Elo de Amizade – Último Capítulo

12036362_1631752413772285_2252015699992754805_n

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

228-cc3b3pia-cc3b3pia-61

EDA | 30º Capítulo

Cena 01/Hospital/Int./Quarto 123

Antonella está ao lado de Michel. Nesse momento, o Médico entra na sala junto com Vitor.

Médico: Michel, terminei de fazer novos exames seus, e tenho boas notícias. Também tem uma pessoa aqui fora que você vai adorar ver. (T)

Michel: (curioso) Quem?

Nesse momento, Giovana entra no quarto junto com Rique. Ela e o filho se olham. Ela se emociona. Clima melancólico.

CONTINUAÇÃO EXATA DO CAPÍTULO ANTERIOR…

Giovana: (chorando) Meu filho! Como eu queria te abraçar de novo. Ver você falando, olhando pra mim – abraça forte o filho.

Michel: (emocionado) Calma, mãe. Agora já tá tudo bem. Eu tô aqui. Acordado e bem.

Os dois se olham fixamente, um para o outro, e se abraçam forte novamente.

Giovana: Filho, eu preciso te apresentar uma pessoa. Esse aqui é o Rique, meu namorado!

Rique se aproxima e cumprimenta o rapaz. Michel sem entender.

Michel: (confuso) Namorado? Como assim, mãe?!

Giovana: A gente se conhece há algum tempinho. Eu ia te apresentar, mas aconteceu toda essa tragédia. Mas o importante é que ele está me fazendo muito feliz. E ficou do meu lado, durante todo esse momento difícil.

Michel: Bom, mãe. Se a senhora está feliz, eu não tenho porque ficar contra.

Rique: É isso aí, moleque! Tava orando pra santa protetora dos machos, e ela não desamparou. Não deixou mais um macho subir para o andar de cima não. Também, com falta que macho de verdade, tá fazendo, né?! Ia ser prejuízo! (Riso)

Todos riem.

Médico: Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas eu tenho uma notícia maravilhosa pra dar e vocês não me deixaram.

Vitor: Fala logo, doutor! Olha só a cara de deprimido do Michel, em cima dessa cama?! (Riso)

Antonella: Eu também quero fazer logo.

Médico: Michel, eu fiz os exames e você está ótimo! Quase 100% (risos) E em apenas 3 dias, você receberá alta.

Todos comemoram.

Antonella: Nossa, que maravilha! Não é maravilhoso isso, amor?

Michel: Melhor não poderia ser. (Riso)

Antonella beija Michel. Giovana, Rique e Vitor, comemoram a notícia. Clima harmônico. 

3 DIAS DEPOIS… 

Cena 02/Hospital/Ext./Fachada/Dia

Michel está saindo do hospital. Ele está andando um pouco devagar, e abraçado por Vitor e Antonella, que o acompanha até o carro. Giovana e Rique, logo atrás. Eles abrem a porta do carro e, antes que Michel entre, Mariana aparece, um pouco longe.

Mariana: Michel! – Tira um lindo óculos escuro dos olhos.

Michel vira-se e olha para a ex-namorada.

Michel: Mariana… É, pelo visto você está muito bem.

Mariana: Nem tanto. Eu não tenho mais você! (T) Eu acho que a gente precisa conversar. Será que você não pode vir aqui só um instante?

Michel: (frio) Eu não tenho mais nada pra falar com você, Mariana. Você não faz mais parte da minha vida, por tanto não me interessa nem um pouco, te ouvir. (T) Agora, eu já vou indo embora, com a MINHA FAMÍLIA! (Enche o peito para falar) (T) Seja feliz, Mariana. Mas siga seu caminho, sozinha. Porque a mim você não terá nunca mais!

Michel entra no carro. Estática, Mariana derrama uma lágrima de raiva. Antonella, Vitor, Giovana e Rique, entram no carro em seguida. O carro acelera e segue. Mariana limpa os olhos, coloca de novo os óculos escuros, e sai andando deprimida, até o carro. 

Cena 03/Apartamento de Denise/Int./Quarto

Denise está arrumando a cama. Hernani chega de surpresa, eufórico.

Denise: Ai, que susto, Hernani. Eu nem vi você entrar.

Hernani: Amor, você não vai acreditar na novidade – aproxima-se dela.

Denise: (inquieta) Ai, fala logo. O que é?

Hernani: Eu finalmente arranjei um emprego! E em uma loja de moto irada. Era tudo que eu queria, amor. (riso)

Denise: (feliz) Ah, finalmente arranjou um emprego. Só espero que dure (riso) Parabéns, meu amor. Você merece isso e muito mais! – Diz beijando-o.

Hernani: Como você, por exemplo.

Denise: Humm, será que merece mesmo? (Riso)

Hernani: Vou te provar é agora!

Hernani pega Denise e joga-a na cama, enchendo-a de beijos.

Denise: (resistente/rindo) Ai, para, Hernani. Tá bagunçando a cama toda, e acabei de arrumar – Dá leves tapas em Hernani.

Hernani: Cala a boca, aproveita, e beija seu namorado delícia aqui, vai! – Volta a beijar Denise.

Beijam-se calorosamente, desarrumando toda a cama, mas comemorando uma grande vitória, e mais um passo na vida daquela relação que só está começando. 

Cena 04/Mansão de Adoniran/Int./Sala de Jantar/Noite

Suzete, Adoniran, Antonella e Jacó, estão jantando.

Antonella: Então, meus queridos pais. Michel e eu estamos muito felizes. E queremos a aprovação de vocês.

Adoniran: Mas esses dois amigos, são unha e carne mesmo, hein?! Dividem até a mesma mulher.

Antonella: Eles não dividiram ninguém, pai. O que houve foi apenas um mal entendido.

Jacó: Eu também tô conhecendo melhor uma pessoa. É uma garota de lá da igreja, e acho que você vão gostar, se conhecerem-na.

Suzete: Humm, mas que notícia maravilhosa! Parabéns, filho. Agora eu tô entendendo o motivo de todo esse sorriso no rosto. (risco)

Antonella: Bom, então, se o Jacó está conhecendo melhor uma garota, e eu estou namorando com o Michel, acho que isso merece uma grande comemoração. O que acha de liberar a fazenda em Vassouras para um fim de semana entre as duas famílias?

Suzete: (animada) Ótima ideia. Há tempos que não vamos lá. Acho que será bom até mesmo para trazer um frescor para essa nossa rotina tão repetitiva daqui de casa, que precisa ser quebrada. Por mim, está fechado! Pode confirmar com todos!

Antonella: Ebaaaa! – Grita, comemorando.

Eles fazem um brinde e, em seguida, continuam jantando. 

Cena 05/Casa de Clara/Int./Sala

Paulinho está ajoelhado em frente ao sofá, brincando com imagens de famosos, recortadas de revista. O garoto brinca, como se um tivesse falando com o outro, e vai criando o submundo no qual deixa sua imaginação fluir, arranjando uma maneira de pelo o menos estancar parte da solidão que lhe aflige. De longe, Clara e Guto observam o filho brincar.

Clara: (baixo p/Guto) Oh pra lá, Guto. Coitado! Eu fico com uma pena. Brincando sozinho, fazendo as gravuras de bonecos, e falando como se eles estivessem falando. Tá reparando, Guto?

Guto: Quem tá falando ali é o personagem. O Paulinho, está apenas usando a boca dele, pra expressar a ideia que o personagem da figura quer falar.  Eu sei que é triste, mas quem sabe isso não seja o começo da descoberta de um grande talento do nosso filho?

Clara: Que talento, Guto?! Se alguém chega e vê, vai achar que é maluquice, isso sim. Um menino abaixado em frente ao sofá, conversando com um monte de papel…

Guto: Talento de escritor, de contador de histórias. Vai lá se saber o que aqueles personagens estão falando um para o outro através da boca de nosso filho. Aquilo ali, pode ser uma válvula de escape pra ele. Onde ele pode mergulhar em um mundo, e expressar nele o que ele bem entender, sem sair de casa. (T) Mas de certa forma, sinto como se nós tivéssemos culpa. Você não se sente culpada, Clara?

Clara: Claro que não! Eu não dei um irmão para o Paulinho, não é por egoísmo, e você sabe disso. Nós dois com problemas de engravidar, eu trabalhando sem parar, com quase 40 anos… Poxa vida, não dá! E se um dia ele me culpar de tudo isso, eu realmente não sei o que dizer. Mas acredito no destino, e vou dizer pra ele que foi assim, porque tinha de ser. A verdade, Guto é que, nessa vida, nada acontece por acaso. Simplesmente, nada!

Nesse momento, a imagem volta aos poucos até o sofá da sala, onde Paulinho brinca com suas figuras e os pais ao fundo, observando aquele submundo simples, mas que pra aquela criança, era muito importante, por ser tudo o que ela tinha. 

DIAS DEPOIS… 

Cena 06/Supermercado/Int./Sala de Estevan

Mariana está sentada na cadeira do pai. Com um óculos escuro no rosto, a patricinha folheia revistas do escritório, pensando em Michel. Nesse instante, Estevan adentra a sala, acompanhado de um moreno alto e forte, que imediatamente, desperta a atenção de jovem.

Estevan: Bom dia, minha filha! O que veio fazer aqui? Não me diga que veio pedir dinheiro?

Mariana: (encarando o jovem presente) Ai, pai. Falando desse jeito, o moço aí pode pensar até que eu ainda sou aquela adolescente fútil que vive atrás de mesada. Fútil, eu ainda posso até ser, mais adolescente, não mesmo. (Riso).

Estevan: Ah, por falar nisso, vou lhe apresentar: Esse é o Rogério! Ele será o mais novo funcionário aqui do supermercado. Começará trabalhando com vendedor, mais se tiver um bom desempenho, quem sabe não evolui de cargo, não é mesmo?!

Rogério: E eu vou me esforçar muito para isso, Dr. Estevan. Pode ter certeza!

Mariana: (aproximando-se do jovem) Muito prazer, Rogério! Prevejo um lindo percurso pra você, aqui no supermercado. Acho que vamos nos dar super bem.

Rogério: (sem jeito) O prazer é todo meu! Tenho certeza que sim! (Riso).

Mariana dar um sorriso de canto de boca, seguido por um olhar malicioso. Os dois jovens se cumprimentam. Mariana olha para uma pequena câmera da sala do pai, e pisca com um dos olhos.

Cena 07/Casa de Michel/Int./Cozinha

Vitor, Giovana, Rique, Michel e Antonella estão em volta da mesa. Um grande banquete está no local. Todos com um copo na mão, comemoram a total recuperação de Michel.

Giovana: Primeiro, vamos fazer um brinde a futura carreira artística do Rique. Que recebeu uma maravilhosa proposta de uma nova agência, e irá bilhar no mundo das passarelas.

Rique: Meu brilho só irá transparecer, se você estiver ao meu lado, meu amor – a beija.

Todos sorriem.

Giovana: Bom, e o segundo brinde será por você, Michel. Mais uma vez, esse meu filho (que eu tanto amo) mostrou ser forte e venceu essa batalha. Graças a Deus, já está 100% novamente, pronto pra fazer a vida de cada um aqui presente, feliz.

Michel se emociona.

Michel: (emocionado) Imagina! Eu é quem tenho agradecer a vocês. Que ficaram comigo, que cuidaram de mim e torciam pela minha recuperação. (p/vitor) A você Vitor, que em meio a tudo que passamos, o elo de nossa amizade, foi maior e não se quebrou. E hoje estamos aqui, todos juntos comemorando o futuro, que com certeza, nos reserva o melhor.

Michel abraça Antonella e, em seguida, todos batem palma. Eles levantam um brinde, e brindam. Nesse instante, ouve-se um tiro que assusta a todos.

Antonella: (assustada) Meu Deus, o que foi isso?!

Rique: Parece um tiro.

Vitor: Eu vou lá ver.

Giovana: Não, Vitor. Pode ser perigoso.

Vitor: Deixa comigo!

Vitor sai de pressa. Ele abre o portão e vai em direção a outra rua. A casa de Tiago está aberta, e uma moto acaba de acelerar. Vitor corre até lá e entra na casa. Ao entrar, se choca ao ver Tiago, sangrando no chão.

Vitor: (em choque) Cara, pelo amor de Deus, o que aconteceu aqui? – Diz se abaixando próximo a Tiago.

Tiago: (ferido/fraco) Me acertaram, cara… Acabou!

Vitor: Poxa, vei. Eu te falei, cara. Eu te disse pra não se meter com esse lance de traficar droga, te falei. Aguenta aí, cara. Resiste mais um pouco que eu vou chamar a ambulância.

Antes que se levante, Tiago lhe puxa.

Tiago: (fraco/sangrando) Não! Não dar mais tempo. Eu tô…morrendo. Me ouve, cara. Deixa eu te falar uma coisa antes…

Vitor segura Tiago, por trás da cabeça, e lhe apoia em sua perna.

Vitor: (olhando pra Tiago) Fala…

Tiago: (falando com dificuldades) Desculpa, cara. Por favor, me desculpa por tudo. Tudo que eu fiz com você, todas as piadas, as gracinhas, e tudo que eu aprontei pra cima de você e do Michel. Eu não tinha raiva de vocês, e sim… inveja. Inveja da amizade de vocês, de como vocês eram amigos um do outro. Coisa que eu nunca soube ser de ninguém, e usava meu… lado negro, pra tentar estancar toda a carência que…existe aqui dentro de mim. Por isso, eu te peço: me desculpa, vei. Perdão!

Vitor se emociona. Seus olhos enchem de lágrima e, por impulso, ele abraça Tiago, que fortemente, segura forte sua blusa, e morre. Ainda abalado, Vitor pega o celular, e liga para o socorro. 

UMA SEMANA DEPOIS… 

Cena 08/Fazenda de Suzete/Exterior/Vassouras – RJ

É um dia de sol forte. Em volta de uma grande piscina, Suzete, Jacó, Adoniran, Antonella, Michel, Vitor, Giovanna e Rique, conversam, enquanto comem diferentes petiscos.

Giovana: Ai, tem coisa mais maravilhosa que sol?! Eu amo.

Suzete: Ah, depende. Eu gosto sim, mas com moderação. Porque afinal, é muito ruim pra pele, e eu com essa pele de neném, não posso deixar a mercê desses raios malditos.

Todos riem.

Antonella: (feliz) Tá vendo, meu amor?! Essa é sua sogra! Vá se acostumando (riso).

Michel: Pode ficar de boa, já tô acostumado. (risos).

Adoniran: Mas essa fazenda é linda, não é?! Estão gostando? Foi do bisavô da Suzete.

Suzete: Verdade. Aliás, nem sei se na época que meu bisavô era vivo, tinha escravos. Acho que se eu nascesse naquela época e morasse com ele, ia dar trabalho.  (Riso)

Jacó: Por que, mamãe?

Suzete: Ah, eu do jeito que sou, vocês acham que eu aguentaria ver um monte de negros suados, fortes e robustos na minha frente o tempo todo?! Eu depredaria todas as senzalas (forte risada)

Todos riem.

Rique: Fica tranquila, com certeza na época que seu Bisavô morou aqui, a escravidão já tinha acabado.

Vitor: Como sou ótimo em História, posso afirmar que, realmente, a escravidão já tinha sido abolida. Aconteceu no ano de 1888.

Suzete: Nossa, mas como é inteligente! (Riso)

Michel: Não se engane, querida sogrinha. Essa miséria é o nerd mais atentado que eu conheço. (Riso) – Diz bagunçando o cabelo de Vitor.

Todos riem.

Vitor troca fixos olhares com uma empregada que caminha aos arredores de todos. Os dois sorriem um para o outro, disfarçadamente. Em seguida, Vitor empurra Michel na piscina. Rindo, ele é puxado por Michel pra dentro da água também. Os dois começam a lutar um com o outro, tudo em tom de brincadeira, gerando risos de todos em volta da piscina. Os dois continuam na água, em seguida, Antonella e Jacó pulam na piscina também, e entra no meio da bagunça. Nesse clima harmônico, a imagem vai se afastando, em um plano geral, onde se vê todos de longe.

“A amizade verdadeira, é aquela que nunca se acaba. Seu alicerce é forte, e seu elo é infinito. Infeliz daquele, que não tem amigos. Pois, com uma amizade sincera, qualquer barreira é vencida.”

EDA| FIM!

#ESTREIA_DIA 07 ás 20Hrs:

“O ÓDIO CRESCE NAS PROFUNDEZAS. NAS PROFUNDEZAS SUBTERRÂNEAS” – CATHERINE FISHER

EMA DREYFUS: Filho de Satã! Eu dei origem á um pecado. Eu dei origem ao filho do Demo. Vou acabar com a dor…

Ema pega uma faca, aproxima-se do pequeno bebê com a intensão de mata-lo.

“Existe uma diferença muito grande entre punição e vingança. E no seu caso minha irmã Olívia… sua punição está a caminho” – ISABELA.

“Eu não quero te matar, você que me mantém vivo, eu quero apenas que sofra…” – OLÍVIA.

Até onde você iria para vingar a morte de sua família?

Se arrisque sobre os mistérios de Beijos & Tiros, o seu novo segredo das 20:00hrs

BEIJOS&TIROS1

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

Anúncios

Elo de Amizade – Penúltimo Capítulo

12036362_1631752413772285_2252015699992754805_n

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

228-cc3b3pia-cc3b3pia-61

EDA | 29º Capítulo

Cena 01/Hospital/Int./Quarto 123/Manhã

Michel está deitado na cama. Vitor ao lado, deitado em uma poltrona. Ao acordar, Vitor boceja, e bebe um copo d’água. Ao olhar para Michel, ele vê a mão do amigo, se mexer. Eufórico, aproxima-se dele.

Vitor: (animado) Michel, fala comigo, cara! Sou eu, vei. Sou eu! – Diz sacodindo Michel.

Michel começa a reagir, ele vai abrindo os olhos lentamente. Vitor estarrecido.

CONTINUAÇÃO EXATA DO CAPÍTULO ANTERIOR…

Michel: (fraco/devagar) Vi…tor? Onde é que eu tô? O que aconte… aconteceu?

Vitor: Calma, Michel. Não fala nada. Você ainda tá muito fraco. (Gritando) DOUTOR! DOUTOR! CORRE AQUI, PELO AMOR DE DEUS.  RÁPIDO!

O Médico adentra o quarto rapidamente.

Médico: O que aconteceu, Vitor? (Espantado) Meu Deus, ele acordou – Diz ao ver Michel com os olhos abertos.

Vitor: Exatamente. O Michel acordou.

Médico: (boquiaberto) Meu Deus. Nem eu esperava por isso.

Ele sai do quarto.

Michel: (incomodado) Será que dar pra me explicar o que tá acontecendo?

Vitor: Você não se lembra de nada?

Michel: (com dificuldade) Eu lembro. Lembro que a gente brigou, lembro de tudo que aconteceu. Lembro que eu cair de moto, tava muito mal…

Vitor abraça forte o amigo. Os dois choram.

Michel: (emocionado) Você ficou aqui, vei? Do meu lado esse tempo todo?

Vitor: (olhando fixamente) E você acha o quê, rapaz? Que aquela briga, aquilo tudo que aconteceu ia abalar nossa amizade?! Não, vei. A gente tá junto, sempre foi assim e vai continuar sendo. Putz, cara. Que felicidade em te ver acordado, meu amigo. Que felicidade, porra! – Diz e volta a abraçar Michel, de novo.

Cena 02/Hospital/Int./Recepção

Antonella está dormindo no banco da recepção. O Médico se aproxima, e lhe chama.

Médica: Moça?! Tenho notícias que eu acho que irá gostar.

Antonella desperta.

Antonella: (com sono/bocejando) O que foi? Fala! 

Cena 03/Mansão de Adoniran/int./Sala

Jacó e Adoniran estão sentados no sofá. Suzete em pé, cumprimenta Denise.

Suzete: Realmente, eu estou surpresa com sua visita.

Adoniran: Surpresa por que, amor? A Denise sempre veio aqui, e é muito bem-vinda sempre.

Suzete: (firme) Assunto entre eu e ela, Adoniran.

Denise: Bem, eu precisava vir, Suzete. Precisa saber se já está tudo bem, como você iria me receber. Eu espero que tudo tenha ficado esclarecido. E você sabe que, por mim, nossa amizade continua.

Suzete: Fique tranquila, Denise. Está tudo bem!

Denise: Inclusive, eu queria aproveitar a oportunidade para contar uma novidade para vocês.

Jacó e Adoniran se atentam.

Suzete: Qual novidade?

Denise: Hernani e eu estamos namorando!

Suzete: Nossa, que notícia maravilhosa. (p/Adoniran) Não é, meu amor?

Adoniran: (sem jeito) Aham, muito.

Denise: Pois é. Incrível como tudo aconteceu, Suzete. A gente apenas nos víamos como amigos e, de repente, com a convivência no mesmo teto, despertou uma atração, algo tão forte, e quando eu dei por mim, ele já estava me pedindo em namoro, e eu aceitando (Riso)

Suzete: Realmente, fico muito feliz por você. Eu bem que te falei. No fundo, já estava prevendo que poderia rolar algo entre você e aquele folgado (riso) Mais enfim, que dure muito.

Denise: Ah de durar!

Denise e Suzete seguram as mãos uma da outra. Ela e Adoniran se olham. Ele dá um sorriso forçado e em seguida se retira do ambiente. Jacó acompanha o pai. 

Cena 04/Hospital/Int./Quarto 123

Michel deitado. Ele está ainda fraco. Vitor ao seu lado, dando-lhe água. Neste momento, o médico e Antonella entram na sala.

Médico: (entrando) Com licença, Michel. Trouxe uma visita que eu acho que você vai gostar.

Michel olha para Antonella. Eles se olham fixamente. Antonella se emociona.

Vitor: Vou deixar vocês sozinhos.

Vitor e o Médico saem da sala e fecha a porta. Antonella aproxima-se de Michel, passando a mão sobre os cabelos dele e dando-lhe um leve beijo.

Antonella: (chorando) Oh, meu amor. Que felicidade em te ver aqui, vivo, bem.

Michel: (fraco) E agora, Antonella?! Como é que vai… ser?

Antonella: Xii. Não fala nada. Vai ficar tudo bem. Mas você ainda tá fraco , então não precisa forçar pra falar nada. A gente vai ficar junto, Michel. Não mais nada que poça impedir a gente. Depois daqui, só nos resta a felicidade.

Michel: (sorrindo) Eu te amo, Antonella.

Antonella: (retribuindo o sorriso) Eu também, meu amor. Eu também!

Ela beija-o de novo. Em seguida, Antonella reencosta a cabeça sobre o peito de Michel, e derrama lágrimas de felicidade.

Cena 05/Casa de Michel/Int./Cozinha/Meio Dia

Giovana e Rique conversam enquanto almoçam.

Rique: Eu fui lá hoje de manhã. Botei um ponto final de uma vez! Me demiti da agência, e falei algumas verdades pra Eliete.

Giovana: Pelo menos agora nenhum de nós dois temos mais vínculo algum com aquela mulher.  (T) Mas qual foi a reação dela?

Rique: Ah, é lógico que não foi boa. Ela gosta mesmo de mim, eu senti isso. Mas o orgulho foi maior, e ela não conseguiu sequer me desejar felicidade.

Giovana: A Eliete se revelou uma pessoa tão obscura. E se surpreendeu a você, que dirá a mim, que tinha ela como uma amiga.

Nesse momento, o celular de Giovana toca. Ela atende.

Giovana: Alô?!

Vitor: (p/celular) Corre pra cá, ‘’tia’’. Vem pra cá, porque o Michel acordou. Nosso Michel despertou, minha ‘’tia’’.

Boquiaberta, Giovana derruba o celular. Estática. 

Cena 06/Casa de Clara/Int./Cozinha

Clara e Guto estão almoçando. Eles conversam.

Clara: O Paulinho não vem almoçar?

Guto: Ele foi tomar banho.

Clara: Ah. (T) Hoje de manhã, eu estive lá no colégio. Conversei com a diretora sobre o Paulinho…

Guto: E?

Clara: E, que o comportamento é o mesmo.  A diretora falou que ele é introspectivo, tímido, na dele. Não tem amiguinhos na sala de aula, se isola um pouco das outras crianças. E por medo.

Guto: Medo? Mas de quê?

Clara: Eu não sei, Guto! Mas a verdade é que o Paulinho não sabe nem ao menos chegar perto de uma pessoa. Existe uma trava nele. O mundo dele é apenas a nossa casa, ele tem contado apenas com nós dois. É lógico que dá medo. Gera insegurança nele.

Guto: E o que você pretende fazer? Porque eu realmente não sei.

Clara: Eu, sinceramente, também não sei…

Cena 07/Hospital/Int./Quarto 123

Antonella está ao lado de Michel. Nesse momento, o Médico entra na sala junto com Vitor.

Médico: Michel, terminei de fazer novos exames seus, e tenho boas notícias. Também tem uma pessoa aqui fora que você vai adorar ver. (T)

Michel: (curioso) Quem?

Nesse momento, Giovana entra no quarto junto com Rique. Ela e o filho se olham. Ela se emociona. Clima melancólico.

EDA| Continua amanhã no PENÚLTIMO CAPÍTULO!

#ESTREIA_SEGUNDA ás 22Hrs:CHAMADDDAAA

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

Elo de Amizade – Antepenúltimo Capítulo

12036362_1631752413772285_2252015699992754805_n

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

228-cc3b3pia-cc3b3pia-61

EDA | 28º Capítulo

Mariana e Rique estão sentados em um banco na recepção. Nesse momento, Antonella chega com a aparência triste, usando óculos escuros. Mariana vê a rival e se revolta.

Mariana: (irritada) Mas é muita cara de pau! Como é que você tem a coragem de aparecer aqui depois de tudo o que você fez, hein garota?

Antonella: Minha culpa?! Eu não tive culpa nenhuma dessa fatalidade ter acontecido com o Michel. Se tem alguém que é culpada aqui é você! Ficou pressionando, chantageando ele, só pra ele não te largar. Ficou sufocando, achando que assim iria conseguir ficar com ele pra você. (Riso) Tudo em vão. Porque ele me ama, querida.

Mariana: (aproximando-a) Você está me irritando. De santa, meu amor, você não tem nada. Mesmo namorando com o Vitor, se lambuzava com o melhor amigo dele. Acha mesmo que tem moral pra falar alguma coisa comigo?

Antonella: (nervosa) Olha aqui…/

Mariana: (corta) Olha aqui, nada! Se você falar mais alguma coisa, eu não respondo por mim.

CONTINUAÇÃO EXATA DO CAPÍTULO ANTERIOR…

Rique se aproxima de Mariana, e segura-se pelo braço.

Rique: Pelo amor de Deus. Contenha-se as duas. Estamos em um hospital. Não é hora, nem lugar pra se lavar roupa suja.

Antonella: Eu vim apenas para ter notícias do Michel e vê-lo se for possível.

Rique: Bom, isso você tem que ver com o médico. A Giovana está lá no quarto com o filho. E o Vitor…/

Antonella: Quem é você mesmo?

Rique: Eu me chamo Henrique. Mas todo mundo me conhece como Rique. Sou modelo, ainda iniciante. E tô namorando a Giovana.

Antonella: (surpresa) Sério?! Poxa, que bom. Prazer! – Diz cumprimentando-lhe.

Antonella e Mariana sentam em locais afastados. Rique fica no meio delas. As duas olham-se com raiva. 

Cena 02/Casa de Clara/Int./Corredor/Noite

Guto e Clara estão inquietos batendo na porta do banheiro.

Guto: Vamos, filho. Sai desse banheiro logo, pelo amor de Deus!

Clara: Paulinho, eu não vou falar duas vez. Anda! Sai logo daí, que o jantar já tá na mesa e vai esfriar.

O menino abre a porta com cara de choro.

Paulinho: (triste) Eles já foram?

Clara: Eles quem, filho?

Paulinho: Aqueles garotos grandes que você trouxe pra cá.

Clara: Já sim, Paulinho. Já tem o maior tempão que eles foram embora. Por que você se trancou aí dentro do banheiro? O que aconteceu?

Paulinho: (revoltado) EU NÃO QUERO MAIS FALAR COM NINGUÉM. EU NÃO QUERO MAIS VER NINGUÉM. NINGUÉM GOSTA DE MIM. ME DEIXEM EM PAZ! – Corre para o quarto.

Guto: (nervoso) Tá difícil, hein. Tá difícil!

Clara: Eu não sei mais o que fazer. Sinceramente eu não sei.

Os dois se olham com uma expressão de exaustão. 

Cena 03/Hospital/Int./Recepção/Noite

Sentadas, Mariana e Antonella estão inquietas. Rique sonolento.

Antonella: Poxa, eu já não aguento mais esperar. Será que esse médico não vai aparecer nunca?

Mariana: (provocando) Pra quem praticamente jogou o Michel nessa situação, você está preocupada até demais.

Antonella: Eu posso ter errado, mas não errei sozinha. Michel e eu não estávamos mais aguentando segurar o que tínhamos aqui dentro. Quando a gente ama, é assim, sabe?! O mais interessante foi o Vitor aparecer do nada, bem na hora. Curioso, não?! será que foi algum passarinho que contou pra ele?! – Insinua ironicamente.

Rique: Vocês duas, por favor, não comecem! Daqui a pouco o Vitor tá chegando aí e…/

Antonella: (surpresa) O Vitor está vindo pra cá?

Rique: Claro. Se não fosse o Vitor, o Michel não estaria vivo. Ele foi em casa apenas comer, tomar um banho e descansar, mas vai passar a noite aqui com o Michel, enquanto a Giovana vai pra casa. Eles vão revezar.

Nesse momento, Vitor entra o hospital com uma mochila nas costas. Antonella e ele olham-se fixamente. Vitor a encara. Clima melancólico.

Antonella: (contida) E aí, Vitor. Tudo bem?

Vitor: Tudo sim, Antonella. Podia estar melhor.

Antonella: Não gostou de me ver?

Vitor: Depois de tudo que aconteceu, eu estaria sendo hipócrita se dissesse que sim, não é?

Antonella: Ah, eu sei Vitor. Mas queria, pelo menos, manter uma amizade. Construir uma tolerância entre a gente. Afinal, de um jeito ou de outro, nós vamos conviver. Eu amo o Michel, Vitor. E, se Deus quiser, vou ser muito feliz com ele.

Vitor não diz nada. Rique e Mariana levantam-se e aproximam-se dos dois. O médico chega em seguida, acompanhado de Giovana.

Vitor: Boa noite, doutor. Vim para passar a noite com o Michel.

Médico: Ok.

Vitor: Já posso entrar?

Médico: Daqui a pouco.

Antonella: (tocando o médico) Com licença. É que eu queria muito vê-lo. O Michel é muito importante pra mim, preciso sentir o rosto dele, preciso ver como ele tá.

Giovana olha Antonella de cima para baixo.

Giovana: Ah, então é você a tal da Antonella?

Antonella: Sou eu, mesmo, dona Giovana. Mas eu quero que saiba que tudo…/

Gionana: (corta) Meu filho te ama muito, garota. Eu espero que você também o ame. E, depois que ele sair dessa cama, você não venha fazer mais nada que possa decepcioná-lo.

Antonella: Pode ficar tranquila. Na verdade nem ele, nem eu, tivemos culpa de tudo isso que aconteceu. O destino nos pregou uma peça.

Médico: Enfim, eu sinto muito, mocinha, mas o horário de visitas já acabou. Ninguém mais entrará no quarto, a não ser o Vitor.

Antonella torce a boca. Provocativa, Mariana solta o cabelo, fazendo-o bater no rosto de Antonella.

Mariana: Bom, já que não tem mais nada pra se fazer aqui, eu vou indo embora. Fica bem, dona Giovana. Estarei lá, torcendo para o Michel acordar logo. Vem comigo, eu dou uma carona para você e para o Rique.

Giovana: Muito obrigado, querida. (p/Vitor) Meu querido, qualquer coisa, me chama, tá?! Uma boa noite e amanhã eu volto. – Despede-se de Vitor com um abraço.

Giovana, Mariana e Rique, vão embora. Antonella volta se sentar no banco.

Vitor: Você não vai embora, Antonella?

Antonella: Não! Eu vim aqui para ver o Michel e só saio daqui quando tiver feito isso.

O médico acena para Vitor, e ambos seguem até a sala onde está Michel. Antonella ré encosta na poltrona, pensativa. Boceja. 

Cena 04/Apartamento de Denise/Int./Sala

Denise está sentada no sofá, pensativa. Neste momento, Hernani chega eufórico.

Hernani: E aí, Denise? Tudo beleza? Fez um jantarzinho?

Denise: (risos) Você está muito folgado, não acha não?

Hernani: Só estou feliz. Não consegui emprego, mas a tristeza não me alcança nunca! E você?

Denise: (desanimada) Ah, eu tô mais ou menos. A Suzete esteve aqui hoje. Ele ouviu uma conversa entre o Adoniran e o filho, e veio tirar satisfação comigo.

Hernani: (senta ao lado dela/curioso) Mas e aí, rolou tapa? Quem ganhou?

Denise: Ai, claro que não! Eu resolvi ser sincera. Contei tudo que aconteceu, e o que não aconteceu também. Lógico que o clima pesou, mas tô com minha consciência tranquila. Eu realmente não sinto mais nada pelo Adoniran.

Hernani: Ainda bem. (Aproximando-se de Denise) Denise…Lembra que eu te falei hoje de manhã que eu tinha uma coisa muito importante pra te dizer?

Denise: (vidrada no olhar de Hernani) Aham…

Denise e Hernani, frente a frente. Os dois suspiram juntos.

Hernani: (ofegante) Denise, quer namorar comigo?

Denise: (estática/supressa) Namorar?

Hernani: É, namorar. Dormi juntinho todos os dias, dividir a pasta de dente, segurar a barra um do outro quando precisar… Fala que sim! Eu te quero e você também me quer. E é impossível controlar tudo isso que eu tô sentindo por você. E que cresce cada vez mais.

Boquiaberta e nervosa, Denise respira fundo e dá um leve sorriso.

Denise: (rindo) Você é maluco. Mas eu aceito sim! Não custa tentar, né? EU ACEITO, SEU DOIDO! – Joga-se em cima dele.

Os dois caem do sofá e beijam-se apaixonadamente. Com otimismo de que, tudo que ali está começando, dê certo. 

Cena 05/Agência Bela Face/Int./Estúdio Fotográfico/Dia Seguinte/Manhã

Eliete está no canto ajeitando sua câmera fotográfica. Nesse momento, Rique entra no local. Eliete levanta a cabeça e olha-lhe fixamente.

Eliete: (branda) Poxa, que surpresa! Até que enfim você apareceu. Trabalha pra mim, mas sequer deu alguma satisfação, me ligou, ou sei lá…

Rique: Eliete, eu vim aqui apenas pra me despedir. Eu não quero mais continuar trabalhando aqui. Você e eu trabalharmos juntos depois de tudo que aconteceu, não daria certo.

Eliete se levanta e se aproxima de Rique.

Eliete: Você vai sair da agência, você vai sair daqui por causa da Giovana? É isso mesmo?

Rique: (firme) Não. Estou saindo por sua causa. Por causa das suas atitudes, da sua maneira de agir, que não me agradou nenhum pouco.

Eliete engole a seco. O silêncio toma conta. Eliete, estática, começa a derramar lágrimas.

Rique: Eu não esperava aquilo de você. O jeito que você tratou a Giovana, totalmente desrespeitoso e preconceituoso, com uma pessoa que você se dizia amiga. Francamente, Eliete. Você se revelou uma mulher feia. Um ser humano horrível, e que nem sua beleza exterior é capaz de cobrir. E, sinceramente, um tipo de pessoa como você eu não quero ter contato. (T) Mas, se você gosta mesmo de mim, me deseje felicidade. Porque, quando a gente ama alguém de verdade, vê aquela pessoa feliz já é gratificante. Então prova que pelo o menos o que você diz sentir por mim é verdadeiro.

Eliete não diz nada. Com um olhar frio, ela engole o choro e limpa as lágrimas que escorreram pelo rosto.

Rique: Bem, então é isso! Se você não quer dizer nada, eu também não tenho mais nada pra falar. Se cuida e até nunca mais! Fica bem – vai embora.

Logo depois da saída de Rique, Eliete desaba no choro. Ela se descabela, começa a rasgar o vestido e joga-se no chão, colocando para fora as lágrimas que tinha segurado. Ela estava com uma mistura de sentimentos, que nem a mesma sabia explicar.

Cena 06/Escolinha Lar da Criança/Int./Sala da Direção

Clara senta-se à frente da Diretora. As duas se cumprimentam.

Diretora: Pois então, mãe. O que lhe traz aqui?

Clara: Na verdade, era para eu ter vindo aqui antes. Mas eu sou pediatra e dentista, então a senhora pode imaginar, né?! (Riso) Mas enfim, é lógico que o assunto a ser tratado é o meu filho. O jeito dele, a introspectividade dele, me preocupa muito.

Diretora: É. Isso é verdade, mãe. Seu filho Paulinho tem uma dificuldade enorme de se enturmar com os outros coleguinhas. Seja pra fazer trabalhos em grupos, seja na hora de brincar no recreio, enfim… Ele é antissociável. Mas não é porque ele quer. Pelo que eu pude perceber, ele tem medo. Tem uma trava, que talvez seja timidez, que precisa ser quebrada. Senão ele vai acabar mergulhado na solidão, coisa que nitidamente ele não quer, mas não sabe ao certo como se livrar dela.

Clara: A senhora tem razão. O sonho do meu filho é ter um amiguinho, sabe?! Alguém que ele possa brincar, que possa dormir lá em casa. Ele também me cobra muito um irmão. Mas meu marido e eu temos dificuldades para ter filhos, e já tô com quase 40 anos. É complicado!

Diretora: Mas ele não tem nenhum primo, colega, nada?! Esse isolamento do mundo pode fazer muito mal a essa criança. Se ela crescer apenas dentro de uma casa, trancado, a concepção de mundo para ela vai ser limitada.

Clara: Eu sei. Mas não tem jeito. Eu não tenho irmãs. E o irmão do meu marido, que mora nos Estados Unidos, nunca se casou. Eu fico de mãos atadas, porque realmente não sei o que fazer. Quando eu posso, eu dou atenção, brinco com ele, converso. Mas eu sou ocupada. Fica tudo tão complicado…

Diretora: Realmente é uma situação muito complicada. Bom, eu só espero que a senhora consiga resolver da melhor maneira possível. E eu, como educadora, estou pronta para o que precisar.

Clara: Poxa, muito obrigada! Eu já vou indo. Tenha um bom dia, e mais uma vez obrigada pela atenção! – Cumprimenta a diretora.

Clara sai. A diretora balança a cabeça negativamente e volta as suas atividades. 

Cena 07/Hospital/Int./Quarto 123

Michel está deitado na cama. Vitor ao lado, deitado em uma poltrona. Ao acordar, Vitor boceja, e bebe um copo d’água. Ao olhar para Michel, ele vê a mão do amigo, se mexer. Eufórico, aproxima-se dele.

Vitor: (animado) Michel, fala comigo, cara! Sou eu, vei. Sou eu! – Diz sacodindo Michel.

Michel começa a reagir, ele vai abrindo os olhos lentamente. Vitor estarrecido.

EDA| Continua amanhã no PENÚLTIMO CAPÍTULO!

#ESTREIA_SEGUNDA ás 22Hrs:CHAMADDDAAA

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

Elo de Amizade – Capítulo 28

12036362_1631752413772285_2252015699992754805_n

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

228-cc3b3pia-cc3b3pia-61

EDA | 28º Capítulo

CENA/ APARTAMENTO DE DENISE/ INT/ SALA/ TARDE

Denise está deitada no sofá lendo algumas cláusulas. A campainha toca. A advogada vai até a porta e, ao abri-la, dá de cara com Suzete.

Denise: (surpresa) Suzete? Você por aqui?

Suzete: Pois é, amiga. – Diz cumprimentando-a. – O seu hóspede está?

Denise: O Hernani?! Não. Ele saiu. Foi mais uma vez procurar emprego.

Suzete: (firme) Ótimo! Melhor assim, pois poderemos conversar mais à vontade. Tenho algumas dúvidas para tirar com você, Denise. E eu quero a verdade. Coisa aliás, muito difícil na sua profissão, já que você é advogada.

Denise: (desconfiada) Por que esse tom? Não tô entendendo. Será que dar pra ir direto ao assunto?

Suzete firme. Denise confusa. As duas olham-se fixamente.

CONTINUAÇÃO EXATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR

Suzete: Não vai me convidar para entrar?

Denise: É claro! Entre!

Suzete entra. Denise fecha a porta. As duas sentam-se no sofá.

Suzete: Então, Denise. O que me trouxe aqui foi apenas uma dúvida. Eu ouvi uma conversa entre o Jacó e o Adoniran que me deixou muito cismada. Você sabe que sempre tivemos uma amizade verdadeira, portanto, quero que seja franca.

Denise: (apreensiva) Fala! O que é?

Suzete: Denise, me responda com sinceridade: você alguma vez já desejou o meu marido?

Denise: (sem jeito) Quê isso, Suzete?! Que pergunta é essa?

Suzete: Apenas me responda.

Denise (desconcerta) Bom… Bem… Eu… Eu vou falar logo de uma vez. Já sim! Não iria conseguir mentir. Eu já senti uma forte atração pelo Adoniran sim, mas não quero que você pense que…/

Suzete: (Corta) Eu não estou pensando nada. Foi exatamente sobre esse assunto a conversa que eu escutei entre o Jacó e o Adoniran. O Adoniran disse que tinha te desejado, que tinha te seduzido. Mas que você nunca quis. Mesmo sentindo algo por ele também. Foi o que ele falou.

Denise: Realmente, eu sentia algo por ele também. Algo que eu pensei que fosse paixão, por ser muito forte. E depois da sua ida para os Estados Unidos, só fez aumentar. Mas eu nunca fui desleal com você. Agi com a razão, e vi que me entregar para o Adoniran não era a melhor coisa a se fazer. E realmente não era. Eu não me arrependo nem um pouco pela minha escolha. E hoje vejo que o que eu senti pelo Adoniran não era nada mais que uma simples atração, que passou. Eu ia jogado uma linda amizade no lixo e arranjado muitos outros problemas que eu tivesse agido com o coração. Só pra ter uma única noite de prazer.

Suzete: (branda) Você é admirável. Acho que nenhuma outra pessoa no seu lugar agiria da mesma forma. Afinal hoje em dia a maioria das pessoas preferem se arrepender daquilo que fez, do que daquilo que não fez, não é mesmo?! (T) Mas eu te confesso que estou muito surpresa. Eu não imaginava. Nem da sua parte, nem do Adoniran.

Denise: Se a gente pudesse mandar naquilo que sente…! Só eu sei como me sentia mal em estar ao teu lado, conversando contigo, e desejando o corpo do Adoniran toda vez em que ele chagava na sala sem camisa. (T) Mas não tome nenhuma atitude apressada por causa disso. Não largue o Adoniran. Você largou ele uma vez e sabe que não consegue viver sem ele, e recomeçaram. Aliás, eu sempre torci por esse recomeço.

Suzete: (emocionada) Eu sei, Denise. Eu amo muito aquele bruto. Ouvindo ele se expressar com o Jacó, eu percebi uma grande confusão na cabeça dele em relação ao que ele sente por você. Tanto é que ele tentou te beijar no dia do jantar, não foi?!  Mas eu também vi nele uma enorme disposição em reconstruir nosso casamento, reanimar a cumplicidade que nós tínhamos um ao outro. E isso me deixa feliz. Me faz não perder a esperanças e querer continuar.

Denise: Pois continue, Denise. É superando as barreiras que o amor se renova. Eu só quero que, por favor, não fique com raiva de mim. Só espero que nossa amizade não termine. Me dá um abraço? – Abre os braços.

Suzete: Pode ficar tranquila. Não estou com raiva de você. Mas não me pede esse abraço agora. Hoje, eu infelizmente não vou consegui te dar. Se eu te abraçasse agora, eu estaria sendo falsa, e isso eu não sou.

Denise abaixa as mãos. Suzete se levanta.

Suzete: Bom, eu já vou indo. Depois eu te procuro. Tenha uma boa tarde!

Suzete pega a bolsa e vai embora. Denise respira fundo e, em seguida, leva a mão até a cabeça.

CENA 02 / CASA DE MICHEL / EXT.

Vitor está em frente à casa de Michel. Ele está fechando o portão quando Tiago passa de forma apressada por ele e com uma sacola suspeita na mão.

Vitor: Êpa! Tá indo pra onde com essa pressa toda? – Aproxima-se do rapaz.

Tiago: (nervoso/guarda o saco no bolso) Tá maluco?! Eu vou pra onde eu quiser. Você não tem nada a ver com isso, cara. Nem contigo, eu falo.

Vitor: É, mas da última vez, se não fosse eu, uma hora dessas tu tava preso. Ou você se esqueceu que eu te salvei naquele dia em que tu tava fugindo da polícia?! Cara, se liga. Não vá mexer com droga não, vei. Vender essas paradas pra bandido só dá merda.

Tiago: (debochado) Vai encher o saco do teu amiguinho, que aliás tá bem sumido, deve ter abandonado né?! Pobrezinho.

Vitor: Não fala bobagem! O Michel sofreu um acidente.

Tiago: (surpresa/preocupado) Acidente? Como assim?! Ele tá bem? Foi algo muito grave?!

Vitor: Foi. Mas graças a Deus ele tá fora de perigo. Mas valeu aí pela preocupação.

Tiago: Que preocupação?! (Riso) Eu tô pouco me importando com esse teu amiguinho. Eu quero mais é que ele se dane. E você também, otário!

Tiago dá as costas para Vitor e segue. Vitor balança a cabeça negativamente.

CENA 03/HOSPITAL/ INT/ RECEPÇÃO

Mariana e Rique estão sentados em um banco na recepção. Nesse momento, Antonella chega com a aparência triste, usando óculos escuros. Mariana vê a rival e se revolta.

Mariana: (irritada) Mas é muita cara de pau! Como é que você tem a coragem de aparecer aqui depois de tudo o que você fez, hein garota?

Antonella: Minha culpa?! Eu não tive culpa nenhuma dessa fatalidade ter acontecido com o Michel. Se tem alguém que é culpada aqui é você! Ficou pressionando, chantageando ele, só pra ele não te largar. Ficou sufocando, achando que assim iria conseguir ficar com ele pra você. (Riso) Tudo em vão. Porque ele me ama, querida.

Mariana: (aproximando-a) Você está me irritando. De santa, meu amor, você não tem nada. Mesmo namorando com o Vitor, se lambuzava com o melhor amigo dele. Acha mesmo que tem moral pra falar alguma coisa comigo?

Antonella: (nervosa) Olha aqui…/

Mariana: (corta) Olha aqui, nada! Se você falar mais alguma coisa, eu não respondo por mim.

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas de Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

Elo de Amizade – Capítulo 27

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

EDA | 27º Capítulo

CENA/ MANSÃO DE ADONIRAN/ INT/ QUARTO DE ANTONELLA

Jacó bate na porta e entra em seguida. Antonella está deitada na cama.

Jacó: Posso conversar com você, minha irmã?

Antonella: (Triste) Claro!

Jacó senta-se na cama, ao lado da irmã.

Jacó: Fala, mana. O que foi que aconteceu?! Eu vi você chegar ontem, tarde da noite….

Antonella: Ai, Jacó. Aconteceu tanta coisa. Nem sei se eu estou com saco pra te contar tudo. Mas o principal é: meu amor pode estar entre a vida e a morte, por minha culpa.

Jacó: (confuso) Como assim?

Antonella: O Michel, Jacó! Tem outro por acaso?! O Michel era o melhor amigo do Vitor, e eu descobri isso assim que voltei ao Brasil.

Jacó: (surpreso) Aquele que você deu um chute antes de ir para os EUA?! Meu Deus, e por que não me contou nada disso?

Antonella: (chorando) Pra quê?  Ele também tava namorando outra garota. Mas o fato é que nem ele e nem eu conseguimos resistir um ao outro. Não conseguimos sufocar nosso sentimento e voltamos a nos encontrar. Só que, não sei como, o Vitor apareceu bem na hora. Eles brigaram e o Michel saiu de moto e sofreu um acidente. O Michel pode ter morrido. O meu amor pode nem estar mais vivo, e eu aqui sem saber de nada. Me sentindo culpada! Será que você consegue me entender agora, Jacó?!

Jacó: (boquiaberto) Putz. Eu ainda não tô acreditando nisso tudo. (T) Você tá esperando o quê pra ir no hospital saber notícias dele? Se é ele quem você ama, se foi por ele que você traiu o Vitor e fraquejou, então você não pode mais perder tempo presa. Não era nem mais pra estar aqui. Deixa de ser fraca e insegura uma vez na vida, e vai até lá! Faz o que teu coração manda, e enfrenta quem tiver que enfrentar pra ficar perto do teu amor, Antonella. E, se ele não morreu, nesse momento lá, ele deve tá precisando muito de você. Então chega de lutar contra maré, e vai ser feliz!

Jacó encara a irmã e lhe abraça. Antonella chora, e sorri ao mesmo tempo. Ela ergue a cabeça e sorri mais uma vez.

Antonella: Você tem razão, meu irmão. Chega! E é exatamente isso que eu vou fazer!

CENA 01/ CASA DE CLARA/ INT/ QUARTO DE PAULINHO/ TARDE

Paulinho brinca com seus carros. Clara aparece.

Clara: Oh, filho. Eles chegaram! Os filhos da minha amiga que eu te falei.

As crianças começam entrar no quarto. Todos os três são mais velhos que Paulinho. 9, 10 e 11 anos respectivamente.

Clara: Entra pessoal! Esse aí que é o Paulinho.

Paulinho: (feliz) Oi, gente.

Clara está ao lado da amiga, mãe dos garotos.

Clara: Podem brincar no quartinho dele.

Os três garotos olham para o quarto dele com total desdém.

Garoto 3: Quarto de neném! – Olha em volta.

Garoto 2: Não tem coisa melhor não?!

Paulinho: (sem jeito) Vamos brincar no quintal, então?

Os três garotos olham-se. Eles seguem Paulinho. Clara sai do quarto logo em seguida, abraçada com sua amiga. Paulinho e os 3 garotos chegam no quintal.

Paulinho: Esse aqui é o quintal! (T) Nós vamos brincar de quê?

Garoto 3: De carrinho. Você tem carrinho?

Paulinho balança a cabeça positivamente, corre até o quarto e pega todos os carros de brinquedo, coloca numa cesta e volta correndo de novo até o quintal. O garoto vai sorrindo até os novos amiguinhos.

Paulinho: Voltei, gente. Olha só os meus carrinhos. – Derruba todos no chão.

Garoto 1: Só isso?! A gente tem muito mais!

Garoto 3: Seus carrinhos são velhos. Horríveis! Mas eu entendo. Quando eu tinha tua idade eu também brincava com essas porcarias.

Paulinho fica triste.

Garoto 2: Eu vou no banheiro – sai correndo.

Garoto 1: Eu também vou! – Faz sinal para o outro.

Garoto 3: Ih, eu também tô apertado. Espera aí. Depois eu volto.

Os três garotos saem. Paulinho fica sozinho no quintal. Espera os garotos por um tempo. Os minutos passam e os garotos não voltam.

Paulinho: (impaciente) Poxa! Cadê os meus amigos grandes?!

Incomodado, o menino resolve ir ver o que aconteceu. Ele sobe as escadas em direção ao banheiro, mas ouve um barulho vindo de seu quarto. Ao se aproximar, Paulinho se decepciona ao ver os três garotos brincando com seus brinquedos em seu quarto.

Paulinho: (chorando/triste) Então o problema não é os meus brinquedos. É comigo que eles não querem brincar. Eu sou o problema! – Murmura para si próprio.

Paulinho sai correndo em direção ao banheiro. Ele bate a porta com força e senta-se no chão, chorando.

CENA 02/ APARTAMENTO DE DENISE/ INT/SALA

Denise está deitada no sofá lendo algumas cláusulas. A campainha toca. A advogada vai até a porta e, ao abri-la, dá de cara com Suzete.

Denise: (surpresa) Suzete? Você por aqui?

Suzete: Pois é, amiga. – Diz cumprimentando-a. – O seu hóspede está?

Denise: O Hernani?! Não. Ele saiu. Foi mais uma vez procurar emprego.

Suzete: (firme) Ótimo! Melhor assim, pois poderemos conversar mais à vontade. Tenho algumas dúvidas para tirar com você, Denise. E eu quero a verdade. Coisa aliás, muito difícil na sua profissão, já que você é advogada.

Denise: (desconfiada) Por que esse tom? Não tô entendendo. Será que dar pra ir direto ao assunto?

Suzete firme. Denise confusa. As duas olham-se fixamente.

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas de Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

Elo de Amizade – Capítulo 26

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

EDA | 26º Capítulo

CENA/ HOSPITAL/ INT/ RECEPÇÃO/ MANHÃ.

Vitor está agoniado esperando notícia de Michel. Nesse momento, Giovana chega desesperada, acompanhada de Rique e Mariana.

Giovana: (chorando) Ai, Vitor. Pelo amor de Deus. Cadê meu filho?

Vitor: Calma, tia. Ele ainda está lá dentro. Como é que a senhora soube?

Giovana: A Mariana foi lá hoje. Me contou e me trouxe pra cá. Você era para ter me ligado, Vitor!

Nesse momento o Médico aparece.

Médico: Bom dia a todos! Vocês devem ser parentes do paciente Michel, não é?! Eu já tenho uma notícia para dar a vocês.

Vitor, Giovana, Mariana e Rique, se olham apreensivos. Clima tenso.

CONTINUAÇÃO EXATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR

Giovana: Fala, doutor. Meu filho tá bem, né?

Médico: Calma, dona Giovana. Ele já foi operado e está fora de perigo. (p/Vitor) E você, rapaz, se não tivesse socorrido o seu amigo a tempo, ele não iria resistir. Você salvou-o. Foi um herói!

Vitor: (emocionado/Feliz) Que isso, doutor! Eu fiz o que eu tinha que fazer. Nunca que eu iria deixar o meu brother na mão!

[FLASHBACK 01]

Vitor e Michel ainda crianças tomam banho juntos. Na banheira se, divertem intensamente. Em seguidas, descem até a cozinha:

Giovana: E então, tomaram banho direitinho? Demoraram demais… Sentam-se, pois fiz uns biscoitinhos deliciosos pra vocês.

Os dois vibram, sentam e comem os biscoitos.

Vitor: Hum, que delícia!

Michel: É, mãe. Tá uma delícia!

Giovana: Viu, se vocês tivessem continuado a jogar futebol, vocês não iam comer esses biscoitos fresquinhos do jeito que estão. Vitor, come tudinho que sua mãe já deve estar chegando pra te buscar.

Vitor fica triste. Não quer ir para casa.

Michel: Ah, deixa o Vitor dormir aqui!

Giovana: Filho, você perguntou se ele quer?

Vitor: Eu quero!!! – Diz bem animado.

Giovana: Tá bom. Mas primeiro você tem que perguntar pra sua mãe, né Vitor?!

Vitor: Tenho certeza que ela vai deixar. Ela sabe que você é como um irmão pra mim. A gente vai se divertir muito hoje.

Michel: É isso aí. Meu maninho de coração!

Giovana: (Riso tímido) Irmão, é? Sei..

Michel: É, mãe. O irmão que a senhora não me deu. Mas que eu ganhei em forma de amigo. E não vamos nos separar nunca, né Vitor?

Vitor: É isso aí.

As duas crianças se abraçam. Um abraço singelo e sem maldade.

[FIM DE FLASHBACK 01]

Médico: Ele falava muito em você. Estava fraco, mas só sabia pedir pra você o perdoar, e chamava por outro nome também.

Giovana: Perdoar de quê, Vitor? O que aconteceu?

Vitor: Outra hora a gente conversa sobre isso, tia Giovana.

Mariana: Eu quero vê-lo, doutor. Já posso entrar?

Médico: Não, por favor. Ainda não. Ele não está acordado.

Giovana: O senhor deu algum remédio para ele dormir, é isso?

Médico: Não. Infelizmente ele está em coma. E não temos nada a fazer em relação a isso. Apenas esperar acordá-lo.

Todos se entreolham. Giovana fica pálida. Rique dá-lhe um abraço.

Giovana: (desesperada) Ai, meu Deus. Como assim em coma?! Por que o senhor não disse isso antes?! Eu quero ver meu filho agora. AGORA!

Mariana chora. Vitor enche os olhos de lágrima e Rique apoia Giovana.

Médico: Calma. Está bem, vou deixar à senhora entrar. Mas apenas a senhora e o Vitor.

CENA 02/ HOSPITAL/ INT/ QUARTO 123

Michel está deitado sobre a cama, desacordado. Giovana e Vitor entram no local devagar e, emocionados, aproximam-se do rapaz.

Giovana: (emocionada) Meu Deus… Eu nunca pensei em ver meu filho em uma situação dessas.

Vitor: Nem eu. Mas a senhora tem que ser forte. O Michel vai precisar muito da senhora, e de mim também, quando ele acordar. Pra poder se recuperar e ficar novamente o Michel que nós conhecemos.

Giovana: Vitor, o que aconteceu entre vocês dois antes do acidente? Aquela história que o médico contou lá fora, de que o Michel tava te pedindo perdão. Pelo quê?

Vitor: A gente brigou, tia. Eu vi o Michel e a Antonella se beijando. Eles me traíram. O Michel me disse que eles tinham namorado há um tempo atrás, logo depois que eu viajei. A senhora não lembra dela? Como não reconheceu?

Giovana: (surpresa) Eu não conheci, Vitor. Eu não conheci! Na época, o Michel até queria me apresentar a moça, mas não deu. E logo depois eles terminaram. O Michel ficou arrasado, pois tinha se decepcionado com ela. Mas eu nunca poderia imaginar que fosse a mesma Antonella. Então foi por isso que o Michel mudou. Eu percebia ele calado, pelos cantos. Perguntava para ele o que tava acontecendo, mas ele se fechava.

Vitor: Ele também tinha mudado comigo. Eu fui um tonto e não saquei nada. Doeu muito. Fiquei com tanta raiva dos dois na hora que eu vi aquele beijo. Se eu dissesse que eu ainda não estou muito chateado com o Michel, estaria mentindo. Mas o meu sentimento por esse cara, por esse chato que cresceu como um irmão, que dividiu tantos momentos bons comigo, é muito maior. E, quando ele me ligou desesperado pedindo socorro, não pensei duas vezes.

Giovana: (Pensativa) Como a vida é engraçada e traiçoeira. Nos prega cada peça… Eu nem consegui apresentar o Rique ainda para o Michel. Ele tinha ido lá em casa hoje, já tava todo animado pra conhecer o futuro enteado… Mas eu já estava com um mau pressentimento.

Vitor: Então aquele cara jovem que veio junto com você e a Mariana é seu namorado?

Giovana: É. E vou te dizer: tô muito feliz! Se não fosse tudo isso que aconteceu com meu filho, hoje seria dia de festa. Mas eu vou ficar aqui, orando e, com fé em Deus, meu filho vai acordar e vai se recuperar. Dar aquele sorriso de novo, fazer aquelas piadas que só ele sabe fazer – alisa o rosto de Michel – (p/Vitor) Vá pra casa, Vitor. Eu fico aqui com ele. Você tá na rua desde ontem, precisa dormir, tomar um banho. Se quiser, pode ficar lá em casa.

Vitor: Tá bom, tia. Eu vou, mas eu volto ainda hoje. Fica bem, tá?! – Beija Giovana e em seguida aperta a mão de Michel, respirando fundo.

Vitor sai. Giovana continua ao lado do filho. Ela debruça-se sobre ele e chora.

CENA 03/ MANSÃO DE ADONIRAN/ INT/QUARTO DE ANTONELLA

Jacó bate na porta e entra em seguida. Antonella está deitada na cama.

Jacó: Posso conversar com você, minha irmã?

Antonella: (Triste) Claro!

Jacó senta-se na cama, ao lado da irmã.

Jacó: Fala, mana. O que foi que aconteceu?! Eu vi você chegar ontem, tarde da noite….

Antonella: Ai, Jacó. Aconteceu tanta coisa. Nem sei se eu estou com saco pra te contar tudo. Mas o principal é: meu amor pode estar entre a vida e a morte, por minha culpa.

Jacó: (confuso) Como assim?

Antonella: O Michel, Jacó! Tem outro por acaso?! O Michel era o melhor amigo do Vitor, e eu descobri isso assim que voltei ao Brasil.

Jacó: (surpreso) Aquele que você deu um chute antes de ir para os EUA?! Meu Deus, e por que não me contou nada disso?

Antonella: (chorando) Pra quê?  Ele também tava namorando outra garota. Mas o fato é que nem ele e nem eu conseguimos resistir um ao outro. Não conseguimos sufocar nosso sentimento e voltamos a nos encontrar. Só que, não sei como, o Vitor apareceu bem na hora. Eles brigaram e o Michel saiu de moto e sofreu um acidente. O Michel pode ter morrido. O meu amor pode nem estar mais vivo, e eu aqui sem saber de nada. Me sentindo culpada! Será que você consegue me entender agora, Jacó?!

Jacó: (boquiaberto) Putz. Eu ainda não tô acreditando nisso tudo. (T) Você tá esperando o quê pra ir no hospital saber notícias dele? Se é ele quem você ama, se foi por ele que você traiu o Vitor e fraquejou, então você não pode mais perder tempo presa. Não era nem mais pra estar aqui. Deixa de ser fraca e insegura uma vez na vida, e vai até lá! Faz o que teu coração manda, e enfrenta quem tiver que enfrentar pra ficar perto do teu amor, Antonella. E, se ele não morreu, nesse momento lá, ele deve tá precisando muito de você. Então chega de lutar contra maré, e vai ser feliz!

Jacó encara a irmã e lhe abraça. Antonella chora, e sorri ao mesmo tempo. Ela ergue a cabeça e sorri mais uma vez.

Antonella: Você tem razão, meu irmão. Chega! E é exatamente isso que eu vou fazer!

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

Elo de Amizade – Capítulo 25

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

CENA 01/ CASA DE MARIANA/ INT./ SALA/ MADRUGADA

Mariana confessa para seu pai, que foi ela quem denunciou o encontro de Antonella e Michel para Vitor. Logo em seguida, o celular da moça toca. Ela atende.

Mariana: Alô?

Estevan percebe que o semblante da filha muda. Mariana completamente pálida.

Mariana: (em choque) Ai, meu Deus, pai!

Estevan: (preocupado) O que foi, Mariana?

Mariana: (estática/Chorando) O Vitor, ele acabou de me ligar e disse que o Michel, pai, o Michel sofreu um acidente e tá no hospital. (T) E agora?! E se ele morrer, o que eu faço? Me diz!

Mariana e Estevan olham-se fixamente. Um olhar desesperado e o outro preocupado. Clima tenso.

 

 

Continuação exata da última cena do capítulo anterior

Estevan: Calma! Esse desespero todo não vai adiantar muita coisa.

Mariana: (levantando-se) Eu vou lá. Eu vou ver como ele tá. Tenho que avisar a dona Giovana, também. Ai, meu Deus do céu. Que desgraça! E, de certa forma, eu sou a culpada, pai. Eu sou!

Estevan: (Firme) Para com isso. Senta aí e se acalme! (T) Você mesma não disse que o Vitor tá lá com ele no hospital? Então, pra quê você ir lá agora? Uma hora dessas, ele deve estar sendo atendido, ou sendo operado se for o caso. Já são 3 horas da manhã. Já pensou você ir até a casa da mãe do Michel, pra dar uma notícia dessas em plena madrugada?

Mariana: (chorando) Mas pai, ela precisa saber. E eu não vou consegui ficar tranquila aqui, sem saber notícias do Michel. Sem saber como ele está.

Estevan: Dorme. Vá para seu quarto, tente dormir. Se não conseguir, toma um remédio e, amanhã cedo, quando você acordar, aí sim você vai lá na casa da mãe do Michel, avisa a ela e vai para o Hospital o vê.

Mariana: Mas pai…

Estevan: Vai, minha filha, vai! Você lá agora não iria resolver nada. Tudo com calma, é resolvido melhor. Você, com esse desespero todo, só vai piorar as coisas.

Mariana abraça o pai e afoga-se em lágrimas. Estevan acompanha a filha até o quarto. Mariana está dilacerada.

 

CENA 02/ CASA DE MICHEL/ EXT./ DIA SEGUINTE/ MANHÃ

Giovana está preocupada com o sumiço de Michel. Ela sai na rua, olha para os lados, e, aflita, vai para perto do portão de sua casa.

Giovana: (preocupada) Ai, meu Deus. Não é possível. Alguma coisa deve ter acontecido. Quando o Michel dormia fora de casa, ele avisava e, quando não avisava, sempre chegava antes de amanhecer. (T) Deus queira que meu filho esteja bem.

Nesse momento, Tiago passa pela rua e provoca Giovana.

Tiago: Bom dia, Dona Giovana. Tá vendo aí?! Teu filho paga de santo, mas nem voltou pra casa, né?! Com certeza tá por ai fumando crack.

Giovana: Ah, garoto, por favor, né?! Se não tem nada bom pra dizer, melhor nem se meter.

Tiago: (Irônico/sorriso debochado) Mas como não? Eu moro aqui, na outra rua. Sou praticamente vizinhos de vocês. E, como um bom vizinho, é minha obrigação me meter na vida da vizinhança, até mesmo para ajudar, numa forma de solidariedade.

Giovana balança a cabeça negativamente e não dá importância. Tiago segue andando e vai embora. Nesse momento, Rique chega de táxi, que para em frente a casa. Rique sai e o táxi segue.

Rique: (feliz) Bom dia, amor! Vim fazer uma visita a minha namorada – Beija a moça. – Tá fazendo o quê aqui fora?

Giovana: Tô aqui preocupada com o meu filho. Ele não é de dormir fora desse jeito. Já era inclusive para ele está saíndo para o trabalho.

Rique: Relaxa, Gi. Com certeza não deve ter acontecido nada de mais. Esses jovens são assim mesmo. Era bom que ele chegasse. Não vejo a hora de conhecer seu filho e me apresentar para ele.

Giovana: Bobo (riso) (T) E você, não vai para a agência da Eliete fazer nenhuma foto hoje?

Rique: Ah, tinha até esquecido de te falar. Depois eu vou lá falar com ela. Vou me demitir. Quebrar meu contrato. Naquela agência, e trabalhando com a Eliete, eu não fico mais!

Em seguida, o carro de Mariana para em frente a casa. Ela sai de dentro dela com um óculos escuro e um semblante triste. Giovana e Rique, estão um ao lado do outro.

Giovana: (surpresa) Mariana? Você aqui tão cedo…Aconteceu alguma coisa?

Mariana: Infelizmente sim, dona Giovana. Eu não nem sei como dizer isso para senhora, mas, enfim…

Giovana: (apreensiva) Ai, meu Deus! Foi alguma coisa com meu Michel? Fala, Mariana. Aconteceu alguma coisa com meu filho?

Mariana: (com dificuldade/emocionada) Ele… Ele sofreu um acidente ontem de madrugada.

Giovana fica em choque com a notícia. Rique segura firma na mão da namorada. Mariana abraça forte a ex-sogra, que está estática.

 

CENA 03/ MANSÃO DE ADONIRAN/ INT./ SALA DE JANTAR

Jacó e Adoniran conversam enquanto tomam o café da manhã.

Jacó: Pai, aquela história de Denise…/

Adonirian: (corta) Ah, não. De novo essa história?

Jacó: Calma. Eu apenas queria esclarecer aquela cena entre você e ela que eu vi. Eu não sei porque é que o senhor fica tão nervoso quando eu toco nesse assunto.

Nesse momento, Suzete vem em direção à sala de Jantar, mas para e resolve ouvir a conversa do marido e do filho.

Adoniran: (incomodado) Porque não tem cabimento. Eu já falei que não aconteceu nada entre mim e a Denise. Mas que coisa!

Jacó: Mas o senhor queria que tivesse acontecido?

Adoniran encara Jacó. Ele respira fundo.

Jacó: Pai, pode falar. Não é porque eu sou evangélico que eu vou atirar pedra no senhor. A última coisa que eu posso fazer é te julgar. Só quero que você confie em mim, afinal sou seu filho.

Adoniran: Tá certo. Eu queria sim! Na verdade a Denise sempre me atraiu. E eu acho que eu a atraia também. Quando sua mãe me largou, ficou tudo ainda mais forte. A atração, o desejo por ela aumentou cada vez mais. Mas só ficou nisso mesmo. A Denise é uma mulher de muitos princípios, admiráveis até. E ela não queria ir contra eles. Mesmo sentindo muita vontade também.

Suzete continua ouvindo a conversa. Pasma com o que ouve.

Jacó: Mas e hoje, o senhor ainda gosta dela? Mesmo com a mamãe de volta, com o casamento de vocês mais vivo do que nunca, o senhor ainda sente algo pela Denise?

Adoniran: (confuso) Eu não sei, meu filho. Eu não sei. Talvez aquela minha atitude no jantar, possa ser um sinal de que sim. Mas eu não tenho certeza. Só que mesmo se sentisse, não iria alimentar isso. A Denise nunca ia querer nada comigo, e ainda mais agora que a Suzete voltou. E eu também estou muito bem com a sua mãe.

Nesse momento, Suzete respira fundo e entra no local como se não tivesse escutado nada.

Suzete: (sorrisos forçados) Bom dia!

Jacó: Oi, mãe. Bom dia! A senhora estava aí há muito tempo?

Suzete: Não, acabei de chegar.

Adoniran: E você, está melhor?

Suzete: Claro! Como poderia não estar?! Meu maridinho cuidou muito bem de mim. (T) E a Antonella, ainda não acordou?

Jacó: Eu vi a Antonella chegar de madrugada. Ela tava meio estranha. Subiu direto para o quarto e não me viu. Mas assim que terminar o café, vou lá falar com ela.

Adoniran: Faz muito bem, filho!

Suzete olha para Adoniran. O marido também a olha e sorri. Ela devolve com um leve sorriso forçado de canto de boca.

 

CENA 04/ APARTAMENTO DE DENISE/ INT./ QUARTO DE DENISE

Depois de passarem a noite juntos, Hernani e Denise acordam. Meio sem jeito, se olham.

Denise: (envergonhada) Ai, não! Eu não acredito que isso aconteceu…

Hernani: Mas por que, Denise? Foi tão bom!

Denise: Sempre fomos apenas amigos. E você mora aqui. Não vai ser mais a mesma coisa.

Hernani: Vamos continuar sendo amigos. Nada vai mudar. Mas de certa forma realmente depois dessa noite, não será mais a mesma coisa. Eu descobri algo que eu acho que há tempos já estava dentro de mim, e eu não sabia.

Denise: (curiosa) Como assim? O quê?

Hernani: Ainda é cedo pra falar. Eu vou tomar um banho, porque hoje é dia de procurar emprego. Mais tarde a gente conversa – dá-lhe um beijo na bochecha.

Hernani sai do quarto. Denise sorri timidamente. Pensativa, ela começa a se vestir em seguida.

 

CENA 05/ CASA DE CLARA/ INT./ QUARTO DE PAULINHO

Paulinho está deitado na cama. Clara entra no quarto animada.

Clara: BOM DIA! Vamos acordando, senhor Paulo. Já está quase na hora do colégio.

Paulinho: (fazendo birra) Ah não, mãe. Eu não quero ir. Odeio estudar, odeio quem estuda naquela escola. Odeio tudo!

Clara: Para com isso. Anda, levanta logo dessa cama, que o seu pai já preparou um café da manhã delicioso pra gente –aproxima-se do filho – E, quando você voltar do colégio, vai ter uma grande surpresa.

Paulinho: Que supressa?

Claras: Os filhos de uma amiga minha, vêm passar a tarde aqui. Ela vem me visitar e eu mandei ela trazer os filhos, pra brincarem com você. Que tal?!

Paulinho: (Feliz) Oba! Já tô vendo que a tarde hoje será animada.

Clara sorri. Paulinho levanta eufórico, e Clara começa a trocá-lo, lhe colocando o uniforme escolar.

 

CENA 06/ HOSPITAL/ INT. RECEPÇÃO

Vitor está agoniado esperando notícia de Michel. Nesse momento, Giovana chega desesperada, acompanhada de Rique e Mariana.

Giovana: (chorando) Ai, Vitor. Pelo amor de Deus. Cadê meu filho?

Vitor: Calma, tia. Ele ainda está lá dentro. Como é que a senhora soube?

Giovana: A Mariana foi lá hoje. Me contou e me trouxe pra cá. Você era para ter me ligado, Vitor!

Nesse momento o Médico aparece.

Médico: Bom dia a todos! Vocês devem ser parentes do paciente Michel, não é?! Eu já tenho uma notícia para dar a vocês.

Vitor, Giovana, Mariana e Rique, se olham apreensivos. Clima tenso.

 

EDA | 25º Capítulo

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

Elo de Amizade – Capítulo 24

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

EDA | 24º Capítulo

CENA 01/ GALPÃO ABANDONADO/ INT./ MADRUGADA

Vitor no celular. Antonella ao lado.

Michel: (celular/Fraco) Vitor… Me ajuda por… favor.

Vitor: (assustado) Calma, cara. Fala devagar. O que aconteceu?

Michel: (p/celular) Me ajuda, vei. Eu sofri um acidente. Caí de moto aqui na BR 123. Vem pra cá, por favor… Me ajuda, cara. Me… ajuda.

Do outro lado da linha, Vitor fica impactado com a notícia. Em choque, derruba o celular.

Antonella: (curiosa) O que foi, Vitor? O que aconteceu?

Vitor olha para Antonella. Clima tenso. Vitor sem palavras.

 

 

Continuação exata da última cena do capítulo anterior

Vitor: (paralisado) O Michel. Ele acabou de sofrer um acidente…

Antonella: (assustada) O quê? Acidente? Como? Onde?

Vitor: Calma, Antonella. Ele tá vivo. A gente conversa outra hora. Agora eu preciso ir, porque ele precisa de minha ajuda.

Vitor pega o celular do chão e sai correndo, apressado. Antonella, preocupada.

Antonella: (chorando) Ah, meu Deus. Que não aconteça nada com ele. Senão eu não vou me perdoar nunca. Nunca…

Ela anda de um lado para o outro e, com raiva de si mesma, esbofeteia-se.

 

CENA 02/ ESTRADA

Ainda machucado, Michel grita de dor. Vitor chega ao encontro do amigo. O táxi em no qual veio, para. Vitor sai pra socorrê-lo.

Vitor: (aflito) Michel, Michel. Fala comigo, cara. Fala comigo! – Apoiando o amigo no peito.

Michel: (fraco/Com dificuldade) Você veio?! Depois de tudo que aconteceu, você veio, vei?….

Vitor: E por que eu não viria? Você é meu amigo. E amizade não se acaba assim de uma hora para outra, não.

Michel: Mas eu…

Vitor: (corta) Xiii. Não fala nada. Você tá muito fraco. Fica quieto aí. Vem comigo. Aguenta, cara. Força! – Arranca um pedaço da camisa e amarra na cabeça de Michel para estancar o sangue.

Vitor pega Michel e coloca-lhe dentro do carro. Ele entra apressado, e o táxi acelera. Michel está pálido e muito fraco.

Vitor: Não fecha o olho. Não fecha! Aguenta só mais um pouco, que daqui a pouco a gente chega no Hospital. Aguenta!

 

CENA 03/ APARTAMENTO DE DENISE/ INT./ CORREDOR

Denise sai do quarto e vai à cozinha. Quando passa pela porta do banheiro, ela ouve o barulho de água. Curiosa, olha pelo buraco da fechadura.

Denise: (boquiaberta) Meu Deus… Mas quem diria! – Diz enquanto observa o corpo de Hernani, que está tomando um banho.

Hernani aproxima-se da porta. Denise, assustada, afasta-se, mas é pega no flagra.

Hernani: (surpreso) Denise? O que você tava fazendo parada aí? – Diz ao sair do banho, enrolado apenas com uma toalha.

Denise: (constrangida/reparando em Hernani) É que eu acordei e tava indo beber água e…/

Hernani: (corta) Você tava espiando eu tomar banho?

Denise: (sem jeito) Eu? Oh, Hernani. Você tá maluco? Por que eu iria ficar olhando você tomar banho?

Hernani: Denise, pra quê mentir? Tá na cara! E, além do mais, você não tira os olhos do meu peitoral. (aproxima-se dela) Confessa, vai! Pra quer ficar mentido? Negando algo que você está louca pra provar.

Denise: (reticente) Não, Hernani. Por favor, não! – Tenta resistir a tentação.

Levado pela forte atração, Hernani beija Denise. Esta resiste no começo, mas logo corresponde. Os dois se beijam calorosamente. Hernani tira as roupa de Denise e pressiona-lhe contra a parede.

Denise: (ofegante) Não, Hernani. Para! A gente não pode. Somos amigos.

Hernani: E daí? Vamos continuar sendo. Isso não vai mudar. Agora me beija, vai!

Sem nenhum pudor, vão despindo-se. Quando chegam ao quarto, transam.

 

CENA 04/ HOSPITAL/ INT.

Vitor entra na área de emergência do hospital, com Michel nos braços. Ele é colocado na maca:

Vitor: (apreensivo) Força, cara. Vai ficar tudo bem. Confia! – Segurar a mão de Michel, que apenas olha, derramando uma lágrima.

Os enfermeiros levam Michel. Vitor fica tenso, na recepção. Preocupado, pega o celular e disca um número.

 

CENA 05/ CASA DE MARIANA/ INT./ SALA

Mariana está debruçada no sofá, chorando. Estevan, entra no local e acende a luz.

Estevan: Filha? O que está acontecendo, posso saber?! Uma hora dessas, já era para estar dormindo.

Mariana: (chorando) Desculpa, se eu te acordei, pai.

Estevan: Com um barulho desses, não tinha como eu não acordar. Quem foi que esteve aqui? Eu ouvi lá do quarto, um barulho de moto.

Mariana: (chorando) Foi o Michel, pai. Ele terminou tudo comigo. Saio daqui furioso, disse que não queria mais ver minha cara e que nem queria mais o emprego.

Estevan: (supreso) Mas por que, filha?

Mariana: Ah, porque ele brigou com o amigo dele lá, o Vitor, e veio descontar em mim.

Estevan: Não, espera aí, minha filha. O Michel não iria agir dessa maneira. Terminar o namoro, sair do emprego, sem você não ter feito nada. Esse tempo em que ele trabalhou no meu supermercado, já deu pra conhecê-lo bastante. E eu conheço você também. E por isso mesmo é que estou achando essa história muito mal contada. (T) Anda, Fala! O que foi que você fez? O que realmente aconteceu, Mariana?

Estevan se senta ao lado da filha. Mariana respira fundo.

Mariana: Ai, pai… Eu descobri que o Michel estava me traindo. Eu vi e ouvi ele dizendo pra outra que a amava. Só que essa outra, pai, é a atual namorada do melhor amigo dele. Do Vitor.

Estevan: (surpreso) Meu Deus. Mas ele furou o olho do próprio amigo, assim, do nada?

Mariana: Não. Parece que o Michel já tinha namorado a Antonella antes. Só que aí, o Vitor voltou dos estudos nos EUA, namorando justamente ela. E o Michel foi pego de surpresa também. Mas aí hoje o Vitor descobriu tudo. A chama do Michel com a Antonella se reacendeu, e eles voltaram a se encontrar. Só que o Michel veio aqui, pai, me acusando. Me acusando de ter contato tudo pro Vitor. Me culpando até pelo fim da amizade dos dois. Mas não foi eu contei. Eu juro que não fui eu…

Estevan: (Desconfiado) Tem certeza? Olha que eu te conheço muito bem, hein?!

Mariana: Tá, pai. Fui eu sim! Mas não me julgue. Eu também fui vítima. Não tava mais aguentando essa situação. O Michel chegava a falar na minha cara que não me amava, que preferia a outra. E isso doía. Só eu sei como doía… E eu pensei: como é que pode, ele me tratar desse jeito, ficar saindo com a vagabunda debaixo do meu nariz, e nada acontecer?! (T) Agi por impulso. Eu entrei na sala de vídeo do supermercado, e vi uma filmagem que a câmera de segurança gravou. Do Michel, marcando um encontro com a vadia no galpão que eu já sabia onde é. Aí só foi eu avisar pro Vitor, e pronto.

Estevan: (Chocado) Realmente eu não sei o que dizer. Ao mesmo tempo que eu te vejo como a vítima, eu também estou te vendo como a vilã. Isso é muito complicado. Não estou conseguindo assimilar tanta coisa de uma vez só.

Mariana: Então não fala nada, pai. Não fala nada!

Nesse momento, o celular de Mariana toca. Ela atende.

Mariana: Alô?

Estevan percebe que o semblante da filha muda. Mariana completamente pálida.

Mariana: (em choque) Ai, meu Deus, pai!

Estevan: (preocupado) O que foi, Mariana?

Mariana: (estática/Chorando) O Vitor, ele acabou de me ligar e disse que o Michel, pai, o Michel sofreu um acidente e tá no hospital. (T) E agora?! E se ele morrer, o que eu faço? Me diz!

Mariana e Estevan olham-se fixamente. Um olhar desesperado e o outro preocupado. Clima tenso.

 

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

 

Elo de Amizade – Capítulo 23

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

EDA | 23º Capítulo

CENA 01/ GALPÃO ABANDONADO/ INT./ NOITE

Michel fica nervoso com a demora de Antonella. Ela chega.

Antonella: Pronto, Michel! Tô aqui.

Michel: (feliz) Minha linda. Ah, como eu queria que nada disso tivesse acontecendo. Como eu queria que até hoje, a gente estivesse namorando. Eu não consigo viver sem você, Antonella. Eu te amo demais.

Antonella: (afoita) Eu também! Mas eu te disse que não foi por maldade. Na época, eu só pensei em ajudar minha mãe. Ficar ao lado dela, apoiá-la. Mas acredite, eu não deixei de pensar em você, eu não deixei de te amar em nenhum momento. Você tem que acreditar em mim. Pelo amor de Deus.

Michel aproxima-se de Antonella, puxando-lhe pela cintura.

Michel: (ofegante) Cala a boca! Cala a boca e me beija!

Michel e Antonella entregam-se à paixão. Um beijo apaixonado e caloroso. De repente, Vitor aparece no local aplaudindo a cena.

Vitor: (Irônico) Palmas, muitas palmas para o casal! Continue. Estou adorando o espetáculo. Só que, pelo visto, o palhaço sou eu, né?!

Antonella e Michel ficam em choque. Vitor com lágrimas nos olhos.

 

Continuação exata da última cena do capítulo anterior

Antonella: (Pálida) Vitor, eu posso explicar. Não é exatamente o que você está imaginando.

Vitor: (Trêmulo/Nervoso) Ah, é? E é o que, então?

Michel: (Aproximando-se de Vitor) Calma, Cara. Você tá muito nervoso.

Vitor: (Ríspido) CALA A BOCA! – Grita. – Você fique quieto. Não tem moral nenhuma pra abrir a boca. (T) Meu amigo, um irmão, um cara que cresceu comigo, fazer uma cachorrada dessas?! Isso é demais!

Michel: (Aflito) Cara, eu não te traí. Pelo contrário, eu tava traindo os meus sentimentos. Tava negando-os por orgulho. Eu sabia que amava a Antonella, mas não queria admitir. Tivemos um namoro assim que você foi para os Estados Unidos. Mas eu fui tão fiel a você, que te respeitei. Justamente por isso. Porque eu sabia que você ia sofrer.

Vitor: (Com raiva/Gritando) ME RESPEITOU O CACETE! (T) Como é que você pode chamar de respeito essa cena aqui?! Você se agarrando com a minha namorada, trocando beijos, palavras de amor, enquanto EU, o pateta, tava de inocente. E vocês dois rindo da minha cara.

Michel: (alterado) E você pensa que foi fácil pra mim?! Eu, vendo todos os dias a mulher que eu amo namorando meu melhor amigo, sem poder fazer nada?!. Já estava sufocado. Nem eu e nem ela estávamos aguentando mais. Mas, se a gente escondeu, foi pensando em você.

Antonella: (chorando) Acredita. Acredita na gente, por favor, Vitor. Esse nosso encontro de hoje foi um deslize, um deslize justamente porque não estávamos mais aguentando. A gente queria botar um ponto final nessa situação. (T) Eu vendo o Michel com a Mariana, ele me vendo com você… Não foi fácil pra nenhum dos dois. Pensa!

Vitor está revoltado. Dá um soco na parede e, em seguida, respira fundo.

Vitor: Agora eu tô entendendo tudo! O motivo pelo qual você saiu mais cedo da boate aquele dia, o motivo pelo qual o Michel tava diferente, estranho comigo…

Michel: Cara, eu não amo a Mariana. Eu queria amar-la, ou pelo o menos tentei, pra esquecer a Antonella, mas não consegui. E já não conseguia fingir pra mim e nem pra você.

Vitor se aproxima de Michel.

Vitor: (encarando-o) Eu não quero nunca mais olhar pra essa tua cara! Pra mim você não passa de um FALSO! E eu não quero ser amigo de um falso, um traídor que nem você.

Michel: (estático) Quem foi que te contou? Fala! Foi a Mariana, né?

Vitor: (Gritando) NÃO INTERESSA QUEM CONTOU. O QUE INTERESSA É A CACHORRADA QUE VOCÊ FEZ COMIGO. O QUE INTERESSA É QUE É VERDADE.

Michel: (Seco) Não pensa pra mim que é fácil olhar pra tua cara não. Tá sendo muito difícil eu me controlar. Mas se você gritar comigo de novo, eu não vou pensar duas vezes. Você pensa que só você sofreu?! E eu? Imagine aí, eu saber que meu melhor amigo, transa com a mulher que eu amo. A mulher que um dia eu também toquei. E você queria que eu não mudasse diante dessa situação? (T) Fomos vítimas do destino, e nós dois sofremos com tudo isso.

Vitor: (Ameaçador/Furioso) Tá esperando o quê pra vazar? – Coloca Michel contra a parede e aperta-lhe o rosto. – Sai daqui de uma vez antes que eu te quebre todo. SOME DA MINHA FRENTE!

Vitor empurra Michel. Antonella está no chão, encostada na parede, chorando. Michel vira-se para Vitor. Trocam olhares agressivos. Michel limpa as lágrimas, pega

o capacete e sai do local. Vitor e Antonella se olham. Ambos desconcertados. Michel sai do Galpão, monta sua moto e acelera fortemente.

 

CENA 02/ CASA DE MARIANA/ EXT.

Michel para a moto em frente a casa da namorada. Desce. Furioso, começa a bater palmas. Mariana abre a porta. Michel avança com tudo pra cima da patricinha.

Michel: (Fora de si/Gritando) Foi você, não foi? Fala!! – Apertando os braços dela.

Mariana: (assustada) Eu o quê? Pelo amor de Deus, Michel. Do que você está falando?

Michel: (encarando-a) Deixa de ser cínica! Sei que muito bem que foi você que contou pro Vitor que eu iria me encontrar com a Antonella. Você não tinha se conformado em me perder, né?! Em saber que é ela que eu amo de verdade. Aí foi lá e contou tudo pro Vitor.

Mariana: (olhar de vítima/Chorando) Meu amor, você acha mesmo que eu faria isso com você? Eu nem sabia que ia se encontrar com a Antonella. A traída aqui sou eu!

Michel solta Mariana.

Michel: (aiva) O melhor disso tudo é que agora acabou! Não tem mais chantagem, então não tem mais namoro! Eu nunca mais vou ter que olhar pra essa sua cara.

Mariana: (incrédula) Hã?! Não, você não pode fazer isso! Se você me largar, mando meu pai te demitir, tá me ouvindo?

Michel: Pouco me importa! Engula esse seu emprego. Vá mandar em outro otário, porque em mim ninguém manda. Sou livre, não tenho dona. E vou continuar sendo.

Michel vira-se e afasta-se de Mariana. A patricinha chora descontroladamente.

Mariana: (chorando/Lhe puxando) Não, Michel. Não me deixa, amor. Eu não mereço isso. Eu não contei nada. Juro!

Michel empurra Mariana, que cai no chão.

Michel: Eu só tenho uma coisa pra te dizer: se foi você quem causou tudo isso, acabou destruindo uma bela e profunda amizade. Então leve essa toda essa culpa com você!

Descontrolado, Michel monta na moto e acelera. Mariana, no chão, chora incansavelmente.

 

CENA 03/ ESTRADA

A pista está escura. Michel cada vez mais acelera a moto. Completamente transtornado, lembra de tudo o que aconteceu.

‘’FLASHBACK ON’’

Vitor: (encarando-o) Eu não quero nunca mais olhar pra essa tua cara! Pra mim você não passa de um FALSO! E eu não quero ser amigo de um falso, um traidor que nem você.

Michel: (estático) Quem foi que te contou? Fala! Foi a Mariana, né?

Vitor: (Gritando) NÃO INTERESSA QUEM CONTOU. O QUE INTERESSA É A CACHORRADA QUE VOCÊ FEZ COMIGO. O QUE INTERESSA É QUE É VERDADE.

‘’FLASHBACK OFF’’

Michel está visivelmente perturbado. Não consegue pensar em mais nada. Uma mistura de raiva e dor tomam conta dele. Acelera cada vez mais. Um cachorro atravessa a pista. Michel assusta-se e, ao frear, a moto derrapa na pista e Michel é laçando para fora do asfalto. O capacete voa e o rapaz bate a cabeça no chão. Desmaia.

 

CENA 04/ MANSÃO DE ADONIRAN/ INT./ QUARTO DO CASAL

Adoniran cobre Suzete, que dormiu depois de tomar um remédio. Ele beija a esposa na testa e, em seguida, sai. No corredor, Jacó vai até o encontro do pai:

Jacó: Então, pai. Ela tá melhor?

Adoniran: Tá sim. Foi apenas a pressão que abaixou. Ela tomou um remédio e já dormiu.

Jacó: Ainda bem! (T) Pai, eu queria te perguntar uma coisa…

Adoniran: O quê?

Jacó: Naquele dia do jantar, tava acontecendo alguma coisa entre você e a Denise aqui no corredor?

Adoniran: (perturbado) Coisa? Como assim meu filho?

Jacó: Sei lá, pai. Quando eu cheguei, você estava segurando ela, quase beijando. A Denise tava meio que resistindo. Eu realmente não entendi.

Adoniran: (nervoso) Pelo amor de Deus. De onde é que você tira isso?! Eu estava apenas mostrando a Denise, a porta do banheiro. Por que ela estava entrando na porta errada. Só isso!

Jacó: Haham, sei… (Desconfiado) Só não entendi o porquê de todo esse nervoso. Foi apenas uma pergunta. Precisava ficar assim, desse jeito?

Adoniran: (irritado) Ah, Jacó. Por favor, né?!

A dúvida de Jacó aumenta ainda mais. Ele balança a cabeça negativamente.

 

CENA 05/ ESTRADA/ MADRUGADA

No chão, Michel acorda do desmaio. Fraco, ele olha em volta, tenta se levantar, mas não consegue. Ao pôr a mão na cabeça, ele depara-se com sangue e começa a gemer de dor. Desesperado, pega, com dificuldade, o celular em seu bolso, e liga para Vitor, que atende.

Michel: (celular/Fraco) Vitor… Me ajuda por… favor.

CORTA PARA O GALPÃO ABANDONADO:

Vitor no celular. Antonella ao lado.

Vitor: (assustado) Calma, cara. Fala devagar. O que aconteceu?

Michel: (p/celular) Me ajuda, vei. Eu sofri um acidente. Caí de moto aqui na BR 123. Vem pra cá, por favor… Me ajuda, cara. Me… ajuda.

Do outro lado da linha, Vitor fica impactado com a notícia. Em choque, derruba o celular.

Antonella: (curiosa) O que foi, Vitor? O que aconteceu?

Vitor olha para Antonella. Clima tenso. Vitor sem palavras.

 

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia

Elo de Amizade – Capítulo 22

UMA NOVELA DE LUCAS OLIVEIRA

EDA | 22º Capítulo

CENA 01/ AGÊNCIA BELA FACE /INT /ESTÚDIO FOTOGRÁFICO / MANHÃ

Em pé, Eliete mostra para Rique as fotos do ensaio, pela câmera. Giovana chega devagar.

Giovana: (Tímida) Com Licença. Vim trazer os lanches, mas não quero atrapalhar.

Eliete: (Fria) Pode deixar em cima de qualquer lugar aí, querida.

Rique: Espera, Giovana! – Aproxima-se dela. – Eu queria muito falar com você.

Giovana: Outra hora você fala! – Vira-se.

Rique: (Segurando pela braço) Não! Já que você está aqui, não tem porque eu adiar. Até porque eu não preciso esconder nada de ninguém. (Respira fundo) Giovana, você aceita namorar comigo?

Giovana, assustada, fixa seu olhar no jovem. Eliete engasga.

 

 

Continuação exata da última cena do capítulo anterior

Giovana: (surpresa) Você tá falando sério?

Rique: Pra que eu iria brincar? Desde a primeira vez que eu te vi, senti algo aqui dentro que não soube explicar. Mas ontem eu tive certeza de que é paixão. Me dá uma chance, Giovana. É só isso que eu te peço.

Nesse momento, Eliete gargalha.

Eliete: (debochando/Rindo) Pelo amor de Deus, que palhaçada é essa?! Oh, Rique, você bebeu, foi? Só pode! Ou então deve estar precisando urgentemente de óculos, porque essa aí (apontando pra Giovana), já está passada!

Rique: Te perguntei alguma coisa, por acaso? Não me lembro de ter pedido sua opinião.

Eliete: É muita cara de pau! Uma velha ficar dando mole pra menino novo, como se ela ainda aguentasse alguma coisa.

Giovana se irrita e, nervosa, aproxima-se de Eliete.

Giovana: (irritada) Espera aí. Por que eu não posso me envolver com o Rique? Só porque ele é 20 anos mais novo? Sim, e daí? Tem algum problema?

Eliete: O problema é que isso é ridículo! Se enxerga, flor. Daqui alguns anos, você vai estar é no asilo fazendo companhia para várias outras velhas acabadas que nem você. E você acha mesmo que o Rique vai limpar tua bunda? Acorda! (riso).

Giovana perde a cabeça, e esbofeteia Eliete, que cai no chão. Rique segura a moça.

Rique: Calma, Giovana. Pelo amor de Deus, se controla!

Giovana: (Com raiva) Eu sei muito bem porque essa cena toda. Sempre quis o Rique, né?! Sempre foi louca por ele, mas ele nunca te deu bola. Isso só prova, minha querida, que não basta ter rostinho bonito pra conquistar um homem. Tem que ser mulher de verdade e, pra isso, tem que ter conteúdo. Coisa que você não tem!

Eliete: (No chão/gritando) CAAALA A BOCA!

Giovana: (P/Rique) E sabe do que mais? Eu aceito seu pedido, Rique. Afinal, não tenho porque não aceitar, né mesmo?! Meu NA-MO-RA-DO! Vamos embora!

Giovana pega a sacola e, junto com Rique, sai. Descontrolada, Eliete grita. Ao levantar-se, destrói todo o estúdio. Chorando compulsivamente, Eliete escora-se em uma parede e desliza por ela até chegar ao chão.

 

CENA 02/ RUA/ EXT.

Vitor anda em uma calçada. Percebe uma movimentação. A sirene de um carro de polícia é ouvida. De repente, Tiago vem correndo e esbarra em Vitor:

Vitor: Tá maluco? Não olha por onde anda não, é?

Tiago, apressado, não dá importância. Aflito, prende o sapato numa calçada. Vitor percebe que ele está fugindo de alguma coisa. Até ver que as viaturas policiais estão aproximando-se.

Vitor: (fazendo sinal com a mão) Ei, vem cá comigo! Rápido!

Tiago: (sem entender) Para quê?

Vitor: Vem logo, antes que eles te vejam! – Ajuda Tiago a se soltar.

Ele puxa Tiago pela mão e o leva até um beco. Os dois, abaixados, veem quando as viaturas desaparecem.

Vitor: Mas você não tem jeito mesmo, né?! Se meteu em quê dessa vez, rapaz?

Tiago: Nada que te interesse! Mas valeu! (T) Mas não preciso da tua ajuda. Sei que tu me odeia. Não entendi porque me ajudou.

Vitor: Eu não tenho ódio de você, apesar de tudo que você á fez. Se tivesse ódio que você, nem te ajudaria. Então, se toca, vei!

Tiago: Mas então posso saber porque você me ajudou?

Vitor: Por nada, vei. Aliás, nem eu sei. Mas que isso sirva de lição pra tu tomar jeito. Da próxima vez não vai apareceu eu pra te ajudar de novo, não. E aí, tu vai saber o que é cadeia! Então se liga!

Tiago: Eu sei me cuidar…

Vitor: Não parece! Mas, enfim, toma juízo, e vê se para de mexer comigo e com o Michel. Não desdenhe da nossa amizade, porque somos amigos e é pra esse tipo de situação que um amigo serve. Pra ajudar! E você, pelo visto, não tem nenhum. (T) Hoje teve sorte, mas amanhã…

Vitor levanta-se e vai embora. Tiago continua ali. Tocado, reflete acerca das palavras de Vitor.

 

CENA 03/ CASA DE CLARA/ INT./ QUARTO DE PAULINHO/ NOITE

Paulinho está deitado na cama. Emburrado, o garoto não responde os pais. Clara e Guto prostram-se ao lado do filho.

Clara: Vai, come, nem que seja um pouquinho – Diz com um prato de sopa na mão.

Em silêncio, o garoto empurra o prato.

Clara: (nervosa) Olha pra isso, Guto. Já estou ficando nervosa. Esse menino não quer mais comer, não quer mais levantar dessa cama…

Guto: Calma, Clara. Ele está assim porque você tirou o cachorro dele.

Clara: Mas será que ele não ver que foi melhor assim?

Guto: É apenas uma criança. Venha, deixa-o aí. Quando quiser nos chama.

Clara segura a mão do marido e, juntos, ambos saem do quarto. Paulinho enrola-se com o lençol dos pés à cabeça e chora sem parar.

 

CENA 04/ APARTAMENTO DE DENISE/ INT./ COZINHA

Em silêncio, Denise e Hernani jantam. Envergonhados pelo acontecidos, trocam olhares desconfiados. Hernani resolve quebrar o silêncio.

Hernani: Tá de boa, Denise?

Denise: Como assim?

Hernani: Ué, por causa da parada que aconteceu mais cedo. Eu ter entrado no teu quarto e te visto nua.

Denise: Ah, tudo bem. Contanto que você não faça de novo…

Hernani: Quanto a isso, pode ficar tranquila. Prometo que não acontecerá mais.

Denise: Melhor assim.

Ambos entreolham-se. Não são olhares de meros amigos.

Hernani: Bom, já vou para o quarto – levanta-se.

Denise: Mas já?

Hernani: É, estou cansado. Vou tomar um banho e tentar dormir. Boa noite, Denise.

Hernani sai em direção ao quarto. Denise observa maliciosamente, atraindo-se por ele. Em seguida, balança a cabeça negativamente e volta a jantar.

 

CENA 05/ MANSÃO DE ADONIRAN/ INT./ SALA

Suzete está sentada no sofá, folheando uma revista e tomando uma taça de vinho. Adoniran entra no local e senta-se ao lado da esposa. Suzete começa a ficar tonta.

Suzete: Ai, não tô me sentindo bem…

Adoniran: (preocupado) O que foi, Suzete? O que você tá sentindo?

Suzete: Ah, sei lá. Do nada me deu uma tontura. Um mal-estar. Acho que minha pressão deve ter abaixado.

Adoniran: (GRITANDO) OH, EMPREGADA, TRAZ UM POUCO DE SAL AÍ. RÁPIDO! (p/Suzete) Calma, amor. Com o sal, vai passar.

Neste momento, Antonella desce as escadas apressada. Adoniran chama a filha.

Adoniran: Antonella, vem ajudar aqui. Tua mãe está passando mal.

Antonella: (correndo) Não posso, pai. Tenho um compromisso agora e já estou atrasada. Dê algum remédio pra ela. Fui!

Antonella sai e bate a porta de forma brusca. Adoniran pega Suzete no colo, leva-lhe para o quarto.

 

CENA 06/ GALPÃO ABANDONADO/ INT. 

Michel fica nervoso com a demora de Antonella. Ela chega.

Antonella: Pronto, Michel! Tô aqui.

Michel: (feliz) Minha linda. Ah, como eu queria que nada disso tivesse acontecendo. Como eu queria que até hoje, a gente estivesse namorando. Eu não consigo viver sem você, Antonella. Eu te amo demais.

Antonella: (afoita) Eu também! Mas eu te disse que não foi por maldade. Na época, eu só pensei em ajudar minha mãe. Ficar ao lado dela, apoiá-la. Mas acredite, eu não deixei de pensar em você, eu não deixei de te amar em nenhum momento. Você tem que acreditar em mim. Pelo amor de Deus.

Michel aproxima-se de Antonella, puxando-lhe pela cintura.

Michel: (ofegante) Cala a boca! Cala a boca e me beija!

Michel e Antonella entregam-se à paixão. Um beijo apaixonado e caloroso. De repente, Vitor aparece no local aplaudindo a cena.

Vitor: (Irônico) Palmas, muitas palmas para o casal! Continue. Estou adorando o espetáculo. Só que, pelo visto, o palhaço sou eu, né?!

Antonella e Michel ficam em choque. Vitor com lágrimas nos olhos.

 

EDA| Continua amanhã!

Escrita por
Lucas Oliveira

Direção
Juh Prestes
Jheff Reis

Realização
ADNTV Dramaturgia