Entre|C A N I B A I S – Penúltimo Capítulo

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 39

 

GUILLERMO (esbraveja):
Eu te mato!

Irado, parte pra cima de Ruí. Eles entram em luta corporal. Guillermo empurra Ruí para fora do quarto. Ruí quase cai da sacada. Trocam socos, Marthina tenta apartar, mas desfalece após Chantel quebrar vaso em sua cabeça.

CHANTEL:
Bate mais Guillermo! Bate mais! Você beijava a mesma boca que ele introduzia o pau!

RUÍ GUEDES:
Mentira Guillermo! Mentira!

GUILLERMO:
Tarde demais seu desgraçado!

Empurra Ruí contra a sacada, ele tropeça e tomba. Câmera lenta. Ruí caindo do 1° andar ao térreo. Ao chocar-se no chão, sangue esparrama.

CHANTEL:
Fez bem querido, o mal foi cortado pela raiz.

Fecha em cinismo de Chantel.

 

CONTINUAÇÃO DO CAP. ANTERIOR

SP – GARÇONNIÈRE COZETE – INT. – NOITE
Dinho aproxima-se de Cozete deitada de barriga para baixo na cama, monta em cima dela e lhe faz massagem.

COZETE:
Hum que delícia… Estava mesmo precisando, ando muito angustiada. Talvez seja porque brigamos.

DINHO:
Mais forte?

COZETE:
Mais por favor… Seja bruto!

Dinho abre sorriso de lado e ergue uma das sobrancelhas. Fortemente massageia costas de Cozete. Encaminha mãos ao ombro e aos poucos aproxima do pescoço.

PENSAMENTO DE DINHO:
Seja o que deus quiser!

Com fome de raiva aperta com extrema força o pescoço de Cozete.

COZETE (dificuldade em falar):
Socorro! Para! Para Dinho! Ta me sufocando!

Marcela entusiasmada sai detrás de pilar.

MARCELA:
Você vai morrer desgraçada! Continue apertando Dinho, vá!

Close-up. Mãos de Cozete puxam lençol com força. De repente, ela solta. Dinho continua a estrangulando.

DINHO:
Morreu?

Levanta-se da cama. Marcela aproxima-se do corpo.

MARCELA:
É… Parece que sim. Tome! – estende algo – Use luvas por precaução e a leve para a banheira. Não haverá crime e sim suicídio regado por álcool, drogas e sinfonia de Beethoven a exaustão!

Com sorriso estampado, liga o aparelho de som e a 5ª sinfonia de Beethoven inicia-se. Marcela aumenta o volume, faz gestos de deboche e saca pedras de craque do bolso da calça jeans.

MARCELA:
Hoje é dia de música clássica bebê!

Gargalha e toma sentido a uma porta. Para de andar durante o caminho e intrigada volta-se a Dinho acovardado.

MARCELA:
Quer convite formal? Anda! Encare a culpa! Pegue a defunta antes que ela ressuscite e corra atrás de você!

Dinho funga insatisfeito.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE MARTHINA – MADRUGADA
Marthina recupera a consciência e levanta do chão acarpetado.

MARTHINA:
Que dor na cabeça… – leva mãos à cabeça. Busca com os olhos algo no ambiente – Ruí! Cadê ele?

Com os olhos semicerrados caminha para fora do quarto.

MARTHINA (berra):
Ruí! Cadê você?! – da sacada avista corpo caído em meio a possa de sangue – Ruí? Ruí!

Com os olhos abertos, desesperada Marthina aproxima de Ruí.

MARTHINA:
Ruí o que aconteceu? Responda-me! Ruí!!

Porta de entrada é arrombada. Policiais adentram.

DELEGADO:
Conforme a denúncia, realmente houve um crime nesta residência. A senhorita está presa por flagrante!

MARTHINA:
Soltem-me! Eu não fiz nada! Me soltem/Corta para:

FRENTE DA MANSÃO
Policial conduz Marthina à viatura. Ela tenta resistir. Populares aglomeram calçada do outro lado da rua e assistem curiosos.

MARTHINA:
Eu sou inocente! Eu sou inocente!

Ela é colocada no camburão. Policiais adentram ao veiculo policial.

MARTHINA:
Eu sou inocentee!

Carro segue. Vizinhos cochicham.

SP – EXT. – MANHÃ
Takes. O amanhecer da capital paulista.

Corta para:

SP – DELEGACIA – INT. – SALA DO DELEGADO – MANHÃ
Homem de terno, cara de advogado joga papéis na mesa do delegado.

DELEGADO:
Pode me explicar o que são estes papéis? Saiba que não coleciono.

ADVOGADO:
Trata-se do alvará de soltura do detido Rogério Sampaio.

Delegado pouco satisfeito levanta da cadeira e encara advogado.

Corta para:

SELA DE ROGÉRIO
Carcereiro bate com cassetete nas grades de sela privada.

CARCEREIRO:
Acorda se não quiser sair!

ROGÉRIO:
Sair?

CARCEREIRO:
Vai responder em liberdade ao crime. Mas não comemore, ainda podemos nos encontrar!

Fecha em Rogério vibrando de felicidade.

SP – TRIPLEX SAMPAIO – EXT. – ÁREA LAZER – MANHÃ
Deitada em cadeira no deck, Séfora de óculos, chapéu, maio e canga toma banho de sol. Ela fala ao celular.

SÉFORA (celular):
Ele saiu? Mas pra onde foi? Por que não o trouxe direto pra cá? Eu não acredito! Como o advogado deveria ter insistido para que ele não fosse pra lá. Ta demitido!

Ríspida, desliga chamada.

SÉRIE DE PLANOS

A) Rogério desembarca de metrô.
B) Deixa a estação da Liberdade.
C) Anda pelo bairro.
D) Distante, emocionado avista o bar de Tereza.
E) Ele caminha para o local.

SP – BAR SABORES DA LIBERDADE – INT. – MANHÃ
Rogério cruza uma das três portas. Há poucos clientes. Tereza está de costas no balcão. Sineta é tocada. Tereza ao voltar-se ao sino presencia Rogério.

TEREZA:
É muita cachorrada você vir aqui depois de tudo!

ROGÉRIO:
Não vim clamar por perdão e nem espero que me perdoem, vim em paz me explicar. Acho que devo isso, não?

TEREZA:
Se o Lionel te pega aqui… Arranca o meu couro! Mas está bem, tenho interesse por ouvi-lo. Foram vinte anos de casados! Conversaremos lá dentro, venha!

Rogério segue Tereza para o interior. Moça posiciona-se detrás do balcão.

SP – ESC. ADVOCACIA – INT. – ESCRITÓRIO – MANHÃ
Lionel cumprimenta homem. Sentam em seqüência.

ADVOGADO:
Pois não? O que posso ajudá-lo?

LIONEL:
Quero reivindicar os meus direitos de filho ilegítimo a herança do meu pai. Há esta possibilidade?

ADVOGADO:
Mas é claro… Conte-me um pouco mais sobre o caso.

Em off, Lionel complementa.

SP – HOSPITAL – INT. – QUARTO HOLLY – MANHÃ
Médico retira sonda de Holly assistida por Miguel.

MÉDICO:
Então Holly? Ansiosa?

HOLLY:
Apreensiva! Doutor vou receber alta hoje?

MÉDICO:
Agora menina! Ah não ser que tenha gostado do ambiente, gostado da comida e da nossa companhia e queira prorrogar sua estadia aqui.

HOLLY:
Pela companhia da equipe médica, talvez. Mas agora pela comida insossa, jamais!

Risos.

MÉDICO:
Aqui está à receita médica, todas as restrições estão aí. Só me prometa uma coisa: olha quando atravessar a rua. De preferência os dois lados mesmo à via sendo duma única mão. O seguro morreu de velho!

Todos riem.

MIGUEL:
Doutor, uma dúvida: onde tiro a comanda do hospital?

Alguém entra. Revela-se Trindade.

TRINDADE:
Com relação a isso você não precisará se preocupar, meu filho. Alguém já pagou!

HOLLY:
Pai?!

DOUTOR:
Deixarei vocês a sós!

Sai.

TRINDADE:
Filha… Perdoe-me pela ausência. Estive preso no Rio. E só foi possível estar aqui graças à uma pessoa que me encontrou e pagou pela fiança.

MIGUEL:
E porque esteve preso?

TRINDADE:
A história é longa e inútil… Não devem se preocupar! Foi um mal entendido esclarecido com a ajuda duma mulher. – abre a porta – Pode entrar… – mulher atende – Esta é a mãe de vocês: Virgínia Prado.

Mulher branca, alta, aproximadamente cinqüenta anos, mas conservada pela plástica. Distinta de cabelos castanhos escuro, fios lisos e corte chanel.

VIRGÍNIA:
Como vão? Imagino que se passam milhões de coisas em suas cabeças que serão esclarecidas com o tempo. Prometo a vocês – pausa emocionada – meus filhos! – Miguel indignado deixa o local – Disse algo de errado?

HOLLY:
Dê tempo ao tempo, o meu irmão é muito ressentido pelo que fez.

VIRGÍNIA:
Paciência… Esperei por este encontro por mais de vinte anos, posso muito bem esperar por mais tempo.

Trindade dá três ‘tapinhas’ no ombro de Virgínia.

Corta para:

SP – RUAS/MOTO VESPA – EXT. / INT. – MANHÃ
Miguel pilota motocicleta pelas vias da cidade enquanto emocionado não contém lágrimas.

FLASHBACK – Há 18 anos atrás, Miguel de apenas dois aninhos assistia a mãe sair de casa.

SP – SOBRADO TRINDADE – INT. – NOITE
Miguel brinca com peças de lego na cama. Virgínia, de cabelos cumpridos, arrumava roupas em malas, Trindade chega ao local sem barba e com visual despojado.

TRINDADE:
O que está fazendo querida? Pra que servem estas malas?

VIRGÍNIA:
Trindade, estou saindo de casa. Não dá mais! Estou esgotada! Atingi o meu limite!

TRINDADE:
Não pode estar falando sério… Está fora de si!

VIRGÍNIA:
Estou completamente lúcida Trindade! Não ouse em me relar ou tentar impedir-me! O que você fez é desumano, supera o mau caratismo! Não tem alma? Destruiu a vida duma mulher!

TRINDADE:
Não tive a menor culpa pela morte da Alexandra Castiel! Só cumpria o meu trabalho de paparazzi! Fui pago! Era a minha tarefa segui-la!

VIRGÍNIA:
Foi armação e você sabia! Foi cúmplice! Não quero compactuar com o crime!

TRINDADE:
Querida, ganhei muito dinheiro… Podemos ter uma vida confortável, sair deste bairro, morar bem num residencial de categoria! Dar aos nossos filhos a melhor educação, temos melhores condições agora!

VIRGÍNIA:
Ou você devolve o dinheiro e conte toda a verdade à imprensa ou saio agora por esta porta somente com as malas e a roupa do corpo e nunca mais ouvirá falar de mim!

TRINDADE:
Me envolvi com gente rica, donos do dinheiro, estou entre canibais, não posso enfrenta-los. Sinta-se a vontade para sair. A porta já está aberta.

Virgínia decepcionada consente. Acaricia Miguel e com duas malas em mãos aproxima-se de berço. Holly de apenas um aninho dormia tranquilamente.

VIRGÍNIA:
Realmente esta foi a sua decisão?

Trindade balança a cabeça dizendo ‘sim’. Frustrada, Virgínia sai. Trindade senta na cama e retira brinquedo de Miguel.

TRINDADE:
Dinheiro move o mundo, meu filho. Sem dinheiro você é apenas um número da estatística da pobreza. Aprenda e dê valor!

FIM DE FLASHBACK

Miguel continua a pilotar moto.

SP – SOBRADO DUARTE – INT. – SALA DE JANTAR – MANHÃ
Tereza serve café em xícara à Rogério sentado a mesa. Ela senta próxima dele.

TEREZA:
Café passado, cuca na mesa o senhor faz exigência de mais alguma coisa?

ROGÉRIO:
Não seja sádica Tereza, vim em paz. Confesso a você que atropelei sim a namorada do nosso filho, mas aquele pentelha mereceu, meteu o nariz onde não foi chamada.

TEREZA:
Se não fosse a Holly você ainda estaria brincando com os meus sentimentos. Os meus e do Lionel!

ROGÉRIO:
Juro que não foi por safadeza. Não sou homem de amantes, nunca traí a minha primeira esposa.

TEREZA:
Em compensação arranjou logo duas! Se não é safadeza que nome se dá?

ROGÉRIO:
Trauma! Quando a minha primeira mulher faleceu, fiquei muito só. Arrasado! Fiquei sem brio, foram dias e noites de solidão. Morava numa casa enorme, ela infelizmente não me deu filhos, gostava de cuidar pessoalmente das coisas, limpava, fazia comida, dispensava empregados. Tinha paixão por ser dona de casa. Quando se foi, não tinha com quem contar. O silencio me irritou a ponto de tentar suicídio e graças a Séfora, na época funcionária da minha editora, acabei por ser salvo e retribui com amor e carinho. Mas por medo dela também me deixar e eu novamente ficar na mão, optei por arranjar uma segunda esposa. Foi aí que nos conhecemos e bateu algo tão forte quanto sentia pela Séfora.

TEREZA:
Sinto muito pela morte da sua primeira esposa.

ROGÉRIO:
Vou cumprir com as minhas responsabilidades, vou colher as conseqüências dos meus atos não fujo da raia. Só não pinte a imagem dum homem insensível, coisa que não sou.

Corta rápido para:

HALL DE ENTRADA
Lionel adentra a casa. Coloca chaves em claviculario artesanal na parede, intrigado por ouvir vozes caminha-se a…

SALA DE JANTAR
Flagra Rogério sentado próximo a Tereza, tomando café e comendo pedaço de cuca.

LIONEL:
Não creio no que estou vendo! O que esse cretino faz aqui?!

Aflita, Tereza levanta-se. Rogério esbugalha os olhos.

SP – MANSÃO CASTIEL – EXT. – FRENTE – MANHÃ
Miguel retira capacete, põe na moto e posiciona-se para a fachada. Bate palmas.

MIGUEL (berra):
Marthinaa!

Toca campainha intensamente. Senhora idosa com cachorro de pequeno porte aos braços aproxima-se de Miguel.

SENHORA:
Ta procurando a moça da casa?

MIGUEL:
Sim… A senhora saberia me dizer se está em casa?

SENHORA:
É namorado dela?

MIGUEL:
Minha cunhada.

SENHORA:
Não soube o que houve? Foi presa ontem! Acusada por assassinato.

MIGUEL (incrédulo):
A Marthina?

SENHORA:
Se este é o nome dela eu não sei, mas que vimos um cadáver sendo carregado, a vizinhança toda é prova.

Fecha em Miguel perplexo.

SP – DELEGACIA – INT. – SALA DE DELEGADO – MANHÃ
Com as mãos sob a mesa a frente do delegado, policial solta as algemas de Marthina sentada angustiada.

MARTHINA:
Eu não matei aquele homem! Eu sou inocente!

DELEGADO:
Acontece senhorita que foi pega em flagrante. Estava em cima da vítima!

MARTHINA:
O senhor tem que acreditar em mim! Não fui eu! Recebi uma pancada forte na cabeça e quando retomei a consciência vi o que haviam feito com o Ruí! Fiquei atordoada, transtornada! Ele morava comigo/

DELEGADO:
… Relacionavam-se?

MARTHINA:
Não… O Ruí sempre foi muito integro! Apesar da minha insistência, sempre resistiu. Não teria problema algum em confessar o crime, mas não posso responder por algo que não fiz! Não fui eu!

GUILLERMO:
Ela tem razão seu Delegado.

Afoito, ele invade o local.

DELEGADO:
Quem é o senhor?! – levanta-se – Quem o deixou entrar e por quê?!

GUILLERMO:
Eu empurrei o Ruí Guedes e ele caiu! Mas foi por legítima defesa!

MARTHINA:
Pai?!

Corre abraça-lo.

GUILLERMO:
Perdão minha filha, perdão por não ter vindo antes!

Emocionados, continuam abraçados. Delegado faz sinal ao policial, com algemas homem interrompe abraço. Guillermo estende os braços e policial lhe prende.

SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – SUÍTE DINHO – MANHÃ
Abaixada próxima da cama, Séfora utiliza-se da mão direita para acariciar Dinho adormecido. Com a esquerda segura algo atrás das costas.

SÉFORA (sussurra):
Ta na hora do mal ser cortado pela raiz querido… Ela acaba de ser solta. Tome! – põe na mão dele objeto que escondia – Mate a Marthina e me trague a língua dela!

Dinho ainda sonolento apanha faca. Descamisado, senta na cama. Eles se entreolham.

SP – SERRA – EXT. – MANHÃ
Helicóptero sobrevoa local onde caiu aeronave de Alexia e Vitório. Equipes de bombeiros buscam em terra pelas matas os sobreviventes. Vestígios do acidente são nítidos. Ainda há fogo e fumaça. Bombeiro jovem com facote corta cipós que impedia seu caminho e distante avista algo que lhe deixa boquiaberto.

BOMBEIRO:
Sargento, sargento! Eureca! Encontrei!

Homem mais velho, de bigode e com farda diferente aproxima-se.

SARGENTO:
Duas vítimas… E parecem vivas!

Mostram-se Vitório abraçado com Júnior, inconscientes no chão em meio aos escombros.

Dissolve para:

SP – CEMITÉRIO – INT. – MANHÃ
Luiza amparada por Clarisse em meio a algumas pessoas que acompanham o caixão à sepultura. A Maioria vestem roupas pretas/Corta para:

ESTACIONAMENTO
Clarisse e Luiza finalizam abraço.

CLARISSE:
A senhora tem certeza de que não que ir lá pra casa dona Luiza? É uma residência simples, pouco luxo, mas de conforto necessário. Ou eu poço muito bem lhe fazer companhia na mansão Burlamaqui.

LUIZA:
Pra lá não volto Clarisse! Teria péssimas lembranças… Para o apartamento do Caio eu também não vou. Sinto-me culpada pela sua morte. Eu criei o plano mirabolante de justiça.

CLARISSE:
E ele topou! Foi obrigado?

Luiza faz que não. Celular toca.

LUIZA:
Só um instante Clarisse, é da delegacia. – atende ligação – Alô? (T) Sim é ela… (T) Como assim?! Encontraram eles vivos?

CLARISSE:
Eles quem dona Clarisse?!

Luiza afasta aparelho da boca.

LUIZA:
Encontraram com vida o Vitório e o Júnior!

CLARISSE:
E a dona Alexia?!

Luiza retorna ao celular.

LUIZA (celular):
E a mulher?! Foi encontrada?! – p/ Clarisse – Não, a minha irmã ainda não e espero que assim seja. Com a Alexia morta, o mau estaria cortado pela raiz.

SP – SOBRADO DUARTE – INT. – SALA DE JANTAR – MANHÃ
(CONT.)

Lionel com ódio perceptível nos olhos encara Tereza e Rogério. Tensos, estão de pé.

TEREZA:
Apesar de estar com sangue quente e ter motivos de sobra para estar enfurecido, Lionel o Rogério continua sendo o seu pai, é o sangue dele que percorre por todo o seu corpo!

ROGÉRIO:
E não admito que me destrate desta forma! Quer você queira quer não está debaixo do meu teto! Exijo respeito, não peço amor e perdão! Como o responsável por ter lhe botado neste mundo, quero respeito!

LIONEL:
Pra ter respeito, aprenda a dar! Como posso abaixar a cabeça e reverenciar o homem que quase tirou o amor da minha vida? O homem que por mais de vinte anos manteve duas famílias? Sem elas saberem… Não dá! Não tenho saco! Não estou disposto! – p/ Tereza – E você… Que mulher mais vulgar você se saiu!

Tereza acerta forte bofete no rosto. Close-up em Lionel irado.

LIONEL:
Como pode defender este traste? Depois de tudo que fez! É desespero por homem na cama?

ROGÉRIO:
Ah… Passou dos limites! Na minha frente você não ofende a sua mãe de forma alguma!

Avança em Lionel pela gola da camiseta. Lionel resiste, mas Rogério o derruba no chão.

TEREZA:
Socorro! Para Rogério, para! Rogério?

Prestes a socar Lionel, Rogério montado no filho, sente mal estar. Repentinamente, põe mãos no peito, tonteia e desfalece, deitando ao lado de Lionel no chão.

LIONEL:
Pai? Pai! – ampara-o – Pai acorda! Pai me responda! Pai!

Tereza aos prantos. Close-up em Lionel desesperado.

intervalocomercial

SP – APART. OLIVER – INT. – SALA DE JANTAR – MANHÃ
Oliver toma café da manhã e assiste distante da televisão: telejornal.

ÂNCORA DO JORNAL (apresentando):
E a classe artística amanheceu em luto. Três amantes das artes nos deixaram na noite anterior. Além do assassinato do ex-galã de novelas Ruí Guedes e do jovem cineasta Caio Reis, a conhecidíssima atriz Cozete Ramos Correa de 58 anos foi encontrada morta afogada em banheira de apartamento. Estava sozinha. Há suspeita que ela tenha sofrido uma overdose. No local haviam centenas de pedras de craque e também muitas bebidas alcoólicas. Os vizinhos só suspeitaram porque o som alto varou a madrugada. O laudo da perícia ainda não foi finalizado. Colegas da atriz comentaram o caso, vejam!

Interfone toca. Oliver levanta-se resmungando.

OLIVER:
Droga! Isso é hora! – atende – Oliver Toledo, diga rápido que estou ocupado!

Corta rápido para:

PORTARIA
Oliver sai do elevador e caminha em passos acelerados em direção a um casal acompanhado por porteiro.

PORTEIRO:
Lá vem ele!

Oliver aproxima-se.

OLIVER:
Obrigado, pode ir… – porteiro faz de agradecido e sai – Pois não?

MULHER:
Oliver Toledo?

OLIVER:
O próprio!

MULHER:
Você pode assinar estes papeis?

OLIVER:
Depende do que se tratam. O que são?

MULHER:
Convocação para comparecer a uma audiência no fórum de justiça de São Paulo em virtude do processo de guarda expedido pelo requerente Teófilo Toledo. Tinha conhecimento?

OLIVER:
Não… Só soube agora… Estou surpreso.

MULHER:
E o requerente? É do convívio familiar?

OLIVER:
Meu filho… O meu próprio filho contra mim.

SP – HOSPITAL – EXT. – FRENTE – MANHÃ
Ambulância aproximando em alta velocidade e com sirene ativada. Estaciona de qualquer jeito na entrada de emergência. Socorristas saem e carregam homem em maca. Revela-se ser Rogério desfalecido. Lionel deixa automóvel e segue junto dos profissionais.

LIONEL:
Vai ficar tudo bem pai… Tudo bem!

Ligeiramente adentram ao interior.

SP – EXT. – TARDE
Takes. Bandeira do estado de São Paulo hasteada no alto do edifício Altino Arantes. Imagens dos edifícios próximos. Panorâmica do bairro Jardins. Último take. Edifício de Biel, Hanna, Jhony e Téo.

Corta para:

SP – ED. JHONY – INT. – ELEVADOR – TARDE
Jhony fala ao celular enquanto aguarda chegar ao andar.

JHONY (celular):
Como assim? O Téo quer tomar de você a guarda judicial do Bernardinho? Isso é possível? Mas ele não tem a menor condição de responder pelo irmão. É solteiro, não possui residência própria, é proprietário duma boate… Reprova em todos os requisitos! Você ganha por W.O!

VOZ DE OLIVER:
Só se esqueceu do crucial: estou desempregado e falido!

Elevador chega ao destino. Jhony ao sair encontra-se no corredor com Hanna trancando uma porta e acompanhada por Martín.

HANNA (receosa):
Olá Jhony, como vai?

JHONY (ríspido):
Estava bem até descobrir a mais nova asneira do seu noivo!

HANNA:
Qual foi a mais nova obra do Téozinho?

JHONY:
Quer tirar o direito do pai em cuidar do irmão! Acha justo?

HANNA:
Ele tem lá os motivos dele e quer saber mais? Apoio! Que futuro uma criança de dez anos teria sendo criada por homossexuais?! Certamente cresceria com a mesma coceira no ânus igual ao pai!

Jhony tenta conter risada e manter-se sério, mas é inevitável e solta gargalhadas.

JHONY:
Você é tão burra que chega a relinchar! – encarando – Querida, o Téo não é muito diferente do Oliver e em certos pontos até se assemelham. Perdeu a memória e não se recorda com quem fui casado? – retira chave do bolso da calça e abre porta – Antes homossexual assumido do que enrustido. Inclusive hoje sai o divórcio. O seu noivo nunca me deu tanto prazer como me dará! Com licença?

Adentra ao apartamento. Corte rápido para o interior:

SP – LOFT JHONY – INT. – HALL DE ENTRADA – TARDE
Jhony fechando a porta enquanto fala ao aparelho móvel.

INTERCALA COM:
SP – APART. OLIVER – INT. – SALA DE ESTAR – TARDE
Oliver deixa copo de whisky em mesinha de centro e levanta-se angustiado da poltrona.

OLIVER (celular):
Gritava com quem? Não ouvi direito!

JHONY (celular):
Oliver você não vai acreditar quem eu esbarro chegando em casa: a Hanna com aquele médico!

OLIVER:
O Martín Abadalla?

JHONY:
Exatamente! E pelo que vi o médico não parecia ter acordado cedo e vindo pra cá. Tenho pra mim que ele dormiu lá no antro da sirigaita!

Fecha em Oliver surpreso.

SP – LAVANDERIA – INT. – TARDE
Téo com sorriso simpático aproxima-se de balcão. É atendido por mulher negra de beleza atraente, uniformizada com avental.

TÉO:
Olá… Vim buscar as minhas roupas, desde ontem fiquei de vir, mas houve um imprevisto e acabei por esquecer. Desculpa…

Atendente cruza porta e retorna em mãos com cesto de roupas. Põe sob o balcão.

ATENDENTE:
Lavadas, secadas e passadas! – sorriem – Seu Téo, foi encontrado algo durante a lavagem de suas roupas. – busca algo no avental – Não sentiu falta?

Evidencia a ele.

TÉO:
A minha aliança de casamento…

Toma das mãos da moça.

MOÇA:
A sua esposa não reclamou?

TÉO:
Esposa? – constrangido ri – Não… Me divorcio DELE hoje! Quanto ficou?

Moça desconcertada busca nota no caixa. Téo com olhos lacrimejados continua a admirar aliança.

SP – LOFT BIEL – INT. – LIVING ROOM – TARDE
Biel no sofá assiste à televisão. Porta de entrada é aberta, mostra-se Madame Micheline com sacolas de lojas chiques em mãos. Ela fica surpresa ao ver Biel.

MADAME MICHELINE:
Em casa? Que novidade é esta Gabriel? Desde que voltei de Paris isso raramente aconteceu.

BIEL:
Não estou com a menor disposição em sair vovó. Digo, madame Micheline.

Madame Micheline aproxima-se dele.

MADAME MICHELINE:
E tem motivo? Já sei! – senta-se no sofá – Ainda não se recuperou do término de noivado com a Cléo? Meu neto… Você é um Correia Bastos. Não deve abaixar a cabeça jamais! E diante dos últimos acontecimentos envolvendo a família daquela moça, até prefiro você encalhado! É bonito e rico, basta um estralar de dedos para que a mulherada caia em seu colo.

BIEL:
Nunca estive noivo da Cléo. Tudo não passou duma farsa! – levanta-se – Eu sou gay!

Fecha em Madame Micheline atônita.

SÉRIE DE PLANOS

TRILHA SONORA – TEMA DE JHONY E TÉO

A) Jhony estaciona automóvel em estacionamento do cartório. Por coincidência, Téo ocupa vaga ao lado. Ao deixarem veículos, eles se entreolham.
B) No interior do cartório, Jhony e Téo aguardam no saguão sentados distantes, mas na mesma fileira. Jhony e Téo observam um ao outro, mas disfarçam.
C) São chamados por jovem rapaz de óculos. Jhony e Téo seguem ao extenso corredor.
D) Homem aparentemente 48 anos, de terno e gravata, entrega papéis aos rapazes sentados um do lado do outro a frente à mesa.
E) Lêem atentamente as milhares de letras e assinam receosos.
F) Agradecidos, cumprimentam o homem. Frente a frente, Téo estende a mão direita. Jhony olha, contém emoção e cumprimenta Téo. Entreolham-se.

A música cessa.

SP – LOFT BIEL – INT. – LIVING ROOM – TARDE
(CONT.)

Madame Micheline suspira profundo e levanta-se. Constrangido, dá as costas.

MADAME MICHELINE:
Gabriel? Eu sempre soube! Não desconfiava, tinha plena certeza! Nunca me enganou.

BIEL:
E mesmo assim não me deserdou como ameaçava em fazer por quê?

MADAME MICHELINE:
Queria ver até onde era capaz em levar adiante o falso noivado… O seu maior erro foi ter mentido pra mim. Compreendo que temia em perder a mamata mas podia ter confiado na sua avó. Me confrontado, sabe!

BIEL:
Não vai me interditar…? Internar-me numa clinica…?

MADAME MICHELINE:
Não… – abraçam – Te aceito do jeitinho que é! Mas com uma condição…

BIEL:
Fala que eu te escuto vó!

MADAME MICHELINE:
Não me venha a ficar com homem pobre e feio! Tenha critério de escolha meu neto! Via se derreter por cada tipo… Seja seletivo!

Risos.

SP – COBERTURA CASTIEL – INT. – SUÍTE CLÉO – NOITE
Cléo a frente do computador compenetrada navega pela internet. Celular toca ao lado do monitor. Ela atende a chamada.

CLÉO (celular):
Alô? (T) Diretor?! Pode falar sim! (T) – levanta-se perplexa – Quer que eu protagonize a novela no lugar da Marthina?

VOZ DE HOMEM (celular):
Sim ela desistiu. E você era a nossa opção desde o início. O seu teste foi fantástico. Aceitaria retornar à produção?

CLÉO (celular):
Mas é claro! Sinto-me envaidecida!

VOZ DE HOMEM (celular):
Ótimo… Estaremos lhe aguardando amanhã no estúdio. Os workshops já iniciaram, vai precisar dedicar-se. Protagonizará uma novela do horário nobre!

CLÉO (celular):
Mais do que isso! Vou realizar um sonho!

VOZ DE HOMEM (celular):
Há somente um detalhe que preciso esclarecer antes de ser confirmada. Sobre a sua suposta gravidez, procede? Realmente está grávida? Caso esteja infelizmente não seria possível.

Andando pelo quarto, Cléo para diante do enorme espelho no closet.

CLÉO (celular):
Não, não estou grávida! A menstruação atrasou, comentei por alto e o resultado… Está em todas as bancas. Mas a notícia é infundada, não é verídica. (T) Então nos vemos amanhã! Estarei sim… Tchau diretor… – desliga aparelho e exibe barriga – Acho que já viveu demais… – cutuca com dedo – Você não vai me atrapalhar, ouviu? Não vai!

Corta para:

SP – LOFT BIEL – INT. – LIVING ROOM – NOITE
Biel pretérito levanta-se do sofá.

BIEL (celular):
Sua louca! Amiga, não faça isso! O Miguel nunca vai te perdoar!

INTERCALA COM:
SP – CLINICA CLANDESTINA – EXT. – FRENTE – NOITE
Cléo desce do táxi. O local é sombrio e em meio a mato, distante da rua há sobrado mal iluminado.

CLÉO (celular):
Não volto atrás nem que a porca entorte o rabo! Vou abortar e tenho dito!

Desliga telefone e segue destemida à construção.

SP – DELEGACIA – EXT. – FRENTE – NOITE
Marthina deixa o prédio e caminha a calçada. Prestes a atravessar a rua, vemos motoqueiro misterioso acelerando moto. Abre o semáforo para pedestres, Marthina põe pés na faixa. Motoqueiro vai a sua direção. Estacionando moto, Miguel flagra.

MIGUEL (desesperado):
Marthinaa!

Luz dos faróis da motocicleta reflete nos olhos de Marthina. Close-up alternado entre Marthina, Miguel e motoqueiro de capacete literalmente negro.

TRILHA SONORA – TEMA DE MARTHINA E MIGUEL

CORTA PARA:  ÚLTIMO CAPÍTULO SEGUNDA-FEIRA

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Antepenúltimo Capítulo

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 38

 

ALEXIA:
Ia me usar?

CAIO:
Só iria provar do mesmo veneno. E não seria difícil a proeza, é uma mulher fácil, vulgar. Capaz de deitar com qualquer homem em troca de cifrões!

Pelas costas de Alexia, Luiza pouco distante apanha pedra do chão e acerta Alexia.

ALEXIA:
Ai…

Distrai ao olhar para trás, Luiza se esconde e Caio avança em Alexia. Ele tenta retirar revolver da mão dela, mas Alexia resiste firmemente.

ALEXIA:
Não… Largue! Isso me pertence!

CAIO:
Solta maldita! – com ênfase – Solta!

Ouve-se disparo acidental. Alguém é ferido. Alexia e Caio atônicos. Clarisse e Luiza boquiabertas. Close-up. Olhos esbugalhados de Alexia e Caio.

 

CONTINUAÇÃO DO CAP. ANTERIOR

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE MARTHINA – NOITE
Ruí Guedes fotografa Marthina nua na cama com Guillermo dopado sem roupa.

MARTHINA:
Estão ficando boas?

RUÍ GUEDES:
Perfeitas! Photoshop nesta situação torna-se dispensável!

MARTHINA:
Tire mais, tire. To pegando gosto!

Posiciona Guillermo de modo que pareça estarem dormindo de conchinha. Vários fleches são disparados.

SP – RUA QUALQUER DO SUBÚRBIO – EXT. – NOITE
(CONT.)

Em meio ao local deserto de pessoas, Clarisse e Luiza estão abraçadas apavoradas. Alexia e Caio mantêm-se de pé. Close-up. Apreensão nítida nos rostos de Alexia e Caio. Ele aos poucos cerra os olhos.

CAIO:
Você me feriu…

Tonteia. Luiza intrigada.

LUIZA:
Caio…? Caio!

Desnorteado Caio segue em direção a Luiza.

CAIO (ofegante):
Eu amo você! Quisera eu ser o pai do seu filho.

Baleado no peito, lentamente vai desfalecendo, caindo ao chão. Transtornada Luiza o ampara.

LUIZA:
Caio… Meu amigo acorda, levanta-se! Acorda Caio… Abra os olhos… Ainda temos muito pra fazer e quem sabe até fiquemos juntos! Fala comigo, por favor… Por favor!

CAIO:
Seja feliz…

Ultimo suspiro indica a morte. Batimentos cardíacos não são mais sentidos por Luiza.

LUIZA:
Caio? Caio!! – confere os pulsos, não há sinais vitais – Não… Não!

CLARISSE:
Ele está morto dona Luiza?

LUIZA (desesperada):
Morreu Clarisse… Morreu!

O choro é intenso. Luiza escora cabeça sob o peito de Caio, morto. Alexia foge despercebida.

SP – COBERTURA BORBA – INT. – SALA DE JANTAR – NOITE
Chantel janta sozinha diante a extensa mesa. Celular vibra. Ela verifica.

CHANTEL:
Mensagem há essa hora? E dum número privado? Será o Guillermo?!

Abre a mensagem. Close-up no espanto de Chantel.

CHANTEL:
Não… Não pode ser! Não pode ser verdade! – levanta-se perplexa – Isso não… Isso não! – derruba louças da mesa no chão – Não é real é montagem! O Guillermo deitado na cama com a Marthina? Jamais! – arremessa celular em espelho que se espatifa – Jamais!!Isso não pode acontecer, não pode ter acontecido. São pai e filha! Que merda eu fiz?! Sou a culpada! Não! – joga-se no chão transtornada – Pai e filha transaram, que horror! Que culpa!

Permanece histérica no chão escorada no canto de parede.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SALA DE JANTAR – NOITE
Marthina e Ruí sentados no chão, brindam com taças de vinho a frente de lareira.

RUÍ GUEDES:
E agora? O que faremos com ele?

MARTHINA:
Não sei, mas alguma coisa farei…

RUÍ GUEDES:
Quero só ver a Chantel confessar que alterou os exames de DNA pra você não ser a filha biológica do Guillermo. Quero ver como vai se explicar a ele!

MARTHINA:
Os culpados pela morte da minha mãe enfim são condenados. Faltará apenas a sua sentença querido Ruí.

RUÍ GUEDES:
Vai se vingar de mim? Diz que é brincadeira!

MARTHINA:
Relaxa só falei para descontrair o ambiente, não sente ele carregado por negatividade? Apesar de resistir e não querer me comer, estamos juntos entre canibais. Jogamos o jogo em dupla. – senta no colo de Ruí – Por acaso você é gay? Se for, posso curá-lo. Possuo a fórmula.

RUÍ GUEDES:
Tenho a idade do seu pai, ficar com você me causaria a impressão de estar transando com a minha filha Nanda inclusive um ano mais velha do que você menina.

MARTHINA:
Não vai saber se não tentar… – rebola no colo de Ruí – Não vou me dar por satisfeita… Se o receio for pelo tamanho – gesto de pequeno com os dedos – Aproveita, to pouco exigente.

Rouba beijo de Ruí. Ele corresponde, mas aflito para e, afasta.

RUÍ GUEDES:
Vai me perdoar e se contentar, mas não dá!

Recebe forte bofetada de Marthina. Tomada pela ira, levanta.

MARTHINA:
Brocha!

Segue à escadaria/Corta para:

SUÍTE
Marthina ao apanhar perfume da penteadeira arremessa no chão.

MARTHINA:
Tolo! Há sua hora ainda vai chegar!

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – EXT. – FRENTE – NOITE
Automóvel em alta velocidade invade propriedade, levando o portão de ferro maciço consigo.

Corta rápido para:

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – LIVING ROOM – NOITE
Vitório com copo de whisky na mão levanta de poltrona assustado com o estrondo.

VITÓRIO:
Que barulho foi esse?!

Verifica-se pela janela/Corta para:

HALL DE ENTRADA
Alexia eufórica adentra. Vitório aproxima-se aflito.

VITÓRIO:
Querida?

ALEXIA:
Arrume as suas coisas Vitório, pegue tudo que puder levar! Vamos viajar!

Dirige-se a escadaria.

VITÓRIO:
Viajar?! Duma hora pra outra?! Que foi? O Estado Islâmico já atacou o Brasil? O Temer assumiu a presidência do país? Dilma renunciou? O que houve?!

ALEXIA:
Algo muito pior, muito terrível e muito prejudicial aos nossos negócios: a Luiza está viva!

Close-up em Vitório atônito. Responde segundos depois de silencio.

VITÓRIO (incrédulo):
Como assim? Se eu mesmo a enterrei quando caiu da escada? Você mesma confirmou a morte dela! Não é possível Alexia…

ALEXIA:
A minha irmã está viva e com sede de vingança! Até tentou me matar, veja só! – mostra hematomas – Temos que fugir… Ir para o exterior! O Vitório Junior corre perigo! Vamos? Pegue o dinheiro do cofre que eu me viro com o restante! Não temos muito tempo amor!

Acaricia rosto de Vitório.

VITÓRIO:
Está bem… Está bem!

Alexia sobe os degraus. Vitório toma rumo oposto no térreo/Corta para:

ESCRITÓRIO
Receoso, olha para os lados e detrás de quadro de arte Vitório revela cofre. Digita a senha. Vemos Alexia espiar por brecha da porta entreaberta. Ele retira montante de dólares e jóias/Corta Vitório fecha maletas de cima da mesa. Alexia adentra com Júnior adormecido no colo.

ALEXIA:
Vamos querido? Já telefonei ao heliponto do Rio, vamos de helicóptero pra lá e depois seguimos de jatinho para a Suíça!

Vitório consente e saem/Corta rápido para:

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – EXT. – JARDIM – NOITE
Alexia com Júnior dormindo aos braços e Vitório com maletas em mãos, seguem em direção ao helicóptero no heliponto. Vitório olha p/ Alexia e sente falta de algo.

VITÓRIO:
Querida e as malas? Você se esqueceu!

Continuam andando.

ALEXIA:
Compraremos tudo novo! Peguei o necessário que são os documentos! Vamos!

Toques de cirene são escutados, viaturas policiais adentram ao terreno. Alexia abre porta do helicóptero.

ALEXIA (aflita):
Vem Vitório! Vem!

Júnior desperta e inicia choro. Luiza sai desesperada duma das viaturas.

LUIZA:
Não vá Vitório, não vá! Não caia novamente nos planos da Alexia! Ela vai lhe usar e quando ficar satisfeita te abandonará como da ultima vez! Quando forjou a morte no parto do Júnior!

Close-ups alternados entre Alexia, Luiza e Vitório.

ALEXIA:
Calada Luiza! Vitório meu amor não dê ouvidos a essa maluca! Venha… Venha e sejamos felizes!

Intrigado, Vitório observa Alexia e Luiza.

VITÓRIO:
Você é a minha maior decepção!

Diz olhando para baixo. Depois se posiciona em direção a Luiza.

LUIZA:
Eu?

Vitório corre em direção ao helicóptero e ocupa o lugar de piloto, acionando aeronave.

POLICIAL (alto falante):
Vocês estão cercados, favor saírem do helicóptero com as mãos na cabeça. – pausa
No três, dois, um: fogo!

Tiros são disparados no helicóptero, que blindado levanta pouso.

LUIZA (berra):
Vitórioo!! To grávida de você!

Corta para o interior do helicóptero. Alexia acaricia Vitório.

ALEXIA:
Fez bem querido, fez bem…

Entreolham-se. Helicóptero está a pés de distância do chão.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – COZINHA – NOITE
Ruí encaminha louças sujas a pia. Campainha toca, câmera o segue até a porta do…

HALL DE ENTRADA
Ao abrir a porta, Chantel invade bruscamente.

CHANTEL (ríspida):
Aonde está o meu marido? Cadê o Guillermo?! – percebe-se – Ruí? – intrigada – Acho que bati na casa errada.

Do alta da escada surge Marthina com pijama de cetim cor bronze.

MARTHINA:
Quem era Ruí? Ouvi tocarem a campainha… – percebe-se – Você aqui?

CHANTEL (intrigada):
Os dois… Se conhecem?

MARTHINA:
Se ele está em minha casa… Acredito que sim. – descendo os degraus – E por mim aprofundaria ainda mais a nossa intimidade. Mas ele não me quer…

CHANTEL:
Cadê o meu marido? Diga-me que não dormiram juntos!

Marthina permanece no primeiro degrau da escada.

MARTHINA:
Realmente não dormimos juntos/

Caminha em direção a Chantel que suspirava aliviada.

MARTHINA:
… A gente não dormiu, – com ênfase – nós transamos!

Chantel acerta bofetada.

CHANTEL:
Ele é o seu pai!

Marthina ri e devolve tapa. Chantel permanece com o rosto virado após agressão.

MARTHINA:
Santa ingenuidade… Eu sabia sua oxigenada, descobri a verdade há dias! Olha pra mim! Olhe para mim enquanto falo! – posiciona cabeça de Chantel para si – Em matéria de malandragem você ainda está no pré-escolar e eu formada em doutorado!

CHANTEL:
E sabendo disso ainda transou com o próprio pai?

MARTHINA:
Era a única experiência que me faltava… Já fiquei com mulheres, homens, idosos, homossexuais, professores, o cunhado… Se a Cléo está com o Miguel é graças a mim… Como pode ver, tenho vasto currículo. Quis experimentar o encesto e há de convir comigo, papai manda super bem. Sinto-me orgulhosa e bem comida!

Histérica Chantel a tapas avança em Marthina, que apenas ri.

CHANTEL:
Sua maluca! Desgraçada!

RUÍ GUEDES:
Parem vocês duas…

Ele as separa.

CHANTEL (ofegante):
Cadê o meu marido? Aonde é que ele está?!

RUÍ GUEDES:
Lá em cima Chantel, na suíte da Marthina. Última porta do corredor no lado esquerdo.

MARTHINA:
Ruí!

Marthina revoltada segue Chantel.

SP – GARÇONNIÈRE COZETE – INT. – NOITE
Dinho despede-se com selinho de Cozete deitada nua na cama.

DINHO:
Vou buscar champagne para comemorarmos a nossa reconciliação.

COZETE:
Vai rápido meu querido, estou cheia de amor pra dar!

Dinho segue para…

COZINHA
Marcela o esperava.

MARCELA:
Finalmente… Já passou da hora de nos livrarmos daquela coroa metida a nova.

DINHO:
E agora? Não tenho a menor idéia do que fazer!

MARCELA:
Estrangule…

Dinho vai à porta e observa Cozete deitada na cama de barriga para baixo. Close-up. Dinho receoso.

SP – CÉU/HELICOPTERO – INT. – NOITE

TRILHA SONORA – TEMA DE LUIZA E VITÓRIO

Aeronave sobrevoa. Vitório pilota compenetrado, em off Alexia fala.

FLASHBACK – Vitório relembra momentos românticos e felizes com Luiza.
FIM DE FLASHBACK

A música cessa.

ALEXIA (irritada):
Vitório me responda! Suíça ou Miame?

Vitório reage.

VITÓRIO (espontâneo):
São Paulo capital!

ALEXIA:
Que?

Vitório vira o manche do helicóptero e retorna percurso.

VITÓRIO:
Nós estamos voltando Alexia, não sou nenhum criminoso para fugir do país desta forma. Não tenho rabo preso!

ALEXIA:
Não Vitório! – tenta impedir batendo nas mãos dele – Não faça isso! Não, não, não!

VITÓRIO:
Para Alexia ou vamos cair!

ALEXIA:
Antes morta do que presa!

Transtornada Alexia pula em Vitório a tapas. Botões do painel sem pressionados, manche é voltado pra baixo.

VITÓRIO:
Para Alexia estamos caindo! Estamos próximos da serra! Para!

Com força joga Alexia para o lado, mas…

… Tarde demais. Helicóptero colide em serra. Após queda, explode.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE MARTHINA – MADRUGADA
Chantel sentada em cama mexe em Guillermo adormecido.

CHANTEL:
Guillermo querido acorda! Acorda meu amor! – p/ Marthina – O que deram a ele?! Vocês o doparam?!

MARTHINA:
O nome disso é porre querida. Ele abusou do vinho!

Aos poucos Guillermo retoma a consciência e desperta. Enxerga embaçado.

GUILLERMO:
Ai que dor de cabeça… Onde estou? – nota-se – Chantel?

CHANTEL:
Levante-se imediatamente e veste a roupa Guillermo! Nós vamos pra casa!

Guillermo desnorteado.

GUILLERMO:
Peraí, onde estamos?

MARTHINA:
Na minha casa papai/

CHANTEL:
… Não chame ele de pai! O Guillermo não é o seu pai!

MARTHINA:
Como assim? Chantel acabou a farsa! Revele a ele a verdade!

GUILLERMO:
Verdade? – levanta-se intrigado – Que verdade?

CHANTEL:
O pai biológico da Marthina é o Ruí Guedes, Guillermo! Ele foi o amante da Alexandra Castiel!

RUÍ GUEDES (perplexo):
De onde tirou isso?! Chantel é mentira!

GUILLERMO (incrédulo):
Você…

MARTHINA:
Pai é mentira, não acredite em nada! A Chantel mentiu! É mentira, a minha mãe nunca cometeu adultério!

CHANTEL:
Confesse Ruí, conte toda a verdade ao Guillermo! – aproxima-se de Guillermo – Querido, juro por tudo! O Ruí é o pai da Marthina, eles até moram juntos aqui!

Guillermo encara Ruí com sangue nos olhos.

GUILLERMO (esbraveja):
Eu te mato!

Irado, parte pra cima de Ruí. Eles entram em luta corporal. Guillermo empurra Ruí para fora do quarto. Ruí quase cai da sacada. Trocam socos, Marthina tenta apartar, mas desfalece após Chantel quebrar vaso em sua cabeça.

CHANTEL:
Bate mais Guillermo! Bate mais! Você beijava a mesma boca que ele introduzia o pau!

RUÍ GUEDES:
Mentira Guillermo! Mentira!

GUILLERMO:
Tarde demais seu desgraçado!

Empurra Ruí contra a sacada, ele tropeça e tomba. Câmera lenta. Ruí caindo do 1° andar ao térreo. Ao chocar-se no chão, sangue esparrama.

CHANTEL:
Fez bem querido, o mal foi cortado pela raiz.

Fecha em cinismo de Chantel.

CORTA PARA:  PENÚLTIMO CAPÍTULO AMANHÃ

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulos 36 & 37 (Última Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULOS 36 & 37

 

LUIZA:
E fui enterrada viva! A minha sorte foi ter recuperado a consciência pouco tempo depois de ter caído da escada. Era um dia de chuva, a terra foi cedendo, o buraco não era muito profundo…

CLARISSE:
Minha virgem Maria! O sr. Vitório ta sabendo disso?!

LUIZA:
Ele quem cavou e me carregou até o buraco! Mas sob manipulação, a Alexia tem o dom de obcecar os homens e cega-los de modo que são incapazes de tomar decisões próprias ou viverem distante dela!

CLARISSE:
E o que a senhora pensa em fazer para reverter isso?

LUIZA:
Provas! Preciso de provas para incriminá-la. Você dentro do ninho da serpente poderia conseguir! Não quero me vingar de forma mirabolante, quero justiça! Quero que ela pague por todos os crimes, por todo mal que pregou não só a mim como as demais pessoas, atrás das grades! Não teria vingança mais saborosa do que vê-la presa!

Ouve-se barulho de gatilho.

ALEXIA:
Infelizmente tenho que lhe decepcionar irmãzinha. Não darei este gosto a você! Sinto muito mas desta vez você não sobrevive!

Aponta revólver à Luiza.

 

CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

LUIZA:
Não faça isso Alexia! Não faça nada que vá se arrepender depois!

ALEXIA:
Você viva é a minha ruína Luiza, não vou abrir mão do meu objetivo por afeto. Os meus interesses vêm em primeiro lugar, família nem faz parte! É um atraso na vida de qualquer um!

LUIZA:
Minha irmã… Ainda há tempo para desistir e refletir em suas atitudes! Dinheiro não é tudo! Ele ameniza os problemas, mas em compensação só atrai gente ruim! Negatividade! Ilude as pessoas, como você está iludida! E quando se der conta disso tudo, será tarde demais! Estará pagando pelas besteiras que fez! Minha irmã, você já abandonou o marido e o filho, forjou a própria morte, retornou após dois anos pedindo redenção, inventou doença terminal e quando conseguiu, meu Deus, tentou me assassinar! Seduziu e envenenou o meu marido contra mim a ponto dele me enterrar inconsciente, mas viva!

ALEXIA:
Seu marido? Luiza… Você roubou o Vitório de mim! Cadela sem raça!

LUIZA:
Você quem o abandonou! Deixou sozinho com um filho recém nascido!

ALEXIA:
O seu jogo de sonsa e monga nunca me enganaram! Quis contar vantagem… Pra você o Vitório era excelente negócio. Só não esperava pelo meu retorno! Acha que não percebi o quanto enciumada ficou?

LUIZA:
Natural de qualquer atual esposa para com a ex do marido. Tinham uma história, a sua morte foi um verdadeiro choque. A todos nós!

CLARISSE:
Dona Alexia pelo amor de Deus… Não atire!

ALEXIA:
Cala a boca criada, cala a boca incompetente! Ou te crivo de balas!

Close-up alternados entre Alexia, Clarisse e Luiza.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SALA DE JANTAR – NOITE
Marthina abre garrafa lacrada de vinho e insere em duas taças. De olho em porta, receosa retira do sutiã pequeno frasco e despeja líquido numa taça. Esconde embalagem em vaso de flores e senta-se ansiosa em cadeira diante a mesa farta de comida fina. Homem misterioso aproxima-se.

MARTHINA:
Que tipo de convidado é você que ao chegar à casa do anfitrião a primeira coisa que pede: é ir ao banheiro? Apesar da pouca idade, dessa vida já vi e vivi de tudo, menos isso. Que autêntico!

Ao sentar em assento, revela-se o personagem.

GUILLERMO:
Já abriu o vinho?

MARTHINA:
Já… E já espero brindar.

Entrega a taça com vinho adulterado.

GUILLERMO:
Sugestão do que brindarmos?

MARTHINA:
A este jantar de reconciliação entre pai e filha. Apesar de não ser o meu pai biológico, há 20 anos fui criada como se do seu sangue fosse. Tin tin?

GUILLERMO:
Emocionado minha filha eu digo: tintin!

Brindam.

PENSAMENTO DE MARTHINA:
Beba… Beba tudo infeliz! Beba porque gastei cinco reais no sonífero. Tenho que ter retorno.

Sensualmente, leva taça à boca.

GUILLERMO:
Esse caviar é um dos melhores que eu já comi! Olhe que durante a minha vida freqüentei os melhores restaurantes do mundo! De que buffet contratou? Excelente… Me passe o contato, recomendarei a todos.

Marthina sorri.

SP – APART. OLIVER – INT. – COZINHA – NOITE
Jhony lava as louças sujas da pia. Oliver escora-se na porta.

JHONY:
Ele dormiu?

OLIVER:
Nem terminei de contar a história e o Bernardinho já havia apagado na cama. Caiu como uma pedra! – cruza porta e apanha pano de prato – Tadinho, nos últimos dois dias não tem sido fácil. Se pra nós adultos é complicado ficar internado, a uma criança deve ser terrível, um pesadelo real! – enxuga louças – Vai dormir aqui? Quer que eu já ajeite a cama pra você? Me viro no sofá!

JHONY:
Se não for abuso, queria sim dormir aqui, mas no sofá. Não há necessidade alguma por ceder à cama.

Enquanto Jhony lava, Oliver enxuga.

OLIVER:
Faço questão que fique! Preciso de alguém para conversar, me confessar. Para me apoiar nesta nova fase da minha vida! Vai ser dureza…

JHONY:
Estarei sempre disponível! Admito não querer voltar pra casa. Sabendo que há qualquer momento corro o risco de trombar com o Téo e a Hanna. O seu filho não tinha esse direito… Marcar casamento logo depois da nossa separação e justamente com a vizinha? Eu sou forte demais para ter suportado essa história até aqui! Pombas, ele dizia que me amava e na primeira oportunidade se engraça com uma mulher?

OLIVER:
O seu grilo é por ele ter ficado com uma mulher?

JHONY:
E não é absurdo isso? A mulher para se prestar a este papel só pode ser muito baixa e estar numa abstinência cruel de séculos! Falando nela, hoje presenciei uma cena que não me sai da cabeça: discutia com um médico e quando o Téo se aproximou a conversa repentinamente tomou outro tom e assunto.

OLIVER (intrigado):
A Hanna discutiu com um médico? Como ele chama?

JHONY:
Não ouvi na hora, ele não usava jaleco. Havia acabado de chegar. Mas depois, ainda com a pulga atrás da orelha, fui atrás de informações e descobri que se chama Abdalla. Martín Abdalla. E pelo pouco que deu para escutar, eles se conhecem desde o colegial.

OLIVER:
Estranho… Porque discutiam?

JHONY:
O mais intrigante: porque mudaram o papo na chegada do Téo? Eles que são – gesticula com os dedos sinal das aspas – “héteros” que resolvam.

Sorrisos sinceros são compartilhados entre os dois.

SP – ED. HANNA/CARRO TÉO – EXT. INT. – NOITE
Téo estaciona veículo a frente da portaria.

HANNA:
Não vai entrar? Porque estacionou o carro aqui fora? – ele nada reage – Téo, porque está agindo desta forma comigo? Tão indiferente?! E não é de agora, desde que voltamos hoje do interior quando fomos visitar o seu irmão no hospital. Na estrada não trocou uma só palavra comigo, foi ríspido.

Frio, Téo encara Hanna.

TÉO:
Seja sincera, você sabia do acidente do Bernardo?

HANNA (disfarça aflição):
Não… Só soube pelo jornal junto com você no restaurante do hotel. Por quê?

TÉO:
Porque o meu pai disse que havia sim avisado no dia do ocorrido pelo telefone a você enquanto eu estava no banho.

HANNA:
Pois bem, o seu pai mentiu! Em nenhum momento eu atendi ligação alguma do seu celular! Muito me admira pensar isso de mim Téo! Não vê o que eles querem é criar discórdia entre nós! O Oliver e o Jhony estão mancomunados! A sua infelicidade é a felicidade dos dois! – põe mão no rosto de Téo – Amor acredite em mim?

TÉO:
Tudo bem… Perdoe-me. Tenho mais motivos para desconfiar do meu pai do que de você.

Dão rápido beijo.

HANNA:
Só perdoo com a condição em entrar e dormir comigo!

TÉO:
Infelizmente hoje não vai rolar Hanna, mas amanhã prometo me dedicar a você. Ainda vou passar na boate, há dias não dou as caras por lá. Ando um empresário muito ausente e isso é prejudicial aos negócios.

HANNA:
Vejo que é por bom motivo, só lhe perdoo por isso. Amor não enche a barriga.

Desce do veículo.

TÉO:
Tenho que ir antes que fique muito tarde.

Pela janela, Hanna manda beijos com gestos.

HANNA:
Te amo…

Téo buzina e acelera automóvel. Hanna dirigia-se à portaria quando é tocada por alguém pelo ombro.

HANNA (pasmada):
Você? O que faz aqui?! Como descobriu o meu endereço?!

MARTÍN:
Quando te conheci, você era mais educada. – faz caricias em Hanna – Boa noite?

Bruscamente Hanna retira mão de Martín e lhe acerta forte bofete.

HANNA:
Não rele em mim! Nunca mais!

Encaram-se tensos.

SP – PRAÇA – EXT. – NOITE
(CONT.)

Alucinada Alexia mira alternadamente para Clarisse e Luiza.

CLARISSE (aos prantos):
Por favor, não me mate dona Alexia…

ALEXIA:
Por quem eu começo? Por você ou por você? Eis a questão!

Ri diabolicamente.

SP – ED. HANNA – EXT. – FRENTE – NOITE
(CONT.)

Hanna mantêm-se ríspida com Martín.

MARTÍN:
Que má vontade sua Hanna. – força abraço – Só desejo retomar as antigas amizades. Hoje faço visita pra você, amanhã quem sabe eu marco jogo de tênis com o Téo e o Vitório.

Atordoada, Hanna livra-se de abraço.

HANNA (esbraveja):
Fique longe do Téo! Vocês nunca foram amigos e ele detesta tênis!

Martín acaricia braços de Hanna intimidada.

MARTÍN:
Temos uma coisa em comum e isso nos une: gostamos da mesma mulher. Convide-me pra subir, adoraria ver a decoração parisiense do seu apartamento.

HANNA:
Como sabe disso?!

MARTÍN:
De onde eu tirei o endereço, da revista. Vi a matéria que fizeram sobre o seu loft! Sabe que me interessei bastante e sem demagogia pelo bairro e principalmente pelo edifício. Em uma palavra defino como acolhedor! Inclusive já procurei a imobiliária responsável por locar imóveis neste prédio e para minha felicidade há três apartamentos desocupados. Marquei encontro com um corretor amanhã! Tudo leva a crer que seremos vizinhos!

HANNA (tom alto):
Não, não pode ser verdade… Não! Não! Não! Martín, some da minha vida!

Pessoas que ali passam voltam-se olhares à Hanna e Martín.

MARTÍN (sussurra):
Estão nos olhando… O seu showzinho vai repercutir em nossa vizinhança. Pare que ta feio querida!
Aproxima senhor de bigode, magro de altura média, vestido com uniforme tradicional de porteiro.

PORTEIRO:
Tudo bem dona Hanna?

HANNA (disfarça tensão):
Tudo… Tudo sim!

Martín envolve braço em Hanna.

MARTÍN:
Melhor a gente entrar, ta serenando demais aqui fora.

Abraçados, Martín conduz Hanna para o interior da portaria.

SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – ESCRITÓRIO – NOITE
Dinho e Marcela passam pelo local que encontra-se aberto. Séfora sentada detrás de mesa flagra e segue.

CORREDOR
Séfora escora-se na porta.

SÉFORA:
Vão sair a essa hora?

Dinho e Marcela voltam-se à Séfora.

MARCELA:
Não são nem onze horas ainda. Alguns amigos nos chamaram para um happy hour tardio.

SÉFORA:
Só não esqueça que leva um Sampaio na barriga! Divirta-se com moderação!

Marcela assenti com a cabeça.

DINHO:
Até mais ver dona Séfora.

Séfora sorridente acena. Dinho e Marcela descem os degraus da escada/Corta para:

ELEVADOR
Dinho e Marcela adentram.

MARCELA:
E ela? Já confirmou?

Elevador desce.

DINHO:
Sim senhorita, resistiu, mas por fim consegui que cedesse. E é bem provável que a Cozete já tenha chegado à garçonnière.

MARCELA:
Possui a chave da saída de serviço? Entrarei por lá.

DINHO:
Não mas deixarei a porta aberta. Como pensa em matá-la?

MARCELA:
Não seja curioso, tudo no seu devido tempo.

Porta do elevador abre em andar.

SENHORA:
Ele está descendo ou subindo?

DINHO:
Descendo!

Senhora adentra. Marcela com cara de poucos amigos.

Corta para:

SP – GARÇONNIÈRE COZETE – INT. – NOITE
Cozete caminha angustiada pelo local. Porta é aberta, ela dirige-se.

COZETE:
Finalmente chegou!

Cozete e Dinho entreolham-se.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SALA DE JANTAR – NOITE
(CONT.)

Guillermo enxerga embaçada a ostra no prato. Marthina o observa.

MARTHINA:
Ta sentindo alguma coisa? Pai, impressão minha ou está zonzo?

GUILLERMO:
Impressão não, acho até que vou/

Desmaia.

MARTHINA:
Bingo! – levanta-se – Agora é agir! – faz ligação após apanhar telefone – Pode vir ele caiu duro!

Estampa sorriso maligno.

SP – COBERTURA BORBA – INT. – LIVING ROOM – NOITE
Chantel lê revista sentada de pernas cruzadas no sofá. Ela verifica distante relógio da parede.

CHANTEL (angustiada):
E o Guillermo que não chega…

Doméstica aproxima-se.

EMPREGADA:
Dona Chantel, boto ainda a mesa do jantar?

CHANTEL:
Só eu vou jantar?

EMPREGADA:
Tirando a dona Nanda, sobrou apenas à senhora em casa. A Cléo não se encontra desde cedo.

CHANTEL:
Então coloque a janta somente para uma pessoa. Se o meu castigo for à solidão, saiba eu pagar…

Suspira profundo e folheia a revista.

SP – SOBRADO TRINDADE – INT. – QUARTO MIGUEL – NOITE
Ambiente escuro iluminado apenas por dois abajures. Deitados em cama, clima é quente entre Cléo de calcinha e sutiã e Miguel sem camisa, mas vestido calça jeans. Eles beijam-se calorosamente. Ele está em cima dela.

MIGUEL:
Não dá! Não consigo! Não vejo o menor tesão em transar sabendo que está grávida dum filho meu!

Miguel deita ao lado de Cléo.

CLÉO (frustrada):
Sério mesmo Miguel? Vai me negar amor?

MIGUEL:
Vou negar sexo! Se quiser amor, dou carinho. Faço cafuné… Fora isso, não rola nem com viagra!

Nitidamente frustrada, Cléo cobre-se por inteira com edredom listrado.

CLÉO:
Você devia ser estudado Miguel, é um homem muito esquisito.

MIGUEL:
Respeitoso, é diferente.

Desliga as luzes dos abajures em criados mudos ao lado da cama.

SP – PRAÇA – EXT. – NOITE
(CONT.)

Ânimos continuam exaltados.

LUIZA:
Poupe a vida da Clarisse, ela não tem a menor culpa do que está acontecendo. Se for pra matar alguém mate a mim e ao seu sobrinho que levo no ventre!

ALEXIA (atônita):
Sobrinho?

LUIZA (tom alto):
Estou grávida Alexia e o pai é o Vitório!

ALEXIA (enfurecida):
Vagabunda!

Mira em Luiza, respira e pronta à engatilhar, é atropelada por automóvel. Alexia é arremessada para longe. Caio sai do veículo. Luiza chocada é amparada por Clarisse.

CAIO (aflito):
Luiza?! Ela te machucou? Estão feridas?

LUIZA:
Me tire daqui Caio, nunca tive tanto medo, me salve… Por favor!

Vemos Alexia com dificuldade levantar-se do chão. Ela toma o revolver do asfalto. Clarisse flagra.

CLARISSE:
A vagabunda ta fugindo!

CAIO:
Ah não mesmo!

Corre em direção a Alexia na rua.

CAIO:
Dessa vez você não escapa Alexia!

Ficam próximos.

ALEXIA (surpresa):
Caio?

CAIO:
Feliz em me ver?

ALEXIA:
Surpresa! Não me diga que a Luiza e você são cúmplices? Sabia que ela estava viva?

CAIO:
O tempo todo!

Alexia o intimida apontando revolver para ele.

ALEXIA:
Não aproxime-se ou eu atiro! Bem que eu desconfiava… – atira no chão – Mandei parar de andar! Fique parado ou dedicarei a próxima bala a sua testa!

CAIO:
Sniper brasileira?

ALEXIA:
Talvez…

CAIO:
Olha podemos conversar. Se fosse você abaixaria esta arma.

Destemido continua aproximando de Alexia. Fora do campo de Alexia, pelas laterais Luiza caminha.

ALEXIA:
A minha intuição não falhou, deveria ter seguido ela quando insistia claramente em me dizer que você não era confiável. O meu santo não bateu com o seu desde a primeira vez, a sua áurea é negativa e eu tola achei que fosse paranóia da minha cabeça! Que ódio!

Caio enxerga Luiza caminhar em direção a Alexia por trás.

CAIO:
Traída pelo mal… Até você Alexia caiu na história do seqüestro. Foi armado, tudo planejado! E deu certo! Fui consagrado herói, ganhei a confiança do Vitório, um emprego e pude me aproximar de você. Eu desfrutaria bastante dos próximos passos: seduzi-la!

ALEXIA:
Ia me usar?

CAIO:
Só iria provar do mesmo veneno. E não seria difícil a proeza, é uma mulher fácil, vulgar. Capaz de deitar com qualquer homem em troca de cifrões!

Pelas costas de Alexia, Luiza pouco distante apanha pedra do chão e acerta Alexia.

ALEXIA:
Ai…

Distrai ao olhar para trás, Luiza se esconde e Caio avança em Alexia. Ele tenta retirar revolver da mão dela, mas Alexia resiste firmemente.

ALEXIA:
Não… Largue! Isso me pertence!

CAIO:
Solta maldita! – com ênfase – Solta!

Ouve-se disparo acidental. Alguém é ferido. Alexia e Caio atônicos. Clarisse e Luiza boquiabertas. Close-up. Olhos esbugalhados de Alexia e Caio.

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 35 (Última Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 35

 

Receoso, Biel toma das mãos de enfermeira envelope. Caminha não muito longe dali e abre documento. Retira papel. Vemos Cléo ao fundo aproximar-se. Close-up. Biel chora.

CLÉO:
E então? Negativo?!

Biel aos prantos estende exame para Cléo. Ela lê minuciosamente. Atônica deixa papel cair no chão e emocionada abraça Biel. Câmera filma papel no chão e mostra o resultado: positivo.
 

CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

SÉFORA:
Você ainda não me respondeu…

DINHO:
Eu nunca matei alguém Séfora…

SÉFORA:
Como dizem, sempre tem a primeira vez pra tudo! É o dinheiro da família qual agora faz parte em risco! Trará a língua da Marthina morta até a mim?

DINHO:
Quando?

SÉFORA:
Bom menino… – dirige-se e tranca a porta – Não me enganei quando decidi confidenciar uma vontade à você.

Aproxima-se de Dinho, o empurrando para a mesa.

DINHO:
Dona Séfora? O que ta fazendo?

Séfora acaricia partes íntimas de Dinho.

SÉFORA:
Agradecendo em nome das milhares de cédulas de dólares do cofre da família.

Rouba caloroso beijo de Dinho.

SÉFORA:
Alguém está ficando excitado. Acho ótimo!

Abaixa juntamente ao tirar shorts do rapaz. Close-up. Dinho delirando de prazer ao receber oral.

Corta para:

SUÍTE DINHO
Marcela deitada na cama roendo as unhas de aflição.

MARCELA:
Sobre o que eles estão conversando? Droga! Nestas horas vejo vantagem em ser uma mosca!

SP – AV. PAULISTA – EXT. – TARDE
Com o celular ao pé do ouvido, Marthina elegantíssima caminha pela cançada.

MARTHINA (celular):
Eu estive pensando… Não quer jantar hoje lá em casa? É jeito de me redimir diante a você, ando agindo muito mal, como uma adolescente rebelde sem causa. Aceita, vai? (T) Ótimo! Estarei lhe aguardando. (T) Beijo!

Desfaz sorriso, desliga ligação, põe celular na bolsa Chanel e volta a andar.

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – ACADEMIA DE GINÁSTICA – TARDE
Com grande disposição, Alexia com roupa de ginástica a frente de espelho e som alto, dança em cima dum ‘Jump’. Está soada e rabo de cavalo quase soltando. Pelo reflexo, vemos a entrada de Vitório.

ALEXIA:
Oi amor… Não foi trabalhar hoje à tarde?

Continua os exercícios.

VITÓRIO:
Preferi tirar o dia de folga! Já tenho a vida ganha, quero é mais curtir o nosso filho!

Senta em equipamento de malhação.

ALEXIA:
E a mim? Não te importa?

VITÓRIO:
Mas é lógico que sim querida. – inicia musculação – Acontece que eu não quero repetir o mesmo erro do meu pai.

ALEXIA:
Ele era muito ausente na sua vida?

Casal malha. Alexia no Jump e Vitório no anaeróbico.

VITÓRIO:
99% ausente e aquele 1% impaciente.

ALEXIA:
E pensar que eu aceitei dinheiro dele para separar você e a Muryellen.

VITÓRIO:
Águas passadas… Agora é vida nova! E como anda os preparativos para o nosso casamento? Como é? Vai sair ou não? A pressa é sua!

ALEXIA:
Amanhã temos a seleção do buffet. Aliás, que bicho te mordeu para ter escolhido o menu do almoço por conta própria e sem me consultar? Achei que seria um dia atípico e iríamos receber visita. Enganei-me… Ah não ser o fato de ter ficado em casa.

VITÓRIO:
Eu ter escolhido o menu do almoço? – risos – De onde tirou uma pérola dessa Alexia? Não cansa a minha beleza, pô.

Alexia para exercícios e volta-se a Vitório.

ALEXIA:
Não deu nenhuma ordem a Clarisse? Realmente está dizendo a verdade Vitório Burlamaqui?

Celular toca no bolso de Vitório.

VITÓRIO:
Sim senhora… – verifica ligação no aparelho – Só um minutinho querida, vou atender lá fora. É da emissora!

Ele sai. Close-up. Alexia intrigada.

FLASHBACK – Clarisse dá falsa justificativa sobre demora para cumprir ordem à Alexia.

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – EXT. – FRENTE – MANHÃ
Alexia retira sacolas de supermercado do porta-malas do carro. Clarisse chega.

CLARISSE:
Pronto senhora! Perdoe-me, adiantava o almoço…

ALEXIA:
Sem me questionar?

CLARISSE:
Foi a mando do dr. Vitório! Ele quem sugeriu o prato do almoço.

ALEXIA:
Está bem… Ajude-me aqui, por favor! Leve as compras pra dentro!

Clarisse carrega compras do chão.

FIM DE FLASHBACK

ALEXIA:
A infeliz mentiu… Peraí, será que foi de caso pensado? Para acobertar alguém? Sim porque o hall de entrada estava empestado pelo cheiro da… – aflita – Luiza! Será que ela esteve aqui?! Mas não pode ser… Ela estava morta! Eu a envenenei e vi quando caiu dura da escada abaixo!

FLASHBACK – Após discussão com Vitório, Luiza a caminho da escada, sente tontura ao descer e cai. Rolando degrau por degrau.

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – CORREDOR – NOITE
[…]

Luiza sai da suíte com malas. Vitório desesperado a segue.

VITÓRIO:
Luiza não tome decisões enquanto a raiva te predomina, a ira é traiçoeira, irracional, não mede as consequências dos atos, reprime os sentimentos e faz enxergar apenas aquilo que a ela convém!

LUIZA:
Adeus Vitório!

Ao descer a escada com as malas, visão embaça, sente tontura e zonza…

… Tropeça, rolando degrau por degrau.

VITÓRIO:
Luizaaa!

CORTA RÁPIDO PARA: SALA DE ESTAR
Alexia deixa em cima de mesinha de centro álbum de fotos ao ouvir barulho de queda.

ALEXIA:
Que houve lá em cima? – vai a caminho da escada e flagra Vitório tentando animar Luiza – Luiza?! O que você fez com a minha irmã?!

VTÓRIO:
Discutimos e ela veio com essas malas, deve ter tropeçado… Caiu!

Alexia se aproxima de Luiza e confere sinais vitais no pulso.

ALEXIA:
Vitório… Vitório seja forte! Não acredito! Eu acho que ela morreu!

Fecha em Vitório desesperado.

FIM DE FLASHBACK

ALEXIA:
Só tem um jeito de descobrir…

Corta para:

JARDIM
Debaixo de estilosa sombrinha que leva na mão direita, Alexia assiste senhor de idade cavar em terra mexida.

ALEXIA:
Cave homem! Cave! – pensamento – E se a Luiza estiver viva? Como vai ser?!

HOMEM:
Mais senhora?

ALEXIA:
Lógico! Eu digo quando chegar à profundidade necessária! Continue aí cavando! E reze, se o tesouro estiver intacto aí, o senhor será remunerado!

Empolgado, homem cava com mais intensidade.

SP – TELEBRAS – INT. – SALA DE PRODUÇÃO – TARDE
Equipe de dez profissionais ao redor de mesa, concentram as atenções em Caio a frente de telão. Em off, ele falava, para ao receber notificação no celular. Abre e encontra mensagem de Luiza. Trata-se da imagem dum teste de gravidez.

CAIO (afoito):
Com licença pessoal, volto já. É urgente!

Deixa a sala. Realiza ligação no corredor sem fluxo de pessoas.

CAIO (telefone):
Qual o significado daquela foto que me enviou?!

INTERCALA COM:
SP – APARTAMENTO CAIO – INT. – SACADA – TARDE
Diante a vista privilegiada para o Parque do Ibirapuera, Luiza desanimada fala ao celular.

LUIZA (celular):
Jura que não deduziu? Caio, eu estou grávida! Grávida do Vitório! – não ouve resposta – Alô? – continua não ouvir -Alô Caio?

VOZ DE CAIO:
Já to indo praí!

Luiza desliga e cabisbaixa escora-se na sacada. Vento desarruma cabelos loiros da moça.

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – EXT. – JARDIM – TARDE
(CONT.)

Dentro do profundo buraco, homem está esgotado em cavar.

HOMEM:
Dona Alexia, se eu continuar cavando vou abrir um buraco para o outro lado do mundo!

ALEXIA:
Não pagaria passagem, olhe a vantagem!

HOMEM:
Continuo?

Alexia verifica profundidade.

ALEXIA:
Não… Não precisa. Agora cubra tudo, aterre o buraco quanto antes! – dá as costas e sai – Como suspeitava a vagabunda da Luiza não morreu! Desgraçada! Sei quem pode me levar a ela… Se ainda não está morta… Morta estará! Ou eu não me chamo Alexia Burlamaqui.

Fecha em olhar perverso da megera.

SP – COBERTURA DE PRÉDIO – EXT. – TARDE
Sentados na beirada, Cléo conforta Biel.

BIEL:
Me sinto como estou agora, sem chão e com os pés sem algo sólido para manter-me de pé. Estou fardado a morte/

CLÉO:
… Todos estamos! A partir do momento em que nascemos, a única certeza é de que em algum momento vamos morrer! Não é porque contraiu o vírus da Aids que estará condenado a sofrer. A vida segue! A vida continua! Apesar dos pesares a vida é bela! A sua nova condição não lhe impede de continuar vivendo! Biel, você é jovem, ainda tem a vida inteira para viver intensamente como fazia! Mas com cautela!

BIEL:
Tão fácil falar quando a ferida, a dor é sentida por outro… Não enxergo mais nada além de cortinas se fecharem. Meu Deus, como vou explicar a minha avó que sou soropositivo? Como vou dizer aos meus pais, a minha família que contrai o vírus depois de tórridas noites de sexo com um homem aidético?

CLÉO:
Talvez isso tenha acontecido com um propósito: diga a verdade! Revele a eles a sua orientação sexual! Sae de vez do armário!

BIEL:
Gay e soropositivo…

Chora nos braços de Cléo.

CLÉO:
Vai ficar tudo bem… Futuramente vai lembrar deste drama, rir e me dar razão.

BIEL:
Promete uma coisa? – Cléo assenti – Não tire a criança que leva no ventre… Carrega uma vida dentro de você! Ele tem o direito de viver! Assim como quer que eu vivo!

CLÉO:
Relacionado a isso, eu já tomei uma decisão.

BIEL (surpreso):
E qual é?

Corta para:

SP – EXT. – ANOITECER
Takes. Após longo dia, o trânsito caótico das vias paulistas. A marginal do Tiete intransitável. Lojas abaixando portas de ferro. Funcionários saindo de fábrica. Luzes de apartamentos acesas. Último take. O lunar.

Corta para:

SP – HOSPITAL – INT. – QUARTO HOLLY – NOITE
Deitada na cama com as costas escoradas, Holly janta comida leve, supervisionada por Miguel sentado em poltrona buscando com o controle remoto por canal na televisão.

HOLLY:
E o pai?

MIGUEL:
Não consegui entrar em contato. – volta-se para ela – Holly? Desconfio que o pai nos enganou, pra mim não existe tio rico solitário em Minas Gerais.

HOLLY:
Porque acha isso?

Miguel aproxima-se da cama.

MIGUEL:
Esbarrei com o gerente do banco e ele me perguntou como estavam as coisas, perguntou até dum processo que supostamente eu teria me envolvido. O pai sacou o dinheiro da conta com esta desculpa e sumiu no mesmo dia! Ta evidente que ele fez igual a nossa mãe e também nos abandonou! – arrependido – Desculpa por revelar a você nestas condições, sou um desalmado sem coração…

Volta à poltrona.

HOLLY:
Não se martirize atoa, já estou melhor.

Celular toca no bolso de Miguel. Ele verifica.

MIGUEL:
Ligação da Cléo… – atende – Alô? (T) Cléo, eu não ouço nada! (T) Querida? Só ouço chiar!

INTERCALA COM:
SP – HOSPITAL – INT. – SALA DE ULTRASSOM – NOITE
Médico realiza o procedimento médico. Cléo com celular próximo ao aparelho sonoro. Pouco ouve-se os batimentos cardíacos do bebê. Vemos a imagem dele em monitor. Biel acompanha emocionado.

CLÉO (celular):
Lógico que ainda é muito cedo para ouvir, só estou de três semanas. Mas daqui a algum tempo, você vai poder escutar as batidas do coração do nosso filho. Amor, to grávida!

MIGUEL (celular, pasmado):
Grávida? De mim?

CLÉO (celular):
Você vai ser papai! A princípio, estou aqui no hospital, na ala da maternidade.

HOLLY (intrigada):
O que foi Miguel?!

MIGUEL:
Acostume-se com a ideia, será titia!

HOLLY:
Que máximo! Parabéns Miguel, parabéns! Adoro criança…

MIGUEL:
E mais do que tia, quero que seja a madrinha!

HOLLY (emocionada):
Dê-me aqui um abraço meu irmão… – abraçam-se – Já me sentia madrinha dele de qualquer jeito. Obrigada!

MIGUEL (receoso):
Posso deixá-la sozinha por algum instante?

Silenciosamente alguém surge na porta aberta.

HOLLY:
Defina o que é pra você ficar sozinha – aponta p/pessoa – estarei bem acompanhada!

Revela-se ser Lionel.

MIGUEL:
Volto logo! Valeu Lionel!

Sai eufórico. Lionel caminha à Holly deitada.

LIONEL:
Já pode começar a me explicar que diabo aconteceu com o Miguel?

HOLLY:
A Cléo embarrigou dele! Vai ser papai! E adivinhe só quem vai ser a madrinha?

LIONEL:
Estou diante dela?

HOLLY:
Na mosca!

Risos/Corta para:

CORREDOR
Miguel dribla pacientes e enfermeiros/Corta para:

GUICHE DE ATENDIMENTO
Ofegante, Miguel chega ao local e interrompe atendimento.

MIGUEL:
Por favor, onde fica a ala da maternidade? Em especial, a sala de ultrassom?!

Em off, ela explica. Miguel sai correndo a toda velocidade como se disputasse corrida ao ouro. Chegando próximo do elevador, ele se fecha. Frustrado, suspira profundo e vai pela escada/Corta para:

SALA DE ULTRASSOM
Médico retirando com lenço gel da barriga de Cléo deitada em maca.

BIEL:
Você fez bem querida… Tomou o melhor dos caminhos! A direção certa!

CLÉO:
Posso pedir-lhe uma coisa?

Biel e Cléo dão sensivelmente as mãos.

BIEL:
O que você não me pede chorando que eu não faço sorrindo…

CLÉO:
Aceita ser o padrinho do meu filho?

BIEL:
Euzinho? – anda angustiado pelo ambiente – Amiga, tem noção da besteira que acabou de dizer? Não tenho nem responsabilidade por mim! Confiaria num inconseqüente como eu para apadrinhar o seu filho?

CLÉO:
Confio… – acaricia Biel – E se ele vai nascer, deve a vida a você! Confesso ter tomado à decisão porque me sugeriu. Ainda continuo não querendo ser mãe.

Entreolham-se emocionados. Biel consente com a cabeça.

BIEL:
Aceito… Aceito ser o padrinho dele mesmo sem o menor conhecimento da função de um!

Risos e abraçam-se/Corta Biel e Cléo cruzam porta da sala e chegam ao…

CORREDOR

MIGUEL:
Enfim achei você! – dão abraço profundo – Como está?!

Cléo mostra-se fria.

CLÉO:
Precisamos conversar…

BIEL:
Vou deixá-los a sós!

Sai. Biel e Cléo sentam em assentos vagos, um do lado do outro.

MIGUEL:
Sou todo ouvido.

CLÉO:
Eu tenho que ser sincera com você. Já faz algum tempo que eu descobri a gravidez. Foi terrível…

MIGUEL (surpreso):
E porque não me contou antes, só agora?

CLÉO:
Pelo simples motivo de que eu não quero ser mãe.

Incrédulo, Miguel levanta-se bruscamente.

MIGUEL:
Que?!

Cléo também fica de pé.

CLÉO:
Bom, não queria. Mas respondo pelos meus atos e se engravidei que eu aprenda me conformar. Entende?

MIGUEL:
Foi sincera… Se for pra lavar roupa suja também quero participar do jogo e confessar uma coisa.

CLÉO:
Nada mais justo, pode revelar querido.

Sentam de volta.

MIGUEL (seguro):
Estou apaixonado pela Marthina!

CLÉO (perplexa):
A minha ex irmã?!

MIGUEL:
Mas estou disposto em reprimir o que sinto e se possível transferir o meu amor a você e a criança que nascerá! Cléo, vamos morar juntos? Quer se casar comigo?

Close-up. Cléo atônica.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE MARTHINA – NOITE
Com vestido vermelho fatal, Marthina passa batom do mesmo tom do vestido a frente do espelho da penteadeira/Corta para:

SALA DE JANTAR
Ambiente pouco iluminado, restrito apenas as velas acesas. Marthina acende velas da requintada mesa com isqueiro de ouro. Apaga chama com forte sopro. Campainha toca.

MARTHINA:
Ele chegou…

Ajeita sutiã e caminha para o…

HALL DE ENTRADA
Abre a porta, pessoa não é mostrada.

MARTHINA:
Finalmente chegou… A janta já foi posta à mesa. – vê algo nas mãos do homem – Adoro este vinho!

Homem misterioso estende garrafa a ela. Sorrindo, Marthina apanha. Ele entra e ela fecha a porta.

SP – PRAÇA – EXT. – NOITE
Clarisse e Luiza terminam abraço em local sem fluxo de pessoas. Poucos postes públicos de iluminação cumprem o papel. Ambiente escuro, aflição nítida em Clarisse e Luiza.

CLARISSE:
Perdão pela demora dona Luiza, é que tomei maior cuidado vindo pra cá. Peguei três conduções para chegar até aqui!

Sentam em banco.

LUIZA:
Muito bom, foi bom ter se precavido. Ninguém pode saber que eu estou viva. Principalmente a minha irmã!

CLARISSE:
Porque dona Luiza? Ela é perigosa?

LUIZA:
Bota as vilãs de novelas no chinelo! A Alexia abusa da maldade! Tanto é que me envenenou.

Clarisse faz sinal da cruz.

CLARISSE:
Cruzes!

LUIZA:
E fui enterrada viva! A minha sorte foi ter recuperado a consciência pouco tempo depois de ter caído da escada. Era um dia de chuva, a terra foi cedendo, o buraco não era muito profundo…

CLARISSE:
Minha virgem Maria! O sr. Vitório ta sabendo disso?!

LUIZA:
Ele quem cavou e me carregou até o buraco! Mas sob manipulação, a Alexia tem o dom de obcecar os homens e cega-los de modo que são incapazes de tomar decisões próprias ou viverem distante dela!

CLARISSE:
E o que a senhora pensa em fazer para reverter isso?

LUIZA:
Provas! Preciso de provas para incriminá-la. Você dentro do ninho da serpente poderia conseguir! Não quero me vingar de forma mirabolante, quero justiça! Quero que ela pague por todos os crimes, por todo mal que pregou não só a mim como as demais pessoas, atrás das grades! Não teria vingança mais saborosa do que vê-la presa!

Ouve-se barulho de gatilho.

ALEXIA:
Infelizmente tenho que lhe decepcionar irmãzinha. Não darei este gosto a você! Sinto muito mas desta vez você não sobrevive!

Aponta revólver à Luiza.

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 34 (Última Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 34

 

Séfora invade local transtornada, derruba objetos do aparador e posiciona-se a frente do espelho.  
  
SÉFORA (esbraveja sozinha): 
Aquela menina mimada cutucou a onça com vara curta! Eu vou matar a Marthina! Ela que se cuide!  
  
Close-up em semblantes carregados por negatividade de Séfora.

carlota 

CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

SP – HOSPITAL – INT. – QUARTO HOLLY – MANHÃ
Miguel faz cafuné em Holly adormecida em cama hospitalar. Sem alarde, Lionel adentra ao loca, aproxima-se e põe mão sob o ombro de Miguel.

LIONEL:
Tem alguém lá fora querendo falar com você.

Entreolham-se.

MIGUEL (intrigado):
Quem?

Corta rápido para:

JARDIM DO HOSPITAL
Miguel segue em direção a moça de costas para ele.

MIGUEL (contente):
Marthina?

TRILHA SONORA – TEMA MARTHINA E MIGUEL

Marthina volta-se para Miguel.

MARTHINA (sorridente):
E como anda a nossa menina?

Feliz, Miguel evidencia todos os dentes da boca com largo sorriso.

MIGUEL:
A Holly está bem… Amanhã mesmo recebe alta.

MARTHINA:
Que maravilha… Torço muito para que se recupere logo. Podem contar comigo.

MIGUEL:
Eu sei… – apanha carinhosamente mão de Marthina – Senti muito a sua falta.

MARTHINA:
Acostuma-se porque nem sempre estarei por perto. Ainda mais agora como protagonista duma telenovela.

MIGUEL:
Marthina, eu quero terminar com a Cléo.

Marthina bruscamente retira mão acariciada por Miguel.

MARTHINA:
Faz mal… Ela te ama!

Irritada, dá as costas. Miguel a abraça por trás.

MIGUEL:
Mas não é ela quem eu realmente amo. Quero ficar com você! – vira Marthina para ele – Vejo nos seus olhos o quanto gosta de mim. A sua mão transpira, quando lhe toco deixo arrepiada. Porque não entregar-se a esta paixão?

Segundos de alta tensão sentimental.

MARTHINA:
Eu não posso Miguel… – anda pelo local – É duro dizer isso, admito que te amo mas eu não posso! – sai correndo aos prantos – Não posso!

MIGUEL:
Marthinaa! – segue ela – Volta aqui…

Ele a alcança e rouba abraço. Marthina insiste por sair.

MARTHINA (angustiada):
Por favor, me solte Miguel… Solte-me!

MIGUEL:
Não antes disso!

Rouba beijo de Marthina, no momento corresponde. Ao final do beijo apaixonado, ela acerta bofetada em Miguel.

MARTHINA:
Desculpa… – lágrimas escorrem e borram maquiagem – Desculpa!

Foge. Miguel a segue com os olhos, intrigado com a mão no rosto.

SP – TAXI – INT. – MANHÃ
No banco detrás do automóvel em movimento, Marthina chora.

MARTHINA (fala sozinha):
Será que vale a pena insistir na vingança e abrir mão de quem eu amo? Porque não posso ter os dois? Eu quero os dois…

VOZ FEMININA MISTERIOSA:
Não você não pode… Amar não faz parte de sua missão, abriu mão do amor! Lembre-se disso menina…

Risos diabólicos. Marthina atormentada atrai olhares amedrontados do taxista pelo retrovisor.

SP – UNIDADE DE SAÚDE – EXT. – FRENTE – MANHÃ
Carro estaciona em acostamento. Corta para o interior. Vemos Cléo retirar chave da ignição. Biel sentado no banco do carona com a cabeça escorada na janela fechada.

CLÉO:
Chegamos… Vamos?

Biel volta-se a ela.

BIEL (receoso):
Não sei se quero! Não sei se estou preparado! E se o resultado do exame der positivo?!

CLÉO (otimista):
Encare! Muitas vezes por pior que seja, afrontar o desafio é a melhor solução! E sem se fazer-se de vítima, não usou preservativo por irresponsabilidade, caso realmente for portador do HIV… Fé e paciência! – tira cinto – Vamos?

BIEL:
E tem outro jeito? – tira o sinto e Cléo deixa automóvel – Me deixe recompor…

Enxuga lágrimas do rosto com as mãos e ajeita cabelo. Biel desce do automóvel. Cléo tranca.

CLÉO:
Vai ver como tudo isso não passa de alarde…

Biel responde com sorriso discreto. Ele e Cléo se encontram após darem volta ao carro. Dão as mãos e caminham em direção à…

UNIDADE MÉDICA
Ao cruzarem, Biel retira a senha. Há poucas pessoas para serem atendidas.

BIEL:
E seja que Deus quiser!

Sensibilizada, Cléo bota mão e acaricia rosto de Biel.

SÉRIE DE PLANOS

A) Biel preenche formulário em balcão de atendimento. Cléo ao lado.
B) Sentados em cadeiras no saguão, Cléo faz carícias em Biel entristecido.
C) Número de Biel é exibido em painel, Cléo e ele levantam e se despedem com profundo abraço.
D) Biel segue enfermeira à sala ao final de extenso corredor.
E) Aflita, Cléo senta e puxa revista de mesinha.
F) Em sala de colheita, enfermeira retira amostras do sangue de Biel, de olhos fechados, sentado em cadeira. Ela põe em frascos.

ENFERMEIRA:
Agora é só aguardar…

BIEL:
Demora em média quanto tempo para o diagnóstico ficar pronto?

ENFERMEIRA:
Ainda hoje, pelo final da tarde.

Biel tenta manter-se calmo com profundo suspiro. Corta para:

SAGUÃO
Cléo receptiva Biel.

CLÉO:
E então? Como foi?

BIEL:
Fiz… Agora é torcer para que seja uma maldita cisma. ‘Bora’ almoçar? Ver sangue me deu fome e também náuseas.

Cléo ri. Eles seguem rumo à saída.

SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – QUARTO BERNARDINHO – MANHÃ
Oliver encosta porta e próximo a ele, empurra cadeira de rodas. Bernardinho assiste intrigado.

BERNARDINHO:
Pra que isso pai?

OLIVER:
Uma cadeira de rodas. Mas não se assuste e nem tire conclusões precipitadas, meu filho. Nem tudo é o que parece. Você não está paralítico, ela será a sua colega somente por algum tempo. Voltará a andar, tanto é que se eu fizer isso – faz cócegas nos pés – você vai sentir.

Bernardinho gargalha.

BERNARDINHO:
Para pai… Para pai…

Porta é aberta bruscamente por Téo, que transtornado adentra.

TÉO:
O meu irmão sofre grave acidente e não me informa?! Nem um telefonema? Sequer uma mensagem de texto enviou!

OLIVER:
Como não? Eu deixei o recado com a sua noiva.

FLASHBACK – Oliver fala ao celular com Hanna e avisa sobre o acidente de Bernardo.

SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – SAGUÃO – NOITE
Oliver com celular ao pé do ouvido, observa a vista do local por janela.

OLIVER (celular):
Alô? Téo? Aqui é o seu pai.

INTERCALA COM:
SP – HOTEL UNIQUE – INT. – SUÍTE TÉO – NOITE
Nua, deitada de barriga para baixo na cama, Hanna com a cabeça em travesseiro fala em celular.

HANNA (celular):
Oi Oliver, aqui é a Hanna. Infelizmente o meu noivo não poderá atendê-lo neste momento. Ele ta no banho…

OLIVER (celular):
Escutei bem, mas você o chamou de ‘noivo’?

HANNA (celular):
A mesma reação tive quando fui pedida em noivado agora à noite. Liga depois ou prefere deixar recado?

OLIVER (celular):
Liguei para informar sobre o Bernardinho, ele sofreu acidente no Haras. Neste momento passa bem, mas o estado já foi grave.

HANNA (celular):
Assim que o Téo sair do banho, eu informarei. (T) Nos mantenha informados.

Finaliza chamada. Cobrindo as partes pubianas com lençol branco, senta na cama. Close-up.

HANNA:
Não divido a minha noite com mais ninguém, eu sou o centro das atenções do Téo, ele só deve hoje viver pra mim!

Fecha em semblantes malignos de Hanna.

FIM DE FLASHBACK

TÉO:
Mas ela não me disse nada…

OLIVER:
São um casal, resolvam entre os dois!

Encaram-se. Corta para:

SAGUÃO
Angustiada, Hanna anda pelo ambiente pouco ocupado.

HANNA (falando sozinha):
Detesto hospital… Preferia ir a um cemitério onde só tem gente morta do que aqui com gente doente, expostos às contaminações.

Homem bem afeiçoado de 26 anos, branco com cabelos castanhos escuros estilo corte moderno com topete, cavanhaque recém aparado e corpo atlético, aproxima-se pelas costas de Hanna.

HOMEM:
Isso se a pessoa tiver imunidade baixa, o que descartamos em seu caso.

Coloca em cadeira pasta masculina de couro.

HANNA:
Martín?

Abre os braços, pronto para abraçá-la.

MARTÍN:
Hanna… A cada dia mais bonita!

Abraçam e correspondem sorrisos constantes. Jhony espia detrás de pilar.

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – SUÍTE/BANHEIRO LUIZA E VITÓRIO – MANHÃ

TRILHA SONORA – TEMA DE ALEXIA

Alexia delicia-se de banho na banheira com muita espuma. Ela sensualiza ao passar sabonete nas belíssimas pernas e nos braços.

Corta para:

SP – MANSÃO BURLAMAQUI/VEÍCULO – EX./INT. – MANHÃ
Estacionado do outro lado da pista a frente da calçada, Caio com nervos a flor da pele, espia mansão.

CAIO:
E a Luiza que não sai daquela casa… – suspira aflito – Será a Alexia descobriu a verdade?

Corta para:

SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – LIVING ROOM – MANHÃ

CLARISSE:
Já pode ir dona Luiza! Não há mais perigo algum… A sua irmã quando resolve tomar banho na banheira, só sai por decreto!

Luiza toma as mãos de Clarisse.

LUIZA:
Lhe agradeço Clarisse, obrigada por ter colocado o seu emprego em risco por mim. Vou ser grata sempre a você pelo que me fez…

CLARISSE:
Explicando o que está acontecendo ta de bom tamanho. Preciso saber com quem estou lidando dona Luiza!

LUIZA:
Vai saber… Nada mais justo. Prometi não foi? Cumprirei com a minha palavra! Anote o meu número, por telefone combinamos onde e o horário nos encontrar.

Clarisse busca em gaveta de móvel e volta com papel e caneta. Em off, Luiza diz.

Corta para:

FACHADA DA MANSÃO

Luiza deixa o interior e corre rumo ao portão aberto. Ofegante, chega ao veículo de Caio. Ela adentra.

CARRO DE CAIO

LUIZA:
Dessa vez foi por pouco!

CAIO:
E foi mesmo, olha lá só quem vem vindo.

Aponta dedo para automóvel distante. Em movimento, carro se aproxima e motorista é visível. Trata-se de Vitório. Caio e Luiza entreolham-se tensos. Caio dá partida.

SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – MANHÃ
(…)

Hanna e Martín terminam saudoso abraço. Jhony continua espiando.

MARTÍN:
Saudades suas… Nunca mais me procurou.

Hanna evidencia aliança de noivado em dedo.

HANNA:
Sou uma mulher comprometida.

MARTÍN:
E quem é o novo felizardo?

HANNA:
Novo? É figurinha repetida, carimbada em minha vida. Estou de casamento marcado com o Téo.

Martín altera drasticamente a reação, ficando incrédulo.

MARTÍN:
O Téo Toledo?

HANNA:
Surpreso pelo fato dele ter se relacionado com um homem ou porque descobriu que as vezes repito roupa usada?

MARTÍN:
Apenas impressionado… Então ele te perdoou? Se por obra do destino eu vier trombar com o Téo nos corredores daqui, não corro o risco de levar um soco por ter no passado engravidado você quando ainda estavam juntos?

HANNA (esbraveja):
Fique calado! Não lembre mais desta situação! Martín, eu te peço, imploro, esqueça o que vivemos. Não atrapalhe a minha vida!

MARTÍN:
Só fiz uma pergunta… Hanna, não tenho o menor interesse em atrapalhar a sua vida. Ganharia somente o seu desprezo. Porque desta reação inóspita diante a uma inocente pergunta?

HANNA (exaltada):
O Téo não soube do nosso caso! Não soube da minha traição! Não soube que o filho não era dele! Não soube até hoje e continuará não sabendo!

Alguém põe mão sob ombro de Hanna.

TÉO:
Querida, não quer entrar e ver o Bernardinho?

Hanna disfarça tensão.

HANNA:
Lógico, quero entregar a ele o presente que comprei. – busca bonito embrulho em assento – Espero que ele goste.

TÉO:
Ele vai adorar…

Téo envolve Hanna em braço.

MARTÍN:
Téo? Não se recorda de mim?

Aflita, Hanna esbugalha os olhos.

TÉO:
Perdoe-me, mas não o reconheço. Deveria?

MARTÍN:
Martín Abdalla… Estudamos no mesmo colégio, éramos de grupos rivais. Concorremos em chapas distintas ao grêmio estudantil. Foi uma disputa e tanta! Desclassificados por comprar votos.

TÉO:
Lembro vagarosamente… Tenho sério déficit de memória!

MARTÍN:
É falta do hábito de ler. Digo por experiência própria, sofria do mesmo mal, curei à marra ao entrar na faculdade de medicina/

ENFERMEIRA:
… Doutor Abdalla, a paciente já está no pré-operatório.

MARTÍN:
Essa é a minha deixa. – ao estender a mão, Téo cumprimenta – Prazer em revê-los e mande abraço ao Vitório. Conservo até hoje o corte no supercílio causado por ele durante uma de nossas brigas rotineiras. Mulher gosta de cicatriz, a Hanna está aqui pra não me deixar mentir.

Com sádico sorriso, Martín sai.

TÉO:
Ele não era aquele garoto apaixonado por você?

HANNA:
Não sei do que está falando… Vamos querido? Ainda tenho que passar na tia Séfora.

Téo assenti e seguem ao corredor. Jhony sai detrás de pilar próximo onde conversavam.

JHONY (intrigado):
Porque discutiam…? Tive a impressão de que escondem algo do Téo.

Fecha em Jhony intrigado.

SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – ESCRITÓRIO – MANHÃ
Séfora sentada manuseando uma caneta prata demonstra estar pensativa.

SÉFORA:
Será que se eu induzi-lo a matar a Marthina, ele cometeria o favor? Pelo sim pelo não, vale arriscar.

Leva caneta à boca.

Corta para:

SUÍTE DINHO
Marcela escorada na cabeceira da cama assiste Dinho descamisado descontar a raiva em saco de boxe.

MARCELA:
A Cozete ameaçou contar a Séfora sofre a morte do meu bebê?

Ele continua a socar.

DINHO:
Deu a entender isso… E pior, ela ultimamente vem me evitando. Retribuindo na mesma moeda o vácuo que lhe dei.

MARCELA:
Isso é ruim… – levanta-se – Dinho, é péssimo! Se não percebeu, querido perdeu um importante fantoche da peça teatral e ainda pode botar tudo a perder! Eu não nadei até aqui pra morrer na praia! Sugiro calar aquela maldita!

DINHO:
Pensei em algo… – para de socar – Armar uma cilada, encher de câmeras a garçonnière e depois ameaça-la em divulgar a imprensa caso abrir a boca.

Provocativa, Marcela desliza mão pelo corpo suado e malhado de Dinho.

MARCELA:
Muitos músculos e pouca sabedoria. Menos malhação, por favor! – abraça por trás – Fazendo isso só acarretará mais problemas! O jeito é sujar as mãos de sangue/

Ligeiramente volta-se assustado à Marcela.

DINHO (perplexo):
… Matar a Cozete?!

MARCELA:
Para meio entendedor uma só palavra basta! Marque de qualquer jeito um encontro com ela ainda hoje no ninho de amor secreto dos dois, o resto… Deixe comigo!

Barulhos de batidas na porta ecoam pela suíte. Eles dispersam pelo ambiente.

DINHO:
Pode abrir!

EMPREGADA:
Com licença… – fica na porta – A dona Séfora chama pelo sr. seu Dinho no escritório.

DINHO (intrigado):
Sabe o motivo?

EMPREGADA:
Não senhor, com licença/

MARCELA (desconfiada):
… Mais uma coisa! Como ela pediu esse favor a você? Estava serena?

EMPREGA:
De certa forma sim. Natural como costuma me dar ordem.

MARCELA:
Obrigada pode ir!

DINHO:
O que será que ela quer comigo?

MARCELA:
Independente do que seja, jogue charme! Lembre-se que ela está frágil com a prisão do meu sogro e revoltada porque descobriu que o marido a traia e possuía outra família. Vá e trague boas novas!

Entreolham-se tensos.

Corta para:

ESCRITÓRIO SÉFORA
Receoso, Dinho adentra e encontra Séfora de costas sentada em cadeira detrás da mesa.

DINHO:
Dona Séfora? Mandou me chamar eu vim e confesso, um pouco surpreso pela intimação inesperada.

Fecha a porta e toma direção a Séfora. Ela levanta e se volta a ele. Ao vê-lo sem camisa e soado, observa com olhos famintos corpo de Dinho. Prestes a falar, Séfora morde os beiços.

SÉFORA:
Não foi a faculdade hoje?

DINHO:
São aulas não presenciais esta semana, uma lástima!

SÉFORA:
Quero dar-lhe algo. – busca algo em gaveta da mesa – Mais cedo quando estive com o advogado, passei na faculdade e paguei todas as mensalidades do seu curso, tanto as atrasadas como as que vencerão foram pagas. – estende a ele – Tome…

Incrédulo e contente, Dinho toma carne e folheia promissória por promissória.

DINHO:
Mas dona Séfora… É muito dinheiro gasto!

SÉFORA:
Eu sei… E espero que me retribua.
Põe carne na mesa e toma carinhosamente mãos de Séfora.

DINHO:
Um dia retribuirei por cada centavo!

SÉFORA:
Pode retribuir agora me fazendo imenso favor…

DINHO:
Diga! Diga que farei!

Séfora anda pelo local.

SÉFORA:
Uma pessoa me fez muito mal… Muito mesmo! Magoou profundamente a mim e pode colocar toda a herança do filho da Marcela em risco. A melhor forma de evitar que isto ocorra é exterminá-la! O mal precisa ser cortado pela raiz!

DINHO:
Se eu entendi bem, me corrija se falhar. Quer que eu mate uma pessoa?

SÉFORA:
Uma jovem! Seria capaz de fazer isso por nós? Darei todo suporte, existe crime perfeito porque já cometi e nem rastros ficou! – busca algo em gaveta da estante – Vou mostrar a foto… Esta aqui é a culpada pelo Rogério estar preso. Atende pelo nome de Marthina Castiel! Bonita, não? Mas ordinária! Quero a língua dela na palma da minha mão! Vai fazer este favor a nossa família?

Encaram-se.

SP – EXT. – TARDE
Takes. O atardecer da metrópole.

Corta para: 

SP – UNIDADE MÉDICA – INT. – TARDE
Receoso, Biel toma das mãos de enfermeira envelope. Caminha não muito longe dali e abre documento. Retira papel. Vemos Cléo ao fundo aproximar-se. Close-up. Biel chora.

CLÉO:
E então? Negativo?!

Biel aos prantos estende exame para Cléo. Ela lê minuciosamente. Atônica deixa papel cair no chão e emocionada abraça Biel. Câmera filma papel no chão e mostra o resultado: positivo.

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 33 (Penúltima Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 33

 

MARTHINA: 
Quis que a verdade fosse exposta?  
  
RUÍ GUEDES: 
Lógico! Eu perdi o meu irmão… A situação tomou outras proporções e exigi que algo fosse feito! Até apelidaram o grupo de “Canibais” e disseram que eu fazia parte. Mas não me sentia entre eles. Escondiam diversos fatos e quando ameacei, armaram uma cilada. Estive preso por quase 20 anos injustamente.  
  
MARTHINA: 
Tem pra onde ir? – Ruí faz que não com a cabeça – Então fique! Você pode me ser muito útil! Me vingarei de cada um e quero contar com a sua ajuda. Posso? 
  
Ruí senta em cadeira ao lado de Marthina. 
  
RUÍ GUEDES: 
Lógico! Contribuindo com você, estarei também me satisfazendo. Mas esteja consciente Marthina, – com ênfase – estará entre canibais! 
  
Marthina estampa sorriso de canto.

 

CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

SP – CARRO CHANTEL – INT. – MANHà
Chantel estaciona veículo em acostamento de rua. No interior está acompanhada pela irmã. 
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
Qual é o interesse agora? Porque me contatou? 
  
CHANTEL: 
Por acaso você já saiu do laboratório de DNA? 
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
No final do mês… Com o dinheiro que me pagou, consigo sobreviver sem trabalhar por um longo período de tempo. Quero viajar!  
  
CHANTEL: 
Quer ganhar mais? Dobro a quantia se for o caso! 
  
IRMÃ DE CHANTEL:  
Dobrar a quantia? Mas Chantel, seria um balaio de dinheiro! Você não tem essa grana toda! 
  
CHANTEL: 
Realmente, concordo. Não tenho, mas o meu marido tem! Tiro da conta, ele nem vai saber! E se vier a descobrir, invento qualquer desculpa! O Guillermo é tolo, acredita em tudo que digo.  
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
Pagando o que me promete, adultero novamente outro resultado de DNA sem o menor problema!   
  
CHANTEL: 
Ótimo… Diga-me o que precisa para que o exame aponte como o pai biológico da Marthina, o Ruí Guedes/ 
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
… O seu ex-marido?! 
  
CHANTEL: 
Quis dizer o meu karma? Preciso me livrar dele sem precisar sujar as minhas mãos de sangue. Teoricamente falando, porque na prática…  
  
FLASHBACK – Guillermo ameaça matar quando descobrir o suposto pai biológico de Marthina. 
  
SP – COBERTURA BORBA – INT. – SUÍTE CHANTEL E GUILLERMO – NOITE 
  
[…]  
  
Chantel penteia o cabelo sentada a frente da penteadeira. Guillermo preparava-se para deitar. 
  
GUILLERMO:  
Ainda sim não consigo vê-la desta maneira. A Alexandra nunca me pediu nada! E a princípio, quando ficamos juntos ela não queria oficializar a relação de jeito algum! Justamente por conta da opinião pública e do meio artístico. 
  
CHANTEL:  
As aparências enganam… Isso prova o quanto era sórdida, ardilosa! O enganou direitinho tanto é que nunca questionou a paternidade da Marthina. – se volta p/Guillermo – Se você não é o pai biológico, quem então seria? Não possui curiosidade? 
  
GUILLERMO:  
A menor… E se descubro, mato o infeliz! 
  
Cobre-se corpo todo. Chantel se volta para o espelho e sorri enquanto enxerga Guillermo debaixo do lençol. 
  
FIM DE FLASHBACK 
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
Vai assassiná-lo? 
  
CHANTEL: 
Eu? – ri de forma malévola – É cedo demais para dar spoiler querida irmã. Acompanhe os próximos episódios da série: Matando dois coelhos com uma só cajadada! Vai fazer o serviço pra mim? 
  
IRMÃ DE CHANTEL: 
Pagando a quantia que me prometeu, farei sorrindo com o maior gosto!   
  
PENSAMENTO DE CHANTEL: 
É Ruí… Se depender de mim o seu prazo de vida vencerá em breve. 
  
Rindo, liga o automóvel.     
  
SP – CAFETERIA – INT. – MANHà
Séfora recebe em mesa homem pardo, vestido socialmente.  
  
SÉFORA: 
E então advogado, já descobriu quem fez a denúncia contra o meu marido? 
  
ADVOGADO: 
A denúncia partiu do próprio filho, Lionel Duarte. Sobrenome falso do dr. Rogério, com base na denúncia da única testemunha quem presenciou o ocorrido.  
  
SÉFORA: 
E o senhor sabe quem é esta testemunha? 
  
ADVOGADO: 
Ela atende pelo nome de… – busca em papéis – Marthina Castiel! Filha da finada atriz Alexandra Castiel. 
  
SÉFORA: 
O senhor tem certeza disso?! 
  
ADVOGADO: 
Absoluta… A fonte é confiável, chequei com a própria polícia!  
  
SÉFORA (sussurra): 
É muita coincidência… Essa menina tinha que cruzar o meu caminho? Que pentelha!    
  
ADVOGADO: 
Disse alguma coisa dona Séfora? 
  
Intrigada, Séfora responde que não, gesticulando a cabeça. 
  
SP – DELEGACIA – INT. – SALA DO DELEGADO – MANHà
Sentado a frente do delegado, junto na sala pelo escrivão, Rogério é interrogado. 
  
ROGÉRIO: 
Já expliquei… Houve uma confusão, eu não atropelei ninguém!  
  
Homem fardado bate na porta e adentra. 
  
INSPETOR: 
Com licença delegado, trouxe uma boa nova sobre o caso. O carro procurado foi encontrado batido numa mecânica e os dados do automóvel comprovam a denuncia da testemunha e incrimina o acusado. 
  
DELEGADO: 
Ao que parece a sua situação não anda nada tranquila e muito menos favorável. Pode levá-lo a sela, vou encaminhar o pedido de prisão preventiva ao juiz.  
  
Inspetor encaminha Rogério para fora dali.  
  
ROGÉRIO: 
Só pode estar de brincadeira com a minha cara! – algemado, cruza a porta – Eu, preso? Desde quando rico vai preso neste país? Sou inocente! Roubaram o meu carro! 
  
Em off, ele continua a resmungar durante percurso a sela. Câm continua na sala do delegado.  
  
SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – MANHà
Campainha toca constantemente. Marthina desce a escada.  
  
MARTHINA: 
Já vai! Já vai!  
  
Próxima da porta, ela abre bruscamente. Fecha em Marthina surpresa ao ver visita. 
  
MARTHINA: 
Você?   
  
Revela-se. 
  
SÉFORA:  
Enfim nos encontramos! Só não me convide para entrar e tomar uma xícara de café, porque terei que rejeitar. Venho duma cafeteria. 
  
Elas entreolham-se.  
  

  
SP – SHOPPING JK IGUATEMI – INT. – MANHà
Takes. Biel e Cléo cruzam a porta de entrada do estabelecimento suntuoso, restrito à burguesia paulista. Geral das mais de 180 lojas cujas vitrines impecáveis contribuem com a finésse do prédio. Já com compras em mãos, felizes, Biel e Cléo seguem para a escada rolante. Último take. Fachada de loja chique. 
  
Corta para: 
  
INTERIOR DA LOJA 
Takes. Cléo prova algumas roupas em provador. Biel emite palpites. Último take. Cléo sai com vestido colado.  
  
CLÉO: 
E este? O que achou? 
  
BIEL: 
Desnecessário amiga! Mal dá para você respirar, imagine a criaturinha que leva na barriga! Pobrezinho… 
  
VENDEDORA: 
Ah, você está grávida? 
  
CLÉO: 
Estou mas não queria estar e quem sabe não mais estarei. Ficarei com este vestido, aconteça o que acontecer! 
  
Biel e Cléo entreolham-se atravessados. Ela retorna ao provador.  
  
Corta para: 
  
PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO 
Sentados um de frente para o outro, Biel e Cléo conversam enquanto comem lanches de famosa hamburgueria. 
  
BIEL: 
Estou preocupado, preocupadíssimo por sinal! Cléo, você tem todo o direito de não querer esta criança como também o Miguel tem de saber que vai ser pai!  
  
CLÉO: 
Se for para dar lição de moral, dispenso a sua companhia. Estou esgotada, de saco cheio! Sou maior de idade, vacinada contra H1N1 e respondo pelas minhas atitudes, inconsequentes ou não!  
  
BIEL: 
Então resolva esta situação! Se não quer, tira logo! O que lhe impede de abortar? Pelo que sei nada! Está evidente de que possui dúvidas! Pelo sim pelo não, escolha a decisão que não lhe fará arrepender-se depois. E o namoro? 
  
CLÉO: 
Não anda nada bem… Ultimamente tenho evitado em  encontra-lo. É inevitável olhar para o Miguel e não lembrar do filho que esperamos. 
  
BIEL: 
Resolva antes que a flor desabroche! 
  
Bebe refrigerante pelo canudo em copo tamanho médio.  
  
SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – MANHà
Ao adentrar no interior, Alexia com sacolas de supermercado em mãos, sente com o olfato apurado perfume no ar.  
  
ALEXIA (intrigada): 
E esse cheiro? 
  
CLARISSE: 
Não ouvi dona Alexia?  
  
ALEXIA (intrigada): 
Esse perfume… Essa essência… Sinto cheiro da minha irmã Luiza! 
  
CLARISSE: 
Acho que é a minha nova colônia!  
  
Alexia cheira Clarisse. 
  
ALEXIA: 
Não… Não é você não! Até porque o seu salário não daria para pagar uma só parcela dele. – busca vestígios – Alguém esteve aqui? Quem?! 
  
CLARISSE: 
Cheguei a pouco da feira e neste meio tempo ninguém esteve dona Alexia. 
  
ALEXIA: 
Tome! – entrega sacolas – Agilize logo com estas compras e vá preparar o meu banho de sais na suíte principal.  
  
CLARISSE: 
Na suíte que pertence à dona Luiza? 
  
ALEXIA:  
Pertencia! Porque se vou casar com o Vitório, tudo aqui nesta resistência me pertencerá! – pensamento – E não demorará muito para tomar posse de tudo, absolutamente tudo! 
  
Luiza soa de aflição detrás de cortina no living room. 
  
SP – SHOPPING JK IGUATEMI – INT. – PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO – MANHà
(…) 
  
Alimentados, Biel e Cléo preparam-se para sair. Rapaz magro, de topete loiro e cabelos castanhos aproxima.  
  
RAPAZ: 
Biel? É você? Quanto tempo! 
  
BIEL (surpreso): 
Cláudio?  
  
CLAUDIO: 
Coincidência te reencontrar aqui, uma semana depois da morte do Fabinho. Ele quis tanto te ver! Morreu sem ter realizado o último desejo.   
  
BIEL (perplexo): 
Como assim o Fabinho morreu?! Vou até me sentar aqui… – senta-se em cadeira – Quando foi isso? Como aconteceu?! 
  
CLAUDIO: 
Tudo muito rápido… Coitado, descobriu avançado demais o vírus da aids.  
  
BIEL: 
Ele era portador?!  
  
CLAUDIO: 
Há bastante tempo!    
  
Biel boquiaberta incrédulo.  
  
SP – MANSÃO CASTIEL – EXT. – JARDIM – MANHà
Séfora tomando copo de suco, é encarada por Marthina. Constrangida, disfarça olhando ao redor. Estão sentadas debaixo de pergolado.   
  
SÉFORA: 
Muito bonito o jardim. Alias, a casa toda! Impecável como a sua mãe costumava a deixar. 
  
MARTHINA: 
Suponho que não veio elogiar o jardim, tampouco a decoração da casa. Se puder adiantar o motivo… Tenho muitos compromissos. 
  
SÉFORA: 
Está bem! Vim pedir que tirasse a denuncia contra o meu marido Rogério. Soube que é a única testemunha do caso Holly. Por favor, é o pedido duma mulher desesperada. Você pode tirar o meu marido detrás das grades! 
  
Marthina levanta-se e anda.  
  
MARTHINA: 
A troco de nada? Faria isso por livre espontânea vontade? Ou porque me pediu? Alguém por quem não tenho a menor afinidade? Acha mesmo que daria a minha cara à tapa por nada? 
  
Posiciona-se detrás da cadeira. 
  
SÉFORA: 
Se quiser dinheiro, darei! A minha revista é a mais vendida do país… Faça o seu valor… Eu pago! 
  
MARTHINA: 
Há 20 anos atrás não era exatamente bem assim, não é? Soube que a sua revista já passou por altos e baixos. Até quase decretaram falência… Mas graças a morte da minha mãe, a vendagem disparou avassaladoramente e atingiu o ápice histórico de milhões de vendas, garantindo a renda até hoje da família Sampaio. 
  
SÉFORA: 
Vejo que é uma menina bastante sabida. Mas aonde quer chegar? 
  
Marthina volta a sentar-se na cadeira. 
  
MARTHINA: 
Doe todo o valor arrecadado com as publicações sobre a morte da minha mãe à uma instituição de caridade.  
  
Séfora levanta ríspida. 
  
SÉFORA (tom alto): 
Não posso! É muito dinheiro! Ficaria quase nua! Garota, estamos falando de milhões de reais!  
  
MARTHINA: 
Então eu sinto muito, mas o seu marido continuará preso. Já sabe o caminho da saída, pela mesma porta a qual entrou. Pode ir e passar bem!     
  
Indignada, Séfora apanha a bolsa em assento. 
  
SÉFORA: 
A nossa conversa não acaba aqui! 
  
Marthina acena cinicamente. Irada, Séfora sai.  
  
SP – ESTACIONAMENTO SHOPPING JK IGUATEMI/VEÍCULO BIEL – EXT./INT. – TARDE 
Biel e Cléo entram no automóvel.  
  
CLÉO: 
Biel me tire uma curiosidade, por favor. Quem foi Fabinho?  
  
BIEL (ríspido): 
Porque quer saber?! 
  
CLÉO: 
Calma… Se não quiser responder, permaneça calado, não me responda! Só fiquei intrigada, ficou abalado quando soube da morte dele. – Lágrimas escorrem dos olhos de Biel – Ta chorando? 
  
BIEL: 
Ele foi um ex paquera! O Cláudio, amigo dele, foi quem nos apresentou. Dividiam apartamento no Morumbi. Foi numa house party dada por eles que fomos apresentados. 
  
CLÉO: 
Você ainda o amava? 
  
BIEL: 
Pra ser sincero nunca o amei e sentimento era recíproco. O Fabinho me satisfazia, era um amante qualquer assim como outros que tenho. Ele também era livre, transávamos sem compromisso!  
  
CLÉO: 
Alguma coisa ta pegando… Não ficaria assim atoa, devastado, por um simples companheiro de cama. Quer me dizer? 
  
BIEL: 
Se ele era aidético, há grande possibilidade de eu ter também contraído o vírus.  
  
CLÉO: 
Transavam sem preservativo? Quanta irresponsabilidade! E agora? 
  
BIEL: 
Não tenho a menor condição em dirigir! Leva-me pra casa? 
  
CLÉO: 
Não senhor… Não prefere acabar com esta suspeita? Ela vai lhe assolar durante todo o dia! Faço o teste com você, vamos a uma clinica especializada? Vai sentir-se melhor quando o resultado do exame der negativo. Acho que está sofrendo por antecipação… Confie. 
  
BIEL (semicerra os olhos): 
Confio cegamente, tanto que até as chaves do meu carro estou te dando. Sinta-se privilegiada! 
  
Risos. Cléo acaricia rosto de Biel. 
  
CLÉO: 
Vai ficar tudo bem…  
  
Biel abre sorriso pouco otimista.  
  
SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – SUÍTE ROGÉRIO E SÉFORA – MANHà
Séfora invade local transtornada, derruba objetos do aparador e posiciona-se a frente do espelho.  
  
SÉFORA (esbraveja sozinha): 
Aquela menina mimada cutucou a onça com vara curta! Eu vou matar a Marthina! Ela que se cuide!  
  
Close-up em semblantes carregados por negatividade de Séfora.

carlota

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 32 (Penúltima Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 32

 

MARTHINA: 
Foi você não foi? Foi você o culpado pela morte dela?

RUÍ GUEDES: 
Pela morte não, acredite: foi acidental. Mas fui eu quem contratou o rapaz que estava com ela no momento da tragédia.

Enfurecida, Marthina passa por Ruí.

MARTHINA: 
Eu não acredito Ruí, não acredito/

RUÍ GUEDES: 
… Ele era o meu irmão. Por isso eu lhe digo e dou a minha palavra: o acidente não estava premeditado! Nós não queríamos aquilo, não queríamos!

Ambos encaram-se.

MARTHINA: 
Nós? Então há mais do que uma só pessoa? Quem são Ruí?! Quem são?!
 

CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

Ruí engole intimidado engole saliva. 
  
RUÍ GUEDES: 
Somente contribui com o suposto amante da Alexandra. Ela era uma mulher integra incapaz de trair o Guillermo! Tanto que não acredito que você não seja filha biológica dele, garanto que há algo de errado nisso! 
  
MARTHINA: 
Não me faça perder ainda mais a paciência Ruí! Estou à beira de pegar o telefone e chamar a polícia! Dê nome aos bois e diga quem foram os envolvidos no plano mirabolante o qual tirou a vida da minha mãe!  
  
RUÍ GUEDES: 
Chantel Borba, quem a dopou. Trindade, o fotográfo que registrou as fotografias e Séfora Sampaio, a cabeça de tudo. Foram esses Marthina, os culpados pela morte da Alexandra Castiel.  
  
Marthina atônica senta na cama. 
  
SP – APART. CAIO – INT. – HALL – NOITE 
Caio acabara de chegar. Exausto, põe pasta social em poltrona e abre nó da gravata.  
  
VOZ DE LUIZA: 
E então Caio? Como foi na reunião com o Vitório? Conseguiu o emprego de diretor na TeleBras? 
  
Caio dirige-se a… 
  
COZINHA 
Luiza cozinhava. Caio escora-se em porta. 
  
CAIO: 
Consegui! Sempre consigo tudo! Um profissional com o  currículo de cineasta internacional não seria descartado por uma emissora de televisão. Pelo contrário, estou sendo tratado na maior poupa! 
  
LUIZA: 
Enfim o meu plano de justiça contra a Alexia está dando certo… Que maravilha! Tenho sede por vê-la atrás das grades! Criminosa… Passou-se de arrependida para reconquistar o Vitório e me colocar de escanteio! E ela? Aproximou-se da minha irmã? 
  
CAIO: 
Então… Era exatamente sobre isso que eu gostaria de falar. Quero encontrar as melhores palavras para amenizar tal sofrimento mas pressuponho que nada diminuirá a dolorosa decepção.  
  
LUIZA: 
Está me deixando aflita Caio, anda, fale-me logo antes que seja tarde demais e esta faca esteja cravada em seu peito! 
  
CAIO: 
A Alexia e o Vitório vão se casar!  
  
LUIZA: 
Já? Mal enviuvou, eu mal descansei no caixão e ele vai se casar? 
  
CAIO: 
Marcaram o casamento para a próxima semana. Na emissora não se fala mais em outra coisa a não ser sobre isso e também sobre o seu desaparecimento repentino. E digo mais, ouvi por alto sem querer a Alexia comentar sobre um plano para justificar a sua ausência, que até então foi explicada por uma viagem.  
  
LUIZA: 
Plano? Que plano? 
  
Corta rápido para: 
  
SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – SUÍTE – NOITE 
Vitório descamisado recebe massagem na cama, feita por Alexia vestida sensualmente com baby doll de estampa com onça. 
  
ALEXIA: 
E então querido? Pensou melhor sobre o plano? 
  
VITÓRIO: 
Acho tremendamente arriscado armar acidente com o automóvel da Luiza. É mirabolante demais meu amor! E se descobrem que não há corpo?  
  
ALEXIA: 
Não me subestime, já pensei nas infinitas possibilidades. Temos duas opções: desenterremos a Luiza e a botamos no carro ou jogaremos o veículo ribanceira abaixo! O que acha? 
  
VITÓRIO: 
A sua genialidade às vezes me põe medo. Faça aquilo que não nos coloque como principais suspeitos. 
  
ALEXIA: 
Fique tranqüilo, pode deixar! Eu armei a minha própria morte, fui a Ibizza e nunca ninguém desconfiou. Estive morta por durante dois anos! Sei o que faço… 
  
Fecha em sorriso maligno de Alexia. 
  
SP – EXT. – MANHà
Takes. O nascer do dia na capital Paulista. Monumentos da cidade. Último take. Fachada do Hotel Unique. 
  
Corta para: 
  
SP – HOTEL UNIQUE – INT. – RESTAURANTE – MANHà
Téo aproxima-se de mesa onde Hanna toma café da manhã. 
  
TÉO: 
Acordou e não me chamou? Muito bonito a senhora…  
  
HANNA: 
Sempre detestou acordar cedo. Lembro que na juventude você dizia que acordar cedo era obrigação de assalariado e se defendia dizendo que era herdeiro e por isso acordava ao meio-dia e olhe lá! As aulas começavam a uma e meia e você chegava a uma e quarenta! Sem ter almoçado…  
  
Risos. 
  
TÉO: 
As coisas mudaram… Hoje eu sou empresário independente e não disponho mais da fortuna da família.  
  
HANNA: 
Você viu? O meu tio foi preso… Está em todos os jornais paulistas e não me surpreenderia se a repercussão for nacional! 
  
TÉO: 
O Rogério preso? 
  
Hanna estende jornal impresso a Téo.    
  
HANNA: 
Titia está arrasada. Não recebe ninguém inclusive a mim. Quer ficar reclusa! Dispensou até os empregados, tenho medo do que ela por vir cometer.  
  
TÉO: 
A Séfora não seria capaz de cometer suicídio, se este for o seu medo, fique tranquila. Não conheço outra pessoa que ame mais a vida do que ela. Ainda mais prestes a ser avó.  
  
Hanna assenti. Téo acena para garçom.  
  
SP – SOBRADO DUARTE – INT. – HALL – MANHà
Tereza atende a porta de entrada.  
  
TEREZA: 
Pois não? Quem é a senhora? 
  
Séfora adentra bruscamente a casa e observa todos os cantos. 
  
TEREZA: 
Ei! Que abuso! Chamarei a polícia! Como ousa a entrar em minha casa sem ao menos convidá-la?! Olha o tipo, nem a conheço! 
  
SÉFORA: 
Realmente não me conhece ou se faz de sonsa?  
  
TEREZA: 
Sonsa? Desculpe-me, mas está em minha casa, sob o meu teto, se insistir em me ofender serei obrigada a respondê-la do mesmo tom, mas não em palavras e sim por ação! Tiro-lhe daqui à tapas!  
  
SÉFORA:  
Além de sonsa é barraqueira/ 
  
TEREZA (tom alto): 
… Eu avisei! 
  
Ergue a mão e Séfora repreende bofetada.  
  
SÉFORA (esbraveja): 
Não rele um só dedo em mim ou vai sair muito caro! Sou Séfora Sampaio, a esposa oficial do Rogério Sampaio! O homem quem você botou atrás das grades!  
  
Encaram-se tensas. 
  

  
SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – CAFETERIA – MANHà
Oliver senta ao lado de Jhony em assento a frente do balcão. 
  
OLIVER: 
O Bernardinho acordou e já perguntou por você. – percebe algo – Ta chorando Jhony? 
  
JHONY: 
Alguém me deu motivos…  
  
Jhony entrega celular a Oliver e mostra reportagem em site de fofoca: “Recém separado, Téo Toledo pede sobrinha de Séfora Sampaio em casamento”. 
  
JHONY (emocionado): 
Com uma mulher? Oliver, o seu filho me trocou por uma mulher!  
  
Aos prantos é abraçado por Jhony comovido. 
  
OLIVER: 
Não sei o que falar… 
  
Ressentido, Jhony encara Oliver. 
  
JHONY (transtornado): 
Quem agora faz questão pelo divórcio, sou eu! Com dor no coração te garanto que o Téo morreu pra mim, infelizmente ele acaba de ocupar espaço em meu passado. Odeio o Téo, hoje sinto aversão a ele! 
  
Voltam ao abraço. 
  
SP – HOTEL UNIQUE – INT. – RESTAURANTE – MANHà
(…) 
  
Téo come waffles com maple syrup e Hanna a frente dele, lê atentamente notícias do dia em jornal impresso. 
  
HANNA: 
Meu Deus! Querido, soube o que aconteceu com o seu irmão?! 
  
TÉO: 
Com o Bernardinho? 
  
HANNA: 
Veja!  
  
Estende a Téo o jornal. Antes de apanhar, ele limpa mãos e boca em guardanapo de tecido com detalhes costurados a fios de ouro.  
  
TÉO (leitura): 
Após perder a mãe, caçula de Oliver Toledo sofre grave acidente. Bernardo Toledo, de dez anos correu o risco de ficar paraplégico ao cair do cavalo em Haras da família Sampaio situado no interior do estado. – termina leitura, abaixa jornal, incrédulo olha p/ Hanna – O meu irmão quase morre e nenhum telefonema o meu pai me dá?! Isso não vai ficar assim! Era o que precisava para dar um basta nisso! 
  
Irado, retira celular da mesa e leva ao pé do ouvido. 
  
HANNA: 
O que vai fazer? 
  
TÉO: 
Acelerar o processo de adoção! O meu pai é incapaz de criar o Bernardinho! Tomarei a guarda dele! – ligação é atendida – Alô, advogado? Quem fala é o Téo Toledo/Áudio cortado
  
Apreensiva, Hanna bebe o pouco de capuccino que resta em xícara.   
  
SP – MANSÃO BURLAMAQUI – EXT. – FRENTE – MANHà
Acobertada atrás de árvore, Luiza espia Vitório sair com automóvel. Durante espionagem, sente mal estar e enxerga embaraçada. 
  
LUIZA:  
Que repentina tontura… Ai que dor de cabeça… – saca celular e faz ligação – Caio, vem me buscar, mas venha o quanto mais rápido possível! (T) To passando mal, muito mal! 
  
Desfalece e desaba no chão com celular ligado em mãos.  
  
VOZ DE CAIO: 
Alô? Luiza? Onde está?! Luiza! 
  
Alguém cuja identidade não é revelada, retira aparelho das mãos de Luiza.     
  
SP – HOSPITAL –INT. – QUARTO HOLLY – MANHà
Miguel assiste à Holly adormecida na cama. Lionel entra no local e tímido aproxima-se. 
  
LIONEL: 
Como ela está? 
  
MIGUEL: 
Bem… Graças a Deus amanhã recebe alta. Cochilou agora pouco, mas perguntou por você. 
  
LIONEL: 
Sinto a falta dela. E pensar que ela está assim por causa do meu pai. – entreolham-se – Será que podemos conversar lá fora? 
  
Miguel consenti e juntos deixam o local. Corta para: 
  
CORREDOR 
Miguel e Lionel caminham em passos brandos.  
  
MIGUEL: 
Soube o que fez, parabéns… Imagino o quanto sofreu para tomar a decisão em denunciar o próprio pai.  
  
LIONEL: 
Vocês tinham razão com relação ao meu pai. Devo pedido de desculpa à Marthina e principalmente a você pelo que disse. Falei barbaridades ao seu respeito, quem só tentou abrir os meus olhos. 
  
MIGUEL: 
Não te critico, quase fiz o mesmo quando soube a verdade sobre o passado do meu pai. Cresci com ele dizendo ter sido radiologista quando foi na realidade um famoso fotógrafo.  
  
Lionel estende a mão direita. 
  
LIONEL: 
Amigos?    
  
MIGUEL: 
Irmãos!  
  
Puxa mão estendida de Lionel e rouba-lhe forte abraço. 
  
SP – SOBRADO DUARTE – INT. – MANHà
(…) 
  
Séfora continua a olhar enfurecida para Tereza. 
  
SÉFORA: 
Como uma mulher se presta por tão pouco? Contentar-se com sobras dum homem casado? Que falta de amor próprio! 
  
TEREZA: 
Se quer saber sou tão vítima quanto você! Acha mesmo que se eu fosse amante do Rogério iria viver na pindaíba como vivo? Sobrevivendo de alugueis e dum bar de bairro classe média? Se soubesse, faria sim exigências! Até porque tenho um filho dele! Mesmo não sendo casados no civil, tenho direitos! 
  
SÉFORA: 
Agora quer o dinheiro do meu marido? Aproveitadora… Sangue suga!   
  
TEREZA: 
Calada! – acerta-lhe bofetada – As duas foram enganadas por um homem e se revolta contra mim?  Deveríamos nos unir e acabar de vez com o seu marido que por coincidência também é o meu! E não travar batalha entre nós duas! O culpado é o Rogério, somente ele.  
  
SÉFORA: 
Este tapa que me deu sairá muito caro! 
  
Possessa pela fúria, deixa o local. Tereza suspira.  
  
TEREZA (indignada): 
Que mulher despeitada… Não merecia esse castigo meu Deus, não merecia!  
  
Encaminha-se à porta e a tranca.  
  
SP – MANSÃO BURLAMAQUI – INT. – LIVING ROOM – MANHà
Deitada em sofá, aos poucos Luiza retoma a consciência. Desnorteada observa o local. 
  
LUIZA: 
Aonde estou? Acho que to sonhando, me parece com a minha casa. 
  
CLARISSE: 
Dona Luiza?  
  
Incrédula levanta-se.  
  
LUIZA: 
Clarisse?! Diga-me que isso é um sonho! Me acorde!  
  
CLARISSE: 
Encontrei a senhora desmaiada na calçada a frente. Vinha da feira. Quando chegou de viagem? 
  
LUIZA: 
Viagem? Isso não pode estar acontecendo… Clarisse eu preciso sair daqui! Antes que – ouve barulho de porta abrir – alguém me veja!  
  
CLARISSE: 
Porque senhora? Esta é a sua casa!   
  
VOZ DE ALEXIA (de longe): 
Clarisse! Tire o Vitório Junior do carro! Aquela peste não quer sair de lá! 
  
LUIZA:  
Por favor Clarisse, me ajude?  
  
CLARISSE: 
A senhora promete me contar sobre o que está acontecendo nesta casa?  
  
LUIZA: 
Prometo… Prometo! Mas precisa jurar que manterá em extremo sigilo! Ninguém pode saber que eu estive aqui! Jura? 
  
Clarisse assenti.  
  
VOZ DE ALEXIA (de longe): 
Ajude-me aqui com as compras Clarisse!  
  
CLARISSE: 
Já estou indo senhora! – sussurra – Dona Luiza, se esconda de preferência aqui mesmo! Já venho lhe buscar!  
  
Sai eufórica. Luiza busca com os olhos algo no ambiente. 
  
LUIZA: 
Aonde vou me esconder? 
  
Close-up em Luiza intrigada. Corta para: 
  
FRENTE DA MANSÃO 
Alexia retira sacolas de supermercado do porta-malas do carro. Clarisse chega.  
  
CLARISSE: 
Pronto senhora! Perdoe-me, adiantava o almoço… 
  
ALEXIA: 
Sem me questionar? 
  
CLARISSE: 
Foi a mando do dr. Vitório! Ele quem sugeriu o prato do almoço.  
  
ALEXIA: 
Está bem… Ajude-me aqui, por favor! Leve as compras pra dentro!  
  
Clarisse carrega compras do chão. Alexia fecha porta-malas e pega as sacolas que sobraram. Ambas seguem em direção ao interior da mansão.  
  
SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SALA DE JANTAR – MANHà
Marthina sozinha diante a enorme mesa, cabisbaixa, come pedaço de bolo e toma refresco de laranja. Alguém com duas malas de mãos aproxima.  
  
RUI GUEDES: 
Vim me despedir de você. Marthina, eu realmente peço que me perdoe. Eu não queria ter-lhe causado tanto sofrimento. Estou de partida mas me coloco a sua disposição. Se tiver alguma coisa que eu possa fazer para me redimir, diga que farei com a maior vontade, fui usado e descartado de forma desumana. Me botaram na cadeira depois de ameaça-los em contar a verdade.  
  
MARTHINA: 
Quis que a verdade fosse exposta?  
  
RUÍ GUEDES: 
Lógico! Eu perdi o meu irmão… A situação tomou outras proporções e exigi que algo fosse feito! Até apelidaram o grupo de “Canibais” e disseram que eu fazia parte. Mas não me sentia entre eles. Escondiam diversos fatos e quando ameacei, armaram uma cilada. Estive preso por quase 20 anos injustamente.  
  
MARTHINA: 
Tem pra onde ir? – Ruí faz que não com a cabeça – Então fique! Você pode me ser muito útil! Me vingarei de cada um e quero contar com a sua ajuda. Posso? 
  
Ruí senta em cadeira ao lado de Marthina. 
  
RUÍ GUEDES: 
Lógico! Contribuindo com você, estarei também me satisfazendo. Mas esteja consciente Marthina, – com ênfase – estará entre canibais! 
  
Marthina estampa sorriso de canto.

Angel_Verdades

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

| EXCEPCIONALMENTE NESTE SÁBADO, CAPÍTULO INÉDITO |

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

Z8Y3HN5oKllVaiOPd7c2nw_r

Entre|C A N I B A I S – Capítulo 31 (Penúltima Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 31

 

MARTHINA: 
Pronto, cheguei! – senta ao lado – Morreu por esperar? Em meia hora me telefonou mais de centenas de vezes! O assunto é tão grave assim? Precisa de quanto em dinheiro? Ta devendo pra traficante? 
  
DINHO: 
O assunto é grave sim e de sumo interesse seu. Marthina, você foi vítima duma armação! A sua madrasta adulterou os resultados de DNA para não ser filha do Guillermo Borba! 
  
MARTHINA: 
Então a minha mãe não mentiu? 
  
DINHO: 
Você realmente é filha dele! 

Close-up em Marthina atônita.

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CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

DINHO: 
Marthina? – estrala os dedos a frente dela – Marthina! – desperta sua atenção – Duma hora pra outra ficou atônica!

MARTHINA: 
E não é pra ficar? Dinho você tem a absoluta certeza do que acabou de me revelar?! Jura que não é brincadeira por favor…

DINHO: 
Juro pelo o que mais me importa: o amor que sinto por você!

Vai beija-la mas Marthina desvia e fica de pé.

MARTHINA: 
Então me explique! Como soube disso?

Dinho levanta-se.

DINHO: 
Ouvi a Séfora Sampaio, amiga da Chantel, comentar com a sobrinha.

Marthina bufa de raiva e dá as costas.

MARTHINA: 
Que raiva de mim! Como fui tola! Como pude me deixar cair numa armação?! Quem sempre esteve na linha de frente, sempre atacou, recebe um golpe desses?! Não me perdôo! Fui uma ingênua! Quase tirei a minha vida quando soube do resultado dos exames de DNA!

Dinho a abraça pelas costas.

DINHO: 
Agora que sabe a verdade, pensa em fazer o que?

MARTHINA: 
Vingar-me! – encara profundamente nos olhos de Dinho – Antes fazia justiça pela honra da minha mãe, agora farei vingança e em meu nome!  A Chantel não perde por esperar!

Apanha copo de drink vazio em cima do balcão e estoura apertando com raiva na mão.

SP – COBERTURA BORBA – INT. – SUÍTE/BANHEIRO CHANTEL E GUILLERMO – NOITE
Seguimos Chantel do corredor para a suíte. Ela abre uma porta.

CHANTEL: 
Querido a janta já foi posta a mesa. – flagra Guillermo nu e excitado no banheiro – Que merda é essa Guillermo?! – vê revista sexual em cima da privada – Se masturbando com antigo ensaio fotográfico da Alexandra Castiel de mil novecentos e bolinhas? Eu não mereço isso!

Saia furiosa mas é segurada por Guillermo.

GUILLERMO: 
Chantel eu posso explicar!

CHANTEL: 
Procure-me assim que a tensão sexual diminuir!

Livra-se e sai do local.

GUILLERMO: 
Que vacilo eu dei! Que bola fora!

Frustrado Guillermo põe mão na cabeça.

SP – LOFT HANNA – INT. – SUÍTE HANNA – NOITE
Com vestido, cabelo e make deslumbrantes, Hanna sai do closet de roupas.

HANNA: 
E que tal titia? Como estou?

Maravilhada Séfora levanta da cama.

SÉFORA: 
‘Mon amour’, você está divina, impecável! Digna de ser a minha sobrinha! – rápido abraço – Consigo imaginar e descrever a ação exata que a sua mãe teria diante de você assim. Ela ficaria boquiaberta e não pronunciaria uma única palavra até a vistoria dos pés a cabeça terminar. Levaria alguns minutos e você se sentiria insegura, com a certeza de que ela reprovaria. Mas não… A minha irmã olhava calada a cada detalhe e fotografava na mente para sempre recordar. O seu pai detestava, era motivo de discussão, mas ela tinha essa mania! – risos – Saudades…

Sentam ao pé da cama.

HANNA:
Se discutiam, tinham razão! Que mania chata era essa da minha mãe! Pouco me recordo daquele tempo, estudava período integral, mais vivia na escola do que em casa. Constantemente tenho pesadelos com o acidente,  busquei profissionais de diversas áreas, inclusive ajuda espiritual para livrar-me das lembranças daquele dia inóspito! Eu, no auge da minha infância, estirada na pista de asfalto quente, distante do veículo capotado enxergava papai tentando tirar mamãe entre as ferragens e de repente… – voz embargada por choro – Explode!

Abraçam emocionadas.

SÉFORA: 
Não chore ou vai borrar a maquiagem! – toca a campainha – Recomponha-se porque talvez seja o Téo.

Dirige-se ao…

HALL DE ENTRADA 
Séfora abre a porta e ostenta os dentes brancos e perfeitos ao ver a visita.

TÉO: 
Boa noite?

SÉFORA: 
Téo… – puxa-o para dentro – Como está gato!

Fecha a porta.

TÉO: 
Como não sabia que estaria aqui, trouxe apenas um arranjo de flores. A culpada é a Hanna que não me avisou.

Hanna aproxima-se de Téo e dão rápido beijo. Ficam abraçados.

HANNA: 
Satisfeita tia? Colocou-me em maus lançois!

SÉFORA: 
Não seja por isso… – pega bolsa em sofá – Tchau! Ninguém me viu aqui!

Risos. Téo estende a Séfora arranjo de flores de distintas espécies mas na mesma coloração: salmão.

TÉO: 
Tome! Quero que fique com ele.

Séfora toma emocionada.

SÉFORA (emocionada): 
Obrigada Téo… Não sabe o quanto eu torço para que vocês dois fiquem juntos.

HANNA: 
Vamos? Tia vai cuidar do meu apartamento?

SÉFORA: 
É muito debochada essa menina… Vou tomar o elevador junto.

HANNA: 
Então vamos…

Saem e Hanna fecha a porta.

SP – EXT. – NOITE
Takes. O bom fluxo de veículos na Avenida paulista. Ciclistas em ciclovias da av. Fonte de água dançante no parque Ibirapuera. Último take. Viaturas policiais estacionam em frente do edifício da família Sampaio.

Corta para:

SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – HALL – NOITE 
Empregada atende a porta.

EMPREGADA:
Pois não?

DELEGADO: 
Sou delegado do primeiro distrito policial do bairro da Liberdade, tenho expedido uma ordem de prisão em nome de Rogério Sampaio. Peço que a senhora o chame por obséquio.

Corta para:

SUÍTE ROGÉRIO E SÉFORA
De pijama cor ouro, Roger abre a porta.

ROGÉRIO: 
Que foi? Que cara de quem viu um fantasma é esta mulher?

Nítida aflição da doméstica.

EMPREGADA: 
Há policiais no hall do apartamento esperando pelo senhor. Seu Rogério vieram prendê-lo!

Rogério esbugalha os olhos.

CONTINUAÇÃO. 
  
ROGÉRIO: 
Diga que eu não estou! Invente qualquer desculpa mas se livre deles! Dobro, triplico o seu salário!

DELEGADO: 
Querendo induzir a funcionária para acobertar o seu crime?

ROGÉRIO (aflito): 
Crime? Que crime?! Só estou cansado, tive um longo e exaustivo dia na minha empresa!

DELEGADO: 
Conversaremos em um local propício: a delegacia! O senhor está preso, acusado de bigamia e tentativa de homicídio! Podem algemá-lo!

ROGÉRIO: 
Não, eu me recuso! – é pego ao tentar fechar a porta da suíte – Não!

Dupla de policiais o algemam/Corta

HALL 
Intrigada Séfora adentra ao Triplex.

SÉFORA:
O que policiais fazem aqui? – p/ policial – Meu querido, o que está acontecendo? Sou a proprietária deste apartamento. – policiais descem com Rogério – Rogério? O que fazem com o meu marido?! Soltem-no!

ROGÉRIO:
Estão cometendo uma injustiça querida, não acredite em nada que digam, é golpe!

DELEGADO:
A senhora é o que do detido?

SÉFORA:
Mulher! Sou a esposa dele! Por quê?!

DELEGADO:
Peço que a senhora também nos acompanhe a delegacia. O seu marido foi reconhecido por uma testemunha quem o flagrou atropelando uma moça no bairro da Liberdade e não prestou socorro a vítima.

SÉFORA:
Bairro da Liberdade? Desculpe-me, mas há um enorme equivoco! Nós não frequentamos aquela parte da cidade.

DELEGADO:
A senhora talvez, mas o seu marido… Até casa tem no bairro!

SÉFORA: 
Casa?

DELEGADO: 
Melhor dizendo… Lá ele tem até outra família e se utiliza do sobrenome Duarte! O próprio filho quem denunciou o verdadeiro sobrenome.

Volta-se olhares marejados a Rogério.

SÉFORA: 
Não seria capaz… Se isso for uma câmera escondida, encerre por aqui porque eu acho que vou desmaiar.

Desfalece e desaba ao chão.

ROGÉRIO: 
Séfora!

Tenta ampara-la mas é retido por policiais que o tiram do local.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE MARTHINA – NOITE
Marthina encosta porta, deixa bolsa em poltrona, retira os sapatos e anda pelo local.

MARTHINA:
Chantel… Chantel… Chantel… Madrasta querida… Você vai provar do próprio veneno! Novo propósito de vida? Seduzir o próprio pai! Até que não vai ser tão difícil, o coroa dá um caldo!

Rindo joga-se na cama.

SP – COBERTURA BORBA – INT. – BANHEIRO SUÍTE CHANTEL E GUILLERMO – NOITE
Guillermo toma banho/Corta De toalha em volta da cintura e outra nas mãos, enxuga abdômen e cabelo. Caminha para o…

QUARTO 
Guillermo depara com Chantel de camisola passando creme em perna malhada sob a cama.

GUILLERMO: 
Durante o jantar você não deu uma só palavra. Mal me olhou nos olhos. – acocha Chantel mas ela sai – O que foi? Até quando insistirá nesta infantilidade?

Chantel coloca o pote de creme sob a penteadeira e vai para o…

BANHEIRO 
A frente da pia,  Chantel joga água e enxuga com toalha o rosto.

CHANTEL (tom alto): 
Qual a dificuldade em entender que a Alexandra quando viva soube apenas aproveitar-se de você? Guillermo, ela o traia com a classe de atores toda! Bastasse apresentar o DRT! Aproximou-se de você por interesse! Ela queria garantia de que teria um contrato longo e generoso da emissora qual é herdeiro.

VOZ DE GUILLERMO: 
Francamente confesse que mal ela te fez para odia-la tanto?

CHANTEL: 
Não a odeio! – retorna ao quarto – Só não tive bons motivos para gostar de quem fazia do próprio corpo ferramenta de trabalho e de conquistas! Conseguia personagens em novelas à custa dos outros! Eu mesma fui uma das vítimas… No último trabalho da Alexandra antes de morrer, a protagonista era minha, mas por fim acabei como coadvante.

Senta a frente da penteadeira e penteia o cabelo com pente. Guillermo sem camisa deita na cama e cobre-se com lençol semelhante a cetim cor cinza.

GUILLERMO: 
Ainda sim não consigo vê-la desta maneira. A Alexandra nunca me pediu nada! E a princípio, quando ficamos juntos ela não queria oficializar a relação de jeito algum! Justamente por conta da opinião pública e do meio artístico.

Chantel continua a pentear o cabelo.

CHANTEL: 
As aparências enganam… Isso prova o quanto era sórdida, ardilosa! O enganou direitinho tanto é que nunca questionou a paternidade da Marthina. – se volta p/Guillermo – Se você não é o pai biológico, quem então seria? Não possui curiosidade?

GUILLERMO: 
A menor… E se descubro, mato o infeliz!

Cobre-se corpo todo. Chantel se volta para o espelho e sorri enquanto enxerga Guillermo debaixo do lençol.

Corta para:

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE ALEXANDRA – NOITE
Ruí caminha em passos brandos pelo ambiente cuja iluminação é restrita apenas ao luar. Inúmeros móveis estão cobertos por lençóis brancos, mas poeirados. Angustiado, Ruí ajoelha-se no chão diante a pôster na parede de Alexandra Castiel.

RUÍ GUEDES: 
Como eu me arrependo… – alguém aproxima-se dele – Como me arrependo! Perdão Alexandra… Perdão!

Revela-se Marthina intrigada.

MARTHINA: 
Perdão pelo que? O que fez a minha mãe e porque clama por perdão?

RUÍ: 
Marthina?

Levanta-se rapidamente.

MARTHINA:
Responda-me Rui! Responda-me!

Close-up alternados entre Marthina e Ruí tensos.

SP – EXT. – NOITE 
Take da Lua.

Corta para:

SP – RESTAURANTE – INT. – NOITE
Hanna e Téo jantam em ambiente refinado.

HANNA: 
Quando me convidou para jantar admito que não acreditei. Até boquiaberta fiquei. Desde que nos reencontramos por acaso no estacionamento do prédio, você me evita. Qual o motivo da repentina, mas prazerosa mudança? Estar com você me faz bem como um gozo na alma.

TÉO: 
A situação antes era outra, estava casado, por quase ter sido a mãe dum filho meu optei por me distanciar de você. Somos pessoas públicas e ex-noivos, burburinhos maldosos aconteceriam.

HANNA: 
E agora? Não tem mais medo do que podem noticiar sobre a gente?

TÉO: 
Nenhum! Nada mais me impede de estar com você. E agora pouco me importa sobre a opinião pública. Tanto é que… – busca algo no bolso da calça – Não a convidei para este jantar sem motivo. A ocasião é especial…

HANNA: 
Me levar pra cama depois de anos? Descarte o dia que ficamos no Haras, lá ainda estava casado, transou com remorso. Deu pra sentir o quanto estava aflito! Sei do seu potencial e por isso não válido como a nossa primeira noite juntos após a morte do filho que esperávamos.

TÉO: 
Você sempre pensando o pior de mim.

HANNA: 
Quem sabe você tenha dado motivos?

TÉO: 
Com razão! Eu era um crápula!

HANNA: 
Não é mais? Desde quando deixou de ser?

TÉO: 
Isso dependerá de você! Se aceitar casar comigo – retira algo do bolso – prometo mudar! – levantam dos assentos – Não podemos mudar o passado, mas podemos fazer um novo começo. – ajoelha aos pés dela – Hanna, quer ser a minha esposa?

Consumida pela emoção, Hanna treme. Téo destemido dos olhares dos clientes à volta mantem-se firme evidenciando aliança composta por diamantes.

HANNA:  
Aceito Téo, – com ênfase – aceito!

Lágrimas escorrem dos olhos de Hanna. Téo ligeiramente a abraça com vontade, sob aplausos de pessoas em pé ao redor. Hanna e Téo beijam intensamente, com o término, Téo sorridente coloca aliança em dedo de noivado. Hanna chora e ri. Fecha em profundo abraço do casal.

SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – QUARTO BERNARDINHO – NOITE
Jhony sentado em poltrona cochila. Bernardinho hospitalizado abre os olhos.

BERNARDINHO: 
Tio Jhony?

Jhony repentinamente desperta.

JHONY (surpreso): 
Bernardinho?! – aproxima-se eufórico e faz carícias em Bernardo – Meu amor… Que susto você nos deu! O seu pai e eu ficamos desesperados quando o vimos caído no chão depois  da queda do cavalo! Oh meu eterno cunhadinho… Promete nunca mais descumprir uma ordem do seu pai?

BERNARDINHO:
Prometo tio Jhony… Prometo! Tio?

JHONY: 
Diga…

BERNARDINHO: 
Porque você e o meu pai não ficam juntos? Se você pedir ao Téo, ele deixa! Gosto muito quando estão juntos. Acho que o meu pai ama muito você, já o vi até chorar.

JHONY:
Por mim?

BERNARDINHO: 
Várias vezes… Acho que o papai gosta mais de você do que o Téo.

Bernardo enxuga lágrimas dos olhos de Jhony. Oliver assistia a cena por brecha da porta entreaberta.

SP – DELEGACIA – EXT. – FRENTE – NOITE
Duas viaturas policiais abrem caminho em aglomerado de fotógrafos e repórteres. Carros estacionam a frente do distrito, delegado sai do primeiro veículo. Policiais escoltam saída de Rogério do automóvel de trás. A imprensa faminta, o cerca.

REPÓRTERES: 
Rogério Sampaio! Rogério Sampaio!

REPÓRTER: 
Estamos no ar ao vivo no “Último Jornal” da Telebras! Como você explica a denúncia de tentativa de assassinato e bigamia?

Rogério torna-se o centro de câmeras e microfones.

ROGÉRIO: 
Estou sendo vítima de golpe! Isso é golpe! É golpe da concorrência que não aceita o sucesso da minha revista!

Policiais encaminham Rogério algemado para o interior do…

SAGUÃO DA DELEGACIA 
Entrando, Rogério depara-se com Lionel e Tereza.

ROGÉRIO: 
Eu posso explicar…

TEREZA: 
Prometi a mim mesma que não irei desperdiçar uma lágrima sequer por você, cafajeste! – ressentida e com ódio extremo, da-lhe bofetada – Nunca mais ouse aproximar-se de mim! Homem asqueroso…

Rogério recompõe-se e olha Lionel.

ROGÉRIO:
Filho?

LIONEL: 
Filho? Foi mal senhor, mas eu sou órfão de pai!

Dá as costas. Rogério é levado por dois fortes policiais para sala. Tereza ampara Lionel aos prantos.

SP – MANSÃO CASTIEL – INT. – SUÍTE ALEXANDRA – NOITE
(…)

Marthina exaltada empurra Ruí coagido.

MARTHINA: 
Eu estou esperando Rui, me diga, me tire esta angustia! Por favor! Fale-me porque diabo quer o perdão da minha mãe?! O que fez a ela?!

RUÍ GUEDES: 
Marthina, eu juro que me arrependi. Fui usado! Descartado como quem se livra duma roupa suja sem ao menos lavá-la.

MARTHINA: 
Foi você não foi? Foi você o culpado pela morte dela?

RUÍ GUEDES: 
Pela morte não, acredite: foi acidental. Mas fui eu quem contratou o rapaz que estava com ela no momento da tragédia.

Enfurecida, Marthina passa por Ruí.

MARTHINA: 
Eu não acredito Ruí, não acredito/

RUÍ GUEDES: 
… Ele era o meu irmão. Por isso eu lhe digo e dou a minha palavra: o acidente não estava premeditado! Nós não queríamos aquilo, não queríamos!

Ambos encaram-se.

MARTHINA: 
Nós? Então há mais do que uma só pessoa? Quem são Ruí?! Quem são?!

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CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 30 (Penúltima Semana)

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 30

 

Jhony sensivelmente pega as mãos de Oliver e o encara profundamente nos olhos. 

TRILHA SONORA – TEMA DE JHONY E OLIVER
 
JHONY: 
Aconteça o que acontecer, vou estar com vocês.  
 
Durante abraço apertado, beijo na boca é inevitável. Ao perderem o fôlego se entreolham. 
 
OLIVER: 
Fica comigo? Jhony eu te amo! Sempre te amei e mesmo quando casou com o Téo, continuei te amando. Nunca deixei de ama-lo! Aceita namorar comigo? 
 
Fecha em Jhony surpreso.

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CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

JHONY:  
Não sei nem como reagir diante do que acabou de dizer… Está ciente do que me pediu?  
  
Oliver toma para eles mãos de Jhony.  
  
OLIVER:   
Nunca estive tão em sã consciência como agora! Se busca amor, felicidade e paz eu posso lhe dar! Jhony, eu te amo e se no momento não corresponder, não importa! Com o tempo vai me amar!   
  
Beija mãos de Jhony, este arranca e dá as costas.  
  
JHONY:  
A questão não é essa, Oliver/  
  
OLIVER:  
… Não sou homem o bastante pra você?   
  
Jhony novamente se volta para Oliver. 
  
JHONY:  
Pelo contrário, você é homem! Diferente do Téo que provou ter maturidade dum jovem de colegial. Me enganei com ele, acreditei que fosse o homem da minha vida, bobo eu fui. Me iludi e sinto a mesma sensação do que aconteceu com o Bernardinho: de ter caído do cavalo. Mas a gente não manda no coração, Deus foi tão perfeito quando nos criou mas pecou neste quesito. Somos reféns daquele órgão. Ainda amo o seu filho e por mais que eu tente esquece-lo ou lembrar das piores lembranças, vejo-me somente em momentos felizes ao lado do Téo. Talvez tenha sido porque ele esteve nos melhores momentos da minha vida. Como a minha estreia de ancora de telejornal. Lá estava o Téo, acompanhando atento e orgulhoso de mim, recém casados e com buquê de flores. Foi lindo! 
  
OLIVER:  
Já entendi; como a juventude diz: levei um ‘toco’. 
  
Jhony acaricia sutilmente mão de Oliver. 
  
JHONY: 
Espero que compreenda que este não é o melhor momento Oliver. Saio obrigado dum casamento, ainda apaixonado e esperançoso por uma possível conciliação! – abraçam e continuam – Você é um homem incrível, mas não é quem eu amo. O meu amor é pelo seu filho Téo. 
  
OLIVER: 
Doloroso mas compreensível. Estarei esperando por você custe o tempo que custar. 
  
Mulher fora do padrão de beleza, de idade cujas rugas na pele começam a ficarem evidentes, aproxima-se. 
  
SECRETÁRIA: 
Oliver Toledo? 
  
OLIVER: 
Sim? 
  
SECRETÁRIA: 
O médico aguarda o senhor no consultório. 
  
Jhony e Oliver desfazem abraçado.  
  
JHONY: 
É sobre o Bernardinho? Será que eu posso entrar junto?! Sou da família! 
  
SECRETÁRIA: 
É claro! Basta ser conhecido do paciente para poder entrar. Poderá vir junto! Então vamos? 
  
Seguem rumo ao corredor. 
  
SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – LIVING ROOM – MANHà
Empregada serve chá a Hanna e Séfora. Após servi-las, sai. Hanna sentada em sofá e Séfora quase ao lado, em confortável poltrona. 
  
HANNA: 
Até agora não consigo acreditar e aceitar tamanha maldade. Se a Chantel queria a Marthina fora do testamento do Guillermo, ela que resolvesse com ele na cama, mas não cometesse uma barbaridade dessas: adulterar um resultado de DNA? E se este plano cair por terra? E se descobrem a verdade?! Ela tarde, mas chega! A tia não está envolvida nisso não é? 
  
SÉFORA: 
Não estou envolvida em partes… Poderia ter a aconselhado em não seguir, mas alimentei a cobra.  
  
HANNA: 
Que não sobre pra você e nem pra revista, fico tranqüila!  
  
SÉFORA: 
Mas me diga uma coisa, Hanna desde quando virou zagueira do time dos fracos e oprimidos? Pareceu-me defender a Marthina… Justamente você que para cessar à vontade e conquistar o objetivo usa dos mais diversos artifícios. O Oliver veio ontem buscar as chaves do Chalé principal do Haras e ele me contou sobre a sua relação com o filho dele. Reataram? 
  
HANNA: 
Infelizmente só quem poderá responder isso é o próprio Téo! Por mim titia nem havíamos separados!  
  
SÉFORA: 
Não te incomoda o fato dele estar saindo duma relação homoafetiva? 
  
HANNA: 
Sinceramente? Nenhum pouco! O conheci antes quando era somente hétero e abusava da cafajestagem com as mulheres, portanto não o vejo como homossexual até porque ele não é. No máximo se enquadra na bissexualidade, o que no mundo de hoje é normal e atinge a maioria da população mundial! Eu mesma já beijei uma colega de faculdade em Paris e digo mais: só não transamos porque faltou oportunidade! 
  
SÉFORA: 
Que horror minha sobrinha!  
  
HANNA: 
É a mais pura verdade, interesse e curiosidade todos tem! Tive a minha e experimentei. Bem melhor do que ficar na vontade, se reprimir e sair espancado quem botou a cara no sol! – celular sob o sofá recebe ligação – Falando nele… – atende – Alô Téo? 
  
Corta para: 
SP – JOALHERIA – INT. – MANHà
  
TRILHA SONORA – TEMA DE HANNA E TÉO 
  
De pé, próximo ao caixa, Téo admira aliança de ouro repleta por cristais. 
  
TÉO (celular): 
Esteja pronta às nove horas da noite de hoje! Irei buscá-la para jantar.    
  
Luz de aliança reluz nos olhos encantados de Téo. 
  
SP – EXT. – MANHà
Takes. O caótico trânsito na Av. Paulista ao meio-dia. Homens e mulheres apressados fazem das calçadas vias rápidas. O desembarque de pessoas em estação de metrô. Último take. Pássaros decolam de arvore.      
  
Corta para: 
  
SP – HOSPITAL – EXT. – JARDIM – TARDE 
Lionel exaltado encarando Marthina e Miguel reprimidos. 
  
LIONEL (esbravejado): 
Isso é calúnia! Estão difamando o meu pai! Muito me entristece saber Miguel que é conivente diante a este absurdo! Acusar o meu pai de ter atropelado a Holly? A minha própria namorada? Foge da normalidade!  
  
MARTHINA: 
Eu vi, fui testemunha, estava lá quando um homem atacou o carro pra cima da Holly enquanto atravessava a rua! 
  
MIGUEL: 
E depois a Holly me confessou quem havia feito aquilo! 
  
LIONEL: 
Vocês só podem estar malucos! Doidos! O meu pai nem aqui em São Paulo mora! Como seria ele?! Hein me digam!  
  
Close-up alternados em Lionel, Marthina e Miguel. 
  
MIGUEL: 
Isso já não sei te explicar! Aconselho a telefonar a ele e cobrar por justificativa antes que seja tarde demais e a polícia seja envolvida. 
  
LIONEL (exaltado): 
O que?! Querem envolver a polícia pra que?! Miguel você já foi longe demais! – retira a camisa – Se quiser resolver na mão a inveja que sente por mim, venha e me encare! Resolveremos como homens! 
  
Joga camisa no chão. 
  
MIGUEL (intrigado): 
Inveja? Nunca senti a menor inveja sua Lionel! Sou feliz por tudo que tenho, a mim não me falta nada a ponto de sentir isso de você!  
  
LIONEL (cínico): 
Será mesmo? Sou de opinião contrária, não tem tudo!  
  
MIGUEL: 
Diga-me o que, por exemplo! 
  
LIONEL: 
Mãe… Eu tenho mãe e pai! Sempre me invejou por isso e eu ingênuo nunca percebi! Não teve o amor de mãe, queria ter tido e agora quer me tirar o pai! 
  
MIGUEL (enfurecido): 
Isso não é verdade! 
  
Lionel desvia de murro e pula em Miguel, o querendo derrubar. Marthina intervém. 
  
MARTHINA: 
Meninos acalmem-se!  
  
Fica entre os dois. 
  
MIGUEL: 
Tem razão Marthina! Desculpa… Lionel, você está tomado pela ira, não farei nada que depois me fará arrepender-me! 
  
MARTHINA: 
Vamos Miguel! Vamos! Não temos mais nada para fazermos aqui, a nossa parte em avisar foi feita! 
  
Marthina e Miguel dão as costas para Lionel. 
  
LIONEL: 
Você é um frouxo Miguel! – apanha do chão camisa – Sempre foi: frouxo e invejoso!  
  
Põe camisa no ombro. Miguel se volta p/ Lionel. 
  
MIGUEL: 
Deus me perdoe pelo que direi, mas faço gosto para descobrir que o responsável por minha irmã estar na cama dum hospital, foi do seu pai! Seja lá o motivo que tenha tido para ter covardemente feito!   
  
Marthina puxa Miguel e vão andando. Ao fundo, vemos Lionel vestir a camisa.  
  
MARTHINA: 
Sabe Miguel? O Lionel disse algo com razão e que me intrigou… Se o pai dele trabalha no Rio de Janeiro e vem de vez em quando pra cá, o que ele fazia lá naquele momento sem que a mulher nem o filho soubessem? Depois do atropelamento o Rogério não voltou pra casa! 
  
Param de andar e voltam-se um para o outro. 
  
MIGUEL: 
Tem lógica! Há outro ponto que também deve ser questionado… O pai do Lionel não tem aquele carro e nem dinheiro para ter um daqueles! Marthina tem certeza de que o homem da foto é o mesmo que dirigia aquele Jeep Compass? 
  
MARTHINA: 
Absoluta! O sangue nos olhos dele ao atropelar a Holly, não sai da minha cabeça! 
  
Emocionada é abraçada por Miguel. Entreolham-se e ao som de Freak de Lana Del Rey beijam-se. Arrependida, Marthina sai correndo rumo ao hospital. Intrigado, Miguel fica parado. 
  
SP – TRÂNSITO – EXT. – TARDE 
Diante ao semáforo vermelho, motoqueiro quase sob a faixa de pedestres, faz ligação. 
  
DINHO: 
Vai Marthina… Atende logo este telefone!  
  
Chamada cai em caixa de mensagem, ele desliga. Semáforo abre, ele acelera moto e pouco depois carro importado o fecha. 
  
DINHO (revoltado): 
Hey seu barbeiro! – retira capacete, sai da moto e vai cobrar explicação do motorista – Fez a habilitação á distância?  
  
Mulher deixa o automóvel. 
  
COZETE: 
Desculpa meu amor… – Dinho recusa carícias – Eu te vi, não me atendia mesmo no celular e/ 
  
DINHO: 
… E que tentou me matar? 
  
COZETE: 
Juro que a intenção não era esta… Só quis chamar a sua atenção!  
  
DINHO: 
E quase me mata! 
  
COZETE: 
Perdão meu amor? – insiste e consegue beija-lo – A culpa disso é tua, há dias não me procura mais! Desde que a Marcela perdeu o neném tem se comportado diferente comigo, está frio e pouco atencioso! A minha consideração é tanta que ontem não fui à festa dada pela Séfora, como me pediu!  
  
DINHO: 
Obrigado querida… – rouba selinhos dela – Você é um amor! Prometo recompensar… 
  
Ele a segura com pegada. 
  
COZETE: 
Mas eu soube o que aconteceu. Dinho quando vão revelar a morte do herdeiro dos Sampaios? Desculpa em falar isso, mas a sua irmã e você estão colocando a família na maior saia justa! Eles estão crentes que serão avós, é injusto omitirem a verdade! Disponho-me a ajudá-los a contar. 
  
Close-up em Dinho irado. 
  
DINHO: 
Você vai ficar na sua, ouviu bem! É assunto de família, não seja atrevida, fique distante e esqueça este assunto! Ou eu conto ao seu marido que te como quase sempre! 
  
Diz puxando os cabelos de Cozete pela nuca. Dinho a empurra. 
  
COZETE (pasmada): 
Dinho? Seria capaz? 
  
Dinho a olha atravessado sem piscar os olhos. 
  
DINHO: 
Fica caladinha, só mantenha o bico calado, se falar demais terá a resposta para esta pergunta! – tenta beija-la, mas ela desvia – Nos vemos mais tarde? 
  
COZETE: 
Não sei se quero. 
  
Dinho dirige-se a motocicleta. 
  
DINHO: 
Quem perde é você, o problema é seu! 
  
Coloca capacete e acelera. Trânsito pede passagem com ‘buzinaço’. 
  
COZETE: 
Já vai! Já tiro! Passam por cima, caramba! 
  
Entra no automóvel e arranca dali.      
  
SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – CONSULTÓRIO MÉDICO – TARDE 
Homem branco com cabelo bem cortado e barba aparada, vestido com jaleco branco, recepciona de pé na porta Jhony e Oliver. 
  
MÉDICO: 
Boa tarde… – fecha a porta e caminha para assento atrás de mesa – Como vão? 
  
Após cumprimentarem-se com as mãos, todos se sentam.  
  
OLIVER: 
Como um pai poderia estar diante a falta de compaixão do hospital para com a falta de notícias de seu filho? Até agora não me disseram mais nada sobre o estado do Bernardo, desde cedo dizem que ele estava em operação!  
  
MÉDICO: 
Não mentiram! Realmente estava até – olha relógio – há dez minutos atrás, tempo que levei para me deslocar do pós-cirúrgico ao meu consultório.  
  
JHONY: 
É grave o quadro clinico dele? 
  
MÉDICO: 
Apesar de ter fraturado uma vértebra da coluna espinhal, conseguimos reverter o caso, foi um processo duradouro, uma operação de elevado risco, uma respiração fora de hora podia ser fatal. A recuperação pode levar algum tempo,  peço que sejam otimistas, o paciente Bernardo passa bem. 
  
Emocionados Jhony e Oliver se abraçam.  
  
MÉDICO: 
Mas estejam cientes de que ele usará durante longo período cadeira de rodas.  
  
OLIVER: 
Temporariamente? 
  
MÉDICO: 
Assim que a vértebra for regenerada.    
  
Jhony e Oliver entreolham-se felizes/Corta para: 
  
SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-CIRURGIA  
  
Olhos de Jhony e Oliver lacrimejados diante a Bernardinho inconsciente na cama. Eles seguram a mesma mão do menino e juntos dão rápido selinho nas bochechas de Bernardinho. Close-up. Jhony na face direita e Oliver na esquerda.  
  
SP – DELEGACIA – INT. – SALA DO DELEGADO – NOITE 
Marthina senta a frente de homem em ambiente de luz escassa.   
  
MARTHINA: 
Boa noite, vim prestar uma queixa sobre o atropelamento no bairro da Liberdade qual o motorista fugiu do local sem prestar socorro a vítima conhecida por Holly. No depoimento que dei a polícia no dia da tragédia, disse qual era o carro. Hoje eu venho pra falar que descobri quem dirigia o automóvel. Foi o sogro dela, Rogério Duarte, a própria confirmou ao irmão antes de entrar em coma/Corta 
  
Marthina cruza a porta de saída do distrito policial. Ouve-se som de toque de chamada, ela saca da bolsa celular, aceita ligação e leva ao pé do ouvido.  
  
MARTHINA (celular): 
Alô? (T) Dinho? (T) Acabo de sair de delegacia, vim prestar depoimento sobre um acidente que testemunhei. (T) Precisa me ver com urgência? (T) Cara na boa, vou ser direta e franca com você, não to no clima pra fazer sexo. (T) Ah não quer transar comigo? Então quer o que?! (T) Porque só revela pessoalmente? Ok então… Nos encontramos lá! (T) Eu juro que vou lá! Atiçou a minha curiosidade… – risos – Beijos e até daqui a pouco. – desliga aparelho – O que ele tem pra me contar? 
  
Fecha em Marthina intrigada.   
  
SP – HOSPITAL – INT. – QUARTO HOLLY – NOITE 
Hospitalizada, Holly abre os olhos e leva Lionel cair em lágrimas. 
  
HOLLY: 
Amor? 
  
LIONEL: 
Diz querida que não foi o meu pai, diz Holly que ele não tem nada a ver, diz! 
  
Holly faz que sim com a cabeça. Desespero e lágrimas de Lionel aumentam.  
  
HOLLY (ofegante): 
O notebook. O motivo está no histórico do seu notebook! 
  
LIONEL: 
No notebook? 
  
Sai as pressas. No corredor esbarra em Miguel e diante ao elevador fechado segue pela escada. Chega ao… 
  
SAGUÃO 
Lionel passa por Tereza. 
  
TEREZA: 
Que houve meu filho?! 
  
LIONEL: 
Depois eu explico, juro para a senhora que depois eu explico! 
  
Sai correndo/Corta para: 
  
SP – CASA LIONEL – INT. – NOITE 
Lionel abre a porta bruscamente e adentra ao interior deixando aberta. Corre para o… 
  
QUARTO 
Revira objetos em estantes, retira lençol da cama e levanta almofadas, busca por debaixo da cama, abre guarda-roupa e senta frustrado em cadeira da escrivaninha.  
  
LIONEL: 
Aonde a Holly deixou aquela merda de notebook?! 
  
Sai do local e retorna a… 
  
SALA DE ESTAR 
Atentamente busca com os olhos cada canto do local.  
  
LIONEL: 
Clamo pela ajuda do senhor meu pai celestial, me faça encontrar e entender o que de fato aconteceu…  
  
Ao olhar para espelho da parede, encontra reflexo do notebook carregando em aparador de ferro encostado em parede.  
  
LIONEL: 
Não pode ser verdade, não tô acreditando nisso! – alcança-o – Obrigado meu Deus, obrigado.   
  
Retira aparelho do carregador e senta no sofá. Abre e liga notebook. Naquele momento a inicialização do windows era uma tortura para Lionel. Área de trabalho é aberta, ele clica em navegador de internet e acessa o histórico, vários links aparecem. 
  
LIONEL: 
E agora? Por onde começo? Bom, a Holly só esteve em casa ontem pela manhã.  
  
Clica em uma opção e link redireciona a reportagem.  
  
LIONEL (leitura): 
Morre Rodrigo Sampaio, herdeiro da revista Mulher XXI. 
  
Ao descer matéria, fica boquiaberto com fotografia de Rogério abraçado com Rodrigo e Séfora em balada.   
  
LIONEL: 
É o meu pai… 
  
Aproxima-se da tela e lê a legenda da imagem: Rodrigo Sampaio comemora vinte e um anos ao lado dos pais Rogério Sampaio e Séfora Sampaio.  
  
LIONEL: 
Não pode ser! Não é verdade! O meu pai não pode ter outra família! Não, não! 
  
Coloca notebook ao lado, levanta-se do sofá e indignado bagunça o cabelo enquanto caminha dum lado ao outro.  
  
SP – BOATE IBIZZA NIGHT CLUB – INT. – BAR – NOITE  
Sentado em banco do balcão, Dinho sacia ansiedade com drink. Vemos Marthina enxerga-lo distante. Ela caminha ao local.  
  
MARTHINA: 
Pronto, cheguei! – senta ao lado – Morreu por esperar? Em meia hora me telefonou mais de centenas de vezes! O assunto é tão grave assim? Precisa de quanto em dinheiro? Ta devendo pra traficante? 
  
DINHO: 
O assunto é grave sim e de sumo interesse seu. Marthina, você foi vítima duma armação! A sua madrasta adulterou os resultados de DNA para não ser filha do Guillermo Borba! 
  
MARTHINA: 
Então a minha mãe não mentiu? 
  
DINHO: 
Você realmente é filha dele! 

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CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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Entre|C A N I B A I S – Capítulo 29

Abertura Entre CANIBAIS

UMA NOVELA DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

Entre|C A N I B A I S 
CAPÍTULO 29

 

JHONY: 
Oliver! Uma tragédia acabou de acontecer! O Bernardinho montou em um cavalo e… 
 
OLIVER: 
E o que?! Desembucha!  
 
JHONY: 
Caiu! Está estirado no chão! O pobrezinho pode ter fraturado a coluna vertebral!  
 
Perplexo Oliver deixa garrafa de vinho espatifar-se ao chão.

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CONTINUAÇÃO EXATA CENA ANTERIOR

Takes. Planos gerais do Haras e região. Último Take. Frente do Chalé principal.  
  
Corta para:  
 
SP – CHALÉ HARAS PAULISTA – INT. – ADEGA – MANHà
Aflitos Jhony segue Oliver para fora do local. 
 
OLIVER: 
Isso não pode ser verdade! Não, não… O Bernardo não subiria em um cavalo sozinho, não tem nem tamanho! 
 
JHONY: 
Mas acredite, subiu! Parece que escalou numa cerca próxima dum potro que estava amarrado nela. O Bernardo desatou o nó e pulou no animal que assustado saiu correndo.   
 
Cruzam a porta do Chalé, descem a escadaria e chegam ao… 
 
EXTERIOR 
 
OLIVER: 
Aonde ele está?! Chamaram a ambulância? 
 
JHONY: 
Lá está! – aponta em direção a muvuca – Já sim felizmente um funcionário do Haras ouviu os pedidos de socorro do Bernardo e conseguiu evitar uma tragédia ainda maior! 
 
Correm. Distante, vemos uma ambulância com sirene ativada adentrar ao Haras. 
 
SP – ED. REVISTA MULHER XXI – INT. – REDAÇÃO – MANHà
Hanna elegantemente desfila do alto de seu salto plataforma 15 em direção a uma porta. Ao se aproximar, jovem mulher descolada de cabelos vermelhos sai detrás de escrivaninha e segue Hanna adentrando ao… 
 
ESCRITÓRIO 
Hanna retira o óculos de sol em ambiente despojado, colorido.  
 
HANNA: 
Bom dia… Algum recado? 
 
Secretária fecha a porta. 
 
SECRETÁRIA: 
Há dois! A dona Séfora informou que não cumprirá expediente pela manhã, hoje estará presente somente no período da tarde. E também a Marthina Castiel cancelou o ensaio fotográfico por motivo particular. Pediu que remarcasse para outro dia, de preferência deixasse para a próxima semana. 
 
HANNA: 
Qual seria este motivo? Saberia me responder? 
 
Senta-se em cadeira atrás da mesa contemporânea. 
 
SECRETÁRIA:  
Ela não disse mas eu descobri por meios próprios que a irmã do cunhado sofreu um acidente. E digo mais, a imprensa toda está noticiando mais um fato sobre ela. Parece que não é filha do Guillermo Borba, diretor da Telebras com a finada Alexandra Castiel. Teve emissora que até plantão jornalístico fez ao vivo, tá uma loucura e ninguém da família se pronuncia. 
 
HANNA: 
A minha tia está sabendo disso? 
 
SECRETÁRIA: 
Suspeito que não. 
 
Hanna levanta e apanha a bolsa. 
 
HANNA: 
Transfira todos os meus compromissos da manhã para a tarde, darei pessoalmente esta notícia a minha tia.  
 
Coloca óculos e sai. 
 
SP – TRIPLEX SAMPAIO – EXT. – PISCINA – MANHà
Nadando, Dinho atravessa piscina e chega a borda onde Marcela se encontra debruçada.   
 
DINHO: 
Continuo achando arriscado morarmos aqui. E se descobrem que você perdeu o filho do Rodrigo? Sairemos daqui direto para a prisão! 
 
MARCELA: 
Está sob controle, você me engravidará! Temos que voltar a praticar, ultimamente anda em falta comigo… 
 
DINHO: 
Não concordo com este plano! Marcela, a criança pode ter os meus traços. E se suspeitarem e pedirem o teste de DNA?! 
 
MARCELA: 
Ora me nego a fazer, me faço de vítima e alego que se insistirem, eu sumo com o Júnior! 
 
DINHO: 
Júnior? 
 
MARCELA: 
Rodrigo Sampaio Junior, o nome do nosso bebê.  
 
DINHO: 
Estamos indo longe demais! 
 
Sai da piscina. Semblantes de Marcela reprovam a ação de Dinho. 
 
MARCELA: 
Bundão! 
 
Mergulha na água cristalina.  
 
SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – CORREDOR 2° ANDAR – MANHà
Dinho acabara de subir a escadaria, cruza com Séfora. Ela se surpreende ao ver Dinho seminu. 
 
DINHO: 
Perdão senhora por eu estar de sunga. Entrei na piscina e esqueci de levar a toalha. Pensei que tinha ido à revista.  
 
SÉFORA: 
Peço pela milésima vez que pare de me chamar de senhora. Exijo tal formalidade somente dos meus empregados. Você é de casa, se vai morar aqui, não deve explicação por andar da forma que quer ou necessita. Sabe o que intriga? Como um rapaz bonito, distinto, educado e inteligente esteja solteiro? Não sente a necessidade de ter uma namorada? 
 
DINHO: 
Não mesmo dona Séfora. Tenho outros objetivos na vida. Uma namorada pode me distanciar. Além do mais não tenho condições em presenteá-la. O curso de direito é muito caro, o pouco que ganho mal paga uma parcela da mensalidade.  
 
SÉFORA: 
Se o problema for dinheiro, a partir de agora não vai ver mais. Vou ajuda-lo a pagar a faculdade. 
 
DINHO: 
Mentira dona Séfora, poxa… Grato! Prometo quando formado e empregado desembolsar cada real gasto por mim. Não sei nem como e com que palavras usar para agradecer. 
 
Se abraçam.   
 
HANNA: 
Tia? 
 
Imediatamente Dinho e Séfora desfazem abraço.  
 
SÉFORA: 
Hanna? 
 
Sorriem constrangidos.  


 
SP – COBERTURA BORBA – INT. – HALL – MANHà
Empregada abre a porta e Chantel, Cléo e Guillermo adentram. 
 
EMPREGADA: 
Finalmente os senhores chegaram! Os telefones da casa não param de tocar, me propuseram até dar entrevista!  
 
CHANTEL: 
Sobre? 
 
EMPREGADA: 
Tá rolando um bochicho de que a dona Marthina não é filha do senhor Guillermo. Procede? 
 
Guillermo suspira indignado.  
 
SP – HOSPITAL – INT. – QUARTO HOLLY – MANHà
Lionel faz cafuné emocionado em Holly inconsciente na cama. Tereza entra e lhe faz caricias no rosto. 
 
TEREZA: 
Meu filho, o Miguel e a amiga dele aguardam você com urgência no jardim. Pode ir em paz que eu fico aqui. Ficará tudo bem, logo, logo a Holly receberá alta. – abraçam – Vá que agora é a minha vez de fazer companhia a ela.  
 
Lionel consente/Corta para: 
 
JARDIM 
Lionel aproxima-se de Marthina e Miguel sentados em banco de praça. 
 
LIONEL: 
Querem falar comigo? 
 
Marthina e Miguel levantam-se. 
 
MIGUEL: 
Queremos sim… Vamos sentar? – todos sentam no banco, Lionel entre Marthina e Miguel – Infelizmente eu juro Lionel que não gostaria de conversar sobre isso com você e espero sinceramente de coração que a nossa amizade não seja envolvida nisso, prezo por ela. 
 
LIONEL: 
Que drama Miguel! Está me deixando aflito… Pela cara dos dois não é nada bom… 
 
MIGUEL: 
A Marthina viu quem atropelou a nossa Holly. Ela foi a única testemunha que presenciou o acidente. 
 
LIONEL: 
Sabe?! Já disseram a polícia? Quem cometeu precisa ser punido imediatamente! A justiça precisa ser feita! 
 
MIGUEL: 
Antes de entrega-lo a polícia, preferimos revelar a você primeiro. 
 
LIONEL: 
Isso tá ficando chato! Porque deste sensacionalismo todo? Até parece programa da Record! Marthina faz o favor e diga quem foi! 
 
MARTHINA: 
O culpado pela Holly estar hospitalizada é do seu pai. Eu vi quando ele acelerou na direção dela! 
 
Perplexo Lionel levanta-se. 
 
LIONEL: 
Que?! 
 
Marthina e Miguel ficam de pé. 
 
MIGUEL: 
A própria Holly revelou a mim antes de entrar em coma. 
 
Close-up alternados entre Marthina, Miguel e Lionel. 
 
SP – TRIPLEX SAMPAIO – INT. – ESCRITÓRIO – MANHà
Séfora encosta a porta e caminha para assento atrás da mesa. Hanna senta a frente. 
 
HANNA: 
Quem diria hein titia, você tirando uma casquinha do molecote.  
 
SÉFORA: 
Tá maluca menina?! Mais respeito que eu sou casada! 
 
HANNA: 
Casada mas não morta! Se eu não fosse cega de amor pelo Téo até submeteria em me deitar com o Dinho. Não seria sacrifício nenhum, a beleza dele recompensa a conta bancária de assalariado. 
 
Risos.  
 
SÉFORA:
Seria hipocrisia minha descordar de você, o Dinho seria um amante em potencial. Não que eu esteja precisada de um, quase não dou conta do marido que tenho! – risos – O que devo o motivo de sua inesperada visita? 
 
HANNA: 
Soube da maior? O assunto do dia? 
 
SÉFORA: 
O coquetel que demos ontem? Estamos acostumados em repercutir não é novidade alguma.  
 
HANNA:  
Pouco se falou da festa ontem querida tia e agradeça a família Borba! Eles novamente protagonizam outra polêmica. 20 anos depois e o assunto Alexandra Castiel tomou toda a imprensa! Não se falam em outra coisa a não ser sobre a paternidade de Marthina Castiel. O Guillermo Borba não é o pai dela. Mais uma revelação sobre a Alexandra foi descoberta! 
 
Se intriga com reação natural de Séfora, que levanta e de pé apoia os braços na cadeira. 
 
SÉFORA: 
A Chantel é terrível! Conseguiu repetir o feito e novamente manchou a honra da eterna rival. Tudo que estão noticiando é falso, foi armado. – escora-se na mesa – A Marthina é filha legítima do Guillermo. O resultado do teste de DNA foi adulterado pela Chantel.  
 
Intrigada Hanna levanta. 
 
HANNA: 
Por qual motivo fez isso? Quanta maldade! 
 
SÉFORA: 
Para se livrar da menina! Nenhuma esposa gostaria em dividir a herança com a filha do marido. 
 
Já vestido, Dinho no corredor escutava atrás da porta a conversa. 
 
DINHO: 
A Marthina foi vítima de armação? Ah… Ela precisa saber disso!  
 
Sai.   
 
SP – JOALHERIA – INT. – MANHà
Téo senta em frente de mulher morena, cabelo curto, uniformizada com roupa social em ambiente elegante, mobília luxuosa e jazz como música de fundo. 
 
TÉO: 
Quero a aliança mais bonita desta joalheria independente do valor! Pedirei a mão duma moça em casamento! 
 
VENDEDORA: 
Então veio ao lugar certo, temos as mais belas alianças e joias do estado de São Paulo! Enquanto mostro para o senhor, tá servido de champagne?  
 
Téo assenti e mulher acena para homem com bandeja de prata em mãos/Corta Homem serve taça de champagne para Téo, enquanto vendedora mostra portfolio de anéis. Atentamente Téo avalia. 
 
VENDEDORA: 
Como chama a felizarda? 
 
TÉO: 
Hanna, o nome dela é Hanna. 
 
Dentes brancos são evidenciados por sorrisão de Téo.  
 
SP – HOSPITAL DO INTERIOR – INT. – SAGUÃO – MANHà 
Jhony entrega copo d’agua para Oliver sentado bastante aflito. 
 
JHONY: 
Acalme-se Oliver, ficando assim só tem a perder, pode ter um enfarte!  
 
OLIVER: 
Peça outra coisa, me acalmar é quase impossível! Como ficarei tranquilo diante a possibilidade do meu filho perder o movimento das pernas?! Ele é só uma criança de dez anos, como pode Deus querer puni-lo desta forma?! Não bastou ter tirado recentemente a mãe dele e agora quer impossibilita-lo de andar?! Pergunto: que Deus é esse?!  
 
Jhony sensivelmente pega as mãos de Oliver e o encara profundamente nos olhos. 

TRILHA SONORA – TEMA DE JHONY E OLIVER
 
JHONY: 
Aconteça o que acontecer, vou estar com vocês.  
 
Durante abraço apertado, beijo na boca é inevitável. Ao perderem o fôlego se entreolham. 
 
OLIVER: 
Fica comigo? Jhony eu te amo! Sempre te amei e mesmo quando casou com o Téo, continuei te amando. Nunca deixei de ama-lo! Aceita namorar comigo? 
 
Fecha em Jhony surpreso.

CORTA PARA:  FIM DO CAPÍTULO

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| EXCEPCIONALMENTE NESTE SÁBADO, CAPÍTULO INÉDITO |

Escrita por
Nando Braga

Direção
Vinny Lopes

Realização
Dramaturgia ADNTV 2016

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