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Linha de Sangue – Capítulo 18

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

 

 

LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 18

CENA 01. MANSÃO CAMPOS MELO. COZINHA. INTERIOR. NOITE:

Maria está sentada comendo um bolo de chocolate. Marilda entra na cozinha e grita, a criada se assusta.

MARILDA – O que você está fazendo aqui?

MARIA – Comendo! E o que você está fazendo aqui?

Marilda pega uma faca e se aproxima da Maria que ergue as mãos.

MARIA – Tudo isso por causa de um bolo?! Eu faço outro colega.

MARILDA – (alterada) Não se faça de burra! Você sabe muito bem o que está acontecendo! (pausa) Aquele documento!

MARIA – (abaixa as mãos; volta ao bolo) Eu não sei do que você está falando, mas eu tenho uma certeza: enlouqueceu de vez!

MARILDA – O pen-drive anta! (pausa; abaixa a faca) Se não foi você, foi o… O Victor!

Marilda abaixa a faca e começa a derrubar as coisas da bancada (colher, garfo e prato) no chão. Maria protege o bolo.

MARIA – Para com esse clichê de novela… Sente-se e me conte tudo sobre esse Victor e sobre esse documento.

MARILDA – (senta) Eu já fui casada com um homem e esse homem teve que ir embora… E o Victor me ajudou no processo.

MARIA – Entendi… Você o matou…

MARILDA – (corta) Isso. O Victor era xerife, apaixonado por mim e fez tudo pra me ajudar. Mas eu o chutei e ele se voltou contra mim… Ele jura que eu matei a Elvira e conseguiu gravar uma conversa que parece uma confissão, mas eu juro que não a matei… Ele tinha essa gravação, mas eu consegui pegá-la e ainda me vinguei dele, eu matei a mulher dele! (pausa) E pelo documento que recebi parece que ele tem novas provas contra mim e…

MARIA – Eu já entendi tudo, Marilda. E eu vou te ajudar! (pausa) Você é uma vadia, me ameaçou, mas eu gosto de você.

Marilda sorri e abraça a Maria. Maria a afasta e volta a comer o bolo.

CENA 02. BOATE SEXUS. ESCRITÓRIO. INTERIOR. NOITE:

Andréia entra no escritório e se senta. Gael levanta e a aplaude.

GAEL – Você foi ótima!

ANDRÉIA – Foi horrível Gael! (pausa) Aqueles homens me tocando, me beijando e enfiando em mim… Horrível!

GAEL – Eu sei querida… A primeira noite sempre é a pior, mas me diga quanto você ganhou?

ANDRÉIA – O suficiente para a primeira diária do advogado. (ela levanta; pega dinheiro e dá pro Gael) Os seus dois por cento.

GAEL  – (pega o dinheiro) Obrigado querida e tenho uma boa noite.

Andréia manda um beijo e sai. Gael conta o dinheiro e guarda no cofre.

CENA 03. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 04. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. DIA:

Dalva e Imaculada estão vendo televisão e costurando um vestido. Ivan entra bêbado e se aproxima delas.

DALVA – Eu não creio nisso!

IVAN – (bêbado) Eu preciso confessar uma coisa pra você, meu amor… Eu joguei! Eu joguei porque eu gosto e eu estou cansado de você me controlar.

DALVA – Eu é que cansei! E saiba que se te controlei durante esses anos foi porque eu te amo… Se eu te impedia de sair a noite foi porque eu sabia que esse homem ainda estava dentro de você e me desculpe, mas eu não me casei com esse homem e eu não quero ver esse homem destruir o homem que eu amo!

IVAN – (bêbado) E o que você vai fazer?

DALVA – (começa a chorar) Se você não parar, eu vou ter que te trancar em casa e saiba que eu não quero fazer isso.

IVAN – (bêbado) Eu não vou parar!

DALVA – (limpa as lágrimas) Ok… Eu tentei e você, Ima, está de prova.

Dalva volta a chorar. Ela pega o Ivan pelo braço e o leva para as escadas, ela sobe com ele. CAM permanece em Imaculada, em choque.

IVAN – (off) Você não é louca! Você não pode fazer isso!

DALVA – (off) Eu posso não ter tido filhos, mas minha mãe me ensinou a criá-los e se você quer agir como uma criança então não me resta opção.

IVAN – (off) Você está louca! Eu vou fugir e você sabe disso… Eu vou fugir Dalva!

Dalva surge no topo da escada e a desce. Ela se aproxima da Imaculada e abraça forte, e chora e soluça.

CENA 05. PLANOS DE HOLAMBRA. EXTERIOR. DIA:

TAKE 01/ Juliano e Leandro andando pelas ruas de Holambra

TAKE 02/ Leandro fotografando umas flores. Juliano ao seu lado

TAKE 03/ Eles se divertem e conversam com umas modelos

CENA 06. MANSÃO CAMPOS MELO. SALA DE JANTAR. INTERIOR. DIA:

Marilda entra na sala toda descabelada e com olheiras. Ela senta frente a filha que a encara. Maria á parte.

LAURA- Bom dia mãe.

MARILDA – Bom dia querida.

LAURA – Pelo visto você não dormiu.

MARILDA – Eu tentei, mas…

MARIA – (corta) Sua mãe passou a noite acordada conversando comigo e eu já pedi desculpas por isso.

Laura dá de ombros e toma um gole do suco. Marilda sorri pra Maria que pisca.

CENA 07. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE PINHEIRO. INTERIOR. DIA:

Zeca sai do banheiro enrolado na toalha. Batem na porta. Ele abre e Lúcia entrega a ele um envelope.

ZECA – Obrigado. Você sabe do que houve?

LÚCIA – Eu ouvi os gritos… Eu não sei se sinto pena da Dalva ou do Ivan.

ZECA – Não sinta pena… Pena é um sentimento horrível.

Lúcia encara o Zeca, sem graça. Um telefone toca. Eles se olham.

LÚCIA – Acho que é o meu… Até mais.

Ela sai correndo e entra no quarto. Zeca abre o envelope e lê o documento.

ZECA – Filha da puta!

TALES – (distante) O que houve?

ZECA – A Andréia prometeu e fez… Ela quer a guarda do Zequinha.

Zeca fecha a porta na cara do Tales, bravo. Ele bufa e sai.

CENA 08. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE DA LÚCIA. INTERIOR. DIA:

Lúcia entra no quarto e fecha a porta. Ela pega o celular e atende.

LÚCIA – Fala.

LAURA – (off) A Marilda está tramando algo e acho que a Maria está defendendo ela.

LÚCIA – Estranho está defendendo depois de tudo.

LAURA – (off) Exatamente o que pensei. Fale com o Tales e veja o que descubra. Tenho que ir pra Mujer. Beijos.

Lúcia desliga e abre a porta.

LÚCIA – (grita) Tales!

IMACULADA – (off) Foi pro trabalho, acabou de sair.

LÚCIA – Quando ele chegar diz que eu quero falar com ele urgentemente. Obrigada Ima.

Lúcia fecha a porta e se deita na cama.

CENA 09. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA-NOITE:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 10. MANSÃO MEDEIROS. SALA DE JANTAR. INTERIOR. NOITE:

Helena está sentada na mesa sendo servida pela empregada. Ela está mexendo no celular olhando as fotos de Leandro com o Juliano.

HELENA – Eu quero sua opinião sincera… Você acha que eles podem está tendo um caso?

EMPREGADA – Sinceramente? É bem provável que sim. Mas a senhora se preocupa? Você sabia da opção do Leandro.

HELENA – Não é uma opção, mas sim, eu sabia da orientação dele quando me casei. Mas o problema não é o Leandro, quero dizer, o problema é que talvez esteja gostando do Juliano.

EMPREGADA – (baixo) Ai meu santo Deus! Eu ainda me pergunto o que faço aqui… Eu não tenho culhões pra isso!

HELENA- Eu ouvi isso.

EMPREGADA – Desculpe senhora.

A empregada termina e se retira. Helena encara a foto.

CENA 11. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Imaculada sai da cozinha segurando um copo de chá, ela senta no sofá e vê televisão. Tales entra e ela o chama.

IMACULADA – Antes que capote naquela cama, a Laura mandou dizer que quer te ver.

TALES – O que ela quer?

IMACULADA – Não faço ideia.

Tales bufa e sobe a escada.

CENA 12. MANSÃO CAMPOS MELO. SUÍTE DA MARILDA. INTERIOR. NOITE:

Marilda entra no quarto e se joga na cama. O seu celular toca e ela atende.

MARILDA – Alô.

VICTOR – Alô Marilda… Quanto tempo faz, querida?

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

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Linha de Sangue – Capítulo 17

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

 

 

LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 17

CENA 01. PENSÃO DA DALVA. CORREDOR. INTERIOR. NOITE:

Zeca caminha pelo corredor e para em frente ao quarto da Lúcia. Ele bate na porta e ela atende. Eles sorriem.

ZECA – Eu só passei pra dá boa noite.

LÚCIA – Boa noite.

ZECA – Na verdade não foi só isso. Eu passei pra perguntar uma coisa: você poderia dá outra chance pra nós?

LÚCIA – (confusa) Não sei se estou preparada para ter um nós.

ZECA – Eu só quero tentar mais uma vez e se não der certo, eu desisto. Por favor.

LÚCIA – Com uma condição: eu prefiro que ninguém saiba por enquanto e se der certo, aí eles poderão saber.

Zeca concorda e a beija. Lúcia interrompe o beijo e entra no quarto. Ele sorri e sai correndo.

CENA 02. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Dalva está sentada no sofá, roendo as unhas. Ivan chega e se aproxima dela. Ele se senta no sofá e encosta sua cabeça no ombro dela.

DALVA – Onde é que você esteve?

IVAN – (bêbado) No bar com uns amigos.

DALVA – Você está bêbado?! (pausa) Eu vou te fazer uma única pergunta e se você mentir… Acaba aqui o nosso relacionamento. Você voltou a jogar?

IVAN – (bêbado) Não… Não sempre. Só ontem e hoje. Eu juro!

DALVA – Você jogou a nossa aliança?

IVAN – (bêbado) Eu estava precisando pagar o Carlos e eu não tinha dinheiro.

DALVA – E esse dinheiro? (amostra a nota de cem)

IVAN – (bêbado) Isso foi outra jogada, Dalva.

DALVA – Então foi mais que duas jogadinhas. Eu vou pro meu quarto e você vai dormir aqui no sofá. E se eu souber que você voltou a jogar… É rua!

Dalva levanta e Ivan deita no sofá, bravo.

CENA 03. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 04. MANSÃO MEDEIROS. SALA DE JANTAR. INTERIOR. DIA:

Helena e Juliano descem a escada e se encontram com o Leandro sentado à mesa e sendo servido pela empregada que sai em seguida.

LEANDRO – Bom dia. Está melhor, Helena?

HELENA – Eu estou indo. (senta-se)

JULIANO – (senta-se) Eu prometo melhorar esse astral. Compras hoje, vamos voltar com o cartão estourado

HELENA – Eu sei que compras não vão me ajudar muito, mas vão me animar sim. Obrigada Juh.

LEANDRO – Eu tive que dormir no quarto de hospedes porque os novos amiguinhos dormiram agarradinhos.

JULIANO – Me desculpem, mas eu não resisti a aquele colchão maravilhoso. Desculpe mesmo, Leandro.

Leandro pisca pro Juliano que sorri. Helena pega na mão dos dois e sorri.

CENA 05. MANSÃO MEDEIROS. COZINHA. INTERIOR. DIA:

As duas empregadas espiam pela fresta da fechadura e depois se encaram.

EMPREGADA1 – O casal estranho acaba de adicionar mais um homem na relação. Essa família é horrível!

EMPREGADA2 – Eu sinto pena é da Helena que não consegue ver que o senhor Leandro só quer uma coisa do Juliano: o pa/

EMPREGADA1 – Stop! Não ouve dizer uma coisa dessas.

Elas riem e voltam ao trabalho.

CENA 06. MANSÃO CAMPOS MELO. SUÍTE DA MARILDA. INTERIOR. DIA:

Marilda caminha pelo quarto de roupão. Ela pega uma roupa e taca sobre a cama, e depois outra. Ela caminha até a porta, mas não abre.

MARILDA – (grita) Mariaaaaa!!

Ela abre a porta e Maria entra segurando uma caixa.

MARILDA – Que rápido. Eu gosto assim quando a criadagem mostra serviço.

MARIA – E quem disse que eu sou sua criada? Eu sou sua amiga que recebe salário para limpar o seu chão e nem isso eu faço.

MARILDA – Percebe-se. Eu preciso da ajuda: qual roupa? O terninho básico ou o vestido florido.

MARIA – Nem um dos dois! Vá com aquele azul que roubou a Lúcia.

MARILDA – Pelo menos pra isso você presta.

MARIA – Antes de ir, uma coisa: chegou essa caixa pra você.

MARILDA – Deixa na cama que quando chegar eu vejo. Agora sai que eu vou ficar nua e eu não quero mulheres olhando o meu lindo corpo.

MARIA – Não sei aonde uma coisa cheia de veia, pelanca e flácida é bonito, mas a gosto pra tudo. Bom trabalho, querida patroa.

Maria sai batendo porta. Marilda abre um sorriso amarelo e tira o roupão, ficando nua. Ela caminha até o closet e pega o vestido azul.

CENA 07. MANSÃO CAMPOS MELO. JARDIM. EXTERIOR. DIA:

Tales está lavando o carro sem camisa. Laura se aproxima dela e toca em seu ombro. Ele se vira e a encara.

LAURA – Você, de todos os empregados, quase não fala comigo. Eu fui grossa contigo de alguma forma?

TALES – Não senhorita.

LAURA – Então porque não fala comigo?

TALES – Eu não tenho assuntos a tratar contigo.

Laura sorri e desliga a torneira. Ele a encara.

LAURA – Está gastando água demais.

TALES – Desculpe senhorita.

LAURA – Eu sei de tudo Tales. Eu sei da Laura, eu sei da mamãe e eu sei da chantagem.

TALES – Eu não sei do que está falando senhorita.

LAURA – Eu sou a Laura idiota! E eu quero ajudar tanto a você quanto a Maria, e ainda mais a minha irmã.

TALES – Então quem está lá é a Lúcia? Vocês são loucas! A bruxa não é boa, é má. Ela vai nos matar!

LAURA – Eu não me importo. Eu entrei na brincadeira para brincar e eu vou brincar!

Laura volta a ligar a torneira e sai. Tales bufa e retorna a lavagem.

CENA 08. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. DIA:

Imaculada desce a escada e se aproxima da Lúcia. Ela senta ao lado dela no sofá.

IMACULADA – Como está indo?

LÚCIA – Péssimo! Eu não consigo falar com ela e estou presa numa pensão quando na verdade eu deveria ficar numa mansão.

IMACULADA – Não seja esse tipo de pessoa porque você não é esse tipo de pessoa.

LÚCIA – Mil desculpas. O problema não é a pensão e nem o bairro, mas as pessoas. Eles esperam que eu seja a esperta e sagaz quando na verdade eu sou a rica e ingênua.

IMACULADA – Uma palavra: interprete!

Imaculada pisca pra ela e sai. Lúcia volta a ver TV.

CENA 09. SHOPPING. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

I Gotta Feeling – The Black Eyed Peas

TAKE 01/Juliano e Helena andam pelo corredor e passam frente a uma loja. Eles entram.

TAKE 02/Juliano e Helena saem da loja com algumas bolsas.

TAKE 03/Juliano e Helena com mais bolsas andam pelos corredores.

CENA 10. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA-NOITE: Sonoplastia continua.

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 11. BOATE SEXUS. CAMARIM. INTERIOR. NOITE:

Sonoplastia continua.

Andréia aflita anda em voltas. Ela esbarra em outras garotas. Gael entra e se aproxima dela. Ela o abraça.

ANDRÉIA – Eu desisti. Eu não vou entrar lá. Eu não vou fazer isso. Eu não vou!

GAEL – Não pira querida! Você vai entrar lá e vai pôr essa bunda pra rebolar.

ANDRÉIA – Será que eles vão gostar?

GAEL – Olha pra si mesmo. Olha pra sua bunda, pro seu peito e seu rosto lindo. Você é maravilhosa!

Ela sorri e sai do camarim. Ele bate na bunda de uma garota que passa por ali e sai.

CENA 12. BOATE SEXUS. SALÃO. INTERIOR. NOITE:

Sonoplastia continua.

Andréia sobe no palco e começa a dançar ao som da música. Gael sorri e um homem se aproxima dele. Música fade//

HOMEM – Gostosa hein. Eu posso ir ou…

GAEL – (corta) Ela é toda sua!

O homem se aproxima da Andréia e fala com ela. Ela dá a mão pra ele e ele a beija. Ela sai do palco e eles entram num corredor. Gael sorri e sai.

CENA 13. HELIPONTO. INTERIOR. NOITE:

Juliano, Leandro e Helena saem de um carro. Os dois se despedem da Helena e entram no helicóptero que os espera. Ela se despede e entra no carro que sai cantando pneu.

CENA 14. MANSÃO CAMPOS MELO. SUÍTE DA MARILDA. INTERIOR. NOITE:

Marilda entra no carro e retira os sapatos dos pés. Ela se senta na cama e olha a caixa (cena 06). Ela abre e encontra um pen-drive. Marilda pega o notebook e o liga.

MARILDA – Eu amoooo surpresas!

Ela pluga o pen-drive e abre uma pasta com um documento. Ela clica no documento e ele o abre.

MARILDA – (lê) A palavra vadia tem várias definições, mas a mais famosa tem nome e sobrenome: Marilda Campos Melo. E se prepare que ainda não desisti. I’m back!

Ela fecha o notebook e retira o pen-drive. Marilda quebra o objeto em ao meio e o taca na parede. Ela berra.

MARILDA – (grita) Filho da putaaaaaaa!!!

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

Linha de Sangue – Capítulo 16

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

 

 

LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 16

CENA 01. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. DIA:

Imaculada, Dalva, Ivan, Zeca e Zequinha comem vendo tv. Maria e Tales à parte. Batem na porta. Zequinha vai atender segurando o prato de comida. É a Lúcia.

ZEQUINHA – Laura?!

LÚCIA – Eu estou de volta.

ZEQUINHA – Eu sabia que você estava viva. Eu sabia!

Dalva levanta e se aproxima do Zequinha.

DALVA – Entra e nos explica bem toda essa história. A gente ficou muito preocupado com o seu sumiço. Não encontramos o corpo e…

LÚCIA – Eu soube da história, dona Dalva.

Dalva e Zequinha se afastam. Lúcia entra e os três se sentam. Ivan dá um abraço da Lúcia e um beijo da Dalva. E sai.

DALVA – Eu já mandei você parar de me chamar de dona. E conte logo essa história porque estamos morrendo de curiosidade.

LÚCIA – Eu estava no Parque com o Zeca e ele foi comprar água. Um homem apareceu ao meu lado com um arma e disse para eu ir andando. Eu fui. Ele ia me… (pausa), mas ele ouviu um grito e foi embora.

ZECA – Eu andei tudo, Laura. E eu não encontrei sinal nenhum de homem ou sua. O que aconteceu?

LÚCIA – Eu sai andando, não conhecia o Parque. Fiquei confusa. Eu pedi ajuda pra um senhor e ele me levou pro lado de fora, e nenhum táxi parava. Eu fui andando, andando até achar um hotel e acabei ficando por lá.

DALVA – E porque você não pegou um táxi e voltou? Nós morremos de preocupação! Fizemos até um enterro.

LÚCIA – Eu sei, eu sei. E eu peço desculpas, mas eu fiquei tão envergonhada e… Mil desculpas, mas eu não sabia como agir e eu só tomei coragem de vir porque eu soube do enterro.

ZECA – Você está perdoada, mas só não faça isso direito. Agora temos um monte de papelada pra dizer que você não está morta.

LÚCIA – Desculpa mesmo, gente.

Dalva, Zeca e Zequinha levantam e a abraçam. Maria e Tales se entreolham à parte. Imaculada encara a Lúcia.

CENA 02. BAR. INTERIOR. DIA:

Ivan entra no bar e se senta em frente a um homem de estatura mediana, branco e com cabelos grandes.

IVAN – O que você quer, Carlos?

CARLOS – Você está devendo, meu amigo. E disse pra nós que iria conseguir o dinheiro. Cadê?

IVAN – Eu ainda não tive tempo de vender, quer dizer, eu ia vender ontem. Mas, o cara desmarcou.

CARLOS – Vender o que, Ivan?

IVAN – Uma aliança de ouro, a aliança da minha mulher. Eu vou vender ainda hoje e te dou o dinheiro.

CARLOS – Porra nenhuma! Eu quero a aliança e eu vou vendê-la. Ah e dê um beijo na sua mulher, coitada dela… Ela não te merece!

Ivan entrega a aliança e sai. Carlos pega e a encara, rindo.

CENA 03. SEDE DA MUJER. SALA DA MARILDA. INTERIOR. DIA:

Laura e Marilda estão sentadas lado a lado. Marilda segura um livro de fotografia e as mostras pra Laura.

MARILDA – Sua festa vai ser maravilhosa, filha. São 19 anos, uma idade super especial! Pensei em cavalos, o que acha?

LAURA – Eu não quero cavalos, penas de faisão e nem nada disso. Eu nem quero comemorar nesse dia.

MARILDA – Como assim, Lúcia? Esse é o seu aniversário!

LAURA – Esse é o aniversário que a Elvira criou. Eu nasci antes e quero comemorar no dia certo, mãe.

MARILDA – O seu pedido é uma ordem, filha. Eu vou ver as coisas com a minha secretária e depois lhe falo. Agora eu preciso lhe dá com duas coisas: a demissão da Helena e a viagem pra Holambra.

LAURA – Pensa bem nisso da Helena. Nós não precisamos de um processo agora, mãe. Não acho certo demiti-la.

MARILDA – Corrigindo: não vou demitir, eu vou afastá-la por invalidez. Eu não quero uma mulher careca e doente numa revista que fala sobre moda, beleza e saúde.

LAURA – Existem modelos carecas, mãe.

MARILDA – Mas elas não estão morrendo.

Laura levanta e Gael entra na sala. Eles se entreolham. Gael entrega um cartaz pra Marilda e ela sorri.

GAEL – Está ai o cronograma pra Holambra. Você está diferente, Lúcia. Mas iluminada, eu acho.

Ela sorri e sai. Gael vai atrás.

CENA 04. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE DO TALES. INTERIOR. DIA:

Maria e Tales entram no quarto. A primeira senta na cama e encara o Tales. Ele senta ao seu lado.

MARIA – Que merda você fez? Ela deveria ter sumido, Tales. A Marilda vai te destruir, vai pôr você na cadeia.

TALES – Se eu for, ela também vai. Não se esqueça que nós temos provas contra ela, nós não destruímos aquela gravação.

MARIA – E nem ela, a filmagem. O importante agora é ter certeza que a Laura não vai ir atrás da Marilda de novo.

Tales concorda e deita na cama. Maria idem.

CENA 05. BOATE SEXUS. SALÃO. INTERIOR. DIA:

Andréia está sentada no palco ao lado de uma stripper. Zeca entra e caminha até ela. A garota sai e ele senta ao seu lado.

ZECA – É trabalhando aqui que você pretende conseguir respeito?

ANDRÉIA – Eu não faço programa, Zeca. Eu trabalho na contabilidade.

ZECA – Eu vim aqui para lhe avisar pra ficar longe do meu filho. Ou eu vou entrar com um processo.

ANDRÉIA – Que ótimo você dizer a palavra processo, porque é essa a minha ideia. Eu tenho direitos Zé! Ele é o meu filho!

ZECA – (ri) Depois de 10 anos sumida você quer pagar de mãe. Enquanto você estava no bem-bom com o espanhol, não liga pra sua mãe e nem pro seu filho.

ANDRÉIA – Eu errei e sei disso. Eu só quero recomeçar, por favor. Deixa eu ver o meu filho.

ZECA – Não.

ANDRÉIA – Ótimo, eu vou entrar com o processo de guarda.

ZECA – Que bom. Boa sorte, Andréia.

CENA 06. SEDE DA MUJER. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Helena sai do elevador e caminha até a secretária da Marilda. Nesse momento, Marilda sai da sala.

MARILDA – Eu vou ser breve, Helena: decidi afastar você por invalidez.

HELENA – Por favor, não faz isso. Eu quero tanto continuar trabalhando.

MARILDA – Eu sinto muito, Heleninha. Mas eu não quero que você fique desmaiando pelos corredores da minha revista.

HELENA – Eu não tenho tido desmaios, Marilda. Por favor, não me afaste. Eu preciso me manter ocupada.

MARILDA – Eu sinto muito, fofa. Mas eu preciso me precaver e isso é pro seu bem também. Por favor, pegue suas coisas e se retire.

HELENA – Por favor…

MARILDA – (corta) Nem comece a chorar! Ódio dessas pessoas que começam a chorar por nada. E quer se manter ocupada? Escreva um livro autobiográfico. É ótimo pra pessoas prestes a morrer e está na moda.

Ela manda um beijo e entra na sala de novo. Helena começa a chorar e sai correndo. A secretária vai atrás.

CENA 07. SEDE DA MUJER. PÁTIO. INTERIOR. DIA:

Helena sai do elevador e caminha até o Leandro que conversava com o Juliano. Ela chora.

LEANDRO – Nós precisamos conversar sobre Holambra e (pausa) O que aconteceu, Helena? Você está péssima.

HELENA – (chorosa) Ela me afastou! Ela disse que eu iria desmaiar nos corredores. Mas eu não tenho desmaiado.

LEANDRO – Eu sei, meu amor. Isso não vai ficar assim, Helena. Nós vamos conversar com ela, ela vai voltar atrás.

JULIANO – Direito do trabalhador, Helena.

HELENA – (chorosa) Nenhum Juiz vai ficar do meu lado. Quer dizer, eu estou doente. Estou fraca e posso desmaiar, sangrar ou qualquer outra coisa nesse período.

JULIANO – Não vamos deixar você ficar parada.

LEANDRO – Vem pra Holambra com a gente.

HELENA – Não dá. Eu preciso fazer a fisioterapia, preciso ficar aqui. E obrigada gente… Vocês são ótimos!

JULIANO – Eu sei, eu sei.

Os três se abraçam, emocionados.

CENA 08. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE MARTINS. INTERIOR. DIA:

Dalva entra no quarto com a Imaculada. Elas começam a olhar o chão e procurando no chão do quarto.

DALVA – Eu perdi essa aliança e o Ivan ainda não reparou. Mas ele vai perceber e vai dá merda.

IMACULADA – Eu já disse que essa aliança não está aqui.

DALVA – Para de ser pessimista.

IMACULADA – Eu sei que não está aqui, não está nem nessa pensão.

DALVA – Será? Será que eu perdi na rua? Puta que pariu! Ele vai me matar e com razão. Como eu fui perder isso?

Ela senta na cama e Imaculada também. Dalva pega a calça do Ivan e pega uma nota de cem do bolso.

IMACULADA – Onde ele arranjou esse dinheiro?

DALVA – Eu acho que tenho o meu palpite e se eu tiver certa, eu não tenho culpa do sumiço do anel.

Elas se entreolham.

CENA 09. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA-NOITE:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 10. BOATE SEXUS. ESCRITÓRIO. INTERIOR. NOITE:

Gael entra no escritório e Andréia entra atrás. Ele se senta na sua cadeira de couro e ela permanece em pé.

GAEL – Boa noite, Carlota.

ANDRÉIA – Isso já faz semanas! O assunto é sério, Gael: ele veio aqui hoje e me pediu pra ficar longe do Zequinha. E eu recusei e ainda disse que iria pedir a guarda dele.

GAEL – Nem fale, deixe-me dizer: você precisa de dinheiro e o seu trabalho de Irina não dá pra pagar. (sorri) Finalmente você se rendeu.

ANDRÉIA – Eu topo fazer programa, mas eu vou escolher os caras e não pense que não quero continuar a fazer a contabilidade. Ser prostituta é temporário.

GAEL – Trato feito, Ashley.

ANDRÉIA – Adorei esse nome.

Ela aperta a mão do Gael e sai.

CENA 11. MANSÃO MEDEIROS. SUÍTE DO CASAL. INTERIOR. NOITE:

Bed of Lies – Nicki Minaj feat. Skylar Grey

Helena está deitada na cama, mexendo no celular. Juliano entra e senta ao seu lado. Ele pega na mão dele e ela encosta no ombro dele.

HELENA – Eu achava que você não prestava e que iria fazer algo de mal pra mim. Mas acho que estou errada.

JULIANO – Ou talvez esteja certa e eu seja um assassino, mas você só vai saber quando eu matar você e o Leandro.

HELENA – (ri) Precisamos marcar o nosso shopping.

JULIANO – Já está marcado: amanhã depois do café.

Eles se abraçam e a CÂM mostra o Leandro olhando os dois, sério.

CENA 12. PENSÃO DA DALVA. CORREDOR. INTERIOR. NOITE:

Sonoplastia continua

Zeca caminha pelo corredor e para em frente ao quarto da Lúcia. Ele bate na porta e ela abre. Eles sorriem.

ZECA – Eu só passei pra dá boa noite.

LÚCIA – Boa noite.

ZECA – Na verdade não foi só isso. Eu passei pra perguntar uma coisa: você poderia dar uma outra chance pra nós?

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Escrita por
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Linha de Sangue – Capítulo 15

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LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 15

CENA 01. HOTEL. EXTERIOR. NOITE:

Lúcia salta do carro e olha pros cantos, e não acha a Imaculada. Ela encosta no carro e pega o celular. Laura surge atrás dela.

LAURA – Lúcia?!

Lúcia olha pra trás e vê a irmã. Tensão. Lúcia chora e se aproxima da mesma.

LÚCIA – Laura?!

Elas se abraçam. Lúcia aos prantos. Imaculada aparece na escada e olha as duas.

IMACULADA – Vamos entrar, meninas.

CENA 02. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Lúcia, Laura e Imaculada já sentadas na cama. Conversa já iniciada.

LÚCIA – Eu não consigo entender esse plano. Isso não faz sentido!

LAURA – Eu também fiquei surpresa, Lúcia. A Marilda realmente armou tudo isso. Ela contratou o Tales pra me matar.

LÚCIA – Ela é fria, eu sei. Mas mandar matar alguém? E ainda a minha irmã… Irmã da pessoa que ela ama. Não faz sentido!

IMACULADA – Ela ama o seu dinheiro, Lúcia. A Marilda não é capaz de amar alguém além dela…

LAURA – Agora eu preciso que vocês me escutam: eu não posso deixar a Marilda fazer mal a você. Eu prometi a nossa mãe e pra isso, eu preciso lhe manter em segurança.

LÚCIA – Você não é o Super-Homem, Laura. E eu sei me cuidar e agora que comecei a trabalhar na revista, eu não posso parar.

LAURA – É pro seu próprio bem. Você vai trocar de lugar comigo! Eu até cortei o cabelo pra ficar mais parecida com você.

LÚCIA – E como isso vai me proteger?

LAURA – Eu fico na revista, vigio a Marilda e armo um jeito de pôr ela na cadeia. E enquanto isso você fica na vila, ajudando a Imaculada nos afazeres da casa. Ela vai te proteger.

LÚCIA – Eu não sei…

IMACULADA – Você precisa escolher entre viver no Céu ou no Inferno e eu nem preciso dizer qual é a escolha sensata.

LÚCIA – Mesmo achando essa ideia louca, eu topo. Mas eu quero ter certeza que ninguém vai fazer nada pra você.

LAURA – Além da Imaculada, o Tales está do nosso lado. E eu acredito que a Marilda não vá fazer nada a você.

Laura estende a mão e Lúcia a aperta. Elas se abraçam e Imaculada sorri.

CENA 03. MANSÃO MEDEIROS. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE:

Leandro está sentado vendo fotos de várias modelos no tablet. Helena entra e Leandro levanta.

LEANDRO – Preciso que veja as fotos que tirei das modelos e me ajude a escolher as principais da edição da semana que vem.

HELENA – Agora não, Leo.

Ela sobe a escada correndo. Leandro bufa, deixa o tablet no sofá e sobe a escada.

CENA 04. MANSÃO MEDEIROS. SUÍTE PRINCIPAL. INTERIOR. NOITE:

Helena no banheiro do quarto. Ela chora frente ao espelho. Leandro entra e fica no quarto, encarando ela.

LEANDRO – O que aconteceu?

HELENA – A quimio começou a fazer o trabalho dela. Os meus cabelos já estavam caindo, mas agora é oficial: eu vou ficar careca em poucos dias.

LEANDRO – Cabelo cresce de novo. O importante é você ficar boa.

HELENA – Você não entende! Eu preciso me sentir bonita. Eu tenho que ser bonita! A Marilda vai me pôr de licença médica e eu vou ficar em casa, sem fazer porra nenhuma.

LEANDRO – Ela sabe que você está com Câncer e até agora isso não aconteceu. Ela não vai fazer nada;

HELENA – Ela ainda não fez porque eu não pareço ter Câncer, mas assim que ficar careca… Eu vou ficar feia e ela vai me pôr em casa.

LEANDRO – E o que você quer que eu faça?

HELENA – Me dê apoio porra!

LEANDRO – Eu já lhe dou apoio. Eu tento de animar, tento te levar pra sair. Mas você gosta da rotina: trabalho, casa, trabalho, casa.

HELENA – Vá se foder!

LEANDRO – Vá se foder você, Helena!

Ela limpa as lágrimas e o abraça. Ela o beija na boca e ele a afasta.

LEANDRO – Eu tô começando a achar que tudo isso está fazendo você ficar louca. Qual é o seu problema?

HELENA – Você quer saber qual é o meu problema? Eu vou te mostrar o meu problema.

Ela entra no banheiro, abre a gaveta e pega uma máquina de cortar cabelo. Ela a liga e começa a raspar o seu cabelo.

HELENA – (enquanto raspa) Esse é o meu problema!

Ela continua a raspar e todos os fios vão caindo no chão. Ela termina e passa a mão na cabeça raspada.

LEANDRO – (choroso) Você está completamente louca!

Ele sai andando e ela volta pro quarto.

HELENA – (grita) Marque um encontro com o Juliano: eu quero conhece-lo melhor. Talvez, eu possa ser a cúpida de vocês.

Ela sorri e volta pro banheiro e fecha a porta.

CENA 05. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE MARTINS. INTERIOR. NOITE:

Barulho de água vindo do banheiro. Ivan entra na suíte e senta na cama. Ele vê que a aliança da Dalva está na cama.

DALVA – (off, grita) Ivan?!

IVAN – Oi amor. Eu vim pegar uma coisinha aqui.

DALVA – (off, alto) Sabe se o Juliano já chegou?

IVAN – Já chegou e está na garagem, quer dizer, no quarto dele. Eu já vou meu amor. Eu vou me encontrar com um amigo.

DALVA – (off, alto) Vá com Deus e por favor Ivan, não faça merda.

IVAN – Confie em mim.

Ele pega a aliança e sai.

CENA 06. PENSÃO DA DALVA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Zequinha sentado no sofá, mexendo no notebook. Zeca e Ivan descem a escada. O primeiro se aproxima do filho e o último sai. Maria à parte.

ZECA – Está tão calado desde que chegamos.

ZEQUINHA – Eu quero porque ela não fala comigo. Eu quero saber porque eu não posso ter uma mãe.

ZECA – Porque aquela mulher nos trocou por dinheiro. Ela preciso deixar você sem uma mãe e curtir a vida dela com alguém mais rico.

ZEQUINHA – Ela errou pai! Ela errou assim como qualquer outra pessoa no mundo. E ela é a minha mãe, eu preciso de uma mãe.

ZECA – E você tem várias mães: a Dalva, a Imaculada e Maria.

ZEQUINHA – Eu quero uma mãe de verdade!

ZECA – Mãe é quem cria e não quem faz.

ZEQUINHA – Isso não faz sentido, pai.

Zequinha fecha o notebook e levanta. Zeca o segura.

ZECA – Você está proibido de falar com ela de novo. Eu ainda não fiz nada pra impedi-la, mas se ela se aproximar novamente, eu vou fazer.

ZEQUINHA – Você é mau, pai.

Ele sai correndo e Maria vai atrás. Zeca encara o nada, triste.

CENA 07. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 08. SEDE DA MUJER. SALA DA MARILDA. INTERIOR. DIA:

Marilda e Gael entram na sala. A primeira senta-se em sua cadeira, frente ao computador. O segundo fica em pé.

MARILDA – Então está tudo certo para a edição da semana que vem. Agora precisamos mandar alguém a Holambra, é o Festival das Flores.

GAEL – Manda o novato e o Leandro pra supervisionar.

MARILDA – Ótima ideia. Manda a minha secretária avisá-los. Está livre para voltar a sua boate.

GAEL – Não tem nada pra fazer lá. E antes que me esqueça: o que vai fazer no aniversário da Lúcia?

MARILDA – A gente não sabe se ela faz aniversário nesse dia. Como você sabe, ela foi achada no Rio, mas a Elvira gostava de comemorar.

GAEL – Mas é importante manter a alma da Elvira viva, já que ela criou a Lúcia e fazer aniversário é muito bom.

MARILDA – Você diz isso porque ainda é novo. Quando chegar na minha idade, a gente conversa.

GAEL – (ri) Eu sei que você não gosta disso, mas eu preciso perguntar: como ela morreu?

MARILDA – Ataque cardíaco. Ela já era velha, coitada.

Gael assente e sai. Marilda retira o sorriso do rosto e fica pensativa.

CENA 09. RESTAURANTE. INTERIOR. DIA:

Juliano e Leandro sentados frente a frente. Conversa já iniciada. Ao fundo, Helena entra no restaurante.

JULIANO – Eu nunca tinha saído de Taubaté e quando saio, eu tenho que voltar pro interior.

LEANDRO – (ri) Pensa pelo lado bom: Holambra é bem longe de Taubaté. A gente tem que ir o mais rápido possível. Precisamos pegar uma época boa do Festival.

JULIANO – É só ir nos primeiros dias. Helena chegou.

Leandro olha pra trás e vê. Helena se aproxima (usando um lenço na cabeça) deles e senta ao lado do Leandro. Ela sorri e cumprimenta o Juliano.

HELENA – Finalmente nos conheceremos bem.

JULIANO – Eu não sabia que já estava fazendo a quimio.

HELENA – Parece que Ele quer que eu morra logo.

JULIANO – Não diga isso de d’Ele.

LEANDRO – Não liga pra esses comentários sem sentidos. Ela tá ficando louca!

Juliano encara o Leandro. Helena chama o garçom e ele se aproxima.

CENA 10. PENSÃO DA DALVA. SUÍTE MARTINS. INTERIOR. DIA:

Dalva de quatro no chão, ela procura algo de baixo da cama. Ela levanta e olha pro chão, preocupada.

DALVA – Não é possível que essa merda tenha sumido! O Ivan vai me matar. Merda! Merda!

IMACULADA (off, grita) – Dalva! O almoço está pronto!

Dalva bufa e sai, batendo porta.

CENA 11. SEDE DA MUJER. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Marilda está falando com a secretária, brava. Laura sai do elevador e se aproxima. Marilda a encara.

MARILDA – (a secretária) Resolva isso. Eu não quero uma mulher morta trabalhando pra mim. Demita-a se for preciso.

SECRETÁRIA – Não podemos demitir a Helena porque ela está com Câncer. Isso poderia gerar uma processo e nós perderíamos.

MARILDA – Dê um jeito! (a Laura) Você está tão diferente… Já sei: maquiagem nova. Gostei.

LAURA – Gostou? Que bom.

MARILDA – Mudar é bom e ver você feliz é ainda melhor. Agora vem, precisamos planejar o seu aniversário.

Marilda entra na sua sala e Laura vai atrás.

CENA 12. PENSÃO MARTINS. SALA. INTERIOR. DIA:

Imaculada, Dalva, Ivan, Zeca e Zequinha comem vendo tv. Maria e Tales à parte. Batem na porta. Zequinha vai atender segurando o prato de comida. É a Lúcia.

ZEQUINHA – Laura?!

LÚCIA – Eu estou de volta.

CLOSES ALTERNADOS em todos os presentes.

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia

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Linha de Sangue – Capítulo 14

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

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LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 14

CENA 01. SEDE DA MUJER. SALA DA LÚCIA. INTERIOR. DIA:

Legenda: DIAS DEPOIS…

Marilda entra na sala e encontra a filha sentada numa cadeira de couro e mexendo no computador. Marilda se aproxima.

MARILDA – É tão bom ver que está de volta. É tão bom saber que superou a morte da outra.

LÚCIA – A outra tem nome mãe e ela é a minha irmã! (pausa) E ela não morreu, eu sei.

MARILDA – Vai querer discutir com as autoridades? Se disseram que ninguém a viu, que ela virou pó, é porque alguém a botou num saco e a deu pra um jacaré.

LÚCIA – Mãe! Eu odeio quando fala essas coisas… Eu não quero brigar contigo, saía por favor.

MARILDA – Eu já estou indo e saiba que não queria lhe magoar. A mamãe só diz a verdade e você sabe disso.

Ela manda um beijo e sai. Lúcia bufa e volta a se concentrar no computador.

CENA 02. MANSÃO MEDEIROS. SUÍTE PRINCIPAL. INTERIOR. DIA:

Helena está deitada na cama. Leandro entra no quarto e senta ao seu lado.

LEANDRO – Ponha uma toquinha quando for deitar. É muito cabelo pra pouca cama.

HELENA – Desculpe.

LEANDRO – (suspira) Eu só estou tentando fazer piadinhas e você sabe que eu sou péssimo nisso.

HELENA – Ele está voltando e dessa vez é pior. Porra! Eu tô ficando feia de novo e além disso, eu corro o risco de/

LEANDRO – (corta) Cala a boca!

Ele se levanta e sai do quarto batendo porta.

CENA 03. ESTRADA. EXTERIOR. DIA:

Um carro para no acostamento e dele sai um par de pernas femininas. CÂM sobe e mostra a Laura de cabelos curtos, nos ombros. Ela encosta no carro e pega o celular, faz uma ligação e o põe no ouvido.

LAURA – Ima, que saudades.

IMACULADA – (off) Quem é?

LAURA – É a Laura, querida.

IMACULADA – (off) Eu sabia que estava viva. Eu sabia, eu sentia. Onde você está?

LAURA – Agora numa estrada, mas quero que me encontre num hotel que tem aqui perto. Pega o papel e a caneta. E por favor, não comente com ninguém.

IMACULADA – (off) É claro, Laurinha. Nem ao maior confidente: o travesseiro.

Ambas riem. Em off, Laura passa o endereço. Após, se despede e entra no carro. E sai cantando pneu.

CENA 04. BOATE SEXUS. ESCRITÓRIO. INTERIOR. DIA:

Gael e Andréia entram e sentam-se lado a lado. Ambos seguram em suas mãos um copo com uísque.

GAEL – Não achas que é cedo demais pra isso?

ANDRÉIA – Sabe o que minha mãe me dizia quando pequena? Ela dizia: “Nunca é cedo pra beber, trepar e fumar.”

GAEL – (ri) Acho que ela estava certa.

Eles brindam e bebem um gole.

GAEL – Já que é pra falar das novidades, eu começo… Eu descobri que ela era casada e que o marido era pobre. Nada mais.

ANDRÉIA – E as gêmeas?

GAEL – Não encontrei nenhum resquício da existência da Laura. A garota realmente virou pó. Mas descobri o nome da mãe delas: Débora. Trabalhava no campo.

ANDRÉIA – Nada sobre o possível assassino da Elvira?

GAEL – Nada. Na verdade, a única coisa que é realmente estranho nisso tudo é que o marido da Marilda sumiu.

ANDRÉIA – E se ela o matou, a Elvira descobriu e ela matou a Elvira. Queima de arquivo.

GAEL – Não dá. O marido da Marilda morreu quando a Elvira pegou a Lúcia e a Elvira só morreu quando a Lúcia já era uma menina. Porque ela demoraria tanto assim?

ANDRÉIA – Mas e se a Elvira só descobriu depois?

GAEL – Não teria porque a Marilda matar a Elvira anos depois. Nem enterro a pessoa teve. Não tem corpo, Andréia. E muito menos provas.

ANDRÉIA – Que droga! Eu realmente não sei o que pode ter acontecido com a Elvira.

GAEL – Eu também não, mas eu prometi e eu vou cumprir: eu vou achar o culpado.

Eles bebem mais um gole.

ANDRÉIA – Minha vez: eu estou tentando me aproximar do Zequinha. Eu vou na escola dele, o vejo entrar e sair. Eles já me viram lá, mas eu não vou desistir do meu filho porque o Zeca quer.

GAEL – Acho que precisa pôr ele na justiça. Precisa de trabalho, Andréia. Eu não quero lhe forçar, mas/

ANDRÉIA – (corta) Sem mais, Gael! Eu não sou puta e nem pretendo ser. E além do mais, eu quero fazer isso de forma honesta e sem briga que possa prejudicar o Zequinha.

Andréia termina o uísque e sai. Gael bufa e também termina a sua bebida.

CENA 05. RESTAURANTE. INTERIOR. DIA:

Numa mesa estão o Leandro e o Juliano conversando. A comida é servida e começam a se deliciar.

LEANDRO – Eu realmente não sei o que fazer para animá-la. Eu já tentei de tudo.

JULIANO – Tudo menos uma coisinha: leva-la as compras. Mulher é mulher sempre. Toda mulher gosta de se sentir amada, nova e feliz.

LEANDRO – Eu sou o fotógrafo, o estilista aqui é você. Acho que essa função deve ser sua.

JULIANO – Ótimo, eu ligo pra ela e peço pra me encontrar no shopping.

LEANDRO – Da outra vez foi mais fácil e mais rápido. A gente era recém-casado, tudo novo. Acho que ela se enjoou de mim.

JULIANO – Impossível. Mas você ainda não me contou os detalhes da outra vez. Eu sei o básico: você se casou com ela pra ganhar uma herança e ela descobriu o câncer.

LEANDRO – A herança era pouca, mas deu pra comprar aquela mansão e terminar meu curso. Mas o que me fez ficar falido foi o tratamento dela, eu fiz o possível e o impossível pra ela ficar boa logo.

JULIANO – (ri) Você merece o Prêmio Nobel da Paz. (com a boca cheia) Muitos a deixariam depois de pôr a mão no dinheiro.

LEANDRO – Eu a amo, Juh. Mas não é amor carnal, é amor de irmão. Sempre foi e ela sempre soube disso. Ela sempre soube do propósito desse casamento e ela me ajudou tanto que eu tive que ajudar também.

Juliano sorri e deixa o seu garfo pegar. Os dois se abaixam pra pegar e ao tocarem no garfo, suas mãos se tocam. Eles se encaram.

CENA 06. CLÍNICA. SALA. INTERIOR. DIA:

Nicki Minaj – I Lied

Helena está sentada numa cadeira com um saco de soro sendo ligada a sua veia. Ela chora e limpa suas lágrimas.

CENA 07. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA-NOITE:

Sonoplastia continua

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas e carros indo e vindo a todo instante.

CENA 08. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Sonoplastia off.

Laura está sentada na cama. Imaculada bate na porta e em seguida entra. Laura levanta e a abraça.

LAURA – É tão bom ver gente conhecida depois de dias me escondendo.

IMACULADA – Eu sempre soube que estava viva. Eu sentia isso, Laura. Mas o que aconteceu?

LAURA – A Marilda ela fez isso comigo. Ela mandou que o Tales me matasse, mas ele desistiu e me deixou fugir.

IMACULADA – E o que você pretende fazer?

LAURA – Agora que eu sei do que ela é capaz, é claro que eu vou salvar a minha irmã dela. Mas eu preciso de ajuda.

IMACULADA – É só dizer.

LAURA – Liga pra ela e marca o nosso encontro pra agora. Aqui mesmo no hotel.

Imaculada faz que sim. Ela pega o celular, faz ligação e o põe no ouvido.

IMACULADA – Eu preciso que me encontre nesse endereço. E vem rápido, é sobre sua irmã. Anota.

CENA 09. ESCOLA. EXTERIOR. NOITE:

Zequinha sai da escola e vai ao encontro do pai. Eles se abraçam. Ele olha pro lado e vê a Andréia o olhando. Ele corre até ela.

ZEQUINHA – Mamãe?!

ANDRÉIA – Meu filho.

ZEQUINHA – Porque você nunca fala comigo?

Ela começa a chorar e sai correndo. Zeca surge atrás dele. E encara o filho, bravo.

CENA 10. HOTEL. EXTERIOR. NOITE:

Lúcia salta do carro e olha pros cantos, e não acha a Imaculada. Ela encosta no carro e pega o celular. Laura surge atrás dela.

LAURA – Lúcia?!

Lúcia olha pra trás e vê a irmã. Tensão. Lúcia chora e se aproxima da mesma.

LÚCIA – Laura?!

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Linha de Sangue – Capítulo 13

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LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 13

CENA 01/PARQUE IBIRAPUERA/EXTERIOR/NOITE: 

Laura e Zeca correm pelo Parque, conversando.  

ZECA – Eu achei estranho você não saber onde é. Eu te vi aqui alguns dias atrás. 

LAURA – Eu nunca vim aqui, Zeca… (ri) Ah já sei, deveria ser a minha irmã. 

ZECA – Irmã? Você nunca disse que tinha uma. 

LAURA – Eu também não sabia, descobri ontem. Grande história. 

ZECA – Vou pegar uma água, você quer? 

LAURA – Quero sim. Obrigada. 

Zeca sai. Laura para perante a árvore. Tales surge atrás dela. 

TALES – Desculpa Laura, desculpa. 

Ela olha pra trás e encontra o Tales segurando uma arma, tremendo. 

LAURA – O que está acontecendo, Tales? (pausa) Você está tremendo. O que é isso? 

TALES – Eu juro que não queria fazer isso, Laura. Eu juro… Mas eu vou ter que fazer… Eu tenho que fazer! 

LAURA – Não você precisa fazer nada. O que você cheirou, Tales? Você precisa de ajuda. 

TALES – Não, não. Eu não preciso de ajuda. Eu só preciso te matar e acabar logo com tudo isso. 

LAURA – Abaixa essa arma e vamos conversar Tales. Por favor. Por favor, baixa a arma. 

Ele faz e senta ao pé da árvore e começa a chorar, tremendo muito. Ela senta ao seu lado. 

LAURA – O que está acontecendo? Quem te mandou fazer isso? 

TALES – A Marilda me ameaçou com um vídeo e eu posso ser preso se não te matar. 

LAURA  – A Marilda? O que? Por quê? Isso não faz sentido, Tales. Eu tô perdida.  

TALES – Não sei direito, nem sabia que você e a Lúcia são gêmeas. Nem eu e nem a Maria podíamos vê-la. Eu só sei que a Marilda quer você morta. 

LAURA – Você não precisa fazer isso. Nós vamos dá um jeito, nós vamos dar um jeito.  

TALES – Como? 

LAURA – Vamos fingir que você me matou. Eu vou fugir e você vai dá a Marilda um pedaço do meu cabelo pra ela. Pode dá certo, não é? 

TALES – Eu não sei, ela é muito esperta. A Marilda é muito esperta, Laura. 

LAURA  – Nós temos que arriscar. 

Laura levanta e puxa alguns fios de seu cabelo e põe no bolso do Tales.

Ele levanta e limpa as lágrimas. Eles apertam a mão e Laura sai. Tales olha em volta e sai. 

CENA 02/BAR/INTERIOR/NOITE: 

Um homem branco e barbudo está sentado numa mesa com outros homens envolta, jogando baralho. Ivan entra e se aproxima do homem barbudo. 

IVAN – Carlos, meu amigo, eu voltei. 

CARLOS – Parece que o jogo lhe mordeu de novo. Pega uma cadeira e senta aqui. Nós precisamos virar o jogo, está valendo 50 reais. 

Ivan faz o que Carlos mandou e senta ao lado deles. Carlos dá as cartas e Ivan bota os 50 reais sob a mesa. 

CENA 03/PARQUE IBIRAPUERA/INTERIOR/NOITE: 

Zeca volta correndo com duas garrafas d’águas. Ele olha em volta a procura da Laura. Zeca põe as garrafas no chão e pega o telefone. 

ZECA – Tá sem sinal aqui. Droga! 

Ele olha em volta e começa a gritar. 

ZECA – (grita) Laura! Laura! Cadê você? Laura! 

E sai correndo, preocupado. 

CENA 04/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 05/MANSÃO CAMPOS MELO/SUÍTE DA MARILDA/INTERIOR/DIA: 

Marilda sai do banheiro apenas de roupão e encontra o Tales sentado na cama.

MARILDA – Você fez o que eu pedi? Ou você amarelou na hora?

TALES  – Eu fiz e você queimou o vídeo? Porque eu destruí aquela gravação.

MARILDA – Prova que você a matou e eu lhe entrego o vídeo.

TALES – Eu queimei o corpo, tinha digitais minhas nele. Resíduos de luta. Eu vejo CSI, Marilda… Mas eu pensei nisso e trouxe fios de cabelos da Laura.

MARILDA – E como eu vou saber que são delas, Tales? Eu não sou nenhuma Rainha Má pra cair num golpe desses.

TALES – Faz um teste de DNA e vê se não é igual ao da Lúcia. Eu sei que eu fiz, não preciso que você acredite.

MARILDA – Eu acredito em você, mas deixa os fios ai em cima da minha cama.

Tales o faz. Marilda caminha até o armário e pega um DVD e o entrega.

MARILDA – Pensei em passar pro pen-drive, mas lembrei que não sei mexer nessas coisas.

TALES – Eu vou voltar pro trabalho, dona Marilda.

Tales sai com o DVD em mãos. Marilda senta na cama e pega os fios de cabelo.

MARILDA – Eu também vejo CSI, Tales. E eu adoro quando os assassinos resolvem guardar lembranças das vítimas… Ela era tão bonita, mas tão ingenua.

Marilda levanta e guarda os fios dentro de uma gaveta no armário. Ela olha pro espelho e sorri.

MARILDA – Espelho, espelho meu… Existe alguém mais vadia do que eu?

Ela ri e entra no banheiro novamente.

CENA 06/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA:

Zeca desce as escadas e se encontra com o pessoal da vila tomando café.

ZECA – Não sei se vocês reparam, mas a Laura não voltou comigo ontem.

DALVA – Como assim, Zé?

ZECA – Ela sumiu no parque. Eu comprar água pra gente e ela simplesmente sumiu. Eu a procurei até tarde da noite, mas não achei.

ZEQUINHA – Porque você não foi à polícia, papai?

ZECA – Eu fui, mas eles não podem fazer nada. Não tinha nem dado três de seu sumiço.

IMACULADA – Ela está bem, eu tenho certeza. Mantenham a calma.

Corta para// Maria, afastada do pessoal, pega o celular e faz uma ligação.

MARIA – Atende Tales, atende.

Ela desliga e olha pras pessoas, aflita.

CENA 07/ MANSÃO CAMPOS MELO/SUÍTE DA LÚCIA/INTERIOR/DIA:

Lúcia está sentada na cama, mexendo no celular. Marilda entra e se aproxima dela.

MARILDA – Filha, não tem um vestido pra me emprestar, não?

LÚCIA – Nós não somos do mesmo número, mãe. Porque você quer um vestido meu?

MARILDA – Porque eu não tenho roupa e estou sem tempo para ir ao shopping. E sim você engordou, mas sei que seus vestidos cabem em mim.

LÚCIA – Eu não engordei, foi ao contrario. Mas pode dá uma olhada.

Marilda sorri e abre o guarda-roupa. Lúcia faz uma ligação.

LÚCIA – Laura, me atende, por favor. É decima vez que te ligo. (desliga)

MARILDA – Sua irmã não está lhe atendendo? Aconteceu alguma coisa?

LÚCIA – Eu não sei, a gente tinha marcado de se encontrar aqui e ela não veio.

MARILDA – Deve ter perdido a hora, sei lá… Achei o vestido perfeito, filha.

Marilda pega um vestido preto e curto. Ela manda um beijo pra Lúcia e sai.

CENA 08/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/DIA-NOITE:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 09/DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Marilda entra na sala com o delegado. Eles sentam lado a lado.

MARILDA – Mil desculpas por aparecer assim do nada. Eu sei que o senhor deve ser muito ocupado.

DELEGADO – Que isso dona Marilda. E me chame apenas de você. Então, você se recuperou do acidente?

MARILDA – Foi difícil, mas sim. Enfim. O que eu vim fazer aqui é pedir um favor.

DELEGADO – Pode pedir dona Marilda.

MARILDA – Apenas Marilda, querido. Então, uma garota me causou problemas e eu tive que tomar providências.

DELEGADO – Entendi. Mas para lhe ajudar eu vou precisar de uma contribuição.

MARILDA – É só dizer o seu preço.

DELEGADO – Não estou falando desse tipo de contribuição.

Ele pega a mão da Marilda e a põe no meio da suas pernas. Ela sorri e o beija.

CENA 10/BOATE SEXUS/ESCRITÓRIO/INTERIOR/NOITE:

Gael está sentado frente ao computador. Tiffany entra e senta frente a ele.

GAEL – O que deseja, Tiffany?

TIFFANY – Eu tentei adiar isso, mas esse dia chegou. Eu consegui o dinheiro, Gael.

GAEL – Então você vai me deixar? Saiba que estou feliz por você, mas triste pela cidade que perde a melhor puta que pisou aqui.

TIFFANY – Não sei se é um elogio ou uma ofensa. Eu estou morrendo de dor, mas eu preciso fazer isso.

GAEL – Eu entendo, minha linda. Eu entendo. Pelo menos você está me deixando uma substituta.

TIFFANY – A Andréia? Não a acho tão boa quanto eu, mas é a melhor daqui. É uma pena que ela só quer ser a Irina da história.

GAEL – Eu sou cafetão, Tiff. E eu sei como fazer uma menina vira prostituta. É só questão de tempo. Enfim. Vá logo antes que te tranque aqui e não deixo sair mais.

TIFFANY – Você ainda vai me ver muito em matérias de jornais. Imagine: “a juíza Maitê decreta que o Maluco do Shopping deve cumprir prisão perpetua!”

GAEL – (ri) Vá e arrase, linda. Termine essa faculdade e seja um orgulho pra mim e pro seus pais.

Ela o abraça e o beija na boca. E sai. Gael limpa as lágrimas que caem e encara o computador que mostra a foto da Elvira.

CENA 11/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/NOITE-DIA:

Poema – Ney Matogrosso

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 12/COMPILADO DE CENAS/INT-EXT/DIA:

Legenda: Dias depois…

Sonoplastia continua.

1 – mansão Campos Melo, suíte da Marilda

Marilda conversa com a Lúcia, em off. Lúcia chora e abraça.

2 – pensão Martins, sala

Zeca perante o pessoal da vila. Ele fala, em off. Dalva e Ivan se abraçam. Zeca e Zequinha idem. Maria e Tales se encaram. Imaculada sai da sala.

3 – Parque Ibirapuera

Mesmos da 2. Eles perante a uma árvore. Zequinha chora e Imaculada o ampara. Zeca põe um buquê ao pé da árvore.

Corta para// Lúcia olhando a tudo de longe. Ela chora. Marilda surge atrás dela e põe a mão em seu ombro.

CENA 13/BAR/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Sonoplastia continua.

Um par de pernas femininas entra no banheiro sujo e fétido. A mulher para frente ao espelho. Câmera sobe e a mulher revela-se Laura.

Ela encara sua imagem no espelho e pega em sua bolsa uma tesoura.

LAURA – Tá na hora de mudar, Laura. E em breve, Lúcia.

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Linha de Sangue – Capítulo 12

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LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 12

CENA 01/SEDE DA MUJER/SALA DA MARILDA/INTERIOR/NOITE:

Lúcia e Laura, sentadas nas cadeiras e conversando. Marilda entra, já falando.

MARILDA – O que é tão urgente, Lúcia? Estou totalmente cansada e espero que não demore muito.

Marilda olha as duas e fica pasma. Lúcia e Laura levantam e encaram a Marilda.

LÚCIA – Mamãe, essa é a minha irmã.

MARILDA – Você está maluca, Lúcia? Isso é uma impostora! Chame os seguranças! Agora!

LÚCIA – Não mãe, a senhora está enganada. Ela é a minha irmã mesmo. A Elvira me pegou num rio, mãe. Foi a Débora que botou lá.

MARILDA – Quem é essa Débora? Por favor, Lúcia, chame os seguranças!

LAURA – Débora é a minha mãe, nossa mãe. Não há motivo para chamar os seguranças. Eu vou indo, mas dona Marilda acredite em nós.

Laura se despede da irmã e sai. Marilda caminha até a Lúcia e a abraça.

MARILDA – Eu não queria que esse dia chegasse Lúcia, mas ele chegou.

LÚCIA – Você sabia que eu tinha uma irmã?

MARILDA – Não, não sabia. Eu achava que um dia alguém iria vir atrás de você. Mãe ou irmã.

LÚCIA – Eu fiquei com medo de você dizer que ela não é a minha irmã e que fizesse algo contra ela.

Marilda se afasta e encara a Lúcia.

MARILDA – O que eu faria contra ela? Eu não sou uma rainha da Disney! Pelo amor, Lúcia.

LÚCIA – Desculpa mãe, desculpa. Eu sei que você nunca faria nada de mal contra ela. Eu vou pra casa, vem comigo?

MARILDA – Já vou, preciso falar com o Gael primeiro.

Lúcia beija a Marilda e sai. Marilda respira fundo e vai atrás.

CENA 02/SEDE DA MUJER/SALA DO GAEL/INTERIOR/NOITE:

Marilda entra e caminha até o Gael que está sentado na cadeira.

GAEL – Onde você esteve? Eu estou atrasado por culpa sua.

MARILDA – Desculpe, estive ocupada em Minas. Mas estou de volta, querido.

GAEL – Teve poucos contratados. Laura alguma coisa, Juliano alguma coisa foram os ótimos e…

MARILDA – Essa Laura vai me causar problemas, mas a Lúcia já me deu uma ótima forma de resolver tudo.

GAEL – Você a conhece?

MARILDA – É a irmã gêmea da Lúcia e a minha filha está toda boba. Idiota!

GAEL – E o que você pretende fazer, Marilda?

MARILDA – Eu vou fazer o que for preciso, Gael. E o que me deixa mais triste é que a Lúcia é uma menina idiota! Ela tinha que ser filha da Débora, mesmo.

Gael levanta da cadeira rápido. Ele se aproxima de Marilda, nervoso.

GAEL – Débora?! O nome da mãe adotiva da Lúcia é Débora? Aquela que deixou a herança?

MARILDA – É Débora, por quê? Eu nunca tinha te dito o nome dela, né? Eu sei, nome de pobre pra uma pessoa tão rica.

GAEL – E você sabia que ela era rica assim? Digo, você disse que ela era sua vizinha.

MARILDA – Ela era tão pobre quanto eu. Acho que ela assaltou um banco ou algo assim. Sei lá.

GAEL – Eu tenho que ir, Marilda. Estou muito atrasado.

MARILDA – Tá tudo bem? Você está muito pálido!

Gael faz que sim com a cabeça e sai. Marilda dá os ombros e sai.

CENA 03/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/NOITE:

Dalva e Ivan entram na sala. Dalva senta no sofá e Ivan pega um travesseiro pra ela. Ele bota nas costas dela.

DALVA – Acabei me lembrando que não comprei pão, leite e café. Não deu tempo.

IVAN – Eu vou correndo lá antes que feche. Onde está o dinheiro?

DALVA – Na minha bolsa… E Ivan passa reto daquele bar, por favor.

IVAN – Eu não jogo mais, Dalva. Confie em mim, por favor.

Ele a beija e sai.

CENA 04/MANSÃO CAMPOS MELO/SUÍTE DA MARILDA/INTERIOR/NOITE:

Marilda entra e Tales entra atrás. O último fecha a porta. Eles se encaram.

MARILDA – Eu quero lhe propor algo, Tales e espero que aceite.

TALES – O que é? Eu preciso ir embora, Marilda.

MARILDA – Você não vai embora, não agora. Eu quero fazer sexo.

Ela se aproxima do Tales e começa tirar a camisa dele. Ele hesita.

TALES – Eu não quero!

MARILDA – Não é qualquer sexo, Tales. É um sexo selvagem, gostoso. E eu tenho certeza que você quer.

TALES – Com um pedido desse, quem pode recusar?

Eles começam a tirar as roupas. Eles se beijam. Marilda para de beijá-lo e vai até o armário. Ela pega uma algema e um chicote.

MARILDA – Me prenda, me bata e me possua. Eu sou sua, somente sua.

TALES – O seu desejo é uma ordem, dona Marilda.

Ele pega os objetos. Marilda deita na cama e Tales a prende. Eles se beijam, sedentos.

CENA 05/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/NOITE:

Dalva está sentada no sofá, vendo TV. Zequinha entra e se aproxima dela.

ZEQUINHA – Dona Dalva, eu posso falar com você por um momento.

DALVA – É claro, Zequinha. O que foi?

ZEQUINHA – Eu quero me desculpar por ter deixado o carrinho na escada. Desculpa.

DALVA – Tudo bem, meu filho. E diga ao seu pai que eu estou bem que ele não precisava ter gritado com você.

ZEQUINHA – Como você sabe que ele gritou comigo, dona Dalva?

DALVA – Eu conheço teu pai e te conheço. Você não fica assim pra baixo atoa.

O menino sorrir e a beija. Ele se sobe as escadas. Dalva olha o relógio, preocupada.

CENA 06/RUA/EXTERIOR/NOITE:

Ivan passa na rua com uma sacola. Ele passa frente a um bar e um homem sai dele.

HOMEM – Ivan! Ivan! Entre aqui e jogue um pouco. Você sumiu, cara.

IVAN – Eu não jogo mais.

HOMEM – A gente te ensina de novo. Você era ótimo! Não perdia uma, quer dizer, até que conheceu a mulher.

IVAN – Não fala da Dalva.

HOMEM – Tá bom, desculpa. Eu não vou falar dela, mas só se você entrar aqui um pouquinho.

Ivan concorda e entra. Ele senta-se à mesa e começa a jogar cartas.

CENA 07/BOATE SEXUS/FUNDOS/EXTERIOR/NOITE:

Gael salta do taxí e entra nos fundos da boate. Ele senta no chão e pega uma foto da Elvira no bolso.

GAEL – (choroso) Desculpe Elvira, desculpe. Eu estava tão perto dela e eu nem percebi.

Ele limpa as lágrimas que caem. Abraça a foto e chora mais.

GAEL – (choroso) Eu vou pegar a assassina. E se não foi a Marilda, ela sabe quem foi. Eu vou acabar com quem te matou, eu juro.

Ele limpa as lágrimas. Guarda a foto e levanta. Ele sai andando, devagar.

CENA 08/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo amanhecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 09/BOATE SEXUS/ESCRITÓRIO/INTERIOR/DIA:

Gael está sentado na cadeira, usando óculos escuros. Andréia entra e senta na frente dele.

ANDRÉIA – Alguém aqui esqueceu que além de empresário é dono de boate.

GAEL – Eu não me esqueço disso nunca, querida Carlota.

ANDRÉIA – Insiste em me chamar assim… O que aconteceu, Gael?

GAEL – Eu sei que eu não dei as caras ontem, mas eu estava ocupado. Coisas ocorreram, querida.

ANDRÉIA – Eu sou todos os ouvidos.

GAEL – Antes de abrir a Sexus, eu trabalhava num esquema. Vendia coisas. E a minha parceira, Elvira foi assassinada e eu prometi que pegaria o assassino. Acontece que eu descobri estou perto da possível assassina.

ANDRÉIA – Nossa Gael, eu não sei o que dizer. Eu sinto muito, mas estou aqui pra ajudar.

GAEL – Faremos um trato: eu te ajudo com o Zequinha e você me ajuda com isso.

ANDRÉIA – Ok meu parceiro de crime. (ri) Boa sorte, vou voltar ao meu trabalho de Irina: eu só faço a contabilidade!

Eles riem e Andréia sai.

CENA 10/PENSÃO MARTINS/SUÍTE MARTINS/INTERIOR/DIA:

Dalva está deitada na cama. Ivan sai do banheiro enrolado na toalha e senta na cama.

DALVA – O Juliano teve que ir na padaria hoje. O que você estava fazendo?

IVAN – Eu fui na padaria, no mercado, mas estava tudo fechado.

DALVA – Tudo bem, Ivan. Só não minta pra mim, por favor.

IVAN – Eu não estou mentindo, Dalva. Eu juro.

Ele beija a testa dela e começa a se vestir. Dalva limpa as lágrimas que caem.

CENA 11/MANSÃO CAMPOS MELO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Marilda entra na cozinha e encontra o Tales e Maria conversando. Ela sorri e se aproxima.

MARILDA – Bom dia, empregados. Eu preciso conversar com vocês, queridos.

TALES – É só dizer, dona Marilda.

MARILDA – É o seguinte: eu preciso que o Tales faça algo pra mim, mas eu sei que ele não vai querer fazer.

TALES – Como você pode ter tanta certeza?

MARILDA – Porque é pra matar alguém e eu sei que você é um pamonha! Então eu vou chantagear vocês!

MARIA – Com o que? Nós é que estamos com a gravação de áudio daquela sua conversa com o Gael.

MARILDA – (ri) Oh querido Tales, lembra-se de ontem quando nós transamos? Então, antes do ato acontecer, eu pedi pra um segurança botar umas câmeras no quarto e pelos cortes que eu fiz parece que você está me estuprando.

MARIA – Se você divulgar, nós divulgamos o áudio!

MARILDA – Ótimo! O que vale mais: um áudio ou um vídeo? A imprensa não vai acreditar no que não se pode ver, queridos.

MARIA – Sua filha da p…

TALES – (corta) Ok, Marilda. Eu faço! Eu vou matar quem você quiser, mas queima essa gravação.

MARILDA – Eu vou queimar, mas quero que vocês queimem as cópias do áudio.

Tales concorda. Maria se aproxima da Marilda, a encara e sai.

TALES – Quando vai ser e quem é?

MARILDA – Hoje à noite. E você ainda não conheceu a Lúcia, né?

TALES – Não, você não deixa ela sair daquele quarto. É ela?

MARILDA – Eu não quero que mate a minha filha! Mas a irmã dela, Laura.

Marilda tira uma foto da Lúcia do bolso e entrega ao Tales.

TALES – É a Laura lá da pensão. É ela, então?

MARILDA – Essa é a Lúcia. A Laura é a irmã gêmea da minha filha e eu quero que a mate. Fique de vigia na pensão, quando ela sair ou quando ela ficar sozinha, a mate.

TALES – Ok, dona Marilda.

Marilda sorri e sai.

CENA 12/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA:

Laura desce as escadas e encontra o Zeca sentado no sofá ao lado do Zequinha.

LAURA – A Dalva me disse que você corre num Parque. Qual é o Parque?

ZECA – Parque do Ibirapuera. Quer que eu te leve?

LAURA – Não precisa. Eu dou um jeito de achar o caminho.

ZECA – Não, eu faço questão.

Laura sorri e volta a subir as escadas. Zequinha encara o pai, sorridente.

CENA 13/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/DIA-NOITE:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 14/PARQUE IBIRAPUERA/EXTERIOR/NOITE:

Laura e Zeca correm pelo Parque, conversando.

ZECA – Eu achei estranho você não saber onde é. Eu te vi aqui alguns dias atrás.

LAURA – Eu nunca vim aqui, Zeca… (ri) Ah já sei, deveria ser a minha irmã.

ZECA – Irmã? Você nunca disse que tinha uma.

LAURA – Eu também não sabia, descobri ontem. Grande história.

ZECA – Vou pegar uma água, você quer?

LAURA – Quero sim. Obrigada.

Zeca sai. Laura para perante a árvore. Tales surge atrás dela.

TALES – Desculpa Laura, desculpa.

Ela olha pra trás e encontra o Tales segurando uma arma, tremendo.

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia

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Linha de Sangue – Capítulo 11

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

 

 

LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 11

CENA 01/SEDE DA MUJER/ELEVADOR/INTERIOR/DIA: 

Laura entra no elevador, bebendo água. Instante. A porta abre e Lúcia entra. Elas se encaram.

♪ Cordeiro de Nanã ♪

LAURA – Quem é você?

LÚCIA – Eu é que pergunto: quem é você?

LAURA – Não pode ser! Você é a minha irmã, não é? Minha irmã gêmea.

LÚCIA – Eu não sei o que você ou o que eu bebi, mas eu tenho certeza que não tenho irmã. Isso só pode ser uma ilusão!

LAURA – Olha pra gente. Nós somos irmãs! Qual é o seu nome, irmãzinha?

LÚCIA – Lúcia e o seu, querida?

LAURA – Laura. Minha mãe, quer dizer, nossa mãe me avisou que eu precisava te encontrar. Ela conseguiu informações sobre você antes de morrer.

LÚCIA – Ok. Vamos à sala da minha mãe, precisamos conversar sobre isso, Laura.

Lúcia aperta um botão no elevador. A porta fecha. Elas se encaram, curiosas.

CENA 02/CASA DO XERIFE/SALA/INTERIOR/DIA:

SONOPLASTIA CONTINUA

Xerife abre a porta e olha um bilhete no chão. Ele pega e abre o envelope.

XERIFE – (lê) Sinto muito pela sua mulherzinha. Mas isso ensina a não se meter comigo.

Ele olha mais afrente e vê a mulher deitada no chão, morta. Ele começa a chorar e corre até ela. Ele se agacha e começa a abraçar o corpo.

XERIFE – (choroso) Eu sinto muito, Bianca. Eu sinto muito, meu amor.

CENA 03/SEDE DA MUJER/SALA DA MARILDA/INTERIOR/DIA:

SONOPLASTIA CONTINUA

Laura e Lúcia entram na sala. Lúcia senta na cadeira da Marilda e Laura a sua frente.

LÚCIA – Como você me encontrou?

LAURA – Nossa mãe leu num jornal que a Marilda e que você estavam saindo de Minas e indo pra São Paulo montar uma empresa. Mas eu não tinha ideia que era essa.

LÚCIA – Você não é de Minas! E provavelmente nossa mãe não foi até lá pra me deixar. Como eu fui parar lá?

LAURA – Eu não queria te contar, mas eu acho que você precisa saber, Lúcia. Nossa mãe jogou você no Rio São Francisco pra morrer.

MUSIC FADE// Lúcia começa a chorar e logo limpa as lágrimas. Ela olha pra irmã, fria.

LÚCIA – Então qual é o seu plano? Acha que eu vou perdoá-la? Eu não vou, Laura!

LAURA – Eu também não a perdoei, mas ela é a nossa mãe. E como todo mundo, ela errou. Mas eu a entendo. Duas filhas, sem marido e no sertão de Alagoas.

LÚCIA – Eu não abandonaria a minha filha. Nunca! Eu criaria as duas mesmo com dificuldades.

LAURA – Eu também não, mas a gente não sabe. Na hora é diferente, mas enfim. Eu não vim aqui pra isso, vim aqui pra dizer o que a mamãe queria te dizer: ela te ama!

LÚCIA – Como você sabe disso, Laura?

LAURA – Ela me disse antes de morrer. Ela disse: “vai até a sua irmã e diga que eu a amo.” Eu disse e estou indo embora.

Laura levanta e caminha até a porta. Lúcia levanta e chama por ela.

LÚCIA – Espere! Senta, vamos conversar mais, querida irmã.

Laura sorri e a encara. Lúcia também sorri.

CENA 04/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA:

Dalva está caída no chão, desmaiada. Ivan entra na sala e vê a esposa. Ele corre até ela. Dalva abre os olhos e encara o Ivan.

DALVA – Pelo amor de Deus me ajuda. Eu não sinto minhas pernas! Rápido, Ivan.

Ele corre até o telefone, preocupado.

IVAN – Uma ambulância, rápido! Rua…

Ele continua a dizer em off.

CENA 05/HOSPITAL/SALA/INTERIOR/DIA:

Helena e o médico entram na sala. Helena senta e o médico fica em pé, na frente dela.

HELENA – E como está indo? Eu tô tomando todos os remédios, me cuidando, eu juro.

MÉDICO – Ainda é muito cedo pra dizer, mas eu tenho quase toda certeza que os remédios não estão funcionando.

HELENA – Não, por favor, não doutor. Eu não quero passar pela quimio de novo. Eu não estou disposta!

MÉDICO – Eu sinto muito Helena, mas ou é isso… Ou vai ser um tiro no escuro e você sabe bem que um tiro no escura não escolhe sua vítima, né?

HELENA – Quimioterapia, então. E seja o que Deus quiser, doutor.

Ela aperta a mão do médico e sai. Ele fecha a porta e volta a sua cadeira.

CENA 06/MANSÃO CAMPOS MELO/SUÍTE DA MARILDA/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Maria está dentro da banheira, coberta por espuma. Marilda entra tirando os sapatos. Ela grita ao ver a Marilda.

MARILDA – (grita) Mais que merda! Não se faz mais serviçal como antes! Sai daí agora.

MARIA – O que você disse, Marilda? Não esqueça que eu sei demais, queridinha.

MARILDA – Eu vou ser expulsa do clube das vilãs por não te tirar daí a tapas. Enfim. Conte-me o que aconteceu nesse tempo.

MARIA – Desde que saiu, nada em especial aconteceu. Gael ligou pra cá, puto. E a Lúcia ligou dizendo que queria falar com você urgente.

MARILDA – Liga pra ela e diz que eu estou indo. Eu vou tomar um banho no quarto de hospedes e, por favor, liga pro dedetizador.

MARIA – Não a bichos nessa casa, Marilda.

MARILDA – É pra banheira!

Marilda sai e Maria ri. A empregada pega um copo de champanhe e bebe, rindo.

CENA 07/HOSPITAL/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Dalva está deitada na cama, com a perna no gesso. Ivan ao seu lado. O médico entra e caminha até eles.

DALVA – Eu tô bem, né doutor?

MÉDICO – Você está bem sim. Quebrou a perna e por isso está com ela no gesso, mas você pode ir embora hoje à noite.

IVAN – Que bom, eu sabia que não era nada.

O médico sai. Ivan pega na mão de Dalva e beija a testa dela. E depois a boca.

CENA 08/SEDE DA MUJER/SALA DO GAEL/INTERIOR/DIA:

Gael e Juliano estão conversando, em pé. Juliano aperta a mão de Gael e sai. Gael pega o telefone e disca os números.

GAEL – Maria, a Marilda já chegou? Ok, eu a espero.

Ele desliga e sai.

CENA 09/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/DIA-NOITE:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 10/SEDE DA MUJER/SALA DA MARILDA/INTERIOR/NOITE:

Lúcia e Laura, sentadas nas cadeiras e conversando. Marilda entra, já falando.

MARILDA – O que é tão urgente, Lúcia? Estou totalmente cansada e espero que não demore muito.

Marilda olha as duas e fica pasma. Lúcia e Laura levantam e encaram a Marilda.

LÚCIA – Mamãe, essa é a minha irmã.

MARILDA – Você está maluca, Lúcia? Isso é uma impostora! Chame os seguranças! Agora!

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

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Linha de Sangue – Capítulo 10

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

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LINHA DE SANGUE – CAPÍTULO 10

CENA 01/MANSÃO CAMPOS MELO/SUÍTE DA MARILDA/INTERIOR/NOITE: 

Marilda está deitada na cama, sonolenta. Tales entra e ela se assusta. 

MARILDA – Que merda é essa? Quem você pensa que é? 

TALES – Desculpe, mas eu preciso falar com você. É urgente! 

MARILDA – Pode dizer, querido. 

TALES – Eu ouvi a sua conversa com o Gael e eu não quero ouvir lorotas. Eu quero dinheiro, Marilda. 

Marilda gargalha. Ela levanta e caminha até o Tales, rebolando. Ela o joga na parede e o encara. 

MARILDA – Você mesmo disse que apenas ouviu, não posso fazer nada se você não tem prova.  

TALES – E quem disse? Eu gravei tudo no meu celular, Marilda. (ele a encara) E não eu não vou te mostrar nada. 

MARILDA – Ok. Odeio quando o aprendiz surpreende o mestre, mas não pense que pode tudo. Diga o seu preço. 

TALES – Quero ganhar mais e a Maria também merece um aumento. E não queremos pouca coisa.  

MARILDA – Então espere pelo aumento, querido. Boa noite. 

Ela se afasta e abre a porta do quarto. Tales sorri e sai. Ela caminha até a cama e senta. Pega o telefone e disca uns números.

MARILDA – O Tales ouviu a nossa conversa e fez o seu preço. Não eu não quero que cuide dele, Gael. Ele está na minha mão e eu sei como cuidar dele. 

Ela desliga e volta a se deitar. 

CENA 02/STOCK-SHOTS/EXTERIOR/NOITE-DIA:

Imagens de São Paulo anoitecendo. Pessoas caminhando pelas ruas e carros indo e vindo.

CENA 03/CASA DO XERIFE/SALA/INTERIOR/DIA:

Bianca entra em casa com as compras. Ela olha pro marido e dá um sorriso amarelo. Ela põe as compras no chão e caminha até ele.  

BIANCA – Victor, querido. Eu esqueci de comprar o leite. Você poderia ir?  

VICTOR – Tem que ser agora? Eu estou…

BIANCA – (corta) Sim, Victor. Tem que ser agora! Eu estou cansada de ouvir esse áudio todo santo dia. 

VICTOR – Ok, eu estou indo. 

Ele levanta, pega a carteira e sai. Bianca senta no sofá e pega o seu celular. 

BIANCA – Você não me conhece, mas conhece o meu marido. E ele tem algo que pode te destruir. Venha pegar comigo, dona Marilda. 

CENA 04/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA: 

Tales e Maria descem as escadas. Eles olham pros lados e se encaram. 

MARIA – Acho que estamos sozinhos. E aí, o que ela disse? 

TALES – Disse que vai nos dá aumento. Só isso… Acho que ela tá armando Maria. 

MARIA – Se ela quisesse te matar, já teria matado. Você mesmo disse que a casa estava vazia, só com alguns seguranças. 

TALES – É tem razão, mas e o Gael? Ele parece estranho, Maria. 

MARIA – É só um empresário idiota. Deve comer na mão dela, fique mais atento com ela. 

Tales concorda e sai. Maria vai atrás. 

CENA 05/SEDE DA MUJER/SALA DA MARILDA/INTERIOR/DIA: 

Lúcia está sentada, mexendo no computador. Gael entra e se aproxima dela. 

GAEL – Você deve ser a Lúcia, né? Sua mãe nunca nos apresentou direito. 

LÚCIA – Ela não quer que eu me envolva nos negócios, mas mesmo assim eu estou aqui. 

GAEL – Sabe onde ela se meteu? 

LÚCIA – Ela viajou pra Minas. Disse que volta rápido, e que precisava resolver coisas. 

GAEL – Estranho, porque hoje é o dia de receber os possíveis novos funcionários e ela queria está envolvida. 

LÚCIA – Se precisar de ajuda, estou aqui. É Gael, né? 

Ele faz que sim com a cabeça. Ela levanta e derruba uns papeis no chão. Gael a ajuda. Eles se encaram. 

GAEL – (ri) Sabe o que é estranho? Você é muito igual a uma criança que eu conheci um dia. 

LÚCIA – Isso é impossível, quer dizer, eu passei minha vida em Passos. Só se você foi pra lá um dia. 

GAEL – Passos, né? Acho que conheço sim. 

Eles botam os papeis na mesa e se levantam. Lúcia sorri e sai. Gael sai, desconfiado. 

CENA 06/PENSÃO MARTINS/FRENTE/EXTERIOR/DIA: 

Laura sai e entra no táxi que já a esperava. Juliano sai correndo e entra no táxi. 

JULIANO – Estou ansioso. Eles não chamariam pra dizer não, né? 

LAURA – Eu também estou. Onde eu trabalhava antes não precisava mandar currículo, era só aparecer uma enxada. 

Eles riem. O táxi sai cantando pneu. 

CENA 07/HELIPORTO/EXTERIOR/DIA: 

Marilda sai do helicóptero e entra num carro preto que a esperava. 

MARILDA – (ao motorista) Você sabe aonde eu morava antes, né? 

MOTORISTA – Sim senhora. 

MARILDA – Então, vá mais além. Ultrapasse a linha do fim do mundo. Entraremos no Inferno, querido. 

Ela sorri e o motorista concorda. O carro sai cantando pneu. 

CENA 08/SEDE DA MUJER/PÁTIO/INTERIOR/DIA:

Laura e Juliano entram no pátio. Eles se encaram, sorrindo.

JULIANO – Acho melhor eu ir ao banheiro, antes de…

LAURA – (corta) Eu te espero, Juh.

Juliano sorri e sai. Ele anda um pouco, perdido. Ele esbarra no Leandro que cai.

JULIANO – Um trilhão de desculpas, eu juro que não tive. Eu…

LEANDRO – Tudo bem, eu estou bem. Só me ajude a me levantar, ok?

Juliano o ajuda, nervoso.

LEANDRO – Obrigado. Só não saia esbarrando em todo mundo. Posso saber o seu nome?

JULIANO – Juliano e o seu, pelo crachá, é Leandro. Prazer.

LEANDRO – O prazer é todo meu. Pelo que percebi está perdido, eu posso ajudar?

JULIANO – Estou à procura do banheiro, Leandro.

Leandro sorri e o ajuda.

CENA 09/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA:

Zequinha desce dois degraus da escada. Ele senta no degrau e brinca com um carrinho que segurava.

ZECA  – (off) Filho! Vem aqui, agora. Me parece que você não fez o dever.

ZEQUINHA – Estou indo, pai.

Ele larga o carrinho na escada e volta a subir os degraus, rápido.

CENA 10/SEDE DA MUJER/SALA DA MARILDA/INTERIOR/DIA:

Lúcia se despede de uma mulher. Gael entra e sorri pra ela.

GAEL – Não é tão fácil quanto pensei. Agora só falta dois: Laura que não deixou foto e Juliano que é bonitinho.

LÚCIA – Eu fico com a Laura, coitada ela deve ser feia.

GAEL – Se fossemos escolher por beleza, nós estaríamos fodidos.

Eles riem. Gael sai, batendo porta. Lúcia senta na cadeira e pega o telefone.

LÚCIA – Manda a Laura entrar.

SECRETÁRIA – (off) Dona Lúcia, como que a senhora entrou ai tão rápido?

LÚCIA – Tá maluca, eu nem sai daqui. Manda ela entrar logo.

SECRETÁRIA – (off) Ela não tá aqui, dona Lúcia. Acho que ela desistiu.

LÚCIA – Ah não pode ser. Ela tem um currículo tão interessante. Sabe onde ela foi?

SECRETÁRIA – (off) Eu perguntei aqui e disseram que ela pegou o elevador.

Lúcia desliga e sai da sala, correndo.

CENA 11/CASA DO XERIFE/SALA/INTERIOR/DIA:

Batem na porta. Bianca atende e Marilda entra segurando uma bandeja cheia de doces.

BIANCA – Eu consegui fazer o Victor andar Passos inteira atrás de um café especial. E ele achou e deve está voltando.

MARILDA – Eu não vou demorar, Bianca. Mas eu trouxe uns doces, come comigo?

BIANCA – Eu não posso, dona Marilda. Eu sou diabética.

MARILDA – Ah, por favor, é uma forma de agradecer e quase não tem açúcar aqui.

BIANCA – Sendo assim, eu vou aceitar apenas umzinho.

Elas sorriem. Bianca pega um e come. Marilda faz o mesmo.

CENA 12/PENSÃO MARTINS/SALA/INTERIOR/DIA:

Dalva surge no topo da escada segurando uma cesta de roupa. Ela desce uns degraus e escorrega no carrinho do Zequinha.

Ela rola pela escada e quando chega ao chão, bate com a cabeça e desmaia.

CENA 13/CASA DO XERIFE/SALA/INTERIOR/DIA:

Bianca está sentada no sofá com a Marilda. Bianca come um doce e Marilda a observa.

BIANCA – Eu não deveria comer um, e muito menos quatro, mas está tão bom.

MARILDA – Eu sei, receita da minha avó. Ela também era diabética, mas sempre comia um docinho.

BIANCA – E como ela conseguia fazer algo tão bom e quase sem açúcar.

MARILDA – Pois é, segredos de avó. Ela nunca me contou, nem mesmo pra minha mãe.

Bianca pega mais um pedaço e começa a tossir. Ela encara a Marilda, aflita.

BIANCA – (tosse) Pega o meu remédio, por favor. Acho que passei da conta.

MARILDA – Eu acho que não.

Bianca larga o doce e começa cuspir. Marilda ri. A vilã pega o gravador e encara a Bianca.

MARILDA  – Você tinha razão, não tem açúcar aí, mas veneno…

Marilda manda um beijo pra ela e sai. Bianca respira fundo e cai no chão. Ela tosse mais e para.

CENA 14/SEDE DA MUJER/ELEVADOR/INTERIOR/DIA:

Laura entra no elevador, bebendo água. Instante. A porta abre e Lúcia entra. Elas se encaram.

LAURA – Quem é você?

LÚCIA – Eu é que pergunto: quem é você?

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Escrita por
Yuri Neves

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia

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