FALSO HORIZONTE | Último Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu está a apontar a arma pro Marcos. Este último fecha os olhos, esperando.

Perseu    – Está pronto?

Marcos    – Estou.

Perseu continua a apontar, ambos tensos. E quando ia atirar, desiste.

Perseu    – Não posso fazer isso. Eu não consigo fazer isso.

Marcos    – O que?

Marcos abre os olhos. Perseu cai ajoelhado e larga a arma, ele desata a chorar.

Perseu    – (chora) Não posso, não sou capaz. (pausa) Eu te amo, Marcos. Você é meu filho! Tudo isso, tudo isso que eu fiz foi por raiva. (pausa) Rancor. Mas eu te amo e não posso fazer isso… não posso matar o meu próprio filho.

Marcos    – Pai…

Marcos ajoelha e fica perante o Perseu. Eles se abraçam e Marcos começa a chorar.

Marcos    – …obrigado. (pausa) Eu também te amo.

Perseu    – (chora) Eu não consigo entender você. Compreender. Não dá! Mas espero que você me perdoe por tudo o que eu fiz.

Marcos    – (chora) Não.

Perseu    – (limpa as lágrimas) Não?

Marcos    – (chora) Não! (limpa as lágrimas) Você matou a minha mãe, matou o César, destruiu a minha vida tudo por conta de um rancor? De uma raiva? Não! Cê fez tudo isso porque quis, pai. Você escolheu fazer tudo isso porque não tinha nada melhor pra você. (pausa) Cê é um monstro, pai. Um monstro! Então, não, eu não posso lhe perdoar nunca.

Perseu    – Marcos/

Marcos    – (corta) Não! Acabou, pai, acabou. A vida é um jogo, sabe? E pra você, o jogo acabou.

É rápido: Marcos pega o revólver e atira no peito do Perseu que cai pra trás, morto. Marcos toca no bolso do pai e pega uma chave de carro, saindo logo em seguida.

CÂM mostra o sangue saindo do corpo do Perseu e inundando o chão ao seu redor.

 

CENA 02. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai do galpão. Ele olha pros lados, encontra o carro e entra nele. Marcos dá partida e sai cantando pneu.

 

CENA 03. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Gina e Alberto sem entender, a encarar o povo que, em sua maioria, estão vaiando. Suzana, sorrindo, sai do palco.

Alberto   – Chega! Cês estão vaiando a Gina porque hein?

Divina    – (longe) Não é obvio? Ela não é ela, Alberto, é uma coisa.

Alberto   – A Gina é a minha mulher, é a minha vida, é o meu tudo. A Gina independente do que tem no meio das pernas, é uma mulher.

Gina      – (baixo) Tudo bem, eu saio do palco, Alberto. Não precisa disso não.

Alberto   – Precisa sim, Gina. Eu estou cansado dessa cidade hipócrita e cheia de preconceitos. (alto) Cês me querem como prefeito, mas não querem a Gina?

Divina    – (longe) É isso mesmo.

Alberto   – Pois bem: não vão ter nenhum dos dois. Sem a Gina ao meu lado, eu não sou capaz de comandar essa cidade.

Gina      – (baixo) Esse é o seu sonho, não pode abandonar tudo por conta de mim.

Alberto   – O meu sonho é você. (alto) Eu gostaria de recomendar uma pessoa para ser prefeita: a Nilda!

CÂM busca a Nilda. Ela fica surpresa.

Alberto   – Com vocês, a querida Nilda.

Nilda sobe no palco. O povo aplaude. Ela fica ainda mais surpresa. Alberto e Gina saem, e a ao passar pela Suzana e a encara.

Alberto   – (baixo) Até mesmo pra você, Suzana, isso foi golpe baixo.

Suzana    – (baixo) Gostou?

Ele não responde e sai com a Gina.

CÂM volta a Nilda que reage bem aos aplausos do povo.

 

CENA 04. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda a encarar a Leila e o Thiago.

Wanda     – É o que? Cê ficou maluca? Tu não vai ter esse filho não.

Leila     – Eu vou e vou tê-lo ao lado do Thiago.

Wanda     – Cê me dá nojo sabia? Nojo! Isso é nojento! Eu não te criei pra isso.

Leila     – Me criou pra ficar trocando de marido a cada cinco minutos igual você faz?

E Wanda dá um tapão na cara da Leila.

Wanda     – Me respeita!

Thiago    – Chega! A senhora já causou muita discórdia aqui. Tá na hora de ir embora.

Wanda     – E quem é você pra me mandar ir embora.

Thiago    – Não sou ninguém, dona Wanda. Mas pelo menos eu sou uma pessoa boa, não sou um babaca como você é.

Wanda     – (a Leila) Vai deixar ele destratar a sua mãe assim?

Leila     – Ele tá certo. Fora daqui, mãe. Fora!

Wanda     – Esta foi a última vez que você me viu, tá me ouvindo? Nunca mais volto a pisar nesse chão. Nunca mais!

Wanda sobe as escadas. Thiago abraça a Leila, dando conforto a ela.

 

CENA 05. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda ainda sob aplausos.

Nilda     – Gente, muito obrigada. Cê é o que vocês querem, eu aceito sim ser a prefeita dessa cidade.

Divina    – (longe) Você precisa escolher uma vice-prefeita, não acha?

Nilda     – Uma vice? Eu ainda não pensei nisso.

Divina    – (longe) Pois pense bem. Nós precisamos de uma que seja boa, uma que ficou ao seu lado durante horas enquanto estivemos sequestradas.

Nilda     – E depois você disse que eu sou uma assassina. Não vai ser você a minha vice, Divina. (pausa) Uma vice? Quem?

Nilda, tensa, a pensar.

CÂM corta pro Alberto e pra Gina que estão em frente à praça.

Alberto   – O que você acha da gente ir embora daqui?

Gina      – Ir embora? Pra onde, Alberto?

Alberto   – Não posso continuar aqui nessa cidade não. Vamos fugir.

Gina      – Mas pra onde criatura? Eu não conheço nenhum lugar além daqui e de Salvador.

Alberto   – Eu conheço um lugar no interior do Rio de Janeiro.

Gina sorri e eles saem juntos.

 

CENA 06.  DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha trabalhando, cheios de papel na mesa, mexendo nos computadores. Confusos.

Leonel    – Tá impossível! O Perseu não existe, não há rastros dele.

Agatha    – E nem do maldito carro preto. Se pelo menos o Mário tivesse ficado vivo.

Leonel    – Droga! Maldita hora que aquele filho da puta foi morrer.

Eles voltam a trabalhar.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia vindo de um lado e Lauro de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Lauro     – Tá vindo da igreja? Não me diga que a dona Zélia lhe botou de castigo.

Nádia     – (ri) Não. Eu fui resolver o que fazer com o Mário.

Lauro     – Eu sinto muito. Como você está?

Nádia     – Bem, eu estou bem. (pausa) Mudando de assunto: preciso te contar uma coisa.

Lauro     – Diga.

Nádia     – Eu estou gostando do Tadeu e eu sei que vocês ficaram amiguinhos… ele disse alguma coisa sobre mim?

Lauro     – Talvez.

Nádia     – Talvez?

Lauro     – Quer um conselho? Vá! Não fique pensando muito, vá!

Nádia     – Tá certo. Eu vou!

Eles riem e seguem andando e conversando.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda olha pra Suzana e sorri.

Nilda     – Está bem. Eu tomei a minha decisão sobre quem será a minha vice-prefeita.

Divina    – (longe) Fala logo.

Nilda     – É a Suzana. Antes que venham tacando pedra, ela é boa no que faz, só escolheu vice-prefeitas erradas. E podem ter certeza: eu sei fazer escolhas.

Suzana    – Tem certeza disso?

Nilda     – Tenho. Sobe aqui, vice-prefeita da cidade de Ilhabela.

Suzana sobe e fica ao lado da Nilda. O povo não aplaude muito, mas também não vaia.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora, Iris, Nilda e Robson sentados – conversando.

Eleonora  – A Suzana? Ela foi a primeira a nos querer fora da cidade.

Nilda     – Ela fez isso por causa da Gina e do Alberto.

Iris      – É melhor ela do que a Zélia ou Divina.

Nilda     – Nós colocar essa cidade nos eixos, podem deixar.

Gina e Alberto descem segurando as malas e se aproximam deles.

Robson    – Então cês vão mesmo embora?

Gina      – É o melhor a se fazer.

Alberto   – Nós não podemos mais ficar nessa cidade não.

Eleonora  – Mantenham contato.

Nilda     – Eu preciso de um abraço bem apertado de vocês dois.

Ela os abraça.

Nilda     – (ao Alberto) Tudo o que aconteceu entre a gente… que fique pra trás. Eu nunca vou entender porque tomou aquela decisão, mas tomou e chega de falar sobre isso. (pausa) E é melhor que você trate bem a Gina se não…

Eles riem. Gina e Alberto se despedem de todos. Após, eles saem.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andando no corredor.

Nilda     – De todas, eu nunca esperaria que a Gina fosse embora.

Eleonora  – Mas ela foi, e foi feliz. Ela está feliz com o Alberto e é isso que importa.

Nilda     – É sim.

Elas seguem andando e conversando em off.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Thiago e Leila estão abraçados. Wanda desce as escadas com as malas e sai sem olhar pra trás.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Tadeu vindo de um lado e Nádia de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Tadeu     – Ei. Nós vamos falar sobre o que aconteceu?

Nádia     – Não.

Tadeu     – Não?

Nádia     – Eu gosto de você e você gosta de mim, certo? Então, é o que importa.

Tadeu     – Mas vai ter mais?

Nádia     – É claro que vai.

Eles se beijam e seguem andando.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro sentado à mesa, jantando. Amparo o servindo.

Lauro     – Alguma novidade?

Amparo    – Nada.

É nesse momento que eles escutam o barulho da porta batendo. Lauro e Amparo saem.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra e fecha a porta. Lauro e Amparo saem da sala de jantar e se aproximam.

Amparo    – Marcos!

Lauro     – Marcos? Meu deus… cê tá todo machucado. O que aconteceu?

Marcos    – Eu… eu…

E ele desmaia. Antes que caia no chão, Lauro o pega. Amparo os encara.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha na mesma situação. O telefone toca e Leonel atende.

Leonel    – O que? Tô indo. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – Era a Amparo. O Marcos chegou no rancho.

Eles levantam e saem correndo.

 

CENA 16. IGREJA/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra na igreja e se aproxima do altar. Ela ajoelha. O Padre surge e se aproxima.

Fagundes  – Eu estava fechando a igreja.

Zélia     – Oh, desculpe. Eu não sabia, estou indo então.

Fagundes  – Não, fique. Cê está passando por muito Zélia.

Zélia     – Estou mesmo, mas é bom pra eu aprender, sabe? Estou aprendendo com que estou passando.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Nós nunca fomos melhores amigos, né? A verdade é que você me irritava, mas eu gostava de ter por aqui todos os dias.

Zélia     – Com tudo isso que está acontecendo, acabei abandonando a minha fé. Mas estou voltando com ela, ela me faz bem.

Fagundes  – Deus faz bem a todos nós, Zélia.

Zélia     – Eu tô precisando de ajuda, padre. Não estou bem psicologicamente, meus filhos vão me botar pra fazer terapia.

Fagundes  – Isso é bom, é muito bom Zélia. É o que você precisa.

Zélia     – Eu preciso de deus também, padre. Será que ele é capaz de me perdoar?

Fagundes  – Deus ama a todos nós, Zélia. Ele é a capaz de perdoar a todos nós porque nós somos seus filhos.

Zélia     – Tomará que esteja certo.

Ela começa a rezar. E o padre, ao seu lado, a acompanha.

 

CENA 17. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda está sentada, fumando. Suzana se aproxima e senta ao seu lado.

Suzana    – Prefeita.

Nilda     – Vice-prefeita.

Suzana    – Eu vim perguntar se você vai querer ficar com a mansão.

Nilda     – Não. Eu quero é o meu bordel funcionando de novo.

Suzana    – Você é a prefeita agora. Você que manda.

Nilda     – Então pronto. Pode ficar com a sua mansão, que eu tenho a minha aqui.

Suzana sorri e sai.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Marcos deitado na cama, fraco. Lauro e Amparo perto dele, ajudando.

Lauro     – Fica comigo, Marcos. Fica bem e fica comigo.

Marcos    – Eu estou aqui.

Leonel e Agatha entram.

Leonel    – Nós queremos ficar a sós com ele, Lauro.

Lauro     – (ao Marcos) Estarei aqui fora, é só chamar qualquer coisa.

Lauro e Amparo saem.

Marcos    – Nunca pensei que fosse dizer isso, mas é bom ver vocês.

Agatha    – Marcos? O que aconteceu contigo e com o seu pai?

Marcos    – Senta que lá vem história. (pausa) O Mário estava me levando pra Minas ao encontro do meu pai, que estava ao lado do Mário na estrada.

Leonel    – E o carro do Mário capotou, e o seu pai tirou você de dentro antes que o carro explodisse.

Marcos    – Essa parte cês já conhecem? Certo. Quando eu cheguei lá, em Minas, o meu pai começou a se vingar de mim. Ele me bateu, me chutou, me xingou. Eu revidei.

Agatha    – E depois?

Marcos    – Nós ficamos fazendo isso durante todos esses dias que estive lá com ele. Foi estressante, exaustivo, mas foi bom ao mesmo tempo.

Leonel    – Ele disse alguma coisa sobre o César? Sobre o que fez e o que não fez?

Marcos    – Disse. Ele disse que matou a minha mãe, a Marília, mas não quis dizer onde estava o corpo. (pausa) O meu pai disse que entrou em contato com o Mário logo depois de eu ter vendido o rancho, mas não foi aí que começou os planos. Tudo começou quando ele soube que eu estava voltando a cidade. Ele precisava de alguém para me vigiar.

Agatha    – Certo. O que mais?

Marcos    – Ele mandou o Mário matar o César porque queria me provocar.  (pausa) E depois de tudo isso, ele disse que ia me matar.

Leonel    – Mas não matou. O que aconteceu?

Marcos    – Eu o matei e dessa vez, eu tenho certeza. Eu o matei! Foi por legitima defesa, eu juro, ele ia me matar.

Agatha    – Nós não temos dúvidas quanto a isso, Marcos.

Leonel    – Você não está bem. Descanse e se recupere, Marcos. Mas depois nós precisamos que você vá a delegacia, você cometeu crimes de falsidade ideológica.

Marcos    – Eu sei. Não vou fugir, podem ficar tranquilos.

Agatha    – Ótimo. Nós nos vemos daqui a alguns dias então.

Leonel e Agatha saem.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha saem. Eles dão de cara com a Amparo e com o Lauro.

Amparo    – E aí?

Lauro     – O que vai acontecer com o Marcos?

Leonel    – Por enquanto nada, mas depois que ele se recuperar, preciso que ele vá a delegacia. Ele cometeu crimes e precisa ser preso.

Lauro     – Ok. Quem matou o meu pai?

Agatha    – O Mário a mando do Perseu, o pai do Marcos.

Leonel e Agatha saem. Lauro e Amparo se abraçam.

 

CENA 20. CREMATÓRIO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

O caixão com o corpo do Mário sendo posto no fogo. Nádia e Tadeu sentados, olhando. Padre Fagundes benzendo-os.

 

CENA 21. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

A polícia entra no galpão. Eles reviram o lugar e por fim, encaram o corpo do Perseu.

 

CENA 22. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Amparo, Leila e Thiago sentados no banco da praça, conversando.

Amparo    – Então cê vai ficar com o bebê?

Leila     – Não estou totalmente pronta, mas acredito que nenhuma mãe está totalmente pronta.

Amparo    – Felicidades ao casal então. E espero que eu seja a madrinha.

Thiago    – É claro que você vai ser.

Leila     – Amparo do céu! Conta tudo sobre o Marcos.

E eles continuam conversando em off.

 

CENA 23. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/DIA:

Marcos está deitado na cama. Lauro entra e senta ao lado dele.

Lauro     – Bom dia.

Marcos    – Bom dia.

Lauro     – Sei que não quer falar sobre isso, mas é importante. O que você vai fazer com o dinheiro do meu pai?

Marcos    – Eu não quero esse dinheiro, não sei o que fazer com ele.

Lauro     – O meu pai te deu esse dinheiro pra você fazer alguma coisa com ele.

Marcos    – Eu não quero. Fique com ele, pegue o dinheiro e use-o.

Lauro     – Tá certo, vou usá-lo.

Lauro, pensativo.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

Tadeu cuidando do pasto, das pedras. Nádia e Lauro olhando, a primeira toda feliz.

 

CENA 25. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Zélia e o padre Fagundes se aproximando do rancho. Eles riem.

Fagundes  – Como foi a sua primeira sessão na terapia?

Zélia     – Foi bom, foi bom falar sobre coisas e sobre as pessoas. Foi ótimo.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Eu tomei uma decisão, Zélia.

Zélia     – Decisão? E que decisão foi essa?

Fagundes  – Eu vou me aposentar, está mais do que na hora de eu viver mais.

Zélia     – Abandonar a sua fé?

Fagundes  – Não vou abandonar a minha fé. Deus está comigo pra onde eu for, eu vou abandonar o cargo. Eu preciso viver.

Zélia     – Espero que saiba o que está fazendo, Fagundes.

Fagundes  – Eu sei.

Eles se abraçam e Zélia entra.

 

CENA 26. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Nilda e Suzana trabalhando. Elas estão felizes, e conversam.

 

CENA 27. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia, Tadeu, Zélia, Omar e Clara sentados no sofá. Além deles, Felippo.

Zélia     – Muito obrigada por vir aqui Felippo para essa leitura.

Felippo   – Não há de que. Eu peço é desculpas pela demora, muita coisa acontecendo em Brasília ultimamente.

Clara     – É mesmo.

Tadeu     – Pode começar. Nunca presenciei uma leitura de testamente antes. Estou ansioso.

Felippo   – É claro. (começa) O meu rancho, propriedade que adquiri com muito esforço, deixo para os meus dois filhos: Omar Almeida Souza e Nádia Almeida Souza. A minha querida esposa, deixou uma grande quantidade de dinheiro adquirida com os lucros que o rancho me deu com o passar do tempo. (termina) É rápido e claro.

Zélia     – Pelo menos ele lembrou de mim. Eu vou subir.

E Zélia sobe.

Nádia     – Então quer dizer que esse rancho todo…

Omar      – … é nosso?

E eles comemoram.

 

CENA 28. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Robson vindo de um lado e Iris de outro. Eles se aproximam e sem pensar duas vezes, Robson dá um beijão na Iris.

 

CENA 29. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, trabalhando. Marcos entra e os encaram. Os dois entendem.

 

CENA 30. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

O tempo passa…

Eleonora e Nilda juntas. Robson e Iris juntos. Eles estão sentados, conversando.

Eleonora  – Depois de tanto tempo trabalhando, não acredito que finalmente o bordel vai reabrir.

Nilda     – Nem eu. Seria ótimo se a Gina estivesse aqui para nos cantar uma música.

Iris      – Mas ela está bem onde está, Gina.

Robson    – Nós falamos com eles esses dias. Eles estão morando numa cidade no interior do Rio de Janeiro, chamada Prata. E eles estão felizes.

Eleonora  – É o que importa.

E Suzana entra.

Suzana    – Nós precisamos trabalhar, prefeita.

Nilda     – Aí estou atrasada. (a Eleonora) Prepare tudo para a chegada das novas meninas e também para a reabertura do bordel.

Eleonora  – Pode deixar. Elas já devem estar chegando.

Nilda     – Robson e Iris: ajudem!

Robson    – (fala junto com a Iris) Pode deixar chefia.

Iris      – (fala junto com o Robson) Pode deixar chefia.

Nilda dá um beijo na Eleonora e sai com a Suzana. Robson e Iris também se beijam.

 

CENA 31. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia ao lado do Fagundes, Clara com o Omar – e sua filha -, Tadeu com a Nádia. Eles feliz, tomando café, é divertido.

CÂM vai passando pela mesa mostrando cada um com o seu par. Todos felizes.

 

CENA 32. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra e se aproxima da Agatha que está sentada.

Agatha    – A algum tempo atrás, eu estava dizendo que nada acontecia nessa cidade. E eu estava certa. Mas eu reclamei…

Leonel    – …e a tempestade veio. Nós nos arrependemos de ter chamado a tempestade, mas foi bom…

Agatha    – …foi muito bom! E agora a tempestade de foi novamente. Nós estamos sem dramas, sem coisas acontecendo.

Leonel    – Mas é melhor nem reclamar. Deixe que a tempestade chegue sozinha, porque ela vai chegar.

Agatha    – Ah se vai. Pode ter certeza que um dia, ela há de chegar.

Eles sorriem e seguem a trabalhar.

 

CENA 33. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Divina em frente à casa, esperando. Um táxi para e dele salta um homem vestido de padre, bonitão.

Padre     – Cê que é a Divina?

Divina    – Eu mesmo. E você que é o novo padre da cidade.

Padre     – Eu mesmo. É um prazer em conhecê-la.

Divina    – Digo o mesmo. Vamos entrar, eu fiz chá.

Eles entram.

CÂM se aproxima de uma das janelas da casa e mostra uma mulher sentada numa cadeira, de costas. A cadeira balança.

CÂM entra na janela e mostra que essa mulher é o corpo da Célia empalhado tal como a Norma Bates no filme Psicose

 

 

CENA 34. RUA/EXTERIOR/DIA:

Leila e Thiago andando juntos na rua com o filho (um menino negro, lindo). Eles estão felizes.

 

CENA 35. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Amparo cuidando do pasto. Ele sendo replantado indicando que o rancho está aberto novamente.

Lauro     – Obrigado Amparo pela ajuda.

Amparo    – Não foi nada. Não se esqueça que isso aqui também é meu. E é ótimo poder reabrir o rancho.

Lauro     – É mesmo não é.

O celular dele toca e ele atende.

Lauro     – Alô.

Pérola    – (off) Lauro? Cê não me ligou mais e nem o Robson. Como estão as coisas.

Lauro não responde e desliga na cara dela. Amparo o encara.

Amparo    – Quem era?

Lauro     – Engano. (olha a hora) Meu deus! Está na hora de ir buscar o Marcos.

E ele sai correndo.

 

CENA 36. FRENTE À PRISÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai da cadeia. Ele não vê ninguém, mas olha pro lado e vê o Lauro. Ele sorri.

Lauro     – Marcos.

Marcos    – Lauro.

Lauro     – Estou morrendo de saudades de você.

Marcos    – Eu digo o mesmo.

Lauro     – Tenho uma surpresa pra você, querido.

Marcos    – Surpresa?

Lauro     – Sabe o dinheiro do pai? Então, montei um jornal aqui em Ilhabela e convidei uns funcionários seus pra vir pra cá.

Marcos    – (sorri) Obrigado. Obrigado por tudo, Lauro.

Lauro     – Não foi nada.

E eles saem em direção ao horizonte.

Lauro     – O dia hoje tá lindo. Olha só esse horizonte.

Marcos    – Lindo mesmo. É uma pena que ele é falso!

 

FIM!

 

NOTA DA AUTORA: 

ÚLTIMO CAPÍTULO!

É o último! Meu deus! Foram quatro meses escrevendo e eu acabei? Foi ótimo! “Falso Horizonte” termina do jeito que eu planejei desde o início, algumas coisas ficaram de fora – sempre fica –, mas o que importa foi ao ar. E foi ótimo!

Essa foi a obra com mais referências que eu já fiz. Teve referência a obra original, também chamada de Falso Horizonte, teve referência a Porto dos Milagres, uma das minhas novelas favoritas, e ainda deu tempo de fazer referência a novela “Família” – do Yuri, o meu coautor e escritor do original Falso Horizonte.

Aliás, obrigada Yuri por todo apoio e compreensão. Mesmo que a gente não tenha concordado com tudo, obrigada. Essa obra é uma homenagem a você, meu amigo e meu primo.

Por fim: obrigada a todos que leram até aqui, ao Vinny e ao ADNTV em geral. Obrigada!

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Penúltimo Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

Marcos    – Eu quero e preciso saber. Onde é que está a minha mãe?

Perseu    – A Marília morreu, Marcos. Morta! Ela está morta.

Marcos    – O que? (desata a chorar) Não é possível, não… como? Como ela morreu?

Perseu    – Eu a matei. Esse foi o meu primeiro passo da vingança, eu a encontrei e a estrangulei até o ar de seus pulmões acabar. (pausa) Foi ótimo! Eu me senti tão bem…

Marcos não aguenta, chora, cai no chão. E Perseu continua.

Perseu    – … me senti revigorado. Ela estava morando numa casinha em Penedo, não tinha se casado e nem tido novos filhos. (pausa) Eu a encontrei e fui até ela, nós conversamos, ela me reconheceu. Foi uma boa conversa, eu disse que tinha mudado, ela me perguntou de você. (pausa) Eu não respondi, não queria dar detalhes. Logo depois, eu segurei o braço dela e depois parti para o pescoço…

CÂM mostra o Marcos tentando não escutar, tapando os ouvidos, ele tenta se afastar; Perseu chega mais perto e continua.

Perseu    – … ela estava com tanto medo. Coitada. Eu estava com o sangue quente, doido para fazer o mesmo contigo logo logo. Não demorou muito para que ela morresse em minhas mãos, literalmente. Foi gracioso. Eu peguei o corpo e me livrei, ninguém o encontrou até hoje. (pausa) É claro que eu não vou lhe dizer onde ele está, é melhor que não saiba. Mas fique sabendo que eu cuidei bem dela, cuidei bem do corpo flácido e velho dela.

Marcos finalmente levanta e cheio de sangue nos olhos bate no Perseu, o derrubando no chão, arranhado o rosto dele.

Perseu    – (com dor, mas não demonstra) O que? Não queria os detalhes? Estou lhe dando!

Marcos    – Cala a boca! Cala a merda da boca!

E continua: batendo, arranhando, deixando o Perseu todo machucado tal como o Marcos está.

Marcos    – (ódio) porque? Ela não fez nada pra você. Porque?

Perseu    – (na mesma) Não entendeu ainda, né? Porque eu quis. Porque eu quero ver você sofrer, Marcos. (pausa) Eu gosto disso, eu gosto de ver você chorando, se definhando.

E então o Marcos para. Ele deita no chão, exausto e ainda chorando. Perseu, também exausto, ao lado dele – ambos ofegantes.

 

CENA 02. RUA/EXTERIOR/NOITE:

As pessoas cercando a Nilda e a Divina, essa última sendo encarada. Eleonora vem correndo e abraça a Nilda. Iris à parte.

Nilda     – Eleonora/

Eleonora  – (corta) Nunca mais ouse fazer isso comigo, ok? Eu não posso viver sem você.

Elas se beijam. E Divina dá outro berro.

Divina    – Será que eu vou ter que repetir? Essa mulher, a Nilda, é uma assassina.

Todos sem entender. CÂM mostra o Leonel e Gina saindo do bordel e se aproximando delas.

Leonel    – Eleonora. Divina. O que aconteceu? Cadê a Célia?

Divina    – É justamente disso que estou falando. (pausa) A Nilda matou a Célia!

Leonel    – Ok… eu preciso que vocês duas me acompanhem até a delegacia.

Gina      – Calma aê, a Nilda mal chegou e já querem levar ela?

Leonel    – É preciso.

Eleonora  – Não demore.

Nilda     – Não vou demorar, logo vou estar de volta no meu bordel.

Nilda dá outro beijo na Eleonora. E sai com a Divina e com o Leonel. Eleonora, Iris e Gina voltam pro bordel.

 

CENA 03. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Fagundes vendo toda a cena anterior. Suzana se aproxima.

Suzana    – Foram me avisar da volta delas. Alguém sabe da Célia?

Fagundes  – Eu escutei a palavra assassinato, alguma delas matou a Célia, acho.

Suzana    – Droga! Estou sem vice.

Fagundes  – Você estava sem vice desde que tirou a Zélia. Botar a Célia foi loucura, Suzana.

Suzana    – Era o certo a se fazer na época.

Fagundes  – De qualquer jeito. O que vai fazer agora?

Suzana    – Como assim?

Fagundes  – Não espera continuar sendo prefeita da cidade, espera? Exigiram a saída da Zélia por menos.

Suzana    – É, tem razão. Eu perdi a minha chance de mudar essa cidade.

Ela dá as costas pro padre e sai andando. Ele bufa e entra na igreja.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago se aproxima da Leila e a abraça.

Thiago    – Isso é ótimo, meu amor. É ótimo, é perfeito.

Leila     – Não, não é. Eu não sei se estou pronta para ser mãe Thiago.

Thiago    – Oh, entendi.

Leila     – Eu quero ter filhos, um dia. Não sei se eu quero agora. Quer dizer, é muita pressão. Muita coisa para se cuidar e tratar sobre. Não sei se/

Thiago    – (corta) Eu entendi. (pausa) Eu estou pronto para ter filhos, para casar… mas se você não estiver, eu espero. Eu quero fazer tudo isso com você e só com você.

Leila     – Minha mãe quer que eu aborte, mas eu também não quero abortar.

Thiago    – Então o que você pretende fazer?

Leila     – Não sei, preciso pensar sobre isso.

Thiago    – Tome o seu tempo, demore quanto tempo quiser para pensar sobre.

Eles se beijam e seguem abraçados.

 

CENA 05. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada. Leonel, Nilda e Divina entram; o primeiro senta ao lado da Agatha, e as outras em frente a eles.

Agatha    – Cês voltaram?

Nilda     – Nós voltamos.

Divina    – Será que dá pra vocês terem foco aqui? Essa mulher é uma assassina.

Leonel    – Eu preciso que vocês digam exatamente tudo o que aconteceu.

E elas começam a falar em off.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris e Gina entram. Elas se aproximam do Alberto, da Clara e do Robson.

Clara     – Eu cheguei aqui e eles disseram que a Nilda voltou. Cadê ela?

Eleonora  – Na delegacia. A louca da Divina está acusando ela de assassina, o Leonel levou as duas.

Gina      – Eles poderiam deixar a gente pelo menos falar com ela antes de levá-la.

Iris      – Ela vai voltar gente.

Robson    – A Iris tá certa. Se a Nilda matou a Célia foi pra se defender, ela vai voltar.

Gina      – Tô morta de sono, amanhã eu dou um abraço na Nilda.

Gina e Alberto sobem as escadas. Os demais seguem conversando em off.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Alberto e Gina entram no quarto. Eles sentam na cama.

Gina      – É ótimo que a Nilda esteja de volta.

Alberto   – Será que ela vai nos perdoar? Me perdoar, quero dizer.

Gina      – Espero que sim, é a Nilda. Ela não é assim.

Alberto   – Tomará.

O celular do Alberto toca e ele atende.

Alberto   – Alô.

Ligação continua na próxima cena.

 

CENA 08. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo uísque e com o telefone na mão.

Alberto   – (off) Alô.

Suzana    – Você ganhou, parabéns. Eu vou renunciar amanhã, antes que exija que eu faça isso.

Alberto   – (off) Está desistindo?

Suzana    – Não se ache não. Estaria prontinha pra quando você estiver precisando de mim.

Ela desliga o telefone e continua a beber.

 

CENA 09. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Mesma situação da cena 05.

Divina    – E então? O que diabos vocês vão fazer?

Leonel    – Nada. Desculpa, Divina, eu sinto muito… mas não vamos fazer nada.

Agatha    – A Célia sequestrou vocês, a Nilda atirou nela para se defender e defender você.

Divina    – Minha irmã não mataria a gente. Ela não é maluca.

Leonel    – Ela não estava segurando uma arma? Não mantinha vocês amarradas? Então pronto.

Divina    – Isso é/

Nilda     – (corta) Posso ir?

Leonel    – As duas podem.

Agatha    – Aliás, podem nos dar o endereço da casa? Precisamos pegar o corpo.

Divina    – Cês não vão tocar no corpo dela. Eu dou um jeito!

Divina sai correndo. Os outros três a encaram saindo.

 

CENA 10. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Perseu arrasta o Marcos pra dentro e o amarra. E bota um silver tape na boca dele.

Perseu    – Chega por hoje! Aproveita essa noite que é a sua última. (pausa) Amanhã de manhã eu volto e nós terminamos com isso de uma vez por todas.

Ele ia embora, mas volta e encara o filho.

Perseu    – Nem posso acreditar que a hora está finalmente chegando. Minha vingança será concluída.

E ele sai. Marcos fecha os olhos.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/QUARTINHO DA EMPREGADA/INTERIOR/DIA:

Leila acordada, deitada ao lado do Thiago que aos poucos desperta.

Thiago    – Ei! Bom dia.

Leila     – Bom dia.

Thiago    – Conseguiu dormir? Eu percebi que de madrugada se mexeu um pouco.

Leila     – Não consegui dormi nada, fiquei pensando a noite toda. (pausa) Cheguei a uma decisão.

E fecha nela, decisiva.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andam pelos corredores. Elas estão agarradas e conversam.

Eleonora  – É tão bom que você estar de volta.

Nilda     – Não vou mais desgrudar de você.

Eleonora  – É melhor que não desgrude mesmo.

Elas seguem agarradas.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Alberto e Gina se arrumando.

Gina      – Está mesmo confiando que a Suzana vai renunciar?

Alberto   – Ela não parecia estar brincando e sinceramente, faz sentido. A carreira dela está acabada, Gina.

Gina      – A carreira pode estar acabada, mas me recuso a pensar que a Suzana vá desistir assim tão fácil.

Alberto   – Ela vai e sabe porque? Porque ela não tem alternativas. A Célia sequestrou duas pessoas, a própria irmã, e quase matou as duas. A Suzana está ferrada.

Gina      – Só estou dizendo para tomar cuidado, estou sentido que algo não está certo.

Alberto   – Vai dá tudo certo. Confia em mim.

Gina      – Eu confio em ti, meu amor. O problema é a Suzana.

Eles se beijam e saem.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Nádia estão deitados na cama, pelados. Eles começam a despertar.

Tadeu     – A gente…?

Nádia     – Nós transamos, sim, nós fizemos sexo.

Tadeu     – E nós vamos conversar sobre isso termos feito sexo?

Nádia     – Não agora, preciso fazer uma coisa e estou atrasada.

Nádia levantada da cama, já se vestindo, e sai do quarto. Ele sorri.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara sentados à mesa, se servindo. Zélia entra e senta ao lado deles.

Omar      – Bom dia, mãe.

Zélia     – Bom dia. E onde é que está o Thiago?

Clara     – Ele saiu, disse que precisava dá uma saída.

Zélia     – Esses empregados hein. (pausa) Fiquei sabendo da Nilda, como ela está?

Clara     – Bem, na medida do possível.

Tadeu entra e senta com eles.

Omar      – Cadê a Nádia?

Tadeu     – Ela disse que precisava resolver umas coisas.

Omar      – Ah, o papai.

Zélia     – Omar, não quero mais falar sobre esse homem. Mudando de assunto: Tadeu, como vocês estão?

Tadeu     – Nós estamos? Nós quem?

Zélia     – Você e a minha filha. Nós escutamos tudo ontem, pelo menos eu escutei.

Clara     – Nós também escutamos.

Tadeu     – Não tem nada entre a gente, eu acho, não sei.

E Tadeu os ignora, comendo.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro sentado à mesa. Amparo o servindo.

Lauro     – Fiquei sabendo da Nilda e da Divina. Como elas estão?

Amparo    – Não sei, mas acredito que bem. Eu só sei que a Nilda matou a Célia pra se defender.

Lauro     – Hm, interessante.

Amparo    – Lauro? Cê não quer saber da Nilda e da Divina, não é?

Lauro     – Não, eu quero saber do Marcos. Onde diabos ele está?

Amparo    – Não sei, mas agora que isso da Nilda acabou, o Leonel e a Agatha vão ter todo o seu foco no Marcos.

Lauro     – Espero.

E eles continuam a conversar em off.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra tomando café e senta ao lado dele.

Leonel    – Agora, nós precisamos focar em encontrar o Marcos.

Agatha    – É claro.

E eles começam a trabalhar.

 

CENA 18. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Marcos todo amarrado e com a boca tapada. Perseu e um homem entram.

Perseu    – Você está dispensado. Essa é a última vez que nós vamos nos ver. Pega o dinheiro que lhe dei e suma daqui.

Homem     – Foi um prazer trabalhar com o senhor, chefia.

O homem sai. Perseu se aproxima do Marcos e o desamarra, e tira a fita da boca dele.

Perseu    – Levante-se! Está na hora de você morrer.

Marcos    – E como você vai fazer isso?

Perseu    – Não se preocupe, não vai doer. Pelo menos, não muito.

Marcos levanta. E eles se encaram frente a frente.

 

CENA 19. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes está ajoelhado, rezando. Nádia entra e se aproxima.

Nádia     – Desculpa interromper padre.

Fagundes  – (levanta) Não está interrompendo a nada.

Nádia     – Eu vim aqui conversar sobre o meu pai.

Fagundes  – Oh, claro. O enterro pode ser amanhã mesmo, se quiser.

Nádia     – Não, não. Ele não vai ser enterrado, vai ser cremado. (pausa) É o certo a ser feito.

Fagundes  – Oh, entendo.

 

CENA 20. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda está sentada no sofá. Leila e Thiago entram e se aproximam.

Wanda     – Leila. Thiago.

Leila     – Eu tomei a minha decisão, mãe.

Wanda     – Ele já sabe?

Thiago    – Já sei sim.

Wanda     – Ótimo. É ótimo que vocês dois tenham percebido que o aborto é a melhor coisa a se fazer agora.

Leila     – Eu não vou abortar, mãe! (pausa) Eu vou ter esse filho e vou criá-lo ao lado do Thiago.

 Os três se entreolham.

 

CENA 21. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Suzana em cima de um palanque. Pessoas em volta dela incluindo o Alberto, a Gina, a Divina e a Nilda.

Suzana    – Bom dia cidadãos de Ilhabela. Eu sei que vocês querem a minha opinião sobre o que aconteceu com a Nilda e com a Divina e aqui vai: eu repudio a atitude da Célia. Ela errou, e eu errei em ter posto ela como vice-prefeita. Ela pagou por isso, e eu vou pagar por isso também. (pausa) Eu estou renunciando à prefeitura.

Ela dá tempo para as pessoas reagirem, mas isso não acontece. E continua.

Suzana    – É a decisão certa a ser feita. Por conta disso, acredito que cês queiram o antigo prefeito de volta.

Alberto sorri e fica ao lado dela.

Suzana    – Com vocês, Alberto.

O povo aplaude.

Alberto   – Obrigado.

Suzana    – E a primeira-dama, Gina.

O povo começa a vaiar a Gina. Ela rapidamente fica envergonhada, Alberto encara a Suzana que sorri.

 

CENA 22. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu e Marcos se encaram. Perseu pega o revólver e aponta pra ele, ele bota o dedo no gatilho pronto para atirar.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 48 [Últimos Capítulos]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Marcos está estirado no chão, todo machucado. Ele começa a despertar. Perseu entra e o encara, altivo.

Perseu    – Acordou? Ótimo porque a minha vingança está só começando.

Perseu se agacha e pega o maxilar do Marcos com força, obrigando ele a olhá-lo.

Perseu    – É pra me olha, filho da puta. Me olha!

Marcos    – (com dificuldade) É engraçado que você esteja falando de vingança quando na verdade eu deveria estar querendo isso.

Perseu    – (o solta) Você? E o que diabos eu fiz pra você hein?

Marcos    – Tá com memória fraca, pai? Pode deixar que eu lhe recordo.

Ele senta no chão. Perseu se afasta, mas ainda o encarando.

Marcos    – Pra começar que você me maltratava e a minha mãe. Ela me deixou porque você batia nela diariamente, e ainda proibiu ela de me ver.

Perseu    – (ri) Eu nunca levantei a mão pra sua mãe… pelo menos não sem motivo. Ela merecia. (pausa) E quanto a ter proibido ela de ir ver… era o certo a ser feito. (pausa) Se bem que eu me arrependo, se você tivesse ido com ela, a gente não estaria aqui hoje.

Marcos    – Você não me deixou ir com ela por puro machismo. Achava que me tornaria homem contigo, pai… eu sou homem! Eu sou homem!

Perseu    – É um homem incapaz de me dar um neto, incapaz de amar uma mulher. Não é um homem. Um homem de verdade não ama outro homem, Marcos.

Marcos    – Não vou entrar nessa discussão contigo novamente, porque não vale a pena. (pausa) E continuando com a minha lista: você quase me matou.

Perseu    – Eu não ia te matar, dramático. Era para te dar um susto, mas você não… você tentou me matar. Você queria fazer isso.

Marcos    – Não, não, eu queria me proteger de você. Era o único jeito de eu sair vivo dali era te dando um tiro… se eu não tivesse atirado em você… você ia me matar. Eu sei que ia.

Perseu    – Dramático.

Marcos    – E além de tudo isso, você destruiu a minha vida. Eu fui obrigado a sair de casa, ficar longe do Lauro e do César… você matou o César!

Perseu    – Eu não matei o César, o Mário fez por mim.

Marcos    – Você nem percebe, né? Nem percebe o quão horrível você é… Pai, no que foi que você se tornou?

Perseu    – (ri) No que eu?… (risada alta) Eu? (sério; grita) No que foi que VOCÊ se tornou? Tu era pra ser o meu filho homem, que ia herdar o meu rancho, que ia fazer e acontecer naquela cidade. Tu era pra ser o homem da família quando eu morresse, era pra ser o meu herdeiro. (grita) Você destruiu todos os meus planos! Acabou com todos eles! (pausa; ri) No que foi que eu me tornei? Idiota.

Marcos    – Pai/

Perseu    – (corta) E ao contrário de seguir todos os meus planos… o que é que cê faz? Se apaixona por um velho caquético, faz planos de criar o Lauro com ele como se fosse… (pausa; grita) Isso não é um conto de fadas! Idiota! (ri) Tu achou mesmo que ia criar o Lauro com o César como se fosse uma família? Idiota! Imbecil! É filho da sua mãe mesmo, tudo na mesma laia desgraçada.

Marcos    – (grita) Não fala assim da minha mãe/

Perseu    – (corta) E tu vai fazer o que comigo? (grita) Chega! Não aguento mais escutar a sua voz de merda.

Perseu pega uma silver tape e bota na boca do Marcos, o calando. Ele ia agredir o Marcos, mas desisti.

Perseu    – Eu preciso respirar. Cê me dá nojo, Marcos.

Ele dá as costas e sai. Marcos arranca a silver tape, sentido dor após fazê-lo.

 

CENA 02. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Célia e Nilda a brigar pela arma, até que a mesma dispara no meio delas. Elas se encaram, tensão, é quando a Nilda levanta; vitoriosa, porém em choque.

Nilda     – (em choque) Eu… eu a matei? Oh deus! Eu a matei!

CÂM, então, mostra a Divina logo atrás ainda amarrada na cadeira. Ela desata a chorar.

Divina    – (chora) Você… você… você matou a minha irmã? Não!

Nilda     – Desculpas, eu não queria. Eu só quero sair daqui, desculpa.

É quando ela se solta da cadeira e ajoelha perante o corpo da Célia, a chorar. Nilda tenta ajudar.

Divina    – (chora) Eu não quero a sua ajuda, assassina.

Nilda     – A Célia ia nos matar, Divina. Por favor/

Divina    – (chora; corta) Cala a boca!

Divina agarra o corpo da irmã, chorando muito.

Nilda     – Eu sinto muito, mas nós precisamos sair daqui… eu estou indo. Fique se quiser.

Nilda dá as costas e sai. Divina a chorar e encarar o corpo da Célia, ela levanta e sai.

 

CENA 03. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda entra e percebe a presença da Amparo e do Thiago, dando um sorriso amarelo.

Leila     – Mãe.

Wanda     – Oi filha. (aos demais) Oi para vocês também.

Leila     – Não esperava que viesse hoje, tão rápido.

Wanda     – Eu sou rápida querida. (aos demais) Cês já estão de saída, certo?

Thiago    – Na verdade/

Amparo    – (corta) Estamos sim de saída, Wanda. É sempre um prazer.

Wanda     – Eu digo o mesmo, querida.

Amparo e Thiago levantam e sai.

Wanda     – Esses seus amigos hein, filha, jesus.

Leila     – Mãe!

Wanda     – Não está mais aqui quem falou, mas se sabe a minha opinião. (pausa) E sabe a minha opinião sobre trabalhar de empregadinha, meu deus, filha.

Wanda a olhar a casa do teto ao chão. Leila bufa.

 

CENA 04. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo e Thiago saem.

Thiago    – Cê deveria ter deixado eu responder aquela mulher.

Amparo    – Não se mete nessas coisas, ela vem e vai ir embora rápido. É melhor assim.

Thiago    – Eu não gosto dela.

Amparo    – Ninguém gosta, mas a presença dela é necessária… quem sabe assim a Leila conta a verdade logo.

Thiago    – Verdade?        

Amparo    – Aí esquece! Eu não falei nada não, isso é entre vocês e ela.

Thiago    – Do que você está falando?

Amparo    – Não estou falando de nada. Ela vai te contar, é só esperar.

Ela sai correndo. E Thiago, sem entender, sai pelo outro lado.

 

CENA 05. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda e Leila sentam no sofá.

Leila     – Achei que o seu marido ia vir junto.

Wanda     – Não, deus o livre dessa cidade. É melhor que ele fique em Salvador mesmo.

Leila     – Tudo isso é por causa do Thiago e da Amparo?

Wanda     – E por causa desse emprego de merda. É lógico que eu não contei pra ele que é empregada, imagina só um diplomata casando com a mãe de uma empregada.

Leila     – Mãe… eu desisto de você. Eu desisto.

Leila levanta do sofá, mas se sente mal, e volta a se sentar.

Wanda     – Meu deus! O que foi isso, Leila?

Leila     – Não foi nada.

Wanda     – É claro que foi alguma coisa. O que andou tomando hein?

Leila     – Nada, não foi nada. Me deixa!

Wanda     – Não deixo! O que foi isso, Leila?

Leila     – É que eu… eu estou grávida mãe.

E elas se encaram.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina caminhando pela rua escura. Divina a chorar, Nilda ainda em choque; porém determinada.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Iris e Alberto sentados. Eles conversam, preocupados.

Eleonora  – Não estou aguentando mais, se eu tiver que passar mais uma noite sem a Nilda… eu nem sei. Eu vou enlouquecer.

Iris      – Pensamento positivo. O Leonel e a Agatha estão fazendo de tudo para encontrar a Nilda e a Divina.

Eleonora  – Espero que estejam mesmo.

Gina      – Não sei porque, mas sinto que esse pesadelo já está terminando Eleonora. A Nilda vai voltar pra gente.

Leonel entra e se aproxima.

Alberto   – Alguma novidade?

Eleonora  – Eu já mandei cê calar a boca. (ao Leonel) Alguma novidade?

Leonel    – Nós estamos tentando rastrear a Célia, mas tá difícil. Acredito que ela deva entrar em contato de novo, para pedir alguma coisa.

Robson desce as escadas e sai. Iris vê e vai atrás.

 

CENA 08. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/INTERIOR/NOITE:

Robson sai do bordel e senta, começando a fumar. Iris se aproxima.

Iris      – Ei.

Robson    – Como você tá?

Iris      – Na medida do possível, eu estou bem. Eu sei que a Nilda vai sair dessa, ela é uma sobrevivente.

Robson    – Estou na torcida por vocês. Isso que essa mulher fez é loucura.

Iris      – Todos nós sabíamos que a Célia era a mais louca de todas, mas não tínhamos ideia que iria sequestrar a Nilda.

Robson    – Ninguém poderia fazer ideia de uma coisa dessas.

Iris      – E você? Como está? Eu soube da Pérola.

Robson    – Estou bem, acho que foi melhor assim. Ela me pediu pra ficar de olho nas pedras e no Tadeu, mas não sei se vou fazer isso. Pra mim isso das pedras acabou com a morte da Marilda.

Iris      – Tá certo, eu te entendo. (pausa) E eu posso saber porque ficou?

Robson    – Tem uma mulher que me prende aqui.

Iris sorri. Robson compartilha o cigarro com ela e ela aceita.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Clara e Omar deitados na cama, abraçados. Omar está bem melhor.

Clara     – Omar? Eu gostaria de ir no bordel, ver se tem alguma novidade.

Omar      – É claro, desculpa te prender aqui com tudo isso acontecendo.

Clara     – Não, cê estava precisando de mim e eu também estava. Obrigada.

Omar      – Eu que agradeço. (pausa) Vai lá, eu também preciso resolver uma coisa.

Clara     – As pedras, né?

Omar confirma com a cabeça. Ela dá um beijo nele e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Tadeu sentado na cama, Nádia encostada no ombro dele. Ela ergue a cabeça e esfrega os olhos.

Nádia     – Desculpa, desculpa por te chorado. Por ter chorado no seu ombro, desculpa/

Tadeu     – (corta) Ei, ei. Não precisa pedir desculpas, está tudo bem. (pausa) Chorar faz bem.

Nádia     – Eu sei, mas/

Tadeu     – (corta) Sem mas, Nádia. Eu sou seu amigo, não sou? É pra isso que eu estou aqui.

Nádia sorri, Tadeu também. Os seus rostos se aproximam até que eles se beijam. No começo é só um selinho, mas logo vira um beijão. Eles começam a tirar as roupas, ficando pelados.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda levanta de imediato. Ele encara a Leila que continua sentada.

Wanda     – Você está grávida? Grávida do… do… do Thiago?

Leila     – Estou, mãe.

Wanda     – Meu deus! O meu neto vai ser igual ao pai? Um negrinho… jesus!

Leila     – Chega mãe. Isso é racismo, é crime, e eu não vou admitir que fale mais essas coisas do Thiago.

Wanda     – Ele sabe?

Leila     – Não, ainda não.

Wanda     – Ótimo. Dá tempo de você fazer um aborto e tirar essa criança de dentro de você.

Leila     – Eu não vou abortar o meu filho, mãe.

Wanda     – O que? Vai me dizer que quer esse filho? Pelo amor, Leila. Cê não quer esse filho.

Leila     – E se eu quiser?

Wanda     – Você não quer! Tá na sua cara que você não quer esse filho.

Leila     – Mãe/

Wanda     – (corta) Eu vou pro quarto de hóspedes e amanhã a gente conversa sobre isso. Eu sei que você não quer esse filho, é o melhor a ser feito Leila.

Wanda sobe as escadas. Leila desata a chorar.

 

CENA 12. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu olhando a lua, fumando. Marcos sai, todo machucado, e se aproxima do pai.

Marcos    – Nós precisamos continuar com isso, pai.

Perseu    – Com isso o que, Marcos?

Marcos    – Com as verdades. Essa é a única vez em anos que fomos verdadeiros com nós mesmos… eu preciso saber de algumas coisas antes… antes de morrer.

Perseu    – Morrer?

Marcos    – Não é isso que vai fazer comigo? Me matar? Então, antes de fazer isso eu quero saber de algumas coisas, eu quero respostas.

Perseu    – Pergunta.

Marcos    – O Mário matou o César a sua ordem. Porque?

Perseu    – A verdade? É que eu queria te irritar, te fazer sofrer. Mas a mentira que eu contei pro Mário e pra mim mesmo era que a morte dele era necessária pra fazer as coisas girarem. Mas isso é mentira. Não tinha motivos pra matar o César, só queria te irritar.

Marcos    – (respira fundo) Eu pedi, eu recebei. Ok. Quando você entrou em contato com o Mário?

Perseu    – Logo depois que ele se mudou pra meu rancho, queria saber quem era o filho da puta. Depois me afastei, fiquei seguindo você pelo Rio… eu lia o seu jornal, é uma merda! E quando você foi pra cidade de novo, eu entrei em contato com o Mário. Ele me falou das pedras, parecia muito interessado, e usei isso pra que ele fizesse tudo o que eu pedisse.

Marcos    – Você me ama? Você sente alguma coisa por mim?

Perseu    – Não, eu parei de amar as pessoas. É uma fraqueza, uma idiotice.

Perseu se vira, entrando no galpão. Marcos se vira, olhando ele entrar.

Marcos    – Pai?

Perseu    – O que? Achei que já tivesse acabado com esse interrogatório de merda.

Marcos    – Não, ainda não. (pausa) E a minha mãe? Onde está a minha mãe?

Eles se encaram.

 

CENA 13. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, trabalhando, um pouco enrolada. Omar entra segurando um saco.

Omar      – As pedras.

Ele bota o saco em cima da mesa. Agatha o abre e vê os kimberlito.

Agatha    – Obrigada.

Omar não responde, só dá as costas e sai.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila entra, chorando e bebendo uísque. Ela derruba uma colher e quando a pega, vê o seu reflexo. Ela solta o copo e a colher, saindo correndo.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina entram na cidade, começando a passar pelas ruas. As pessoas as encaram, as rodeiam.

CÂM mostra a Iris e o Robson sentados frente ao bordel. Eles percebem a movimentação. Iris vê a Nilda e sorri.

Iris      – É a Nilda! Meu deus! Eu preciso falar com ela, entra e avisa as meninas.

Robson entra. CÂM acompanha a Iris que corre até a Nilda, e a abraça.

Iris      – Meu deus, Nilda.

Nilda     – (emocionada) Iris? É tão bom te ver, criatura. Cadê a Eleonora?

Iris      – O Robson foi chamá-la.

Iris beija a Nilda, toda sorridente. É quando a Divina dá um berro.

Divina    – Cês ficam dando amor pra essa aí… mas o que vocês não sabem é que ela é uma assassina. Assassina!

Todos a encarar a Divina.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Alberto e Leonel sentados, conversando. Robson entra.

Robson    – A-a-a-a Nilda está de volta. Ela voltou!

Eleonora levanta de imediato, olhando o Robson, séria.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago arrumando a cozinha. Leila entra, um pouco bêbada, e se aproxima.

Thiago    – Leila?

Leila     – Eu tô grávida!

CÂM mostra a reação do Thiago, surpreso.

 

CENA 18. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

 

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 47 [Última Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

Marcos está sentado no chão com os pés e mãos amarradas. Perseu andando frente a ele.

Perseu    – Se eu soubesse que o calmante seria tão forte, nem teria te dado. Merda!

Marcos    – (desperta) Pai?

Perseu    – Finalmente! Olá, filhinho querido.

Marcos    – O que? O que aconteceu na estrada? Eu… eu…

Perseu    – Você sabe muito bem o que aconteceu, idiota. Cê resolveu dar uma de espertinho, atrapalhou o Mário na direção e o imbecil capotou. Ele morreu, sabia? Tudo por causa de você.

Marcos    – Por causa de mim não. Foi você que botou ele nossa, papaizinho.

Perseu    – Sabe, filho querido, é estranho ver o quanto você mudou. O menino que eu conheci não ia se aliar com o assassino seu verdadeiro amor para fugir da cadeia.

Marcos    – (ri) Sabe quando você mente tanto, se ilude tanto que acaba acreditando até nas próprias mentiras? É pelo que você está passando pai.

Perseu    – Ok, chega desses sinismo. Está na hora de falarmos frente a frente. Homem pra… você… está na hora de sermos francos.

Marcos    – É fácil cê falar estando aí, solto e livre. Eu estou sentou aqui, todo amarrado.

Perseu    – Tá certo, eu vou te soltar.

Perseu o solta. Marcos levanta e o encara, e – sem pensar duas vezes – dá um murro no pai.

 

CENA 02. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Célia sentada numa cadeira, a encarar a Divina e a Nilda que estão amarradas em cadeiras.

Nilda     – (desperta) O que diabos está acontecendo aqui?

Divina    – (desperta) A gente está presa? (olha a Célia) Célia?

Célia     – Bom dia, donzelas.

Nilda     – Célia? Isso é loucura, criatura. Me tira daqui!

Célia     – Não! Você e a judas aí vão apodrecer aqui, morrer!

Divina    – Eu entendo porque me sequestrar, mas a Nilda? Libera ela, irmã.

Célia     – Não iria fazer nada com ela não, eu queria o Alberto, mas tinha tempo e teve que ser ela mesmo.

Nilda     – O que significa isso pra ti, hein? Sua doida.

Célia     – Significa justiça.

Célia dá uma risada e fica encarando elas. CÂM mostra a Nilda roçando a corda na madeira da cadeira.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora, Iris, Clara, Gina e o Alberto sentados, tomando café. Todos eles cansados e preocupados.

Eleonora  – Nós precisamos fazer alguma coisa.

Iris      – Fazer o que, Eleo?

Gina      – Não há nada a ser feito, Eleonora.

Alberto   – Nós precisamos é confiar na polícia porque eles vão fazer o trabalho deles.

Eleonora  – Cala a boca.

Clara     – Eleonora!

Eleonora  – Se eu tenho que aturar a presença desse traíra e da Gina, que ele não dirija a fala dele pra mim.

Todos continuam a comer, em silêncio.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Tadeu vindo de um lado e Nádia, de outro. Eles se aproximam.

Tadeu     – O que tá acontecendo?

Nádia     – Pra começar, o Mário morreu. Meu irmão e minha mãe não estão nada bem.

Tadeu     – Eu sinto muito.

Nádia     – Obrigada. (pausa) E o negócio das pedras? Não voltou pra cá.

Tadeu     – Resumindo: eu fiquei amigo do Lauro, ele votou em mim e a Amparo também. Isso significa que eu posso cuidar das pedras, mas não a Pérola e o Robson.

Nádia     – Parabéns.

Tadeu     – Obrigado. Mal posso esperar para começar os trabalhos. (pausa) ah, pelo visto a Pérola vai embora.

Nádia     – É? Uma pena. Ela e o Lauro pareciam ser felizes.

Tadeu     – Nem tanto assim.

Tadeu ri e sai. Nádia segue o seu caminho.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago preparando alguma comida. Nádia entra e se aproxima.

Nádia     – Bom dia. Eu acredito que cê já saiba o que aconteceu ontem nesta casa e acredito que seja melhor para todos, se cada um comer em seu quarto.

Thiago    – É claro. Eu levo a bandeja pra vocês.

Nádia     – Obrigada.

Ela sai e ele continua.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro em pé, esperando. Pérola desce as escadas segurando malas e se aproxima.

Pérola    – Ei!

Lauro     – Ei… então… é isso? Você vai embora e tudo acaba?

Pérola    – É isso. Eu vou embora e tudo acaba, Lauro.

Lauro     – Adeus.

Pérola    – Adeus.

Ela sai sem olhar pra trás. Ele, também não a olha saindo, entra na cozinha.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Lauro entra na cozinha e se aproxima da Amparo que está comendo uma maçã.

Amparo    – O café está pronto.

Lauro     – Não quero tomar café não, obrigado. (pausa) A Pérola foi embora.

Amparo    – Amém, senhor.

Lauro     – Ela não era perfeita, Amparo, mas eu gostava dela.

Amparo    – Mas as vezes gostar não é o suficiente, precisa de mais. E você não tem esse mais com ela. (pausa) Mas tem com a Nádia.

Lauro     – Ela é a minha irmã, Amparo. Não posso namorar a minha irmã.

Amparo    – Eu sei, não estou dizendo para fazer isso. Só estou dizendo.

Lauro     – É melhor parar de dizer.

Amparo    – Não está mais aqui quem falou então. (pausa) Tá sabendo?

Lauro     – Do que?

Amparo    – Não sei de nada então nem adianta vir com perguntas: mas pelo que o Thiago falou o Mário morreu.

Lauro     – É o que? E o Marcos?

Amparo    – Não sei, ninguém sabe. Sumiu! (pausa) Será que/

Lauro     – Nem pense nisso. O Marcos não matou o meu pai, Amparo. Ele não faria isso. Foi o Mário!

Amparo    – Novamente: não está mais aqui quem falou.

Lauro dá um beijo na testa da Amparo e sai.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Agatha em pé, esperando. Pérola se aproxima segurando as malas.

Agatha    – Chamou?

Pérola    – Chamei sim. É só pra avisar que eu estou saindo da cidade, então podem fechar o caso das pedras.

Agatha    – Aín o caso… tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que nem tive tempo de te contar.

Pérola    – O que?

Agatha    – As pedras foram roubadas pelo Mário, e os filhos dele esconderam as pedras. (pausa) Eles vão me entregar as pedras e elas vão ser devolvidas ao Lauro.

Pérola    – Isso seria uma ótima notícia, mas eu não posso mais cuidar dos kimberlito. Eles pertencem ao geólogo formado, Tadeu, e eu não sou formada.

Agatha    – Oh. Eu sinto muito.

Pérola    – Tudo bem, estou indo embora dessa cidade mesmo. Não me importo. (pausa) Obrigada por tudo.

Pérola sai. Agatha também segue o seu rumo.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Pérola se aproxima do Robson que estava a esperando.

Robson    – Não vá.

Pérola    – Eu preciso ir. Não posso deixar de ir, eu sinto muito.

Robson    – Tá, fazer o que né? Oh, cê vai, mas você vai falar comigo todo santo dia. Promete?

Pérola    – Prometo. Eu nunca vou te esquecer, nunca vou deixar de falar contigo.

Robson    – Espero mesmo.

Pérola    – Ah, faz um favor pra mim? Fica de olho no Tadeu, se infiltra ali, investiga as pedras com ele. Dá um jeito.

Robson    – É claro.

Pérola    – Obrigada por tudo.

Eles se abraçam, emocionados.

Pérola    – Não quero e não vou chorar. Chega disso!

Robson    – Até qualquer dia?

Pérola    – Até qualquer dia.

Eles sorriem e Pérola começa a caminhar em direção ao horizonte.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está deitado na cama, olhos inchados. Uma bandeja com comida ao lado dele. Nádia em pé o encarando.

Nádia     – Omar! Me escuta! Cê precisa comer alguma coisa.

Ele não responde.

Nádia     – E para de me ignorar. (se irrita) Ah! Omar! (pausa) Tá certo, já que eu não posso, alguém pode e vai te fazer comer e falar.

Ela pega o celular e faz uma ligação.

Nádia     – Clara? O Omar precisa de você. Onde está?

Ela continua falando em off.

 

CENA 11. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu, com dor, a encarar o Marcos.

Perseu    – Qual é a merda do seu problema?

Marcos    – Esse soco foi por ter sido obrigado a viver afastado do César e do Lauro.

E dá outro murro. A boca de Perseu começa a sangrar.

Marcos    – E esse foi pela loucura que fez com o Mário.

E outro murro. Além da boca, o nariz também sangra, mas ele não se abala.

Marcos    – Por causa da loucura que fez com o Mário, ele matou o César.

Ia dar mais um, mas Perseu segura a mão dele. Ele tenta dá com a outra mão, mas Perseu segura esta também. Eles se encaram.

Perseu    – Chega!

Marcos    – Me solta que eu ainda não acabei… filho da puta! Cê acabou com a minha vida!

Perseu    – Chega! Chega! (grita) Chegaaaaa! Eu não aguento mais escutar a sua voz. Não aguento mais… viado! Viadinho de merda! Eu não aguento mais!

Marcos    – (ri) Isso! Isso mesmo! Chega de cinismo, de sacarmos. Revela quem é cê de verdade, papaizinho. Me xinga! Me julga! Me maltrata! Faz que nem você fez da primeira vez.

Perseu    – (berra) Cala a bocaaaaaaaaaaaaaa! (grita) Eu não aguento mais essa voz de viado. Imundo! Nojento!

E já começa a batê-lo. Perseu bate, empurra, esmurra o Marcos, que se machuca todo, bate a cabeça na parede. Perseu continua a xingar

Perseu    – (odioso, grita) Viadinho! Eu tenho nojo de você! Eu sempre tive nojo de você. (berra) Imundo! Você é um imundo, um merda, um nada. Eu… eu… eu te odeio!

Perseu acaba. Marcos está estirado no chão, todo machucado, desacordado. Perseu se ajeita, cospe o sangue que sai da sua boca no chão e sai.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana sentada em frente ao Leonel. Agatha chega e senta ao lado dele.

Suzana    – Precisam da minha ajuda?

Leonel    – Precisamos que ligue pra Célia e fale com ela.

Agatha    – Convença a se entregar e a liberar as meninas.

Leonel    – Nós vamos tentar rastrear a ligação.

Leonel mexe no computador. Suzana pega o celular e faz uma ligação.

Suzana    – Célia?

Diálogo continua na cena seguinte.

 

CENA 13. FRENTE À CASA ABANDONADA/EXTERIOR/DIA:

Célia sai da casa e atende a chamada.

Célia     – O que você quer?

Suzana    – (off) Eu não me importo com essas duas aí, mas eu preciso de ti. Sai daí e se entrega.

Célia     – Não. Não posso fazer isso, Suzana. É a minha vida, o meu futuro em risco.

Suzana    – (off) Se continuar aí com elas, o seu futuro e a sua vida vão estar em riscos. Você precisa me escutar/

Célia     – (corta) Não! Não preciso de nada, Suzana. Eu preciso é desligar essa ligação.

Suzana    – (off) Espera/

Célia desliga e joga o celular no chão, pisando em cima dele.

 

CENA 14. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Nilda tentando se soltar. Divina olha e começa a tentar também.

Divina    – Isso dá certo?

Nilda     – Espero que sim, nós precisamos sair daqui.

Divina    – Nilda… desculpa.

Nilda     – Não é hora pra isso, Divina. Numa outra hora nós falamos sobre isso. Agora, foca nisso.

Divina o faz. Mas elas são interrompidas quando Célia entra e fica as encarando.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana desliga e encara a Agatha e o Leonel.

Suzana    – Conseguiu?

Leonel    – Não. Foi muito rápido.

Agatha    – Droga!

Eles se olham, frustrados.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está na mesma situação que na cena 10. Clara entra e senta ao seu lado.

Clara     – Omar. Porque cê não me ligou, criatura?

Omar      – O meu pai… ele morreu? O meu pai morreu, Clara.

Clara     – Ele morreu, amor. Ele estava numa perseguição policial e morreu.

Omar      – Porque eu estou assim? Ele matou duas pessoas, ele fez tanto mal a minha mãe e eu estou assim? Porque?

Clara     – Porque assim disso tudo, ele era o seu pai. E o fato dele ser um filho da mãe, não muda isso, nunca vai mudar.

Omar      – Eu o amava… eu amava um assassino?

Clara     – Não, não pensa assim. Você amava o seu pai.

Omar      – Eu… eu… eu não sei mais. Nada faz mais sentido.

Clara     – Eu posso imaginar pelo que está passando, mas agora, você precisa pensar em si e precisa comer.

Omar      – Comer? Tá, eu vou comer.

Clara     – Então come.

Ela pega a bandeja e entrega a ele. Ele começa a beber o suco, a comer.

Omar      – Onde cê estava?

Clara     – No bordel. Aconteceu uma coisa com a Nilda, mas não vamos falar disso agora.

Ela dá um beijo na bochecha dele. E ele continua a comer. CÂM mostra a Nilda na porta do quarto, os olhando, ela sorri.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Quarto todo bagunçado, coisas quebradas e jogadas no chão. Zélia está deitada na cama e Thiago sentado ao lado dela. Ela, comendo.

Thiago    – Eu vou lhe fazer algumas perguntas e preciso que seja honesta comigo, ok?

Zélia     – Ok.

Thiago    – Você está bem, Zélia?

Zélia     – (pensa, demora) Não… eu não estou bem.

Thiago    – Você precisa de ajuda?

Zélia     – (pensa, demora) Sim… eu preciso de ajuda.

Thiago    – Psicológica?

Zélia     – Eu acho que sim. (pausa) Não está sendo fácil, Thiago.

Thiago    – Não, não está. E eu e os seus filhos vamos fazer de tudo para lhe ajudar.

Nádia os olhando. Thiago a vê, levanta e se aproxima.

Thiago    – Escutou?

Nádia     – Escutei. Eu vou ligar pra algum psicólogo.

Thiago    – A Zélia precisa de ajuda, ela não está bem.

Nádia     – Eu sei, nunca pensei que fosse dizer isso, mas sinto falta da antiga Zélia.

Thiago    – Todos nós sentimos.

Ele sai do quarto. Nádia fica olhando a mãe por um tempo e logo depois, sai também.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia entra no quarto e deita na cama, exausta. Tadeu entra e se aproxima.

Tadeu     – Ei.

Nádia     – O que está acontecendo nessa cidade, Tadeu? Meu pai morre, Nilda e Divina correndo perigo, o Mário morre e agora… minha mãe e o meu irmão na merda.

Tadeu     – As coisas vão se endireitar, Nádia. É como uma tempestade, uma frente fria, vai e depois tudo fica às claras.

Nádia     – Espero porque não estou aguentando mais.

Tadeu     – Cê ficou o dia todo cuidando da Zélia e do Omar, mas e você?

Nádia     – Eu estou bem, é sério.

Tadeu     – O Mário não era o seu pai, mas ele te criou. Você chorou?

Nádia     – Não, eles precisavam de mim. Não podia chorar.

Tadeu     – Pelo que parece, eles não precisam mais de você… chora.

Nádia     – Não/

Tadeu     – Chora… Nádia, chora.

Ele deita ao lado dela. Nádia encosta a cabeça no ombro dele e desata a chorar.

 

 

CENA 19. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Amparo, Leila e Thiago sentados no sofá. Eles conversam.

Amparo    – Preciso que vocês passem a informação porque eu não sei de nada.

Leila     – E você acha que a gente sabe, criatura? (pausa) Eu só sei que a Célia deu a louca e sequestrou a Divina e a Nilda.

Thiago    – E eu só sei que o Mário morreu, e que o Marcos sumiu.

Leila     – O que tá acontecendo? A gente é sempre o primeiro a saber das coisas e agora nada?

Amparo    – Sabe o que é isso? A cidade está agitada demais e tá todo mundo confuso.

Thiago    – Eu só sei que quero que essa agitação acabe. (pausa) Sério, pior não pode ficar.

É nesse momento que a campainha toca. Leila levanta e abre a porta: é a Wanda.

Wanda     – Filha… cheguei!

Elas se encaram. Thiago e Amparo se olham.

 

CENA 20. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina roçando as cordas na madeira. Célia entra e se aproxima, segurando uma arma.

Célia     – Eu sinto informar, mas está na hora de vocês irem… morrer!

É nessa hora que a Nilda salta da cadeira em cima da Célia. Ela começam a lutar pela arma e de repente, ela dispara no meio delas.

 

CENA 21. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Marcos está estirado no chão, todo machucado. Ele começa a despertar. Perseu entra e o encara, altivo.

Perseu    – Acordou? Ótimo porque a minha vingança está só começando.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 46 [Última Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. ESTRADA/EXTERIOR/NOITE:

Estrada fechada, engarrafamento, buzinas. Leonel com os policiais no meio da bagunça, um carro capotado e em cinzas. Curiosos olhando a tudo.                 

Leonel    – Precisamos ser rápidos com tudo isso. A estrada precisa ser aberta, o corpo do Mário ser levado e o carro precisa ser tirado daqui. Tudo isso o mais rápido o possível, pois precisamos ir atrás do Marcos.

Policial  – Certo.

Leonel    – Eu vou voltar pra cidade. Preciso comunicar a família, se precisarem me liguem.

Leonel sobe numa moto que está sendo pilotada por um policial e eles saem cantando pneu.

 

CENA 02. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris, Gina e Alberto reunidos, eles conversam.

Gina      – Como que isso aconteceu?   

Eleonora  – E eu sei? Ela saiu pra ir na padaria e sumiu, não voltou mais. Não atende o celular, não sei dela faz horas.

Iris      – E eu achei melhor comunicar a Agatha, vai que algo de ruim aconteceu?

Eleonora  – Vira essa boca pra lá.

Alberto   – Eu concordo com a Iris. O Marcos e o Mário estão soltos, não estão?

Eleonora se desespera e senta. Gina os encara, se aproximando dela.

Gina      – Não liga pro que esses idiotas estão falando não.

Eleonora  – Eles podem estar certos. A minha Nilda, Gina.

Gina      – Ela está bem. É a Nilda, Eleonora. Ela sobrevive.

Eleonora  – Tomará que esteja certa.

Elas se abraçam. Clara entra e se aproxima deles.

Clara     – Eu vim o mais rápido que pude. O que aconteceu?

Eleonora  – Tu não tinha que estar aqui. Está grávida e eu fiquei sabendo que foi pro hospital esses dias.

Clara     – Eu estou bem, Eleonora. Preciso estar aqui pra quando a Nilda chegar, ela praticamente me criou.

Iris      – Acho importante ter as meninas da Nilda reunidas aqui, por isso que te chamei.

Gina      – Fez bem. É isso que ela ia querer: todas nós juntas e reunidas.

Alberto   – Me sinto deslocado aqui.

Eleonora  – E é pra se sentir mesmo. Você e a Gina traíram a Nilda.

Iris      – Não era pra isso, Eleonora. Nós precisamos ficar unidos.

Ela concorda. CÂM mostra a preocupação de todos.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e o padre entram. Ela senta frente ao computador e ele fica ao lado dela.

Fagundes  – Achei que a gente ia no bordel. Não temos que falar com as meninas?

Agatha    – Eu mandei a Suzana ir lá por isso. Antes eu preciso descobrir o que aconteceu.

Ela mexe no computador e acha as filmagens de segurança, dando play nelas.

 

CENA 04. FLASHBACK/FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/INTERIOR/NOITE:

Nilda sai do bordel e dá de cara com um carro. Da janela desse carro sai uma arma sendo segurada por uma mão. Nilda entra no carro e ele sai cantando pneu.

 

CENA 05. FLASHBACK/RUA/EXTERIOR/NOITE:

Divina andando na rua. O mesmo acontece com ela. Ela entra no carro e ele sai cantando pneu.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

As mesmas da cena 02. Suzana entra e se aproxima.

Alberto   – Suzana?

Suzana    – Alberto. (a Eleonora) Eu vim conversar com vocês sobre a Nilda.

Eleonora  – O que você sabe sobre isso, Suzana?

Suzana    – Nilda foi, aparentemente, sequestrada pela Célia. E não foi só ela, a Divina também foi.

Iris      – Ela sequestrou a própria irmã? Isso é loucura.

Suzana    – Eu acredito que essa parte a Gina e o Alberto vão saber explicar bem.

Gina      – Como assim?

Suzana    – A Célia descobriu que a Divina e o Alberto estão trabalhando junto. Ela me disse que ia fazer alguma coisa, não achei que ela fosse sequestrar alguém. E depois ela foi se confessar com o padre. E então, descobrimos que a Divina e a Nilda sumiram.

Eleonora  – (desata a chora) Isso é tudo culpa sua, Alberto!

Alberto   – Eu sinto muito.

Eleonora  – (chora) Você vai sentir é a minha mão na sua cara.

Clara     – (grita) Acalmem-se! Brigar e gritar não vai adiantar nada. Calma! (pausa) O que a Nilda tem a ver com isso? Não seria melhor sequestrar o Alberto.

Gina      – Ei!

Clara     – Desculpa, mas é a verdade.

Iris      – Faz mais sentido sequestrar o Alberto e a Divina do que a Nilda, não faz?

Suzana    – Também acho, mas acredito que ela não está raciocinando muito bem.

Gina      – Cadê a Agatha?

Suzana    – Ela está sobrecarregada. O Leonel não está por aqui. Mas ela já está vindo pra cá.

Eleonora  – (limpa as lágrimas) Ok, o que eu posso fazer pra ajudar? Eu quero a minha Nilda de volta.

Clara     – Todas nós queremos a Nilda de volta e sair por aí não vai trazê-la de volta, Eleonora.

Eleonora  – Droga!

Eleonora, preocupadíssima. Assim como os demais.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila levanta e fala ao celular com a Wanda. Thiago a encara.

Leila     – Oi, mãe.

Wanda     – (off) Filha, querida. É só para lhe avisar que eu casei de novo. Ele é um aristocrata italiano, riquíssimo. Estou indo até aí para que você o conheça, vai amá-lo.

Leila     – Mãe/

Wanda     – (corta; off) Nem me venha com desculpas. Você vai conhecê-lo e pronto. (pausa) Você ainda está com aquele rapaz?

Leila     – Estou, mãe.

Wanda     – (off) Não vou discutir com você sobre isso. Já sabe da minha opinião, mas por favor, não fique amostrando pele pra o seu novo padrasto. Esse seu namoradinho não é da mesma laia que ele, não acho correto.

Leila     – Então não venha, mãe. Fique por aí mesmo.

Wanda     – (off) Não posso, já estou em Salvador. Eu chego logo, querida.

Ela desliga e encara o Thiago. Ela volta a se sentar, frente a ele.

Leila     – Minha mãe. Ela está vindo pra cidade.

Thiago    – Era isso que queria falar comigo? Quer um tempo de novo?

Leila     – (pensa) Não, eu não quero um tempo contigo. (pausa) E sim, era o que eu queria falar contigo. (pausa) Minha mãe está voltando.

Thiago    – Só isso?

Leila     – É, só isso.

Thiago    – Nós sobrevivemos a primeira, e vamos sobreviver a segunda.

Ele a beija.

 

CENA 08. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Leonel vindo de um lado, Agatha de outro. Eles se aproximam.

Leonel    – Ei!

Agatha    – Ei. Estou enlouquecendo, muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo.

Leonel    – Que caso é esse que cê pegou?

Agatha    – A Célia enlouqueceu e sequestrou a Nilda e a Divina.

Leonel    – É o que?

Agatha    – É, pois é. Estou indo no bordel agora mesmo, conversar com as meninas.

Leonel    – Ok, boa sorte.

Agatha    – O que aconteceu na estrada?

Leonel    – Pra começar, o Mário capotou o carro. Depois, alguém conseguiu pegar o Marcos do carro antes que eu saísse do meu. O Marcos sumiu com esse alguém e o Mário morreu.

Agatha    – É o que?

Leonel    – Pois é. Estou tentando entender tudo até agora. (pausa) Preciso ir contar a Zélia sobre a morte dele.

Agatha    – Ok, vai lá.

Cada um segue o seu caminho.

 

CENA 09. BAR/EXTERIOR/NOITE:

Pérola e Robson estão sentados, bebendo. Eles conversam.

Robson    – O que será da gente agora?

Pérola    – Eu vou embora, Robson.

Robson    – Cê não pode fazer isso. Nós não podemos desistir assim tão fácil.

Pérola    – Não estou desistindo. É que pra mim chega dessa cidade, do Lauro, de tudo. Eu estou farta! Preciso do meu Rio de Janeiro de volta.

Robson    – E o último desejo da Marilda?

Pérola    – Eu realizo o desejo da Marilda em outros países, em outras minas. Não aqui, não quero mais.

Robson    – Nem pelo Lauro?

Pérola    – Muito menos por ele. Eu não o amo, Robson. O sexo é bom, ele é legal e é isso. O maior motivo de estar com ele é pelas pedras, e o filho da puta me traiu.

Robson    – Tá certo. Não há nada que eu possa fazer pra mudar de ideia?

Pérola    – Não! (pausa) Ocê não queria vir pra cá e agora não quer sair?

Robson    – Iris. Eu não posso sair daqui sem me resolver com ela, sem estar com ela.

Pérola    – Boa sorte pra vocês.

Ele bebe o último copo e sai. Robson a vê saindo e segue bebendo.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia abre a porta e Leonel entra. Eles se sentam no sofá.

Zélia     – A que devo a honra? Alguma novidade do Mário e do Marcos?

Leonel    – Na verdade sim, mas acho melhor que o Omar e a Nádia estejam presentes.

Zélia     – (estranha) Ok… (grita) Nádia! Omar!

Eles descem e se unem.

Omar      – Aconteceu alguma coisa?

Zélia     – Pelo visto sim.

Nádia     – Tem a ver com as pedras? Ou com o Mário?

Leonel    – Tem a ver com o Mário. (pausa) Nós descobrimos a localização dele e do Marcos. E eles também descobriram que a gente os descobriu.

Zélia     – Para de enrolar e conta logo o que aconteceu.

Leonel    – Certo. Nós os perseguimos pela estrada e o carro em que o Mário e o Marcos estavam capotou. O Marcos desapareceu, estamos tentando encontrá-lo.

Omar      – E o meu pai?         

Leonel    – Não consegui tirar o ele a tempo do carro e o carro explodiu… (pausa) Ele morreu. Eu sinto muito.

Nádia     – Oh, deus.

Omar      – (desata a chorar) Não! É o meu o pai. Ele… ele morreu? Não!

Nádia abraça o Omar, que está devastado. Zélia sorri e sai.

Leonel    – Está tudo bem com a Zélia? Ela não demonstrou nada.

Nádia     – Ela não está bem e isso não ajudou, com certeza.

Leonel    – Desculpa, eu não sabia.

Omar      – (grita; chorando) Sai daqui! Sai! Sai daqui!

Nádia     – É melhor você ir agora.

Leonel sai. Nádia agarrada no Omar, que está chorando, desesperado.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra, devastada. Ela derruba objetos e moveis no chão. Bagunça a cama. Zélia cai no chão, chorando muito.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está terminando de lavar a louça. Leila entra e se aproxima.

Leila     – Eu não tive coragem de contar pra ele, Amparo.

Amparo    – Leila!

Leila     – Sem sermão. Eu quero um pouco de amor e compreensão, Amparo.

Amparo a abraça. E Leila desaba a chorar novamente.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

As mesmas da 06. Padre e Agatha entram e se aproxima delas.

Eleonora  – Finalmente! É melhor você ter alguma ideia da onde a Nilda está.

Agatha    – Eu vou contar a vocês tudo o que eu sei e é pouco. Então nada de pânico.

Ela começa em off.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado no sofá, bebendo. Pérola entra e se aproxima.

Lauro     – Você sumiu.

Pérola    – Precisei sumir um pouco, mas está tudo certo agora.

Lauro     – Isso é bom, não é. Está tudo bem entre a gente?

Pérola    – Não, não está. (pausa) Eu estou indo embora Lauro. Amanhã mesmo eu volto pro Rio.

Ela dá as costas pra ele, subindo a escada. O ignorando. Lauro não entende.

 

CENA 15. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Célia sentada numa cadeira, a encarar a Divina e a Nilda que estão amarradas em cadeiras.

Nilda     – (desperta) O que diabos está acontecendo aqui?

Divina    – (desperta) A gente está presa? (olha a Célia) Célia?

Célia     – Bom dia, donzelas.

Ela as encara, diabólica.

 

CENA 16. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

Marcos está sentado no chão com os pés e mãos amarradas. Perseu andando frente a ele.

Perseu    – Se eu soubesse que o calmante seria tão forte, nem teria te dado. Merda!

Marcos    – (desperta) Pai?

Perseu    – Finalmente! Olá, filhinho querido.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 45 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. LUGAR DESCONHECIDO/

Perseu a falar no telefone.

Perseu    – Mário.

Marcos    – (corta/off) Pai?

Perseu    – (sem reação) Eu… eu… Marcos… oi.

Marcos    – (off) Como o senhor está? Faz muito tempo.

Perseu    – Eu estou bem, não graças a você, é claro.

Marcos    – (off) É estranho que tenha se unido com o Mário.

Perseu    – Digo o mesmo a você. Ele matou o César, não foi?

Marcos    – (off) Diga você. Eu sei que você estar por trás de tudo, pai. Então, foi ele?

Perseu    – Eu não vou estragar a surpresa, Marcos. (pausa) Onde o Mário está?

Marcos    – (off) No banho. Quer que o chame?

Perseu    – Não.

Ele desliga e encara o nada.

 

CENA 02. CASA/SALA/INTERIOR/DIA:

Marcos olha o celular. Mário se aproxima, recém-saído do banho, e toma o celular dele.

Mário     – Quem era?

Marcos    – O meu pai. É ele a chefia, não é?

Mário     – Eu não mandei você atender a perda do meu telefone, seu idiota de merda. Era pra ser uma surpresa.

Marcos    – Sinto em ter estragado a surpresinha de vocês.

Marcos ia sair, mas Mário o joga contra a parede. Eles se encaram.

Mário     – Me escuta bem: a partir de agora você vai fazer o que eu mandar quando eu mandar. Para de querer me confrontar porque você sabe muito bem o que pode acontecer com o seu queridinho Lauro.

Marcos    – Está bem. Seu jogo, suas regras. Desculpa atender o telefone.

Mário     – A chefia falou alguma coisa contigo?

Marcos    – Não, o Perseu não falou nada demais. Mas ele vai te ligar de novo.

Mário deixa o Marcos passar e ele sai.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Clara está andando pelo corredor. Zélia se aproxima.

Zélia     – Clara!

Clara     – Oi, Zélia.

Zélia     – Eu quero saber a verdade. Que merda está acontecendo com os meus filhos?

Clara     – Não sei do que está falando.

Zélia     – Sabe sim! Não em vem com essa ladainha não. O que o Omar e Nádia foram fazer?

Clara     – O seu marido roubou as pedras do César, certo? Acontece que os seus filhos roubaram as pedras roubadas e o Omar escondeu no quarto dele. E eu descobri.

Zélia     – E daí?

Clara     – Eu mandei o Omar a se entregar e ele disse que ia. A Nádia quis ir também. Era o certo a se fazer.

Zélia     – Não acredito nisso.

Clara     – Eu também não achava que o Omar seria capaz de algo assim.

Zélia     – Não estou falando do que o Omar e a Nádia fizeram, e sim do que você fez.

Clara     – Do que eu fiz?

Zélia     – Nós estamos falidos, idiota. Nós estamos na merda. Se eles pegaram aquelas pedras era nos ajudar e você vai e obrigar eles a se entregarem. Qual é a merda do seu problema?

Clara     – Eu achei/

Zélia     – (corta) Eu não quero saber o que você acha ou deixa de achar. É inacreditável! Primeiro o Mário é preso, é solto, depois o César morre, o Mário é preso de novo e agora os meus filhos? Idiota! Eu estou cansada de gentinha como você na minha vida.

Clara     – Zélia, eu estava pensando/

Zélia     – (corta) Vá à merda! Não vem me dizer que estava pensando no Omar, porque não estava. Você é egoísta e estava pensando em si mesma. (pausa) Se os meus filhos ficarem presos… eu… eu mato você!

Zélia sai andando. Clara bota a mão na barriga com dor, ela encosta na parede. O Thiago que vinha pelo corredor, se aproxima.

Thiago    – Eu escutei os gritos. O que aconteceu?

Clara     – Nada, só me leva pro quarto por favor.

Thiago a ajuda.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha estão sentados. Omar entra e se aproxima.

Leonel    – Omar?

Omar      – Eu desejo confessar um crime, Leonel. Agatha.

Agatha    – Você?

É nesse momento que a Nádia entra e se aproxima do irmão.

Nádia     – Eu também desejo confessar um crime.

Leonel    – Que merda está acontecendo aqui?

Omar      – Nádia! Não era pra estar aqui, eu fiz isso sozinho.

Nádia     – Não fez não. Nós estamos juntos nessa.

Agatha    – O que diabos vocês fizeram? Estou curiosa.

Os dois se sentam frente ao Leonel e a Agatha.

Nádia     – O nosso pai roubou as pedras do César.

Omar      – E nós dois roubamos as pedras roubadas pelo meu pai.

Leonel    – É o que?

Os quatro se encaram.

 

CENA 05. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre está arrumando o altar. Célia entra e se aproxima.

Célia     – Padre?

Fagundes  – Célia. Eu nunca pensei que fosse dizer isso: mas sinto saudades de você e de sua irmã nas missas.

Célia     – Eu sei, também sentimos saudades. Mas é que está muita correria com a política.

Fagundes  – Eu entendo. Posso lhe ajudar com alguma coisa?

Célia     – Padre… eu vou fazer uma coisa. Uma coisa bem ruim e eu não sei se vou ter tempo de me confessar depois que fizer. Então quero pedir perdão pelos meus pecados agora.

Fagundes  – Célia, você pode e deve evitar o que você pretende fazer.

Célia     – Eu não posso evitar. O que eu vou fazer é essencial pra mim e pra essa cidade. Eu sei que um dia, eu vou ser tratada como heroína.

Fagundes  – Sente-se querida.

Ela senta e o padre senta ao lado dela.

Célia     – Não sei se posso lhe contar tudo o que pretendo fazer. Porque você vai querer me impedir.

Fagundes  – Eu estou querendo te impedir agora mesmo. Não faça o que pretenda fazer se for algo tão ruim assim.

Célia     – Não, padre. Eu não posso evitar, eu preciso fazer, a decisão já está tomada.

Fagundes  – Não há nada que o possa fazer para evitar?

Célia     – Não, não há. (pausa) Eu preciso ir agora, padre. Eu preciso ir, mas eu preciso que você me dê o seu perdão.

Fagundes  – Célia/

Célia     – (corta) O seu perdão, por favor, me dê o seu perdão.

Fagundes  – Deus lhe perdoa, querida. E eu também.

Célia     – Obrigada.

Célia levanta e sai. O padre a encara, saindo.

 

CENA 06. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha frente a frente do Omar e da Nádia.

Leonel    – Comecem pelo começo.

Nádia     – O papai roubou as pedras do César e matou a Marilda, certo? Logo depois ele foi preso o que nos deixou em choque.

Omar      – Isso mesmo. Então nós decidimos descer ao porão para olhar fotos antigas da nossa família e foi quando nós encontramos os kimberlito.

Nádia     – E a nossa primeira reação foi chamar a polícia, claro. Mas depois pensamos que a gente estava falindo e que íamos precisar de dinheiro.

Omar      – Então pegamos as pedras e escondemos no meu quarto. E tratamos de esquecer disso, só íamos usá-las quando realmente estivéssemos precisando.

Nádia     – Mas a namoradinha do Omar, a Clara, descobriu as pedras. E nos fez vir nos entregar.

Omar      – Não roubamos as pedras para o mal, e sim porque queríamos o bem-estar da nossa família.

Nádia     – Isso é tudo.

Leonel    – Ok… eu nunca pensei que fosse dizer isso: mas, Omar e Nádia, vocês estão presos por roubo e ocultação de provas policiais.

Agatha    – Espera, pai.

Leonel    – O que?

Agatha    – Eu estou investigando o roubo das pedras e na verdade quem as roubou foi o Mário. Então, vocês não vieram confessar um crime e sim ajudar na solução de um crime.

Leonel    – Agatha/

Agatha    – (corta) Pai, é o Omar e a Nádia. Nós brincávamos juntos. Eles não são como os pais, pegaram as pedras por causa da família.

Leonel    – Tá certo, mas só se vocês devolverem as pedras até amanhã.

Omar      – Nós vamos devolver.

Nádia     – Isso significa que não vamos ser presos.

Leonel    – Não, mas saibam que estão marcados por mim agora. E se cometer qualquer delito…

Omar      – Nós não vamos cometer.

Nádia     – Nunca mais!

Agatha    – (baixo) Saiam daqui antes que ele mude de ideia.

Omar e Nádia levantam e saem. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Tadeu, Pérola e Lauro sentados no sofá, esperando. A campainha toca, Pérola levanta e atende. É o Robson, ele se junta a eles.

Pérola    – Todos estão aqui e podemos começar.

Tadeu     – Nada disso. A Amparo precisa chegar antes, não podemos fazer sem ela.

Robson    – Onde é que ela está?

Lauro     – Ela saiu e talvez vá demorar, mas temos que esperar por ela.

Pérola    – Droga!

Tadeu     – Isso tudo é insegurança de perder, Pérola?

Pérola    – Não, é certeza que eu vou ganhar.

Robson    – Ei vocês! Nós precisamos de um plano caso há empate.

Lauro     – Não tinha pensado nisso.

Pérola    – Não vai dar empate porque eu vou ganhar essa merda.

Tadeu     – Não tenha tanta certeza disso, querida.

Robson    – Só o Lauro e a Amparo foram beneficiários do César?

Lauro     – Não, o Marcos também foi. E ele pode desempatar.

Pérola    – Isso não é justo, ele não está presente, está foragido.

Tadeu     – Por mim, pode ser ele.

Lauro     – Por mim também.

Robson    – Não tem outra alternativa, Pérola.

Pérola    – Droga!

Pérola a encarar todos eles, irritada.

 

CENA 08. MANSÃO DA PREFEITA/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Amparo em pé, em frente a Leila que está sentada no vaso.

Amparo    – Está pronta?

Leila     – Estou, quer dizer, eu acho que estou.

Amparo entrega o teste de gravidez pra ela. Leila começa a fazê-lo.

 

CENA 09. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada, escrevendo em uns papéis. Fagundes entra e se aproxima.

Fagundes  – Atrapalho?

Suzana    – Não, é claro que não padre. O que deseja?

Fagundes  – É a Célia. Ela foi na igreja, se confessar e disse que ia fazer algo ruim. Ela não estava bem, Suzana.

Suzana    – Oh. (pausa) Pode ser que tem a ver com a Divina.

Fagundes  – Como assim?

Suzana    – Ela descobriu que a Divina estava aliada ao Alberto para nos derrubar. Ela ficou puta com isso e disse que ia fazer alguma coisa, mas eu não levei a sério.

Fagundes  – Ela pode… oh não.

Ele sai correndo. Suzana levanta e vai atrás, preocupada.

 

CENA 10. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Um homem ronda a casa onde o Mário e Marcos estão, sem que os dois percebam. Um carro preto passa perto desse homem, o homem estranha.

 

CENA 11. CASA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Mário no quarto, sentado no colchão. O celular toca e ele atende.

Mário     – Chefia.

Perseu    – (off) Saía daí!

Mário     – O que? Porque?

Perseu    – (off) Tem um homem rondando a casa e ele não é nenhum dos meus homens. A polícia descobriu a localização de vocês.

Mário     – Como? Eu estou tomando o maior cuidado possível.

Perseu    – (off) Você saiu de casa alguma vez?

Mário     – (nervoso) Não.

Perseu    – (off) Então só pode ser o Marcos. Ele está aliado à polícia.

Mário     – Filho da puta. O que eu faço, chefia?

Perseu    – (off) Saía daí, pega o meu filho e vá pra Minas Gerais. Eu vou estar ao seu lado na estrada.

Mário     – Eu pego a 122, certo?

Perseu    – (off) Isso, no caminho eu te dou o endereço certo da onde a gente vai ficar.

Mário desliga. Ele levanta, pega a sua arma e sai do quarto.

 

CENA 12. CASA/SALA/INTERIOR/DIA:

Marcos ao celular com o Leonel.

Marcos    – É o meu pai, Leonel. Eu mesmo falei com ele.

Leonel    – (off) Tá certo, pelo menos agora sabemos com certeza. Eu vou mandar que investiguem por ele, ver se achamos alguma coisa.

Marcos    – Duvido que achem/

O Marcos é interrompido pelo Mário que já chega apontado a arma pra ele.

Marcos    – Mário?

Mário     – Larga a merda do telefone e vem comigo, filho da puta.

Marcos finge largar o celular, mas na verdade ele coloca no bolso. Mário empurra ele sempre com arma apontada.

 

CENA 13. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel desliga o telefone. Agatha entra na sala e se aproxima.

Agatha    – Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

Leonel    – O Marcos estava me contando sobre o que tinha descoberto quando o Mário. Aconteceu alguma coisa.

Agatha    – Ok, vamos lá.

Leonel    – Não, fique aqui. Eu preciso de você aqui caso realmente algo tenha acontecido.

Agatha    – Está certo. No que eu posso ajudar?

Leonel    – Se o Marcos for esperto, ele está agarrado ao celular e não largou ele. Eu preciso que você o rastreei e investigue tudo o que puder sobre o Perseu.

Agatha    – Então é o Perseu?

Leonel    – Estou indo com alguns policiais atrás deles. Me dê updates sobre a localização do celular.

Agatha    – Ok.

Leonel prepara o seu revólver e sai. Agatha senta na cadeira.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Leila e Amparo se olhando. A primeira pega o teste de gravidez e desata a chorar.

Amparo    – Positivo?

Leila confirma com a cabeça. Amparo ajoelha e abraça a amiga.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha fazendo três coisas ao mesmo tempo, toda atrapalhada. Fagundes e Suzana entram.

Suzana    – Agatha?

Agatha    – Agora não, Suzana. Seja qual for a merda religiosa, política que você se meteu… pode esperar.

Fagundes  – Isso é sério, Agatha.

Agatha    – O que aconteceu?

Suzana    – A Célia descobriu que a Divina está aliada ao Alberto para nos derrubar.

Fagundes  – E hoje ela foi na igreja se confessar e disse que ia fazer algo muito ruim.

Suzana    – Nós achamos que a Divina e que o Alberto podem estar em perigo. Ou até mesmo a Célia.

Agatha    – Droga! Eu sou uma pessoa só. (pausa) Ok, estou indo com vocês.

Os três saem.

 

CENA 16. DELEGACIA/PÁTIO/INTERIOR/DIA:

Agatha, o padre e a Suzana saem. Ela se aproxima dos policiais.

Agatha    – Eu preciso sair pra resolver um negócio, qualquer update avisem ao meu pai.

Os policiais concordam e os três saem.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Robson, Pérola, Tadeu e Lauro sentados no sofá. Eles se olham, esperando. Amparo entra e os encara.

Pérola    – Graças a deus.

Amparo    – O que todos vocês estão fazendo aqui?

Robson    – Nós estamos lhe esperando, Amparo.

Lauro     – O Tadeu e a Pérola precisam que eu e você votamos numa coisa.

Amparo    – Que coisa?

Tadeu     – O César me contratou para investigar as pedras, mas a Pérola e o Robson também querem investigar.

Pérola    – Precisamos que você e o Lauro escolham quem vai ser o vitorioso.

Amparo    – Ok, de um lado nós temos um cara formado e de outro: vocês dois… é claro que eu voto no Tadeu.

Amparo entra na cozinha, ignorando-os.

Pérola    – Ótimo deu empate. Lauro, ligue para o Marcos.

Tadeu     – Você ainda não sabe se deu empate, o Lauro ainda não votou.

Pérola    – É claro que ele vai votar, em mim não vai?

Lauro     – Na verdade, Pérola. Você está a muito tempo dedicada nisso e não sobra tempo pra gente. Nós não temos conversado direito a bastante tempo por causa dessas pedras. (pausa) E tirando isso, tem o fato de você e o Lauro não serem formados. E o Tadeu sim.

Pérola    – Não acredito nisso!

Lauro     – Desculpa, mas o meu voto é no Tadeu.

Pérola    – Vá à merda!

Robson    – Vamos sair daqui, Pérola.

Robson e Pérola saem. Lauro levanta e entra na cozinha. Tadeu comemora, sozinho.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Lauro entra na cozinha e se aproxima da Amparo que está sentada, bebendo água.

Lauro     – Ei! Aconteceu alguma coisa contigo?

Amparo    – Não, é que a Leila está passando por uma coisa e não há nada que eu possa fazer.

Lauro     – Eu sinto muito.

Amparo    – Tudo bem. (pausa) Quem ganhou?

Lauro     – O Tadeu.

Amparo    – Eu sei os meus motivos para não votar na Pérola, mas quais são os seus?

Lauro     – Motivos pessoais, nós não estamos tão bem nesses últimos dias. (pausa) Você estava certa desde o início: eu e a Pérola não damos certo juntos.

Ele beija a testa da Amparo e sai. Ela dá um sorriso.

 

CENA 19. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia entram no quarto e encontram a Zélia sentada na cama, assistindo TV.

Zélia     – Vocês voltaram.

Nádia     – O Thiago nos disse que ficou preocupada conosco.

Omar      – Está tudo bem, mãe. Nós não vamos sair do seu lado.

Nádia     – Nunca!

Ela os abraça, emocionada.

 

CENA 20. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Clara está deitada na cama. Omar entra e se aproxima dela.

Omar      – Ei! O Thiago nos disse que você passou mal.

Clara     – Não foi nada. (pausa) Como foi lá na delegacia?

Omar      – Fomos liberados por estar ajudando a Agatha a solucionar o caso.

Clara     – Isso é bom. (pausa) Desculpa, desculpa.

Omar      – Não, está tudo bem.

Eles se beijam e se abraçam.

 

CENA 21. ESTRADA/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Mário e Marcos num carro. Mário dirigindo e apontando a arma pro Marcos. CÂM mostra que ao lado deles está um carro todo preto.

CÂM voa até um carro mais distante desses dois. Neste está o Leonel, dirigindo, e falando com um policial no viva voz.

Leonel    – Cadê a Agatha?

Policial  – (off) Teve um caso e parecia urgente. (pausa) Consegui localizar o celular do Marcos.

Leonel    – Espero que dessa vez seja com precisão porquê da última vez que me disse, ele ainda estava na casa.

Policial  – (off) Não, dessa vez é com precisão. E é uma notícia boa: ele está logo a sua frente, chefe.

Leonel aperta o acelerador, ultrapassando alguns carros, tentando se aproximar do Mário e do Marcos.

 

CENA 22. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Agatha, Suzana e o padre andando pelas ruas. Perguntando as pessoas.

Suzana    – As duas não estão em lugar algum. Elas sumiram.

Agatha    – Droga!

O celular da Agatha toca e ela atende.

Agatha    – O que? (pausa) Ok, eu estou indo pro bordel. (desliga)

Fagundes  – O que aconteceu?

Agatha    – A Nilda sumiu!

Os três se encaram.

 

CENA 23. BORDEL PUTTANISCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris, Alberto e Gina a se encararem. Clara entra e se aproxima. Todos eles, tristes e preocupados.

 

CENA 24. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila sentada frente ao Thiago.

Thiago    – Você chegou aqui e disse que precisava falar alguma coisa: fala.

Leila     – Ok, eu vou falar.

É nesse momento que o celular dela toca e ela atende. Thiago a encara.

Leila     – Alô.

Wanda     – (off) Filha.

Leila sem reação.

 

CENA 25. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Casa toda caindo aos pedaços, suja e totalmente abandonada.

Célia andando pelo local. Ela encara as mulheres que estão sentadas e amarradas em cadeiras. CÂM revela os seus rostos: Nilda e Divina.

 

CENA 26. ESTRADA/EXTERIOR/NOITE:

Mário e Marcos no carro, na mesma situação. O carro preto sempre ao lado deles.

Leonel, no carro logo atrás, a encarar o Mário sem que eles percebam.

Marcos olha pra trás e avista o Leonel. Ele sorri e encara o Mário que não percebe. Marcos pensa e rapidamente pega o volante, atrapalhando o Mário.

Leonel percebe e reage.

Mário perde o controle do carro e acaba deixando a arma cair. O carro invade a pista contrária e bate contra um caminhão. Após capotar, Mário e Marcos ficam desacordados.

O carro preto que estava ao lado deles param. Um homem sai dele e se aproxima do carro do Mário.

Leonel percebe e também para o seu carro. Ele sai, já engatilhando a arma.

O homem pega o corpo do Marcos e o leva até o carro preto que sai voado.

Leonel atira no carro, mas erra. Ele o perde e se aproxima do carro com o Mário. Ele vê que o Mário está desacordado e tenta tirá-lo de dentro.

CÂM mostra a gasolina vazando. Leonel começa a tirar o Mário do carro, mas a perna do Mário esbarra na arma e ela dispara, atingindo o cano.

O carro começa a pegar fogo. Leonel se afasta e nesse momento, o carro explode.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 44 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson levanta e fica frente a frente com a Iris. Eles se encaram.

Robson    – Iris/

Iris      – (corta) Deixa que eu fale primeiro. Eu sei que você acabou de perder a Marilda, e nem imagino pelo que está passando. Eu não deveria ter embarcado nessa relação agora, você ainda não está pronto.

Robson    – Iris… eu amo a Marilda e nunca vou poder deixar de amar. Mas a culpa não é sua. Eu deveria ter esperado, deveria ter sido franco contigo e dito que não estava pronto. (pausa) Eu ainda não estou pronto, desculpa.

Iris      – Está tudo bem. Eu estarei aqui assim que você estiver pronto, eu também vou estar. (pausa) Desculpa, desculpa se algum dia eu dei a entender que queria que você esquecesse a Marilda. Eu sei que não tenho o direito de pedir isso.

Robson    – Não tem que me pedir desculpa por nada.

Iris      – É isso, eu acho que é isso… eu te amo Robson.

Robson    – Eu também. (pausa) Um último beijo?

Iris      – Claro.

Ela dá um selinho nele, se afasta, e depois dá um beijão. Após, ela sorri e sai.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto e Divina sentados no meio-fio, eles conversam. Célia à parte, observando.

Alberto   – Não tem nada pra me contar sobre a Suzana e Célia?

Divina    – Elas não fizeram nada hoje, estavam focadas na fuga do Mário e do Marcos.

Alberto   – Eu soube que o povo ficou irritado com elas.

Divina    – A Célia deu um piti, mas nada demais não. Elas ainda estão bem.

Alberto   – Mas não por muito tempo. Eu sinto que ou a Célia ou a Suzana vai fazer alguma merda grande.

Divina    – Também estou sentido isso. (pausa) Tenho que ir agora, antes que a Célia dê falta de mim.

Ela se despede e sai. Célia, que estava de olho, vai atrás. Alberto entra no bordel.

 

CENA 03. HOSPITAL/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Omar está esperando no corredor. Nádia vem correndo.

Nádia     – Meu deus, Omar! O que aconteceu com a Clara?

Omar      – Nós dois discutimos e ela passou mal.

Nádia     – Omar!

Omar      – Ela descobriu das pedras, Nádia. Nós discutimos por isso. (pausa) E agora ela quer que a gente se entregue.

Nádia     – Como ela descobriu isso, Omar?

Omar      – O papai fugiu da cadeia, eu acho que vai vir atrás das pedras. Eu estava pensando no que fazer com elas, aí a Clara entrou no quarto.

Nádia     – Droga! E agora?

Omar      – Eu assumo a culpa, não precisa se preocupar.

Nádia     – Não, nós dois fizemos merda e vamos ser responsabilizados juntos.

Omar      – Não, é melhor que só eu seja preso. A mãe precisa de você, Nádia. Ela não está bem.

Omar e Nádia se encaram, pensativos.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Divina andando na rua. Célia vem atrás e a surpreende.

Célia     – Cretina! Mentirosa! Falsa! Traíra!

Divina    – Célia/

Célia     – (corta) É isso que você é. Judas! (pausa) Como você pode fazer isso comigo e com a Suzana, hein sua judas?

Divina    – Cê quer saber mesmo porque eu fiz isso? Porque você sempre me tratou como lixo, Célia. Você nunca se importo comigo, com os meus sentimentos. Eu nunca fui importante pra você, só servia pra ser a sua empregadinha. (pausa) Isso em cansou! Eu cansei!

Célia     – Mentira! Isso é mentira, Divina. Eu sempre me importante contigo, até demais. Eu sempre botei você antes de mim, sempre pensei no que a querida Divina quer, antes de pensar em mim mesma. Mentira sua!

Divina    – Eu que sou a mentirosa, Célia? Você está mentindo tanto desde o início que não sabe nem distinguir a verdade da ilusão que você criou pra si mesmo.

Célia     – Não! É isso que você sempre fez durante toda a minha vida. Botar a culpa pra cima de mim.

Divina    – Não estou botando a culpa em ti, estou dizendo a verdade. Você nunca se importou comigo e eu decidi agir, decidi ter uma vida.

Célia     – Mas é aí que está: você não tem uma vida, Divina. Quando era criança, vivia pelos nossos pais. Eles morreram, e passou a viver por mim. E agora, está vivendo pelo Alberto. (pausa) Você não tem uma vida, Divina, nunca teve.

Divina    – Eu tenho uma vida, Célia. E eu escolhi o Alberto a você. Eu escolhi apoiá-lo.

Célia     – Chega! (grita) Chega! Eu estou cansada dessa discussão inútil. Vamos pra casa, eu te perdoo.

Divina    – Não quero ser perdoada por você. Eu não vou pra casa.

Célia     – É o que?

Divina    – Eu estou tomando as minhas decisões, Célia. Eu quero viver a minha vida.

Divina dá as costas pra Célia. Ela dá um berro e Divina se vira.

Célia     – Você está morta, Divina. Morta! Eu vou acabar com a sua vida de merda. Judas! Cachorra!

Divina    – O que você vai fazer?

Célia     – Espere e verá. Morta! É isso que você está pra mim: morta!

Célia sai andando, puta. Divina ignora e segue andando pelo lado oposto.

 

CENA 05. CASA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Marcos está sentado no sofá, sonolento. Mário entra e se aproxima.

Mário     – Ei! Acorda! Vá dormir na cama, Marcos.

Marcos    – Onde é que você estava, Mário?

Mário     – Na rua.

Marcos    – Você saiu pra comprar pão e esconder o carro, e sumiu. E só voltou agora, eu estava preocupado.

Mário     – Tive um compromisso, não pude faltar a ele.

Marcos    – Legal, e eu fiquei sem comer a merda do dia inteiro.

Mário     – Você não disse que queria comida, Marcos.

Marcos    – Vá a merda! E que compromisso é esse que durou o dia inteiro?

Mário     – Não lhe interessa, Marcos. Vá dormir.

Marcos levanta e se aproxima dele. Eles ficam frente a frente.

Marcos    – Você está fedendo a puta. A sabonete barato de motel de esquina. (pausa) Não acredito que me deixou sozinho pra comer uma puta.

Mário     – Deixei. Eu precisava fazer isso, eu sou homem ao contrário de você.

Marcos    – Filho da puta! Se isso aqui der errado, a culpa é sua, homão de merda.

Mário     – Nada vai dar errado.

Marcos    – É melhor que não dê mesmo.

Marcos sai. Mário sorri e acende um cigarro.

 

CENA 06. FRENTE À DELEGACIA/EXTERIOR/NOITE:

Agatha está saindo da delegacia e dá de cara com a Pérola.

Agatha    – Pérola?

Pérola    – Você não falou mais nada sobre as pedras. Descobriu alguma coisa?

Agatha    – Ainda estou investigando. Eu quero fazer isso direito, então, pode demorar. Mas amanhã mesmo pretendo ir no rancho da Zélia.

Pérola    – Ótimo. Me mantenha informada, por favor.

Agatha    – Pode deixar.

Pérola sai por um lado. E Agatha por outro.

 

CENA 07. HOSPITAL/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar com a Clara, eles conversam. O médico entra e se aproxima.

Médico    – Está tudo pronto para vocês iriem. (a Clara) Evite fazer esforço ou se estressa, hein.

Clara     – Pode deixar, doutor.

Ele sai.

Nádia     – Alguém avisou a mãe sobre a Clara?

Omar      – Eu tentei ligar pro celular dela e ela não atendeu, achei que já tivesse dormido.

Nádia     – Liga pro Thiago e avisa, então.

Omar faz que sim. Ele pega o celular e se afasta das duas.

Clara     – O Omar te contou?

Nádia     – Contou e isso é loucura, Clara. Nós fizemos o que fizemos por um motivo, e você não pode fazer isso com a gente.

Clara     – Não me importa se você tem um motivo ou não, Nádia. Essas pedras mataram duas pessoas e eu não quero que vocês sejam os próximos.

Nádia     – Não está fazendo pra nos proteger e sabe disso. Está fazendo isso pra manter esse seu ego limpo.

Clara     – Nádia/

Nádia     – (corta) Não! Você conseguiu o que quer, não venha dá uma de estou ajudando vocês, porque não está.

Omar desliga o celular e se aproxima.

Omar      – Podemos ir?

Clara     – Eu só preciso me trocar e podemos sim.

Nádia bufa e sai batendo porta. Omar, sem entender, encara a Clara.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Thiago entra no quarto e encontra a Zélia deitada na cama.

Thiago    – Zélia?

Zélia     – O que?

Thiago    – A Clara passou mal e teve que ir pro hospital, ela está bem e já foi liberada. O Omar e a Nádia estão com ela.

Zélia     – Ninguém mandou ela ficar comendo carne vermelha.

Thiago    – A senhora está bem?

Zélia     – Não, mas eu não quero falar sobre isso.

Thiago    – Se quiser falar algum dia, eu estou aqui.

Ele dá um beijo na testa dela e sai.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Tadeu e Lauro entram na sala, bêbados. Eles sobem as escadas com dificuldades.

 

CENA 10. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada, bebendo uísque. Célia entra e se aproxima.

Suzana    – Célia? Aconteceu alguma coisa?

Célia     – Aconteceu. A minha irmã, a Divina não está tendo um namoradinho. Ela está nos traindo, Suzana. Ela se aliou ao Alberto.

Suzana    – Sério? Ela estava passando informações pra ele?

Célia     – É! Aquela mentirosa, traíra, filha da mãe.

Suzana    – Calma, Célia. Isso é bom, é bom ter um concorrente. Deixa o Alberto achar que pode comigo.

Célia     – Isso não é bom. A gente confiou naquela vadia e ela nos traiu, Suzana.

Suzana    – Eu sei. É política, Suzana. É isso que a gente faz. Não fique assim, ela ainda é a sua irmã, só escolheu o lado dela.

Célia     – Não! Não posso aceitar isso. Eu tenho que agir, fazer alguma coisa.

Suzana    – E vai fazer o que?

Célia     – Não sei, mas eu vou fazer alguma coisa.

Célia sai, decidida.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Agatha entra e encontra o pai, sentado. Ela senta ao lado dele.

Agatha    – Bom dia, pai.

Leonel    – Bom dia. Cheguei cedo aqui pra ver se tínhamos alguma novidade sobre o Mário e o Marcos.

Agatha    – E temos?

Leonel    – Nós sabemos onde eles estão e pegamos o carro que o policial deu pro Mário.

Agatha    – Colocou alguém na cola deles?

Leonel    – O que você acha? Coloquei um policial à paisana na casa ao lado da deles.

Agatha    – Certo. (pausa) Eu vou no rancho do Mário hoje investigar as pedras.

Leonel    – Boa sorte com isso.

Agatha    – Obrigada.

Eles seguem conversando, em off.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada à mesa, tomando café. Lauro e Tadeu entram e se sentam.

Pérola    – O que ele está fazendo aqui, Lauro?

Lauro     – Nós saímos ontem pra beber e bebemos além da conta, trouxe ele pra cá.

Tadeu     – Bom dia, Pérola.

Pérola    – Não acredito nisso.

Lauro     – Cadê a Amparo? Eu preciso tomar um remédio pra dor de cabeça.

Pérola    – Ela saiu, disse que não ia demorar, mas caso demorasse: o almoço está pronto e é só esquentar.

Tadeu     – Hoje é o grande dia, não é Pérola?

Pérola    – O dia que você vai pegar as suas malas e voltar pro cu do conde: é sim.

Tadeu     – Não, é o dia em que você vai pegar as suas malas e ir pro inferno.

Eles se encaram, raivosos.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Zélia, Nádia e Omar sentados à mesa. Thiago os servindo.

Zélia     – Se a senhorita tivesse me escutado não teria ido pro hospital. A partir de hoje, não vai mais comer carne vermelha nessa casa.

Clara     – Eu ter passado mal não tem nada a ver com a carne que eu comi, Zélia. É por outros motivos.

Zélia     – Que motivos?

Clara     – Pergunte ao seu filho.

Omar      – Não foi nada, nós tivemos uma discussão e ela passou mal.

Zélia     – É claro que vocês vão discutir: nunca vi uma namorada tão teimosa quanto essa.

Nádia     – Chega disso, mãe! Troca o disco! (ao Thiago) Cadê o Tadeu?

Thiago    – Ele não dormiu em casa.

Nádia     – Ótimo. Agora eu tenho que cuidar de um hóspede desaparecido.

Thiago    – Não disse que ele estava desaparecido. Eu disse que ele não dormiu aqui.

Nádia     – E onde é que ele dormiu, criatura?

Thiago    – No rancho vizinho. A Amparo disse que o Lauro chegou tarde da noite com um homem. Ambos bêbados.

Nádia     – Ninguém merece.

Omar      – Mudando de assunto: eu estou indo lá, Clara.

Nádia    – Eu também vou.

Omar     – Não precisa.

Ele levanta, dá um beijo na Clara e sai.

Zélia    – Que lugar é esse, Nádia?

Nádia    – Pergunte a sua nora.

Ela levanta e sai. Zélia encara a Clara.

 

CENA 14. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Célia frente à igreja, respirando fundo, bem pensativa.

Célia     – E que isso seja o que deus quiser.

Ela entra.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha estão sentados. Omar entra e se aproxima.

Leonel    – Omar?

Omar      – Eu desejo confessar um crime, Leonel. Agatha.

Agatha    – Você?

É nesse momento que a Nádia entra e se aproxima do irmão.

Nádia     – Eu também desejo confessar um crime.

Leonel    – Que merda está acontecendo aqui?

Os quatro a se encarar.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Clara está andando pelo corredor. Zélia se aproxima.

Zélia     – Clara!

Clara     – Oi, Zélia.

Zélia     – Eu quero saber a verdade. Que merda está acontecendo com os meus filhos?

As duas se encaram.

 

CENA 17. CASA/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Mário tomando banho num chuveiro todo velho. Ele se banha, distraído.

 

CENA 18. CASA/SALA/INTERIOR/DIA:

O celular do Mário tocando. Marcos se aproxima e, sem pensar duas vezes, atende.

Perseu    – Mário?

Marcos    – Pai?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 43 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. LUGAR DESCONHECIDO/

Perseu (aparência conversada mesmo após tantos anos) anda de um lado para outro, ao telefone.

Perseu    – Eu não me importo se você está ansioso para agir. O que importa aqui é o que eu quero: você vai esperar as minhas ordens. (pausa) Certo. Como está o meu filho? Ótimo. Até mais.

Ele desliga o telefone, se aproxima de um interruptor e o desliga, escurecendo totalmente o lugar que estava.

 

CENA 02. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Mário desliga o telefone. E ao se virar dá de cara com o Marcos.

Mário     – Está aí a muito tempo?

Marcos    – Não, cheguei agora. Eu acordei e não te vi por perto.

Mário     – Estava falando com a chefia, ele disse que nós devemos esperar mais um pouco.

Marcos    – Quando eu vou poder conhecê-lo, Mário?

Mário     – Logo. (pausa) Estou indo comprar pão.

Marcos    – Cuidado. A essa hora já devem ter dado falta da gente.

Mário     – Eu sei, estou indo me livrar daquele carro também. Irei tomar cuidado, pode deixar.

Ele sai. Ao escutar a porta bater, Marcos pega um celular e faz uma ligação.

Marcos    – Leonel?

Diálogo continua na próxima cena.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel ao celular com o Marcos.

Leonel    – Alô.

Marcos    – (off) Desculpa a demora, estava tentando conseguir mais informação com o Mário, mas tá difícil.

Leonel    – Diga o que conseguiu.

Marcos    – (off) Existe alguém por trás do Mário, estamos certos nisso. Esse alguém é provavelmente um homem e o Mário segue as regras desse alguém.

Leonel    – Não tem ideia de quem pode ser esse alguém?

Marcos    – (off) Pode ser qualquer pessoa que tem algo contra o César, ou seja, é um número bem pequeno de pessoas. (pausa) Pra mim, a maior possibilidade é o meu pai.

Leonel    – Faz sentido já que ele saiu daqui sedento por vingança. E se de fato ser ele, você deve tomar cuidado.

Marcos    – (off) Eu estou tomando. Não sei se tem mais coisa para lhe contar por hora.

Leonel    – Tem sim: onde é que cês estão?

Marcos    – (off) Numa casa dele e da Zélia afastados da cidade, mas ainda na cidade.

Leonel    – Ok. Consiga mais coisa pra mim, e entre em contato sempre.

Marcos    – (off) Ah, não sei se isso é útil, mas ele foi se livrar do carro que aquele policial deu. E ele ainda não fez contato com a Zélia.

Leonel    – Certo, obrigado.

Leonel desliga. Nesse momento, a Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – O Marcos entrou em contato?

Leonel    – Entrou sim. Como sabe?

Agatha    – Você está sorrindo, pai. O que ele falou?

Leonel    – Ele falou que o Mário possui mesmo alguém mandando nele, e que esse alguém é provavelmente um homem.

Agatha    – Ele tem algum palpite de quem seja?

Leonel    – Ele acredita que seja o pai dela, o Perseu. E faz sentido.

Agatha    – Mas você não acha que seja ele, não é?

Leonel    – Não porque eu gosto do Perseu, ou ele parecia ser alguém legal. Lógico, com defeitos, mas ainda sim legal. E outra: esperar mais de vinte anos?

Agatha    – Você não convivia com ele igual o Marcos e a mãe dele. Ele devia ser uma pessoa totalmente diferente pra eles.

Leonel    – Tá certo. (pausa) Preciso mandar alguém ficar descobrir onde fica a exata localização da casa onde eles estão ficando.

Agatha    – Nem olha pra mim. Eu preciso começar a investigar o caso das pedras e nem sei por onde começar.

Leonel sorri e sai.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Pérola a se encarar. Robson tenta se aproximar.

Pérola    – Eu não quero saber quem lhe contratou. Quem manda nesse rancho agora é o Lauro e a Amparo, não importa se foi o César ou não.

Tadeu     – Importa sim. Porque eles podem até ter herdado a fazenda, mas quem me contratou não foi eles.

Pérola    – Essas pedras são minhas e eu não vou deixar ninguém tocar nelas, tá me escutando?

Tadeu     – Eu não me importo se você vai deixar eu tocar nelas ou não. Elas não são suas! Elas pertencem a essas terras! E quem é o dono dessas terras?

Pérola    – O Lauro e a Amparo!

Tadeu     – Tá certo, já que insiste nisso. Vamos conversar com eles sobre quem eles vão apoiar.

Pérola    – Tá certo. Eu sei que eles vão estar do meu lado, então eu nem preciso me preocupar.

Tadeu     – É o que nós vamos ver.

Robson    – Ok! Chega vocês dois se brincarem de boneca. Isso aqui é trabalho sério, então, Tadeu até que você tenha permissão de trabalhar aqui, nós dois vamos continuar, ok?

Tadeu     – Então tá, nos vemos amanhã.

Tadeu sai. Robson e Pérola se encara, ela bufa – irritada.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Clara a encarar o Omar. Ele levanta e se aproxima da Clara.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) O que é isso, Omar?

Omar      – Não é nada, meu amor. Não é nada, eu juro.

Clara     – Você está querendo me fazer de idiota? O que é aquilo? São as malditas pedras do rancho vizinho, não é? Me responde!

Omar      – É isso mesmo…

Ele senta na cama e começa a contar toda a verdade em off.

 

CENA 06. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Nádia e Iris sentadas no banco da praça. A última mais calma.

Nádia     – Agora conta, com calma, o que aconteceu.

Iris      – Eu arrumei o quarto, preparei a cama, espalhei rosas por tudo. Era pra ser a nossa noite de amor, sexo, desejo.

Nádia     – Pula essa parte, por favor, não quero detalhes a mais.

Iris      – Desculpa. Ele me chamou de Marilda, Nádia. Ele ainda pensa nela… ele acha que eu sou ela?

Nádia     – Oh, entendi. Ele nunca vai esquecê-la, Iris. Isso é uma coisa que você não pode pedir pra ele.

Iris      – Eu sei disso.

Nádia     – Dito isso, ele deve estar confundindo as coisas. A Marilda morreu recentemente, ele precisa de um espaço, de um tempo para absorver as coisas. O Robson entrou nesse relacionamento contigo muito rápido.

Iris      – As coisas simplesmente aconteceram. Ele disse estar pronto e eu acreditei.

Nádia     – Ele não está e isso é obvio. Dê um tempo para ele pensar e quando ele se sentir pronto, vocês podem ter o melhor dos namoros. E, quem sabe, o melhor dos casamentos.

Iris      – (ri) Ok. Eu odeio quando você dá umas respostas claras e verdadeiras assim.

Nádia     – (ri) Dói, né?

Iris      – (ri) Dói.

Elas riem e seguem conversando em off.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Tadeu e dá de cara com o Lauro. Eles se aproximam.

Lauro     – O que está fazendo aqui?

Tadeu     – Eu vim tentar olhar as pedras do seu pai, mas a dona Pérola não permiti.

Lauro     – E ela não vai.

Tadeu     – A questão é que ela não é a dona do rancho. É você e a Amparo, deixem eu fazer isso pelo seu pai. Não quero receber nada em troca, só quero fazer o que ele me pediu antes de morrer.

Lauro     – Podemos conversar num lugar mais arejado?

Tadeu     – É claro. Pode escolher, não conheço nada nessa cidade mesmo.

Lauro     – Eu conheço o lugar perfeito.

Eles saem.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Leila e Amparo estão sentadas. É possível ver o Thiago no corredor, longe delas.

Amparo    – O que você queria falar comigo? Aproveita que o Thiago está distante.

Leila     – Minha menstruação não desceu, Amparo.

Amparo    – Não se preocupa, calma. Pode ser só um atrasinho normal.

Leila     – Minha menstruação não atrasa nunca. Ela é a mais regular do mundo, nunca atrasou um dia sequer.

Amparo    – Pra tudo tem uma primeira vez. Não pira! Você e o Thiago não usam camisinha?

Leila     – De vez em nunca. Usávamos no começo, quando o nosso relacionamento era aberto. Depois que fechamos, nunca mais.

Amparo    – Se não vier até amanhã, compro o teste pra você. Mas tenho certeza que não é nada, quer dizer, você quer que seja alguma coisa?

Leila     – Não estou pronta para ser mãe, Amparo.

Amparo    – Então, pensa assim: você não está grávida.

Thiago se aproxima, encerrando o assunto.

Thiago    – Desculpa, estava terminando de arrumar ali. (pausa) Vamos fofocar.

Eles começam a conversar em off.

 

CENA 09. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas no sofá, a conversar e tomando café.

Célia     – Então quer dizer que é tudo um plano do Leonel?

Suzana    – Isso mesmo. Mas não é pra espalhar por aí, é segredo.

Célia     – Tá certo, mas o que nós vamos falar para o povo?

Suzana    – Nada, eles esquecem e seguem em frente. (pausa) E cadê a Divina que tá aparecendo em nenhuma de nossas reuniões?

Célia     – Não sei, sabe que ela tá estranha? Não tem ficado muito tempo em casa, saindo a noite.

Suzana    – Ela tá namorando? Meu deus! Nunca imaginei vocês duas namorando.

Célia     – Não! Nós duas somos virgens, intactas e vamos morrer assim. (pausa) Ela não faria isso comigo.

Suzana    – Ela tem uma vida, Célia. Deve e pode namorar, eu hein.

Célia a encarar a parede, incrédula.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar sentado na cama, Clara a escutar.

Clara     – Não acredito nisso.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) Não! Essas malditas pedras mataram duas pessoas, Omar. E você e a sua irmã pegam as malditas pedras e escondem ao seu bel-prazer? Isso é ridículo!

Omar      – Eu sei. Eu quero explicar/

Clara     – (corta) Não tem explicação, Omar. Você pegou as pedras e as escondeu debaixo da sua cama porque quis. Não me importa o motivo que o fez, o que importa é que você fez.

Omar      – Eu sei.

Clara     – Eu preciso respirar, preciso de um ar porque isso… isso… eu nem sei.

Ela sai andando e Omar, levanta, e vai atrás.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Clara anda pelo corredor, brava. Omar vai atrás, ele pega o braço dela.

Clara     – Me solta!

Omar      – (solta) Por favor, me escuta, por favor… Clara.

Clara     – Não quero, Omar. Eu preciso pensar antes.

Ela sai andando e de repente, para. Ela se escora na parede, com dor. Omar corre até ela.

Omar      – Ei! Cê tá bem?

Clara     – Não… não… o bebê, Omar. O meu filho.

Ela, ofegante, sentindo dor. Omar não pensa duas vezes, a pega no colo e sai correndo.

 

CENA 12. CASA QUALQUER/FRENTE/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Divina sai dessa casa, às escondidas. Célia sai logo atrás, a seguindo, sem que seja vista.

 

CENA 13. BAR/INTERIOR/NOITE:

Tadeu e Lauro sentados no bar. Eles estão bebendo e visivelmente bêbados.

Tadeu     – (confuso) Não, não. A Pérola parece ser legal, mas…

Lauro     – (completa) Mas a Nádia é mais.

Tadeu     – Isso mesmo. A Nádia é mais legal, é mais bonita.

Lauro     – Eu sei, mas agora eu sou o irmão dela, quer dizer… eu sempre fui o irmão dela! Isso é… estranho. (pausa) Tu gostou dela.

Tadeu     – Gostei e acho que ela gostou de mim, mas… não disse nada.

Lauro     – E nem vai dizer. A antiga Nádia teria te agarrado e transado contigo em qualquer lugar… na rua, no chão… mas ela mudou. A Nádia é uma nova mulher, ela parece pensar mais com coração e menos com a…

Tadeu     – (ri) Entendi. Eu espero que ela demonstre alguma coisa, assim eu posso saber.

Lauro     – Tenta. Tu não gostou dela? Então, tenta.

Eles continuam.

 

CENA 14. HOSPITAL/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Clara deitada na cama do hospital. Omar a seu lado, de mãos dadas. O médico entra.

Omar      – Doutor, finalmente.

Clara     – Aconteceu alguma coisa? O meu filho está bem?

Médico    – Está tudo bem, tanto você quanto o bebê. Mas você se estressou e deve evitar isso, fique mais calma, mais repouso.

Omar      – Que bom que está tudo bem, não é?

Médico    – Eu só vou acertar uns papéis e vocês já podem ir.

Ele sai. Clara agarra a mão do Omar com força, ele a encara.

Omar      – Tá doendo.

Clara     – É pra doer mesmo! Me escuta aqui: se você não for a polícia e se entregar, eu saio daquela casa e eu juro: você nunca mais vai me ver e nem ao meu filho.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) Não! O meu filho não vai ter um pai ladrão e muito menos um que motivou o assassinato de uma pessoa.

Omar      – Não diga isso.

Clara     – Mas foi isso que aconteceu. O Mário só matou o César por causa daquelas malditas pedras

Omar      – Tá certo, eu faço o que você quiser, Clara.

Ela o solta. Omar respira fundo, pensativo.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Iris entra e encontra o Robson sentado no sofá, bebendo uísque. Ela se aproxima.

Robson    – Iris.

Iris      – Nós precisamos conversar, Robson.

Eles se encaram.

 

CENA 16. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado, fumando. Divina se aproxima, o cumprimenta e senta ao seu lado. Célia vê tudo.

Célia     – Filha da puta!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 42 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Célia encarando o povo que as questiona, em polvorosos.

Suzana    – Acalmem-se! Nós queremos ajudar e entender vocês, acalmem-se.

Homem     – (distante) O povo quer respostas! Nós estamos cansados! Mário e Marcos estão nas ruas e ambos são assassinos.

Mulher    – (distante) Precisamos de segurança, senhora prefeita, e você precisa providenciar isso pra gente.

Suzana    – Eu sei, eu sei! E eu também quero entender como eles fugiram e que medidas o Leonel vai tomar. É justamente por isso que eu estou indo agora mesmo na delegacia.

Homem     – (distante) Estamos cansados de respostas prontas!

Célia     – Ah vá à merda!

O povo indaga.

Célia     – É isso mesmo que vocês ouviram. Vão todos à merda! Não escutaram que estamos fazendo o possível? Nós não somos deus não, caralho. Quer que o Mário e o Marcos sejam presos? Vá falar com o Leonel e com a Agatha, não podemos fazer nada não.

Célia entra na casa. O povo indignado.

Suzana    – Eu… eu…. eu estou sem palavras! As palavras ditas pela minha vice-prefeita, não me representam. Eu sinto muito e como já disse: todas as decisões serão tomadas. Obrigada.

Ela dá as costas e entra em casa. O povo ainda sem palavras, mas alguns a gritar palavras de ordem.

 

CENA 02. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana entra e se aproxima da Célia. Elas se encaram. Leila à parte.

Suzana    – Qual é a merda do seu problema, Célia?

Célia     – Desculpa, Suzana. Eu me irritei com a aquela gentinha.

Suzana    – Eles estão fazendo o que você fazia quando não era você no poder. Eles têm o direito de fazê-lo assim como você também tinha. (pausa) Meu deus! Xingar o povo daquele jeito?

Célia     – Eu disse a verdade. Eles têm que ficar bravos com o Leonel e com a Agatha que deixaram a fuga acontecer. E não conosco.

Suzana    – Nós duas representamos o povo. Nós duas somos as donas desse barco e esse barco afunda, a culpa não é do faxineiro, a culpa é nossa!

Célia     – Eu sei.

Suzana    – Então acorda pra vida e para ficar putinha porque meia-dúzia de pessoas veio pra cá. Faça alguma coisa de útil!

Ela se afasta da Célia e se aproxima da Leila.

Suzana    – Eu vou na delegacia e vou sair pelos fundos que eu não sou maluca de encarar esse povo de novo.

Leila     – Ok, eu tentar enxotar eles daqui.

Suzana    – Tá certo, se alguma coisa acontecer cê me liga.

Leila     – O que mais tem pra acontecer?

Suzana    – É melhor nem dizer isso, vai que vem um terremoto.

Suzana pega a sua bolsa e sai. Leila entra na cozinha e Célia bufa, sozinha.

 

CENA 03. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Divina sentados em frente ao bordel, conversando. Ele fuma.

Alberto   – O povo está enlouquecido na frente da mansão.

Divina    – Tem certeza que quer voltar a ter isso na sua cola?

Alberto   – Quando eu era prefeito não acontecia essas coisas. A cidade era quieta até demais comigo no poder.

Gina sai nessa hora e senta ao lado deles.

Gina      – E é exatamente por isso que você precisa voltar.

Alberto   – Eu sei, querida. E eu vou voltar, eu vou!

Alberto e Gina se beijam. Divina os encara com repulsa. CÂM mostra a Nilda os encarando.

 

CENA 04. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda na janela. Eleonora se aproxima e tira ela de perto da janela.

Eleonora  – Para de se torturar com isso, Nilda.

Nilda     – Até a Gina está metida nisso. Eu me sinto duplamente traída.

Eleonora  – Eu te admiro, sabia? Eu teria tirado eles daqui.

Nilda     – Não vou me rebaixar ao nível deles, Eleonora. Eu prometi moradia pra eles e é isso que eles têm. Mas, agora, a amiga e mãe aqui não existe mais pra eles.

Eleonora  – Não diga isso. A Gina vai ser sempre a sua filhinha querida.

Nilda     – Não mais! Ela me traiu e eu não perdoo esse tipo de traição. Eu nunca vou perdoar ela e muito menos o Alberto.

Eleonora  – Tá certo, mas para de ficar vigiando os dois. Vai ficar cada vez mais magoada.

Nilda     – Eu sei, mas eu não consigo deixar de olhar. A minha vontade é de… sei lá, deixa eles. Eu sei que eles vão precisar de mim.

Eleonora  – É claro que vão.

Eleonora pega na mão de Nilda e sai com ela.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Zélia está andando pelos corredores. Thiago a encontra.

Thiago    – Estava te procurando.

Zélia     – O que aconteceu, criatura?

Thiago    – Pelo que parece, Mário e Marcos se uniram e fugiram juntos. Os dois escaparam da cadeia ontem à noite.

Zélia     – É o que?

Thiago    – Isso mesmo que ouviu. A cidade toda já sabe e pelo que eu consegui ver pela janela, foram uma manifestação na frente da casa da Suzana.

Zélia     – Os outros já sabem?

Thiago    – Eu não vi eles saírem de casa, então acho que não.

Zélia     – Ótimo, eu terei que contar essa infelicidade. (pausa) Faz um favor?

Thiago    – Faço, é claro.

Zélia     – Fica de olhos abertos e me conta tudo. Era só que faltava ter que lidar com dois homens fugindo da polícia. Preguiça.

Zélia sai andando por um lado. E Thiago vai para o outro.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Omar, Nádia e Tadeu sentados à mesa. Eles conversam.

Tadeu     – Que bonito a relação de vocês dois.

Clara     – Obrigada. Quem diria que um namoro às escondidas iria acabar nisso.

Nádia     – Às escondidas nada. Isso de esconder da mãe durou dois dias, logo o Omar percebeu que isso era burrice.

Omar      – E era mesmo. Pra que esconder que eu amo essa mulher?

Eles se beijam.

Clara     – E você Tadeu? Namora?

Tadeu     – Estou sozinho, mas aberto para o amor.

Ele encara a Nádia que sorri. Zélia entra na sala encerrando a conversa.

Zélia     – Ótimo que estão todos aqui. Isso torna as coisas mais fáceis.

Omar      – O que aconteceu, mãe?

Zélia     – O Mário e o Marcos se uniram na cadeia e fugiram.

Nádia     – O que?

Zélia     – É isso mesmo que escutaram. E se eu conheço bem o Mário, e eu conheço, ele virá atrás da gente.

Clara     – O que faremos agora?

Zélia     – Nada!

Omar      – O que?

Nádia     – Mãe, não podemos não fazer nada. Temos que fazer alguma coisa.

Zélia     – Não! É isso que ele. Ele quer que a gente fique em pânico, que deixamos de viver a nossa vida. (pausa) Eu deixei de viver a minha vida por ele por mais de vinte anos, não quero que ninguém passe por isso. (pausa) Então, sim, não vamos fazer absolutamente nada. Nós vamos continuar com as nossas vidas normalmente.

Nádia     – Está certo. Faremos o que você acha melhor mãe.

Omar      – Estamos contigo.

Zélia     – Ótimo. Eu vou voltar pro quarto, perdi a fome.

Ela sai. Todos se encaram.

Tadeu     – Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Clara     – É claro, mas senta que lá vem história.

Eles começam a explicar.

 

CENA 07. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra segurando um copo de café se aproxima da Agatha, que está sentada.

Leonel    – O Marcos já entrou em contato?

Agatha    – Nada.

Leonel    – Droga! A fofoca já está rolando e povo, perturbando.

Suzana entra e eles a encaram.

Suzana    – Nós precisamos conversar, não acham?

Suzana senta e os encara.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Lauro na pelos corredores, aflitos. Pérola o alcança.

Pérola    – Ei! Cê tá bem?

Lauro     – Eu quero entender porque diabos o Marcos fugiu se ele não é culpado.

Pérola    – E se ele for?

Lauro     – Não! Não! Eu me recuso a pensar nisso, Pérola. Ele não mataria o meu pai.

Pérola    – Olha…

A campainha toca.

Pérola    – O Robson chegou, nós vamos trabalhar. Se precisar de alguma coisa: chama!

Ela dá um beijo nele e sai.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Nádia andam pelo pasto.

Tadeu     – Eu nem sei pelo que você e o Omar passaram. Eu sinto muito.

Nádia     – Está tudo começando a dar certo agora, então…

Eles escutam barulho vindo do rancho vizinho. Tadeu a encara.

Tadeu     – O que é isso?

Nádia     – Robson e Pérola trabalhando. Eles estão pegando as pedras.

Tadeu     – Será que eu posso ir ver?

Nádia     – Você foi contratado pelo César por causa disso, não foi? É claro que pode ir.

Ele sorri e sai. O celular da Nádia toca e ela atende.

Nádia     – Alô.

Iris      – (off) Eu preciso de você, estou pra praça.

Nádia     – Estou indo.

Ela desliga e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson estão escavando o pasto. Eles conversam.

Pérola    – Como tá a Iris?

Robson    – Nós não estamos muito bem. (pausa) Eu a chamei de Marilda ontem à noite.

Pérola    – Robson!

Robson    – Eu sei, não tem desculpas pelo que eu fiz. Eu sei. Eu preciso arranjar um jeito dela me desculpar, se é que tem um jeito.

Pérola    – Você precisa se perguntar uma coisa: eu estou realmente pronto para começar uma relação séria com alguém?

Robson    – Eu não sei se estou.

Tadeu entra e se aproxima.

Pérola    – O que você está fazendo aqui?

Os três se encaram.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana sentada frente ao Leonel e a Agatha. Os três a se olharem.

Suzana    – E então?

Leonel    – Tá certo, precisamos te dar explicações. Mas não podemos te falar tudo.

Agatha    – É confidencial.

Suzana    – Eu sou a merda da prefeita dessa cidade. Eu quero saber de tudo!

Leonel    – OK. O Marcos está trabalhando pra gente. Nós sabíamos que o Mário pretendia fugir então botamos o Marcos pra fugir com ele, assim ele entra em contato conosco e nos dá detalhes sobre ele e sobre quem está por trás do Mário.

Suzana    – Por trás do Mário?

Agatha    – É, não acha estranho que do nada ele se torne uma pessoa esperta, capaz de driblar a polícia e matar duas pessoas? Tem alguma mente por trás dele.

Suzana    – E vocês esperam que um assassino seja leal a vocês?

Leonel    – O Marcos não matou ninguém, Suzana.

Suzana    – Ele está preso pelo assassinato do César, não está? Então pronto!

Agatha    – Isso porque a gente não tem planos que foi o Mário.

Suzana    – Tá certo. Me mantenha informada sobre esse plano de merda. (pausa) Eu preciso arranjar um jeito de arrumar a confusão que vocês fizeram.

Ela levanta e sai.

Agatha    – Essa foi fácil.

Leonel    – Nós precisamos que o Marcos entre logo em contato.

Leonel, apreensivo.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu, Robson e Pérola a se encararem.

Tadeu     – Eu fui convidado pelo César a investigar essas pedras preciosas. Tenho todo direito de estar aqui.

Robson    – O que que está acontecendo aqui?

Pérola    – O César, antes de morrer, contratou o Tadeu a vir aqui investigar o nosso trabalho. (ao Tadeu) Mas eu e o Lauro já deixamos claro que não precisamos do seu serviço.

Tadeu     – Pois quem me contratou foi o César e só ele pode me demitir, mas eu acho que isso vai ser um tanto quanto impossível. (pausa) E além disso, eu sou o único aqui que é geólogo.

Pérola fuzila o Tadeu com o olhar.

 

CENA 13. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Iris está sentada no banco da praça. Nádia entra e senta ao lado dela. Elas se abraçam e Iris desata a chorar.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar entra no quarto, preocupado. Ele se encosta na parede.

Omar      – O meu pai fugiu da cadeia porque ele quer essas malditas pedras. Droga!

Ele arrasta a cama, mostrando um piso-falso. Omar o abre e olha os kimberlito dentro do compartimento.

Omar      – O que eu faço com vocês hein?

Ele a encarar os kimberlito. Clara entra e de primeira, nem percebe.

Clara     – Omar/

E então ela olha. Clara o encara, sem entender.

 

CENA 15. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Mário a falar no telefone. Marcos, um pouco distante, a escutar.

Mário     – Eu sei, chefia, eu sei que as coisas precisam ser feitas na hora certa. Mas é que/ tá certo então.

 

CENA 16. LUGAR DESCONHECIDO/

Uma pessoa andando por esse lugar. Só é mostrado que ele está ao telefone. E assim que a ligação termina ele se vira, revelando ser o Perseu!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 41 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FUNDOS DA DELEGACIA/INTERIOR/NOITE:

O policial guiando o Mário e o Marcos, os dois usando uniforme policial. Eles se aproximam de um carro qualquer.

Policial  – Esse carro vai levar vocês aonde quiserem. Aqui a chave (entrega).

Mário     – Muito obrigado por tudo. Eu e o meu amigo aqui vamos te recompensar direitinho, logo o dinheiro vai estar na sua conta.

Policial  – Eu agradeço.

O policial sai. Mário e Marcos entram no carro, e se encaram.

Marcos    – E agora? Nós vamos pra onde, Mário?

Mário     – Eu conheço um lugar.

Mário dá partida no carro e sai cantando pneu.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha andando de um lado pro outro, ansiosos. O policial da cena anterior entra.

Policial  – Tudo deu certo. Eles pegaram o carro e partiram.

Agatha    – Ótimo!

Leonel    – Muito obrigado pelo seu serviço. Agora você vai ser afastado por um tempo.

Policial  – O que? Porque?

Leonel    – Ninguém pode desconfiar que nós estamos envolvidos nessa fuga. A sua carreira não vai ser prejudicada, eu garanto.

Agatha    – É só um afastamento e logo você estará de volta.

Policial  – Está certo. Peguem eles logo, não posso ficar muito tempo parado.

Agatha    – Pode deixar.

Ele sai. Agatha e Leonel se abraçam.

Agatha    – Metade do plano já foi, já deu certo.

Leonel    – Agora é com o Marcos e aí dele se ele me decepcionar.

Agatha concorda. Eles sorriem, mas demonstram preocupação.

 

CENA 03. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nádia e Lauro a encarar o homem, Tadeu, (branco, uns vinte e poucos anos, bonitão).

Nádia     – É novo na cidade? Podemos te ajudar?

Tadeu     – Sou sim e seria ótimo se pudessem me ajudar. Não imaginei que essa cidade fosse ser tão grande e confusa.

Lauro     – Não é grande não, logo você se acostuma. (pausa) Pra onde está indo?

Tadeu     – Não em deu me deu o endereço, só falou que um rancho. O rancho do César.

Nádia     – César?

Lauro     – O que você quer com o meu pai? Eu posso saber?

Tadeu     – Ah ele é seu pai? Prazer, o meu nome é Tadeu e o seu?

Lauro     – O meu é Lauro e essa é a Nádia. Agora: o que você quer com o meu pai?

Tadeu     – Prazer, Nádia. Ele me convidou a vir na cidade, ele queria que eu investigasse umas pedras preciosas. O César, seu pai, queria saber mais sobre elas.

Lauro     – E isso foi quando?

Tadeu     – Faz tempo…

-inicia aqui um flashback não-exibido antes-

 

CENA 04/FLASHBACK. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

César está sentado na cama, a falar pelo telefone. Diálogo anterior continua.

Tadeu     – (off)… eu estava ocupado com outros casos, não pude vir pra cá imediatamente. Mas ele me ligou querendo os meus serviços.

Lauro     – (off) E o que você faz exatamente? E como diabos o meu pai te achou?

César desliga o telefone e encara a CÂM, pensativo. -fim do flashback-

 

CENA 05. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Lauro, Nádia e Tadeu na mesma situação: a se encarar. Diálogo anterior continua.

Tadeu     – Eu sou geólogo, do ramo da petrologia e trabalho com pedras, rochas, e também pedras preciosas. O seu pai deve ter me encontrado na internet, todos nós estamos lá hoje em dia.

Nádia     – Porque o César contrataria um geólogo? Ele nunca quis saber das pedras.

Tadeu     – Na ligação ele falou algo sobre uma garota chamada Pérola. Pode ser por causa dela.

Lauro     – É claro que tem a ver com a Pérola. O meu pai não estava interessado nas pedras, mas queria que a Pérola saísse da cidade.

Nádia     – Faz sentido. Eu acho melhor levá-lo pro rancho, podemos conversar melhor lá.

Tadeu     – Muito obrigado.

Lauro ajuda o Tadeu com as malas e os três saem.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nilda anda pelo corredor. Alberto a segue e a alcança. Eles ficam frente a frente.

Nilda     – Ei! Aconteceu alguma coisa Alberto?

Alberto   – Aconteceu e nós precisamos conversar sobre isso.

Nilda     – Pode falar, criatura. Está me deixando preocupada.

Alberto   – A Divina me procurou esses dias. Ela está se unido a nós e servindo de espiã da Suzana e da Célia.

Nilda     – Isso é ótimo! Mas ao mesmo tempo, temos que tomar cuidado. Não sei se podemos confiar nela.

Alberto   – Eu acho que confio nela, mas pode deixar, estou de olhos abertos. (pausa) Mas não é só isso.

Nilda     – Tem mais?

Alberto   – Ela quer ser vice-prefeita, Nilda. Minha vice.

Nilda     – É o que? Pois diga a ela que esse cargo já está preenchido, ele é meu!

Alberto   – Eu aceitei. A Divina é a minha vice-prefeita agora.

Nilda     – Não acredito que fez isso comigo, Alberto.

Alberto   – Você pode continuar na campanha fazendo outras coisas. Mas, entenda, o apoio dela é muito importante.

Nilda     – É claro, eu entendi. Boa sorte nessa campanha sem mim.

Nilda sai correndo, chateada. Alberto bufa.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nilda entra no quarto, aos prantos. Eleonora sai do banheiro e a abraça.

Eleonora  – O que aconteceu?

Nilda     – (chora) Eu me deslumbrei com a ideia de ser vice-prefeita. Eu me imaginei: ex-puta, dona de bordel, vice-prefeita. E o Alberto me tirou isso.

Eleonora  – O que ele fez?

Nilda     – (chora) A Divina se ofereceu para ajudá-lo, ser a espiãzinha dele. E ele aceitou, mas ela quer ser a vice-prefeita dele e ele aceitou.

Eleonora  – Filho da mãe! Ridículo! Como ele pode fazer isso?

Nilda     – (chora) Pelo poder, Eleo. Mas eu sei que ele vai precisar de mim e quando ele precisar, eu vou estar aqui. Pode apostar.

Nilda e Eleonora se abraçam, a última dá um beijo na testa da primeira.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Alberto desce as escadas e se aproxima da Gina que está sentada, bebendo água.

Gina      – E aí?

Alberto   – Eu contei e ela ficou arrasada comigo. Ela disse que eu vou precisar dela e eu sei que vou. Ele me ajudou tanto, Gina, e eu a traí.

Gina      – Você fez uma escolha e não pode voltar atrás. A Nilda tem toda razão em ficar puta contigo.

Alberto   – Eu sei.

Ele se aproxima e ela dá um abraço nele.

 

CENA 09. CASA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Mário e Marcos entram na casa que está visivelmente acabada. Eles se encaram.

Marcos    – Que porra de casa é essa, Mário?

Mário     – Eu e a Zélia compramos essa casa logo depois de eu descobrir a traição dela. Queríamos vir pra cá de vez em quando pra fugir da agitação. (pausa) Mas acabamos vindo umas quatro vezes e depois esquecemos.

Marcos    – Nossa senhora, hein. Essa casa está um lixo.

Mário     – É só limpar, Marcos, meu deus! E além do mais, não reclama, ela tá toda mobiliada.

Marcos    – Os moveis devem estar cheios de cupins, Mário. Não troca eles a o que? Dez anos?

Mário     – Não exagera.

Ele senta numa cadeira e ela quebra. Mário cai no chão e o Marcos o ajuda a levantar.

Marcos    – Tá vendo?

Mário     – Ok, mas é o que tem? A gente pega o colchão das camas ou dorme no chão mesmo. É provisório, Marcos.

Marcos    – Prefiro dormir no chão, tenho certeza que é mais limpo

Mário bufa e entra num corredor. Marcos olha pros lados, enojado.

 

CENA 10. CASA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Mário entra no quarto, ele pega o colchão e coloca no chão, sentando nele. Marcos entra e senta ao lado dele.

Marcos    – Tirando a parte da nojeira desse lugar: o que nós vamos fazer?

Mário     – Planejar as nossas vinganças e esperar ordens.

Marcos    – Ordens?

Mário     – É, tem alguém por trás de mim Marcos. Mas antes que pergunte quem: ainda não está pronto para saber da verdade.

Marcos    – Tá certo, chefe. Quando quiser contar, eu estou aqui.

Marcos a encarar o nada, pensativo.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada no sofá, assistindo TV. Lauro, Nádia e Tadeu entram.

Pérola    – Finalmente você chegou, Lauro. (olha pra eles) Quem é esse?

Ela levanta.

Nádia     – Esse é o Tadeu, ele é um geólogo contratado pelo César. (ao Tadeu) Essa é a Pérola.

Tadeu     – É um prazer conhece-la, Pérola.

Lauro     – O meu pai contratou o Tadeu para investigar as pedras preciosas.

Pérola    – É claro, é obvio. O seu pai queria que eu me ferrasse com as pedras.

Tadeu     – Você também é geóloga?

Pérola    – Podemos dizer que sim, eu sou uma geóloga. (ao Lauro) Que merda é essa?

Lauro     – Eu não sei.

Pérola    – Podemos conversar em particular?

Lauro e Pérola saem. Tadeu e Nádia se encaram.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro entram no corredor e se encaram, ela sem entender.

Pérola    – O seu pai… ele está morto e continua querendo me foder.

Lauro     – Não fala assim dele! O meu pai nunca confiou em ti, Pérola, e isso é obvio. Ele deve ter contratado o Tadeu para saber direito o que diabos você está fazendo.

Pérola    – Pois pode mandar o Tadeu embora porque eu e o Robson já começamos os nossos trabalhos. Não quero ninguém se metendo nele.

Lauro     – Eu nem cogitei em botar ele para trabalhar com você, mas ele foi contratado pelo meu pai.

Pérola    – Eu sei o que você está sentindo agora, mas ele contratou o Tadeu pensando em me ferrar, Lauro. E não ajudar.

Lauro     – Pérola, eu sei, mas você não consegue entender o que eu estou dizendo.

Pérola    – Lauro/

Lauro     – (corta) Não! Não quero mais escutar você falando mal do meu pai. Ele não vai trabalhar contigo, Pérola, se quer saber. (pausa) Aliás, você consegue pensar em alguma coisa que não seja essas malditas pedras?

Eles se encaram, exaltados. Pérola agacha a cabeça e Lauro bufa.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Tadeu se encaram. Ela sorri e ele retribui.

Tadeu     – Eu estou tentando entender o parentesco de todo mundo aqui. O Lauro é filho do César, mas e você a Pérola?

Nádia     – Eu também sou filha do César, descobri recentemente. Eu moro na casa ao lado com o meu irmão que não é irmão do Lauro e com a minha mãe.

Tadeu     – Ah, entendi. E a Pérola?

Nádia     – A Pérola é a namorada do Lauro, o César não gostava dela.

Tadeu     – E porque diabos se refere ao César no passado?

Nádia     – Ele faleceu, Tadeu. É recente e está sendo difícil pra todo mundo.

Tadeu     – Oh, eu sinto muito mesmo pela perda de vocês. Não fazia ideia.

Nádia     – Tudo bem.

Tadeu     – (pensa) Eu achei que você fosse namorada do Lauro.

Nádia     – (ri) Não, não. Eu estou solteira e muito bem assim.

Tadeu     – (sorri) Isso é bom.

Lauro e Pérola entram. 

Lauro     – Eu e a Pérola conversamos e achamos melhor você não se meter com as pedras preciosas. Ela já está cuidando disso com o amigo dela, Robson.

Tadeu     – Oh, ok então. Alguém sabe de uma pousada ou pensão aqui por perto?

Pérola    – A mais perto fica em outra cidade. Nós não somos acostumados a receber turistas.

Tadeu     – Então eu acho que vou ter que ir pra outra cidade.

Nádia     – Não! Não precisa. Pode ficar na minha casa.

Lauro     – É o que?

Pérola    – Ótimo, tchau pra vocês dois.

Lauro     – Tem certeza, Nádia?

Nádia     – Absoluta. (ao Tadeu) Você é um assassino, ladrão ou já foi preso alguma vez?

Tadeu     – A resposta é não para todas as perguntas.

Nádia     – Então, sim, eu tenho certeza. Vamos Tadeu.

Nádia e Tadeu saem, ela o ajuda com as malas. Lauro e Pérola se encaram.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Omar e Clara sentados à mesa. Eles jantam. Thiago à parte. 

Zélia     – (olha o prato da Clara) Não deveria estar comendo isso.

Clara     – Isso o que?

Zélia     – Carne vermelha. Você está grávida, Clara, não pode comer que nem uma porca.

Omar      – Mãe! Não! É a vida da Clara, ela é a mãe e não você.

Zélia     – Eu só estou falando. Depois o bebê nasce com doença, obeso, e vão reclamar.

Omar      – Não fala merda, mãe!

Clara     – Eu vou falar com o meu médico se quiser saber, mas eu tenho certeza que não tem problema nenhum em comer carne.

Zélia     – Então tá, cê que sabe.

Eles seguem comendo.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Tadeu entram. Ele olha em volta, deslumbrado.

Tadeu     – Meu deus! A sua casa é linda, Nádia.

Nádia     – Obrigada. (pausa) Eu acho que eles estão jantando, quer?

Tadeu     – Não, obrigado. Eu comi no ônibus a caminho daqui. O que quero mesmo é dormir.

Nádia     – É claro, eu vou te levar no quarto de hóspedes e você vai poder dormir o quanto quiser.

Tadeu     – Obrigado.

Eles sobem as escadas.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar, Clara e Zélia acabando de jantar. Thiago começa a tirar a mesa. Nádia entra.

Nádia     – Boa noite, gente.

Thiago    – Vai querer jantar, Nádia?

Nádia     – Não, obrigado Thiago. Eu quero é a minha cama mesmo.

Zélia     – Ficou o dia todo o Lauro, não é?

Nádia     – Fiquei sim, mãe. (pausa) Mas o assunto não é esse. Quero falar com vocês uma coisa.

Omar      – Fala.

Nádia     – Tem um hóspede nessa casa. O nome dele é Tadeu, ele é geólogo e foi contratado pelo César antes dele morrer.

Zélia     – Mais um hóspede? Não basta a grávida aqui não?

Clara     – Eu não sou hóspede, Zélia, sou tão moradora quanto a senhora.

Omar      – É isso mesmo, mãe.

Nádia     – Gente! É exatamente esse tipo de discussão que eu não quero ver. Sejam educados!

Thiago    – Ele vai ficar quanto tempo? Preciso saber sobre os gostos dele e quanto mais de comida fazer.

Nádia     – Acho que pouco tempo, não sei. Amanhã eu resolvo isso, Thiago.

Thiago concorda e sai. Os demais levantam da mesa e sai com a Nádia.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Iris e Robson deitados na cama. Ela está montada em cima dele, aos beijos. Eles gemem.

Robson    – (geme) ann, ann… Marilda…

Iris      – (para; encara) Marilda?

Ela o encara, Robson sem reação. Ela sai de cima dele, pega as roupas e sai.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Iris veste as roupas no corredor. E sai correndo. Robson sai atrás, mas não a alcança.

 

CENA 19. RUAS/EXTERIOR/DIA:

Amanhece.

Mostra planos das ruas da cidade. As pessoas andando e conversando. Fica claro que as pessoas estão conversando sobre a fuga do Mário e do Marcos.

 

CENA 20. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo na cozinha. O telefone toca e ela atende.

Amparo    – Alô.

Thiago    – (off) O Mário e Marcos fugiram da cadeia ontem à noite.

Amparo    – O que?

Ela incrédula.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola sentados à mesa. Amparo entra se aproxima.

Pérola    – Amparo, bom dia, pode trazer um suco pra mim?

Amparo    – O Mário e Marcos fugiram, Lauro.

Lauro     – O que?

Ele a encara.

 

CENA 22. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas a mesa, tomando café. Leila entra.

Leila     – O Thiago acabou de me ligar e ao que parece, o Marcos e Mário fugiram da cadeia.

Célia     – O que?

Suzana    – Droga! Eu preciso falar com o Leonel e com a Agatha.

Ela levanta e sai. Célia e Leila a seguem.

 

CENA 23. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Célia saem e se deparam com um monte de pessoas, encarando-as e fazendo várias perguntas uma atrás da outra.

Suzana    – Porra!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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