FALSO HORIZONTE | Capítulo 40 [Últimas Semanas]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Leonel está sentado. O policial entra com o Marcos e ele senta frente ao Leonel.

Marcos    – Me chamou aqui pra que?

Leonel    – Um policial escutou você e o Mário conversando. Nós sabemos o ele está armando.

Marcos    – Se o seu policial escutou bem, eu não topei.

Leonel    – É exatamente isso! Nós queremos que você tope, Marcos.

Marcos    – É o que?

Leonel    – Isso mesmo que escutou. Eu acho que ele tem algum mandante, não possível que tenha arquitetado tudo isso.

Marcos    – Não foi só ele, é por isso que eu não entreguei ele. Eu temo pelo Lauro.

Leonel    – Então. Nós queremos que ele fuja, que ele faça uma merda e se encontre com o mandante dele. E assim nós pegamos os dois de uma vez só.

Marcos    – Aonde eu entro nisso?

Leonel    – Você vai fugir com ele, vai ser meus olhos e ouvidos, vai nos comunicar sobre os passos dele. Ele precisa acreditar em você, precisa ser fiel a ele.

Marcos    – Ele matou o César, vai ser difícil me controlar para não fazer o mesmo com ele.

Leonel    – É por um bem maior, Marcos. (pausa) Você topa?

Eles se encaram.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto sai e acende um cigarro. Ele começa a tragar. Divina se aproxima.

Alberto   – Divina?

Divina    – Nós precisamos conversar, Alberto.

Alberto   – O que você quer? Se for alguma tramoia da sua irmã e da Suzana pode dar meia-volta e sair daqui.

Divina    – Não! Não é nada disso. Eu estou cansada da minha irmã ficar me controlando e dizer que eu estou errada. Estou cansada!

Alberto   – Imagino que sim. É a Célia, ela sempre foi controladora. (pausa) Veio aqui se aliar a mim?

Divina    – Sim, eu vim aqui ser a sua infiltrada. Eu vou te ajudar, vou ficar de olho na minha irmã e na Suzana e te digo tudo.

Alberto   – E porque você acha que eu devo confiar em ti?

Divina    – Não deve. Eu não quero que você confie em mim porque eu não confio em ti. Eu só quero ajuda pra tirar a Célia e Suzana do poder.

Alberto   – E o que você vai querer em troca, Divina?

Divina    – O cargo de vice-prefeita, é claro.

Alberto   – Não posso fazer isso com a Nilda, Divina.

Divina    – Então eu sinto muito, terei que continuar apoiando a Suzana e a Célia.

Alberto   – Espera! O cargo de vice-prefeita é seu.

Ela sorri. Alberto levanta e estende a mão, Divina aperta.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, mexendo no computador. Pérola entra e se aproxima.

Agatha    – Pérola? No que eu posso ajudar?

Pérola    – Pode me ajudar investigando o roubo das pedras.

Agatha    – Eu e o meu pai não a investigamos porque não achamos provas suficientes de que foi o Mário.

Pérola    – Foi ele e eu tenho certeza que as pedras ainda estão na casa dele. Ele não teve muito tempo de escondê-las.

Agatha    – Eu vou verificar isso, Pérola, e entro em contato.

Pérola    – Irei esperar.

Ela sai. Agatha pensativa.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Marcos e Leonel se encarando.

Marcos    – Eu topo! Mas eu quero garantia que o Lauro vai ficar seguro com tudo isso.

Leonel    – Eu te garanto que ele vai estar seguro. Assim que a fuga acontecer, eu vou botar policiais na frente do rancho.

Marcos    – Ótimo!

Leonel    – A fuga deve acontecer amanhã à noite, um policial vai fingir ajudar vocês e vai te dar um celular para que você se comunique comigo.

Marcos    – Está certo.

Leonel    – Estou confiando em você, nem pense em me passar pra trás.

Marcos    – É a vida do Lauro em perigo, pode confiar.

Leonel    – É bom que eu possa mesmo, Marcos.

Marcos levanta, o policial entra e o leva. Leonel encara o nada.

 

CENA 05. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

O policial entra com o Marcos e o bota na cela. O policial sai. Ele se aproxima da grade e Mário o encara.

Mário     – O que o Leonel queria contigo?

Marcos    – Estava me convencendo a te entregar e eu neguei novamente.

Mário     – Sábia decisão.

Marcos    – Se eu te ajudar da fuga, o Lauro fica fora de perigo?

Mário     – Porque de repente você ficou interessado na fuga?

Marcos    – Porque eu estou cansado de olhar pra cara do Leonel me perguntando as mesmas coisas sempre. E eu quero o Lauro longe das suas garras.

Mário     – Está pensando em fugir comigo?

Marcos    – Eu gostei da ideia quando você me propôs, mas eu fiquei com medo pelo Lauro. Não quero que nada aconteça com ele.

Mário     – Eu não matei o César? Tem certeza que quer ficar comigo?

Marcos    – É preciso fazer coisas que a gente não quer para poder proteger quem a gente gosta.

Mário     – Tá certo. (pausa) Se você fugir comigo, o Lauro fica a salvo. Eu lhe garanto.

Marcos    – Então, fechou.

Eles se encaram, sorrindo.

 

CENA 06. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada. Leonel entra e se aproxima.

Agatha    – E aí, pai? Como foi com o Marcos?

Leonel    – Ele topou, mas eu estou com pé atrás. Ele pode nos atrair, dá um jeito de fugir ou sei lá.

Agatha    – Não fará isso, pode ter certeza. É a vida do Lauro e ele sabe disso.

Leonel    – Não tenho certeza. Mas espero que dê tudo certo porque a coisa que eu mais quero é fechar esse caso.

Agatha    – Por falar em caso, a Pérola acabou de sair daqui. Ela quer que eu investigue o roubo das pedras.

Leonel    – Com tudo acontecendo, acabamos esquecendo desse caso. Vai pegá-lo?

Agatha    – Vou. Está na hora da gente dividir as coisas, não acha? Eu no caso das pedras e você cuidando do Marcos e do Mário.

Leonel    – Concordo. Mas o caso do Mário tem a ver com roubo das pedras.

Agatha    – Eu sei, a Pérola acha que não deu tempo dele esconder as pedras e que ainda deve estar no rancho dele.

Leonel    – O que você acha?

Agatha    – Eu acho que ele teve tempo. E se ele não teve, a Zélia pode ter muito bem escondido.

Leonel    – Não iria nos contar se tivesse.

Agatha    – Uma coisa é entregar o marido, ela não ia perder nada. Agora perder as pedras que podem valer milhões.

Leonel    – Tem razão. Eu tô indo pra casa agora, vem junto?

Agatha    – É claro, estou morta de sono.

Ela levanta e sai com ele.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Alberto entra e encontra a Gina sentada na cama. Ele senta do lado dela.

Gina      – Onde cê tava?

Alberto   – Fui fumar.

Gina      – E que cara é essa?

Alberto   – A Divina veio falar comigo e ela me propôs ficar do meu lado contra a Suzana e a Célia.

Gina      – E você acreditou?

Alberto   – Ela parecia dizer a verdade, acreditei, mas não quer dizer que confio nela.

Gina      – Isso é bom, não é? Porque essa cara então?

Alberto   – Ela disse que topava se fosse a vice-prefeita e não a Nilda.

Gina      – Você vai trair a Nilda?

Alberto   – Não queria fazer isso, mas eu também quero o poder de volta.

Gina      – Não concordo com isso, mas eu quero evitar me meter em política então faça o que você achar melhor.

Ela dá um selinho nele e deita. Alberto bufa e deita ao lado dela.

 

CENA 08. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Célia está sentada no meio-fio. Divina se aproxima e Célia levanta.

Célia     – Você sumiu. Onde estava? Eu tava quase ligando pra polícia.

Divina    – Não exagera. Você em estressou e fui andar por aí.

Célia     – Quando você resolver fazer drama por causa de bobeira, me avisa.

Divina    – Não é bobeira. Você me trata como lixo e eu estou cansada disso.

Célia     – Eu te trato como você merece ser tratada. Se enxerga Divina! Você depende de mim! Sempre foi assim e sempre vai ser. Idiota!

Célia dá as costas e entra numa casa. Divina a encara, sorrindo.

Divina    – É isso que nós vamos ver, querida irmãzinha.

Divina vai atrás, sádica.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Lauro e Pérola estão sentadas, tomando café. Amparo os serve.

Lauro     – Amparo, pode tomar conta do rancho hoje?

Amparo    – É claro. Vai ser demais! Eu sou a sócia agora, nem consigo acreditar.

Pérola    – Vai sair?

Lauro     – Ontem eu e a Nádia íamos ficar conversando a tarde toda, mas ela precisou sair então hoje é o dia.

Pérola    – Não estão passando muito tempo juntos não?

Lauro     – Pelo amor de deus, ela é a minha irmã Pérola.

Pérola    – Eu sei, mas vocês já transaram, já namoraram. Coisas podem acontecer de novo.

Lauro     – Tudo isso foi quando eu não sabia que ela era minha irmã. E não me lembre disso de novo, pelo amor.

Pérola    – Desculpa, desculpa. Eu sei que é loucura minha.

Lauro     – Ótimo. Vai trabalhar mais com o Robson?

Pérola    – Sim, espero encontrar coisa melhor que ontem.

Eles continuam tomando café. Amparo à parte, só observando.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Omar, Nádia e Zélia sentados à mesa, tomando café. Thiago os serve.

Thiago    – Vai ficar dormindo aqui agora, Clara?

Clara     – Não sei, talvez. Estamos construindo uma família aqui, então, quem sabe?

Omar      – Isso vai ser um problema pra você, Thiago?

Thiago    – Não, mas eu preciso saber a quantidade de comida e o que a senhorita gosta ou não.

Zélia     – Pra mim vai ser um problema.

Nádia     – Mãe!

Zélia     – O que? Eu fico feliz de ter um neto, mas não significa que eu quero mais gente morando nessa casa.

Omar      – Aín mãe, eu preciso ir. Depois a gente conversa sobre isso.

Nádia     – Eu também preciso ir, vou me encontrar com o Lauro.

Clara     – Não me deixem aqui sozinhos. (ao Omar) Omar!

Omar      – Desculpa, amor.

Nádia e Omar levantam. O segundo dá um beijo na Clara e sai com a primeira. Zélia encara a Clara.

Zélia     – E só resta nos duas, três com o Thiago.

Clara     – (finge animação) Eba!

Zélia sorri. Thiago ri.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas a mesa. Elas tomam café, e Leila as serve.

Célia     – Sabe o que eu estava pensando? Aquele bordel ainda está ali, Suzana, elas ainda moram ali.

Suzana    – E o que você quer que eu faça, criatura?

Célia     – Bote aquele povo na rua. Bote aquele bordel a baixo.

Suzana    – Eu não posso fazer isso. O que eu podia fazer e fiz é proibir a prostituição, mas não posso desabrigar pessoas sem mais nem menos.

Célia     – Aquilo dali não é uma residência, elas não podem morar ali.

Suzana    – Eu não quero criar caso com elas de novo, Célia. Esse assunto morreu, eu quero seguir em frente.

Célia     – Isso não morre enquanto a Nilda e o Alberto existirem.

Suzana    – Eu não vou demolir o bordel e nem botar pessoas na rua. Siga em frente, Célia!

Célia     – Você vai perceber que está errada, Suzana, você vai perceber.

Suzana ignora e Célia a encara, brava. Leila espia toda a cena.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Robson está andando pelo corredor. Iris o alcança.

Robson    – Ei! Estou indo me encontrar com a Pérola.

Iris      – E eu vim te dar boa sorte e te convidar pra um encontro.

Robson    – Um encontro?

Iris      – É, no meu quarto hoje à noite. Um encontro.

Robson sorri e a beija. Eles continuam andando.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda, Eleonora, Gina e Alberto sentados, conversando. Alberto encarando a Nilda, indeciso.

 

CENA 14. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre está ajoelhado, rezando. Omar entra e se aproxima dele.

Omar      – Padre?

Fagundes  – (levanta) Omar! Que saudades de você. Não aparece mais aqui.

Omar      – Eu sei, mil desculpas. É que tem acontecido tantas coisas ultimamente que nem deu pra aparecer por aqui.

Fagundes  – Eu imagino, consigo nem saber pelo que você e sua irmã estão passando. Mas o importante é que vocês estão bem.

Omar      – Estamos sim.

Fagundes  – Isso ótimo. E o que veio fazer aqui hoje?

Omar      – Rezar e lhe contar uma novidade, padre.

Fagundes  – Primeiro diga a novidade. Qual é?

Omar      – Eu e a Clara estamos grávidos, e pensando em casamento.

Fagundes  – Isso é ótimo! Eu sempre torci por esse casal. Eu fico muito feliz por vocês.

Omar      – Obrigado padre. E pode ficar tranquilo, tanto o casamento quanto o batizado vão ser realizados aqui.

Fagundes  – Acho bom e aí de você e da Clara se não fosse.

Omar      – Bom, agora vamos para a segunda parte: rezar!

Eles sorriem, se ajoelham e começam.

 

CENA 15. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Lauro está esperando a Nádia. Ela se aproxima e eles se cumprimentam. Eles se sentam.

Nádia     – Desculpa a demora.

Lauro     – Tudo bem. Como você está hoje?

Nádia     – Estou bem. Eu acredito que a fofoca já deve ter chegado a você, mas vou contar do mesmo jeito: Omar e Clara estão grávidos.

Lauro     – Amparo não contou isso. Não acredito! Então era isso que ele queria te contar? Meu deus!

Nádia     – Pois é! Isso é ótimo, não é? Eu estou tão feliz por eles e eu vou ser a melhor tia do mundo.

Lauro     – É claro que vai.

Eles riem e continuam conversando em off.

 

CENA 16. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Divina sentados, conversando. Eles armam planos. Gina os olha pela janela.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Alberto entra e dá de cara com a Gina que o encara. Ele abaixa a cabeça.

Gina      – Você precisa contar pra Nilda, Alberto.

Alberto   – Eu sei e vou, eu juro. Eu conto essa noite mesmo.

Gina concorda e eles saem.

 

CENA 18. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Leonel entra e se aproxima da Agatha que está sentada, nervosa.

Agatha    – É agora, não é?

Leonel    – É agora!

Agatha    – Espero que tudo dê certo.

Leonel    – Tem que dá! (pausa) Vai dar tudo certo!

Eles se encaram, nervosos.

 

CENA 19. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nádia e Lauro andando na rua, eles conversam entrosados. Nádia esbarra num homem que está carregando uma mala. O homem encara a Nádia.

 

CENA 20. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

Um policial entra e abre a cela do Mário e depois a cela do Marcos. Ele entrega roupas de policiais pros dois, eles vestem, rápido. Eles estão prontos e se encaram. O policial, sem que o Mário perceba, entrega ao Marcos um celular que ele trata de esconder no bolso.

Mário     – Está pronto?

Marcos    – O que você acha?

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 39 [Últimas Semanas]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos senta na cama. Mário levanta e se aproxima da grade que os separa.

Mário     – Marcos.

Marcos    – O que você quer?

Mário     – O que você acha da gente fugir daqui, hein?

Marcos    – Cê ficou maluco?

Mário     – Não, está mais do que na hora da gente sair daqui. Essa cidade deve estar boring sem a gente, nós movimentamos isso. Nós precisamos nos unir, Marcos.

Marcos    – Eu não vou me unir contigo, Mário. Não rola!

Mário     – Não quero que você tome essa decisão agora, vá pensando durante do dia. Tem até amanhã à noite pra me dizer. Eu vou fugir daqui e me vingar de cada um que me passou por trás incluindo a Zélia.

Marcos    – Isso é loucura! Cumpre a sua pena, fica quieto por um tempo. Não vai lhe fazer mal.

Mário     – O meu cu! Eu quero agir. Eu quero ficar conhecido nessa cidade, ficar rico. Ser o dono dessa cidade e controlar todas essas pessoas. Esse sempre foi o meu sonho.

Marcos    – Não é o meu sonho, não tenho ninguém me vingar. Só quero ficar em paz, Mário. (pausa) E além do mais, o César morreu por causa de você. Eu nunca vou me unir contigo, prefiro me unir com o diabo.

Mário     – Talvez, eu seja o diabo. (pausa) Não vai nem pensar sobre isso?

Marcos    – Não!

Marcos continua deitado na cama. Mário ainda o encara, mais vai se afastando da grade.

 

CENA 02. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Célia e Divina andando pelo corredor, elas conversam.

Divina    – Eu ainda não sou capaz de acreditar que nós conseguimos.

Célia     – Eu consegui! Você só fez a sua obrigação me apoiando.

Divina    – É claro, irmã. O que nós vamos fazer agora?

Célia     – Nós vamos preparar o terreno para a saída da Suzana da prefeitura.

Elas seguem conversando. Alberto surge do nada e ultrapassa elas no corredor, a caminho da sala da prefeita. Célia e Divina estranham.

Célia     – O que diabos ele está fazendo aqui?

Divina    – Será que foi a Suzana que o chamou?

Célia     – Não sei, mas vamos saber.

Elas o seguem.

 

CENA 03. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada na cadeira, trabalhando. Alberto entra e se aproxima.

Suzana    – Alberto? A que devo essa excelentíssima honra?

Alberto   – Não seja falsa, Suzana. Eu estou aqui para conversar sobre a cidade. Dar conselhos.

Suzana    – Pois pode dar meia-volta e sair. Não preciso de conselhos.

Alberto   – Não? Em pouco tempo, você já é a prefeita mais controversa que essa cidade já teve.

Suzana    – Não sei do que você está falando. O povo me ama, Alberto.

Alberto   – Tem certeza? Vamos ver: apoiou um assassino, apoiou a esposa de um assassino, se arrependeu e deixou de apoiar essa esposa. Ah e ainda trocou de vice-prefeita.

Suzana    – Foi necessário, Alberto, você sabe disso. Coisas acontecem e nós temos que mudar as coisas.

Alberto   – Mudar um plano, umas promessas, ok. Mas mudar de vice, isso não acontece normalmente Suzana. Isso é sinal que o seu governo está naufragando.

Suzana    – Isso é você que está dizendo. A cidade está ótima!

Alberto   – Porque eu deixei ela ótimo estado, Suzana, e quero saber quanto tempo isso vai durar?

Suzana    – Vai durar enquanto eu estiver no poder.

Alberto   – É o que nós vamos ver, Suzana.

Ele levanta e antes de sair, dá uma última olhada pra ela.

Alberto   – E toma cuidado com a Célia, ela não está pra brincadeira, Suzana.

Ele sai e ela bufa.

 

CENA 04. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Alberto sai da sala e dá de cara com a Célia e a Divina escutando atrás da porta. Ele sorri.

Alberto   – Tenha um bom dia, irmãs.

Divina    – Pra você também.

Ele sai andando. Célia e Divina se encaram. A primeira entra na sala, batendo a porta na cara da segunda.

 

CENA 05. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Célia entra e se aproxima da Suzana, que está sentada, encarando o nada.

Célia     – O que ele veio fazer aqui, Suzana?

Suzana    – Ele veio nos perturbar e foi bom, eu achei que o Alberto tivesse desistido. Foi bom porque mostra que nós duas precisamos tomar cuidado com ele e seus planos.

Célia     – A cidade não vai eleger as putas, Suzana.

Suzana    – Uma das coisas que ele disse é verdade: nós não temos experiencia com política, Célia. A cidade está boa por causa do que ele fez por ela, sem ele tudo pode naufragar.

Célia     – Não vai! Nós estamos aprendendo, não estamos? E além do mais, política envolve controlar as pessoas e isso nós fazemos muito bem.

Suzana concorda e elas sorriem.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson trabalhando, escavando e achando poucos e pequenos kimberlito. Eles não estão felizes. Lauro entra e se aproxima.

Lauro     – E aí? Já começaram os trabalhos, então.

Pérola    – Já sim.

Lauro     – E como estão as coisas?

Robson    – Nada bem. Nós encontramos quatro kimberlito, todos eles pequenos e com quase nada de bom para se aproveitar.

Lauro     – Eu sinto muito.

Pérola    – Mas nós não vamos desistir e vamos encontrar o que nós queremos.

Lauro     – Isso é ótimo. Estou lá dentro se precisarem de ajuda.

Ele dá um selinho na Pérola e entra. Pérola e Robson voltam ao trabalho.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro entra e a companhia toca. Ele se aproxima e abre. Nádia entra.

Nádia     – Nós combinamos de ficar se encontrando, lembra?

Lauro     – É claro que eu lembro do combinado, irmã. Eu só não te liguei porque o testamento do meu pai foi hoje.

Nádia     – Ah é? E como foi?

Lauro     – Estranho, como eu esperava que fosse, e surpreendente ao mesmo tempo.

Nádia     – É o seu pai, é lógico que seria surpreendente.

Lauro     – Ele deixou o rancho e toda a terra pra mim e pra Amparo. E para o Marcos, deixou algumas joias e dinheiro.

Nádia     – Legal que ele lembrou da Amparo. Ele esteve ao lado dele durante tanto tempo.

Lauro     – É mesmo. Ela foi uma mãe pra mim, está mais do que certo. E fiquei feliz pelo Marcos também, ele merece.

Nádia     – Por falar nele, ele tinha que ter saído da cadeia?

Lauro     – Ele continua afirmando que foi ele que matou o meu pai. Mas todos sabemos que foi o Mário, mas não podemos provar.

Nádia     – Imagino. Mas espero que ele esteja bem, e sinto muito pelo meu pai.

Lauro     – O Mário não é o seu pai, o seu pai é o César e sempre foi.

Nádia sorri e abraça o Lauro. Eles sobem as escadas, conversando.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia está deitada na cama assistindo TV. Clara e Omar entram.

Omar      – Mãe, nós precisamos te contar uma coisa.

Zélia     – O que foi que vocês fizeram hein?

Clara     – Não fizemos nada, quer dizer, fizemos alguma coisa. (pausa) Nós esperamos que fique feliz com esse anuncio.

Zélia     – Aí deus o que foi?

Omar      – A Clara está grávida! Eu vou ser pai e você, avó.

Zélia     – (surpresa) É seu filho?

Omar      – É claro que é meu filho, mãe. De quem mais seria?

Zélia     – Ela é puta, esqueceu?

Clara     – O filho é do Omar. Eu não transo sem camisinha faz muito tempo, só com ele recentemente. E eu posso te garantir isso com quantos exames quiser.

Zélia     – Sendo assim, eu fico feliz por vocês. (pausa) Mas se essa criança me chamar de avó: eu a mato!

Eles sorriem.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Thiago no corredor, só escutando a conversa. Ele sai correndo pra contar.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Nádia sentados na cama, conversando. O celular dela toca e ela atende.

Nádia     – Alô. Tá bem, estou indo pra ir criatura. (desliga)

Lauro     – O que foi?

Nádia     – Meu irmão, ele disse que tem algo pra me contar. Preciso ir.

Lauro     – Mas já?

Nádia     – Nós podemos nos ver outros dias, todos os dias, lembra? E nós vamos fazer isso, irmão.

Lauro     – Eu espero mesmo, irmã.

Ela dá um beijo na bochecha dele e sai. Lauro sorri.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson exaustos. Eles sentam no chão e se encaram.

Robson    – Isso é inacreditável!

Pérola    – Aquele filho da puta do Mário pegou os maiores kimberlito.

Robson    – O que nós vamos fazer agora, Pérola? Nós até temos alguns, mas eles valem pouco.

Pérola    – Eu quero aqueles kimberlito e eu vou tê-los, Robson.

Fecha na Pérola, pensativa.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago andando de um lado pro outro. Amparo e Leila entram, se aproximando.

Leila     – O que foi, Thiago?

Thiago    – Clara e Omar estão grávidos, pelo menos é o que parece.

Amparo    – Como assim, pelo que parece, Thiago?

Thiago    – Há sempre uma pequena possibilidade dela estar grávida de outro.

Leila     – Não! É a Clara, ela é a santa do bordel. Se fosse a Iris ou até a Eleonora, ok, mas não a Clara.

Amparo    – Concordo com a Leila. (pausa) Era só isso?

Thiago    – Era sim, porque?

Amparo    – Porque eu também tenho algo pra contar.

Leila     – O que foi?

Amparo    – A leitura do testamento do César aconteceu e eu estou rica. Ele deixou o rancho pra mim e pro Lauro.

Thiago    – Oh deus!

Leila     – Isso é ótimo! Meu deus, Amparo!

Thiago    – Não vá esquecer dos amigos agora hein.

Amparo    – É claro que não, estúpidos. Se eu estou rica, vocês também estão.

Leila e Thiago comemoram. Amparo sorri e os três se abraçam.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nádia anda pelo corredor. Ela se aproxima do Omar e da Clara que estão saindo do quarto da Zélia.

Nádia     – Ei o que aconteceu?

Omar      – Aí está você. Nós precisamos conversar sobre umas coisas.

Clara     – Está pronta?

Nádia     – Estou, criaturas. O que foi que aconteceu dessa vez?

Omar      – Nós estamos grávidos!

Nádia     – Você e a Clara? Meu deus! Isso é ótimo!

Os três comemoram.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Suzana sentada a mesa, jantando, um pouco irritada. Leila a servindo.

Leila     – A senhora não está bem hoje. O que aconteceu?

Suzana    – O Alberto aconteceu. Estou com ódio dele!

Leila     – O que houve?

Suzana    – Ele foi até a prefeitura, me falar sobre o governo e como eu estou governando a cidade. E ele tem razão. A cidade está boa por causa dele. O que será da cidade sem ele, Leila?

Leila     – Você precisa mostrar que pode ser tão boa quanto ele mesmo que não tem experiência.

Suzana    – Eu sei e eu quero, e vou fazer isso. Só não sei como.

Leila     – Conte comigo no que for preciso. Posso não concorda em tudo que faz, mas estou contigo nessa.

Suzana    – Muito obrigada por tudo, Leila.

Ela continua jantando. Leila sorri.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Célia e Divina andando na rua. Elas conversam.

Divina    – Porque você está me tratando tão mal ultimamente?

Célia     – Não estou não. Estou te tratando como sempre te tratei.

Divina    – E porque todo esse rancor, Célia?

Célia     – Eu não sei do que diabos você está falando, Divina.

Divina    – Sabe sim. Não se faz de sonsa! Eu estou cansada disso.

Divina sai andando na frente, irritada. Célia bufa e continua andando normalmente.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Clara toda feliz, a contar a novidade para a Iris, Gina, Eleonora, Nilda, Alberto e Robson. Todos ficam muito feliz e parabenizam a Clara.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/NOITE:

Iris e Robson saem. Eles se sentam e conversam.

Robson    – Quando vai ser a nossa vez, hein Iris?

Iris      – Nossa! Você já está pensando nisso? Não vai ser agora, pode ter certeza.

Robson    – Está bem, mas quero que pensa nisso. Em família, em filhos Iris.

Ele o beija, ela fica preocupada.

 

CENA 18. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto sai e acende um cigarro. Ele começa a tragar. Divina se aproxima.

Alberto   – Divina?

Divina    – Nós precisamos conversar, Alberto.

Eles se encaram.

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, mexendo no computador. Pérola entra e se aproxima.

Agatha    – Pérola? No que eu posso ajudar?

Pérola    – Pode me ajudar investigando o roubo das pedras.

Elas se encaram.

 

CENA 20. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Leonel está sentado. O policial entra com o Marcos e ele senta frente ao Leonel.

Marcos    – Me chamou aqui pra que?

Leonel    – Um policial escutou você e o Mário conversando. Nós sabemos o ele está armando.

Marcos    – Se o seu policial escutou bem, eu não topei.

Leonel    – É exatamente isso! Nós queremos que você tope, Marcos.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 38

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

 

CENA 01. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Um policial bota o Mário dentro de uma cela que fica ao lado da cela do Marcos. O policial vai embora, Mário e Marcos se encaram.

Mário     – Olá, Marcos.

Marcos    – Olá. É um prazer ter você na cela ao meu lado.

Mário     – Eu digo o mesmo. (pausa) Eu imagino que esteja preocupado com o seu neném, o Lauro. Ele está bem, não se preocupe.

Marcos    – É bom saber.

Mário     – Quando é que você vai ser solto, Marcos?

Marcos    – Não vou ser solto. Eu continuo aqui, eu falsifiquei minha identidade, tentei matar o meu pai. E, aparentemente, matei o César.

Mário     – Não me entregou pra eles como a Zélia fez?

Marcos    – Não iria arriscar a vida do Lauro, Mário, você sabe disso.

Mário     – Então nós vamos ser companheiros de cela por um bom tempo então?

Marcos    – Infelizmente, é o que parece, nós vamos ser.

Mário sorri, Marcos o encara sério.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra e se aproxima do Leonel que está bebendo café.

Leonel    – Eu estou tão feliz filha, as coisas estão dando certo.

Agatha    – Eu também. Mas estou preocupada: o Marcos ao lado do Mário é uma boa ideia?

Leonel    – Acho que isso vai aflorar as coisas e, quem sabe, o Marcos não resolva entregar o Mário.

Agatha    – Não sei se é uma boa ideia, mas vamos ver no que vai dar.

Leonel todo feliz, comemorando. Agatha só o encarando.

 

CENA 03. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Iris e Robson entram na praça, eles sentam no banco, já conversando.

Robson    – Eu estou feliz que a gente possa conversar sobre isso.

Iris      – Eu também. (pausa) Posso começar falando uma coisa? Eu não sou a Marilda e nem pretendo ser.

Robson    – Eu sei disso Iris. Eu não quero achar a substituta da Marilda porque não tem como.

Iris      – Eu sei, só queria deixar isso claro. Não sou uma garota certinha, nunca fui uma.

Robson    – Não quero que você seja uma, Iris, quero que você seja do jeito que você é.

Iris      – Então perfeito. Sobre o que mais quer falar?

Robson    – Não quero ser só seu ficante. Eu quero ser seu namorado.

Iris      – Isso é um pedido?

Robson    – É? Eu não sei.

Iris      – Se for um pedido, eu aceito.

Robson    – (sorri) Então, sim, é um pedido.

Eles se beijam.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Pérola está sentada no sofá, encarando a porta, ansiosa. Lauro entra e ela se aproxima.

Pérola    – Podemos conversar agora, Lauro?

Lauro     – Não!

Pérola    – E porque não?

Lauro     – Porque eu estou cansado e porque a minha conversa com a Nádia não foi das mais agradáveis.

Pérola    – Vocês brigaram? Eu sinto muito. Mas eu quero conversar sobre o meu trabalho, Lauro.

Lauro     – Hoje não!

Pérola    – Pra ela você tem um tempinho, mas pra mim não? (pausa) Vocês treparam?

Lauro     – Pelo amor de deus, não! Pérola, não!

Pérola    – Como eu vou saber? Vocês podem ter transado e depois brigaram, sei lá.

Lauro     – Eu não transei com ela! (pausa) Ela é a minha irmã, ela acabou de descobrir isso e me contou.

Pérola    – Meu deus! Como assim? Você namorou sua irmã?

Lauro     – Isso! E é por isso que eu quero ir dormir porque não aguento mais. Eu cansei por hoje!

Ele sobe as escadas e Pérola, ainda chocada, vai atrás.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Alberto está deitado na cama. Gina entra e senta ao lado dele.

Gina      – Agora que a Célia é a vice-prefeita da cidade, ainda acha melhor não fazer nada?

Alberto   – Essa é a melhor estratégia contra elas: acredite! Eu tenho certeza que a Célia vai fazer merda e carregar a Suzana junto.

Gina      – Mas eu ainda acho que você deveria fazer alguma coisa, Alberto, nem que seja irritar elas.

Alberto   – Isso eu posso fazer. É uma boa ideia até, mas não vou fazer isso agora, ela acabou de assumir. É melhor esperar.

Gina sorri e deita ao lado dele. Eles se beijam.

 

CENA 06. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

O policial entrega a comida do Marcos e do Mário. Mário começa a comer, Marcos nem olha pra comida.

Mário     – Não vai comer? A comida não é tão ruim assim.

Marcos    – Não estou com fome.

Mário     – Você deveria comer, Marcos. Faz mal ficar sem comer.

Marcos    – E você deveria calar a boca.

Mário     – Ui! Essa doeu hein, não precisava dessa.

Marcos    – Cala a merda da boca, Mário. Meu deus! Como a Zélia te aguentava?

 Ele deita na cama, ignorando o Mário que continua comendo.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Dias depois

Nádia e Omar estão sentados à mesa, tomando café. Thiago os serve.

Nádia     – Cadê a mãe?

Omar      – Passei por ela e ela estava se arrumando, e não estava usando roupa preta.

Nádia     – Isso é ótimo. Significa que ela saiu do luto.

Thiago    – Ela tinha mencionado algo envolvendo o Mário.

Omar      – Deve ser o divórcio.

Nádia     – Isso também é ótimo. Ela nunca o amou o Mário do jeito que amou o César.

Omar      – É mesmo, mas o mais importante disso tudo é que o pai está preso.

É nesse momento que a Zélia entra, toda sorridente.

Zélia     – É mesmo, filho, mas além disso é ótimo que eu vou poder me ver livre do Mário.

Nádia     – Tem razão, mãe.

Zélia     – Estou indo lá agora mesmo. O Felippo não conseguiu chegar aqui a tempo, vou mandar a cópia do documento pra ele por e-mail.

Omar      – E pode isso?

Zélia     – Ele disse que podia, nem sei. Só sei que quero me ver livre do seu pai.

Ela dá um beijo nos dois e sai.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Clara desce as escadas e se aproxima da Eleonora que está sentada, lendo uma revista.

Clara     – Estou indo lá na farmácia fazer o teste.

Eleonora  – Você quer que eu torça para que seja positivo ou negativo?

Clara     – Positivo.

Eleonora  – Então vai ser positivo. Pensa no que quer e vai, eu sei que você e o Omar serão ótimos pais.

Clara     – Obrigada, Eleonora.

Ela sai, sorrindo.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Robson está sentado na cama. Pérola entra e senta ao lado dele.

Pérola    – Está pronto para voltar ao batente?

Robson    – Achei que estava, mas agora que está chegando a hora, nem sei. É a Marilda que morreu naquele terreno.

Pérola    – Eu sei, é difícil. Mas lembre-se que estamos fazendo isso por ela. Pela imagem dela. Pelo desejo dela.

Robson    – Eu sei, mas mesmo assim não consigo acreditar que estou voltando a trabalhar sem ela.

Pérola    – Nós vamos conseguir, Robson. Eu sei que vamos.

Ela segura a mão dele, o confortando.

 

CENA 10. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Zélia entra no corredor e se aproxima da cela do Mário, ele levanta e se aproxima. Marcos à parte.

Zélia     – Está na hora, Mário, a hora de assinar o divórcio.

Mário     – E se eu não assinar?

Zélia     – Eu entro na justiça dizendo que você foi posto pra fora de casa e que não estamos mais juntos. Além de que, você está preso.

Mário     – Cadê o Felippo?

Zélia     – No Rio de Janeiro, cuidando de um caso mais importante que um casal se separando.

Mário     – Ele deveria estar aqui: é o nosso advogado.

Zélia     – Você não se importa com isso, está querendo que ele venha pra que ele possa te defender, não?

Mário     – É nisso que pensa? Pois é verdade! Ele é meu advogado e deveria estar me defendendo, me tirando dessa pocilga.

Zélia     – Bom, ele não está aqui porque eu não chamei. Eu o contratei então ele não é seu advogado: é meu!

Mário     – Mas ele cuida dos negócios da nossa família: é nosso!

Zélia     – Não mais, eu disse pra ele que você não estava mais interessado no trabalho dele: é meu!

Mário     – Está certo, é seu! Mas eu tenho direito a um advogado, Zélia.

Zélia     – Que eu saiba você recusou todos os defensores públicos que o Leonel te ofereceu.

Mário     – Não quero ser defendido por um defensor público de merda. Eu quero um advogado formado, de respeito.

Zélia     – Vai ficar querendo. (ríspida) Assina logo isso que eu não aguento mais olhar pra essa sua cara.

Mário     – Me dá o papel.

Ele pega o papel e a caneta, e assina. Zélia sai andando. Ele bufa.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Campainha tocando. Lauro e Amparo descem as escadas, se olhando.

Lauro     – Eu atendo a porta ou você atende?

Amparo    – Pode deixar que eu atendo, Lauro.

Ela se aproxima da porta e a abre. O advogado Nicolau (branco, cabelos brancos, gordinho) entra.

Amparo    – Muito obrigado por ter vindo até aqui.

Nicolau   – Como você está, Amparo?

Amparo    – Acredito que todos nós ainda estamos chocados, mas estamos indo.

Nicolau   – É claro. (olha pro Lauro) Lauro! Como você cresceu.

Lauro     – Obrigado por ter vindo. O meu pai sempre falava sobre você.

Nicolau   – Ele era um grande homem. Eu nem acreditei quando recebi a ligação que o César havia morrido. Muito jovem.

Lauro     – É mesmo.

Os três se sentam no sofá.

Nicolau   – Eu tenho que ser rápido. Preciso voltar pra capital ainda hoje. Gostaria de ir direto para o testamento.

Lauro     – É claro, nós entendemos. Pode ir direto ao ponto.

Nicolau   – Ótimo.

Ele abre a mala e tira de lá o testamento do César. Lauro e Amparo se olham, aflitos. Nicolau começa a ler.

Nicolau   – (lê) Todos os meus bens devem ser divido em dois. O meu rancho e todo seu terreno deve ficar sob os cuidados do meu filho, Lauro, e daquela que sempre esteve ao meu lado, Amparo. A segunda parte que se refere a uma quantia de dinheiro e a joias deve ir para o Marcos, o meu fiel e melhor amigo.

Amparo    – Agora eu sou sócia disso aqui tudo juntamente com o Lauro, é isso?

Nicolau   – É isso mesmo. E onde está o tal Marcos?

Lauro     – Está preso, mas irei comunicá-la sobre isso.

Nicolau   – Comunique o mais rápido possível, o dinheiro da conta do César deve ser passado para a conta do Marcos logo.

Lauro     – Irei falar com ele agora mesmo, pode ficar tranquilo. E muito obrigado, mais uma vez.

Nicolau   – Não foi nada, já disse. O seu pai foi durante muito tempo o meu melhor amigo.

Os três levantam. Amparo abre a porta pra ele e ele sai.

Amparo    – Eu nem acredito que seu pai fez isso comigo, deixando isso aqui pra gente.

Lauro     – Não esperava menos de meu pai. Ele sempre foi grato por você estar sempre ao lado dele, Amparo.

Amparo    – Será que eu mereço isso tudo, Lauro?

Lauro     – É claro que você merece, mulher. Vá comemorar, sócia.

Amparo    – Obrigada, sócio.

Amparo entra na cozinha. E Lauro, sorrindo, sai pela porta da frente.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar andando de um lado pro outro. Clara sai do banheiro segurando o teste.

Clara     – Omar.

Omar      – Oi, fala. Eu estou pronto, pode falar, eu aguento.

Clara     – Nós estamos esperando um bebê, Omar. (pausa) Eu estou grávida!

Omar      – Oh meu deus. (sorri) Isso é ótimo! Nós vamos criar uma família, Clara.

Clara     – É, nós vamos. (pausa) Eu não imaginei que ficaria assim, tão assustada com isso.

Omar      – Mas você quer ter uma família comigo, não quer?

Clara     – É claro que eu quero, mas é que agora é real. É real! Eu estou grávida!

Ela sorri, ele sorri e eles se beijam.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. Zélia entra e se aproxima dele.

Thiago    – E aí? Como foi lá na delegacia, Zélia?

Zélia     – Foi ótimo, Thiago. Foi libertador! Eu sou uma mulher livre.

Thiago    – É claro que é, sempre foi. Você só não sabia isso.

Zélia     – É mesmo.

Ela, toda sorridente, pega uma maça e sai comendo.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo estoura um champanhe e bebe numa taça. Robson e Pérola entram.

Pérola    – Amparo?

Amparo    – Oi (a encara, ri) o champanhe? O testamento do César foi lido e eu sou sócia do Lauro agora. Estou comemorando.

Robson    – Isso é ótimo, Amparo. Meus parabéns.

Pérola    – Nós vamos trabalhar no pasto, Amparo, com licença.

Amparo    – O Lauro não está aqui, Pérola, não acha melhor esperar ele voltar?

Pérola    – Não!

Robson    – Ele sabe que a gente voltou a trabalhar, ele não precisa estar aqui.

Amparo    – Então tá, bom trabalho.

Eles saem. Amparo bebe o champanhe, sorrindo.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson entram no pasto. Eles olham pras terras onde a Marilda morreu, se lembram. Mas não se abalam e ficam a trabalhar.

 

CENA 16. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Lauro se aproxima da cela do Marcos. Ele levanta. Mário à parte.

Marcos    – Não deveria estar aqui, Lauro.

Lauro     – Eu estou bem, Marcos. A Amparo me contou tudo, não deveria estar aqui por causa de mim.

Marcos    – Se você está bem é porque eu estou aqui. Não posso arriscar, Lauro.

Lauro     – Não estou aqui pra falar sobre esse traste e sim sobre o meu pai. O testamento dele foi lido e você estava nele.

Marcos    – Não queria nada dele, mas o sei pai é teimoso.

Lauro     – Ele não ia morrer sem deixar algo pra você, pra mim e pra Amparo.

Marcos    – O que ele deixou?

Lauro     – Dinheiro e algumas joias pra você. O dinheiro precisa ser transferido pra sua conta o quanto antes segundo o advogado.

Marcos    – Pode passar pra sua conta, é melhor não falar sobre a minha conta aqui. As paredes têm ouvidos! Passa pra sua e depois eu pego. Quanto as joias, guarde elas, não vou precisar delas aqui.

Lauro     – Ok, eu vou fazê-lo. Fica bem aí, ok? Eu estou bem.

Marcos    – Eu também estou bem e só vou continuar bem, se você continuar vivo.

Lauro sorri e sai. CÂM mostra o Mário, pensativo sobre o que escutou.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Gina está andando no corredor. Alberto a alcança.

Alberto   – Gina!

Gina      – Oi, querido.

Alberto   – Estava pensando no que disse e acho que está certa: está mais do que na hora de agir.

Eles andam pelo corredor, conversando em off.

 

CENA 18. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos senta na cama. Mário levanta e se aproxima da grade que os separa.

Mário     – Marcos.

Marcos    – O que você quer?

Mário     – O que você acha da gente fugir daqui, hein?

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 37

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados mexendo em uns papeis. Zélia entra e se aproxima.

Agatha    – Zélia?

Leonel    – Nós íamos mesmo entrar em contato com o Mário.

Zélia     – Eu estou aqui para ajudar no que for preciso. Eu quero o meu marido na cadeia!

Leonel    – O que?

Zélia     – É isso mesmo que vocês escutaram. Está na hora da justiça ser feita, não acham?

Agatha    – É claro que sim, só estamos surpresos que está se voltando contra ele.

Leonel    – E ainda mais sendo a vice-prefeita da cidade.

Zélia     – A novidade não chegou até vocês? Não sou mais a vice dessa cidade, a Célia é. Não tenho mais nada a perder, Leonel.

Agatha    – Entendo.

Leonel    – Por onde você quer começar? É melhor se sentar.

Zélia     – (senta) Vamos começar pelo começo. O meu marido matou a Marilda e eu apaguei os vídeos de segurança com a ajuda do Felippo e da Suzana para que ele pudesse ser solto.

Agatha    – Com que ele matou? Não encontramos a arma do crime.

Leonel    – Nós achamos que ela pode ser uma enxada, mas não temos certeza e nem sabemos onde é que ela foi parar.

Agatha    – O seu marido deu um fim nela? Jogou ela em algum lugar?

Zélia     – Não, ele já estava preso quando a enxada desapareceu. Eu fiz! Eu peguei a enxada e a joguei dentro da lagoa, aquela que fica afastada da cidade, joguei lá!

Agatha    – Você concorda em assumir a cumplicidade no crime?

Zélia     – É claro, eu errei e sei disso. Estou afirmando: eu ocultei a arma do crime!

Leonel    – Pode ficar despreocupada, não vai cumprir a pena. Está ajudando a polícia a resolver um caso.

Zélia     – Ótimo! O Mário matou a Marilda, mas não planejava fazê-lo. Ele entrou no rancho do César pra pegar as malditas pedras preciosas e foi quando a Marilda entrou, ele a matou, pegou as pedras e foi embora.

Agatha    – Foi a primeira vez que o seu marido matou alguém?

Zélia     – Ele levou a arma do crime pra nossa casa, deixou digitais dele em tudo. O que você acha?

Leonel    – Mas foi a última vez que ele matou alguém?

Zélia     – Cê tá me perguntando se ele matou o César? Não sei e não posso afirmar, mas acho que sim. Ele o matou! E tinha muitos motivos e não estou falando só das pedras preciosas.

Agatha    – Quais motivos?

Zélia     – Pra começar eu e o César tivemos um caso na juventude, mas o Mário nunca esqueceu essa traição. Todo o lance de disputa de terras e de vendas, além das pedras preciosas.

Leonel    – O seu marido ameaçou o Marcos?

Zélia     – Não sei, mas ele disse que “deu um jeito” pode ser que sim. Pode ser que não, o Mário enlouqueceu depois que ele matou a Marilda, tudo ele quer resolver na base da violência agora. Então, sim, ele pode ter ameaçado do Marcos de algum jeito. (pausa) Mas se ele matou o César, não sei da onde ele tirou aquela arma. Nós nunca tivemos uma, mas ele pode ter comprado ou até roubado uma daqui.

Agatha    – Isso é impossível! Nós não demos falta de nenhuma arma, Zélia. É mais provável que ele tenha comprado uma ou algum bandido tenha dado pra ele.

Leonel    – De qualquer forma, obrigado. Nós vamos terminar os relatórios, pegar a arma do crime na lagoa e nós vamos prender o Mário.

Agatha    – Ele sabe que você está aqui?

Zélia     – Sabe.

Agatha    – Diga a ele que nós não acreditamos em você, que você não tinha provas o suficiente, invente alguma coisa e faça ele acreditar na mentira.

Zélia     – Porque?

Agatha    – Porque assim ele vai se sentir confiante e não vai fugir da cidade.

Leonel    – Muito obrigada, Zélia.

Zélia     – Não foi mais do que a minha obrigação, Leonel.

Zélia levanta e sai. Agatha e Leonel se encaram, confiantes.

Agatha    – Nós o pegamos, pai!

Leonel    – Não tinha dúvida que isso ia acontecer. E agora: não vai ter prefeita que tire ele da cadeia.

Agatha    – Ao trabalho! 

Leonel continua sentado, Agatha levanta e sai.

 

CENA 02. DELEGACIA/PÁTIO/INTERIOR/DIA:

Agatha sai e olha todos os policiais, alguns parados e outros em movimento.

Agatha    – Atenção! Nós temos muito trabalho a fazer.

Eles escutam as ordens que Agatha dá em off, atentos.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nádia e Iris conversando, a primeira tomando água bem mais calma.

Iris      – Então quer dizer que o Lauro é seu irmão? Meu deus! Eu vi vocês dois transando, aos beijos.

Nádia     – Eu sei, se é horrível pra você, imagina pra mim. Não estou sabendo lidar com isso não.

Iris      – Imagino, amiga, mas eu estou aqui contigo. (pausa) Como sua mãe fez isso contigo?

Nádia     – A culpa não é exatamente dela. Ela tá errada, mas era outros tempos e ela escolheu a família com o Mário do que o arriscado com o César.

Iris      – Tá certo, mas mesmo assim. Ela deveria ter dito alguma coisa tipo “não fica com ele porque ele é seu irmão”

Nádia     – (ri) Só você mesmo pra me fazer ri numa hora dessas.

Iris      – Pera aí que eu não tinha pensado nisso antes: eu transei com o seu irmão?

Clara entra nesse momento, estranhando. Ela se aproxima da Iris. 

Clara     – É o que?

Iris      – Calma, Clara. Não estou falando do seu homem, estou falando do outro irmão.

Clara     – Você tem outro irmão?

Nádia     – Tenho e é o Lauro.

Clara     – É o que?

Iris      – Também estou chocada, é muito para se processar, mas essa é verdade: Laura e Nádia são irmãozinhos.

Clara     – O Omar tinha me chamado lá, tava todo estranho, deve ser por isso então.

Nádia     – Aí tadinho. Minha largou a bomba e sai, eu vim atrás da Iris e acabei deixando ele sozinho com o meu pai/ quer dizer, com o Mário.

Clara     – Eu vou lá dá uma força pra ele então.

Clara sai.

Iris      – O Lauro sabe dessa informação?

Nádia     – Não, mas eu preciso contar pra ele. Vou pedir pra ele me encontrar na praça.

Iris      – Faça isso! O coitado precisa saber que ainda tem gente vivo na família dele.

Nádia     – É mesmo. 

Ela pega o celular e faz uma ligação.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola e Lauro sentados, assistindo TV. Ela pega o controle e a desliga. Ele a encara.

Lauro     – Porque fez isso?

Pérola    – Porque nós precisamos conversar, Lauro.

Lauro     – Conversar sobre o que?

Pérola    – O seu pai foi enterrado e eu não consigo nem imaginar o quanto isso foi difícil, mas eu quero voltar a trabalhar.

Lauro     – Nós já conversamos sobre isso e você prometeu esperar até tudo isso do meu pai acabar.

Pérola    – E eu vou esperar, mas eu quero saber uma data. Quando?

Lauro     – Quando eu me sentir bem, Pérola, e no momento eu não estou bem.

Pérola    – Mas não tem nenhuma data, Lauro, nenhuma previsão?

Lauro     – Não, droga! A sua amiga morreu naquele terreno e você quer voltar a trabalhar ali? Porque?

Pérola    – Porque eu quero fazer isso por ela, Lauro. Trabalhar por ela, conseguir aquelas pedras por ela!

O celular do Lauro toca e ele atende. Pérola revira os olhos.

Lauro     – Droga! (atende) Alô. O que aconteceu? Eu estou indo pra lá. (desliga) Depois a gente termina essa conversa.

Pérola    – Depois? Sempre é depois. Quem era no telefone?

Lauro     – A Nádia, ela precisa falar comigo.

Pérola    – E ainda tem a Nádia. Num minuto ela está gritando contigo, te chamando de sem coração no meio pra praça pública e no outro, está sendo sua melhor amiga? Vá à merda!

Lauro     – Eu não posso culpá-la por ficar puta comigo, Pérola. Eu a traí contigo!

Pérola    – E ela precisa seguir em frente, Lauro.

Lauro     – E ela está seguindo. Nós nos falamos no cemitério hoje é porque ela quer voltar a ser minha amiga. E agora está estranha, deve ter acontecido alguma coisa e eu vou ajudá-la.

Pérola    – Claro! Vai lá! Depois a gente conversa, comigo é sempre depois mesmo.

Lauro bufa, levanta e sai. Pérola pega o controle e liga a TV de volta.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário está sentado no sofá, inquieto. Zélia entra e ele levanta, se aproximando.

Mário     – E aí? Eles estão vindo me prender, não estão?

Zélia     – Não!

Mário     – Não? Como assim, não? Cê não foi lá na delegacia me entregar? Amarelou, Zélia?

Zélia     – Não, não amarelei. Eu fui! Eu entreguei! Mas aparentemente eu não tenho provas o suficiente. Então pode comemorar: continua solto!

Mário     – Idiota! É claro que você não tem provas: eu não fiz nada do que você me acusa! Idiota! Vai ter que aturar, Zélia.

Zélia     – Não por muito tempo, Mário. Eu quero o divórcio! 

Zélia sobe as escadas e nem dá tempo do Mário responder. Ele sorri.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está deitado na cama. Clara entra e senta ao lado dele.

Clara     – Nádia me contou o que aconteceu. Eu nem consigo imaginar, Omar, pelo que vocês estão passando ultimamente. (pausa) Quer conversar sobre isso?

Omar      – Não. Podemos só ficar deitados agarradinhos?

Clara     – Essa opção é ótima, é claro que podemos.

Omar      – Obrigado.

Ela deita com ele e ficam agarradinhos.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está andando de um lado pro outro. Amparo e Leila entram, se aproximando.

Amparo    – O que é tão urgente, Thiago? Estava desesperado no telefone.

Leila     – É mesmo. O que aconteceu?

Thiago    – Muita coisa aconteceu. Cês não estão entendendo.

Amparo    – Começa pelo começo.

Thiago    – Pra começar: Zélia jogou uma bomba. Ela disse que a Nádia não é filha do Mário.

Amparo    – É o que?

Leila     – E se não é dele, é de quem?

Thiago    – Outra bomba que a Zélia jogou: a Nádia é irmã do Lauro, filha do César.

Leila     – Meu deus! Todos os beijos, caricias e coisas que eles fizeram e todo esse tempo: eram irmãos!

Amparo    – É por isso que a Zélia estava na missa do César, não entendemos quando a vimos, mas agora… meu deus!

Thiago    – E tem mais: aparentemente esse caso durou muito, só acabou quando a Zélia terminou com o César pra construir uma família com o Mário, e daí nasceu o Omar.

Leila     – O Mário sempre soube desse caso?

Thiago    – Pelo visto sim, eles fizeram um trato de esquecer tudo isso. Mas a Zélia cansou de mentiras.

Amparo    – Só espero que ela vá na delegacia e conte a verdade sobre o marido dela.

Thiago    – Ela fez isso, na verdade acabou de voltar de lá.

Leila     – Ótimo! Espero que esse filho da mãe seja preso e fique pra sempre na cadeia.

Amparo    – Somos duas! 

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 08. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Nádia está sentada no banco, Lauro se aproxima e senta ao lado dela. Nádia conta em off, Lauro reage chocado.

 

CENA 09. LAGOA/EXTERIOR/DIA:

Leonel e alguns policiais na beira da lagoa. Um nadador surge da água segurando a arma com todo cuidado. Leonel sorri.

 

CENA 10. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos está sentado na cama, pensativo. Agatha anda pelo corredor e se aproxima.

Marcos    – Bom dia.

Agatha    – Bom dia, Marcos. Eu vou ser bem direta: o Mário te ameaçou?

Marcos    – Não!

Agatha    – A Amparo nos contou a verdade, Marcos. Ela disse o que você falou pra ela. E além disso, a Zélia contou que o Mário matou a Marilda e disse que acha que ele matou o César. Conte-nos a verdade.

Marcos    – Não! Eu não posso, Agatha. Se eu faço, ele mata o Lauro.

Agatha    – Então ele ameaçou o Lauro? E fez você se entregar?

Marcos    – Não posso confirmar nada disso, Agatha. Se ele machucar o Lauro… tudo acaba. Toda a minha ligação com o César acaba e eu não posso deixar isso acontecer.

Agatha    – Eu entendo. Mas o que é importante pra você saber é que o Mário está sendo preso nesse exato momento. Ele não vai poder fazer mal nenhum ao Lauro.

Marcos    – Não é só ele, Agatha. Ele não está sozinho, eu sei disso. Eu não posso arriscar.

Agatha    – Você que sabe. Se não contar, eu não posso te ajudar.

Ele agacha a cabeça. Agatha entende o recado e sai andando.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário olhando o horizonte, confiante, sorrindo. Leonel entra com os policiais, a confiança de Mário cai por terra. Leonel o prende, ele se vira e encara a Zélia que sorri. Ele a fuzila com o olhar, Leonel o leva.

 

CENA 12. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Um policial bota o Mário dentro de uma cela que fica ao lado da cela do Marcos. O policial vai embora, Mário e Marcos se encaram.

Mário     – Olá, Marcos.

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 36

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário sendo segurado pelo Thiago e pelo Omar. Nádia encarando tudo.

Nádia     – Que verdade, mãe?

Zélia     – O seu pai, Nádia, não é o Mário. O seu pai é/

Mário     – (corta) Cala a boca! Eu sou o pai dela! Eu a criei!

Zélia     – O seu pai, Nádia, é o César. Ele é o seu pai! E o Mário matou o seu pai!

Thiago e Omar soltam o Mário, que encara a Zélia e a Nádia.

Omar      – É o que?

Thiago    – Como isso aconteceu?

Zélia     – Eu sinto muito em te contar assim, mas essa é a verdade.

Nádia     – E porque me escondeu isso por todo esse tempo?

Zélia     – Foi errado, eu sei. Mas esse foi o trato que eu tive com o Mário. Eu o trai e por mais que amasse o César, tinha ficado grávida do Omar e não podia largar tudo por causa do César então eu fiquei com o Mário e ele criou você como se fosse filha dele.

Omar      – E eu?

Zélia     – Você é filho do Mário, não podia ser filho do César porque não estava mais com ele.

Nádia     – É muita coisa pra processar, mãe.

Mário     – Não escuta o que ela está dizendo, Nádia, você é a minha filha!

Nádia     – Eu sou a sua filha porque você me criou, mas eu sou a filha do César e não posso negar isso agora que eu sei da verdade.

Zélia     – Desculpa falar assim, mas eu estou tão cansada dessas mentiras, dessas falsidades. Tudo isso só gerou coisas ruins na minha vida e está na hora disso acabar.

Nádia     – Eu entendo, mãe.

Elas se abraçam.

Thiago    – Tem uma coisa que vocês não estão pensando: a Nádia namorou com o próprio irmão?

Nádia senta no sofá, chocada. Zélia confirma com a cabeça.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola entram na sala. Eles deitam no sofá, abraçados.

Lauro     – Agora que o enterro foi realizado me sinto tão mais leve. E eu não sei porque.

Pérola    – Eu entendo, senti a mesma coisa quando a Marilda vou velada.

Lauro     – O que padre disse ajudou também. Eu sei que o meu pai está num lugar melhor agora, mas ouvir isso de alguém religioso é diferente.

Pérola    – Eu entendo e sei como é. As coisas agora vão ficar melhores, Lauro, eu sei vai. O seu pai está de olho na gente, feliz por você.

Lauro     – Espero que esteja mesmo.

Eles se beijam e ficam abraçados.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo entra e encontra a Leila sentada, bebendo uma água. Ela se aproxima.

Amparo    – Ei!

Leila     – Ia até o cemitério, mas nem deu. Como está?

Amparo    – Estou bem, estou indo, estou sei lá. É uma sensação estranha.

Leila     – Eu imagino.

Amparo    – Antes de ir no cemitério, dei uma passada na delegacia pra conversar com o Marcos.

Leila     – E como foi?

Amparo    – Não foi ele, Leila. Foi o Mário! O Mário chegou pro Marcos e mandou ele assumir a culpa se não ia matar o Lauro.

Leila     – Cês precisamos provar que isso aconteceu. O Mário não pode ficar livre assim.

Amparo    – Não mesmo, mas agora o meu foco é proteger o Lauro. Eu não vou deixar ninguém chegar perto dele.

Leila     – Eu sei que não.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia sentada encarando a Zélia.

Nádia     – Meu deus! Eu não tinha pensado nisso.

Thiago    – Desculpa, mas foi a única coisa que eu consegui pensar.

Zélia     – É por isso que eu não queria esse relacionamento. É por isso que eu disse que vocês não podiam ficar juntos.

Nádia     – Não era mais fácil dizer que ele é meu irmão? Meu deus!

Omar      – Mãe, tudo poderia ser evitado se você tivesse contado.

Mário     – Esse relacionamento não deveria ter acontecido, Nádia. Nunca! E isso vai desde o fato de vocês serem irmãos até o fato dele ser filho do César.

Nádia     – É muita coisa pra pensar, é muita coisa pra raciocinar.

Zélia     – É tudo que eu tinha pra dizer a vocês, eu sei que eu errei, mas estou tentando consertar meus erros. Está na hora de eu consertar outros.

Omar      – O que quer dizer?

Zélia     – O seu pai, Omar, matou a Marilda e eu não posso mais ver ele livre.

Mário     – Você não é maluca de me entregar pra polícia.

Zélia     – Não sou?

Mário     – Se eu for, você vai junto Zélia e você sabe disso.

Eles se encaram.

 

CENA 05. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra e se aproxima do Leonel, que está sentado na cadeira.

Agatha    – Eu tô querendo falar com o Mário sobre o que a Amparo disse.

Leonel    – Eu também. Está na hora de chamarmos ele aqui para conversar sobre isso.

Agatha concorda e senta ao lado do pai.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia e Mário se encarando.

Mário     – Você escondeu a arma do crime, Zélia. É tão culpada quanto eu!

Omar      – Mãe!

Nádia     – Você fez o que, mãe?

Zélia     – Eu fiz! Mas fiz por causa do cargo de vice-prefeita, queria tirar esse traste da cadeia pra limpar o meu nome. Mas agora não me importo mais! Não estou mais no cargo mesmo então não tenho mais nada a perder.

Thiago    – Não está?

Zélia     – Não, me tiraram do cargo tudo por causa daquela idiota da Célia. Mas não me importo. Eu estou me sentido livre com essas verdades e justiças sendo feitas.

Mário     – Tem mesmo coragem de fazer isso?

Zélia     – Está mesmo duvidando da minha coragem, Mário?

Ela sai andando. Mário vai atrás.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Zélia andando, Mário atrás. Ele consegue alcança-la e pega no braço dela.

Mário     – Para com essa palhaçada! Já conseguiu estragar a Nádia com aquela merda de verdade e agora quer me ver preso? Você é a ruina dessa família, sempre foi! A fruta pobre do saco.

Zélia     – Eu que sou a fruta pobre? Eu que bati no meu marido e quase matei ele grávido? Eu que matei uma menina inocente por causa de diamante? Eu que matei um homem covardemente? Eu Mário?

Mário     – Eu não matei o César! Tudo isso que está fazendo é por causa disso? É idiota! Eu não o matei!

Zélia     – Matou! Eu sei que foi e não foi, sei que tem algo a ver com isso. Não sabe nem mentir! Idiota!

Mário     – Você está acabando com essa família, Zélia.

Zélia     – Isso o que a gente tem nunca foi uma família, Mário. Acorda!

Ela consegue se soltar e sai andando. Mário pensa em ir atrás, desiste.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia, Thiago e Omar se encarando, assustados e confusos.

Thiago    – Meu deus! O que acabou de acontecer aqui?

Omar      – Não sei e estou tentando entender até agora.

Nádia     – Eu só sei que quero sair daqui agora mesmo.

Nádia sai e Omar vai atrás, preocupado.

 

CENA 09. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Nádia saindo andando e Omar a alcança.

Omar      – Pra onde você vai?

Nádia     – Pro bordel, eu preciso sair daqui o mais rápido possível.

Omar      – Me liga, muita coisa aconteceu e você não está me bem.

Nádia o beija e sai. Mário entra e Omar o encara.

Omar      – Eu nunca o considerei o melhor pai do mundo, mas não imaginava que fosse tão ruim assim.

Mário     – Palhaçada! Todo mundo volte-se contra mim agora?

Omar      – É a verdade, pai.

Mário     – Já que está todo mundo falando de verdades, eu quero ouvir uma sua: onde está as minhas pedras?

Omar      – O que?

Mário     – Meus diamantes que eu roubei do César. Eles sumiram! Não foi o César que os pegou e nem a Zélia, então, cadê?

Omar      – Não sabia que você tinha diamantes, pai, se eu tivesse pego não estaria mais aqui.

Mário     – Foi aquela sua putinha? Ela fica dentro da minha casa, pode ter pego.

Omar      – Nunca mais fala assim da Clara. Tá me escutando? Nunca mais!

Ele entra na casa. Mário bufa e entra atrás.

 

CENA 10. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Célia sai da sala e se encontra com a Divina. Ela dá um grito, a Divina entende e comemora.

Divina    – Meu deus! Não acredito que nós conseguimos.

Célia     – (corrige) que eu consegui.

Divina    – Eu ajudei!

Célia     – Não fez mais do que sua obrigação como irmã. O fato é que agora nós conseguimos derrubar a Zélia.

Divina    – E qual é o próximo passo?

Célia     – Derrubar a Suzana, é claro. E como nós vamos fazer isso eu ainda não sei, mas vamos arranjar um jeito.

Elas saem andando comemorando.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana entra em casa e Leila se aproxima.

Suzana    – Que cara é essa?

Leila     – Cara que diz que muita coisa aconteceu.

Suzana    – O que aconteceu?

Leila     – Marcos foi preso pela morte do César, mas na verdade ele só assumiu a culpa porque o Mário mandou se não ele iria matar o Lauro.

Suzana    – Isso significa que ele é o assassino? Isso significa que eu fiz algo certo?

Leila     – Sim e sim.

Suzana    – Isso é ótimo. A Zélia tinha que ter saído e foi ótimo, o meu problema agora vai ser controlar as irmãs.

Leila     – Se eu fosse você abria o meu olho com elas.

Suzana    – Eu sei o que elas querem, Leila, mas elas não vão conseguir tirar essa prefeitura de mim.

Ela sobe as escadas. Leila sorri.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Iris e Robson andam pelo corredor, conversando.

Robson    – Nem deu pra gente conversar sobre o que está acontecendo conosco.

Iris      – Não, muita coisa acontecendo. Mas vamos nos encontrar mais tarde.

Robson    – Marcado então.

Eles se beijam. Robson vai pra um lado e Iris pra outro.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Iris desce as escadas e é quando a Nádia entra. Elas se aproximam.

Iris      – O que aconteceu?

Nádia     – Tá tão obvio assim que eu estou mal?

Iris      – Está escrito na sua testa! Pode falar.

Nádia abraça a Iris e desata a chorar. Iris se assusta, mas a consola.

 

CENA 14. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados mexendo em uns papeis. Zélia entra e se aproxima.

Agatha    – Zélia?

Leonel    – Nós íamos mesmo entrar em contato com o Mário.

Zélia     – Eu estou aqui para ajudar no que for preciso. Eu quero o meu marido na cadeia!

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 35

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, eles conversam sobre o caso. Marcos entra e se aproxima.

Leonel    – Rafael?

Marcos    – Eu matei o César. (pausa) Eu o matei! Eu!

Agatha    – É o que, Rafael?

Marcos    – Eu não sou o Rafael, eu sou o Marcos, eu sempre fui o Marcos. Eu atirei no meu pai, eu matei o César.

Leonel    – Senta, Marcos, respira e nos diga exatamente o que aconteceu.

Agatha    – Desde o início.

Marcos    – (senta) Eu sempre fui apaixonado pelo César, aí meu descobriu e me humilhou, me bateu por ser gay. Eu atirei nele pra me defender, achei que ele fosse me matar e depois que eu atirei, achei que tinha matado ele. Me desesperei e sai correndo, fugi. E só descobri que o meu pai estava vivo quando cheguei aqui e o César me contou. (pausa) Eu voltei pra cá pra poder voltar a ter uma relação com o César, eu o amo, e ele não retribui esse amor.

Leonel    – E você o matou por isso?

Marcos    – Não só por isso, ele estava tendo um caso com a Amparo. Eu descobri, me enfureci e o matei. Não era a minha intenção, eu juro.

Agatha    – E porque está assumindo tudo isso agora?

Marcos    – Porque eu vi a tristeza nos olhos da Amparo e do Lauro, não posso fazer isso com eles. A justiça precisa ser feita pelo César e é isso: eu o matei!

Leonel    – Você tem certeza disso? Assumindo tudo isso vai pegar anos de cadeia. Falsa identidade, tentativa de homicídio, assassinato.

Agatha    – Você tem certeza que matou o César, Marcos?

Ele abaixa a cabeça. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro está sentado no sofá assistindo um filme, Pérola entra e se aproxima.

Pérola    – Eu falei com o padre. Está tudo certo pra amanhã.

Lauro     – Ótimo! Muito obrigado por tudo, Pérola.

Pérola    – Não foi nada. Está assistindo o que?

Lauro     – O filme preferido do meu pai. Senta e vê comigo.

Pérola    – (senta) Não queria falar contigo sobre isso agora, mas acho que é preciso: eu posso trabalhar nas terras de seu pai?

Lauro     – O que?

Pérola    – Eu tô querendo voltar a trabalhar por mim e pela Marilda, e trabalhar nas terras de seu pai vai ser ótimo. Eu quero muito fazer isso.

Lauro     – Eu tinha até me esquecido dessas malditas pedras. Marilda morreu por isso e agora o meu pai, o Mário matou ele por inveja e você sabe disso.

Pérola    – Eu sei, mas esse é o meu trabalho e eu quero fazê-lo.

Lauro     – Está bem, pode sim. Mas deixa tudo isso do meu pai acabar.

Pérola    – É claro, eu entendo.

Ela encosta sua cabeça no ombro dele, sorrindo.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia e Nádia estão deitadas na cama, a primeira está bem triste. Mário entra.

Mário     – Nádia, eu preciso falar com a sua mãe a sois.

Nádia     – Está tudo bem, mãe?

Zélia     – Está. Não posso evitar o seu pai pra sempre mesmo.

Nádia dá um beijo nela e sai. Mário senta ao lado dela.

Mário     – Pode botar um sorriso no seu rosto. O verdadeiro assassino do César foi preso.

Zélia     – Você ainda está aqui.

Mário     – Eu não o matei, o Marcos sim. Ele foi preso, acabei de ver.

Zélia     – O que você fez pra ele ser preso?

Mário     – Nada, a justiça agiu sozinha sem a minha ajuda.

Zélia     – Não foi ele, Mário. Eu sei que você! Eu sei! Eu sei quando você mente, quando você faz merda.

Mário     – Você está errada porque não fui eu, Zélia.

Ele levanta e sai.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Marcos está cabisbaixo. Leonel e Agatha se encaram, ele ergue a cabeça.

Marcos    – É claro que eu tenho certeza. Eu o matei!

Agatha    – Você não parece ter matado ele, Marcos.

Marcos    – Mas o que é isso? Estão duvidando de mim? Isso não existe! Eu estou falando que eu matei é porque eu matei e acabou.

Leonel    – Alguém pediu pra você falar isso, Marcos?

Ele levanta e se aproxima do Marcos.

Leonel    – Hein, está sendo ameaçado ou algo do tipo?

Agatha    – Nós queremos e podemos de ajudar. É só dizer quem está fazendo isso.

Leonel    – É o Mário?

Marcos começa a chorar, ele pega a arma da cintura do Leonel e aponta pra ele. Agatha aponta a dela pro Marcos.

Marcos    – (chora) agora vocês acreditam em mim? Hein? Eu o matei! Droga! Eu o matei!

 Ele derruba a arma e se desespera. Leonel encara a Agatha que abaixa a arma.

Leonel    – Está bem, Marcos. Você o matou.

Agatha    – Você está preso por falsa identidade, homicídio e tentativa de homicídio.

Ela levanta e algema o Marcos. Ela abre a porta, um policial leva ele. Agatha e Leonel se encaram.

Agatha    – Não foi ele.

Leonel    – É claro que não foi. Alguém está ameaçando ele.

Agatha    – Mário?

Leonel    – Provavelmente, mas ou ele conta a verdade ou não vamos pode fazer nada.

Leonel pega a arma do chão e bota na cintura. Agatha o encara.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro e Pérola estão sentados, assistindo TV. Amparo entra e se aproxima.

Amparo    – Estão sabendo?

Pérola    – Do que?

Amparo    – Estava na rua e começaram a comentar que o Rafael se entregou. Ele matou o César!

Lauro     – O que?

Amparo    – É o que estão falando e pelo visto, é verdade. Ele se entregou.

Pérola    – Mas faz sentido? Ele amava o seu pai.

Lauro     – Não, não faz sentido.

Amparo    Ele pode ter sido ameaçado a se entregar, mas sei lá, pode ter sido ele também. Ele também assumiu que o nome verdadeiro dele é Marcos.

Lauro     – Isso era obvio desde o início, mas não sei se ele realmente matou o meu pai.

Pérola    – Ainda acha que o Mário?

Lauro     – Sim, eu ainda acho.

Os três se encaram.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Pessoas se juntando numa passeata liderado pela Célia e pela Divina.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda, Iris, Robson, Clara, Gina e Alberto estão sentados, conversando. Eleonora entra e se aproxima.

Eleonora  – Ei! Estão sabendo que aquele amigo do César foi preso pelo assassinato dele.

Nilda     – Mentira!

Robson    – Eu ainda acho que é o Mário, a prisão do Rafael pode ter sido influenciada pela Zélia e a Suzana.

Alberto   – Concordo com ele.

Clara     – Por falar nisso, a manifestação da Célia e da Divina devem está pra começar.

Iris      – Eu vou assistir de camarote. Alguém vem comigo?

Clara     – Eu vou.

Robson    – Eu também.

Robson, Clara e Iris saem. Eleonora senta ao lado da Nilda.

Gina      – Não acho que foi tão fácil assim. O Mário tem algo a ver com essa morte.

Nilda     – Ele, a Zélia e a Suzana.

Alberto   – É claro.

Eleonora  – Nós precisamos ficar de olho nesses três para que o Alberto assuma logo a prefeitura

Gina      – Nós estamos de olhos bem aberto.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOTIE:

Amparo entra e se aproxima do telefone. Ela disca os números.

Amparo    – Thiago? O Marcos foi preso pela morte do César, avisa a todos aí e a Leila.

Ela desliga e sai da cozinha.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago desliga o telefone e encara a Leila, que estranha.

Thiago    – O Marcos foi preso pelo assassinato do César.

Leila     – Mas não era obvio que tinha sido o Mário?

Thiago    – Pelo visto não. Eu preciso avisar o pessoal.

Leila     – E eu a Suzana.

Eles se beijam, ela sai por um lado e ele pelo outro lado.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, toda de preto, Mário, Nádia e Omar estão sentados à mesa, jantando. Thiago entra e se aproxima.

Thiago    – Não sei se vocês sabem, mas o Marcos foi preso pelo assassinato do César, então não foi o Mário.

Nádia     – O Marcos?

Omar      – É aquele amigo do César? Eu achei que fossem melhores amigos.

Nádia     – Eu também.

Mário     – As aparências enganam.

Zélia     – Não parece ser ele é porque não foi ele, gente. Não foi o Marcos!

Nádia     – E quem foi mãe?

Zélia     – O seu papai! Ele matou o César, ele deve ter armado pro pobre do Marcos ser preso.

Omar      – Foi você pai?

Mário     É claro que não! Isso é loucura da sua mãe.

Zélia     – Cansei de ficar no mesmo comado que você. (ao Thiago) Eu vou comer a sobremesa no meu quarto.

Ela sai, Omar e Nádia se encaram.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada a mesa, comendo. Leila entra e se aproxima.

Leila     – Suzana, não sei se você já sabe, mas o Marcos foi preso pelo assassinato do César.

Suzana    – Marcos é aquele amigo? Não foi ele, certeza que foi o Mário.

Leila     – Como tem tanta certeza?

Suzana    – Zélia está me evitando, não tem ido trabalhar, ela sabe que seu cargo está comprometido.

Leila     – E mudando de assunto: a passeata da Célia e da Divina começou e está vindo nessa direção.

Suzana    – Droga!

Ela levanta e sai. Leila vai atrás.

 

CENA 12. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Célia, Divina e várias pessoas se manifestando, gritando o nome da Zélia e da Suzana. O padre se aproxima.

Fagundes  – Vocês precisam se decidir. Querem ou não a Suzana no poder?

Célia     – Nós queremos a Suzana, mas não a Zélia.

Divina    – O marido dela matou duas pessoas, duas!

Fagundes  – Uma, é o que parece. Aquele amigo do César foi preso pelo assassinato dele essa manhã.

Célia     – É mesmo? Não me importa! Ele ainda matou a Marilda. Nós não podemos ter uma mulher que apoia assassinos no poder

Fagundes  – Concordo, mas também não podemos ter uma mulher que fecha um bordel só porque seu marido se apaixonou. Isso não existe!

Divina    – Você se vendeu, padre. Não é mais o mesmo de antes!

Fagundes  – Eu nunca fui igual a vocês. Eu sou contra o bordel por causa da exploração das meninas, mas não acho que as coisas devem ser feitas assim.

Célia     – Devem ser feitas assim sim e se não concorda: tchau!

Fagundes  – É isso que eu vou fazer mesmo. Ir embora e dormir, porque ao contrário de vocês, eu tenho um trabalho pra ser feito amanhã.

Ele sai. Célia e Divina continuam gritando palavras de ordem. Suzana sai e se aproxima.

Suzana    – O que vocês querem diabos?

Célia     – Nós queremos a expulsão da Zélia do cargo de vice.

Suzana    – É isso que vocês querem? Se eu fizer, vocês me deixam em paz?

Divina    – Deixamos! E queremos também a Célia como vice-prefeita.

Suzana    – Está certo.

Suzana entra em casa e fecha a porta. Célia e Divina se encaram.

 

CENA 13. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana entra em casa, pega o telefone e disca o número.

Suzana    – Zélia! Eu preciso de você aqui agora. Temos que conversar.

Zélia     – (off) Eu não estou em condições, Suzana.

Suzana    – É sério, Zélia.

Zélia     – (off) Eu imagino o que seja. Nós duas conversamos amanhã.

Ela desliga e bufa.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar entram no quarto. Eles sentam na cama.

Nádia     – Nossa! O que foi aquilo no jantar?

Omar      – O que acha? Pode ter sido o Marcos mesmo, mas ainda acho que pode ser o papai ainda mais pelo vejo da mãe.

Nádia     – Também. (pausa) Eu sei que a gente combinou de não falar mais sobre isso, mas preciso saber: e as pedras?

Omar      – No mesmo lugar de sempre, o pai não desconfia de nada.

Nádia     – Isso é bom.

Omar      – Será que ele matou o César por isso e nós somos o culpado?

Nádia     – Não. Se o pai matou o César o motivo é mais que diamantes. Tem a ver com a mãe, ela ainda não me contou tudo, mas sei que vai.

Eles se encaram, curiosos.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Lauro e Pérola se arrumando. Eles estão vestido de preto.

Lauro     – Amparo foi falar com o Marcos. Agora não é possível que seja ele.

Pérola    – Ela vai nos encontrar na missa?

Lauro     – Ela disse que sim. (pausa) Não sei se estou pronto pra ver o meu pai entrando numa cova.

Ela o abraça, ele começa a chorar. Pérola o consola.

 

CENA 16. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos está sentado na cama. Amparo anda pelo corredor acompanhada de um policial. Ela se aproxima da cena do Marcos.

Marcos    – Amparo?

Amparo    – Foi você?

Marcos    – Foi! Eu o matei, me desculpa, eu fiz isso.

Amparo    – Tem certeza?

Marcos    – Sim, peça desculpas ao Lauro por isso e peça pra ele tomar cuidado com o Mário.

Amparo    – Com o Mário?

Marcos    – É, peça pra ele tomar cuidado com ele.

Amparo    – O enterro do César vai ser agora pela manhã.

Marcos    – Eu sei. Desculpas pelo que eu fiz, Amparo.

Ele levanta e se aproxima da grade. Ele se aproxima do ouvido da Amparo.

Marcos    – (baixo) Foi o Mário, o Mário ameaçou o Lauro. Olhos abertos nele.

Policial  – Ei! Ei! Chega disso.

Ele afasta a Amparo que sai andando encarando o Marcos. Ele volta a se sentar na cama.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Amparo entra e se aproxima da Agatha e do Leonel que estão sentados.

Amparo    – Não foi ele.

Leonel    – Ele disse isso?

Amparo    – Ele cochichou no meu ouvido que foi o Mário.

Agatha    – Porque diabos ele assumiu a merda da culpa?

Amparo    – O Mário ameaçou a vida do Lauro.

Leonel    – Nós temos que conseguir provas contra o Mário, nós precisamos descobrir quando e o que ele falou pro Marcos.

Agatha    – Nós vamos descobrir. (a Amparo) Muito obrigada.

Amparo sai. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 18. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está mexendo em uns papeis. Célia e Divina entram e se aproximam.

Suzana    – O que vocês querem agora?  

Célia     – Você ainda não tirou a Zélia do poder.

Suzana    – Ela vai vir aqui agora de manhã, nós combinamos.

Divina    – Tem certeza disso? Porque parece que ela foi conferir a missa pro César.

Célia     – Ela não vai vir aqui, Suzana. Ela foi na missa do César, depois ela vai no enterro e depois? Qual vai ser a desculpa?

Suzana    – Está bem, caramba. Eu vou até ela na igreja.

Suzana continua sentada, Célia e Divina a encaram.

Suzana    – O que foi?

Célia     – Levanta e vai.

Suzana    – Não vou agora, agora, tenho trabalho pra fazer. Daqui a dez minutos, eu vou.

Divina    – Nós vamos contar no relógio minuto a minuto.

Elas saem. Suzana bufa.

 

CENA 19. IGREJA/INTERIOR/DIA:

O caixão do César no canto. O padre no meio, recitando a missa. Amparo, Lauro, Pérola, Zélia sentados, de preto, tristes.

 

CENA 20. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

O caixão do César saindo, carregado por dois homens. Padre sai ao lado do Lauro, da Pérola e da Amparo.

Lauro     – Muito obrigado pela missa, padre.

Pérola    – Foi tão tocante quanto a da Marilda.

Fagundes  – Não foi nada, o César era um bom homem, vou sentir saudades dele.

Amparo    – Todos nós vamos.

Fagundes  – É claro. Eu vou acompanhar vocês até o cemitério.

Amparo    – Esse não é o assunto, mas o que a Zélia estava fazendo aqui?

Lauro     – Também não sei. Não a vejo falando com o meu pai a muitos anos por causa do Mário.

Pérola    – Talvez ela tenha ficado tocada com a morte dele.

Amparo    – É mesmo.

O padre, Amparo, Pérola e Lauro saem atrás do caixão. Zélia sai da igreja e é surpreendida pela Suzana.

Zélia     – Suzana?

Suzana    – Nós precisamos conversar, Suzana.

Zélia     – Eu disse que passaria na prefeitura mais tarde.

Suzana    – Não tem mais tarde, não queria fazer isso aqui na rua, mas você não me deu alternativas.

Zélia     – Suzana/

Suzana    – (corta) Não há mais o que conversar, Zélia. O seu marido continua fazendo merda e você o apoiando, não posso deixar isso acontecer. (pausa) Eu sinto em dizer isso, mas você está fora do cargo de vice-prefeita.

Zélia     – Você não pode fazer isso!

Suzana    – É claro que eu posso e está feito, o seu marido está ferrando o meu governo.

Zélia     – Você não pode fazer isso comigo agora. Eu acabei de perder o César e você faz isso?

Suzana    – Não sabia que vocês eram amigos. Eu sinto muito.

Zélia     – Eu botei você naquela prefeitura. Sem o meu nome você não conseguiria.

Suzana    – Não, não, as pessoas já conheciam o meu nome. Eu fui a mulher do prefeito, eu sou influente nessa cidade. O seu nome apenas me deu um empurrão, mas agora, está me ferrando e eu não posso deixar isso acontecer.

Zélia     – Judas! É isso que você é! Uma Judas! Na verdade, eu estou rodeada por judas. Eu estou cansada de gente como você na minha vida, Suzana.

Suzana    – Zélia, por favor/

Zélia     – (corta) Vá à merda!

Ela desfere um tapa na cara da Suzana e sai andando. Suzana, chocada, encara ela saindo.

 

CENA 21. RUA/EXTERIOR/DIA:

Zélia andando na rua completamente desnorteada. Ela esbarra nas pessoas, confusa e atrapalhada.

 

CENA 22. CEMITÉRIO/INTERIOR/DIA:

O caixão do César entrando na cova. Amparo, Lauro, Pérola e Padre olhando. Nádia se aproxima e toca o ombro do Lauro.

Nádia     – Eu sinto muito.

Lauro     – Obrigado.

Pérola a encara.

 

CENA 23. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia entra em casa, toda desnorteada. Ela derruba coisas no chão. Thiago e Mário saem da cozinha e se aproximam, Omar desce as escadas.

Zélia     – Eu estou tão cansada dessas merdas. Dessa vida!

Omar      – Mãe, o que aconteceu?

Zélia     – O seu pai aconteceu!

Thiago    – A senhora está bem?

Zélia     – Não, mas eu vou ficar. (sorri) Está na hora de todos saberem a verdade, Mário.

Mário     – Do que você está falando?

Zélia     – A verdade, Mário. Está na hora da verdade.

Mário     – Você não é nem maluca.

Zélia     – (ao Omar) Cadê a Nádia?

Omar      – No enterro do César.

Zélia     – Ela precisa estar aqui, ela é a principal pessoa da verdade. Foi ela que mudou tudo!

Todos encarando a Zélia. Mário começa a se aproximar, Zélia se afasta.

Mário     – Vamos conversar.

Zélia     – Não tem conversa! Está na hora, Mário. (ao Thiago) Segura ele!

Thiago o faz e Omar ajuda. Ela se aproxima, sorrindo.

Zélia     – Eu cansei de mentiras! Eu cansei de traições! Está na hora!

Todos se encaram.

 

CENA 24. FRENTE AO CEMITÉRIO/INTERIOR/DIA:

Lauro sai com a Pérola e encontra a Nádia. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Lauro     – Obrigado por ter vindo.

Nádia     – Apesar de tudo, eu sinto muito. O César não gostava muito de mim, mas ele tentava ser simpático.

Lauro     – O meu pai não gostava muito de ninguém.

Nádia     – É verdade.

Pérola    – A sua mãe estava na missa.

Nádia     – Eu ia me encontrar com ela aqui, mas parece que ela foi embora mais cedo.

Lauro     – Não sabia que ela ainda era amiga do meu pai.

Nádia     – Nem eu, mas parece que tem todo uma história no passado.

Lauro     – Quando descobrir, me conta.

Nádia     – Pode deixar. (pausa) Eu tenho que ir agora.

Ela abraça o Lauro e sai. Pérola a encara.

 

CENA 25. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana entra e dá de cara com a Célia. Ela se aproxima, sorrindo.

Célia     – E aí?

Suzana    – Parabéns! Você é a nova vice-prefeita da cidade.

Célia     – Ain, obrigada, obrigada.

Ela comemora e Suzana faz que não com a cabeça.

Suzana    – No que eu fui me meter, senhor?

Ela senta na cadeira e espia a Célia comemorando.

 

CENA 26. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia, Thiago, Omar e Mário na mesma. Nádia entra e estranha a situação.

Nádia     – Porque diabos o pai está sendo segurado pelo Omar e pelo Thiago?

Zélia     – Porque chegou a hora da verdade, filhinha.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 34

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

O capítulo 34 é especial. Nele nós vamos mostrado o passado de três personagens: César, Mário e Zélia. O gancho do capítulo passado será continuado no capítulo 35.

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

Mário se aproxima e bate na porta. César abre e eles se encaram.

Mário     – Bom dia. O meu nome é Mário (pausa), estou aqui para anuncia que logo vamos ser vizinhos. Eu quero comprar o rancho do Perseu.

César     – Eu também quero comprar o rancho, Mário.

Mário     – Mas você já tem o seu, está na hora de eu ter o meu, não acha?

César     – Não.

Mário     – Bom, eu já fiz uma oferta e eu acho difícil o Perseu recusar. Então sinto muito. (pausa) Será que podemos ser amigos?

César     – Não!

César bate à porta.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Cômodo repleto de caixas. Mário e Zélia entram, segurando as malas. Eles ficam no meio do cômodo e se beijam, sorrindo.

Mário     – Esse é o nosso recomeço, Zélia. É aonde a gente vai criar a nossa família.

Zélia     – Nós vamos ser felizes aqui, mal posso esperar por ver nossos filhos por aqui.

Mário     – Eu também.

Zélia     – Passou no rancho vizinho? Como foi?

Mário     – Grosseiro. É isso que o nosso vizinho é: um grosso!

Zélia     – Mas falaram que ele tinha acabado de perder a esposa, deve ser por isso. O coitado deve estar tendo de cuidar do filho sozinho.

Mário     – Isso não justifica ele ter sido grosso comigo.

Zélia     – Enfim.

Ela anda pela sala e se aproxima de um canto e encara o marido.

Zélia     – Eles conseguiram limpar bem o piso, nem parece que um homem foi baleado aqui.

Mário     – Eu pedi que eles trocassem o piso, fizeram um bom trabalho.

Zélia     – O que aconteceu mesmo pra aquele homem ter sido baleado?

Mário     – O filho dele, Marcos, atirou nele e fugiu. Mas conseguiu sobreviver e vendeu a casa.

Zélia     – Que triste!

Mário     – Chega de falar sobre isso. Vamos arrumar as coisas.

Zélia     – Vamos!

Eles sorriem e começam a desempacotar as malas. Felizes.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

César ninando o bebê Lauro. César sorri e encara o bebê.

César     – Estamos sozinhos, Lauro. Mas tudo vai dar certo. Nós vamos passar por esses problemas e vamos vencer, filho.

Ele sorri e continua ninando o filho, que também sorri.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Mário entra na cozinha levando o seu prato. Zélia está lavando a louça, pega o prato dele e lava também. Eles se encaram.

Mário     – O bolo estava delicioso, amor. O melhor que já fez.

Zélia     – Você diz isso pra todos os meus bolos, Mário.

Mário     – Digo porque são todos uma delícia.

Zélia     – Acho que vou levar um pedaço pro vizinho, coitado, o que será que está comendo?

Mário     – Está se preocupando muito com ele. Não devia! É um grosso!

Zélia     – Nós precisamos ter amigos aqui, Mário. Não tem discussão! Eu vou acabar aqui e levar um pedaço pra ele.

Mário     – Cê que sabe.

Ele dá um beijo na esposa e sai. Zélia termina de lavar a louça.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César dando mamadeira pro Lauro, o bebê chorando. A campainha toca, ele abre e Zélia entra segurando um pote com o bolo.

Zélia     – Boa noite. Eu sou a nova vizinha, Zélia, um prazer.

César     – César, prazer. Posso te ajudar em alguma coisa?

Zélia     – Não. Só vim trazer um pedaço de bolo mesmo.

César     – Obrigado, mas eu não preciso de bolo. Eu preciso de ajudar pra ninar esse bebê que não para de chorar.

Zélia     – Eu posso tentar?

César faz que sim. Ela pega o bebê e dá mamadeira pra ele, Lauro para de chorar.

César     – Como você consegue?

Zélia     – Amor. Se você transmitir amor pro bebê, ele vai te responder com amor. Se você transmitir estar irritado, ele vai chorar.

César     – Obrigado. Eu estou tentando, não sabia que era tão difícil assim.

Zélia     – Eu estou aqui do lado se precisar de ajuda.

César     – Eu vou precisar. (ri) É casada com o Mário, né? Tem filhos?

Zélia     – Sou sim e não. (pausa) Eu fiquei grávida duas vezes e nas duas, não deu certo. Eu abortei espontaneamente.

César     – Eu sinto muito.

Zélia     – Tudo bem, está tudo bem agora. Nós dois viemos pra cá pra ter um recomeço. É uma cidade pequena, esse é o objetivo. Criar nossos filhos longe da agitação.

César     – É claro. Eu entendo e espero que vocês consigam.

Eles sorriem.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

César e Zélia deitados na cama, seminus. Eles se beijam, sorrindo.

Zélia     – Não acredito que você me convenceu a passar a noite aqui.

César     – Ah, você gostou.

Zélia     – Gostei, mas o Mário vai acordar e perceber que não estou lá. Que justificativa eu vou dá?

César     – Não fala do Mário pra mim, pelo amor de deus. Não estraga esse momento.

Zélia     – É sério: preciso ir!

Ela levanta e começa a se vestir. César levanta e a beija.

César     – Eu te amo.

Zélia     – Eu também.

César     – Termina com ele e fica comigo.

Zélia     – Não posso.

César     – Porque não?

Zélia     – Porque eu não posso.

Ela termina de se vestir e sai.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Mário acorda e não encontra a Zélia do seu lado. Ele levanta e sai.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário desce as escadas e encontra a Zélia entrando segurando uma sacola com pão.

Mário     – Onde foi?

Zélia     – Eu fui comprar pão.

Mário     – Não se mexeu na cama hoje, nem te senti.

Zélia     – Eu tomei remédio pra dormir, esqueceu? Devo ter ficado que nem pedra.

Mário     – Ah é.

Zélia     – Vem tomar café, criatura.

Zélia entra na cozinha e Mário vai atrás.  

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Zélia está sentada na cama, passando óleo na perna. Mário entra e se aproxima.

Mário     – Ei!

Zélia     – Ei.

Ele a beija e começa a tocar na perna dela. Zélia se afasta. Ele tenta de novo e ela levanta.

Zélia     – Hoje não. Estou com dor de cabeça, Mário.

Mário     – Está com dor de cabeça a dois seguidos, Zélia. Vai no médico, porra!

Zélia     – Eu só preciso descansar Mário e não posso descansar com você me tocando toda hora.

Mário     – Você não gosta que eu te toque, Zélia? Eu sou seu marido e não posso te tocar.

Zélia     – Não é isso. Eu só não estou muito bem esses dias.

Mário     – Nós nos mudamos pra cá pra construir uma família e não podemos fazer isso sem sexo, Zélia.

Zélia     – Eu sei, e nós vamos transar. Mas não hoje, não estou bem. Amanhã.

Mário     – Você ainda quer ter filhos? Ainda quer construir uma família?

Zélia     – (bufa) Não vamos discutir, Mário, por favor.

Mário     – Você não quer mais, não é? É por isso que está me evitando?

Zélia     – Saco! Não sei! Não sei, Mário! Droga!

Zélia sai batendo porta. Mário bufa.

 

CENA 10. LAGOA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia olhando pra lagoa. César se aproxima, ela percebe e sorri.

Zélia     – Chegou rápido.

César     – Você me ligou, parecia triste e disse pra vir pra cá. Estou aqui. O que aconteceu?

Zélia     – Eu discuti com o Mário, só isso. Não estamos bem.

César     – Isso bem. Você largar ele e ficar comigo, Zélia.

Zélia     – Não posso fazer isso agora, César. Já disse isso!

César     – Está bem. Não vamos falar sobre isso então.

Zélia     – Ótimo.

César     – Vamos falar sobre a gente. Sobre nós fazermos sexo aqui.

Zélia     – Aqui?

César     – É, aqui. Vai ser divertido, não vai?

Zélia     – Pode ser.

Eles se beijam.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Mário anda pelo corredor.

Mário     – Não deveria ter brigando com ela, droga.

Ele segue andando.

 

CENA 12. LAGOA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia e César transando. Eles gemem, se beijam, se arranham. Mário se aproxima e vê a cena. Ele sai correndo antes que o vêm.

 

CENA 13. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/NOITE:

César e Zélia se aproximam da porta da casa. Eles se beijam, Zélia entra e César sai.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra e dá de cara com o Mário. Eles se encaram.

Zélia     – Ainda está acordado, Mário? Vamos dormir.

Mário     – Eu vi!

Zélia     – Viu?

Mário     – Vocês dois na lagoa. Vocês dois estavam transando na lagoa pra todo mundo da cidade ver.

Zélia     – Mário/

Mário     – (corta) Não! Não! A quanto tempo, Zélia? A quanto vocês estão fazendo isso?

Zélia     – Pouco tempo, menos de três semanas. É só sexo, Mário/

Mário     – Cala a boca! Três semanas? Não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo. Você acabou com essa família. Está me escutando? Acabou!

Ela ajoelha, chorando. Mário se aproxima, a encarando.

Zélia     – (chora) Desculpa.

Mário     – Não!

Zélia     – Por favor, me perdoa. Eu errei! Me desculpa.

Ele desfere um tapa na cara dela. Ela levanta e o encara, limpando as lágrimas.

Zélia     – Porque você fez isso?

Mário     – É o que você merece! Um tapa!

Ele desfere outro.

Mário     – Dois tapas!

E outro.

Mário     – Três tapas!

Ela começa a chorar de novo e empurra ele antes de ele dá o quarto. Mário empurra ela na parede e ela cai. Zélia grita e chora.

 Zélia     – Socorro! Socorro! Meu deus! Socorro!

Mário     – Tá pedindo socorro pra quem? Pro seu namoradinho de merda? Filha da puta! Cachorra!

Eles se encaram.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

César saindo do terreno do Mário. Ele escuta os gritos e volta correndo.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário se aproximando da Zélia, César entra correndo e dá um soco nele.

Mário     – Filho da puta!

César     – Você bate na sua esposa e eu sou o filho da puta?

Mário revida o soco, César dá outro. Eles caem no chão, um socando o outro. Zélia levanta, chorando.

Zélia     – Parem! Parem pelo amor de deus. Parem! (grita) Eu estou grávida!

Eles param de se socar e encaram a Zélia.

Mário     – É o que?

Zélia     – Eu estou grávida e não sei quem é o pai.

Os três se encaram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Meses depois…

Zélia deitada na cama, de pernas abertas. Ela grita, a parteira no meio dela. Logo, é escutado o choro do bebê. Zélia sorri.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

César e Mário esperando no corredor. Eles se encaram, sérios. A parteira sai do quarto e se aproxima.

Parteira  – É uma menina.

Eles sorriem.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

Zélia sentada no sofá, segurando a bebê Nádia, e César ao lado, segurando o Lauro. O áudio é off.

César     – (off) Mas ele te bateu.

Zélia     – (off) Ele se arrependeu e eu o amo. A filha é sua, mas o meu coração é dele.

César     – (off) Você não pode fazer isso, eu sou o pai dela!

Zélia     – (off) Pra todos os efeitos: é ele! E é assim que vai ser. Não vamos nos falar nunca mais, César. E acabou! Tudo o que aconteceu entre a gente. Termina aqui.

César     – (off) Não!

Zélia     – (off) Sim!

A cena se escurece.

 

CENA 20. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/DIA:

Zélia sai da casa, chorando. Ela se aproxima do Mário e ele pega a bebê.

Mário     – Isso foi o melhor pra gente, Zélia. Acredita em mim.

Zélia     – Pra gente não, nós dois nunca vamos ser felizes Mário. Eu fiz isso pela Nádia, minha filha com o César.

Mário     – Ela é minha filha agora!

Zélia     – Não de sangue.

Mário     – Chega! Chega! Vamos pra casa, nós temos uma bebê pra cuidar.

Zélia     – É claro.

Mário     – E vou querer uma filha só minha, Zélia.

Zélia     – E você vai ter, faz parte do acordo.

Eles andam pra fora do terreno. Mário feliz e Zélia, triste.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/ESCRITÓRIO/INTERIOR/DIA:

César está sentado, chorando. Ele bebe uísque da garrafa e chora, triste.

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 33

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia está falando com o povo. Divina se aproxima.

Célia     – Demorou.

Divina    – Desculpa, então, qual é o plano?

Célia     – O plano era fazer o povo assinar um documento pedindo a saída da Zélia, mas agora que o Mário fez outra vítima: nós vamos fazer o povo se revoltar contra a família toda.

Divina    – É isso que está falando pra eles?

Célia     – Exato! Estou mostrando um folheto para que todos eles se unem e se revolvem contra a Zélia.

Divina    – Você vai ser a vice-prefeita dessa cidade.

Célia     – Eu sei e isso é só o começo, eu vou a prefeita da cidade e depois a presidenta do país.

Elas sorriem e continuam falando com o povo, entregando a eles uns folhetos.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado, mexendo em uns papeis. Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – Bom dia, pai.

Leonel    – Bom dia. O corpo do César chegou e está com o legista, mas parece que foi um tiro certeiro no meio do peito que o matou.

Agatha    – Quem você acha que foi?

Leonel    – Minha mente diz o Mário, mas a minha sede por fechar o caso do Marcos, diz que foi o Rafael.

Agatha    – Eu nem sei, só sei que quero investigar esse caso direito para que ele nunca seja aberto novamente e nem arquivado.

Leonel    – Eu também.

Agatha    – E outra coisa: eu vi o vídeo de segurança da rua e das duas um: ou o assassino estava dentro de casa, ou ele entrou pelos fundos.

Leonel    – Não ninguém entrando na casa antes dos tiros?

Agatha    – Não pela porta da frente. Pérola e Lauro chegam no exato momento em que o tiro é disparado.

Leonel    – Então continuamos com os três suspeitos.

Agatha    – Ainda considera a Amparo?

Leonel    – Só porque ela não tem álibi, não foi ela.

Eles seguem conversando em off.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia estão sentados à mesa. Mário entra e senta com eles. Thiago à parte.

Mário     – Bom dia.

Nádia     – Foi você que matou o César, pai?

Mário     – Não, pelo amor de deus, não. Não fui eu! Eu não faria isso.

Omar      – Você matou a Marilda sem mais nem menos.

Mário     – Ela é outra que eu não matei tanto que estou aqui, solto.

Zélia entra, vestida toda de preto, atrapalhando a conversa.

Zélia     – Por causa de mim. Você saiu da cadeia por minha causa. E você não sabe o quanto eu me arrependo disso, eu te tirei pra você matar o César.

Mário     – Nós já discutimos isso ontem e eu te garanti que não tinha matado ele.

Zélia     – Eu duvido. Você não estava em casa na hora, Mário.

Mário     – O Rafael e a Amparo estavam na casa na hora, pelo que eu sei, eles também são suspeitos.

Zélia     – E qual é o motivo que eles possuem, Mário?

Mário     – Não sei, isso é com o Leonel e com a Agatha, não comigo.

Nádia     – Mudando de assunto: está de luto, mãe?

Omar      – Não sabia que era amiga do César assim.

Zélia     – Nós dois fomos grandes amigos, até que o Mário resolveu virar inimigo dele e nós nos afastamos.

Nádia     – Engraçado, nunca vi vocês se falando por aí.

Zélia     – Foi antes de vocês nascerem, queridos.

Nádia estranha. Eles seguem tomando café, em off. Thiago só espiando.

 

CENA 04. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre está ajoelhado, rezando. Pérola entra e se aproxima.

Pérola    – Desculpa te atrapalhar, padre.

Fagundes  – Está tudo bem, minha filha. É amiga da Marilda, não é?

Pérola    – Isso mesmo, nem agradeci pela missa que realizou por ela.

Fagundes  – Não foi nada. Ela está no reino de deus agora.

Pérola    – Eu sei que sim, mas não vim falar sobre ela. (pausa) Sabe que o César morreu?

Fagundes  – Sei! O que está acontecendo com essa cidade ultimamente? Ela não era assim.

Pérola    – Não sei, mas estou aqui para marcar a missa e o enterro dele. O corpo está com a polícia, mas deve ser liberado hoje à noite.

Fagundes  – É claro, não tem nenhum enterro e nem missa marcados então temos horários disponíveis. Pode ser pra amanhã mesmo?

Pérola    – É claro, será perfeito. Muito obrigado por tudo novamente.

Fagundes  – Não é nada.

Pérola se benze e sai. O Padre a encara saindo e volta pra sua reza.

 

CENA 05. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Leila servindo a mesa. Suzana entra e se senta à mesa.

Leila     – O que pretende fazer depois do que aconteceu?

Suzana    E eu sei? Só sei que as beatas possuem mais um motivo para me fazer tirar a Zélia.

Leila     – E vai tirá-la?

Suzana    – Eu estou cogitando. Não posso ter ao meu lado a mulher de um assassino.

Leila     – Se prepare: de um lado duas beatas malucas por poder e de outro, a Zélia.

Suzana    – (ri) Eu sei.

Elas seguem conversando.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está sentada, triste. Thiago entra e senta ao lado dela.

Thiago    – Ei! Eu sei que essa pergunta é idiota, mas preciso fazê-la: como você está?

Amparo    – Bem, indo, mal, sei lá. É um mixe de sentimentos.

Thiago    – Imagino que sim. (pausa) Não queria falar sobre isso, mas acho que precisamos.

Amparo    – Tudo bem, pode dizer.

Thiago    – O assassino deve ser mesmo o Mário, até a Zélia tá achando isso.

Amparo    – Sabia! Filho da puta, nojento! Que ódio! Ele matou o César por causa de que? Por causa das pedras? Por causa de terras? Droga!

Ela desata a chorar e o Thiago a consola. Marcos, que estava escondido escutando, sai.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Marcos sai e fica encarando o nada. Ele senta no chão e chora.

 

CENA 08. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia e Divina entregando os folhetos, Iris passa e pega um deles.

Iris      – Que merda é essa?

Célia     – Iris, não é? Eu sei que você é do bordel e você tem mais um motivo para apoiar a gente.

Iris      – Zélia é uma filha da puta, mas a Suzana e vocês também fecharam o bordel.

Divina    – Quem sabe se a gente for eleita, nós não o abrimos de novo?

Iris      – Até parece que eu vou cair nesse papinho de promessas. Mas é bom saber que vocês estão se revoltando contra a Zélia.

Célia     – É bom porque?

Iris      – Porque eu gosto de ver o circo pegando fogo.

Iris sai andando. Célia e Divina se encaram.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Clara e Omar andam pela rua. Eles conversam.

Clara     – Como você está com tudo acontecendo?

Omar      – Estou bem e não quero falar sobre isso.

Clara     – Como quiser. (pausa) Eu quero lhe contar uma coisa.

Omar      – Fala.

Clara     – Eu atendi o meu último cliente agendado ontem e não tenho mais nenhum agendado por causa do fechamento do bordel.

Omar      – Eu sinto muito e já disse que posso te ajudar.

Clara     – Não quero o seu dinheiro, Omar, já disse isso. (pausa) E o que eu quero falar é que eu estou pensando em parar e começar a ter um emprego de verdade.

Omar      – Sério? E porquê?

Clara     – Porque eu te amo e quero me casar com você, quero ter uma família com você.

Omar      Eu também quero e fico muito feliz por você ter feito isso.

Eles se beijam.

Clara     – E eu tenho mais uma coisa pra te contar: nós não usamos camisinha, certo? E eu não comprei a pílula do dia seguinte.

Omar      – Isso quer dizer que?

Clara     – Pode ser, não sei. Eu estou no meu período fértil, então pode ser que sim. Mas é melhor não criar expectativa.

Omar      – Eu vou tentar.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola entra no quarto e encontra o Robson. Ela senta ao lado dele.

Pérola    – Eu soube sobre o Mário. Isso é horrível!

Robson    E eu soube sobre o César, também é horrível.

Pérola    – O Mário vai voltar pra cadeia, eu sei que vai.

Robson    – Eu espero que sim. A justiça precisa ser feita.

Pérola    – Como você está?

Robson    – Bem, preocupado, mas bem. (pausa) Iris tem me ajudo.

Pérola    – Iris? Vocês estão juntos?

Robson    – Nós nos gostamos. Será que a Marilda ficaria triste?

Pérola    – Não, ela ficaria feliz. Você está feliz então, ela está feliz.

Robson    – Obrigado.

Eles se abraçam.

 

CENA 11. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nilda e Eleonora andam pelo corredor. Elas conversam.

Nilda     – Estou começando a sentir o fechamento do bordel hoje.

Eleonora  – Eu também. Não temos mais nenhum cliente, Nilda.

Nilda     – Nenhum! Pra nenhuma delas. Eu não sei o que nós vamos fazer.

Eleonora  – Iris vai atender na rua, acho, mas e as outras?

Nilda     – Não sei, mas temos que dá um jeito nisso e quando digo dá um jeito: tem a ver com o Alberto.

Eleonora  – Precisamos dele no poder, mas como?

Nilda     – Nós vamos descobrir.

Elas seguem andando e conversando.

 

CENA 12.  BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina está sentada, Nilda e Eleonora se aproximam.

Gina      – Primeiro dia sem clientes, Nilda.

Nilda     – Eu sei, nenhuma de vocês tem mais nenhum.

Eleonora  – Não sabemos o fazer ainda, mas precisamos do Alberto no poder.

Gina      – O problema é como botar ele no poder?

Iris entra e se aproxima, mostrando o folheto da Célia.

Iris      – Célia e Divina estão se revoltando contra a Zélia.

Nilda     – Interessante.

Iris      – Há um conflito, Nilda. E se há um conflito…

Eleonora  – É a oportunidade do Alberto conseguir o poder de volta.

Iris      – Exato!

Nilda     – Preciso falar com ele. (a Gina) Onde ele está?

Gina      – Nos fundos, fumando.

Nilda sai. E as outras se encaram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/DIA:

Alberto está sentado, fumando. Nilda se aproxima e senta ao lado dele.

Nilda     – Nós precisamos de um plano, Alberto.

Alberto   – Como assim?

Nilda     – Célia e Divina estão se revoltando contra a Zélia. Há um conflito e nós precisamos de um plano.

Alberto   – Entendi, mas eu prefiro seguir o plano inicial: deixa elas se matarem e quando elas estivem esgotadas e mortas, nós entramos e ganhamos o poder de volta.

Nilda     – Acha que vai dar certo?

Alberto   – Eu tenho certeza

Eles seguem conversando em off.

 

CENA 14. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra e encontra a Agatha, ele senta ao lado dela.

Leonel    – Chamou? Estava conversando com o legista, o que aconteceu?

Agatha    – Não tinha visto a câmera de segurança que mostra o rancho do Mário.

Leonel    – Achou algo?

Agatha    – Ele sai de casa pouco antes do tiro e vai pros fundos, se entrou na casa, deve ter entrado pelos fundos. E logo depois do tiro ser disparado entra no terreno de casa, correndo.

Leonel    – Correndo, assustado. Ou correndo com medo de ser pego.

Agatha    – Correndo com medo de ser pego, não estava assustado.

Leonel    – Dá pra ver ele segurando a arma no vídeo?

Agatha    – Não, nem antes de ir pros fundos e nem depois.

Leonel    – Então de quem é essa arma? E a onde ela está?

Agatha    – Não sei, mas ela é a resposta. Não podemos prender o Mário ainda, precisamos ter certeza antes.

Eles se encaram, sérios.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nádia está andando pelo corredor. Ela escuta a mãe chorando no quarto, ela entra.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia está sentada na cama, chorando. Nádia entra e senta ao lado dela. Zélia limpa as lágrimas.

Nádia     – Mãe, o que aconteceu?

Zélia     – O César morreu, Nádia. Foi isso que aconteceu.

Nádia     – Não sabia que gostava tanto dele assim. Porque vocês se afastaram por causa do pai?

Zélia     – Eu e o César nos apaixonamos logo após eu ter chegado aqui, Nádia. Nós tínhamos um caso, o seu pai descobriu e nós fizemos um acordo: eu nunca mais ia me encontrar com o César e ele ia esquecer isso. Mas ele não esqueceu e arranjou um outro motivo pra odiar o César.

Nádia     – E que motivo é esse?

Zélia     – As terras. Sempre que eu questionava ele sobre esse ódio ele dizia que não tinha nada a ver comigo e sim com as terras.

Nádia     – Você acha que ele o matou?

Zélia     – Eu sei que sim, eu tenho certeza que sim, Nádia.

Elas se abraçam e Zélia volta a chorar.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Mário está passando pelo corredor. Ele vê a Zélia e a Nádia abraçadas e a primeira chorando. Ele fica sério.

Mário     Está na hora de eu fazer alguma coisa.

Ele sai andando.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário invade o pasto e vê o Marcos sentado, triste. Ele se aproxima e Marcos levanta.

Marcos    – O que você está fazendo aqui? Sai daqui agora. Assassino!

Mário     – Nós precisamos ter uma conversa, Marcos.

Marcos    – Eu não quero conversar contigo. Você matou o César!

Mário     – Matei! Matei mesmo! Mas eu não vou ser preso: você vai.

Ele tira a arma da cintura e aponta do Marcos. Ele sorri.

Mário     – Está rindo?

Marcos    – Vai me matar? Pode me matar. Eu não tenho mais nada a perder mesmo

Ele abre os braços e fecha os olhos.

Mário     – Eu não vou te matar, idiota. Eu quero você vivo! Você vai se entregar pra polícia e dizer toda a verdade pra eles.

Marcos    – Que verdade?

Mário     – Que você matou o César, que o seu nome de verdade é Marcos e vai apodrecer na cadeia.

Marcos    – E porque acha que eu vou fazer isso?

Mário     – Porque se não fizer eu vou matar o Lauro e eu o César não vai gostar de saber que você não protegeu a única cria dele.

Eles se encaram. TENSÃO!!

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, eles conversam sobre o caso. Marcos entra e se aproxima.

Leonel    – Rafael?

Marcos    – Eu matei o César. (pausa) Eu o matei! Eu!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 32

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/NOITE:

Chuva ainda rolando. Leonel se aproximando, Agatha vem de outro lado e se aproxima dele.

Agatha    – E então?

Leonel    – O César levou um tiro certeiro no peito. Marcos e Amparo não possuem um álibi concreto e o Mário, é um suspeito.

Agatha    – Novidade. Está rezando para que ele não tenha um álibi?

Leonel    – É claro. Nós temos que prendê-lo, mas eu também ficaria feliz em botar o Marcos atrás das grades.

Agatha    – Rafael.

Leonel    – Ah, por favor, ele é o Marcos.

Agatha    – Não acha que pode ser a Amparo?

Leonel    – E qual motivo ela teria?

Agatha    – Tem razão.

Eles entram no rancho.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado no sofá, Pérola se aproxima segurando um copo d’água e entrega a ele. Ela senta ao lado dele.

Pérola    – Porque não me contou do Mário?

Lauro     – Nós estávamos na praça, eu escutei as pessoas comentando. Não queria estragar o nosso momento.

Pérola    – Deveria ter me contado. Ele matou a Marilda esse filho da puta.

Lauro     – E agora matou o meu pai. Vontade de socar a cara dele no asfalto.

Pérola    – Violência não vai trazer o seu pai de volta e nem a Marilda. A justiça vai ser feita, Lauro.

Lauro     – Eu espero.

Pérola    – Não acha que o assassino do seu pai seja outra pessoa?

Lauro     – O Rafael ou Marcos, sei lá qual é o verdadeiro nome dele, ele ama meu pai. E a Amparo: anos ao lado dele, não tinha motivos.

Pérola    – Eu sinto muito.

Lauro     – Eu também. Ele fazia e falava muita merda, mas ele é o meu pai e não merecia morrer desse jeito.

Pérola o abraça, acalmando-o.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está sentada, cabisbaixa. Marcos entra e se aproxima.

Marcos    – Como você está?

Amparo    – Como você acha que eu estou? O César morreu!

Marcos    – Eu sei, não sabia o que perguntar, desculpa.

Amparo    – Tudo bem, eu também não sei o que falar.

Marcos    – A quanto tempo você trabalha aqui?

Amparo    – Faz mais de dez anos, a mais de dez anos que eu amo o César e cuido dele.

Marcos    – Nossa! Eu sai daqui faz vinte anos, pelo menos o César teve alguém pra cuidar dele enquanto isso.

Amparo    – Mas eu nunca substituí você e nem a Lúcia, nunca fui capaz. Tanto que assim que você chegou, ele mudou pra melhor. Ficou mais disposto.

Marcos    – Você não tinha que me substituir e nem a Lúcia e sabe porquê? Porque você foi especial na vida dele e na vida do Lauro sendo você mesma.

Amparo    – Obrigada por dizer essas coisas.

Marcos    – Não acostuma não.

Eles sorriem, Marcos sai.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia abrem a porta, e Leonel e Agatha entram. Eles se encaram.

Nádia     – O que o pai fez dessa vez, Leonel?

Leonel    – O César morreu e o Mário é um dos suspeitos.

Omar      – O César? Meu deus!

Agatha    – Poderiam chamar o pai de vocês, por favor?

Nádia     – (grita) Pai!

Mário desce as escadas e se aproxima.

Mário     – Eu escutei a campainha batendo e é claro que só podia ser notícia ruim.

Leonel    – Nós queremos conversar com você, Mário.

Mário     – Se for um interrogatório, eu quero chamar o meu advogado antes.

Agatha    – Não é um, é apenas uma conversa Mário.

Nádia     – Nós dois vamos subir e deixar vocês a sois.

Nádia e Omar sobem. Agatha, Leonel e Mário sentam no sofá.

Mário     – O que aconteceu?

Leonel    – O César morreu e você, como sempre, é um dos suspeitos.

Agatha    – E nós queremos saber onde você estava e com quem estava.

Mário     Em casa com a minha família, aproveitando o dia com eles.

Leonel    – Não saiu de casa nenhuma vez?

Mário     – Com essa chuva? É claro que não, fiquei em casa.

Eles se encaram.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia andando pelo corredor. Eles conversam.

Nádia     – Não acredito que o César morreu.

Omar      – Nem eu. E o pai mal acabou de sair da cadeia e já está sendo interrogado.

Nádia     – Eu nem sei quando ele foi se tornar esse tipo de pessoa.

Zélia sai do quarto e se aproxima.

Zélia     – Eu e o seu pai escutamos a campainha e ele desceu pra ver. Quem era?

Omar      – A polícia.

Zélia     – Eles não cansam de nos caçar. O que eles querem dessa vez?

Nádia     – O César morreu, mãe.

Zélia     – O que?

Omar      – Isso mesmo. Ele morreu e o pai é um dos suspeitos.

Omar e Nádia continuam andando. Zélia entra no quarto.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra no quarto. Ela encosta na parede, escorrega até o chão e chora. Zélia dá um berro e segue chorando.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Robson deitado na cama e Iris em cima dele. Ela sai de cima dele e deita ao seu lado.

Iris      – Foi bom?

Robson    – Foi ótimo.

Iris      – Dessa vez foi melhor que a primeira vez.

Robson    – É porquê dessa vez não era só sexo, não foi sexo pago. Foi mais.

Eles se beijam.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO 2/INTERIOR/NOITE:

Alberto e Gina deitados na cama, um dando carinho no outro. Felizes.

 

CENA 09. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago e Leila se beijam. Eles comemoram, riem, felizes.

Thiago    – Você não precisava ter feito tudo isso.

Leila     – É claro que precisava, nós temos que comemorar.

Thiago    – Não estou falando disso, estou falando da sua discussão com a sua mãe.

Leila     – Precisava sim. Eu te amo e não vou deixar ela te ofender. E nem ninguém.

Thiago    – Obrigado.

Leila     – Nada.

Eles se beijam. Amparo entra e se aproxima.

Leila     – Amparo?

Amparo    – Desculpa atrapalhar o momento de vocês.

Thiago    – Não tem problema. O que aconteceu?

Amparo    – O César morreu. Ele foi baleado e o maior suspeito é o Mário.

Leila     – Meu deus! Nós escutamos que tinha saído, eu sinto muito.

Thiago    – Nossa!

Leila e Thiago a abraçam.

Amparo    – Obrigada. Não estou bem, mas estou tentando. (pausa) Enfim. Eu vim aqui pra você poder avisar a Suzana.

Leila     – A Suzana?

Amparo    – Não sei a versão da fofoca que vocês ouviram, mas a versão que eu ouvi foi que a Suzana ajudou a soltarem o Mário.

Eles se encaram.

 

CENA 10. MANSÃO DA PREFEITA/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Suzana está dormindo. Leila entra e se aproxima, ela acorda a primeira.

Suzana    – Leila?

Leila     – Desculpa te acordar, mas é que aconteceu uma coisa.

Suzana    – O que aconteceu?

Leila     – O César morreu e o maior suspeito é o Mário.

Suzana    – Droga!

Leila     – E agora?

Suzana    – E agora que as irmãs vão perturbar a minha mente e o pior é que elas têm razão. Obrigada.

Leila sai e Suzana volta a dormir.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia entram no quarto. Eles sentam na cama, já conversando.

Omar      – Será que foi o pai?

Nádia     – Não duvido de nada. Ele tinha motivos, Omar. Os dois nunca se gostaram.

Omar      – Não mesmo. (pausa) Será que o Alberto já sabe?

Nádia     – Acho que ele está ficando no bordel, vou ligar pra Iris.

Ela pega o celular e faz uma ligação. Omar a encara.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha próximos da porta. Mário sorrindo, sínico.

Leonel    – Nós vamos investigar.

Mário     – Eu garanto a vocês que não fui eu. Não faria uma burrada dessas.

Agatha    – Boa noite.

Leonel e Agatha saem. Mário fecha a porta e bufa.

Mário     – Droga!

Ele sobe as escadas.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Iris, Robson, Alberto, Gina, Nilda, Eleonora e Clara estão salão. Eles se encaram.

Eleonora  – Não está tarde demais pra reuniões, Iris?

Iris      – Desculpa acordar todos vocês, mas algo aconteceu.

Nilda     – O que houve?

Iris      – Nádia me ligou e o César morreu, e o Mário é o maior suspeito.

Robson    – Isso só prova que ele matou a Marilda também. É um grande filho da puta!

Clara     – O Omar deve tá péssimo com isso tudo acontecendo com ele.

Gina      – E eu nem consigo pensar em como o Lauro deve estar.

Nilda     – Eu sei que é triste, mas isso também é bom.

Eleonora  – Como assim?

Nilda     – Isso do Mário ter matado o César é bom. O Mário é assassino, logo a Suzana está defendendo um, logo o Alberto e eu merecemos a prefeitura e não ela.

Alberto   – A Nilda tem razão.

Gina      – E o que nós vamos fazer?

Alberto   – Nada.

Iris      – Como assim?

Alberto   – Nós não vamos fazer nada. Temos que deixar a Suzana e a Zélia se ferrarem sozinhas, e então nós vamos ganhar a confiança do povo.

Alberto sorri, os demais o encaram.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia está sentada no chão, chorando. Mário entra e ela levanta, se aproximando.

Zélia     – (chora) Eu te odeio! Filho da puta! Eu te odeio!

Mário     – Eu não matei o César. Eu não faria isso, não quero voltar pra cadeia.

Zélia     – (chora) Você estava fora de casa quando ele morreu. Você o matou!

Mário     – Zélia/

Zélia     – (corta/chora) Você me prometeu, Mário!

Mário     – E eu cumpri: não matei ninguém! E não vou matar mais ninguém.

Zélia     – Não estou falando dessa promessa. Estou falando da promessa que me fez a muito tempo atrás.

Mário     Não sei do que você está falando.

Zélia     – (limpa as lágrimas) Mário… (grita) Não! Esse não é o momento pra esquecer o passado. (pausa) Você me fez uma promessa: você ia esquecer tudo o que tinha acontecido e ia seguir em frente. Não ia fazer nada contra o César e nós íamos criar o Omar e a Nádia como uma família.

Mário     – E eu cumpri essa promessa. Eu esqueci tudo o que você fez a essa família, tudo o que você e o César fizeram. A minha única rixa com César era em relação a essa fazenda, não tinha problemas em relação a você e as crianças. Eu esqueci tudo!

Zélia     – Esse esquecimento não durou muito tempo, pelo visto. (pausa) Eu o amei! Eu amei o César! E você o mata?

Mário     – (grita) Eu não matei ele, caralho!

Ele segura a Zélia pelos braços, bruto. Ela consegue se soltar e o encara.

Zélia     – Nunca mais ouse tomar um dedo em mim.

Ela sai do quarto, batendo porta. Ele respira fundo, arrependido.

 

CENA 15. FRENTA AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/DIA:

Amanhece. Céu limpo, não chove mais.

O corpo do César sendo levado por policiais. Lauro e Pérola vendo, ele muito triste.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola e Lauro entram, eles dão de cara com o Marcos e com a Amparo.

Amparo    – E agora? O que será da gente?

Marcos    – Nós temos que continuar com a nossa vida, é o que César gostaria.

Lauro     – Acho melhor a gente encerrar a atividade do rancho por enquanto. Não quero olhar pros animais e lembrar do meu pai.

Amparo    – É claro.

Pérola    – Eu não queria ser a pessoa a falar disso, mas acho que é preciso. Eu posso cuidar dos preparativos envolvendo o enterro.

Lauro     – Obrigado.

Pérola    – Não é nada. Preciso ir no bordel, tomar um banho e depois eu passo na igreja.

Amparo    – Nós agradecemos.

Pérola dá um beijo no Lauro e sai. Lauro se aproxima do Marcos e da Amparo.

Lauro     – Eu queria agradecer vocês por cuidarem e darem amor ao meu pai.

Marcos    – Não foi nada.

Amparo    – Nós fizemos mais do que a nossa obrigação, Lauro.

Lauro     – Não, vocês foram tudo pra eles. Obrigado.

Ele sobe as escadas. Amparo e Marcos se encaram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia e Omar entram. Eles sentam a mesa, Thiago os serve.

Omar      – Onde estão pai e mãe?

Thiago    – Estão descendo, mas a Zélia não dormiu com o Mário.

Nádia     – Será que a mãe abriu os olhos finalmente?

Omar      – Espero que sim.

Nádia     – Estou pensando em ir ver o Lauro. O que acha?

Omar      – Não acho uma boa ideia. O pai é o maior suspeito.

Nádia     Mesmo assim. Ele precisa de um pouco de amor nessas horas.

Eles tomam o café.

 

CENA 18. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia está falando com o povo. Divina se aproxima.

Célia     – Demorou.

Divina    – Desculpa, então, qual é o plano?

Célia     – O plano era fazer o povo assinar um documento pedindo a saída da Zélia, mas agora que o Mário fez outra vítima: nós vamos fazer o povo se revoltar contra a família toda.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 31

 

FH Oficial

 

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Um trovão é escutado. César está deitado na cama, assistindo TV. Uma pessoa entra no quarto, ele vê.

César     – O que você quer?

A pessoa puxa a arma da cintura e aponta pra ele. César se assusta.

César     – Pra que isso? Abaixa isso! Não faz uma loucura dessas.

A pessoa bota a mão no gatilho e dispara. César é atingindo no peito, o sangue começa a se espalhar pela cama. A pessoa dá as costas e sai.

 

CENA 02. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro entram fugindo da chuva. Eles ficam na área coberta.

Lauro     – Tem certeza que quer ir pro bordel nessa chuva?

Pérola    – Sim, quero dormir cedo. Eu quero voltar a trabalhar logo.

Lauro     – Está bem, eu vou te emprestar o meu guarda-chuva.

Pérola    – Obrigada.

Lauro abre a porta e eles escutam um disparo vindo da casa.

Pérola    – O que foi isso?

Lauro     – Pai!

Lauro entra correndo, desesperado. E Pérola vai atrás, preocupada.

 

CENA 03. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leila encarando a Wanda, a primeira sente dor no rosto por causa do tapa.

Leila     – Um tapa?

Wanda     – Você me dá nojo! Tinha tudo pra ser alguém importante, pra se casar com alguém importante e o que você faz? Namora com um homem pobre, sujo.

Leila     – (grita) Eu cansei! Chega! Sai daqui!

Wanda     – Está me expulsando? A sua própria mãe?

Leila     – Estou e com gosto. Eu amo o Thiago, não me importo o que você pensa ou deixa de pensar sobre ele. Eu o amo e é isso que importa, mãe.

Wanda     – Isso é triste, sabia?

Leila     – Sabe o que é triste, mãe? Alguém como você é triste. Você não é feliz, nunca foi e é por isso que troca tanto de marido. E é por isso que vem aqui estragar a minha felicidade. (pausa) Então, vai embora! Fora!

Wanda     – É isso que você quer? Que eu vá embora? Eu vou! Mas eu não vou voltar nunca mais.

Leila     – E eu não quero que você volte, faça esse favor.

Wanda sobe as escadas, irritada. Leila senta no sofá, ofegante.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola entram. Lauro vê o corpo do pai e se cai no chão, em choque, e desata de chorar.

Pérola    – Meu deus!

Lauro     – (chora) Não! Meu pai, não! Nãoooooo! Não! Meu deus, não!

Ele berra, desesperado. Pérola ajoelha e o abraça, tentando acalmá-lo.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário entra em casa. Zélia desce as escadas e se aproxima.

Zélia     – Onde você estava?

Mário     – Andando, eu estava com saudades de ver a rua. De andar por aí.

Zélia     – É claro. É que da última vez que você saiu tarde da noite foi pra matar a Marilda.

Mário     – Eu não matei ninguém, Zélia. Pode ficar despreocupada.

Zélia     – Não estou suspeitando de você, é que o Leonel está. E ele está de olhos bem abertos em você. Não dê motivos pra ele.

Mário     – Não vou dar. Eu não vou voltar pra cadeia, está bem?

Zélia     – Está ótimo. Vamos subir?

Mário     – Vamos.

Eles sobem as escadas, de mãos dadas.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo entra na cozinha. Ela abre a torneira e lava as mãos. Ela respira fundo e sorri.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/ESCRITÓRIO/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra no escritório. Ele enche um copo com uísque, senta na cadeira e sorri.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro agachados, o último chorando muito. Pérola abraçada nele.

Pérola    – Lauro, respira, respira Lauro. Respira.

Lauro     – (chora/ofegante) Eu não consigo. É o meu pai, meu deus! Não!

Pérola    – Eu vou respirar pelo amor de deus. Eu vou ligar pra polícia.

Ela levanta, pega o celular e faz uma ligação. Ela olha pro corpo e desvia o olhar.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson entra todo molhado. Ele procura pelas meninas, não encontra.

Robson    – (grita) Iris! Cadê você? Iris! 

Iris surge e se aproxima.

Iris      – O que aconteceu?

Robson    – Eu estava na rua, vindo pra cá e escutei as pessoas dizendo que o Mário foi solto. Isso é verdade?

Iris      – Foi o que a gente escutou também. Não sabemos porquê.

Robson    – Não acredito nisso! Não é possível! A Pérola está aí?

Iris      – Não a vejo desde cedo. Então, acho que não.

Robson    – Eu tô indo na delegacia.

Iris      – Nessa chuva?

Robson    – Eu quero respostas, Iris, e vou tê-las.

Ele sai. Iris bufa e sobe as escadas.

 

CENA 10. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto está deitado debaixo de uma marquise para se esconder da chuva. Gina se aproxima usando um guarda-chuva.

Gina      – Vem!

Alberto   – Pra onde?

Gina      – Pro bordel, você não pode ficar assim, fica na rua.

Alberto   – Eu não te atrapalhar, você está melhor Gina. Não quero te fazer mal.

Gina      – Você não está. Eu sou estupida, não está me atrapalhando. Vem!

Alberto   – Tem certeza?

Gina      – Tchau, Alberto.

Alberto   – Ok, eu estou indo.

Alberto levanta, pega suas coisas e sai abraçado na Gina.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila entra. Ela se aproxima do telefone e faz uma ligação.

Leila     – Thi? Mãe está indo embora, eu cansei dela.

Thiago    – (off) O que houve?

Leila     – Depois eu te conto os detalhes, mas o importante é que eu te amo.

Thiago    – (off) Eu também te amo.

Leila desliga o telefone e sorri.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha sentados, mexendo em papeis e no computador. Robson entra, exaltado.

Robson    – Porque?

Leonel    – Porque o que?

Robson    – Vocês soltaram o filho da puta do Mário. Vocês soltaram o assassino da Marilda. Porque?

Agatha    – Senta e nós vamos conversar civilizadamente.

Robson    – Eu não que me sentar! Eu só quero saber a verdade, só quero saber porque.

Leonel    – E nós vamos dizer, mas se senta primeiro.

Robson    – Droga! (senta) Pronto, estou sentado. Agora, me falem.

O telefone toca e Leonel atende.

 Leonel    – Alô. (pausa) O que? Eu estou indo pra aí. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – O César morreu.

Leonel e Agatha levantam, se encarando. Robson os encara.

Agatha    – Como?

Leonel    – Não sei, não falaram. Estou indo, você explica para o Robson o que aconteceu.

Agatha    – Está bem. Me mantenha informada.

Leonel    – (ao Robson) Eu sinto muito, não queria ter soltado ele.

Leonel sai. Agatha senta do lado do Robson, os dois se encaram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nilda está deitada na cama. Clara entra e se aproxima.

Clara     – Posso conversar com você rapidinho?

Nilda     – É claro. O que aconteceu?

Clara     – Eu e o Omar transamos pela primeira vez, foi a primeira transa dele. E foi ótimo.

Nilda     – Isso é bom. E porque essa carinha triste?

Clara     – Nós não usamos camisinha e quando eu passei na farmácia pra comprar a pílula, eu desisti de comprar.

Nilda     – E se você ficar grávida?

Clara     – Não sei. Não queria tomar a pílula, não sei porque. Eu gostei da ideia de ser mãe.

Nilda     – Você precisa conversar com o Omar, ele pode não querer ser pai agora.

Clara     – Eu não estou pedindo pra ele ser pai, Nilda. Eu quero ser mãe, sempre quis.

Nilda     – Do mesmo jeito, ele precisa saber. Ele aceitar ou não, é outra história, mas ele precisa saber.

Clara     – Eu vou contar. (sorri) Obrigada.

Clara dá um beijo nela e sai. Eleonora sai do banheiro e senta na cama.

Eleonora  – Era a Clara?

Nilda     – Sim e pelo visto mais um problema está por vir.

Elas se encaram.

 

CENA 14. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado, Gina entra segurando duas xícaras de café. Ela entrega um pra ele e a outra, bebe. Ela senta.

Alberto   – Obrigado.

Gina      – Nada.

Alberto   – E obrigado por me deixar voltar. Isso é muito bom.

Gina      – Você nunca deveria ter saído. Desculpa.

Alberto   – Não, está tudo bem, eu entendo você Gina.

Gina      – O café está bom?

Alberto   – Perfeito. (pausa) Eu vou dormir aqui essa noite? Só pra saber.

Gina sorri e dá um beijo no Alberto. Ele sorri.

Alberto   – Eu acho que isso é um não, então.

Gina      – É um não. Você vai dormir comigo essa noite.

Eles sorriem.

 

CENA 15. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Wanda entra no quarto e dá partida. Leila olhando da porta, ela sorri.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola agachados, ele chorando muito. Amparo entra e dá de cara com a cena.

Amparo    – Meu deus! César! Oh não! Não! Meu deus, não!

Ela desata a chorar.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leonel entra em casa com os policiais. Marcos sai do escritório e se aproxima. 

Marcos    – Leonel? O que você está fazendo aqui? O que eu fiz agora?

Leonel    – Você não sabe?

Marcos    – Sabe o que?

Eles se encaram.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Marcos entram no corredor. Eles encontram a Amparo encostada na parede, chorando.

Leonel    – Eu sinto muito.

Marcos    – O que diabos aconteceu aqui, Amparo?

Amparo    – (chora) Entra no quarto, Marcos.

Ele entra e só se escuta o seu berro. Leonel agacha a cabeça.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro na mesma. Marcos entra e vê o corpo do César, ele se aproxima e senta na cama.

Marcos    – César? César! Para de brincadeira, César. Não pode ser, César!

Ele desata a chorar e encosta a sua cabeça no peito ensanguentado do César. Ele berra.

 

CENA 20. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e Robson se encarando, esse último um pouco mais calmo.

Robson    – Então, me responda. Porque diabos vocês soltaram do Mário?

Agatha    – Eu vou começar do começo. Zélia contratou um advogado, o Felippo e ele é bom. Ele é conhecido por não ser muito honesto, mas é bom. Ele nos convenceu que o culpado não era o Mário e sim o Rafael, ele convenceu que o Mário só invadiu a casa e roubou as pedras.

Robson    – Mas o que o Rafael tinha contra a Marilda? E porque o Rafael não está preso?

Agatha    – Nós o prendemos, mas acontece que o Felippo estava mentindo. O álibi do Rafael se sustenta e o culpado era o Mário desde o início.

Robson    – Então eu repito a pergunta do início: porque vocês o soltaram?

Agatha    – Nós o soltamos porque a Zélia, que se tornou vice-prefeita, conseguiu apagar o vídeo de segurança com o Mário do arquivo. E esse vídeo era a nossa única prova que o Mário tinha feito isso.

Robson    – Então porque vocês não prendem a Zélia por ter feito isso?

Agatha    – Porque nós não temos provas que ela fez isso. É como se o vídeo nunca tivesse existido e nós prendemos o Mário sem provas alguma. Apenas baseado em opiniões.

Robson    – E como fica o caso agora? Como fica a Marilda agora?

Agatha    – Nós não desistimos, Robson, tanto que não arquivamos o caso. Ele ainda está aberto e ainda está na nossa mesa, nós vamos fechá-lo. E sabe como? O Mário é burro e ele vai derrapar.

Robson    – Como tem tanta certeza?

Agatha    – Eu tenho e quando ele derrapar, você vai ver de camarote a justiça sendo feita.

Robson    – Eu espero mesmo.

Eles se abraçam.

Agatha    – Eu sinto muito.

Robson    – Obrigado por fazer o seu trabalho direito.

Ele sorri, levanta e sai. Agatha sorri e respira fundo.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola estão abraçados no corredor. Ele chora muito.

Pérola    – Tudo vai ficar bem, Lauro. Acredita nisso. O seu pai foi pra um lugar melhor agora, ele está ao lado da sua mãe.

Lauro     – (chora) Eu não acreditar, eu não posso aceitar que isso tenha acontecido.

Pérola    – Eu sei e eu sinto muito mesmo.

Eles seguem abraçados.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Leonel anda pelo quarto. Ele tira fotos de tudo, sério. Marcos à parte, encostado na parede, chorando. Leonel o encara.

 

CENA 23. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson entra, mais calmo. Iris desce as escadas e se aproxima.

Robson    – Ei! Eu consegui as respostas que eu queria.

Iris      – Isso é bom.

Robson    – E vindo pra cá eu decidi que está na hora de seguir em frente. Eu acho que a Marilda deseja que eu seja feliz.

Iris      – E o que isso significa?

Robson pega na mão dela e dá um beijo nela. Ela sorri e retribui.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Amparo, Marcos, Pérola e Lauro no corredor, os quatro muito tristes. Leonel sai do quarto e se aproxima.

Leonel    – Antes de mais nada eu quero dizer que não estou suspeitando de vocês, mas esse é o meu trabalho e eu preciso fazê-lo.

Pérola    – Nós entendemos.

Leonel    – Ótimo. Onde você estava Lauro?

Lauro     – (chora) Na rua com a Pérola, nós dois passamos o dia fora.

Pérola    – Várias testemunhas e câmeras de segurança nas ruas.

Leonel    – E onde você estava Amparo?

Amparo    – Na cozinha a noite toda. E não, ninguém me viu, não tinha ninguém comigo ali.

Leonel    – Sem álibi. E você Rafael? Onde estava?

Marcos    – Estava no escritório e não, não tenho testemunhas.

Leonel    – Dois suspeitos então: Amparo e Rafael.

Lauro     – (limpa as lágrimas) E mais um: Mário. Eu escutei que ele foi solto.

Pérola    – Ele foi solto?

Lauro     – Foi e ele tem mais motivos de qualquer um aqui. Ele matou o meu pai!

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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