Arquivos do Blog

Programa É de Casa 08/09/2018 – Confira os destaques

Ana Furtado, André Marques, Cissa Guimarães, Patrícia Poeta, Tiago Leifert e Zeca Camargo comandam programa de variedades das manhãs de sábado, ao vivo.

Ana Furtado, André Marques, Cissa Guimarães, Patrícia Poeta, Tiago Leifert e Zeca Camargo comandam programa de variedades das manhãs de sábado, ao vivo.

Anúncios

Como Será? 08/09/2018 – Em busca de um ambiente mais sustentável

‘Como Será?’ estreia segunda temporada da série ‘Choque Ambiental’ com ideias para intervenções simples e baratas, porém transformadoras

‘Como Será?’ deste sábado (08/09), estreia segunda temporada da série ‘Choque Ambiental’ com ideias para intervenções simples e baratas, porém transformadoras

Super Tela 07/09/2018 – O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos

Imagem relacionada

Após ser expulso da montanha de Erebor, o dragão Smaug ataca com fúria a cidade dos homens que fica próxima ao local. Após muita destruição, Bard (Luke Evans) consegue derrotá-lo. Não demora muito para que a queda de Smaug se espalhe, atraindo os mais variados interessados nas riquezas que existem dentro de Erebor. Entretanto, Thorin (Richard Armitage) está disposto a tudo para impedir a entrada de elfos, anões e orcs, ainda mais por ser tomado por uma obsessão crescente pela riqueza à sua volta. Paralelamente a estes eventos, Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) e Gandalf (Ian McKellen) tentam impedir a guerra.

 

Título Original: The Hobbit: The Battle Of The Five Armies

Direção: Peter Jackson

Elenco: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Evangeline Lilly, Ken Stott, Graham McTavish e William Kircher.

Gêneros: Ação, Fantasia, Aventura

Nacionalidades: EUA, Nova Zelândia

 

Classificação: Programa não recomendado para menores de 12 anos

Tela de Sucessos 07/09/2018 – Negócios Fora de Controle

Resultado de imagem para Negócios Fora de Controle

Dan Truckman, pai de duas crianças, após um desgaste profissional pede demissão de uma empresa de minerais e se arrisca como executivo por conta própria! Seus dois sócios são curiosamente escolhidos: o experiente Timothy de 67 anos e o jovem Mike. O trio parte para a Europa para fechar um importante negócio mas, a atitude dos concorrentes exigirá muita criatividade deles, além de muita sorte para driblar todos acontecimentos inesperados.

Título Original: Unfinished Business
Elenco: Vince Vaughn / Tom Wilkinson / Dave Franco / Sienna Miller / Nick Frost / James Mardsden
Diretor: Ken Scott
Origem: EUA/2015
Classificação: 

Futebol ao vivo Estados Unidos x Brasil 07/09/2018

Resultado de imagem para futebol globo 2018 logo

Nesta sexta-feira, às 21h05 (de Brasília) o Brasil enfrenta num amistoso os Estados Unidos, em Nova Jersey, no primeiro compromisso após a Copa do Mundo da Rússia.

Escalação do Brasil: Alisson, Fabinho, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro; Douglas Costa, Fred, Philippe Coutinho e Neymar; Roberto Firmino.
Arbitragem: Fernando Guerrero apita a partida, auxiliado por Alberto Morin e Andres Hernandez Delgado, todos do México.
Transmissão: TV Globo (com Luis Roberto, Junior, Roger Flores e Arnaldo Cezar Coelho)

Morre, aos 41 anos o MC Naldinho, do hit ‘Um tapinha não dói’

Morre MC Naldinho

MC Naldinho, do hit Um Tapinha Não Dói, morreu na tarde de quinta-feira (6).

228-copia-copia-2-copia

Morreu nesta quinta-feira, aos 41 anos, o funkeiro Aguinaldo Timotio Alves, conhecido como MC Naldinho. Ele é autor de um grande sucesso do início dos anos 2000, o hit “Um tapinha não dói”. A notícia foi confirmada pelo empresário Bob Rum no Facebook e também por familiares.

O funkeiro de 41 anos estava internado em um hospital no Rio de Janeiro há cerca de dois meses. Ele lutava contra uma doença nos rins e recebeu até ajuda de amigos para o tratamento por meio de uma vaquinha, porém não resistiu.

FALSO HORIZONTE | Último Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu está a apontar a arma pro Marcos. Este último fecha os olhos, esperando.

Perseu    – Está pronto?

Marcos    – Estou.

Perseu continua a apontar, ambos tensos. E quando ia atirar, desiste.

Perseu    – Não posso fazer isso. Eu não consigo fazer isso.

Marcos    – O que?

Marcos abre os olhos. Perseu cai ajoelhado e larga a arma, ele desata a chorar.

Perseu    – (chora) Não posso, não sou capaz. (pausa) Eu te amo, Marcos. Você é meu filho! Tudo isso, tudo isso que eu fiz foi por raiva. (pausa) Rancor. Mas eu te amo e não posso fazer isso… não posso matar o meu próprio filho.

Marcos    – Pai…

Marcos ajoelha e fica perante o Perseu. Eles se abraçam e Marcos começa a chorar.

Marcos    – …obrigado. (pausa) Eu também te amo.

Perseu    – (chora) Eu não consigo entender você. Compreender. Não dá! Mas espero que você me perdoe por tudo o que eu fiz.

Marcos    – (chora) Não.

Perseu    – (limpa as lágrimas) Não?

Marcos    – (chora) Não! (limpa as lágrimas) Você matou a minha mãe, matou o César, destruiu a minha vida tudo por conta de um rancor? De uma raiva? Não! Cê fez tudo isso porque quis, pai. Você escolheu fazer tudo isso porque não tinha nada melhor pra você. (pausa) Cê é um monstro, pai. Um monstro! Então, não, eu não posso lhe perdoar nunca.

Perseu    – Marcos/

Marcos    – (corta) Não! Acabou, pai, acabou. A vida é um jogo, sabe? E pra você, o jogo acabou.

É rápido: Marcos pega o revólver e atira no peito do Perseu que cai pra trás, morto. Marcos toca no bolso do pai e pega uma chave de carro, saindo logo em seguida.

CÂM mostra o sangue saindo do corpo do Perseu e inundando o chão ao seu redor.

 

CENA 02. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai do galpão. Ele olha pros lados, encontra o carro e entra nele. Marcos dá partida e sai cantando pneu.

 

CENA 03. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Gina e Alberto sem entender, a encarar o povo que, em sua maioria, estão vaiando. Suzana, sorrindo, sai do palco.

Alberto   – Chega! Cês estão vaiando a Gina porque hein?

Divina    – (longe) Não é obvio? Ela não é ela, Alberto, é uma coisa.

Alberto   – A Gina é a minha mulher, é a minha vida, é o meu tudo. A Gina independente do que tem no meio das pernas, é uma mulher.

Gina      – (baixo) Tudo bem, eu saio do palco, Alberto. Não precisa disso não.

Alberto   – Precisa sim, Gina. Eu estou cansado dessa cidade hipócrita e cheia de preconceitos. (alto) Cês me querem como prefeito, mas não querem a Gina?

Divina    – (longe) É isso mesmo.

Alberto   – Pois bem: não vão ter nenhum dos dois. Sem a Gina ao meu lado, eu não sou capaz de comandar essa cidade.

Gina      – (baixo) Esse é o seu sonho, não pode abandonar tudo por conta de mim.

Alberto   – O meu sonho é você. (alto) Eu gostaria de recomendar uma pessoa para ser prefeita: a Nilda!

CÂM busca a Nilda. Ela fica surpresa.

Alberto   – Com vocês, a querida Nilda.

Nilda sobe no palco. O povo aplaude. Ela fica ainda mais surpresa. Alberto e Gina saem, e a ao passar pela Suzana e a encara.

Alberto   – (baixo) Até mesmo pra você, Suzana, isso foi golpe baixo.

Suzana    – (baixo) Gostou?

Ele não responde e sai com a Gina.

CÂM volta a Nilda que reage bem aos aplausos do povo.

 

CENA 04. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda a encarar a Leila e o Thiago.

Wanda     – É o que? Cê ficou maluca? Tu não vai ter esse filho não.

Leila     – Eu vou e vou tê-lo ao lado do Thiago.

Wanda     – Cê me dá nojo sabia? Nojo! Isso é nojento! Eu não te criei pra isso.

Leila     – Me criou pra ficar trocando de marido a cada cinco minutos igual você faz?

E Wanda dá um tapão na cara da Leila.

Wanda     – Me respeita!

Thiago    – Chega! A senhora já causou muita discórdia aqui. Tá na hora de ir embora.

Wanda     – E quem é você pra me mandar ir embora.

Thiago    – Não sou ninguém, dona Wanda. Mas pelo menos eu sou uma pessoa boa, não sou um babaca como você é.

Wanda     – (a Leila) Vai deixar ele destratar a sua mãe assim?

Leila     – Ele tá certo. Fora daqui, mãe. Fora!

Wanda     – Esta foi a última vez que você me viu, tá me ouvindo? Nunca mais volto a pisar nesse chão. Nunca mais!

Wanda sobe as escadas. Thiago abraça a Leila, dando conforto a ela.

 

CENA 05. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda ainda sob aplausos.

Nilda     – Gente, muito obrigada. Cê é o que vocês querem, eu aceito sim ser a prefeita dessa cidade.

Divina    – (longe) Você precisa escolher uma vice-prefeita, não acha?

Nilda     – Uma vice? Eu ainda não pensei nisso.

Divina    – (longe) Pois pense bem. Nós precisamos de uma que seja boa, uma que ficou ao seu lado durante horas enquanto estivemos sequestradas.

Nilda     – E depois você disse que eu sou uma assassina. Não vai ser você a minha vice, Divina. (pausa) Uma vice? Quem?

Nilda, tensa, a pensar.

CÂM corta pro Alberto e pra Gina que estão em frente à praça.

Alberto   – O que você acha da gente ir embora daqui?

Gina      – Ir embora? Pra onde, Alberto?

Alberto   – Não posso continuar aqui nessa cidade não. Vamos fugir.

Gina      – Mas pra onde criatura? Eu não conheço nenhum lugar além daqui e de Salvador.

Alberto   – Eu conheço um lugar no interior do Rio de Janeiro.

Gina sorri e eles saem juntos.

 

CENA 06.  DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha trabalhando, cheios de papel na mesa, mexendo nos computadores. Confusos.

Leonel    – Tá impossível! O Perseu não existe, não há rastros dele.

Agatha    – E nem do maldito carro preto. Se pelo menos o Mário tivesse ficado vivo.

Leonel    – Droga! Maldita hora que aquele filho da puta foi morrer.

Eles voltam a trabalhar.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia vindo de um lado e Lauro de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Lauro     – Tá vindo da igreja? Não me diga que a dona Zélia lhe botou de castigo.

Nádia     – (ri) Não. Eu fui resolver o que fazer com o Mário.

Lauro     – Eu sinto muito. Como você está?

Nádia     – Bem, eu estou bem. (pausa) Mudando de assunto: preciso te contar uma coisa.

Lauro     – Diga.

Nádia     – Eu estou gostando do Tadeu e eu sei que vocês ficaram amiguinhos… ele disse alguma coisa sobre mim?

Lauro     – Talvez.

Nádia     – Talvez?

Lauro     – Quer um conselho? Vá! Não fique pensando muito, vá!

Nádia     – Tá certo. Eu vou!

Eles riem e seguem andando e conversando.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda olha pra Suzana e sorri.

Nilda     – Está bem. Eu tomei a minha decisão sobre quem será a minha vice-prefeita.

Divina    – (longe) Fala logo.

Nilda     – É a Suzana. Antes que venham tacando pedra, ela é boa no que faz, só escolheu vice-prefeitas erradas. E podem ter certeza: eu sei fazer escolhas.

Suzana    – Tem certeza disso?

Nilda     – Tenho. Sobe aqui, vice-prefeita da cidade de Ilhabela.

Suzana sobe e fica ao lado da Nilda. O povo não aplaude muito, mas também não vaia.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora, Iris, Nilda e Robson sentados – conversando.

Eleonora  – A Suzana? Ela foi a primeira a nos querer fora da cidade.

Nilda     – Ela fez isso por causa da Gina e do Alberto.

Iris      – É melhor ela do que a Zélia ou Divina.

Nilda     – Nós colocar essa cidade nos eixos, podem deixar.

Gina e Alberto descem segurando as malas e se aproximam deles.

Robson    – Então cês vão mesmo embora?

Gina      – É o melhor a se fazer.

Alberto   – Nós não podemos mais ficar nessa cidade não.

Eleonora  – Mantenham contato.

Nilda     – Eu preciso de um abraço bem apertado de vocês dois.

Ela os abraça.

Nilda     – (ao Alberto) Tudo o que aconteceu entre a gente… que fique pra trás. Eu nunca vou entender porque tomou aquela decisão, mas tomou e chega de falar sobre isso. (pausa) E é melhor que você trate bem a Gina se não…

Eles riem. Gina e Alberto se despedem de todos. Após, eles saem.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andando no corredor.

Nilda     – De todas, eu nunca esperaria que a Gina fosse embora.

Eleonora  – Mas ela foi, e foi feliz. Ela está feliz com o Alberto e é isso que importa.

Nilda     – É sim.

Elas seguem andando e conversando em off.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Thiago e Leila estão abraçados. Wanda desce as escadas com as malas e sai sem olhar pra trás.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Tadeu vindo de um lado e Nádia de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Tadeu     – Ei. Nós vamos falar sobre o que aconteceu?

Nádia     – Não.

Tadeu     – Não?

Nádia     – Eu gosto de você e você gosta de mim, certo? Então, é o que importa.

Tadeu     – Mas vai ter mais?

Nádia     – É claro que vai.

Eles se beijam e seguem andando.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro sentado à mesa, jantando. Amparo o servindo.

Lauro     – Alguma novidade?

Amparo    – Nada.

É nesse momento que eles escutam o barulho da porta batendo. Lauro e Amparo saem.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra e fecha a porta. Lauro e Amparo saem da sala de jantar e se aproximam.

Amparo    – Marcos!

Lauro     – Marcos? Meu deus… cê tá todo machucado. O que aconteceu?

Marcos    – Eu… eu…

E ele desmaia. Antes que caia no chão, Lauro o pega. Amparo os encara.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha na mesma situação. O telefone toca e Leonel atende.

Leonel    – O que? Tô indo. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – Era a Amparo. O Marcos chegou no rancho.

Eles levantam e saem correndo.

 

CENA 16. IGREJA/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra na igreja e se aproxima do altar. Ela ajoelha. O Padre surge e se aproxima.

Fagundes  – Eu estava fechando a igreja.

Zélia     – Oh, desculpe. Eu não sabia, estou indo então.

Fagundes  – Não, fique. Cê está passando por muito Zélia.

Zélia     – Estou mesmo, mas é bom pra eu aprender, sabe? Estou aprendendo com que estou passando.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Nós nunca fomos melhores amigos, né? A verdade é que você me irritava, mas eu gostava de ter por aqui todos os dias.

Zélia     – Com tudo isso que está acontecendo, acabei abandonando a minha fé. Mas estou voltando com ela, ela me faz bem.

Fagundes  – Deus faz bem a todos nós, Zélia.

Zélia     – Eu tô precisando de ajuda, padre. Não estou bem psicologicamente, meus filhos vão me botar pra fazer terapia.

Fagundes  – Isso é bom, é muito bom Zélia. É o que você precisa.

Zélia     – Eu preciso de deus também, padre. Será que ele é capaz de me perdoar?

Fagundes  – Deus ama a todos nós, Zélia. Ele é a capaz de perdoar a todos nós porque nós somos seus filhos.

Zélia     – Tomará que esteja certo.

Ela começa a rezar. E o padre, ao seu lado, a acompanha.

 

CENA 17. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda está sentada, fumando. Suzana se aproxima e senta ao seu lado.

Suzana    – Prefeita.

Nilda     – Vice-prefeita.

Suzana    – Eu vim perguntar se você vai querer ficar com a mansão.

Nilda     – Não. Eu quero é o meu bordel funcionando de novo.

Suzana    – Você é a prefeita agora. Você que manda.

Nilda     – Então pronto. Pode ficar com a sua mansão, que eu tenho a minha aqui.

Suzana sorri e sai.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Marcos deitado na cama, fraco. Lauro e Amparo perto dele, ajudando.

Lauro     – Fica comigo, Marcos. Fica bem e fica comigo.

Marcos    – Eu estou aqui.

Leonel e Agatha entram.

Leonel    – Nós queremos ficar a sós com ele, Lauro.

Lauro     – (ao Marcos) Estarei aqui fora, é só chamar qualquer coisa.

Lauro e Amparo saem.

Marcos    – Nunca pensei que fosse dizer isso, mas é bom ver vocês.

Agatha    – Marcos? O que aconteceu contigo e com o seu pai?

Marcos    – Senta que lá vem história. (pausa) O Mário estava me levando pra Minas ao encontro do meu pai, que estava ao lado do Mário na estrada.

Leonel    – E o carro do Mário capotou, e o seu pai tirou você de dentro antes que o carro explodisse.

Marcos    – Essa parte cês já conhecem? Certo. Quando eu cheguei lá, em Minas, o meu pai começou a se vingar de mim. Ele me bateu, me chutou, me xingou. Eu revidei.

Agatha    – E depois?

Marcos    – Nós ficamos fazendo isso durante todos esses dias que estive lá com ele. Foi estressante, exaustivo, mas foi bom ao mesmo tempo.

Leonel    – Ele disse alguma coisa sobre o César? Sobre o que fez e o que não fez?

Marcos    – Disse. Ele disse que matou a minha mãe, a Marília, mas não quis dizer onde estava o corpo. (pausa) O meu pai disse que entrou em contato com o Mário logo depois de eu ter vendido o rancho, mas não foi aí que começou os planos. Tudo começou quando ele soube que eu estava voltando a cidade. Ele precisava de alguém para me vigiar.

Agatha    – Certo. O que mais?

Marcos    – Ele mandou o Mário matar o César porque queria me provocar.  (pausa) E depois de tudo isso, ele disse que ia me matar.

Leonel    – Mas não matou. O que aconteceu?

Marcos    – Eu o matei e dessa vez, eu tenho certeza. Eu o matei! Foi por legitima defesa, eu juro, ele ia me matar.

Agatha    – Nós não temos dúvidas quanto a isso, Marcos.

Leonel    – Você não está bem. Descanse e se recupere, Marcos. Mas depois nós precisamos que você vá a delegacia, você cometeu crimes de falsidade ideológica.

Marcos    – Eu sei. Não vou fugir, podem ficar tranquilos.

Agatha    – Ótimo. Nós nos vemos daqui a alguns dias então.

Leonel e Agatha saem.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha saem. Eles dão de cara com a Amparo e com o Lauro.

Amparo    – E aí?

Lauro     – O que vai acontecer com o Marcos?

Leonel    – Por enquanto nada, mas depois que ele se recuperar, preciso que ele vá a delegacia. Ele cometeu crimes e precisa ser preso.

Lauro     – Ok. Quem matou o meu pai?

Agatha    – O Mário a mando do Perseu, o pai do Marcos.

Leonel e Agatha saem. Lauro e Amparo se abraçam.

 

CENA 20. CREMATÓRIO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

O caixão com o corpo do Mário sendo posto no fogo. Nádia e Tadeu sentados, olhando. Padre Fagundes benzendo-os.

 

CENA 21. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

A polícia entra no galpão. Eles reviram o lugar e por fim, encaram o corpo do Perseu.

 

CENA 22. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Amparo, Leila e Thiago sentados no banco da praça, conversando.

Amparo    – Então cê vai ficar com o bebê?

Leila     – Não estou totalmente pronta, mas acredito que nenhuma mãe está totalmente pronta.

Amparo    – Felicidades ao casal então. E espero que eu seja a madrinha.

Thiago    – É claro que você vai ser.

Leila     – Amparo do céu! Conta tudo sobre o Marcos.

E eles continuam conversando em off.

 

CENA 23. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/DIA:

Marcos está deitado na cama. Lauro entra e senta ao lado dele.

Lauro     – Bom dia.

Marcos    – Bom dia.

Lauro     – Sei que não quer falar sobre isso, mas é importante. O que você vai fazer com o dinheiro do meu pai?

Marcos    – Eu não quero esse dinheiro, não sei o que fazer com ele.

Lauro     – O meu pai te deu esse dinheiro pra você fazer alguma coisa com ele.

Marcos    – Eu não quero. Fique com ele, pegue o dinheiro e use-o.

Lauro     – Tá certo, vou usá-lo.

Lauro, pensativo.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

Tadeu cuidando do pasto, das pedras. Nádia e Lauro olhando, a primeira toda feliz.

 

CENA 25. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Zélia e o padre Fagundes se aproximando do rancho. Eles riem.

Fagundes  – Como foi a sua primeira sessão na terapia?

Zélia     – Foi bom, foi bom falar sobre coisas e sobre as pessoas. Foi ótimo.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Eu tomei uma decisão, Zélia.

Zélia     – Decisão? E que decisão foi essa?

Fagundes  – Eu vou me aposentar, está mais do que na hora de eu viver mais.

Zélia     – Abandonar a sua fé?

Fagundes  – Não vou abandonar a minha fé. Deus está comigo pra onde eu for, eu vou abandonar o cargo. Eu preciso viver.

Zélia     – Espero que saiba o que está fazendo, Fagundes.

Fagundes  – Eu sei.

Eles se abraçam e Zélia entra.

 

CENA 26. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Nilda e Suzana trabalhando. Elas estão felizes, e conversam.

 

CENA 27. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia, Tadeu, Zélia, Omar e Clara sentados no sofá. Além deles, Felippo.

Zélia     – Muito obrigada por vir aqui Felippo para essa leitura.

Felippo   – Não há de que. Eu peço é desculpas pela demora, muita coisa acontecendo em Brasília ultimamente.

Clara     – É mesmo.

Tadeu     – Pode começar. Nunca presenciei uma leitura de testamente antes. Estou ansioso.

Felippo   – É claro. (começa) O meu rancho, propriedade que adquiri com muito esforço, deixo para os meus dois filhos: Omar Almeida Souza e Nádia Almeida Souza. A minha querida esposa, deixou uma grande quantidade de dinheiro adquirida com os lucros que o rancho me deu com o passar do tempo. (termina) É rápido e claro.

Zélia     – Pelo menos ele lembrou de mim. Eu vou subir.

E Zélia sobe.

Nádia     – Então quer dizer que esse rancho todo…

Omar      – … é nosso?

E eles comemoram.

 

CENA 28. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Robson vindo de um lado e Iris de outro. Eles se aproximam e sem pensar duas vezes, Robson dá um beijão na Iris.

 

CENA 29. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, trabalhando. Marcos entra e os encaram. Os dois entendem.

 

CENA 30. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

O tempo passa…

Eleonora e Nilda juntas. Robson e Iris juntos. Eles estão sentados, conversando.

Eleonora  – Depois de tanto tempo trabalhando, não acredito que finalmente o bordel vai reabrir.

Nilda     – Nem eu. Seria ótimo se a Gina estivesse aqui para nos cantar uma música.

Iris      – Mas ela está bem onde está, Gina.

Robson    – Nós falamos com eles esses dias. Eles estão morando numa cidade no interior do Rio de Janeiro, chamada Prata. E eles estão felizes.

Eleonora  – É o que importa.

E Suzana entra.

Suzana    – Nós precisamos trabalhar, prefeita.

Nilda     – Aí estou atrasada. (a Eleonora) Prepare tudo para a chegada das novas meninas e também para a reabertura do bordel.

Eleonora  – Pode deixar. Elas já devem estar chegando.

Nilda     – Robson e Iris: ajudem!

Robson    – (fala junto com a Iris) Pode deixar chefia.

Iris      – (fala junto com o Robson) Pode deixar chefia.

Nilda dá um beijo na Eleonora e sai com a Suzana. Robson e Iris também se beijam.

 

CENA 31. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia ao lado do Fagundes, Clara com o Omar – e sua filha -, Tadeu com a Nádia. Eles feliz, tomando café, é divertido.

CÂM vai passando pela mesa mostrando cada um com o seu par. Todos felizes.

 

CENA 32. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra e se aproxima da Agatha que está sentada.

Agatha    – A algum tempo atrás, eu estava dizendo que nada acontecia nessa cidade. E eu estava certa. Mas eu reclamei…

Leonel    – …e a tempestade veio. Nós nos arrependemos de ter chamado a tempestade, mas foi bom…

Agatha    – …foi muito bom! E agora a tempestade de foi novamente. Nós estamos sem dramas, sem coisas acontecendo.

Leonel    – Mas é melhor nem reclamar. Deixe que a tempestade chegue sozinha, porque ela vai chegar.

Agatha    – Ah se vai. Pode ter certeza que um dia, ela há de chegar.

Eles sorriem e seguem a trabalhar.

 

CENA 33. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Divina em frente à casa, esperando. Um táxi para e dele salta um homem vestido de padre, bonitão.

Padre     – Cê que é a Divina?

Divina    – Eu mesmo. E você que é o novo padre da cidade.

Padre     – Eu mesmo. É um prazer em conhecê-la.

Divina    – Digo o mesmo. Vamos entrar, eu fiz chá.

Eles entram.

CÂM se aproxima de uma das janelas da casa e mostra uma mulher sentada numa cadeira, de costas. A cadeira balança.

CÂM entra na janela e mostra que essa mulher é o corpo da Célia empalhado tal como a Norma Bates no filme Psicose

 

 

CENA 34. RUA/EXTERIOR/DIA:

Leila e Thiago andando juntos na rua com o filho (um menino negro, lindo). Eles estão felizes.

 

CENA 35. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Amparo cuidando do pasto. Ele sendo replantado indicando que o rancho está aberto novamente.

Lauro     – Obrigado Amparo pela ajuda.

Amparo    – Não foi nada. Não se esqueça que isso aqui também é meu. E é ótimo poder reabrir o rancho.

Lauro     – É mesmo não é.

O celular dele toca e ele atende.

Lauro     – Alô.

Pérola    – (off) Lauro? Cê não me ligou mais e nem o Robson. Como estão as coisas.

Lauro não responde e desliga na cara dela. Amparo o encara.

Amparo    – Quem era?

Lauro     – Engano. (olha a hora) Meu deus! Está na hora de ir buscar o Marcos.

E ele sai correndo.

 

CENA 36. FRENTE À PRISÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai da cadeia. Ele não vê ninguém, mas olha pro lado e vê o Lauro. Ele sorri.

Lauro     – Marcos.

Marcos    – Lauro.

Lauro     – Estou morrendo de saudades de você.

Marcos    – Eu digo o mesmo.

Lauro     – Tenho uma surpresa pra você, querido.

Marcos    – Surpresa?

Lauro     – Sabe o dinheiro do pai? Então, montei um jornal aqui em Ilhabela e convidei uns funcionários seus pra vir pra cá.

Marcos    – (sorri) Obrigado. Obrigado por tudo, Lauro.

Lauro     – Não foi nada.

E eles saem em direção ao horizonte.

Lauro     – O dia hoje tá lindo. Olha só esse horizonte.

Marcos    – Lindo mesmo. É uma pena que ele é falso!

 

FIM!

 

NOTA DA AUTORA: 

ÚLTIMO CAPÍTULO!

É o último! Meu deus! Foram quatro meses escrevendo e eu acabei? Foi ótimo! “Falso Horizonte” termina do jeito que eu planejei desde o início, algumas coisas ficaram de fora – sempre fica –, mas o que importa foi ao ar. E foi ótimo!

Essa foi a obra com mais referências que eu já fiz. Teve referência a obra original, também chamada de Falso Horizonte, teve referência a Porto dos Milagres, uma das minhas novelas favoritas, e ainda deu tempo de fazer referência a novela “Família” – do Yuri, o meu coautor e escritor do original Falso Horizonte.

Aliás, obrigada Yuri por todo apoio e compreensão. Mesmo que a gente não tenha concordado com tudo, obrigada. Essa obra é uma homenagem a você, meu amigo e meu primo.

Por fim: obrigada a todos que leram até aqui, ao Vinny e ao ADNTV em geral. Obrigada!

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

FALSO HORIZONTE | Penúltimo Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

Marcos    – Eu quero e preciso saber. Onde é que está a minha mãe?

Perseu    – A Marília morreu, Marcos. Morta! Ela está morta.

Marcos    – O que? (desata a chorar) Não é possível, não… como? Como ela morreu?

Perseu    – Eu a matei. Esse foi o meu primeiro passo da vingança, eu a encontrei e a estrangulei até o ar de seus pulmões acabar. (pausa) Foi ótimo! Eu me senti tão bem…

Marcos não aguenta, chora, cai no chão. E Perseu continua.

Perseu    – … me senti revigorado. Ela estava morando numa casinha em Penedo, não tinha se casado e nem tido novos filhos. (pausa) Eu a encontrei e fui até ela, nós conversamos, ela me reconheceu. Foi uma boa conversa, eu disse que tinha mudado, ela me perguntou de você. (pausa) Eu não respondi, não queria dar detalhes. Logo depois, eu segurei o braço dela e depois parti para o pescoço…

CÂM mostra o Marcos tentando não escutar, tapando os ouvidos, ele tenta se afastar; Perseu chega mais perto e continua.

Perseu    – … ela estava com tanto medo. Coitada. Eu estava com o sangue quente, doido para fazer o mesmo contigo logo logo. Não demorou muito para que ela morresse em minhas mãos, literalmente. Foi gracioso. Eu peguei o corpo e me livrei, ninguém o encontrou até hoje. (pausa) É claro que eu não vou lhe dizer onde ele está, é melhor que não saiba. Mas fique sabendo que eu cuidei bem dela, cuidei bem do corpo flácido e velho dela.

Marcos finalmente levanta e cheio de sangue nos olhos bate no Perseu, o derrubando no chão, arranhado o rosto dele.

Perseu    – (com dor, mas não demonstra) O que? Não queria os detalhes? Estou lhe dando!

Marcos    – Cala a boca! Cala a merda da boca!

E continua: batendo, arranhando, deixando o Perseu todo machucado tal como o Marcos está.

Marcos    – (ódio) porque? Ela não fez nada pra você. Porque?

Perseu    – (na mesma) Não entendeu ainda, né? Porque eu quis. Porque eu quero ver você sofrer, Marcos. (pausa) Eu gosto disso, eu gosto de ver você chorando, se definhando.

E então o Marcos para. Ele deita no chão, exausto e ainda chorando. Perseu, também exausto, ao lado dele – ambos ofegantes.

 

CENA 02. RUA/EXTERIOR/NOITE:

As pessoas cercando a Nilda e a Divina, essa última sendo encarada. Eleonora vem correndo e abraça a Nilda. Iris à parte.

Nilda     – Eleonora/

Eleonora  – (corta) Nunca mais ouse fazer isso comigo, ok? Eu não posso viver sem você.

Elas se beijam. E Divina dá outro berro.

Divina    – Será que eu vou ter que repetir? Essa mulher, a Nilda, é uma assassina.

Todos sem entender. CÂM mostra o Leonel e Gina saindo do bordel e se aproximando delas.

Leonel    – Eleonora. Divina. O que aconteceu? Cadê a Célia?

Divina    – É justamente disso que estou falando. (pausa) A Nilda matou a Célia!

Leonel    – Ok… eu preciso que vocês duas me acompanhem até a delegacia.

Gina      – Calma aê, a Nilda mal chegou e já querem levar ela?

Leonel    – É preciso.

Eleonora  – Não demore.

Nilda     – Não vou demorar, logo vou estar de volta no meu bordel.

Nilda dá outro beijo na Eleonora. E sai com a Divina e com o Leonel. Eleonora, Iris e Gina voltam pro bordel.

 

CENA 03. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Fagundes vendo toda a cena anterior. Suzana se aproxima.

Suzana    – Foram me avisar da volta delas. Alguém sabe da Célia?

Fagundes  – Eu escutei a palavra assassinato, alguma delas matou a Célia, acho.

Suzana    – Droga! Estou sem vice.

Fagundes  – Você estava sem vice desde que tirou a Zélia. Botar a Célia foi loucura, Suzana.

Suzana    – Era o certo a se fazer na época.

Fagundes  – De qualquer jeito. O que vai fazer agora?

Suzana    – Como assim?

Fagundes  – Não espera continuar sendo prefeita da cidade, espera? Exigiram a saída da Zélia por menos.

Suzana    – É, tem razão. Eu perdi a minha chance de mudar essa cidade.

Ela dá as costas pro padre e sai andando. Ele bufa e entra na igreja.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago se aproxima da Leila e a abraça.

Thiago    – Isso é ótimo, meu amor. É ótimo, é perfeito.

Leila     – Não, não é. Eu não sei se estou pronta para ser mãe Thiago.

Thiago    – Oh, entendi.

Leila     – Eu quero ter filhos, um dia. Não sei se eu quero agora. Quer dizer, é muita pressão. Muita coisa para se cuidar e tratar sobre. Não sei se/

Thiago    – (corta) Eu entendi. (pausa) Eu estou pronto para ter filhos, para casar… mas se você não estiver, eu espero. Eu quero fazer tudo isso com você e só com você.

Leila     – Minha mãe quer que eu aborte, mas eu também não quero abortar.

Thiago    – Então o que você pretende fazer?

Leila     – Não sei, preciso pensar sobre isso.

Thiago    – Tome o seu tempo, demore quanto tempo quiser para pensar sobre.

Eles se beijam e seguem abraçados.

 

CENA 05. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada. Leonel, Nilda e Divina entram; o primeiro senta ao lado da Agatha, e as outras em frente a eles.

Agatha    – Cês voltaram?

Nilda     – Nós voltamos.

Divina    – Será que dá pra vocês terem foco aqui? Essa mulher é uma assassina.

Leonel    – Eu preciso que vocês digam exatamente tudo o que aconteceu.

E elas começam a falar em off.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris e Gina entram. Elas se aproximam do Alberto, da Clara e do Robson.

Clara     – Eu cheguei aqui e eles disseram que a Nilda voltou. Cadê ela?

Eleonora  – Na delegacia. A louca da Divina está acusando ela de assassina, o Leonel levou as duas.

Gina      – Eles poderiam deixar a gente pelo menos falar com ela antes de levá-la.

Iris      – Ela vai voltar gente.

Robson    – A Iris tá certa. Se a Nilda matou a Célia foi pra se defender, ela vai voltar.

Gina      – Tô morta de sono, amanhã eu dou um abraço na Nilda.

Gina e Alberto sobem as escadas. Os demais seguem conversando em off.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Alberto e Gina entram no quarto. Eles sentam na cama.

Gina      – É ótimo que a Nilda esteja de volta.

Alberto   – Será que ela vai nos perdoar? Me perdoar, quero dizer.

Gina      – Espero que sim, é a Nilda. Ela não é assim.

Alberto   – Tomará.

O celular do Alberto toca e ele atende.

Alberto   – Alô.

Ligação continua na próxima cena.

 

CENA 08. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo uísque e com o telefone na mão.

Alberto   – (off) Alô.

Suzana    – Você ganhou, parabéns. Eu vou renunciar amanhã, antes que exija que eu faça isso.

Alberto   – (off) Está desistindo?

Suzana    – Não se ache não. Estaria prontinha pra quando você estiver precisando de mim.

Ela desliga o telefone e continua a beber.

 

CENA 09. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Mesma situação da cena 05.

Divina    – E então? O que diabos vocês vão fazer?

Leonel    – Nada. Desculpa, Divina, eu sinto muito… mas não vamos fazer nada.

Agatha    – A Célia sequestrou vocês, a Nilda atirou nela para se defender e defender você.

Divina    – Minha irmã não mataria a gente. Ela não é maluca.

Leonel    – Ela não estava segurando uma arma? Não mantinha vocês amarradas? Então pronto.

Divina    – Isso é/

Nilda     – (corta) Posso ir?

Leonel    – As duas podem.

Agatha    – Aliás, podem nos dar o endereço da casa? Precisamos pegar o corpo.

Divina    – Cês não vão tocar no corpo dela. Eu dou um jeito!

Divina sai correndo. Os outros três a encaram saindo.

 

CENA 10. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Perseu arrasta o Marcos pra dentro e o amarra. E bota um silver tape na boca dele.

Perseu    – Chega por hoje! Aproveita essa noite que é a sua última. (pausa) Amanhã de manhã eu volto e nós terminamos com isso de uma vez por todas.

Ele ia embora, mas volta e encara o filho.

Perseu    – Nem posso acreditar que a hora está finalmente chegando. Minha vingança será concluída.

E ele sai. Marcos fecha os olhos.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/QUARTINHO DA EMPREGADA/INTERIOR/DIA:

Leila acordada, deitada ao lado do Thiago que aos poucos desperta.

Thiago    – Ei! Bom dia.

Leila     – Bom dia.

Thiago    – Conseguiu dormir? Eu percebi que de madrugada se mexeu um pouco.

Leila     – Não consegui dormi nada, fiquei pensando a noite toda. (pausa) Cheguei a uma decisão.

E fecha nela, decisiva.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andam pelos corredores. Elas estão agarradas e conversam.

Eleonora  – É tão bom que você estar de volta.

Nilda     – Não vou mais desgrudar de você.

Eleonora  – É melhor que não desgrude mesmo.

Elas seguem agarradas.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Alberto e Gina se arrumando.

Gina      – Está mesmo confiando que a Suzana vai renunciar?

Alberto   – Ela não parecia estar brincando e sinceramente, faz sentido. A carreira dela está acabada, Gina.

Gina      – A carreira pode estar acabada, mas me recuso a pensar que a Suzana vá desistir assim tão fácil.

Alberto   – Ela vai e sabe porque? Porque ela não tem alternativas. A Célia sequestrou duas pessoas, a própria irmã, e quase matou as duas. A Suzana está ferrada.

Gina      – Só estou dizendo para tomar cuidado, estou sentido que algo não está certo.

Alberto   – Vai dá tudo certo. Confia em mim.

Gina      – Eu confio em ti, meu amor. O problema é a Suzana.

Eles se beijam e saem.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Nádia estão deitados na cama, pelados. Eles começam a despertar.

Tadeu     – A gente…?

Nádia     – Nós transamos, sim, nós fizemos sexo.

Tadeu     – E nós vamos conversar sobre isso termos feito sexo?

Nádia     – Não agora, preciso fazer uma coisa e estou atrasada.

Nádia levantada da cama, já se vestindo, e sai do quarto. Ele sorri.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara sentados à mesa, se servindo. Zélia entra e senta ao lado deles.

Omar      – Bom dia, mãe.

Zélia     – Bom dia. E onde é que está o Thiago?

Clara     – Ele saiu, disse que precisava dá uma saída.

Zélia     – Esses empregados hein. (pausa) Fiquei sabendo da Nilda, como ela está?

Clara     – Bem, na medida do possível.

Tadeu entra e senta com eles.

Omar      – Cadê a Nádia?

Tadeu     – Ela disse que precisava resolver umas coisas.

Omar      – Ah, o papai.

Zélia     – Omar, não quero mais falar sobre esse homem. Mudando de assunto: Tadeu, como vocês estão?

Tadeu     – Nós estamos? Nós quem?

Zélia     – Você e a minha filha. Nós escutamos tudo ontem, pelo menos eu escutei.

Clara     – Nós também escutamos.

Tadeu     – Não tem nada entre a gente, eu acho, não sei.

E Tadeu os ignora, comendo.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro sentado à mesa. Amparo o servindo.

Lauro     – Fiquei sabendo da Nilda e da Divina. Como elas estão?

Amparo    – Não sei, mas acredito que bem. Eu só sei que a Nilda matou a Célia pra se defender.

Lauro     – Hm, interessante.

Amparo    – Lauro? Cê não quer saber da Nilda e da Divina, não é?

Lauro     – Não, eu quero saber do Marcos. Onde diabos ele está?

Amparo    – Não sei, mas agora que isso da Nilda acabou, o Leonel e a Agatha vão ter todo o seu foco no Marcos.

Lauro     – Espero.

E eles continuam a conversar em off.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra tomando café e senta ao lado dele.

Leonel    – Agora, nós precisamos focar em encontrar o Marcos.

Agatha    – É claro.

E eles começam a trabalhar.

 

CENA 18. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Marcos todo amarrado e com a boca tapada. Perseu e um homem entram.

Perseu    – Você está dispensado. Essa é a última vez que nós vamos nos ver. Pega o dinheiro que lhe dei e suma daqui.

Homem     – Foi um prazer trabalhar com o senhor, chefia.

O homem sai. Perseu se aproxima do Marcos e o desamarra, e tira a fita da boca dele.

Perseu    – Levante-se! Está na hora de você morrer.

Marcos    – E como você vai fazer isso?

Perseu    – Não se preocupe, não vai doer. Pelo menos, não muito.

Marcos levanta. E eles se encaram frente a frente.

 

CENA 19. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes está ajoelhado, rezando. Nádia entra e se aproxima.

Nádia     – Desculpa interromper padre.

Fagundes  – (levanta) Não está interrompendo a nada.

Nádia     – Eu vim aqui conversar sobre o meu pai.

Fagundes  – Oh, claro. O enterro pode ser amanhã mesmo, se quiser.

Nádia     – Não, não. Ele não vai ser enterrado, vai ser cremado. (pausa) É o certo a ser feito.

Fagundes  – Oh, entendo.

 

CENA 20. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda está sentada no sofá. Leila e Thiago entram e se aproximam.

Wanda     – Leila. Thiago.

Leila     – Eu tomei a minha decisão, mãe.

Wanda     – Ele já sabe?

Thiago    – Já sei sim.

Wanda     – Ótimo. É ótimo que vocês dois tenham percebido que o aborto é a melhor coisa a se fazer agora.

Leila     – Eu não vou abortar, mãe! (pausa) Eu vou ter esse filho e vou criá-lo ao lado do Thiago.

 Os três se entreolham.

 

CENA 21. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Suzana em cima de um palanque. Pessoas em volta dela incluindo o Alberto, a Gina, a Divina e a Nilda.

Suzana    – Bom dia cidadãos de Ilhabela. Eu sei que vocês querem a minha opinião sobre o que aconteceu com a Nilda e com a Divina e aqui vai: eu repudio a atitude da Célia. Ela errou, e eu errei em ter posto ela como vice-prefeita. Ela pagou por isso, e eu vou pagar por isso também. (pausa) Eu estou renunciando à prefeitura.

Ela dá tempo para as pessoas reagirem, mas isso não acontece. E continua.

Suzana    – É a decisão certa a ser feita. Por conta disso, acredito que cês queiram o antigo prefeito de volta.

Alberto sorri e fica ao lado dela.

Suzana    – Com vocês, Alberto.

O povo aplaude.

Alberto   – Obrigado.

Suzana    – E a primeira-dama, Gina.

O povo começa a vaiar a Gina. Ela rapidamente fica envergonhada, Alberto encara a Suzana que sorri.

 

CENA 22. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu e Marcos se encaram. Perseu pega o revólver e aponta pra ele, ele bota o dedo no gatilho pronto para atirar.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 48 [Últimos Capítulos]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Marcos está estirado no chão, todo machucado. Ele começa a despertar. Perseu entra e o encara, altivo.

Perseu    – Acordou? Ótimo porque a minha vingança está só começando.

Perseu se agacha e pega o maxilar do Marcos com força, obrigando ele a olhá-lo.

Perseu    – É pra me olha, filho da puta. Me olha!

Marcos    – (com dificuldade) É engraçado que você esteja falando de vingança quando na verdade eu deveria estar querendo isso.

Perseu    – (o solta) Você? E o que diabos eu fiz pra você hein?

Marcos    – Tá com memória fraca, pai? Pode deixar que eu lhe recordo.

Ele senta no chão. Perseu se afasta, mas ainda o encarando.

Marcos    – Pra começar que você me maltratava e a minha mãe. Ela me deixou porque você batia nela diariamente, e ainda proibiu ela de me ver.

Perseu    – (ri) Eu nunca levantei a mão pra sua mãe… pelo menos não sem motivo. Ela merecia. (pausa) E quanto a ter proibido ela de ir ver… era o certo a ser feito. (pausa) Se bem que eu me arrependo, se você tivesse ido com ela, a gente não estaria aqui hoje.

Marcos    – Você não me deixou ir com ela por puro machismo. Achava que me tornaria homem contigo, pai… eu sou homem! Eu sou homem!

Perseu    – É um homem incapaz de me dar um neto, incapaz de amar uma mulher. Não é um homem. Um homem de verdade não ama outro homem, Marcos.

Marcos    – Não vou entrar nessa discussão contigo novamente, porque não vale a pena. (pausa) E continuando com a minha lista: você quase me matou.

Perseu    – Eu não ia te matar, dramático. Era para te dar um susto, mas você não… você tentou me matar. Você queria fazer isso.

Marcos    – Não, não, eu queria me proteger de você. Era o único jeito de eu sair vivo dali era te dando um tiro… se eu não tivesse atirado em você… você ia me matar. Eu sei que ia.

Perseu    – Dramático.

Marcos    – E além de tudo isso, você destruiu a minha vida. Eu fui obrigado a sair de casa, ficar longe do Lauro e do César… você matou o César!

Perseu    – Eu não matei o César, o Mário fez por mim.

Marcos    – Você nem percebe, né? Nem percebe o quão horrível você é… Pai, no que foi que você se tornou?

Perseu    – (ri) No que eu?… (risada alta) Eu? (sério; grita) No que foi que VOCÊ se tornou? Tu era pra ser o meu filho homem, que ia herdar o meu rancho, que ia fazer e acontecer naquela cidade. Tu era pra ser o homem da família quando eu morresse, era pra ser o meu herdeiro. (grita) Você destruiu todos os meus planos! Acabou com todos eles! (pausa; ri) No que foi que eu me tornei? Idiota.

Marcos    – Pai/

Perseu    – (corta) E ao contrário de seguir todos os meus planos… o que é que cê faz? Se apaixona por um velho caquético, faz planos de criar o Lauro com ele como se fosse… (pausa; grita) Isso não é um conto de fadas! Idiota! (ri) Tu achou mesmo que ia criar o Lauro com o César como se fosse uma família? Idiota! Imbecil! É filho da sua mãe mesmo, tudo na mesma laia desgraçada.

Marcos    – (grita) Não fala assim da minha mãe/

Perseu    – (corta) E tu vai fazer o que comigo? (grita) Chega! Não aguento mais escutar a sua voz de merda.

Perseu pega uma silver tape e bota na boca do Marcos, o calando. Ele ia agredir o Marcos, mas desisti.

Perseu    – Eu preciso respirar. Cê me dá nojo, Marcos.

Ele dá as costas e sai. Marcos arranca a silver tape, sentido dor após fazê-lo.

 

CENA 02. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Célia e Nilda a brigar pela arma, até que a mesma dispara no meio delas. Elas se encaram, tensão, é quando a Nilda levanta; vitoriosa, porém em choque.

Nilda     – (em choque) Eu… eu a matei? Oh deus! Eu a matei!

CÂM, então, mostra a Divina logo atrás ainda amarrada na cadeira. Ela desata a chorar.

Divina    – (chora) Você… você… você matou a minha irmã? Não!

Nilda     – Desculpas, eu não queria. Eu só quero sair daqui, desculpa.

É quando ela se solta da cadeira e ajoelha perante o corpo da Célia, a chorar. Nilda tenta ajudar.

Divina    – (chora) Eu não quero a sua ajuda, assassina.

Nilda     – A Célia ia nos matar, Divina. Por favor/

Divina    – (chora; corta) Cala a boca!

Divina agarra o corpo da irmã, chorando muito.

Nilda     – Eu sinto muito, mas nós precisamos sair daqui… eu estou indo. Fique se quiser.

Nilda dá as costas e sai. Divina a chorar e encarar o corpo da Célia, ela levanta e sai.

 

CENA 03. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda entra e percebe a presença da Amparo e do Thiago, dando um sorriso amarelo.

Leila     – Mãe.

Wanda     – Oi filha. (aos demais) Oi para vocês também.

Leila     – Não esperava que viesse hoje, tão rápido.

Wanda     – Eu sou rápida querida. (aos demais) Cês já estão de saída, certo?

Thiago    – Na verdade/

Amparo    – (corta) Estamos sim de saída, Wanda. É sempre um prazer.

Wanda     – Eu digo o mesmo, querida.

Amparo e Thiago levantam e sai.

Wanda     – Esses seus amigos hein, filha, jesus.

Leila     – Mãe!

Wanda     – Não está mais aqui quem falou, mas se sabe a minha opinião. (pausa) E sabe a minha opinião sobre trabalhar de empregadinha, meu deus, filha.

Wanda a olhar a casa do teto ao chão. Leila bufa.

 

CENA 04. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo e Thiago saem.

Thiago    – Cê deveria ter deixado eu responder aquela mulher.

Amparo    – Não se mete nessas coisas, ela vem e vai ir embora rápido. É melhor assim.

Thiago    – Eu não gosto dela.

Amparo    – Ninguém gosta, mas a presença dela é necessária… quem sabe assim a Leila conta a verdade logo.

Thiago    – Verdade?        

Amparo    – Aí esquece! Eu não falei nada não, isso é entre vocês e ela.

Thiago    – Do que você está falando?

Amparo    – Não estou falando de nada. Ela vai te contar, é só esperar.

Ela sai correndo. E Thiago, sem entender, sai pelo outro lado.

 

CENA 05. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda e Leila sentam no sofá.

Leila     – Achei que o seu marido ia vir junto.

Wanda     – Não, deus o livre dessa cidade. É melhor que ele fique em Salvador mesmo.

Leila     – Tudo isso é por causa do Thiago e da Amparo?

Wanda     – E por causa desse emprego de merda. É lógico que eu não contei pra ele que é empregada, imagina só um diplomata casando com a mãe de uma empregada.

Leila     – Mãe… eu desisto de você. Eu desisto.

Leila levanta do sofá, mas se sente mal, e volta a se sentar.

Wanda     – Meu deus! O que foi isso, Leila?

Leila     – Não foi nada.

Wanda     – É claro que foi alguma coisa. O que andou tomando hein?

Leila     – Nada, não foi nada. Me deixa!

Wanda     – Não deixo! O que foi isso, Leila?

Leila     – É que eu… eu estou grávida mãe.

E elas se encaram.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina caminhando pela rua escura. Divina a chorar, Nilda ainda em choque; porém determinada.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Iris e Alberto sentados. Eles conversam, preocupados.

Eleonora  – Não estou aguentando mais, se eu tiver que passar mais uma noite sem a Nilda… eu nem sei. Eu vou enlouquecer.

Iris      – Pensamento positivo. O Leonel e a Agatha estão fazendo de tudo para encontrar a Nilda e a Divina.

Eleonora  – Espero que estejam mesmo.

Gina      – Não sei porque, mas sinto que esse pesadelo já está terminando Eleonora. A Nilda vai voltar pra gente.

Leonel entra e se aproxima.

Alberto   – Alguma novidade?

Eleonora  – Eu já mandei cê calar a boca. (ao Leonel) Alguma novidade?

Leonel    – Nós estamos tentando rastrear a Célia, mas tá difícil. Acredito que ela deva entrar em contato de novo, para pedir alguma coisa.

Robson desce as escadas e sai. Iris vê e vai atrás.

 

CENA 08. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/INTERIOR/NOITE:

Robson sai do bordel e senta, começando a fumar. Iris se aproxima.

Iris      – Ei.

Robson    – Como você tá?

Iris      – Na medida do possível, eu estou bem. Eu sei que a Nilda vai sair dessa, ela é uma sobrevivente.

Robson    – Estou na torcida por vocês. Isso que essa mulher fez é loucura.

Iris      – Todos nós sabíamos que a Célia era a mais louca de todas, mas não tínhamos ideia que iria sequestrar a Nilda.

Robson    – Ninguém poderia fazer ideia de uma coisa dessas.

Iris      – E você? Como está? Eu soube da Pérola.

Robson    – Estou bem, acho que foi melhor assim. Ela me pediu pra ficar de olho nas pedras e no Tadeu, mas não sei se vou fazer isso. Pra mim isso das pedras acabou com a morte da Marilda.

Iris      – Tá certo, eu te entendo. (pausa) E eu posso saber porque ficou?

Robson    – Tem uma mulher que me prende aqui.

Iris sorri. Robson compartilha o cigarro com ela e ela aceita.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Clara e Omar deitados na cama, abraçados. Omar está bem melhor.

Clara     – Omar? Eu gostaria de ir no bordel, ver se tem alguma novidade.

Omar      – É claro, desculpa te prender aqui com tudo isso acontecendo.

Clara     – Não, cê estava precisando de mim e eu também estava. Obrigada.

Omar      – Eu que agradeço. (pausa) Vai lá, eu também preciso resolver uma coisa.

Clara     – As pedras, né?

Omar confirma com a cabeça. Ela dá um beijo nele e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Tadeu sentado na cama, Nádia encostada no ombro dele. Ela ergue a cabeça e esfrega os olhos.

Nádia     – Desculpa, desculpa por te chorado. Por ter chorado no seu ombro, desculpa/

Tadeu     – (corta) Ei, ei. Não precisa pedir desculpas, está tudo bem. (pausa) Chorar faz bem.

Nádia     – Eu sei, mas/

Tadeu     – (corta) Sem mas, Nádia. Eu sou seu amigo, não sou? É pra isso que eu estou aqui.

Nádia sorri, Tadeu também. Os seus rostos se aproximam até que eles se beijam. No começo é só um selinho, mas logo vira um beijão. Eles começam a tirar as roupas, ficando pelados.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda levanta de imediato. Ele encara a Leila que continua sentada.

Wanda     – Você está grávida? Grávida do… do… do Thiago?

Leila     – Estou, mãe.

Wanda     – Meu deus! O meu neto vai ser igual ao pai? Um negrinho… jesus!

Leila     – Chega mãe. Isso é racismo, é crime, e eu não vou admitir que fale mais essas coisas do Thiago.

Wanda     – Ele sabe?

Leila     – Não, ainda não.

Wanda     – Ótimo. Dá tempo de você fazer um aborto e tirar essa criança de dentro de você.

Leila     – Eu não vou abortar o meu filho, mãe.

Wanda     – O que? Vai me dizer que quer esse filho? Pelo amor, Leila. Cê não quer esse filho.

Leila     – E se eu quiser?

Wanda     – Você não quer! Tá na sua cara que você não quer esse filho.

Leila     – Mãe/

Wanda     – (corta) Eu vou pro quarto de hóspedes e amanhã a gente conversa sobre isso. Eu sei que você não quer esse filho, é o melhor a ser feito Leila.

Wanda sobe as escadas. Leila desata a chorar.

 

CENA 12. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu olhando a lua, fumando. Marcos sai, todo machucado, e se aproxima do pai.

Marcos    – Nós precisamos continuar com isso, pai.

Perseu    – Com isso o que, Marcos?

Marcos    – Com as verdades. Essa é a única vez em anos que fomos verdadeiros com nós mesmos… eu preciso saber de algumas coisas antes… antes de morrer.

Perseu    – Morrer?

Marcos    – Não é isso que vai fazer comigo? Me matar? Então, antes de fazer isso eu quero saber de algumas coisas, eu quero respostas.

Perseu    – Pergunta.

Marcos    – O Mário matou o César a sua ordem. Porque?

Perseu    – A verdade? É que eu queria te irritar, te fazer sofrer. Mas a mentira que eu contei pro Mário e pra mim mesmo era que a morte dele era necessária pra fazer as coisas girarem. Mas isso é mentira. Não tinha motivos pra matar o César, só queria te irritar.

Marcos    – (respira fundo) Eu pedi, eu recebei. Ok. Quando você entrou em contato com o Mário?

Perseu    – Logo depois que ele se mudou pra meu rancho, queria saber quem era o filho da puta. Depois me afastei, fiquei seguindo você pelo Rio… eu lia o seu jornal, é uma merda! E quando você foi pra cidade de novo, eu entrei em contato com o Mário. Ele me falou das pedras, parecia muito interessado, e usei isso pra que ele fizesse tudo o que eu pedisse.

Marcos    – Você me ama? Você sente alguma coisa por mim?

Perseu    – Não, eu parei de amar as pessoas. É uma fraqueza, uma idiotice.

Perseu se vira, entrando no galpão. Marcos se vira, olhando ele entrar.

Marcos    – Pai?

Perseu    – O que? Achei que já tivesse acabado com esse interrogatório de merda.

Marcos    – Não, ainda não. (pausa) E a minha mãe? Onde está a minha mãe?

Eles se encaram.

 

CENA 13. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, trabalhando, um pouco enrolada. Omar entra segurando um saco.

Omar      – As pedras.

Ele bota o saco em cima da mesa. Agatha o abre e vê os kimberlito.

Agatha    – Obrigada.

Omar não responde, só dá as costas e sai.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila entra, chorando e bebendo uísque. Ela derruba uma colher e quando a pega, vê o seu reflexo. Ela solta o copo e a colher, saindo correndo.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina entram na cidade, começando a passar pelas ruas. As pessoas as encaram, as rodeiam.

CÂM mostra a Iris e o Robson sentados frente ao bordel. Eles percebem a movimentação. Iris vê a Nilda e sorri.

Iris      – É a Nilda! Meu deus! Eu preciso falar com ela, entra e avisa as meninas.

Robson entra. CÂM acompanha a Iris que corre até a Nilda, e a abraça.

Iris      – Meu deus, Nilda.

Nilda     – (emocionada) Iris? É tão bom te ver, criatura. Cadê a Eleonora?

Iris      – O Robson foi chamá-la.

Iris beija a Nilda, toda sorridente. É quando a Divina dá um berro.

Divina    – Cês ficam dando amor pra essa aí… mas o que vocês não sabem é que ela é uma assassina. Assassina!

Todos a encarar a Divina.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Alberto e Leonel sentados, conversando. Robson entra.

Robson    – A-a-a-a Nilda está de volta. Ela voltou!

Eleonora levanta de imediato, olhando o Robson, séria.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago arrumando a cozinha. Leila entra, um pouco bêbada, e se aproxima.

Thiago    – Leila?

Leila     – Eu tô grávida!

CÂM mostra a reação do Thiago, surpreso.

 

CENA 18. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

 

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

 

FALSO HORIZONTE | Capítulo 47 [Última Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

Marcos está sentado no chão com os pés e mãos amarradas. Perseu andando frente a ele.

Perseu    – Se eu soubesse que o calmante seria tão forte, nem teria te dado. Merda!

Marcos    – (desperta) Pai?

Perseu    – Finalmente! Olá, filhinho querido.

Marcos    – O que? O que aconteceu na estrada? Eu… eu…

Perseu    – Você sabe muito bem o que aconteceu, idiota. Cê resolveu dar uma de espertinho, atrapalhou o Mário na direção e o imbecil capotou. Ele morreu, sabia? Tudo por causa de você.

Marcos    – Por causa de mim não. Foi você que botou ele nossa, papaizinho.

Perseu    – Sabe, filho querido, é estranho ver o quanto você mudou. O menino que eu conheci não ia se aliar com o assassino seu verdadeiro amor para fugir da cadeia.

Marcos    – (ri) Sabe quando você mente tanto, se ilude tanto que acaba acreditando até nas próprias mentiras? É pelo que você está passando pai.

Perseu    – Ok, chega desses sinismo. Está na hora de falarmos frente a frente. Homem pra… você… está na hora de sermos francos.

Marcos    – É fácil cê falar estando aí, solto e livre. Eu estou sentou aqui, todo amarrado.

Perseu    – Tá certo, eu vou te soltar.

Perseu o solta. Marcos levanta e o encara, e – sem pensar duas vezes – dá um murro no pai.

 

CENA 02. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Célia sentada numa cadeira, a encarar a Divina e a Nilda que estão amarradas em cadeiras.

Nilda     – (desperta) O que diabos está acontecendo aqui?

Divina    – (desperta) A gente está presa? (olha a Célia) Célia?

Célia     – Bom dia, donzelas.

Nilda     – Célia? Isso é loucura, criatura. Me tira daqui!

Célia     – Não! Você e a judas aí vão apodrecer aqui, morrer!

Divina    – Eu entendo porque me sequestrar, mas a Nilda? Libera ela, irmã.

Célia     – Não iria fazer nada com ela não, eu queria o Alberto, mas tinha tempo e teve que ser ela mesmo.

Nilda     – O que significa isso pra ti, hein? Sua doida.

Célia     – Significa justiça.

Célia dá uma risada e fica encarando elas. CÂM mostra a Nilda roçando a corda na madeira da cadeira.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora, Iris, Clara, Gina e o Alberto sentados, tomando café. Todos eles cansados e preocupados.

Eleonora  – Nós precisamos fazer alguma coisa.

Iris      – Fazer o que, Eleo?

Gina      – Não há nada a ser feito, Eleonora.

Alberto   – Nós precisamos é confiar na polícia porque eles vão fazer o trabalho deles.

Eleonora  – Cala a boca.

Clara     – Eleonora!

Eleonora  – Se eu tenho que aturar a presença desse traíra e da Gina, que ele não dirija a fala dele pra mim.

Todos continuam a comer, em silêncio.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Tadeu vindo de um lado e Nádia, de outro. Eles se aproximam.

Tadeu     – O que tá acontecendo?

Nádia     – Pra começar, o Mário morreu. Meu irmão e minha mãe não estão nada bem.

Tadeu     – Eu sinto muito.

Nádia     – Obrigada. (pausa) E o negócio das pedras? Não voltou pra cá.

Tadeu     – Resumindo: eu fiquei amigo do Lauro, ele votou em mim e a Amparo também. Isso significa que eu posso cuidar das pedras, mas não a Pérola e o Robson.

Nádia     – Parabéns.

Tadeu     – Obrigado. Mal posso esperar para começar os trabalhos. (pausa) ah, pelo visto a Pérola vai embora.

Nádia     – É? Uma pena. Ela e o Lauro pareciam ser felizes.

Tadeu     – Nem tanto assim.

Tadeu ri e sai. Nádia segue o seu caminho.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago preparando alguma comida. Nádia entra e se aproxima.

Nádia     – Bom dia. Eu acredito que cê já saiba o que aconteceu ontem nesta casa e acredito que seja melhor para todos, se cada um comer em seu quarto.

Thiago    – É claro. Eu levo a bandeja pra vocês.

Nádia     – Obrigada.

Ela sai e ele continua.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro em pé, esperando. Pérola desce as escadas segurando malas e se aproxima.

Pérola    – Ei!

Lauro     – Ei… então… é isso? Você vai embora e tudo acaba?

Pérola    – É isso. Eu vou embora e tudo acaba, Lauro.

Lauro     – Adeus.

Pérola    – Adeus.

Ela sai sem olhar pra trás. Ele, também não a olha saindo, entra na cozinha.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Lauro entra na cozinha e se aproxima da Amparo que está comendo uma maçã.

Amparo    – O café está pronto.

Lauro     – Não quero tomar café não, obrigado. (pausa) A Pérola foi embora.

Amparo    – Amém, senhor.

Lauro     – Ela não era perfeita, Amparo, mas eu gostava dela.

Amparo    – Mas as vezes gostar não é o suficiente, precisa de mais. E você não tem esse mais com ela. (pausa) Mas tem com a Nádia.

Lauro     – Ela é a minha irmã, Amparo. Não posso namorar a minha irmã.

Amparo    – Eu sei, não estou dizendo para fazer isso. Só estou dizendo.

Lauro     – É melhor parar de dizer.

Amparo    – Não está mais aqui quem falou então. (pausa) Tá sabendo?

Lauro     – Do que?

Amparo    – Não sei de nada então nem adianta vir com perguntas: mas pelo que o Thiago falou o Mário morreu.

Lauro     – É o que? E o Marcos?

Amparo    – Não sei, ninguém sabe. Sumiu! (pausa) Será que/

Lauro     – Nem pense nisso. O Marcos não matou o meu pai, Amparo. Ele não faria isso. Foi o Mário!

Amparo    – Novamente: não está mais aqui quem falou.

Lauro dá um beijo na testa da Amparo e sai.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Agatha em pé, esperando. Pérola se aproxima segurando as malas.

Agatha    – Chamou?

Pérola    – Chamei sim. É só pra avisar que eu estou saindo da cidade, então podem fechar o caso das pedras.

Agatha    – Aín o caso… tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que nem tive tempo de te contar.

Pérola    – O que?

Agatha    – As pedras foram roubadas pelo Mário, e os filhos dele esconderam as pedras. (pausa) Eles vão me entregar as pedras e elas vão ser devolvidas ao Lauro.

Pérola    – Isso seria uma ótima notícia, mas eu não posso mais cuidar dos kimberlito. Eles pertencem ao geólogo formado, Tadeu, e eu não sou formada.

Agatha    – Oh. Eu sinto muito.

Pérola    – Tudo bem, estou indo embora dessa cidade mesmo. Não me importo. (pausa) Obrigada por tudo.

Pérola sai. Agatha também segue o seu rumo.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Pérola se aproxima do Robson que estava a esperando.

Robson    – Não vá.

Pérola    – Eu preciso ir. Não posso deixar de ir, eu sinto muito.

Robson    – Tá, fazer o que né? Oh, cê vai, mas você vai falar comigo todo santo dia. Promete?

Pérola    – Prometo. Eu nunca vou te esquecer, nunca vou deixar de falar contigo.

Robson    – Espero mesmo.

Pérola    – Ah, faz um favor pra mim? Fica de olho no Tadeu, se infiltra ali, investiga as pedras com ele. Dá um jeito.

Robson    – É claro.

Pérola    – Obrigada por tudo.

Eles se abraçam, emocionados.

Pérola    – Não quero e não vou chorar. Chega disso!

Robson    – Até qualquer dia?

Pérola    – Até qualquer dia.

Eles sorriem e Pérola começa a caminhar em direção ao horizonte.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está deitado na cama, olhos inchados. Uma bandeja com comida ao lado dele. Nádia em pé o encarando.

Nádia     – Omar! Me escuta! Cê precisa comer alguma coisa.

Ele não responde.

Nádia     – E para de me ignorar. (se irrita) Ah! Omar! (pausa) Tá certo, já que eu não posso, alguém pode e vai te fazer comer e falar.

Ela pega o celular e faz uma ligação.

Nádia     – Clara? O Omar precisa de você. Onde está?

Ela continua falando em off.

 

CENA 11. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu, com dor, a encarar o Marcos.

Perseu    – Qual é a merda do seu problema?

Marcos    – Esse soco foi por ter sido obrigado a viver afastado do César e do Lauro.

E dá outro murro. A boca de Perseu começa a sangrar.

Marcos    – E esse foi pela loucura que fez com o Mário.

E outro murro. Além da boca, o nariz também sangra, mas ele não se abala.

Marcos    – Por causa da loucura que fez com o Mário, ele matou o César.

Ia dar mais um, mas Perseu segura a mão dele. Ele tenta dá com a outra mão, mas Perseu segura esta também. Eles se encaram.

Perseu    – Chega!

Marcos    – Me solta que eu ainda não acabei… filho da puta! Cê acabou com a minha vida!

Perseu    – Chega! Chega! (grita) Chegaaaaa! Eu não aguento mais escutar a sua voz. Não aguento mais… viado! Viadinho de merda! Eu não aguento mais!

Marcos    – (ri) Isso! Isso mesmo! Chega de cinismo, de sacarmos. Revela quem é cê de verdade, papaizinho. Me xinga! Me julga! Me maltrata! Faz que nem você fez da primeira vez.

Perseu    – (berra) Cala a bocaaaaaaaaaaaaaa! (grita) Eu não aguento mais essa voz de viado. Imundo! Nojento!

E já começa a batê-lo. Perseu bate, empurra, esmurra o Marcos, que se machuca todo, bate a cabeça na parede. Perseu continua a xingar

Perseu    – (odioso, grita) Viadinho! Eu tenho nojo de você! Eu sempre tive nojo de você. (berra) Imundo! Você é um imundo, um merda, um nada. Eu… eu… eu te odeio!

Perseu acaba. Marcos está estirado no chão, todo machucado, desacordado. Perseu se ajeita, cospe o sangue que sai da sua boca no chão e sai.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana sentada em frente ao Leonel. Agatha chega e senta ao lado dele.

Suzana    – Precisam da minha ajuda?

Leonel    – Precisamos que ligue pra Célia e fale com ela.

Agatha    – Convença a se entregar e a liberar as meninas.

Leonel    – Nós vamos tentar rastrear a ligação.

Leonel mexe no computador. Suzana pega o celular e faz uma ligação.

Suzana    – Célia?

Diálogo continua na cena seguinte.

 

CENA 13. FRENTE À CASA ABANDONADA/EXTERIOR/DIA:

Célia sai da casa e atende a chamada.

Célia     – O que você quer?

Suzana    – (off) Eu não me importo com essas duas aí, mas eu preciso de ti. Sai daí e se entrega.

Célia     – Não. Não posso fazer isso, Suzana. É a minha vida, o meu futuro em risco.

Suzana    – (off) Se continuar aí com elas, o seu futuro e a sua vida vão estar em riscos. Você precisa me escutar/

Célia     – (corta) Não! Não preciso de nada, Suzana. Eu preciso é desligar essa ligação.

Suzana    – (off) Espera/

Célia desliga e joga o celular no chão, pisando em cima dele.

 

CENA 14. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Nilda tentando se soltar. Divina olha e começa a tentar também.

Divina    – Isso dá certo?

Nilda     – Espero que sim, nós precisamos sair daqui.

Divina    – Nilda… desculpa.

Nilda     – Não é hora pra isso, Divina. Numa outra hora nós falamos sobre isso. Agora, foca nisso.

Divina o faz. Mas elas são interrompidas quando Célia entra e fica as encarando.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana desliga e encara a Agatha e o Leonel.

Suzana    – Conseguiu?

Leonel    – Não. Foi muito rápido.

Agatha    – Droga!

Eles se olham, frustrados.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está na mesma situação que na cena 10. Clara entra e senta ao seu lado.

Clara     – Omar. Porque cê não me ligou, criatura?

Omar      – O meu pai… ele morreu? O meu pai morreu, Clara.

Clara     – Ele morreu, amor. Ele estava numa perseguição policial e morreu.

Omar      – Porque eu estou assim? Ele matou duas pessoas, ele fez tanto mal a minha mãe e eu estou assim? Porque?

Clara     – Porque assim disso tudo, ele era o seu pai. E o fato dele ser um filho da mãe, não muda isso, nunca vai mudar.

Omar      – Eu o amava… eu amava um assassino?

Clara     – Não, não pensa assim. Você amava o seu pai.

Omar      – Eu… eu… eu não sei mais. Nada faz mais sentido.

Clara     – Eu posso imaginar pelo que está passando, mas agora, você precisa pensar em si e precisa comer.

Omar      – Comer? Tá, eu vou comer.

Clara     – Então come.

Ela pega a bandeja e entrega a ele. Ele começa a beber o suco, a comer.

Omar      – Onde cê estava?

Clara     – No bordel. Aconteceu uma coisa com a Nilda, mas não vamos falar disso agora.

Ela dá um beijo na bochecha dele. E ele continua a comer. CÂM mostra a Nilda na porta do quarto, os olhando, ela sorri.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Quarto todo bagunçado, coisas quebradas e jogadas no chão. Zélia está deitada na cama e Thiago sentado ao lado dela. Ela, comendo.

Thiago    – Eu vou lhe fazer algumas perguntas e preciso que seja honesta comigo, ok?

Zélia     – Ok.

Thiago    – Você está bem, Zélia?

Zélia     – (pensa, demora) Não… eu não estou bem.

Thiago    – Você precisa de ajuda?

Zélia     – (pensa, demora) Sim… eu preciso de ajuda.

Thiago    – Psicológica?

Zélia     – Eu acho que sim. (pausa) Não está sendo fácil, Thiago.

Thiago    – Não, não está. E eu e os seus filhos vamos fazer de tudo para lhe ajudar.

Nádia os olhando. Thiago a vê, levanta e se aproxima.

Thiago    – Escutou?

Nádia     – Escutei. Eu vou ligar pra algum psicólogo.

Thiago    – A Zélia precisa de ajuda, ela não está bem.

Nádia     – Eu sei, nunca pensei que fosse dizer isso, mas sinto falta da antiga Zélia.

Thiago    – Todos nós sentimos.

Ele sai do quarto. Nádia fica olhando a mãe por um tempo e logo depois, sai também.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia entra no quarto e deita na cama, exausta. Tadeu entra e se aproxima.

Tadeu     – Ei.

Nádia     – O que está acontecendo nessa cidade, Tadeu? Meu pai morre, Nilda e Divina correndo perigo, o Mário morre e agora… minha mãe e o meu irmão na merda.

Tadeu     – As coisas vão se endireitar, Nádia. É como uma tempestade, uma frente fria, vai e depois tudo fica às claras.

Nádia     – Espero porque não estou aguentando mais.

Tadeu     – Cê ficou o dia todo cuidando da Zélia e do Omar, mas e você?

Nádia     – Eu estou bem, é sério.

Tadeu     – O Mário não era o seu pai, mas ele te criou. Você chorou?

Nádia     – Não, eles precisavam de mim. Não podia chorar.

Tadeu     – Pelo que parece, eles não precisam mais de você… chora.

Nádia     – Não/

Tadeu     – Chora… Nádia, chora.

Ele deita ao lado dela. Nádia encosta a cabeça no ombro dele e desata a chorar.

 

 

CENA 19. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Amparo, Leila e Thiago sentados no sofá. Eles conversam.

Amparo    – Preciso que vocês passem a informação porque eu não sei de nada.

Leila     – E você acha que a gente sabe, criatura? (pausa) Eu só sei que a Célia deu a louca e sequestrou a Divina e a Nilda.

Thiago    – E eu só sei que o Mário morreu, e que o Marcos sumiu.

Leila     – O que tá acontecendo? A gente é sempre o primeiro a saber das coisas e agora nada?

Amparo    – Sabe o que é isso? A cidade está agitada demais e tá todo mundo confuso.

Thiago    – Eu só sei que quero que essa agitação acabe. (pausa) Sério, pior não pode ficar.

É nesse momento que a campainha toca. Leila levanta e abre a porta: é a Wanda.

Wanda     – Filha… cheguei!

Elas se encaram. Thiago e Amparo se olham.

 

CENA 20. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina roçando as cordas na madeira. Célia entra e se aproxima, segurando uma arma.

Célia     – Eu sinto informar, mas está na hora de vocês irem… morrer!

É nessa hora que a Nilda salta da cadeira em cima da Célia. Ela começam a lutar pela arma e de repente, ela dispara no meio delas.

 

CENA 21. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Marcos está estirado no chão, todo machucado. Ele começa a despertar. Perseu entra e o encara, altivo.

Perseu    – Acordou? Ótimo porque a minha vingança está só começando.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r