. Sei lá, tente ser mais intima dele. Ele vai respondendo se está gostando ou não, se quer ou não. E se ele ficar de mimimi dá logo um fora dele porque ninguém merece homem que não sabe o que quer.

Amparo    – É isso que eu vou fazer amiga, é isso! Eu quero esse homem pra mim.

Leila     – Então vai, Amparo. Agarra ele e não solta mais.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

César segurando o Leonel pelo braço. Eles se encaram friamente.

Leonel    – Me solta antes que eu te prenda por desacato.

César     – (solta) Ele não é o Marcos! O Marcos deve estar morto depois de todo esse tempo Leonel.

Leonel    – É o que nós vamos César e é melhor que ele não seja porque senão eu vou te prender também

Leonel sai. César dá um murro na mesa, raivoso.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Clara, Eleonora, Nilda e Gina encarando o Alberto, sem reação. Robson e Marilda à parte.

Clara     – Como que você tem coragem de vir aqui depois de tudo que fez com a Gina?

Alberto   – Eu/

Nilda     – (corta) Eu mandei você sair daqui!

Eleonora  – Nós não queremos a sua presença aqui, prefeito.

Gina      – Você me usou, me iludiu e me deixou, agora volta? Sai daqui!

Alberto   – (grita) Deixa eu falar caramba!

Nilda     – Não/

Eleonora  – (corta) Deixa ele falar, eu quero ouvir.

Alberto   – Obrigado. Eu não te deixei, Gina. Eu te amo! Eu te amo muito, eu só pedi um tempo para tentar esfriar as coisas com a Suzana depois que ela descobriu o nosso romance. Foi só isso, eu ainda te amo.

Gina      – Não foi isso que você transpareceu. Você veio aqui e simplesmente me deixou Alberto.

Alberto   – Eu peço desculpas se foi isso que pareceu, não foi a minha intenção.

Clara     – Está explicado. É só isso? Sai daqui!

Alberto   – Não é só isso. (a Nilda) Nós podemos conversar lá fora sobre outro assunto?

Nilda     – É melhor que seja interessante porque se não for: rua!

Alberto   – É interessante pra você e pra esse bordel, eu juro.

Alberto e Nilda saem. Eleonora e Clara se aproximam da Gina e a abraçam.

Robson    – Tô chocado!

Marilda   – Alguém precisa explicar pra gente o que aconteceu.

Robson    – Ele é o prefeito?

Marilda   – Ele e a Gina tem um caso? Isso é novela?

Robson    – E se for: quantos capítulos a gente perdeu?

Eleonora  – Depois nós fazemos a recapitulação do que aconteceu nos últimos capítulos.

Marilda   – Obrigada.

Os dois, curiosos. E as três, abraçadas.

 

CENA 06. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Alberto saem do bordel. Ela encara o Alberto.

Nilda     – Fala!

Alberto   – Suzana está querendo se vingar de mim e como principal plano ela decidiu concorrer a prefeitura contra mim.

Nilda     – E o que eu e as minhas meninas temos a ver com isso?

Alberto   – Ela se uniu com a Zélia, Nilda. E conhecendo bem a Zélia eu sei que o primeiro acordo que elas fizeram é referente ao bordel.

Nilda     – Isso quer dizer que/

Alberto   – (completa) que se a Suzana ganhar ela tem o poder de fechar esse bordel.

Nilda     – É tudo o que a Zélia e as beatas querem.

Alberto   – E elas vão fazer um comício na frente da igreja pra tentar atrair a atenção dos religiosos. E ela vai conseguir.

Nilda     – Isso não é interessante, é preocupando. Eu aguento o tranco, mas eu não posso deixar as minhas meninas sem sustento.

Alberto   – E nós não vamos, eu não posso fazer isso com a Gina.

Nilda     – E o que você pretende?

Alberto   – Eu quero a sua ajuda, você vai ser a minha vice-prefeita. E nós vamos destruir a Zélia.

Nilda     – Você realmente acredita nisso, Alberto?

Alberto   – Sim, é claro. É claro que eu acredito e é por isso que eu estou aqui. Aceita?

Nilda     – Tudo pelo meu bordel.

Eles dão um aperto de mão.

 

CENA 07. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha entra com o Marcos algemado e o põe sentado na cadeira. Ela senta frente a ele, Leonel entra e senta ao lado dela.

Marcos    – Isso é absurdo! Vocês não podem me prender!

Agatha    – E porque não, Marcos?

Marcos    – Porque o meu nome não é Marcos, caramba.

Leonel    – Chega desse cinismo, Marcos. Nós te conhecemos.

Agatha    – Nós sabemos que foi você que atirou no Perseu, tentando assassiná-lo.

Leonel    – E agora aparece com essa nova identidade. Rafael, né?

Marcos    – Esse é o meu nome, Rafael. E quem diabos é Perseu?

Leonel    – O seu pai! A merda do seu pai! E eu aposto que você deve ter matado ele também, nunca mais voltou pra cidade, nunca ninguém soube dele.

Agatha    – Você conseguiu terminar o serviço, Marcos.

Marcos    – Eu não sei do que vocês estão falando. O meu nome é Rafael, eu trabalho num jornal no Rio de Janeiro e eu conheço os meus direitos. Eu quero um advogado!

Leonel    – Isso aqui não é capital, Marcos. Nós fazemos os nossos próprios direitos e único direito que você tem nesse momento é uma cela.

Marcos    – Isso é um absurdo! É uma falta de respeito comigo mesmo. Eu já disse que eu sou o Rafael, caramba.

Agatha    – E o que você, Rafael, estava fazendo na casa do César que é amigo do Marcos?

Marcos    – É como eu disse: eu sou jornalista e uma moça chamada Marilda me chamou pra cidade pra investigar sobre pedras preciosas. Vocês podem falar com ela se quiserem.

Leonel    – Nós vamos fazer isso, pode deixar. Agora o senhor vai pra uma cela.

Marcos    – Eu sou o Rafael. Vocês podem confirmar isso vendo meus documentos, meus registros, até teste de DNA. Eu sou o Rafael!

Agatha    – É claro que sim. (grita) Policial!

Policial entra e leva o Marcos. Agatha encara o Leonel.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César está andando de um lado pro outro. Amparo entra e se aproxima. 

Amparo    – César? O que aconteceu? Cê tá bem?

César     – Levaram o Marcos.

Amparo    – O que? Levaram pra onde, meu deus.

César     – Ele foi preso, Amparo. Ele tinha feito uma merda no passado, não era pra ter voltado. Droga!

Amparo    – Calma, fica calmo.

Amparo o abraça e ele a aperta firme. Ela sorri.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Todos da cena 05 presentes, exceto Robson e Marilda. Nilda entra e todas a encaram.

Nilda     – Então, a Suzana resolveu se juntar com a Zélia e com as beatas para tentarem concorrer à prefeitura. E se elas ganharem, elas vão fechar o bordel.

Eleonora  – Filhas da puta!

Clara     – E agora? O que nós vamos fazer?

Nilda     – O único jeito é respondendo à altura. Eu e o Alberto estamos juntos na próxima campanha à prefeitura e nós temos que ganhar. Mas é claro que vocês não precisam apoiar principalmente a Clara por causa do Omar e a Gina.

Eleonora  – Eu estou dentro e falando pela Iris, ela também está. Esse bordel é tudo pra ela.

Clara     – Eu também estou. E sei que o Omar e a Nádia estão juntos nessa.

Nilda     – Gina?

Gina      – Eu não quero em meter nesse assunto e, por favor, faça com que ele não venha muito aqui.

Nilda     – Como quiser, não quero te deixar triste e não vamos deixar. Isso aqui é pro nosso bem e não pro nosso mal.

Eleonora  – Nós não podemos deixar a nossa vida ser fechada, destruída assim.

Clara     – E nós não vamos.

Eleonora, Clara e Nilda se abraçam. Gina sorri e sobe as escadas.

 

CENA 10. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo uísque. Alberto entra e a encara.

Suzana    – Olha quem chegou! Estava com a putinha, é?

Alberto   – Eu não voltei com a Gina, Suzana. Pode ficar despreocupada.

Suzana    – E eu posso saber onde você estava?

Alberto   – Eu estava com os meus aliados, vocês têm os seus e eu tenho os meus.

Suzana    – Ainda não desistiu?

Alberto   – Eu não vou desistir da guerra nem tão cedo.

Suzana    – Bom saber.

Alberto sobe as escadas. Suzana continua bebendo.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Iris e Nádia estão andando pelo pasto, conversando.

Iris      – Nossa! Quantos buracos nesse pasto, meu deus.

Nádia     – É essa loucura do meu pai. Eu acho que não tem nada aí embaixo, mas enfim.

Iris      – Não vamos falar sobre isso. Vamos falar com o Lauro, está tudo bem?

Nádia     – Tudo indo, eu acho. Eu gosto dele e ele gosta de mim, acho que estamos bem.

Iris      – Isso é bom. Eu nunca me imaginei namorando, sei nem como consegue.

Nádia     – É bom.

Elas continuam andando e conversando.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola entram no quarto aos beijos. Eles estão bêbados, caem na cama já tirando as roupas.

 

CENA 13. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Leonel está sentado, bebendo café. Agatha entra com uma pasta e o aproxima.

Agatha    – O Marcos, ou seja lá quem ele for, está falando a verdade, pai.

Leonel    – O que?

Agatha    – (mostra a pasta) Ele é realmente Rafael Moreira, proprietário de um jornal. E eu liguei pra lá, uma funcionária confirmou a história da Marilda que o chamou pra cá.

Leonel    – É mentira! Tudo armado e esquematizado já.

Agatha    – Eu também pensei, mas é verdade. O jornal existe de verdade e vende bem no Rio.

Leonel    – Mas ele é o Marcos, eu sei que ele é.

Agatha    – E eu também acho que ele seja, mas não nós temos provas pra mantê-lo.

Leonel    – Temos sim! Nós podemos fazer um teste de DNA, pegamos uma amostra dele e amostra da arma usada pra atirar no Perseu.

Agatha    – Uma arma que está guardada num deposito por, sei lá, vinte anos? Uma arma que pode ter sido adulterada por qualquer um? Nenhum juiz no mundo vai ligar pra essa prova.

Leonel    – Mas/

Agatha    – (corta) Não tem mais, pai. Eu vou soltá-lo.

Agatha sai. Leonel, irritado e raivoso, dá um soco na mesa.

 

CENA 14. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Agatha por esse corredor cheio de celas e se aproxima da cela onde o Marcos está.

Agatha    – Ei! Você está livre pra sair daqui.

Marcos    – Estou?

Agatha    – Está! Sai logo antes que eu mude de ideia.

Ela abre a porta e ele sai correndo, feliz. Ela bufa e fecha a cela.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola estão deitados na cama, nus. Ela começa a despertar e percebe.

Pérola    – Meu deus! Você passou a noite aqui, Lauro, acorda!

Lauro     – Oh deus.

Eles levantam, já pondo as roupas e saem correndo.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina, Nilda, Eleonora, Clara, Robson, Marilda e Iris estão sentados, tomando café.

Eleonora  – Chegou tarde ontem hein Iris.

Iris      – Eu fiquei com a Nádia, conversando na casa dela

Nilda     – Nós precisamos conversar sobre o que aconteceu ontem.

Iris      – O que aconteceu?

Clara     – Zélia e Suzana querem fechar o bordel e elas estão concorrendo a prefeitura.

Iris      – Não!

Nilda     – Mas depois a gente fala sobre isso, Iris.

Gina      – Vocês não precisam parar de falar sobre esse assunto só porque eu estou aqui.

Eleonora  – É que a gente quer o seu bem, Gina.

Robson    – E só pra deixar claro: eu ainda não sei de nada.

Marilda   – E nem eu!

Clara     – Eu explico tudo depois, calma meu deus.

Gina      – Eu estou bem, podem falar sobre isso gente.

Nádia entra e se aproxima delas.

Nádia     – Bom dia. (a Iris) Vamos, criatura?

Iris      – Estou acabando de comer, calma eu hein.

Nádia espera. Ouve-se passos apressados no andar de cima. Elas olham pra escada.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Amparo e César estão sentados no sofá, dormindo. Ele com a cabeça encostado no ombro dela. Marcos entra e vê a cena.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Lauro descem as escadas, ajeitando suas roupas. Nádia os encara.

Lauro     – Nádia?

Nádia     – Que merda está acontecendo aqui, Lauro?

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

 

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 17

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RUA/EXTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Marcos    – A gente se conhece, criatura?

Agatha    – Não, não. Eu achei que fosse o Marcos, meu irmão.

Marcos segue andando. Agatha, chocada, volta pra delegacia.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra em polvorosa e se aproxima.

Leonel    – O que aconteceu?

Agatha    – O Marcos! O Marcos, pai. Ele está aqui, na cidade.

Leonel    – O que? Você tem certeza absoluta que é ele?

Agatha    – Sim! Eu o vi, nós nos falamos por alguns segundos. É ele!

Leonel    – Não é possível que tenha voltado a muito tempo, deve chegado ontem ou até hoje mesmo.

Agatha    – É inacreditável!

Leonel    – Nós precisamos ter certeza que você o viu mesmo. Eu vou pegar o arquivo do caso, tem uma foto dele lá.

Leonel levanta e sai.

 

CENA 03. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Marilda está sentada no banco, Marcos se aproxima e senta ao seu lado. 

Marilda   – Rafael?

Marcos    – Isso mesmo e você deve ser a Marilda.

Marilda   – Isso. Minha amiga trabalha pro senhor e eu preciso da sua ajuda aqui em Ilhabela.

Marcos    – E é por isso que eu estou aqui. E não me chame de senhor

Marilda   – Como quiser, Rafael. Eu e mais dois amigos estamos tendo problemas com a escavação das pedras preciosas.

Marcos    – E que tipo de problema é esse, Marilda?

Marilda   – O dono rancho que tem as pedras não nos deixou perfurar as terras e o rancho vizinho parece não ter nada. E nós pensamos que se o seu jornal der a notícia das pedras, as pessoas vão vir pra cidade e o dono do rancho vai nos permitir fazer o nosso trabalho.

Marcos    – Entendo. E o dono desse rancho atende pelo nome de César, não é?

Marilda   – Isso mesmo. O senhor, digo, você o conhece?

Marcos    – Nós somos amigos de longa data e eu acho que ele está perdendo uma grande oportunidade, mas o rancho é dele. Não posso obrigá-lo a fazer algo que não quer.

Marilda   – Não estou pedindo para obrigar, estou pedindo para dar a notícia.

Marcos a encara, curioso.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha está sentada bebendo água, mais calma. Leonel entra com o arquivo e entrega a ela.

Leonel    – Olha a foto, filha.

Agatha    – Nessa foto ele está mais novo, mas é claro que é ele. O rosto é parecido, os olhos! É ele, sem dúvida. E quando eu chamei ele de Marcos, ele reconheceu.

Leonel    – Isso é ótimo! Eu vou ter a oportunidade de prender ele, de finalizar o meu primeiro caso arquivado.

Agatha    – E quando vamos fazer isso?

Leonel    – Eu só preciso juntar os materiais do caso, mas com certeza será hoje mesmo.

Leonel sorri, animado.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

César no banho. Amparo entra segurando a tolha. Ele se assusta.

César     – Amparo!

Amparo    – Senhor, desculpa. É que eu esqueci de avisar que tirei a toalha do banheiro pra lavar. Eu peguei uma nova pro senhor.

César     – Obrigado, deixa aí e pode sair. Meu deus!

Amparo    – Desculpa mesmo.

Ela bota a toalha no toalheiro e quando ia sair, escorrega num pano e cai. César sai do box e a ajuda.

César     – Meu deus! Amparo cê tá bem? O que aconteceu?

Amparo    – Eu escorreguei nesse pano, acho. Eu tô bem.

César     – Tem certeza?

Amparo    – Tenho e (pausa) e o senhor tá pelado.

César     – Oh, desculpa. Meu deus, que vergonha.

Amparo    – Tudo bem, está tudo bem. Eu vou sair pra você terminar o seu banho.

Ela levanta e César retorna pro box. Ela o encara, sorrindo e sai.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário, Robson e alguns homens à parte. Pérola andando pelo pasto, o celular dela toca e ela atende.

Pérola    – Marilda?

Lauro     – (off) Não, é o Lauro.

Pérola    – Oi, é que eu estou esperando uma ligação da Marilda.

Lauro     – (off) Então eu vou ser rápido pra não atrapalhar. É que eu gostaria de encontrar contigo.

Pérola    – Porque?

Lauro     – (off) Nós precisamos conversar sobre o que anda acontecendo.

Pérola    – Está certo. E aonde nós vamos nos encontrar?

Lauro     – (off) Sabe o restaurante que fica próximo ao bordel? É ali.

Pérola    – Eu sei sim. Eu te vejo lá mais tarde então.

Ela desliga e volta a andar pelo pasto, olhando os buracos.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Omar está sentado no sofá, assistindo TV. Nádia se aproxima e senta ao seu lado.

Nádia     – Não teve missa hoje?

Omar      – Não, o padre não estava se sentindo muito bem.

Nádia     – E como estão as coisas contigo e com a Clara?

Omar      – As coisas estão indo. Nós temos altos e baixos, mas estamos bem.

Nádia     – Deixa eu corrigir o que você falou: você tem alto e baixo! Ela está muito feliz.

Omar      – E eu também estou. É que é difícil, mas e você? O Lauro?

Nádia     – Nós estamos bem. Eu estou curtindo e ele também, e é tudo em segredo, o que deixa tudo mais divertido.

Omar      – Imagino que sim.

Eles sorriem. Nádia o abraça e beija a bochecha dele.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Zélia está bebendo água. Mário está e pega um copo d’água também. 

Mário     – Ei você ainda não me contou o que está armando.

Zélia     – Não? Eu e a Suzana estamos nos juntando contra o prefeito. Ela está se candidatando a prefeitura.

Mário     – Interessante, mas o que você tem a ver com isso?

Zélia     – Eu vou ser a vice-prefeita e você a segunda-dama.

Mário     – Eu gostei disso.

Eles riem e se beijam.

 

CENA 09. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Marilda encarando o Marcos, esperando uma resposta. Ele sorri.

Marilda   – E então?

Marcos    – Eu aceito, vai ser divertido.

Marilda   – Ótimo. Tem como mandar essa notícia ainda essa semana?

Marcos    – É claro que tem.

Marilda e Marcos apertam as mãos, levantam e saem andando.

 

CENA 10. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/DIA:

Alberto está sentado, escrevendo em uns papeis. Padre Fagundes entra e se aproxima.

Alberto   – Padre? O que a Zélia fez dessa vez?

Fagundes  – Ela não é o principal problema dessa vez, o principal problema é a sua esposa.

Alberto   – O que ela fez?

Fagundes  – Ela vai fazer um comício na frente da igreja e eu não posso permitir isso.

Alberto   – Eu não posso fazer nada, padre. Ela tem direito ao seu comício.

Fagundes  – O Alberto antigo não iria permitir que isso acontecesse. Faça alguma coisa!

Alberto   – Quer saber? Eu vou fazer alguma coisa afinal é guerra.

Eles se encaram, Alberto animado.

 

CENA 11. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia, Suzana e as beatas estão sentadas no sofá. Elas bebem café.

Suzana    – Está tudo certo pro comício de amanhã?

Zélia     – Tudo certíssimo.

Suzana    – Então ótimo.

Célia     – Mas nós precisamos acertar umas coisinhas, Suzana.

Suzana    – Que coisinhas?

Divina    – Nós queremos saber se vai cumprir com o seu trato.

Suzana    – E que trato seria esse?

Zélia     – A destruição do bordel, Suzana. Nós queremos ter certeza que aquele lugar vai ser posto abaixo.

Suzana    – É claro que vai ser. É a primeira coisa que eu vou fazer quando ganhar a eleição.

Zélia e as beatas se encara sorrindo.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Marilda está sentada na cama. Robson e Pérola entram e se aproximam.

Marilda   – Chegaram rápido. Como estão as coisas no rancho?

Robson    – Nada ainda, não tem nada lá Marilda.

Pérola    – Isso não é importante agora. O Rafael topou?

Marilda   – Sim, ele topou. E o melhor: ele conhece o César.

Robson    – Interessante e que bom pra gente. Nós vamos conseguir o que queremos.

Pérola    – Assim espero!

Os três comemoram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda está sentada, lixando as unhas. Eleonora desce as escadas e se aproxima. 

Nilda     – Iris acabou de me contar que a Gina voltou a trabalhar. Porque não me contou?

Eleonora  – Eu acabei esquecendo, desculpa. Ela estava feliz.

Nilda     – E eu estou feliz por ela. Espero que o idiota do Alberto não volte a vida dela agora.

Eleonora  – Amém!

Elas se beijam.

 

CENA 14. RUA/EXTERIOR/DIA:

Iris está andando na rua. Nádia a alcança. Iris levanta um susto.

Iris      – Meu deus Nádia! Não faça isso de novo.

Nádia     – Desculpa, achei que tinha me visto chegar.

Iris      – O que quer idiota?

Nádia     – Quer ir jantar lá em casa? Estou afim de irritar a minha mãe, mas não posso contar com o Lauro.

Iris      – É claro, mas nada de provocar muito. Não quero que sobre pra Nilda.

Nádia     – Eu conheço os meus limites, Iris.

Iris      – Desculpa que eu vi você e o Lauro no pasto, duvido disso.

Nádia     – Nem fala que dá até saudades aí como é bom!

Elas riem e seguem andando.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Agatha está sentada e Leonel entra. Ele se aproxima, animado.

Agatha    – Está tudo pronto?

Leonel    – Tudo! Vamos prender esse filho da puta.

Agatha levanta e sai com o pai.

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos entram na sala de jantar. Eles sentam, já se servindo. Lauro se aproxima.

Lauro     – Eu, infelizmente, não vou poder jantar com vocês.

Marcos    – E porque não?

Lauro     – Eu tenho um encontro hoje, prometo não voltar tarde.

César     – É com a Nádia?

Lauro     – Não, pai. O mundo não gira em torno dessa rixa de você e do Mário.

César     – Divirta-se.

Lauro sai. Marcos e César começam a jantar.

Marcos    – E onde está a Amparo?

César     – Ela foi se encontrar com uma amiga, deixou tudo preparado antes de ir.

Marcos    – Ela parece ser (pausa) boa? Eu não sei.

César     – É ótima e eu tenho certeza que vocês vão se dá bem.

Marcos sorri.

 

CENA 17. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo está sentada no banco. Leila se aproxima e senta ao lado dela.

Leila     – Desculpa o atraso.

Amparo    – De boas e desculpa ter te pedido pra não trazer o Thiago

Leila     – É até bom. Nós estávamos precisando da noite das meninas.

Amparo    – Eu preciso da sua ajuda com o César, Leila. Eu o vi pelado e que homem (pausa) eu gosto muito dele.

Leila     – Eu não vejo nada demais nele, mas o amor é cego né.

Amparo    – É sério, me ajuda.

Leila     – Eu ajudo, é claro.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Mário e Omar estão sentados à mesa. Nádia entra com a Iris e elas se sentam. Thiago à parte.

Zélia     – Isso é sério Nádia?

Nádia     – Nós estávamos juntas, mãe, e eu convidei ela pra jantar. É só isso.

Mário     – E você é bem-vinda aqui Iris. Para de ser chata, Zélia.

Iris      – Obrigada, Mário.

Omar      – Bem-vinda Iris, sabe da Clara?

Iris      – Eu só a vi de manhã, mas ela deve estar bem.

Omar      – Ela disse que estava cheia de clientes hoje.

Iris      – Hoje foi um dia movimentado, mas acho que amanhã ela não trabalha.

Omar      – É bom saber.

Nádia     – Eu fico feliz que você esteja bem, irmão.

Omar      – Está tudo ficando bem.

Zélia     – Ah, por favor, isso é ridículo! Thiago, fala alguma coisa.

Thiago    – Bem-vinda Iris.

Iris      – Obrigada e você é bonito, passa lá no bordel qualquer dia desses.

Mário     – (ri) Está todo mundo contente com a Iris aqui, Zélia. Fique também.

Nádia     – Isso mesmo, mãe.

Zélia     – Não fico! E parem de falar sobre bordel antes que eu vomite nessa comida.

Todos riem, exceto a Zélia.

 

CENA 19. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson, Marilda, Nilda, Eleonora, Clara e Gina estão jantando. Pérola desce as escadas e se aproxima.

Pérola    – Estou indo me encontrar com o Lauro.

Marilda   – Bom jantar, pombinhos.

Robson    – Pérola e Lauro vão se encontrar lá lá.

Pérola    – Cala a boca. (aos outros) Boa noite gente.

Eleonora  – Boa noite.

Gina      – Bom encontro.

Nilda     – Boa e boa sorte.

Clara     – Boa noite.

Pérola sai. E Alberto entra, Gina e Nilda o encaram, irritadas.

Alberto   – Oi gente.

Gina      – O que diabos você está fazendo aqui?

Nilda     – Sai daqui agora!

Os três se encaram.

 

CENA 20. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana entra na sala e encontra um bilhete em cima da mesa. Ela pega e lê.

Suzana    – (lê) Não vou poder jantar contigo hoje, tenho um encontro importante. (para)O filho da puta deve ter ido se encontrar com a putinha dele de novo. Ridículo!

Ela senta na mesa e já começa a se servir, sozinha.

 

CENA 21. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado à mesa. Pérola se aproxima e senta em frente a ele.

Pérola    – Lauro.

Lauro     – Pérola.

Eles sorriem.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos estão sentados, jantando. A campainha toca.

César     – Porque sempre tem visita quando a Amparo não está?

Marcos    – Porque essa visita chega na hora do jantar?

César levanta e sai. Logo depois, ele volta com a Agatha e com o Leonel.

Agatha    – Marcos?

Leonel    – Marcos Gusmão Sampaio? O senhor está preso!

Marcos    – O que?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 16

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos abraçados, o último emocionado. Eles se afastam, Marcos está mais calmo.

Marcos    – Eu abandonei tudo por causa do meu pai, César. Eu achei que ele estava morto, eu realmente achei.

César     – Pode ser que ele esteja. Ele disse que ia atrás de ti e até agora não foi, certo? Então ele deve estar morto.

Marcos    – Eu espero que esteja. Ele fez muito mal pra mim e pra minha mãe, não quero que ele volte pra minha vida nunca mais.

César     – E a sua mãe? Nunca mais a viu depois que ela saiu daqui?

Marcos    – Não, nunca mais. Também imagino que ela esteja morta, depois de tudo o que aconteceu, não duvido de nada.

César     – Eu também. (pausa) Você disse que veio aqui por causa de umas pedras preciosas, como assim?

Marcos    – Sabe o caso de Porto dos Milagres, umas pessoas que pesquisam essas coisas acham que aqui em Ilhabela possa ter também. É uma exclusiva pro meu jornal.

César     – Jornal?

Marcos    – Eu me formei em jornalismo e acabei comprando um jornal, sou um dos sócios atualmente. Não é um grande jornal, mas tá em alta.

César     – Eu fico feliz por ti. (pausa) E uma dessas pessoas que lhe chamaram atendem pelo nome de Pérola?

Marcos    – Isso mesmo. Pérola, Robson e Marilda se não me engano, a Marilda é amiga de uma funcionária minha. Você os conheceu?

César     – Sim. Eles ficaram aqui por um tempo, acham que aqui tem pedras preciosas, mas eu não deixei que eles abrissem as minhas terras. E devem estar à procura de terras alheias.

Marcos    – Porque não deixou?

César     – Não ia perder minhas terras, meu sustento e futuro do meu filho, por causa de algo que eu nem sei se tem.

Marcos    – Tá certo. E por falar no Lauro: onde é que ele está?

César     – Ele deu uma saída, mas logo volta.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 02. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana entra em casa e dá de cara com o Alberto que está sentado no sofá, lhe esperando.

Alberto   – Quem é?

Suzana    – Quem é o que Alberto?

Alberto   – Eu quero saber quem é seu amante, Suzana. Quem é o filho da puta?

Suzana    – Está com ciúmes Alberto? É aquele ditado, né? Pimenta no olho dos outros é refresco.

Alberto   – Não estou com ciúmes. Eu entendo que você queira dá o troco, mas eu exijo saber quem é o amante.

Suzana    – Você exige? Você não tem o direito de exigir nada, Alberto.

Alberto   – Eu sou/

Suzana    – (corta) Você é o que? O meu marido? O marido que me traiu por dois anos com uma mulher de pau? Vá à merda! Vá à porra da merda, Alberto! Eu deveria ter te expulsado dessa casa, mas não fiz isso porque eu sou esperta, não sou de ficar choramingando por homem não. E eu vou te foder! Eu vou te foder tanto, Alberto.

Alberto   – Do que você está falando? O que e o seu amante estão tramando?

Suzana    – Não tem amante, eu e uma amiga estão se juntando contra você. Nós duas vamos comandar essa cidade, Alberto, nós vamos acabar com o prefeitinho da cidade.

Alberto   – Você está dizendo que vai se eleger a prefeitura?

Suzana    – Vou não! Eu já estou eleita e se prepara porque eu estou prontíssima pra guerra.

Alberto   – Essa cidade nunca teve uma prefeita mulher e não vai ser agora que vai ter.

Suzana    – Pra tudo tem uma primeira vez, Alberto.

Alberto   – E que amiga é essa? Eu posso saber?

Suzana    – É a Zélia, a mulher com maior influência nessa cidade, mais influência que eu. Todo mundo respeita a Zélia e suas beatas, mesmo que elas sejam loucas, todos a respeitam. Incluindo você.

Alberto   – Então é guerra?

Suzana    – É guerra!

Suzana sobe as escadas. Alberto bufa e a encara subindo.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Marcos estão sentados, conversando. Lauro entra e não entende.

Lauro     – Pai?

César     – Lauro! Esse é o Marcos, ele é um grande amigo meu e de sua mãe. Eu já falei sobre ele.

Lauro     – Marcos, é claro. O meu pai disse que você o ajudou a me criar, mas teve que ir embora do nada.

Marcos    – Pois é, a vida me levou pra longe daqui. (pausa) Você está muito grande!

Lauro     – O tempo passou.

Marcos    – Eu percebi que sim. Eu aposto que tem várias namoradas por aí.

César     – É melhor não falarmos sobre isso, Marcos.

Lauro     – Eu vou dormir, pai. E boa noite e bem-vindo Marcos.

Lauro sobe as escadas. Marcos encara o César, sem entender.

Marcos    – O que aconteceu?

César     – Ele gosta da Pérola e da Nádia, a Nádia é filha do vizinho, filha do meu rival.

Marcos    – Não sabia que se dava mal com o cara que comprou a fazenda do meu pai.

César     – Nós somos concorrentes e não nos damos bem por isso. Então eu não aprovo nenhum dos relacionamentos do Lauro.

Marcos    – Eu entendi. Não pode falar sobre namoro.

César sorri.

César     – Eu vou te mostrar o quarto de hóspedes.

Marcos    – Obrigado, estou morrendo de sono César.

César sobe as escadas e Marcos, com suas malas, vai logo atrás.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Mário, Zélia, Nádia e Omar sentados à mesa. Thiago os servindo.

Mário     – Ontem nós tivemos um jantar ótimo, uma pena que a Zélia não ficou desde o começo.

Nádia     – É mesmo. Quem era na porta, mãe?

Zélia     – Uma amiga, nós estamos preparando algo.

Omar      – Espero que isso não tenha a ver com o bordel.

Nádia     – É mesmo, mãe. Ela ameaçou fechar o bordel, sabiam disso?

Mário     – Novidade.

Zélia     – Nem tudo gira em torno daquele lugar asqueroso. E sobre a denúncia: eu desisti.

Eles continuam tomando café. Thiago só observando.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro está sentado à mesa. Amparo o servindo. Marcos e César entram e se sentam.

Amparo    – Temos uma visita?

César     – Eu acho que já te falei sobre ele, Amparo. Ele foi um grande amigo da minha esposa e é um grande amigo meu.

Amparo    – Eu acho que já falou sim. Marcos, né?

Marcos    – Isso mesmo. E você é a/

Amparo    – (corta) Amparo, o meu nome é Amparo.

Marcos    – Eu gostei do nome.

Lauro     – Agora que todos foram apresentados: pai depois temos que olhar as vacas, acho que vai chover.

César     – É melhor você cuidar disso pra mim, Lauro.

Lauro     – Eu imaginei que ia falar isso. Pode deixar.

Eles continuam a tomar café. Amparo sempre encarando o Marcos e vice-versa.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Pérola, Robson, Marilda, Nilda, Clara, Iris e Eleonora estão sentadas e tomando café.

Pérola    – Nós precisamos ir logo no Mário, falar com ele.

Eleonora  – Cês acham mesmo que tem algo de bom ali embaixo?

Robson    – Não tem. Não encontramos nada até agora, talvez tenha mas se tiver deve ser mais lá embaixo.

Marilda   – Mas nós não podemos usar dinamite porque é aérea residencial, então deve demorar.

Iris      – Nádia nem falou nada disso pra mim.

Clara     – E nem o Omar pra mim.

Pérola    – O Mário impediu deles falarem algo, não quer olhos em cima das pedras.

Marilda   – Mas nós não seguimos essa regra. Eu convidei um jornalista pra cá, já deve ter chegado.

Nilda     – Posso dá um conselho? Quando o Mário chegou aqui, eu estava começando nos negócios, mas já sabia que ele não brincava em serviço.

Robson    – E o que isso significa?

Nilda     – Isso significa que ele deve estar muito ambicioso por essas pedras e se não tiver nada lá, ele vai dá um jeito de tê-las mesmo assim.

Pérola, Robson e Marilda se encaram, intrigados.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Gina está sentada na cama, calçando os sapatos. Eleonora entra e se aproxima.

Eleonora  – Bom dia. A Nilda me mandou aqui perguntar se vai querer tomar café agora.

Gina      – Agora eu não posso, Eleonora. Tenho um cliente agora.

Eleonora  – Cliente? Não resolveu tirar férias?

Gina      – Não mais, férias é um saco. E eu preciso voltar a trabalhar.

Eleonora  – Ok, mas o cliente foi passado pra Iris.

Gina      – Pois avise a ela que ele agora é meu.

Gina sai do quarto, animada. Eleonora sorri e vai logo atrás.

 

CENA 08. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes está ajoelhado, rezando. Suzana entra e se aproxima.

Suzana    – Padre?

Fagundes  –…amém. (levanta) Primeira-dama? Faz tempo que não lhe vejo por aqui.

Suzana    – Vida da primeira-dama não é fácil, padre. E me doí só vir aqui pra pedir.

Fagundes  – É o que as pessoas mais fazem na igreja: elas pedem. Então, pode pedir.

Suzana    – Eu vou me candidatar a prefeita, irei disputar contra o meu marido e será divertido. Posso contar com a sua ajuda?

Fagundes  – Não, não. Eu não quero me envolver em nada que tenha a ver com política, não sou mais assim Suzana.

Suzana    – Eu sei que não, mas esperava que você considerasse já que vai ter um comício na frente da igreja.

Fagundes  – Comício? Mas eu não permiti nada, Suzana.

Suzana    – E você não precisa permitir. Eu sou a primeira-dama e eu vou fazer o comício aqui em frente.

Fagundes  – Mas a igreja é minha!

Suzana    – Sua? Eu achava que ela era do senhor.

Fagundes  – Ela é do senhor, é claro. Mas eu sou o padre e além de mandar na igreja, eu mando na calçada dela também.

Suzana    – Não! A rua é pública e eu vou fazer o meu comício, e espero que o senhor venha.

Fagundes  – Suzana/

Suzana    – (corta) Adeus.

Suzana sai da igreja. Ele, irritado, só encara ela saindo.

 

CENA 09. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Lauro e Nádia estão sentados no banco, conversando.

Lauro     – Ontem foi/

Nádia     – (corta) Único! Porque não vai acontecer de novo.

Lauro     – Eu ia dizer que foi ótimo e inesperado. Não diga que não gostou porque você estava quase gozando aí a Iris chegou.

Nádia     – E ainda bem que foi a Iris porque se fosse os meus pais nós dois estaríamos mortos agora.

Lauro     – Mas seria divertido, não seria?

Nádia     – Seria.

Lauro     – Vamos fazer aqui?

Nádia     – O que? Não! Cê tá louco? E que mania é essa de sexo em público e de dia?

Lauro     – Ah, chata, é que seria divertido.

Nádia     – Não!

Lauro     – Está bem.

Eles se beijam e riem, felizes.

 

CENA 10. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Omar, Clara, Zélia e as beatas se aproximam da igreja. A porta está fechada e todos se encaram.

Zélia     – Como assim a porta está fechada?

Divina    – Eu passei aqui de manhã e o vi abrindo as portas.

Célia     – Será que alguma coisa aconteceu com ele?

Omar      – Eu vou ver.

Zélia     – Não! Vai que ele está em companhia de alguma das amiguinhas dela? Não quero que você tenha mais influências negativas.

Clara     – Ninguém tem um encontro com o padre e ele é o padre.

Zélia     – Eu não confio em nenhum homem dessa cidade.

Zélia, Célia e Divina caminham pela lateral da igreja. Clara e Omar se sentam na escada.

Clara     – Você está calado hoje. O que aconteceu?

Omar      – Muita coisa tem acontecido comigo, Clara, e eu acho que você não entende.

Clara     – E porque não me explica?

Omar      – Eu cresci sendo educado pra ser padre, nunca beijei ninguém e muito menos transei. Nunca me apaixonei por ninguém e eu tenho mais de vinte anos. Aí você chega, eu me apaixono, a gente se beija e de repente eu tenho dúvidas se quero mesmo ser padre.

Clara     – Nós dois amamos vir a igreja e nós dois somos católicos certo? E nós combinamos que isso não afetaria a gente. Você ia continuar com o seu sonho e eu com os meus, certo? O que mudou?

Omar      – Você! Eu tenho vontades de ficar com você pra sempre, mas ao mesmo tempo eu quero ser padre. E não posso ser padre gostando de ti.

Clara     – Se quiser terminar tudo/

Omar      – Não! Porque eu (pausa) eu te amo Clara. E isso não pode acabar, mas eu também não quero desistir do meu sonho.

Clara     – Eu entendo e te apoio. Vamos fazer assim: vamos curtir e quando acabar, acabou.

Omar concorda e a beija. Ela sorri e o retribui o beijo.

CENA 11. IGREJA/SACRISTIA/INTERIOR/DIA:

Zélia e as beatas entram. Padre está sentado, bebendo vinho. Elas se aproximam.

Zélia     – Padre?

Divina    – O que aconteceu?

Fagundes  – É a Suzana, ela teve uma ideia louca de comício aqui na frente. Eu acabei me irritando, não vai ter missa hoje.

Célia     – Padre, querido, nós apoiamos a Suzana.

Fagundes  – É o que?

Zélia     – Isso mesmo, padre. E eu vou ser a vice-prefeita dela. Nós duas queremos mudar a cidade.

Fagundes  – Ok, isso é problema de vocês. Mas eu não admito que a igreja esteja metida nisso.

Divina    – Vai ter que aceitar, padre. O comício vai acontecer.

Zélia     – E nós vamos fechar esse bordel de quinta.

Zélia, Célia e Divina saem. Padre Fagundes continua bebendo, irritado.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mais buracos sendo feitos, Mário animado. Pérola, Robson e Marilda se aproximam.

Pérola    – Mário? Nós quatro podemos conversar?

Mário     – É claro que sim. O que querem de mim?

Marilda   – É que nessa altura do campeonato, nós já teríamos achado algum kimberlito.

Robson    – E talvez aqui na sua terra não tenha nada, Mário. Nós sentimos muito.

Mário     – Isso é uma desistência? Porque eu não vou desistir.

Pérola    – Não, é só um aviso de que talvez não tenha nada aqui.

Mário     – Talvez não é certeza, gente. Vamos trabalhar.

Mário se afasta. E os três se encaram.

Marilda   – Eu tô indo me encontrar com o Rafael, boa sorte pra vocês com esse aí.

Ela sai. Robson e Pérola se aproximam do Mário e dos buracos.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está cozinhando. César entra e se aproxima. Marcos observa os dois da porta, sem que nenhum dos dois perceba.

César     – Esse cheiro, meu deus! Está divino, Amparo.

Amparo    – Obrigada. É o caldo de carne que minha mãe fazia pra mim quando pequena.

César     – Parece ser delicioso, posso provar?

Amparo    – É claro.

Amparo pega uma colher do caldo e dá na boca do César, mas ele acaba se sujando.

César     – Está delicioso!

Amparo    – Desculpa, eu te sujei.

César     – Está tudo, ia tomar banho mesmo. Está um calor.

Amparo    – Tira a blusa que já ponho pra lavar.

César tira a blusa e entrega pra Amparo. Ela encara o torso nu dele. Marcos entra.

Marcos    – Atrapalho?

Os três se encaram.

 

CENA 14. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra com uma pasta na mão. Leonel está sentado, digitando algo no computador.

Leonel    – Lembra da tempestade? Parece que ela vai mesmo acontecer. Uma chuva está vindo pra cidade.

Agatha    – Espero que essa chuva influencie em algo nos casos dessa cidade.

Ela entrega a pasta pra ele.

Leonel    – Qual é o caso?

Agatha    – Alguém roubou um pacote de biscoito do mercadinho.

Leonel    – O caso é seu, divirta-se!

Agatha    – Obrigada.

Leonel    – Eu estava bem lembrando de um caso antigo. O filho atirou no próprio pai e depois fugiu.

Agatha    – É o caso Marcos, né? Cê já me contou várias vezes sobre ele.

Leonel    – Eu fiquei bem intrigado com esse caso, uma pena que eu tive que arquivá-lo.

Agatha    – Será que ele ainda está vivo?

Leonel    – Não! Perseu saiu daqui dizendo que ia se vingar, deve ter matado o próprio filho.

Agatha    – Enfim. Estou indo investigar o caso do biscoito.

Agatha sai.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Marcos, Amparo e César se encarando.

César     – É claro que não, Marcos. Eu estou indo tomar banho.

Marcos    – Bom banho.

César sai. Marcos abre a geladeira e pega um copo d’água, ele se aproxima da Amparo.

Marcos    – Foi um ótimo truque esse de derramar o caldo na blusa dele.

Amparo    – Não sei do que está falando, foi um acidente seu Marcos.

Marcos    – Não se faça de santa comigo, Amparo. Eu conheço esses truquinhos, mas não venha bancar a esperta comigo que eu sou muito mais esperto que você.

Amparo    – Seu Marcos/

Marcos    – (corta) Estou saindo, avisa que o César que eu sai.

Ele derruba o copo no chão e Amparo o encara. Ele sorri.

Marcos    – Ops. Eu acho melhor você limpar isso pra mi

Ele sai e ela o encara saindo, irritada.

 

CENA 16. RUA/EXTERIOR/DIA:

Marcos está andando na rua. Agatha também, ela atravessa a rua e dá de cara com ele. Ela o encara.

Agatha    – Marcos?

Ele a encara. Ela, não acreditando no que está vendo, o encara.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 15

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana já vai entrando. Zélia a encara.

Zélia     – Como assim? A gente não tem nada pronto Suzana.

Suzana    – Eu não posso mais olhar pra cara dele e dizer que está tudo bem. Eu preciso ter a minha vingança.

Zélia     – E o que você pretende fazer? Eu queria mais tempo.

Suzana    – Avisa pra todas as beatas e não é só a Célia e a Divina não, são todas as mulheres que frequentam a igreja e prezam pela moral dos bons costumes.

Zélia     – Eu vou avisar, mas só isso não vai te ajudar a ser eleita.

Suzana    – Eu sei que não e é por isso que eu vou fazer um comício na frente da igreja onde irei expor os meus ideais e minhas promessas.

Zélia     – O padre não vai permitir que você faça isso.

Suzana    – Eu sou a primeira-dama da cidade, ele não vai me impedir.

Zélia     – Eu estou contigo mesmo achando essa ideia louca demais.

Elas dão um aperto de mãos. E Suzana sai.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia, Omar, Mário, Robson, Marilda e Pérola sentados à mesa, jantando. Zélia entra e senta, Thiago à parte.

Mário     – Está tudo dando certo, Zélia. Nós estamos animados.

Zélia     – Eu imagino que sim. E eu queria pedir desculpas pelo atraso do jantar, né Thiago?

Pérola    – Não se preocupa com isso, o jantar está ótimo.

Robson    – Está bem melhor que o jantar dos últimos dias.

Marilda   – É mesmo.

Omar      – O Thiago é um ótimo cozinheiro.

Zélia     – Mas tem um timing horrível. Eu vou comprar um relógio enorme pra ele.

Nádia     – Aí mãe foi só um atraso, siga em frente.

Zélia     – Desculpa se eu me preocupo com o horário em que o jantar saía.

Omar      – Mãe! Chega!

Pérola    – É melhor falarmos de outro assunto.

Nádia     – Eu vou me encontrar com a Iris, posso?

Mário     – É mesmo com a Iris, Nádia? Não está me escondendo nada?

Nádia     – Não! E nós vamos nos encontrar no pasto, pode até olhar se quiser.

Zélia     – Eu não confiava.

Mário     – E porque não?

Nádia     – Porque ela acha que eu estou com o Lauro, mas eu não estou. Depois que vocês botaram ele pra correr daqui.

Mário     – É bom que não esteja mesmo. Não gosto daquela família.

Marilda   – Porque? O Lauro é um menino legal, seu Mário.

Nádia     – Eu também acho.

Mário     – É coisa do passado e é melhor não revirarmos o passado essa noite.

Omar      – Eu posso subir? Acabei de jantar já.

Zélia     – Não vai encontrar com a sua putinha hoje?

Omar levanta e sai. Nádia e Mário encaram a Zélia.

Nádia     – Você não toma jeito, né mãe? É sempre a mesma coisa.

Mário     – Deixa o nosso filho ser feliz, Zélia.

Robson    – Putinha?

Zélia     – Ele namora uma puta e esses dois apoiam isso, vê se pode?

Todos se entreolham, meio sem ter o que falar. E eles voltam a jantar.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro e César acabando de jantar. Amparo já limpando a mesa.

Lauro     – Eu acho que vou dar uma andada pelo pasto e depois vou dormir.

César     – Ainda tá cedo, acho que vou assistir um pouco de TV.

Amparo    – Eu ia sair, mas se quiser eu fico César.

César     – Não deixe de sair por causa de mim.

Amparo    – Obrigada.

Lauro e César saem. Amparo continua limpando a mesa.

 

CENA 04. FUNDOS DO RANCHO DO MÁRIO/INTERIOR/NOITE:

Pérola, Robson e Marilda saem da casa, já conversando.

Pérola    – É engraçado como as coisas são tão apertadas aqui. O Omar namora uma puta, a Nádia é amiga da Iris que é uma puta.

Robson    – E eu dormi com a Iris.

Marilda   – Podemos falar sobre o que é interessante: as terras.

Robson    – Eu dei uma péssima ideia. Eu achei que pudesse ter algo aqui, mas não queria ficar esperançoso por isso falei aquilo de manhã.

Marilda   – Não foi uma péssima ideia, nós ainda não olhamos nada.

Pérola    – Não foi uma péssima ideia, mas também não foi boa. Não tem nada aqui, nenhum kimberlito foi encontrado e eu tenho certeza que no rancho do César tem vários.

Robson    – Se pudéssemos usar dinamite seria mais fácil.

Marilda   – É uma área residencial, não podemos fazer isso.

Robson    – Como eles fizeram lá na cidade vizinha?

Pérola    – Foi na base da inchada pelo que eu li e é por isso que demorou tanto. Mas o importante é: eles encontraram diamantes, esmeraldas e até um rubi na mesma terra.

Marilda   – Mas nós vamos ter essa mesma sorte? Essa é a questão.

Pérola    – Não sei, mas esperamos que sim. O bom é que nenhum geólogo sabe disso, ou seja, é tudo nosso.

Robson    – E eu espero que eles continuem não sabendo, lembra do que aconteceu na África?

Pérola    – Eles descobriram que nós não somos geólogos e nos expulsaram de lá.

Marilda   – Mas nós conseguimos pegar algum, é o que importa.

Eles riem e continuam conversando.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Nádia está andando pelo pasto e Lauro surge atrás dela, surpreendendo-a.

Nádia     – Lauro! Que susto!

Lauro     – Desculpa, não foi a intenção te assustar. Eu ia invadir o seu quarto, mas você estava aqui.

Nádia     – E você assume a sua invasão de propriedade?

Lauro     – É brincadeira.

Lauro a beija e começar a tocar o corpo dela. Ela sorri e o afasta.

Nádia     – Não! Lauro, não! O pai está em casa e ele está de olho nisso, e a Iris está vindo me encontrar.

Lauro     – É rapidinho, pode ser? Eu sempre tive vontade de fazer aqui, mas se você não quiser/

Nádia     – (corta) Cala a boca.

Lauro e Nádia se beijam, já se agarrando. Eles deitam no chão, Lauro já tira a calça. Rápido.

 

CENA 06. FRENTE DO RANCHO DO CÉSAR/INTERIOR/NOITE:

Omar está sentado em frente ao rancho. Iris se aproxima.

Iris      – Está tudo bem, Omar?

Omar      – Estou sim, é só a minha mãe sendo a minha mãe.

Iris      – Ah, eu entendo. Posso dá um conselho? Ignora.

Omar      – Obrigado.

Iris      – A Nádia está aí?

Omar      – No pasto, eu acho, ela disse que ia te esperar lá.

Iris      – Obrigada.

Iris entra.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César está deitado na cama, vendo TV. A campainha toca e ele bufa.

César     – Será que o Lauro esqueceu a chave? Droga!

César levanta e sai.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César desce as escadas e abre a porta. Marcos entra, carregando as malas, e eles se encaram.

César     – Marcos?

Marcos    – César?

César     – Meu deus! Isso não está acontecendo.

Marcos    – Está surpreso ou chateado com a minha vinda?

César     – Chateado? Vem cá e me dá um abraço, idiota.

Eles se abraçam, emocionados.

 

CENA 09. PRAÇA/EXTEIOR/NOITE:

Amparo, Thiago e Leila estão sentados. Eles comem sanduiches e conversam.

Amparo    – E como estão as coisas da casa do prefeito?

Leila     – Uma confusão tremenda. Suzana está armando pra destruir o Alberto na política e o Alberto acha que ela tem um caso.

Thiago    – Essa história não deixa de ser interessante, né?

Amparo    – Nunca! E a trama das pedras preciosas?

Thiago    – Enrolada! O Mário está muito animado, mas pelo que eu ouvi o grupinho não achou nada.

Amparo    – Pelo visto só tem no rancho do César mesmo.

Leila     – Se você assumir esse amor pelo César logo, pode até ficar rica.

Amparo    – Eu não gosto dele!

Thiago    – Vai acabar perdendo o homem, ele é velho, mas ainda dá pro gasto.

Eles continuam conversando e Amparo fica pensativa.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/NOITE:


Lauro e Nádia deitados não chão, o primeiro sem a calça, um em cima do outro. Iris se aproxima e vê a cena.

Iris      – Isso não está acontecendo. Que merda é essa?

Nádia     – Iris!

Lauro     – Oh deus.

Iris      – Não precisa se vestir, eu já cansei de ver isso, Lauro. (a Nádia) Cê é maluca?

Lauro     – A culpa foi minha.

Nádia     – A ideia foi dele.

Iris      – Lauro, sai de cima dela. (a Nádia) E você: nós temos que conversar criatura.

Lauro levanta e se veste. Nádia levanta e sai com a Iris, ele sorri.

 

CENA 11. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Iris e Nádia andam na rua e conversam. Nádia está rindo.

Iris      – Para de rir, maluca. Se o seu pai te pega ali, eu nem sei.

Nádia     – Desculpa.

Iris      – Como isso aconteceu?

Nádia     – Nós dois sempre tivemos essa vontade, aconteceu.

Iris      – Eu não vejo problema, sempre quis transar na rua, mas o seu pai iria te expulsar de casa.

Nádia     – Eu sei, mas chega de falar disso. O que você quer comigo?

Iris      – A sua mãe denunciou a boate na polícia, ela disse que a Clara abusou o Omar sexualmente.

Nádia     – Minha mãe é maluca! O Omar é o menino mais puro dessa cidade.

Iris      – Todo mundo sabe disso, por isso nem consideraram a denúncia. Mas isso mostra que ela está disposta a fazer qualquer coisa.

Nádia     – Eu vou falar com ela e com o meu pai, espero que ele controle ela.

Iris      – Obrigada, amiga. Eu tenho um cliente agora e você controla essa pepeca.

Nádia     – Pepeca? Está falando com uma criança?

Iris      – Não podemos falar a palavra com b, é o horário.

Elas riem e se despedem. Nádia volta pro rancho e Iris segue andando.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César se abraçando. Eles se afastam e sentam no sofá. 

César     – Nós precisamos falar sobre aquela noite, Marcos.

Marcos    – Eu acabei de chegar, César. Podemos falar sobre outra coisa?

César     – Não, eu preciso saber o que aconteceu naquela noite. Eu estou com essa dúvida a vinte anos, Marcos.

Marcos    – O meu nome não é mais Marcos, é Rafael.

César     – Você vai ser sempre o Marcos pra mim, não importa qual é o seu nome agora. Me fala o que aconteceu!

Marcos    – O meu pai nos viu naquela noite, o abraço, lembra? Ele viu e deduziu algo, e quando eu cheguei em casa ele me agrediu e me ameaçou.

César     – Mas o que aconteceu foi só um abraço entre dois amigos.

Marcos    – Não para o meu pai. Ele viu algo a mais, algo que só era real pra mim e não pra você. (pausa) Ele me ameaçou e eu me defendi, peguei a arma e o matei.

César     – Matou? O seu pai não morreu naquela noite, Marcos.

Marcos    – O que? Não é possível! Ele estava morto! Eu vi que estava morto!

César     – Ele não morreu, Marcos. Ele estava vivo e pelo que eu lembre, ele disse que ia atrás de você pra se vingar.

Marcos    – Mas eu atirei bem no peito dele e eu jurei que ele estava morto. É por isso que fugi porque eu pensei que ele estava morto, César.

César     – Ele saiu daqui vivo e acho que continua, deve estar atrás de ti até hoje se estiver vivo.

Marcos    – Ou talvez ele já tenha me achado e tudo isso aqui seja um plano dele.

César     – Do que você está falando, Marcos?

Marcos    – Eu fui chamado pra cá, pra fazer uma matéria sobre pedras preciosas. Talvez tudo isso aqui seja um plano dele pra se vingar de mim e me matar.

César     – Não! Ele não faria isso, ele é seu pai, só estava com raiva.

Marcos    – Eu não esperava por isso, eu jurei que ele estava morto. Eu abandonei tudo por isso, eu abandonei você e o Lauro por causa disso.

César     – Vem cá.

César pega o braço de Marcos e o abraça. Marcos desata a chorar.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 14

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Agatha    – O que?

Zélia     – É isso mesmo que vocês ouviram. Eu quero que fechem aquele bordel. Eu e a maioria da população estamos cansadas daquele lugar.

Leonel    – E sobe qual pretexto você quer que a gente fecha o bordel?

Zélia     – Como assim? Eu acho é óbvio Leonel. Eles cometem crimes ali dentro, fazem sexo dentro de estabelecimento público e cafetinagem. Nilda é uma cafetina!

Agatha    – Não é não, ela só a dona do bordel.

Leonel    – Isso mesmo. Eu lembro bem que quando ela abriu o bordel ela garantiu que todo o dinheiro que as meninas ganhariam seriam delas, a Nilda só fatura com os programas dela e com o dinheiro da bebida consumida no local.

Agatha    – E quanto a sexo em estabelecimento público: se nós fecharmos o bordel, teremos que fechar os restaurantes, os mercados.

Leonel    – É incontável o número de denúncias por sexo em banheiros de mercados e restaurantes, mas não podemos fechar todos os estabelecimentos da cidade, podemos?

Zélia     – (gagueja) Mas eu não aceito isso! Isso é mentira! Isso é complô com eles!

Leonel    – Nós somos detetives, Zélia, nós respondemos a lei. Não podemos ter opiniões sobre nada, o nosso dever é defender a lei e proteger o povo.

Zélia     – Então façam isso.

Agatha    – E nós estamos fazendo. Tenha alguma denúncia fundada e não cheia de achismos.

Zélia     – (pensa) Eu tenho!

Leonel    – E qual é Zélia?

Zélia     – O meu filho, Omar, está sendo abusado sexualmente por uma das prostitutas da Nilda. O nome dela é Clara.

Leonel    – Ah, por favor/

Agatha    – (corta) Pai! Nós vamos investigar, Zélia, e se for verdade, iremos atrás da Clara.

Zélia     – Obrigada. (ao Leonel) Pelo menos alguém aqui está disposto a fazer a lei acontecer.

Leonel    – Isso foi desacato?

Zélia     – Foi!

Zélia sai andando. Leonel encara a Agatha, irritado.

 

CENA 02. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Pessoas chegando. Nádia está sentada, Omar e Clara se aproximam.

Clara     – Nádia? O que você está fazendo aqui?

Nádia     – Eu estou de castigo.

Omar      – Não fala assim, não é uma forma de tortura.

Nádia     – Pra mim é.

Omar      – E cadê a mãe?

Nádia     – E eu sei? Cheguei com ela, deixei ela falando com as beatas e entrei pra guardar lugar. As beatas entraram e nada dela.

Omar      – Estranho.

Clara     – Ela deve ter esquecido alguma coisa em casa.

Nádia     – Pode ser ou como é a nossa mãe, deve estar arrumando confusão por aí.

Zélia entra na igreja e senta ao lado deles. Ela encara a Clara.

Omar      – Onde você estava mãe?

Zélia     – Fui resolver uns negócios. (a Clara) Tudo bem, querida?

Clara     – Tudo ótimo, dona Zélia. E com a senhora?

Zélia     – Melhor impossível. E posso dar um conselho: aproveita esse tempo bom porque ele não vai durar.

Nádia     – O que isso quer dizer?

Zélia     – Não quer dizer nada, só quer dizer que o sol se vai e com isso, a tempestade chega.

Ninguém responde. Padre entra e todos se calam, prestando a atenção.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha fecha a porta e encara o Leonel que está irritado.

Leonel    – Eu deveria prendê-la por desacato. Nunca gostei nem dela e nem da família dela, dá saudades da família do Perseu.

Agatha    – Pai, calma. Ela só estava irritada porque você se irritou primeiro. Com a Zélia você concorda primeiro e ignora depois.

Leonel    – Eu sei, mas eu cansei dela e desse jeitinho de querer mandar e controlar tudo.

Agatha    – Chega de falar disso.

Leonel    – Chega! (pausa) Lembra do que te disse sobre o inverno? Ele está chegando.

Agatha    – Eu também estou sentido que sim, pai. E não posso mentir: eu adoro!

Agatha sorri e senta na sua cadeira. Leonel também sorri.

 

CENA 04. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Alberto sentados à mesa, tomando café. Leila entra.

Leila     – O almoço já está pronto, na hora é só esquentar.

Suzana    – Pode ir, nós vamos tirar a mesa depois.

Leila sai. Alberto encara a Suzana.

Alberto   – Pra onde é que ela vai, Suzana?

Suzana    – Ela vai se encontrar com o namoradinho.

Alberto   – Ela namora?

Suzana    – O empregado da Zélia.

Alberto   – Dois fofoqueiros juntos, dá até medo. (pausa) Vai sair hoje à noite? Eu pensei que nós podíamos ver um filme.

Suzana    – Não dá.

Alberto   – Eu errei, mas eu tô tentando Suzana. Eu quero tentar de novo.

Suzana    – Eu percebi, mas hoje eu tenho um encontro. Quem sabe outro dia.

Suzana sai da mesa. Alberto desconfia.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

César entra e encontra a Amparo sentada, comendo uma maçã.

César     – O que você e o Lauro estão escondendo de mim?

Amparo    – O que? Eu não sei do que o senhor está falando.

César     – Eu não sou burro.

Amparo    – Eu não estou mentindo, César. Eu juro.

César     – Tem a ver com a Nádia?

Amparo    – Não sei, tem? Não sei do que você está falando.

César     – Eu escutei uns gemidos a noite, Amparo. Eu pensei que fosse uma puta que ele havia trago, mas ele não falou nada pra mim no café da manhã. Então eu pensei que poderia ser a Pérola, mas ela não é desse tipo. E quem sobrou? A Nádia e ela é desse tipo.

Amparo    – Eu não sabia disso.

César     – Eu sei que você sabia e está tudo bem. Só não me esconda mais nada.

Amparo    – Está mesmo tudo bem?

César     – Não! É claro que não! A Nádia é filha do outro, é claro que não está.

Amparo    – Eu não contei nada pro senhor, você descobriu tudo sozinho.

César     – Mas você confirmou. Nunca mais esconda isso de mim.

César sai, irritado. Amparo bufa e continua comendo.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/DIA:

Pérola, Robson e Marilda andam na rua. Eles conversam.

Pérola    – Eu estou ansiosa.

Robson    – Não fique, é melhor não ficar. Pode ser que não tenha nada nas terras do Mário.

Marilda   – Mas é bom pensar positivo, sempre é bom.

Pérola    – Eu quero pensar que tem então eu vou pensar.

Robson    – Que seja, eu só não quero que vocês se sintam iludidas.

Marilda   – É você que vai ficar iludido depois que nós acharmos as pedras.

Eles continuam andando e conversando.

 

CENA 07. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Leila e Thiago entram na praça. Eles sentam no banco.

Leila     – Como é que está a loucura no rancho do Mário?

Thiago    – O Mário está animado com isso das pedras preciosas.

Leila     – Acha mesmo que tem alguma coisa lá?

Thiago    – Nem lá e nem no rancho do César, é tudo coisa de louco.

Leila     – Será? (pausa) É melhor parar de falar sobre isso.

Thiago    – Então vamos parar de falar sobre isso.

Eles sorriem. Thiago toca na mão dela e eles se beijam.

 

CENA 08. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Omar e Padre Fagundes estão sentados no banco. Eles se encaram.

Omar      – Eu não sei o que fazer padre.

Fagundes  – Eu achei que estava tudo bem. Você e a Clara estão bem, continuam vindo a igreja.

Omar      – E está nesse sentido. Eu dei um beijo nela pela primeira vez. Foi mágico, eu senti que era sério.

Fagundes  – E antes não era?

Omar      – Não, era só uma atração. Mas agora é como se a gente tivesse namorando ou sei lá.

Fagundes  – E isso é ruim?

Omar      – Não, é bom. Mas e o meu sonho de ser padre?

Fagundes  – Sonhos nem sempre são para serem realizados cedo, alguns precisam de mais tempo. É como eu já te disse antes, viva esse namoro e depois você vê se realmente quer ser padre.

Omar      – Eu estou tentando fazer isso. Obrigado padre.

Omar dá bênção ao padre e sai.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Nádia está andado pelo pasto. Lauro surge atrás dela e ela sorri.

Nádia     – Temos que ser rápido. Papai está em casa.

Lauro     – Não vou demorar. Eu trouxe a sua blusa.

Ele entrega a blusa.

Nádia     – O seu pai viu?

Lauro     – Não, a Amparo que pegou graças a deus.

Nádia     – Um beijo antes de ir?

Lauro     – É claro.

Ele a beija. Zélia, de longe, vê.

Zélia     – (grita) Sai!

Lauro     – Desculpa, dona Zélia.

Zélia     – Sai ou eu chamo a polícia, sai daqui!

Lauro sai. Nádia encara a mãe.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nádia andando na frente, irritada. Zélia segue, gritando.

Zélia     – Isso é sério, Nádia! O seu pai ia matar ele se o visse ali.

Nádia     – Porque vocês dois são dois idiotas, isso sim.

Zélia     – Não! Isso é pra proteger vocês, isso sim.

Nádia     – Proteger do que, mãe?

Zélia     – Eu disse proteger? Não é isso que eu quis dizer, eu quis dizer que esse relacionamento não é bom. O César é inimigo do seu pai.

Nádia     – E eu não me importo, mãe. O que ele é do César ou não, não me importa.

Zélia     – Você e a Iris possuem um caso? Vocês são namoradas?

Nádia     – O que? Você é louca! Eu cansei disso!

Nádia entra no quarto. Zélia bufa.

 

CENA 11. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Nilda está sentada, fumando cigarro. Agatha se aproxima.

Nilda     – Agatha? Há que devo a visita?

Agatha    – Eu gostaria de ser uma boa notícia, mas tem a ver com a Zélia.

Nilda     – O que a louca quer dessa vez?

Agatha    – Ela pediu pra que nós fecharmos o bordel sobre o pretexto de cafetinagem.

Nilda     – Mas isso é loucura! Todo mundo aqui é cansado de saber que eu não pego o dinheiro das meninas. Eu tenho tudo anotado e todas elas podem testemunhar isso.

Agatha    – Eu e o meu pai explicamos isso pra ela. E então surgiu uma nova denúncia: ela acusou a Clara de abuso sexual.

Nilda     – Eu não posso com isso! A Clara é a mais santa das meninas, se ela tivesse falado da Iris, eu até consideraria. Mas a Clara?

Agatha    – Eu sei. Ela disse que a Clara abusou o Omar, eles possuem alguma relação?

Nilda     – Clara e o Omar se gostam, eu acho. Eles vão a igreja juntos e de vez em quando, ele aparece aqui. Mas eles nunca fizeram sexo e eu tenho certeza que ele é virgem.

Agatha    – Obrigado pelos esclarecimentos, só estou aqui pra não dizer que eu ignorei a denúncia. Mas eu sabia que era infundada, fica de olho aberto com a Zélia.

Nilda     – Eu estou. Obrigada e manda um beijo pro seu pai, diz que estou com saudades.

Agatha    – (ri) O meu pai não tem mais idade pra isso.

Nilda     – Nunca é tarde demais, Agatha.

Agatha sorri e sai. Nilda apaga o cigarro e entra no bordel.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/TARDE:

Começo da tarde.

Pérola, Robson e Marilda olhando as terras. Mário os encara.

Mário     – E aí? O que vocês acham das minhas terras?

Robson    – Eu acho que nós temos que olhar primeiro.

Marilda   – Eu também. Pode chamar os homens que irão abrir?

Mário     – Posso sim. Eles moram aqui perto, são amigos meus, eles trabalham com essas coisas.

Robson    – Ótimo. Pode ir chamá-lo.

Mário, sorridente, sai. Os três se encaram.

Pérola    – Não sejam grossos com o Mário. Ele só está animado.

Marilda   – Ele é insuportável!

Robson    – Insuportável é apelido. Ele é horrível!

Pérola    – Exagero! Lembrem que ele é o dono das terras onde pode ter milhares de pedras.

Robson e Marilda bufam.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/TARDE:

Eleonora, Iris e Clara almoçando. Nilda entra e se aproxima.

Nilda     – Iris, eu preciso que você fale com a Nádia sobre a mãe dela.

Iris      – O que ela fez dessa vez?

Nilda     – Ela tentou nos denunciar por abuso sexual contra o Omar.

Clara     – Eu e o Omar nunca fizemos sexo, ele é virgem.

Nilda     – Foi o que eu disse, mas precisamos manter os olhos abertos com ela.

Iris      – Eu vou falar com a Nádia, pode deixar.

Nilda     – Cadê a Gina?

Eleonora  – Na cama, eu dei um prato pra ela e disse que ia comer. Mas é bom olhar depois pra ter certeza.

Nilda     – Eu vou olhar é agora. Ela não pode ficar assim.

Gina desce as escadas com o prato em mãos. Nilda sorri.

Gina      – Eu estou bem, só quero dormir o dia inteiro.

Nilda     – Eu fico feliz que tenha comido.

Gina      – Não me acordem, deixem eu dormir.

Gina entrega o prato pra Nilda e sobe as escadas.

Nilda     – Eu vou comer porque estou morrendo de fome.

Nilda começa a se servir. As outras continuam comendo.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/TARDE:

Homens cavando as terras, com cuidado. Pérola, Robson e Marilda, olham ansiosas. Mário animado.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/TARDE:

Omar e Nádia sentados à mesa, almoçando. Eles conversam.

Nádia     – Cadê o povo dessa casa?

Omar      – Papai está com os estranhos no pasto, animado demais pra comer. E mamãe saiu depois que vocês discutiram.

Nádia     – Deu pra ouvir a discussão?

Omar      – É claro. Eu estava chegando em casa e deu pra ouvir lá de fora.

Nádia     – Eu tentando parar de discutir com eles, mas é impossível.

Omar      – Não é não. Para de trazer o Lauro aqui pra casa.

Nádia     – E a Clara?

Omar      – Nós estamos bem, mas eu ainda tenho dúvidas quanto à igreja.

Nádia     – Eu sei que tem, mas siga o que você acha que vai fazer bem pra ti.

Omar      – Eu estou tentando. E você deveria seguir o mesmo conselho, Nádia.

Zélia entra e senta à mesa.

Zélia     – Escuta o seu irmão, Nádia.

Nádia     – Onde você estava?

Zélia     – Eu fui falar pras irmãs que você e a Iris não possuem um caso.

Nádia     – É claro que a gente não possui um. Eu gosto de homem e ela também.

Omar      – Eu também duvidei.

Nádia     – Vocês dois são loucos isso sim. Somos só amigas.

Nádia e Omar se encaram. Zélia começa a almoçar.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/TARDE:

Lauro está andando e César se aproxima dele. Lauro percebe.

Lauro     – Pai.

César     – Nós precisamos conversar, Lauro.

Lauro     – É só dizer.

César     – Eu sei que você e a Nádia se encontram e eu estou cansado disso. Se eu souber que isso aconteceu de novo, eu te mando pra longe daqui.

Lauro     – Para que se meter na minha vida pessoal, pai.

César     – Não porque ela tem a ver com a minha vida também. Chega disso!

César sai andando. Lauro bufa e segue andando.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/TARDE:

Robson e Marilda olhando as terras escavadas, homens escavando mais. Mário se aproxima da Pérola.

Mário     – Eu gostaria que você e seus amigos jantassem aqui essa noite.

Pérola    – Será um prazer, Mário. Não podemos recusar.

Mário     – Eu fico feliz.

Robson e Marilda se encaram, desanimados. Os homens continuam escavando.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro e César estão sentados à mesa, jantando. Amparo à parte.

César     – Não vai mesmo falar comigo, Lauro?

Lauro     – Eu só não consigo entender pai. Não é possível que esse ódio com o Mário seja tão grande pra impedir o meu romance com a Nádia.

César     – É grande e você sabe disso. E eu já falei que não quero que esse nome seja dito dentro dessa casa.

Amparo    – Vamos mudar de assunto?

Lauro e César bufam. Amparo começa a falar em off.

 

CENA 19. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado a mesa. Leila o serve. Suzana entra, mas não se senta.

Suzana    – Estou indo e não tenho hora pra voltar.

Alberto   – Onde é que vai?

Suzana    – Não te importa, Alberto. (a Leila) Boa noite, querida.

Suzana sai. Alberto encara a Leila.

Alberto   – Ela está me traindo?

Leila     – Não sei, mas bem que o senhor merece.

Alberto começa a jantar, confuso. Leila fica à parte.

 

CENA 20. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago está cozinhando. Zélia entra, impaciente.

Zélia     – Está demorando demais, Thiago. Estou quase pedido uma pizza.

Thiago    – Está quase pronto, Zélia. Eu não sabia que tinha mais pessoas pra comer.

Zélia     – São só três pessoas a mais, Thiago. Isso não é nada.

Ouve-se a campainha. Zélia sai e Thiago continua fazendo a janta.

 

CENA 21. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia abre a porta e Suzana entra. Elas se encaram.

Zélia     – Suzana?

Suzana    – Nós precisamos iniciar a campanha logo.

Elas se encaram.

 

CENA 22. RUA/EXTERIOR/NOITE:

O táxi para e dele sai um homem segurando suas malas. CÂM logo mostra que esse homem é o Marcos.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

FALSO HORIZONTE | Capítulo 13

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E  YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Continuação imediata/

Zélia encara a Suzana, confusa.

Zélia     – Como é que é?

Suzana    – É isso mesmo que você ouviu. Eu quero destruir o Alberto e quero a sua ajuda. (pausa) Eu posso entrar?

Zélia deixa a Suzana passar. A segunda já se aproxima do sofá e senta, a primeira senta ao lado dela.

Zélia     – Me explica isso, Suzana. Como assim acabar com o Alberto?

Suzana    – Ele me traiu com a uma pessoa do bordel e eu quero destruir o Alberto e aquele lugar. Nós temos interesses em comuns, Zélia.

Zélia     – Eu percebo que temos. Mas como você pretende destruir o bordel? O Alberto não vai deixar.

Suzana    – Eu vou me candidatar à prefeitura, eu vou disputar com o Alberto e vou ganhar. Mas pra isso eu preciso da sua ajuda, da ajuda das beatas. Nós precisamos e vamos destruir aquele lugar.

Zélia     – Ilhabela nunca teve uma prefeita mulher, acha mesmo que consegue?

Suzana    – Acho não, eu tenho certeza. Essa eleição é minha.

Zélia     – Eu e as minhas meninas vamos te ajudar, mas não conte com a ajuda do padre, ele não quer se meter nessas coisas.

Suzana    – Eu sabia que não e nem pretendia. Na verdade, eu quero que isso seja feito somente por mulheres.

Zélia     – E a vice-prefeita?

Suzana    – Eu só consigo pensar em você, Zélia.

Elas se encaram.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nádia sai de seu quarto e caminha pelo corredor, ela encontra o Omar.

Omar      – Está indo aonde toda arrumada?

Nádia     – Eu tenho um encontro com o Lauro, mas não conte pra mamãe e muito menos pro papai.

Omar      – Eu deveria te dar o troco, mas não vou fazê-lo.

Nádia     – Obrigada, irmãozinho.

Omar      – Nada. Você não vai conseguir sair pela sala.

Nádia     – Mamãe ainda está lá?

Omar      – Ela tá na sala e o Thiago está nos fundos com os amigos.

Nádia     – Droga!

Omar      – Eu te ajudo a sair pelos fundos sem que eles vejam.

Nádia     – Sério?

Omar      – O que eu não faço por você, irmãzinha?

Eles sorriem e seguem andando.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Lauro sai do seu quarto e caminha pelo corredor. César surge atrás dele.

César     – Está todo arrumando. Vai a algum lugar?

Lauro     – Estou? (pausa) Eu… eu vou no bordel, pai.

César     – Ah, e eu vou ter que jantar sozinho? Nem a Amparo está em casa. Mas vá sim, pelo menos você esquece a Nádia e a Pérola.

Lauro     – Eu vou indo então. (pausa) Tchau pai.

Lauro sai. César sorri.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia descem as escadas, sem serem percebidos. Sentadas no sofá, Zélia e Suzana conversam. 

Suzana    – Você aceita ser a minha vice-prefeita?

Zélia     – É claro que eu aceito, Suzana. Isso é incrível!

Suzana    – Ótimo! Era só isso que eu queria te avisar, diga isso as beatas e diga que eu espero o apoio delas.

Zélia     – Mas pera aí você não disse quem é a putinha do Alberto.

Suzana    – É a Gina, a filha da puta da Gina.

Zélia     – Oh deus! A Gina é a pior de todas, ela é… eu nem sei o que ela é.

Suzana    – Ela é uma mulher com algo a mais, Zélia, segundo o Alberto.

Zélia     – Se ela tem algo a mais, ela não é uma mulher.

Suzana    – É o que eu acho também, mas isso não é o caso. (pausa) Eu posso contar contigo ainda?

Zélia     – É claro que pode, prefeita.

Suzana    – É bom saber, vice-prefeita.

Suzana sai. Zélia sorri, animada.

 

CENA 05. FUNDOS DO RANCHO DO MÁRIO/INTERIOR/NOITE:

Thiago, Amparo e Leila estão sentados, conversando. Mário se aproxima e senta ao lado deles.

Mário     – Qual é a fofoca da noite, pessoal?

Thiago    – Não tem fofoca nenhum, senhor. Nós só estamos batendo papo.

Mário     – Olha pra minha cara! Eu conheço vocês, sei que estão fofocando sobre alguém.

Leila     – Não é sobre a sua família, seu Mário.

Mário     – Isso é bom. É sobre quem então gente?

Amparo    – Cês não vão falar? Eu falo! Suzana descobriu que o Alberto está traindo ela a dois anos com uma prostituta.

Mário     – Uma puta fiel? Isso é milagre!

Amparo    – E não é só qualquer puta. É a Gina, seu Mário.

Mário     – Quem é a Gina? Eu só conheço a Iris e a Clara porque elas saem com os meus filhos.

Thiago    – A Gina é a… a travesti seu Mário.

Mário     – Oh, então quer dizer que o nosso prefeito gosta de mulher com algo a mais? Interessante.

Eles continuam conversando. Atrás deles, Nádia sai da casa sem ser vista.

 

CENA 06. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Nádia entra no restaurante e se aproxima do Lauro que está sentado. Ela senta.

Lauro     – Boa noite.

Nádia     – O que aconteceu Lauro pra querer me encontrar?

Lauro     – Não aconteceu nada, eu só estava com saudades.

Nádia     – Você não me procurou mais desde aquele dia.

Lauro     – Você me levou pra uma armadilha, Nádia.

Nádia     – Desculpa ter usado você pra irritar os meus pais, mas foi divertido.

Lauro     – Foi divertido pra você que não teve o Mário e César atrás de você, os dois querendo em matar.

Eles riem e seguem conversando.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson está dançando com a Iris, ambos animados. Pérola e Marilda estão sentadas, conversando.

Marilda   – Olha só pra isso! Mal chegamos e ele já está se engraçando pra um rabo de saia, é sempre assim.

Pérola    – E você está com ciúmes, Marilda.

Marilda   – Eu não tenho ciúmes do Robson. Eu não gosto dele.

Pérola    – É claro que gosto e ele gosta de você, mas vocês ficam de rabo doce e dá nisso.

Marilda   – É tão obvio assim?

Pérola    – É! Levanta e vai falar com ele, ou melhor nem fala, só beija e pronto.

Marilda   – Eu não, ele que tem que tomar iniciativa.

Pérola    – Se continuar com essa palhaçada, os dois nunca vão ficar juntos.

Pérola dá um gole no uísque que está bebendo. Marilda encara o Robson.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda estão andando pelo corredor. Elas conversam.

Eleonora  – Ela não saiu do quarto desde que o Alberto veio falar com ela. A culpa é minha!

Nilda     – Não é não. A culpa é minha de ter colocado ilusão na cabeça dela, você estava certa.

Eleonora  – Eu ia falar com ela, mas não quis ir sozinha.

Nilda     – Fez bem, é melhor nós duas falarmos com ela.

Elas entram no quarto.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda entram no quarto. Gina está deitada na cama, triste.

Gina      – Não! Eu quero ficar sozinha, é sério.

Nilda     – Você está mal e nós duas somos as culpadas.

Eleonora  – Nós temos que ficar com você, Gina.

Gina      – A culpa não é de vocês. A culpa é minha! Eu que acreditei em algo impossível.

Nilda     – Amor não impossível!

Gina      – Pra mim e pra pessoas como eu é sim. Uma travesti nunca vai ter um relacionamento duradouro.

Nilda     – Isso não é verdade e você sabe que não é. Vocês são pessoas como nós e vocês podem sim encontrar o amor.

Eleonora  – Você é mulher! Você é forte! E você não pode e não vai ficar mal por um homem que não te merece.

Gina      – Sabe o que eu quero?

Nilda     – Não, mas nós vamos fazê-lo se for te fazer feliz.

Gina      – Eu quero um abraço do casal mais lindo dessa cidade. As minhas mães.

Eleonora  – Eu não tenho idade pra ser sua mãe, querida.

Gina      – Cala a boca e me abraça.

Elas se abraçam. Gina sorri e beija o rosto das duas, elas retribuem.

 

CENA 10. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado no sofá assistindo TV. Suzana entra e eles se encaram.

Alberto   – Onde você estava?

Suzana    – Eu estava agindo, pensando e planejando, Alberto.

Alberto   – E o que isso quer dizer, Suzana?

Suzana    – Isso quer dizer que eu estava agindo, pensando e planejando.

Suzana sobe as escadas e Alberto a encara, curioso.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Ambiente à meia-luz. Lauro e Nádia entram na casa aos beijos, tomando cuidado para não fazer barulho. Eles sobem as escadas, já tirando as roupas.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Robson está deitado na cama com a Iris, ambos estão pelados. Marilda entra, os vê e se aproxima, cutucando o Robson.

Marilda   – Robson! Acorda!

Robson    – (sonolento) Marilda? Onde eu estou? O que aconteceu?

Marilda   – Levanta e bota uma roupa. Nós tempos trabalho a fazer.

Robson    – Minha cabeça.

Marilda   – Isso se chama ressaca, Robson. Levanta logo.

Robson levanta e começa a se vestir. Ele olha pra Iris e olha pra Marilda.

Robson    – Eu fiz/

Marilda   – (corta) Vocês dois estão pelados, deitados juntos, eu imagino que sim.

Robson    – Eu preciso pagar?

Iris      – (sonolenta) Não se preocupa com isso, Robson.

Marilda   – Você está acordada?

Iris      – Vocês me acordaram, mas tudo bem, eu tenho que ir trabalhar.

Robson    – Obrigado pela noite.

Iris      – Eu que agradeço.

Robson e Marilda saem do quarto.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Pérola está esperando. Marilda e Robson saem do quarto, eles começam a andar e conversam.

Pérola    – Pelo visto a noite foi boa, né Robson?

Robson    – Eu não consigo lembrar de nada, não lembro nem o nome dela.

Marilda   – Iris.

Robson    – Obrigado.

Pérola    – Como anda as coisas com aquele jornalista?

Marilda   – Ele já embarcou, deve chegar hoje mesmo.

Pérola    – Antes do almoço nós temos que ir lá no Mário.

Robson    – Será que dá pra gente descer e tomar café?

Marilda   – É pra lá que estamos indo, bêbado.

Os três seguem andando.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Nádia estão deitados na cama, pelados. Eles começam a despertar.

Nádia     – Não! Não! Nós dormimos aqui, Lauro? Minha mãe vai me matar.

Lauro     – O que? Não é possível.

Nádia     – É sim, aconteceu, eu preciso sair daqui agora.

Lauro     – Calma, eu te ajudo a sair daqui.

Lauro e Nádia levantam, já pondo as roupas. Nádia não encontra sua blusa.

Nádia     – Minha blusa! Onde está a minha blusa, Lauro?

Lauro     – Ela deve estar pelo corredor, na sala, nós viemos tirando a roupa.

Nádia     – Aí meu deus! O seu pai vai nos matar.

Lauro     – A Amparo deve ter achado primeiro que ele, eu espero.

Nádia     – Droga! Eu preciso de uma blusa, Lauro.

Lauro     – Eu te empresto uma.

Lauro pega uma blusa no armário e dá pra ela. Nádia veste e eles saem.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

César está sentado na mesa, tomando café. Amparo o serve.

César     – Obrigado, Amparo. (pausa) Onde está o Lauro?

Amparo    – Eu/

Ela é interrompida com a chegada do Lauro. Ele senta na mesa.

Lauro     – Estou aqui, pai.

César     – O que você ia falar mesmo, Amparo?

Amparo    – Eu ia falar que eu não tinha o visto ainda.

César     – Ata. (pausa) Pelo visto o senhor chegou tarde ontem, ouvi os barulhos.

Lauro     – Desculpa pai.

Amparo    – A noite deve ter sido boa, né Lauro?

Lauro     – Foi boa sim.

Lauro e Amparo se encaram. César não percebe os olhares.

 

CENA 16. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Nádia vem se aproximando. Omar, que estava sentado, levanta e se aproxima.

Omar      – Onde é que você estava, Nádia?

Nádia     – Desculpa, desculpa. Eu acabei dormindo lá.

Omar      – Lá? Me diz que você dormiu na rua, Nádia.

Nádia     – Eu dormi com o Lauro na casa dele.

Omar      – Você é maluca?!

Nádia     – Não era pra eu ter dormido lá, era pra rolar sexo e depois ir embora. Mas eu acabei dormindo.

Omar      – Mãe e pai deram falta de você. Thiago abriu a boca.

Nádia     – O que esse filho da puta disse?

Omar      – Ele disse que você não dormiu na sua cama e eu fiquei sem ter o que dizer.

Nádia     – Droga! Droga!

Eles entram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Mário e Zélia sentados à mesa. Thiago à parte. Nádia e Omar entram, já se sentando.

Mário     – Onde é que você dormiu Nádia?

Zélia     – E não adianta dizer que dormiu aqui por a gente sabe que não dormiu.

Nádia     – Desculpa, eu sei que errei. Mas é que estava muito tarde então eu decidi ir dormir no bordel.

Mário     – E porque não avisou?

Nádia     – Porque eu esqueci. Eu estava cansada, só deitei e dormi.

Omar      – Ela disse que não ia demorar, fiquei preocupado.

Mário     – Todos nós ficamos. Não faz mais isso.

Nádia     – Não vou.

Zélia     – É só isso? Não é possível! Não é possível que seja só isso.

Mário     – Só isso o que?

Zélia     – Ela dormiu no bordel! Ela dormiu naquele lugar! Numa cama cheia de sêmen desconhecidos e você diz que tudo bem.

Mário     – Eu não disse que estava tudo bem, Zélia.

Zélia     – Você entendeu o que eu quis dizer, Mário. E já que você não honra as calças que põe, eu vou honrar as minhas.

Nádia     – Qual é o castigo?

Zélia     – Ir na igreja comigo e com o seu irmão.

Nádia     – Merda!

Zélia     – Nádia!

Nádia     – Eu vou na igreja.

Zélia     – Ótimo. Aproveita e convence o seu irmão pra não levar aquela putinha.

Omar bufa. Nádia encara o Thiago com ódio, ele sorri.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Gina, Eleonora e Nilda estão deitadas na cama. A última começa a despertar.

Nilda     – (ri) Não acredito que a gente dormiu aqui.

Eleonora  – (sonolenta) Como nós três coubemos dessa cama?

Gina      – (sonolenta) Eu fiquei toda apertada. Essa é a minha cama!

Nilda     – Desculpa, Gina.

Gina      – Está tudo bem, eu estou brincando.

Eleonora  – São que horas? Eu tenho cliente de manhã.

Nilda olha o relógio na parede.

Nilda     – Deus! Você está atrasada, muito atrasada.

Eleonora  – Ele deve ter desistido.

Nilda     – Cliente meu não fica insatisfeito. Vai fazer de graça agora, liga pra ele.

Eleonora  – Estou indo chefe.

Eleonora beija a Nilda, levanta e sai. Gina encara a Nilda.

Gina      – Eu tenho que atender hoje?

Nilda     – Não se preocupa com isso, já remarquei tudo e alguns passei pra outras meninas.

Gina      – Obrigada.

Nilda dá um beijo na testa da Gina e sai. Ela sorri.

 

CENA 19. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora sai correndo. Clara e Iris estão sentadas conversando.

Clara     – Eu percebi que você e o Robson dormiram juntos.

Iris      – É só sexo.

Clara     – Eu sei que sim, nunca imaginei você namorando. Mas ele parece ser legal.

Iris      – Bêbado todo mundo é.

Clara     – (olha a hora) Tenho que ir pra igreja.

Iris      – Ore por mim.

Clara sorri e sai.

 

CENA 20. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está lavando a louça. Lauro entra e se aproxima dela.

Lauro     – Amparo, cadê a blusa da Nádia?

Amparo    – Eu sabia que era dela. O seu pai ia amar saber disso.

Lauro     – Você me convence a sair com ela e depois não gosta.

Amparo    – Eu não quero que o seu pai descubra, isso é pra você tomar cuidado. Eu gosto da Nádia e gosto de vocês dois juntos, mas o seu pai não.

Lauro     – Eu sei e estou tomando cuidado, eu juro.

Amparo    – Obrigada. A blusa dela e a sua calça estão no seu quarto. Eu botei lá depois do café da manhã.

Lauro     – Obrigado.

Lauro sorri e sai.

 

CENA 21. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Zélia vem se aproximando com a Nádia. Célia e Divina se encaram.

Zélia     – Bom dia, irmãs. A Nádia resolveu acompanhar a missa hoje.

Célia     – Isso é ótimo!

Divina    – Ela está precisando mesmo.

Nádia     – Eu vou entrar, não sou obrigada a aturar essas duas.

Nádia entra.

Célia     – Cadê o Omar?

Zélia     – Ele foi pegar a putinha.

Divina    – Ótimo.

Zélia     – Ótimo?

Célia     – Nós precisamos conversar, Zélia. É sério e tem a ver com a sua filha Nádia.

Zélia     – O que ela fez dessa vez?

Divina    – Eu e a Célia vimos ela e a Iris juntas, elas estavam agarradinhas demais, sabe? Nós achamos que elas/

Zélia     – (corta) Não! Uma filha sapatão não! Não é possível!

Zélia sai correndo. Célia e Divina se encaram.

 

CENA 22. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel estão sentados. Zélia entra em disparado.

Leonel    – Zélia?

Zélia     – Vocês têm que fechar aquele bordel imediatamente!

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r