Bola de Cristal – Último Capítulo

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 20° Capítulo 

Bruna e Betina ainda estavam perplexas com o que acabaram de ouvir. Lívia ajoelhou-se no chão da sala aos prantos.

BETINA – O que aconteceu? – ajoelhou-se com Bruna ao lado de Lívia.

BRUNA – Você não pode estar falando sério!

LÍVIA – Eu adotei vocês como irmãs pra mim, sempre quis e fiz o melhor pra vocês, mesmo vocês sendo descabeçadas e quase nunca me retribuindo. Eu me arrependo muito de ter feito o que fiz, era pra ser uma brincadeira e a minha única intensão era ver vocês felizes, sem esse negócio de astrologia e simpatia. Fui uma burra em ter feito aquilo, mas já falei que me arrependo muito!

BRUNA – Eu não consigo entender o jeito que você pensou em nós, mas entendo que foi para o nosso bem.

BETINA – É, e sei que você gosta muito da gente, pode ter certeza que também te amamos muito, e é por isso que vamos superar tudo isso!

LIVIA- Vocês perderam o cara que mais amavam, e a culpa foi minha!  Eu sou uma pessoa ruim, não mereço o amor de ninguém!

BETINA – Para com isso, também não é pra tanto! Todo mundo aqui tem uma parcela de culpa. Levanta, vamos ficar bem!

BRUNA – E quanto ao Leandro e o Eduardo, eles nos pediram um tempo, mas no fundo ainda sinto que ficaremos juntos, pelo menos eu e o Lê!

BETINA – Sim, eles ficaram arrasados com tudo isso também, mas sei que vai dar tudo certo.

Lívia levantou-se e as três se abraçaram.

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Alguns dias depois…

Bruna e Leandro estavam sentados na praia de frente para o mar, estava deserto, talvez por ser uma manhã fria de sábado. Os dois olhavam fixamente o mar enquanto conversavam.

LEANDRO – Eu te chamei aqui, pra dizer que pensei muito na gente.

BRUNA – Eu também fiz isso durante esses dias que fiquei longe de você!

LEANDRO – E o que você pensou?

BRUNA- Fala você primeiro!

LEANDRO – Desde que te conheci, senti algo mais forte dentro de mim. Eu me sentia bem em estar ao seu lado e ouvir suas histórias malucas, a sua risada, sentir seu cheiro.

BRUNA – E por que aceitou fazer parte do plano da Lívia?

LEANDRO – Foi um erro meu concordar com aquela loucura, mas quando ela me falou parecia divertido, pena que foi tomando outra proporção.

BRUNA – Você não sentia culpa quando me via com o Edu?

LEANDRO – Claro que sim, me sentia mal em ter que ficar afastado de você e me fazendo apaixonado pela sua irmã. Você não tem noção de como foi difícil pra mim.

BRUNA – E pra mim, você consegue imaginar? 

| CENA 03 |

Em outro ponto da cidade, mais precisamente em uma sorveteria, Betina e Eduardo estavam tendo a mesma conversa, mas escondido atrás de duas enormes bolas de sorvetes, que com o frio demorava ainda mais para derreter.

EDU – É claro que eu não gostava de te ver com o Leandro, mas sabia que ele não tentaria nada com você!

BETINA – Mas e se eu gostasse dele, sei lá, me apaixonasse de verdade por ele?

EDU – Eu não deixaria isso acontecer!

BETINA – Ah ta, ai você iria interver e acabar com o plano? Depois da merda feita!

EDU – Eu cheguei a conversar com a Lívia para que parássemos com tudo, mas ela disse que iria apressar as coisas, que ia pressionar vocês a se casarem o mais rápido possível para desfazer a situação. A ideia dela parecia boa.

BETINA – Mas não foi. Sofri muito com isso tudo!

EDU – Eu sei, mas estou disposto a começar de novo, e agora sem planos mirabolantes, você topa?

Betina esqueceu o sorvete e se jogou para cima de Edu. Bruna e Leandro rolavam feito duas tartarugas no cio na areia da praia, o amor estava de volta!

| CENA 04 |

No apartamento Lívia estava quase dentro da tela do seu smartfone quando os dois casais chegaram.

LÍVIA – Que susto porra! Já avisei para baterem antes de entrar, sabem que nunca chaveio a porta.

BETINA – Calma, não é nenhum bandido. Nós viemos em missão de paz!

Edu, Lívia e Leandro trocaram olhares. Bruna e Betina ficaram próximas a porta e os dois se aproximaram de Lívia.

EDU- Queremos dizer que por nós está tudo bem com relação a você. O que passou, passou.

LEANDRO – A ideia foi sua, mas a gente embarcou nessa historia. Quase morremos, mas o importante é que estamos bem e com nossas musas.

LÍVIA – Vocês reataram?

BETINA – Sim! – a felicidade não se cabia nela.

LÍVIA – Bom quanto a mim não guardo mágoa de ninguém, a ideia foi minha e a cagada também, agora aprendi o que minha mãe tentou me ensinar a vida toda, não brincar com coisa séria.

Edu e Leandro abraçaram Lívia, selando as pazes.

LÍVIA – Ai gente vamos sair pra comemorar? Pode ser um jantar a luz de velas, tipo vocês jantam e eu fico acesa do lado da mesa! HAHAHAHA

BRUNA – Tirando você de vela, seria uma ótima ideia. Mas os dois tem futebol marcado então terá que ficar para a próxima.

LÍVIA – Nossa vão deixar as namoradas em casa em pleno sábado a noite? Corajosos!

EDU – É a final do nosso campeonato, queria que elas fossem junto, mas não gostam de futebol. Não vamos forçar!

BETINA – É estamos bem, não vamos morrer por isso. Pior é passar a noite de sábado vendo um monte de homem correr atrás de uma bola.

Os dois despediram-se e saíram.

LÍVIA – Agora me contem, como foi esse dia que passaram com eles? Cabelinhos molhados, carinhas coradas. Como foi a trepada?

BETINA– Ai, eu dei muitooo. Tava com a pomba coçando já fazia um tempo, foi um vuco vuco que nem sei explicar.

BRUNA – Eu tava necessitada daquele nervo, chupei até o caroço! Quando ele tirou a roupa eu me mijei todinha de medo.

LÍVIA – Credo e era mijo mesmo?

BRUNA- Sim tinha cheiro!

LÍVIA – Eita porra. E eu aqui na seca! – lamentou-se.

BETINA – Por que quer! Acha que não vi tu conversando com um paquerinha no celular!

BRUNA – É toda cheia de segredinhos, pode contar pra gente!

LÍVIA – Ai, fui cair na besteira do bate papo. Conheci um cara bacana, mas não sei nem como ele é.

BETINA – Como não sabe?

LÍVIA – Só conversamos, não trocamos fotos ainda. Ele pediu foto minha, mas enquanto ele não mandar também não mando.

BRUNA  – E ele é de onde?

LÍVIA – Daqui mesmo, até sugeriu marcar um encontro, mas tenho medo.

BRUNA – Marca pra hoje, vamos juntas com você!

LÍVIA – Será? – questionou angustiada.

BETINA – Sim, vamos casar todas juntas.

LÍVIA – Calma, eu nem conheço o homem ainda.

BRUNA-  Abre ali o aplicativo e marca o encontro!

LÍVIA – Calma, tá conectando.

| CENA 05 |

As três estavam em um beco escuro na favela do Mamão.

BRUNA – Puta que pariu não tinha outro lugar pra esse cara marcar encontro?

BETINA – Falando nisso qual o nome dele?

LIVIA – Não sei, o apelido lá no chat é bengaludo30cm.

BETINA – Minha nossa, você tem noção do que isso quer dizer?

LIVIA – Sim, tu acha que eu sou boba? Lá meu apelido é caverna quentinha haha.

As duas chegam em frente à um restaurante.

BETINA – Boca de Bagre, esse é o nome do lugar?

LIVIA – Bem esse, mesmo, com esse fedor aqui na entrada já entendi o porque do nome! – falou tapando o nariz.

BRUNA – Vai lá, nós ficaremos aqui na torcida, qualquer coisa você grita!

BETINA – É vai lá! Boa sorte!

Lívia entrou no restaurante e avistou Zé Metralha.

ZÉ – Você aqui morena? – falou salivando

LÍVIA – Hey não quero confusão não, eu vim em um encontro, outra hora a gente conversa.

ZÉ – Eu digo o mesmo, não quero confusão agora. Tem uma mesa vazia lá na frente, vai esperar lá!

LÍVIA – Vou mesmo, falando nisso vou avisar que cheguei.

Lívia caminha em direção à mesa e manda uma mensagem avisando que havia chegado. Ao ouvir o celular de Zé apitar, o que era temível aconteceu, ela volta para a mesa dele e ele se levanta.

ZÉ- Caverna quente?

LÍVIA – Bengaludo30cm?

Do lado de fora Bruna e Betina esperam agoniadas, quando uma menina para em frente a Betina.

BETINA – Oi menina linda, o que você quer?

MENINA- Dinheiro. Você me da?

BETINA – Ah que pecado, é claro. Pra que você quer dinheiro menina linda? – disse simpática.

MENINA – Não é da sua conta. Vai dar ou não? – disse ríspida.

BRUNA – Cruzes!

Bruna e Betina se olharam e deram uma quantia para a menina.

MENINA – Vocês ainda serão muito ricas, e logo logo!

BRUNA – Como você sabe?

MENINA – Não sei, eu sinto – Disse e saiu alegre.

BETINA – Credo eu fiquei toda arrepiada. Ui.

BRUNA – Nem vamos dar bola, é coisa de criança. 

| CENA 06 |

Já passavam das dez da manhã quando Lívia chegou no apartamento, julgava estar cagada pelo jeito que andava.

BRUNA – Nossa, ficamos preocupadas.

BETINA – É você mandou mensagem pra irmos embora e não deu mais noticias.

LIVIA – A minha noite foi demais! Arregaçaram a entrada da caverna, to toda dolorida.

BRUNA – Credo, então o cara tinha pintão mesmo?

LÍVIA – Acho que tinha mais de 30cm parecia um jumento. Me senti uma potranca velha.

BETINA – Ual, e ele é bonito?

LÍVIA – É o Zé Metralha!

BRUNA – O que? O Zé?

LÍVIA – Sim, que homem é aquele! Nossa. Tenho orgasmo só de lembrar. Em breve serei a rainha do morro do mamão HAHAHAHA

BRUNA – Achei que ele tivesse preso!

LÍVIA – O Zé não para na cadeia, jamais! E tenho uma coisa não muito agradável pra contar pra você Betina!

BETINA – O que?

LÍVIA – A Axila não morreu e durante um bom tempo deixou uma foto tua colada nos postes do morro do mamão pra caso alguém te visse falar pra ela. Tu era procurada lá e valia euros minha filha!

BRUNA – Credo, por que será?

LIVIA – Segundo ela contou por lá, foi a melhor perereca que ela já chupou em toda a vida dela, ficou viciada.

BETINA – Ai que nojo! Eu fui sapatão por um dia Meu Deus! Vou ali vomitar e já volto – disse saindo correndo pelo apartamento.

BRUNA – Quem diria você e o Zé Metralha, minha nossa!

LIVIA – Nem eu diria, mas até que a gente faz um casal bonito, olha selfie que a gente fez hoje de manhã. – Lívia mostrou o celular para Bruna.

BRUNA – É realmente, melhor é aquela cueca borrada pendurada atrás da porta do banheiro!

Betina veio gritando da cozinha.

BRUNA – O que aconteceu?

BETINA – Ontem quando eu fui no mercado ganhei essa raspadinha, agora fui raspar e olhem o que apareceu!

LIVIA – Tu ta rica amigaaaaaaaaaa! – e se abraçaram.

BRUNA – Não é que a menina estava certa?

LÍVIA – Que menina gente?

BRUNA – Ontem enquanto a gente te esperava na porta da Boca do Bagre uma menina pediu dinheiro e previu que seriamos ricas, agora ta ai. Hahahaha

LÍVIA – Não acredito que vocês estão de novo com essa merda de previsões. Eu vou dar na cara de vocês, acho que essa é a única solução.

BETINA – Pode parando, porque agora deu certo, eu to ricaaaaaaaaa!

BRUNA – Quero comprar vários sapatos!

LÍVIA – Com essa Joanete gritando ai no teu pé, acho que não vai dar!

BRUNA – Eu vou ter dinheiro para consertar isso né! – ignorou.

BETINA – E eu vou encher meu closet de bolsas.

LÍVIA – Tu nem tem closet Betina!

BETINA-  Mas a mansão que eu vou comprar vai ter!

LÍVIA – Bom eu continuo pobre.- falou desiludida.

BETINA – Claro que não, o dinheiro das compras no mercado era de nós três, o premio vai ser dividido igual amiga!

LÍVIA – Uhullll, quero mandar construir um castelo no morro do mamão e vou contratar homens bombados, tatuados e tarados para trabalharem nús para mim. 

| CENA 07 |

Em um enorme gramado cercado por um belo lago acontecia o tão esperado casamento, agora sim de verdade.

Bruna e Leandro, Betina e Edu, Lívia e Zé Metralha não podia se dizer quem estava mais feliz, afinal desencalhar não é uma tarefa fácil ainda mais quando se tem toda uma história dessas.

Depois de muitos sermões, orações e falatório o padre liberou um beijo no final da cerimonia, mas o tesão era tanto que as três simulavam um sexo em pleno altar. Os convidados tiveram uma prévia do que seria a lua de mel.

No final, todos dançavam na pista, ao som de Black Magic, que se tornou o som de plano de fundo na história das nossas garotas.

E assim termina esse romance torto e confuso, digo termina essa parte, porque as confusões nunca irão terminar.

BDC | FIM! 

Escrita por
Tiago Kleine de Oliveira

Direção
Nando Braga

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

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Bola de Cristal – Penúltimo Capítulo

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 19° Capítulo 

Betina e Bruna começam a chorar pensando na possibilidade dos dois estarem realmente mortos.

BETINA – Como assim mortos de verdade?

LÍVIA – Essa história de feitiço e de casamento, tudo não passou de uma armação.

BRUNA – Como assim armação?

LÍVIA – Quando vocês limparam o apartamento e jogaram aquele monte de revistas fora, eu pedi para que não fosse mais atrás de mais nada de macumba, horóscopo e afins, vocês me prometeram, mas eu quis provar até onde ia a promessa de vocês.

BRUNA – Você…

LÍVIA – Sim, eu chamei essa minha amiga que é atriz de teatro pra se passar por uma cartomante, e ela enganou vocês lendo a sorte e vendendo umas poções.

BETINA– Mas não pode ser mentira, a poção que ela deu para atrair olhares deu certo, a gente deixou até cachorro excitado.

LÍVIA – Poder da mente. Quando vocês passaram a poção acreditaram que atrairiam olhares e seriam irresistivelmente sexy, vocês apenas atraíram o que imaginaram. Naquela poção tinha um perfume feminino que faz muito sucesso entre os homens, por isso alguns olharam, tinha uma essência afrodisíaca, o que deixava outros alvoroçados, e tinha liquido de uma cadela que estava no cio. Por isso os cachorros.

BRUNA – Mas e como ela previu que o moço de branco ia aparecer para a Betina em meio a um acidente?

LÍVIA – Ela se referia a um outro cara que também era ator amigo nosso que apareceria de cavalo branco e meio a um acidente que iríamos bolar. Se vocês continuassem acreditando na nessa palhaçada de previsão.

BETINA – Então esses dois eram atores também?

LÍVIA – Não, é claro que não, eu conheci eles no hospital devido ao seu acidente. Um dia encontrei o Leandro na praia e conversando contei o motivo do acidente e que vocês eram fascinadas por horóscopos e previsões.

BRUNA– E ele?

LÍVIA – Riu um monte de vocês, ai falou com o Eduardo e bolamos essa historia de poção.

BETINA – O que? Eles sabiam de tudo? – estava desacreditada.

LIVIA – É claro, eu comentei que vocês estavam inseguras e eles convidaram duas moças pra ir até o restaurante aonde vocês iriam se encontrar, fazendo vocês ficarem mais inseguras. Ai vocês foram buscar a poção.

BRUNA – E se a gente não fosse buscar a poção?

LÍVIA – Ai vocês iriam para casa e eu aconselharia a irem atrás da feiticeira, de um jeito ou de outro vocês estariam lá. Eles trocaram de lugar de propósito, e tudo o que fizeram depois foi pra ver até onde vocês chegariam.

BETINA – E se eu tivesse matado o Leandro aquela noite?

LÍVIA – Eu havia avisado eles antes, ele estava até de colete, e eu tinha tirado as balas da arma, naquela hora que peguei ela para dar uma volta no apê. Por um azar ficou uma, que feriu seu pé. E o Edu também estava ligado, ele se desviou quando a Bruna tentou empurrá-lo, a gente sabia que aquele lago era raso, sem perigo.

BRUNA– Mas e por que eles aceitaram casar com a gente?

LÍVIA – Pra ver até que ponto vocês chegariam. Não é estranho eles nunca terem forçado nada com vocês, se estivessem apaixonados iriam querer um beijo pelo menos.

BETINA – E o casamento?

LÍVIA – Na hora que o padre falasse “podem se beijar” eles iriam trocar de casais e revelariam o plano, mas ai tudo deu errado.

BRUNA – E agora eles estão mortos de verdade? – estava espantada e em lagrimas.

BETINA – Sua vaca! Não pensei que fosse capaz disso, grande amiga você hein!

LÍVIA – Não vou discutir com vocês agora, com o tempo vocês vão me entender, sei que agi meio errado, mas vocês precisavam aprender uma lição.

BRUNA – E você é a pessoa mais indicada pra dar lição nos outros? Acho que isso não era um direito seu!

As duas caíram sobre o corpo dos dois que ainda estavam estirados no chão. Lívia e Zoroastra saíram em busca de socorro. 

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Alguns dias depois…

Bruna e Betina chegam ao hospital onde Edu e Leandro estão internados, elas avistaram o médico chegando e correram em disparada em direção à ele, derrubaram café de uma senhora que passava no corredor e um senhor que andava amarrado em um suporte de soro.

BRUNA – Doutor, como eles estão?

BETINA – Podemos leva-los pra casa?

MÉDICO – Calma meninas, muita calma.

BETINA– Que calma o que, atropelamos três gatos, dois cachorros e uma galinha pra chegar até aqui.

MÉDICO – Suas malucas! Hehe. Eles estão bem, vão ganhar alta daqui a pouco, a cirurgia deu certo. Só vão precisar de repouso.

BRUNA – Sim a gente vai cuidar bem deles! – aliviada.

Duas senhoras ricas, bem vestidas e de fino porte entram na sala de espera onde Bruna e Betina falavam com o médico, uma delas diz:

VELHA1– A gente vai cuidar deles, vocês não acham que já os prejudicaram demais não?

BETINA– Quem a senhora pensa que é? – puxando briga.

VELHA2– Com a maluquice e a correria que o casamento de vocês foi feito, nem fomos apresentadas. Eu sou Eleonor, mãe do Eduardo e ela é Carlota, mãe do Leandro. – apresentaram-se.

BRUNA– Meuuu Deuus! Mil perdões, nesse vuco vuco nem nos lembramos de vocês. É que estamos ansiosas pela recuperação dos dois.

CARLOTA –  A gente também.

MÉDICO– Então quem vai levá-los pra casa?

ELEONOR- Nós. O Doutor pode deixar essas biscates verem os meninos um pouco, mas só um pouco.

BRUNA – Biscate é a….

BETINA– Vamos Bruna.

No corredor as duas andavam a passos rápidos cochichando:

BRUNA– Velha vadia.

BETINA – Bruxas. Biscates são elas. Cobras.

BRUNA – Vontade de enfiar a mão na cara dela e fazer voar botox no chão.

| CENA 03 |

Ao ver Leandro na cama, Bruna ficou emocionada, largou sua bolsa no chão e correu para abraça-lo.

BRUNA – Não vejo a hora de você sair daqui e ficarmos juntos.

LEANDRO – Eu também espero muito por isso, mas vamos dar um tempo até eu ficar bom ai conversamos novamente.

BRUNA– Você não gosta mais de mim?

LEADRO – É claro que sim, mas preciso esfriar minha cabeça, só isso. Acho que foi tudo muito maluco o que aconteceu!

BRUNA – Tudo bem eu te entendo, mas você fez parte do plano da Lívia, também fiquei meio chateada com você, apesar de entender suas intenções.

LEANDRO – Sei que fomos imaturos em pensar que um plano besta daria certo, confesso que me arrependi. Você me perdoa?

BRUNA – Claro que sim, senão eu não estaria aqui! –  fez uma pausa – Quero saber o que você está sentindo com relação a nós.

LEANDRO – É o que eu te falei, preciso de um tempo para colocar minha cabeça no lugar, vou ficar uns dias na casa da minha mãe.

BRUNA – Eu entendo, é uma decisão sua.

Falou com lágrimas nos olhos. Beijou-o na testa juntou sua bolsa do chão e se retirou.

| CENA 04 |

No outro quarto Betina e Eduardo estavam no lambe e lambe também.

BETINA- Em pensar que a nossa história começou em um hospital.

EDU – Pois é, e cá estamos nós de novo. – ficou pensativo – Betina você está magoada por eu ter participado do plano da Lívia?

BETINA – Fiquei bem chocada quando soube, mas já passou. Acho que o que eu sinto por você é muito mais forte que qualquer coisa, só de pensar que você está aqui, vivinho da silva!

EDU – Não passou de um susto. Mas e você e a Lívia estão tudo bem?

BETINA – Não, nós saímos do apartamento dela, estamos em um hotel até decidirmos para onde vamos, eu sei da intensão dela, mas ela brincou com coisa séria e traiu nossa confiança.

EDU – Entendo – baixou a cabeça.

BETINA – Estou com tanta saudade de você.

EDU – Eu também minha linda.

Betina tentou um beijo, mas sem sucesso. Edu afastou o rosto.

EDU-  Você viu minha mãe ai fora? – quis saber nervoso com a situação.

BETINA– Sim você sabia que ela viria?

EDU-  Vou ficar na casa dela até me recuperar.

BETINA – Achei que fosse ficar comigo.

EDU– Eu preciso pensar na gente.

BETINA – Não gosta mais de mim? Achei que quem tinha o direito de ficar magoada aqui sou eu.

EDU – Não é isso, eu te amo! Mas foi muita coisa que aconteceu, não estou culpando você, tenho muita parte nessa historia, por isso que repensar.

BETINA– Você que sabe. Não quero forçar nada, vou esperar você decidir.

Beijaram-se e Betina saiu com as lagrimas correndo o rosto.

BDC | Continua amanhã no ÚLTIMO CAPÍTULO! 

SERÁ QUE APESAR DE TUDO OS NOSSOS POMBINHOS NÃO TERMINARÃO JUNTOS? 

Escrita por
Tiago Kleine de Oliveira

Direção
Nando Braga

Realização
ADNTV Dramaturgia

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Bola de Cristal – Antepenúltimo Capítulo

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 18° Capítulo 

Zé Metralha soltou uma enorme gargalhada. Assustando as duas.

ZÉ METRALHA – Agora vou poder terminar o serviço que eu queria começar aquela vez com vocês! E cobrar pelos serviços que a minha irmã prestou e não recebeu!

BRUNA –Por favor, olha para a gente, não estamos em condições de sermos suas escravas!

ZÉ METRALHA – É realmente, vocês hoje não vão ser minhas escravas. Serão minhas  noivinhas. A diversão da lua de mel vai ser minha.

TIJOLO – Ei chefinho, mas falta uma aqui, não vai ter mulé que chega pra mim pra você e pro caniço!

ZÉ METRALHA – Calado, as duas vão ser todinhas minha. Só pra mim.

BETINA – Não, por favor!

ZÉ METRALHA – hahahaha, hoje vocês vão ter que rezar muito pro negão aqui pegar leve.

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Eduardo, Lívia e Leandro chegaram na favela.

LÍVIA – Esse lugar não me parece estranho!

EDUARDO – Você já teve aqui?

LIVIA – É uma longa história, outra hora eu conto.

LEANDRO – Mas e onde será que elas estão?

LÍVIA – Vou perguntar pro pessoal ali do bar.

EDUARDO – É vai lá porque é graças a você que estamos aqui.

LÍVIA – Tudo bem, não precisam ficar me lembrando.

| CENA 03 |

Lívia pergunta a um dos caras que estava no bar, se ele tinha visto duas noivas correndo pela favela.

CARA DO BAR– Sim, a gente tava comentando isso agora pouco aqui no bar, quando o Zé Metralha ficou sabendo que tinha duas noivas da cidade aqui ficou louco, ele adora carne nova, hehe.

LÍVIA (assustada) – Quem foi atrás delas?

CARA DO BAR – O Zé Metralha,um traficante aqui do morro do Mamão. Ele tava bem bêbado, acho que pode até fazer besteira.

LÍVIA– E pra onde eles foram?

CARA DO BAR – No fim da rua, tem uma casa em construção que está abandonada, parece que elas estavam lá e eles foram atrás.

Lívia voltou pra rua e da a noticia para os rapazes.

LÍVIA – Elas estão em perigo!

LEANDRO – Como em perigo?

LÍVIA – Tem um traficante que foi até onde elas estavam escondidas, essa hora ele deve ter pego elas. É um taradão aqui do morro.

EDUARDO – E onde elas estão?

LÍVIA – Numa casa no fim da rua.

LEANDRO– Então vamos antes que seja tarde.

| CENA 04 |

Zé Metralha trancou-se com as duas no quarto e começou a despi-las.

ZÉ METRALHA – É hoje que o papai aqui vai matar a fome.

BETINA – Por favor não faça nada com a gente. – implorava.

Lívia e os meninos entram na casa e Caniço vai até a porta do quarto avisar.

CANIÇO – Chefia, tem gente invadindo a casa.

ZÉ METRALHA– Ah, mas logo agora que ia começar a brincadeira.

TIJOLO – É melhor o senhor vir, porque eles estão subindo.

Os três sobiram as escadas aos chamando pelas meninas.

LEANDRO – Bruna!

EDUARDO – Betina!

No quarto as duas ouviram e reconheceram a voz.

BRUNA – São eles, eles vieram nos salvar!

LÍVIA – Meninas, cadê vocês.

BETINA (grita) – Aqui em cima no sótão…

Zé metralha segurou a boca das duas e desceu do sotão em encontro aos três, com uma debaixo de cada braço.

EDUARDO – Solta elas, vem brincar com alguém do seu tamanho.

ZÉ METRALHA – Eu até queria, mas não curto muito, prefiro elas mesmo.

LEANDRO – Se você fizer alguma coisa com elas eu…

ZÉ METRALHA – Você o que?

Zé metralha largou as meninas, que foram pegas por Caniço e Tijolo, depois tirou uma arma da cintura e apontou para o dois

BETINA – Não, pelo amor de Deus. – chorava.

ZÉ METRALHA – Mais um passo e eu mato os dois! – ameaçou.

LÍVIA– Nós já acionamos a polícia, não vai se sujar por um capricho seu, larga elas logo.

ZÉ METRALHA – Cala a boca ai gostosona. Hoje ninguém interrompe meu jantar.

Eduardo foi em direção a Zé Metralha e no primeiro passo foi alvejado no pescoço, caiu no chão.

BETINA – Nãaao! – gritava desesperada.

ZÉ METRALHA – Eu avisei!

LEANDRO– Seu merda!

Ao correr para socorrer o amigo Leandro também foi atingido por um tiro.

As sirenes da policia se aproximavam e temendo serem pegos, Zé metralha e sua trupe fogem.

Livia caiu em desespero e se ajoelhou em meio aos dois chorando.

BRUNA – Não, aquele não pode ter feito isso!

BETINA – Pera aí, eles vão ficar bem! – consolou.

LÍVIA – Como você pode ter certeza disso? – perguntou espantada.

BETINA – Lembra da feiticeira? Então, o gênio que está dentro deles morre, mas eles não!

BRUNA – É claro! Não poderia ser mais perfeito. – falou aliviada.

Zoroastra entrou na casa abandonada.

BETINA – Mas falou em desgraça a senhora aparece não é? Parece que sente o cheiro.

ZOROASTRA – Meu Deus do Céu, o pior aconteceu!

BRUNA – O que?

ZOROASTRA – Eles morreram!

BETINA – Não, só o gênio que estava neles morreu, já pode preparar outra poção que agora vai dar certo!

ZOROASTRA – Não tem gênio nenhum, Lívia você não contou para elas?

LÍVIA – Eu… – gaguejou.

BRUNA – Como assim não tem gênio?

BETINA – O que você ia nos contar Lívia?

Lívia levantou-se do chão e foi ao encontro das duas

LÍVIA– Eles morreram de verdade!

BDC | Continua amanhã! 

Escrita por
Tiago Kleine de Oliveira

Direção
Nando Braga

Realização
ADNTV Dramaturgia

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Bola de Cristal – Capítulo 17 (Última Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 17° Capítulo 

Os convidados, o padre e Leandro ficaram abismados com o sonoro NÃO que Betina acabará de pronunciar.

Betina olhou para Bruna que mantinha em sua face uma expressão assustada, mordia os lábios.

BETINA – Você sabe que a gente não pode fazer isso!

BRUNA – Mas…

BETINA – Vamos!

Betina ergueu e segurou o enorme vestido com as mãos e saiu em disparada, Bruna fez o mesmo e seguiu a irmã.

LEANDRO – Segurem elas!

Eduardo e Leandro correram atrás delas. Estavam em buscas de respostas queriam saber o porquê do não no altar. Os convidados pareciam estar a caça do tesouro, era gente correndo pra tudo que é lado. O padre aproveitou a ocasião e roubou alguns doces da mesa, outros gordinhos seguiram o exemplo.

A avó cega das meninas caiu na piscina, e foi socorrida pelo filho que gritou em voz alta caso as meninas não voltassem ele daria uma surra de cinta nelas. Haviam boatos de que seria uma surra história. A mãe delas se apegou com um chinelo velho e foi atrás das meninas, não permitia que as filhas prestassem tal papel.

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Na rua Bruna e Betina roubam uma carroça e partiram sem destino. Eduardo e Leandro seguiram-as de taxi.

Em pouco tempo o taxi alcançou a carroça, mas o sinal fechou e o taxi ficou parado na fila. A carroça avançou e o cavalo acabou caindo ao se assustar com o barulho das buzinas. A carroça foi parar no chão. Na dúvida se fugiam ou se ajudavam o cavalo, preferiram a fuga. Tomaram fôlego e correram por dentre os becos.

Sem ter como segui-las, Eduardo e Leandro deixaram o taxi e continuaram a busca a pé.

| CENA 03 |

Bruna e Betina acham uma casa em meio a uma das estreitas ruas.

BRUNA – Acho que está abandonada!

BETINA –  E você esta pensando em entrar?

BRUNA – Sim vamos ficar um pouco, tomar fôlego e pensar no que vamos fazer.

BETINA – Pode ser, pega as chaves.

BRUNA– Que chaves?

BETINA – Da casa.

BRUNA – Ta doida? A casa é abandonada lembra, temos que arrombar.

BETINA – Ah ta, é verdade, tinha me esquecido.

| CENA 04 |

A noite cai. Perdidos na rua sem saber que direção as duas tomaram, Leandro e Eduardo resolveram parar as buscas.

LEANDRO – Eu acho que elas não estão por aqui!

EDUARDO- É elas devem ter tomado outro rumo. Vamos voltar pro ultimo lugar que as vimos e pedir se ninguém viu elas, as vezes é mais fácil.

LEANDRO – Isso, boa ideia.

| CENA 05 |

Os convidados haviam ido embora, apenas familiares e Lívia permaneceram no local da festa, com a chegada da noite foram todos para a sala da mansão.

MÃE DAS MENINAS – E essa falta de notícias!

LÍVIA – Pois é Dona Romena, elas não estavam usando celular na cerimônia e eles também não. Ai fica difícil de nos comunicarmos, o jeito é esperar mesmo.

ROMENA – Estou preocupada. Não entendo o porquê elas desistiram de casar justamente no altar.

LÍVIA – Elas devem ter seus motivos né.

ROMENA – Você não sabe de nada? Parece nervosa.

LÍVIA – Sim estou aflita com o sumiço delas, mas não sei o porquê disso tudo.

O celular de Lívia tocou, e ela se distanciou para atender

LÍVIA (no celular) – Não nada de notícias. Eles também não voltaram ainda. Sei lá, pode ser que tenha acontecido algo. Acho que foram longe demais com isso tudo. Vou desligar, qualquer coisa eu te aviso.

Lívia desliga o celular e vai ao encontro de Romena.

ROMENA – Quem era no telefone?

LÍVIA – Ah, era uma amiga delas, queria noticias.

ROMENA – Todos nós queremos.

Lívia olha para o jardim da mansão e avista Leandro e Eduardo chegando.

LÍVIA – Os meninos chegaram, devem ter noticias.

| CENA 06 |

Os dois entraram na mansão.

EDUARDO – Segundo um pessoal que encontramos na rua eles viram as duas perto da favela no outro lado da cidade.

LEANDRO – Viemos buscar um carro pra ir até lá.

LÍVIA– Ainda bem que tudo deu certo.

EDUARDO- Sorte sua Lívia!

| CENA 07 |

Com o cansaço Bruna e Betina acabaram pegando no sono, acordaram ao ouvirem barulhos.

BRUNA (cochichando) – Betina, acorda, acorda! – cutucava a irmã.

BETINA – Que foi?

BRUNA – Acho que tem alguém aqui, ouvi barulho.

BETINA – Deve ser moradores e rua, mas estamos no sótão tem a casa toda para usarem, vamos ficar quietas aqui.

Uma luz se acendeu e iluminou o pequeno quarto pela fresta abaixo da porta, criando pânico nas meninas.

BRUNA – Ai, eles estão vindo! – medrosa.

BETINA – Calma.

Da fresta podia se ver os passos de alguém se aproximando, passos grandes por sinal.

BETINA – Ai meu Deus!

A porta é arrombada e uma enorme sombra de um homem aparece em frente a porta.

HOMEM – Mas que mundinho pequeno gente. Olha quem eu encontrei aqui.

BRUNA E BETINA (em pânico) – Zé Metralha?!

BDC | Continua amanhã! 

Escrita por
Tiago Kleine de Oliveira

Direção
Nando Braga

Realização
ADNTV Dramaturgia

ADNTV

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Bola de Cristal – Capítulo 16 (Última Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 16° Capítulo 

Eduardo e Leandro ficaram esperando uma resposta de Betina. A aflição pairava no ar.

BETINA – Mas não sei o que ela contou!

ZOROASTRA – Eu disse que você também vai pedi-lo em casamento igual sua irmã fez com o amigo dele.

BETINA – E como a senhora sabia disso? – tentando disfarçar o desespero.

ZOROASTRA – Ora, se esqueceu de que sou sua tia Bruxa? – questionou irônica e finalizou com uma gargalhada –  hahahaha !

BETINA – Ah sim. É verdade. – constrangida.

EDUARDO – Nossa você parece assustada. Achou que fosse o que?

ZOROASTRA – É que como elas são minhas sobrinhas de longe, ficam achando que eu vou contar coisas da infância delas, eram meninas terríveis.

BRUNA– Tia?

ZOROASTRA – Sim, Bruna querida, você não esta mais me reconhecendo? Eu que fico velha e você que fica caduca!

LEANDRO – Então, é verdade o que ela disse Betina?

BETINA – Claro, eu ia te pedir em casamento assim que eu melhorasse, mas a titia quis estragar a surpresa, não é titia?

ZOROASTRA – Sabe como sou ansiosa com essas coisas.

BETINA – Então – fez uma pausa – você aceita Leandro?

Ele correu até a cama e a abraçou.

LEANDRO – Mas é lógico. É tudo o que mais quero!

BETINA – Então nos casamos final do mês!

LEANDRO – Já? Mas assim? – assustado.

BRUNA (voltando-se para Edu) – É Edu, eu conversei com a Betina e como ela vai ter que esperar se recuperar do pé, resolvi adiar a nossa cerimônia para o fim do mês também, como nossos parentes são os mesmos e vem tudo de longe aproveitamos e fizemos uma festa só. O que acha?

EDUARDO – Ótimo, temos um pouquinho mais de tempo pra nos organizar.

LEANDRO – Edu, vamos até o refeitório comprar um sucos pra fazer um brinde, não podemos deixar isso passar em branco.

Eduardo acompanhou Leandro até o refeitório e Lívia fechou a porta do quarto. Elas iriam esfolar a velha viva.

BRUNA – Escuta aqui sua bruxa louca, o que a senhora tem na cabeça pra aparecer aqui assim?

ZOROASTRA – Vim visitar vocês.

BETINA – Bateu a cabeça? Eles podem desconfiar de alguma coisa.

ZOROASTRA – Fiquem sussa, eles não suspeitaram de nada. Para eles sou apenas a titia que veio de longe visitar vocês.

BRUNA – E como sabia que a Betina ia pedir o Leandro em casamento?

LÍVIA – Macumba, essa velha ai deve ter feito vudu de vocês, e ta zuando com a cara de vocês duas.

ZOROASTRA – Não me insulte moça. Nem lhe conheço!

LÍVIA – Graças a Deus!

ZOROASTRA – Eu simplesmente usei a lógica. Se vocês não conseguiram dar uma poção pros rapazes quem dirá mata-los. Era obvio que não conseguiriam.

BRUNA – Mas foi por pouco.

LÍVIA – É agora rapa fora daqui, o bruxa keka.

ZOROASTRA – Eu apenas vim garantir a segurança de vocês. Para que eles não saibam de nada.

BETINA – E como eles podem saber?

ZOROASTRA – Se eu contar oras.

BRUNA – E por que a senhora faria isso?

ZOROASTRA – Veja bem, vocês eram viciadas em horóscopo, e eu sou viciada em jogos, acabei me endividando e tem um pessoal da pesada me cobrando, preciso de dinheiro.

BETINA – Isso é chantagem?

ZOROASTRA – Olha entendam como quiserem, eu diria que é uma troca de favores. Vocês me ajudam e eu fico caladinha, até por que se eu contar eles não vão querer ver nenhuma das duas nem pintadas de ouro.

BRUNA– E quanto a senhora quer?

ZOROASTRA – Cinco mil.

BRUNA – Não temos dinheiro aqui! – lamentou.

LÍVIA – Bruxa chantagista. A senhora devia ir para a Disney ia ganhar de todas as outras bruxas das historinhas infantis. Pega aqui os cinco conto e cai fora, vaza titia. – falou enquanto pegava o talão de cheques.

ZOROASTRA – Eu não vou considerar as ofensas, me de o dinheiro.

Zoroastra pegou o cheque e saiu.

ZOROASTRA – Ah já ia me esquecendo. Boa sorte pra vocês. Me mandem convite pro casamento.

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

ALGUMAS SEMANAS DEPOIS…

Bruna e Betina estavam se arrumando para o casamento. Uma mansão foi alugada para a cerimônia que aconteceria no jardim. Todos os convidados já haviam chegado. Em um dos quartos da mansão as três conversavam enquanto faziam os últimos ajustes.

LIVIA – Que doidera isso. Quando essa historia acabar quero me internar num SPA, preciso repor minhas energias.

BRUNA – Imagina a gente então!

LÍVIA – Estão nessa por que quiseram.

BETINA – Será que já está todo mundo ai?

LÍVIA – Sim, a mãe de vocês está la embaixo recebendo o pessoal, quem são aquelas crianças que vieram na van com a parentaiada de vocês?

BRUNA – Nossos primos, por que?

LÍVIA – Elas devem estar possuídas por um espírito só pode. Já comeram meia mesa de doces e derrubaram umas dez cadeiras na piscina.

BETINA – Eles são meio encapetados mesmo.- fez uma pausa – A mamãe queria subir, mas não deixei, queria esse momento só pra gente!

BRUNA– Ai estou tão nervosa!

BETINA – Eu também.

LÍVIA – Apesar da situação vocês estão lindas e a festa está maravilhosa.

BRUNA – Em saber que daqui a pouco casaremos com nossos cunhados.

BETINA – Pois é. O pior é imaginar a lua de mel.

BRUNA – Vamos combinar uma coisa.

BETINA – Sim, o que é?

BRUNA – Não vamos beijar de língua, somente selinhos, quando estivermos juntas evitar ao máximo que eles demonstrem afeto abraçando ou beijando a gente. Sexo somente na lua de mel, e eventualmente caso não consigamos engravidar de primeira. E nada de muito extravagante na cama, só o arroz com feijão.

BETINA – Não precisa nem falar né mana. Vamos agir o mais friamente possível.

LÍVIA – E meninas a mãe de vocês está vindo, tá na hora de descerem. Seja o que Deus quiser.

Bruna e Betina se abraçaram, pareciam se despedir para uma grande guerra.

BETINA – Não vamos chorar pra não borrar a maquiagem.

BRUNA – Isso. Boa sorte para nós.

BETINA – Amém!

| CENA 03 |

Todos de pé para a chegada  das noivas, a marcha nupcial tocava. Eduardo e Leandro esbanjavam felicidade em frente ao pequeno altar. Receberam as noivas e se voltaram para o Padre.

Bruna e Betina não conseguiam esconder a tristeza que sentiam. Era como se elas nem tivessem ali.

PADRE – Então Betina, você aceita se casar com Leandro?

BETINA – Oi?

LEANDRO – Amor, o padre já repetiu cinco vezes a pergunta.

BETINA – Desculpa, estou nervosa!

PADRE – Ok, vou repetir, você aceita Leandro como seu legítimo esposo?

Betina olhou todos os convidados e fixou seu olhar em Bruna que segurava as lágrimas, se virou para Leandro, o observou durante alguns segundos  depois, trêmula respondeu.

BETINA – Não! Eu não aceito.

BDC | Continua amanhã! 

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Bola de Cristal – Capítulo 15 (Penúltima Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 15° Capítulo 

Eduardo ficou imobilizado durante algum tempo em frente à cama de Bruna no hospital. Havia ficado surpreso com o pedido dela. 

BRUNA – E ai? Vai aceitar ou não? – estava aflita e quase arrependida. 

EDUARDO – É que parecia que você não gostava de mim,e ai de repente uma proposta dessas,fiquei surpreso. 

BRUNA – Nossa não sei o que dizer. Te entendo! –  queria desfazer o pedido. 

EDUARDO – Mas é claro que eu aceito né, você é a coisa mais importante pra mim. – disse isso abrindo um enorme sorriso. 

BRUNA – Infelizmente eu sei disso. –  pressentia que Betina comeria seu rabo ao saber disso. 

EDUARDO – Como assim? 

BRUNA– Nada, deixa pra lá. Marcamos pra semana que vem então, pode ser? – querendo se livrar logo disso. 

EDUARDO – Semana que vem já? Mas é pouco tempo, você não acha? 

BRUNA – Não quero nada muito grandioso, vamos fazer uma cerimônia simples com poucos convidados, quero me casar com você logo e ser feliz de uma vez.

EDUARDO – Tudo bem, se você quer assim, por mim pode ser. – a felicidade não cabia nele.

Eduardo se aproximou de Bruna afim de ganhar um beijo para selar aquele momento, mas… 

BRUNA– Epa epa epa, pera lá. Beijo só depois do casamento. 

EDUARDO – Sabe que você é incrível. Além de linda você tem princípios, é pura. Agora entendo o porquê da pressa de se casar. – sorriu malicioso. 

BRUNA – Danadinho, você sacou tudo, hehe. – disse em tom irônico. 

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Lívia chegou ao apartamento de Leandro e encontrou Betina caída sangrando no chão. 

LÍVIA – Menina, que é que aconteceu? Vim correndo assim que recebi sua mensagem. – estava assustada. 

BETINA– Fui tentar atirar nele e acertei no meu pé! 

LÍVIA – Eita, mas vai ser ruim de mira assim no inferno! E ele o que aconteceu, está desmaiado? 

BETINA – Coloquei um sonífero na pipoca dele, pra facilitar meu serviço. 

LÍVIA– E agora o que pensa em fazer? 

BETINA– Quero que você suma com essa arma daqui e leve minha bolsa. O efeito do sonífero só dura mais uma hora, quero que ele pense que houve um assalto, sei lá. 

LÍVIA – Essa história está ficando cada vez mais cabulosa. Mas tudo bem vou te ajudar dessa vez, espero que seja a última. Vou bagunçar a casa um pouco e quebrar uma janela da casa, para dar a impressão que foi invadida. 

BETINA – Obrigada, você vai me fazer um favorzão. 

LIVIA – Fica me devendo essa, bibelô.

Lívia bagunçou o apartamento levou a arma e a bolsa de Betina, não demorou para que Leandro acordasse. 

LEANDRO – O que aconteceu aqui? Betina, você está bem? – parecia ter descido de marte. 

BETINA – Não sei, a gente acabou dormindo durante o filme, ai acordei fui beber água e ouvi um barulho lá nos fundos, fui ver o que era e dei de cara com um bandido. Ele quebrou a janela e invadiu a casa, queria levar tudo, mas tentei impedir e acabei levando um tiro no pé. Ele carregou minha bolsa. 

LEANDRO – E você viu o rosto dele? 

BETINA – Não, ele usava um capuz preto, disse que se eu abrisse minha boca ele me matava quando me encontrasse na rua. – pensou rápido que saiu fumaça da cabeça. 

LEANDRO – Meu Deus e eu não ouvi nada! Bom, é melhor nem registrarmos ocorrência então. Mas antes vamos para o hospital pra ver esse seu machucado. 

| CENA 03 |

Após ser atendida, Betina foi submetida a uma pequena cirurgia para retirar a bala do pé. Deitada na cama do hospital ela recebeu a visita de Lívia e Bruna. 

LÍVIA– Que bom que tudo correu bem, ficamos preocupada com você. 

BETINA– É eu estou melhor, vou ficar mais uns dois dias aqui no hospital e depois ganho alta, ai devo ficar alguns dias sem andar ou com uma tala no pé. 

BRUNA – Fiquei assustada quando a Lívia me contou o que havia acontecido. 

BETINA – Mas nem foi tão grave assim, minha preocupação maior é que acabei falhando e não consegui matar o Leandro. 

BRUNA – Fica assim não, comigo não foi diferente, o Eduardo tá vivinho da silva. 

BETINA – Voltamos a estaca zero então! – estava desanimada. 

LÍVIA – Estaca zero, nada, conta pra ela a outra loucura que você fez Bruna. 

BETINA – Como assim? O que foi você fez?

Bruna tinha vontade de dar uns tapas na cara de Lívia, mas não adiantava a decisão tivera sido sua em fazer o pedido. Baixou a cabeça e meia triste respondeu: 

BRUNA– Pedi o Eduardo em casamento.- estava pronta para as chicotadas. 

BETINA – Como é que é?Você ficou louca, sua traíra, vai casar com o homem que eu amo. E o que a gente havia combinado? Nunca vou te perdoar! 

BRUNA– É para o nosso bem! – disse tentando não ser a Falsiane da história. 

BETINA – Ah ta, você vai ficar bem sabendo que eu estou com o homem que você ama? Não né? Pelo menos eu acho… 

LÍVIA – Vamos botar ordem nessa bagaça!-  gritou em tom de ordem.

As duas calaram-se. 

LÍVIA – Já que vocês se enfiaram nessa porcaria de magia, vão ter que desfazer, não só pelo bem de vocês, mas pelo bem dos rapazes também, se casar e ter um filho resolve o problema, façam isso de uma vez, casem e tenham esse filho o mais rápido possível. Acabem de uma vez com essa tortura. Vocês são irmãs, fizeram a cagada juntas, resolvam juntas! Ninguém ta sendo traíra com ninguém, só vamos usar a razão e resolver isso.

Betina refletiu e as lágrimas brotaram em seus olhos. Olhou para Bruna que também estava em lágrimas. 

BETINA– Me desculpa, falei por impulso. Vamos sair dessa juntas!

As duas se abraçaram. 

LÍVIA – Bem agora é sua vez Betina de intimar o Leandro para casar, a Bruna já fez a parte dela. 

BRUNA – Marquei de casar com ele na semana que vem,mas vou adiar, pra dar tempo de você melhorar e casarmos juntas, o que acha? 

BETINA – Por mim tudo bem. Mas não vamos demorar muito, e acabamos logo com isso. Agora tenho que criar coragem e falar com o Leandro. – estava pensativa.

Betina mal terminara a frase, e Leandro e Eduardo entram no quarto. 

LEANDRO – Eu já sei de tudo! – disse atônito. 

BETINA – Tudo o que? – espantada com uma possível descoberta. 

LEANDRO – O que você está pensando em fazer. 

BETINA – Como assim? 

LEANDRO – Ela me contou tudo.

Leandro apontou para a porta onde Zoroastra entrava. 

BETINA – O que é que a senhora está fazendo aqui? 

ZOROASTRA – Fiquei sabendo do ocorrido e vim visita-la. 

LEANDRO – Agora eu sei de tudo, pode falar Betina!

Lívia, Bruna e Betina se olharam em estado de choque.

– SERÁ QUE ZOROASTRA REVELOU O SEGREDO?

BDC | Continua segunda! 

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Bola de Cristal – Capítulo 14 (Penúltima Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 14° Capítulo 

Bruna e Lívia correram até o quarto. As duas estavam nuas deitadas em uma cama, Axila por cima de Betina. Bruna começou a chorar.

LÍVIA – E agora? O que a gente faz?

Crismélia saiu correndo e logo voltou com um cara enorme de tamanho e de largura, usava roupas brancas também.

CRISMÉLIA-  Ele é Ogum, o nosso médium, e vai nos ajudar!

Ogum desgrudou as duas peladas e colocou-as lado a lado no chão. Se ajoelhou e colocou a mão na cabeça de Betina. Fechou os olhos deu uma tremidinha:

OGUM – AXINERETEKETÁ A BETINA VAI VOLTAR!

Depois fez o mesmo com Axila.

OGUM – NIKETUDOMERIKA AXILA VAI DEMORAR!

Deu uma tremidinha com a cabeça, abriu os olhos levantou-se e foi até as duas.

OGUM – A Betina já está acordando, quanto a Axila ela foi no outro plano devolver o Espírito do Zeca, deve demorar um pouco, mas logo volta.

CRISMÉLIA – Ah minha nossa, e o que faremos?

OGUM – Chama o pessoal da casa, vistam ela e levem ela para o quarto dela.

LIVIA – E a Betina?

OGUM – Ela logo deve acordar.

Betina levantava-se, com uma mão na cabeça parecia estar de ressaca.

OGUM – Olha só já acordou, podem leva-la.

BETINA – Onde eu estou?  – assustada  – Meu Deus estou pelada! – disse com sua voz rouca voltando ao normal.

LÍVIA-  Vem, vamos para casa é uma longa história!

Bruna ajudou Betina a vestir-se e estavam de saída.

CRISMÉLIA – Vocês não vão sair assim não, e o pagamento que prometeram à Axila?

LÍVIA – Que pagamento o que urubu? Sai da minha frente senão te quebro todinha.  Não estou boa hoje!

CRISMÉLIA – Eu posso fazer uma macumba que vai te derrubar!

LIVIA – Vou derrubar uma piroca bem grossa na tua guela. Sua frigida. 

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Já no apartamento e recuperadas do susto, Bruna e Betina contavam à Lívia o que havia acontecido para elas irem parar em um Barracão. 

LÍVIA – Meu Deus, cada vez eu acho mais que vocês deveriam se internar num hospício, gente que loucura é essa. Poção mágica? E pra desfazer isso, ou uma da pro namorado da outra, casar e ter um filho ou matar o cara. Vocês estão de brincadeira?

BRUNA – Não a gente tá falando sério.

LÍVIA – Vocês piraram de vez.

BETINA – Gente, mudando de assunto. Será que eu transei com a Axila? – fez cara de nojo.

BRUNA – Nunca saberemos meu bem! Mas só de imaginar aquelas trancinhas dela correndo o teu corpo, ecaaaaa.

BETINA- Credo, nem quero imaginar.

O celular de Bruna vibrou.

BRUNA – O Edu está vindo me buscar. Ai gente tô nervosa!

BETINA – Eu também, mas é pra nossa felicidade, vai dar tudo certo!

LIVIA – Já pensaram como vão matar eles?

BETINA – Eu peguei a garruncha que nosso avô me deu quando eu fiz quinze anos, ele mandou eu trocar por jóias, mas eu sempre guardei, parece que adivinhava que um dia iria precisar dela. – mostrou a carabina.

LIVIA – Ual, deixa eu ver. Nunca toquei em uma arma. –  disse saindo pelo apartamento brincando de atirar. – Credo pega isso –  devolveu a garruncha. E você Bruna?

BRUNA – Vou levar ele naquele lago aqui perto, ai vou fazer ele subir no mirante e empurro ele lá de cima!

LÍVIA – E se alguém vê? Ou pior, se vocês matarem eles de verdade sei lá!  Lembre-se que nos já temos passagem pela policia.

BRUNA – Sim, a gente ta ligada nisso. Mas vamos fazer tudo direitinho, deixa com a gente.

LÍVIA – Esse é meu medo, quando vocês tentam fazer tudo direitinho.

LÍVIA – Betina se vale um conselho, atira no coração. Se acertar na cabeça e essa historia for balela ele ficará com sequelas, no coração caso ele não morra, que é o que esperamos, é um pouco menos complicado de reverter!

BETINA – Credo, me arrepiei. Mas valeu pelo conselho eu não tinha pensado nisso.

Ouviu-se a buzina de um carro e Betina correu olhar na janela.

BETINA – O Leandro chegou. Me desejem sorte!

LÍVIA – Olha minha filha eu não acredito em nada, mas vou acender uma vela pra vocês saírem dessa. Vai lá, e manda notícias.

Bruna e Betina se abraçaram.

BRUNA – Cuida bem do meu homem!

BETINA – E você também!

| CENA 03 |

Não demorou para que Bruna também saísse. Ela havia pedido para Eduardo levá-la até um parque que havia no caminho, para que conversassem e ficassem mais a vontade.

EDUARDO – Meio deserto esse parque você não acha? – questionou suspeito.

BRUNA – Não por quê?

EDUARDO – Ah sei lá. Não tem ninguém e já esta tarde podemos correr riscos de assalto.

E realmente o lugar era deserto, propício para um possível assassinato. O que salva era a visão de um lindo lago ali presente.

BRUNA (MENTINDO) – Fica Tranqüilo, eu venho aqui quase todas as noites e tem guardas que ficam vigiando de longe.

EDUARDO – Ah, menos mal. Não sabia que você vinha aqui.

BRUNA – É eu adoro ler e meditar, e aqui é maravilhoso pra se concentrar.

EDUARDO – Acho esse lago lindo. – falava enquanto caminhavam ao seu redor.

BRUNA – Eu também, e tem uma torre de madeira lá em cima, de noite da de ver toda a cidade.

EDUARDO – Lá no alto?

BRUNA – Sim são duzentos degraus, é lindo lá em cima. Vamos?

EDUARDO – Mas é tudo de madeira, não é perigoso? – tinha medo de altura.

BRUNA– Não, para de ser frouxo, vem sobe comigo.

Os dois subiram a torre. La em cima sentaram bem na beirada do deck de madeira, não havia proteção e os dois ficaram balançando as pernas, sentindo a leveza do ar enquanto conversavam e olhavam a cidade.

Propositalmente Bruna deixou a bolsa perto da escada.

BRUNA – Tenho uma coisa pra você.

EDUARDO – Pra mim? – quis saber curioso.

BRUNA – Sim, vou ali na minha bolsa pegar. Você fica ai sentadinho e fecha os olhos.

EDUARDO – Tudo bem, to ansioso para ver o que é.

Bruna levantou-se e foi até a bolsa enquanto Eduardo ficou sentado na ponta do deck de olhos fechados. Com a intenção de empurrá-lo lá de cima Bruna pegou o embalo e correu com os braços para frente em direção as costas de Eduardo, mas uma tabua solta faz com que Bruna tropeçasse no meio do percurso e caísse feito uma jaca podre dentro do lago.

EDUARDO – Brunaaaa – gritou desesperado ao ver o voô da codorna.

| CENA 04 |

Betina havia ido jantar na casa de Leandro, depois de forrarem seus buchos, foram assistir a um filme juntos no sofá da sala.

LEANDRO – Sei que você não gosta de agarramentos, mas posso colocar o braço por trás do seu pescoço?

BETINA – Claro que pode, antes deixa eu preparar uma pipoca pra gente. Posso? É receita que minha vó ensinou.

LEANDRO – Para a sua sorte eu comprei pipoca hoje, não curto muito a de microondas mas me da uma preguiça fazer a de panela.

BETINA – Deixa comigo, fica ai sentadinho que já volto.

Betina foi até a cozinha preparou a pipoca e colocou um sonífero para que Leandro dormisse quando comesse. E ele caiu de boca no pote de pipoca.

LEANDRO – Está boa mesmo hein. Além de linda você é prendada. – disse encantado enquanto tocava os cabelos de Betina com as mãos gordurosas de manteiga.

BETINA – hehe, quero ver você comer tudinho.

LEANDRO – E você não vai comer?

BETINA – Sim, só vou ao banheiro antes.

Ao voltar do banheiro Betinha encontrou Leandro dormindo. Sem pensar duas vezes, criou coragem e pegou a carabina da bolsa. Contou até três, fechou os ouvidos  e deu um tiro…

Nada aconteceu…

BETINA – Será que me esqueci de carregar a arma? – falou consigo mesma.

Betina abriu o rolete para recarregar a arma, sem querer apertou no gatilho e logo a bala foi parar no dedão do seu pé esquerdo.

BETINA – Aiii caraaaaaaalho! – era um grito de dor.

| CENA 05 |

Eduardo chamou os bombeiros e juntos conseguiram resgatar Bruna do lago. Estava desacordada. Já no hospital e após algumas horas em observação Bruna acordou e viu Eduardo ao lado da cama:

BRUNA – O que houve? – assustada tentando se achar.

EDUARDO – Você foi pegar alguma coisa pra mim na sua bolsa e quando voltava pra me entregar tropeçou e foi parar no lago. Chamei o socorro e te trouxe para o hospital.

Bruna não acreditava que não conseguira matar Eduardo, pensativa e angustiada, não sabia mais o que pensar. Estava confusa, mas precisava tomar uma decisão.

BRUNA – Você ainda me ama? – questionou com receio da resposta.

EDUARDO – Claro que sim! Pra sempre.

BRUNA – Deus me Livre, vira essa boca pra lá.

EDUARDO – Não entendi.

Aflita e com lágrimas nos olhos Bruna tomava a mais difícil decisão de sua vida até então.

BRUNA – Quer casar comigo?

– EITA GIOVANA! SEGUREM O FORNINHO E AGUARDEM O PRÓXIMO CAPÍTULO!

BDC | Continua amanhã! 

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Bola de Cristal – Capítulo 13 (Penúltima Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 13° Capítulo 

Lívia e Bruna não sabiam se cagavam, mijavam, choravam ou fugiam.

AXILA – Senti saudades de vocês! – irônica.

BRUNA – Não sabia que você era mãe de santo! Como saiu de lá?

AXILA – Passei dez anos lá dentro até conseguir  provar minha inocência! Sabe como é pobre preso no Brasil.

LIVIA – Ô judiação, mas foi presa por quê?

AXILA – Porque fiz um trabalho honesto aqui no barracão e ganhei muito dinheiro do meu cliente, e aí que o cara era político e tinha gente que sabia do trabalho que ele tinha feito. Eu fui ostentar em comprar casa, carro, roupas e começaram a desconfiar de mim, ai começaram a perseguição, contei a verdade sobre o dinheiro, mas o filho da puta mentiu. Pra não sujar pro lado dele, ele disse que havia sido roubado e me acusou.

BRUNA – Nossa, mas que babaca, e vocês já se encontraram depois que você saiu?

AXILA – Não e nem pretendo, uma hora dessas ele deve estar lá jogando poker com o capeta. Zé Metralha matou ele quando eu ainda estava presa.

LIVIA – Zé metralha? – assustada.

AXILIA – Sim, ele é meu irmão e sabe como é mexer com família né? Vocês o conhecem?

LIVIA – Não, não- disfarçou – Olha só, nós podemos explicar o que aconteceu aquele dia.

AXILA – Calma, vocês terão muito tempo pra isso! Relaxem. – deu uma tragada no charuto – primeiro vamos resolver o caso do Zeca.

BRUNA – Mas por favor não faça nada com a gente!

AXILA – Já falei, primeiro o caso do Zeca! – terminou seu charuto.

LIVIA – Certo e o que temos que fazer?

ZECA – Chega de lenga lenga e vamos partir para os finalmente, onde que eu vou pra colocar um cacete e arrancar esses mamilos?

AXILA – Crisméliaaaaaaaaaaa –  gritou. Todos taparam os ouvidos. Logo entrou na sala aquela mulher do barracão que ninguém sabia o nome até agora.

CRISMÉLIA – Sim senhora mãe Preta!

AXILA – Levem ele para o quartinho da salvação, e me esperem lá.

ZECA – E isso vai dar certo? Se tiverem me enganando eu rasgo o bucho de tudo “oceis”!

AXILA – Pode ficar tranquilo! Vai dar tudo certo.

Crismélia e Zeca estavam de saída, quando Zeca virou-se e mirou Lívia.

ZECA – Me espera meu amor, logo estarei de volta pra jogar sua perereca suicida na minha britadeira frenética. –  e saiu.

LÍVIA – Cruzes, quase que eu ovulo aqui. Se fosse homem eu pegava, porque tem atitude! – delirava em pensamentos.

BRUNA – E não corremos perigo da Betina ficar com sequelas?

AXILA – Acredito que não, tem apenas um perigo.

BRUNA – Qual?

AXILA – Como é o Espírito do Zeca que está encarnado nela, é bem capaz do Espírito da Betina não estar mais ali. Por isso não podemos demorar.

LIVIA – Tá e se ele não tiver?

AXILA – Ai provavelmente ele vai sair do corpo dela e ela estará morta!

Bruna e Lívia se abraçaram e choraram.

BRUNA – Por favor salva a minha irmã!

AXILA – É claro que sim, por isso que sou Mãe Preta da Salvação!

LÍVIA – Então vamos logo!

AXILA – Calma, antes temos que acertar o pagamento. E a conta de vocês comigo é bem grande!

BRUNA – Fala logo o que você quer da gente?

AXILA – Eu sei que vocês conhecem Zé Metralha, ele que deu paradeiro pra vocês quando fugiram da cadeia e nos deixaram lá naquele esgoto.

LIVIA – Mas…

AXILA – Como disse ele é meu irmão e matou aquele otário pra mim. Uma mão lava a outra então vou ajuda-lo agora. Eu salvo a menina e em troca as três vão dar uma noite de sexo selvagem pro meu maninho. É pegar ou largar!

Bruna e Lívia lembraram-se do tamanho da cueca de Zé e o que possivelmente ele guardava lá dentro. Engoliram a seco e responderam.

LIVIA E BRUNA – A gente topa!

LIVIA – Agora salva a Betina, por favor! 

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Axila foi até o quarto onde estava Zeca, ficaram somente os dois lá dentro. Do lado de fora estavam Bruna, Lívia e Crismélia.

BRUNA – Estou com medo!

CRISMÉLIA – Isso aí é mamão com açúcar, logo logo acaba.

Logo ouviu-se  Axila e Zeca conversando:

AXILA – Quer nhanhar meu pintudão do nordeste?

ZECA –  Não era bem tu que eu queria, mas tô na seca, vai tu mesmo!

AXILA – Deixa eu ver teu mangueirão?

ZECA-  Caralho, eu vim aqui pra colocar um mangueirão, ta me tirando?

AXILA – Abre suas calças, vamos colocar um negócio ai.

Ficaram em silêncio, ouvia-se o barulho de um zíper sendo aberto.

AXILA – Oh Delícia Meu Deus!

ZECA – Tu gosta é? – pareceu espantado.

AXILA – Eu amo!

Bruna e Lívia não conseguiram conter a indignação.

LIVIA – Tu lembra que a Axila na cadeia tinha uma tendência à sapatão né?

BRUNA  – Sim, lembrei disso agorinha.

As duas se olharam e estavam indo em direção ao quartinho. Quando foram esbarradas por Crismélia.

CRSMÉLIA – Onde vocês pensam que vão? Não podem entrar ai dentro!

BRUNA – A Betina está sendo abusada, a gente não vai ficar aqui paradas ouvindo e sem fazer nada!

LIVIA – A Axila ta se aproveitando do momento pra dar uma pentada violenta da Betina, nós não vamos deixar!

CRISMÉLIA- Caladas! Vocês se enfiaram nisso e pediram a nossa ajuda agora sosseguem o faixo e esperem ela terminar o ritual. Se não quiserem ouvir vão para outro lugar que quando acabar eu chamo vocês. – foi rude.

LIVIA – Nossa, tudo bem vamos esperar terminar isso aí!

Novamente ouviu-se as duas falando do outro lado.

AXILA – Agora deixa eu ver seus mamilos!

ZECA – Vai tirar eles de uma vez?

AXILA – Aham, mas deixa eu vê-los antes.

Ficou tudo em silencio novamente.

AAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU –  Um uivo estridente se fez ouvir no local e as luzes do barracão começaram a piscar.

LIVIA – Ah Meu Deus, o que está acontecendo.

AAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU  – O uivo foi mais intenso, as luzes apagavam-se e ascendiam, um mini terremoto tomou conta do lugar.

BRUNA – Nós vamos morrer! –  as duas se abraçaram.

A luz voltou ao normal, o mini terremoto parou e o silencio voltou, assim ficaram por uns dez minutos.

CRISMÉLIA – Fiquem aqui, vou ver se deu tudo certo! – e foi até o quarto.

Em passos lentos ela adentrou o quarto, em menos de um minuto gritou apavorada e saiu com a mão na cabeça em sinal de desespero.

CRISMÉLIA – O pior aconteceu!

BRUNA – O pior o que?

CRISMÉLIA – Elas morreram!

– WHAT? BETINA E AXILA SERÃO CASAL EM OUTRO PLANO?

BDC | Continua amanhã! 

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Bola de Cristal – Capítulo 12 (Penúltima Semana)

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 12° Capítulo 

As pernas de Bruna bambeavam, no primeiro momento pensou que fosse apenas uma brincadeira de Betina para assustá-la quanto ao frango que comeu, mas estava assustada. Betina, ou melhor, Zeca Leão, levantava-se e andava em volta do carro igual um cangaceiro nordestino.

BRUNA – Betina, por favor vamos embora e para com essa palhaçada! – implorou.

BETINA – Aqui não tem ninguém de palhaçada moça! – falou e foi até a encruzilhada, sentou-se e começou a comer e beber.

BRUNA – Betina você não pode comer isso! Vamos! Já curtiu demais com a minha cara por hoje.

BETINA – Esse banquete é meu! E vai tomar teu rumo urubu do agreste, me deixa!

BRUNA – Cala a boca e vamos pra casa.

BETINA – Ta maluca? Não moro com você e tenho muita coisa pra fazer por aqui, pode ir dando o fora, não quero ninguém me enchendo o saco.

BRUNA – Você vai continuar com essa brincadeira não é? Pois eu vou ligar pra mulher do barracão e se ela me disser que você está mentindo eu vou te dar uma coça que tu nunca mais vai esquecer!

BETINA – HAHAHAHAH! Ai que medo. – chupou o osso de uma coxa – Liga de uma vez e depois some daqui.

Bruna fez a ligação, no fundo ainda acreditava que era apenas uma brincadeira de Betina.

MULHER (ao telefone): Como é que é? O Zeca Leão incorporou nela? – em tom assustado.

BRUNA- Não sei, por que isso aconteceria? – investigou.

MULHER – Geralmente acontece quando algo no ritual não é feito direito.

BRUNA-  Nós fizemos tudo certinho; só a Betina comeu um pedaço de frango porque estava com fome, e quando ela acordou do suposto desmaio perguntou do frango, por isso acho que é uma brincadeira dela pra me assustar, sei lá!

MULHER – Puta que pariu! Vocês não fazem nada certo hein! Se fizeram o ritual e ela comeu o frango que já pertencia à ele, podes ter certeza que o Zeca realmente incorporou nela.

BRUNA – Tá e agora? O que eu faço? Ela ta ali comendo todas as coisas do ritual.

MULHER – Normal não é? Se vocês ofereceram o jantar para ele, nada mais óbvio que ele comer. Tenta trazer ele aqui que vamos ver como manda-lo embora!

Bruna tentou de todas as formas convencer Zeca Leão a entrar no carro, mas nada fazia muda-lo de ideia e aceitar o convite. O celular de Bruna tocou, era Lívia. Primeiro hesitou em atender, mas tinha que dividir sua aflição com alguém.

LÍVIA (ao telefone): Onde vocês estão? Não deram mais notícias! – preocupada.

BRUNA – Preciso muito da sua ajuda! Eu e a Betina fizemos uma cagada federal! 

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Lívia havia chegado no morro onde Bruna estava. Betina continuava “desbravando” o matagal próximo à encruzilhada.

LÍVIA – Eu não acredito que vocês fizeram isso! Pra que se meter em fazer macumba me diz?  – perguntava muito irritada.

BRUNA – É uma longa história, outra hora te conto, o importante é levarmos a Betina pro barracão.

LIVIA – Espero sincertamente que tenham tido um bom motivo pra terem feito isso!

BRUNA  –Pode acreditar que sim.

LIVIA – E onde esta ela? Ou ele, sei lá.

BRUNA – Disse que tem muita coisa pra fazer por aqui e se enfiou naquele matagal.

LIVIA – Fazer o que aqui gente? Só tem mato! Eu vou atrás dela e vou dar uns dez tapas na cara dela e trazer ela de volta.

Lívia adentrou o matagal e foi atrás de Betina, não demorou para que a encontrasse.

LÍVIA – Acabou a brincadeira!

BETINA  – Quem és tu quenga velha?

LIVIA- Quenga velha é a mãe – e deu-lhe os dez tapas prometidos, no décimo Betina segurou forte os braços de Lívia.

BETINA – Mulher nenhuma bate em mim!

LIVIA- Mas eu bato. E muda essa voz de uma vez, chega de brincadeira e vamos para casa!

Betina soltou os braços de Lívia. Pegou forte em seu cabelo e cheirou sua nuca.

BETINA – Mulher forte me excita! Eu fico louco. –  e cheirou o cangote de Lívia, que ficou toda arrepiada.

LÍVIA – Epa, sai pra lá que eu não sou sapatão não! –  afastou-se de Betina –  Bem que tu tinha cara de botinuda, mas nunca pensei que fosse sério.

BETINA – Me chamo Zeca Leão e você? –  ajoelhou-se em frente à Lívia e beijou sua mão.

Lívia resolveu entrar na brincadeira, achou este o meio mais fácil de fazer Betina entrar no carro e acabar de uma vez por todas com aquilo.

LÍVIA – Me chamo Maria Bonita – sorriu sarcástica.

ZECA – Maria Bonita é você mesmo?  – estava deslumbrado.

LÍVIA – Sim meu querido, em carne e osso! Mais osso que carne pra ser mais sincera.

ZECA – Sempre fui apaixonado por você, na outra vida não pudemos ficar juntos por causa do Lampião, mas agora… –  levantou-se e ficou face a face com  Lívia –  agora você será só minha! – ariscou um beijo na boca.

LIVIA (afastando-se): Ih meu, sai fora não curto línguas! – espantada.

ZECA – Vai se fazer de difícil? Já fizemos tantas coisas juntos! – pegou na mão de Lívia.

LIVIA – E podemos fazer muito mais, só que não aqui. Vamos comigo para um lugar mais reservado.

Zeca fez cara de sacanagem e acompanhou Lívia que entrou em seu carro. Bruna havia presenciado o dialogo e foi na com seu carro na frente para guiar Lívia até o barracão. 

| CENA 03 |

Dentro do carro Zeca sentia falta de mais algumas mãos para se segurar. Parecia estar se borrando de medo.

ZECA – Que diabo é isso? – assustado.

LÍVIA – Isso é um carro – viu que Zeca estava assustado – Está com medo? – fez alguns zig zags com carro para deixa-lo mais amedrontado.

ZECA– Pare com isso vadia! Senão vou me jogar –  colocou a mão no trinco.

Livia parou o carro. Ao ver que ela havia virado a chave para desligar o carro, ele aproveitou a distração dela e tirou a chave do câmbio.

LIVIA – Para de bobeira e me dá essa chave!

ZECA- Não. Já estamos a sós agora vamos aproveitar.

LIVIA – Aqui não, estamos no meio da rua logo passa alguém e vê! Muito arriscado.

ZECA- Aqui é deserto, ninguém vê! – foi pra cima de Lívia.

Bruna ao ver o carro de Lívia parar, ficou parada também. Resolveu aguardar dentro do carro.

LÍVIA – Sai de cima de mim!

ZECA- Eu quero um beijo seu!

LÍVIA  –Eu não achei minha boca no lixo! E já falei que não curto sapatão!

ZECA-  Vem ser minha potranca! Vou te mostrar do que sou capaz.

LÍVIA –  hahahaha, fiquei curiosa. Do que você é capaz? – provocou.

ZECA – Sente o tamanho da minha peixeira! –  disse colocando  a mão entre as pernas.

LIVIA – Ai não tem peixeira nenhuma, nem faca você tem meu bem! – ironizou.

ZECA- É um jeito de se falar. Pega na minha vara e sente o tamanho!  – pegou a mão de Lívia e levou até sua genitália.

LÍVIA – kkkkkkkkkkk vara? Ai só tem uma rachada. Se contente com isso.

ZECA – Não brinca comigo!

LIVIA – Não to brincando não, olha ai dentro das suas calças. Não tem varinha nenhuma, muito menos varona.

Zeca conferiu seus documentos.

ZECA-  Que porra é essa, me colocaram uma perereca!

LIVIA – hahahaah e faz muito tempo! Você tem mamilos também.

Zeca apalpou em seus mamilos, parecia não acreditar que os possuía.

ZECA- Me sinto desonrado! Que merda.

LIVIA – É foi o que te falei. Não sou sapatão não. Eu curto homem, músculo, pelos e pauzão.

ZECA – Eu tenho tudo isso!

LIVIA – Mas não nesse momento HAHAHAHA

Zeca se jogou em cima de Lívia e começou a simular um sexo com roupa, babava e virava os olhos.

LIVIA – Me solta, socorro!

ZECA- Grita mais cavala! Mulher sofrendo me excita, vai!

Livia empurrou Zeca de volta para o seu banco.

LIVIA – Chega de palhaçada.

ZECA –  Mas eu quero sexo! Sexo, sexo muito sexo!

LÍVIA – Mas eu não transo com mulheres. Já falei!

ZECA- Eu sei mas não sei se consigo outro corpo, tem que ser nesse.

LÍVIA – Vou te levar em um lugar onde eles trocam de corpo, aí você escolhe outro e a gente transa, o que acha?

ZECA  – Perfeito minha pererecuda do sertão! – acariciou seu rosto. 

| CENA 04 |

Já no barracão Zeca estava todo desconfiado, mas não largava a mão de Lívia. Bruna havia ido um pouco mais na frente para falar com a mulher.

MULHER: A Mãe Preta da Salvação já irá atende-las. É muito importante que vocês mantenham a calma.

Bruna chamou Lívia e Zeca. Eles adentraram um quarto pequeno cheio de velas. Uma mulher toda de branco estava sentada na pequena sala, segurava um charuto e estava de cabeça baixa.

MULHER – Mãe Preta, essas são aquele caso que te falei!

ZECA – É vê logo ai o corpo de um macho bengaludo pra mim!

A mulher retirou-se, e a Mãe Preta levantou a cabeça. Deu uma fumada no charuto e fixou  seu olhar nas três. Lívia e Bruna não acreditavam no que viam.

LÍVIA – Axila? – espantada.

MÃE PRETA OU AXILA – Em carne e osso! Hahahahaha

– ERA CILADA BINO! E AGORA?

BDC | Continua amanhã! 

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Bola de Cristal – Capítulo 11

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UMA NOVELA DE TIAGO KLEINE DE OLIVEIRA

DIREÇÃO DE NANDO BRAGA

228 - Cópia - Cópia (6)

BDC | 11° Capítulo 

Depois de desmaiarem, acordarem, chorarem, se urinarem, vomitarem e chorarem mais um pouco Bruna e Betina voltaram a si:

BRUNA – A senhora disse que era simples desfazer o feitiço!

ZOROASTRA – E vai dizer que não é? Mamão com açúcar meu anjo.

BETINA – Realmente não sei onde a gente estava com a cabeça quando fomos dar ouvidos pra senhora.

ZOROASTRA – Olha eu já revelei o que vocês devem fazer, agora é melhor saírem da minha tenda antes que eu me estresse com vocês.

BRUNA – Mas não teria outra forma?

ZOROASTRA – Essa que eu falei é a mais simples, mas vocês não gostaram.

BETINA – Sim, mas teria algo pior que isso pra resolver esse problema?

ZOROASTRA – Claro que sim. Na vida sempre tem o mais fácil e o mais difícil. Eu mostrei o mais fácil.

BRUNA – E qual é o método difícil?

ZOROATRA – Matá-los!

BETINA – Como assim?

ZOROASTRA – Você mataria o Leandro e a Bruna mataria o Eduardo, resolvido o problema.

BRUNA – Mas a gente não quer que eles morram!

ZOROASTRA – Ninguém quer, e se der errado vocês podem ir presas, por isso falei que o outro método era mais fácil.

BETINA – Ah, mas realmente desse ponto de vista o outro é bem mais fácil. Mas por que a senhora disse, se caso der errado?

ZOROASTRA – Porque quando eles beberam a poção um gênio do amor entrou no corpo deles fazendo eles se apaixonarem por vocês, se vocês matá-los agora quem morre é o gênio que esta dentro deles, eles continuarão vivos.

BETINA – Ah, entendi.

BRUNA – E não tem outro jeito de mandar esse gênio embora?

ZOROASTRA – Se vocês escolherem a opção mais fácil, vocês vão se casar e ter um filho com eles, o gênio sairá do corpo deles através do filho de vocês. Como o gênio saiu do corpo deles, eles ficarão com a imunidade baixa e se apaixonarão pela primeira pepeca que comerem depois do nascimento do filho.

BETINA – Nossa que complicado. – desanimada.

ZOROASTRA – Pois é. Por isso vocês devem casar com eles ter o filho e depois ter uma noite de amor com o cara que realmente querem, que ai tudo se resolve.

BRUNA – E será que isso tudo vai dar certo?

ZOROASTRA – Claro que sim, confiem em mim. Se a poção deu certo, a forma de reverter também dará.

BETINA – Acho que matar é mais fácil. – afirmou decidida.

ZOROASTRA – Olha eu não vou dizer nada, façam o que vocês acharem melhor!

BRUNA – Está decidido, vamos matá-los!

| VINHETA DE ABERTURA |

| CENA 02 |

Bruna e Betina estavam caminhando no parque tentando espairecer e achar talvez alguma alternativa para desfazer a grande cagada em que se meteram. Perdidas, confusas, fudidas e mal pagas assim as duas se sentiam naquele momento.

Uma leve brisa resolveu dar o ar da graça para auxiliar na oxigenação do cérebro das duas, e um papel cor de rosa aproveitou o movimento do vento e se jogou na cara de Betina.

BETINA – Caralho! – disse tirando o papel do rosto.

BRUNA – É anuncio de que isso – tirou o papel das mãos de Betina e leu.

Betina prosseguiu a caminhada enquanto Bruna ficou estática com o papel em uma mão e a outra mão na boca, parecia surpresa com o que acabara de ler.

BRUNA – Betinaaaaa! – gritou para que ela esperasse e saiu correndo para alcança-la.

BETINA – Credo o que foi?

BRUNA – Acho que a sorte está conspirando a nosso favor. Olha só isso – e leu o anuncio – Mãe Preta da Salvação  desfaz qualquer feitiço ou macumba que esteja te atrapalhando, resultado garantido ou seu dinheiro de volta!

BETINA – Uma macumbeira?

BRUNA-  Sim, vai lá a gente não tem preconceito com essas coisas, e não custa tentar!

BETINA – Não quero me atolar nessa merda mais do que já estamos!

BRUNA – Mas é melhor buscar essa alternativa do que topar aquelas loucuras pra desfazer o feitiço!

Betina ficou pensativa.

BETINA – É verdade. Seja o que Deus quiser! 

| CENA 03 |

O Barracão era um pavilhão grande branco com o chão de lajotas vermelhas, algumas cadeiras brancas, folhas no chão, alguns quadros nas paredes e bem ao fundo uma fonte de água e uma porta enorme.

Estava tudo vazio, e as duas estavam se borrando de medo. Não demorou para que aparecesse uma mulher toda de branco com um enorme vestido rodado, era morena e usava um lenço branco na cabeça.

MULHER – O que vocês procuram?

BETINA – Oi, nós viemos falar com a Mãe Preta da Salvação, ela está?

MULHER – Está sim, mas não é tão fácil pra falar com ela. Preciso saber antes de tudo o motivo de vocês estarem aqui.

BRUNA – O motivo já foi dito, é falar com ela mesmo!

MULHER – Sim eu sei sua idiota, mas quero saber o que vocês vieram falar com ela!

BETINA – Credo quanta agressividade, era só falar que você era secretária dela que a gente te dizia, mas enfim é uma longa história!

As três sentaram-se e Bruna e Betina contaram o que havia acontecido.

MULHER – Mas vocês são umas tapadas mesmo! HAHAHAHAHA – não conseguiu conter o riso.

BETINA – A gente veio aqui pedir ajuda e não a sua opinião!

MULHER – Tudo bem, nós podemos ajudar vocês, nem precisa da Mão Preta da Salvação pra isso. Uma macumbinha básica já resolve.

BRUNA – Macumba, macumba? – espantada.

MULHER – Sim, macumba macumba. Mas vai dar tudo certo só precisam providenciar algumas coisinhas.

BETINA – E vai demorar muito?

MULHER- Que nada boba. Se tiverem dinheiro aí, eu tenho todos os ingredientes só preciso que vocês anotem em um papel o nome completo dos dois.

Betina entregou os papéis com os nomes.

BRUNA – E o que mais nós precisamos fazer além de lhe dar o dinheiro?

MULHER – É bem simples, mas terão que ter muito cuidado. Vocês terão que ir até uma encruzilhada, onde ninguém veja. Lá deixarão uma cesta com farofa, galinha, charuto, vela, vinho, chocolate e flores.

BETINA – Uow um jantar a luz de velas com sobremesa então? – disse sarcástica.

MULHER – Por favor, sem deboches! Vocês farão isso hoje a noite aqui perto tem um morro com uma encruzilhada deserta, lá vocês deixarão essa cesta, ascenderão as velas e encherão as taças com vinho. São duas taças. Cada uma vai beber um gole, só um gole, e dizer bem alto: “Zeca Leão me ajude a matar o gênio que habita o corpo de fulano de tal, em troca te presenteio com esse jantar romântico para você e para a sua amada, em nome do amor!”

BRUNA – Vish, vai ter que anotar em um papel, senão a gente esquece.

MULHER – Com certeza, tapada como são! – esboçou uma risada.

BETINA – E quanto te devemos?

MULHER – Três contos!

BRUNA – Uow, mas que jantarzinho caro hein! Consigo um restaurante francês pela metade do preço e garanto que o Zeca Leão iria gostar mais!

MULHER – É pegar ou largar. E aí?

As duas entregaram o dinheiro e esperaram a mulher retornar com a cesta. Já estava anoitecendo.

| CENA 04 |

Na subida do morro deserto de estrada de chão as duas desceram do carro, pegaram a cesta e foram até a encruzilhada.

BRUNA – Eu estou com medo! Devíamos ter avisado a Lívia.

BETINA – Eu estou é com fome. E não acho que seria uma boa ideia. Ela colocaria a gente pra fora de casa. Vamos resolver isso sem ela precisar saber dessa história.

Arrumaram a cesta, ascenderam as velas, encheram as taças de vinho e tomaram um gole de vinho cada uma e depois pronunciaram as palavras que a mulher anotara em um papel.

Enfim fizeram tudo como mandava o figurino. Estava arrepiadas e medrosas.

BRUNA – Vamos, já acabamos o ritual. Agora é esperar pra ver no que vai dar. Está me dando calafrios este lugar! – disse virando em direção ao carro.

BETINA – Acho que vai dar tudo certo. Só vou pegar um pedacinho desse frango que eu to salivando aqui já! – deu uma beliscada na coxa do frango e foi em direção ao carro também.

BRUNA – Tu é maluca comer essas coisas?

BETINA – Eu hein, a gente bebeu o vinho, nada a ver não poder dar uma beliscadinha no frango.

BRUNA – Ah sei lá, tenho medo dessas coisas. Vamos vazar daqui.

Bruna entrou no carro, Betina  se encostou no capô, parecia estar passando mal.

BRUNA – Betina! – Saiu do carro e foi socorrer Betina que caiu desmaiada no chão.

Desesperada Bruna ajoelhou-se e tentou acordar Betina. Após muita insistência Betina abriu os olhos que pareciam vermelho brilhante naquela escuridão.

BRUNA – Betina, o que aconteceu? – assustada.

BETINA (com uma voz grave de um homem de idade) – Não é a Betina eu sou o Zeca Leão, e quem “cumeu” meu frango?

EITA, NÃO É QUE BETINA INCORPOROU? AGUARDE OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS.

BDC | Continua amanhã! 

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