CHAMAS DA LIBERDADE| Último Capítulo

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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Cena 1. Apto. de Duval. Dia. Sala de estar

Duval lê um jornal sentado no sofá, juntamente a Vanessa. A campainha toca, ele se levanta e vai atender, quando se depara com Marcelo.

MARCELO: Olá Duval!

DUVAL: (assustado) Marcelo?!

MARCELO: Será que eu posso entrar?

DUVAL: Claro! Entre!

Marcelo entra, e se senta no sofá.

VANESSA: O senhor aceita alguma coisa?

MARCELO: Não, obrigado… O que eu tenho pra falar pro Duval é rápido, não vai tomar tempo algum.

DUVAL: Pois bem, então seja rápido, não tenho muito tempo!

MARCELO: Que história é essa de que você é meu verdadeiro pai?

DUVAL: Eu queria ter te falando isso antes!

MARCELO: Vá enganar a outro, pois eu sou muito esperto, e sei muito bem de toda história do seu passado!

DUVAL: Pois bem, então já que você sabe de tudo, por que veio até a mim tirar satisfações?

MARCELO: Eu quero saber na verdade quem é você, e como um homem como você pode estar vivo depois de tanto tempo!

Duval ri.

DUVAL: Meu nome é Robério, sou irmão gêmeo de Duval. Meu irmão morreu há algum tempo, e eu quero o que é meu por direito, e o que ele te deu pra você conseguir construir tudo isso!

MARCELO: Seu desgraçado, então você falsificou identidade?

DUVAL: Sim!

Marcelo tira do bolso um gravador, e quatro policiais entram no apartamento, rendendo Duval e Vanessa, que acabara de chegar, já presa.

Cena 2. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Escritório

Marcelo entrega uma mala cheia de dinheiro em dólar nas mãos de Armando.

ARMANDO: Pra que isso?

MARCELO: Eu quero entregar a sua parte na empresa, o seu dinheiro, se você quiser trabalhar comigo, será uma honra, mas eu preciso lhe entregar esse dinheiro, pra que você faça o que bem preferir da sua vida.

ARMANDO: Obrigado!

Cena 3. Mansão de Iolanda. Dia. Int. Cozinha

Iolanda lê um jornal escrito:

 

PAI E FILHO! Marcelo e Armando vão fazer festa para recepcionar novo acionista!

 

IOLANDA: Amanhã… Amanhã é o grande dia!

FUNDE com Celinha também lendo a notícia.

 

NO DIA SEGUINTE…

 

Cena 4. Mansão dos Brandão. Noite. Int. Sala de estar

A câmera focaliza nos convidados que vão chegando na mansão. Iolanda chega juntamente com um homem bem apessoado na mansão.

HOMEM: Não podemos cometer nenhuma gafe… Os convidados já chegaram, e com certeza o acionista também!

IOLANDA: É uma gafe que pouco que me importa cometer… É uma boa resposta pro Marcelo!

HOMEM: Será que você só consegue pensar em termos de negócios? Pensa em que estamos em uma festa para um homem poderoso!

Iolanda tira o cigarro da bolsa. Marcelo se aproxima de Iolanda.

MARCELO: Mas é muita petulância aparecer por aqui, Iolanda Caputto!

IOLANDA: Resolvi te prestigiar, Marcelo Brandão! Afinal, as festas na casa de Marcelo Brandão sempre são muito requintadas, e sempre rolam um tiro não é mesmo?!

Marcelo começa a lembrar:

Celinha vai até Marcelo, que acaba de pegar uma taça de champanhe.

MARCELO  –    Diga Celinha! Eu não quero me estressar nesse dia tão especial, fale rápido!

CELINHA  –    Na verdade não é nada demais, eu só quero que você seja mais discreto nas “compras” dos cristais. A Joyce acabou de me perguntar de onde você tira todas essas pedras!

 

 

MARCELO  –    Relaxe! Há trinta e cinco anos eu faço isso, nunca fui descoberto, não vai ser essa mosca morta que vai descobrir!

Marcelo sai de perto de Celinha e sobe novamente no palanque. Ele se aproxima do microfone.

MARCELO  – Quero fazer alguns humildes agradecimentos…

NÃO SE ESCUTA A VOZ DE MARCELO. FICA UM CLIMA DE TENSÃO.

PLANO AMERICANO. Um homem com uma máscara preta, e com um revólver na mão. Todos distraídos aplaudindo Marcelo. Um barulho de revólver sendo disparado, e vemos a bala chegar até a direita de seu peito. Seu corpo vai se bambeando até que cai no chão.

CELINHA  –    (GRITANDO) Marcelo!!!

MARCELO: Foi você! Você tentou me matar Iolanda?

 

 

IOLANDA: Entenda como quiser… A única coisa que posso lhe afirmar é que não existem provas que comprovem o meu envolvimento em tudo isso!

Iolanda se aproxima da escada. Diversas pessoas em volta da mesma.

Cena 5. Bar. Dia. Ext.

Viviane passa deslumbrante na frente de um bar, e escuta algumas coisas.

VOZ MASCULINA: (off) É hoje! Hoje Armando Brandão vai ter que entregar aquele maldito dinheiro! Sabe aquele assassino que apareceu nos jornais, que matou padrasto e enteada? Então, ele me contratou para roubar a fortuna de Armando Brandão.

Viviane se assusta e sai correndo até um ponto de táxi.

VIVIANE: Meu Deus… O Armando não pode sair de casa!

Viviane pega o telefone e liga para Armando.

OBS.: Armando dentro do quarto na mansão dos Brandão e Viviane dentro do táxi.

ARMANDO: Diga… O que foi Viviane?

VIVIANE: Você não pode sair de casa, Armando? Estão querendo te matar! Querem roubar o seu dinheiro!

ARMANDO: Não pode ser!

Armando desliga o telefone.

Cena 6. Mansão dos Brandão. Noite. Int. Quarto de Armando.

Armando corre, fugindo com a mala pela janela. Marcelo, desesperado, sobe rapidamente as escadas, chegando no quarto, ao ver que os bandidos já haviam fugido. Viviane chega chorando, e Marcelo tenta acalmá-la.

MARCELO: O que houve com você?

VIVIANE: (chorando, nervosa) Liga pro Armando… Liga pro Armando! Ele tá perdido, ele não podia sair de casa, não podia!

Cena 7. Estação de metrô. Noite. Ext.

Armando vai até o orelhão, e liga.

ARMANDO: (tel.) Alô?! É do dique denúncia? Por favor, corram até o metrô principal, eu preciso da ajuda de você, estão querendo me matar, e eu estou com muito dinheiro comigo!

De um lado, a cam foca em Celinha, entre as outras pessoas. Do outro, focaliza em Iolanda.

Armando sai andando ao lado do metrô, desconfiado. Ao olhar para cima, reconhece Iolanda, e alguns homens, e então começa a correr loucamente, sendo perseguido pelos homens. Iolanda e Armando ficam frente a frente.

IOLANDA: Me dá a mala, Armando!

Armando empurra Iolanda e sai correndo rapidamente. Ele consegue se esconder atrás de uma pilastra. Quando ele sai, se depara com Celinha com um revólver na mão, atrás de Armando.

CELINHA: (sussurrando) Me dá logo esse dinheiro, Armando!

ARMANDO: Calma, calma! Então foi você sua desgraçada? Você matou a Joyce, matou a Julia e ainda matou Virgílio.

CELINHA: Sim, é claro que fui eu!

FLASHBACK 1. Balcão. Noite. Int.

Local escuro e vazio; Virgílio entra no local. Vários vultos são percebidos no local. Virgílio o segue.

VIRGÍLIO: Quem tá aí? Joyce?

CELINHA: Não… Sou eu, Virgílio!

Celinha acende uma lanterna em sua cara apenas. Ela fica com um revólver na mão.

VIRGÍLIO: Até agora não entendi o porquê de tanto ódio a mim!

CELINHA: Eu preciso destruir um por um! Isso me faz sentir bem… Preciso que todos se arrastem em meus pés!

A câmera escurece, escutamos um grito masculino, e o barulho de três tiros.

FIM DO FLASHBACK

 

Celinha com a arma apontada para a cabeça de Armando.

ARMANDO: Calma, calma que eu vou lhe dar o dinheiro!

Armando empurra Celinha e sai correndo. Ela se levanta rapidamente, e atira três vezes nas costas de Armando. Ele cai lentamente no chão. Armando morre. Os policiais chegam no local. Viviane e Marcelo, arrasados, também chegam. Viviane se joga no corpo de Armando. Marcelo ao lado chorando.

VIVIANE: Armando, pelo amor de Deus, acorda! Cê prometeu que a gente iria se casar!

A câmera vai se afastando e vemos o corpo de Armando jogado no chão, todo ensanguentado.

Sonoplastia: O bêbado e a equilibrista – Elis Regina

 

DOIS ANOS DEPOIS…

 

Cena 8. Empresa Brandão. Dia. Int. Sala de reuniões

Marcelo assina um papel. Viviane e Hugo ao lado.

MARCELO: Pronto! Espero que vocês dois, meus queridos, os únicos que não fizeram nada em busca dessa liberdade desejada, entrego a vocês o nome da minha empresa, que agora é de vocês! Agora eu preciso ir, tenho muita coisa pra viver!

Marcelo vai embora.

 

1 MÊS DEPOIS…

Cena 9. Igreja. Dia. Int.

Marcelo ajoelhado;

A IMAGEM FUNDE com a próxima cena.

Cena 10. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Sala de estar

Viviane se senta no sofá, com um notbook em mãos, e chega um e-mail de Marcelo:

 

Querida Viviane,

Sinto muita falta de tudo, sinto falta talvez de pessoas de verdade, de amigos verdadeiros. Olha que engraçado, sinto falta de coisas que nunca tive! Perdi um filho por puro egoísmo meu, meus inimigos me venceram, me tiraram tudo o que eu tinha, não sobrou um caldinho dessa minha vida, mas hoje estou feliz! A minha vida não é mais ligada ao dinheiro, nem a matéria. Descobri que tudo isso era bobagem, e que a vida é a melhor matéria de um ser. A verdadeira liberdade não é comprada, é conquistada!

 

Um abraço,

Marcelo Brandão.

 

VIVIANE: Boa sorte!

Cena 11. Mansão de Iolanda. Dia. Int. Sala de estar

Iolanda triste andando pela casa.

“A solidão… O que será dessa minha vida sozinho… Há cada dia que passará, me sentirei uma velha presa nesse maldito mundo. Paguei o preço mais caro por minha liberdade, sou obrigada a aguentá-lo. E agora? A única solução mesmo é largar esse mundo. Já dizia Getúlio Vargas: Às vezes, vencer é saber esperar, e falando nele, uma coisa eu sei que será o melhor para mim… Sair de um maldito corpo, de uma maldita carne e entrar em um perdão eterno, em uma vida talvez eterna, isso que Deus tiver pena dessa alma negra! E agora, saio da vida, e entro para a história!”

Iolanda Caputto

Iolanda pega uma taça de vinho, com veneno, bebe, e cai morta no chão.

FADE OUT

 

FIM

Mensagem do autor!

É com muita felicidade que encerro mais uma novela da vida! Estou igual a um replay, sempre repetindo, que sou apaixonado por histórias da vida, e me orgulha ter finalizado, talvez, a novela que mais cumpriu o papel de ensinar em minha vida. Eu queria uma história cheia de surpresas, suspense, coisas inusitadas, e mesmo assim consegui seguir a sinopse, e transformar Celinha Brandão em uma das maiores vilãs de minha carreira. Obrigado meu povo, e até breve!

SOLTA O ENCERRAMENTO kkkkkkkkk

“[…] Que sufoco, louco, o bêbado com chapéu coro, fazia irreverências mil[…]”

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CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 024

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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Cena 1. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Sala de estar

Armando olha para trás ao ver que Celinha que disparou o tiro, que pega em Julia. Ela olha para seu peito, e Viviane se afasta. Armando voa em cima de Julia.

ARMANDO: (nervoso) Olha o que você fez desgraçada! Você matou o meu filho, Celinha! Fala comigo Julia!

JULIA: (dificuldade na fala) Não… Não tem filho… Eu… Não to grávida! Eu t.. te enganei!

ARMANDO: Ta bem, Julia… Mas por favor, não durma, não feche os olhos… Liguem pra ambulância!

Viviane pega o celular e disca para a ambulância. Julia vai desfalecendo nos braços de Armando. A CAM AFASTA e vemos Julia morta no chão. Viviane com um celular nas mãos. Celinha na escada com olhar firme. Armando deitado no chão ao lado do corpo de Julia.

Cena 2. Mansão de Iolanda. Tarde. Int. Sala de estar

Iolanda com o telefone no ouvido.

IOLANDA: (tel./ assustada) Como assim morte? Morte na casa do Marcelo Brandão? E-U  N-Ã-O  T-Ô-  A-C-R-E-D-I-T-A-N-D-O!

Cena 3. Cemitério. Tarde. Ext.

Várias pessoas no enterro. Todos de preto. Celinha finge choro. Lucas desesperado, consolado por Celinha. Iolanda aparece no enterro. Julia é enterrada.

LUCAS: (chorando) Eu não sei mais o que fazer! Perdi minhas irmã, eu to novamente sozinho!

CELINHA: Pois é, querido… Malditos bandidos que entraram lá em casa! Você acredita que eles não levaram nada?! Foi um horror! Meus sentimentos.

LUCAS: Muito obrigado! Se nesse país existir um pingo de justiça, esses bandidos estarão presos, isso sim! Minha irmã nunca fez nada a ninguém, e ainda estava grávida!

ARMANDO: Não, ela não estava grávida!

LUCAS: Como assim? Ela me disse que estava!

ARMANDO: Minutos antes de morrer ela me confessou que tudo não passava de um plano pra me laçar de vez.

LUCAS: Bom, isso não importa! Eu só quero que o assassino da minha irmã seja preso!

A imagem se alterna entre Armando, Lucas e Celinha.

Cena 4. Mansão dos Corrêa. Tarde. Int. Sala de estar.

Virgílio sentado no sofá com cara de paisagem. Tamara chega raivosa em casa, e bate as portas.

VIRGÍLIO: Nossa! Precisa entrar nervosa assim?

Tamara ignora e segue em subindo às escadas.

VIRGÍLIO: Isso é porque não é você que paga!

Cena 5. Mansão dos Corrêa. Tarde. Int. Quarto do casal

Tamara entra no quarto, e pega o telefone que está em cima do criado mudo, discando.

TAMARA: (tel.) Alô?! Marcos?! Pois bem, acabei de chegar do cartório. Lembra-se daquela assinatura que eu havia recolhido do Virgílio há uns meses atrás? Então, já levei até o cartório, e agora eu sou dona das maiores ações da empresa! Agora é só descobrir a amante desse canalha e bingo! Eu destruo o Virgílio e ainda o deixo morando na rua!

 

Cátia entra raivosa em casa, e Virgílio se levanta.Cena 6. Mansão dos Corrêa. Tarde. Int. Sala de estar

VIRGÍLIO: O que você tá fazendo aqui?

Tamara aparece na escada.

TAMARA: Fui eu!

VIRGÍLIO: (com raiva) E quem te deu a autorização de trazê-la com aquele diabo do Henrique pra morar aqui em casa?!

TAMARA: Eu não sei se você sabe, mas eu sou tão dona dessa mansão, que você faz tanta questão de bater no peito em dizer “minha casa”, quanto você! E como eu sou mãe de Cátia, tanto ela, quanto Joyce tem direito a metade de tudo o que eu tenho em vida, e isso significa que elas vão morar aqui, debaixo do meu teto, como você mesmo dizia quando morávamos no Nordeste, “debaixo da minha asa”, e Henrique… Ah, o Henrique vem morar aqui, porque ele é meu afilhado, é meu protegido, e vai ser até quando eu morrer!

VIRGÍLIO: Escuta aqui, Tamara…

TAMARA: (corta) Não vou escutar porcaria nenhuma… Quando chegar a hora certa você vai saber o porquê estou lidando assim com você! Vamos Cátia, eu vou com você buscar suas coisas!

Tamara e Cátia saem da casa, e Virgílio se irrita.

Cena 7. Mansão dos Brandão. Noite. Int. Quarto do casal

Celinha exausta joga sua bolsa em cima da cama, e começa a retirar seu brinco. Joyce observando, com uma cara de exaustão também.

CELINHA: Ai Joyce, que dia cansativo!

JOYCE: É, da pra perceber… O enterro da traíra foi de manhã, e você vai me chegar somente agora.

CELINHA: Fui almoçar naquele restaurante de sempre. Armando está inconsolável, e não quer me perdoar. É ruim pra ele, porque em casa ele não dorme hoje!

JOYCE: E você não tem medo da verdadeira história vazar? Pensa bem… Ter o Armando como aliado é muito melhor do que tê-lo como inimigo.

CELINHA: O Armando já come na minha mãe, Joyce… Aquele babaca não faz nada sem que eu saiba! Ele não teria coragem de me denunciar.

JOYCE: Sei lá… Eu só sei que ele não é tão bobo assim, ou você esqueceu que ele só ficou do seu lado porque era muito melhor pra ele… Sem dó em piedade, o coitadinho deu uma coronhada na sua maior aliada. Imagina o que ele não pode fazer com você!

CELINHA: Se bem que nisso você tem razão! Mudando um pouco de assunto, e a história do bebê?

JOYCE: Foi por água abaixo… Olha quanto tempo já não se passou e Virgílio não mudou de opinião! Nossos encontros não estão tão constantes mais.

CELINHA: Eu acho que você está dando bobeira… Aproveita que o velho tá cheio da grana. A empresa só cresce, a corrupção comendo solta, e você fica aí, chupando dedo. Passa a ameaçá-lo, mas não ameace pouco, ameace-o de morte!

As duas ficam a se encarar com olhar cínico.

Cena 8. Mansão de Iolanda. Noite. Int. Sala de estar

Iolanda cochila, entrando em um sono profundo. A empregada a acorda.

IOLANDA: O que você quer?

EMPREGADA: O Sr. Armando está querendo falar com a senhora… E aí, o que eu faço?

Iolanda fica em dúvida por minutos.

IOLANDA: Mande entrar!

A empregada se retira, Armando entra pouco tempo depois. Iolanda arrumada, com um wiski na mão.

IOLANDA: Seja rápido, não tenho muito tempo!

ARMANDO: Será que eu posso me sentar… Talvez isso possa ser importante pra você!

IOLANDA: Pois bem, então diga.

ARMANDO: Eu quero colocar Celinha na cadeia, colocar ela atrás das grades por tudo o que ela fez com Julia.

Iolanda solta uma gargalhada.

IOLANDA: Então é assim, a novinha prostituta não dá pro gasto, aí você vem procurar a golpista maior, é isso… Realmente você é igualzinho ao seu pai. Se acha um golpista, age como um, mas na verdade é um galinha!

ARMANDO: Eu quero te pedir perdão, Iolanda… Por tudo o que fiz contigo.

IOLANDA: Perdoar é muito fácil, pois bem, estás perdoado. O que mais me impressiona é que você viveu uma vida toda, uma infância toda, criado pra trilhar um caminho diferente ao do seu pai, e o que você fez? Seguiu os mesmos caminhos todos, sem escrúpulos, sem um pingo de remorso. Não estou dizendo que sou santa, reconheço que também não presto, mas nunca, nunca passou em minha cabeça querer andar em um caminho diferente ao do Marcelo. Não foi assim que ele subiu na vida? Nos caminhos tortos, e também sem escrúpulos… Ah Armando, é muito impressionante ver que um opositor anda no mesmo caminho que seu inimigo.

ARMANDO: Apesar de não concordar com algumas partes, tenho que confessar que me pareço com o meu pai em muitas coisas! Eu não estou disposto a perdoá-lo, ele fez uma coisa imperdoável, mas pode ter certeza, que minha sede de ódio acaba aqui!

Os dois ficam a se encarar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 023

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

Roteirizada por

JOÃO e ISABELLE CARVALHO

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Cena 1. Mansão dos Corrêa. Dia. Int. Escritório.

Virgílio no escritório, sentando em sua cadeira, olhando para seu computador e uma xícara de café ao lado. Ele permanece vibrado.

A CAM. APROXIMA de seu rosto. Olhos meio avermelhados. Tamara entra na sala, cortando a tensão. Ela se aproxima dele, que limpa os olhos, como se estivesse entrado um cisco neles.

TAMARA: O que foi amor? Aconteceu alguma coisa? Estava chorando?

VIRGÍLIO: Não, não! Eu só estava vidrado aqui no computador procurando algumas soluções pra empresa. Você acredita que até agora aqueles babacas não nos enviaram a planta da filial que pretendemos construir em Minas?!

TAMARA: Realmente deve ser tenso, dá pra ver no seu olhar. Eu cheguei em casa agora pouco, a situação também está crítica na casa de Cátia!

VIRGÍLIO: E você já foi lá se misturar com esse garoto… Eu já não te disse que não quero nem ouvir o nome da Cátia aqui em casa… Que droga!

TAMARA: Enquanto eu for viva, minha filha sempre será citada aqui em casa, aliás, ela é sua herdeira, você deveria fazer o mesmo.

VIRGÍLIO: Pois bem, então enquanto eu for vivo, Cátia não ganha um centavo da minha fortuna!

TAMARA: Está bem, não seja por isso! Agora eu vou me retirar.

Tamara sai com raiva. Virgílio sente certo estranhamento.

Cena 2. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Quarto do casal

Joyce e Celinha entram lentamente no quarto, sem alarmar ninguém, sem barulho algum. Celinha abre o guarda-roupa e tira a espada dentro de um lenço vermelho.

As duas ficam vidradas olhando pra ela.

CELINHA: Eu nunca pensei que um dia eu ia ter que usá-la… Na verdade, eu nunca pensei que o preço que eu teria que pagar pela minha liberdade seria tão caro!

JOYCE: Eu ainda não sei como você terá coragem de utilizar isso… Já te disse outras vezes, isso chega me dá arrepios. Sei lá, me lembra Game Of Throne, algo muito medieval, utilizado por somente cavalheiros do rei!

CELINHA: Tá, mas me diga a onde está a regra que proíbe que a mulher do rei possa eliminar um inimigo. É como um jogo, ninguém joga pra perder. Eu não vou desperdiçar minha vida, não vou deixá-la ir embora pela janela sem poder fazer nada!

JOYCE: Por um lado você tem razão… O meu tempo vai passando, e tudo vai se esgotando. Minhas oportunidades ficam menores.

Celinha se aproxima do espelho, e com um golpe da espada, o quebra em vários pedaços pequenos.

CELINHA: Eu esperei por muito tempo pra usá-la, não agi como você mesmo diz, como um verdadeiro cavalheiro que mata o seu inimigo sem nenhuma dó. Fui fraca, tola, imatura, mas o que passou fica no passado, e o que virá… Ah, o que virá a vida vai mostrar!

Cena 3. Casa de Lucas. Dia. Int. Sala de estar

Julia deitada em seu sofá. A campainha toca, e ela vai rapidamente atender, se assusta ao se deparar com Armando.

ARMANDO: Eu posso entrar?

JULIA: Claro entre e pode se sentar!

Ele entra juntamente com ela, e os dois se sentam no sofá.

ARMANDO: O que eu vim conversar com você é algo bem rápido!

JULIA: Pois bem, então pode dizer.

ARMANDO: Eu quero que meu filho cresça ao meu lado, então tive a ideia de te convidar pra morar comigo e com a Celinha lá na mansão!

 

 

Julia fica pensativa/

JULIA: Olha eu não iria aceitar, mas como sei que é para o bem do nosso filho, eu aceito!

Cena 4. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Sala de estar

Celinha desce as escadas, e leva um susto quando se depara com Júlia cheia de malas, carregadas por Armando.

CELINHA: Mas o que significa isso?

JULIA: Agora passaremos a viver juntinhas Celinha… Como você nunca poderia imaginar!

CELINHA: Me explica isso direito, Armando… O que essa desqualificada está fazendo aqui?!

ARMANDO: Eu não sei se você lembra, mas ela é a mãe do meu filho que ainda vai nascer. Nem eu e nem ela tem culpa de tudo o que aconteceu com a gente.

CELINHA: Imagina! Você é muito inocente, só pode! Essa mulher quer te passar a perna, ela sabe que você é o filho de Marcelo Brandão…

ARMANDO: (corta) Sabe, até porque fui eu que pedi a ajuda dela nessa jornada!

CELINHA: Piorou a situação… Essa mulher tem uma ambição sem limites, e você tem a coragem de dizer que ela é sua cúmplice… Eu duvido é muito!

ARMANDO: Pois então duvide, duvide porque tem muita bomba pela frente, e se você não ficar ligada, ela pode estourar nas suas mãos!

CELINHA: Isso por acaso foi uma ameaça? Porque se foi, você tá muito enganado que vai me atingir!

JULIA: Eu não queria causar nenhum constrangimento, mas aqui, nessa casa, o meu filho vale muito mais do que você! Aliás, eu não sei o que você ainda faz aqui.

CELINHA: Eu sou a herdeira disso tudo, meu bem… O meu marido está morto, virou pó naquela explosão, e cadê a prova de que Armando é realmente filho dele?

ARMANDO: A minha prova ainda vai calar essa tua boca…

JULIA: (corta Armando) Não, pode deixar! Porque eu não tenho medo de você, Celinha… Você é só mais uma feia, racalcada, prepotente e que não se garante. Uma P-I-R-A-N-H-A!

CELINHA: Eu só não desço até aí e te dou uma coça, porque eu não quero me indispor, porque criança nenhuma vai atrapalhar a minha vida. Não sou obrigada a pagar por algo que não cometi… Essa criança é fruto da formicação de vocês dois, eu não tenho nada haver com isso! Vocês dois me aguardem… Ah e antes que me perguntem se isso é uma ameaça, podem considerar que não, isso é apenas um relato do que está perto de acontecer com vocês dois.

Celinha dá meia volta e sobe novamente as escadas.

Cena 5. Casa de Marcos. Dia. Int. Sala de estar

Marcos sentado em seu sofá, com uma xícara de café em mãos, concentrado olhando para a televisão. A campainha toca descontroladamente. Ele se levanta, atende, e se depara com Tamara, em estado descontrolado. Ela entra correndo na casa e se senta no sofá. Marcos, sem saber o que aconteceu, também entra e se senta ao lado dela.

MARCOS: Mas o que que tá acontecendo? Palmira! Palmira!

A empregada chega correndo até ele.

MARCOS: Por favor, faça um café bem açucarado pra essa senhora.

A empregada vai correndo para a cozinha.

TAMARA: A coisa tá ficando descontrolada, Marcos. Eu já não sei o que fazer… Meu marido está cada vez mais autoritário e cheio de si. Eu quero é saber quem é amante desse canalha!

MARCOS: Mas você precisa ter calma… Você vai descobrir quem é essa mulher, mas pra isso precisa ter calma!

TAMARA: Eu já não aguento mais, Marcos. Minha filha não pode pisar na minha casa por pura birra do Virgílio! Minha vida está se tornando um verdadeiro inferno!

MARCOS: Vem cá, me abraça!

Os dois se abraçam. A CAM FOCA no rosto de Tamara, que deixa uma lágrima cair no chão.

Cena 6. Stock-shots. Dia

Legenda: Uma semana depois…

Cena 7. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Sala de estar

Julia desce as escadas lentamente. A campainha toca. Ela anda mais rápido e atende. Quando dá de cara com Viviane.

JULIA: O que você quer aqui na casa do pai do meu filho?

VIVIANE: Justamente falar com ele…

JULIA: Escuta aqui sua suína… Fora daqui!

Viviane fica a olhar para Julia, sorri cinicamente, e dá um tapa na cara dela. Julia coloca a mão no rosto com sinal de dor e ódio, e revida com outro tapa na cara de Julia. As duas entram para casa e começam a brigar ainda no chão. Celinha e Armando chegam no local.

VIVIANE: Sua desgraçada!

JULIA: P-I-R-A-N-H-A!

Celinha deixa Armando tentando separar a briga, e sobe as escadas.

Cena 8. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Quarto de casal

Em clima de tensão, Celinha puxa a gaveta de seu guarda-roupa e tira um revólver de lá, o escondendo dentro da calça. Depois, ela fecha a porta do quarto, saindo do cômodo.

Cena 9. Mansão dos Brandão. Dia. Int. Sala de estar

Continuação da cena sete; Elas ainda brigando. Celinha parada na escada, com um olhar de ódio. Ela tira lentamente o revólver de dentro da calça, e aponta para as duas, que não percebem nada, nem Armando. A CAM FOCALIZA nos olhos de Celinha. Aos poucos a CAM vai abaixando, e foca o revólver. Celinha atira.

Vem aí Sangue Sobre Terra, Sua Nova Saga das 22h

“Meu pai nunca ligou para mim, sempre me tratou como um marionete, que me procura quando precisa.     Agora, vou fazer de tudo para acabar destruir aquele caipira português, sim, ele pode ser meu pai, mas sou capaz de tudo para destruir meu próprio pai.”

Zé Antonio Oliveira de Menezes e Albuquerque

Estréia dia 13 ás 22h,de Allan Sab

Com direção de João Carvalho Netto.

Sangue Sobre Terra substitui Chamas da Liberdade

Domingos Montagner como Zé Inocêncio

Jesuita Barbosa como Zé Carlos Neto

Bruna Marquezine como Vivian

Guilherme Berenguer como Zé Antonio

Na sua nova novela das 22h do ADNTV

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CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 020

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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CENA 1/ MANSÃO DOS CORRÊA/ NOITE/ INT/ SALA DE JANTAR

Joyce, Tamara e Virgílio jantando na sala de jantar. Duas empregadas situadas ao lado da porta, vestidas a caráter. Tamara larga os talheres por alguns segundos.

JOYCE                 – O que foi mãe? Tá sentindo alguma coisa?

TAMARA              – Não filha! Eu só estou observando como é bom ver nós unidos, só faltava a Cátia!

VIRGÍLIO             – Quanto você fala só faltava a Cátia, deve também estar se referindo aquele marginal com quem ela se deita!

TAMARA              – Mas era só o que me faltava… Nem em um jantar em família você é capaz de não arrumar confusão, Virgílio… Você mesmo sabe da índole do Henrique, sabe que ele é um rapaz de bom coração, então pra que ficar criticando o rapaz?

JOYCE                 – Às vezes mãe, eu penso que o Virgílio não gosta de ver a felicidade dos outros… Essa deve ser a explicação!

TAMARA              – Pra mim já deu! Vou ir para o meu quarto!

Tamara se levanta da mesa e se retira do cômodo. Virgílio e Joyce continuam almoçando, trocando olhares de raiva.

CENA 2/ MANSÃO DOS CORRÊA/ NOITE/ INT/ QUARTO DO CASAL

Tensão! Tamara entra em seu quarto. O casaco de Virgílio esticado sobre a cama. Lentamente ela o pega, e o cheira. Seu rosto demonstra surpresa. Ela sai correndo do quarto.

CENA 3/ CASA DE MARCOS/ NOITE/ INT/ SALA DE ESTAR

Marcos e Tamara, cada um com uma xícara de café em mãos, sentados no sofá, um de frente para o outro.

MARCOS             – Então quer dizer que a única pista que você tem é um cheiro de perfume de mulher. É isso?

TAMARA              – Sim, pode parecer ridículo, e eu sei que várias pessoas devem usar o mesmo perfume, mas isso pode ter muita relevância.

MARCOS             – Isso somente o detetive poderá saber! Tamara, você tem dinheiro, tem tudo em mãos, porque não desmascara esse ordinário de uma vez?

TAMARA             – Eu não sou ruim, mas também não sou boba! Eu só vou desmascará-lo quando tiver em mãos tudo o que quero e preciso… Virgílio vai pagar por tudo o que fez em vida, Marcos. Nem que para isso eu precisar dar meu sangue!

MARCOS             – Vai com calma. Pode parecer que não, mas o Virgílio é muito esperto e frio… Da forma que deu um fim na vida da mãe do falecido Marcelo Brandão, poderá fazer isso com você sem pensar duas vezes.

TAMARA              – Claro você tem toda razão! A frieza dele chega me dar medo, mas eu preciso encarar, sabe?! É a última oportunidade que eu tenho de me livrar desse crápula, tirar tudo o que é dele, e colocá-lo atrás das grades!

Tamara fica a encarar Marcos.

CENA 4/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ NOITE/ INT/ SALA DE ESTAR

Armando desce as escadas, bem vestido, terno preto, terminando de colocar o relógio no pulso. O telefone toca, e ele corre para atender.

ARMANDO           – (tel.) Alô?!

VOZ FEMININA    – (tel./ off) Alô?! Com quem eu falo?

ARMANDO           – (tel.) Armando Brandão… O que deseja?

VOZ FEMININA    – (tel./ off) Era com o senhor mesmo que eu quero falar… Aqui é de uma clínica para deficientes mentais!

ARMANDO           – (tel.) A senhora só pode estar de brincadeira… Dar trote a essa hora da noite?

VOZ FEMININA    – (tel./ off) Não, não desliga, por favor… Me escute!

 


ARMANDO           – (tel.)
Pois então deve haver algum engano!

VOZ FEMININA    – (tel./ off) O senhor é filho de Marcelo Brandão, correto?

ARMANDO           – (tel.) Sim, mas por que a pergunta?

VOZ FEMININA    – (tel./ off) O seu pai está internado aqui… Ela chama pelo seu nome, e pelo nome de tal de Elena! Por favor, venha vê-lo, nós não sabemos se ele pode viver por muito tempo!

ARMANDO           – (tel.) Como assim? Meu pai morreu em uma explosão!

VOZ FEMININA    – (tel./ off) É aí que o senhor se engana… O Sr. Marcelo está vivinho da silva, ele foi internado aqui como doente mental, e aos poucos sua memória vai voltando.

ARMANDO           – (tel./ assustado) Meu Deus, mas que loucura! Por favor, eu peço que não conte pra ninguém!

VOZ FEMININA    – (tel./ off) Eu também peço o mesmo, senão dona Iolanda me mata!

ARMANDO           – (tel.) Peraí, você disse Iolanda?

VOZ FEMININA    – (tel./ off) Isso… Quem deixou o Sr. Marcelo aqui foi dona Iolanda… Dona Iolanda Caputto.

ARMANDO           – (tel./ irritado) Desgraçada! Por favor, me passa o endereço. Amanhã eu vou no primeiro voo para Salvador.

CENA 5/ ESTRADA/ DENTRO DO CARRO/ INT/ NOITE

Tamara dirige seu carro rapidamente, quando seu celular começa a tocar. Ela para por um momento, e atende.

TAMARA              – (tel.) Alô?!

VOZ FEMININA    – (tel./ off) O fim está próximo! Tá acabando o tempo! O seu marido vai pagar muito cara por ter mexido com fogo!

A ligação cai. Tamara fica paralisada.

TAMARA              – Meu Deus!

CENA 6/ STOCK-SHOTS

Amanhecendo no Rio de Janeiro e em Salvador.

CENA 7/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Armando carrega uma mala preta. Celinha desce as escadas rapidamente, e estranha.

CELINHA             – Para onde você vai? Esqueceu que hoje temos uma reunião importantíssima na empresa!

ARMANDO           – Exatamente a trabalho que eu estou indo, Celinha… Surgiu uma imprevisto em meu departamento, preciso resolver algumas coisinhas sobre o dinheiro da verba que não foi depositado.

CELINHA             – Tá, e você não ia me avisar?

ARMANDO           – Iria claro que iria! Eu decidi isso de última hora.

CELINHA             – Você vai na sede em Nova York?

ARMANDO           – Sim… Agora realmente eu preciso ir. Não posso me atrasar nem mais um minuto, senão os acionistas vão ficar bravos com a minha demora!

CELINHA             – (desconfiada) Mas você não iria ao banco?

ARMANDO           – Sim, e vou! Quando eu chegar lá te ligo… Beijos!

Armando se retira do cômodo. Celinha desconfia.

CELINHA             – Muito estranho!

CENA 8/ MANSÃO DOS CORRÊA/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR.

Virgílio lê seu jornal, quando começa a pensar.

Virgílio sentado na mesa de vidro, localizada ao meio da sala de estar, lendo um jornal, com um cínico sorriso no rosto. Joyce desce as escadas, e chega perto de Virgílio.

JOYCE                 – Posso saber do que o idolatrado e amado Virgílio Corrêa lê, e por que essa cara de felicidade?

VIRGÍLIO             – Claro! Você já viu o ato de amor e compaixão a sua amiguinha teve?

JOYCE                 – Você está dizendo dela ter doado parte do fígado para o pai, é isso?!

VIRGÍLIO             – Exato!

JOYCE                 – É impressionante como você tem inveja do amor e da compaixão… Primeiro foi com a minha irmã, que não volta pra casa de jeito nenhum, tudo por causa desse seu jeito autoritário… Depois a minha mãe, que você simplesmente finge que nem existe. E por fim sou eu! Eu já estou cansada de tudo isso, Virgílio… Vai, me diga! Por que você odeia tanto a felicidade?

Os dois ficam a se encarar.

‘Virgílio sentado em sua cadeira com um jornal nas mãos escrito:

 

JUNTOS? Celinha Brandão e Armando Brandão juntos nos negócio de Marcelo!

 

Virgílio começa a dá gargalhadas. Joyce entra no escritório. Ele fecha a cara.

 

VIRGÍLIO    – Eu já não te falei pra você ficar bem longe de mim? Eu não quero nem mais ouvir a sua voz!

 

Joyce se senta a frente de Virgílio/

JOYCE        – É, mas eu não obedeço a ordens suas! Cê sabe muito bem disso… Enfim, eu vou ter esse bebê!

 

VIRGÍLIO    – Eu não vou assumir porcaria de criança nenhuma… Já está avisada! Bom, aproveitando que você está aqui… Olha só sua amiguinha, já está dando o golpe no filho do falecido!

 

JOYCE        – Pois é! Minha amiga não perde tempo! Agora eu preciso ir! E também te dizer, que eu não vou deixar isso passar batido… Você vai ser a obrigado a reconhecer o meu filho! Pode ter certeza!

 

VIRGÍLIO    – Isso nós vamos ver… Agora sai da minha sala, eu tenho muita coisa pra fazer e não estou pra conversa fiada!’

 

VIRGÍLIO             – Eu preciso tomar mais cuidado com Joyce… Ela provou que é uma dissimulada!
CENA 9/ AEROPORTO/ DENTRO DO AVIÃO/ DIA/ INT

 

Sonoplastia – O bêbado e a equilibrista – Elis Regina

 

 

Armando sentado em uma das cadeiras do avião. Ele olha para fora da janela.

 

ARMANDO           – Será?! Será que ele realmente está vivo?

CENA 10/ SANATÓRIO/ DIA/ EXT/ JARDIM

Iolanda vai se aproximando de Marcelo, com um olhar frio.

MARCELO           – Sai daqui! Sai daqui!

IOLANDA             – Tá tomando o remedinho direitinho, meu bem? Toma direitinho, que quem sabe um dia eu não pense em te tirar daqui! Isso aqui é pouco do que você fez comigo no passado!

Armando aparece na entrada do jardim. Seus olhos se enchem de lágrimas, mas seu rosto vai fechando quando ele vê Iolanda.

Armando vai se aproximando lentamente. Iolanda de costas para ele.

ARMANDO           – E aí? Como tá sendo o progresso do papai, Iolanda?

Iolanda assustado, se vira para Armando, que está com um sorriso cínico no rosto.

IOLANDA             – Você?!

ARMANDO           – Te peguei… D-E-S-G-R-A-Ç-A-D-A!

Os dois ficam a se encarar seriamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 019

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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CENA 1/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE CIRURGIA

Ambiente escuro. Clima tenso. Dois leitos, um ao lado do outro. Uma grande equipe de médicos realizando o procedimento. Em um leito está Celinha, com vários aparelhos, dentre eles os de respiração, um tubo, etc. O aparelho de coração segue firme em riscos, marcando 98. Do outro lado, temos Tarcísio. Com muitos aparelhos, assim como Celinha. Seu coração marca 90. A CAM FOCALIZA no rosto dos dois, com uma música melodramática.

CENA 2/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE ESPERA

Hugo sentado no sofá da sala de espera, nervoso e roendo as unhas. Armando chega rapidamente. Hugo se levanta e fica de frente a Armando.

ARMANDO           – Como eles estão Hugo?

HUGO                  – Eu to aflito até agora… Já se passaram mais de três horas de cirurgia, e nada… Exatamente nada! Eu to muito preocupado com o que pode acontecer com eles. A Celinha é durona, metida, mas é minha irmã, e eles são a única família que eu tenho.

ARMANDO           – Calma Hugo… Vai dar tudo certo, fica calmo!

Um médico vai se aproximando dos dois, que olham preocupados para o mesmo. O olhar dele aparenta preocupação.

MÉDICO               – Já tenho notícias! A cirurgia já terminou!

HUGO                  – Tá doutor, mas me diga! Como estão eles?

Troca de olhares entre Armando, o médico e Hugo. Todos tensos.

 

 

HUGO                  – Fala doutor!

MÉDICO               – Com o Sr. Tarcísio está tudo bem… Ele deve permanecer por um tempo na UTI pós-operatória, mas já já estará em casa! Mas a paciente Celinha… Bom, ela perdeu muito sangue na cirurgia, e o estado dela é bem grave!

Hugo começa a chorar e Armando o abraça. Os dois se afastam, e Armando, com os olhos cheios de lágrimas, se vira para o médico.

ARMANDO           – E tem algo que eu possa fazer, doutor? Pode falar!

MÉDICO               – Ela precisa de sangue…

ARMANDO           – Mas o senhor sabe o tipo de sangue que ela tem?

MÉDICO               – O negativo!

ARMANDO           – Droga… O meu é A!

Viviane aparece no local. CÂMERA LENTA. Ela está com uma bolsa no ombro. Armando se vira para ela.

VIVIANE               – Eu doo! Meu sangue é O! E antes que o senhor me pergunte algo doutor, eu não tenho nenhum problema cardíaco, e não tomo remédio controlado!

ARMANDO           – (espantado) Você?

VIVIANE               – Sim, por que o espanto? Meus pais me ensinaram que não se deixa morrer nem nosso próprio inimigo!

ARMANDO           – Mas como você ficou sabendo?

VIVIANE               – Parece que você tem que rever com quem você dorme todas as noites… Armando, você é casado com Celinha Brandão, acorda! Saiu nos jornais, e eu resolvi aparecer por aqui pra ver como estavam as coisas… Agora vamos? Não tenho muito tempo!

Viviane, Armando, o médico e Hugo seguem até uma sala.

CENA 3/ MANSÃO DOS CORRÊA/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

Virgílio sentado na mesa de vidro, localizada ao meio da sala de estar, lendo um jornal, com um cínico sorriso no rosto. Joyce desce as escadas, e chega perto de Virgílio.

JOYCE                 – Posso saber do que o idolatrado e amado Virgílio Corrêa lê, e por que essa cara de felicidade?

VIRGÍLIO             – Claro! Você já viu o ato de amor e compaixão a sua amiguinha teve?

JOYCE                 – Você está dizendo dela ter doado parte do fígado para o pai, é isso?!

VIRGÍLIO             – Exato!

JOYCE                 – É impressionante como você tem inveja do amor e da compaixão… Primeiro foi com a minha irmã, que não volta pra casa de jeito nenhum, tudo por causa desse seu jeito autoritário… Depois a minha mãe, que você simplesmente finge que nem existe. E por fim sou eu! Eu já estou cansada de tudo isso, Virgílio… Vai, me diga! Por que você odeia tanto a felicidade?

Os dois ficam a se encarar.

CENA 4/ RESTAURANTE/ DIA/ INT

Tamara, sozinha, sentada em uma das mesas almoçando. Marcos, do lado de fora do estabelecimento, vê Tamara, e entra no restaurante. Se aproxima dela, e se senta junto a mesma.

TAMARA              – Mas a que devo a honra de sua presença aqui, Marcos? Aceita um almoço?

MARCOS             – Não, obrigado… Eu já estava sentindo a sua falta. Não apareceu mais no meu escritório. Desistiu do plano de conquistar tudo o que você tem direito, ou se esqueceu desse bondoso e amigo advogado?

TAMARA              – (ri) Claro que não. Na verdade as coisas estão bem complicadas lá na empresa. Os impostos estão altíssimos.

MARCOS             – Imagino, também com essa crise que o nosso país vive. E você? Conseguiu descobrir a tal amante do seu marido?

TAMARA              – Não… Quando eu penso que estou perto de descobrir, parece que alguma coisa me afasta, sabe?

MARCOS             – Já pensou em colocar um detetive sério pra investigar esse caso?

TAMARA              – Sim, inclusive já peguei o contato de um muito importante e bem conceituado… Eu só estou esperando a nova ligação da cobra… Eu vou pegar esses dois!

MARCOS             – Assim que eu gosto… Vou pedir um champanhe pra comemorar! Garçom… [Garçom se aproxima]. Por favor, nos traga uma garrafa de champanhe e duas taças!

Os dois dão um selinho, e o Garçom se retira.

CENA 5/ HOSPITAL/ DIA/ INT/

A CAM. FOCALIZA no rosto de Celinha, com os olhos fechados. Enfermeiros, Armando, Viviane, Hugo e um médico ficam a observá-la, até que em um ato reacional, ela abre os olhos lentamente, com dificuldade.

CELINHA             – (dificuldade na fala) Eu já posso ir pra casa?

ARMANDO           – Que bom que você acordou, meu amor… Eu já estava ficando preocupado!

Viviane olha com estranhamento e ciúmes para Armando.

VIVIANE               – Você deve dizer isso pra todas, não é mesmo, Armando?

CELINHA             – Não, meu bem… Isso ele só fala pra uma mulher, que é a dele… Eu sou casada com ele, e sou eu que ele ama!

ARMANDO           – Dá pra perceber que você está de volta, não é mesmo?

Todos sorriem.

DUAS SEMANAS DEPOIS

CENA 6/ SANATÓRIO/ DIA/ INT

PLANO AMERICADO de Marcelo, com uma roupa branca, típica de um sanatório. Ele anda rapidamente, até se sentar em um banco. Diversas pessoas com vestimentas iguais as dele andam pelo local. A CAM FOCALIZA em sua face, um pouco confusa. Uma enfermeira vai se aproximando, e tira uma agulha do bolso.

ENFERMEIRA      – Tá na hora de fazer os medicamentos, Sr. Marcelo. Vamos?

MARCELO           – Elena! Elena! Eu preciso ver a Elena!

ENFERMEIRA      – Mas quem é essa Elena, Sr. Marcelo! A Dona Iolanda disse que também não sabe quem é!

Marcelo fica paralisado, como se estivesse em estado de choque.

ENFERMEIRA      – Sr. Marcelo?!

MARCELO           – Desgraçada! Iolanda! Desgraçada!

ENFERMEIRA      – Eu não estou entendendo mais nada!

MARCELO           – Armando… Eu quero falar com o meu filho… Quero meu filho!

ENFERMEIRA      – Seu filho? Ah, acho que sei de quem o senhor está falando… É o vice-presidente da empresa do pai. O cara teve a coragem de rouba até a mulher do coitado! Mas tudo bem! Vou dar um jeito de avisar ao seu filho que o senhor está aqui… Mas isso é um segredinho nosso, porque senão, Dona Iolanda te prende aqui para sempre!

Marcelo continua paralisado, olhando para o nada. A enfermeira entra para a sede.

CENA 7/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE ESPERA

Celinha sentada no sofá, com uma bacia de pipoca, ar de felicidade. Um filme de faroeste rodando em sua grande televisão. Armando entra raivoso no cômodo, andando de um lado para o outro.

CELINHA             – Por que você tá tão nervoso, Armando? Aconteceu alguma coisa?

ARMANDO           – (nervoso) Aconteceu, Celinha… Aconteceu que a empresa está falindo, que o meu patrimônio, patrimônio que eu quero deixar para os meus filhos está morrendo, junto com o corpo do meu pai, que agora, nesse momento, deve estar sendo comido por escorpiões!

CELINHA             – Opa, opa. Isso é o que você diz! Podem haver jornais, certidão, enfim, o diabo que o parta, mas a maior prova não tem, porque você tem medo… Tem medo de a sua mãe ter colocado um belo de um par de chifres no Marcelo… Imagina pensar que tem toda essa fortuna, que é herdeiro de todo esse reino, e aí “puf”, tudo morre! Morre como você mesmo diz, junto com o corpo de seu pai!

ARMANDO           – O seu problema é que você não aceita opinião. Pensa bem, imagina o quanto estaríamos ricos nesse exato momento… A droga desse país vive uma baita crise, e você faz o quê? Simplesmente esquece tudo… É nesses momentos que eu queria que meu pai fosse vivo!

Os dois ficam a se encarar com olhar de ódio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 017

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UMA NOVELA DE JOÃO CARVALHO NETTO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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CENA 1/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

 

Armando deitado no sofá lendo um livro. A casa toda permanece em silêncio. A campainha começa a tocar. Ele fecha o livro e vai até a porta, quando vê Joyce, que sai entrando na casa.

 

JOYCE                 – Oi Armando… Aqui, você poderia me dizer se a Celinha tá em casa?

 

ARMANDO          – Tá sim, Joyce! Ela tá no escritório resolvendo alguns assuntos para a empresa! Quer que eu vá chamá-la?

 

JOYCE                 – Não, muito obrigado… Eu prefiro ir até ela, até porque o assunto que eu tenho a tratar com ela é muito sério, e tem que ser a sós.

 

ARMANDO          – Está bem!

 

Joyce sai desesperada a direita do local onde estavam. Armando, assustado, deita novamente no sofá, reabrindo seu livro.

 

CORTA PARA

 

CENA 2/ MANSÃO DOS BRANDÃO/ DIA/ INT/ ESCRITÓRIO

 

Celinha sentada em sua cadeira, assinando diversos papéis. Joyce abre a porta sem bater, assustando ela. Joyce se senta a frente de Celinha e fica em silêncio, bem ofegante, por algum tempo.

 

CELINHA            – Ai que susto que você me deu! O que foi?

 

JOYCE                 – Não tem jeito, Celinha… Eu preciso fazer algo! O Virgílio está prestes a me largar!

 

CELINHA            – Joyce isso não é novidade pra ninguém… Você acha que o Virgílio não vai acompanhar o crescimento da sua barriga, e pior, vai perceber que tudo não passou de uma farsa!

 

JOYCE                 – Eu estou disposta a usar a barriga falsa, depois eu vejo como vai ser! O importante é uma ameaça firme… Eu preciso colocar na cabeça do Virgílio, que ele precisa assumir nosso filho!

 

CELINHA            – Você sabe muito bem que isso vai ser difícil… O Virgílio sempre foi um mulherengo, e nunca largou a Tamara, e não vai ser por você que ele vai fazer isso!

 

JOYCE                 – Mas eu tenho certeza que ele me ama, sabe?! Não é possível que ele esteja encantado com aquela velha da minha mãe!

 

CELINHA            – Faz o seguinte! Cria um atentado falso! Deixe ele saber que a família dele corre perigo se ele não assumir esse filho que você supostamente está esperando!

 

JOYCE                 – Você tem razão! Agora eu preciso ir… Tenho muita coisa a fazer ainda hoje!

 

Joyce se retira do cômodo. O celular de Celinha começa a tocar. Ela atende.

 

CELINHA            – (tel.) Alô?! Hugo? O que você quer?

 

HUGO                  – (tel./ off) É o papai, Celinha… Ele está muito mal… Os médicos disseram que ele precisa da doação de fígado o mais rápido possível!

 

Celinha se assusta e deixa escorrer uma lágrima de seus olhos.

 

CELINHA            – (tel.) Está bem, Hugo… Eu estou indo!

 

CORTA PARA

 

CENA 3/ MANSÃO DE IOLANDA/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

 

Iolanda, vestida apenas com um roupão branco, com uma taça de champanhe nas mãos. O celular toca e ela vai atender.

 

IOLANDA           –  (tel.) Alô?! Quem tá falando?

 

ENFERMEIRA     – (tel.) Dona Iolanda? Aqui é da clínica… Aquele paciente que a senhora deixou aqui está melhorando a cada dia!

 

IOLANDA            – (tel.) Como assim? Melhorando?

 

ENFERMEIRA     – (tel.) Sim! Ele já abriu os olhos e chama por um nome!

 

IOLANDA            – (tel.) Que nome?

 

ENFERMEIRA    – Elena! Isso! Elena é o nome que ele chama!

 

Iolanda desliga o celular e o joga longe.

 

IOLANDA            – (com ódio) Esse desgraçado não morre de jeito nenhum! Mas ele vai me ser útil pra muita coisa… Esse demônio nem com o pé na cova esquece a morte de Elena! Mas se ele pensa que a vida dele vai ser fácil daqui pra frente, ele tá muito, mas muito enganado!

 

Iolanda com cara de ódio.

 

CORTA PARA

 

CENA 4/ APTO DE VIVIANE/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

 

Malu e Viviane sentadas no chão assistindo filme com uma bacia de pipoca. Toca a campainha. Viviane se levanta, atende, e dá de cara com Armando.

 

VIVIANE            – Você aqui?

 

ARMANDO                   – Eu posso entrar?

 

VIVIANE            – Entra!

 

Armando e Viviane entram na sala. Malu vai para o quarto.

 

         ARMANDO                   – Eu posso explicar…

 

VIVIANE             – (corta) Explicar o quê? Explicar que você é um canalha sem coração? Essa sua maldita ambição acaba mudando a sua personalidade, Armando… Eu fiz tudo o que pude pra te fazer feliz, eu lutei como nenhuma mulher lutou pelo seu amado… Gastei o pouco dinheiro que tinha pra te satisfazer, pra te fazer feliz lá na Bahia! Mas o que você fez? Simplesmente jogou fora todo o respeito e todo amor que eu sentia por você… Arruinou a minha vida de uma forma imensa!

 

ARMANDO          – Me perdoa Viviane… Eu tenho certeza que você vai entender quando eu puder te explicar por que fiz tudo isso!

 

VIVIANE             – Ata, e enquanto isso você continua indo pra cama com aquela piranha?

 

ARMANDO          – Tente me entender!

 

VIVIANE             – Está bem, Armando! Agora vá embora! Eu não quero nunca mais ter que olhar na sua cara!

 

Os dois se encaram.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

CHAMAS DA LIBERDADE| Capítulo 014

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UMA NOVELA DE JOAO CARVALHO

ESCRITA COM ISABELLE CARVALHO

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CENA 1/ HOTEL/ DIA/ INT/ QUARTO VAZIO

 

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior;

 

Armando espantado ao olhar para Celinha, que sorri cinicamente para ela.

 

Celinha se levanta, com sutiã e calcinha vermelhos, e se vira de costas para Armando. Preocupada, ela passa a mão nos cabelos, e se vira para Armando, que também está chocado.

 

CELINHA            – Eu ainda não consegui digerir isso que você me contou! O Marcelo nunca havia mencionado que tinha um filho!

 

ARMANDO          – (chocado) Eu ainda estou muito assustado com tudo isso… Pode ter certeza! Você sabe se essa explosão foi criminosa?

 

CELINHA            – Ah eu não sei! Cara, essa história toda tá me deixando louca!

 

ARMANDO          – Sinto muito… Você gostava muito dele?

 

CELINHA            – Cê tá maluco?! Quem gosta de velho é asilo, e olhe lá!

 

ARMANDO          – Eu tenho um plano… Esse plano pode nos fazer milionários! Por acaso você quer ter a grana do velho em suas mãos?

 

Celinha solta uma gargalhada.

 

CELINHA            – Ah… Então… Como você vai conseguir provar que é filho do Marcelo?

 

ARMANDO          – Ninguém pode saber disso! Nós iremos nos casar, e aí quando estivéssemos casados, aí sim…

CELINHA            – E aí o que?

 

ARMANDO          – Aí eu dou um jeito de provar que eu sou o filho do todo poderoso!

 

Celinha se anima, e beija Armando. O celular dele começa a tocar. Ele pega seu celular dentro do bolso de sua calça, que está ao lado.

 

ARMANDO                   – (TEL.) Alô?!

 

IOLANDA            – (TEL./ OFF) Armando… Corre pro Hospital… É urgente!

 

ARMANDO          – (TEL.) Está bem… To indo!

 

Armando desliga o celular e se levanta da cama. Ele se veste rapidamente. Celinha também se levanta e se veste.

 

CELINHA            – Onde você vai?

 

ARMANDO          – Calma gatinha… Ainda não estamos casados, esqueceu?

 

CELINHA            – Conversamos tanto que até me esqueci… Qual é o seu nome?

 

ARMANDO          – Armando… Armando Barros Brandão!

 

Armando sai correndo na frente. Celinha vai atrás.

 

CORTA PARA

 

CENA 2/ MANSÃO DOS CORREA/ DIA/ INT/ SALA DE ESTAR

 

Tamara permanece sentada em seu sofá, lendo um jornal. Cátia entra de mãos dadas a Henrique. Tamara os vê e larga o jornal, dando um sorriso.

 

CÁTIA                 – Bom mãe… Esse é o Henrique! Lembra que eu te falei sobre ele!

 

Tamara e Henrique se olham assustados e desconfiados. Cátia se assusta.

 

TAMARA             – Mas não é possível…

 

HENRIQUE         – Tia Tamara!

 

Henrique e Tamara se abraçam. Em seguida, ele se afasta. Ela permanece de pé.

 

CÁTIA                 – É! Parece que vocês já se conhecem, não é mesmo?

 

TAMARA             – Eu fui madrinha de formatura do Henrique, minha filha… Ele vivia frequentando minha casa e do seu pai lá em Pernambuco!

 

HENRIQUE         – É… Mais parecia que seu marido não gostava muito de mim, não é mesmo?!

 

TAMARA             – Virgílio sempre foi casca dura! Sempre foi desse jeito turrão nordestino dele!

 

Virgílio desce as escadas lentamente.

 

VIRGÍLIO           – (descendo as escadas) Estavam falando de mim? (olha para Henrique com ódio) O que esse canalha está fazendo na minha casa?

 

Os dois se encaram com ódio.

 

Virgílio acelera os passos e fica frente a frente com Henrique.

 

HENRIQUE         – Quanto tempo, não? Pensei que eu nunca mais iria poder olhar nessa sua cara asquerosa seu canalha!

 

VIRGÍLIO           – (indo para cima de Henrique; segurado por Tamara e Cátia) Escuta aqui seu moleque… O que é seu tá guardado!

 

CÁTIA                 – E o meu namorado disse alguma coisa de errado aqui, pai? Você é um canalha, um sem noção que trai minha mãe com uma vagabunda na rua… Eu tenho nojo de ser sua filha, tenho nojo de carregar um nome como meu sobrenome!

 

Virgílio dá um tapa na cara de Cátia, que com os olhos lacrimejados aponta o dedo na cara do pai, que é solto por Tamara.

 

CÁTIA                 – Escuta aqui, pai! Eu vou descobrir a vagabunda com quem você anda… E eu vou fazer questão de te destruir!

 

VIRGÍLIO           – Eu criei uma filha pra ela me ameaçar… É isso?

 

CÁTIA                 – Você não me criou, porque você só pensa nesse seu maldito dinheiro de bosta! Que você vá pro inferno, porque filha você não tem mais!

 

Cátia e Henrique saem correndo de casa. Tamara e Virgílio se sentam no sofá.

 

VIRGÍLIO           – Escuta aqui, Tamara… Se esse moleque voltar a pisar aqui em casa, eu juro que eu mato ele! E eu acho que você não vai querer que eu mate esse… Eu vou subir, porque aqui até a parede tem ouvidos!

 

Virgílio sobe rapidamente as escadas. Tamara fica chocada, sentada no sofá.

 

CORTA PARA

 

CENA 3/ HOSPITAL – SALVADOR/ DIA/ INT/ QUARTO

 

Iolanda deitada na cama de hospital. Armando chega e se assusta com o estado dela.

 

ARMANDO                   – O que aconteceu?

 

IOLANDA            – Um acidente! Um grande acidente! Você já deve estar sabendo da explosão da mina que matou o Marcelo!

 

ARMANDO          – Sei… Mas o que você tem haver com isso?

 

IOLANDA            – Eu estava lá… Eu vi seu pai morrer, Armando!

 

ARMANDO          – Escuta aqui… A mim você não engana! Eu sei muito bem que você matou meu pai! Mal sabe você que agora me ajudou mais do que nunca… Eu quero que você vá catar coquinho, porque eu estou voltando pro Rio e assumir tudo o que é meu por direito!

 

IOLANDA            – Isso é o que você pensa… Celinha nunca iria deixar…

 

ARMANDO          – (corta) Celinha o quê? Só pra você ficar informada, Celinha agora é minha mulher! Nós estamos juntos nessa parada! Agora eu preciso ir, quero chegar ao Rio ainda hoje.

 

Armando sai irritado do quarto. Os olhos de Iolanda se avermelham de ódio.

 

CORTA PARA

 

CENA 4/ RUA/ EXT

 

Armando caminha raivoso, em passo acelerado. Viviane vê o amado do outro lado da rua, e rapidamente chega perto dele.

 

VIVIANE            – (grita) Armando!!

 

Armando se vira para Viviane, e sorri. Ela corre e o abraça.

 

VIVIANE             – Eu tava sentindo muita falta de você, meu amor!

 

ARMANDO          – Eu também!

 

Os dois ficam a se encarar.

 

CORTA PARA

 

CENA 5/ HOTEL/ DIA/ INT/ QUARTO DE CELINHA

 

Toca a campainha. Celinha corre e atende. Ela leva um susto ao ver Iolanda.

 

CELINHA            – O que você tá fazendo aqui?

 

IOLANDA            – Eu vim te dizer que eu não vou deixar que você e aquele vagabundo do Armando fiquem com a minha herança… Eu fui o grande amor da vida de Marcelo, e eu vou lutar para conseguir o que quero!

 

CELINHA            – Ah entendi… É guerra, né? Então, se é guerra que você quer, é guerra que você terá!

 

As duas ficam a se encarar com olhar de ódio.

 

FIM DO CAPÍTULO