FALSO HORIZONTE | Capítulo 31

 

FH Oficial

 

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Um trovão é escutado. César está deitado na cama, assistindo TV. Uma pessoa entra no quarto, ele vê.

César     – O que você quer?

A pessoa puxa a arma da cintura e aponta pra ele. César se assusta.

César     – Pra que isso? Abaixa isso! Não faz uma loucura dessas.

A pessoa bota a mão no gatilho e dispara. César é atingindo no peito, o sangue começa a se espalhar pela cama. A pessoa dá as costas e sai.

 

CENA 02. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro entram fugindo da chuva. Eles ficam na área coberta.

Lauro     – Tem certeza que quer ir pro bordel nessa chuva?

Pérola    – Sim, quero dormir cedo. Eu quero voltar a trabalhar logo.

Lauro     – Está bem, eu vou te emprestar o meu guarda-chuva.

Pérola    – Obrigada.

Lauro abre a porta e eles escutam um disparo vindo da casa.

Pérola    – O que foi isso?

Lauro     – Pai!

Lauro entra correndo, desesperado. E Pérola vai atrás, preocupada.

 

CENA 03. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leila encarando a Wanda, a primeira sente dor no rosto por causa do tapa.

Leila     – Um tapa?

Wanda     – Você me dá nojo! Tinha tudo pra ser alguém importante, pra se casar com alguém importante e o que você faz? Namora com um homem pobre, sujo.

Leila     – (grita) Eu cansei! Chega! Sai daqui!

Wanda     – Está me expulsando? A sua própria mãe?

Leila     – Estou e com gosto. Eu amo o Thiago, não me importo o que você pensa ou deixa de pensar sobre ele. Eu o amo e é isso que importa, mãe.

Wanda     – Isso é triste, sabia?

Leila     – Sabe o que é triste, mãe? Alguém como você é triste. Você não é feliz, nunca foi e é por isso que troca tanto de marido. E é por isso que vem aqui estragar a minha felicidade. (pausa) Então, vai embora! Fora!

Wanda     – É isso que você quer? Que eu vá embora? Eu vou! Mas eu não vou voltar nunca mais.

Leila     – E eu não quero que você volte, faça esse favor.

Wanda sobe as escadas, irritada. Leila senta no sofá, ofegante.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola entram. Lauro vê o corpo do pai e se cai no chão, em choque, e desata de chorar.

Pérola    – Meu deus!

Lauro     – (chora) Não! Meu pai, não! Nãoooooo! Não! Meu deus, não!

Ele berra, desesperado. Pérola ajoelha e o abraça, tentando acalmá-lo.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário entra em casa. Zélia desce as escadas e se aproxima.

Zélia     – Onde você estava?

Mário     – Andando, eu estava com saudades de ver a rua. De andar por aí.

Zélia     – É claro. É que da última vez que você saiu tarde da noite foi pra matar a Marilda.

Mário     – Eu não matei ninguém, Zélia. Pode ficar despreocupada.

Zélia     – Não estou suspeitando de você, é que o Leonel está. E ele está de olhos bem abertos em você. Não dê motivos pra ele.

Mário     – Não vou dar. Eu não vou voltar pra cadeia, está bem?

Zélia     – Está ótimo. Vamos subir?

Mário     – Vamos.

Eles sobem as escadas, de mãos dadas.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo entra na cozinha. Ela abre a torneira e lava as mãos. Ela respira fundo e sorri.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/ESCRITÓRIO/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra no escritório. Ele enche um copo com uísque, senta na cadeira e sorri.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro agachados, o último chorando muito. Pérola abraçada nele.

Pérola    – Lauro, respira, respira Lauro. Respira.

Lauro     – (chora/ofegante) Eu não consigo. É o meu pai, meu deus! Não!

Pérola    – Eu vou respirar pelo amor de deus. Eu vou ligar pra polícia.

Ela levanta, pega o celular e faz uma ligação. Ela olha pro corpo e desvia o olhar.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson entra todo molhado. Ele procura pelas meninas, não encontra.

Robson    – (grita) Iris! Cadê você? Iris! 

Iris surge e se aproxima.

Iris      – O que aconteceu?

Robson    – Eu estava na rua, vindo pra cá e escutei as pessoas dizendo que o Mário foi solto. Isso é verdade?

Iris      – Foi o que a gente escutou também. Não sabemos porquê.

Robson    – Não acredito nisso! Não é possível! A Pérola está aí?

Iris      – Não a vejo desde cedo. Então, acho que não.

Robson    – Eu tô indo na delegacia.

Iris      – Nessa chuva?

Robson    – Eu quero respostas, Iris, e vou tê-las.

Ele sai. Iris bufa e sobe as escadas.

 

CENA 10. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto está deitado debaixo de uma marquise para se esconder da chuva. Gina se aproxima usando um guarda-chuva.

Gina      – Vem!

Alberto   – Pra onde?

Gina      – Pro bordel, você não pode ficar assim, fica na rua.

Alberto   – Eu não te atrapalhar, você está melhor Gina. Não quero te fazer mal.

Gina      – Você não está. Eu sou estupida, não está me atrapalhando. Vem!

Alberto   – Tem certeza?

Gina      – Tchau, Alberto.

Alberto   – Ok, eu estou indo.

Alberto levanta, pega suas coisas e sai abraçado na Gina.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila entra. Ela se aproxima do telefone e faz uma ligação.

Leila     – Thi? Mãe está indo embora, eu cansei dela.

Thiago    – (off) O que houve?

Leila     – Depois eu te conto os detalhes, mas o importante é que eu te amo.

Thiago    – (off) Eu também te amo.

Leila desliga o telefone e sorri.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha sentados, mexendo em papeis e no computador. Robson entra, exaltado.

Robson    – Porque?

Leonel    – Porque o que?

Robson    – Vocês soltaram o filho da puta do Mário. Vocês soltaram o assassino da Marilda. Porque?

Agatha    – Senta e nós vamos conversar civilizadamente.

Robson    – Eu não que me sentar! Eu só quero saber a verdade, só quero saber porque.

Leonel    – E nós vamos dizer, mas se senta primeiro.

Robson    – Droga! (senta) Pronto, estou sentado. Agora, me falem.

O telefone toca e Leonel atende.

 Leonel    – Alô. (pausa) O que? Eu estou indo pra aí. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – O César morreu.

Leonel e Agatha levantam, se encarando. Robson os encara.

Agatha    – Como?

Leonel    – Não sei, não falaram. Estou indo, você explica para o Robson o que aconteceu.

Agatha    – Está bem. Me mantenha informada.

Leonel    – (ao Robson) Eu sinto muito, não queria ter soltado ele.

Leonel sai. Agatha senta do lado do Robson, os dois se encaram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nilda está deitada na cama. Clara entra e se aproxima.

Clara     – Posso conversar com você rapidinho?

Nilda     – É claro. O que aconteceu?

Clara     – Eu e o Omar transamos pela primeira vez, foi a primeira transa dele. E foi ótimo.

Nilda     – Isso é bom. E porque essa carinha triste?

Clara     – Nós não usamos camisinha e quando eu passei na farmácia pra comprar a pílula, eu desisti de comprar.

Nilda     – E se você ficar grávida?

Clara     – Não sei. Não queria tomar a pílula, não sei porque. Eu gostei da ideia de ser mãe.

Nilda     – Você precisa conversar com o Omar, ele pode não querer ser pai agora.

Clara     – Eu não estou pedindo pra ele ser pai, Nilda. Eu quero ser mãe, sempre quis.

Nilda     – Do mesmo jeito, ele precisa saber. Ele aceitar ou não, é outra história, mas ele precisa saber.

Clara     – Eu vou contar. (sorri) Obrigada.

Clara dá um beijo nela e sai. Eleonora sai do banheiro e senta na cama.

Eleonora  – Era a Clara?

Nilda     – Sim e pelo visto mais um problema está por vir.

Elas se encaram.

 

CENA 14. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado, Gina entra segurando duas xícaras de café. Ela entrega um pra ele e a outra, bebe. Ela senta.

Alberto   – Obrigado.

Gina      – Nada.

Alberto   – E obrigado por me deixar voltar. Isso é muito bom.

Gina      – Você nunca deveria ter saído. Desculpa.

Alberto   – Não, está tudo bem, eu entendo você Gina.

Gina      – O café está bom?

Alberto   – Perfeito. (pausa) Eu vou dormir aqui essa noite? Só pra saber.

Gina sorri e dá um beijo no Alberto. Ele sorri.

Alberto   – Eu acho que isso é um não, então.

Gina      – É um não. Você vai dormir comigo essa noite.

Eles sorriem.

 

CENA 15. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Wanda entra no quarto e dá partida. Leila olhando da porta, ela sorri.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola agachados, ele chorando muito. Amparo entra e dá de cara com a cena.

Amparo    – Meu deus! César! Oh não! Não! Meu deus, não!

Ela desata a chorar.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leonel entra em casa com os policiais. Marcos sai do escritório e se aproxima. 

Marcos    – Leonel? O que você está fazendo aqui? O que eu fiz agora?

Leonel    – Você não sabe?

Marcos    – Sabe o que?

Eles se encaram.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Marcos entram no corredor. Eles encontram a Amparo encostada na parede, chorando.

Leonel    – Eu sinto muito.

Marcos    – O que diabos aconteceu aqui, Amparo?

Amparo    – (chora) Entra no quarto, Marcos.

Ele entra e só se escuta o seu berro. Leonel agacha a cabeça.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro na mesma. Marcos entra e vê o corpo do César, ele se aproxima e senta na cama.

Marcos    – César? César! Para de brincadeira, César. Não pode ser, César!

Ele desata a chorar e encosta a sua cabeça no peito ensanguentado do César. Ele berra.

 

CENA 20. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e Robson se encarando, esse último um pouco mais calmo.

Robson    – Então, me responda. Porque diabos vocês soltaram do Mário?

Agatha    – Eu vou começar do começo. Zélia contratou um advogado, o Felippo e ele é bom. Ele é conhecido por não ser muito honesto, mas é bom. Ele nos convenceu que o culpado não era o Mário e sim o Rafael, ele convenceu que o Mário só invadiu a casa e roubou as pedras.

Robson    – Mas o que o Rafael tinha contra a Marilda? E porque o Rafael não está preso?

Agatha    – Nós o prendemos, mas acontece que o Felippo estava mentindo. O álibi do Rafael se sustenta e o culpado era o Mário desde o início.

Robson    – Então eu repito a pergunta do início: porque vocês o soltaram?

Agatha    – Nós o soltamos porque a Zélia, que se tornou vice-prefeita, conseguiu apagar o vídeo de segurança com o Mário do arquivo. E esse vídeo era a nossa única prova que o Mário tinha feito isso.

Robson    – Então porque vocês não prendem a Zélia por ter feito isso?

Agatha    – Porque nós não temos provas que ela fez isso. É como se o vídeo nunca tivesse existido e nós prendemos o Mário sem provas alguma. Apenas baseado em opiniões.

Robson    – E como fica o caso agora? Como fica a Marilda agora?

Agatha    – Nós não desistimos, Robson, tanto que não arquivamos o caso. Ele ainda está aberto e ainda está na nossa mesa, nós vamos fechá-lo. E sabe como? O Mário é burro e ele vai derrapar.

Robson    – Como tem tanta certeza?

Agatha    – Eu tenho e quando ele derrapar, você vai ver de camarote a justiça sendo feita.

Robson    – Eu espero mesmo.

Eles se abraçam.

Agatha    – Eu sinto muito.

Robson    – Obrigado por fazer o seu trabalho direito.

Ele sorri, levanta e sai. Agatha sorri e respira fundo.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola estão abraçados no corredor. Ele chora muito.

Pérola    – Tudo vai ficar bem, Lauro. Acredita nisso. O seu pai foi pra um lugar melhor agora, ele está ao lado da sua mãe.

Lauro     – (chora) Eu não acreditar, eu não posso aceitar que isso tenha acontecido.

Pérola    – Eu sei e eu sinto muito mesmo.

Eles seguem abraçados.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Leonel anda pelo quarto. Ele tira fotos de tudo, sério. Marcos à parte, encostado na parede, chorando. Leonel o encara.

 

CENA 23. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson entra, mais calmo. Iris desce as escadas e se aproxima.

Robson    – Ei! Eu consegui as respostas que eu queria.

Iris      – Isso é bom.

Robson    – E vindo pra cá eu decidi que está na hora de seguir em frente. Eu acho que a Marilda deseja que eu seja feliz.

Iris      – E o que isso significa?

Robson pega na mão dela e dá um beijo nela. Ela sorri e retribui.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Amparo, Marcos, Pérola e Lauro no corredor, os quatro muito tristes. Leonel sai do quarto e se aproxima.

Leonel    – Antes de mais nada eu quero dizer que não estou suspeitando de vocês, mas esse é o meu trabalho e eu preciso fazê-lo.

Pérola    – Nós entendemos.

Leonel    – Ótimo. Onde você estava Lauro?

Lauro     – (chora) Na rua com a Pérola, nós dois passamos o dia fora.

Pérola    – Várias testemunhas e câmeras de segurança nas ruas.

Leonel    – E onde você estava Amparo?

Amparo    – Na cozinha a noite toda. E não, ninguém me viu, não tinha ninguém comigo ali.

Leonel    – Sem álibi. E você Rafael? Onde estava?

Marcos    – Estava no escritório e não, não tenho testemunhas.

Leonel    – Dois suspeitos então: Amparo e Rafael.

Lauro     – (limpa as lágrimas) E mais um: Mário. Eu escutei que ele foi solto.

Pérola    – Ele foi solto?

Lauro     – Foi e ele tem mais motivos de qualquer um aqui. Ele matou o meu pai!

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 30

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min


CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha encarando a Zélia, o Felippo e a Suzana.

Leonel    – É o que?

Zélia     – O meu marido é inocente, vocês não têm direito nenhum de prendê-lo.

Felippo   – Vocês não têm prova nenhuma que foi ele que matou a Marilda.

Suzana    – E que eu saiba: ele se declarou inocente.

Agatha    – Como não temos provas? Nós temos o vídeo de segurança mostrando o Mário entrando no rancho.

Leonel    – E aquela tática de tentar culpar o Rafael foi ridícula, não foi. O álibi dele foi confirmado duas vezes.

Felippo   – Não sei do que está falando. Não conheço nenhum Rafael, conhecem?

Zélia     – Não.

Suzana    – Nunca nem ouvi falar.

Agatha    – Aonde vocês querem chegar com esse cinismo?

Zélia     – Nós queremos a liberação de um homem inocente.

Leonel    – Pois a gente não libera!

Suzana    – Ótimo. Eu vou comunicar o povo que o Mário é inocente e que vocês estão prendendo um homem inocente, deixando o verdadeiro assassino da Marilda a solta.

Agatha    – Fique a vontade.

Felippo   – Vocês querem mesmo que esse caso chegue a capital? Imagina só a manchete: polícia prende homem inocente e se recusa a soltá-lo.

Leonel    – A questão não é essa. Nós temos provas suficientes que foi ele.

Agatha    – E isso nenhuma manchete pode apagar ou mudar. O Mário matou a Marilda e nós deveríamos prender vocês por serem cumplices.

Suzana    – Mais uma acusação infundada. Nós não somos cúmplices, só queremos que um homem inocente seja solto.

Zélia     – E você falam tanto de provas, mas que provas são essas?

Felippo   – Nós nunca vimos essas tais provas, Leonel.

Agatha    – Como não?

Leonel    – Vocês querem ver a prova de novo? Nós mostramos a vocês.

Ele procura no computador e não acha. Leonel levanta e pega o Felippo pelo colarinho, irritado.

Leonel    – O que você fez com o vídeo, seu viadinho de merda?

Felippo   – Me solta!

Os dois se encaram.

 

CENA 02. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nádia e Iris encarando a Pérola e o Lauro, e vice-versa.

Nádia     – Isso é ridículo. Você é tão ridículo, Lauro.

Lauro     – Nádia/

Nádia     – (corta) Aposto que está com ela desde que a gente terminou, não é? E eu achando que foi só uma noite. Eu sou muito burra mesmo.

Lauro     – Não é isso/

Nádia     – (corta/grita) Cala a merda da boca! Você é um merda, o pior tipo de homem, é isso que você é.

Iris      – Vamo embora daqui, Nádia.

Nádia     – Vamo.

Iris e Nádia saem. Lauro e Pérola se encaram.

Pérola    – Eu achei que tudo tivesse acabado entre vocês.

Lauro     – E acabou, eu juro. Não estou mentindo, mas o que sentíamos era forte.

Pérola    – E mesmo assim você a traiu?

Lauro     – É, eu sei que estou errado. Mas aconteceu.

Pérola    – Eu sei.

Pérola o abraça.  

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

César dá um selinho no Marcos e depois na Amparo. Os três se encaram.

Amparo    – Que merda foi essa?

Marcos    – Eu também quero saber.

César     – Eu não sei, eu também não sei. Não sei o que está acontecendo comigo, mas eu estou gostando de vocês dois. Eu estou gostando de um homem pela primeira vez, estou confuso.

Marcos    – E você resolve beijar os dois?

César     – Eu queria saber se descobria de quem gostava mais com o beijo.

Amparo    – E descobriu?

César     – Não. (pausa/pensa) E se nós fossemos um trio?

Marcos    – É o que?

César     – Um trio, um namoro composto de três pessoas.

Amparo    – Não!

Marcos    – Ou eu, ou isso aí.

Marcos sai da cozinha. E César, confuso, sai pelos fundos. Amparo continua cozinhando.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel segurando o colarinho do Felippo, exaltado. Agatha levanta e controla o pai.

Felippo   – Isso é agressão e abuso de poder, Leonel.

Leonel    – O meu cu!   

Agatha    – Pai! (pausa) O que vocês fizeram com o vídeo?

Zélia     – Essa é a questão, Agatha, não tem vídeo nenhum.

Felippo   – O Mário foi preso inocentemente, sem provas. E isso é um absurdo.

Leonel    – Vocês querem que ele seja solto, certo?

Suzana    – Isso, é o certo a ser feito Leonel já que não possui provas.

Leonel    – Então nós vamos soltar o filho da puta.

Agatha    – Pai/

Leonel    – (corta) Não! Não é isso que eles querem? Nós vamos dar. Mas na primeira oportunidade que eu tiver, o Mário vai voltar e dessa vez ele não vai sair daqui nunca mais.

Leonel sai e atrás dele vai a Zélia, a Suzana e o Felippo.

 

CENA 05. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Leonel entra sendo seguido pela Zélia. Eles se aproximam da cela do Mário e ele a abre. Mário sai e abraça a Zélia.

Zélia     – Você está livre!

Mário     – Eu estou?

Zélia     – Está! É claro que está, meu querido amor.

Leonel    – Mas não fica feliz não, é por pouco tempo.

Leonel sai, Mário e Zélia vão atrás.

 

CENA 06. FRENTE À DELEGACIA/EXTERIOR/DIA:

Zélia, Mário, Suzana e Felippo saem da delegacia. Eles comemoram.

Mário     – Eu nem acredito que estou vendo a rua depois de tanto tempo.

Felippo   – Acho que o meu trabalho por aqui se encerrou, né?

Zélia     – Acredito que sim.

Mário     – Nós somos muito gratos e eu prometo, me manter na linha a partir de agora.

Felippo   – Espero. E não se esqueçam depositar o dinheiro na minha conta.

Zélia     – Não vou.

Felippo se desde e sai.

Suzana    – Tenho que ir pra prefeitura agora, Zélia.

Zélia     – É claro, e se precisar de mim, me chama.

Suzana    – Hoje não. Curte o seu dia com o Mário, mas amanhã esteja lá na hora.

Zélia     – É claro.

Suzana sai. Zélia pega na mão do Mário e eles saem andando também, felizes.

 

CENA 07. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha está andando de um lado pro outro. Leonel entra e se aproxima.

Leonel    – Fica calma, ele vai dar o deslize dele e quando dê: nós vamos pegá-lo.

Agatha    – Assim espero.

Eles se encaram.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara deitados na cama, ofegantes e suados. Eles estão nus.

Omar      – E aí?

Clara     – Foi ótimo, Omar.

Omar      – Eu fiz direito, quer dizer, é minha primeira vez. Não sei direito como fazer.

Clara     – Foi ótimo, é sério.

Eles se beijam. Clara olha o relógio e o encara, ele sorri.

Omar      – Você precisa ir?

Clara     – Preciso, tenho cliente. E ainda preciso passar na farmácia.

Omar      – Farmácia?

Clara     – Nós transamos sem camisinha, preciso comprar a pílula.

Omar      – É claro.

Eles se beijam. Clara levanta, se veste e sai. Omar encara o teto, um pouco triste.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia e Iris andando pela rua. Elas já conversam.

Iris      – Eu não sabia que eles iam estar na praça.

Nádia     – Mas sabia que eles estavam juntos, não é?

Iris      – Eu ouvi sim. Eu ouvi que eles estavam dormindo juntos no bordel.

Nádia     – E porque não me contou?

Iris      – Não queria que ficasse mais triste do que já estava.

Nádia     – A cidade é pequena, Iris. Eu ia ver os dois juntos uma hora ou outra.

Iris      – Desculpa.

Nádia     – Eu quero ir pra casa sozinha, Iris.

Nádia sai andando na frente. Iris para de ir atrás, ela bufa.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia entra e Omar desce as escadas. Eles se aproximam.

Omar      – Ei! Podemos conversar?

Nádia     – É claro. Aconteceu alguma coisa, Omar?

Zélia e Mário entram na casa. Omar e Nádia os encaram.

Nádia     – Pai?

Mário     – Oi filha, oi filho. Eu estava morrendo de saudades.

Zélia     – É isso mesmo que vocês estão vendo. O pai de vocês foi liberado.

Omar      – Como assim? Ele matou a Marilda, mãe.

Nádia     – Não acredito nisso.

Zélia     – Ele não matou ninguém. O Leonel prendeu o pai de vocês sem provas.

Omar      – O que você fez, mãe?

Mário     – A mãe de vocês fez o que fez pelo bem da nossa família.

Nádia     – O bem da nossa família é você preso, pai.

Zélia     – O que você está falando?

Omar      – Ela tá certa, mãe. O pai matou a Marilda e merece ser preso.

Zélia     – Quantas vezes tenho que dizer que ele não matou essa menina? Meu deus!

Mário     – Filhos/

Nádia     – Eu não quero falar com você e nem ao mesmo te ver eu quero, pai. Você matou uma mulher inocente.

Omar      – Nem eu.

Omar e Nádia sobem as escadas. Mário e Zélia se encaram.

Mário     – Você disse pra mim que eles estavam com saudades.

Zélia     – Eu achei que estavam, mas não liga pra eles não. O importante é que você voltou.

Eles comemoram e se beijam.

 

CENA 11. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada, mexendo em uns papeis. Célia e Divina entram e se aproximam.

Célia     – É verdade?

Suzana    – O que?

Divina    – O povo já está sabendo, Suzana. E nós queremos saber se é verdade.

Suzana    – O que caramba?

Célia     – Que você ajudou a soltar o Mário com a Zélia e aquele advogado, é verdade?

Suzana    – Meu deus! A fofoca rola rápido nessa cidade, é verdade sim.

Divina    – Você enlouqueceu?

Célia     – Isso vai destruir a sua carreira, Suzana. Ela, a Zélia, vai destruir você.

Suzana    – De novo isso? Eu fiz o que fiz justamente pra melhorar as coisas. Não ter o marido da minha vice na cadeia.

Divina    – É lógico que não e é por isso que sua vice deveria ser a Célia.

Célia     – Mas já que você prefere ficar com uma criminosa como vice, não podemos fazer nada.

Suzana    – Prefiro mesmo e não, vocês não podem fazer nada. Agora, saem daqui.

Célia e Divina saem. Suzana volta a fazer o que estava fazendo.

 

CENA 12. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Célia e Divina saem da sala e se encaram.

Divina    – E ela continua irredutível. O que fazer?

Célia     – Ela vai ceder, eu sei que vai irmãzinha.

Divina    – Como?

Célia     – Eu tive uma ideia.

Elas saem andando.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda e Eleonora estão sentadas, conversando. Iris se aproxima.

Iris      – Eu preciso de um conselho.

Nilda     – É só falar.

Iris      – Vocês estão juntas a tanto tempo. (pausa) Eu preciso de um conselho sobre amor.

Eleonora  – Não acredito que a Iris está amando alguém.

Iris      – Sem graça. É sério, eu estou gostando de um cara e ele é legal comigo, mas como fazer?

Nilda     – Você sabe o que fazer, Iris. Você já namorou.

Iris      – Sim, mas era só sexo. Agora eu estou realmente gostando dele e não quero que sexo seja a única coisa entre a gente.

Eleonora  – Ele é cliente?

Iris      – Já foi uma vez, mas desde então, nunca mais. Nós nos tornamos amigos.

Nilda     – Você precisa saber se ele gosta de você primeiro.

Iris      – E como descobrir?

Eleonora  – Pergunta a ele, horas.

Iris bufa e sai. Eleonora e Nilda se encaram, rindo.

 

CENA 14. RUA/EXTERIOR/DIA:

Alberto está deitado no chão, todo desajeitado. Gina passa do outro lado da rua e o vê.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda na mesma que a cena 13. Gina entra e se aproxima.

Gina      – O Alberto está dormindo na rua?

Eleonora  – E que outro lugar ele ia ficar? Não tem dinheiro algum, nem ninguém para lhe dar abrigo.

Gina      – Mas eu não sabia, não queria que ele ficasse na rua.

Nilda     – Você precisa se decidir sobre o que quer, Gina.

Eleonora  – E decide rápido porque vai chover essa noite.

Um trovão é escutado. Gina sobe as escadas, Eleonora e Nilda se encaram.

 

CENA 16. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Começando a chover. Alberto tentando se esconder na chuva, com dificuldade.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia deitados na cama. Eles estão assistindo TV.

Nádia     – Antes de aquela loucura acontecer, você disse que queria conversar.

Omar      – É, eu quero.

Nádia     – O que aconteceu?

Omar      – Eu e a Clara transamos, foi ótimo. Foi mágico.

Nádia     – Isso é ótimo. Primeira vez nem sempre é boa, a minha foi horrível.

Omar      – Você ainda lembra?

Nádia     – Ridículo!

Omar      – É brincadeira. E sério agora: eu quero ela pra mim, mas ela tem os clientes dela. E eu quero tanto construir uma família com ela.

Nádia     – Conversa com ela sobre isso. O bordel está fechado então ela tem poucos clientes agora, talvez vá diminuindo com o tempo. E quem sabe?

Omar      – É, quem sabe?

Eles continuam conversando e vendo TV. Omar, ainda, um pouco triste.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/NOITE:

Mário entra no porão. Ele se aproxima do baú e o abre, ele não encontra nada.

Mário     – Cadê? Onde que está minhas pedras? (pausa/pensa) César! Aquele filho da puta.

Ele sai do porão, irritado.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo pensativa. Ela levanta e fica andando pela cozinha, pensando.

Amparo    – Chega! Chega disso!

Ela sai da cozinha, decidida.

 

CENA 20. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leila entra na sala e dá de cara com a Wanda. Elas se encaram.

Wanda     – Eu estava mesmo te procurando.

Leila     – Estava? O que quer, mãe?

Wanda     – Aquele preto é seu namorado, Leila?

Leila     – O que?

Tensão. Elas se encarando, sérias.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César está deitado na cama, assistindo TV. Amparo entra e se aproxima.

César     – Amparo?

Amparo    – Fica comigo mais uma vez, César. Dessa vez, sóbrio.

Ela o beija e Marcos, que estava passando por ali, vê a cena.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Marcos anda pelo corredor, irritado.

Marcos    – Eu cansei dessa merda! Cansei

Ele segue andando.

 

CENA 23. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César empurra a Amparo e a encara.

César     – Você ficou maluca?!

Amparo    – César/

César     – (corta) Não! Não e não! Não posso fazer isso com o Marcos, Amparo. Meu deus!

Amparo sai do quarto.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Amparo anda pelo corredor, irritada.

Amparo    – Não vai ser meu? Não vai ser de mais ninguém.

Ela segue andando.

 

CENA 25. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda e Leila se encarando.

Leila     – É o que?

Wanda     – Isso mesmo que você ouviu. Eu sei de tudo! Mas eu quero ouvir de você: ele é seu namorado?

Leila     – Como descobriu isso?

Wanda     – Eu escutei sua conversa com a aquela outra. (pausa) Então é verdade?

Leila     – É sim, eu o amo e ele me ama, mãe.

Wanda desfere um tapão na cara da Leila. Elas se encaram.

 

CENA 26. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro entram fugindo da chuva. Eles ficam na área coberta.

Lauro     – Tem certeza que quer ir pro bordel nessa chuva?

Pérola    – Sim, quero dormir cedo. Eu quero voltar a trabalhar logo.

Lauro     – Está bem, eu vou te emprestar o meu guarda-chuva.

Pérola    – Obrigada.

Lauro abre a porta e eles escutam um disparo vindo da casa. Os dois se encaram.

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 29

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos e César se encarando, eles se aproximam.

Marcos    – E é sério.

César     – O que aconteceu? Você não dormiu aqui e está tudo revirado.

Marcos    – Leonel aconteceu. Ele me prendeu pelo assassinato da Marilda.

César     – Isso é perseguição. Nós dois estávamos juntos.

Marcos    – Eles perceberam isso e me soltaram, mas não quero falar sobre o Leonel.

César     – E sobre o que você quer falar?

Marcos    – Eu estou cansado César. Exausto! Quando vim pra cá, vim pensando em reencontrar alguém que eu gosto, alguém que é importante pra mim. E eu fui bem recebido, estava achando que o César preconceituoso tinha morrido.

César     – E ele morreu.

Marcos    – Eu pensei que o César que se afastou de mim depois que descobriu que eu gostava dele ainda está aí dentro de você.

César     – É claro que está e eu nunca escondi isso. Nunca tive um homem gostando de mim e do nada, tem um. Me assustei.

Marcos    – Mas esse não é o maior problema, César. O maior problema são as esperanças que você me dá.

César     – Eu sei.

Marcos    – O abraço anos atrás e agora, os jantares, os toques.

César     – Marcos/

Marcos    – (corta) E como se não bastasse as esperanças, você ainda faz aquilo que você fez ontem.

César     – Não foi a intenção. Eu estava bêbado e a Amparo foi me ver. Eu não lembro de nada.

Marcos    – Eu sou tão idiota!

César     – Não, não é. Eu estou gostando de você, Marcos.

Marcos    – Ah, por favor.

César     – É sério! Eu nunca senti isso por homem nenhum, Marcos, eu estou gostando de você. E é por isso que eu fiz aquele jantar.

Marcos    – Não!

César     – É sério.

César se aproxima do Marcos. Ele toca na mão do segundo e eles se encaram. Marcos se afasta.

Marcos    – Não!

Ele sobe as escadas correndo. César encara ele subindo, triste.

 

CENA 02. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Wanda, Leila e Thiago se encarando.

Wanda     – Então, me respondem. Quem é esse amiguinho?

Leila     – Ele trabalha no rancho do Mário, é meu amigo e da Amparo.

Wanda     – Amparo, é claro. (se aproxima) E qual é o seu nome?

Thiago    – O meu nome é Thiago. É um prazer…

Ele estende a mão e Wanda o encara de cima a baixo. Ele recua a mão.

Leila     – O Thiago só veio aqui rapidinho, não é mesmo? Ele já está indo embora.

Thiago    – Isso mesmo. Tchau.

Thiago sai. Wanda bufa e se aproxima da Leila, fazendo negação com cabeça.

Wanda     – Esse seu grupinho de amigos seu, hein. É um mais repugnante que o outro.

Leila     – Mãe, não fala assim.

Wanda     – É claro que eu falo assim porque é verdade. Você tinha tudo pra ser uma diplomata, é inteligente, poderia ser a prefeita dessa cidade. Mas não, é empregada e tem como amigos esse tipo.

Leila     – Esse tipo?

Wanda     – Você sabe bem que eu quis dizer, Leila. Esse tipinho, dessa cor. (pausa) Mas não vamos falar disso, deu uma vontade de comer um bolo, ainda tem?

Leila     – Na geladeira.

Wanda abre a geladeira, já pegando o bolo. Leila a encara.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Alberto está sentado numa cadeira, Nilda se aproxima. Gina olhando da escada.

Alberto   – Bom dia.

Nilda     – Bom dia. (pausa) Alberto, tenho que te dar uma notícia ruim.

Alberto   – O que aconteceu?

Nilda     – Eu vou ter que pedir pra você sair daqui.

Alberto   – O que eu fiz?

Nilda     – Você não fez nada. Não é isso, é a Gina.

Alberto   – É claro, eu entendo.

Nilda     – Ela está indo bem, não quero destruir tudo de novo.

Alberto   – Estou indo, espero que um dia ela possa me perdoar totalmente.

Nilda     – Ela vai.

Alberto levanta e a abraça.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Zélia está bebendo água. Thiago entra, irritado. Ela o encara.

Zélia     – Ei! O que aconteceu? Tá nervoso.

Thiago    – É a Leila, a mãe dela está na cidade e ela tem vergonha de mim.

Zélia     – O que?

Thiago    – A mãe dela é racista e eu sou negro, ela não quer que a mãe dela saiba que a gente tá junto.

Zélia     – Racismo é uma coisa que eu nunca entendi. Não faz sentido, nós somos latinos e nossos descendentes: negros, índios e portugueses.

Thiago    – Eu também acho isso, mas infelizmente perpetua até os dias de hoje.

Zélia     – Posso te dar um conselho? Se ela tem vergonha de você, é porque não gosta de você.

Thiago    – Será?

Zélia     – Será não, é!

Zélia deixa a copo na pia e sai. Thiago fica pensativo.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Nilda entra no quarto e encontra a Eleonora sentada mexendo no celular.

Nilda     – Chamou?

Eleonora  – Chamei. Nós nem tivemos a chance de conversar sobre as coisas que estão acontecendo.

Nilda     – É verdade.

Eleonora  – Como você está?

Nilda     – Eu estou bem, em choque por ter pedido, mas bem.

Eleonora  – Não entendi esse resultado até agora, mas fazer o que.

Nilda     – Enfim. E agora isso do Alberto e da Gina, eu vou mesmo ter que ser a babá desse relacionamento?

Eleonora  – Vai! Você o romantizou ao máximo, agora aguenta. Gina está de coração partido e Alberto na merda.

Nilda     – Onde esse homem vai morar?

Eleonora  – Na rua, é o lugar que resta. Gina vai se tocar e vai perdoá-lo.

Nilda     – A questão é: ele vai estar lá quando ela se tocar?

Eleonora  – Eis a questão.

Nilda senta na cama e beija a Eleonora.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/DIA:

Robson está sentado, fumando. Iris se aproxima e senta ao lado dele.

Robson    – Ei.

Iris      – Ei digo eu. Está bem hoje, mais animado.

Robson    – Eu e a Pérola voltamos a se falar e sei que você tem a ver com isso.

Iris      – Só dei uma forcinha.

Robson    Obrigado.

Eles sorriem e dividem o cigarro.

 

CENA 07. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola entram na praça e sentam no banco. Eles já conversam.

Lauro     – Então está tudo bem agora?

Pérola    – Está. Nós estamos se falando agora, está tudo bem.

Lauro     – Isso é ótimo. Vocês precisam ficar juntos pela Marilda.

Pérola    – Nós sabemos disso.

Lauro     – E nós dois?

Pérola    – Nós estamos indo.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 08. RUA/EXTERIOR/DIA:

Suzana está andando na rua, as pessoas a cumprimentam. Ela vê o Alberto andando na rua segurando as roupas.

Suzana    – O que é isso?

Alberto   – Ninguém merece.

Suzana    – Está morando na rua, Alberto? É o cumulo mesmo.

Alberto   – Você me expulsou de casa e não posso ficar no bordel por causa da Gina.

Suzana    – (ri) Foi expulso pelas suas duas mulheres, Alberto? Está na merda mesmo.

Alberto   – Eu tenho que ir.

Suzana    – Não! Não! Esse é o meu momento de saborear a vitória, Alberto. Ver você na merda é a minha verdadeira vingança.

Alberto   – Não mete essa de superioridade porque você assumiu pra mim que ainda gosta de mim. E que só se candidatou pra me irritar. A prefeitura não é pra você, Suzana. Você vai desistir e quando fizer, eu vou estar aqui, pronto para assumir.

Suzana    – Espere sentado querido porque eu tô amando esse cargo.

Alberto   – Não vai demorar muito não, tenho certeza.

Suzana    – Eu tenho que ir agora, Alberto. Mas vamo se encontrar, qual é a rua que você está morando?

Ela ri e sai andando. Alberto bufa e segue o seu caminho.

 

CENA 09. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/DIA:

Leila está sentada e Amparo se aproxima. Ela senta ao lado dela.

Leila     – Ainda bem que você chegou. Estou desesperada.

Amparo    – O que aconteceu?

Leila     – Minha mãe aconteceu. O Thiago veio aqui e eu tive que ser grossa com ela, ele ficou triste.

Amparo    – Eu acho que ele entendeu, mas você não está cem por cento certa.

Leila     – Eu sei que não estou, mas o que eu posso fazer?

Amparo    – Duas opções: a primeira é mandar sua mãe pra aquele lugar e segunda é jogando umas verdades na cara dela. É século 21, Leila.

Leila     – Eu sei, ela é muito errada e tem pensamentos horríveis. Mas não posso fazer isso com ela, ela já vai embora mesmo e tudo vai voltar ao normal.

Amparo    – Assim espero.

Elas continuam conversando em off. Wanda espia elas.

 

CENA 10. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada no sofá. Zélia entra e senta ao lado dela, nervosa.

Suzana    – O que aconteceu? Me ligou desesperada.

Zélia     – Nós precisamos e vamos tirar o Mário da cadeia.

Suzana    – Como, criatura?

Zélia     – Você é a prefeita e eu sou a vice-prefeita. É assim que nós vamos conseguir.

Felippo entra e se aproxima deles.

Felippo   – O que aconteceu?

Suzana    – Ele vai ajudar?

Zélia     – Vai sim. (ao Felippo) Eu sei que bem que você tem seus contatos, eu preciso de um favor.

Felippo   – É só dizer.

Zélia     – Nós queremos liberar o Mário da cadeia e pra isso precisamos nos livrar de todas as provas que tem contra ele.

Felippo   – Isso é fácil. A única coisa que eles têm é o vídeo de segurança.

Suzana    – E se não der certo?

Felippo   – Nós podemos ser presos.

Suzana    – Então é melhor que dê certo.

Eles se encaram.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra na sala e senta ao lado do Leonel. Eles se encaram.

Agatha    – Vamos falar com o Felippo e com a Zélia hoje?

Leonel    – Estou tentando falar com eles, mas eles não atendem o celular.

Agatha    – Se não atenderem até o fim da tarde, nós temos que ir falar com eles.

Leonel    – Ridícula aquela tática.

Agatha concorda e eles continuam conversando em off.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia está deitada, vendo TV. O celular dela toca e ela atende.

Nádia     – Alô.

Iris      – (off) Sai dessa casa! Me encontra na praça.

Nádia     – Estou indo.

Ela desliga e sai.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara entram já conversando. Eles sentam no sofá e Nádia desce as escadas, se aproximando.

Nádia     – Estou indo na praça com a Iris, pombinhos.

Omar      – Não volte tarde hein.

Nádia sai. Omar e Clara se encaram.

Omar      – Nós temos a casa só pra gente. Sabe o que isso significa?

Clara     – Não?

Omar      – Eu estou pronto, Clara.

Clara     – Oh tem certeza disso?

Omar      – Eu nunca tive tanta certeza de algo quanto agora.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Felippo no celular. Suzana e Zélia conversando em off. Felippo se aproxima.

Felippo   – Consegui convencer eles quando falei de dinheiro.

Suzana    – Então tudo certo?

Felippo   – Sim, mas não vou pagar tudo sozinho não.

Zélia     – Eu te dou o dinheiro, criatura. Fica despreocupado.

Suzana    – E agora?

Zélia     – Nós vamos até a delegacia soltar um homem inocente.

Os três se encaram.

 

CENA 15. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola sentados no banco, se beijando. Nádia e Iris se aproximam.

Nádia     – Eu não acredito nisso.

Lauro     – Nádia?!

Os quatro se encaram.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara entram no quarto. Eles deitam na cama, aos beijos e já tirando as roupas. Eles se pegam, se beijam, amorosos.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está cozinhando, Marcos entra na cozinha e se aproxima.

Marcos    – Tática barata aquela hein, joguinho de criança.

Amparo    – Eu não sei do que você está falando, idiota.

Marcos    – Idiota?

Eles começam a gritar. César entra na cozinha e dá um berro.

César     – (berro) Chegaaaaa! Eu cansei dessas briguinhas de vocês dois, meu deus.

Ele se aproxima e dá um selinho nos dois, os surpreendendo.

 

CENA 18. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados. Zélia, Felippo e Suzana se aproximam, sorrindo.

Zélia     – Nós exigimos a liberação do Mário. Agora!

Leonel    – É o que?

Eles se encaram.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 28

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Wanda se aproxima do Alberto e olha de cima a baixo. Ele a encara.

Wanda     – O que você disse?

Alberto   – Você escutou. Isso aqui não é cidade grande, senhora. Isso aqui é interior, mal tem sinal nas ruas. E quase ninguém anda de carro aqui.

Wanda     – Eu sei disso, morei aqui boa parte da minha vida. Mas graças a deus, consegui me ver livre desse fim de mundo.

Alberto   – Não ouse falar assim da minha cidade.

Wanda     – Sua cidade? Você é um mendigo, nem escrever direito sabe.

Alberto   – Mendigo? Eu sou o prefeito dessa cidade, senhora.

Wanda     – E eu sou o papa. Com sua licença que eu tenho mais o que fazer.

Ela entra no carro e dá partida. Ele encara o carro saindo, irritado.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel está sentado frente ao Marcos. Agatha entra e senta ao lado do primeiro.

Marcos    – Eu posso saber porque diabos estou aqui?

Leonel    – Pelo assassinato da Marilda. Nós sabemos que foi você.

Marcos    – O que? Eu estava com o César no restaurante, tem testemunhas que podem provar isso. (pausa) Isso é obsessão por mim Leonel?

Leonel    – (ri) É obsessão por ter ver na cadeira, Marcos.

Marcos    – Isso de novo? Meu deus! Quantas vezes eu tenho que dizer que eu não sou esse maldito Marcos.

Agatha    – Porque você ainda está na cidade se não é o Marcos?

Marcos    – Eu prometi a Marilda que iria trabalhar com ela no negócio das pedras. E eu ainda estou aqui para fazê-lo, estou apenas esperando o Robson e Pérola saírem do luto.

Leonel    – Você confirma que estava no restaurante com o César?

Marcos    – Sim, confirmo.

Leonel    – Acontece que por quinze minutos você fica fora da mesa. O César fica sozinho por quinze minutos.

Agatha    – Sabe o que dá pra fazer em quinze minutos, Rafael?

Marcos    – Não sei (pausa) dá pra fazer e comer um miojo.

Leonel    – Isso é sério! Não quero brincadeirinhas, Rafael. (pausa) Em quinze minutos dá pra você ir e voltar do rancho, se for rápido ainda sobre um pouquinho.

Marcos    – Interessante. Nunca tinha contado o tempo que eu levo do rancho ao restaurante. Obrigado pela informação.

Agatha    – Você não está levando isso a sério, Rafael.

Marcos    – Como eu posso levar a sério uma coisa dessas, Agatha? Eu não fiz isso! Eu nunca mataria a Marilda.

Leonel    – O que você fez nesses quinze minutos? E não venha com brincadeirinhas.

Os três se encaram.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia entram no quarto. Eles se sentam na cama, já conversando.

Omar      – Nós estamos na merda, Nádia. Mamãe vai querer nos controlar mais do que antes agora.

Nádia     – Vai mesmo, mas o meu maior medo não é nem esse.

Omar      – Como assim?

Nádia     – Mamãe agora tem poder. Elas conseguiram fechar o bordel, o que mais conseguem?

Omar      – Não sei (pausa) Você não está pensando que…

Nádia     – (completa) sim. Nossa mãe vai querer usar o poder dela pra tirar o papai da cadeia.

Eles ficam pensativos sobre.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Marcos, Leonel e Agatha se encarando.

Leonel    – E então? O que você fez nesses quinze minutos?

Marcos    – Eu fui ao banheiro, Leonel.

Agatha    – Por quinze minutos?

Marcos    – (ri) Não é o que vocês estão pensando. Eu não fui fazer o número dois, fui fazer o número um mesmo.

Leonel    – Por quinze minutos?

Marcos    – Não, por dois minutos. Os outros treze minutos eu estava discutindo com o gerente.

Agatha    – Como assim?

Marcos    – O banheiro estava um lixo. Não é possível que aquilo dali seja um ambiente agradável. É nojento! Não queria encostar em nada de tão nojento. Eu fui reclamar e ele ficou discutindo.

Leonel    – Isso não aparece nas filmagens da câmera de segurança, Rafael.

Marcos    – Isso porque eu o levei até o banheiro pra mostrar a nojeira. E lá não tem câmera.

Agatha    – Nós vamos falar com o gerente pra ter certeza disso.

Marcos    – Podem falar. Eu posso ir pra casa agora?

Leonel    – Não! Vai passar a noite aqui por via das dúvidas.

Marcos    – Ridículo!

Agatha    – Guarda!

O policial entra e leva o Marcos. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda e Gina estão sentadas, a segunda lixando as unhas da primeira. Alberto entra e se aproxima.

Nilda     – Alberto?

Alberto   – A Suzana me botou pra fora de casa, nem uma mala pra colar as roupas ela deu.

Nilda     – Oh deus! Essa mulher está passando dos limites.

Alberto   – E eu ainda encontrei com uma turista ridícula que quase me atropelou.

Gina      – Você está bem?

Alberto   – Estou tentando ficar. (pausa) Obrigado por perguntar.

Nilda     – Então (pausa) você vai ficar aqui conosco?

Alberto   – Eu posso? Ainda tem quarto vago aqui?

Nilda     – Aqui é como coração de mãe, Alberto. Mas estamos lotadas, se quiser pode ficar aqui mesmo. Eu tenho colchões sobrando.

Alberto   – Eu não quero incomodar.

Nilda     – Não está incomodando, Alberto. Não é, Gina?

Ela não responde, levanta e sai. Nilda bufa e encara o Alberto.

Alberto   – Eu achei que nós dois estivéssemos melhor.

Nilda     – E vocês estão. Ela sabe que você a ama de verdade, mas ainda é muita coisa pra ela.

Alberto   – Eu sei disso.

Ele fica triste. Nilda levanta e dá um abraço no Alberto.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Gina está andando no corredor. Ela se encontra com a Eleonora.

Eleonora  – Ei! O que aconteceu? Está irritada.

Gina      – É o Alberto. Ele veio pedir abrigo pra Nilda.

Eleonora  – Achei que vocês estivessem de bem, até defendeu ele.

Gina      – Não estamos. Eu preciso seguir em frente, Eleonora. Não quero mais saber do Alberto na minha vida.

Eleonora  – E ele aqui vai ser difícil, não é? Eu entendo.

Gina      – Fala com a Nilda, por favor. Eu não quero ter que olhar pra ele todos os dias e lembrar da Suzana falando sobre mim, lembrar do que eu sinto por ele, (pausa) lembrar que eu nunca vou ser feliz com ele.

Eleonora  – Eu vou falar.

Gina entra no quarto e Eleonora segue andando pelo corredor.

 

CENA 07. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e Leonel se encaram. O segundo levanta e começa a andar pelo cômodo.

Leonel    – Ódio! Eu nunca vou conseguir prender esse filho da mãe.

Agatha    – Calma. Ele pode está mentindo, pai.

Leonel    – Não acho que esteja. Faz sentido, o banheiro do restaurante é um nojo mesmo.

Agatha    – Se não foi ele significa que o assassino é mesmo o Mário e ele estava mentindo.

Leonel    – É mais uma coisa pra botar na lista do Mário, né? Mentiu em testemunho.

Agatha    – O que nós vamos fazer?

Leonel    – Eu vou falar com o gerente do restaurante, preciso confirmar. E nós precisamos falar com o Felippo.

Agatha    – Amanhã vai ser um dia agitado então.

Leonel    – E o seu caso?

Agatha    – Eu não quero nem falar sobre isso de tão ridículo que foi.

Eles riem e seguem conversando em off.

 

CENA 08. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Campainha tocando. Leila se aproxima da porta e abre, Wanda entra.

Wanda     – Filha querida.

Leila     – Mãe. Não avisou que já tinha chegado. Como foi o voo?

Wanda     – Ótimo. Viajar de primeira classe é sempre maravilhoso.

Leila     – Eu imagino que seja. Quem é o pobre homem que está casada?

Wanda     – Não estou casada, estou viúva. Foi uma morte muito triste, mas já estou melhor.

Leila     – Nem me avisou.

Wanda     – E o que diabos você ia fazer no funeral de um homem que nem sabia da sua existência.

Leila     – Mãe! A senhora nem contou que eu existo pra ele?

Wanda     – Lógico que não! Imagina se eu ia contar pra ele que eu tenho idade pra ser mãe. É claro que não. (pausa) Mas chega de falar de mim. Como você está?

Leila     – Eu estou bem, mãe.

Wanda     – Não parece. Eu já falei várias vezes isso, filha. Sua mãe tem dinheiro agora, não é obrigada a ficar trabalhando de empregada.

Leila     – Eu gosto e eu não dinheiro desses maridos que eu nem conheci direito.

Wanda     – Essa casa é a do prefeito? Cadê ele pra me receber?

Leila     – Não tem mais prefeito, mãe. Agora é prefeita Suzana e ela está no quarto dela. O prefeito perdeu a eleição.

Wanda     – Nossa!

Ela vê uma foto do Alberto e da Suzana na parede e ri.

Wanda     – Esse é o prefeito?

Leila     – Sim, eu já te mandei uma foto dele.

Wanda     – Não lembrava. (pausa) Nós nos encontramos na rua e não foi um encontro muito amigável.

Leila     – O que a senhora fez?

Wanda     – Fui rude, é claro. (pausa) E quem é essa mulher?

Leila     – É a esposa dele e atual prefeita da cidade.

Wanda     – O que? Ele disputou a eleição com a própria esposa?

Leila     – Sim. Eu preciso te atualizar de umas coisas, mãe.

Wanda     – Eu quero saber de tudo e depois me ajuda pegar as malas?

Leila     – É claro. Vem pra cozinha comigo.

Elas saem.

 

CENA 09. MANSÃO DA PREFEITA/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Suzana está deitada na cama, sozinha. Ela está triste, pensativa.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

César e Amparo estão dormindo lado a lado. Ambos estão seminus. Eles começam a despertar.

César     – Meu deus! Amparo! O que aconteceu aqui? Minha cabeça está doendo tanto.

Amparo    – Nós transamos, César.

César     – É o que?

Amparo    – Você e o Marcos estavam bebendo, você ficou bêbado. O Marcos trouxe você pra cama. Eu vim aqui ver se você estava bem e você me beijou. Nós transamos.

César     – Não! Não! Isso não aconteceu! Meu deus!

Ele levanta e sai correndo. Amparo estranha e vai atrás.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

César andando pelo corredor, desesperado. Amparo vem atrás, sem entender.

Amparo    – O que aconteceu? Eu pensei que nós dois quiséssemos isso.

César     – Não! Não! Você é linda, Amparo. E eu gosto de você.

Amparo    – Mas?

César     – Eu não sei. Eu não sei o que eu sinto pelo Marcos, mas eu gosto dele. E a presença dele aqui aumenta esses sentimentos.

Amparo    – Meu deus! Você é?

César     – Não! Não sei. Eu nunca gostei de nenhum homem antes. Eu sou hetero! Mas eu gosto do Marcos, eu sinto algo por ele.

Amparo    – Oh deus! Então tudo aquilo… aquele jantar?

César     – Eu pensei que fosse descobrir se gosto dele ou não. Mas eu comecei a ficar nervoso e comecei a beber. Eu não sei, eu me perdi.

César entra no quarto de hóspedes. E Amparo vai atrás.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/DIA:

César entra no quarto. Ele não encontra o Marcos, Amparo entra atrás.

Amparo    – Ele viu.

César     – Ele viu?

Amparo    – Ele nos viu deitados e pelados na cama.

César     – Meu deus!

Ele sai correndo. Amparo bufa e senta na cama, respirando fundo.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

César desce as escadas, também não encontra o Marcos. Lauro entra e se aproxima.

Lauro     – Bom dia, pai.

César     – Bom dia. Cê viu o Marcos ali fora?

Lauro     – Não, não o vejo desde ontem. Porque? O que aconteceu?

César     – Nós não tivemos um jantar tão agravel assim.

Lauro     – Deve ter sido horrível mesmo. A casa tá toda revirada.

César     – Revirada?

Lauro     – É, olha pro chão. Almofada derrubada, papel no chão. Uma bagunça! Ele ficou irritado?

César     – Não acho que tenha sido ele que fez isso (pausa) isso é típico do Leonel.

Eles se encaram.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada, tomando café. Wanda entra e senta frente a primeira.

Suzana    – Bom dia?

Wanda     – Bom dia.

Leila     – Mãe! (a Suzana) Eu nem te contei, mas minha mãe chegou na cidade.

Suzana    – É um prazer em conhecê-la dona Wanda.

Wanda     – Obrigada. Esse café está um delicia em filha, arrasou.

Leila     – Mãe, sai da mesa. Nós comemos na cozinha.

Wanda     – Não! Você come na cozinha, você é a empregada. Eu sou a convidada.

Leila     – Desculpa a minha mãe, Suzana.

Suzana    – Deixa ela e se quiser, pode sentar na mesa também. Eu não me importo.

Leila     – Obrigada, mas eu já tomei café.

Wanda e Suzana continuam tomando café. Leila encara a mãe.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo entra na cozinha, irritada. Ela joga umas coisas no chão. Thiago entra e se assusta.

Thiago    – Meu deus! O que aconteceu, Amparo?

Amparo    – O Marcos aconteceu. (pausa) Droga! Eu estraguei tudo.

Thiago    – Calma. Vamos sentar e você me conta tudo direitinho.

Eles sentam e Amparo começa em off.

 

CENA 16. RESTAURANTE/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha entram. Eles se aproximam do balcão e o gerente sorri.

Gerente   – No que posso ajudar hoje?

Agatha    – Nós queremos saber mais sobre aquela noite.

Leonel    – O homem que ficou fora por quinze minutos, o Rafael, ele saiu do restaurante?

Gerente   – Não sei, é muita gente nesse lugar. Nem sabia que o nome dele era Rafael.

Agatha    – Nós o prendemos e ele disse que esses quinze minutos, dois foram no banheiro e outros treze foi discutindo com você.

Leonel    – Ele disse que vocês discutiram sobre o banheiro daqui ser nojento.

Gerente   – Ah eu lembro desse idiota. Ele ficou mó tempão reclamando do meu banheiro. Ridículo!

Agatha    – Então ele estava falando a verdade?

Gerente   – Estava.

Leonel    – Droga!

Agatha e Leonel saem.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina entra e Nilda se aproxima.

Nilda     – Eleonora veio me falar sobre a conversa de vocês ontem.

Gina      – Eu não posso ficar me lembro dele toda hora, Nilda.

Nilda     – Eu entendo e vou falar com ele.

Gina      – Obrigada.

Elas se abraçam.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Pérola está andando pelo corredor. Iris vem do outro lado e se aproxima.

Pérola    – Bom dia.

Iris      – Eu quero falar rapidinho com você. Podemos?

Pérola    – É claro. O que aconteceu?

Iris      – Não é nada comigo. É com o Robson. Vocês dois são amigos, não deixe ninguém separar vocês dois.

Pérola    – Eu/

Iris      – (corta) Não foi a sua culpa? E nem a dele. Vocês dois erraram, peça desculpas e ele vai pedir também. Marilda morreu e nada pode mudar isso, mas pra ela ficar feliz aonde quer que ela esteja, ela precisa ver vocês dois juntos.

Pérola    – Eu vou falar com ele.

Iris sorri e Pérola entra no quarto. Iris sai andando.

 

CENA 19. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola entra e se aproxima do Robson que está sentado na cama.

Pérola    – Ei!

Robson    – Bom dia.

Pérola    – Bom dia. Eu só queria dizer que… desculpa. Eu não deveria ter feito o que fiz. E nem falado aquilo.

Robson    – Eu errei também. Desculpa mesmo, desculpa.

Eles se abraçam, emocionados.

 

CENA 20. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Mário está deitado na cama. Marcos está na cela ao lado o encarando. Leonel entra e se aproxima do Marcos.

Leonel    – Está livre.

Marcos    – É claro que eu estou.

Leonel abre a cela e Marcos sai. Leonel vai atrás. Mario desperta e percebe que o Marcos não está mais ali.

Mário     – Droga! Eles descobriram que eu menti.

Ele bufa, irritado.

 

CENA 21. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Leila está lavando a louça. Thiago entra e se aproxima.

Leila     – Não! Vai embora Thiago.

Thiago    – Porque? O que eu fiz?

Leila     – Minha mãe/

Nesse momento, Wanda entra e os dois a encaram.

Wanda     – Eu o que? E quem é esse seu amiguinho?

Os três se encaram.

 

CENA 22. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

César está andando de um lado pro outro, nervoso. Marcos entra e se aproxima.

César     – Marcos!

Marcos    – Nós precisamos conversar, César e é sério.

Eles se encaram.

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 27

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Suzana e Nilda se encarando, as meninas do bordel encarando as beatas.

Nilda     – O que você pretende fazer com isso, Suzana?

Suzana    – Interditar! Lacrar esse lugar! Acabou Nilda!

Célia     – Os dias pagãs acabaram. Está na hora da nossa cidade se ver livre desse antro.

Divina    – É isso mesmo! Nós estamos cansadas, não é, meninas?

As beatas concordam.

Eleonora  – Deixa eu fazer uma perguntar pra vocês: o seus maridos sabem que vocês estão aqui?

Nilda     – Isso tudo é dor de cotovelo porque eles preferem a gente do que vocês?

Suzana    – Não é nada disso, Nilda. É porque isso aqui é desrespeitoso com a nossa cidade. Esse lugar estraga a cabaça das nossas crianças.

Nilda     – Você não tem poder pra fechar o bordel, não é a prefeita ainda.

Suzana    – Não sou? Eu venci a merda da eleição, Nilda.

Gina      – Mas você só entra no cargo no próximo ano, querida. E deixando claro que você só venceu porque se fez de vítima.

Suzana    – Cala a boca! Monstro! Você acabou com a minha família. (a Nilda) E saiba que se tudo isso aqui está acontecendo: a principal culpada é ela.

Clara     – A culpa não é dela. Ela não fez nada, e nem o Alberto. Eles se apaixonaram, Suzana. Aceita isso!

Suzana    – Vá à merda! Vá à merda todas vocês! Cansei! Eu vou é fechar essa merda agora mesmo. Vadias de merda!

Ela começa a desenrolar a fita. Nilda e as meninas se põem na frente.

Nilda     – Só por cima do meu cadáver que você vai fechar esse bordel.

Eleonora  – Nós estamos juntas nessa, Nilda.

Clara     – É só por cima do nosso cadáver, Suzana.

Gina      – E eu quero ver quem vai passar por cima da gente.

Elas se encaram.

 

CENA 02. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia estão andando de um lado pro outro, ambos ao celular. Iris sai dos fundos e se aproxima.

Iris      – Eu e o Robson escutamos uns gritos. O que aconteceu?

Nádia     – Suzana aconteceu. Ela e as beatas estão ali fora querendo fechar o bordel.

Iris      – E pra quem vocês estão ligando?

Nádia     – Eu pra Agatha e ele pro padre, temos que resolver isso.

Omar      – Ele atendeu! (ao celular) Padre? Olha a janela, a Suzana está querendo fechar o bordel. Nós precisamos da sua ajuda.

Nádia     – (ao celular) Agatha, finalmente! Está uma loucura aqui, vem logo.

Eles desligam e se encaram.

 

CENA 03. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto se aproxima da confusão. Ele pega a fita amarela da mão da Suzana, que o encara.

Suzana    – Devolve!

Alberto   – Isso é uma palhaçada! Essa é realmente sua primeira ação como prefeita?

Suzana    – Palhaçada? É essa sua relação com essa coisa.

Gina      – Pode me xingar a vontade, Suzana. O que vem de baixo não me atinge.

Eleonora  – Nossa! Essa doeu em mim, hein. Arrasou!

Nilda     – Chega! Está tarde, Suzana. Eu quero dormir.

Suzana    – Eu quero a minha cidade livre de vocês.

Elas se encaram.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia está andando na rua. Ela vê a confusão em frente ao bordel e estranha.

 

CENA 05. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Padre sai da igreja e vê a confusão. Zélia se aproxima dele.

Zélia     – O que está acontecendo ali, padre?

Fagundes  – Você sabe bem. É coisa sua e da Suzana isso. Fechar o bordel! É ridículo!

Zélia     – Ela não me falou nada que ia tomar uma decisão dessas hoje.

Fagundes  – Mal começou e ela já está te excluindo? Ninguém mandou se aliar a ela.

Padre vai em direção do bordel. Zélia vai atrás.

 

CENA 06. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada na cadeira. Leonel entra e se aproxima.

Agatha    – Finalmente! Eu recebi uma chamada no bordel, tenho que ir.

Leonel    – Zélia?

Agatha    – Não, Suzana. Ela tá querendo fechar o bordel e, segundo eu estava lendo aqui, ela pode.

Leonel    – O que?

Agatha    – O Alberto criou uma lei logo depois que ele se elegeu. Essa lei diz que o prefeito pode fazer alterações na cidade a hora que ele quiser, inclusive se ele tiver acabado de ser eleito.

Leonel    – Que merda! E porque ele fez isso? Não faz sentido.

Agatha    – Ele queria morar logo na mansão do prefeito, é por isso.

Leonel    – Isso é ridículo, mas fazer o que. Vai lá, eu estou indo no restaurante.

Agatha    – Espero que encontre alguma coisa sobre o Marcos.

Leonel    – Eu também.

Leonel sai, e ela levanta e sai.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César sentados à mesa. Eles estão bebendo, duas garrafas de uísque vazia sobre a mesa.

Marcos    – Chega! Você já bebeu demais, César. Chega!

César     – (muito bêbado) Não! Eu quero beber mais.

Marcos    – Você já bebeu uma garrafa inteira de uísque. Chega!

Marcos levanta e pega o César pelo braço, levando ele.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola estão transando. Robson entra e dá de cara com a cena.

Robson    – Pérola? Oh meu deus!

Pérola    – Robson?

Robson sai. Pérola levanta, já se vestindo. Lauro encara ela.

Lauro     – Agora é você que tem um namorado?

Pérola    – Ele não é meu namorado, mas eu dormia com a Marilda nessa cama. Esse é o problema!

Ela sai correndo. Lauro fica sem entender.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra com o César. O primeiro coloca o segundo na cama.

César     – (bêbado) Eu tô com frio, Marcos.

Marcos    – Frio? Tá um calorzão.

César     – (bêbado) Eu tô com frio!

Marcos    – Eu vou pegar um coberto pra você, então criatura.

Ele abre os armários e não encontra.

Marcos    – Onde que a Amparo guarda os cobertores?

César     – (bêbado) O que?

Marcos    – Esquece! Eu tenho um cobertor no meu quarto, já volto.

Ele sai.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Amparo entra na sala e vê os copos vazios de uísque. Ela bufa.

Amparo    – Chega! Está mais do que na hora de agir.

Ela sai, confiante.

 

CENA 11. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Robson andando, raivoso. Pérola o alcança. Eles se encaram.

Robson    – Na cama da Marilda? Na cama onde ela dormia?

Pérola    – Desculpa. Eu nem pensei direito, desculpa.

Robson    – Não tem desculpa. É a cama onde ela dormia, Pérola!

Pérola    – Eu sei.

Robson    – Não, você não sabe! Isso é atitude de criança! (pausa) Sabe o que eu acho? Você não está conseguindo seguir em frente e o seu jeito de seguir é ignorando a morte dela. Mas não tem o que ignorar, Pérola. Ela morreu!

Pérola    – Eu sei! Eu sei! E eu sei! Eu já aceitei isso. Mas é difícil, Robson.

Robson    – Eu sei que é difícil, mas nem por isso estou dormindo com o primeiro homem que pareceu.

Pérola    – Não? E a Iris? Alias, você estava com ela ao invés de estar com a Marilda.

Robson    – Você está escutando o que você está falando?

Robson sai andando, irritado. Pérola se arrepende e volta pro quarto.

 

CENA 12. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

As mesmas das cenas anteriores. Padre, Zélia e Agatha se aproximam do bordel. Omar, Nádia e Iris saem de dentro.

Zélia     – Vocês estão contra mim de novo? Eu sou a mãe de vocês.

Omar      – Não. Nós estamos do lado certo, mãe.

Nádia     – Isso mesmo. É ridículo isso de fechar o bordel.

Fagundes  – Eu também acho. O que elas fazem demais aqui?

Suzana    – Cala a boca! Todos vocês! Calados! Agatha, por favor.

Alberto   – Faça o favor de dizer pra Suzana que ela não pode fechar o bordel.

Agatha    – Na verdade, ela pode.

Nilda     – O que?

Eleonora  – Ela ainda não é a prefeita, Agatha.

Gina      – Como que ela pode?

Clara     – Ela não pode!

Célia     – Calem a boca!

Agatha    – Obrigada, Célia. Ela pode porque o Alberto criou uma lei dizendo que ela pode.

Nilda     – Uma lei?

Alberto   – Eu tinha esquecido disso. Eu queria ir morar logo na mansão então eu criei uma lei dizendo o prefeito tem o poder de tomar decisões da cidade mesmo ele tendo sido acabado de ser eleito.

Eleonora  – Isso é ridículo!

Agatha    – Mas é a lei. Eu sinto muito, não concordo com isso…

Fagundes  – (completa) Mas você não pode fazer nada.

Divina    – Façam o favor de dar a faixa pra Suzana de novo.

Alberto devolve e Suzana passa a faixa pela entrada do bordel. Nilda e as meninas entram no bordel, padre e Agatha saem.

Zélia     – E vocês dois: comigo!

Zélia, Omar e Nádia saem. Suzana e as beatas vão embora também. Alberto bufa e sai.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado na cama. Pérola entra e senta ao lado dele.

Lauro     – O que aconteceu?

Pérola    – Eu dormia com a Marilda nessa cama, mas eu tinha esquecido disso. Nem pensei.

Lauro     – Desculpa.

Pérola    – Não, eu que queria fazer sexo. Eu que pedi. Eu estou errada.

Lauro     – Não! Foi só um deslize. A Marilda morreu, mas a sua vida precisa continuar. Ela quer que sua vida continue e o Robson não pode querer que você pare a sua vida.

Pérola    – Eu sei, mas não deveria ter feito isso na cama dela.

Lauro     – Está tudo bem, Pérola. Não se preocupa com isso.

Pérola    – E eu ainda falei merda.

Lauro     – O que você falou?

Pérola    – Na hora em que a Marilda morreu, o Robson estava com a Iris. E eu joguei isso na cara dele.

Lauro     – Normal. Você estava com a cabeça quente, não pensou. Peça desculpas.

Pérola    – E se o Robson estiver certo? E se eu estiver fazendo tudo isso pra esquecer a Marilda?

Lauro     – Você está?

Pérola    – Eu não sei.

Lauro     – Eu acho que você não está. Você está tentando seguir em frente. Quer voltar a trabalhar, a sair e está certa disso.

Pérola    – Estou?

Lauro     – Está!

Pérola    – Eu espero que esteja mesmo.

Ele a abraça e eles seguem conversando em off.

 

CENA 14. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda e as meninas entram no bordel. Elas se encaram, tristes.

Eleonora  – Que merda acabou de acontecer?

Clara     – Eu não sei.

Gina      – O Alberto fez merda, foi isso que aconteceu.

Nilda     – Nós não vamos desistir, meninas. Essa é a nossa casa! É a nossa vida! Nós não podemos desistir.

Eleonora  – O que nós vamos fazer agora, Nilda?

Nilda     – Vocês podem fazer programa na rua, se quiserem. Já eu: estou na merda!

Gina      – Eu não posso ir pra ruas. Esse lugar é o único lugar em que eu me sinto segura.

Iris      – Eu estou com a Gina, mesmo que eu não passe o mesmo que ela. Aqui eu escolho os meu horários, quando e com quem.

Clara     – Eu também não quero ir pra ruas, Nilda.

Eleonora  – Gente, calma. A culpa não é da Nilda, ela só deu uma solução.

Nilda     – Eu sei que ninguém quer ir pra rua de novo e vocês não são obrigadas a irem. O bordel vai continuar de pé e vocês podem continuar morando aqui.

Robson desce as escadas, Iris vê e vai atrás. As demais continuam conversando.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/NOITE:

Robson senta e Iris sai e senta ao lado dele. Eles se encaram.

Iris      – O que houve?

Robson    – Não quero falar sobre isso, Iris.

Iris      – Ok, eu estou aqui.

Robson    – Não vai, fica aqui comigo. Eu só não quero falar sobre isso.

Iris      – Ok.

Ela o abraça. E eles ficam conversando em off.

 

CENA 16. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia, Omar e Nádia andando na rua. A primeira falando muito.

Zélia     –… o que vocês fizeram é ridículo. Ficar contra a vice-prefeita. É vergonha!

Omar      – Chega mãe!

Nádia     – Nós já conhecemos esse discurso, mãe.

Omar e Nádia andam na frente. Zélia fica irritada e vai atrás.

 

CENA 17. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Leonel entra. Ele se aproxima do balcão e o gerente sorri.

Gerente   – Delegado. O que devo essa visita?

Leonel    – Você estava aqui na noite da morte da Marilda?

Gerente   – Estava.

Leonel    – Eu preciso ver o vídeo de segurança daquela noite. O assassino pode ser um dos seus clientes.

Gerente   – Mas o caso já não havia sido solucionado?

Leonel    – Não mais.

O gerente mexe no computador e mostra ao Leonel. Ele vê o Marcos e César.

Leonel    – Dê um close nesses dois e avança um pouco.

Ele o faz. O vídeo mostra um momento em que o Marcos está fora da mesa.

Leonel    – Para! Quanto tempo ele ficou fora da mesa.

Gerente   – (olha no computador) Uns quinze minutos, acho.

Leonel    – Quinze? É tempo suficiente pra ir e voltar do rancho.

Leonel sai correndo.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César está deitado na cama. Amparo entra, tira a sua roupa e deita ao lado dele.

César     – (bêbado) Amparo?

Amparo    – Eu mesma. Você gosta disso, César?

César     – É claro que sim.

Ela sorri e o beija. Marcos entra no quarto, segurando o cobertor, e vê a cena. Ele sai.

 

CENA 19. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Alberto entra e encontra uma pilha de roupas no chão. Suzana está sentada na escada.

Alberto   – O que é isso?

Suzana    – Suas roupas! Fora da minha casa, Alberto!

Alberto   – O que?

Suzana    – Não escutou? Fora! Eu quero você fora daqui!

Ela levanta e se aproxima. Ele a encara, ela empurra ele pra fora. Ela taca as roupas na cara dele, irritada.

 

CENA 20. TAKES/

  1. Marcos entra no escritório, ele pega uma garrafa de uísque e bebe no gargalo.
  2. Leonel entra na sala com os policiais. Eles olham por todos os lados.
  3. Leonel entra no escritório. Ele pega o braço do Marcos e bota uma algema nele, bruto. Marcos sem entender nada.

 

CENA 21. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto levando as roupas, todo desajeitado. As pessoas o encaram. Ele vai atravessar e um carro surge quase o atropelando. O carro para.

Alberto   – Que merda é essa? Você não pode andar de carro assim.

Uma mulher surge do carro. CÂM revela o seu rosto: é a Wanda (senhora, branca e de cabelos castanhos).

Wanda     – Eu não posso o que?

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 26

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Alberto, Nilda e as meninas do bordel sentadas frente à TV. Eles estão ansiosos.

Repórter  – O resultado chegou. O novo prefeito de Ilhabela é…

Suspense e tensão. Todos se encaram, se entreolham, nervosos.

Repórter  – Oh, na verdade, não é um novo prefeito e sim uma nova prefeita. (pausa) Isso mesmo. A nova prefeita da cidade é a Suzana.

Alberto e Nilda reagem, tristes. As meninas também, desoladas.

 

CENA 02. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana, Zélia, Célia e Divina estão sentadas frente à TV. A repórter dá o resultado. As irmãs comemoram, Suzana e Zélia se encaram.

Suzana    – Nós ganhamos?

Zélia     – Nós ganhamos!

Elas levantam e se abraçam, emocionadas. Leila entra segurando uma garrafa de champanhe.

Leila     – Parabéns.

Suzana    – Essa vitória é sua também, Leila. (alto) Essa vitória é de todos nós! Nós lutamos e nós merecemos.

Leila estoura a garrafa de champanhe. Elas comemoram, felizes.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Felippo e Mário sentados de um lado e do outro, Agatha e Leonel. Eles se encaram.

Felippo   – Pode dizer tudo o que você sabe, Mário.

Mário     – Naquele dia, a Marilda e seus amigos vieram até mim me contar que não havia pedra preciosa nenhuma debaixo de minhas terras. Eu fiquei devastado! Perdi plantações e abri terras para que eles vasculhassem e não encontraram nada? Eu fiquei furioso!

Leonel    – Essa parte nós já sabemos, Mário. Pule pra noite.

Mário     – Certo. Depois disso, eu fiquei pensando no que fazer. E foi quando eu lembrei que no rancho do César tinha pedras. E eu peguei minha enxada e fiquei esperando todos saírem da casa. Primeiro o Lauro, depois o César e aquele amigo dele e por último a Amparo. E eu invadi.

Agatha    – Nós chegamos na parte que interessa.

Mário     – E eu comecei a escavar as terras, logo eu achei duas pedras kimberlito. E foi quando a Marilda chegou, e deve ter sido por aí que o Lauro entrou em casa bêbado. Mas nós nos vimos. Eu e a Marilda discutimos e então um homem entrou no terreno. Marilda gritou pra ele chamar a polícia. E antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele pegou uma enxada e deu na cabeça dela. Duas vezes. Eu nem consegui pensar, só peguei as pedras e sai correndo.

Leonel    – E quem diabos é esse homem, Mário?

Agatha    – Nós já garantimos segurança pra você, pode falar.

Todos esperando o Mário que abaixa a cabeça, dando um leve sorriso que ninguém percebe.

Mário     – Eu vou falar. (ergue a cabeça) Ele é o…

Tensão.

 

CENA 04. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda levanta e Eleonora a abraça. Alberto encara a TV, Gina o olha. Clara e Iris à parte.

Nilda     – Eu estou bem. Eu vou ficar bem, querida.

Eleonora  – Foi só uma eleição, a luta ainda não acabou.

Nilda     – Não mesmo, esse bordel é meu e ninguém tasca.

Nilda se afasta da Eleonora e se aproxima do Alberto, que ainda não acredita.

Nilda     – Ei! Vai ficar tudo bem, nós ainda não terminamos de lutar.

Alberto   – Não é possível. A cidade não votaria nela, ela/

Nilda     – (corta) Foi uma boa guerra, mas acabou Alberto. E você precisa sair por cima. Aceita a derrota!

Alberto   – É só que (pausa) não é possível que o povo dessa cidade queira ser comandado pela igreja.

Nilda     – Não acho que foi isso que os influenciou. E sim o seu relacionamento com a Gina.

Alberto   – O povo não seria tão hipócrita assim.

Nilda     – Você não entendeu. O problema não é a Gina ser travesti e sim você ter traído a sua esposa. Ela é a mulher traída, você é o cara que arruinou a família.

Alberto   – Nossa! Você tem razão, Nilda. Não tinha visto por esse lado.

Nilda     – Está tudo bem. Levante, erga a cabeça que nós vamos dá a volta por cima. A igreja não vai falar mais alto que a nossa liberdade.

Alberto sorri, levanta e a abraça.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola está se arrumando, Robson entra e se aproxima.

Robson    – Ei! A Nilda e o Alberto perderam a eleição.

Pérola    – Eu fico triste pela Nilda porque eu gosto dela, mas eles usaram a imagem da Marilda e não deveriam ter feito isso.

Robson    – Eles erraram mesmo. (pausa) Está se arrumando? Vai a algum lugar?

Pérola    – Sim, eu tenho um encontro com o Lauro.

Robson    – O que?

Pérola    – Eu e o Lauro, nós vamos sair pra tomar um sorvete e conversar. Ele é legal.

Robson    – Eu não confio nele.

Pérola    – Eu confio.

Robson    – Você tem certeza do que está fazendo, Pérola? Ontem mesmo estava chorando pela Marilda e agora está indo num encontro?

Pérola    – A perda da Marilda me abalou muito, Robson. Eu deixei de comer por dias, mas não posso mais viver assim. Eu preciso seguir em frente se não nada vai fazer sentido.

Robson    – Do que você está falando?

Pérola    – Eu gosto do Lauro e eu vou sair com ele, e também quero voltar a trabalhar.

Robson    – Trabalhar? No lugar onde a Marilda foi morta?

Pérola    – Ela morreu protegendo aqueles diamantes, nós precisamos pegá-los por ela. E eu vou fazer isso.

Robson    – Isso é ridículo!

Pérola    – Tchau, Robson, eu estou atrasada.

Ela levanta e sai. Robson bufa, irritado.

 

CENA 06. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Zélia comemorando, elas riem felizes. Célia e Divina encaram elas.

 Divina    – E agora?

Célia     – Agora nós temos que derrubar a Zélia.

Divina    – Mas como, irmã?

Célia     – Eu ainda não sei direito, mas o fato é que nós temos uma arma grande: a família dela!

Divina    – É claro. A filha é do demônio, o filho está apaixonado pela puta e o marido…

Célia     – Exatamente! Eu vou derrubar a Zélia e vou ser a vice-prefeita dessa cidade. (pausa) E depois, prefeita.

Suzana olha pra duas e se aproxima. 

Suzana    – Parem de ficar paradas, cochichando. Nós temos que comemorar!

Zélia     – Isso mesmo! Junte-se a nós, meninas.

Célia e Divina sorriem. Elas se juntam e continuam comemorando.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

César está assistindo TV, Marcos desce as escadas e se aproxima.

Marcos    – E aí? Gostou do resultado da eleição?

César     – Não sei dizer. O Alberto é um ótimo prefeito, ele não deveria ser rejeitado assim pelo povo.

Marcos    – Eu acho que preferia a vitória dele. A Suzana vai botar a fé na frente de tudo.

César     – Isso pode ser bem ruim pra cidade, mas eu tento pensar positivo. Ela pode ser uma boa prefeita.

Marcos    – É mesmo.

César     – Vamos jantar hoje?

Marcos    – Restaurante?

César     – Não, aqui mesmo. O Lauro disse que vai sair, vamos jantar juntos.

Marcos    – Ok, mas a gente sempre janta junto César.

César     – Ah, mas dessa vez não pode ser só um jantar. Eu vou pedir pra Amparo preparar algo especial pra nós.

Marcos    – E porque tudo isso?

César     – Porque eu sinto falta de algo especial, só isso.

César levanta e sai. Marcos sorri, animado.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está lavando a louça. Lauro entra e se aproxima.

Lauro     – Estou indo me encontrar com a Pérola.

Amparo    – O seu pai sabe disso?

Lauro     – Ele sabe que eu vou sair, mas não sabe com quem e nem precisa saber.

Amparo    – Eu não vou dizer, só não traga ela pra cá.

Lauro     – Não acho que ela queira pisar aqui depois do que aconteceu com a Marilda.

Amparo    – Ah é, tinha me esquecido dessa tragédia.

Lauro     – Vou indo.

Lauro sai. César entra e se aproxima.

César     – Era o Lauro saindo?

Amparo    – Isso.

César     – Ok, eu gostaria de te pedir uma coisa especial essa noite.

Amparo    – Especial?

César     – Lembra daqueles jantares especiais, com louças novas e comidas caras e elegantes? Estou com saudades da época que dava esses jantares.

Amparo    – Eu posso fazer um jantar especial pra você. Quantas pessoas?

César     – Só duas: eu e o Marcos. (pausa) Muito obrigado.

Ele sai, Amparo irritada.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia está sentada no sofá. Omar desce as escadas e se aproxima.

Omar      – Você viu?

Nádia     – Nossa mãe ganhou. (pausa) Isso é ridículo!

Omar      – O povo dessa cidade obviamente não sabe votar.

Nádia     – Nós temos que ir até o bordel dá apoio pra eles.

Omar concorda. Nádia levanta e eles saem.

 

CENA 10. FRENTE À MANSÃO DO PREFEITO/EXTERIOR/DIA:

Alguns (poucos) repórteres na frente da mansão. Zélia e Suzana saem.

Zélia     – Você dá conta sozinha? Tenho que ir ver o Mário.

Suzana    – Pode ir e boa sorte.

Zélia sai. Os repórteres encaram a Suzana, ela sorri.

Suzana    – Bom dia, queridos. É uma honra ter vencido e é uma honra ser a prefeita dessa cidade. Mas eu não seria se não fosse pela Zélia, minha vice, e vocês. O povo! O povo querido que deu tanto apoio…

Ela continua em off.

 

CENA 11. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Um ou dois repórteres na frente do bordel. Nilda e Alberto saem.

Alberto   – Eu só quero agradecer a quem votou em mim e dizer que a luta continua.

Nilda     – E nós também queremos desejar boa sorte a Suzana.

Alberto   – É claro, boa sorte (pausa) querida esposa.

Os repórteres concordam e saem. Alberto e Suzana se encaram.

Alberto   – Eu nunca dei uma declaração tão rápida na minha vida.

Nilda     – Você nunca perdeu.

Alberto   – Pois é. Eu tenho que ir encarar a Suzana. Nós precisamos resolver as coisas. (pausa) Muito obrigado por tudo.

Nilda     – Obrigada você. Obrigada por não ter desistido do bordel.

Eles se abraçam e Alberto sai. Ela volta pra dentro do bordel.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Todos encarando o Mário, esperando ele falar. Leonel levanta, irritado.

Leonel    – Fala logo Mário! Ou você vai voltar pra cela e vai perder a sua chance.

Mário     – Desculpa, eu só queria fazer um suspense.

Leonel    – (senta) Então fala.

Mário     – O cara que matou a Marilda atende pelo nome de Rafael, mas conhecido como Marcos.

Agatha    – Isso não é possível! Ele estava no restaurante com o César, temos testemunhas.

Felippo   – Eu sei que vocês não investigaram o álibi dele. Eu sei que vocês não foram até o restaurante olhar as câmeras.

Mário     – O Marcos matou a Marilda, eu não sei porque, mas ele fez.

Leonel    – Ele não tem motivos! A Marilda o chamou aqui, ele se dão bem.

Felippo   – A Marilda pode ter desistido de fazer a matéria com ele e ter procurado um jornal maior. O meu cliente não está mentindo.

Agatha    – Nós vamos investigar. E é melhor que ele não esteja mentindo.

Leonel    – E se ele estiver falando a verdade, ele ainda cometeu outros dois crimes.

Mário     – Eu sei.

Felippo   – Nós sabemos disso e é por isso que eu entrei com um pedido para que ele possa responder em liberdade. E logo a resposta vai chegar.

Agatha    – Enquanto isso ele vai continuar preso. (grita) Guarda!

O policial entra e leva o Mário. Felippo sorri e levanta.

Felippo   – Obrigado.

Felippo sai. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/TARDE:

Começo da tarde.

Nádia e Omar entram. A primeira se aproxima da Iris e a segunda da Clara. Gina bufa.

Gina      – Eu vou dar uma volta. Se a Nilda perguntar, cês já sabem.

Nádia     – Só cuidado com o povo dessa cidade. Eles estão raivosos com as coisas que estão acontecendo no momento.

Gina      – Eu estou acostumada.

Ela sai.

Omar      – Como você está?

Clara     – Eu estou bem, mas não sei a Nilda. Ela disse que estava, mas não sei.

Omar      – Ela vai ficar bem.

Clara     – Não acredito que o local onde eu moro e trabalho está condenado.

Omar      – Minha mãe não vai explodir o bordel. Vocês vão poder continuar morando aqui.

Clara     – Do que adianta se eu não posso trabalhar?

Omar      – Eu te ajudo no que você quiser, Clara, cê sabe disso.

Clara     – Não quero o dinheiro de homem nenhum, Omar. Eu quero ganhar o meu próprio dinheiro.

Omar      – Tá certo, desculpe.

Eles se beijam. CÂM foca na Iris e na Nádia conversando.

Nádia     – E aí?

Iris      – Eu estou bem, só quero beber. Me acompanha?

Nádia     – É claro.

Elas se aproximam do bar, já pegando uma bebida.

 

CENA 14. FRENTE À MANSÃO DO PREFEITO/EXTERIOR/TARDE:

Não tem mais repórteres. Alberto se aproximando, Gina corre até ele.

Gina      – Ei!

Alberto   – Gina?

Gina      – Eu só queria te parabenizar por tudo, você lutou bem.

Alberto   – É ótimo ouvir isso de você. E, por favor, me perdoa.

Gina      – Obrigada por ter lutado pela Nilda. Eu tenho que ir.

Alberto   – Não vai me responder?

Gina      – Tchau.

Gina sai. Alberto suspira e encara a Gina saindo.

 

CENA 15. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/TARDE:

Suzana vendo a cena anterior. Célia e Divina se aproximam.

Célia     – O que aconteceu?

Suzana    – Nada! Fora as duas que eu preciso conversar com o Alberto sozinha.

Divina    – Nós vemos mais tarde?

Suzana    – É claro. Agora: rua!

Célia e Divina saem. Suzana pega uma garrafa de um uísque e começa a beber.

 

CENA 16. FRENTE À DELEGACIA/EXTERIOR/TARDE:

Felippo sai e dá de cara com a Zélia entrando. Ela bufa.

Zélia     – Cheguei tarde? Droga!

Felippo   – Está tudo bem, não perdeu muita coisa.

Zélia     – Cadê o meu marido?

Felippo   – Preso! Você realmente pensou que ele sairia agora? Essas coisas não acontecem assim.

Zélia     – Como não? Ele contou pra eles quem ele viu?

Felippo   – Sim, ele contou que foi o Marcos, Rafael, sei lá o nome dele. Mas ainda invadiu o rancho e roubou as pedras.

Zélia     – Mas o Rafael não tem um álibi?

Felippo   – Tem, mas o álibi dele tem uma falha. Eu fui até o restaurante e olhei as câmeras, o Rafael sai da mesa e demora um tempo pra voltar. Tempo o suficiente pra ele ir até o rancho e voltar.

Zélia     – Ok, espero que isso sirva e que eles caem nesse papo.

Felippo   – Eles vão cair. Eu dei uma pesquisada e descobri que o Rafael tem uma rixa com o Leonel, e isso é tudo que o delegado queria.

Zélia     – Ótimo! E obrigada.

Felippo   – Por nada. E eu conversei um pouco com os policiais: parabéns pela vitória.

Zélia     – Obrigada.

Felippo sai e Zélia, sorrindo, também sai.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/TARDE:

Leonel e Agatha se encarando.

Leonel    – O que você acha?

Agatha    – Não sei, pode ser que ele esteja falando a verdade.

Leonel    – Eu quero que esteja. Prender o Marcos seria ótima.

Agatha    – Nós temos que investigar.

Leonel    – E nós vamos!

Eles continuam se encarando, sérios.

 

CENA 18. PRAÇA/INTERIOR/TARDE:

Thiago está sentado no banco, Leila se aproxima e senta ao lado dele.

Leila     – Amparo não vem, está ocupada no rancho.

Thiago    – Isso é bom. Nós podemos aproveitar pra ficar juntos enquanto sua mãe não chega.

Leila     – Nem me lembre disso. Ela deve está chegando hoje.

Thiago    – É o nosso último dia?

Leila     – Pois é.

Thiago    – E o resultado da eleição?

Leila     – Eu fiquei feliz com a vitória da Suzana, votei nela.

Thiago    – Eu não, eu votei no Alberto. Eu não quero a religião falando mais alto.

Leila     – Eu entendo.

Thiago    – Mas podemos mudar de assunto? Vamos aproveitar esse dia.

Leila     – É claro.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 19. RUA/EXTERIOR/TARDE:

Lauro e Pérola estão andando na rua, conversando. Eles tomam sorvete.

Lauro     – O sorvete está bom?

Pérola    – Está ótimo! Eu estava morrendo de vontade de tomar sorvete.

Lauro     – Eu também.

Pérola    – Obrigada por estar me ajudando com tudo.

Lauro     – Obrigado você por ter deixado eu me aproximar depois de eu ter sido um babaca.

Pérola    – A culpa não foi sua. Nós dois erramos e acabou, certo?

Lauro     – Acabou!

Eles continuam andando e conversando e tomando sorvete.

 

CENA 20. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/TARDE:

Alberto entra e dá de cara com a Suzana sentada, bebendo.

Alberto   – Parabéns.

Suzana    – Obrigada.

Alberto   – Nós temos que conversar sobre como as coisas vão funcionar agora.

Suzana    – Eu quero você fora daqui, Alberto.

Alberto   – É o que? Eu ainda sou o prefeito, portanto, essa casa ainda é minha.

Suzana    – Eu sou a prefeita, Alberto. E eu não quero ver você se agarrando com a sua putinha na frente da minha casa.

Alberto   A Gina voltou a ser o assunto. Você venceu, Suzana.

Suzana    – (grita) Idiota! Homem é tudo idiota mesmo. Eu não quero ser a prefeita dessa cidade, eu nunca quis! O que eu queria quando em candaditei era você de volta. Eu achei que você fosse cair na real e perceber que é eu que te amo. Todas essas provocações e você ainda ama a Gina.

Alberto   – Eu amo a Gina e eu não posso voltar a te amar Suzana. Acabou! Desculpa.

Suzana    – Vá à merda! Eu abri a mão de tanta coisa pela gente. Pelo seu sonho de ser o prefeito dessa cidade e você me larga desse jeito.

Alberto   – Desculpa.

Suzana    – Chega! Eu cansei! Está na hora de eu agir.

Alberto   – O que você vai fazer?

Suzana    – Tomar decisões! E quando eu voltar: eu quero você fora daqui.

Ela levanta e sai. Alberto bufa, pensa em ir atrás, desiste.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Mesa decorada como se fosse haver uma festa. Marcos e César sentados à mesa. Amparo à parte, com ciúmes.

Marcos    – Eu acho que você exagerou, César.

César     – Não exagerei não. E foi tudo feito pela Amparo e está ótimo!

Marcos    – Está mesmo.

Eles riem, felizes. Marcos passa algo pro César, as mãos deles se encostam. Eles se olham, Amparo faz caras e bocas.

 

CENA 22. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Suzana e várias beatas andando na rua em direção ao bordel. Elas estão unidas e sérias.

 

CENA 23. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Alberto olhando a cena anterior pela janela. Ele pega o celular, já fazendo uma ligação.

Alberto   – Nilda? A Suzana está indo com as beatas. Eu tô indo atrás.

Ele desliga e sai correndo.

 

CENA 24. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola entrando pelos fundos. Eles estão aos beijos, eles entram.

 

CENA 25. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Robson e Iris andando pelo corredor. Eles conversam.

Iris      – Vai sair?

Robson    – Eu vou fumar um cigarro. Quer ir junto?

Iris      – É claro.

Eles saem juntos. CÂM mostra Lauro e Pérola entrando pelo outro lado, se agarrando.

 

CENA 26. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Suzana e as beatas se aproxima. Ela segurando uma faixa amarela (parecida com as de polícia). Nilda sai e a encara.

Suzana    – Esse bordel está fechado pra sempre e sempre!

As beatas comemoram. Nilda as encara, irritadas. As meninas do bordel, exceto a Iris, saem e também encaram as beatas.

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 25

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Alberto e Nilda em cima do palanque. Habitantes da cidade em volta deles.

Alberto   – Nós dois estamos aqui hoje para pedir o seu voto. Não podemos deixar a religião dominar essa cidade.

Nilda     – Não mesmo! É inaceitável que a igreja, que a fé fale mais alto que razão, que a realidade.

Alberto   – Nós não estamos vivendo um bom momento nessa cidade. Uma pessoa inocente morreu.

Nilda     – E caso não sabem: o assassino da vítima é o marido da vice-prefeita. Imagina só se podemos deixar a esposa de um assassino comandar a nossa cidade.

Alberto   – E pior do que isso, é a Suzana apoiando e escondendo esses fatos do povo.

Nilda     – Por acaso a Suzana tirou a Zélia da campanha? É claro que não! Ela não está se importando com essa vítima. Ela só se importa com ela mesma.

Alberto   – Com ela mesma. E não é esse tipo de pessoa que vocês querem como prefeita, eu sei que não é.

As pessoas aplaudem. E eles continuam falando em off.

 

CENA 02. FRENTE À MANSÃO DO PREFEITO/EXTERIOR/DIA:

Suzana, Célia e Divina estão sentadas. Zélia se aproxima e senta ao lado delas.

Zélia     – Eu não acredito que ele está usando a imagem do meu marido contra mim.

Célia     – Não acredita? Eu acho isso muito esperto da parte. Eu faria o mesmo.

Divina    – Sua imagem está acabada, Zélia. O seu marido matou uma mulher inocente.

Suzana    – Chega disso vocês! Meu deus! Isso é chato, sabia? Eu quero escutar as merdas que o meu marido está dizendo.

Zélia     – Me diga que você vai contra-atacar, por favor.

Suzana    – Eu vou e vai ser em grande estilo. Aguardem.

Elas continuam escutando o que o Alberto e a Nilda estão dizendo.

 

CENA 03. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Leila está cozinhando. O telefone começa a tocar e ela atende.

Leila     – Alô.

Mulher    – (off) Oh deus! Filha sou eu, mamãe.

Leila     – Mãe?

Mulher    – (off) Estou com tantas saudades de você.

Leila     – Oh não diga.

Mulher    – (off) Estou resolvendo umas coisas aqui, mas logo eu estou indo pra esse fim de mundo.

Leila     – É claro, mãe. Eu mal posso esperar, tenho que ir agora.

Ela desliga.  

Leila     – Merda!

Ela apaga o fogo do fogão e sai correndo, preocupada.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia está sentada, assistindo TV. Omar entra e senta ao lado dela.

Omar      – Ei! Eu dei uma saída com a Clara, como está?

Nádia     – Bem, mas sozinha.

Omar      – Desculpa.

Nádia     – Não é você. É tudo! Eu não tô com vontade de sair na rua e não posso prender a sua vida e nem a vida da Iris.

Omar      – Chama a Iris pra vir aqui quando ela não estiver atendendo.

Nádia     – Eu chamei, mas ela está ocupada com tudo que está acontecendo. Não é só o bordel, é as eleições também.

Omar      – Ah, claro. Eu passei pelo comício vindo pra cá.

Nádia     – E aí?

Omar      – O Alberto está jogando sujo, falando da Marilda. Isso quer dizer que a Suzana também vai jogar sujo.

Nádia     – Ela vai usar a Gina? Coitada dela, não merece isso.

Omar      – Nem a Gina e nem a Marilda. Duas inocentes no meio de uma guerra.

Eles seguem conversando em off.

 

CENA 05. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Nilda sob o palanque. Pessoas em volta deles.

Nilda     – Nós queremos abrir um espaço pra vocês perguntarem, falarem.

Alberto   – Perguntem qualquer coisa que nós vamos responder.

As pessoas perguntam, eles respondem. Suzana se aproxima e estica o braço.

Suzana    – Eu tenho uma pergunta, queridos.

Alberto   – Diga.

Suzana    – Como vocês sabem eu estou concorrendo contra o meu marido. E o motivo disso é que ele me traiu.

Burburinho começa. Nilda encara o Alberto, ele não expressa reação.

Nilda     – Onde você quer chegar com isso, Suzana?

Suzana    – Eu quero chegar na verdade, Nilda. (pausa) E vocês sabem com quem ele me traiu?

Homem     – (distante) Com a Nilda?

Suzana    – Não, não foi com a Nilda. Nós duas não temos o que o Alberto gosta. (pausa) O Alberto me traiu com a Gina! A (faz aspas com a mão) mulher do bordel da Nilda. Ela tem um pau! E é por isso que o meu marido me traiu.

Alberto   – (respira fundo) Você acha que está me ofendendo dizendo isso? Não está não! Eu tive um caso com a Gina sim e isso não é um problema. Ela é uma mulher! Um órgão não define o que ela, Suzana.

Suzana    – Cala a boca! É por isso que eu quero fechar aquele lugar, cidadãos. Ele destrói famílias, corrompe os nossos filhos.

Alberto   – Eu só queria dizer que isso é transfobia e é crime. Todo e qualquer tipo de preconceito não é tolerado.

Suzana    – O recado está dado. Agora eu tenho mais o que fazer.

Ela sai andando. Alberto e Nilda se encaram. Burburinho.

Nilda     – Vamos voltar ao que interessa, pessoas.

Burburinho acaba. Nilda e Alberto voltam a discursar em off.

 

CENA 06. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Quitéria e Robson estão perto do caixão, se despedindo da Marilda. Pérola se aproxima do Lauro. Padre à parte.

Pérola    – O que você veio fazer aqui, Lauro?

Lauro     – Eu sinto muito.

Pérola    – Eu não quero problemas com a sua namorada, estou cansada de problemas na verdade.

Lauro     – Nós não estamos mais juntos, Pérola. (pausa) Podemos conversar lá fora?

Pérola faz que sim e eles saem. Robson percebe.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola andam pela rua, conversando.

Pérola    – O que você quer comigo, Lauro?

Lauro     – Eu estava na casa quanto tudo aconteceu, mas estava bêbado demais pra poder ajudar. Eu sinto muito.

Pérola    – Você não tem culpa. O único culpado está preso.

Lauro     – Isso é bom. Eu sinto muito mesmo, nem consigo imaginar como você está.

Pérola    – Está doendo, eu estou com saudades dela. Mas pensar que ela está num lugar melhor, ajuda.

Lauro     – Ela está mesmo. Eu só queria dizer que eu estou aqui pra qualquer coisa.

Pérola    – Obrigada. Me leva pro bordel? Se eu olhar para o caixão de novo… eu nem sei.

Lauro     – É claro, levo sim.

Eles seguem andando.

 

CENA 08. IGREJA/EXTERIOR/DIA:

O padre benze o caixão. Quitéria e Robson estão emocionados.

Fagundes  – Pronto. O caixão está na companhia de deus. Ele vai garantir que vocês façam uma boa viagem.

Quitéria  – Obrigada, por tudo. Muito obrigada por terem feito isso por mim e por ela.

Robson    – Não foi nada, a Marilda merecia muito mais.

Quitéria  – Eu tenho que ir agora. O pai dela precisa se despedir também.

Fagundes  – Ele não veio?

Quitéria  – Ele não estava em condições, ainda não aceitou muito bem o que aconteceu. (pausa) E pra ser sincera: nem eu.

Robson    – Ninguém aceitou isso.

Padre se despede deles, Robson e Quitéria saem. Os coroinhas levam o caixão.

 

CENA 09. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Quitéria dentro no carro, o caixão sendo posto também. Robson do lado de fora.

Robson    – O carro vai te levar e levar o caixão até o aeroporto de Salvador.

Quitéria  – Muito obrigada.

Robson    – Até logo.

Ela sorri e o carro dá partida. Robson ia embora, mas Marcos surge na frente dele.

Robson    – Rafael?

Marcos    – Nós não tivemos a chance de conversar e pelo visto, eu cheguei tarde.

Robson    – Sim, a missa acabou de acabar.

Marcos    – O pouco que eu conversei com a Marilda, ela parecia uma boa pessoa. Então imagino que você seja.

Robson    – Ela era uma ótima pessoa. Não sabia que tinha ficado tão tocado com ela assim.

Marcos    – Não fiquei, mas ela não merecia ter morrido desse jeito.

Robson    – Ninguém merece. Com sua licença.

Marcos    – Na verdade, não. Eu quero conversar com você sobre as pedras.

Robson    – Nem eu e nem a Pérola, temos cabeça pra isso agora. A Marilda morreu tentando impedir o Mário de pegar as pedras. Não queremos pensar nisso agora.

Marcos    – É claro. Mas assim que estiverem prontos para seguirem em frente, me chamem. Estou disposto a ajudá-los.

Robson sorri e Marcos dá a passagem pra ele. Ele sai e o Marcos o encara saindo.

 

CENA 10. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado, mexendo nuns papeis. Agatha entra e senta ao lado dele.

Agatha    – Estava no comício.

Leonel    – E aí?

Agatha    – Nada demais, os dois estão jogando sujo. Suzana usando a Gina e o Alberto usando a morte da Marilda.

Leonel    – Política de Ilhabela sempre sendo tosca e ridícula.

Agatha    – É normal isso, nada demais. (pausa) E o Mário?

Leonel    – Não sei se acredito ou não no que o Felippo disse.

Agatha    – Faz sentido.

Leonel    – Faz, mas quem mais teria motivo pra matar a Marilda?

Agatha    – Não sei, não faço ideia. Ela parecia uma boa pessoa.

Leonel    – Eu ia adorar que essa pessoa fosse o Marcos pra ele ser responsabilizado por alguma coisa.

Agatha    – Ele conhecia a Marilda?

Leonel    – Ele não disse que sim? Eu não lembro. Minha cabeça está tão cheia no momento.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Leila entra e encontra a Amparo sentada, comendo uma maçã.

Leila     – Amparo, eu preciso da sua ajuda.

Amparo    – O que aconteceu?

Leila     – Minha mãe me ligou e disse que está vindo pra cidade.

Amparo    – Oh, nossa! Estou morrendo de saudades dela.

Leila     – Não precisa mentir, eu sei que a minha mãe é insuportável.

Amparo    – Pra que essa agitação toda? É só a sua mãe na cidade, ela é ruim, mas não é a pior coisa daqui.

Leila     – O problema é que o Thiago é negro. Ela vai surtar!

Amparo    – Ela vai! Ela surta toda vez que você está comigo quanto mais com o Thiago.

Leila     – O que eu faço?

Amparo    – Você não pode impedir a vinda da sua mãe pra cidade, certo? Então prepara o Thiago porque o inferno está chegando.

Leila, preocupada, encara o nada. Amparo continua comendo a maçã.

 

CENA 12. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Nilda em cima do palanque, se despedindo. As pessoas os aplaudem.

Nilda     – Muito obrigada por terem nos escutado.

Alberto   – E tenham uma boa noite.

Eles saem os aplausos.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro, César e Marcos estão sentados à mesa, jantando. Amparo os serve.

 Marcos    – Hoje o dia foi bem agitado, né? O comício acontecendo e a missa pra Marilda.

Lauro     – Foi mesmo. E inacreditável também, nada a ver o Alberto usando a morte da Marilda.

César     – E nem a Suzana usando a Gina contra ele. Isso não se faz.

Amparo    – Nem sei em quem votar. Pensei na Suzana por ela ser mulher, mas não quero a cidade sendo comandada pela religião.

Lauro     – Nem eu.

Marcos    – Não sei se esse assunto é permitido, mas eu quero falar sobre as pedras.

César     – Nem pensar! Não quero esse assunto de volta, uma pessoa morreu por causa disso. Chega!

Lauro     – Eu concordo.

Marcos    – Está bem, não falo mais sobre isso.

Amparo sorri e sai. Os três continuam jantando.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Nádia está penteando o cabelo. Omar entra e se aproxima.

Omar      – Vamos sair?

Nádia     – Ir pra onde?

Omar      – Pro bordel. O comício acabou e eu quero falar a Nilda e com o pessoal.

Nádia     – Com a Clara, né? Está bem, vamos sim.

Ela termina de pentear e os dois saem.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda, Eleonora, Iris e Alberto comemorando. Gina afastada, ela sai.

Nilda     – Não podemos fazer muito barulho por causa da Pérola e do Robson.

Iris      – Mas nós temos que comemorar, Nilda.

Eleonora  – E nós estamos, mas não devemos fazer muito barulho. Eles perderam uma amiga.

Nilda     – Isso mesmo.

Alberto   – Eu estou tão feliz que mesmo depois do que a Suzana disse, eles continuaram lá nos escutando.

Nilda     – Eu também. Achei que eles iam embora e nós íamos ficar com cara de bobo.

Alberto   – E nós ainda saímos aplaudidos. Meu deus!

Eles continuando bebendo, rindo, comemorando.

 

CENA 16. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Gina sai e dá de cara com o Omar e a Nádia entrando. Eles sorriem.

Gina      – Vieram comemorar?

Nádia     – Nós não pudermos ir ao comício, mas queremos demonstrar apoio.

Omar      – Nós sentimos muito pelo que a Suzana disse sobre você.

Gina      – Está tudo bem. E obrigada pelo apoio.

Nádia e Omar entram. Ela senta, pensativa.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar entram, eles comemorando junto com os demais. Alberto percebe a ausência da Gina, ele tira o sorriso do rosto.

Alberto   – Nilda, eu vou indo.

Nilda     – O que? Não! Essa festa é nossa, Alberto.

Alberto   – Eu sei, mas a Gina estava aqui e agora ela não está mais. E se ela não está feliz, eu também não estou.

Nilda     – Você que sabe.

Alberto   – E eu também preciso encarar o furacão Suzana.

Nilda     – É, boa sorte.

Ele dá um abraço na Nilda e sai.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Pérola está deitada na cama. Robson entra e senta ao lado dela.

Robson    – Nem se despediu da Quitéria, saiu com o Lauro.

Pérola    – Nós dois tínhamos que conversar e eu não queria mais olhar pra ela e nem pro caixão.

Robson    – Eu entendo.

Pérola    – Isso é um saco! Essa festa infernal!

Robson    – Eles precisam comemorar, fizeram bem no comício.

Pérola    – Eles usaram a imagem da Marilda, isso é horrível!

Robson    – Eu sei, também estou puto com isso. Mas pelo menos eles comunicaram e não usaram o nome da Marilda.

Pérola    – Do mesmo jeito (pausa) aí chega de falar sobre isso.

Robson    – Mudando de assunto: o Rafael veio falar comigo sobre as pedras.

Pérola    – Outro assunto que eu não quero pensar por enquanto.

Robson    – Foi o que eu disse pra ele, e ele entendeu.

Pérola    – Ótimo e obrigada por tudo. Eu vou dormir.

Robson    – Eu vou dá mais uma volta antes de dormir.

Ele dá um beijo na testa dela e sai. Pérola suspira e fecha os olhos.

 

CENA 19. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana se despede da Zélia, da Célia e da Divina, elas saem. Leila se aproxima.

Leila     – Como está?

Suzana    – Bem. O povo que estava ali ouviu o que eu tinha pra dizer e tenho certeza que eles não vão esquecer o que eu disse. Essa guerra é minha!

Leila     – Boa sorte. (pausa) Eu posso pedir um conselho?

Suzana    – É claro.

Leila     – Minha mãe está vindo pra cidade e ela é um tanto quanto preconceituosa.

Suzana    – O quanto ela é preconceituosa?

Leila     – Ela é racista, nunca agrediu ninguém fisicamente. Mas tem opiniões bem horríveis.

Suzana    – Imagino. E ela não sabe do Thiago, né?

Leila     – Não.

Suzana    – E ele sabe sobre ela?

Leila     – Não.

Suzana    – Conte a ele e diga que eles vão precisar se afastar por causa disso.

Leila     – Eu não que me afastar dele.

Suzana    – É melhor do que ela fazer algo pra impedir esse relacionamento.

Leila concorda e sai.

 

CENA 20. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Thiago está lavando a louça. Leila entra e se aproxima.

Leila     – Ei! Nós precisamos conversar.

Thiago    – Fala.

Leila     – Minha mãe está vindo pra cidade, Thiago.

Thiago    – Legal, eu sempre quis conhecer sua família.

Leila     – O problema é que ela é racista, Thiago. E ela não vai gostar nada do nosso relacionamento.

Thiago    – Oh! Eu entendo.

Leila     – Não! Eu não quero terminar contigo, ela vai vir pra cá e ir embora em uma semana ou menos.

Thiago    – É um tempo, certo?

Leila     – Isso mesmo. É só por uma semana. Eu te amo.

Thiago    – Eu também.

Eles se beijam.

 

CENA 21. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está bebendo uísque, sentada no sofá. Alberto entra e se aproxima.

Alberto   – Aquilo foi ridículo.

Suzana    – Eu avisei que seria guerra e eu disse que iria usar a Gina.

Alberto   – E eu usei a Zélia pra te atacar, e adiantou.

Suzana    – E o meu ataque também funcionou, Alberto. Eles não vão esquecer do que eu disse.

Alberto   – Temos que esperar pra ver quem vai ganhar.

Suzana    – Não precisamos. Eu digo o resultado: eu venci!

Alberto   – Vamos ver.

Ele sorri e sobe as escadas. Ela continua bebendo.

 

CENA 22. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson desce as escadas, Iris percebe. Ele sai e ela vai atrás. Festa continua.

 

CENA 23. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/NOITE:

Robson sai, já ascendendo o cigarro. Iris sai e se aproxima.

Iris      – Desculpa por aquilo

Robson    – Está tudo bem, vocês precisam comemorar.

Iris      – E eu sinto muito pela Marilda, mesmo.

Robson    – Obrigado. (pausa) Aceita?

Iris      – Eu nunca dispenso um cigarrinho.

Eles compartilham o cigarro.

 

CENA 24. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Dias depois.

Agatha e Leonel sentados de um lado, Felippo e Mário de outro. Eles se encaram.

Felippo   – Vocês vão dá segurança ao meu cliente?

Leonel    – Nós vamos.

Mário     – Então eu estou pronto para falar sobre o que sei.

Eles se encaram.

 

CENA 25. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Alberto, Nilda e as meninas do bordel sentadas frente à TV. Eles estão ansiosos.

Repórter  – O resultado chegou. O novo prefeito de Ilhabela é…

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 24

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

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CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Leonel e os policiais entram já arrombando a porta. Thiago sai da cozinha, assustado.

Thiago    – Que merda é essa?

Leonel    – Nós temos um mandato! Revistem tudo!

Eles se encaram e os policiais começam a invadir a casa, procurando por tudo.

 

CENA 02. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Clara e Omar entram na praça. Eles sentam no banco, diálogo já iniciado.

Omar      – Desculpa por ter sumido esses últimos dias.

Clara     – Está tudo bem. Muita coisa aconteceu nesses últimos dias.

Omar      – Eu ainda estou tentando digerir tudo.

Clara     – Imagino. E como está a Nádia com isso tudo?

Omar      – Bem, eu acho. É difícil dizer, de saber.

Clara     – É claro.

Omar      – Mas vamos parar de falar sobre isso.

Clara     – E sobre o que você quer falar?

Eles sorriem. Clara o beija e eles continuam se beijando, conversando, sorrindo.

 

CENA 03. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia e Iris andando na rua, lado a lado. Elas já estão conversando.

Iris      – O que você está sentido, Nádia? Fala alguma coisa.

Nádia     – Eu nem sei como eu estou me sentindo.

Iris      – A Pérola não deveria/

Nádia     – (corta) Não! A Pérola não era minha namorada, ela não é a culpada. O Lauro é! Ele era o meu namorado, ele tinha um compromisso comigo.

Iris      – Eu sei, amiga, mas eu também acho que ela deveria perguntar a ele se tinha namorada ou não.

Nádia     – Iris, você pergunta aos homens que você transa se eles têm namorada?

Iris      – Não.

Nádia     – Exato! Porque você espera que eles não tenham, pois bem, a Pérola não tem culpa.

Iris      – Eu entendi.

Nádia     – Aí como se não bastasse tudo isso, o meu pai mata uma pessoa. O meu pai!

Iris      – Eu nem sei o que pensar sobre isso, quer dizer, é o Mário. Ele é uma ótima pessoa. Se fosse a sua mãe, eu não ia me surpreender, mas o seu pai?

Nádia     – Pois é. Eu nem sei o que pensar sobre isso, muita coisa na minha cabeça.

Iris      – Eu imagino, amiga. Mas eu tô aqui, para sempre e sempre.

Nádia     – Obrigada.

Elas se abraçam e Nádia se segura pra não chorar.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra seguida pela Zélia e pelo Mário. Os três se sentam.

Agatha    – Zélia, você falou com o seu marido sobre aquilo?

Zélia     – Não! Porque o meu marido é inocente e ele não vai confessar algo que ele não fez.

Mário     – Não vou mesmo e eu exijo um advogado.

Agatha    – O seu desejo é uma ordem, Mário. Posso saber quem ele é?

Zélia     – O nome dele é Felippo Campos, é muito conhecido no Rio de Janeiro. É ótimo!

Agatha    – Imagino que sim. Era só isso que tinha a falar com vocês.

Mário beija a Zélia e levanta. O policial entra e o leva. Zélia sai logo em seguida.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Leonel andando de um lado pro outro, olhando tudo à sua volta. Os policiais se aproximam.

Leonel    – E aí?

Policial  – Nós não encontramos nada, chefe. Passamos luminol em todas as possíveis e impossíveis armas do crime e não há nenhum sinal de sangue.

Leonel    – Droga!

Ele quebra a alguma coisa, raivoso. E sai andando, sendo seguido pelos policiais.

 

CENA 06. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Dia seguinte.

Robson está sentado com a Pérola, ambos estão tristes. Quitéria (idosa, cabelos brancos, pele negra) se aproxima.

Quitéria  – Robson? Pérola?

Pérola    – Quitéria! Oh deus! Eu sinto muito, eu sinto muitíssimo.

Pérola levanta e a abraça. Elas se emocionam, Robson também levanta e a abraça.

Robson    – Eu sinto muito pela sua perda, dona Quitéria.

Quitéria  – Nós três perdemos a melhor pessoa desse mundo. Ela vai fazer muita falta, eu nem sei como explicar a dor que eu estou sentido agora. Mas nós precisamos tentar seguir em frente, por ela, ela não ia querer a gente assim.

Pérola    – É claro.

Os três sentam.

Quitéria  – Eu quero levar o corpo dela pro Rio, pra enterrar ao lado do pai dela.

Pérola    – Nós imaginamos isso.

Robson    – Mas nós temos um pedido pra fazer: queremos fazer uma missa pra ela. Só para que ela vá em paz e que a gente possa se despedir.

Quitéria  – É claro. Isso não vai ser um problema.

Pérola    – Obrigada por isso.

Quitéria  – E quanto ao assassino da minha filha?

Robson    – Ele está preso e deve ficar por um bom tempo, todas as provas provão que foi ele.

Quitéria  – Não sei se isso é bom ou não, pra ser sincera. (pausa) Eu não sou ninguém pra julgar, não sou deus, não posso fazer isso. (pausa) Eu o perdoo, ele vai ter o julgamento dele quando chegar a hora.

Pérola    – Vai mesmo.

Quitéria  – Onde está a minha filha?

Robson    – Nós levamos o corpo pra igreja, espero que não tenha problema.

Quitéria  – Não, é melhor que a gente já faça logo a missa. Não quero ficar muito tempo nessa cidade.

Pérola    – É claro.

Eles levantam e saem andando.

 

CENA 07. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Mário está sentado na cama. Zélia e Felippo (homem alto, jovem, branco) se aproximam.

Felippo   – Bom dia.

Mário     – Quanto faz hein?

Felippo   – Um bom tempo imagino. Sua família ficou sem aprontar por um tempo.

Zélia     – Mas o idiota fez o favor de fazer merda.

Felippo   – Conta tudo sobre o caso, o que você fez e o que não fez.

Mário     – Eu entrei no rancho do César pra pegar as pedras preciosas.

Felippo   – Invasão e roubo.

Mário     – Aí eu estava pegando e foi quando a Marilda chegou. Ela tentou me impedir e eu a matei.

Felippo   – Invasão, roubo e assassinato. Interessante.

Zélia     – Ele tá fodido, né?

Felippo   – Sim, obvio. Mas ainda temos esperanças: eles não acharam a arma do crime e nem tem testemunhas.

Mário     – Então o que eles têm contra mim?

Felippo   – O motivo e a câmera de segurança. Mas eu investiguei e descobri que não existe câmera nos fundos da casa.

Zélia     – E isso ajuda em alguma coisa?

Felippo   – Sim. Alguém pode ter entrado pelos fundos e matado a Marilda. Você viu tudo, mas está com medo de contar.

Mário     – Mas quem eu acuso no meu lugar?

Zélia     – Não podemos acusar um inocente, isso vai pegar mal pra mim que estou concorrendo a prefeitura.

Felippo   – Parabéns. Mas eu não estou dizendo pra você acusar um inocente e sim alguém que já cometeu algum crime antes.

Mário     – Em Ilhabela? Impossível! Ninguém mata ninguém aqui a anos.

Felippo   – Não é possível que toda essa população seja boazinha. Eu vou encontrar a laranja pobre.

Zélia     – E enquanto isso?

Felippo   – O Mário vai falar pra Agatha e pro Leonel que ele viu alguém matando a Marilda, mas que não vai falar quem por medo de represália.

Mário     – Faço tudo pra me ver livre dessa merda.

Felippo   – Eu não disse que você vai estar livre ainda tem roubo e invasão, mas isso eu consigo fazer com que você responda em liberdade.

Zélia     – Já está ótimo!

Felippo faz um sinal com o dedo e um policial entra, abrindo a cela. Eles saem.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda está andando de um lado pro outro, nervosa. Alberto entra e se aproxima.

Nilda     – Ainda bem que você chegou. Eu estou tão nervosa.

Alberto   – Eu também.

Nilda     – Você já fez isso antes, Alberto. Essa é a minha primeira vez.

Alberto   – Eu nunca fiz contra a minha própria esposa. E eu nunca usei a imagem de uma morta pra ganhar a eleição.

Nilda     – Não vamos pensar nisso, o que estamos fazendo é para o bem dessa cidade.

Alberto   – Eu sei, mas ainda assim eu sinto que estamos fazendo algo errado.

Nilda     – E estamos! Mas é para um bem maior, Alberto.

Alberto   – Eu sei, eu sei.

Eles continuam conversando, off.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Clara e Omar andando na rua, diálogo entre eles já iniciado.

Clara     – É hoje o comício da Nilda e do Alberto.

Omar      – Eu sei, mas não vou ficar por perto. A minha mãe está apoiando a Suzana, pode não ser uma coisa boa.

Clara     – Imagino que sim. E hoje também tem a cerimônia da Marilda.

Omar      – Outro evento que eu prefiro nem chegar perto. O meu pai a matou.

Clara     – Porque as coisas estão assim pra você e pra Nádia hein?

Omar      – Não sei, mas eu espero que se resolvam logo.

Um homem passa na rua encarando o Omar. Ele não liga, Clara se incomoda.

Clara     – O que foi isso?

Omar      – O meu pai matou alguém, Clara. Isso aconteceu ontem também e está tudo bem. Eu entendo eles.

Clara     – Mas a culpa não é sua! O seu pai matou, não você.

Omar      – Eu sei, mas deixa isso pra lá. Vamos continuar o assunto.

Eles continuam andando e conversando.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. Nádia entra e se aproxima dele.

Nádia     – Bom dia, Thiago.

Thiago    – Bom dia.

Nádia     – Não tem ninguém nessa casa. Cadê o povo?

Thiago    – A sua mãe foi na delegacia ver o seu pai com o advogado. E o Omar saiu com a Clara.

Nádia     – Então nós dois estamos sozinhos.

Thiago    – Não vai hoje ao comício da Nilda?

Nádia     – Eu até pensei em ir, mas minha mãe é vice da Suzana. Mas eu vou votar no Alberto.

Thiago    – Eu ainda não sei.

Nádia     – Vote em quem você acha que vai fazer o melhor pra cidade. Não se sinta pressionado nem por mim e nem pela minha mãe.

Thiago    – Obrigado.

Nádia sorri e sai. Ele continua cozinhando.

 

CENA 11. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Leila entra na sala e encontra a Suzana sentada no sofá, assistindo TV.

Leila     – Bom dia. Vai querer tomar café?

Suzana    – Não! Nada de cafeína pra mim hoje se não eu tenho um piripaque.

Leila     – Como quiser. Está preparada para o comício.

Suzana    – Se eu estou preparada para ver o Alberto ferrar? Estou.

Leila     – Eu fico feliz que a senhora está confiante.

Suzana    – É claro que estou. Essa prefeitura é minha e ninguém vai tirar ela de mim.

Leila sorri e sai.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nilda está andando pelo corredor. Ela encontra com a Eleonora.

Nilda     – Onde você estava? Eu tô indo e quero o meu beijo de boa sorte.

Eleonora  – Desculpa, eu estava me arrumado. Eu sinto muito por não poder ir, mas tenho cliente agora.

Nilda     – Está tudo bem, querida.

Eleonora  – E quanto ao seu beijo…

Elas sorriem e se beijam.

 

CENA 13. DELEGADO/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados. Mário, Zélia e Felippo entram e sentam na frente dos dois.

Leonel    – Bom dia.

Agatha    – É um prazer em te conhecer, Felippo.

Felippo   – O prazer é todo meu.

Zélia     – Será que dá pra ir direto ao assunto, preciso ver o comício do outro.

Felippo   – É claro. O meu cliente alega que ser inocente.

Leonel    – Isso de novo? Nós já dissermos que temos provas que ele é o assassino.

Agatha    – Nós queremos uma confissão, Felippo!

Mário     – Eu não posso confessar algo que eu não fiz, mas posso dizer o que eu vi.

Leonel    – O que?

Felippo   – É isso mesmo. O meu cliente entrou sim no rancho do César pra roubar as pedras. Isso ele confessa, certo?

Mário     – Sim, isso eu fiz. Mas eu não matei a Marilda.

Felippo   – O meu cliente entrou no rancho do César e logo depois, a Marilda entrou. Mas o que vocês não viram foi que uma terceira pessoa também entrou.

Agatha    – Que terceira pessoa? Nós vimos a filmagem da câmera de segurança, Felippo.

Felippo   – Vocês viram a filmagem da parte da frente da casa, não da parte de trás.

Leonel    – Isso é ridículo!

Zélia     – Ridículo é vocês deixarem uma coisa dessas passar.

Felippo   – O meu cliente viu a Marilda ser morta por uma outra pessoa.

Mário     – É isso mesmo. Eu entrei lá e logo depois entrou a Marilda, nós discutimos e logo depois veio essa terceira pessoa. E ele matou a Marilda.

Felippo   – E é por isso que vocês não encontraram a arma do crime no rancho do meu cliente porque não foi ele. A arma do crime pode ser uma das enxadas do rancho vizinho ou uma enxada que o assassino trouxe de fora.

Agatha    – Digamos que isso seja verdade: quem matou a Marilda?

Mário     – Eu não posso dizer.

Felippo   – O meu cliente não vai dizer nada enquanto vocês não garantirem proteção a ele.

Leonel    – Nós não acreditamos nisso, Felippo.

Felippo   – É uma pena porque é verdade. E enquanto vocês pensam se é verdade ou não, eu vou entrar com um pedido para que ele possa responder em liberdade.

Agatha    – Não/

Felippo   – (corta) Passar bem.

Felippo e Mário levantam. Zélia encara o Leonel, irritada.

Zélia     – Você está me devendo uma porta.

Leonel    – O que?

Zélia     – Você quebrou a minha porta na sua invasão e eu tive que pagar o concerto. Está me devendo.

Ela levanta e os três saem. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos desce as escadas e se aproxima do César que está sentado vendo TV. Ele se aproxima.

Marcos    – Bom dia.

César     – Bom dia. (pausa) Cê vai no comício de hoje?

Marcos    – Outro?

César     – Esse é do atual prefeito com a dona do bordel, a Nilda.

Marcos    – Essa cidade é engraçada.

César     – Sempre foi, você que se desacostumou.

Marcos    – É, pode ser.

Eles seguem conversando.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. Amparo entra e se aproxima dele.

Amparo    – Eu tive que passar pelo pasto hoje desde que aconteceu o que aconteceu.

Thiago    – Oh deus! E aí?

Amparo    – Foi horrível. Mas sabe uma coisa que me intrigou? Ninguém está falando das pedras que foram roubadas.

Thiago    – Porque isso não importa agora. A cidade está dividida entre a Suzana e o Alberto, e a morte da Marilda é mais importante.

Amparo    – Sim, eu sei. Mas são diamantes perdidos e ninguém está procurando por eles. Onde será que o Mário os escondeu?

Thiago    – Não sei se ele teve tempo de esconder, deve estar na casa dele.

Eles continuam conversando, Amparo curiosa.

 

CENA 16. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Quitéria, Robson e Pérola entram. Eles se aproximam do Padre que está perto do caixão com o corpo da Marilda.

Fagundes  – A senhora deve ser a mãe da Marilda. Eu sinto muitíssimo.

Quitéria  – Obrigada, de verdade. Obrigada por tudo que vocês estão fazendo pela minha menina.

Pérola    – É o mínimo que nós poderíamos fazer.

Robson    – A Marilda merece até mais que isso.

Quitéria se aproxima do caixão, chorando. O padre abre e ela toca na mão da Marilda. Pérola desvia o rosto, Robson toca o ombro dela.

 

CENA 17. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Iris e Gina estão sentadas na frente do bordel. Eles estão conversando.

Iris      – E como está esse coração hein?

Gina      – Está batendo.

Iris      – Você sabe o que eu quis dizer. Como você e o Alberto estão?

Gina      – Na mesma. Eu não quero sofrer mais, Iris.

Iris      – Eu entendo. Mas dê uma nova chance a ele, ele te ama.

Gina      – Eu duvido disso, Iris. Ele não ama ninguém a não ser si mesmo. Ele me usa pra sexo e usa a Suzana por poder.

Iris      – Pode até ser que ele use a Suzana, mas por você é amor.

Gina      – Não quero mais falar disso.

Iris      – É claro. Vamos falar sobre o comício?

Gina      – É sério Iris. Eu quero tirar o Alberto da minha cabeça.

Iris      – Está bem. Não vamos mais falar sobre ele.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 18. FRENTE À MANSÃO DO PREFEITO/EXTERIOR/DIA:

Suzana está sentada, Célia e Divina se aproximam e sentam ao lado dela.

Célia     – Onde está a Zélia?

Suzana    – Ela deve estar vindo, tinha que ir à delegacia conversar com o Mário.

Divina    – Nós temos mesmo que assistir o comício daqui?

Suzana    – Não podemos chegar perto demais e nem deixarmos de ver. Então será aqui mesmo.

Célia     – Nós temos mesmo que esperar a Zélia? Ela não honra os seus compromissos, Suzana.

Suzana    – Chega disso, Célia! Eu não vou botar você como minha vice-prefeita.

Célia e Divina emburram a cara. Elas olham pra praça, esperando o comício começar.

 

CENA 19. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda e Alberto estão atrás do palanque, conversando.

Nilda     – Está pronto?

Alberto   – Estou!

Nilda     – Eu não, mas a gente consegue não é?

Alberto   – Nós conseguimos! Nós vamos ganhar essa guerra.

Ela sorri e eles saem.

 

CENA 20. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Quitéria, Robson e Pérola sentados. Padre realizando a missa. Lauro entra e os quatro o encaram.

Lauro     – Desculpa.

Ele senta e o padre continua com a missa. Pérola encara o Lauro.

 

CENA 21. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Alberto e Nilda sobem no palanque. Habitantes da cidade em frente a eles. Os dois sorriem.

Alberto   – Bom dia cidadãos de Ilhabela. Como vocês estão?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 23

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Nádia e Omar estão se encarando e ao mesmo tempo, encarando os kimberlito.

Nádia     – O papai roubou do rancho do César?

Omar      – Não sei, será?

Nádia     – Faz sentido. Ele deve ter ido lá roubar isso, a Marilda chegou e o impediu. Eles devem ter discutido e aí, ele a matou.

Omar      – É, deve ter sido isso que aconteceu. E agora? O que a gente faz?

Nádia     – Eu não sei, quais são as nossas opções?

Omar      – Entregar pra polícia ou guardar.

Nádia     – Nós devemos guardar.

Omar      – O que? Não é o certo a se fazer, Nádia.

Nádia     – Pensa bem: nós estamos na merda. O papai matou a Marilda, a mãe não deve conseguir ganhar a prefeitura por causa disso. O papai jogou toda a nossa produção fora pra abrir buracos atrás dessa merda e não encontrou nada. Nós perdemos tudo!

Omar      – Mas/

Nádia     – Eu vou fazer! Se não quiser fazer, tudo bem, eu faço sozinha. Eu escondo sozinha em algum lugar.

Omar encara a irmã, indeciso.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. O telefone toca e ele atende.

Thiago    – Alô.

Agatha    – (off) Thiago? Eu preciso falar com a Zélia, ela está?

Thiago    – Eu vou conferir, mas acho que não. Ela tinha saído de manhã cedo.

Agatha    – (off) Ok, pode ir conferir, eu espero.

Ele deixa o telefone suspenso e sai.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia entra, exausta, e cai no sofá. Thiago sai da cozinha e se aproxima.

Thiago    – Zélia?

Zélia     – O que diabos você está fazendo aqui? Eu te demiti.

Thiago    – Eu sei das condições da família, ninguém vai aceitar trabalhar pra senhora.

Zélia     – Droga! O que você quer de mim? Estou exausta.

Thiago    – Telefone pra você, é a Agatha.

Zélia     – Droga!

Zélia levanta e entra na cozinha. Thiago vai logo atrás.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Nádia encarando o Omar, esperando uma decisão. Ele, indeciso.

Nádia     – Omar! Nós dois não temos o dia inteiro.

Omar      – Ok, eu estou com você. Nós vamos esconder isso.

Nádia     – Ótimo!

Omar      – E onde nós vamos esconder isso agora, Nádia?

Nádia     – Não sei, não tenho ideia. Eu só sei que tem que ser rápido. A polícia deve vir aqui a qualquer momento.

Omar      – Pois é. É melhor a gente entregar isso pra eles logo.

Nádia     – Não! Você topou e agora está comigo nessa.

Omar      – Eu acho que sei onde esconder isso.

Nádia     – Onde?

Omar      – Eu tinha um esconderijo no meu quarto quando pequeno. Eu escondia doce pra comer a noite sem a mãe saber.

Nádia     – Ótimo! Vamos usá-lo.

Nádia pega o saco com os kimberlito e sai com ele. Omar vai logo atrás, os dois tomando cuidado para não serem vistos.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Zélia e Thiago entram na cozinha. Zélia pega o telefone e começa a falar.

Zélia     – Pode falar.

Agatha    – Eu queria te avisar que o Mário está querendo te ver.

Zélia     – Finalmente!

Agatha    – E eu preciso conversar contigo também sobre ele.

Zélia     – Estou indo agora mesmo, Agatha.

Ela desliga e sai. Thiago fica curioso.

 

CENA 06. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Amparo e Leila entram na praça e sentam no banco. Diálogo já iniciado.

 

Amparo    – Eu tô completamente perdida com tudo que está acontecendo.

Leila     – Eu também. Qual é motivo do Mário ter matado a Marilda?

Amparo    – Não faço ideia! Tem a ver com as pedras, isso eu sei. Mas o que mais?

Leila     – Muito confuso e estranho como as coisas aconteceram. Muito rápido!

Amparo    – E a Suzana? Como ela está?

Leila     – Mal. Ela está pensando em como resolver essa situação toda.

Amparo    – Imagino que sim. Eu quero só ver como essas coisas vão acabar.

Leila     – Eu também.

Elas seguem conversando.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina e Alberto se encarando. Ele está esperando uma resposta.

Gina      – O que você quer?

Alberto   – Eu só quero esclarecer as coisas entre nós.

Gina      – Não existe mais nós. Eu estou atrapalhando a sua vida com a Suzana, já entendi.

Alberto   – Não tem mais uma vida entre eu e a Suzana. Eu te amo! E eu te quero, Gina.

Gina      – Mas nunca vai ter algo sério entre a gente, não é? Eu só sou sexo.

Alberto   – Não! Você é tudo na minha vida. Mas eu não posso, não agora, não com a eleição.

Gina      – Então é assim que ficamos. Eu cansei de sofrer! Não quero ficar alguém que não se entrega 100 por cento.

Alberto   – Por favor/

Gina      – (corta) Não!

Ela sobe as escadas. Alberto bufa e sai, chateado.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Gina entra num quarto. Clara surge de um lado e Iris de outro, elas se aproximam.

Clara     – Estava te procurando. Nós precisamos ir falar com a Nádia e com o Omar.

Iris      – Nossa! É mesmo. Tem muita coisa acontecendo com eles. Precisamos ir mesmo.

Clara     – Vamos agora?

Iris      – É claro.

Clara     – Ótimo.

Elas saem andando juntas.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia entram segurando o saco com os kimberlito. Eles se encaram.

Nádia     – Onde que fica o esconderijo de doces?

Omar      – Você vai ter me ajudar a arrastar a cama.

Eles arrastam a cama e Omar se agacha. Ele abre o piso-falso, mostrando um pequeno compartimento.

Omar      – É pequeno, eu só usava pra esconder doce da mãe. Mas acho que dá.

Nádia     – Por ora está ótimo. (pausa) Desculpa ter te forçado a fazer isso.

Omar      – Tudo bem, é pela nossa família e eu quero ajudar a melhorar a nossa situação.

Nádia     – Obrigada por tudo.

Eles botam o saco no compartimento. Omar o fecha e eles botam a cama no lugar.

 

CENA 10. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes está ajoelhado, rezando. Robson entra e se aproxima.

Robson    – Padre? Desculpa interromper o senhor.

Fagundes  – Sem problemas. (levanta) Robson, não é?

Robson    – Isso mesmo. Nós nos falamos pelo telefone, lembra?

Fagundes  – É claro. Não vai mais a ver enterro da vítima aqui?

Robson    – Não, a mãe dela está vindo pra cá e ela deve querer levar o corpo pro Rio.

Fagundes  – É claro. (pausa) Eu sinto muitíssimo pela sua perda, mas ela deve estar ao lado de deus.

Robson    – Está sim. Ela foi a mulher mais legal que eu já conheci e (começa a chorar) eu me arrependo tanto.

Fagundes  – Porque?

Robson    – (chora) Nós nos amávamos, tínhamos tudo pra ser um ótimo casal. Mas eu sempre quis saber de sair, de curtir, de ter várias mulheres. Eu estraguei a felicidade que a Marilda poderia ter tido.

Fagundes  – Não se culpe tão, meu jovem. Esse era o destino dela, ela cumpriu o seu papel aqui na Terra. E eu sei que é difícil, mas pense no lado bom: ela está num lugar melhor que esse.

Robson    – (chora) Eu sei que sim, mas eu ainda me culpo. Ela foi pro rancho sozinha, eu deveria ter ido com ela. Eu matei ela!

Fagundes  – Não, não. O Mário atirou, ele a matou. E se você tivesse ido, poderia estar morto também. Aí sua amiga estaria sozinha, seus pais perderiam um filho.

Robson    – (chora) Eu sei, mas disso melhora. Minha dor só aumenta toda vez que eu tenho que olhar pra Pérola, toda vez que eu penso da mãe dela. Eu/

Ele não se aguenta e desaba. O padre se aproxima e o abraça.

 

CENA 11. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Célia, Divina e Suzana estão sentadas no sofá, tomando café e conversando.

Célia     – O que está acontecendo com essa cidade nesses dias?

Divina    – Não sei! Até parece que o coisa ruim se instalou nessa cidade.

Suzana    – Eu não sei o que faço com a Zélia, nós estamos na merda!

Célia     – Ela e o marido dela podem causar a nossa perda na eleição.

Divina    – E nós perdermos, o bordel vai dominar essa cidade.

Suzana    – O que eu faço?

Célia     – Nós duas gostamos muito da Zélia, consideramos ela parte da família.

Divina    – Mas mudanças precisam ser feitas para que a gente não perca.

Célia     – E nós chegamos à conclusão que será melhor tirar a Zélia do cargo de vice-prefeita.

Suzana    – Será que é pra tanto? E se eu tirar, quem eu ponho no lugar?

Célia     – É lógico que é pra tanto. Ela pode destruir tudo!

Divina    – E quanto a quem botar no lugar, nós pensamos na Célia.

Célia     – Eu! Célia, Zélia, até o nome é igual Suzana. E eu posso garantir que meu marido não vai matar ninguém, até porque eu não tenho um.

Suzana    – Não quero ofender vocês duas, mas a família da Zélia tem importância nessa cidade. Se for pra tirar ela, eu tenho que pôr alguém tão grande quanto ela.

Célia     – Oh, entendi.

Suzana    – Desculpa.

Divina    – Nós entendemos. (olha pro relógio) Nós temos que ir, irmã.

Célia     – É, temos mesmo. Tchau.

Elas levantam e saem. Suzana ri e continua bebendo o café.

 

CENA 12. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha está sentada, mexendo no computador. Zélia entra e se aproxima.

Agatha    – Bom dia.

Zélia     – Onde está o meu marido, Agatha?

Agatha    – Nós temos que conversar primeiro.

Zélia     – É só dizer.

Agatha    – Nós temos todas as provas contra o seu marido, só precisamos da confissão dele. Por favor, nos ajude.

Zélia     – Ele disse que não foi ele então não foi ele.

Agatha    – Nós temos a câmera de segurança, temos testemunhas.

Zélia     – E a arma do crime?

Agatha    – O que tem ela?

Zélia     – Vocês a tem? Vocês têm a arma do crime com as digitais do meu marido?

Agatha    – Não, mas o meu pai está com o mandato a caminho de sua casa e sei que nós vamos encontrar.

Zélia     – Isso é ridículo! Armaram pra eu sair de casa?

Agatha    – Nós vamos encontrar a arma então, trate de conversar com seu marido sobre ele confessar.

Zélia     – Eu vou falar é com o nosso advogado isso sim.

Agatha levanta e Zélia logo em seguida. Elas saem juntas.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia estão sentados no sofá. A campainha toca e Omar abre. Clara e Iris entram.

Clara     – Nós viemos aqui pra tirar vocês de casa.

Iris      – Isso mesmo! Chega de ficar dentro de casa. Vocês precisam ver gente, ver a vida.

Nádia     – Não quero. Pode ir se quiser, Omar.

Omar      – Não, eu acho melhor ficar com a minha irmã.

Clara     – Nós não vamos sair daqui enquanto não forem conosco.

Nádia     – O Lauro, eu não quero encontrar com ele.

Iris      – Se encontrar, nós mudamos de direção e fingimos que nem o vimos

Omar      – Pode ser legal, Nádia, sair daqui um pouco.

Nádia     – Está bem, eu vou.

Nádia levanta e os quatro saem.

 

CENA 14. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada na cama, triste. Nilda entra e senta ao lado dela.

Pérola    – Desculpa não estar indo tomar café e almoçar com vocês.

Nilda     – Está tudo bem, nós entendemos querida.

Pérola    – Eu estou na merda, Nilda.

Nilda     – Imagino que sim e eu vim aqui pra te dar mais uma notícia ruim, mas é importante que você saiba de mim.

Pérola    – Aí deus! O que aconteceu dessa vez?

Nilda     – Não sei se você sabe, mas está rolando uma disputa na cidade entre marido e mulher. O Alberto é o prefeito da cidade e está chegando a época de reeleição, até aí tudo bem. Mas acontece que a esposa dele, Suzana, decidiu se concorrer contra ele.

Pérola    – Nossa!

Nilda     – Pois é. Está um atacando o outro, uma confusão. O Mário foi preso por matar a Marilda, certo? Então ele é marido da Zélia que é vice-prefeita da Suzana. E o Alberto resolveu usar isso pra prejudicar a esposa.

Pérola    – É o que? Ele vai usar a imagem da minha amiga pra ganhar uma eleição?

Nilda     – Eu sinto muito. Mas o que está acontecendo nessa cidade é uma guerra e nós precisamos vencê-la. Se o Alberto perder, eu perco o bordel.

Pérola    – Isso é tão egoísta!

Nilda     – Eu sei, mas política é isso. E eu sinto muito, mas é isso que nós vamos fazer.

Pérola    – Isso é imperdoável! Sai daqui, Nilda.

Nilda     – Estou indo, desculpa.

Nilda sai. E Pérola, muito triste, desata a chorar.

 

CENA 15. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Zélia e Agatha entram no corredor de celas. Elas se aproximam da cela do Mário.

Mário     – Zélia!

Zélia     – Mário!

Eles dão um selinho. Agatha os deixa sozinho, eles se encaram.

Zélia     – O que você fez? Você matou alguém enquanto eu estou concorrendo a vice-prefeita? Idiota!

Mário     – Desculpa. Não era pra eu ter matado essa menina.

Zélia     – Mas você o fez! Você a matou! Isso é burrice!

Mário     – Eu errei, mas nós precisamos seguir em frente. Preciso sair daqui.

Zélia     – E eu vou.

Mário     – Liga pro Felippo, o meu advogado.

Zélia concorda e ele sorri.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Leonel e os policiais entram já arrombando a porta. Thiago sai da cozinha, assustado.

Thiago    – Que merda é essa?

Leonel    – Nós temos um mandato! Revistem tudo!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 22

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Agatha e Leonel se encarando. Thiago só observando.

Zélia     – É o que? Expliquem isso agora mesmo.

Leonel    – Uma mulher foi encontrada morta no rancho vizinho e ele é o nosso principal suspeito.

Agatha    – E nós queremos acompanhá-lo para delegacia.

Zélia     – O assassinato não aconteceu aqui, certo? Aconteceu lá! Prendam o César e não o meu marido.

Leonel    – Nós temos provas que o seu marido a matou e não o César.

Agatha    – Aonde é que está o Mário?

Zélia     – Eu não falo e até onde eu sei vocês precisam de um mandato pra revistar a minha casa. Então, tchau.

Leonel    – (sorri) Isso aqui não é a capital, Zélia. Nós não temos um tribunal, nós dois fazemos as regras.

Zélia     – Pois eu não digo onde o Mário está.

Agatha    – (ao Thiago) Onde está o seu chefe?

Zélia     – Não diz!

Thiago    – Lá em cima, no quarto.

Agatha    – Obrigada.

Agatha sobe as escadas. Zélia ia pra cima do Thiago, mas o Leonel a segura.

Leonel    – Quer ser presa por agressão, Zélia? Não, né?

Zélia     – (ao Thiago) Você está demitido! Sai daqui!

Thiago não o faz. Zélia se ajeita e encara o Leonel, furiosa.

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Agatha entra e encontra o Mário saindo do banheiro, ele se surpreende.

Mário     – O que é isso?

Agatha    – Você está preso!

Mário     – Isso é loucura! O que foi que eu fiz? Posso saber?

Agatha    – Você está sendo acusado do assassinato da Marilda.

Mário     – Marilda? Eu nem sei quem é essa! Isso é coisa do César, né? Isso é ele tentando me culpar.

Agatha    – Mário, não resista a prisão, vai ser pior.

Mário     – Não estou resistindo, estou questionando. É loucura!

Ela se aproxima e o joga na parede, o prendendo. Ele começa a gritar e eles saem.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar comendo alguma coisa e vendo TV. Eles escutam os gritos do Mário.

Nádia     – O que é isso?

Omar      – É o papai!

Eles se encaram, levantam e saem do quarto, preocupados.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Mário sendo levado pela Agatha. Omar e Nádia saem e vêm a cena.

Nádia     – Pai?

Omar      – O que aconteceu? Solta ele! Solta o meu pai!

Agatha    – O seu pai está sendo levado à delegacia, sua mãe vai explicar vocês o que está acontecendo.

Leonel    – Eu vou voltar, filhos. Isso é coisa do César, eu volto.

Agatha sai com o Leonel. Nádia e Omar, confusos, seguem atrás.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário, Agatha e Leonel saem. Nádia e Omar descem as escadas e se aproximam da Zélia.

Nádia     – Que merda está acontecendo, mãe? O que o papai fez?

Zélia     – Ao que parece que matou a Marilda, menina que trabalhava aqui com a Pérola.

Omar      – E porque ele faria isso?

Zélia     – E eu sei? Eu só sei que ele é o principal suspeito. O corpo foi achado no quintal do vizinho.

Nádia     – Ele disse que é uma armação do César, é possível?

Zélia     – Não, isso é loucura do seu pai. O César não tem nada a ver com isso.

Omar      – E como você sabe?

Zélia     – Eu conheço o César.

Nádia     – Então está dizendo que o papai matou essa moça?

Zélia     – Não sei, vai saber. O seu pai chegou em casa estranho, gritou comigo sem motivo. Pode ser!

Omar      – Meu deus! O nosso pai é um assassino? Quer dizer, quantas mais foram mortas por ele?

Nádia     – Como você está de boas com isso, mãe? É o papai sendo preso por assassinato.

Zélia     – Eu estou de boas porque o seu pai não me importa agora. O que me importa agora sou eu! É a nossa família! Eu estou concorrendo a prefeitura. Vão foder com a gente agora. É isso que eu me importo!

Nádia     – Meu deus! Você se tornou uma pessoa fria, mãe. Como você pode pensar nisso nessas horas?

Zélia     – É a realidade, filha. Não vou mentir pra vocês.

Omar      – Vamos subir, Nádia. É melhor a gente subir.

Nádia     – Omar/

Omar      – (corta) É melhor a gente subir, Nádia.

Nádia e Omar sobem as escadas. E Zélia, bufando, senta no sofá.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago está sentado numa cadeira. Amparo entra e senta ao lado dele.

Amparo    – Consegui dá uma saída lá do rancho. E aí?

Thiago    – E aí que levaram ele. Isso é inacreditável! É o seu Mário sendo preso por assassinato.

Amparo    – Não é? Ele é maluquinho, nós até suspeitamos que ele pudesse roubar as pedras. Mas matar essa moça?

Thiago    – E sabe que eu lembrei agora? O Mário sendo preso afeta na candidatura da Suzana com a Zélia.

Amparo    – É mesmo. Ligou pra Leila?

Thiago    – Não, pensei que você tivesse ligado.

Amparo    – Não liguei não, mas vou fazer isso agora.

Ela levanta e se aproxima do telefone, já discando os números.

Leila     – (off) Alô.

Amparo    – Leila, é a Amparo. O Mário acabou de ser preso acusado de assassinato.

Leila     – (off) É o que?

Amparo    – Sabe a Pérola? Ela tem uma amiga chamada Marilda, então, ela morreu! E o principal suspeito é o Mário e ele foi levado.

Leila     – (off) Meu deus! Isso vai afetar na eleição, com certeza.

Amparo    – É pra isso que estou te ligando. Avisa a Suzana sobre isso, ela precisa estar preparada.

Leila     – (off) Vou fazer isso agora mesmo. Tchau.

Ela desliga e se aproxima do Thiago novamente. Eles seguem conversando em off.

 

CENA 07. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo. Leila se aproxima. 

Leila     – Suzana?

Suzana    – Ainda está acordada, Leila? Pode ir dormir.

Leila     – Eu quero falar algo contigo, é importante.

Suzana    – Fala, criatura.

Leila     – Eu acho que não tem jeito de falar isso sem que/

Suzana    – (corta) Fala logo!

Leila     – O Mário acabou de ser preso acusado de assassinato.

Suzana    – Não! Diz pra mim que isso é mentira, o idiota do Mário não faria algo assim. Ele não iria destruir as minhas chances de ser prefeita!

Leila     – Eu acho que ele não pensou nisso quando ele matou essa moça.

Suzana    – Essa mulher que morreu era da cidade?

Leila     – Não, não. É uma visitante, estava aqui por causa do lance das pedras preciosas.

Suzana    – Oh, menos mal. Ninguém se importa com esse grupinho.

Leila     – O que a senhora vai fazer?

Suzana    – Não, preciso pensar em algo. E não ouse em contar pro Alberto.

Leila     – Não vou, mas ele vai descobrir de qualquer jeito.

Suzana    – Eu sei, está liberada Leila. Pode ir.

Leila sai. Suzana pega a garrafa de uísque e começa a beber no gargalo.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Robson entram no bordel, abalados e tristes. Clara, Gina e Iris percebem.

Clara     – O que aconteceu? Onde está a Marilda?

Iris      – Aí deus! Não diga que ela está/

Robson    – (corta) Ela morreu! Marilda está morta.

Pérola    – Nós não queremos falar sobre isso, então, vamos subir.

Gina      – Como ela morreu?

Clara     – Gina!

Robson    – Ela foi assassinada pelo Mário, ele já foi preso.

Gina sobe as escadas correndo. O restante não entende o que aconteceu.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda estão deitadas na cama, nuas e aos beijos. Gina entra.

Eleonora  – Gina!

Gina      – Desculpa, não queria atrapalhar. Mas é algo aconteceu.

Nilda     – O que aconteceu?

Gina      – O Mário matou a Marilda e ele foi preso.

Eleonora  – O Mário?

Nilda     – Isso significa que/

Gina      – (completa) que a candidatura da Suzana e da Zélia foi prejudicada.

Nilda sorri e beija a Eleonora de felicidade. Ela se veste e sai, Eleonora e Gina se encaram.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nilda encostada na parede. Ela está com telefone no ouvido.

Nilda     – Alberto, escuta, isso é ótimo!

Alberto   – (off) Uma pessoa morreu, Nilda, isso não é bom.

Nilda     – Essa parte é ruim, mas com a morte dela, as pessoas vão cair em cima da Zélia.

Alberto   – (off) Nós devemos usar a morte da Marilda pra ganhar?

Nilda     – Nós devemos e podemos, Alberto.

Alberto   – (off) Está bem. Nós conversamos melhor amanhã.

Ela desliga, sorrindo.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Mário está sentado na frente do Leonel e da Agatha. Diálogo já iniciado.

Mário     – Eu quero um advogado! Eu exijo um.

Agatha    – Isso de novo? Isso aqui não é série americana não, é realidade.

Leonel    – Mário, nós temos todas as provas contra você. Vai assumir ou não?

Mário     – Não! Porque não fui eu! Eu não matei a Marilda.

Agatha    – A única coisa que falta pra gente ter certeza que é você é a arma do crime. Nós vamos entrar na sua casa e achar.

Leonel    – E nessa arma, provavelmente uma enxada, vai ter sua digital e o sangue da vítima.

Mário     – Vocês não vão encontrar nada porque eu não matei ela.

Agatha    – Chega! (grita) Policial!

O policial entra e leva o Mário. Agatha encara o Leonel, ambos irritados.

 

CENA 12. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá. Alberto desce as escadas, batendo palmas.

Alberto   – Você disse que ia jogar sujo usando o meu caso com a Gina. E agora eu tenho o assassinato da Marilda contra você.

Suzana    – Não é contra mim, é contra a Zélia e o Mário.

Alberto   – Ela é sua vice, Suzana. E mesmo que você tire ela, as pessoas vão te questionar. Afinal você confiou na mulher de um assassino.

Suzana    – E sua vice é uma prostituta dona de um bordel.

Alberto   – Mas ela nunca matou ninguém, muito pelo contrário. Nilda abrigou na casa dela aquelas meninas e dá prazer a muitos homens e mulheres dessa cidade.

Suzana    – Faça-me o favor. Abrigou? Ela escraviza aquelas meninas. (pausa) Era só isso que você queria? Jogar na minha cara?

Alberto   – Não, eu desci até aqui porque eu quero te fazer uma proposta. Eu não quero usar a morte dessa menina. Então vamos fazer assim: eu não uso isso e você não usa a Gina.

Suzana    – Não!

Alberto   – Não? Você vai perder, Alberto.

Suzana    – Não! Eu me garanto, não preciso de propostinha pra ganhar.

Alberto   – Ok, você que sabe.

Ele sobe as escadas. Suzana bufa.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Zélia está deitada no sofá, pensativa e preocupada.

Zélia     – Eu preciso resolver as merdas do Mário, mas como meu deus?

Ela fica se revirando no sofá, bem inquieta. Até que ela para e pensa.

Zélia     – Ele chegou estranho, estava escondendo algo. Eu vi (pausa) devia ser a arma do crime. Então a polícia não tem a arma do crime? (pensa) Ele deve ter levado a arma lá pra baixo. Oh deus! É isso!

Ela levando e sai correndo.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Cômodo empoeirado e sujo. Zélia desce as escadas e olha em volta.

Zélia     – Há quanto tempo o idiota do Thiago não limpa isso aqui? Meu deus! (pausa) Onde está a merda da arma?

Ela olha em volta e encontra a enxada suja de sangue. Ela sorri.

Zélia     – Achei! Agora eu preciso dá um fim nisso. Mas aonde? Fogo? Não! Lago? Sim!

Ela pega a enxada e sai correndo com ela, mas ao mesmo tempo com cautela para que não a vejam.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Nádia está sentada na cama e Omar está dormindo no chão. Ele começa a despertar e percebe que a Nádia está acordada.

Omar      – (sonolento) Bom dia. Você dormiu bem?

Nádia     – Não, na verdade eu nem dormi. O nosso pai foi preso e a nossa mãe não está nem ligando pra isso. Que família é essa, Omar?

Omar      – Eu sei, eu também fiquei pensando nisso. Sonhei com ele matando mais gente.

Nádia     – O nosso pai é um assassino! Ele pode ter matado mais gente e ter escondido no nosso quintal.

Omar      – Não, acho que ele não é um serial killer. Acho que foi a primeira, tanto que acharam ele rapidamente.

Nádia     – É, tem razão. Mas do mesmo jeito, ele matou uma mulher inocente. (pausa) E a nossa mãe nem se importa?

Omar      – Ela está ocupada com outras coisas, talvez não tenha caído a ficha ainda.

Nádia     – Para de defender ela! Ela não merece todo esse amor. Ela está preocupada com a prefeitura, com o fechamento do bordel e não com a gente.

Omar      – Eu sei, mas isso não muda o fato dela ser a nossa mãe, Nádia. Ela tem seus defeitos, não são poucos, mas ela é a nossa mãe.

Nádia bufa e emburra a cara. Omar levanta e senta ao lado dela.

Omar      – Eu te entendo e entendo o seu ponto. Mas eu não vou deixar de ficar do lado dela.

Nádia     – Eu sei disso. Você sempre vai defender ela.

Omar      – Não é isso, é que eu a entendo mais que você a entende. Mas eu também acho que ela está errada.

Omar abraça a Nádia e ela deita sua cabeça no ombro dele.

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Marcos e César estão sentados, tomando café. Amparo os serve.

Marcos    – O que foi que aconteceu ontem aqui?

César     – Eu não entendi até agora. O Mário entrou aqui pra roubar os kimberlito? E acabou matando a Marilda?

Marcos    – Ela desconfiou e veio atrás dele. (pausa) O Mário já tinha apresentado esse tipo de comportamento antes?

César     – Não mesmo. Quer dizer, ele sempre pareceu maluco pra mim, mas matar?

Marcos    – Estranho.

Amparo    – Engraçado você julgar ele por ter matado alguém, quando já fez isso antes.

Marcos    – Eu nunca matei ninguém, Amparo. Mas você jura que sim.

Amparo    – Não sou só eu, querido. O delegado também. (pausa) Eu soube que o seu motivo de estar aqui era uma matéria para o seu jornal e quem tinha te chamado era a Marilda. Ela morreu e agora?

Marcos    – Agora eu vou continuar aqui. Não estava trabalhando só pra ela, mas também com o Robson e com a Pérola. E ela me pediu algo antes de morrer, e estou pensando em realizar esse pedido.

Amparo    – É claro que está.

César     – Chega disso vocês dois. Eu já disse que não quero essa troca de farpas.

Eles se calam. Lauro entra, confuso, e senta frente a eles. Amparo o serve.

Lauro     – Meu deus! Minha cabeça está doendo tanto.

Amparo    – Tem remédio aqui, depois que tomar o café eu te dou.

Marcos    – Você perdeu algo chocante ontem à noite.

Lauro     – O que aconteceu?

César     – Marilda morreu no meu pasto, assassinado pelo Mário.

Lauro     – É o que?

Amparo    – Isso mesmo que escutou.

Lauro     – Meu deus! A Pérola, ela deve estar muito mal. Eu preciso falar com ela.

Amparo    – Você não vai sair daqui nesse estado.

César     – E agora ela deve estar querendo estar sozinha. É melhor vocês se falarem depois.

Lauro     – É claro. (pausa) E a Nádia? O pai dela matou alguém. Ela também deve estar na merda.

Amparo    – Você está realmente querendo ir falar com depois do que você fez.

Marcos    – O que ele fez?

Amparo    – Ele traiu ela com a Pérola e ela viu tudo.

Lauro     – Sem julgamentos. Eu sei que errei e não, eu não vou falar com ela agora. Eu vou piorar tudo.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado na cadeira, mexendo no computador. Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – Bom dia, pai. Eu tenho uma boa e eu uma má notícia.

Leonel    – Bom dia. Me fala a boa primeiro.

Agatha    – A boa é nós conseguimos acesso as câmeras da rua.

Leonel    – E aí?

Agatha    – Provou o que a gente já sabia. Todo mundo sai de casa, o Mário entra e logo depois entra a Marilda.

Leonel    – Isso é ótimo! Mas nós ainda não temos a arma do crime e nem a confissão.

Agatha    – E é sobre isso que é a má. Eu liguei pro juiz vizinho e consegui o mandato pra revistar a casa.

Leonel    – Isso é bom.

Agatha    – Espera. Ele disse que só vai entregar o mandato se o Mário tiver os direitos dele.

Leonel    – Advogado?

Agatha    – Isso mesmo e a gente não encontrar a arma, ele vai conseguir sair daqui fácil fácil.

Leonel    – Não aceito ter que arquivar mais um caso. Chama o Mário aqui, vamos tentar conseguir uma confissão.

Agatha concorda e sai.

 

CENA 18. LAGO/EXTERIOR/DIA:

Zélia se aproxima do lago segurando uma enxada envolvida num plástico.

Zélia    – Adeus!

Ela joga a enxada no lago e ela começa a afundar. Ela sorri e sai.

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra com o Mário. Ele sente frente ao Leonel e ela senta ao lado dele.

Mário     – O que querem agora?

Leonel    – Nós queremos uma confissão, Mário. Nós sabemos que foi você, temos o vídeo de segurança.

Agatha    – Vamos fazer um acordo. Você confessa e nós diminuímos a sua pena.

Mário     – Eu não falo nada, não digo nada e não assino acordo nenhum sem o meu advogado.

Agatha    – Nós ajuda a te ajudar, Mário.

Mário     – Não! Eu quero o meu advogado! E enquanto eu não tiver, eu não digo nada.

Leonel    – Isso é perda de tempo! É ridículo! (grita) Policial!

O policial entra e leva o Mário. Leonel encara a Agatha.

Leonel    – Chama a Zélia aqui, diz pra ela ligar pra um advogado.

Agatha    – E a revista da casa?

Leonel    – Você fica aqui com a Zélia e com o Mário, eu vou revisto a casa. Liga pro juiz.

Agatha    – É melhor você encontrar essa arma, pai.

Leonel    – Eu vou.

Ele levanta e sai. Agatha começa a fazer umas ligações.

 

CENA 20. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda e Alberto estão sentados, conversando. Gina desce as escadas e o vê.

Alberto   – Eu cansei de brincar com a Suzana. Eu tentei fazer um acordo com ela, mas não rolou.

Nilda     – E o que isso significa?

Alberto   – Isso significa que nós vamos jogar sujo também.

Nilda     – Ótimo! Eu vou marcar o comício pra amanhã mesmo.

Alberto   – Marca o mais perto possível da hora do enterro.

Nilda     – Não é ousado demais?

Alberto   – Não, eu vou jogar direito. Eu sei o que fazer.

Nilda sorri. Gina faz barulho e Alberto percebe. Ele levanta e se aproxima.

Alberto   – Gina (pausa) nós podemos conversar?

Eles se encaram.

 

CENA 21. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada na cama, chorando. Robson entra e se aproxima.

Robson    – Ei! Você precisa comer alguma coisa.

Pérola    – Eu estou sem fome, eu só quero a Marilda de volta.

Robson    – Eu também, mas pense nela Pérola. Ela não ia gostar de te ver nesse estado.

Pérola    – Eu sei, mas eu não consigo. Eu penso nela toda hora.

Robson    – A culpa é minha. Eu poderia ter evitado isso se tivesse ido com ela.

Pérola    – Não! Não é. É a Marilda, ela teria ido de qualquer jeito. E se você tivesse ido, poderia estar morto também. E aí eu não ia aguentar, Robson.

Robson    – Tem razão, mas eu ainda sinto que a culpa é minha.

Pérola    – Não é, é do Mário. A culpa é toda dele! (pausa) Aí deus! Eu esqueci de ligar pra família dela. Nem perguntei se está tudo bem ela ser enterrada aqui.

Robson    – Eu liguei. A mãe está vindo, mas eu não disse nada sobre o enterro. Eu acho que ela vai querer levar a Marilda.

Pérola    – É claro que vai. Eu sou uma idiota mesmo.

Robson    – Não, você não é. Está tudo bem, Pérola. Quando ela chegar, nós conversamos com ela.

Pérola deita no colo do Robson e ele faz carinho no cabelo dela.

 

CENA 22. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia estão deitados na cama, assistindo TV e conversando.

Nádia     – Sabe o que estava lembrando? De quando a mãe era uma pessoa normal, de quando essa família era normal.

Omar      – Isso faz tempo, eu ainda era pequeno.

Nádia     – As coisas mudaram tão rápido com a gente.

Omar      – Desculpa.

Nádia     – Não! A culpa não é sua. Mamãe que botou esse sonho de ser padre na sua cabeça. E as coisas mudaram.

Omar      – Não é só a mãe, eu também quero ser padre.

Nádia     – Eu sei. (pausa) Mas de qualquer jeito a culpa não é sua. (pausa) Será que aquelas fotos ainda estão no porão?

Omar      – Eu acho que sim.

Nádia     – Vamos lá pegar? Estou com vontade de ver essas fotos.

Omar      – Vamos, mas aquele lugar tá sujo demais. O Thiago nunca limpou ali dentro.

Nádia     – Tá com medo de rato agora, Omar? Meu deus! Vamos logo.

Omar e Nádia levantam da cama e saem do quarto.

 

CENA 23. RANCHO DO MÁRIO/PORÃO/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia descem as escadas. Eles olham em volta, procurando.

Nádia     – Tem boneca minha ali, eu nunca gostei de brincar de boneca.

Omar      – E nem eu de bola. Nunca entendi a graça de vinte dois homens correndo atrás de uma bola.

Nádia     – Estereótipos nem sempre se aplicam, né mesmo?

Omar      – (aponta) Será que está naquele baú?

Omar se aproxima do baú e abre. Ele encontra um saco e ao abrir esse saco encontra os kimberlito.

Omar      – Meu deus!

Nádia     – O que foi?

Ela se aproxima e vê. Os dois se encaram, assustados.

Nádia     – Isso é?

Omar      – Os kimberlito!

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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