F A M Í L I A – ÚLTIMO CAPÍTULO

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

ÚLTIMO CAPÍTULO

CENA 01. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Junior abre o envelope. Todos apreensivos.

ERICK – O que diz aí? Quem é o pai?

JUNIOR – Aqui diz que os materias combinam e isso quer dizer que eu sou o pai.

LISANDRA – Eu sabia!

JUNIOR – Não sei se ficou feliz ou não.

LISANDRA – Acho que deve se conformar porque essa é a verdade é não tem como voltar atrás.

JUNIOR – Eu vou.

Ele sai deixando o envelope. Erick pega o envelope e encara a Lisandra.

ERICK – Sua amiga é das boas mesmo.

LISANDRA – Eu só trabalho com os melhores.

Eles sorriem.

 

CENA 02. DELEGACIA. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Peixoto entra no corredor e se aproxima da cela onde o Carlos está.

PEIXOTO – Você vai ser transferido se não dizer quem matou o Lauro.

CARLOS – Eu já disse que fui eu.

PEIXOTO – Se foi você, cadê a arma do crime?

CARLOS – Eu joguei no rio, sei lá.

PEIXOTO – Está mentindo e eu quero saber por quê. Porque defendê-lo?

CARLOS – Não estou defendendo ninguém.

PEIXOTO – Você que sabe, eu espero que seja feliz no Rio de Janeiro.

Ele sai.

 

CENA 03. CONVENTO MARIA IMACULADA. SALA DA DIRETORIA. INTERIOR. DIA:

Nicholas senta frente a Paula.

PAULA – O que quer?

NICHOLAS – Sua mãe não está bem, ela precisa de ajuda. Ela precisa de você ao lado dela.

PAULA – Eu não tenho mais mãe. Ela escondeu a existência do meu pai. Ela só me fez mal e eu demorei pra perceber isso.

NICHOLAS – Isso é culpa sua, sabia?

PAULA – Culpa minha?

NICHOLAS – Foi você que exigia uma mãe perfeita, mas adivinha: nenhuma é perfeita.

PAULA – Eu nunca pedi uma mãe perfeita, eu só pedia que ela parace de trocar de marido a cada dois meses porque eu queria criar laços com alguém. Eu queria ter um pai.

NICHOLAS – Não conseguia entender que ela não era feliz com ninguém porque nenhum homem quer ficar com uma mulher com uma filha chata como você

PAULA – Sai daqui! Fora!

Nicholas concorda e sai.

 

CENA 04. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Erick e Lisandra estão conversando.

ERICK – E agora? Qual é o próximo passo?

LISANDRA – Ter esse filho, arrancar uma bolada do Junior e ficar rica.

ERICK – Ao meu lado?

LISANDRA – Sempre, sempre.

Eles se beijam.

 

CENA 05. MANSÃO DO PREFEITO. ESCRITÓRIO. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado na cadeira, bebendo uísque. Diana entra e se aproxima dele.

DIANA – Mandou chamar senhor?

JUNIOR – Mandei. Eu quero falar com você sobre aquele assunto.

DIANA – Diga.

JUNIOR – Lisandra está mesmo esperando um filho meu. Eu tô feliz, mas ao mesmo tempo estou triste. Eu não queria ter que vê-la diariamente.

DIANA – Eu sinto muito, mas ao mesmo digo parabéns. Eu tenho certeza que ele será um grande homem ou uma grande mulher.

JUNIOR – E a Maria, como está?

DIANA – Ela está bem, está feliz ao lado do pai dela. E disse que vai ligar pro senhor.

JUNIOR – Diga que estou esperando.

Ela sorri e sai.

 

CENA 06. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. DIA:

UM ANO DEPOIS

Dercy e Nicholas estão fazendo as malas.

DERCY – Finalmente um ano se passou e eu posso ir embora desse inferno dessa cidade.

NICHOLAS – Não sabe o quanto eu estou feliz de voltar pra Europa.

DERCY – E eu? Aquilo lá é outro mundo.

NICHOLAS – Vamos?

Ela faz que sim com a cabeça. Eles saem levando as malas e batem a porta.

 

CENA 07. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Tocam a campainha. Cássio abre a porta e Paula entra. Eles se encaram.

CÁSSIO – Paula?

PAULA – Eu sai! Eu sai do convento!

CÁSSIO – O que? Por quê?

PAULA  – Fuja comigo! Nós seremos felizes longe daqui. Longe de todo esse inferno que é Prata.

CÁSSIO – Eu não posso Paula.

PAULA  – Eu sou sua mãe! Eu sei o que é melhor pra você. Venha comigo, por favor.

CÁSSIO – É justamente por você ser minha mãe que eu não posso ir contigo.  Eu não posso passar o resto da minha vida desejando a minha própria mãe.

PAULA  – Não! Não! Não faz isso comigo, não faz isso com a gente.

Ela beija o Cássio. Sandra surge na escada com a Elizabeth, aplaudindo.

SANDRA – (aplaude) Bravo! Bravíssimo! Lindos! Lindíssimos! Eu até dei uma choradinha.

PAULA  – Deixa a gente ser feliz, por favor. Eu imploro Sandra.

SANDRA – Maldita hora que você veio pra Prata, maldita hora que você conheceu o meu irmão. Eu tenho nojo de você! Transou com o próprio filho e agora quer fugir com ele? E depois eu que sou a demônia.

CÁSSIO – Nós três vamos queimar no inferno, ok, isso não é novidade Sandra.

SANDRA – Está defendendo essa mocreia, mocreiozinho?

CÁSSIO – Não.

SANDRA – Você quer fugir com ela? Você vai me deixar mocreio de merda?

CÁSSIO – Não! Não!

SANDRA – (a Elizabeth) Suba e pegue a arma da mamãe, a arma que eu matei o meu papai.

Elizabeth sobe.

CÁSSIO – Não meta a Elizabeth nisso. Ela é só uma criança! Não precisa passar por isso.

SANDRA – Eu também era só uma criança quando eu matei o papai e ela também vai ser só uma criança quando matar vocês dois.

PAULA  – Não! Não transforme uma doce criança no que você é. Não faça isso!

SANDRA – Cala a boca! Calado os dois!

Sandra termina de descer as escadas e se aproxima dos dois. Ela dá um beijo no Cássio.

SANDRA – Elizabeth! Cadê a merda da arma?

 

CENA 08. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Elizabeth entra no quarto e sobe na cama. Ela tira da parede um quadro e revela um cofre atrás dele. Ela digita a senha do cofre e o abre. Ela pega um revólver e alisa o objeto.

 

CENA 09. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Elizabeth surge na escada segurando a arma. Ela desce e se aproxima dos três.

SANDRA – Agora aponta a arma pra Paula.

Elizabeth o faz.

SANDRA – Põe a mão no gatilho e atira.

Elizabeth põe a mão no gatilho, mas não atira.

ELIZABETH – Eu não posso fazer isso.

SANDRA – Faça! Não seja fraca!

ELIZABETH – Eu não posso!

SANDRA – Fraca! Eu tenho ódio de você! (grita) Sai daqui! Saaaai!

Sandra pega a arma. Elizabeth corre até a escada e senta.

SANDRA – Eu mandei você sair.

ELIZABETH – Eu não vou sair.

SANDRA – Que seja. Inferno!

Sandra aponta a arma pra Paula, põe a mão no gatilho. Ela sorri e Paula desata a chorar.

PAULA  – (chorosa) Não faz isso!

SANDRA – Eu mandei você calar a boca!

Sandra dispara e Cássio pula na frente da Paula, sendo atingido no peito. Ele cai no chão. Sandra desata a chorar e se ajoelha.

SANDRA – (chorosa) O que você fez? Olha a merda que você fez! Nãaaaao! Nãaaaao!

PAULA  – (chorosa) Foi você que fez. Você é um monstro Sandra. Um monstro!

SANDRA – (chorosa) Eu te odeio! Eu te odeio!

Ela levanta e aponta a arma pra Paula.

PAULA  – (chorosa) Atira! Atira em mim! Prova pra mim que você é tão forte quanto diz.

Sandra leva a mão à cabeça, desorientada.

MAGNO  – (off) Larga isso Sandra. Isso não é brincadeira!

 

CENA 10/FLASHBACK. MANSÃO ASSUNÇÃO. SUÍTE DO LAURO. INTERIOR. NOITE:

Magno frente à Sandra. Ela segura uma arma. Lauro sentado na cama a parte.

MAGNO – Larga isso Sandra. Isso não é brincadeira!

SANDRA – Ou você jura parar de fazer isso com ele ou (t) eu te mato!

MAGNO – (ri) Isso é engraçado, divertido, mas é sério: bota isso no lugar e vá pro seu quarto.

SANDRA – Não! A mamãe queria um futuro melhor pra gente e a gente não vai ter um futuro bom ao seu lado.

MAGNO – A sua mãe era uma mulher linda, eu a amava. Eu a amo! Mas é uma mulher, e a mulher só tem duas funções: servir ao marido e cozinhar. E você tinha que ter aprendido isso com ela, mas ele (aponta pro Lauro) a matou antes dela poder te dizer isso.

SANDRA – Papai, por favor, para.

MAGNO – (ri) Viu! Eu falei! Está choramingando! É isso o que vocês mulheres são: objetos de nós, homens, seres superiores!

SANDRA – Não, não somos não.

MAGNO – Então me prova que não. Atira em mim!

Sandra aponta a arma pro Magno e ele ri. Ela fecha os olhos e dispara.

 

CENA 11. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Sandra ajoelha, chorando. Ela larga a arma e encara a Elizabeth que está em pé na escada.

SANDRA – (chorosa) Não! Não me olha assim! (pausa) Desculpa lindinha. Desculpa por eu ser fraca.

ELIZABETH – Você não é fraca! Apenas assuma que você perdeu e morra com honra.

SANDRA – (chorosa) Você tem razão lindinha. Você tem razão!

Ela encara a Paula e abre os braços.

SANDRA – (chorosa) Atira em mim! Acaba com isso de uma vez por todas, por favor.

PAULA  – (limpa as lágrimas) Com todo o prazer.

Paula pega a arma e dispara duas vezes no peito da Sandra. A vilã cai, morta.

ELIZABETH – Agora é a sua vez mocreia. Se mate!

Paula leva o revolver até a boca. Ela volta a chorar. Paula olha pro corpo do Cássio e aperta o gatilho. O sangue jorra na parede e Paula cai, morta.

ELIZABETH – Fim.

Ela sai da escada, pega a arma e sobe as escadas.

CENA 12. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Elizabeth entra no quarto e sobe na cama. Ela guarda a arma no cofre e o fecha.

FADE OUT com o baque do cofre se fechado.

 

CENA 13. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

DIAS DEPOIS

Lisandra sentada no sofá dando de mamar pra um bebê. Erick sai do corredor.

ERICK – O café não está pronto?

LISANDRA – Chega! Eu não aguento mais! Do que adianta ter dinheiro se eu não sou feliz?

ERICK – Não é feliz?

LISANDRA – É claro que não sou. A única coisa que eu faço da minha vida é cuidar desse bebê e cuidar de você que é praticamente um outro bebê.

ERICK – E o que eu posso fazer pra te ajudar?

LISANDRA – Vira um jornalista de verdade! Tem tanto orgulho do pai, mas não segue os passos dele.

ERICK – Eu não terminei a faculdade.

LISANDRA – Então termine e seja um verdadeiro jornalista e pare de ficar me pedindo as coisas. Eu não sou sua escrava!

ERICK – Desculpe.

LISANDRA – Quer café? Faça o café!

Erick concorda e começa a fazê-lo.

 

CENA 14. CASA DO JUNIOR. SALA. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado no sofá assistindo televisão. Ele segura um copo de uísque.

JUNIOR – Eu perdi a minha casa, a minha empregada, o meu cargo, a minha esposa pra um jornaleiro e ainda a mulher que eu amo não dá bola pra mim.

Ele bebe de uma vez só. CAM gira e mostra que tá passando na televisão uma entrevista com a nova prefeita.

JUNIOR – E ainda tem isso: a nova prefeita de Prata é uma mulher. Que merda!

Ele pega a garrafa de uísque e bebe do gargalo.

 

CENA 15. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. DIA:

Peixoto está sentado falando ao celular. Anequim a parte, também no celular.

PEIXOTO – Entendido Felippo, estou indo pra lá em alguns minutos.

Ele desliga. Anequim, que estava à parte, é focado. Ele sorri.

ANEQUIM – Não vejo à hora de nós nos encontrarmos. Eu estou completamente encantado com sua beleza.

Ele desliga e encara o Peixoto.

PEIXOTO – Estou indo lá na casa da Sandra e parece que ela vai estar lá. Quer que eu mande uma carta de amor?

ANEQUIM – Não faça brincadeiras. Eu estou realmente amando a Mary.

PEIXOTO – Fofoqueiro com fofoqueira, sei que serão felizes.

ANEQUIM – E o que vai fazer na casa da Sandra? Pensei que tinhámos fechado o caso.

PEIXOTO – E fechamos, mas parece que é outra coisa. Foi o advogado dela que chamou, não deu detalhes.

ANEQUIM – Misteeeeerio.

Eles riem e Peixoto sai.

 

CENA 16. CASA DA MARY. SALA. INTERIOR. DIA:

Mary sentada no sofá ao celular.

MARY – Eu também estou encantado pela sua beleza. Até mais meu lindo.

Ela desliga. Iana entra e se aproxima.

IANA – Falando com o amado?

MARY – Estamos ficando sério nisso, mas ele ainda não fez o pedido.

IANA – Faz você.

MARY – É o homem que faz e não a mulher. (pausa) E você? Não vai ter o seu happy end?

IANA – Estou usando um aplicativo chamado Tinder, ele é ótimo. Eu conheci umas meninas lindas.

MARY – Não sei mexer nessas coisas de aplicativos não. Mas mudando de assunto: quem era no celular? Eu o ouvi tocando.

IANA – Já ia me esquecendo. Era o advogado da Sandra, o Felippo. Ele pediu a nossa presença lá.

MARY – Será que ela deixou alguma coisa pra gente?

IANA – Será que nós estamos ricas?

MARY – Mal vejo a hora de fazer a Carolina Ferraz e gritar: eu sou riiicaaa!

Elas riem e saem.

 

CENA 17. RUA. EXTERIOR. DIA:

Diana está passeando pela rua. O celular dela toca e ela atende.

DIANA – Alô. Eu tô indo.

Ela desliga e segue andando.

 

CENA 18. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Tocam a campainha. Erick sai do corredor pra atender. Ele abre é o Junior.

JUNIOR – Eu vim buscar o meu filho.

ERICK – (grita) Lisandra!

Lisandra sai do corredor segurando um bebê. Ela se aproxima deles.

LISANDRA – Finalmente. Eu preciso fazer o meu cabelo, a minha unha. É muito difícil ser eu.

JUNIOR – Eu imagino que seja.

Ele pega o bebê.

LISANDRA – Você bebeu?

JUNIOR – Um pouquinho, mas você sabe que eu não fico bêbado com uísque. O corpo já se acostumou.

LISANDRA – Também né, tantos anos. Mas não é pra beber perto do bebê.

JUNIOR – Pode deixar dona Lisandra.

Ele sai. Lisandra sorri e Erick encara ela.

ERICK – Estava dando em cima dele?

LISANDRA – Não, não estava.

ERICK – Estava sim que eu vi.

LISANDRA – Isso é coisa da sua cabeça.

ERICK – Então quer dizer que eu tô maluco?

LISANDRA – Sim, é o que eu quero dizer. Eu amo você, eu não amo ele.

Eles se beijam.

ERICK – Eu também te amo.

 

CENA 19. APART-HOTEL. INTERIOR. DIA:

PARIS

Nicholas está se arrumando. Dercy sai da cozinha segurando um copo com uísque. Ela, sem que ele perceba, bota um pó branco na bebida.

DERCY – Eu trouxe sua bebidinha.

NICHOLAS – Obrigado meu amor.

Ela o entrega e ele dá um gole.

DERCY – A nossa próxima parada é Miami, certo? Eu quero ir pra ficar, chega de ficar viajando.

NICHOLAS – Concordo. A nossa lua-de-mel acabou aqui em Paris. Em Miami, será a nossa vida.

Ele sorri e bebe tudo de uma vez.

DERCY – Estava pensando na Paula. Ela morreu, eu não fui ao enterro e a leitura do testamento já deve ter ocorrido. Será que ela deixou algo pra mim?

NICHOLAS – Quando nós chegarmos a Miami você liga pro advogado dela.

DERCY – Eu não lembro quem é o advogado dela.

NICHOLAS – Aquele que representou ela na sua audiência deve conhecer. Eu me lembro bem dele.

DERCY – Obrigada meu amor.

Ele sente uma tontura.

NICHOLAS – Deu uma tontura agora.

DERCY – Deve ser o uísque, eu falei pra você não beber de manhã.

NICHOLAS – Mas eu sempre bebo de manhã. (pausa) O que você/

Ele quase cai, mas se segura numa cadeira. Dercy o empurra e ele cai na cama.

NICHOLAS – O que você botou no meu uísque?

DERCY – Um pózinho que se ingerido em altas quantidades pode quasar a morte. E quantos copos de uísque você tomou hoje?

NICHOLAS – Três.

DERCY – O suficiente pra levar a morte. Mas sabe o que é melhor desse pó? Ele não aparece nos exames pós-morte. Isso quer dizer que você vai morrer de causas naturais e eu vou chorar e sofrer.

NICHOLAS – Vadia! Você não está no meu testamento. Vadia! Burra! Idiota!

DERCY – Não estou? E aquele documento que você assinou, lembra? Ele era o seu novo testamento e você assinou.

NICHOLAS – Você disse que era pra pagar a fatura do hotel. Você é uma ladra! Assassina! Vadia!

DERCY – Não resista, deixe que o pó faça efeito. Eu sinto muito meu querido.

Ele fecha os olhos. Dercy deita ao lado dele e beija o seu pescoço.

DERCY – (ao pé do ouvido) Nos vemos no inferno Nicholas.

Ela o beija e sorri.

 

CENA 20. CASA DO JUNIOR. SALA. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado no chão brincando com o bebê. O celular dele toca e ele atende.

JUNIOR – Maria?

MARIA – (off) Olá Junior. Eu peço desculpas pela demora em ligar, mas é que eu precisava de um tempo pra restruturar aqui.

JUNIOR – Eu imagino. E acho que estou precisando de algumas seções contigo.

MARIA – (off) Pode ficar feliz que eu tô indo pra Prata com o meu pai. Ele quer conhecer a cidade.

JUNIOR – Você não sabe o tamanho da minha felicidade nesse momento.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 21. CASA DA SANDRA. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Elizabeth anda pelo corredor e encontra a Brenda. Elas se encaram.

BRENDA – Eu vim te chamar. Está na hora de descermos pra leitura do testamento.

ELIZABETH – Eu estava indo. Eu ainda estou me perguntando por que disso tudo.

BRENDA – E eu ainda estou me perguntando onde eu estava. Porque eu não estava com ela?

ELIZABETH – Porque você tem uma vida Brenda. E não podia ficar dependendo dela.

BRENDA – Isso não me consola, mas ajuda. Ela era a minha mãe, eu não queria que ela tivesse feito aqui. A sua sede, a sua vontade de destruir o Cássio só levou mal a essa casa e ela própria.

ELIZABETH – Tem razão. (pausa) Minha mãe ligou e disse que está pra vir.

BRENDA – Que bom. Eu estou morrendo de saudade dela. Ela é uma grande amiga.

ELIZABETH – Eu também estou morrendo de saudade dela. E parece que ela está grávida.

BRENDA – Um irmãozinho? Isso é ótimo! Mas depois nós falamos sobre isso, precisamos descer agora.

Elizabeth concorda e sai. Brenda vai atrás.

 

CENA 22. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Mary, Iana, Diana e Peixoto estão sentados num sofá. Felippo em outro. Elizabeth e Brenda descem as escadas e sentam com o Felippo.

FELIPPO – Antes da leitura do testamento da Sandra, quero ler o testamento da Paula. O meu amigo e advogado da Paula foi preso e não pode estar aqui. Então eu vou lê-lo.

PEIXOTO – Por isso estou aqui?

FELIPPO – Sim. Antes de morrer, ela deu uma alterada no testamento. Eu gostaria de ler primeiro sem a alteração. (lê) Caso tenha encontrado o meu filho que tudo fique com ele. Caso não, isso deve ser passado pra minha mãe caso ela ainda esteja viva. Caso ela já tenha morrido, que tudo fique pra caridade. (para) Agora com a alteração: (lê) Quando morrer que tudo fique pro meu filho, Cássio, mas se ele já tiver morrido que tudo fique para o meu pai, Leonel Peixoto. Mas se algo acontecer com ele também, que tudo vá para o convento Maria Imaculada.

PEIXOTO – Isso quer dizer que estou rico?

FELIPPO – Sim. A casa dela é sua, a casa no Rio de Janeiro é sua e um anel que o Lauro deixou pra ela.

PEIXOTO – Meu Deus! É tanta coisa. Meu Deus!

FELIPPO – Agora o testamento da Sandra. Esse é mais rápido e claro. (lê) Todos os meus bens, tudo o que me pertence devem ser dividos. A primeira parte deve ir pra minha fiel amiga e empregada, a Brenda. Mas ela tem que concordar em dividir com os novos amigos e isso inclui as irmãs, a Diana e a Linda. A segunda parte deve ir pra Elizabeth, minha outra fiel amiga. Se quando eu morrer, ela ainda for de menor que tudo fique sobre a tutela de sua mãe até que ela complete dezoito anos.

MARY – Isso quer dizer que…

IANA – (completa) Nós estamos ricas?

FELIPPO – Isso se a Brenda concordar em dividir com vocês.

BRENDA – É claro que eu concordo. Essa é a melhor coisa que já ouvi. Nós vamos morar aqui nessa casa.

IANA – Nessa casona?

As três comemoram. Elizabeth sorri e sobe as escadas.

 

CENA 23. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Elizabeth entra no quarto e sobe na cama. Ela tira da parede um quadro e revela um cofre atrás dele. Ela digita a senha do cofre e o abre.

ELIZABETH – (off) A vida é algo engraçado, é algo que pra mim soa como irreal. Eu não sei o que sou. E nem sei por que sou tão parecida com a Sandra, mas uma coisa eu sei: eu sou um ser superior! Uma mulher superior! E eu não preciso provar isso pra ninguém!

O cofre guarda duas armas e muitos dólares. Elizabeth pega uma arma e a alisa.

ELIZABETH – A arma que ela matou o pai, a arma que ela matou o Cássio, a arma que a Paula matou a Sandra e a arma que a Paula se matou.

Ela joga arma na cama e pega a outra.

ELIZABETH – A arma que o Cássio matou o Lauro. Oh god! Essas duas armas possuem mais histórias que qualquer ancião. Isso é um paraíso!

Ela joga a arma na cama. Elizabeth pega o dinheiro e começa a tacá-lo pro alto. A cena congela com ela de braços erguidos e o dinheiro caindo.

FIM

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Vitor Thiré como “Carlos”

Tonico Pereira como “Nicholas”

Rainer Cadete como “Felippo”

NOTA DO AUTOR:

A verdade é que eu não possuo palavras para agradecer. “Família” foi uma trama leve, divertida, que me fazia rir enquanto escrevia. Eu consegui homenagear os grandes (minha opinião) da televisão brasileira.

Temos Dercy Gonçalves, a personalidade da personagem nada lembra a personalidade da pessoa real, mas a homenagem está no nome. Maria Intriga é uma homenagem ao Luiz Gustavo e seu Mário Fofoca.

Ainda homenageei o criador dele, Cassiano Gabus Mendes, em dois momentos: o primeiro na escolha do nome do protagonista (Cássio) e o segundo num diálogo entre Diana e Junior que eles relembram esse grande autor.

 E ainda deu tempo pra mais uma homenagem. O plot principal de “Família” é mãe se apaixona por filho sem que eles saibam que são mãe e filho. O tema foi falado na novela “Mandala” de Dias Gomes. Infelizmente ele fora muito censurado pela Ditadura, mas acho que consegui mostrar o amor de Paula e Cássio sem ofender ninguém.

Pra terminar: agradeço aqueles que sempre me apoiam. Priscila Borges, sem ela nada seria possível. Vinícius Lopes, sempre me ajudando no que pode. E aos leitores.

Repito agora a última frase de “Linha de Sangue” dita pelo Victor: “Boa noite leitores”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – PENÚLTIMO CAPÍTULO

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

PENÚLTIMO CAPÍTULO

CENA 01. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. NOITE:

Paula entra na sala com o Anequim e encontra a Dercy sentada frente ao Peixoto. Ela se aproxima e o Anequim sai.

PAULA – O que você quer mãe?

DERCY – Eu e o Peixoto precisamos ter uma conversinha com você e ela envolve o seu querido papai.

PAULA – Meu pai?

Ela senta ao lado da Dercy.

DERCY – A verdade é que eu menti todo esse tempo. O seu pai não está morto. Ele está vivíssimo!

PEIXOTO – E ele sou eu. Eu sou seu pai!

PAULA – O que? Como assim? O meu pai morreu num acidente.

PEIXOTO – Era mentira. A sua mãe não quis contar que o seu pai é um simples xerife de uma cidadezinha pequena.

DERCY – Lógico. É muito saber que você é filha de um lord italiano que morreu num acidente de carro.

PAULA – Eu não acredito nisso!

Paula levanta, chocada.

DERCY – Eu disse que ela odiaria isso. É muito melhor um lord italiano a um xerife.

PEIXOTO – Isso é verdade Paula?

PAULA – Não pai. Não! (a Dercy) Eu não acredito que você mentiu esse tempo todo pra mim. Enquanto você casava com franceses, britânicos, latinos, italianos, eu precisava de um pai. Um pai que ficasse comigo por mais de dois meses. Um pai que falasse a minha língua.

PEIXOTO – Eu sinto muito. Eu deveria confrontar a sua mãe. Eu deveria ter dito que queria lhe conhecer, mas estava com medo. E quando você veio pra Prata eu não te reconheci e só soube que você era a minha filha quando eu vi a Dercy pela primeira vez em tantos anos.

PAULA – Tudo bem pai, me dá um abraço.

Peixoto levanta e vai até ela. Eles se abraçam. Dercy levanta revoltada.

DERCY – Eu não acredito nisso! Eu contei isso pra vocês se odiarem, se revoltarem. Ódio! Eu tenho ódio de pessoa boa.

PAULA – Seja lá o que você planejou não adiantou. Agora faz o favor de se retirar daqui. Fora!

DERCY – Isso aqui não é seu pra me expulsar.

PEIXOTO – Não seja por isso.

Ele abre a porta de delegacia.

PEIXOTO – Fora daqui!

Dercy sai, mas ainda frente à porta ela faz um sinal de banana pros dois.

DERCY – Vão pro inferno!

Ela sai batendo porta.

 

CENA 02. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. NOITE:

Lisandra entra com a mão na barriga. Ela senta no sofá e Erick sai de um corredor. Ele senta ao lado dela.

ERICK – Demorou. O que aconteceu?

LISANDRA – Acredita que ele me levou a força pra fazer um teste de DNA. Nem doeu, mas eu estou extremamente cansada agora.

ERICK – E agora? E se o filho por meu?

LISANDRA – É lógico que é seu. Eu só posso fazer esse teste se tiver acima de dois meses, a última vez que transei com o Junior foi há um mês.

ERICK – Ele vai descobrir que não é dele.

LISANDRA – Pelo amor de Deus Erick! Assista mais novelas! Eu conheço um carinha que me deve um favor que conhece um cara que é enfermeiro. É só ele trocar adulterar o resultado.

ERICK – O filho é meu, mas não vai ter o meu nome nele? Não sei se eu concordo com isso não.

LISANDRA – Você não tem que concordar com nada. Eu sou a mãe! Eu que vou carregar essa criatura por nove meses! É o meu peito que vai vazar leite! Éu que vou engordar e ficar feia! Sou eu que vou sofrer! Quando você ficar grávido nós conversamos sobre o que você quer ou não quer. Entendeu?

ERICK – Entendi.

Ela pega o Erick pela camisa e o beija.

 

CENA 03.  MANSÃO DO PREFEITO. CORREDOR. INTERIOR. NOITE:

Junior está passando pelo corredor e encontra a Diana. Eles sorriem.

JUNIOR – Pode se retirar Diana.

DIANA – Estava atrás do senhor pra perguntar isso mesmo. Obrigada.

Ela ia sair, mas ele segura o braço dela.

JUNIOR – Posso lhe perguntar uma coisa?

DIANA – É claro que senhor.

Ele a solta.

JUNIOR – Eu tenho cara de trouxa? Não é possível que todos queiram que eu faça papel de trouxa.

DIANA – Não diga isso senhor. Eu e minha irmã queremos o seu bem.

JUNIOR – Não me refiro a vocês duas, mas sim a Lisandra. (pausa) Ela me contou que está grávida e eu a levei pra fazer um teste de paternidade.

DIANA – Eu não sei se parabenizo ou digo que sinto muito. O senhor deve se lembrar que a criança não tem nada a ver com isso.

JUNIOR – Eu sei e se ela for mesmo minha filha, eu vou amar muito essa criança. Mas por hora só sei dizer que me sinto fazendo um papel de trouxa.

DIANA – Não fique assim. Anime-se!

JUNIOR – Eu vou Diana, eu vou.

Ele dá sorri e vai em direção ao seu quarto. Diana, preocupada, sai.

 

CENA 04. PRAIA DE BÚZIOS. EXTERIOR. DIA:

Amanhece.

Armação dos Búzios (RJ)

Sandra e Cássio chegam a determinado ponto da praia, próximo ao mar.

CÁSSIO – Eu nunca vi o mar antes.

SANDRA – Não? Foi criado em Prata, né? Aproveite!

CÁSSIO – Não vem?

SANDRA – Eu? Eu odeio praia!

Cássio ri e corre pro mar. Sandra abre a cadeira e senta. Ela pega uma revista e começa a ler.

 

CENA 05. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Elizabeth desce as escadas e encontra a Brenda sentada no sofá assistindo televisão.

ELIZABETH – Peguei!

Ela se aproxima.

BRENDA – Não conte pra Sandra que me pegou assistindo a televisão da sala.

ELIZABETH – Ela se importa?

BRENDA – Não, mas a limites que devem ser respeitados.

ELIZABETH – Entendi. (pausa) Está vendo algo importante ou pode me ajudar a arrumar as coisas lá em cima?

BRENDA – É claro que eu posso.

Elas saem. CAM gira pra televisão que mostra o Carlos sendo preso e levado pra delegacia.

REPÓRTER – (off) Nós ainda não temos muitas informações sobre essa captura, mas sabemos que o traficante era procurado a meses pela polícia e dizem que ele está envolvido na morte do Lauro Assunção, filho do ex-prefeito Magno Assunção.

 

CENA 06. CASA DA MARY. SALA. INTERIOR. DIA:

Mesma reportagem da cena anterior passando na televisão. Mary e Iana assistindo.

MARY – Não acredito que finalmente eles pegaram esse bandido. Será que ele está envolvido na morte do Lauro mesmo?

IANA – Não sei não. Eu acho que ele é só o mandante. Ele não tem cara de quem suja às mãos.

MARY – Tá sabendo por demais de crimes. Tô ficando com medo de ti.

IANA – Tudo o que eu sei é tirado das séries policias que assisto e também da amizade com o Anequim.

MARY – Amizade é? Não sei não.

IANA – E só amizade sim senhora. Eu não gosto do que ele tem, mas você gosta.

MARY – O que quer dizer?

IANA – Eu quero dizer que o Anequim sabe que eu sou lésbica, ele só está me rondando pra fazer média com a amiga antes de atirar no alvo. E o alvo é você querida.

MARY – Mas eu sou uma mulher de respeito.

IANA – Tanto respeito que ficava correndo atrás de um admirador secreto que no final se revelou ser uma mulher que no caso sou eu.

Mary emburra a cara. Iana ri.

CENA 07. PREFEITURA DE PRATA. SALA DO PREFEITO. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado na cadeira e uma repórter na está sentada na sua frente.

REPÓRTER – O que o senhor tem a dizer sobre a prisão do Carlos, o maior traficante de Prata?

JUNIOR – Eu só sei dizer que estou feliz com a prisão realizada. Eu espero que toda a quadrilha em que ele está envolvido caia com essa prisão e se não cair, eu tenho certeza que os policias de Prata irão atrás deles.

REPÓRTER – E a relação com a morte do Lauro Assunção? O senhor pode confirmar pra gente?

JUNIOR – Eu não tenho essa informação, mas acredito que não foi que matou. De qualquer forma, nós vamos descobrir isso no interrogatório.

REPÓRTER – O senhor vai acompanhar?

JUNIOR – Infelizmente eu não vou poder ir.

REPÓRTER – Mudando um pouco de assunto agora. Nós queremos saber mais sobre o seu casamento. Está mesmo separado da dona Lisandra?

Lisandra entra subitamente, atrás dela a secretária do Junior.

SECRETÁRIA – Desculpa senhor, ela saiu entrando. Quer que eu chame a segurança?

LISANDRA – Você sabe quem eu sou? Sai daqui imprestável!

JUNIOR – Não precisa não.

A secretária concorda e sai.

JUNIOR – O que está fazendo aqui?

LISANDRA – (a repórter) Respondendo a sua pergunta: sim nós estamos em processo de separação e eu estou grávida dele.

REPÓRTER – Grávida? É de quantos meses?

LISANDRA – Dois meses e alguma coisinha. Eu já sinto que vai ser um meninão que futuramente vai comandar Prata igual ao Junior, igual ao Manoel.

REPÓRTER – Eu tenho certeza que sim. A senhora pode confirmar os boatos que está morando com um jornaleiro?

LISANDRA – Eu estou realmente morando com o Erick sim. Nós namoramos.

JUNIOR – Sai daqui!

REPÓRTER – Namoro? Ele era o tal amante misterioso que tanto falavam que você tinha?

LISANDRA – Era sim. Mas antes que me joguem pedras, saibam que o Junior também tem uma amante.

REPÓRTER – Isso é verdade senhor Junior?

JUNIOR – Não é! Eu não sei da onde ela tirou isso. Ela está completamente maluca!

LISANDRA – Vai negar que tinha um caso com aquela detetive que se dizia feminista. Qual é o nome dela mesmo? Maria!

REPÓRTER – E onde ela está nesse momento senhor Junior? Nós queremos falar com ela.

JUNIOR – Você vai falar com o diabo se não sair daqui agora. Fora!

A repórter sai correndo. Lisandra gargalha e senta na frente do Junior.

JUNIOR – Você sente prazer em me ver destruído, né? Você é completamente maluca!

LISANDRA – Quer saber de uma coisa? Eu sinto! E eu digo mais: irei fazer isso por toda a humilhação que me fez passar.

JUNIOR – Você tinha um amante!

LISANDRA – E você não me dava amor!

Ela toca a barriga. Ele percebe e toca na mão dela.

JUNIOR – Está tudo bem?

LISANDRA – Está! Não toca em mim!

Ela levanta e sai batendo porta.

 

CENA 08. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

UMA SEMANA DEPOIS

Sandra e Cássio entram e encontra a Elizabeth e Brenda os esperando.

ELIZABETH – Bem-vindos de volta.

BRENDA – Como foi à viagem?

SANDRA – Foi ótima. Cássio guarda tudo lá no quarto e Elizabeth espere lá que eu já tô indo. (a Brenda) Podemos conversar?

Brenda concorda e elas saem.

 

CENA 09. CASA DA SANDRA. QUARTO DE HÓSPEDES. INTERIOR. DIA:

Sandra e Brenda entram.

BRENDA – No quarto de hóspedes?

SANDRA – É melhor. Assim ninguém nos escuta.

BRENDA – O que aconteceu senhora?

SANDRA – Um eletricista veio aqui, certo?

BRENDA – Veio, ele disse que veio fazer uma vistoria importante. Não fiz muitas perguntas, por quê? Eu fiz mal?

SANDRA – Não, não. Ele é um amigo que veio instalar câmeras aqui. O meu objetivo é ferrar com o Cássio e não ficar de brincadeirinha com ele. Eu vou olhar todos os movimentos dele e vou precisar da sua ajuda. Eu não quero que permita a entrada da mocreia aqui em casa, entendeu? E quando ele sair dê um jeito de ir atrás dele.

BRENDA – Mas senhora/

SANDRA – (corta) Não faça perguntas. Você sabe o meu objetivo e eu vou fazê-lo. Eu vou enlouquecer o Cássio.

BRENDA – Eu acho que a senhora está enlouquecendo e não enlouquecendo ele.

SANDRA – Eu não lembro de te pedir sua opinião. Vá fazer um chá pra mim.

Brenda concorda e sai. Sandra sorri e sai.

 

CENA 10. PREFEITURA DE PRATA. SALA DO PREFEITO. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado na cadeira e o celular dele toca. Ele atende.

JUNIOR – Alô. (pausa) Eu estou indo.

Ele desliga e sai.

 

CENA 11. CONVENTO MARIA IMACULADA. SALA DA DIRETORIA. INTERIOR. DIA:

Paula está sentada na cadeira. Nicholas entra e se aproxima dela.

PAULA – O que faz aqui?

NICHOLAS – Nós precisamos conversar sobre sua mãe.

Ela o encara, curiosa.

 

CENA 12. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Junior entra e encontra a Lisandra e o Erick sentados no sofá, conversando. Ele segura um envelope.

JUNIOR – Saiu o resultado?

LISANDRA – E aí? Quem é o pai do bebê?

 

CONTINUA…

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Vitor Thiré como “Carlos”

Tonico Pereira como “Nicholas”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 23 – Última semana

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

ÚLTIMA SEMANA

CENA 01. SALÃO DE FESTAS. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Sandra e Paula saem e param frente ao salão.

PAULA – O que deseja comigo?

SANDRA – Eu quero ter uma conversa bem rápida. Na verdade, tá mais pra recado mesmo. Eu quero me vingar por tudo que aquele mocreio fez ao meu irmão e você não vai me atrapalhar.

PAULA – Eu sabia! Eu sabia que tinha mais nessa história do que uma simples disculpinha de fazer companhia.

SANDRA – É claro que tem. Você acha que eu quero a companhia daquele mocreio? Eu quero é me vingar dele. Ele matou o meu irmão! Ele merece sofrer até não poder mais.

PAULA – Desgraçada!

Paula dá um tapão na cara da Sandra.

SANDRA – (ri) Isso! É dessa Paula que eu gosto. A Paula demônia! Bate em mim! Bateeee!

PAULA – Com prazer.

Outro tapão.

SANDRA – (grita) Continuaaa! Mostra pra Prata inteira quem é a santinha de verdade. Bateeeee!

Paula dá outro tapa muito mais forte, Sandra quase cai.

SANDRA – Dá um mais! Dá mais um só pra fechar o combo de tapas na minha cara!

Paula ia dá mais um tapa, mas Cássio surge segurando a mão dele. Eles se encaram.

 

CENA 02. SALÃO DE FESTAS. INTERIOR. DIA:

Mary e Iana estão na mesa de doces, roubando uns docinhos. Brenda e Diana se aproximam.

DIANA – Roubar não é pecado irmãs?

MARY – Nós não somos mais irmãs, queridinha.

IANA – Esse é o lado bom de não usar mais aquela roupa quentíssima. Poder fazer coisa que pessoas normais fazem.

Ouve-se o grito da Sandra.

BRENDA – Foi a Sandra?

Elas correm até a janela do salão.

 

CENA 03. SALÃO DE FESTAS. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Cássio continua a segurar o braço da Paula. Ela se solta e dá mais um tapa na cara da Sandra.

CÁSSIO – Chega vocês duas! Chega!

PAULA – Escuta que eu vou falar; volta na igreja e pede pro padre anular o casamento que o melhor que pode fazer.

CÁSSIO – Isso não vai acontecer Paula. O que está feito, está feito e não tem como voltar atrás.

SANDRA – Eu consegui o que queria e imagino que a Paula também. Podemos voltar pra festa?

Cássio faz que sim e entra com a Sandra.

PAULA – (grita) Desgraçada! Vagabunda! Piranha!

Ela berra e sai irritadíssima.

 

CENA 04. CONVENTO MARIA IMACULADA. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Madre Teresa sai do convento e está prestes a entrar no táxi. Paula surge correndo.

PAULA – (grita) Espere!

MADRE TERESA – Paula, querida, achei que fosse demorar e não podia mais esperar. Não vejo a hora de chegar logo em São Paulo.

PAULA – Imagino que sim. Lá é outro mundo! Mas preciso dá um beijo em ti antes de ir. Obrigada por tudo.

Paula beija a Madre e ela retribui o beijo.

MADRE TERESA – Tenho que ir e por favor, me prometa uma coisa: não desista do convento igual a Guilia e a Mary.

PAULA – Eu tive a certeza hoje que não vou desistir nem tão cedo. Eu acho que esse é o meu lugar.

Madre abre um sorriso e entra no táxi. Ele sai cantando pneu. Paula desata a chorar.

PAULA – (chorosa) Eu não acredito nisso! Droga! Drogaaaa!

Ela entra no convento, arrasadíssima.

CENA 05. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. DIA:

Dercy está se arrumando. Nicholas sai do banheiro enrolado na toalha e se aproxima dela.

DERCY – Agora não Nicholas. Eu tenho que resolver uma coisa e depois, se eu não estiver cansada, eu penso no seu caso.

NICHOLAS – Mas nós não transamos desde quando você partiu da lua-de-mel. Eu preciso disso Dercy.

DERCY – E eu preciso sair agora.

NICHOLAS – Desse jeito é melhor eu terminar esse casamento e casar com uma mulher que transe comigo.

DERCY – Desistir? Não! Você não pode desistir! Eu preciso do seu dinheiro, digo, eu preciso do seu amor.

Ela o beija e eles caem na cama aos beijos.

CENA 06. MANSÃO DO PREFEITO. SALA. INTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Junior entra e encontra a Lisandra sentada no sofá. Ele se aproxima dela e senta ao seu lado.

JUNIOR – O que faz aqui?

LISANDRA – Eu preciso conversar com você sobre uma vida que eu estou esperando.

JUNIOR – Isso quer dizer que/

LISANDRA – (corta) Eu estou grávida!

JUNIOR – Isso é mentira! Isso é mentira pra conseguir arrancar dinheiro de mim!

LISANDRA – O teste está aqui.

Ela entrega o teste pra ele.

JUNIOR – Não é possível! O bebê não é meu! É do seu amantezinho de araque e eu vou provar.

LISANDRA – Como?

JUNIOR – Fazendo o teste.

Ele pega a mão dela e a leva pra fora.

 

CENA 07. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. NOITE:

Dercy entra na sala e Anequim entra atrás. Peixoto está sentado na cadeira e os encara.

PEIXOTO – Que merda é essa?

DERCY – Nós precisamos conversar sobre aquele assunto e quero a presença da Paula aqui.

ANEQUIM – Eu tentei impedir a entrada dela, mas me empurrou e entrou mesmo assim.

PEIXOTO – Tudo bem Anequim. Faz um favor e vá chamar a Paula pra mim. Está mesmo na hora de termos essa conversa com ela.

Anequim concorda e sai.

 

CENA 08. CONVENTO MARIA IMACULADA. INTERIOR. NOITE:

Paula abre a porta e Anequim entra, apreensivo.

PAULA – Da última vez que bateu em minha porta assim foi pra anunciar a morte do Lauro. Não me diga que alguém morreu.

ANEQUIM – Não, não. Ninguém morreu dessa vez. Mas é preciso que venha até a delegacia.

PAULA – Não pode esperar até amanhã?

ANEQUIM – Não! É urgente!

Anequim sai e Paula vai atrás, curiosa.

 

CENA 09. CASA DA SANDRA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Sandra e Cássio saem da casa e caminham até o táxi. Eles entram no táxi e o carro começa a dar partida.

SANDRA – Você vai amar Búzios.

CÁSSIO – Eu sei que vou amar.

Ela sorri e o carro sai cantando pneu. CAM mostra a Elizabeth e a Brenda dando adeus ao carro.

 

CENA 10. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. NOITE:

Paula entra na sala com o Anequim e encontra a Dercy sentada frente ao Peixoto. Ela se aproxima e o Anequim sai.

PAULA – O que você quer mãe?

DERCY – Eu e o Peixoto precisamos ter uma conversinha com você e ela envolve o seu querido papai.

 

CONTINUA…

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Regina Duarte como “Madre Teresa”

Tonico Pereira como “Nicholas”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 22 – Última semana

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

ÚLTIMA SEMANA

CENA 01. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Ambiente iluminado pela luz de um abajur. Sandra está sentada no sofá próxima ao abajur. Cássio entra.

SANDRA – Olá Cássio. Como foi o passeio com a mocreia?

CÁSSIO – Você me disse que não tinha problema nenhum em sair e isso não era uma prisão.

SANDRA – E você pode conversar e sair à hora que quiser com quem quiser, mas porque você não faz um esforço de esquecer essa mocreia?

CÁSSIO – Porque eu a amo e nada vai mudar isso. Eu espero que entenda isso.

SANDRA – Eu entendo.

Ele sobe as escadas e Sandra desata a chorar.

 

CENA 02. CONVENTO MARIA IMACULADA. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Madre e Paula entram no quarto. Paula senta na cama e Madre permanece em pé.

PAULA – Eu estou curiosa pra saber o que quer comigo e parece tão preocupada.

MADRE TERESA – Não é nada pra você se preocupar, mas sim algo que estava demorando pra acontecer.

PAULA – Diga logo.

MADRE TERESA – Eu estou velha, isso é fato, e eu sinto que não posso mais comandar esse convento nem aqui em Prata e nem longe daqui.

PAULA – Eu sinto muito.

MADRE TERESA – Não sinta, na verdade eu não via a hora desse momento chegar. A antiga Irmã Mary iria assumir o meu lugar, mas algo aconteceu com ela e ela decidiu sair daqui. Todas as outras não gostam de mim e você é a única que gosta de mim.

PAULA – Não é verdade. Todos nós gostamos da senhora e admiramos o seu ardo trabalho.

MADRE TERESA – Não precisa mentir pra mim. Eu vou direto ao assunto: quero que você assuma o comando do convento.

PAULA – Madre! Isso é muita coisa pra alguém que chegou há poucos dias.

MADRE TERESA – E em poucos dias fez amigos, me conquistou e animou esse lugar.

PAULA – Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronta! Diga às irmãs que eu aceito.

MADRE TERESA – Parafraseando D. Pedro? Adorei!

Paula levanta e abraça a Madre.

 

CENA 03. MANSÃO DO PREFEITO. ESCRITÓRIO. INTERIOR. NOITE:

Junior sentado e Maria frente a ele, em pé. Ela anda de um lado pro outro.

JUNIOR – Tem certeza que quer me contar?

MARIA – Você merece a verdade. Nós devemos inverter o papel. (pausa) Eu sou a cliente e você o analista.

JUNIOR – Eu esperei tanto por esse momento. Pois bem, começe do começo.

Maria faz que sim e senta ao lado dele.

MARIA – Começamos do começo então. Pouco antes de eu nascer meu pai estava desconfiando que minha mãe tivesse um caso e contratou o melhor detetive particular da época, o Mário Fofoca. Pois bem, ele tratou de seguir minha mãe até Prata e descobriu que além de um amante ela tinha uma filha, a Diana.

JUNIOR – A Diana é sua irmã?

MARIA – Exato. Minha mãe descobriu que o Mário estava seguindo ela e o seduziu. Eles transaram. Mário levou a minha mãe devolta pra casa, meus pais brigaram e minha mãe veio morar aqui. Nove meses depois/

JUNIOR – É irmã da Diana e filha do Mário Fofoca? Isso que é uma história louca.

MARIA – Ela me entregou pra aquele que não é meu pai, mas eu considero como se fosse. Ele me criou maravilhosamente bem e pouco antes de eu vir pra cá, ele me contou toda essa história.

JUNIOR– E o Mário?

MARIA – Ele não soube da minha existência e preferi deixar assim. Eu soube que ele construiu uma família, nada haver eu destruir isso.

JUNIOR – Eu entendo porque não gosta de lembrar-se disso e peço desculpas por lhe fazer lembrar-se disso.

MARIA – Sem problemas. Eu vou embora amanhã e talvez a gente nunca mais se veja.

JUNIOR – Nunca mais?

MARIA – Talvez.

Ela beija a bochecha dele e sai.

 

CENA 04. SALÃO DE FESTAS. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

Brenda e Diana estão arrumando o salão com a ajuda de uns empregados do local.

DIANA – Isso foi tão repentino, né?

BRENDA – Eles são adultos, sabem o que faz.

DIANA – Não estou dizendo que não sabem, só estou dizendo que foi rápido demais. A Sandra está grávida?

BRENDA – Não que eu saiba.

Diana ergue as sobrancelhas, curiosa.

 

CENA 05. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Sandra está frente ao espelho, vestida de noiva. Pedro surge atrás dela. Ela sorri.

SANDRA – Estou tão feliz que está aqui.

PEDRO – Na verdade, minha querida, essa vai ser a última vez que vamos nos ver.

SANDRA – O que? Eu não posso viver sem seus conselhos. Você é tudo na minha vida!

PEDRO – Na verdade, eu não sou nada na sua vida. Eu sou apenas um fantasma que vive dentro do seu coração e eu preciso ir embora pra que você possa ser feliz.

SANDRA – Mas eu não vou ser feliz nunca sem você. E tem mais: eu e o Cássio nunca teremos uma relação de amor.

PEDRO – Vocês vão ter, eu sei que vão. Eu também sei que vão ir pra Búzios passar a lua-de-mel. Eu sei tudo sobre seu passado, presente e futuro.

SANDRA – Sabe como eu vou morrer?

PEDRO – Eu sei.

SANDRA – Conta como é, por favor, eu quero saber como eu vou morrer e tentar evitar isso.

PEDRO – Mas isso eu não conto nem sob tortura! É um segredo de estado! Um segredo que logo será revelado.

SANDRA – Isso significa que eu vou morrer logo?

PEDRO – Sim, minha querida. Logo, logo há sua hora vai chegar assim como também vai chegar a hora do Cássio e da Paula.

SANDRA – Não vá! Eu não caso!

PEDRO – Nada disso! Você precisa casar! Está marcado em sua vida esse casamento. Não pode desistir dele!

Pedro se aproxima e toca no ombro de Sandra. Eles se encaram, emocionados. Ele a beija.

SANDRA – Eu te amo!

Ele não responde, abre um sorriso e desaparece. Ela cai na cama, emocionada.

 

CENA 06. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Lisandra está sentada no sofá conversando com o Felippo. Ela está elegante, trajando um vestido.

LISANDRA – Como pode perceber pelo meu traje, tenho um casamento pra ir e imagino que o senhor também vai.

FELIPPO – Sandra me chamou e o que ela diz é ordem. É claro que eu vou. (pausa) Mas você não me chamou aqui pra isso.

LISANDRA – Não, não chamei. Eu não estou mais junta do prefeito da cidade, o Junior, e agora descobri estar grávida. Ele vai dá entrada no divórcio e eu quero receber tudo o que tenho direito.

FELIPPO – É claro que sim. Essa não é a minha área, mas como estou passando por problemas, qualquer caso vale. Eu aceito o caso, mas podemos conversar depois? O casamento está pra começar e eu ainda não me troquei.

LISANDRA – É claro que podemos. O senhor sabe aonde me encontrar. E muito obrigada.

FELIPPO – Que isso, disponha. Mas não volte a me chamar de senhor, por favor, faz parecer que eu tenho 40 anos.

Eles levantam e dão as mãos. Ele sai.

CENA 07. RUA. EXTERIOR. DIA:

Maria está a entrar no táxi. Diana e Junior correm até a ela.

JUNIOR – (grita) Espere!

Eles se aproximam.

MARIA – Peço desculpas por não me despedir, mas é que eu estou atrasadíssima. O ônibus parte em menos de quarenta minutos, preciso chegar rápido a rodoviária.

DIANA – Nós entendemos, mas precisava dar um beijo em minha irmã antes dela ir.

Elas se abraçam e dão beijinhos na bochecha.

JUNIOR – Eu também preciso de um beijo e de um abraço daquela que tanto me ajudou.

Junior abraça a Maria e beija sua bochecha.

MARIA – Eu tenho que ir. O taxímetro está correndo.

Ela entra no táxi e o veiculo sai cantando pneu. Junior encara a Diana.

DIANA – Gosta muito dela, né?

JUNIOR – Nunca gostei tanto de alguém como gosto de sua irmã, mas eu só fiz merda e a afastei.

DIANA – Eu sinto muito.

Eles dão meia-volta e saem.

 

CENA 08. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Sandra termina de se arrumar, ainda emocionada. Brenda entra e se aproxima dela.

BRENDA – Que cara é essa senhora? Não está feliz?

SANDRA – Estou muito feliz porque em breve vou concluir a minha vingança e destruir a vida do Cássio de uma vez por todas, mas ao mesmo tempo estou triste porque acabo de perder alguém que já havia perdido.

BRENDA – Como assim, senhora?

SANDRA – O Pedro, ele sempre esteve aqui comigo mesmo depois de sua morte, mas agora ele se foi.

BRENDA – Ele precisava ir, senhora.

SANDRA – Eu sei, ele me disse isso. Mas eu não queria que ele fosse. Eu não queria que o Lauro se fosse. Eu não queria que a mamãe se fosse. Eu não quero que você se vá.

BRENDA – Já disse isso antes e faço questão de repetir: eu não vou embora nunca. Nunca!

SANDRA – Eu te amo.

Elas se abraçam, emocionadas.

BRENDA – Nós precisamos ir senhora. Metade da cidade lhe espera naquela igreja e a Elizabeth está toda lindinha lá embaixo.

SANDRA – Ela sempre está linda.

BRENDA – Sabe por que ela sempre está linda? É porque ela lembra à senhora. E a senhora é linda.

SANDRA – Você também é.

Sanda vai à frente e Brenda segura a sua calda.

 

CENA 09. IGREJA. SACRISTIA. INTERIOR. DIA:

Cássio entra com a Paula.

PAULA – Obrigado por vir. Eu estou querendo falar uma coisa contigo rapidinho antes do casamento.

CÁSSIO – Estou curioso.

PAULA – Não casa! Eu dou um jeito. Eu falo com o Peixoto, eu imploro pro Peixoto. Ele não via te prender!

CÁSSIO – Isso não está nas mãos dele. O Lauro podia ser um bêbado, mas ajudava o povo. Isso vai acabar nos ouvidos do povo e eles vão querer me matar.

PAULA – Droga! Nós fugimos!

CÁSSIO – Eu não vou viver uma vida fugindo da realidade. Eu não posso fazer isso, pelo menos, não agora.

PAULA – Eu te amo.

CÁSSIO – Eu também te amo.

Eles se beijam, apaixonados.

 

CENA 10. IGREJA. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Um carro para frente a igreja. A janela abre e revela que Sandra, Elizabeth e Brenda estão dentro deles.

SANDRA – Não tinha pensando nisso antes, mas agora pensei. Quem vai entrar comigo na igreja?

ELIZABETH – Brenda deve entrar com você.

BRENDA – Eu? Não! Elizabeth deve entrar com você.

SANDRA – Quer saber? Entram as duas! As três mulheres em direção ao altar. Está decidido!

Sandra abre a porta e sai. Elizabeth e Brenda logo atrás. Elas seguram a calda do vestido e se aproximam da entrada.

 

CENA 11. IGREJA. INTERIOR. DIA:

Cássio no centro do altar na frente do padre. Paula está parada ao lado do irmão.

PAULA – Deus é justo e ela não vai entrar por essa porta.

A Marcha Nupcial começa a tocar. A porta abre e Sandra com a Elizabeth de um lado e a Brenda de outro.

PAULA – Deus não é justo!

CÁSSIO – Tem razão, Ele é injustíssimo

Sandra sorri e Cássio retribui com um sorriso forçado.

 

CENA 12. SALÃO DE FESTAS. INTERIOR. DIA:

Paula está no meio de um monte de gente, infeliz. Sandra se aproxima dela.

SANDRA – Podemos conversar?

CONTINUA…

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Regina Duarte como “Madre Teresa”

Rainer Cadete como “Felippo”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 21 – Última semana

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

ÚLTIMA SEMANA

CENA 01. FÓRUM DE JUSTIÇA. SALA. INTERIOR. DIA:

Paula e Cássio a se encararem. O guarda atrapalha o momento.

GUARDA – Todos de pé para a entrada do Juiz.

Eles levantam. O juiz entra, senta e todos sentam.

NICHOLAS – Podemos dá inicio senhor Juiz?

JUIZ – É claro. O senhor pode começar.

Nicholas concorda e começa a falar em off.

 

CENA 02. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Sandra está sentada na cama conversando com o Pedro.

PEDRO – Acha mesmo que o seu plano vai dá certo?

SANDRA – E porque não daria? Eu tenho tudo o que preciso pra chantagear o Cássio.

PEDRO – Nesta parte você ganhou, de certo. Mas na parte do amor você está perdendo. Ele não gosta de ti, sente nojo só de te olhar.

SANDRA – Eu sei, mas eu também não gosto dele. Eu só quero uma coisa: companhia. E isso eu vou ter.

PEDRO – Eu lhe conheço Sandro. Eu sei que você se apega naqueles que lhe dão um pouco de conforto. Assim que perceber isso será tarde demais.

SANDRA – E o que você quer que eu faça? Desistir de tudo? Deixar o Cássio ir embora? Nem morta! Eu preciso dele.

PEDRO – Precisa mesmo? Eu estou aqui. A Brenda está lá embaixo. A Lisandra está logo ali. E a Elizabeth está na escola, mas logo ela chega.

SANDRA – Você é só uma miragem, a Brenda logo vai embora, a Lisandra é falsa e a Elizabeth (pausa) ela é só uma criança.

PEDRO – Uma criança muito igual a você.

SANDRA – Ela nunca matou ninguém.

PEDRO – E quem disse que você matou? Precisa parar de mostrar pro povo que matou o Magno. Todo mundo sabe e todo mundo sabe que foi legitima defesa.

SANDRA – Eu sei, mas eu gosto de dizer.

PEDRO – Eu tenho que ir, chegou gente aqui em cima e nós precisamos recebê-los. Boa sorte do seu casamento.

SANDRA – Você vai estar lá?

PEDRO – E ver a minha linda dizer sim pra outro? Nem morto! Mas vou pensar em ti todo o tempo. Espero que ele não seja melhor do que eu na cama.

SANDRA – Ninguém é melhor do que você e nem sei se vamos chegar a ir pra cama.

PEDRO – Eu sei que você vai dá um jeito de ir.

Pedro some. Sandra sorri e deita na cama.

 

CENA 03. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. DIA:

Maria está sentada na cama, conversando com o Alberto pelo Skype. Conversa já iniciada.

ALBERTO – Você tem certeza disso?

MARIA – Mas certeza do que nunca. Eu não posso ir embora sem dizer nada pra ele.

ALBERTO – E quando você vem?

MARIA – Amanhã pai. Eu fui conversar com a Diana hoje e ela tem tudo da mamãe.

ALBERTO – E você tem tudo de mim.

MARIA – Eu queria que você estivesse aqui e conhecesse-a. Ela é um amor de pessoa.

ALBERTO – Imagino que seja, mas não achei conveniente aparecer aí. Ela é filha do amante da sua mãe.

MARIA – Eu sei que deve ser estranho pra você, mas é que eu precisava conhecer a minha irmã.

ALBERTO – Imagino minha querida.

Eles continuam a conversar em off.

 

CENA 04. MANSÃO DO PREFEITO. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Diana está varrendo a cozinha. Mary e Iana entram e se aproximam dela. Diana as encara.

DIANA – O que vocês estão fazendo aqui? Não podem entrar assim. O que querem?

MARY – Nós viemos saber o que está rolando entre você e a Intriga. É um romance?

IANA – Isso mesmo! Pode contar tudo! Não acredito que você é lésbica e eu não percebi.

As três se encaram.

 

CENA 05. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Lisandra está sentada no sofá ao celular.

LISANDRA – Sandra?

SANDRA – (off) O que foi criatura?

LISANDRA – Eu preciso do número do seu advogado.

SANDRA – (off) Eu te passo por mensagem. Aproveita que ele está aqui na cidade pra cuidar do caso da mãe da Paula.

LISANDRA – O que a mocreia-mãe fez?

SANDRA – (off) Racismo, acho. O que você quer com o Felippo?

LISANDRA – Estou fazendo aquilo que me falou pra fazer e eu estou grávida. Está no momento de fazer a segunda parte: tirar tudo do Junior.

SANDRA – (off) Conta tudo amiga.

Lisandra segue contando em off.

 

CENA 06. FÓRUM DE JUSTIÇA. SALA. INTERIOR. DIA:

Mesmos da 01. Dercy encara a Paula a todo o momento.

NICHOLAS – Minha cliente só expressou sua opinião. E ela não pode ser punida por isso.

FELIPPO – Os meus clientes apresentaram provas concretas de quem a senhora Gonçalves é racista e que agrediu a Guilia.

NICHOLAS – Protesto! O advogado está insinuando algo que minha cliente não fez.

JUIZ – Negado.

FELIPPO – Meus clientes sabem que qualquer dinheiro dado pela senhora Gonçalves será insuficiente. Nenhum dinheiro no mundo paga o que essa mulher fez a Guilia. Eu acho/

NICHOLAS – (corta) Protesto! Você acha o que? O advogado está testemunhando.

JUIZ – Aceito. Peço que o senhor Nicholas foque apenas na questão e não dê sua opinião.

FELIPPO – Meus clientes pedem uma indenização no valor de dez mil reais e que a senhora Gonçalves cumpra pelo menos um ano de serviço comunitário ou pelo menos um ano de prisão.

Todos se encaram, aflitos.

 

CENA 07. MANSÃO DO PREFEITO. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Diana larga a vassoura e pega um copo d’água. Ela pega.

DIANA – Eu não acredito nisso! Eu não devo satisfações a vocês!

MARY – Você deve sim senhora. A partir do momento que está no grupo Ocoas, nós dividimos esse tipo de informação.

DIANA – Vocês querem mesmo saber? Ela é a minha irmã!

IANA – Mas como? Você é negra e ela é branca.

DIANA – A nossa mãe é branca, mas o meu pai é negro. Eles eram amantes. O pai da Maria é outro homem.

MARY – Meu Deus! Isso sim é um exemplo de família tradicional brasileira.

DIANA – Olha quem fala. É uma freira que abandonou o convento, que se encantou por um homem e sua melhor amiga é lésbica.

IANA – E qual é o problema de eu ser lésbica?

DIANA – Nenhum, só estou querendo dizer que vocês não podem julgar ninguém. Agora saem daqui!

As duas o fazem. Diana respira fundo e volta a varrer a cozinha.

CENA 08. FÓRUM DE JUSTIÇA. SALA. INTERIOR. DIA:

Mesmos da 06. Todos muito aflitos.

NICHOLAS – Não é justo! Minha cliente apenas/

FELIPPO – (corta) Expressou a opinião dela? E você sabe quantas pessoas morrem ou são agredidas diariamente por causa da (faz aspas com as mãos) “opinião” de pessoas com sua esposa? Isso não é opinião, Nicholas! Opinião é dizer que sua camisa é feia, essa é a minha opinião. O que sua esposa e outras pessoas como ela fazem é racismo e isso deve ser penalizado. Infelizmente não existe nenhuma pena grave pra isso no Brasil, mas sinto que estamos melhorando cada vez mais. O meu sonho é que um dia nós podemos viver tranquilamente sem agressões porque uma pessoa é diferente das demais. Os racistas perguntam: qual é o problema de nós não gostarmos de negros? E nós, pessoas normais, respondemos com outra pergunta: qual é o problema da pessoa ser negra? E pra essa pergunta só existe uma resposta: nenhum! Não há problema nenhum em ser negro, em ser diferente.

Nicholas não responde. Cássio e Paula aplaudem o Felippo. O juiz bate o martelo.

JUIZ – Ordem! Antes de dá a minha sentença eu quero perguntar algo a Dercy. A senhora tem plena consciência do que fez?

DERCY – Eu tenho e me arrependo. Não sou o tipo de mulher que pede desculpas, não vou pedir. Mas sei que errei. Eu espero que isso seja levado em conta quando for dá a seu veredito.

JUIZ – Não há mais o que dizer, nem o que se explicar. Uma coisa é fato: a ré agiu de má intenção agredindo verbalmente a Guilia e isso deve ser punido. Eu condeno a ré Dercy Gonçalves a pagar dez mil reais ao filho da vítima e a cumprir um ano de reclusão em regime aberto.

NICHOLAS – Nós vamos recorrer.

JUIZ – Podem recorrer à vontade, mas tenho certeza que um juiz com uma cabeça pensante não dará liberdade a Dercy.

O juiz levanta e sai. Nicholas sai com a Dercy. Paula abraça o Cássio. Felippo ia sair, mas Paula o chama.

PAULA – Obrigado por tudo. Eu acho que aquele seu depoimento no final foi muito importante para que nós ganharmos o caso.

FELIPPO – Eu só fiz o meu trabalho de defender os meus clientes e eu estou à espera do meu pagamento.

Ele sorri e sai. Paula encara o Cássio.

PAULA – Eu tenho que ir.

CÁSSIO – Nós podemos dá uma volta antes? Eu te deixo no convento depois. Nós precisamos conversar.

PAULA – É claro, vamos.

Eles saem.

 

CENA 09. RUA. EXTERIOR. DIA:

Paula e Cássio andam pela rua, conversando.

PAULA – Eu fiquei sabendo que você vai se casar com a Sandra. Eu mal virei às costas e você já tem outra.

CÁSSIO – Paula/

PAULA – (corta) Não, você tá mais que certo. Eu sou sua mãe! Não posso ter esperanças, eu sei. Mas a Sandra? Ela não é o tipo de mulher pra você. Ela não quer o bem de ninguém a não ser o bem dela. Não faz isso. 

CÁSSIO – Eu não tenho escolhas. Ela possui provas que mostram que eu matei o meu próprio pai. Eu não quero passar o resto da minha vida na cadeia.

PAULA – Foi por isso que ela foi atrás da verdade e foi por isso que foi me contar que eu sou sua mãe. Ela queria vingança pela morte do irmão e agora ela quer te usar.

CÁSSIO – Eu sei, mas eu não vou ser preso.

PAULA – Eu sei querido, e nem eu quero que você vá preso. Eu vou tentar arranjar o jeito pra você não ter que se casar com ela.

CÁSSIO – Não! Eu quero me casar com ela. É o melhor jeito de que nada aconteça contigo ou comigo mesmo.

Eles seguem andando e conversando.

 

CENA 10. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Brenda entra e encontra a Sandra assistindo televisão.

BRENDA – Acabo de passar pela praça e vejo Paula e Cássio conversando.

SANDRA – É como eu já disse: eles se gostam e eu não posso fazer nada quanto a isso. Mas eu sei que com o tempo ele vai perceber que eu sou mais gostosa que ela.

BRENDA – A senhora sabe que o problema não é isso.

SANDRA – Eu sei e eu sei como cuidar do Cássio. Pode ir agora Brenda. Não vou mais precisar de você.

Brenda sobe as escadas e Sandra volta-se a televisão.

 

CENA 11. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Dercy está sentada na cama ao lado do Nicholas. Eles se beijam e Nicholas deita no colo dela.

DERCY – E agora?

NICHOLAS – Nós estamos perdidos! Nós teremos que ficar aqui até esse um ano passar.

DERCY – Ficar nesse fim de mundo?

NICHOLAS – É preciso. Não há outro jeito. Eu posso até recorrer, alegar um monte de coisa, mas a gente estaria gastando dinheiro atoa e certamente perderia.

DERCY – Não sei mais o que esperar do mundo. Minha própria filha me colocar na cadeia. Isso é demais pro meu coração.

NICHOLAS – Segura ele aí porque tem mais: você vai ter que trabalhar. Um dos acordos do regime aberto é que a ré trabalhe.

DERCY – Trabalhar não é o problema. O problema é o trabalho. Qual é o trabalho?

NICHOLAS – Recolher lixo.

DERCY – Dercy Gonçalves vai ser gari? Uma merda de um gari? Isso é o cúmulo! Não quero!

NICHOLAS – Você não possui opção.

Dercy começa a chorar. Nicholas levanta e consola a esposa.

 

CENA 12. MANSÃO DO PREFEITO. ESCRITÓRIO. INTERIOR. NOITE:

Maria entra e encontra o Junior sentado bebendo uísque. Ela se aproxima e senta frente a ele.

JUNIOR – Chegou à hora de me despedir?

MARIA – Daqui a pouco, mas como prometido. Eu vim contar tudo o que você precisa saber e até mesmo o que não precisa.

Eles se encaram.

 

CENA 13. CONVENTO MARIA IMACULADA. CORREDOR. INTERIOR. NOITE:

Paula está andando pelo corredor e encontra a Madre Teresa. Elas se encaram.

PAULA – Demorei?

MADRE TERESA – Não, não. Eu estou lhe esperando porque quero bater um papo contigo.

PAULA – No meu quarto?

Madre faz que sim com a cabeça e elas entram no quarto.

 

CENA 14. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Ambiente iluminado pela luz de um abajur. Sandra está sentada no sofá próxima ao abajur. Cássio entra.

SANDRA – Olá Cássio. Como foi o passeio com a mocreia?

CONTINUA…

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Tarcísio Filho como “Juiz”

Dalton Vigh como “Alberto”

Tonico Pereira como “Nicholas”

Regina Duarte como “Madre Teresa”

Rainer Cadete como “Felippo”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 20

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

CENA 01. CONVENTO MARIA IMACULADA. SALA DA DIRETORIA. INTERIOR. DIA:

Paula está sentada frente à Madre Teresa.

MADRE TERESA – O que foi que te motivou a entrar no convento tão repentinamente?

PAULA – Acho que tudo que anda acontecendo em minha vida. Eu senti que precisava tirar meus pensamentos dessas coisas mais escuras da vida e focar nas mais claras, mais limpas. Sinto que tudo começou a desmoronar quando o Lauro morreu.

MADRE TERESA – Eu entendo. Não sei ao certo o que aconteceu pra vocês se separarem, mas sei que não deve ter sido fácil.

PAULA – Mortes nunca são fáceis mesmo que o Lauro não mereça minha compaixão.

MADRE TERESA – Estou tendo que lidar com a morte da Guilia, ela foi uma grande amiga enquanto esteve aqui.

PAULA – A Guilia é o tipo de pessoa especial que quando passa pela vida da gente, deixa marcas. Eu a devo muito. Ela foi uma mãe pra mim.

MADRE TERESA – E eu tenho certeza que você foi uma filha pra ela. Ela sempre teve essa mania de acolher todo mundo. (pausa) Eu vou lhe mostrar todo o convento.

Paula sorri e levanta. Madre faz o mesmo e elas saem.

 

CENA 02. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Cássio está sentado no sofá. Sandra e Brenda descem as escadas.

BRENDA – Ele disse que era urgente.

SANDRA – Eu sinto que são boas notícias. Pode ir.

Brenda o faz. Sandra se aproxima e senta no sofá.

SANDRA – Que honre em lhe receber aqui. O que desejas? Espero que tenho boas notícias.

CÁSSIO – Para mim não são boas notícias, mas pra você eu tenho que certeza que elas são. Eu pensei sobre o assunto e acho que é melhor nos casarmos logo.

SANDRA – É claro que são ótimas notícias. Acho ótimo que você aceitou porque eu odiaria ter que ir à delegacia.

CÁSSIO – Eu sou um assassino e você é uma assassina.

SANDRA – O casal perfeito.

Ela o beija e ele demonstra o seu nojo.

 

CENA 03. RUA. EXTERIOR. NOITE:

Anoitece.

O caminhão do circo indo embora. Linda e Roberto na janela a encarar a rua. O veiculo passa frente à casa da Sandra. Elizabeth olha pela janela da casa.

 

CENA 04. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Elizabeth está a olhar pela janela o circo indo embora. Sandra desce as escadas e se aproxima.

SANDRA – Está triste?

ELIZABETH – Não, eu estou feliz. Ela merece ser feliz com alguém, sempre senti que eu sou a culpada dela não ser realizada.

SANDRA – Não diga isso. Você é uma ótima garota.

ELIZABETH – Mas ela parou de estudar quando eu nasci e o meu pai sumiu do mapa.

SANDRA – Um sábio me disse uma vez que nenhum bebê é esperado. E ele está certo. Os pais podem até estar tentando a muito tempo, mas a verdade é que ele sempre vem do nada.

ELIZABETH – E como que eles vêm?

Sandra engole seco. Elizabeth ri.

ELIZABETH – (ri) Pode ficar calma, minha mãe já me contou tudo o que eu preciso saber sobre bebês. Eu sei sobre a sementinha que é plantada dentro da barriga da mulher.

SANDRA – (ri) Claro, a sementinha.

ELIZABETH – Porque esse assunto é difícil para os adultos? É só falar pra criança que o homem tem uma sementinha e a mulher tem a barriga. Aí ele bota a sementinha na barriga dela. É fácil falar sobre isso. Não dói não.

SANDRA – Eu sei querida, mas um dia quando tiver a minha idade vai entender porque é tão dificil falar sobre isso pras crianças.

ELIZABETH – Será que ela volta?

SANDRA – Sua mãe? É claro que sim querida. Ela te ama muito e sempre que estiver aqui por perto, ela vai dá uma passada por aqui. Além disso, nós temos a internet e essa maravilha nos permite fazer coisas espetaculares como conversar com uma pessoa mesmo que ela não esteja presente.

Elizabeth beija a bochecha da Sandra e Sandra retribui o beijo. Elas se abraçam.

 

CENA 05. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. NOITE:

Peixoto está sentado e na sua frente está um homem baixo, gordo e branco. Ele anda de um lado pro outro.

PEIXOTO – Porque não se senta senhor Nicholas?

NICHOLAS – Porque minha esposa sai da nossa lua-de-mel dizendo que a filha dela está com problemas e acaba presa.

PEIXOTO – Ela não deve demorar a chegar, mas o senhor sabe muito bem porque a sua esposa está aqui, não sabe?

NICHOLAS – Eu sei que ela é uma mulher difícil, mas ela é a minha esposa e eu vou fazer de tudo pra tirar ela dessa.

PEIXOTO – Boa sorte, mas nós temos provas suficientes pra que sua esposa seja no minimo condenada a pagar uma bolada pro filho da vítima.

NICHOLAS – Isso é ridículo! Em pleno século 21 uma pessoa não tem o direito de expressar sua opinião. Qual é o problema não gostar de negros?

PEIXOTO – O problema não é o não-gostar. Gosto é como um orifício anal: cada um tem o seu! O problema é não respeitar a pessoa. Eu não gosto de comédia e nem por isso saio agredindo comediantes.

Nicholas ia responder, mas Anequim entra com a Dercy. Ela corre até o esposo e o abraça.

NICHOLAS – Você está bem? Eles te machucaram?

DERCY – Não meu amor. Está tudo bem. (no ouvido dele) Me tira daqui pelo amor de Deus.

NICHOLAS – Eu vou fazer o possível e o impossível pra te tirar daqui, mas antes você terá o julgamento.

DERCY – Julgamento? Isso é o cumulo!

NICHOLAS – Eu não posso fazer nada, você tem que passar pelo julgamento. Mas eu vou fazer de tudo pra provar que isso é tudo armado por sua filha e esse grupinho.

DERCY – Obrigada meu amor.

Eles se beijam.

PEIXOTO – Vocês já podem ir. Eu preciso que deixem o endereço do hotel onde estão pra um policial passar lá e lhe falarem o dia do julgamento.

DERCY – E quanto tempo vai demorar?

PEIXOTO – No máximo duas semanas.

Dercy e Nicholas saem agarrados. Anequim e Peixoto se encaram.

ANEQUIM – Você pretende a contar pra Paula?

PEIXOTO – Não agora, a coitada está passando por muita coisa. EU vou deixar ela se estabelecer no convento e depois o julgamento. Eu não sei.

ANEQUIM – É melhor ela saber pela sua boca do que pela boca da Dercy. Não a conheço muito bem, mas pelo visto ela é o capeta,

PEIXOTO – Tem razão. E quem foi que te contou? A Dercy?

ANEQUIM – Não. Eu ouvi uma conversa entre vocês dois.

PEIXOTO – E quem deixou?

Peixoto taca um copo plástico no Anequim, que se esquiva. Ele taca de volta.

 

CENA 06. CONVENTO MARIA IMACULADA. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

DIAS DEPOIS…

Paula está vestindo a clássica roupa de freira. Ela está conversando com as irmãs. Madre Teresa se aproxima.

MADRE TERESA – Duas semanas hoje.

PAULA – Passou tão rápido que parece que cheguei aqui ontem. Eu estou feliz, não achei que fosse assim.

MADRE TERESA – Achou que fosse uma prisão? É claro que não. Aqui no Maria Imaculada, nós podemos sair e voltar à hora que quisermos. Não impedimos uma irmã de sair.

PAULA – Eu sei disso.

MADRE TERESA – Mas a Irmã pretende ir embora?

PAULA – Eu ainda não me acostumei a ser chamada de irmã. Mas não, eu não pretendo ir.

MADRE TERESA – Eu recebi o seu pedido pra ir ao julgamento de sua mãe. E como já disse: você pode ir à vontade desde que não demore a voltar.

PAULA – Não vou demorar, é só ir ao julgamento e voltar. Eu espero que dê tudo certo e que ela seja presa.

Madre se assusta.

CENA 07. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Sandra está sentada no sofá. Cássio desce as escadas e se aproxima dela.

SANDRA – Cássio, meu amor.

CÁSSIO – Eu tenho que ir num lugar, mas volto logo.

SANDRA – Tudo bem, meu querido. Você não está preso aqui dentro, pode transitar por toda a cidade.

CÁSSIO – Obrigado querida.

SANDRA – Não se esqueça que amanhã é o nosso grande dia. Nós precisamos estar maravilhosos.

Ele não responde e sai.

 

CENA 08. CASA DA MARY. SALA. INTERIOR. DIA:

Brenda entra com a Mary e com a Iana. As três se sentam no sofá.

BRENDA – Liguei pra Diana, mas ela disse que estava ocupada demais pra vir.

MARY – O que veio fazer aqui?

IANA – Está com saudade?

BRENDA – Não, nós nos vemos todos os dias. Eu vim aqui pra fofocar mesmo. O Anequim soltou outra bomba: parece que o passado do Peixoto e da Dercy estão ligados.

MARY – Ele não deu detalhes?

BRENDA – Nadica de nada.

MARY – Odeio essas fontes que dão a informação pela metade, mas especulo que eles são irmãos.

IANA – Nada a ver. Eu acho que eles eram ladrões.

BRENDA – Isso não faz sentido criatura. O Peixoto nasceu e foi criado aqui, se ele tivesse esse tipo de passado, nós saberiámos.

MARY – Então só nos resta especular.

Elas se encaram, curiosas.

 

CENA 09. RUA. EXTERIOR. DIA:

Diana e Maria andam pela rua, conversando.

MARIA – Eu tomei a decisão de contar tudo pro Junior, sinto que ele precisa saber o motivo de eu ter vindo pra cá.

DIANA – Você é de maior Maria, sabe bem o que fazer e o que não fazer. Eu só sinto não ter tido conversas contigo.

MARIA – Você não tem culpa. Nós duas não temos. Eu tinha trabalho a fazer e você além do trabalho tinha o lance do admirador que alias não me contou como terminou.

DIANA – Depois eu digo. Nós podemos almoçar? Eu quero bater papo com a minha irmã.

Maria faz que sim com a cabeça e pega na mão da Diana. CAM gira e mostra a Brenda, a Mary e a Iana olhando pela janela.

MARY – (distante) Será que ela é lésbica?

IANA – (distante) Não, quer dizer, eu teria descoberto se ela fosse.

BRENDA – (distante) Elas devem ser amigas.

MARY – (distante) Você e a Linda são amiguíssimas e nunca vi as duas de mãos dadas. Tem coisa ali.

IANA – (distante) Por falar nisso, conta tudo sobre a Linda. Eu soube que ela foi embora e deixou a filha pra louca cuidar.

Elas saem da janela.

 

CENA 10. CASA DO ERICK. BANHEIRO. INTERIOR. DIA:

Lisandra está sentada no vaso. Erick está em pé. CAM mostra que Lisandra segura um teste de gravidez.

ERICK – Já passou o tempo. Qual é o resultado?

LISANDRA – (olha o teste) Eu estou grávida.

ERICK – Resta saber se é meu ou dele.

LISANDRA – Não importa de quem é, pra todos os efeitos, ele é o pai e ponto. Ninguém fala mais nisso.

ERICK – E se ele pedir um exame?

LISANDRA – Eu dou o meu jeito.

Eles se encaram. Erick pensativo.

 

CENA 11. CASA DA SANDRA. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Sandra sai do quarto e encontra a Brenda.

SANDRA – Onde você estava?

BRENDA – Eu fui me encontrar com umas amigas.

SANDRA – Tudo bem, só não quero ficar sozinha. A Elizabeth está na escola e o Cássio saiu.

BRENDA – Ele foi ao julgamento da mãe da Paula.

SANDRA – A mocreia-mãe foi presa? Essa família é uma comédia mesmo. Foi por isso que o Cássio pediu o número do Felippo então.

BRENDA – Não vê problemas nele indo se encontrar com a Paula? Não sente ciúmes?

SANDRA – Eu sei que ele gosta dela, mas eu também sei que eu sou linda, gostosa e posso botá-lo na cadeia. Ele vai ter que me aturar por um bom tempo.

Brenda concorda e entra no quarto com ela.

 

CENA 12. FÓRUM DE JUSTIÇA. SALA. INTERIOR. DIA:

Cássio está sentado ao lado do Felippo. E frente a eles está Dercy e Nicholas. Um guarda à parte.

CÁSSIO – Agradeço por ter topado fazer parte desse caso mesmo que ele não seja sua área.

FELIPPO – Eu estou passando por uns problemas lá em Brasília e no momento estou aceitando qualquer caso.

Cássio não responde. Paula entra e Cássio levanta. Eles se encaram.

CONTINUA…

Escrito por

Yuri Neves

Colaboração por

Priscila Borges

Participaram do capítulo

Tonico Pereira como “Nicholas”

Regina Duarte como “Madre Teresa”

Rainer Cadete como “Felippo”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 19

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

CENA 01. CASA DA PAULA. JARDIM. INTERIOR. NOITE:

Sandra está sentada na frente da cama, pensativa. Cássio sai de casa e a encontra. Ele se aproxima.

CÁSSIO – O que veio fazer aqui?

SANDRA – Eu vim conversar contigo.

CÁSSIO – E o que você quer?

SANDRA – Eu que descobri a verdade sobre você e a Paula. Eu também descobri que você matou o meu irmão.

CÁSSIO – O que vai fazer com essas informações?

SANDRA – A Paula está cega de amores por ti, ela não vai lhe entregar pra polícia. O caso do meu irmão foi arquivado, eles não possuem provas alguma.

CÁSSIO – E nem você possui.

SANDRA – O que você fez com a arma do crime? Eu sei o que você fez. Você matou o meu irmão, saiu correndo e foi até o Carlos, o seu amiguinho. Você disse que estava fora e entregou a arma pra ele. Carlos não interviu, deixou que fosse, mas guardou a arma do crime.

CÁSSIO – Isso é mentira!

SANDRA – Tem certeza?

Ela abre sua bolsa e mostra uma arma dentro coberta por um pano. Eles se encaram.

 

CENA 02/FLASHBACK. BECO. EXTERIOR. NOITE:

Carlos está sentado no chão, fumando maconha. Sandra entra no beco e se aproxima.

SANDRA – (off) Foi fácil conseguir a arma dele. Ele estava chapado, eu mostrei minhas lindas pernas e ele se encantou.

Sandra mostra as pernas e Carlos sorri. Ele levanta e Sandra o beija.  Carlos a joga na parede e começa a beijar o pescoço dela.

SANDRA – Eu soube do que aconteceu com aquele tal de Lauro. Eu soube também que foi um dos seus.

CARLOS – Foi um idiota que não trabalha mais comigo. Porque quer falar dele?

SANDRA – Porque ele me interessa. Ele me tirou algo e eu quero fazê-lo sofrer por isso.

CARLOS – Ele gosta de fazer estragos. Ele teria futuro no mundo do crime, mas entrou em panico quando matou o cara. Ele até deixou a arma comigo.

SANDRA – Deixou?

Carlos agacha e sobe o vestido da Sandra. CAM sobe e mostra a Sandra gemendo.

SANDRA – (gemendo) Onde é que está essa arma?

CARLOS – No porta-luvas do carro.

Ele aponta pra um carro caindo aos pedaços. Sandra chuta o Carlos que cai no chão. Ela anda até o carro e pega o que deseja.

SANDRA – Muito obrigada pela informação. Eu prometo voltar pra continuar o que paramos. Você é ótimo nisso.

Carlos a olha saindo, encantado.

 

CENA 03. CASA DA PAULA. JARDIM. INTERIOR. NOITE:

CÁSSIO – Eu não tenho dinheiro. Eu não posso lhe dá dinheiro porque eu não tenho.

SANDRA – E quem disse que eu quero dinheiro? Eu quero fazer você sofrer porque você matou o meu irmão.

CÁSSIO – E como vai fazer isso? Eu já estou na merda.  A Guilia morreu, o amor da minha vida é a minha mãe, eu matei um homem e a irmã dele quer vingança.

SANDRA – É pouco. Todos dizem que eu sou uma pessoa insuportável, metade de Prata tem medo de mim e outra metade fala mal de mim.

CÁSSIO – Eu admiro a sua fama.

SANDRA – O que eu quero é a sua companhia pelo resto da minha vida. Eu não tenho mais a minha mãe, eu matei o meu pai, o amor da minha vida está morto, o meu irmão também e a Brenda está seguindo sua vida. Resumindo: eu não tenho ninguém. E eu quero que você passe o resto da sua vida me aturando. Case-se comigo.

CÁSSIO – O que? Não!

SANDRA – Você que sabe. Eu tô indo na delegacia.

Ela levanta e vai andando. Cássio levanta e grita.

CÁSSIO – Espera! Eu posso pensar?

SANDRA – Pense o quanto quiser, mas o tempo está correndo querido. Até mais ver.

Ela sai. Cássio grita e esmurra a parede. CAM fecha nele, berrando.

 

CENA 04. HOTEL. QUARTO, INTERIOR. DIA:

Maria está sentada na cama, lendo. Batem na porta. Ela para de ler e vai até a porta. Ela abre e Junior entra.

MARIA – O que está fazendo aqui?

JUNIOR – Eu vim falar algo contigo. (pausa) A verdade é que eu gosto muito de ti, quando apareceu pela primeira vez eu pensei que seria uma menina fútil, chata. Mas você me mostrou outra pessoa. Eu me apaixonei.

MARIA – Junior, por favor/

JUNIOR – (corta) Deixa eu terminar. Eu não consigo viver sem você. Eu preciso lhe ter ao meu lado, como namorada ou esposa. Eu preciso dos seus conselhos e não posso deixar que vá embora.

MARIA – Junior/

JUNIOR – (corta) Eu ainda não terminei. Eu não me importo com seus segredos, não quer me contá-los, tudo bem. Não conte. Só fique aqui, comigo. (pausa) Eu terminei agora.

MARIA – Eu me sinto lisonjeada em ouvir isso, mas não posso aceitar essa proposta. Eu não sei quem você é.

JUNIOR – Como assim? Você que é a mulher dos segredos. Eu lhe contei tudo sobre mim e sobre minha família.

MARIA – Eu sei, mas não sei quem você é de verdade. Você é aquele cara que mandou sua esposa sair nua de casa por raivinha, que brigou com o Erick pela Lisandra como se ela fosse um pedaço de bolo? Ou você é aquele cara que se preocupa com as pessoas, atencioso, engraçado e que bebe muito?

JUNIOR – E-e-eu não sei. Eu não sei. (pausa) Eu posso ser o homem que você quiser que eu seja.

MARIA – Não você não pode. Você pode fingir ser aquele segundo homem, mas eu sei que você é o primeiro homem. E eu não gosto desse homem. Esse homem é machista, acha que as mulheres são inferiores, gosta de humilhar as pessoas.

JUNIOR – Não! Ela me traiu com um merda de um jornalista. Eu tive que puni-lá de um jeito. Mas com você será diferente.

MARIA – Será? A Lisandra é culpada por ter se apaixonado por outro homem e não você por ter sido uma pessoa diferente do que parecia ser?

JUNIOR – Eu já entendi. Desculpa se eu não posso ser o homem ideal pra você e nem pude ser pra Lisandra. Mas a verdade é que eu também não sei quem você é. Eu não sei o motivo da sua visita a Prata, eu não sei a Diana é sua, eu não sei nada sobre sua famílai e nem a participação do Mario na sua vida.

MARIA – Eu não quero falar sobre o assunto, mas eu conto. Antes de sair de Prata eu lhe digo tudo o que precisa saber.

JUNIOR – Eu vou ficar esperando.

Junior sai batendo porta.

 

CENA 05. CASA DA MARY. SALA. INTERIOR. DIA:

Mary, Iana, Brenda e Diana estão sentadas no sofá. Elas conversam.

MARY –…Nós estamos se ajudando. Eu comprei a casa e a Iana comprou os móveis. A maioria deve chegar amanhã.

DIANA – Acho que vocês vão ficar ótimas aqui. É bem a cara de vocês mesmo. Pequeno, aconchegante.

MARY – Deixamos de falar sobre isso e falamos sobre algo mais importante: fofocas. Parece mesmo que a Lisandra saiu de casa.

DIANA – Ela não apareceu lá na mansão.

BRENDA – E onde é que ela foi morar?

IANA – Não sabemos, mas logo a imprensa-marrom descobre. Eles estão caçando a Lisandra. Parece que ela não deu mais as caras.

MARY – E outra: a Paula e o Cássio estão escondendo algo. (a Brenda) Você sabe alguma coisa sobre isso?

BRENDA – Tudo o que eu sei é que a Guilia morreu, o Cássio está arrasado e minha patroa ainda sofrendo pela morte do Lauro.

Todas, exceto a Brenda, se encaram, curiosas.

 

CENA 06. PRAÇA. EXTERIOR. NOITE:

Linda e Roberto estão sentados no banco da praça, conversando.

ROBERTO – Você já se decidiu sobre nós?

LINDA – Não.

ROBERTO – Falta pouco tempo pro circo partir. Eu queria ir contigo, eu não posso ficar aqui.

LINDA – Eu sei.

ROBERTO – O que te prende aqui? Eu sei que você não possui mãe e nem pai. Não entendo.

LINDA – As minhas amigas. Não quero ficar longe da Brenda, da Elizabeth/

ROBERTO – (corta) Elizabeth? Ela não é filha da Brenda? Porque ela é tão especial assim?

LINDA – É porque eu ajudei a Brenda criá-la. É como se ela fosse uma filha, sabe?

ROBERTO – Ela e a Brenda poderão visitar você a hora que elas quiserem e a hora que você quiser.

LINDA – Eu sei disso.

Roberto pega na mão dela e a beija.

CENA 07. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

Sandra está deitada na cama e Brenda entra segurando uma bandeja com café, suco, pão e bolo.

SANDRA – Você é um amor.

BRENDA – Eu sei.

Ela põe a bandeja na cama e senta ao lado da patroa.

BRENDA – A fofoca sobre a Paula e o Lauro está começando a rolar. Eles ainda não sabem de nada, mas logo vão saber.

SANDRA – É bom que saibam mesmo. Fico feliz em saber que a fofoca está rolando. Só penso pra que não liguem os dois ao Lauro.

BRENDA – Se eles souberem quem matou o Lauro, seu plano estará acabado?

SANDRA – Estará porque a polícia vai prender o Cássio e eu não vou poder fazê-lo sofrer do meu jeito.

BRENDA – Quando é que eu sou vou saber mais sobre seus planos? Eu tenho curiosidade.

SANDRA – Em breve querida. Mas eu acho que o momento de nos separarmos está chegando.

BRENDA – Não diga isso! Eu nunca a deixaria!

SANDRA – Um dia eu sei que você vai me deixar e seguir a sua vida. Um namorado, um noivo. Você é uma menina linda!

BRENDA – Eu não quero lhe deixar.

SANDRA – E nem eu quero que você vá, mas uma vez eu ouvi algo de um grande escritor. Ele disse: se você ama, é preciso deixá-lo ir. Eu estou deixando você ir.

Elas se abraçam emocionadas. Sandra beija o rosto da Brenda.

BRENDA – Eu preciso descer agora, mas saiba que não pretendo ir agora e talvez nunca.

Brenda levanta e sai. Sandra enxuga as lágrimas e pega o prato com o bolo. Ela come um pedaço.

 

CENA 08. CASA DA SANDRA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Brenda entra e encontra a Linda sentada, cabisbaixa.

BRENDA – Conta o que aconteceu.

LINDA – Ahn? Não aconteceu nada.

BRENDA – Eu lhe conheço.

LINDA – É o Roberto. O circo está indo embora e eu quero ir com ele, mas tem a Elizabeth.

BRENDA – Ele não sabe que ela é sua filha? Porque diabos você não disse a verdade?

LINDA – Porque eu acho que ele não quer não criar a filha dos outros. Ele quer criar os seus próprios filhos.

BRENDA – E o que você pretende fazer?

LINDA – Eu não sei amiga. Eu pensei em deixá-la aqui sob seus cuidados ou sob os cuidados da Sandra e quando o circo passar aqui perto, eu venho visitá-la.

BRENDA – Ela é sua filha! Ela vai sentir falta da mãe!

LINDA – E eu vou sentir falta dela. Mas quando que eu vou arranjar outro homem que me queira?

BRENDA – Você é linda, Linda. Para de graça.

LINDA – Se eu sou tão linda porque nenhum homem me olhou daquele jeito antes?

BRENDA – Porque eles são idiotas.

LINDA – Você só está dizendo por que é minha amiga e quer me ver bem. O seu conselho não vale.

BRENDA – Então vá atrás de outra opinião, mas tenho certeza que a resposta vai ser à mesma.

 

CENA 09. MANSÃO DO PREFEITO. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Junior entra na cozinha e encontra a Diana cozinhando.

JUNIOR – Eu posso falar contigo um instante?

DIANA – É claro senhor.

JUNIOR – Já deve ter reparado que a Lisandra não está mais morando comigo. Eu vou entrar com um pedido de divórcio.

DIANA – Eu sinto muito.

JUNIOR – Eu também. Mas o que eu quero falar contigo mesmo é sobre a Maria. Eu quero saber mais sobre ela.

DIANA – Eu não sei muita coisa, senhor.

JUNIOR – Vocês duas são amigas, certo?

DIANA – Somos, mas já faz um tempo que nós não nos falamos. A última vez deve ter sido quando ela esteve aqui.

JUNIOR – Para falar com a Lisandra, né? (Diana faz que sim) Tudo bem, eu vou lhe deixar em paz.

Junior sai. Diana pega o celular e faz uma ligação.

DIANA – Maria? Ele está xeretando. Está na hora de contar tudo logo. Eu nem sei por que esconde tanto isso. Não tem nada demais.

Ela desliga e volta ao fogão. CAM gira e mostra o Junior encostado na parede, escutando.

 

CENA 10. CASA DA PAULA. SALA. INTERIOR. DIA:

Paula está sentada no sofá, vendo televisão. Dercy desce as escadas e se aproxima.

DERCY – É hoje que vai ir pro convento?

PAULA – É, mas antes eu tenho que fazer algo.

Batem na porta. Paula levanta e vai atender. Peixoto entra e encara as duas.

PAULA – Mãe, esse é o xerife Peixoto.

PEIXOTO – Prazer. Acredito que sua filha já deve ter lhe contado o motivo da minha visita.

PAULA – Você chegou na hora que eu ia contar. Como você sabe mãe, eu me sinto um pouco culpada pela morte da Guilia e decidi fazer algo que já deveria ter feito. Eu lhe denunciei.

DERCY – Me denunciou? Por quê? Você está cada vez mais louca! Foi aquela negrinha que lhe fez ficar assim.

PAULA – Por isso. Eu lhe denunciei por injúria racial, mãe. Infelizmente a Guilia não está mais entre nós para testemunhar, mas eu vou e com certeza o Cássio também vai. Eu também gravei algumas das nossas conversas em que você insultava a raça dela.

DERCY – Isso deveria ser considerado crime de traição. Uma filha contra a própria mãe. Onde nós vamos parar, meu Deus?

PEIXOTO – A senhora está presa.

Ele pega as algemas e prende a Dercy. Ela encara a filha, horrorisada.

DERCY – Quando você estiver na merda, na ruína, implorando por socorro não me chame. Chame essa negra imunda que você chama de gente. Eu tenho horror à gentinha como você. Horror!

Peixoto sai levando a Dercy. Paula sorri e respira, aliviada.

 

CENA 11. DELEGACIA. CORREDOR. INTERIOR. DIA:

Peixoto entra com a Dercy no corredor das celas. Ele abre uma cela e Dercy entra. Peixoto tira a algema dela e fecha a cela.

DERCY – Gostei da cena que você fez.

PEIXOTO – Eu achei que fosse falar que me conhecia, mas percebi que não ia. Então manti a farsa.

DERCY – Eu prefiro que ela não saiba a verdade.

PEIXOTO – Eu prefiro que ela saiba.

DERCY – Então conte, mas não sei se ela vai gostar da ideia.

PEIXOTO – Eu acho que vai. Ela gosta de mim.

Peixoto sorri e sai. Ela senta na cama.

 

CENA 12. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. DIA:

Sandra está sentada no sofá, assistindo televisão. Linda entra varrendo a sala.

LINDA – Nós podemos conversar?

SANDRA – Podemos. O que quer?

LINDA – Eu conheci um cara, ele é muito legal e muito divertido. Mas tem dois problemas: primeiro ele é do circo e segundo/

SANDRA – (corta) A Elizabeth. Eu já entendi. Você não contou ao bofe que possui uma filha e o circo está indo embora.

LINDA – Eu não quero deixá-la aqui, mas não acho que ficar indo de cidade em cidade seja bom pra ela. Eu não tive um bom estudo, mas eu quero que ela tenha.

SANDRA – Deixa a garota aqui e vai viver a sua vida. Sempre que o circo passar, você vem e veja a garota.

LINDA – Eu não seria uma péssima mãe?

SANDRA – É o que eu faria, mas o meu conselho sobre família não vale muito, não é mesmo?

LINDA – Magno, seu pai, que o diga. (Sandra encara a Linda) Desculpe, não quis dizer isso. (pausa) A senhora cuidaria da Eliza?

SANDRA – Eu? Cuidar da Elizabeth?

LINDA – Desculpe, nem sei por que eu lhe perguntei isso.

SANDRA – Não, não. Eu aceito cuidar dela. Eu gosto muito da sua filha, ela é muito aparecida comigo quando pequena.

LINDA – Sério? A senhora não sabe o quanto eu sou grata. Muitísssimo obrigada.

Linda beija o rosto da Sandra. Ela sorri.

 

CENA 13. CASA DA SANDRA. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Linda sai de casa e encontra a Elizabeth saindo da van escolar. Linda se aproxima.

LINDA – Como foi à aula filha?

ELIZABETH – Normal.

LINDA – A mamãe precisa lhe dizer algo. Eu vou embora da cidade e vou ficar um tempo fora, mas eu vou voltar.

ELIZABETH – Você vai me deixar sozinha?

LINDA – Não, nunca! A tia Sandra e a tia Brenda vão cuidar de você. A mamãe vai voltar logo.

ELIZABETH – Eu só quero que seja feliz mamãe. Você vai embora com aquele moço do circo?

LINDA – O que? Como você sabe dele?

ELIZABETH – Eu vi vocês dois na praça e naquele dia que a gente foi no circo, eu vi vocês dois se beijando. Ele é um papai pra mim?

LINDA – É minha linda, ele é um papai pra você.

Elizabeth sorri e abraça a mãe. Linda se emociona.

 

CENA 14. CASA DA PAULA. SALA. INTERIOR. DIA:

Paula está com todas as malas. Cássio desce a escada e se aproxima dela.

CÁSSIO – Você vai fazer falta.

PAULA – Nós ainda vamos nos ver, querido. Eu tô indo pro convento e não pro Rio de Janeiro.

CÁSSIO – Eu sei, mas é que eu vou sentir sua falta.

PAULA – Eu também vou sentir a sua.

Eles se abraçam.

CÁSSIO – Obrigado pelo que fez pela Guilia. Tenho certeza que ela está muito feliz.

PAULA – Não foi nada, eu só senti que estava na hora de fazer alguma coisa pelos atos da minha mãe.

CÁSSIO – Um último beijo?

PAULA – Um último beijo.

Eles se beijam.

CONTINUA…

Escrita por
Yuri Neves

Colaboração
Priscila Borges 

Participou do capítulo

Vitor Thiré como “Carlos”

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 18

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

CENA 01. CASA DA PAULA. SUÍTE DA PAULA. INTERIOR. DIA:

Paula está sentada na cama, com uma cara triste, e Dercy senta ao lado dela. Diálogo já iniciado.

DERCY – Então quer dizer que a negrinha bateu as botas?

PAULA – Mãe, por favor. Sem piadinhas. Eu tô mal, o Cássio está mal. Todos nós estamos. A Guilia era uma mulher maravilhosa.

DERCY – O que mais aconteceu enquanto eu estive fora?

PAULA – Eu descobri quem é o meu filho.

DERCY – Não creio! Já deixo claro: não quero que ele me chame de avó. Eu não sou obrigada!

PAULA – Ele é o Cássio, mãe.

DERCY – O Cássio? O meu neto foi criado por uma negrinha suja e imunda? Isso é um absurdo!

PAULA – Cala a boca! Para de falar merda! Sai tanta merda da sua boca que eu a confundo com um…

DERCY – (corta) O horário não permite.

PAULA – Eu ainda não acabei. Ele não é só o meu filho. Eu me apaixonei pelo Cássio, nós tivemos um caso.

DERCY – Meu Deus!

PAULA – Eu sei, mas isso foi resolvido. Eu lhe chamei aqui para dizer que talvez a gente fique um tempo sem se falar. Eu vou pro um convento.

DERCY – Eu não creio nisso! Não é possível!

PAULA – O que? Achei que fosse gostar da ideia.

DERCY – Eu gostei, é o ideal. O impossível de se acreditar é que você me tirou da minha lua-de-mel em Paris pra dizer isso. Eu achei que fosse algo importe. Pensei que estivesse perto a se matar ou algo do tipo. Mas não, você vai pra um convento.

PAULA – Eu queria ter a minha mãe ao meu lado quando for me despedir o mundo ao meu redor.

DERCY – Você é burra! Eu gerei você durante nove meses, criei você durante muitos anos. E o que eu recebo em troca? Eu fui expulsa daqui e agora sou tirada da minha lua-de-mel. Você sabe quantos anos eu tenho? Você sabe o quão é difícil achar um homem rico que goste de mulheres da idade deles? Os velhos querem as novas.

PAULA – Desculpa mãe, eu só queria ter a minha mãe ao meu lado. Mas acho que você prefere a Torre Eifel a mim.

DERCY – É claro que eu prefiro! Ela não me expulsa de casa. Ela não me maltrata. Ela não estraga a minha lua-de-mel. Ela não me dá vergonha.

PAULA – Sai da minha casa! Eu não sou obrigada a ficar te escutando, me fazendo mal. Eu já estou passando por muitas coisas. Não posso mais aguentar você!

DERCY – O que? Sair daqui? Eu só saio daqui quando eu quiser. Pode chamar o exercito, a cavalaria, os bombeiros. Eu não saio! Não sai de Paris pra ser expulsa.

PAULA – A casa é de quem?

DERCY – Da minha filha e na minha filha, mando eu. Eu não saio! (levanta) Eu vou terminar de me instalar no quarto de hóspedes.

Ela sai. Paula encara a porta bater.

 

CENA 02. CEMITÉRIO. INTERIOR. DIA:

O caixão sendo levado. Cássio logo atrás, muito triste. Irmã Mary e Iana atrás dele, a primeira chorando.

PADRE – (off) Guilia foi uma mãe guerreira pro seu filho adotivo, Cássio. Abandonou o convento pra criar o menino, mas nunca abandonou a fé. Tenho certeza que o Senhor está feliz por recebê-la lá em cima. Devemos rezar um Pai Nosso pra essa mulher tão querida por todos.

CÂM vai se afastando ao poucos, mostrando muita gente triste, alguns chorando. Todos vestindo preto.

CORTA PARA/

O caixão na cova. Cássio, as irmãs, Madre Tereza e outros jogam flores no caixão. Após, eles se afastam. Irmã Mary se aproxima do Cássio.

IRMÃ MARY – Eu sinto muito.

CÁSSIO – Obrigada por vir. Ela gostava muito de você, da Madre e até mesmo da Iana que ela não chegou a conviver.

IRMÃ MARY – Nós sabemos. (pausa) Eu reparei que a Paula não veio. Elas são eram tão amigas.

CÁSSIO – Ela preferiu não vir. Sente-se culpada.

IRMÃ MARY – Culpada? A Guilia não morreu de parada cardíaca? Porque ela se sente culpada?

CÁSSIO – Nada não. Eu não estou no meu melhor estado. É melhor a Irmã esquecer o que eu disse.

Irmã Mary concorda, desconfiada.

 

CENA 03. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Sandra está mexendo no celular. Elizabeth entra e senta na cama.

ELIZABETH – Chamou senhora?

SANDRA – O meu nome é Sandra e quero que você me chame assim. Eu estava precisando de companhia.

ELIZABETH – Todos nós precisamos às vezes. O que aconteceu a senhora? Quer dizer, Sandra.

SANDRA – A mim não aconteceu nada. (pausa) Fecha os olhos e pense numa mesa redonda, sem nada em cima.

Elizabeth o faz.

SANDRA – Agora pensa que a base de um bolo foi posta sob a mesa. Depois imagine o segundo andar desse bolo. E agora o terceiro. Então, o que falta?

ELIZABETH – A cereja?

SANDRA – A cereja do bolo é a última parte. A parte mais alta do bolo. A parte mais saudável. A parte mais desejada do bolo.

ELIZABETH – Eu prefiro o recheio.

SANDRA – Eu não estou falando de bolo, Elizabeth. Eu estou falando da vida e do meu plano de vingança. Eu estou prestes a pôr à cereja. Entendeu?

ELIZABETH – Não, mas eu ouvi a palavra vingança. E essa palavra nunca atrai coisa boa. Não faz nada que possa se arrepender.

SANDRA – Eu aprendi que isso de destino, de que o futuro pode ser moldado com nossas ações é mentira. Se uma coisa tem que acontecer, ela vai acontecer. Se pessoas tiverem que morrer, elas vão morrer.

ELIZABETH – A senhora/ você vai matar alguém?

SANDRA – Não pretendo, mas não exito em fazer.

Elizabeth levanta da cama e se aproxima da Sandra. Sandra ajoelha.

ELIZABETH – Mata ninguém não. Se você matar, você vai ser presa. E eu não quero você presa não.

SANDRA – Então vamos fazer um trato? Você não diz pra ninguém o que a gente conversou aqui e eu não mato ninguém. Fechado?

ELIZABETH – Fechado.

LINDA – (off) Elizabeth!

SANDRA – É melhor você ir. Mas antes eu preciso lhe dizer uma coisa: sabe por que eu ganhei tanto apresso por ti?

ELIZABETH – Por causa do meu charme?

SANDRA – (ri) Além do seu charme teve outra coisa. Eu me vejo em você. Você é uma menina esperta, bonita e que sabe muito sobre a vida. Eu me vejo em ti.

ELIZABETH – Que ótimo porque quando eu crescer eu vou ser igualzinha a você. Eu vou ter a minha casa, o meu dinheiro e os meus empregados.

Elizabeth beija a Sandra e sai. Sandra levanta e encara o espelho.

SANDRA – Boa sorte lindinha.

 

CENA 04. PREFEITURA DE PRATA. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Junior anda pela rua e se aproxima da prefeitura. Uma repórter acompanhada de um câmera surge na frente dele, o surpreendendo.

REPÓRTER – Prefeito? Podemos ter um minuto da sua atenção?

JUNIOR – O que deseja de mim?

REPÓRTER – Queremos saber se os boatos que sua esposa saiu nua de casa e não voltou até agora é verdade. Vocês terminaram?

JUNIOR – Prefiro não falar sobre a minha vida pessoal.

REPÓRTER – E dissermos que temos fotos e vídeos dela saindo nua de sua casa. O que diria?

JUNIOR – Vocês não têm. Se tivessem teriam posto na rede.

REPÓRTER – Então é verdade?

JUNIOR – Eu tenho mais o que fazer.

Ele entra na prefeitura. A repórter encara a câmera.

REPÓRTER – Não consegui arrancar muita coisa dele, mas uma coisa eu tenho certeza: ele está escondendo algo. E nós vamos descobrir. (arregala os olhos) Estamos de olho!

 

CENA 05. RUA. EXTERIOR. DIA:

Irmãs andam pela rua lado a lado. Elas conversam.

IRMÃ MARY – Eu sei que tem algo nessa história Iana. Tu viu como ele tava? Ele tava triste, é claro. Mas tinha algo ali. Culpa.

IRMÃ IANA – Será que ele e a Paula mataram a Guilia?

IRMÃ MARY – Não. Eles não teriam motivos, mas que eles escondem algo. Isso eles escondem.

IRMÃ IANA – E a Lisandra? Estão falando por aí que ela saiu da casa do Junior nuazinha e não voltou mais.

IRMÃ MARY – Mentira! Conta tudo!

Elas saem, ainda conversando. CAM mostra que o Erick na banca de jornal, sério.

CENA 06. CASA DA PAULA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Cássio está sentado bebendo água. Dercy entra e enche um copo com água. Ela senta ao lado dele.

CÁSSIO – A senhora quer alguma coisa?

DERCY – Você pode parar de me chamar de senhora. Pode me chamar de Dercy, afinal, somos parentes.

CÁSSIO – Dercy. É um belo nome.

DERCY – Cássio também. Até que a negrinha tinha bom gosto.

CÁSSIO – Eu não admito que fale da minha mãe. Ela está morta! Eu exijo que tenha respeito.

Ela levanta, rindo.

DERCY – Mal chegou à família e já está exigindo algo. É da família mesmo. Eu não gosto da negrinha, mas sei dizer tais palavras: eu sinto muito.

CÁSSIO – Não, a senhora não sente.

DERCY – Não sinto mesmo, mas sei o que é perder alguém próximo da gente. Eu sei como é perder uma mãe.

Ela beija a testa de Cássio e sai.

 

CENA 07. PREFEITURA DE PRATA. SALA DO PREFEITO. INTERIOR. DIA:

Junior está sentado na cadeira conversando com uma mulher. Maria entra e a mulher sai.

MARIA – Eu lhe vi na televisão.

JUNIOR – Aquela jornalistazinha me pegou. O que as mulheres têm contra mim? É algum tipo de arma que faz ficar mais burro?

MARIA – Todos os homens são burros se comparado a inteligência das mulheres de conseguirem o querem. Ela queria arrancar a verdade e conseguiu.

JUNIOR – O pior é que eu não disse nada.

MARIA – Pra qualquer fofoqueiro, meia palavra basta. (pausa) Além de vir aqui falar contigo sobre isso eu viu lhe avisar de algo.

JUNIOR – Não dê notícias ruins.

MARIA – Eu vou embora de Prata em alguns dias. Não sei ao certo quando, mas acho que minha missão aqui foi cumprida.

JUNIOR – Você não me disse o que veio fazer aqui e nem da onde conhece a Diana. Ela é uma amiga da família?

MARIA – Reclama da jornalista intrometida, mas faz o mesmo com a minha vida. Deus tá vendo.

JUNIOR – É diferente. Eu sou seu amigo, seu cliente. Nós temos que compartilhar coisas um com outro.

MARIA – Você é o meu cliente. O cliente compartilha e eu escuto. Eu falo quando tenho que falar e me calo quando tenho que me calar. Está no momento de me calar.

Junior a encara, curioso.

 

CENA 08. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Erick entra e encontra a Lisandra lendo. Ele senta ao lado dela.

ERICK – A fofoca da sua expulsão está rolando. Logo eles saberão que você está aqui e que eu sou seu amante.

LISANDRA – Deixe que falem. Eles logo irão comentar sobre como o Junior foi injusto comigo.

ERICK – Usando os fofoqueiros pra ganhar a guerra? Truque velho minha querida.

LISANDRA – Pode até ser velho, mas é melhor usar o clichê do que inovar e fazer merda.

Ele concorda e ela volta à leitura.

 

CENA 09. CASA DA PAULA. SUÍTE DA PAULA. INTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Cássio entra e encontra a Paula deitada na cama, pensativa.

CÁSSIO – Você tem certeza absoluta disso?

PAULA – Eu tenho sim Cássio. Não posso ficar aqui, não posso viver num lugar onde as coisas aconteceram. Eu preciso ficar um tempo reclusa, passar um tempo com Jesus.

CÁSSIO – Se você tem certeza, eu não posso fazer nada. Eu não pretendo ficar na sua casa não, já tô vendo uns lugares para morar.

PAULA – Fique a vontade. A casa é sua.

CÁSSIO – Obrigado.

Ele ia sair, mas Paula o chama.

PAULA – Cássio. (pausa) Eu me sinto culpada por tudo o que aconteceu com sua mãe. Eu sei que não adianta sentir culpa, mas eu sei que fui eu a causadora da morte dela.

CÁSSIO – Paula/

PAULA – (corta) Deixa eu terminar. (pausa) E como eu sei disso, eu sei que devo algo a minha fiel amiga.

CÁSSIO – E o que é?

PAULA – Justiça.

Cássio não entende, mas hesita em perguntar. Ele sai batendo a porta em seguida. CAM fecha na Paula, decidida.

 

CENA 10. CASA DA PAULA. JARDIM. INTERIOR. NOITE:

Sandra está sentada na frente da cama, pensativa. Cássio sai de casa e a encontra. Ele se aproxima.

CÁSSIO – O que veio fazer aqui?

SANDRA – Eu vim conversar contigo.

CONTINUA…

Escrita por
Yuri Neves

Colaboração
Priscila Borges

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 17

aberturafamilia

UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

CENA 01. CASA DA PAULA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Continua de onde parou/

Guilia, pouco confusa, pega na mão de Cássio e o encara. Ele sorri.

CÁSSIO – Todo esse tempo e ela estava bem aqui, em Prata. Minha mãe, minha mãe verdadeira.

GUILIA – E quem é essa mulher?

CÁSSIO – Essa mulher? (ri) O destino é um grande filho da mãe. Ele armou tudo isso. Todo esse tempo, ele estava armando.

GUILIA – O que você está dizendo?

CÁSSIO – Eu estou dizendo que a minha mãe é a (pausa), minha mãe é a Paula! A Paula!

GUILIA – O que? Isso não é possível! Diga que não é possível. Diga que é mentira! Diga!

CÁSSIO – Acredite, eu queria dizer. Mas é a verdade mamãe. A minha verdadeira mãe é Paula. A mulher que eu transei.

GUILIA – Eu disse! Eu disse! Não era certo esse namoro, eu disse isso. Eu sempre soube que tinha algo estranho!

CÁSSIO – Eu sei mamãe. Eu deveria ter lhe dado ouvidos, mas eu a amo. Eu amo a minha mãe!

GUILIA – Nós vamos pro inferno!

CÁSSIO – Eu, você e a Paula.

Guilia se apoia na bancada da cozinha.

GUILIA – Eu só queria uma família normal, meu Deus. Mas tudo isso é culpa minha. É uma punição divina. Eu não deveria ter largado o convento.

CÁSSIO – Talvez. E talvez eu não devesse ter matado o meu próprio pai e nem transado com a minha mãe. Mas aconteceu.

GUILIA – Como assim? Aconteceu? Fala como se não sentisse pena. Como se orgulha.

CÁSSIO – Eu não me orgulho! Mas não posso fazer nada! Não posso voltar no tempo. Eu não tenho uma TARDIS!

GUILIA – Não é hora pra piadinhas.

CÁSSIO – Eu não estou fazendo piadinhas. Eu estou sendo realista! Não vai adiantar de nada chorar e nem se culpar.

GUILIA – Como assim? Eu não acredito que estou ouvindo isso. EU me recuso a ouvir isso!

CÁSSIO – Eu vou romper com a Paula.

GUILIA – É claro que vai.

CÁSSIO – Mas eu quero continuar aqui.

Guilia se senta, assustada.

GUILIA – O que? Você quer continuar em Prata mesmo depois disso tudo? Todos já sabem que vocês estão de caso. Não podem viver como mãe e filho.

CÁSSIO – Eu não vou sair de perto da pessoa que eu amo. Eu não vou sair de perto da minha mãe.

GUILIA – Eu não creio nisso.

Ela levanta e põe a mão no peito. Ela se apoia novamente na bancada. Cássio estranho.

CÁSSIO – Está tudo bem mãe? (ele toca na mão dela)

GUILIA – Tira essas mãos de mim!

Ela se vira pra sair, mas quase cai. Cássio se aproxima.

CÁSSIO – Mãe?

GUILIA – Eu tô bem.

Ela fecha os olhos e cai no chão. Cássio se ajoelha e pega na mão dela. Ele começa a chorar.

CÁSSIO – Mãe! Mãe! Não! Não! Nãaaaaaaao!

CAM fecha no corpo da Guilia sob o colo de Cássio que chora.

 

CENA 02. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Erick está sentado no sofá ao lado da Lisandra. Eles conversam enquanto bebem café.

ERICK – Então quer dizer que a senhorita acha que está grávida do Junior.

LISANDRA – Ou é dele ou é seu. Mas do mesmo jeito, vou fazer de tudo pra todos pensem ser dele.

ERICK – Você é louca!

LISANDRA – Eu entrei nesse casamento sem nada, não vou sair sem nada também. Depois eu vou precisar da sua ajuda.

ERICK – Com o que?

LISANDRA – Na hora certa eu lhe digo.

ERICK – Tenho que abrir a banca.

Ele levanta. Junior entra arrombando a porta. Os dois homens se encaram.

JUNIOR – Nós precisamos ter uma conversinha. Homem pra homem.

ERICK – Homem pra homem? Homem pra corno.

Junior dá um soco na cara do Erick. Ele revida. Lisandra se assusta e corre pra outro cômodo.

 

CENA 03. CASA DO ERICK. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Lisandra corre pra cozinha. Ela pega o celular e faz uma ligação, rápido.

LISANDRA – Maria?

 

CENA 04. RUA. EXTERIOR. DIA:

Maria está passando pela rua. O celular dela toca e ela atende, rapidamente.

MARIA – Lisandra?

LISANDRA – (off) Você disse que quando eu precisasse de ajuda era pra chamar. Estou chamando.

MARIA – O que aconteceu?

LISANDRA – (off) Eles vão se matar se você não chegar em dois minutos.

MARIA – Entendi.

Ela desliga e atravessa a rua, apressada.

 

CENA 05. CASA DA PAULA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

O corpo da Guilia sendo levado. Cássio sentado, chorando. Paula se aproxima dela segurando um copo d’água.

PAULA – Eu sinto muito.

CÁSSIO – (choroso) A culpa é toda minha. Eu não deveria ter dito a notícia daquele jeito, mas é que/

PAULA – (corta) Não pode se culpar assim. Nem eu e nem você podemos.

Peixoto se aproxima deles.

PEIXOTO – Segundo o médico, ele disse que foi parada cardíaca. Ela sofreu um baque muito forte.

CÁSSIO – (limpa as lágrimas) Obrigado por cuidar de tudo.

PEIXOTO – Tudo pela Paula. Com licença.

Ele sai. Paula o abraça.

PAULA – Eu sinto em dizer, mas eu tomei uma decisão. Eu vou pro convento.

CÁSSIO – Não!

PAULA – Eu sinto muito, mas eu preciso ir. Eu preciso sair dessa casa por um tempo. Eu vou me renovar e acho que deveria fazer o mesmo. Nós precisamos.

CÁSSIO – Você sabe o certo pra você.

Eles se abraçam.

CENA 06. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Erick e Junior se batendo, rolando pelo chão. Lisandra observa. Maria entra e se aproxima da Lisandra.

LISANDRA – Faça alguma coisa!

MARIA – O que eu posso fazer?

LISANDRA – Sei lá.

Lisandra a taca pra cima deles. Maria bufa e tira um de cima do outro. Erick e Junior se levantam.

MARIA – Chega! Parecem duas crianças disputando por um docinho. Sejam adultos!

JUNIOR – Esse aí é igual ao pai. Só quer ver a desgraça dos outros, não consegue ver ninguém feliz.

ERICK – Foi o seu pai que destruiu a vida do meu. O meu pai não destruiu a vida de ninguém.

JUNIOR – Pelo menos meu pai mandou em Prata um dia e o seu? Foi um mero jornalistazinho.

MARIA – Chega! Se antes era uma briguinha por um doce, agora é uma briguinha pra ver qual pai é melhor. Quantos anos vocês tem?

JUNIOR – Eu tô indo embora.

MARIA – Você fica! Nós quatro vamos ter uma conversinha. Parecem crianças.

Erick senta no sofá, Lisandra do lado dele e Junior do lado dela. Maria senta na frente deles.

MARIA – (ao Junior) Você poderia aceitar o fato de ter sido traído. É melhor aceitar isso logo do que ficar brigando. (ao Erick) Você poderia juntar as suas coisas e ir embora daqui com a Lisandra.

ERICK – E ir embora igual o meu pai? Nem morto! Eu fico! Eu tenho certeza que eu e a Lisandra seremos muito felizes.

LISANDRA – Eu também tenho certeza.

JUNIOR – Eu fico também. Eu tenho uma chance de ser reeleito nessa próxima eleição de Prata.

MARIA – Já que todos querem ficar, que fiquem como adultos. Sem briguinha estupidas e discussões ridículas.

Eles não respondem.

MARIA – Eu tenho mais o que fazer, crianças.

Ela sai batendo porta.

 

CENA 07. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INTERIOR. DIA:

Peixoto e Anequim entram, conversando.

ANEQUIM – Então é mesmo verdade? A Paula descobriu quem é o seu filho. O filho é o Cássio?

PEIXOTO – É mesmo, mas isso deve ser esquecido aqui, entendeu? Ninguém precisa saber que ela namorou o próprio filho.

ANEQUIM – É claro xerife. O senhor nem precisava dizer.

Anequim encara a câmera, sínico.

 

CENA 08. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. BANHEIRO. INTERIOR. DIA:

Sandra está dentro da banheira, se lavando. Brenda entra e senta no chão, próximo a banheira.

BRENDA – A Guilia morreu.

SANDRA – A mãe adotiva do mocreio? Isso tá me saindo melhor que a encomenda. Tragédia atrás de tragédia.

BRENDA – Está do jeito que a senhora planejou, imagino. (pausa) Me disse que ainda não estava satisfeita, agora está?

SANDRA – Mais ou menos. Eu achei um jeito de fazer o Cássio sofrer ainda mais, mas eu preciso de um tempo.

BRENDA – Imagino que seja algo grande.

SANDRA – Grande e caro demais pra uma família falida, mas meu irmão deixou joias e casa de Búzios pra mim.

BRENDA – A família não está mais falida.

SANDRA – Ela continua falida, mas agora temos alguns reais pra poder gastar. Não se preocupe, eu nunca atrasei o seu salário e não vai ser agora que eu vou atrasar.

BRENDA – Eu sei disso senhora.

SANDRA – Pega a toalha pra mim.

Brenda levanta e pega a toalha. Sandra levanta e Brenda a cobre com a toalha. Ela ajuda a vilã a sair da banheira.

 

CENA 09. CASA DA SANDRA. SUÍTE DA SANDRA. INTERIOR. DIA:

Brenda e Sandra saem do banheiro. A última enrolada na toalha. Sandra vê o fantasma do Pedro, enquanto Brenda não vê nada.

SANDRA – Pode ir, eu me viro sozinha.

Brenda concorda e sai. Sandra senta na cama e o fantasma também. Eles sorriem.

PEDRO – Peço perdão, mas eu não resisto em lhe ver nua. É tão bela e tão bonita.

SANDRA – E você está morto.

PEDRO – Eu sei e também sei o que está tramando. Assim como eu sei o que aconteceu naquela casa após a morte da Guilia.

SANDRA – Conta tudo.

PEDRO – O Cássio contou tudo pra ela, a velha não aguentou e foi-se embora. Logo deve está chegando aqui em cima ou talvez vá lá pra baixo. Não sei. Cássio ficou arrasado e Paula foi conversar com ele. Eles conversaram um pouco e logo ela disse as palavras que quase me mataram de novo.

SANDRA – E o que foi?

PEDRO – Ela disse que iria pro convento. Imagine só a pecadora indo parar num convento, se redimindo dos seus pecados. Isso é ou não é uma novela de Manoel Carlos?

SANDRA – Esse assunto de novo. Num dia desses, eu e a Brenda estávamos nos perguntando se isso é real ou uma novela.

PEDRO – E qual é a resposta da pergunta?

SANDRA – Não sei, mas se for uma novela espero ser amada por todos. Eu espero ser uma especie de Nazaré Tedesco.

PEDRO – (ri) Só você mesmo pra me fazer ri. E quanto ao seu plano? Tem certeza absoluta disso?

SANDRA – Com certeza e ele vai dá certo.

PEDRO – Se você diz (pausa) tenho que ir, estão me chamando aqui. Parece que uma nova pessoa chegou e eu preciso fazer sala. Odeio isso!

SANDRA – Antes de ir, uma coisa: porque o Lauro não quer aparecer pra mim?

PEDRO – Ele não concorda com alguma de suas ações. Ele é o Lauro, querida, por isso. Até mais.

Ele some. Ela encara a câmera, meio triste.

SANDRA – Isso é uma novela?

 

CENA 10. CASA DA PAULA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Câmera mostra a fachada da casa da Paula. Todas as luzes apagadas, exceto pela luz do quarto da Paula. Um carro entra cantando pneu. Câmera se aproxima dele.

DERCY – (off) Odeio o fato dela nunca está na porta pra me receber. Só espero que ela já tenha dado um jeito naquela negrinha porque eu não sou obrigada.

Dercy salta do carro. Ela encara a casa da Paula, com um sorriso no rosto. Ela logo fica séria.

DERCY – Só espero que dessa vez, eu não seja expulsa. (ela se benze) Seja o que Deus quiser.

CONTINUA…

Escrita por
Yuri Neves

Colaboração
Priscila Borges

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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F A M Í L I A – Capítulo 16

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UMA NOVELA DE YURI NEVES

228 - Cópia - Cópia (6)

CENA 01. CASA DA PAULA. SUÍTE DA PAULA. INTERIOR. NOITE:

Paula sai do banheiro enrolada na toalha e encontra a Sandra sentada na cama.

PAULA – O que você está fazendo aqui?

SANDRA – Nós precisamos conversar.

PAULA – Eu não tenho tempo pra você agora. Eu sei que é difícil perder alguém, eu perdi o meu filho. Mas agora eu encontrei um cara legal e tô feliz com ele, então me deixa em paz.

SANDRA – Eu não vou te deixar em paz, sabe por quê? Porque eu fiz várias descobertas interessantes. Eu descobri onde está o seu filho, eu descobri quem matou o Lauro e descobri que o Cássio mente pra você.

Paula joga a Sandra na parede.

PAULA – Onde tá o meu filho?

SANDRA – Aqui mesmo em Prata. Todo esse tempo ele estava bem perto de você.

PAULA – Meu Deus! Onde que ele tá?

SANDRA – Na sua cozinha, cozinhando com a Guilia. (Paula se afasta da Sandra) Isso mesmo, minha querida. É o Cássio!

PAULA – Não isso é impossível! Não é ele! Não pode ser!

SANDRA – Você transou com seu próprio filho. Você é uma imunda! Uma mocreia incestuosa!

PAULA – Sai daqui! Sai da minha casa!

SANDRA – Não vou sair porque ainda não terminei. Além dele ser seu filho, ele matou o próprio pai. Eu não posso julgá-lo, eu também matei o meu, mas eu não transei com a minha mãe.

PAULA – Isso não está acontecendo!

SANDRA – É claro que está. (ri) Vai dá um abraço no seu filhinho mamãe. Vai!

PAULA – (chora) Sai da minha casa, pelo amor de Deus. Sai da minha vida! Saaaaai!

SANDRA – Amor e Deus. Duas palavras que não deveriam sair da sua boca. (senta ao lado dela) Me diga: além do seu filho, você transou com seu pai ou com seu tio. Primo? Irmão? Padrasto? (ri) É isso! Está explicado porque nenhum casamento da sua mãe deu certo. Você transou com todos!

Paula levanta e limpa o rosto raivosa. Ela pega a Sandra pelos cabelos e a joga no corredor.

PAULA – Sai daqui! Saaaaaai da minha vida! Eu não quero mais te ver! Saaaaaai daqui!

SANDRA – Eu estou indo, lindinha. Eu conto pro seu filho ou você quer ter a honra de contar? É claro que você quer contar, mas oh, não vá transar com ele de novo.

Paula bate a porta furiosa. E cai no chão. Ela chora e dá um berro. CAM fecha com um CLOSE no rosto dela

 

CENA 02. CASA DA PAULA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Sandra sai da casa e encontra o fantasma do Pedro. Eles saem andando e conversando.

PEDRO – Se sente melhor?

SANDRA – Muito melhor. A vingança é algo muito saboroso!

PEDRO – Se você diz, eu acredito.

Algumas pessoas olham pra ela conversando sozinha.

SANDRA – É melhor conversarmos em casa.

O fantasma some e Sandra sai.

 

CENA 03. CONVENTO MARIA IMACULADA. TERRAÇO. INTERIOR. NOITE:

Irmã Mary, Brenda e Diana assustadas, encarando o alguém. CAM vira e mostra quem é o admirador: IRMÃ IANA!!

IRMÃ MARY – Não pode ser você!

IRMÃ IANA – Eu peço desculpas por ter engano vocês todo esse tempo. Não foi minha intençao.

BRENDA – Isso tá muito errado! Isso não é possível!

DIANA – Meu Deus! Meu Deus do céu!

IRMÃ IANA – Eu realmente não queria constranger vocês. Não foi minha ideia. Eu só peço uma chance para me explicar.

IRMÃ MARY – Se explicar? Você manda cartas pra três mulheres e quer se explicar. Explicar o que Iana?

IRMÃ IANA – Eu sinto muito/

IRMÃ MARY – (corta) Eu não quero ouvir!

Irmã Iana abaixa a cabeça e sai correndo. Brenda e Diana encaram a Irmã Mary.

BRENDA – Você está hipócrita! Não deveria estar correndo atrás de um admirador e mesmo assim correu.

DIANA – Exatamente! Você é tanto da igreja quanto ela. Para de julgar a Iana! Nós vamos atrás dela e ouvir o que ela tem a dizer.

IRMÃ MARY – Vocês têm razão, mas é que é assustador pra mim escutar que uma das minhas meninas mande cartas amorosas pra mulheres.

BRENDA – Você não pode julgá-la linda, nenhuma de nós pode. Vamos atrás dela.

As três saem.

 

CENA 04. CONVENTO MARIA IMACULADA. QUARTO DA IANA. INTERIOR. NOITE:

Irmã Iana está sentada no chão, se arranhado. Ela chora. Irmã Mary, Brenda e Diana entram.

BRENDA – Não faz isso!

Brenda senta no chão e pega as mãos da Irmã Iana.

BRENDA – Não se machuca assim.

IRMÃ IANA – (chora) Eu sou uma perdida! Eu sou uma pecadora!

DIANA – E quem não é?

IRMÃ IANA – (limpa as lágrimas) Eu quero explicar tudo pra vocês. Eu sou lésbica! Faz pouco tempo que descobri, mas acho que eu sempre soube. Eu sempre fui diferente, eu sempre me senti diferente. Eu não queria ofender vocês.

BRENDA – Então qual é o motivo das cartas? Está apaixonada por nós três?

IRMÃ IANA – Não! Quer dizer, de certa forma, estou. Mas não é nada de amor, casal. Eu estou apaixonada por vocês, mas é paixão de mãe, irmã e amiga.

DIANA – Imagino que a Irmã Mary seja a parte materna, certo?

IRMÃ IANA – Ela sempre foi uma mãe pra mim. Eu observava vocês e queria ter vocês ao meu lado, mas não sabia como chegar perto de vocês. Eu decidi mandar cartas, dizer que estava apaixonada por vocês, mas não queria enganar. Essa nunca foi minha intenção.

BRENDA – Isso nós já entendemos, mas queremos saber o porquê.

IRMÃ IANA – O porquê é simples. Eu precisava de ajuda. Eu nunca tive ninguém, eu tive um amor, uma mãe, um pai. Nada! Eu precisava de ajuda, mas eu não conheço nenhuma lésbica. Então decide pedir ajuda a mulheres fortes que eu conheço.

IRMÃ MARY – Eu peço desculpas Irmã, eu não sabia que era tão sério. Quando eu descobri que era você, minha mente ficou confusa. Não soube o que dizer e acabei dizendo merda.

IRMÃ IANA – Obrigada. Muito obrigada às três. (pausa) Posso chamar vocês de mãe, irmã e melhor amiga? (as três fazem que sim) Mary é a minha mãe, a Brenda é a minha melhor amiga e a Diana é a minha irmã.

Brenda levanta a Irmã Iana. As quatro se abraçam, emocionadas.

 

CENA 05. CONVENTO MARIA IMACULADA. CORREDOR. INTERIOR. NOITE:

Madre Teresa está a escutar tudo no corredor. Ela faz cara de enojada e sai.

 

CENA 06. CASA DA PAULA. SUÍTE DA PAULA. INTERIOR. NOITE:

Paula está caída no chão, chorando. Cássio entra e se aproxima dela.

CÁSSIO – O que está acontecendo Paula? Nós ouvimos os gritos e depois a dona Sandra saindo daquele jeito. Você está chorando?

PAULA – Não está acontecendo nada. Sai daqui!

CÁSSIO – Eu não vou sair até você me contar.

PAULA – Nós somos dois pecadores, dois imundos! Nós vamos morrer no inferno!

CÁSSIO – (ri) Isso não é novidade pra mim. (percebe que é sério) Desculpa. O que aconteceu?

PAULA – Eu sou sua mãe Cássio!

CÁSSIO – O que?

PAULA – Eu sou sua mãe Cássio! Nós fomos burros de não perceber isso! Sua data de aniversário é a mesma do sumiço do meu filho.

CÁSSIO – Meu Deus! Quer dizer que (pausa) Não! Não!

Ele começa a chorar e sai correndo.

 

CENA 07. PREFEITURA DE PRATA. SALA DO PREFEITO. INTERIOR. NOITE:

Junior abre a porta e Maria entra. Ele fecha a porta e eles se encaram.

MARIA – Me ligou tão assustado. O que aconteceu?

JUNIOR – Eu e a Lisandra transamos. Ela disse que me amava, que não tinha amante e que queria uma família. Ela está armando alguma coisa.

MARIA – Ela deve está tentando ficar grávida pra você não se divorciar dela quando descobrir quem é o amante.

JUNIOR – Eu lhe contratei para descobrir quem é o amante da minha esposa e você só enrolou. Eu preciso saber quem é.

MARIA – Eu não sei.

JUNIOR – Você sabe! Todos falam da sua esperteza pra descobrir casos mais difíceis que esse. É lógico que você já descobriu quem é.

MARIA – Eu não sei.

Junior a taca na parede e a enforca. Maria cospe na cara dele e Junior a solta.

MARIA – Eu estava achando que você tinha virado outra pessoa, mas vejo que continua o mesmo idiota machista de antes. Você quer mesmo saber quem é o amante dela? Pois eu lhe digo: é o Erick!!!O jornalista!

JUNIOR – Você está me dizendo que ela me traiu com um jornalista de merda? Isso não é possível!

MARIA – Pois é e muito! Ele é um homem bonito, simpático e carismático ao contrario de você que é um velho turrão e machista.

Junior pega a Maria pelo braço e sai com ela.

MARIA – (off) Me solta! Você está me machucando!

CENA 08. MANSÃO DO PREFEITO. SALA DE ESTAR. INTERIOR. NOITE:

Junior e Maria entram. Ele a solta e Maria quase cai no chão.

JUNIOR – (grita) Lisandra!

Lisandra aparece na escada e encara a Maria. Ela desce correndo.

LISANDRA – O que essa mulherzinha está fazendo aqui? Vai embora da minha casa!

JUNIOR – Ela me contou quem é o seu amante, mas eu não pude acreditar que você trocou um prefeito rico por um jornalista pobre.

LISANDRA – Eu nunca me importei com dinheiro idiota! Eu era pobre antes de te conhecer. Eu me apaixonei por você porque você parecia se gentil, simpático, mas você não é. Você é um homem bruto que acha que tudo gira a sua volta! Você se acha o Sol quando na verdade é uma mera estrelinha que ninguém consegue vê porque os outros brilham mais do que você.

JUNIOR – Sai da minha casa! Mas sai sem roupas porque todas as roupas que você tem fui eu que comprei.

LISANDRA – Eu não preciso delas mesmo, mas lhe garanto que em poucos dias você vai receber uma ligação bem animada.

JUNIOR – Uma ligação do seu advogado? Que advogado que você vai ter? Vai estar mais pobre do que os mendigos de Prata.

LISANDRA – Não vai ser do meu advogado não, vai ser minha mesmo. É uma ótima notícia. Aguarde.

Lisandra tira a roupa que veste, ficando nua. Ela encara o Junior e Maria e sai.

MARIA –Vai mesmo deixar ela sair assim?

JUNIOR – Ela não merece vestir essas roupas.

MARA – Você é um idiota!

Maria tira o casaco que veste e sai com ele em mãos.

 

CENA 09. MANSÃO DO PREFEITO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Lisandra está saindo e Maria corre até ela. Ela bota o casaco na Lisandra. Elas se encaram.

LISANDRA – Não quero vestir nada seu.

MARIA – Não sai assim no meio da rua. Eu não queria dizer a ele, eu disse o que eu achava certo, mas ele me obrigou.

LISANDRA – Eu não quero saber de desculpas.

MARIA – Pra onde você vai?

LISANDRA – Pra casa do Erick, provavelmente.

MARIA – Se quiser ajuda, eu tô no hotel aqui do lado. Eu não quero brigar com ninguém, principalmente com uma mulher. (pausa) Nós precisamos se manter unidas. As mulheres precisam se unir, nós precisamos cuidar uma das outras porque se não cuidarmos, ninguém vai cuidar.

LISANDRA – Pela primeira vez eu ouço algo certo sair da sua boca. Obrigada, mas eu recuso a ajuda. Eu sempre me virei sozinha, não vai ser agora que eu não vou dá um jeito.

Lisandra vai por um lado e Maria por outro, cabisbaixa.

 

CENA 10. CASA DA SANDRA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Sandra está sentada no sofá, fumando. Brenda entra e senta ao lado dela.

BRENDA – Voltou a fumar?

SANDRA – É tão estranho voltar depois de tanto tempo sem, mas senti que hoje era preciso.

BRENDA – Achei que hoje seria um dia muito bom pra senhora.

SANDRA – E está sendo muito bom. Eu amei ver a cara da Paula e adoraria ver a cara do mocreio, mas não fiquei pra vê.

BRENDA – Então porque está com essa carinha senhora?

SANDRA – Porque eu ainda sinto uma enorme vontade de ferrar com o Cássio pelo o que ele fez, mas eu não sei como.

BRENDA – Tenho certeza que a senhora vai descobrir um jeito.

SANDRA – E você? Como foi o seu encontro?

BRENDA – Acho que não dá mais pra ficar mentindo, né? Naquela noite em que fui me encontrar com o admirador, eu descobri que existem mais duas mulheres sendo assediadas por ele. A gente se uniu pra descobrir quem era o cara e hoje nós descobrimos

SANDRA – E quem é?

BRENDA – Prefiro não dizer o nome, mas descobri que o cara é uma mulher senhora. Ela é lésbica e tinha se apaixonado por nós três, mas não é paixão de casal. Ela disse que era uma paixão de amiga, irmã e mãe e que sentia a necessidade da gente se encontrar.

SANDRA – Nossa que bonitinho. Não vai mesmo me dizer quem é a lésbica?

BRENDA – Não senhora. Pacto de amigas.

Sandra bufa. Brenda sorri e a abraça.

 

CENA 11. RESTAURANTE. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

Linda e Roberto estão sentados a mesa. Eles conversam.

ROBERTO –… Eu estou falando sério Linda.

LINDA – Eu não sei o que dizer. Fugir com você? Não é muito cedo? Eu não sei se estou pronta.

ROBERTO – Você ainda tem uns dias pra pensar. Mas eu sei que não paro de pensar em você desde que a vi na praça.

LINDA – Nem eu paro de pensar em ti.

ROBERTO – Fico feliz em ouvir isso. (pausa) Nas vezes que vi você estava acompanhada da pequena Elizabeth. É sua filha?

LINDA – (sem graça) A Elizabeth? Ela é… (pausa) Ela é filha da minha amiga, a Brenda.

Roberto sorri e pega nas mãos da Linda.

 

CENA 12. CASA DO ERICK. SALA. INTERIOR. DIA:

Lisandra está dormindo no sofá. Um lençol cobre seu corpo nu. Erick entra na sala e a encontra.

ERICK – (a acorda) O que está fazendo aqui?

LISANDRA – Eu fui expulsa de casa.

Ela tira o lençol, mostrando está nua.

ERICK – Agora você é só minha?

LISANDRA – Toda sua. Mas precisamos dá um jeito nessa casa. Ela é muito masculina, quero dá um aspecto feminino né.

ERICK – Desde que não enche de flores.

LISANDRA – Estragou a minha ideia. (ri) Eu disse que sou toda sua, mas ainda tenho assuntos a tratar com o Junior.

ERICK – Que tipo de assuntos?

LISANDRA – Filhos. Se tudo deu certo, eu estou grávida do Junior e eu vou usar esse lindo bebê pra ganhar uma bolada.

CLOSE no Erick, curioso.

 

CENA 13. HOTEL. QUARTO. INTERIOR. DIA:

Maria está sentada na cama com um notebook sobre a perna. Ela conversa por Skype com o Alberto (altura e peso indefinidos, homem de idade, cabelos grisalhos).

ALBERTO – Eu sinto a sua falta filha.

MARIA – Eu sei pai e sinto que lhe devo a verdade. A verdade é que após a morte de mamãe não sinto a vontade em casa.

ALBERTO – Por isso passou todo esse tempo viajando atrás de casos. Eu entendo.

MARIA – Mas eu percebi que nenhum lugar é melhor do que a minha casa. Eu vou voltar.

ALBERTO – Eu fico feliz. Não aguento mais ficar sozinho numa casa tão grande.

MARIA – E o Mário? Encontram ele?

ALBERTO – Não. Imagino que tenha ido se esconder depois da merda que ele fez. Eu não ainda não o perdoei.

MARIA – Nem eu. Nós sempre soubemos que ele era um homem atrapalhado e que errava às vezes, mas o caso de mamãe era importantíssimo.

ALBERTO – Eu cheguei a culpá-lo pela morte da minha esposa, mas não o culpo mais. Faz parte do ser-humano errar, mas ainda não o perdoei totalmente.

MARIA – Nem eu papai, nem eu.

Eles continuam a conversar, em off.

 

CENA 14. CONVENTO MARIA IMACULADA. SALA DA DIRETORIA. INTERIOR. DIA:

Madre Teresa está sentada na cadeira. Irmã Mary e Irmã Iana entra e sentam na frente dela.

MADRE TERESA – Eu achei vocês aqui porque chegou aos meus ouvidos a verdade.

IRMÃ MARY – Ou seja, você ouviu atrás da porta.

MADRE TERESA – Eu? Não ouvi não.

IRMÃ MARY – Nós vimos você passar correndo pelo corredor. Nós sabemos que você escutou.

MADRE TERESA – Sabem? Ótimo! Diante dos acontecimentos, terei que pedir a vocês que se retirem do meu convento.

IRMÃ MARY – É sobre isso que viemos falar.

IRMÃ IANA – Nós queremos sair. Minha mãe me colocou aqui contra o meu favor, está na hora de ganhar assas.

MADRE TERESA – Desde quando lésbicas possuem asas? Elas possuem chifres de demônios.

IRMÃ MARY – A senhora como uma Madre não deveria dizer tais palavras dentro de um lugar sagrado.

MADRE TERESA – Vocês querem me deixar loucas!

IRMÃ IANA – A senhora é louca! Nós vamos embora logo após o almoço, temos que nos despedir das irmãs.

IRMÃ MARY – É só isso que a senhora queria?

MADRE TERESA – É sim.

As irmãs levantam e saem. Madre Teresa encara a porta se bater, triste.

MADRE TERESA – Pensei que elas iam se defender, inventar uma desculpa, mas não. Elas não querem viver aqui. (ergue as mãos pro alto) Oh, meu Deus, eu não estou mais aguentando.

 

CENA 15. CASA DA PAULA. SUÍTE DA PAULA. INTERIOR. DIA:

Paula está deitada na cama com cara de choro. Ela pega o celular e faz uma ligação.

PAULA – Mamãe? Eu preciso de você.

CLOSE no rosto de Paula, triste.

 

CENA 16. CASA DA PAULA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Guilia está varrendo o chão. Ela para e pega o celular, faz uma ligação.

GUILIA – Atende Cássio. Onde você tá?

Ninguém atende a ligação. Ela desliga. Cássio entra na cozinha, bêbado. Guilia o encara.

GUILIA – Você bebeu? O que aconteceu Cássio?

CÁSSIO – (bêbado) Eu descobri quem é a minha mãe, mamãe.

CONTINUA…

Escrita por
Yuri Neves

Colaboração
Priscila Borges

Participou do capítulo

Regina Duarte como ‘Madre Teresa’

Dalton Vigh como ‘Alberto’

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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