INSENSATO PODER | CAPÍTULO 23

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UMA NOVELA DE GILBERTO NASCIMENTO

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 23

Adalberto, Dante e o
restante conseguem passar pelo portão tranquilamente. Dante olha para o céu.
Todo suado… Ele dá um sorriso emocionado:
DANTE– Livre! Agora sim!
Livre. E vou fazer de tudo pra provar a minha inocência.
 
Continuando. David
fica perplexo com a negação de Babalu:
DAVID

Você vai ter coragem de negar doar sangue para o próprio irmão? Não acredito
nisso. Bernardo, você parece ser ruim, mas não é. Ai dentro do seu coração
ainda tem uma pessoa boa, tem alguém de bom senso e tenho certeza, por mais
difícil que seja, você vai doar sangue ao Luciano.
BABALU– (pensativo) Eu não sei. Eu
não sei.
DAVID– (ajoelhando diante de Babalu)
Eu imploro por tudo que é mais sagrado. Eu amo o Luciano e não quero perde-lo e
só você pode ajudar nesse momento. Só você.
BABALU– Levanta desse chão. Eu vou
doar. Fique tranquilo.
David agora feliz dá
um abraço em Babalu. David limpa as lágrimas e Babalu sai todo sem graça.
 
Beatriz e Eduardo
descem do táxi com malas e Eleonora também. Eles entram em casa:
BEATRIZ
-Ufa! Até que enfim, casa. Não via a hora de chegar.
ELEONORA– Essa viagem de férias pra
Nova Iorque nos cansou. Agora vou tomar um bom banho e depois fritar umas
bananas… Aí, desejo. Será que eu to grávida. (dá uma olhada para Edu)
EDU– Será?
Eleonora sai e vai pro banho. Beatriz e
Edu na sala começam a se beijar.
 
Eleonora enche a mãode xampu e joga sobre os cabelos. Ela se leva e começa a pensar…
 
(entra Flashback – Nova Iorque)
BEATRIZ– Mãe eu vou sair um
pouco. Vou fazer umas comprinhas e já volto. O Edu não quer ir, diz estar
cansado. Volto em duas horas no máximo. (e sai)
Eleonora aparece na
sala e vê Edu deitado no sofá do apartamento sem camisa. Ele se levanta e eles
se olham:
EDU
-Você tá pensando no mesmo que eu?
ELEONORA– Eu acho que sim.
Antes mesmo de
pensarem. Edu vai até Eleonora e a agarra pelos cabelos e começa a beijá-la.
Ele a leva pro quarto arranca suas roupas… Logo entram juntos no banheiro e
fazem amor… O vapor da água quente deixa um clima eletrizante em ambos.
(Fim do Flashback)
 
Eleonora chega asuspirar. Ela vê que já demorou no banho e termina.
 
Vivian termina de
fazer água com açúcar e dá para Sandra que chora inconsolável:
SANDRA
– Não é justo, não é. Eu ter uma doença e morrer sem antes encontrar a minha
filha.
VIVIAN– Você não vai morrer Sandra.
Apenas fazer a cirurgia e depois a quimio. Rapidamente você estará nova em
folha.
SANDRA– Meus cabelos vão cair, eu
vou ficar fraca e vou ficar sozinha.
VIVIAN– Você não vai ficar sozinha
porque eu não vou deixar. Sou sua amiga e amigas inseparáveis. quanto ao seus
cabelos, irão cair sim, mas pensa lá na frente. Você estará curada e também tem
perucas. Isso é fácil de resolver.
SANDRA– Você vai me ajudar a
encontrar a minha filha?
VIVIAN– Com todas as minhas forças
eu vou ajudar…
De repente a porta sebate. Vivian e Sandra se viram e surpreendem:
CLÉO
– Gostaram da surpresa?
VIVIAN– Jucecléo?
Todos surpresos com a presença de Cléo. Suspense.
 
Babalu tira o sangue. David acompanha tudo enquanto Luciano ainda está na sala de cirurgia:
MÉDICO

Vou fazer o exame pra ver a compatibilidade. Volto em alguns minutos.
 
Vivian e Sandra olhando para Cléo que mexe seus novos cabelos pra lá e pra cá.
CLÉO– Eu passei somente
pra avisar que em breve me casarei. Podem ficar tranqüilas que eu vou chamar
vocês duas. Principalmente você irmãzinha kuerida do meu coração. Beijos, até
mais. (e sai)
VIVIAN– Eu tenho medo dela. A Cléo
está sem juízo, parece não raciocinar mais.
SANDRA– Se você é irmã e está com
medo, imagina então eu! Mas que ela ta muito estranha, isso ela ta.
VIVIAN– Como será que ela conseguiu
um noivado tão rápido. Com quem ela vai se casar?
No pensamento de Vivian…
 
O médico volta com uns papéis em mãos. David preocupado com o rosto do médico:
DAVID
– Porque está com essa cara doutor? O que deu errado?
MÉDICO– Infelizmente seu amigo não
vai poder doar o sangue para o paciente.
BABALU– Mas porque não? O que tem de
errado no meu sangue?
MÉDICO– Não sei se aqui é o melhor
lugar para se falar, mas você é soropositivo. Tem HIV garoto!
BABALU– (assustado) O quê?
Não pode ser doutor. Não pode ser.
Babalu começa a entrar em choque. David preocupado se lembra da noite que teve com Babalu. Na
surpresa de ambos:
Babalu se agacha ali no corredor. Seus olhos já vermelhos de tanto chorar. A enfermeira traz um copo de água com um calmante:
ENFERMEIRA
– Tome. Você vai se acalmar.
BABALU– Não quero droga de remédio
nenhum. Eu tenho AIDS, eu vou morrer com essa maldita doença.
DAVID– Não vai Bernardo. Não é
assim. A medicina evoluiu muito e hoje existem medicamentos e coquetéis.
BABALU– (GRITA) Não. Não falo disso,
mas de ser saudável. Sair pegando mulher sem ter com o que se preocupar. Quer
saber David, a minha vida acabou. Não vale mais nada. Não presta. Acabou. Minha vida acabou.
Babalu se levanta e sai correndo, desconsolável. David deixa escorrer uma lágrima. Coloca a mão no rosto.
DAVID
– E tudo por minha culpa. Eu transei com ele sem camisinha. Eu fui errado e agora por minha culpa o meu amor corre perigo. O que eu vou fazer. O quê?
 
Um raio risca o céu e logo começa a chover. Eleonora em casa lê um livro. Edu em sua casa está deitado de cueca e olhando para cima. Ele pega o celular, coloca no nome de ELEONORA e disca:
EDU
– Alô. Desculpa te ligar a essa hora, mas com essa chuva não deu. Pensei muito em você. Naquela noite em Nova Iorkue.
ELEONORA– (ao cel.) Incrivelmente agora a pouco também pensava em você. Eu penso em você direto e naquela noite.
EDU– Venha aqui pra casa agora. A Bia já deve estar dormindo. Deixa tudo aí e vem dormir comigo.
ELEONORA– (ao cel.) Que proposta irrecusável. Vou arrumar e já irei, esperar mais alguns minutos, mas tenho que voltar antes dela acordar.
EDU– Ok. Te aguardo gata! (e desl.)
Eleonora levanta silenciosamente do sofá e vai se aprontar. Depois de algum tempo, ela sai toda linda pela porta dos fundos. Beatriz está dormindo. Sonhando.
 
Odete se levanta da mesa da empresa EMJOBI. A construção ainda é visivel atrás dela.
ODETE
– Graças a Deus terminei de assinar os documentos. Agora é só esperar a festa de lançamento e eu voltarei a ganhar como antigamente.
ARLETE– (chega com tudo) ATÉ QUANDO VOCÊ PENSA QUE VAI ENGANAR
TODO MUNDO? ATÉ ONDE VOCÊ VAI CHEGAR COM TODA ESSA AMBIÇÃO?
ODETE– Mamãe, do que está falando?
Arlete voa sobre a filha e lhe dá uma bofetada.
ARLETE– Não finja de sonsa, pois
você sabe muito bem do que falo. E eu não vou mais esconder o seu segredo. Eu
não vou mais esconder que você MATOU SEU PROPRIO PAI ELETROCUTADO E COLOCOU
TODA A CULPA EM MIM. EU CANSEI DE GUARDAR ESSE SEGREDO SÓ PRA MIM. EU VOU
VINGAR DE VOCÊ, EU JURO!
ODETE– Pois mamãe, creio que não vá
kuerer se enfiar no meu caminho. Você sabe muito bem do que sou capaz. E se sou
como sou hoje, graças a vocês dois. Se meu pai eu matei eletrocutado… Você eu
mato com machado e corto em pedacinhos e jogo pros cachorros na rua. Ninguém
irá sentir a sua falta. Ninguém!
Elas se olham. Arlete tensa. Odete por cima.
 
Vivian sai do banho e
começa a secar os cabelos. Seu celular toca e ela vai pegar. Vivian dá um grito
e deixa o celular cair no chão; Sandra aparece:
SANDRA
-O que houve? Por que deu esse grito?
VIVIAN– A Cléo… O Diogo… O Diogo
está vivo, ele não morreu. Ele ta vivo e vai se casar com a Cléo.
SANDRA– O kuê?
VIVIAN– A Cléo mandou a foto dos
dois juntos e com a mensagem de que ele está vivo e ela está grávida e que eles
vão se casar.
Vivian desesperada e
assustada. Sandra sem saber o que fazer.
 
Ainda é noite…
Dante se aproxima de sua casa e de Yedda e pula a janela sem ninguém ver. Ele
olha pelos cantos do sofá enquanto Yedda abre a porta para Odete que entra
eufórica:
ODETE– Porque me chamou
com tanta urgência? Quase tive que matar a minha mãe. Tem muita gente sabendo
coisas que não deve.
YEDDA– Sua mãe será outra
preocupação depois do que eu te contar. O Dante fugiu da prisão. Eu tenho medo
dele descobrir tudo e colocar a gente na cadeia.
ODETE– O Demétrio não vai abrir a
boca nem aquele bandido menor. Você com certeza não vai revelar que colocou o
sonífero no copo dele e que eu matei o Policarpo pra colocar a culpa no
próprio, vai?
Dante fica histérico e se levanta diante
das duas mulheres. A tensão toma conta da sala:
DANTE
– Quer dizer que foi você quem matou o Policarpo Odete? E você Yedda é
cúmplice dessa assassina!
ODETE e YEDDA– Dante?
Diante da revelação Dante fica estático. Surpreso
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 23

 

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 22

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UMA NOVELA DE GILBERTO NASCIMENTO

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 22

Um tumulto toma conta… Os moradores com algumas coisas. Uma cena de cortar o coração. Água entrando pelas casas, pela Prefeitura. Arrombando tudo pela frente. O carrinho de pipoca deixado na praça. O palanque sendo derrubado. Casa de Macária caindo juntamente com a água. O restaurante de Cléo e Vívian desaparecendo naquele mar de água suja… Os moradores correndo contra o tempo para sair da cidade e encontrar a estrada. A água já nos joelhos dos moradores. Carros, caminhão, famílias em bicicletas… Muitas pessoas chorando. Cachorros, gatos e vacas sendo engolidas pela força da água. Postes de luzes se apagando para sempre… A cidade
acabada, destruída pela água que ainda era pouca do previsto…

 
A cenas se fundem… Uma enorme área começa a ganhar vida… Ruas, morros, casas… Praça. Lâmpadas. Aos poucos uma nova Serra Dourada é construída. Uma ponte é reerguida em cima de um rio. Macária observa a construção de sua nova casa e da empresa. Vívian e Sandra se ajudam na construção do restaurante. Odete continua a morar em um casebre mísero com Maria… Dante numa cela de madeira sendo escoltado 24 horas por dia, depois ele aparece em uma cela normal. Tudo vai tomando forma aos poucos…
 
DOIS ANOS E MEIO DEPOIS…
Yedda conversa com Dante na cadeia. Dante barbudo. Tornou-se irreconhecível:
DANTE– Dois anos e meio se passaram e eu continuo nessa droga de lugar por um crime que eu não cometi.
YEDDA– Calma meu amor. O Juiz disse que vai marcar a audiência. Você sabe, a sociedade ainda lamenta o que houve com a antiga cidade. Está tudo muito difícil ainda. Ele vai dar um jeito.
DANTE– Eu vou esperar até o fim desse mês. Senão eu vou fugir. Não agüento mais viver nesse inferno. Que
justiça de merda é essa?
YEDDA– Eu sei meu bem. Eu vou dar um jeito. Fique tranqüilo. Agora preciso ir. Está um verdadeiro furdunço lá fora. É a eleição. E eu tenho certeza que aquela mulher vai ganhar.
DANTE– Tomara que ela morra!
 
Muito movimento nas ruas. Macária sob os carros. Eleição acontece em Serra Dourada. Alonso de um lado e Macária do outro.  Aos poucos os resultados vão saindo. MACÁRIA VENCE!
 
ALONSO– Pela primeira vez na vida eu perdi. Perdi para uma mulher.
MELISSA– Eu achei pouco pelo o que Você realmente merece. Foi pouco.
Alonso dá uma bofetada em Melissa. Ele está nervoso.
ALONSO
– Cala essa sua boca vagabunda. Trate-se de se trancar no quarto e não me encher mais a paciência.
MELISSA– Você vai cair muito ainda Alonso. Isso é só um pouco da sua verdadeira derrota.
Aos sorrisos Melissa vai para o quarto. Alonso pega um copo e coloca vinho. Em uma golada:
MACÁRIA
– Eu vou matar essa jovem. Ela não vai tomar o meu lugar assim tão facilmente. Não vai!
 
Sandra suada em sua cama. Está sentindo uma forte dor de cabeça. Vivian aparece:
VIVIAN
– Sandra o que está havendo… Porque está chorando?
SANDRA– Minha cabeça parece que vai explodir. Me leva pro hospital por favor. Me leva agora.
 
Luciano entra em uma loja de chocolates e pensando em David compra alguns. Ele paga e sai e se depara com uma briga de rua. Ele tenta apartar, um tumulto, pois é a eleição. Luciano cai na rua com um corte fundo na barriga. A faca cai do lado, os homens correm e Luciano fecha os olhos.
 
David ajudando um homem na construção da sua sala. Seu celular toca:
DAVID
– Pois não. (assustado) Meu Deus. Onde ele está? Estou indo agora para aí.
David sai correndo, atordoado, pega sua carteira e entra no carro direto para o hospital.
 
Jorge coloca mais um preso na cela em que Dante está. É Adalberto. Eles se encaram. Adalberto começa a conversar com os outros. Eles já se conheciam.
ADALBERTO– Já tá tudo fechado pra nossa fuga. Já dei a metade da grana pro carcereiro. Os portões estarão todos abertos. Vamos fugir ainda essa madrugada.
DANTE– Vocês vão fugir? Será que posso ir com vocês, pelo amor de Deus.
ADALBERTO– Cara, já gostei de tu, claro que pode vir com a gente. Ninguém merece ficar nesse buraco aqui não.
DANTE– Obrigado. (em pensamento) Vou ficar em liberdade e poderei provar que não matei o pai da Macária, só não sei
por onde começar.
 
Luciano sendo estabilizado pelo médico. David no corredor quase louco por não obter notícias. Até que o médico aparece:
DAVID
– Doutor, por favor, tem que me dizer como está o Luciano?
MÉDICO– Não está nada bem. O corte foi profundo, teve um dos rins perfurados e está perdendo muito sangue. E por sinal, ele vai precisar de uma transfusão o mais rápido possível ou então morrerá.
DAVID– Transfusão? Não, eu consigo. O meio irmão dele pode ajudar. Deve ter o mesmo DNA. Volto rapidamente doutor.
David sai às pressas atrás de Babalu.
 
O médico entra no quarto de Sandra que está deitada, juntamente com Vivian ao seu lado:
SANDRA
– Já tem algum resultado dos meus exames doutor? Porque tenho essa dor de cabeça insuportável?
MÉDICO– Não precisa ficar assustada. Ainda bem que descobrimos a tempo. Você tem um nódulo pequeno no seio esquerdo. Ele é maligno, deverá ser removido.
VIVIAN– Sim, mas o que ela tem? Nódulo maligno é…
MÉDICO– Câncer. Sim, você está com câncer de mama, mas nada que deve fazer alarde. Ele está em fase inicial, sorte a nossa. Vou passar você para a cirurgia e depois pra quimioterapia.
SANDRA– Doutor. Eu não posso morrer sem antes encontrar a minha filha. Não posso.
 
A noite chega…
 
Babalu setado no chão da sala assistindo futebol. David aparece afobado. Babalu se levanta também assustado:
BABALU
– Porque entrou na minha casa desse jeito sua bosta?
DAVID– Não venha me xingar agora. Isso não é hora de briga. Preciso de você pra ajudar o Luciano.
BABALU– O Luciano? O que tem meu irmão?
DAVID– Ele se enfiou no meio de uma briga de rua e levou uma facada funda. Perdeu muito sangue e precisa que você doe a ele pra sobreviver.
Babalu olha ao redor da sala. Fica sério e se volta para David:
BABALU
– EU NÃO VOU DOAR SANGUE NENHUM!
DAVID– (assustado) Como é que é?
Eles se encaram.
 
Na cela, Adalberto se levanta… Ele dá uma olhada para o carcereiro que balança a cabeça positivamente. Adalberto começa a chamar os colegas:
ADALBERTO
– É agora galera. Vamos simbora!
 
A turma se levanta, abrem a cela com a chave dada pelo carcereiro e saem pelos corredores. O carcereiro ajuda na fuga… Adalberto entrega para ele mais um envelope. Ao abrir um bolo cheio de notas. Adalberto, Dante e o restante conseguem passar pelo portão tranquilamente. Dante olha para o céu. Todo suado… Ele dá um sorriso emocionado:
DANTE– Livre! Agora sim! Livre. E vou fazer de tudo pra provar a minha inocência.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 22

 

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 21 | Serra Dourada é inundada!

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UMA NOVELA DE GILBERTO NASCIMENTO

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 21
a cidade é inundada!!
JORGE MANDALA– Sim, o encontramos. (todos vibram) Infelizmente chegamos tarde. Ele já estava sem vida.
MACÁRIA– (transtornada) O quê? Tá querendo dizer que meu pai…
JORGE MANDALA– Morreu. Encontramos o corpo dele em um casebre com dois tiros. Um no coração e outro no tórax. Seu pai está morto Macária.
VICTÓRIA– (desesperada) E encontraram quem fez isso? Meu marido, morto! Bem que eu pressenti. Bem que eu disse que não era uma simples pressão baixa.
JORGE MANDALA– Sim, pegamos o meliante em fragrante. Ele está preso na cadeia. Se trata de um tal de Dante Miranda. Acho que vocês conhecem.
Macária fica chocada ao ouvir a revelação do “assassino” do pai.
MACÁRIA
– O Dante matou meu pai? O Dante teve essa coragem. Me leva agora pra falar com ele. Eu quero falar com ele agora. E ninguém vai me impedir. Ninguém.
Os olhos de Macária se misturam de raiva e lágrimas. Jorge Mandala a leva com ele. Miguel abraça Victória que está inconsolável.
 
A cena escurece…
 
A cena se abre na cela. Dante do lado de dentro atordoado, Macária aparece… Eles se encaram. Macária só o olha, não consegue falar nada…
DANTE
– Macária, eu não sei o que está acontecendo. Eu não matei o seu pai eu juro. Quando eu acordei eu o vi do meu lado, sangue, revólver, eu não matei o Policarpo.
MACÁRIA– (gritando) DESGRAÇADO! DESGRAÇADO!! Eu vou usar todas as minhas forças pra te destruir a partir de hoje Dante. Eu juro pra você. A partir de hoje você é meu inimigo e nada mais.
DANTE– Mas Macária, eu não tinha nenhum motivo pra matar o seu pai. Acredita em mim, por favor. Acredita em mim.
Eles se encaram.
 
Clarisse liga o rádio e juntamente com Dalila começa a colocar roupas dentro de uma caixa e de malas:
RÁDIO– (REPÓRTER) Toda a cidade de Serra Dourada deve ser rapidamente evacuada por risco de inundação até o meio dia de amanhã. Todos que amam a sua vida, favor pegar seus bens mais preciosos e sair do local o mais
rápido possível. Pegando a estrada principal de saída. Lamentamos muito a perda
da cidade. Em breve voltamos com mais informações, até a água chegar até a
estação… Tenham todos um bom dia!
 
Macária e Dante se encarando:
MACÁRIA– Você tinha sim muitos motivos pra matar meu pai. O primeiro é a sua sociedade que montaram juntos e depois ele saiu, deixando você e o Alonso sozinhos e segundo… Querer se vingar de mim por eu ter fingido morrer. Você tem sim motivos.
DANTE– Mas eu não quero vingança. Jamais. Eu amo você Macária e quero o seu amor.
MACÁRIA– Não me venha falar de sentimentos, tampouco de amor que é uma palavra forte para uma ocasião que está longe de ser tão afável. Você não é digno de tocar nessa palavra tão pequena, mas muito forte.
DANTE– Pelo visto você não vai acreditar em mim. Eu terei de esperar a justiça…
MACÁRIA– (séria) SIM! JUSTIÇA! É o que você terá e eu farei com as minhas próprias mãos. A partir de agora estamos de lados opostos e o que eu puder fazer, se eu tiver que mover terra e céu pra acabar com a sua pessoa Dante Miranda de merda… Eu vou fazer!
DANTE– Tudo bem… Mas antes, antes de tudo, eu acabo com você.
Eles se encaram. O ódio se transforma em uma dor pelas palavras lançadas e lágrimas saem do rosto de ambos. (Entra Guiding Star – Andre Leono) Eles se encaram por mais alguns segundos até que passos largos são ouvidos. Do corredor aparece Yedda, fingindo
estar desesperada. Macária e ela se reencontram depois de anos.
YEDDA– (surpresa) Você aqui? Mas o que está conversando com meu marido?
MACÁRIA– Yedda, que surpresa nada agradável de reencontra você… Como vai queridinha?

Yedda e Macária trocam olhares de fúria. Tensão toma conta da cena.
YEDDA– Não sou sua queridinha e tampouco estou surpresa por reencontrar você. Infelizmente a sua morte não foi verdadeira. Infelizmente.
MACÁRIA– Sei que não é recíproco. Nada é meu amorzinho. E sei também que ficou gritando de alegria quando soube da minha falsa morte. A primeira cena que eu vi foi você correr pros braços do Dante. E conseguiu. Deu o bote, enfiou a aliança no seu dedo no primeiro instante.
YEDDA– (vai pra dar bofetada, mas se
segura) Sua…
MACÁRIA– Bate… Bate. Meu rosto ta aqui queimando querendo sentir o seu tapa, mas minhas mãos estão coçando pra arrancar
cada fio desse seu cabelo loiro de plástico e também quebrar esses seus dentes que passa carvão pra branquear. Me bate… Me bate!
YEDDA– Eu não vou descer do salto se é o que ta pensando. Eu vir avisar o meu marido que o policial Jorge está vindo pra transferir pra jaula do camburão. Estamos deixando a cidade porque amanhã ao meio dia tudo isso estará debaixo d’água.
MACÁRIA– Vocês estão indo pra nova Serra Dourada. A cidade da qual eu serei eleita a nova Prefeita.
YEDDA– (não dá idéia) Meu amor, tudo ficará bem. Deixa passar esse transtorno todo que eu irei te tirar daí. Eu te amo.
Yedda e Dante se beijam. Macária com raiva sai sem olhar pra trás.
 
A cena escurece…
Pingos de chuva sob o caixão com uma rosa vermelha por cima. Uma multidão de pessoas
no sepultamento de Policarpo. Macária inconsolável abraçada à Miguel, Victória
junto com Melissa e Arlete. Odete sozinha em um canto, chorando… Seus olhos
fixadas na terra sendo jogada aos poucos…
Macária solta-se do marido e cai de joelhos na terra molhada. Ela pega alguns
punhos, olha pro céu…

MACÁRIA– Pai… Nãaaao! Não eu te amo. Pai. PAAAI!
ODETE– Agora é tarde… Ele se foi e
não há mais nada o que se fazer.
MACÁRIA– Não venha me dar conselhos
Odete. Não agora. Você nunca gostou do meu pai. Nunca. Essas lágrimas que rolam
no seu rosto… É pura falsidade. Você o odiava.

Todos vão saindo aos poucos… Odete fica sozinha com os dois homens que continuam a jogar terra na cova:
 
ODETE– Você já vai tarde irmãozinho. Tarde. Amanhã esse túmulo não valerá mais nada já que estará debaixo de toda água da represa. Agora eu vou tentar de tudo pra ter a EMJOBI
novamente em minhas mãos. Eu sei que você já deve ter abraçado o capeta… Mas
eu vou fazer você revirar o seu túmulo… Eu vou acabar com tudo aquilo que você conquistou!
 
A noite chega… O dia aparece triste. A represa já esvaziando mais rápido. A cidade toda sendo evacuada. Uma grande multidão sob a praça. Um homem chega gritando:
 
HOMEM– Corram, corram! A represa estourou por completo. Salvem-se. Salvem-se!
 
Um tumulto toma conta… Os moradores com algumas coisas. Uma cena de cortar o coração. Água entrando pelas casas, pela Prefeitura. Arrombando tudo pela frente. O carrinho de pipoca deixado na praça. O palanque sendo derrubado. Casa de Macária caindo juntamente com a água. O restaurante de Cléo e Vívian desaparecendo naquele mar
de água suja… Os moradores correndo contra o tempo para sair da cidade e encontrar a estrada. A água já nos joelhos dos moradores. Carros, caminhão, famílias em bicicletas…
Muitas pessoas chorando. Cachorros, gatos e vacas sendo engolidas pela força da
água. Postes de luzes se apagando para sempre… A cidade acabada, destruída
pela água que ainda era pouca do previsto…
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 21

 

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 20 | Policarpo morre!

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 20
a morte de Policarpo – parte II
Em um casebre sujo e vazio… Dante está deitado em um colchão velho no chão ainda adormecido.  A cena circula por objetos cheios de pó de uma velha casinha de sapê. Com muitas teias de aranhas, colchão velho espalhado pela casa. Demétrio termina de amarrar Policarpo em um cano sobe o teto. Policarpo fica de pé, amordaçado. Policarpo já com sangue na cabeça levanta o rosto e então vê um vulto. Uma mulher de roxo, com salto alto vermelho. Olhar frio e com uma arma em suas mãos. Odete poderosa leva a mão sobre a boca do irmão e arranca com força o pano.
 
POLICARPO– (surpreso) Odete? Você?
ODETE– Olá meu irmão. Eu te disse que você ia pagar por tudo que me fez. Você vai pro inferno, prepara porque é hoje que você vai abraçar o capeta.
Odete sem dó e piedade aponta um revólver pra cabeça de Policarpo. Suspense e ritmo toma a cena.
 
O suspense torna mais quando a represa, no buraco feito pela dinamite começa a soltar mais água…
 
O povo se reúne na praça, muitas famílias já com suas malas, cachorros, muitos carros. Macária no centro de uma roda. Alonso se aproxima:
MACÁRIA
– Povo de Serra Dourada. Infelizmente a notícia que nos chega é que a cidade deverá ser sim evacuada, nossa cidade será inundada em poucos dias. Já não há mais concerto na parte explodida, mas não se preocupem. Eu vou ajudar a todos vocês. Vamos levantar uma nova cidade. Uma nova Serra Dourada. Eu tenho muito dinheiro e ajudarei cada família que aqui precisar. E mais… (olhando para Alonso) Eu me tornarei a nova Prefeita da cidade. Vou me candidatar e tenho certeza que todos vocês vão votar em quem fizer mais por vocês…
Alonso surpreso com a revelação de Macária. Ele com ódio.
 
Sander começa a acordar no casebre, ele olha ao redor, mas Babalu lhe bate com um porrete. Ele
volta a adormecer. Na sala, Policarpo pendurado sob o teto. Odete o encara ainda com o revólver apontado para ele.

ODETE
– (com lágrimas nos olhos) Como eu sonhei com essa cena. Te ver aí sob minha comanda. Do meu jeitinho. Quem manda agora sou eu! Sou eu quem dá as cartadas aqui!
POLICARPO– É claro, comigo amarrado e você sob o domínio de uma arma. Isso é fácil. É chamado de fraca, de covarde! (Odete o esbofeteia) Você vai pagar por tudo que está fazendo Odete. Seu final será terrível e você queimará no inferno.
ODETE– (lágrimas caem) Você vai queimar primeiro meu irmão. E quem vai pagar por tudo que fez é você. Ah, eu vibro com isso. Sangue, lágrimas… Lembranças.
POLICARPO– Lembranças? Odete lembra aquela vez que eu acordei você cedo na roça e juntos fomos ao galinheiro e pegamos ovos e eu fiz você comer a força um ovo cru? (lágrimas pingando) Lembra quando eu te joguei na piscina e quase se afogou e pra me livrar de uma surra disse que você que tentou sozinha? Eu tenho essas lembranças Odete e nunca voume esquecer de como a gente se amava. Eu te amo mesmo sabendo que você vai me matar, eu te amo. Te amo.
ODETE– (grita) Para de falar. Eu não quero mais te ouvir… Eu quero que você morra. Eu não quero o seu amor, aliás, eu nunca necessitei de amor. Eu sei muito bem viver sozinha e todos vão me pagar. A começar por você irmãozinho. (aponta o revólver)
POLICARPO– Eu estou pronto pra ir. Eu já ganhei o perdão da minha filha.
 
O rosto de pena de Odete se transforma em fúria… Seus dedos no gatilho. Os olhos dos irmãos se olhando por uma última vez. A bala atravessa as costas de Policarpo pingando sangue em todos os lugares. Mais um tiro é ouvido. Odete sorridente e séria ao mesmo tempo, com o revólver apontado para Policarpo. Já sem vida. Na boca de Policarpo o sangue escorre.
 
Macária ali na roda no meio da praça sendo aplaudida por todos sente uma pontada no coração e cai no chão. Nesse exato momento Victória chega chorando:
VICTÓRIA
– Filhaaa! Sequestraram seu pai.
MACÁRIA– (chorando) Mãe, acho que estão fazendo algum mal ao meu pai. Eu senti uma pontada no meu peito.
VICTÓRIA– Meu Deus do céu, não deixe que nada aconteça ao Policarpo. Por favor!
 
Odete passa a mão sob o rosto de Policarpo… Seus olhos vidrados. O revólver cai no chão. (Entra: Hino ao Amor – Dalva de Oliveira)
ODETE
– (tenta reanimá-lo) Meu irmão? Policarpo? Você tá aí? Não brinca comigo não, eu, eu não sabia o que estava fazendo… Meu irmão? Eu te amo, eu… (grita) Nãaaao. O que foi que eu fiz? Eu matei meu irmão… Eu matei o homem que cuidou de mim… Não! Não pode ser…
Odete desamarra as mãos de Policarpo e ele cai sobre seus ombros e ela cai no chão. Ela coloca a cabeça dele em seu colo e começa a alisá-lo, chorando:
ODETE
– O que foi que eu fiz? Me perdoe Policarpo, por favor me perdoe! 
Odete chorando em cima do corpo do irmão, está arrependida. As lágrimas fazem com que o rímel preto escorram pela sua face.
 
Babalu se aproxima de Odete:

BABALU
– Pare de chorar, esse aí já não tem mais jeito. Agora é limpar essas lágrimas, parar de chororô e continuar com o plano. Com o objetivo. Tudo isso será em vão se você desistir agora.
ODETE– (limpando as lágrimas) E eu sou mulher de desistir? Jamais. Eu quero terminar esse plano. O Policarpo já ta morto mesmo, isso não vale mais nada. Não posso furar com a minha sobrinha. Eu vou até o fim. Até o fim.
BABALU– Então sai pra fora, vou trazer o homem do quartinho pra cá. Já fiz pegar no revólver, está tudo como planejamos.
Odete vai à face do irmão e lhe dá um beijo estalado. Ela levanta e sai sem olhar pra trás deixando o corpo do irmão de lado.  
Babalu vai até o quartinho e sai arrastado o corpo de Dante desmaiado e deixa perto do defunto. Babalu coloca o revólver perto das mãos de Dante. Ele dá uma olhada e sai, trancando a porta.
 
Odete e Babalu adentram o carro e Demétrio pega o celular e disca:
DEMÉTRIO
– Pronto para o plano B. (ao cel) Alô. É da polícia? Pois bem, eu ouvi um tiro aqui na rua… Enquanto Demétrio fala ao telefone, Odete olha o horizonte escuro.
 
Macária com uma xícara de café em mãos olha pela janela a cidade iluminada. Ela pensa no beijo em que deu em Dante na cachoeira no dia anterior. Miguel aparece:
MIGUEL
– Você está muito pensativa. Desde ontem. O que aconteceu? Foi ele quem abalou seu coração?
MACÁRIA– Miguel, por favor. Sabe que não sinto mais nada por aquele homem. Eu estou pensativa, de não saber onde está papai, o que fizeram com ele.
MIGUEL– Devem pedir resgate a qualquer momento. Não se preocupe. Tudo ficará bem. Mas eu quero que você seja muito sincera comigo… Rever esse tal de Dante voltou a ter um sentimento por ele?
MACÁRIA– (passa a mão no seu rosto) Claro que não meu amor. Eu amo você e não ele. Ele eu quero esquecer. É passado e pronto. Eu te amo. (lhe beija)
 
Babalu chega em casa e vai direto para o quarto e esconde um outro revólver em seu esconderijo. Ele sai e volta pra sala onde aparece Luciano:
BABALU
– Ai Luciano, você quase me assustou. Quase morri.
LUCIANO– Eu quero conversar com você. Eu quero saber por que você odeia tanto os gays!
BABALU– Quer mesmo saber? Eu fui estuprado quando novo pelo meu padrasto e fui contar pra minha mãe e ela nem fez caso e sempre que ela saia ele me recebia de tapas e mordidas, eu sentia nojo e aquele porco nunca estava satisfeito e é por isso que hoje eu faço a mesma coisa. A dor que eu senti antes, quero fazer com que a outra pessoa sinta.
LUCIANO– Entendi. Sei como é difícil, mas nunca devemos pagar o mal com o mal e… Enfim, eu vir buscar as minhas coisas, estou indo morar com o David.
BABALU– Peraí, morar com ele? Você não pode estar falando sério. Mas…
LUCIANO– Nem mais nem meio mais. Eu vou morar com o David e ponto final.
Eles se encaram. Babalu não acredita no que acabara de ouvir e fica triste sentando no sofá.
 
No casebre Dante acorda, seus olhos viram todo o lugar até conseguir levantar. Ele assusta quando vê o corpo do seu lado e começa a tentar ressuscitar, está nervoso quando ele percebe de quem é o corpo. Suas mãos ensangüentadas. Ele pega no revólver:
DANTE
– Jesus! O pai da Macária… Mas quem fez uma covardia dessas? De repente a polícia arromba a porta e muitos outros entram.
JORGE MANDALA– (gritando) Coloque a arma no chão e se entregue. Você foi pego em fragrante e está preso.
DANTE– (sendo algemado) Espera, eu não matei… Não fui eu…
JORGE MANDALA– Isso você terá de responder ao Juiz. Pra cela imediatamente. Liga para o IML vir remover o corpo e ligar para a família.
 
Odete toma banho de banheira… Maria joga um vidro de champanhe na água e ela com a taça da uma bicota:
ODETE
– Ah, eu estou deslumbrante. Nada melhor do que tomar um champanhe enquanto seu corpo está mergulhado no mesmo. (faz sinal) Saia Maria. Me deixe com meus pensamentos. (Maria sai) Ah, Odete… Odete! Você não existe. Deveria ser inventada. Nessa altura já encontraram o Dante e o corpo do Policarpo. Espero que meu plano esteja indo de vento em polpa. (risos)
 
Jorge Mandala na sala com Victória, Macária e Miguel. Todos sem reação.
VICTÓRIA
– Estamos todos aflitos senhor policial. Até agora nenhuma notícia do meu marido.
MIGUEL– Trouxeram alguma notícia do Seu Policarpo? Encontraram ele?
JORGE MANDALA– Sim, o encontramos. (todos vibram) Infelizmente chegamos tarde. Ele já estava sem vida.
MACÁRIA– (transtornada) O quê? Tá querendo dizer que meu pai…
JORGE MANDALA– Morreu. Encontramos o corpo dele em um casebre com dois tiros. Um no coração e outro no tórax. Seu pai está morto Macária.

O mundo da jovem pára e cai nesse momento. Ela sem reação com a trágica notícia. Um relâmpago toca o céu.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 20
AMANHÃ!!
A REPRESA ESTOURA E COLOCA TODA A CIDADE EM
RISCO AO SER INUNDADA. NÃO PERCA A NOVA FASE DE INSENSATO PODER! TRAMAS ENVOLVENTES, AÇÃO, DRAMA E ROMANCE… NA SUA HISTÓRIA DAS 22H.

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 19

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CAPÍTULO 19
a morte de Policarpo – parte I
Luciano abre a panela e sua sopa de legumes está colorida. Ele cheira e fica feliz com o resultado. Seu celular começa a vibrar na mesa de granizo. Luciano vai ver e é David, ele não pensa em não atender, mas acaba colocando no ouvido:
 
LUCIANO– (duro, seco) Porque está me ligando David? O que você quer a essa hora da noite?
Do outro lado da linha David aparece no box do banheiro, pelado e suando frio. Ele treme:
DAVID
– Eu sei que você está com muita raiva de mim, mas é só você que eu posso recorrer agora. Eu estou mal, muito mal. Preciso que você me leve ao hospital.
LUCIANO– (preocupado) Não saia daí, eu vou agora mesmo. Em menos de dez minutos eu estarei te levando ao hospital.
Luciano desliga o fogão. Vai ao quarto pega a carteira, as chaves e sai. Ele entra no carro, ligando-o e saindo desesperado.
 
Yedda sentada no sofá… Com os olhos avermelhados de choro, ela com uma xícara de chá em mãos. De repente ela joga na parede que se torna em pedacinhos:
YEDDA
– (grita) Ahhhhh!
CONRADO– Mamãe, porque a senhora ta gritando tanto?
YEDDA– (o abraça) Oh meu filho, eu pensei que você estava dormindo, me perdoe. Eu estou gritando pras baratas que estão na casa. São feias, nojentas e fedorentas e eu faço isso pra te proteger. Tudo o que eu fizer meu filho é pra te proteger.
Yedda dá um beijo amoroso e estalado no rosto do garoto.
 
Eleonora está tomando banho. Ela pára e pensa em Edu… Beatriz entra no quarto da mãe e pega o secador de cabelo que está em cima do livro. Ao pegar o livro cai. Beatriz se abaixa e pega, uma foto cai, ela pega e vai olhar e assusta quando vê a foto de Eduardo:
 
BEATRIZ– Ué, mas o que a foto do Eduardo está fazendo no livro que minha mãe lê todos os dias?
Eleonora aparece no momento e fica nervosa:
ELEONORA
– Filha o que está fazendo, sabe que não gosto que mexa em minhas coisas.
BEATRIZ– (séria) O que a foto do meu namorado está fazendo no seu livro de romance predileto? Responda mãe. Agora!
 
Elas se entreolham. Beatriz sem entender. Eleonora sem resposta. Tensão toma conta da cena.
 
Os homens de preto chegam de carros blindados à represa. Um deles desce com bolsas de dinamites e coloca numa parte externa. Do carro desce um homem de óculos. Ele vira-se e é Alonso:
ALONSO– (tirando os óculos) Agora eu quero ver se esse povinho sai ou não dessa cidade.
 
O homem acende o pavio e em questão de segundos aquela parte estoura. Causando um grande efeito e pólvora misturado com pó de terra. Água começa a vazar da parte… Alonso dá um sorriso
sínico:
 
A cena corta rápido para a praça da cidade. Um multidão de pessoas agoniadas. Alonso sobe no palanque com os homens ao seu lado:
ALONSO– Aconteceu algo inevitável. Alguém subornou os seguranças da represa da cidade e encheu a parte externa de dinamites. Infelizmente não tivemos como impedir a explosão. Agora a água começa aos poucos a cair. Temos que tomar cuidado, se o problema não for resolvido teremos que evacuar Serra Dourada o mais rápido possível ou todos nós iremos morrer.
Macária aparece no meio do público. Alonso e ela se olham. Olho no olho. Macária volta-se a Miguel:
MACÁRIA
– Terei de viajar agora, não tenho mais tempo. Quero que você cuide do meu pai e da Clarinha.
MIGUEL– Mas onde vai? O que está planejando?
MACÁRIA– Em breve você vai saber. Só que os dias de Alonso como Prefeito já estão contados.
Miguel estranhando. Macária feliz só observa Alonso em cima do palanque.
 
Eleonora pega o livro e começa a dar a desculpa:
ELEONORA
– Filha essa foto é sua, você deixou cair e eu peguei e como estava lendo coloquei ai dentro.
BEATRIZ– Ai que gafe minha. Ele me deu essa foto um dia depois que eu o vi pela primeira vez.
ELEONORA– Filha, você não está desconfiando de mim não né?
BEATRIZ– Jamais mãe. Sei que a senhora não faria nada pra me prejudicar. Eu te amo.
ELEONORA– Eu também te amo.
Beatriz abraça a mãe e lhe dá um beijo, ela sai. Eleonora limpa o local:
ELEONORA
– Me perdoa filha, mas eu quero muito o seu namorado.
Um relâmpago soa na cena, no rosto de Eleonora.
 
Macária pega as malas e desce pelas escadas. Victória abraçada a Policarpo e Miguel com a filha a aguarda:
MACÁRIA
– Eu prometo que não demorarei mais de dois dias. O que eu vou fazer é muito, mas muito sério.
VICTÓRIA– E você não pode nos falar do que se trata essa viagem tão repentina?
MACÁRIA– Ainda não, mas também não vai demorar. Eu vou acabar com o Alonso. Tudo o que ele pensar a partir de agora será em vão.
POLICARPO– Toma cuidado com esse Alonso filha. Ele não dorme em serviço e tenho medo do que ele possa fazer.
MACÁRIA– Eu não tenho medo de ninguém papai. Não se preocupe.
Macária sai abraçando todos. Ela dá um beijo especial na filha. Um beijo em Miguel e na mãe. E abraça o pai com todo o carinho possível. Policarpo passa a mão em seu rosto, emocionado. (É a última vez que eles se vêem)
POLICARPO
– Te amo filha. Vá com Deus.
MACÁRIA– Também amo você. Fiquem com Deus.
Macária vira-se e vai.
 
Luciano pára o carro em uma estrada com muitas luzes. Uma montanha iluminada em que abaixo está toda a cidade de Serra Dourada, iluminada e bela com as luzes acesas. Luciano vê uma mesa no centro e um garçon segurando vinho… Luciano desce do carro e fica estranhando o local. David aparece vestido com um terno branco:
DAVID
– (ao ouvido) SURPRESA!
LUCIANO– David? Você não estava doente? Eu até estranhei o local, mas eu vir por que… O que significa tudo isso?
DAVID– Você sabe o que significa estando do meu lado agora? Você compreendeu? Eu te amo, eu te amo e não posso mais ficar sem você. E é esse local que eu escolhi pra me declarar pra você. Que eu te amo e quero que você faça parte da minha.
(entra: Sin Tu Amor – Camila)
Aos poucos eles se aproximam. David limpa as lágrimas que escorrem do rosto de Luciano que sorri alegremente, eles se beijam apaixonados e depois vão jantar.
 
Macária se aproxima de um prédio. Ela entra e sai no elevador… Ela vai até a uma sala e entra… O homem está de costas para parede:
HOMEM
– Vi pelas câmeras que você estava chegando. Rápida e decida você Macária.
MACÁRIA– Sim, eu sou. Agora eu tenho todo o poder em minhas mãos.
O homem vira e com um papel nas mãos ele dá uma riscada (assinatura) e entrega para ela.
HOMEM
– As terras agora são suas. Faça bom proveito delas.
MACÁRIA– Tenha certeza que farei.
Macária pega o papel, o olha e então sai, feliz da vida…
 
Policarpo no sofá lê o jornal e Victória lê um livro em seu quarto. De repente Babalu e a turma todos com máscaras pretas. Policarpo se levanta e tenta reagir. Babalu lhe dá um soco no rosto e ele desmaia. Victória desce assustada e Babalu aponta o revólver:

BABALU
– Parada aí dona se não mando balas. Vamo dá umas vortinha com seu marido… Depois a gente traz o porco. (risos)
Policarpo é levado desmaiado pelos homens. Babalu sai. Victória desesperada pega o telefone e disca o número.
VICTÓRIA
– (ao tel) Alô, por favor, seqüestraram o meu marido. Vocês têm que encontrá-lo. Não eu não posso esperar pedir resgate e tampouco setenta e duas horas. Sim eu vou passar o endereço.
 
Eleonora vai saindo do escritório e esbarra em Eduardo. Eles se encaram:
ELEONORA
– Você de novo Edu? Tenho medo da Beatriz chegar e nos pegar de novo.
EDU– E o que tem? Não estamos fazendo nada errado, estamos? Bem, vim buscar você pra gente tomar um chá gelado que é muito gostoso. É aqui perto.
ELEONORA– Então vamos, precisamos ter uma conversa séria…
Eles saem juntos e entram no elevador sozinhos. Eles começam a se encarar…
ELEONORA
– Que se dane o mundo…
EDUARDO AVANÇA SOBRE ELEONORA E A BEIJA.
ELES SE BEIJAM ATÉ O ELEVADOR ABRIR. Depois eles disfarçam.
 
Macária desce do carro… Ela está em uma enorme área deserta e fica observado tudo aquilo. Ela está emocionada:
MACÁRIA– Sim, é aqui… É aqui que será a nova Cidade Serra Dourada. É aqui que eu irei ser a Prefeita… É aqui nessa terra.
Um raio risca o céu. Macária feliz.
 
A noite chega… Em um casebre sujo e vazio… Dante está deitado em um colchão velho no chão ainda adormecido.  A cena circula por objetos cheios de pó de uma velha casinha de sapê. Com muitas teias de aranhas, colchão velho espalhado pela casa. Demétrio termina de amarrar Policarpo em um cano sobe o teto. Policarpo fica de pé, amordaçado. Policarpo já com sangue na cabeça levanta o rosto e então vê um vulto. Uma mulher de roxo, com salto alto vermelho. Olhar frio e com uma arma em suas mãos. Odete poderosa leva a mão sobre a boca do irmão e arranca com força o pano.
 
POLICARPO– (surpreso) Odete? Você?
ODETE– Olá meu irmão. Eu te disse que você ia pagar por tudo que me fez. Você vai pro inferno, prepara porque é hoje que você vai abraçar o capeta.
 
Odete sem dó e piedade aponta um revólver pra cabeça de Policarpo. Suspense e ritmo toma a cena.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 19
AMANHÃ!!
A cena que emocionou o autor… Odete mata sem dó o próprio irmão. E mais… Macária anuncia a nova cidade e que se candidatará a Prefeita. A represa estoura e ameaça a todos.

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 18

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CAPÍTULO 18
PADRE– Se há alguém aqui presente que de causa justa esse casamento não deve ser aceito pela sociedade fale agora ou se cale para sempre…
Odete e Alonso olham para o Padre que ao abrir a boca para abençoar, Melissa adentra a igreja gritando:
MELISSA– EU! EU ESTOU AQUI PARA IMPEDIR ESSA VAGABUNDA SE CASAR COM ESSE LIXO HUMANO.
 
Alonso e Odete assustados com Melissa. A igreja toda de pé vibrando com o “barraco”. Melissa decidida.
 
Com o movimento do casamento, alguns carros pretos, blindados chegam jogando poeira nas pessoas próximas. Muitos param para olhar e se assustam ao ver homens de preto entrando na Prefeitura.
 
Odete desce do salto e com os olhos cheios de lágrimas:
ODETE
– Mas o que você está fazendo aqui? Era pra você está na cama, morta.
ARLETE– Fui eu quem pediu pra ela fingir que estava em coma, para nada de ruim acontecer a ela até o dia do casamento de vocês.
ODETE– (surpresa) MAMÃE? Como a senhora conseguiu sair da clínica e… (vai abraçá-la) Oh, estava com muitas saudades.
ARLETE– (esbofeteia) Vá se catar sua vagabunda. Meretriz de uma figa. Eu vir para desmascarar você e sua tropa. Saia desse salto de onde você nunca chegou.
ODETE– (sussurra em seu ouvido) Eu vou te destruir.
ARLETE– Antes eu pego você na esquina.
Melissa voa sobre a irmã e começa a rasgar seu vestido. As pessoas começam a rir. Melissa atravessa Odete e vai até Alonso e lhe dá um tapa:
ALONSO
– O que significa isso?
MELISSA– Eu vou acabar com a sua carreira. Eu vou te tirar dessa Prefeitura. Desse cargo que você tanto almeja.
Eles se entreolham. Suspense toma conta da Igreja. O Padre sem palavras.
 
A paisagem verde sobre a cidade. As águas correm sobre as pedras.
A lagoa brinda com as árvores do lado, pedras gigantes…
(Entra: Guiding Star – Andre Leono)
Macária aparece entre as pedras… Ela tira os sapatos para não escorregar e senta… Ela olha a paisagem, as águas batendo em seus pés. Ela dá aquele sorriso alegre. Ela se lembra de quando beijou Dante.
 
MACÁRIA– (em pensamento) Porque será que eu ainda penso em você? Porque será que meu coração bate mais forte quando penso nele? Por quê?
DANTE– (se aproximando, devagar) Quem sabe você ainda me ama?
MACÁRIA– (se levanta/assustada) Dante? Você aqui?
A música ganha a cena. Eles se entreolham.
 
Odete se sentindo humilhada olha para os lados. Ela termina de rasgar o vestido e fica apenas de calcinha e sutiã:
ODETE– (grita) CHEGA… CHEGA… CHEGA! BANDO DE FOMINHAS. VIERAM PRO MEU CASAMENTO APENAS PRA COMER, MAS EU DIGO QUE VOCÊS NÃO VÃO COMER NADA. EU VOU DESTRUIR TUDO. TUDO. E quanto  a você Alonso, eu sinto muito. (olha para Arlete e Melissa) E vocês duas se preparem… Eu caí agora, mas eu vou levantar mais forte do que nunca. Se preparem. (e saem)
Odete sai pela escada com raiva e vai embora a pé.
 
Odete chega à área onde estão os doces e os bolos. Demétrio lhe entrega um galão:
DEMÉTRIO
– Aqui está a gasolina que você me pediu. Mas vai destruir todos os doces? Porque não dá aos pobres da cidade?
ODETE– Eu não vou dar nenhum docinho pra nenhum pobretão. Por mim que eles morram de fome.
Odete joga sobre as mesas a gasolina. Está toda descabelada. Ela risca o fósforo. O fogo lastra em questão de segundos. Ela sorri. Senta na grama e começa a chorar. Demétrio lhe cobre com uma toalha:
 
ODETE– Primeiro foi o Policarpo, a Victória e a Macária. Agora é a minha irmã e minha mãe. Mas eu juro sob este fogo que arde na minha pele que cada um vai ter o que merece.
 
Macária se levanta e vai andando. Dante a segura:
DANTE
– Porque foge de mim se eu não te fiz nada? Porque me maltrata tanto?
MACÁRIA– Que atrevimento é esse de me segurar? Me solta seu troglodita. E como tem a ousadia de dizer que nunca me fez nada. A cidade inteira quase me matou por sua culpa e ainda não fez nada?
DANTE– Não, eu não fiz! Eu nunca iria fazer isso com a mulher que eu amava.
MACÁRIA– AMAVA?
DANTE– Eu não sei, eu acho que ainda amo. Eu…
Dante se aproxima dos lábios de Macária… Macária nervosa empurra Dante na água. Ela começa a rir. Dante na água.
 
Jorge Mandala tira as algemas de Policarpo que corre pra abraçar Victória, eles se beijam:
VICTÓRIA– Que vitória meu amor. Vitória. Estou muito feliz.
POLICARPO– Agora eu terei a chance de recomeçar a minha vida. Vou fazer de tudo pra Macária voltar a me amar de verdade.
VICTÓRIA– Ela ama, só está meio abalada. Mas ela ama. (Victória sente algo no peito e se abaixa) Meu Deus. Que coisa ruim que eu senti. Um calafrio.
POLICARPO– Deve ser só o frio da cadeia. Aqui é muito gelado.
VICTÓRIA– Não. É um sinal. Um sinal muito ruim.
Suspense toma a cena. Policarpo agora preocupado.
 
Demétrio e Clarisse tomando café juntos na casa de Dalila.
DEMÉTRIO
– Eu estou apaixonado por você Clarisse, mas não posso ter nada, porque fiz coisas muito erradas. Eu não presto e você merece alguém melhor do que eu.
CLARISSE– Mas desde que você me trouxe essa criança, você esteve presente, como pai e me atraiu tanto como homem. Sinto meu coração bater mais forte quando você se aproxima.
Clarisse avança sobre Demétrio e o beija apaixonada. Ele sede o avanço da amada.
 
Macária continua a rir de Dante na água:
DANTE
– Para de rir de mim. Me ajuda a sair. Essa água tá muito gelada.
MACÁRIA– Vai ficar aí pra aprender a me respeitar. Vou embora. Faça bom proveito dessa água congelada.
Macária vai saindo quando escorrega e também cai na água. Seu joelho bate em um pedaço de madeira e ela grita, quase se afogando. Dante a pega nos braços ficando bem próximos. (Andre Leono – Guiding Star)
DANTE
– Viu como ela tá gelada?
MACÁRIA– Não. Eu não senti nada gelado, você que é um homem fraco.
DANTE– Vou te mostrar o que é um homem fraco.
Dante pega nos cabelos de Macária e a beija. Macária tenta desgarrar dos braços forte do amado, mas ela acaba cedendo aos beijos. A paisagem no fundo e o casal no meio se beijando. Apaixonados.
 
Odete de banho tomado e cabelo lavado. Yedda encostada na parede. Odete tira dos seios um vidro pequeno e entrega à sobrinha:
ODETE
– Quero que coloque todo esse vidrinho no suco do Dante. Faça ele tomar… Isso é o sonífero.
YEDDA– Tenho certeza que ele foi atrás daquela matuta. Eu odeio a Macária. Eu a odeio.
ODETE– Acalme. Em breve ele estará fora dos caminhos dela. Só faça o que eu te pedi e pronto.
Maria do cantinho da porta ouve toda a conversa. Maria fica assustada:
 
Miguel abraça Policarpo:
POLICARPO
– Muito feliz de conhecer o marido da minha filha e também a menina de vocês. Infelizmente ela não gosta mais de mim como antes.
MIGUEL– A Macária tem um bom coração, mas ele está cheio de ressentimentos do senhor, só saiba esperar, ela ainda vai te perdoar como quer.
POLICARPO– Isso é o que eu pretendo a partir de hoje.
 
A noite chega… A lua cheia no céu. Tempo muito gélido. Dante sentado assistindo TV. Yedda leva uma bandeja com o suco:
 
YEDDA– Amor preparei uma panqueca de queijo e um suco bem delicioso pra você. Quero que coma e toma tudo. Pra ficar bem fortinho.
DANTE– Ah obrigado. Estava mesmo com muita fome.
Dante pega o suco e começa a bebê-lo. Yedda olha a cena e fica vidrada. Ela pensa:
YEDDA
– (em pensamento) Deve está cansado porque ficou a tarde inteira com aquela desgraçada.
DANTE– Seu suco estava delicioso.
 
Babalu entra no quarto escondido, enquanto Luciano está na cozinha picando legumes pra fazer o jantar. Babalu abre o esconderijo no chão e tira o revólver. Ele coloca no calção e sai sem se despedir.
 
Dante já adormecido no sofá. Yedda abre a porta. Demétrio e Babalu adentram:
YEDDA
– Ele acabou de adormecer. Podem levá-lo daqui.
Dante é carregado pelos dois homens… Yedda senta no sofá. Se levanta. Ela olha a parede. Ela começa a chorar, mas depois sorri e chora de novo:

YEDDA
– É tudo o que você merece Dante. A Macária nunca vai te perdoar depois desse plano. Nunca. Isso é uma prova de amor. Eu te amo Dante. Eu te amo.
Yedda decidida. Está alucinando.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 18

 Dinamites colocam a cidade desesperada e precisa ser evacuada. Odete declara ao irmão que nunca o amou e aponta um revólver para ele.
AMANHÃ!! 

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 17

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CAPÍTULO 17
POLICARPO– Está me ameaçando?
ODETE– Pense o que quiser… Eu vir apenas de dar um aviso. Em cada passo seu, eu dou dois atrás, uma arma apontada
para a sua cabeça. Policarpo reze, porque seus últimos dias estão contados sobre a face da Terra!
 
No olhar deles. Policarpo choroso. Odete vitoriosa.
 
Cléo estoura uma  champanhe e a toma sozinha, sentada no sofá. A campainha toca. Ela vai abrir, quando abre a porta, Sandra entra sem pedir licença.
 
CLÉO– (bate a porta) Com que autoridade você vai entrando assim na minha casa?
SANDRA– Ah, ta! Sua casa? Cléo, porque você foi tão rancorosa com a sua irmã. O que foi que ela te fez?
CLÉO– (estoura) ELA NASCEU!! AQUELA PRAGA NASCEU. Era pra eu ser ela. Ter tido o amor dos meus pais, do Diogo, ser
uma cantora famosa, mas não, a minha mãe tinha que dar a luz a mais uma peste, e antes de mim.
SANDRA– Então essa é toda a raiva? A sua inveja te causa cegueira e não enxerga o amor da sua irmã.
CLÉO– (séria) Quem é você pra falar alguma coisa aqui Sandra? Antes de querer dar lição de moral em alguém, VÁ PROCURAR A SUA FILHINHA QUE VOCÊ DEIXOU ROUBAR!
Sandra se revolta com aquelas palavras e dá um tapa no rosto de Cléo, seus cabelos voam ao ar e tapa seu rosto. Ambas se entreolham. Tensão.
 
Policarpo deixando as lágrimas cair. Ele estende os braços por entre as grades.
POLICARPO
– Pegue na minha mão. Mesmo com essas palavras duras lançadas eu te perdôo. Eu te perdôo por todo o mal.
ODETE– (grita) EU NÃO PRECISO DO SEU PERDÃO. NUNCA. Ouviu bem? Nunca. Eu quero que você vá nadar em uma piscina de prego. Vá abraçar o capeta no inferno e me deixa em paz. De hoje a alguns dias me tornarei a primeira dama da cidade e você não vai mais poder contra mim. (e sai) 
Policarpo se volta pra dentro da cela e senta no chão. Olhando para o nada. Pensativo. (instrumental drama) Ele chora colocando as pernas entre os braços.
 
Luciano está a dormir. Ele acorda e começa a fungar algo bom:
LUCIANO
– Cheiro de café? Mas quem será que está preparando o café da manhã?
Babalu de repente adentra com uma
mesinha farta e coloca na cama para Luciano.
BABALU
– Fiz pro meu meio-irmão que eu amo de montão. Tome! Preparei com todo o carinho pra você. Hoje estou feliz, vou comprar o carro que tanto quis.
LUCIANO– Carro? Mas onde você arrumou dinheiro?
BABALU– Isso não interessa. Toma seu café e vamos pro banho. Quero lhe fazer uma bela massagem e depois você fará em
mim! 
Babalu passa a mão no rosto e na boca de Luciano, eles ficam a se olhar.
 
Cléo tenta revidar o tapa, mas Sandra segura a sua mão:
SANDRA
– Lave a sua boca antes de abri-la pra falar da minha filha. Você não tem capacidade nenhuma de falar de uma pessoa inocente. Nenhuma. Uma mulherzinha asquerosa que invejou o namorado da irmã.
CLÉO– Saia do meu apartamento sua louca. Louca… E eu juro que essa bofetada você vai me pagar. Muito caro.
SANDRA– Quando você vier… Eu já dei a terceira. (saindo) Passar bem sua invejosa.
CLÉO– Ah, vá surfar no asfalto querida… Mas que você me pagará esse tapa ah vai!
 
Eleonora está lendo um livro de pé, ela deixa cair e quando vai pegar bate a cabeça em Eduardo. Eles se levantam se encarando. Eduardo tira da carteira uma foto e entrega a
ela:
EDU– Tome! Senti de te dar essa foto. Guarde como uma lembrança do seu genro. (a beija no rosto)
ELEONORA– Meu Deus! Minhas pernas estão bambas… Acho que vou cair.
EDU– (a segura) Eu não deixo você cair.
Edu e Eleonora se olham… Os lábios se aproximam cada vez mais quase encostando quando Eleonora ouve um grito: MÃAAE!
ELEONORA
– Filha?
Beatriz acaba de virar a esquina e Edu já está afastado de Eleonora. Beatriz vê Edu e estranha. Eleonora coloca a foto
rapidamente em seu livro.
BEATRIZ– Edu? O que você está fazendo aqui com a minha mãe?
Todos calados. Um certo clima tenso no ar.
 
Policarpo é levado algemado para a sala de visitas. Ao chegar lá, ele vê Macária virada para a parede. Enquanto o policial abre a algema ele começa a chorar:
POLICARPO
– Filha… Minha filha! Eu não acredito.
MACÁRIA– (vira-se, seca e dura) Como vai papai?
Policarpo comovido com a presença da filha que ele pensava haver morrido.
 
MACÁRIA– Eu não estou aqui pra conversas pai, eu vir lhe vê e saber como está? Eu nunca pensei, nunca passou pela minha cabeça que um dia eu fosse te encontrar ai, assim, acabado, pra baixo. Barba e bigode sem fazer. Um trapo. (Entra: Amores Distantes – Instrumental)
POLICARPO
– Nem eu imaginaria tal caso. Culpa do Alonso. Daquele maldito, mas isso não vem ao caso agora. Eu quero te abraçar. Deixa eu te senti em meus braços minha filha. (corre para abraça-la)
MACÁRIA– (se afasta) Melhor não pai. Mesmo durante todo esse tempo eu ainda não esqueci o que você e aqueles outros
dois fizeram comigo. E quero que pague na mesma moeda.
POLICARPO– Filha, aqui estou eu, arrependido, mesmo não tendo feito nada. Eu sou inocente nessa maldita história do petróleo por debaixo de Serra Dourada. (ajoelha) De joelhos filha, de joelhos eu te peço perdão.
Policarpo ajoelhado, olhando para a filha com cara de piedade. Macária sem reação.
 
Luciano e Babalu saem enrolados na toalha:
BABALU
– Você hoje foi melhor do que as outras vezes. Decidiu esquecer o David?
DAVID– Vamos esquecer o nome David dentro desse apartamento. Pelo menos por um tempo. Eu quero esquecer o David.
 
Eleonora vai abraçar Beatriz. Edu se aproxima:
BEATRIZ
– O que você está fazendo aqui Eduardo?
EDUARDO– Eu encontrei com a sua mãe no caminho pra casa e vir caminhando com ela até aqui. Pra ver se ela chegaria bem. Só isso. Estou cuidando da minha sogrinha.
ELEONORA– Ah filha, desculpa. Não sabia que tinha ciúmes do seu namorado comigo, sua mãe.
BEATRIZ– Uma coisa nada haver com a outra. Só estranhei, somente isso. Mas aqui está mãe. A vitamina de mamão e laranja que havia me pedido. Ta gelado.
ELEONORA– Obrigado filha. Você é um anjo.
Beatriz abraçada ao namorado. Edu não para de encarar Eleonora.
 
Macária levanta o pai. Ela começa a chorar e acaba o abraçando. A música continua.
MACÁRIA
– Não tenho nada o que perdoar papai, nada. Eu te amo, mas não posso aceitar assim de repente como se nada tivesse acontecido. Ainda dói, quando eu descobri que você estava de conluio com o Dante e o Alonso meu mundo caiu. Eu fingi morrer, mas na verdade eu morri pra vida. Eu amava o Dante, estava preparando pra me casar com ele e…
POLICARPO– Ele chorou muito a sua morte. Certamente também está arrependido.
MACÁRIA– Ele se casou. Está feliz com a Yedda e é melhor assim. Agora eu tenho o Miguel e a Clara, que você sabe, é filha do Dante.
POLICARPO– E você está feliz filha?
MACÁRIA– (abraça o pai) Deixa o tempo decidir isso pai. Olha, tenho que ir agora. Tenho muito que fazer, mas saiba que eu te amo de todo o meu coração. E está perdoado. (eles se abraçam mais forte)
Macária sai… Policarpo a olha e então abre a boca… EU TE AMO, sem voz. Macária dá um sorriso ao fazer a leitura labial.
(d i a s   d e p o i s)
A igreja toda enfeitada… Muitos convidados. Alonso espera no altar, lindo, com um terno arrasador. Dante abraçado à Yedda. Uma limousine encosta na porta da igreja. A noiva desce. Os olhos todos em cima dela, alguns surpresos, outros assustados. Alonso fica perplexo, ao ver Odete na porta da igreja, toda vestida de VERMELHO! A marcha nupcial inicia… Odete vai entrando, com o nariz empinado… Dando aquele longo sorriso.
 
A enfermeira entra no quarto de Melissa. Ela se assusta ao ver a cama vazia:
ENFERMEIRA
– Onde está a paciente?
 
O padre rezando o casamento. Odete olha para trás vibrando toda a cidade lhe olhar se tornar a primeira dama. Seus olhos fitam alguém nos bancos. Ela fica assustada e volta para o padre:
PADRE
– Odete Ramos aceita Alonso Ribeiro Alves como noivo?
ODETE– Sim, com todo meu amor. (seus olhos piscam)
PADRE– Alonso Ribeiro Alves você aceita Odete Ramos como sua noiva?
ALONSO– Sim!
PADRE– Se há alguém aqui presente que de causa justa esse casamento não deve ser aceito pela sociedade fale agora ou se cale para sempre…
Odete e Alonso olham para o Padre que ao abrir a boca para abençoar, Melissa adentra a igreja
gritando:
MELISSA– EU! EU ESTOU AQUI PARA IMPEDIR ESSA VAGABUNDA SE CASAR COM ESSE LIXO HUMANO.
 
Alonso e Odete assustados com Melissa. A igreja toda de pé vibrando com o “barraco”. Melissa decidida.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 17

 

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 15

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UMA NOVELA DE GILBERTO NASCIMENTO

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 15
(Entra: Immortal – Evanescence)
 
MACÁRIA– Eu voltei. Agora voltei com todo o poder em minhas mãos. E com esse poder eu vou vencer cada batalha que aparecer. Vou enfrentar a vida com garra e coragem. Vou seguir a minha vida e não temerei o mal que vier. As mãos que um dia ergueram pra me apedrejarem, um dia irão me aplaudir de pé. Eu estarei no alto patamar e ninguém mais poderá me tirar lá de cima. Durante todos esses anos eu subi degrau por degrau e cheguei ao topo. A minha vida, à vida da minha filha… Eu vou engolir todo o nojo que sinto do povo de Serra Dourada, mas passarei por cima de todos, até que um dia eles entendem que devem amar ao seu próximo. Essa sou eu de verdade… Eu nasci de novo. Eu… Macária Vincentari.
 
No rosto de Macária cheio de lágrimas e como vitoriosa.
 
Dalila e Demétrio se beijam dentro da banheira. Eles tomam um vinho na taça:
DEMÉTRIO
– Você não sabe como eu tive vontade de dar gargalhadas quando a Odete e o Alonso descobriram que a Macária iria voltar.
DALILA– Posso imaginar. Eles fizeram tanto mal aquela jovem, acho que isso possa ser medo. Medo dela poder se vingar agora que virou a dona de uma das maiores redes de jóias do Brasil.
DEMÉTRIO– Você acha que a Macária pode se vingar deles? Até mesmo do próprio pai?
DALILA– Não só como eu acho, mas como tenho certeza. Todos nós podemos preparar. A Macária agora tem um enorme poder em mãos.
O suspense paira no ar.
 
Hora do almoço. Em um restaurante lotado… Apenas água e o celular na mesa. David e Luciano se entreolham. Luciano sério:
LUCIANO
– Que segredo é esse que quer me revelar? Eu não tenho todo o tempo do mundo e preciso voltar rapidamente pra empresa. Tenho muito que fazer.
DAVID– O que aconteceu ontem a noite foi algo errado da minha parte. Você vai entender por que. Mas antes quero contar como tudo aconteceu. Quando eu era novo, fui violentado pelo meu padrasto e depois disso nunca olhei para uma mulher sequer. Fui me misturando com garotos que só se metiam em coisas ruins e nunca me dava a chance de poder me expressar de verdade. Fumei drogas, fugi de casa e nunca mais vi minha mãe e nesse tempo eu entrei em depressão. Saia todas as noites e ia para uma estrada deserta e nisso eu… Eu ficava com o primeiro homem que aparecia.
LUCIANO– Ficava ou ainda fica?
DAVID– Ficava. E dois anos depois eu comecei a sentir dores pelo corpo, manchas avermelhadas, eu me cansava a toa e do nada eu desmaiei e então fui para o hospital. Quando acordei havia um amigo meu do meu lado chorando… E ali perguntando o que houve o médico entra e me conta algo que nunca imaginei que fosse ouvi, e ouvindo aquilo meu mundo caiu, tentei suicídio, mas vi que poderia viver com aquilo, com isso que me come por dentro, que me faz tomar coquetel de remédio todos os dias pra me manter vivo…
LUCIANO– Por acaso está tentando dizer que está com…
DAVID– (cortando-o) Não estou tentando dizer, eu sou soropositivo, tenho HIV!
Luciano espanta ao ouvir dos lábios do homem que ama que seu destino é a morte. Eles se encaram.
 
A noite chega… Tumulto na cidade… Carros e mais carros na entrada.
No salão de festa da cidade uma enorme fila. Lá dentro muitas rosas brancas e vermelhas. Mesas com formato de flor, garçons, muita gente. No palco um microfone e um enorme letreiro com o nome “SEJA BEM VINDA, MACÁRIA”, que passa despercebida diante dos convidados. Odete chega à festa vestida de preto e vai ao encontro de Alonso. Eles pegam uma taça.
 
ODETE– Todos irão bajular aquela desgraçada quando chegar. Eu juro que se eu pudesse dava um tiro bem na testa dela aqui mesmo, no meio desse salão.
ALONSO– E eu jurava que você não viria a essa festa maldita! Pelo menos veio vestida com o tema. LUTO! Mas saiba que a felicidade dessa matuta não durará muito tempo. Você sabe que em breve… Muito em breve o papai dela estará morto e o Dante levará toda a culpa.
ODETE
– (brinda a taça) Não vejo a hora de puxar o gatilho. (risos)
Eles se beijam.
 
Cléo chega em casa e está tudo escuro. Antes dela entrar no quarto Vivian acende o abajur. A irmã se assusta:
CLÉO
– Que susto Vivian. Posso saber o que você está fazendo acordada até essa hora?
VIVIAN– Eu poderia perguntar onde você estava até essa hora, mas a minha pergunta é muito mais interessante e perturbadora do que a sua? (levanta a foto) O que essa foto do meu namorado fazia no livro especial que a mamãe te deu?
CLÉO– Essa foto?
As irmãs se encaram.
 
A festa continua… Eleonora dançando olha para Edu. Edu dá uma piscada e logo chega a filha e beija o namorado. Eleonora para de dançar e sai dali, pegando uma bebida e não parando de olhar para o casal. Um homem sobe no palco e pega o microfone:
 
HOMEM– Atenção senhores e senhoras… A dona da festa está chegando. Vamos todos receber Macária com uma salva de palmas.
 
Logo os portões se abrem… Macária com um lindo vestido branco, misturado com pérolas e penas de gansa adentra lindamente pela porta, deixando todos ali boquiabertos. Alonso e Odete olham, mas não sentem nada. Macária encara cada pessoa naquele salão e sorri alegremente. Miguel juntamente com Clara segue atrás. Macária sobe ao palco. Vai falar ao microfone quando seus olhos fitam Dante, no centro do salão, vestido com um terno. Olho no olho… O passado volta no pensamento. O olhar do casal. (Entra: Guinding Star – Andre Leono – Refrão)
Macária e Dante continuam a se olhar. Miguel observa o gesto, mas fica calado. Victória aparece de repente e abraça a filha chorosa:
 
VICTÓRIA– Meu Deus do céu que saudade. Que saudade eu tive de você durante todos esses anos. Seu filho, seu marido. É um sonho.
MACÁRIA– Ah mamãe, não via a hora de lhe dar esse abraço. Sabe que te amo.
VICTÓRIA– Eu também te amo muito… Muito.
Elas se abraçam novamente. Odete sai do público e vai pro centro batendo palmas e soltando gargalhadas sínicas…
ODETE
– Que bajulação mais miserável… Porque não fazem alguns homens de escravos e depois coloca essa imunda por cima? A fingida, a mentirosa…
VICTÓRIA– Você não tem o direito de…
ODETE– (gritando) NÃO TENHO O DIREITO DO QUÊ? HÃ? Essa aí por acaso tem? Ela chegou depois de mim. Roubou o
meu irmão, a minha casa, a minha empresa, a minha herança. Essa lambisgoia, essa desgraçada. Essa vagabunda.
Do nada Macária sai do salto e dá uma bela bofetada no rosto de Odete. O salão se silencia. Macária dá outra bofetada noutro lado do rosto.
MACÁRIA
– Você não tem nenhum direito de me chamar assim.
Odete e Macária se encaram. Tensão.
 
Vivian e Cléo se encarando. Vivian surra a foto na cara da irmã:
VIVIAN
– (gritando) Solta tudo que tá entalado nessa sua garganta. Me fala, porque a foto do meu Diogo, do meu namorado que sumiu estava fazendo no livro que a mamãe te deu?
CLÉO– Quer saber mesmo da verdade minha irmã? Eu amava o Diogo. Eu amo. Se ele sumiu ou está morto eu vou amá-lo eternamente. Por isso eu te invejo tanto. Tinha tudo o que eu sempre sonhei e nunca ganhei.
VIVIAN– Mas a gente não ganha nada Jucecléo, a gente conquista. E o destino não é questão de escolha, é de sorte.
CLÉO– Sorte essa que você pegou. Era pra eu ser rica, famosa. Uma cantora em que todos olhassem e se inspirasse. Eu e não você.
VIVIAN– Você ama o Diogo. A minha própria irmã de olho no homem que eu amo.
CLÉO– Ama? Você ainda ama? Peraí, não foi você quem gritou aos quatro ventos que ele te abandonou depois que te levou pra cama? Não foi você quem tirou a criança que esperava porque você achava que era uma maldição?
Vivian deixa cair uma lágrima e esbofeteia três vezes o rosto de Cléo. Sandra aparece nesse exato momento.
VIVIAN
– Nunca mais repita isso. Você jurou pra mim que nunca ia falar desse aborto que eu fiz.
SANDRA– Aborto? Vivian eu quero que me conte tudo.
CLÉO– Vou fazer as minhas malas agora mesmo. Estou rica, vou alugar um apartamento. Não vou mendigar comida, teto. Mesmo assim o restaurante é nosso. Com licença. (e sai)
VIVIAN– Sandra, é um segredo que eu queria esconder, só que tudo que se faz se descobre. Sente-se eu vou lhe contar tudo.
 
Odete é vaiada. Os olhares de ódio continuam:
VICTÓRIA
– Saia dessa festa Odete. Sabe que não foi convidada e onde a gente pisa, você não deve pisar.
ODETE– Ah eu irei, com todo o prazer. (se aproxima) Macária, você ainda vai comer o pão que o diabo amassou. Você ainda vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho.
VICTÓRIA– E eu te digo o mesmo. Eu não tenho medo de você. Nunca tive. Se é guerra que quer querida tia, é guerra que terá.
Odete dá um sorriso sínico e sai diante de todos. Victória abraça a filha.
 
Macária sobe ao palco e pega o microfone. Todos param de falar para ouvi-la:
MACÁRIA
– Atenção. Todos atenção por favor! Anos atrás eu sofri uma agressão muito forte. Não só externa, mas também interna. Por algo que nunca fiz. Nunca tive a intenção de tirar o povo de Serra Dourada. Nunca. Em uma sociedade diabólica que conduziam três homens, quando viram que o plano para ganharem dinheiro com as terras estavam dando errado, eles me colocaram no meio desse turbilhão. Me perguntem o porquê, eu não saberei responder. Mas pra quem não sabe, debaixo de Serra Dourada há uma mina, minha rica de petróleo, por isso o plano de tirar todos vocês daqui. Pra conseguirem dinheiro. Quero dizer que eu nunca fiz parte dessa maldita sociedade que destruiu pedaço da minha vida e por causa disso eu precisei fingir de morta e sair como uma fugitiva daqui, mas hoje como vêm sou uma nova mulher. Com um marido (Dante olha Miguel), com minha filha e com um poder imenso nas mãos que poderia me fazer destruir cada canto dessa cidade. Mas não, nos próximos meses eu me candidatarei à Prefeita de Serra Dourada e conto com o voto de vocês. Agora sem mais, aproveitem essa festa maravilhosa.
 
Cléo chega ao hospital com uma marmita. Ela entra na sala entrega para um médico e sai. De repente ela vê uma maca e um homem barbudo dormindo. Ela vai até ele e começa a chorar, passando a mão em seu rosto.
CLÉO– Diogo, você não está morto? Meu Deus, o Senhor ouviu as minhas preces. Obrigada. Obrigada. (séria) Mas a Vívian não vai tomá-lo de mim, não agora que ele está em minhas mãos. Eu vou me casar com ele. Eu vou me casar com você…
MÉDICO– (aparece) Boa tarde. O que você é dele?
CLÉO– Ah, eu sou a noiva. Futura esposa. Pode me dizer como ele está doutor?
MÉDICO– Está medicado, está bem, ouve alguns ferimentos, mas pelo tempo já estão sendo cicatrizadas. Ele está dormindo porque demos um sedativo. O encontramos caído em uma área desconhecida. A família dele morreu.
CLÉO– Área desconhecida? Família morreu… Será que…
MÉDICO– Esse homem estava em cárcere privado, preso às correntes no porão. Com a explosão da casa ninguém sobreviveu menos ele que se salvou porque estava abaixo.
Cléo dá um beijo nos lábios secos de Diogo. Ainda dormindo e muito barbudo.
 
Policarpo sentado no chão da cela. Sozinho, abandonado. Numa escuridão total. Ele chora desesperado. Ao se levantar suas mãos seguram a grade:
POLICARPO
– Eu estou pagando por tudo que eu fiz. Eu sei meu Deus. Mas não deixa eu morrer aqui, eu menti, matei e fiz uma grande covardia com a minha filha, mas não me deixe aqui sozinho e abandonado. Eu preciso do perdão da Macária. Eu preciso do perdão da minha filha.
 
David para o carro em frente ao prédio do apto de Luciano. Eles no carro:
LUCIANO
– Hoje foi um dia e tanto. De revelações.
DAVID– Você não disse nenhuma palavra do restaurante até aqui. O que eu posso esperar de você a partir de hoje?
LUCIANO– Espere o tempo. Deixa o tempo decidir o que tem que acontecer. (vai saindo) Ah, espero ter usado camisinha com o Babalu. Ele te mataria se descobrisse que você é soropositivo. (sai)
DAVID– Oh vida! Oh vida.
 
Macária dança animada. Miguel e Clara também estão dançando animados. Dante pega uma bebida e vai até Macária:
DANTE– Desculpa querer te atrapalhar, mas eu queria te fazer uma pergunta. (Macária não o olha) Eu queria saber o que foi que você fez com o nosso amor.
 
Macária que antes olhava para baixo, se volta olhando bem no fundo dos olhos de Dante. Seus olhos brilham com pequenas gotículas de lágrimas. Eles se encaram.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 15
Vai começar uma semana bombástica em INSENSATO PODER:
A morte de Policarpo. A volta de Melissa no casamento de Odete e Alonso… E mais. A represa começa a desmoronar e a cidade de Serra Dourada fica em perigo. 
Fortes emoções na semana de IP!

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 14

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 14
YEDDA– (grita) Eu disse que sou capaz de tudo pra você não encontrar com essa mulher e quando eu disse isso não estava brincando. Olha do que eu sou capaz.
 
Yedda de repente se joga escada e sai rolando… Dante assustado com o que a esposa foi capaz de fazer. Yedda estática no chão. Com um pequeno corte na testa, desmaiada.
 
Luciano chega em casa cabisbaixo. Coloca a maleta na mesa e senta no sofá, suspirando fundo. Babalu aparece apenas de cueca e fica observando:
LUCIANO
– Por que tanto me olha? Não tenho ouro não meu filho!
BABALU– Você ta assim porque não viu o David hoje né?
LUCIANO– (se levanta) O que tem haver o David? Como você o conheceu?
BABALU– (risos) Ele não foi trabalhar ontem né? E quando você chegou notou que a porta do meu quarto estava trancada…
LUCIANO– Então… Vocês dois estavam juntos? É isso que quer me dizer?
BABALU– Enquanto você ta aí suspirando por ele, ontem tivemos uma noite muito boa. E acredita que ele é melhor do que você na cama?
 LUCIANO– Seu merda. Você não podia ter feito isso comigo. (e sai)
 
(Entra: Sin Tu Amor – Camila) Luciano entra correndo no quarto e deita na cama chorando. Ele pensa no beijo que deu em David quando cuidava dele. Luciano fecha os olhos. David também pensa em Luciano.
 
A música continua… A noite cai.
Sandra aparece no restaurante e encontra Vivian arrumando as mesas. Sandra estranha:
SANDRA– Vivian, onde está a Cléo? Não era pra ela está aqui te ajudando?
VIVIAN– Desde cedo eu não vejo a Cléo. Sabe Sandra, tenho medo do que minha irmã seja capaz… Ela não é tão certa assim.
SANDRA– Desconfia tanto assim da sua irmã? Porque?
VIVIAN– A Cléo sempre foi invejosa. Colocou na cabeça que nossos pais me amavam mais do que ela. Uma vez nós ganhamos filhotes de gatos. O meu era preto e branco e o dela um amarelo, muito fofo. Mas por inveja, ela pegou o meu gatinho, amarrou uma corda na barriga dele ligado a uma pedra e jogou na piscina. Ela ficou rindo igual um demônio. Eu me lembro da cena como se fosse ontem.
SANDRA– Que monstro. Matar um filhote de gato por pura inveja.
VIVIAN– Eu sempre desconfiei da Cléo. E por fama e dinheiro ela é capaz de fazer qualquer coisa. Vamos tomar muito cuidado com ela. É minha irmã, mas mesmo assim, vamos ficar de olhos abertos.
 
Policarpo na delegacia. Alonso assina um papel:
ALONSO
– Eu não vou tirar essa queixa. Por mim você apodrece atrás das grades.
POLICARPO– Você vai me pagar muito caro por tudo isso. Eu juro.
Policarpo é levado algemado e colocado na cela. Policarpo começa a chorar e a olhar ao redor desesperado.
 
A enfermeira termina de fazer o curativo na testa de Yedda e o médico a observa. Dante entra:
DANTE
– E então doutor, como está a Yedda?
MÉDICO– Está bem, só precisa de repouso. O ferimento maior só foi o corte na cabeça. Nada demais.
DANTE– Pode nos dar um minuto, por favor? (o médico sai) Yedda me responda uma coisa… VOCÊ ENLOUQUECEU?
YEDDA– Eu já disse e não escondo que por você eu sou capaz de tudo. Eu te amo e não abro mão tão fácil de você.
DANTE– Mas não era preciso se jogar da escada pra chamar a minha atenção. Eu já disse que te amo e não vou te abandonar. E se eu vou nessa festa é pra ver no que aquela mulher se transformou durante todo esse tempo. Não se preocupe.
YEDDA– (dengosa) Posso confiar em você meu bebê? Jura?
DANTE– Eu juro.
Ele dá um beijo em Yedda que fica mais tranquila.
 
Maria vai até o quarto de Odete e lhe entrega uma carta. Odete estranha e abre:
ODETE
– VOCÊ ESTÁ SENDO OBSERVADA! Mas que brincadeira de mau gosto é essa? (grita) Maria, Maria. Venha cá.
MARIA– (chega rápido) O que foi senhora? Algum problema?
ODETE– Quem foi que entregou esse bilhete? Me diga, quem foi, porque não tem graça nenhuma.
MARIA– Eu não vi quem dona Odete. Não sei quem entregou.
Odete em um ato de fúria estapeia Maria que voa pro outro lado do quarto. Maria coloca a mão no rosto.
ODETE
– (grita) ESTÚPIDA! Isso é pra você aprender a não observar quem entrega as correspondências. Agora vaza daqui, anda. VAZA! (Maria sai) Tenho que tomar cuidado. Se tem alguém me vigiando eu tenho que ser bem segura. Eu tenho que descobrir quem mandou esse bilhete.
O mordomo serve um mouse na taça para Hercília. Quando ela vai colocar uma colher na boca a campainha toca:
HERCÍLIA
– Justo nesse momento? Na primeira colherada no meu mouse de maracujá?
O mordomo abre a porta e Cléo entra pisando firme e vai andando até Hercília e elas ficam se olhando:
HERCÍLIA
– Quem é você menina?
CLÉO– (sínica) Quem é Sandra e porque você mandou seqüestrar a criança quando ela nasceu?
HERCÍLIA- (estranhando, levanta) O que você sabe dessa história?
Elas se encaram.
 
Vivian termina de varrer um quarto no apto de Sandra. Vivian abre o quarto dela e de Cléo e começa a limpar… Vivian vê um livro aberto… Um livro infantil. Vivian vai até ele e o pega e começa a folhear.
VIVIAN
– O livro que mamãe deu a Cléo quando ela completou sete anos. A única lembrança de nossa mãe. Ah, que nostalgia!
Vivian vai folheando e cai uma foto. Vivian estranha e pega a foto, ao virar seus olhos fitam um homem barbudo, lindo. Vivian começa a chorar. Fecha o livro e sai do quarto deixando a vassoura e a pá.
 
CLÉO– E essa é toda a história. É o seguinte dona Hercília, eu quero muito, mas muito dinheiro pelo meu silencio… Ou senão eu irei aos jornais, à televisão, aos rádios e vou contar toda a verdade. Eu moro com a mãe da criança e a primeira coisa que farei é dizer com quem e onde está a menina que um dia você mandou roubar e tenho certeza que a Sandra vai te denunciar e você vai passar o resto de sua vida apodrecendo na cadeia.
HERCÍLIA– Uma ameaça. Genial!
Hercília pega na bolsa o cheque e assina. Ao entregar para Cléo, ela dá um pulo e grito e fica fascinada.
CLÉO
– Fica ligada… Fui nessa! (e sai)
HERCÍLIA– Era só o que me faltava.
 
(Entra: Guinding Star – Andre Leono)
A noite termina em um tempo gélido. As árvores ventam muito anunciando chuva. Logo
começa a chover. Amanhece também com chuva.
 
Luciano chega à empresa cabisbaixo, ele passa sem cumprimentar ninguém e entra na sala. Quando levanta a cabeça vê David à sua frente.

DAVID
– Desculpa ter entrado na sua sala. Eu preciso conversar com você.
LUCIANO– (sério) Ah é? Pensei que você tivesse conversado bastante com o Babalu!
DAVID– É sobre isso mesmo que eu quero falar, mas também quero falar de um segredo. Um segredo que ninguém sabe.
LUCIANO– (pensativo) Segredo? Que segredo?
Eles se encaram. Suspense.
 
Macária e Miguel descem do avião juntamente com Clara. Macária olha ao redor, feliz:
MIGUEL
– E então… Preparada pra chegar em Serra Dourada?
MACÁRIA– Preparada, mas antes quero ir em um lugar.
 
PICO DO MONTE NEGRO
Macária olhando o horizonte. Miguel carregando Clara. Macária deixa escorrer lágrimas… Ela abre os braços e deixa o vento soprar em seu rosto.
(Entra: Immortal – Evanescence)
 
MACÁRIA– Eu voltei. Agora voltei com todo o poder em minhas mãos. E com esse poder eu vou vencer cada batalha que aparecer. Vou enfrentar a vida com garra e coragem. Vou seguir a minha vida e não temerei o mal que vier. As mãos que um dia ergueram pra me apedrejarem, um dia irão me aplaudir de pé. Eu estarei no alto patamar e ninguém mais poderá me tirar lá de cima. Durante todos esses anos eu subi degrau por degrau e cheguei ao topo. A minha vida, à vida da minha filha… Eu vou engolir todo o nojo que sinto do povo de Serra Dourada, mas passarei por cima de todos, até que um dia eles entendem que devem amar ao seu próximo. Essa sou eu de verdade… Eu nasci de novo. Eu… Macária Vincentari.
 
No rosto de Macária cheio de lágrimas e como vitoriosa…
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 14

 

Amanhã: Dante e Macária se reencontram depois de muitos
anos. E o segredo de David vem à tona!
Grandes surpresas estão chegando.

INSENSATO PODER | CAPÍTULO 13

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INSENSATO PODER
CAPÍTULO 13
Ouve-se um alto
grito. Yedda nervosa na sala de sua casa enquanto Odete tenta acalmá-la:
YEDDA– Viva? Aquela
desgraçada está viva? Maldita seja. Se ela voltar pra essa cidade ela vai
acabar com o meu casamento.
ODETE– Pode até ser, mas pelo o que
descobri, ela está casada e tem um filho de um homem que ela conheceu lá. Mesmo
assim fikue atento. Ou você pode perder o Dante.
YEDDA– Eu passo por cima de qualquer
um por ele. Eu sou capaz de matar novamente pelo Dante. E com essa mulherzinha
não será diferente. Se ela voltar, eu vou tratar de tirá-la de vez do meu
caminho.
ODETE– Então somos duas. Eu também
vou destruir essa peste que entrou pra estragar a minha vida. Esse lixo humano
que está tomando tudo o que é meu por direito.
YEDDA– Unidas ninguém vai poder nos
deter.
Elas sorriem
amigavelmente. Suspense no ar.
 
A noite cai… Babalu
termina de tomar banho. A campainha toca, ele se enrola na toalha e vai atender
a porta. Quando abre dá de cara com David. David o observa de cima embaixo.
Eles trocam olhares.
 
DAVID– (dando pigarros)
Desculpe, o Luciano está por aí?
BABALU– Não, ele acabou de sair,
posso te ajudar em alguma coisa?
DAVID– É só com ele mesmo. Com
licença. Obrigado. (vai saindo)
BABALU– (segura seu braço) Tem
certeza que só ele pode te ajudar?
Sem
dar espaço Babalu avança sobre David e começa a beijá-lo. Babalu tira as roupas
de David e eles vão para o quarto.
Entra:
Se ela dança eu danço – MC Leozinho
 
Dalila observa a
criança no berço. Dalila chega por trás.
DALILA

Um dia você terá que entregar essa menina pra verdadeira mãe que é a Sandra.
Ela precisa saber que a filha está mais perto do que ela imagina.
CLARISSE– Nunca, eu nunca vou
entregar a minha filha. A Cristal é minha filha e só minha. Eu a tive com um
homem desconhecido e ninguém precisa saber. Se eu desconfiar que você vai me
trair eu fujo com ela e nunca mais você me verá.
DALILA– Tudo bem. Tudo ao seu tempo,
mas uma hora a verdade vai ter que aparecer.
Elas se encaram.
Clarisse com dúvida.
 
Amanhece…
Anoitece…
A lua no céu enfeita a cidade toda colorida pelas luzes das casas e da praça.
Entra: Amado – Vanessa da Mata
 
Eleonora termina de
digitar algo no computador e finaliza. Ela se levanta, pega sua bolsa e sai.
Entra no carro e sai dirigindo. Corta rapidamente ela chegando em casa. Coloca
suas coisas na mesa e vai pra cozinha. Beatriz toma banho. Ouve um grito.
 
Eleonora diante de
Edu que está totalmente pelado tomando água em um copo. Eleonora tapa os olhos,
mas afasta os dedos.
EDU

(falando baixo) Me perdoe dona Eleonora. Não era pra isso acontecer, mas a sede
bateu e…
ELEONORA– Tudo bem. A culpa foi
minha por ter chegado calada e… Por favor, não fale com a minha filha sobre
esse ocorrido, ela pode não gostar.
EDU– Fique tranquila. Não falarei
nada. Esse será um segredo nosso. (saindo) Com licença.
ELEONORA– (observando a traseira)
Que bunda… Que homem… Que pedaço de mau caminho!
Eleonora morde os lábios. Ela pega
algumas pedras de gelo e passa pelo pescoço, dando leves suspiros.
 
Demétrio, Alonso e
Odete sentados à mesa numa sala da Prefeitura:
ODETE

Eu vou ao ponto Demétrio. Quero matar o meu irmão.
DEMÉTRIO– Matar o seu irmão. Ok, a
gente mata, mas eu não. Faço tudo, menos matar alguém.
ALONSO– Seu imprestável, trate de
contratar alguém pra fazer esse plano. Precisamos dele o mais rápido possível.
ODETE– Isso, contrate alguém pra seqüestrar
o Policarpo e também o Dante. Quero ajudar uma amiga e vou colocar a culpa
nele. Pra isso a Macária nunca poderá voltar com ele… A princesa não vai amar
o homem que matou o pai, só que o tiro fatal… Eu mesmo quero dar. Quero poder
saborear o gostinho de apertar o gatilho e sentir a bala perfurando a pele, as
veias e indo direto ao coração do otário e depois (risos) sentir o coração dele
parando levemente… Eu quero sentir o cheiro do sangue do meu irmão enquanto
escorre pela roupa. Entendeu?
DEMÉTRIO– Perfeitamente. Me dê dois
dias que o homem estará na mão de vocês. O Policarpo será morto se depender de
mim.
ODETE– Ótimo. Essa praga abominável
não perde por esperar. Seu fim está chegando.
Risos são dados na
sala.
 
Yedda e Dante
sentados na mesa na sala de jantar. Estão sérios.
DANTE

O que de tão grave você quer falar comigo? Porque essa cara?
YEDDA– Ela ta viva Dante. Durante
todo esse tempo ela estava viva e riu de nossas caras.
DANTE– Do que está falando. Não,
esperai… Ela… Ela não está morta?
YEDDA– Ela mesmo. a Macária. Ela não
morreu. Está mais viva do que nunca esteve.
Dante surpreso com tamanha revelação da esposa. Ele de boquiaberta.
china_shenzhen
Shenzer – China
Enquanto Clara dorme,
Macária arruma roupas na mala. Macária se aproxima da filha e começa a alisar
seus cabelos.
MACÁRIA– Estamos voltando
pra onde fui maltratada, zombada e humilhada. Voltando pra um povo que não
merece jamais perdão. A pedra que me acertaram anos atrás ainda dói. Dói no coração
e eu vou ensinar a cada um deles o valor de um ser humano. Eu juro. (lágrimas
caem) E você filha… Nunca vai saber que seu verdadeiro pai é o Dante. Nunca.
O Dante é um monstro e eu nunca mais quero saber dele. Nunca mais.
 
Continuação da cena:
YEDDA

E ela está voltando pra Serra Dourada. Dante, quero que me jure nunca mais
olhar pra essa mulherzinha. Eu morro, eu mato eu faço uma loucura se você e ela
voltarem.
DANTE– Eu não consigo acreditar. Ela
viva durante todo esse tempo e eu aqui sofrendo por causa da morte, me senti
culpado. Eu nunca, nunca vou voltar com essa mulher. Eu amo você e agora temos
o Conrado, nosso filho. Fique despreocupado. A única coisa que eu sinto por
essa mulher, é o desprezo.
YEDDA– Não sabe como me tranqüiliza
saber disso. Eu te amo.
Eles se beijam. Dante
pensativo, beija Yedda pensando ser Macária.
 
A noite
termina de cair… Amanhece.
O
jornaleiro passa jogando os jornais nas portas. O padeiro também passa nas
portas vendendo o pão. Crianças sendo levadas para as escolas. Pessoas
adentrando à Prefeitura e também ao Posto de Saúde. O restaurante sendo pintado
pelo lado de fora. Todos trabalhando na Emjobi, perfeitas jóias são criadas…
 
Luciano observa o
movimento pela janela… Ele preocupado carrega uma xícara de café:
LUCIANO

Estranho até agora o David não ter chegado. Ele ta muito atrasado. Será que
devo ligar pra ele? E se ele tiver passando mal? Não, melhor esperar. Não quero
dar bandeira que estou apaixonado. No momento certo eu me declaro pra ele.
 
Enquanto Luciano
pensa em Edu. David e Babalu estão dormindo, nu na cama, o relógio na
escrivaninha marca (11h).
 
Eleonora levanta de
sua mesa e vai tomar água. Ao chegar o copo em seus lábios ela fecha os olhos e
pensa em Edu, pelado em sua frente. Ela treme.
MULHER

Que pensamento é esse, Eleonora que fez você suspirar e de longe eu escutei?
ELEONORA– Não é nada… Quer dizer,
é um homem que está me deixando doida. Um homem com todas as qualidades que uma
mulher procura. Mas ele é proibido pra mim.
MULHER– Deixa de besteira mulher…
Hoje todo mundo é de todo mundo, ninguém nesse universo é proibido. Cai fundo e
vá viver. Você merece. Fui. Beijos. (e sai sorrindo)
ELEONORA– É, viver vale a pena… E
viver com o Edu seria o máximo.
EDU– Viver comigo seria
o máximo?
Eleonora se vira e vê
Edu. Ela se assusta e eles se entreolham. Edu dá aquele sorriso lindo.
 
Policarpo procura
alguns arquivos… Alonso aparece batendo forte a porta. Está estressado.
ALONSO– Desgraçado, durante
todo esse tempo você e aquela piranha da sua filha riram de mim.
POLICARPO– Não fala assim da
minha filha, seu covarde.
Alonso sobrevoa Policarpo e eles começam
uma briga. A quebrar tudo em volta. Dando socos, murros. Policarpo consegue
ficar por cima e sai socando o rosto de Alonso até que um dente sai na mão de
Policarpo, ele sai e fica observando:
 
POLICARPO– Ainda é pouco pelo
que você realmente merece seu merda. Merece muito mais do que apenas um dente
quebrado. Porco imundo.
 
Cléo no restaurante
termina de fazer uma marmita e sai… Cléo entra na casa de Dalila… Ela vai
se aproximando aos poucos e coloca-se a escutar uma conversa de Clarisse e
Dalila:
 
CLARISSE– O Demétrio me
contou que foi a Hercília quem mandou seqüestrar a criança e por pena ele não
conseguiu levar a menina pra longe e por isso deixou aqui e na época você
precisava de dinheiro. Foi uma mão na roda.
DALILA– A própria avó mandou
seqüestrar a criança. Mas porque essa mulher fez essa maldade. Tirar os braços
da mãe uma criança?
CLARISSE– Eu não sei, mas de uma coisa
eu tenho plena certeza. A Hercília odeia essa tal de Sandra e faria qualquer
coisa pra evitar que encontre a filha.
DALILA– Essa Hercília é uma cobra.
Terá um final terrível.
CLÉO– (em pensamento) Hercília…
Agora já sei de onde tirar dinheiro.
 
Convites são
entregues e espalhados por toda a cidade.
Dante recebe um e abre. Ele lê em voz alta e Yedda chega no alto da escada no
exato momento.
 
YEDDA– Você não vai a essa
festa que estão preparando pra essa mongolóide, vai?
DANTE– É claro que irei. Quero olhar
nos olhos dela pra ver a mulher sínica e fria que ela se tornou depois de ter
fingido sobre sua morte. EU QUERO FICAR CARA A CARA COM ESSA MULHER. COM A
MACÁRIA!
YEDDA– (grita) Eu disse que sou
capaz de tudo pra você não encontrar com essa mulher e quando eu disse isso não
estava brincando. Olha do que eu sou capaz.
 
Yedda de repente se
joga escada e sai rolando… Dante assustado com o que a esposa foi capaz de
fazer. Yedda estática no chão. Com um pequeno corte na testa, desmaiada.
CONGELA EM TONS PRETO, BRANCO E VERMELHO. FIM DO CAPÍTULO.
fim do capítulo 13

Escrita por
Gilberto Nascimento

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Dramaturgia 2015

ADNTV