Falso Horizonte | Capítulo 20 [ÚLTIMOS CAPÍTULOS]

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ANTERIORMENTE:

Marcello sai do carro e entra no hotel. Ignora o chamado do recepcionista, ele entra no elevador e sai no terceiro andar. Na sua mão um revolver com silenciador. Ele bate na porta e tanta o olho mágico, para não ser visto. Uma mulher abre e Marcello ergue a arma e atira.

MARCELLO – O jogo acabou pra você, Josefa.

***

CENA UM. CASA ABANDONADA. INT, DIA:

Suzana sai do seu carro correndo. Ela entra na casa e olha para todos, ela não sabe o que está havendo.

CAPANGA – Eu sinto muito senhora, fizemos o que você pediu e deu errado, mas a culpa não é nossa!

SUZANA – Olha só eu tava no meio do meu filme e vocês me ligaram dizendo que era uma coisa super importante, então falem logo!

CAPANGA – Eles foram à delegacia, um policial que trabalha pra gente disse que eles tiveram lá e falaram com o delegado!

SUZANA – Merda, mas se eles pensam que eu vou deixar de ir pra Ibiza por causa disso, eles estão enganados! Fique de olho neles, pode esquecer o Marcello, a gente já conversou!

Os mandados saem. Suzana grita e começa a quebrar as coisas. Ela se senta no chão e vê o estrago que fez.

SUZANA – Tá na hora de visitar uma velha amiga!

CENA DOIS. MANSÃO/SALA DE VISITAS. INT, DIA:

Um homem vestido apenas de roupão e segurando nas mãos um charuto está à espera dos delegados mais competentes da cidade. Miriam e Medeiros entram e se sentam em frente ao homem.

MIRIAM – Até que para um Juiz, você está ganhando bem! Tem uma vista linda pra Praia dos Milionários, imagino dá aonde vem essa grana!

JUIZ – Vieram aqui falar de rendas? Não me tiraram da cama pra isso, tiraram?

MEDEIROS – Viemos pedir que o senhor faça bem o seu trabalho! Precisamos de um mandato para prender o Marcello, um traficante de armas e de ajuda para entrar em contato com a Interpol!

O Juiz se levanta e vai até a janela, onde contempla a vista. Ele torna a olhar para os delegados.

JUIZ – Irei fazer o que pediram, minha secretária dará o mandato e quanto ao contato com a Interpol, darei o número! Só saem da minha casa o mais rápido possível!

Eles se levantam. Medeiros caminha em direção ao escritório, mas Miriam permanece a encarar o Juiz. Ela vai até ele e desfere um tapa na cara do seu superior.

MIRIAM – É isso que você e o Prefeito merecem! Muito tapa na cara para aprender a respeitar o povo!

Ela segue o Medeiros, que não viu a cena, mas ouviu o barulho do tapa. Eles entram no escritório e esperam o mandato sair. INSTANTES. A secretária entrega o papel a eles, eles saem e entram no carro da policia.

MEDEIROS – Só espero que você não seja demitida…

MIRIAM – (corta) Não serei! Vamos pra Fazenda, quem sabe ele não é tão idiota assim!

O carro sai cantando pneu. Dentro da casa, o Juiz sorri enquanto alisa a sua bochecha vermelha.

CENA TRÊS. HOTEL/SUÍTE. INT, DIA:

Marcello está sentado no sofá vendo um filme. Ao seu lado, uma mulher, conhecida no mundo do crime como Limpadora.

MARCELLO – Odeio esse filme, só tem mulher com mulher, olha isso… Ela botando a língua na coisa da outra, cruzes!

LIMPADORA – É a mesma coisa que você faz com os homens, o diferencial é que eles têm uma coisa pontuda e grossa!

MARCELLO – Adoro! Que pouca vergonha trepando com a mãe no quarto ao lado, esses filmes de hoje em dia estão impossíveis… Qual é o nome do filme?

LIMPADORA – Azul é a cor mais quente.

O celular de Marcello toca. Ele se levanta e atende.

MARCELLO – Alô. Alguma novidade?

VOZ – Olha só, a policia tá aqui, estão fazendo perguntas. O João disse a eles, que você sumiu. O que eu faço?

MARCELLO – O João tá aí? Policia? Eu tô vazando da Bahia, me encontra perto da fronteira entre a Bahia e Minas Gerais, tá hora de sair desse fim de mundo!

Marcello desliga. Ele beija a testa da limpadora e sai do hotel. Ele entra no carro e pede para o motorista o deixar dirigir. O carro sai cantando pneu.

CENA QUATRO. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, DIA:

Os delegados saem da Fazenda e entram no carro. Eles se olham, ainda resta esperança.

MEDEIROS – Nós vamos pra onde agora?

MIRIAM – Se eu fosse um traficante, eu não iria pras cidades com litoral, pois é lá que se têm mais turistas, iria pro interior!

MEDEIROS – Minas Gerais.

O carro sai voando. Jurema entra na Fazenda e encontra o João sentado no sofá.

JUREMA – O bom filho a casa retorna… O que aconteceu aqui? Três mortes, o Marcello assumindo tudo, você sumido e agora a policia?

JOÃO – Estão atrás do Marcello, além de matar o meu pai e a Luise, ele é traficante! Juh a gente pode conversar?

JUREMA – Podemos. Eu vim aqui pra isso, conversar. Aconteceu algo agora pouco…

JOÃO – (corta) Eu descobri que quero viver sem medo, seja minha, pelo menos por alguns minutos ou horas!

JUREMA – Do que está falando?

João se levanta e agarra a amiga. Eles se beijam e ela fica sem reação. Ele a leva para cima. Ao chegar ao quarto, beija ainda mais a Jurema. Ele tira as roupas dela e depois retira as suas. Entre os beijos e gemidos, um ato de amor é feito.

CENA CINCO. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA/TARDE:

A manhã passa lentamente. À tarde enfim chega trazendo uma tremenda tempestade.

CENA SEIS. ESTRADA. EXT, TARDE:

Marcello está nervoso, ao seu lado um homem que trabalhou pra ele durante anos. Marcello corre sob a pista molhada. Logo atrás dele dois carros de policia, Miriam prepara a sua arma.

MEDEIROS – NÃO FAZ MERDA! Miriam segura essa mão, a gente não sabe se ele tá armado!

MIRIAM – EU NÃO VOU ATIRAR! Só se ele atirar.

O carro dos delegados aproxima-se do de Marcello. O vilão sorri, mesmo com o nervosismo. O homem ao seu lado está com medo, ele olha pro Marcello e se assusta ainda mais.

HOMEM – Me deixa sair, você é maluco! Marcello me escuta se entrega!

MARCELLO – Sair? Você também tem culpa, se eu for pego você vai junto! As portas estão trancadas, você não vai pular!

HOMEM – Isso é burrice, esse é o seu maior problema, não pensar direito nas coisas! Deixa de ser idiota pelo menos uma vez na vida, por favor.

MARCELLO – NÃO ME ENCHE PORRA! Vamos fugir, vamos vazar pra Minas Gerais!

O homem toca uma atitude desesperadora. Ele pega o volante e começa a dirigir, o Marcello disputa o volante com ele. Querendo parar, o vilão põe o pé no acelerador, envés de por no freio.

MEDEIROS – Merda, merda, merda! VAMOS BATER, ELES VÃO BATER!

O carro de Marcello bate perde o controle e bate no carro da frente e por fim voa pelo ar, parando no meio da pista, todo destruído.

MIRIAM – NÃO, NÃO, NÃO!

Medeiros para o carro. Miriam sai correndo e vai até o veiculo de Marcello, ela põe a mão no pescoço do mesmo e grita.

MIRIAM – Tá morto!

FOCA NA FACE DE MIRIAM.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 19

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ANTERIORMENTE:

Depois de uma demora, um médico sai da área restrita, ele está com aquela cara de enterro que todos têm.

MÉDICO – Eu sinto muito… O Tito teve cinco paradas cardíacas, nós fizemos de tudo, mas não deu!

O mundo de Sol acabou. Ela começa a chorar, Luz tenta abraçá-la, mas é renegada. Sol começa a correr pelo hospital rumo à saída, seus olhos se enchem de lágrimas.

***

CENA UM. BORDEL. INT, NOITE:

♪ Touch of my Hand – Britney Spears ♪

As meninas desfilam pelo lugar só de calcinha e sutiã. Algumas tentam levar os homens pros quartos, outras dançam. Griselda está dançando sensualmente até que é chamada pela cafetina.

GRISELDA – O que foi que eu fiz de errado dessa vez? Estou com a roupa que pediu e no lugar que pediu!

CAFETINA – Pelo contrário, é uma das put*s mais cobiçadas, em pouco tempo gerou o lucro de cinco mil reais pra gente! Nós vamos te vender, ganharemos vinte mil pelo seu corpo!

GRISELDA – O que? Não, não podem me vender! Eu me vendi pra vocês, não podem passar a mercadoria assim… Não faz isso!

CAFETINA – Com o tempo a mercadoria fica mal-passada, você deixaria de ser a carne fresca, não daria mais lucro pra gente e acabaria morta! Estou lhe fazendo um favor! Ele é português, o nome dele é Pedro!

Pedro e Griselda são apresentados. Ela sorri pra ele, mostrando sua simpatia.

PEDRO – (sotaque) Será muito bem-vinda na minha casa, lá em Lisboa! Vou te amar muito minha flor. Nunca me dei tão bem quanto hoje!

GRISELDA – Amor pode me esperar lá fora, eu já vou! Prometo ser a pessoa mais quente que você já viu!

Pedro sai. Griselda olha pra cafetina e não pensa duas vezes, dá um tapa na cara dela.

GRISELDA – Vai ter troca filha da put*! Eu vou voltar e você vai pagar muito caro!

Griselda sai e ao ver o amante o beija. Eles entram num carro que os levará para o aeroporto.

CENA DOIS. HOSPITAL. INT, NOITE:

A música continua. Sol está mais calma, ela está ao lado da Luz. Elas estão pensando no que fazer com o corpo, tem três opções: cremar, enterrar com todos os órgãos ou doar alguns órgãos não afetados pela droga.

SOL – Eu não quero ser uma boa pessoa e doar os órgãos… Eu quero que o meu irmão parta inteiro! Mas eu também não tenho grana pra enterro e eu me recuso a aceitar de vocês, então a alternativa é cremar!

LUZ – Nós podemos fazer o enterro, eu pago, não precisa me pagar depois! É de coração, eu te devo tanto!

SOL – Não Luz, não! Eu vou cremar, eu não posso aceitar esse dinheiro! A Xica precisa avisá-la, o Eugenio e até a Suzana, ela também gostava do meu irmão!

LUZ – Eu tô tentando desde que eu tô aqui, ninguém atende! Não vai dá pra esperar, eles precisam tirar o corpo da sala, a cremação tem começar já! Sol vem, não é o fim do mundo, ele vai fazer falta… Vamos acabar logo com uma parte do sofrimento!

Elas se levantam. Sol não fala nada, está calma, mas a ficha está caindo aos poucos. Perder seu irmão é uma coisa que nunca pensará, NUNCA.

CENA TRÊS. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. NOTE/DIA:

A música continua. A noite escura e fria dá lugar a uma manhã chuvosa. Uma chuva fina e lenta cai por toda Ilhéus.

CENA QUATRO. CASA ABANDONADA/SALA DE ESTAR. INT, DIA:

Alguns capangas de Suzana dormem em cadeiras e outros no sofá. Ela entra no local fétido e não acredita no que ver. Suzana vai até um dos homens e dá um tapa na cara dele, fazendo o mesmo despertar no susto.

SUZANA – (irônica) Meu dinheiro nunca foi bem servido… QUE MERDA VOCÊS ESTÃO FAZENDO? Eu tenho dois prisioneiros lá dentro e uma gazela correndo atrás de mim e vocês aqui, dormindo!

CAPANGA – Nós cuidados do Marcello, estamos seguindo ele para onde ele vá, estamos em alerta! Quanto aos prisoneiros, eles estão bem amarrados não fugiriam!

SUZANA – O Eugenio é indígena, ele recebeu tratamento militar do pai! Se tiver fugido eu mato vocês… Quer saber, tomará que ele tenha fugido, não vou fazer isso agora, não vou revelar tudo agora!

Suzana entra no quarto e encontra ambos amarrados e com os olhos fechados. Ela confere a pulsação de ambos, estão bem. Ela desamarra os dois, que caem no chão. Com o impacto eles acordam, tentam ficar de pé, mas não conseguem.

SUZANA – Durante a noite eu pensei muito sobre vocês e eu quero ver vocês presos assim, pelos menos não agora! Mas não pensem vocês que estão livres, ficarei na cola, e quando menos esperarem eu revelarei tudo!

EUGENIO – Não há nada para revelar, NADA! Esquece isso, suma daqui, vai viver a sua vida e nos deixem em paz!

SUZANA – Não, eu não vou sumir para sempre, eu vou volta! E sim há muita coisa para ser revelada, como o, por exemplo, o mistério da Luz Maria!

Suzana dá ordem para os capangas levarem os ex-prisoneiros pra Aldeia. Assim que eles saem, ela se taca no sofá e abre a sua frasqueira. Dentro ela pega uma passagem.

SUZANA – Uma semana em Ibiza vai cair super bem para a minha pele e vai ser nesse tempo que eu vou armar a minha vingança!

Suzana mostra um sorriso sínico no seu rosto. Ela guarda a passagem e sai da casa.

CENA CINCO. FAZENDA HORIZONTE. EXT, DIA:

Marcello sai da sede da Fazenda e entra numa Mercedes vermelha. Ele pega o celular e liga pra um amigo.

MARCELLO – Oi. Preciso de dois endereços, um de uma recém-chegada a Ilhéus, a Josefa e a outra é a Suzana, aquela cliente caloteira!

O motorista entra no carro e o Marcello pede para ele esperar. Não demora muito e ele recebe a resposta do amigo.

MARCELLO – Obrigado darling! Irei precisar da limpadora hoje, talvez eu mate de novo! Eu sei me cuidar, só é necessário um revólver, coisa que eu não tiro da cintura! Beijos.

O Marcello repassa o primeiro endereço e o carro começa a andar.

CENA SEIS. ALDEIA CALCUTÁ. EXT, DIA:

Eugenio e Xica são transportados pelos capangas da Suzana até a Aldeia. Ao chegar, os dois saem e o carro parte. Eles se olham, não tão conseguindo andar dinheiro.

XICA – Eu tô cansada dessa mulher, vamos comer alguma coisa e ir direto à delegacia, ela tava com um jeito de que iria vazar daqui… E se ela descobriu o que tinha aqui e pegou!

EUGENIO – Eu também tô cansada dela e eu também acho que tá hora disso ser revelado, temos que saber o que tem aqui! Mas vamos faz o essencial primeiro.

Eles entram na casa com dificuldade de se locomover.

CENA SETE. FAZENDA HORIZONTE/QUARTO. INT, DIA:

♪ Pills and Potions – Nicki Minaj ♪

Jurema está deitada na cama, lendo “50 de tons de cinza”. Donato entra no quarto e se senta ao lado da filha.

DONATO – Desde aquele beijo que eu não paro de pensar em você, é errado, mas você despertou uma coisa em mim! Juh, filha, eu não sei o que está havendo.

JUREMA – Agora quem não quer sou eu! Como eu lhe disse com o beijo as coisas passariam, à vontade, o desejo, tudo!

DONATO – Eu sei que você quer, está até lendo esse livro… É pra aprender mais? Eu vou lhe ensinar tudo!

JUREMA – (rir) Como se eu precisasse, enquanto você vai com a barraca, eu tô voltando com a cama! Pai é sério, você não é obrigado.

DONATO – Eu quero e você quer então eu não vejo nada demais… Nós só somos pai e filha, é amor… Um amor bom de sentir!

Eles se beijam. Ela começa a retirar a roupa e ele também. Ficando, ambos, pelados. Eles se beijam novamente e Jurema começa a beijar o corpo do pai, o desejando como sempre quis.

CENA OITO. FAZENDA HORIZONTE. EXT, DIA:

A música continua. João sai do táxi e entra pela porteira. Os trabalhadores olham para o fazendeiro e alguns arriscam a chegar perto. João está diferente, com um olhar mais endiabrado.

JOÃO – Vamos ver quem é o fracote Marcello! Cansei de ser o que as pessoas querem que eu seja, serei alguém diferente, alguém eu quero ser!

Ele adentra na Fazenda herdada pelo pai. Ao fechar a porta, um vento ecoa por todo o terreno, fazenda chuva ficar ainda mais forte.

CENA NOVE. ALDEIA CALCUTÁ/SALA DE ESTAR. INT, DIA:

Marcello sai do carro e se dirige até a porta, que se encontra aberta. Ele entra e dá de cara com a nova inimiga deitada no sofá.

MARCELLO – Em casa de índio a porta fica aberta? Não tem medo que um traficante de armas entre aqui, querida?

SUZANA – Como se eu tivesse medo de gazelas, eu só tenho medo de um bicho, as aguias! Eu vi o seu filme, estava ótimo no papel do Bambi.

MARCELLO – E você arrasou no “Piranha”, é uma pena que foi apenas uma participação, já eu fui o protagonista! Não vim aqui para falar de filmes… Quero o dinheiro!

SUZANA – O tempo já acabou? É uma pena que você esteja tão necessitado assim, eu não fazer nada, não vou pagar por armas que eu posso encontrar de graça!

MARCELLO – E porque comprou comigo se pode comprar uma falsa por aqui mesmo? Minha cara não seja escrota, eu posso ser o Bambi, mas sei usar uma arma… Tenho umas quatro mortes no currículo e eu posso ter quinta!

Marcello anda pela casa, ele passa o dedo nos moveis e percebe a poeira. Suzana se levanta e segura o pescoço do Marcello.

SUZANA – Eu tô cansada de gente que nem você. Sai da minha casa, antes que você acabe num esgoto! Meu querido não brinque com fogo, eu vai te queimar!

♪ Fogo e Gasolina – Roberta Sá ♪

MARCELLO – Vamos cantar! (cantarolando) Nós somos fogo, nós somos fogo e gasolina. Você é o fósforo e eu sou o pavio, você é um torpedo e eu sou o navio…

SUZANA – (corta/cantarolando) Você é o trem e eu sou o trilho, eu sou o dedo e você é o meu gatilho… Se nós não fossemos inimigos, seriamos ótimos amigos!

Marcello sorri para ela. Ele sai da casa e assim que põe os pés do lado de fora se benze.

MARCELLO – Deus que me livre.

Ele entra no carro e segue pro segundo endereço.

CENA DEZ. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, DIA:

A música continua. Miriam e Medeiros estão investigando o caso do Marcello e ao mesmo tempo pensando no Beni e na Suzana.

MIRIAM – É o mesmo Marcello, olha só, assim que ele chegou à Espanha ele foi preso por porte de armas, pagou a fiança e foi liberado, provavelmente pagou algo a mais do que a fiança!

MEDEIROS – A policia não comunicou o Brasil e nem os Estados Unidos, é não é só um traficantezinho! Burlou a segurança da Espanha por vinte anos até se cansar e voltar por Brasil!

MIRIAM – Não… O pai dele, Hércules morto há vinte anos, ele era militar, é de aí que vem as armas, o Beni tava certo! Olha aqui, o Hércules morreu e eles não aparentavam ter uma boa amizade.

MEDEIROS – Os policias que investigaram o caso disseram que o Marcello não aparentou remorso nenhum! Pode ter sido ele…

MIRIAM – (corta) Logo depois quem morre é a Olivia e quem investiga o caso são os mesmos policiais de antes! Ele é muito bom, mas nós somos mais!

MEDEIROS – Liga pro Juiz, já temos motivos de mais para prendê-lo!

Miriam pega o celular e sai de sala. Nesse momento, Xica e Eugenio entram na sala.

MEDEIROS – Posso ajudá-los?

XICA – Nós viemos denunciar a Suzana, ela nos sequestrou e nos botou num pau-de-arara! Ela ficou nos xingando e nos ameaçando, mas hoje nos desamarrou e disse que iria voltar!

MEDEIROS – Se ela soltou vocês, o máximo que eu posso fazer é recolher o depoimento, mais nada!

Miriam entra na sala com o telefone em mãos.

MIRIAM – Ele não atende, pelo bem da nação de Ilhéus vamos atrás desse Juiz agora, precisamos de um mandato e da ajuda da policia americana!

MEDEIROS – Eu sinto muito, mas eu não posso ajudar agora, um policial vai recolher o depoimento de vocês, temos uma prisão para realizar!

Miriam e Medeiros saem da sala. O policial entra e se senta na cadeira do Medeiros e começa a digitar o relato de Xica e de Eugenio.

CENA ONZE. HOTEL/SUÍTE. INT, DIA:

Marcello sai do carro e entra no hotel. Ignora o chamado do recepcionista, ele entra no elevador e sai no terceiro andar. Na sua mão um revolver com silenciador. Ele bate na porta e tanta o olho mágico, para não ser visto. Uma mulher abre e Marcello ergue a arma e atira.

MARCELLO – O jogo acabou pra você, Josefa.

FOCA NO ROSTO ENSANGUENTADO DA JOSEFA.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 18

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ANTERIORMENTE:

Marcello se levanta e começa a andar pela suíte. Ele pega o celular e liga pro capanga, ele pede o número da Suzana. O empregado dá, Marcello começa a discar os números. Ela atende.

MARCELLO – Olá querida, aqui é o Marcello, tudo bom? Então eu sou dono da máfia que você comprou as suas armas e você tem um pouco período de tempo pra me pagar, ou eu terei que fazer uma coisa que eu não que fazer!

***

CENA UM. CASA ABANDONADA/SALA DE ESTAR. INT, TARDE:

Suzana desliga o celular. Ela taca o mesmo na parede, seus capangas a olham. Ela se levanta pega a sua frasqueira e antes de sair olha para os mandados.

SUZANA – Fique de olho nesse filho da mãe chamado Marcello, pela voz parece ser viado, não vai ser difícil pegar uma gazela vai? E outra coisa não dorme, quando os quero no mesmo lugar que eu deixei!

CAPANGA – Sim senhora, seu pedido é uma ordem… Pretende voltar ainda hoje?

SUZANA – Talvez… Talvez eu volte!

Ela sai desfilando o seu belo corpo. Os homens olham para a bunda dela, mas logo voltam à concentração do trabalho.

CENA DOIS. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. TARDE/NOITE:

À tarde ensolarada passa lentamente até a noite fria e escura. No céu apenas uma lua nova ilumina a cidade, sem estrelas por perto.

CENA TRÊS. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, NOITE:

♪ Reza – Rita Lee ♪

Miriam está algumas olheiras. Medeiros está feliz com um sorriso estampado no rosto. Eles estão sentados lado a lado investigando as mortes.

MEDEIROS – Eu só quero saber por que aquela casa está liberada pro Marcello ficar passeando por lá!

MIRIAM – Faz dois dias, a pericia acabou… Não podemos fazer nada! O corpo do Zeca foi aberto, investigado, as partes da Luise idem. Já o Seth não teve tanta sorte!

MEDEIROS – Temos que dá um jeito de interrogar o Marcello, ele tem participação, isso é obvio! Os empregados disseram que ele tava lá, só o João não estava!

MIRIAM – Vou ligar pro Juiz e vê o que eu consigo, mas ele trabalha pro Prefeito, então eu não prometo nada! Medeiros tá difícil trabalhar aqui, tá parecendo que estamos em Brasília ou em Cidadães da Pátria!

MEDEIROS – Eu adoro o seu senso de humor! Vamos pra casa, ele não vai nos atender a essa hora, isso aqui é Brasil amor! É bom está de volta, Las Vegas é certinha de mais pra mim!

Eles se levantam e desligam as luzes saindo do lugar fechado.

CENA QUATRO. CASA ABANDONADA/QUARTO. INT, NOITE:

A música continua. Xica e Eugenio estão ali há algumas horas. Seus corpos estão dormentes, de cabeça pra baixo, o sangue não circula perfeitamente. Xica está apavorada, sua pose foi por ralo a baixo. Eugenio chorar, com medo do que pode lhe acontecer. Com seu pensamento na morte, ele começa a pensar no pai.

EUGENIO – (choroso) Eu preciso dizer a Luz que tem algo escondido de baixo da Aldeia… Algo preciso para o meu avó e para o meu pai!

XICA – Não sei por que seu pai quis abrir, não sei por que você não abriu! Será que a Luz vai querer abrir?

EUGENIO – Diferente de mim e do meu pai, a Luz é curiosa, ela vai querer saber o que tem lá… Eu também quero, mas penso que deve ser dinheiro, coisa que eu não quero!

XICA – Se for já não vale mais nada, faz anos que aquilo está ali… O pode conter de baixo de uma aldeia indígena… Que nem é mais indígena!

EUGENIO – Eu tentei continuar com a tradição… Mas os tempos são outros, não vou obrigar a Luz a se prender a uma Aldeia porque eu quero!

XICA – Eu gostei dessa sua mudança, tá mais real e menos machista! Está crescendo, demorou, mas tá crescendo… Se você pensasse assim há vinte anos, talvez nós não estaríamos aqui hoje!

Eugenio se cala. Xica volta a ficar calada. E Eugenio foca seus pensamentos no que pode acontecer com eles daqui pra frente.

CENA CINCO. DELEGACIA. INT, NOITE:

A música continua. Miriam e Medeiros estão próximos da saída, prontos para se verem livres do trabalho. Um policial grita o nome de ambos, eles olham.

POLICIAL – O Beni… Ele quer falar e disse que é importante! É sobre a Suzana!

Os delegados se olham e sorriem. Dirigem-se até a sala e ficam a espera do Beni. Ele chega e se senta na frente deles.

MEDEIROS – Espero que seja importante… Estávamos de saída! Então o que tem a nos contar sobre a Suzana.

BENI – Ela não só é forjante de armas, como também é uma distribuidora de armas! Ela compra armas antigas, nazistas e militares, principalmente as da Ditadura! A Suzana compra com um homem… Não lembro o nome!

MIRIAM – Se quer a nossa ajuda, lembre o nome dele ou então nós vamos sair pela aquela porta e amanhã você estará no presidio!

Beni olha para eles. Tenta puxar o nome da memória, ele faz força. Lembra-se de tudo, das vezes que viu a Suzana carregando caixas e caixas. Conversando com alguns homens e mulheres. O nome vem.

BENI – Teve uma vez que uma mulher foi entregar uma caixa pra ela, a gente ainda não tinha um caso! Eu tava olha pra traficante, era raro uma mulher vir entregar essas coisas e ela tocou no nome do chefe… É Marcello, Marcello é nome dele! Não sei o sobrenome!

Os delegados se olham fazendo não com cabeça. Eles pedem pros policiais levarem o Beni, ele não entende o que fez de errado. Miriam se levanta e pega um pouco de café.

MEDEIROS – Das duas uma: ou o destino é um cara muito sana pra por dois Marcellos na nossa vida, ou é o mesmo Marcello!

MIRIAM – Não podemos descartar a hipótese de ser mentira! Eu to morta de sono, eu preciso da minha cama, então amanhã eu prometo chegar aqui bem cedo e investigar isso! Se for o mesmo Marcello, eu vou amar!

Miriam sai. Medeiros abaixa a sua cabeça, pensando no que fazer. Ele chama o mesmo policial que os chamou antes.

MEDEIROS – Fica de olho no Beni, a gente não sabe se é mentira, se é verdade! Cancela a transferência dele, o queremos aqui, ele não vai pra presidio nenhum nem que isso custe o meu emprego!

POLICIAL – Pode deixar… As eleições estão chegando às coisas vão mudar!

MEDEIROS – (rir) Eu tenho esperança, quem sabe um dia! Boa noite.

O policial sai. Medeiros se levanta e desliga as luzes saindo, dessa vez sem interrupções.

CENA SEIS. HOSPITAL. INT, NOITE:

Luz e Sol estão ansiosas pelo Tito, faz horas que ninguém vem falar com elas. Depois de uma demora, um médico sai da área restrita, ele está com aquela cara de enterro que todos têm.

MÉDICO – Eu sinto muito… O Tito teve cinco paradas cardíacas, nós fizemos de tudo, mas não deu!

O mundo de Sol acabou. Ela começa a chorar, Luz tenta abraçá-la, mas é renegada. Sol começa a correr pelo hospital rumo à saída, seus olhos se enchem de lágrimas.

FOCA NO ROSTO DE SOL.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 17

FalsoHorizonte

ANTERIORMENTE:

Um táxi para em frente à Fazenda, de dentro sai uma mulher, Josefa. Ela abre o portão e anda até a porta principal. Ela toca a campainha e quem atende é o Marcello.

JOSEFA – Senti saudades Marcello, senti muitas saudades!

***

CENA UM. FAZENDA HORIZONTE/FRENTE. EXT, TARDE:

♪ Fogo e Gasolina – Roberta Sá ♪

Marcello não deixa Josefa entrar, ele sai da casa e a pega pelo braço. Eles caminham até o meio do jardim, ele a solta. Josefa mostra a maleta pra ele e a troca de olhares fica ainda mais tensa.

LEMBRANÇA DO MARCELLO:

Marcello se agacha e tira uma maleta, que estava embaixo da cama. Ele se vira pra parteira e entrega uma mala.

MARCELLO – Isso é pra você… Espere aqui no quarto, o Zeca pode está ali fora! Obrigado por fazer isso por mim.

FIM DA LEMBRANÇA:

MARCELLO – Eu te dei alguns diamantes, o suficiente pra você viver bem, precisava voltar?

JOSEFA – Eu reergui a minha vida, deixei de ser uma simples parteira, mas aguardei alguns e eles ainda estão aqui… Acontece que eu quero mais!

MARCELLO – Não têm mais, esses são os únicos que a minha mãe guardava… Ou você acha que eu irei te dar os MEUS diamantes? Pois pode voltar pro Inferno, não lhe darei nada!

JOSEFA – É aí que você se engana, eu tenho provas que você matou a Olivia, nunca te ensinaram a não mexer com fogo?

MARCELLO – (cantarolando) O nosso jogo é perigoso, menina! Nós somos fogo, nós somos fogo e gasolina!

JOSEFA – Eu tô falando sério, eu conheço o médico que te vendeu a droga, ele vai me ajudar, Marcello eu sou tão má quanto você… Não brinca comigo! (cantarolando) Você é o trem e eu sou o trilho, eu sou o dedo e você é o meu gatilho!

Eles se encaram. Marcello pega a sua carteira e entrega a ela cinco notas de cem. Ela sorri meio agradecida.

JOSEFA – Por enquanto dá pro gasto, mas eu quero diamantes e eu irei voltar!

MARCELLO – Se voltar, não saíra! Adeus darling, manda lembranças pros filhos da mãe que estão voltando! VOCÊS ME DEIXAM MALUCOS!

Josefa manda um dedo do meio pra ele e sai. Marcello se benze e entra na casa.

CENA DOIS. ALDEIA CALCUTÁ/FUNDOS. EXT, TARDE:

A música continua. Luz caminha pela Aldeia até que ela chega aos fundos, lá ela se depara com o Tito desmaiado. Vai até ele e bota as mãos no pescoço dele, ela pega o celular e tenta ligar pra Sol, mas ela não atende.

LUZ – O foi que aconteceu? Tito, por favor, acorda… Não vai ter outra saída, preciso de levar pro hospital!

Ela o levanta e nem repara na seringa ao lado dele. Ela põe o braço do amigo no seu ombro e começa a andar lentamente com ele.

CENA TRÊS. CENTRO DE ILHÉUS. EXT, TARDE:

Xica e Eugenio caminham na rua, olhando as melhores ofertas. Ele carrega a maioria das sacolas, enquanto ela apenas duas. Um carro preto para perto deles, um homem salta do carro, está mascarado, ele carrega uma arma e assusta a todos, que saem correndo. Ele corre atrás da Xica e do Eugenio, pega a Xica pelo pescoço e o Eugenio se assusta.

CAPANGA – Olha só não vai acontecer nada com a sua nega, se vocês entrarem nesse carro agora! Anda logo porra!

Eugenio entra sozinho, largando as sacolas no chão. O homem entra com Xica, ela está apavorada. Alguns tentam anotar o número da placa, mas o carro está sem. Assim que todos entram, o veiculo sai cantando pneu.

CENA QUATRO. FAZENDA HORIZONTE/SUÍTE. INT, TARDE:

Marcello tenta descansar, mas é impossível as imagens do Zeca morto veem na sua cabeça. Ele pega um copo de uísque e bebe o liquido de uma vez só. Ele se deita novamente e fecha os olhos, no mesmo momento, o seu telefone toca.

MARCELLO – Oi, alguma novidade? O que ela ainda não pagou o que deve? Eu estou na Bahia, irei resolver isso com as minhas próprias mãos, me envia uma foto da vadia!

Ele desliga, segundos depois a foto chega. É Suzana, ele sorri ao ver a foto dela.

MARCELLO – Tá na hora deu matar de novo… Eu odeio pessoa que não paga o que deve!

CENA CINCO. CASA ABANDONADA/QUARTO. INT, TARDE:

A música continua. Dois capangas entram segurando a Xica e o Eugenio respectivamente. Ao entrarem todos eles dão de cara com a Suzana. Ela sorri e vai até eles.

SUZANA – Quem diria que a vilã pegaria os mocinhos… Tá na hora do circo pegar fogo, tá na hora dos segredos serem revelados, mas antes… Temos a vingança de Suzana!

Ela anda até uma especie de pau-de-arara improvisado. Eugenio se assusta, mas Xica mantém a pose.

XICA – Voltou quantos anos no tempo? Por acaso vai nos botar aí e tentar nos matar até revelar os nossos segredos Capitã Suzana?

SUZANA – O tempo passa e você continua do mesmo jeito nojentinho de sempre… Não eu vou fazer pior, vou deixá-los sozinhos e quando eu quiser liberarei vocês, os segredos, como eu disse serão revelados, mas não sei plateia, os envolvidos precisam saber das coisas!

EUGENIO – Só não meta a nossa filha nisso, ela já sofreu demais! Foi presa por sua culpa, deveria ter vergonha na cara!

SUZANA – (ri) Até parece que a Luz vai ficar de fora, ela é o lego de tudo, as crianças… Elas são a ponto desse triângulo! CANSEI DE VOCÊS! PODEM POR ELES LÁ!

Os homens prendem os dois no pau-de-arara. Eles saem. Suzana que permaneceu mandou um beijo no ombro e depois sai, deixando os dois sozinhos.

CENA SEIS. HOSPITAL. INT, TARDE:

Luz espera ansiosamente pelo médico. Está ali já faz tempo e nada. Ao fundo, Sol vem correndo, Luz percebe sua presença, elas se abraçam.

SOL – Vim assim que recebi a sua mensagem, eu fui visitar o Beni… Enfim o que ouve o Tito? Ele passou mal, teve algum tipo de surto?

LUZ – Eu não sei, quando cheguei aos fundos da fazenda, ele tava lá estirado, desmaiado… Não sei por quê!

SOL – Droga, droga, droga! Você viu se tinha alguma coisa do lado dele, uma seringa, algo do tipo?

LUZ – Não sei, eu só reparei nele, mas acho que tinha algo sim, por quê?

SOL – Se for o que eu tô pensando, ele drogou de novo… Ele inalava heroína quando a gente era menor, já tínhamos sido adotados e ninguém sabia, só eu, eu não poderia fazer nada! Quando cresci pedi pra ele parar e ele parou até que voltou a usar, só que dessa vez injetando, mas parou de novo e parece que voltou agora!

Luz não sabe o que dizer, então abraça a amiga, que a ajudou nos melhores momentos, agora é a sua vez.

CENA SETE. FAZENDA HORIZONTE/SUÍTE. INT, TARDE:

Marcello se levanta e começa a andar pela suíte. Ele pega o celular e liga pro capanga, ele pede o número da Suzana. O empregado dá, Marcello começa a discar os números. Ela atende.

MARCELLO – Olá querida, aqui é o Marcello, tudo bom? Então eu sou dono da máfia que você comprou as suas armas e você tem um pouco período de tempo pra me pagar, ou eu terei que fazer uma coisa que eu não que fazer!

FOCA NO ROSTO DE MARCELLO.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 16

FalsoHorizonte

ANTERIORMENTE:

MARCELLO – Eu não vou sair daqui e como eu disse pro seu filho, eu repito pra você: EU NÃO SOU O MARCELLO DE VINTE ANOS ATRÁS! Zeca eu cansei de você, mas se você acha que eu lutei, matei e trafiquei pra nada, você tá enganado!

ZECA – Marcello eu não vou falar de novo, pega as suas coisas e saía daqui! Eu vou chamar a policia!

MARCELLO – Não estava nos meus planos te matar, mas eu não to nem aí! Zeca eu cansei de você, cansei de olhar pra esse seu jeito preconceituoso e eu sempre te dando carinho e você sempre dizendo a mesma coisa: “eu sou hétero!” FODA-SE! Eu sei, eu sei que você é hétero!

ZECA – (ofegante) Por favor, para… Marcello… Sai daqui!

MARCELLO – Você é que vai sair, porque eu te amei e você… O jogo acabou Zeca, pra você o jogo acabou!

***

CENA UM. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, NOITE:

Marcello retira as mãos do pescoço de Zé, o corpo cai. Marcello olha o corpo caído, olha pra Luise morta na cozinha, não sabe o que fazer. Olha pra suas mãos, está assustado. Ele se senta no sofá aflito.

MARCELLO – Pensa, pensa, dois corpos… Você já fez isso antes! Tá hora de rever velhos amigos!

Um sorriso brota no rosto dele, mas por dentro a aflição toma conta. Ele se levanta, pega o telefone e disca os números de um amigo.

MARCELLO – Eu fiz de novo… Dois corpos! Valeu, eu vou te passar o endereço!

Marcello passa o endereço pro cara. Desliga. Vai até a Luise e se agacha.

MARCELLO – Eu me esqueci do bordão… O jogo acabou pra você, Luise.

CENA DOIS. STOCK-SHOTS. DOIS DIAS DEPOIS:

♪ Rather Be – Clean Bandit (feat. Jess Glynne) ♪

Os dias vão se passando, as chuvas vêm, as chuvas se vão. O sal nasce, dorme e renasce assim como a lua.

CENA TRÊS. EUA/TEXAS, VICTORIA/CEMITÉRIO. INT, DIA:

A música continua. Um homem entra no cemitério, ele se aproxima do túmulo do Hércules. Agacha-se e pega o celular e faz uma ligação pro Marcello.

VOZ – Você foi capaz de fazer de novo? Marcello isso me dá nojo, você é uma pessoa horrível!

MARCELLO – Quem é você? Para de teatro, para de se esconder, quem é você?

VOZ – Em breve você saberá!

O homem se levanta e sai do lugar com um sorriso no rosto.

CENA QUATRO. BRASIL/BAHIA, ILHÉUS/ALDEIA CALCUTÁ/SUÍTE. INT, DIA:

A música continua. Suzana entra em seu quarto, taca a bolsa na cama e começa a se despir. Ela fica nua, entra no banheiro e começa a encher a banheira. Enquanto isso é feito, vai para frente do espelho e retira toda a maquiagem. A banheira enche, ela entra. Pega uma taça de champanhe e começa a beber.

SUZANA – É incrível como ser diva dá trabalho! Tá hora de a Aldeia Calcutá pegar fogo, tá na hora de Suzana Maria ser a vilã!

Ela continua a beber e ao mesmo tempo se banha com as águas azuis da banheira.

CENA CINCO. TERRENO BALDIO. EXT, DIA:

Tito caminha para dentro do terreno, ele está estranho, está longe da Aldeia. Ele adentra mais e acha dois homens com fuzis. Ele mostra um papel pra eles, no qual está escrito: “Poderosa, por favor!” Os homens olham a face estranha de Tito, um deles se aproxima.

TRAFICANTE – Olha aqui, ou você fala ou não vamo te dar bagulho, tá me entendo? Ou quer que eu desenhe?

Tito o olha, parece não ter medo da arma. Ele entrega outro papel, no qual está escrito: “Sou mudo, por favor, me deem a Poderosa!” Eles se olham. Um deles vai até o fundo do terreno, pega uns saquinhos e entrega pro Tito, que entrega duas notas de dez reais.

CENA SEIS. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, DIA:

♪ Combustível – Ana Carolina ♪

João adentra na casa e encontra o Marcello assistindo TV e uma mulher limpando a casa. Ele não acredita no que ver e vai até o vilão.

JOÃO – Eu saio de casa por dois dias e você trás uma macumbeira pra cá? Marcello, por favor, né? Cadê o pai, ele sabe disso?

MARCELLO – Aonde você tava? No meio da Floresta Amazônica, deu em todos os jornais…  Teve três assassinatos aqui, seu pai, a Luise e o Seth… Não sabe o quão difícil foi pra mim!

João olha para o Marcello, assustado. Ele pega o vilão pela camisa, fazendo o mesmo ficar de pé.

JOÃO – (choroso) Foi você? Você os matou… Matou o meu pai, o cara que você dizia amar!

MARCELLO – (ri) Até que o Joãozinho não é tão burro como o pai… Eu amei muito o Zé, amei mais do que eu mesmo, mais do que a Santa Eleonora, mas ele me magoo muito, ele mereceu o que aconteceu!

JOÃO – Você é mau, é um homem ruim, eu tenho nojo de você… Vou sair dessa casa e não venha atrás de mim nunca mais, sugiro que você vaze daqui, essa casa é do pai e eu não quero ver você aqui quando eu voltar!

MARCELLO – E você vai fazer o que? É UM FRACOTE! Não consegue viver sem a grana do papai, teve que vir para o Brasil a força, na verdade você tem medo de perder tudo isso aqui, porque você só tem isso!

JOÃO – Pode até ser… Mas eu não mato ninguém e eu não vou para o Inferno, não irei sentar no colinho do Diabo por causa dos meus pecados!

MARCELLO – Faça me rir, virou o Dante Alighieri? E quer saber eu adoraria sentar no colo do Diabo, ele deve ter um pinto vermelho, que ui, ADORO! Vou te dizer uma coisa que o seu pai adorava me dizer: FORA DAQUI!

João sobe as escadas e Marcello volta a ver TV, ele olha pra macumbeira e pisca o olho pra mesma.

CENA SETE. ALDEIA CALCUTÁ/FUNDOS. EXT, DIA:

A música continua. Tito entra pela porta principal, mas não visto por ninguém. Ele anda até os fundos da Aldeia, ele se senta. Pega os sacos do bolso e abre, perfeito, veio até com agulha. Ele pega e começa a aplica na sua veia, poucos segundos depois, estava desmaiado.

CENA OITO. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, DIA:

A música continua. Medeiros entra na sala e sorrir pra Miriam que retribui o sorriso. Eles se abraçam e depois rola um beijo na bochecha. Eles se sentam lado a lado.

MIRIAM – Senti saudades, e aí como foram às férias? Aprontou muito em Las Vegas?

MEDEIROS – Você chama isso de férias? Foram DOIS dias, eu não fiz nada, apenas dei uma olhada nuns cassinos, nada demais! Espero que o caso seja sério, porque se for igual ao anterior eu voltar pra Vegas!

MIRIAM – É sério, três mortes de jeitos diferentes e na mesma casa, não sabemos que foi e como ocorreu, já que a câmera da Fazenda tava quebrada!

MEDEIROS – Vai me contar como isso ocorreu ou quer que eu adivinhe?

Ela começa a contar os detalhes, Medeiros se interessa. Ele se levanta e pega um copo de café, ele volta e estende a mão para a parceira apertar.

MEDEIROS – Parece que temos um novo caso!

Ela sorri e parta a mão do amigo, ele se senta e começa a trabalhar.

CENA NOVE. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA/TARDE:

O dia passa voando, fazendo com que a tarde chegue mais rápido do que o normal. O sol chega ao topo do céu, a rua fica mais calorenta e pressa das pessoas só aumenta.

CENA DEZ. ALDEIA CALCUTÁ/SALA DE ESTAR. INT, TARDE:

Eugenio desce as escadas e encontra a Xica na sala, ele sorri. E grita pelo nome dela antes que ela saia. Eles se olham. No topo da escada, Suzana apenas observa os dois.

EUGENIO – Vem comigo até o Centro, eu preciso comprar algumas coisas aqui pra Aldeia, fiquei sabendo da situação, a coisa tá preta!

XICA – Eu vou sim! É parece que os alimentos estão cada vez mais caros e nós vivemos disso, Ilhéus tá merda!

Eles saem. Suzana desce as escadas, pega o celular e liga pros seus mandados.

SUZANA – Me encontrem no Centro, iremos pegar as primeiras vítimas! Não se esquece que não é pra atirar neles, tá ouvindo? Ótimo!

Ela desliga e sai rumo ao Centro da cidade.

CENA ONZE. DELEGACIA/SALA DE VISITAS. INT, TARDE:

Sol entra na sala e encontra o Beni, que a esperava. Eles se abraçam, ela se senta na frente dele e fica a olhar o rosto do amigo todo encardido.

SOL – Vim assim que soube que iriam te mandar pro presidio, eu precisava te ver, saber como você estava… Vejo que não toma banho!

BENI – Na delegacia não tem chuveiro, não tem nem banheiro! Eu tô na mesma sala que um cara que vive cagando, aquela porra fede!

SOL – Vai dá tudo certo, é tudo culpa daquela nojenta… A Xica tá com saudades, ela não fala nada, ela nunca fala… Mas dá pra ver!

BENI – Ela não me ama, não me ama mais e se não fosse você, eu já teria me matado! Você e o seu irmão são dádivas de Deus… Sol eu decide que vou entregar a Suzana por umas paradas!

SOL – O que ela fez?

Beni a olha e começa a contar a amiga tudo o que ninguém sabe. Sol não se espanta com as revelações, espera tudo da Suzana. O tempo da visita acaba e Beni volta pra cela.

CENA DOZE. FAZENDA HORIZONTE/FRENTE. EXT, TARDE:

Um táxi para em frente à Fazenda, de dentro sai uma mulher, Josefa. Ela abre o portão e anda até a porta principal. Ela toca a campainha e quem atende é o Marcello.

JOSEFA – Senti saudades Marcello, senti muitas saudades!

FOCA NO OLHAR DE MARCELLO.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 15

FalsoHorizonte

ANTERIORMENTE:

Todos recebem a Luz e a Suzana com um abraço. Xica e Suzana se encaram, mas acabam se abraçando. Beni ignora a Suzana e abraça a Luz. Barulho de sirene é ouvido, o Beni se assusta. A Miriam sai do carro e vai até ele.

MIRIAM – Você está preso!

Beni fica em choque e a Suzana sorri pra ele cinicamente.

***

CENA UM. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, TARDE:

João começa a descer a escadaria da Fazenda. Nesse instante Zeca começa a subir a escada e o encontra no caminho. Eles se olham e Zé segura o braço do filho.

ZECA – Aonde o senhor pensa que vai?

JOÃO – Vou sair, curtir, o ambiente aqui não está dos melhores! Aquela bicha deixa tudo muito colorido!

ZECA – Eu odeio esse seu jeito arrogante e preconceituoso! Eu tento descobrir quem você puxou…

JOÃO – (corta) Sério? Quem eu puxei? Acho que isso é bem claro né, papai?

Zé não responde. João se solta e segue o seu caminho, assim com o pai que sobe o restante dos degraus indo em direção ao seu quarto.

CENA DOIS. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. TARDE/NOITE:

♪ Fogo e Gasolina – Roberta Sá ♪

A tarde se vai lentamente e nesse mesmo clima lento a noite chega sem chuva, porém com as temperaturas lá em baixo. Em toda Ilhéus o frio predomina.

CENA TRÊS. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, NOITE:

A música continua. Luise está em casa e se depara com o Seth deitado no sofá. Ela o joga no chão e acende a lareira. Luise se senta no sofá e ergue as pernas, ela liga a TV e começa a assistir um filme.

LUISE – Um dia eu estarei casada com o Zeca, o Marcello estará morto e você será apenas um churrasquinho!

Seth começa a miar alto, atrapalhando a Luise a ver o filme. Ela encara o gato e ele continua a miar. Ela olha pra lareira e olha novamente pro gato.

LUISE – E se um dos meus planos fosse adiantado…

CENA QUATRO. ALDEIA CALCUTÁ. EXTERIOR, NOITE:

A música continua. Xica sai de seu quarto e começa andar pelo jardim. Ela vai até o lago e se agacha. Ela pega um pote e joga o pó no lago para os peixes se alimentarem. Eugenio sai da sede da Aldeia e a vê de longe e ele vai até ela e acaba assustando a mesma.

XICA – (assustada) Aí que susto! E a Luz, como ela tá? Depois de tudo aquilo e eu ainda nem fui falar com ela, ainda não deu!

EUGENIO – Ela tá bem, ainda assustada com o que viu, ela finalmente descobriu do que a mãe dela é capaz!

Ela se levanta e tropeça e quase cai no lago, mas o Eugenio a segura. Eles se olham e no mesmo momento, Suzana que espiava tudo da janela grita pra eles.

SUZANA – Toma cuidado Xica, eu não tô pra brincadeira! E eu acho que vocês sabem disso, o primeiro alvo se foi, o próximo pode ser você!

Os três se olham. Suzana fecha a janela e Xica se ajeita, ela se vira e sai de perto do Eugenio indo para o seu quarto novamente.

CENA CINCO. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, NOITE:

Luise se levanta e pega o Seth pela cabeça. Ela bota o corpo do bichano perto da fugueira e ele mia alto. Marcello entra em casa e vê a cena acontecendo, ele anda lentamente até a Luise e ela percebe a sua presença.

LUISE – É melhor dá adeus ao seu amiguinho!

MARCELLO – Não faz isso Luise, não faz!

Ela aproxima ainda mais o Seth do fogo. Marcello chega mais perto e a Luise sem pensar duas vezes taca o Seth no fogo.

MARCELLO – (grita) EU VOU TE MATAR!

CENA SEIS. ALDEIA CALCUTÁ/SUÍTE. INT, NOITE:

João chega à Aldeia, ele bate na porta e quem o atende é a Sol. Ele pergunta pela Luz e ela indica o caminho do quarto dela. João sobe as escadas e bate na porta da Luz. Ela atende e sorri pra ele.

JOÃO – Eu vi no jornal que você foi solta e que iria voltar pra casa! Eu descobri onde você mora, eu quero conversar com você!

Luz não responde, ela agarra o João e começa a beijá-lo. Ela o leva para o quarto e começa a tirar a roupa dela e depois tira do João. Ela o beija e começa a descer a sua boca até o membro dele.

JOÃO – O que é isso?

LUZ – Eu só quero que você me coma, tá bom? É só isso!

Eles se olham e João se entrega ao prazer com a Luz, mesmo pensando na Jurema.

CENA SETE. FAZENDA HORIZONTE/COZINHA. INT, NOITE:

Marcello parte pra cima da Luise, ela a pega pelo pescoço e a leva até a cozinha. Ele grita alto e o Zeca escuta, ele começa a descer as escadas. Luise apenas sorri, não acha que ele é capaz de alguma coisa. Marcello abre à gaveta e pega a faca.

MARCELLO – Numa outra história, a minha vilã preferida era a Eleonora e você sabe o que ela fez? Ela matou a cúmplice esquartejando o corpo inteiro! Acho que tá na hora de alguém fazer uma homenagem a ela!

Ele passa o dedo na faca e Luise começa a ficar assustada. Ele começa a passar a ponta da faca no pescoço dela, até que ele começa a esquartejá-la. Marcello termina e fica olha para o que fez. Zeca está assustado com tudo o que viu, Marcello o vê e eles se olham.

ZECA – O que foi isso? Marcello você ficou maluco?

MARCELLO – Não, eu tô maluco é agora mesmo que eu sei o que eu quero! Zeca eu matei o meu pai e a Olivia, matei os dois por você! Eu sou apaixonado e é assim que você me trata!

ZECA – Você é um assassino, como pode matar três pessoas?

MARCELLO – (chorando) Matando… O Hércules com um tiro, a Oliva drogando e a Luise… Você viu! As duas primeiras foram pro VOCÊ, era pra gente ser feliz, casar e criar o João! Mas você me tirou da sua casa e ainda teve a coragem de me pedir pra ir ao enterro da ovelha? Eu que sou o maluco? SOU EU!

ZECA – Eu já fiz isso uma vez e eu vou fazer de novo, saía da minha casa agora e não volte nunca mais! Você é doente, é maluco! SAI DAQUI!

CENA OITO. RESTAURANTE. INT, NOITE:

Jurema e Donato chegam ao restaurante e são recebidos pelo Maître. Eles se sentam numa mesa perto da janela e começa a conversar sobre tudo. A Griselda é o principal assunto. O garçom traz os pratos e eles começam a comer.

DONATO – Eu estive pensando no que você me disse… Você me ama e eu também te amo, mas como pai e eu não sei como podemos resolver isso!

JUREMA – Me beija quem sabe assim eu não esqueço você! Se eu tiver o meu desejo realizado, eu vou esquecer!

Donato a beija. Um beijo demorado, as pessoas olham o ‘casal apaixonado’ e aplaudem o beijo. Jurema sorri e continua a saborear o seu prato.

CENA NOVE. ALDEIA CALCUTÁ/SUÍTE. INT, NOITE:

Após um longo amor, João se levanta e caminha nu até o banheiro da suíte, ele entra no chuveiro e toma um bom banho. Ele sai e se enrola na toalha e volta pro quarto, ele bota a sua cueca e volta pra de baixo da coberta. Luz começa beijá-lo.

LUZ – (cantarolando) Descobri que te amo demais, descobri em você minha paz!

JOÃO – Eu também gosto muito de você, obrigado por me fazer feliz essa noite!

LUZ – Obrigada por realizar o meu desejo!

Eles se beijam e ficam de conchinha e acabam dormindo assim.

CENA DEZ. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, NOITE:

Marcello sorri e vai até o Zeca, eles se encaram. Zeca começa a subir as escadas e Marcello vai atrás e o pega pela camisa e o trás pra sala.

MARCELLO – Eu não vou sair daqui e como eu disse pro seu filho, eu repito pra você: EU NÃO SOU O MARCELLO DE VINTE ANOS ATRÁS! Zeca eu cansei de você, mas se você acha que eu lutei, matei e trafiquei pra nada, você tá enganado!

ZECA – Marcello eu não vou falar de novo, pega as suas coisas e saía daqui! Eu vou chamar a policia!

Marcello bota a sua mão no pescoço do Zeca e começa a sufocá-lo.

MARCELLO – Não estava nos meus planos te matar, mas eu não to nem aí! Zeca eu cansei de você, cansei de olhar pra esse seu jeito preconceituoso e eu sempre te dando carinho e você sempre dizendo a mesma coisa: “eu sou hétero!” FODA-SE! Eu sei, eu sei que você é hétero!

ZECA – (ofegante) Por favor, para… Marcello… Sai daqui!

MARCELLO – Você é que vai sair, porque eu te amei e você… O jogo acabou Zeca, pra você o jogo acabou!

Marcello pressiona ainda mais o pescoço dele. Zeca não consegue mais respira, ele olha para o Marcello, sem reação. Em poucos minutos, ele morre.

FOCA NO MORTO DE ZECA.

CONTINUA.

Falso Horizonte | Capítulo 14

FalsoHorizonte

ANTERIORMENTE:

Duas viaturas da policia chegam em alta velocidade na Fazenda. João e Luz se assustam, Jurema sai do quarto e vai até o campo vê o que tá acontecendo. Donato olha da janela do quarto, sem entender. Medeiros sai de um carro e vai até a Luz.

MEDEIROS – Luz você está presa!

***

CENA UM. EUA/TEXAS, VICTORIA/AEROPORTO. INT, DIA:

Josefa anda pelo aeroporto carregando uma mala cheia de roupas e uma maleta que contém as joias dadas pelo Marcello. Ela apreça o passo até a área de embarque. Instantes. Ela começa a subir as escadas do avião e novamente se recorda da morte da Olivia.

MARCELLO – Isso é pra você… Espere aqui no quarto, o Zeca pode está ali fora! Obrigado por fazer isso por mim.

JOSEFA – Eu tô chegando Marcello e eu quero muito mais do que joias dessa vez!

Ela sobe e aos poucos o avião começa a decolar.

CENA DOIS. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA/TARDE:

♪ Summertime Sadness – Lana Del Rey ♪

A manhã chuvosa passa rápida e com a tarde, a chuva vai embora. Ilhéus fica mais iluminada e o centro da cidade, volta a se encher de fazendeiros e moradores locais.

CENA TRÊS. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, TARDE:

A música continua. Miriam está em frente a um computador anotando tudo. Ela se levanta e começa a montar um grande quebra cabeça. Ela bota a foto do Beni ao lado da Suzana e da Xica, ela pega uma caneta azul e desenha uma linha que liga a foto da Xica a dos irmãos. Medeiros entra na sala tomando um café, ela percebe a sua presença e o encara.

MIRIAM – Você sumiu, temos que resolver esse caso logo o Prefeito tá no nosso pé, dizendo que a releição dele está em jogo! Mandei ele ir a merda… Quer saber o que eu tô fazendo ou prefere ficar tomando o seu café?

MEDEIROS – Desculpe pelo sumiço, vamos resolver sim, e sim eu quero saber o que é isso!

MIRIAM – Beni era namorado da Xica e ela era amante do Eugenio. Eugenio era noivo da Suzana, amante da Xica e amigo do Beni. Suzana e Xica eram amigas e a Suzana achou duas crianças abandonadas e com isso pediu a ajuda da Xica para cuidá-las, mas é obvio que a Xica amou mais as crianças. Resumindo tudo, o Eugenio passou a ser inimigo do Beni e a Suzana passou a ser inimiga da Xica. Quem tá sobrando?

MEDEIROS – A Luz, eu acho…

MIRIAM – A Luz não tava viva há 20 anos! Quem sobra é o Beni e a Suzana, as duas maiores vítimas disso tudo, mas e se a Suzana não for tão vítima assim. O perito foi comprado, ele tava nervoso, não sabia o que dizer…

MEDEIROS – (corta) Tá querendo dizer que a Suzana tá viva porque o Beni e ela querem se vingar?

MIRIAM – Não diria vingança, mas um acerto de contas! PORÉM eu posso tá errada e a Luz pode ter matado a mãe, mas sei lá, não me parece à opção correta!

Eles se olham. Medeiros abre a porta e grita para trazerem a Luz pra sala.

CENA QUATRO. FAZENDA HORIZONTE/SALA DE ESTAR. INT, TARDE:

A música continua. João e Jurema entram na sala, ele se taca no sofá e ela fica a olhar pra ele.

JUREMA – Eu sabia que ela não prestava, eu te disse que ficaria de olho, mas não deu pra vir aqui com tudo isso acontecendo! Mas não é só culpa minha, você não deveria ter a deixado ficar aqui!

JOÃO – Juh já foi, não posso fazer nada se ela era uma ladra ou sei lá o que… Uma coisa tem que admitir ela é bonita!

JUREMA – Sério? Vai ficar falando de uma detenta no meu ouvido? Acho que o seu pai não vai gostar de saber que você botou uma criminosa aqui dentro!

Nesse mesmo momento, Zé e Marcello aparecem na porta da casa. Marcello sorri para o João, ele segura Seth firmemente e Zeca anda até o filho. Ele se senta e os dois se olham.

ZECA – Eu também já fui assim trazendo mulheres pra dentro de casa, foi assim que eu conheci a sua mãe, (rir) mas ela era diferente!

JOÃO – O que vocês estão fazendo aqui? Não me ligou mais, achei que não quisesse mais saber da sua fazenda!

MARCELLO – Ele iria ligar pra você o mandar beber ou tratá-lo mal?  O seu pai não mereçe esse tipo de coisa!

JOÃO – E o que o meu pai merece? Você… Fala sério titio Marcello! Eu lembro que o meu pai tentava te ligar, queria pedir desculpas pelo que ele falou, o que o papai falou pra você?

Marcello encara o João com muita raiva. Zeca percebe a tensão e fica pensativo do que fazer. Luise entra e se depara com a tensão. Jurema encara todo mundo, ela beija o rosto do João e se despede.

JUREMA – Tensão demais por aqui.

Zeca se levanta e começa a subir as escadas. Luise vai atrás, mas Marcello permanece olhando pro João.

MARCELLO – Se você acha que eu sou uma pessoa fácil de derrubar você tá enganado! Eu não sou o Marcello de vinte anos atrás, eu mudei e eu sou capaz de derrubar qualquer um antes de me derrubarem! FICA ESPERTO!

Marcello beija o Seth e sobe as escadas atrás deles.

CENA CINCO. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, TARDE:

Miriam recolhe as fotos e se senta ao lado do Medeiros. Ela termina o café que acabou de pegar na cafeteira. Luz entra acompanhada de um policial, ela se senta em frente a eles.

MEDEIROS – A gente quer muito resolver isso e a gente precisa da sua ajuda! Quem matou a Suzana?

LUZ – Eu não sei, eu não sei! Eu só comprei a arma, enterrei e só… Eu só queria ter certeza de que eu estaria segura, de que a Xica estivesse segura… Eu não matei ninguém!

Miriam bate na mesa e aproxima o seu rosto e ela fica mais perto da Luz. Elas se encaram. No mesmo momento, uma mulher aparece na porta e faz o Medeiros abrir um sorriso. Ela se aproxima e a Miriam a olha seriamente, a Luz parece não acreditar no que vê. Ela se senta ao lado da Luz e é possível ver o seu rosto.

SUZANA – Ela não me matou ninguém fez isso! Parabéns Miriam você estava certa, eu tava pensando em me entregar, mas eu desisti quando já estava aqui, e eu vi você sacando tudo. Então eu fiz o que é o certo, tô aqui, me entregando.

MIRIAM – Eu sabia! Vamos lá, nos conte como foi feito esse trabalho divino.

SUZANA – Então eu precisava ver a Xica presa, eu queria que alguém botasse a arma na mão dela, mas o Beni amarelou e deu pra trás, então foi pura sorte a Luz ter comprado aquela arma… Depois foi fácil, eu botei a arma na cama da Xica…

LEMBRANÇA DA SUZANA:

Xica entra no seu quarto e vê uma arma Nazista em sua cama, ela se assusta. Xica enrola a arma num pano e sai.

FIM DA LEMBRANÇA:

SUZANA – Estava vigiando todo mundo, vi a Xica esconder a arma, a Luz agindo estranha, o Eugenio achando que tinha ganhado a sua amada de volta e os irmãozinhos ingratos, eles se lembraram de algumas coisas que eu fiz. Ouvi-os dizendo sobre um encontro pra relembrar os velhos tempos…

LEMBRANÇA DA SUZANA:

Xica, Eugenio, Luz e os irmãos se sentam na floresta e começam a se relembrar dos velhos tempos em que a Suzana não era tão fria assim. Eles marcam então de fazerem uma fugueira numa noite qualquer.

FIM DA LEMBRANÇA:

SUZANA – Aí eu botei o plano em prática, fui à floresta, mas começou a chover e eu ia voltar, mas aí eu ouvi passos então eu fiz o meu trabalhinho de escola e comecei a falar com eles e o estranho é que eles não me respondiam, deveriam está espantado com a presença do Beni…

MIRIAM – (corta) O Beni? Mas eram os cinco que estavam lá, na sua frente.

SUZANA – Isso era o que vocês deveriam pensar e deveriam pensar também que a Xica era a culpada, mas isso não aconteceu! Enfim, o Beni tava atrás de mim e não na frente, com eles… Ele tava com uma arma, mas não a arma nazista, ele atirou em mim com uma bala de festim e eles saíram de lá.

MEDEIROS – E como uma bala nazista foi parar em você?

SUZANA – Eu fiz corte em mim mesmo e depois pedi pro Beni achar a arma, ele encontrou atirou numa árvore qualquer e me deu a bala, botei na ferida e pronto! Esperei vocês me fotografarem e me botarem no carro. O Beni parou o carro quando ele já tinha saído da Aldeia e eu sai daquele lugar!

MIRIAM – Você nem foi pro necrotério? Tenho que admitir que você foi genial, mas a quantia, quanto foi?

SUZANA – Eu não revelo o dinheiro dos meus negócios, mas eu tenho as minhas economias! O que foi? Aqui não é Brasilia, mas todo mundo ama um dinheirinho a mais na conta, aprendi com a Maura Vilar!

MEDEIROS – É uma pena que forjar a própria morte é um crime escroto! Luz você tá libera e Suzana você também, não vou perder o meu tempo prendendo alguém como você, deveria ser atriz!

SUZANA – Eu sei meu bem, eu sei… Mas e o Beni, ele não vai ser preso?

♪ Fogo e Gasolina – Roberta Sá ♪

Todos a olham, confusos. Luz se levanta e encara a mãe, ela fica chocada.

LUZ – Eu não entendo você assume a culpa e agora quer que o Beni seja preso? Ele não tem culpa de nada mãe!

SUZANA – Fica quieta aí! Tudo bem não o prendem, eu vou ligar pro prefeito e dizer que vocês se negam a prender um assassino, ele tentou me matar! (finge um choro) Vocês são pessoas sem coração!

Ela se levanta. Luz fica sem entender e sai da sala, Suzana segue o mesmo caminho. Medeiros e Miriam se olham e batem na mesa juntos.

MEDEIROS – Tudo bem ele será preso, não conte nada pro prefeito, por favor! Eu queria está em Las Vegas, mas eu não posso, então vamos seguir a ordem do negocio!

MIRIAM – Eu vou prendê-lo, só espero que você não apareça nunca mais na minha frente se não eu lhe prendo por pisar no chão e eu te garanto que você vai pegar uma pena de três anos por PISAR NA MERDA DO CHÃO!

Miriam sai da sala. Suzana manda um beijo pro delegado e logo em seguida sai toda contente.

CENA SEIS. BORDEL. INT, TARDE:

A música continua. Griselda entra no bordel olhando a todo mundo, as meninas trabalhando e algumas pessoas na administração. Ela se dirige até a sala da administração e entra.

CAFETINA – Quem é você e o quer no meu território?

GRISELDA – Eu fiquei sabendo que vocês estavam precisando de alguém mais velha pra trabalhar como prostituta! Eu tenho experiência, já fui dançarina e eu tô querendo um lugar pra ficar e um sustento!

CAFETINA – Você é perfeita, as meninas vão te mostrar tudo por aqui e como funciona, seja bem-vinda!

Elas sorriem e se olham atentamente.

CENA SETE. FAZENDA HORIZONTE/QUARTO. INT, TARDE:

A música continua. Jurema está deitada lendo um livro, ela se lembra da mãe e de o que ela falou, se lembra do João e do seu pai. Uma lagrima começa a escorrer pelo seu rosto. Donato entra no quarto e sorri pra ela. Ela limpa e o rosto e o olha.

JUREMA – (nervosa) Oi pai, tudo bem? Eu tava lendo um pouquinho tentando esquecer-se do mundo… Quer alguma coisa?

DONATO – Ah tudo sim… Então, eu quero lhe convidar pra jantar, a gente vai poder falar sobre a vida… Sobre o mundo!

JUREMA – Tá bom pode ser legal!

Eles sorriem e após o Donato sai. O sorriso de Jurema permanece por todo o seu rosto e ela volta a ler o seu livro.

CENA OITO. ALDEIA CALCUTÁ. EXT, TARDE:

Todos recebem a Luz e a Suzana com um abraço. Xica e Suzana se encaram, mas acabam se abraçando. Beni ignora a Suzana e abraça a Luz. Barulho de sirene é ouvido, o Beni se assusta. A Miriam sai do carro e vai até ele.

MIRIAM – Você está preso!

Beni fica em choque e a Suzana sorri pra ele cinicamente.

FOCA NO SORRISO DA SUZANA.

CONTINUA.

E NÃO PERCA AMANHÃ, ÀS 20 HORAS, UM CAPÍTULO ESPECIAL. VOCÊ NÃO VAI QUERER PERDER.

Falso Horizonte | Capítulo 13

FalsoHorizonte

ANTERIORMENTE:

A música continua. Um homem todo de vermelho caminha pela linha do trem calmamente sem se preocupar com a morte. Ele pega uma foto do Marcello no bolso e olha atentamente pra ele.

HOMEM – Eu quero você morto!

***

CENA UM. EUA/TEXAS, VICTORIA/FAZENDA SMITH. EXT, NOITE:

♪ Combustível – Ana Carolina ♪

A chuva começa a cair em Victoria. Uma mulher caminha de chinelo pelas ruas frias de Victoria, ela segura uma mala e carrega um guarda chuva. Ela chega perto do terreno da Fazenda. Ela toca o interfone e nada, a chuva aumenta.

MULHER – Merda, filho da mãe!

Ela insiste e nada. Um carro para na rua e a janela é aberta, um homem que parecia ser um camponês grita por ela, e ela o olha.

HOMEM – (grita) Você entende a minha língua? A Família Smith viajou, todo mundo da área sabe, a senhora é de onde?

MULHER – Daqui mesmo, eu conheço os membros da família, eu fiz o parto do menino João!

HOMEM – Ah, estava presente na morte da Olivia?

Ela não responde e começa a caminhar rumo a um destino que só ela sabia qual era. O homem dá ré e para, ela olha para a janela, desconfiada.

HOMEM – A chuva tá apertando, entra aqui, eu te levo até a sua casa! Vem, você não vai querer pegar uma pneumonia aqui nesse fim de mundo!

Ela entra no carro, ainda desconfiada. Ela abre a mala e olha o conteúdo, ela pega um lenço e se seca. Aos poucos é possível ver a face dela, ela se recorda da morte da Olivia.

PARTEIRA – Mas ela só vai dormir assim, daqui a pouco ela vai acordar!

MARCELLO – Não, se ela beber um pouco mais de clorofórmio, ela só vai acordar no céu!

CENA DOIS. BRASIL/BAHIA, ILHÉUS/FAZENDA HORIZONTE/COZINHA. INT, NOITE:

A música continua. Luz entra na cozinha só de calcinha, ela abre a geladeira e começa a fazer a preparar uma Pina Colada. Neste momento, João desce as escadas e vê a luz acesa, ele vai até a cozinha e sorri ao vê-la.

JOÃO – O que é isso? Não precisa começar a trabalhar nessa hora da noite, está tarde!

LUZ – Não tô cozinhando, só estou preparando uma bebida, é Pina Colada, você que?

JOÃO – Érr… Luz o que você fez pra ser expulsa de casa? Não venha me dizer que se descobriu lésbica, porque é um desperdiço! (eles riem) É brincadeira, o que aconteceu?

LUZ – Logo estará nos jornais, o nome da aldeia é Calcutá, vai saber por que, mas tem que esperar, eu não vou contar!

JOÃO – Mulher má, eu gosto.

Ele sorri, ela termina e entrega um copo pra ele. Ele toma e pisca pra ela, ela pega o copo e sai da cozinha. Ele se senta na cadeira e termina o seu.

JOÃO – Mulheres, sempre aparecem na nossa vida!

Ele se levanta e bota o copo na pia, ele sobe as escadas e volta por quarto.

CENA TRÊS. FAZENDA HORIZONTE. EXT, NOITE:

A chuva continua a cair, raios e mais raios. Donato sai do quarto carregando a Griselda pelo braço. Ela grita e acorda todo mundo, os seus berros aumenta cada vez que o Donato se aproxima da porteira. Ele a taca a mala dela do lado de fora e a segura pelo pescoço.

DONATO – Eu te amei muito e se você acha que eu vou continuar-te aguentando, você está muito enganada! Fora daqui, sai e não volte nunca mais!

GRISELDA – (ri/grita) Ai meu deus! VOCÊ vai sem mim como? É um capacho, sempre foi… Idiota!

Ela cospe no rosto dele e ele aperta ainda mais o pescoço dela. Ao fundo, Jurema vê tudo com um sorriso no rosto.

GRISELDA – (ri/grita) VOCÊ vai viver de boquete da filhinha ou ela vai dá pro papai? Incesto é pecado, o Diabo castiga!

Ela se solta e sai da Fazenda. Ela manda um beijo para todos e berra.

GRISELDA – Mamãe ama todos vocês!

DONATO – Você tá maluca, vai se internar!

Ele se vira e caminha de volta pro quarto ignorando a filha. Griselda continua mandando beijos, até que todos voltam dormi. Ela sai com um sorriso em meio à chuva.

 CENA QUATRO. STOCK-SHOTS. EXTERIOR, NOITE/DIA:

♪ Reza – Rita Lee ♪

A tempestade só aumenta conforme as horas passam. Um lindo dia nublado e chuvoso nasce. A chuva diminui um pouco no começo do dia, mas logo volta a chover mais forte.

CENA CINCO. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO. INT, DIA:

A música continua. Miriam entra na sala com dois copos de café e entrega um para o chefe. Medeiros sorri e toma. Ela se senta ao lado dele.

MIRIAM – Eu voltei há 20 anos e descobri algumas coisas, mas nada muito importante. Sei que tem algo de baixo da Aldeia, algo que o pai do Eugenio deixou pra ele, mas ele ainda não abriu. E sei que os irmãos foram abandonados num hospital e depois fugiram, foi aí que a Suzana os achou!

MEDEIROS – Nada que ajude. MERDA! E a Luz onde essa garota tá?

MIRIAM – Até agora nada…

Um policial abre a porta e os olha, ele entrega uma foto pra eles. Foto essa na qual a Luz aparece comprando uma arma.

POLICIAL – A Luz comprou a arma Nazista que matou a Suzana e o paradeiro foi descoberto, ela tá numa fazenda perto da Aldeia. Ainda tem gente que ouve rádio… Ah temos um problema, o corpo da Suzana sumiu!

Eles se entreolham. Medeiros termina o seu café e se levanta, ele vai até a porta e olha pra Miriam.

MEDEIROS – Investiga isso pra mim, eu vou atrás dessa putinha!

Ele e o policial saem, ela pega o telefone e começa a discar os números do necrotério.

CENA SEIS. AEROPORTO. INT, DIA:

A música continua. Marcello e cia saem da área de desembarque e começa a andar rumo a saída. Ele carrega o Seth, Luise leva todas as malas e Zeca só pensa no filho.

CENA SETE. EUA/TEXAS, VICTORIA/CASA. INT, DIA:

Em uma casa não muito grande, uma mulher vestida de empregada está sentada no sofá vendo TV. Outra mulher, a mesma que foi até a Fazenda na noite anterior sai do banheiro e vai até a funcionária.

MULHER – O que está fazendo sentada no meu sofá de couro? Se recomponha, vai já pra cozinha fazer o meu café!

EMPREGADA – É que hoje a novela tá imperdível, passou na TV que a Maura vai ser sequestrada pela Sabrina e não vai ser só ela, a Andrezza também! São os últimos capítulos Dona Josefa… Desculpe.

JOSEFA – Tudo bem, hoje você vai sair mais cedo por causa da novela, mas vê se não chega atrasada amanhã… Esquece o café, vai ao meu quarto e pega a minha mala.

A empregada obedece. Josefa deita e espera a criada voltar. Após um tempo, ela volta e entrega à mala, ela vai pra cozinha. Josefa abre a pequena mala e vê todas as joias que há dentro.

JOSEFA – Esses diamantes ainda valem grana, obrigada Marcello! (decidida) Eu vou te agradecer pessoalmente!

CENA OITO. BRASIL/BAHIA, ILHÉUS/NECROTÉRIO. INT, DIA:

Miriam bota uma máscara e entra no local fétido. Ela cutuca um perito e ele se vira olhando pra ela.

PERITO – Érr… Eu não sei como, eu não sei! Eu ia me preparar pra abrir o corpo dela, mas aí quando voltei não tava mais aqui.

MIRIAM – Das duas uma, ou ela estava viva e você a ajudou ou ela foi roubada pelo assassino dela. Fica esperto você não vai querer eu na sua cola.

PERITO – Isso aqui não é uma novela, ela não pode está viva!

MIRIAM – Acho que te enganaram isso aqui é uma novela e o autor gosta de CSI, então sim, ela pode está viva!

Miriam se retira da sala e joga a máscara no lixo. O perito volta ao trabalho e ignora qualquer coisa que pode lhe acontecer, caso ele estivesse mentindo.

CENA NOVE. ALDEIA CALCUTÁ. EXT, DIA:

Beni anda de um lado pro outro, ele pega o seu celular e começa a discar os números de alguém.

BENI – Alô?! Onde você está? O que? Não você não pode fazer isso! Alô? (desliga) MERDA!

Ele desliga e taca o telefone no chão.

CENA DEZ. FAZENDA HORIZONTE/CAMPO. EXT, DIA:

Duas viaturas da policia chegam em alta velocidade na Fazenda. João e Luz se assustam, Jurema sai do quarto e vai até o campo vê o que tá acontecendo. Donato olha da janela do quarto, sem entender. Medeiros sai de um carro e vai até a Luz.

MEDEIROS – Luz você está presa!

FOCA NO ROSTO DE LUZ.

Continua.