FALSO HORIZONTE | Capítulo 41 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FUNDOS DA DELEGACIA/INTERIOR/NOITE:

O policial guiando o Mário e o Marcos, os dois usando uniforme policial. Eles se aproximam de um carro qualquer.

Policial  – Esse carro vai levar vocês aonde quiserem. Aqui a chave (entrega).

Mário     – Muito obrigado por tudo. Eu e o meu amigo aqui vamos te recompensar direitinho, logo o dinheiro vai estar na sua conta.

Policial  – Eu agradeço.

O policial sai. Mário e Marcos entram no carro, e se encaram.

Marcos    – E agora? Nós vamos pra onde, Mário?

Mário     – Eu conheço um lugar.

Mário dá partida no carro e sai cantando pneu.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha andando de um lado pro outro, ansiosos. O policial da cena anterior entra.

Policial  – Tudo deu certo. Eles pegaram o carro e partiram.

Agatha    – Ótimo!

Leonel    – Muito obrigado pelo seu serviço. Agora você vai ser afastado por um tempo.

Policial  – O que? Porque?

Leonel    – Ninguém pode desconfiar que nós estamos envolvidos nessa fuga. A sua carreira não vai ser prejudicada, eu garanto.

Agatha    – É só um afastamento e logo você estará de volta.

Policial  – Está certo. Peguem eles logo, não posso ficar muito tempo parado.

Agatha    – Pode deixar.

Ele sai. Agatha e Leonel se abraçam.

Agatha    – Metade do plano já foi, já deu certo.

Leonel    – Agora é com o Marcos e aí dele se ele me decepcionar.

Agatha concorda. Eles sorriem, mas demonstram preocupação.

 

CENA 03. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nádia e Lauro a encarar o homem, Tadeu, (branco, uns vinte e poucos anos, bonitão).

Nádia     – É novo na cidade? Podemos te ajudar?

Tadeu     – Sou sim e seria ótimo se pudessem me ajudar. Não imaginei que essa cidade fosse ser tão grande e confusa.

Lauro     – Não é grande não, logo você se acostuma. (pausa) Pra onde está indo?

Tadeu     – Não em deu me deu o endereço, só falou que um rancho. O rancho do César.

Nádia     – César?

Lauro     – O que você quer com o meu pai? Eu posso saber?

Tadeu     – Ah ele é seu pai? Prazer, o meu nome é Tadeu e o seu?

Lauro     – O meu é Lauro e essa é a Nádia. Agora: o que você quer com o meu pai?

Tadeu     – Prazer, Nádia. Ele me convidou a vir na cidade, ele queria que eu investigasse umas pedras preciosas. O César, seu pai, queria saber mais sobre elas.

Lauro     – E isso foi quando?

Tadeu     – Faz tempo…

-inicia aqui um flashback não-exibido antes-

 

CENA 04/FLASHBACK. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

César está sentado na cama, a falar pelo telefone. Diálogo anterior continua.

Tadeu     – (off)… eu estava ocupado com outros casos, não pude vir pra cá imediatamente. Mas ele me ligou querendo os meus serviços.

Lauro     – (off) E o que você faz exatamente? E como diabos o meu pai te achou?

César desliga o telefone e encara a CÂM, pensativo. -fim do flashback-

 

CENA 05. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Lauro, Nádia e Tadeu na mesma situação: a se encarar. Diálogo anterior continua.

Tadeu     – Eu sou geólogo, do ramo da petrologia e trabalho com pedras, rochas, e também pedras preciosas. O seu pai deve ter me encontrado na internet, todos nós estamos lá hoje em dia.

Nádia     – Porque o César contrataria um geólogo? Ele nunca quis saber das pedras.

Tadeu     – Na ligação ele falou algo sobre uma garota chamada Pérola. Pode ser por causa dela.

Lauro     – É claro que tem a ver com a Pérola. O meu pai não estava interessado nas pedras, mas queria que a Pérola saísse da cidade.

Nádia     – Faz sentido. Eu acho melhor levá-lo pro rancho, podemos conversar melhor lá.

Tadeu     – Muito obrigado.

Lauro ajuda o Tadeu com as malas e os três saem.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Nilda anda pelo corredor. Alberto a segue e a alcança. Eles ficam frente a frente.

Nilda     – Ei! Aconteceu alguma coisa Alberto?

Alberto   – Aconteceu e nós precisamos conversar sobre isso.

Nilda     – Pode falar, criatura. Está me deixando preocupada.

Alberto   – A Divina me procurou esses dias. Ela está se unido a nós e servindo de espiã da Suzana e da Célia.

Nilda     – Isso é ótimo! Mas ao mesmo tempo, temos que tomar cuidado. Não sei se podemos confiar nela.

Alberto   – Eu acho que confio nela, mas pode deixar, estou de olhos abertos. (pausa) Mas não é só isso.

Nilda     – Tem mais?

Alberto   – Ela quer ser vice-prefeita, Nilda. Minha vice.

Nilda     – É o que? Pois diga a ela que esse cargo já está preenchido, ele é meu!

Alberto   – Eu aceitei. A Divina é a minha vice-prefeita agora.

Nilda     – Não acredito que fez isso comigo, Alberto.

Alberto   – Você pode continuar na campanha fazendo outras coisas. Mas, entenda, o apoio dela é muito importante.

Nilda     – É claro, eu entendi. Boa sorte nessa campanha sem mim.

Nilda sai correndo, chateada. Alberto bufa.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nilda entra no quarto, aos prantos. Eleonora sai do banheiro e a abraça.

Eleonora  – O que aconteceu?

Nilda     – (chora) Eu me deslumbrei com a ideia de ser vice-prefeita. Eu me imaginei: ex-puta, dona de bordel, vice-prefeita. E o Alberto me tirou isso.

Eleonora  – O que ele fez?

Nilda     – (chora) A Divina se ofereceu para ajudá-lo, ser a espiãzinha dele. E ele aceitou, mas ela quer ser a vice-prefeita dele e ele aceitou.

Eleonora  – Filho da mãe! Ridículo! Como ele pode fazer isso?

Nilda     – (chora) Pelo poder, Eleo. Mas eu sei que ele vai precisar de mim e quando ele precisar, eu vou estar aqui. Pode apostar.

Nilda e Eleonora se abraçam, a última dá um beijo na testa da primeira.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Alberto desce as escadas e se aproxima da Gina que está sentada, bebendo água.

Gina      – E aí?

Alberto   – Eu contei e ela ficou arrasada comigo. Ela disse que eu vou precisar dela e eu sei que vou. Ele me ajudou tanto, Gina, e eu a traí.

Gina      – Você fez uma escolha e não pode voltar atrás. A Nilda tem toda razão em ficar puta contigo.

Alberto   – Eu sei.

Ele se aproxima e ela dá um abraço nele.

 

CENA 09. CASA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Mário e Marcos entram na casa que está visivelmente acabada. Eles se encaram.

Marcos    – Que porra de casa é essa, Mário?

Mário     – Eu e a Zélia compramos essa casa logo depois de eu descobrir a traição dela. Queríamos vir pra cá de vez em quando pra fugir da agitação. (pausa) Mas acabamos vindo umas quatro vezes e depois esquecemos.

Marcos    – Nossa senhora, hein. Essa casa está um lixo.

Mário     – É só limpar, Marcos, meu deus! E além do mais, não reclama, ela tá toda mobiliada.

Marcos    – Os moveis devem estar cheios de cupins, Mário. Não troca eles a o que? Dez anos?

Mário     – Não exagera.

Ele senta numa cadeira e ela quebra. Mário cai no chão e o Marcos o ajuda a levantar.

Marcos    – Tá vendo?

Mário     – Ok, mas é o que tem? A gente pega o colchão das camas ou dorme no chão mesmo. É provisório, Marcos.

Marcos    – Prefiro dormir no chão, tenho certeza que é mais limpo

Mário bufa e entra num corredor. Marcos olha pros lados, enojado.

 

CENA 10. CASA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Mário entra no quarto, ele pega o colchão e coloca no chão, sentando nele. Marcos entra e senta ao lado dele.

Marcos    – Tirando a parte da nojeira desse lugar: o que nós vamos fazer?

Mário     – Planejar as nossas vinganças e esperar ordens.

Marcos    – Ordens?

Mário     – É, tem alguém por trás de mim Marcos. Mas antes que pergunte quem: ainda não está pronto para saber da verdade.

Marcos    – Tá certo, chefe. Quando quiser contar, eu estou aqui.

Marcos a encarar o nada, pensativo.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada no sofá, assistindo TV. Lauro, Nádia e Tadeu entram.

Pérola    – Finalmente você chegou, Lauro. (olha pra eles) Quem é esse?

Ela levanta.

Nádia     – Esse é o Tadeu, ele é um geólogo contratado pelo César. (ao Tadeu) Essa é a Pérola.

Tadeu     – É um prazer conhece-la, Pérola.

Lauro     – O meu pai contratou o Tadeu para investigar as pedras preciosas.

Pérola    – É claro, é obvio. O seu pai queria que eu me ferrasse com as pedras.

Tadeu     – Você também é geóloga?

Pérola    – Podemos dizer que sim, eu sou uma geóloga. (ao Lauro) Que merda é essa?

Lauro     – Eu não sei.

Pérola    – Podemos conversar em particular?

Lauro e Pérola saem. Tadeu e Nádia se encaram.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Pérola e Lauro entram no corredor e se encaram, ela sem entender.

Pérola    – O seu pai… ele está morto e continua querendo me foder.

Lauro     – Não fala assim dele! O meu pai nunca confiou em ti, Pérola, e isso é obvio. Ele deve ter contratado o Tadeu para saber direito o que diabos você está fazendo.

Pérola    – Pois pode mandar o Tadeu embora porque eu e o Robson já começamos os nossos trabalhos. Não quero ninguém se metendo nele.

Lauro     – Eu nem cogitei em botar ele para trabalhar com você, mas ele foi contratado pelo meu pai.

Pérola    – Eu sei o que você está sentindo agora, mas ele contratou o Tadeu pensando em me ferrar, Lauro. E não ajudar.

Lauro     – Pérola, eu sei, mas você não consegue entender o que eu estou dizendo.

Pérola    – Lauro/

Lauro     – (corta) Não! Não quero mais escutar você falando mal do meu pai. Ele não vai trabalhar contigo, Pérola, se quer saber. (pausa) Aliás, você consegue pensar em alguma coisa que não seja essas malditas pedras?

Eles se encaram, exaltados. Pérola agacha a cabeça e Lauro bufa.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Tadeu se encaram. Ela sorri e ele retribui.

Tadeu     – Eu estou tentando entender o parentesco de todo mundo aqui. O Lauro é filho do César, mas e você a Pérola?

Nádia     – Eu também sou filha do César, descobri recentemente. Eu moro na casa ao lado com o meu irmão que não é irmão do Lauro e com a minha mãe.

Tadeu     – Ah, entendi. E a Pérola?

Nádia     – A Pérola é a namorada do Lauro, o César não gostava dela.

Tadeu     – E porque diabos se refere ao César no passado?

Nádia     – Ele faleceu, Tadeu. É recente e está sendo difícil pra todo mundo.

Tadeu     – Oh, eu sinto muito mesmo pela perda de vocês. Não fazia ideia.

Nádia     – Tudo bem.

Tadeu     – (pensa) Eu achei que você fosse namorada do Lauro.

Nádia     – (ri) Não, não. Eu estou solteira e muito bem assim.

Tadeu     – (sorri) Isso é bom.

Lauro e Pérola entram. 

Lauro     – Eu e a Pérola conversamos e achamos melhor você não se meter com as pedras preciosas. Ela já está cuidando disso com o amigo dela, Robson.

Tadeu     – Oh, ok então. Alguém sabe de uma pousada ou pensão aqui por perto?

Pérola    – A mais perto fica em outra cidade. Nós não somos acostumados a receber turistas.

Tadeu     – Então eu acho que vou ter que ir pra outra cidade.

Nádia     – Não! Não precisa. Pode ficar na minha casa.

Lauro     – É o que?

Pérola    – Ótimo, tchau pra vocês dois.

Lauro     – Tem certeza, Nádia?

Nádia     – Absoluta. (ao Tadeu) Você é um assassino, ladrão ou já foi preso alguma vez?

Tadeu     – A resposta é não para todas as perguntas.

Nádia     – Então, sim, eu tenho certeza. Vamos Tadeu.

Nádia e Tadeu saem, ela o ajuda com as malas. Lauro e Pérola se encaram.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Omar e Clara sentados à mesa. Eles jantam. Thiago à parte. 

Zélia     – (olha o prato da Clara) Não deveria estar comendo isso.

Clara     – Isso o que?

Zélia     – Carne vermelha. Você está grávida, Clara, não pode comer que nem uma porca.

Omar      – Mãe! Não! É a vida da Clara, ela é a mãe e não você.

Zélia     – Eu só estou falando. Depois o bebê nasce com doença, obeso, e vão reclamar.

Omar      – Não fala merda, mãe!

Clara     – Eu vou falar com o meu médico se quiser saber, mas eu tenho certeza que não tem problema nenhum em comer carne.

Zélia     – Então tá, cê que sabe.

Eles seguem comendo.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Tadeu entram. Ele olha em volta, deslumbrado.

Tadeu     – Meu deus! A sua casa é linda, Nádia.

Nádia     – Obrigada. (pausa) Eu acho que eles estão jantando, quer?

Tadeu     – Não, obrigado. Eu comi no ônibus a caminho daqui. O que quero mesmo é dormir.

Nádia     – É claro, eu vou te levar no quarto de hóspedes e você vai poder dormir o quanto quiser.

Tadeu     – Obrigado.

Eles sobem as escadas.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar, Clara e Zélia acabando de jantar. Thiago começa a tirar a mesa. Nádia entra.

Nádia     – Boa noite, gente.

Thiago    – Vai querer jantar, Nádia?

Nádia     – Não, obrigado Thiago. Eu quero é a minha cama mesmo.

Zélia     – Ficou o dia todo o Lauro, não é?

Nádia     – Fiquei sim, mãe. (pausa) Mas o assunto não é esse. Quero falar com vocês uma coisa.

Omar      – Fala.

Nádia     – Tem um hóspede nessa casa. O nome dele é Tadeu, ele é geólogo e foi contratado pelo César antes dele morrer.

Zélia     – Mais um hóspede? Não basta a grávida aqui não?

Clara     – Eu não sou hóspede, Zélia, sou tão moradora quanto a senhora.

Omar      – É isso mesmo, mãe.

Nádia     – Gente! É exatamente esse tipo de discussão que eu não quero ver. Sejam educados!

Thiago    – Ele vai ficar quanto tempo? Preciso saber sobre os gostos dele e quanto mais de comida fazer.

Nádia     – Acho que pouco tempo, não sei. Amanhã eu resolvo isso, Thiago.

Thiago concorda e sai. Os demais levantam da mesa e sai com a Nádia.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Iris e Robson deitados na cama. Ela está montada em cima dele, aos beijos. Eles gemem.

Robson    – (geme) ann, ann… Marilda…

Iris      – (para; encara) Marilda?

Ela o encara, Robson sem reação. Ela sai de cima dele, pega as roupas e sai.

 

CENA 18. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Iris veste as roupas no corredor. E sai correndo. Robson sai atrás, mas não a alcança.

 

CENA 19. RUAS/EXTERIOR/DIA:

Amanhece.

Mostra planos das ruas da cidade. As pessoas andando e conversando. Fica claro que as pessoas estão conversando sobre a fuga do Mário e do Marcos.

 

CENA 20. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo na cozinha. O telefone toca e ela atende.

Amparo    – Alô.

Thiago    – (off) O Mário e Marcos fugiram da cadeia ontem à noite.

Amparo    – O que?

Ela incrédula.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola sentados à mesa. Amparo entra se aproxima.

Pérola    – Amparo, bom dia, pode trazer um suco pra mim?

Amparo    – O Mário e Marcos fugiram, Lauro.

Lauro     – O que?

Ele a encara.

 

CENA 22. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas a mesa, tomando café. Leila entra.

Leila     – O Thiago acabou de me ligar e ao que parece, o Marcos e Mário fugiram da cadeia.

Célia     – O que?

Suzana    – Droga! Eu preciso falar com o Leonel e com a Agatha.

Ela levanta e sai. Célia e Leila a seguem.

 

CENA 23. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Célia saem e se deparam com um monte de pessoas, encarando-as e fazendo várias perguntas uma atrás da outra.

Suzana    – Porra!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 40 [Últimas Semanas]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Leonel está sentado. O policial entra com o Marcos e ele senta frente ao Leonel.

Marcos    – Me chamou aqui pra que?

Leonel    – Um policial escutou você e o Mário conversando. Nós sabemos o ele está armando.

Marcos    – Se o seu policial escutou bem, eu não topei.

Leonel    – É exatamente isso! Nós queremos que você tope, Marcos.

Marcos    – É o que?

Leonel    – Isso mesmo que escutou. Eu acho que ele tem algum mandante, não possível que tenha arquitetado tudo isso.

Marcos    – Não foi só ele, é por isso que eu não entreguei ele. Eu temo pelo Lauro.

Leonel    – Então. Nós queremos que ele fuja, que ele faça uma merda e se encontre com o mandante dele. E assim nós pegamos os dois de uma vez só.

Marcos    – Aonde eu entro nisso?

Leonel    – Você vai fugir com ele, vai ser meus olhos e ouvidos, vai nos comunicar sobre os passos dele. Ele precisa acreditar em você, precisa ser fiel a ele.

Marcos    – Ele matou o César, vai ser difícil me controlar para não fazer o mesmo com ele.

Leonel    – É por um bem maior, Marcos. (pausa) Você topa?

Eles se encaram.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto sai e acende um cigarro. Ele começa a tragar. Divina se aproxima.

Alberto   – Divina?

Divina    – Nós precisamos conversar, Alberto.

Alberto   – O que você quer? Se for alguma tramoia da sua irmã e da Suzana pode dar meia-volta e sair daqui.

Divina    – Não! Não é nada disso. Eu estou cansada da minha irmã ficar me controlando e dizer que eu estou errada. Estou cansada!

Alberto   – Imagino que sim. É a Célia, ela sempre foi controladora. (pausa) Veio aqui se aliar a mim?

Divina    – Sim, eu vim aqui ser a sua infiltrada. Eu vou te ajudar, vou ficar de olho na minha irmã e na Suzana e te digo tudo.

Alberto   – E porque você acha que eu devo confiar em ti?

Divina    – Não deve. Eu não quero que você confie em mim porque eu não confio em ti. Eu só quero ajuda pra tirar a Célia e Suzana do poder.

Alberto   – E o que você vai querer em troca, Divina?

Divina    – O cargo de vice-prefeita, é claro.

Alberto   – Não posso fazer isso com a Nilda, Divina.

Divina    – Então eu sinto muito, terei que continuar apoiando a Suzana e a Célia.

Alberto   – Espera! O cargo de vice-prefeita é seu.

Ela sorri. Alberto levanta e estende a mão, Divina aperta.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, mexendo no computador. Pérola entra e se aproxima.

Agatha    – Pérola? No que eu posso ajudar?

Pérola    – Pode me ajudar investigando o roubo das pedras.

Agatha    – Eu e o meu pai não a investigamos porque não achamos provas suficientes de que foi o Mário.

Pérola    – Foi ele e eu tenho certeza que as pedras ainda estão na casa dele. Ele não teve muito tempo de escondê-las.

Agatha    – Eu vou verificar isso, Pérola, e entro em contato.

Pérola    – Irei esperar.

Ela sai. Agatha pensativa.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Marcos e Leonel se encarando.

Marcos    – Eu topo! Mas eu quero garantia que o Lauro vai ficar seguro com tudo isso.

Leonel    – Eu te garanto que ele vai estar seguro. Assim que a fuga acontecer, eu vou botar policiais na frente do rancho.

Marcos    – Ótimo!

Leonel    – A fuga deve acontecer amanhã à noite, um policial vai fingir ajudar vocês e vai te dar um celular para que você se comunique comigo.

Marcos    – Está certo.

Leonel    – Estou confiando em você, nem pense em me passar pra trás.

Marcos    – É a vida do Lauro em perigo, pode confiar.

Leonel    – É bom que eu possa mesmo, Marcos.

Marcos levanta, o policial entra e o leva. Leonel encara o nada.

 

CENA 05. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

O policial entra com o Marcos e o bota na cela. O policial sai. Ele se aproxima da grade e Mário o encara.

Mário     – O que o Leonel queria contigo?

Marcos    – Estava me convencendo a te entregar e eu neguei novamente.

Mário     – Sábia decisão.

Marcos    – Se eu te ajudar da fuga, o Lauro fica fora de perigo?

Mário     – Porque de repente você ficou interessado na fuga?

Marcos    – Porque eu estou cansado de olhar pra cara do Leonel me perguntando as mesmas coisas sempre. E eu quero o Lauro longe das suas garras.

Mário     – Está pensando em fugir comigo?

Marcos    – Eu gostei da ideia quando você me propôs, mas eu fiquei com medo pelo Lauro. Não quero que nada aconteça com ele.

Mário     – Eu não matei o César? Tem certeza que quer ficar comigo?

Marcos    – É preciso fazer coisas que a gente não quer para poder proteger quem a gente gosta.

Mário     – Tá certo. (pausa) Se você fugir comigo, o Lauro fica a salvo. Eu lhe garanto.

Marcos    – Então, fechou.

Eles se encaram, sorrindo.

 

CENA 06. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada. Leonel entra e se aproxima.

Agatha    – E aí, pai? Como foi com o Marcos?

Leonel    – Ele topou, mas eu estou com pé atrás. Ele pode nos atrair, dá um jeito de fugir ou sei lá.

Agatha    – Não fará isso, pode ter certeza. É a vida do Lauro e ele sabe disso.

Leonel    – Não tenho certeza. Mas espero que dê tudo certo porque a coisa que eu mais quero é fechar esse caso.

Agatha    – Por falar em caso, a Pérola acabou de sair daqui. Ela quer que eu investigue o roubo das pedras.

Leonel    – Com tudo acontecendo, acabamos esquecendo desse caso. Vai pegá-lo?

Agatha    – Vou. Está na hora da gente dividir as coisas, não acha? Eu no caso das pedras e você cuidando do Marcos e do Mário.

Leonel    – Concordo. Mas o caso do Mário tem a ver com roubo das pedras.

Agatha    – Eu sei, a Pérola acha que não deu tempo dele esconder as pedras e que ainda deve estar no rancho dele.

Leonel    – O que você acha?

Agatha    – Eu acho que ele teve tempo. E se ele não teve, a Zélia pode ter muito bem escondido.

Leonel    – Não iria nos contar se tivesse.

Agatha    – Uma coisa é entregar o marido, ela não ia perder nada. Agora perder as pedras que podem valer milhões.

Leonel    – Tem razão. Eu tô indo pra casa agora, vem junto?

Agatha    – É claro, estou morta de sono.

Ela levanta e sai com ele.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Alberto entra e encontra a Gina sentada na cama. Ele senta do lado dela.

Gina      – Onde cê tava?

Alberto   – Fui fumar.

Gina      – E que cara é essa?

Alberto   – A Divina veio falar comigo e ela me propôs ficar do meu lado contra a Suzana e a Célia.

Gina      – E você acreditou?

Alberto   – Ela parecia dizer a verdade, acreditei, mas não quer dizer que confio nela.

Gina      – Isso é bom, não é? Porque essa cara então?

Alberto   – Ela disse que topava se fosse a vice-prefeita e não a Nilda.

Gina      – Você vai trair a Nilda?

Alberto   – Não queria fazer isso, mas eu também quero o poder de volta.

Gina      – Não concordo com isso, mas eu quero evitar me meter em política então faça o que você achar melhor.

Ela dá um selinho nele e deita. Alberto bufa e deita ao lado dela.

 

CENA 08. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Célia está sentada no meio-fio. Divina se aproxima e Célia levanta.

Célia     – Você sumiu. Onde estava? Eu tava quase ligando pra polícia.

Divina    – Não exagera. Você em estressou e fui andar por aí.

Célia     – Quando você resolver fazer drama por causa de bobeira, me avisa.

Divina    – Não é bobeira. Você me trata como lixo e eu estou cansada disso.

Célia     – Eu te trato como você merece ser tratada. Se enxerga Divina! Você depende de mim! Sempre foi assim e sempre vai ser. Idiota!

Célia dá as costas e entra numa casa. Divina a encara, sorrindo.

Divina    – É isso que nós vamos ver, querida irmãzinha.

Divina vai atrás, sádica.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Lauro e Pérola estão sentadas, tomando café. Amparo os serve.

Lauro     – Amparo, pode tomar conta do rancho hoje?

Amparo    – É claro. Vai ser demais! Eu sou a sócia agora, nem consigo acreditar.

Pérola    – Vai sair?

Lauro     – Ontem eu e a Nádia íamos ficar conversando a tarde toda, mas ela precisou sair então hoje é o dia.

Pérola    – Não estão passando muito tempo juntos não?

Lauro     – Pelo amor de deus, ela é a minha irmã Pérola.

Pérola    – Eu sei, mas vocês já transaram, já namoraram. Coisas podem acontecer de novo.

Lauro     – Tudo isso foi quando eu não sabia que ela era minha irmã. E não me lembre disso de novo, pelo amor.

Pérola    – Desculpa, desculpa. Eu sei que é loucura minha.

Lauro     – Ótimo. Vai trabalhar mais com o Robson?

Pérola    – Sim, espero encontrar coisa melhor que ontem.

Eles continuam tomando café. Amparo à parte, só observando.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Omar, Nádia e Zélia sentados à mesa, tomando café. Thiago os serve.

Thiago    – Vai ficar dormindo aqui agora, Clara?

Clara     – Não sei, talvez. Estamos construindo uma família aqui, então, quem sabe?

Omar      – Isso vai ser um problema pra você, Thiago?

Thiago    – Não, mas eu preciso saber a quantidade de comida e o que a senhorita gosta ou não.

Zélia     – Pra mim vai ser um problema.

Nádia     – Mãe!

Zélia     – O que? Eu fico feliz de ter um neto, mas não significa que eu quero mais gente morando nessa casa.

Omar      – Aín mãe, eu preciso ir. Depois a gente conversa sobre isso.

Nádia     – Eu também preciso ir, vou me encontrar com o Lauro.

Clara     – Não me deixem aqui sozinhos. (ao Omar) Omar!

Omar      – Desculpa, amor.

Nádia e Omar levantam. O segundo dá um beijo na Clara e sai com a primeira. Zélia encara a Clara.

Zélia     – E só resta nos duas, três com o Thiago.

Clara     – (finge animação) Eba!

Zélia sorri. Thiago ri.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas a mesa. Elas tomam café, e Leila as serve.

Célia     – Sabe o que eu estava pensando? Aquele bordel ainda está ali, Suzana, elas ainda moram ali.

Suzana    – E o que você quer que eu faça, criatura?

Célia     – Bote aquele povo na rua. Bote aquele bordel a baixo.

Suzana    – Eu não posso fazer isso. O que eu podia fazer e fiz é proibir a prostituição, mas não posso desabrigar pessoas sem mais nem menos.

Célia     – Aquilo dali não é uma residência, elas não podem morar ali.

Suzana    – Eu não quero criar caso com elas de novo, Célia. Esse assunto morreu, eu quero seguir em frente.

Célia     – Isso não morre enquanto a Nilda e o Alberto existirem.

Suzana    – Eu não vou demolir o bordel e nem botar pessoas na rua. Siga em frente, Célia!

Célia     – Você vai perceber que está errada, Suzana, você vai perceber.

Suzana ignora e Célia a encara, brava. Leila espia toda a cena.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Robson está andando pelo corredor. Iris o alcança.

Robson    – Ei! Estou indo me encontrar com a Pérola.

Iris      – E eu vim te dar boa sorte e te convidar pra um encontro.

Robson    – Um encontro?

Iris      – É, no meu quarto hoje à noite. Um encontro.

Robson sorri e a beija. Eles continuam andando.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda, Eleonora, Gina e Alberto sentados, conversando. Alberto encarando a Nilda, indeciso.

 

CENA 14. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre está ajoelhado, rezando. Omar entra e se aproxima dele.

Omar      – Padre?

Fagundes  – (levanta) Omar! Que saudades de você. Não aparece mais aqui.

Omar      – Eu sei, mil desculpas. É que tem acontecido tantas coisas ultimamente que nem deu pra aparecer por aqui.

Fagundes  – Eu imagino, consigo nem saber pelo que você e sua irmã estão passando. Mas o importante é que vocês estão bem.

Omar      – Estamos sim.

Fagundes  – Isso ótimo. E o que veio fazer aqui hoje?

Omar      – Rezar e lhe contar uma novidade, padre.

Fagundes  – Primeiro diga a novidade. Qual é?

Omar      – Eu e a Clara estamos grávidos, e pensando em casamento.

Fagundes  – Isso é ótimo! Eu sempre torci por esse casal. Eu fico muito feliz por vocês.

Omar      – Obrigado padre. E pode ficar tranquilo, tanto o casamento quanto o batizado vão ser realizados aqui.

Fagundes  – Acho bom e aí de você e da Clara se não fosse.

Omar      – Bom, agora vamos para a segunda parte: rezar!

Eles sorriem, se ajoelham e começam.

 

CENA 15. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Lauro está esperando a Nádia. Ela se aproxima e eles se cumprimentam. Eles se sentam.

Nádia     – Desculpa a demora.

Lauro     – Tudo bem. Como você está hoje?

Nádia     – Estou bem. Eu acredito que a fofoca já deve ter chegado a você, mas vou contar do mesmo jeito: Omar e Clara estão grávidos.

Lauro     – Amparo não contou isso. Não acredito! Então era isso que ele queria te contar? Meu deus!

Nádia     – Pois é! Isso é ótimo, não é? Eu estou tão feliz por eles e eu vou ser a melhor tia do mundo.

Lauro     – É claro que vai.

Eles riem e continuam conversando em off.

 

CENA 16. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Divina sentados, conversando. Eles armam planos. Gina os olha pela janela.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Alberto entra e dá de cara com a Gina que o encara. Ele abaixa a cabeça.

Gina      – Você precisa contar pra Nilda, Alberto.

Alberto   – Eu sei e vou, eu juro. Eu conto essa noite mesmo.

Gina concorda e eles saem.

 

CENA 18. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Leonel entra e se aproxima da Agatha que está sentada, nervosa.

Agatha    – É agora, não é?

Leonel    – É agora!

Agatha    – Espero que tudo dê certo.

Leonel    – Tem que dá! (pausa) Vai dar tudo certo!

Eles se encaram, nervosos.

 

CENA 19. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nádia e Lauro andando na rua, eles conversam entrosados. Nádia esbarra num homem que está carregando uma mala. O homem encara a Nádia.

 

CENA 20. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

Um policial entra e abre a cela do Mário e depois a cela do Marcos. Ele entrega roupas de policiais pros dois, eles vestem, rápido. Eles estão prontos e se encaram. O policial, sem que o Mário perceba, entrega ao Marcos um celular que ele trata de esconder no bolso.

Mário     – Está pronto?

Marcos    – O que você acha?

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 39 [Últimas Semanas]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos senta na cama. Mário levanta e se aproxima da grade que os separa.

Mário     – Marcos.

Marcos    – O que você quer?

Mário     – O que você acha da gente fugir daqui, hein?

Marcos    – Cê ficou maluco?

Mário     – Não, está mais do que na hora da gente sair daqui. Essa cidade deve estar boring sem a gente, nós movimentamos isso. Nós precisamos nos unir, Marcos.

Marcos    – Eu não vou me unir contigo, Mário. Não rola!

Mário     – Não quero que você tome essa decisão agora, vá pensando durante do dia. Tem até amanhã à noite pra me dizer. Eu vou fugir daqui e me vingar de cada um que me passou por trás incluindo a Zélia.

Marcos    – Isso é loucura! Cumpre a sua pena, fica quieto por um tempo. Não vai lhe fazer mal.

Mário     – O meu cu! Eu quero agir. Eu quero ficar conhecido nessa cidade, ficar rico. Ser o dono dessa cidade e controlar todas essas pessoas. Esse sempre foi o meu sonho.

Marcos    – Não é o meu sonho, não tenho ninguém me vingar. Só quero ficar em paz, Mário. (pausa) E além do mais, o César morreu por causa de você. Eu nunca vou me unir contigo, prefiro me unir com o diabo.

Mário     – Talvez, eu seja o diabo. (pausa) Não vai nem pensar sobre isso?

Marcos    – Não!

Marcos continua deitado na cama. Mário ainda o encara, mais vai se afastando da grade.

 

CENA 02. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Célia e Divina andando pelo corredor, elas conversam.

Divina    – Eu ainda não sou capaz de acreditar que nós conseguimos.

Célia     – Eu consegui! Você só fez a sua obrigação me apoiando.

Divina    – É claro, irmã. O que nós vamos fazer agora?

Célia     – Nós vamos preparar o terreno para a saída da Suzana da prefeitura.

Elas seguem conversando. Alberto surge do nada e ultrapassa elas no corredor, a caminho da sala da prefeita. Célia e Divina estranham.

Célia     – O que diabos ele está fazendo aqui?

Divina    – Será que foi a Suzana que o chamou?

Célia     – Não sei, mas vamos saber.

Elas o seguem.

 

CENA 03. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada na cadeira, trabalhando. Alberto entra e se aproxima.

Suzana    – Alberto? A que devo essa excelentíssima honra?

Alberto   – Não seja falsa, Suzana. Eu estou aqui para conversar sobre a cidade. Dar conselhos.

Suzana    – Pois pode dar meia-volta e sair. Não preciso de conselhos.

Alberto   – Não? Em pouco tempo, você já é a prefeita mais controversa que essa cidade já teve.

Suzana    – Não sei do que você está falando. O povo me ama, Alberto.

Alberto   – Tem certeza? Vamos ver: apoiou um assassino, apoiou a esposa de um assassino, se arrependeu e deixou de apoiar essa esposa. Ah e ainda trocou de vice-prefeita.

Suzana    – Foi necessário, Alberto, você sabe disso. Coisas acontecem e nós temos que mudar as coisas.

Alberto   – Mudar um plano, umas promessas, ok. Mas mudar de vice, isso não acontece normalmente Suzana. Isso é sinal que o seu governo está naufragando.

Suzana    – Isso é você que está dizendo. A cidade está ótima!

Alberto   – Porque eu deixei ela ótimo estado, Suzana, e quero saber quanto tempo isso vai durar?

Suzana    – Vai durar enquanto eu estiver no poder.

Alberto   – É o que nós vamos ver, Suzana.

Ele levanta e antes de sair, dá uma última olhada pra ela.

Alberto   – E toma cuidado com a Célia, ela não está pra brincadeira, Suzana.

Ele sai e ela bufa.

 

CENA 04. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Alberto sai da sala e dá de cara com a Célia e a Divina escutando atrás da porta. Ele sorri.

Alberto   – Tenha um bom dia, irmãs.

Divina    – Pra você também.

Ele sai andando. Célia e Divina se encaram. A primeira entra na sala, batendo a porta na cara da segunda.

 

CENA 05. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Célia entra e se aproxima da Suzana, que está sentada, encarando o nada.

Célia     – O que ele veio fazer aqui, Suzana?

Suzana    – Ele veio nos perturbar e foi bom, eu achei que o Alberto tivesse desistido. Foi bom porque mostra que nós duas precisamos tomar cuidado com ele e seus planos.

Célia     – A cidade não vai eleger as putas, Suzana.

Suzana    – Uma das coisas que ele disse é verdade: nós não temos experiencia com política, Célia. A cidade está boa por causa do que ele fez por ela, sem ele tudo pode naufragar.

Célia     – Não vai! Nós estamos aprendendo, não estamos? E além do mais, política envolve controlar as pessoas e isso nós fazemos muito bem.

Suzana concorda e elas sorriem.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson trabalhando, escavando e achando poucos e pequenos kimberlito. Eles não estão felizes. Lauro entra e se aproxima.

Lauro     – E aí? Já começaram os trabalhos, então.

Pérola    – Já sim.

Lauro     – E como estão as coisas?

Robson    – Nada bem. Nós encontramos quatro kimberlito, todos eles pequenos e com quase nada de bom para se aproveitar.

Lauro     – Eu sinto muito.

Pérola    – Mas nós não vamos desistir e vamos encontrar o que nós queremos.

Lauro     – Isso é ótimo. Estou lá dentro se precisarem de ajuda.

Ele dá um selinho na Pérola e entra. Pérola e Robson voltam ao trabalho.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro entra e a companhia toca. Ele se aproxima e abre. Nádia entra.

Nádia     – Nós combinamos de ficar se encontrando, lembra?

Lauro     – É claro que eu lembro do combinado, irmã. Eu só não te liguei porque o testamento do meu pai foi hoje.

Nádia     – Ah é? E como foi?

Lauro     – Estranho, como eu esperava que fosse, e surpreendente ao mesmo tempo.

Nádia     – É o seu pai, é lógico que seria surpreendente.

Lauro     – Ele deixou o rancho e toda a terra pra mim e pra Amparo. E para o Marcos, deixou algumas joias e dinheiro.

Nádia     – Legal que ele lembrou da Amparo. Ele esteve ao lado dele durante tanto tempo.

Lauro     – É mesmo. Ela foi uma mãe pra mim, está mais do que certo. E fiquei feliz pelo Marcos também, ele merece.

Nádia     – Por falar nele, ele tinha que ter saído da cadeia?

Lauro     – Ele continua afirmando que foi ele que matou o meu pai. Mas todos sabemos que foi o Mário, mas não podemos provar.

Nádia     – Imagino. Mas espero que ele esteja bem, e sinto muito pelo meu pai.

Lauro     – O Mário não é o seu pai, o seu pai é o César e sempre foi.

Nádia sorri e abraça o Lauro. Eles sobem as escadas, conversando.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia está deitada na cama assistindo TV. Clara e Omar entram.

Omar      – Mãe, nós precisamos te contar uma coisa.

Zélia     – O que foi que vocês fizeram hein?

Clara     – Não fizemos nada, quer dizer, fizemos alguma coisa. (pausa) Nós esperamos que fique feliz com esse anuncio.

Zélia     – Aí deus o que foi?

Omar      – A Clara está grávida! Eu vou ser pai e você, avó.

Zélia     – (surpresa) É seu filho?

Omar      – É claro que é meu filho, mãe. De quem mais seria?

Zélia     – Ela é puta, esqueceu?

Clara     – O filho é do Omar. Eu não transo sem camisinha faz muito tempo, só com ele recentemente. E eu posso te garantir isso com quantos exames quiser.

Zélia     – Sendo assim, eu fico feliz por vocês. (pausa) Mas se essa criança me chamar de avó: eu a mato!

Eles sorriem.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Thiago no corredor, só escutando a conversa. Ele sai correndo pra contar.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Nádia sentados na cama, conversando. O celular dela toca e ela atende.

Nádia     – Alô. Tá bem, estou indo pra ir criatura. (desliga)

Lauro     – O que foi?

Nádia     – Meu irmão, ele disse que tem algo pra me contar. Preciso ir.

Lauro     – Mas já?

Nádia     – Nós podemos nos ver outros dias, todos os dias, lembra? E nós vamos fazer isso, irmão.

Lauro     – Eu espero mesmo, irmã.

Ela dá um beijo na bochecha dele e sai. Lauro sorri.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson exaustos. Eles sentam no chão e se encaram.

Robson    – Isso é inacreditável!

Pérola    – Aquele filho da puta do Mário pegou os maiores kimberlito.

Robson    – O que nós vamos fazer agora, Pérola? Nós até temos alguns, mas eles valem pouco.

Pérola    – Eu quero aqueles kimberlito e eu vou tê-los, Robson.

Fecha na Pérola, pensativa.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago andando de um lado pro outro. Amparo e Leila entram, se aproximando.

Leila     – O que foi, Thiago?

Thiago    – Clara e Omar estão grávidos, pelo menos é o que parece.

Amparo    – Como assim, pelo que parece, Thiago?

Thiago    – Há sempre uma pequena possibilidade dela estar grávida de outro.

Leila     – Não! É a Clara, ela é a santa do bordel. Se fosse a Iris ou até a Eleonora, ok, mas não a Clara.

Amparo    – Concordo com a Leila. (pausa) Era só isso?

Thiago    – Era sim, porque?

Amparo    – Porque eu também tenho algo pra contar.

Leila     – O que foi?

Amparo    – A leitura do testamento do César aconteceu e eu estou rica. Ele deixou o rancho pra mim e pro Lauro.

Thiago    – Oh deus!

Leila     – Isso é ótimo! Meu deus, Amparo!

Thiago    – Não vá esquecer dos amigos agora hein.

Amparo    – É claro que não, estúpidos. Se eu estou rica, vocês também estão.

Leila e Thiago comemoram. Amparo sorri e os três se abraçam.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nádia anda pelo corredor. Ela se aproxima do Omar e da Clara que estão saindo do quarto da Zélia.

Nádia     – Ei o que aconteceu?

Omar      – Aí está você. Nós precisamos conversar sobre umas coisas.

Clara     – Está pronta?

Nádia     – Estou, criaturas. O que foi que aconteceu dessa vez?

Omar      – Nós estamos grávidos!

Nádia     – Você e a Clara? Meu deus! Isso é ótimo!

Os três comemoram.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Suzana sentada a mesa, jantando, um pouco irritada. Leila a servindo.

Leila     – A senhora não está bem hoje. O que aconteceu?

Suzana    – O Alberto aconteceu. Estou com ódio dele!

Leila     – O que houve?

Suzana    – Ele foi até a prefeitura, me falar sobre o governo e como eu estou governando a cidade. E ele tem razão. A cidade está boa por causa dele. O que será da cidade sem ele, Leila?

Leila     – Você precisa mostrar que pode ser tão boa quanto ele mesmo que não tem experiência.

Suzana    – Eu sei e eu quero, e vou fazer isso. Só não sei como.

Leila     – Conte comigo no que for preciso. Posso não concorda em tudo que faz, mas estou contigo nessa.

Suzana    – Muito obrigada por tudo, Leila.

Ela continua jantando. Leila sorri.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Célia e Divina andando na rua. Elas conversam.

Divina    – Porque você está me tratando tão mal ultimamente?

Célia     – Não estou não. Estou te tratando como sempre te tratei.

Divina    – E porque todo esse rancor, Célia?

Célia     – Eu não sei do que diabos você está falando, Divina.

Divina    – Sabe sim. Não se faz de sonsa! Eu estou cansada disso.

Divina sai andando na frente, irritada. Célia bufa e continua andando normalmente.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Clara toda feliz, a contar a novidade para a Iris, Gina, Eleonora, Nilda, Alberto e Robson. Todos ficam muito feliz e parabenizam a Clara.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/NOITE:

Iris e Robson saem. Eles se sentam e conversam.

Robson    – Quando vai ser a nossa vez, hein Iris?

Iris      – Nossa! Você já está pensando nisso? Não vai ser agora, pode ter certeza.

Robson    – Está bem, mas quero que pensa nisso. Em família, em filhos Iris.

Ele o beija, ela fica preocupada.

 

CENA 18. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto sai e acende um cigarro. Ele começa a tragar. Divina se aproxima.

Alberto   – Divina?

Divina    – Nós precisamos conversar, Alberto.

Eles se encaram.

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, mexendo no computador. Pérola entra e se aproxima.

Agatha    – Pérola? No que eu posso ajudar?

Pérola    – Pode me ajudar investigando o roubo das pedras.

Elas se encaram.

 

CENA 20. DELEGACIA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Leonel está sentado. O policial entra com o Marcos e ele senta frente ao Leonel.

Marcos    – Me chamou aqui pra que?

Leonel    – Um policial escutou você e o Mário conversando. Nós sabemos o ele está armando.

Marcos    – Se o seu policial escutou bem, eu não topei.

Leonel    – É exatamente isso! Nós queremos que você tope, Marcos.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 38

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

 

CENA 01. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Um policial bota o Mário dentro de uma cela que fica ao lado da cela do Marcos. O policial vai embora, Mário e Marcos se encaram.

Mário     – Olá, Marcos.

Marcos    – Olá. É um prazer ter você na cela ao meu lado.

Mário     – Eu digo o mesmo. (pausa) Eu imagino que esteja preocupado com o seu neném, o Lauro. Ele está bem, não se preocupe.

Marcos    – É bom saber.

Mário     – Quando é que você vai ser solto, Marcos?

Marcos    – Não vou ser solto. Eu continuo aqui, eu falsifiquei minha identidade, tentei matar o meu pai. E, aparentemente, matei o César.

Mário     – Não me entregou pra eles como a Zélia fez?

Marcos    – Não iria arriscar a vida do Lauro, Mário, você sabe disso.

Mário     – Então nós vamos ser companheiros de cela por um bom tempo então?

Marcos    – Infelizmente, é o que parece, nós vamos ser.

Mário sorri, Marcos o encara sério.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra e se aproxima do Leonel que está bebendo café.

Leonel    – Eu estou tão feliz filha, as coisas estão dando certo.

Agatha    – Eu também. Mas estou preocupada: o Marcos ao lado do Mário é uma boa ideia?

Leonel    – Acho que isso vai aflorar as coisas e, quem sabe, o Marcos não resolva entregar o Mário.

Agatha    – Não sei se é uma boa ideia, mas vamos ver no que vai dar.

Leonel todo feliz, comemorando. Agatha só o encarando.

 

CENA 03. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Iris e Robson entram na praça, eles sentam no banco, já conversando.

Robson    – Eu estou feliz que a gente possa conversar sobre isso.

Iris      – Eu também. (pausa) Posso começar falando uma coisa? Eu não sou a Marilda e nem pretendo ser.

Robson    – Eu sei disso Iris. Eu não quero achar a substituta da Marilda porque não tem como.

Iris      – Eu sei, só queria deixar isso claro. Não sou uma garota certinha, nunca fui uma.

Robson    – Não quero que você seja uma, Iris, quero que você seja do jeito que você é.

Iris      – Então perfeito. Sobre o que mais quer falar?

Robson    – Não quero ser só seu ficante. Eu quero ser seu namorado.

Iris      – Isso é um pedido?

Robson    – É? Eu não sei.

Iris      – Se for um pedido, eu aceito.

Robson    – (sorri) Então, sim, é um pedido.

Eles se beijam.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Pérola está sentada no sofá, encarando a porta, ansiosa. Lauro entra e ela se aproxima.

Pérola    – Podemos conversar agora, Lauro?

Lauro     – Não!

Pérola    – E porque não?

Lauro     – Porque eu estou cansado e porque a minha conversa com a Nádia não foi das mais agradáveis.

Pérola    – Vocês brigaram? Eu sinto muito. Mas eu quero conversar sobre o meu trabalho, Lauro.

Lauro     – Hoje não!

Pérola    – Pra ela você tem um tempinho, mas pra mim não? (pausa) Vocês treparam?

Lauro     – Pelo amor de deus, não! Pérola, não!

Pérola    – Como eu vou saber? Vocês podem ter transado e depois brigaram, sei lá.

Lauro     – Eu não transei com ela! (pausa) Ela é a minha irmã, ela acabou de descobrir isso e me contou.

Pérola    – Meu deus! Como assim? Você namorou sua irmã?

Lauro     – Isso! E é por isso que eu quero ir dormir porque não aguento mais. Eu cansei por hoje!

Ele sobe as escadas e Pérola, ainda chocada, vai atrás.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Alberto está deitado na cama. Gina entra e senta ao lado dele.

Gina      – Agora que a Célia é a vice-prefeita da cidade, ainda acha melhor não fazer nada?

Alberto   – Essa é a melhor estratégia contra elas: acredite! Eu tenho certeza que a Célia vai fazer merda e carregar a Suzana junto.

Gina      – Mas eu ainda acho que você deveria fazer alguma coisa, Alberto, nem que seja irritar elas.

Alberto   – Isso eu posso fazer. É uma boa ideia até, mas não vou fazer isso agora, ela acabou de assumir. É melhor esperar.

Gina sorri e deita ao lado dele. Eles se beijam.

 

CENA 06. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/NOITE:

O policial entrega a comida do Marcos e do Mário. Mário começa a comer, Marcos nem olha pra comida.

Mário     – Não vai comer? A comida não é tão ruim assim.

Marcos    – Não estou com fome.

Mário     – Você deveria comer, Marcos. Faz mal ficar sem comer.

Marcos    – E você deveria calar a boca.

Mário     – Ui! Essa doeu hein, não precisava dessa.

Marcos    – Cala a merda da boca, Mário. Meu deus! Como a Zélia te aguentava?

 Ele deita na cama, ignorando o Mário que continua comendo.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Dias depois

Nádia e Omar estão sentados à mesa, tomando café. Thiago os serve.

Nádia     – Cadê a mãe?

Omar      – Passei por ela e ela estava se arrumando, e não estava usando roupa preta.

Nádia     – Isso é ótimo. Significa que ela saiu do luto.

Thiago    – Ela tinha mencionado algo envolvendo o Mário.

Omar      – Deve ser o divórcio.

Nádia     – Isso também é ótimo. Ela nunca o amou o Mário do jeito que amou o César.

Omar      – É mesmo, mas o mais importante disso tudo é que o pai está preso.

É nesse momento que a Zélia entra, toda sorridente.

Zélia     – É mesmo, filho, mas além disso é ótimo que eu vou poder me ver livre do Mário.

Nádia     – Tem razão, mãe.

Zélia     – Estou indo lá agora mesmo. O Felippo não conseguiu chegar aqui a tempo, vou mandar a cópia do documento pra ele por e-mail.

Omar      – E pode isso?

Zélia     – Ele disse que podia, nem sei. Só sei que quero me ver livre do seu pai.

Ela dá um beijo nos dois e sai.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Clara desce as escadas e se aproxima da Eleonora que está sentada, lendo uma revista.

Clara     – Estou indo lá na farmácia fazer o teste.

Eleonora  – Você quer que eu torça para que seja positivo ou negativo?

Clara     – Positivo.

Eleonora  – Então vai ser positivo. Pensa no que quer e vai, eu sei que você e o Omar serão ótimos pais.

Clara     – Obrigada, Eleonora.

Ela sai, sorrindo.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Robson está sentado na cama. Pérola entra e senta ao lado dele.

Pérola    – Está pronto para voltar ao batente?

Robson    – Achei que estava, mas agora que está chegando a hora, nem sei. É a Marilda que morreu naquele terreno.

Pérola    – Eu sei, é difícil. Mas lembre-se que estamos fazendo isso por ela. Pela imagem dela. Pelo desejo dela.

Robson    – Eu sei, mas mesmo assim não consigo acreditar que estou voltando a trabalhar sem ela.

Pérola    – Nós vamos conseguir, Robson. Eu sei que vamos.

Ela segura a mão dele, o confortando.

 

CENA 10. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Zélia entra no corredor e se aproxima da cela do Mário, ele levanta e se aproxima. Marcos à parte.

Zélia     – Está na hora, Mário, a hora de assinar o divórcio.

Mário     – E se eu não assinar?

Zélia     – Eu entro na justiça dizendo que você foi posto pra fora de casa e que não estamos mais juntos. Além de que, você está preso.

Mário     – Cadê o Felippo?

Zélia     – No Rio de Janeiro, cuidando de um caso mais importante que um casal se separando.

Mário     – Ele deveria estar aqui: é o nosso advogado.

Zélia     – Você não se importa com isso, está querendo que ele venha pra que ele possa te defender, não?

Mário     – É nisso que pensa? Pois é verdade! Ele é meu advogado e deveria estar me defendendo, me tirando dessa pocilga.

Zélia     – Bom, ele não está aqui porque eu não chamei. Eu o contratei então ele não é seu advogado: é meu!

Mário     – Mas ele cuida dos negócios da nossa família: é nosso!

Zélia     – Não mais, eu disse pra ele que você não estava mais interessado no trabalho dele: é meu!

Mário     – Está certo, é seu! Mas eu tenho direito a um advogado, Zélia.

Zélia     – Que eu saiba você recusou todos os defensores públicos que o Leonel te ofereceu.

Mário     – Não quero ser defendido por um defensor público de merda. Eu quero um advogado formado, de respeito.

Zélia     – Vai ficar querendo. (ríspida) Assina logo isso que eu não aguento mais olhar pra essa sua cara.

Mário     – Me dá o papel.

Ele pega o papel e a caneta, e assina. Zélia sai andando. Ele bufa.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Campainha tocando. Lauro e Amparo descem as escadas, se olhando.

Lauro     – Eu atendo a porta ou você atende?

Amparo    – Pode deixar que eu atendo, Lauro.

Ela se aproxima da porta e a abre. O advogado Nicolau (branco, cabelos brancos, gordinho) entra.

Amparo    – Muito obrigado por ter vindo até aqui.

Nicolau   – Como você está, Amparo?

Amparo    – Acredito que todos nós ainda estamos chocados, mas estamos indo.

Nicolau   – É claro. (olha pro Lauro) Lauro! Como você cresceu.

Lauro     – Obrigado por ter vindo. O meu pai sempre falava sobre você.

Nicolau   – Ele era um grande homem. Eu nem acreditei quando recebi a ligação que o César havia morrido. Muito jovem.

Lauro     – É mesmo.

Os três se sentam no sofá.

Nicolau   – Eu tenho que ser rápido. Preciso voltar pra capital ainda hoje. Gostaria de ir direto para o testamento.

Lauro     – É claro, nós entendemos. Pode ir direto ao ponto.

Nicolau   – Ótimo.

Ele abre a mala e tira de lá o testamento do César. Lauro e Amparo se olham, aflitos. Nicolau começa a ler.

Nicolau   – (lê) Todos os meus bens devem ser divido em dois. O meu rancho e todo seu terreno deve ficar sob os cuidados do meu filho, Lauro, e daquela que sempre esteve ao meu lado, Amparo. A segunda parte que se refere a uma quantia de dinheiro e a joias deve ir para o Marcos, o meu fiel e melhor amigo.

Amparo    – Agora eu sou sócia disso aqui tudo juntamente com o Lauro, é isso?

Nicolau   – É isso mesmo. E onde está o tal Marcos?

Lauro     – Está preso, mas irei comunicá-la sobre isso.

Nicolau   – Comunique o mais rápido possível, o dinheiro da conta do César deve ser passado para a conta do Marcos logo.

Lauro     – Irei falar com ele agora mesmo, pode ficar tranquilo. E muito obrigado, mais uma vez.

Nicolau   – Não foi nada, já disse. O seu pai foi durante muito tempo o meu melhor amigo.

Os três levantam. Amparo abre a porta pra ele e ele sai.

Amparo    – Eu nem acredito que seu pai fez isso comigo, deixando isso aqui pra gente.

Lauro     – Não esperava menos de meu pai. Ele sempre foi grato por você estar sempre ao lado dele, Amparo.

Amparo    – Será que eu mereço isso tudo, Lauro?

Lauro     – É claro que você merece, mulher. Vá comemorar, sócia.

Amparo    – Obrigada, sócio.

Amparo entra na cozinha. E Lauro, sorrindo, sai pela porta da frente.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar andando de um lado pro outro. Clara sai do banheiro segurando o teste.

Clara     – Omar.

Omar      – Oi, fala. Eu estou pronto, pode falar, eu aguento.

Clara     – Nós estamos esperando um bebê, Omar. (pausa) Eu estou grávida!

Omar      – Oh meu deus. (sorri) Isso é ótimo! Nós vamos criar uma família, Clara.

Clara     – É, nós vamos. (pausa) Eu não imaginei que ficaria assim, tão assustada com isso.

Omar      – Mas você quer ter uma família comigo, não quer?

Clara     – É claro que eu quero, mas é que agora é real. É real! Eu estou grávida!

Ela sorri, ele sorri e eles se beijam.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está cozinhando. Zélia entra e se aproxima dele.

Thiago    – E aí? Como foi lá na delegacia, Zélia?

Zélia     – Foi ótimo, Thiago. Foi libertador! Eu sou uma mulher livre.

Thiago    – É claro que é, sempre foi. Você só não sabia isso.

Zélia     – É mesmo.

Ela, toda sorridente, pega uma maça e sai comendo.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo estoura um champanhe e bebe numa taça. Robson e Pérola entram.

Pérola    – Amparo?

Amparo    – Oi (a encara, ri) o champanhe? O testamento do César foi lido e eu sou sócia do Lauro agora. Estou comemorando.

Robson    – Isso é ótimo, Amparo. Meus parabéns.

Pérola    – Nós vamos trabalhar no pasto, Amparo, com licença.

Amparo    – O Lauro não está aqui, Pérola, não acha melhor esperar ele voltar?

Pérola    – Não!

Robson    – Ele sabe que a gente voltou a trabalhar, ele não precisa estar aqui.

Amparo    – Então tá, bom trabalho.

Eles saem. Amparo bebe o champanhe, sorrindo.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson entram no pasto. Eles olham pras terras onde a Marilda morreu, se lembram. Mas não se abalam e ficam a trabalhar.

 

CENA 16. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Lauro se aproxima da cela do Marcos. Ele levanta. Mário à parte.

Marcos    – Não deveria estar aqui, Lauro.

Lauro     – Eu estou bem, Marcos. A Amparo me contou tudo, não deveria estar aqui por causa de mim.

Marcos    – Se você está bem é porque eu estou aqui. Não posso arriscar, Lauro.

Lauro     – Não estou aqui pra falar sobre esse traste e sim sobre o meu pai. O testamento dele foi lido e você estava nele.

Marcos    – Não queria nada dele, mas o sei pai é teimoso.

Lauro     – Ele não ia morrer sem deixar algo pra você, pra mim e pra Amparo.

Marcos    – O que ele deixou?

Lauro     – Dinheiro e algumas joias pra você. O dinheiro precisa ser transferido pra sua conta o quanto antes segundo o advogado.

Marcos    – Pode passar pra sua conta, é melhor não falar sobre a minha conta aqui. As paredes têm ouvidos! Passa pra sua e depois eu pego. Quanto as joias, guarde elas, não vou precisar delas aqui.

Lauro     – Ok, eu vou fazê-lo. Fica bem aí, ok? Eu estou bem.

Marcos    – Eu também estou bem e só vou continuar bem, se você continuar vivo.

Lauro sorri e sai. CÂM mostra o Mário, pensativo sobre o que escutou.

 

CENA 17. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Gina está andando no corredor. Alberto a alcança.

Alberto   – Gina!

Gina      – Oi, querido.

Alberto   – Estava pensando no que disse e acho que está certa: está mais do que na hora de agir.

Eles andam pelo corredor, conversando em off.

 

CENA 18. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos senta na cama. Mário levanta e se aproxima da grade que os separa.

Mário     – Marcos.

Marcos    – O que você quer?

Mário     – O que você acha da gente fugir daqui, hein?

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 37

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados mexendo em uns papeis. Zélia entra e se aproxima.

Agatha    – Zélia?

Leonel    – Nós íamos mesmo entrar em contato com o Mário.

Zélia     – Eu estou aqui para ajudar no que for preciso. Eu quero o meu marido na cadeia!

Leonel    – O que?

Zélia     – É isso mesmo que vocês escutaram. Está na hora da justiça ser feita, não acham?

Agatha    – É claro que sim, só estamos surpresos que está se voltando contra ele.

Leonel    – E ainda mais sendo a vice-prefeita da cidade.

Zélia     – A novidade não chegou até vocês? Não sou mais a vice dessa cidade, a Célia é. Não tenho mais nada a perder, Leonel.

Agatha    – Entendo.

Leonel    – Por onde você quer começar? É melhor se sentar.

Zélia     – (senta) Vamos começar pelo começo. O meu marido matou a Marilda e eu apaguei os vídeos de segurança com a ajuda do Felippo e da Suzana para que ele pudesse ser solto.

Agatha    – Com que ele matou? Não encontramos a arma do crime.

Leonel    – Nós achamos que ela pode ser uma enxada, mas não temos certeza e nem sabemos onde é que ela foi parar.

Agatha    – O seu marido deu um fim nela? Jogou ela em algum lugar?

Zélia     – Não, ele já estava preso quando a enxada desapareceu. Eu fiz! Eu peguei a enxada e a joguei dentro da lagoa, aquela que fica afastada da cidade, joguei lá!

Agatha    – Você concorda em assumir a cumplicidade no crime?

Zélia     – É claro, eu errei e sei disso. Estou afirmando: eu ocultei a arma do crime!

Leonel    – Pode ficar despreocupada, não vai cumprir a pena. Está ajudando a polícia a resolver um caso.

Zélia     – Ótimo! O Mário matou a Marilda, mas não planejava fazê-lo. Ele entrou no rancho do César pra pegar as malditas pedras preciosas e foi quando a Marilda entrou, ele a matou, pegou as pedras e foi embora.

Agatha    – Foi a primeira vez que o seu marido matou alguém?

Zélia     – Ele levou a arma do crime pra nossa casa, deixou digitais dele em tudo. O que você acha?

Leonel    – Mas foi a última vez que ele matou alguém?

Zélia     – Cê tá me perguntando se ele matou o César? Não sei e não posso afirmar, mas acho que sim. Ele o matou! E tinha muitos motivos e não estou falando só das pedras preciosas.

Agatha    – Quais motivos?

Zélia     – Pra começar eu e o César tivemos um caso na juventude, mas o Mário nunca esqueceu essa traição. Todo o lance de disputa de terras e de vendas, além das pedras preciosas.

Leonel    – O seu marido ameaçou o Marcos?

Zélia     – Não sei, mas ele disse que “deu um jeito” pode ser que sim. Pode ser que não, o Mário enlouqueceu depois que ele matou a Marilda, tudo ele quer resolver na base da violência agora. Então, sim, ele pode ter ameaçado do Marcos de algum jeito. (pausa) Mas se ele matou o César, não sei da onde ele tirou aquela arma. Nós nunca tivemos uma, mas ele pode ter comprado ou até roubado uma daqui.

Agatha    – Isso é impossível! Nós não demos falta de nenhuma arma, Zélia. É mais provável que ele tenha comprado uma ou algum bandido tenha dado pra ele.

Leonel    – De qualquer forma, obrigado. Nós vamos terminar os relatórios, pegar a arma do crime na lagoa e nós vamos prender o Mário.

Agatha    – Ele sabe que você está aqui?

Zélia     – Sabe.

Agatha    – Diga a ele que nós não acreditamos em você, que você não tinha provas o suficiente, invente alguma coisa e faça ele acreditar na mentira.

Zélia     – Porque?

Agatha    – Porque assim ele vai se sentir confiante e não vai fugir da cidade.

Leonel    – Muito obrigada, Zélia.

Zélia     – Não foi mais do que a minha obrigação, Leonel.

Zélia levanta e sai. Agatha e Leonel se encaram, confiantes.

Agatha    – Nós o pegamos, pai!

Leonel    – Não tinha dúvida que isso ia acontecer. E agora: não vai ter prefeita que tire ele da cadeia.

Agatha    – Ao trabalho! 

Leonel continua sentado, Agatha levanta e sai.

 

CENA 02. DELEGACIA/PÁTIO/INTERIOR/DIA:

Agatha sai e olha todos os policiais, alguns parados e outros em movimento.

Agatha    – Atenção! Nós temos muito trabalho a fazer.

Eles escutam as ordens que Agatha dá em off, atentos.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nádia e Iris conversando, a primeira tomando água bem mais calma.

Iris      – Então quer dizer que o Lauro é seu irmão? Meu deus! Eu vi vocês dois transando, aos beijos.

Nádia     – Eu sei, se é horrível pra você, imagina pra mim. Não estou sabendo lidar com isso não.

Iris      – Imagino, amiga, mas eu estou aqui contigo. (pausa) Como sua mãe fez isso contigo?

Nádia     – A culpa não é exatamente dela. Ela tá errada, mas era outros tempos e ela escolheu a família com o Mário do que o arriscado com o César.

Iris      – Tá certo, mas mesmo assim. Ela deveria ter dito alguma coisa tipo “não fica com ele porque ele é seu irmão”

Nádia     – (ri) Só você mesmo pra me fazer ri numa hora dessas.

Iris      – Pera aí que eu não tinha pensado nisso antes: eu transei com o seu irmão?

Clara entra nesse momento, estranhando. Ela se aproxima da Iris. 

Clara     – É o que?

Iris      – Calma, Clara. Não estou falando do seu homem, estou falando do outro irmão.

Clara     – Você tem outro irmão?

Nádia     – Tenho e é o Lauro.

Clara     – É o que?

Iris      – Também estou chocada, é muito para se processar, mas essa é verdade: Laura e Nádia são irmãozinhos.

Clara     – O Omar tinha me chamado lá, tava todo estranho, deve ser por isso então.

Nádia     – Aí tadinho. Minha largou a bomba e sai, eu vim atrás da Iris e acabei deixando ele sozinho com o meu pai/ quer dizer, com o Mário.

Clara     – Eu vou lá dá uma força pra ele então.

Clara sai.

Iris      – O Lauro sabe dessa informação?

Nádia     – Não, mas eu preciso contar pra ele. Vou pedir pra ele me encontrar na praça.

Iris      – Faça isso! O coitado precisa saber que ainda tem gente vivo na família dele.

Nádia     – É mesmo. 

Ela pega o celular e faz uma ligação.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola e Lauro sentados, assistindo TV. Ela pega o controle e a desliga. Ele a encara.

Lauro     – Porque fez isso?

Pérola    – Porque nós precisamos conversar, Lauro.

Lauro     – Conversar sobre o que?

Pérola    – O seu pai foi enterrado e eu não consigo nem imaginar o quanto isso foi difícil, mas eu quero voltar a trabalhar.

Lauro     – Nós já conversamos sobre isso e você prometeu esperar até tudo isso do meu pai acabar.

Pérola    – E eu vou esperar, mas eu quero saber uma data. Quando?

Lauro     – Quando eu me sentir bem, Pérola, e no momento eu não estou bem.

Pérola    – Mas não tem nenhuma data, Lauro, nenhuma previsão?

Lauro     – Não, droga! A sua amiga morreu naquele terreno e você quer voltar a trabalhar ali? Porque?

Pérola    – Porque eu quero fazer isso por ela, Lauro. Trabalhar por ela, conseguir aquelas pedras por ela!

O celular do Lauro toca e ele atende. Pérola revira os olhos.

Lauro     – Droga! (atende) Alô. O que aconteceu? Eu estou indo pra lá. (desliga) Depois a gente termina essa conversa.

Pérola    – Depois? Sempre é depois. Quem era no telefone?

Lauro     – A Nádia, ela precisa falar comigo.

Pérola    – E ainda tem a Nádia. Num minuto ela está gritando contigo, te chamando de sem coração no meio pra praça pública e no outro, está sendo sua melhor amiga? Vá à merda!

Lauro     – Eu não posso culpá-la por ficar puta comigo, Pérola. Eu a traí contigo!

Pérola    – E ela precisa seguir em frente, Lauro.

Lauro     – E ela está seguindo. Nós nos falamos no cemitério hoje é porque ela quer voltar a ser minha amiga. E agora está estranha, deve ter acontecido alguma coisa e eu vou ajudá-la.

Pérola    – Claro! Vai lá! Depois a gente conversa, comigo é sempre depois mesmo.

Lauro bufa, levanta e sai. Pérola pega o controle e liga a TV de volta.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário está sentado no sofá, inquieto. Zélia entra e ele levanta, se aproximando.

Mário     – E aí? Eles estão vindo me prender, não estão?

Zélia     – Não!

Mário     – Não? Como assim, não? Cê não foi lá na delegacia me entregar? Amarelou, Zélia?

Zélia     – Não, não amarelei. Eu fui! Eu entreguei! Mas aparentemente eu não tenho provas o suficiente. Então pode comemorar: continua solto!

Mário     – Idiota! É claro que você não tem provas: eu não fiz nada do que você me acusa! Idiota! Vai ter que aturar, Zélia.

Zélia     – Não por muito tempo, Mário. Eu quero o divórcio! 

Zélia sobe as escadas e nem dá tempo do Mário responder. Ele sorri.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar está deitado na cama. Clara entra e senta ao lado dele.

Clara     – Nádia me contou o que aconteceu. Eu nem consigo imaginar, Omar, pelo que vocês estão passando ultimamente. (pausa) Quer conversar sobre isso?

Omar      – Não. Podemos só ficar deitados agarradinhos?

Clara     – Essa opção é ótima, é claro que podemos.

Omar      – Obrigado.

Ela deita com ele e ficam agarradinhos.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Thiago está andando de um lado pro outro. Amparo e Leila entram, se aproximando.

Amparo    – O que é tão urgente, Thiago? Estava desesperado no telefone.

Leila     – É mesmo. O que aconteceu?

Thiago    – Muita coisa aconteceu. Cês não estão entendendo.

Amparo    – Começa pelo começo.

Thiago    – Pra começar: Zélia jogou uma bomba. Ela disse que a Nádia não é filha do Mário.

Amparo    – É o que?

Leila     – E se não é dele, é de quem?

Thiago    – Outra bomba que a Zélia jogou: a Nádia é irmã do Lauro, filha do César.

Leila     – Meu deus! Todos os beijos, caricias e coisas que eles fizeram e todo esse tempo: eram irmãos!

Amparo    – É por isso que a Zélia estava na missa do César, não entendemos quando a vimos, mas agora… meu deus!

Thiago    – E tem mais: aparentemente esse caso durou muito, só acabou quando a Zélia terminou com o César pra construir uma família com o Mário, e daí nasceu o Omar.

Leila     – O Mário sempre soube desse caso?

Thiago    – Pelo visto sim, eles fizeram um trato de esquecer tudo isso. Mas a Zélia cansou de mentiras.

Amparo    – Só espero que ela vá na delegacia e conte a verdade sobre o marido dela.

Thiago    – Ela fez isso, na verdade acabou de voltar de lá.

Leila     – Ótimo! Espero que esse filho da mãe seja preso e fique pra sempre na cadeia.

Amparo    – Somos duas! 

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 08. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Nádia está sentada no banco, Lauro se aproxima e senta ao lado dela. Nádia conta em off, Lauro reage chocado.

 

CENA 09. LAGOA/EXTERIOR/DIA:

Leonel e alguns policiais na beira da lagoa. Um nadador surge da água segurando a arma com todo cuidado. Leonel sorri.

 

CENA 10. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos está sentado na cama, pensativo. Agatha anda pelo corredor e se aproxima.

Marcos    – Bom dia.

Agatha    – Bom dia, Marcos. Eu vou ser bem direta: o Mário te ameaçou?

Marcos    – Não!

Agatha    – A Amparo nos contou a verdade, Marcos. Ela disse o que você falou pra ela. E além disso, a Zélia contou que o Mário matou a Marilda e disse que acha que ele matou o César. Conte-nos a verdade.

Marcos    – Não! Eu não posso, Agatha. Se eu faço, ele mata o Lauro.

Agatha    – Então ele ameaçou o Lauro? E fez você se entregar?

Marcos    – Não posso confirmar nada disso, Agatha. Se ele machucar o Lauro… tudo acaba. Toda a minha ligação com o César acaba e eu não posso deixar isso acontecer.

Agatha    – Eu entendo. Mas o que é importante pra você saber é que o Mário está sendo preso nesse exato momento. Ele não vai poder fazer mal nenhum ao Lauro.

Marcos    – Não é só ele, Agatha. Ele não está sozinho, eu sei disso. Eu não posso arriscar.

Agatha    – Você que sabe. Se não contar, eu não posso te ajudar.

Ele agacha a cabeça. Agatha entende o recado e sai andando.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário olhando o horizonte, confiante, sorrindo. Leonel entra com os policiais, a confiança de Mário cai por terra. Leonel o prende, ele se vira e encara a Zélia que sorri. Ele a fuzila com o olhar, Leonel o leva.

 

CENA 12. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Um policial bota o Mário dentro de uma cela que fica ao lado da cela do Marcos. O policial vai embora, Mário e Marcos se encaram.

Mário     – Olá, Marcos.

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

FALSO HORIZONTE | Capítulo 36

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário sendo segurado pelo Thiago e pelo Omar. Nádia encarando tudo.

Nádia     – Que verdade, mãe?

Zélia     – O seu pai, Nádia, não é o Mário. O seu pai é/

Mário     – (corta) Cala a boca! Eu sou o pai dela! Eu a criei!

Zélia     – O seu pai, Nádia, é o César. Ele é o seu pai! E o Mário matou o seu pai!

Thiago e Omar soltam o Mário, que encara a Zélia e a Nádia.

Omar      – É o que?

Thiago    – Como isso aconteceu?

Zélia     – Eu sinto muito em te contar assim, mas essa é a verdade.

Nádia     – E porque me escondeu isso por todo esse tempo?

Zélia     – Foi errado, eu sei. Mas esse foi o trato que eu tive com o Mário. Eu o trai e por mais que amasse o César, tinha ficado grávida do Omar e não podia largar tudo por causa do César então eu fiquei com o Mário e ele criou você como se fosse filha dele.

Omar      – E eu?

Zélia     – Você é filho do Mário, não podia ser filho do César porque não estava mais com ele.

Nádia     – É muita coisa pra processar, mãe.

Mário     – Não escuta o que ela está dizendo, Nádia, você é a minha filha!

Nádia     – Eu sou a sua filha porque você me criou, mas eu sou a filha do César e não posso negar isso agora que eu sei da verdade.

Zélia     – Desculpa falar assim, mas eu estou tão cansada dessas mentiras, dessas falsidades. Tudo isso só gerou coisas ruins na minha vida e está na hora disso acabar.

Nádia     – Eu entendo, mãe.

Elas se abraçam.

Thiago    – Tem uma coisa que vocês não estão pensando: a Nádia namorou com o próprio irmão?

Nádia senta no sofá, chocada. Zélia confirma com a cabeça.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro e Pérola entram na sala. Eles deitam no sofá, abraçados.

Lauro     – Agora que o enterro foi realizado me sinto tão mais leve. E eu não sei porque.

Pérola    – Eu entendo, senti a mesma coisa quando a Marilda vou velada.

Lauro     – O que padre disse ajudou também. Eu sei que o meu pai está num lugar melhor agora, mas ouvir isso de alguém religioso é diferente.

Pérola    – Eu entendo e sei como é. As coisas agora vão ficar melhores, Lauro, eu sei vai. O seu pai está de olho na gente, feliz por você.

Lauro     – Espero que esteja mesmo.

Eles se beijam e ficam abraçados.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo entra e encontra a Leila sentada, bebendo uma água. Ela se aproxima.

Amparo    – Ei!

Leila     – Ia até o cemitério, mas nem deu. Como está?

Amparo    – Estou bem, estou indo, estou sei lá. É uma sensação estranha.

Leila     – Eu imagino.

Amparo    – Antes de ir no cemitério, dei uma passada na delegacia pra conversar com o Marcos.

Leila     – E como foi?

Amparo    – Não foi ele, Leila. Foi o Mário! O Mário chegou pro Marcos e mandou ele assumir a culpa se não ia matar o Lauro.

Leila     – Cês precisamos provar que isso aconteceu. O Mário não pode ficar livre assim.

Amparo    – Não mesmo, mas agora o meu foco é proteger o Lauro. Eu não vou deixar ninguém chegar perto dele.

Leila     – Eu sei que não.

Elas continuam conversando em off.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia sentada encarando a Zélia.

Nádia     – Meu deus! Eu não tinha pensado nisso.

Thiago    – Desculpa, mas foi a única coisa que eu consegui pensar.

Zélia     – É por isso que eu não queria esse relacionamento. É por isso que eu disse que vocês não podiam ficar juntos.

Nádia     – Não era mais fácil dizer que ele é meu irmão? Meu deus!

Omar      – Mãe, tudo poderia ser evitado se você tivesse contado.

Mário     – Esse relacionamento não deveria ter acontecido, Nádia. Nunca! E isso vai desde o fato de vocês serem irmãos até o fato dele ser filho do César.

Nádia     – É muita coisa pra pensar, é muita coisa pra raciocinar.

Zélia     – É tudo que eu tinha pra dizer a vocês, eu sei que eu errei, mas estou tentando consertar meus erros. Está na hora de eu consertar outros.

Omar      – O que quer dizer?

Zélia     – O seu pai, Omar, matou a Marilda e eu não posso mais ver ele livre.

Mário     – Você não é maluca de me entregar pra polícia.

Zélia     – Não sou?

Mário     – Se eu for, você vai junto Zélia e você sabe disso.

Eles se encaram.

 

CENA 05. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha entra e se aproxima do Leonel, que está sentado na cadeira.

Agatha    – Eu tô querendo falar com o Mário sobre o que a Amparo disse.

Leonel    – Eu também. Está na hora de chamarmos ele aqui para conversar sobre isso.

Agatha concorda e senta ao lado do pai.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia e Mário se encarando.

Mário     – Você escondeu a arma do crime, Zélia. É tão culpada quanto eu!

Omar      – Mãe!

Nádia     – Você fez o que, mãe?

Zélia     – Eu fiz! Mas fiz por causa do cargo de vice-prefeita, queria tirar esse traste da cadeia pra limpar o meu nome. Mas agora não me importo mais! Não estou mais no cargo mesmo então não tenho mais nada a perder.

Thiago    – Não está?

Zélia     – Não, me tiraram do cargo tudo por causa daquela idiota da Célia. Mas não me importo. Eu estou me sentido livre com essas verdades e justiças sendo feitas.

Mário     – Tem mesmo coragem de fazer isso?

Zélia     – Está mesmo duvidando da minha coragem, Mário?

Ela sai andando. Mário vai atrás.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Zélia andando, Mário atrás. Ele consegue alcança-la e pega no braço dela.

Mário     – Para com essa palhaçada! Já conseguiu estragar a Nádia com aquela merda de verdade e agora quer me ver preso? Você é a ruina dessa família, sempre foi! A fruta pobre do saco.

Zélia     – Eu que sou a fruta pobre? Eu que bati no meu marido e quase matei ele grávido? Eu que matei uma menina inocente por causa de diamante? Eu que matei um homem covardemente? Eu Mário?

Mário     – Eu não matei o César! Tudo isso que está fazendo é por causa disso? É idiota! Eu não o matei!

Zélia     – Matou! Eu sei que foi e não foi, sei que tem algo a ver com isso. Não sabe nem mentir! Idiota!

Mário     – Você está acabando com essa família, Zélia.

Zélia     – Isso o que a gente tem nunca foi uma família, Mário. Acorda!

Ela consegue se soltar e sai andando. Mário pensa em ir atrás, desiste.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia, Thiago e Omar se encarando, assustados e confusos.

Thiago    – Meu deus! O que acabou de acontecer aqui?

Omar      – Não sei e estou tentando entender até agora.

Nádia     – Eu só sei que quero sair daqui agora mesmo.

Nádia sai e Omar vai atrás, preocupado.

 

CENA 09. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Nádia saindo andando e Omar a alcança.

Omar      – Pra onde você vai?

Nádia     – Pro bordel, eu preciso sair daqui o mais rápido possível.

Omar      – Me liga, muita coisa aconteceu e você não está me bem.

Nádia o beija e sai. Mário entra e Omar o encara.

Omar      – Eu nunca o considerei o melhor pai do mundo, mas não imaginava que fosse tão ruim assim.

Mário     – Palhaçada! Todo mundo volte-se contra mim agora?

Omar      – É a verdade, pai.

Mário     – Já que está todo mundo falando de verdades, eu quero ouvir uma sua: onde está as minhas pedras?

Omar      – O que?

Mário     – Meus diamantes que eu roubei do César. Eles sumiram! Não foi o César que os pegou e nem a Zélia, então, cadê?

Omar      – Não sabia que você tinha diamantes, pai, se eu tivesse pego não estaria mais aqui.

Mário     – Foi aquela sua putinha? Ela fica dentro da minha casa, pode ter pego.

Omar      – Nunca mais fala assim da Clara. Tá me escutando? Nunca mais!

Ele entra na casa. Mário bufa e entra atrás.

 

CENA 10. PREFEITURA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Célia sai da sala e se encontra com a Divina. Ela dá um grito, a Divina entende e comemora.

Divina    – Meu deus! Não acredito que nós conseguimos.

Célia     – (corrige) que eu consegui.

Divina    – Eu ajudei!

Célia     – Não fez mais do que sua obrigação como irmã. O fato é que agora nós conseguimos derrubar a Zélia.

Divina    – E qual é o próximo passo?

Célia     – Derrubar a Suzana, é claro. E como nós vamos fazer isso eu ainda não sei, mas vamos arranjar um jeito.

Elas saem andando comemorando.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana entra em casa e Leila se aproxima.

Suzana    – Que cara é essa?

Leila     – Cara que diz que muita coisa aconteceu.

Suzana    – O que aconteceu?

Leila     – Marcos foi preso pela morte do César, mas na verdade ele só assumiu a culpa porque o Mário mandou se não ele iria matar o Lauro.

Suzana    – Isso significa que ele é o assassino? Isso significa que eu fiz algo certo?

Leila     – Sim e sim.

Suzana    – Isso é ótimo. A Zélia tinha que ter saído e foi ótimo, o meu problema agora vai ser controlar as irmãs.

Leila     – Se eu fosse você abria o meu olho com elas.

Suzana    – Eu sei o que elas querem, Leila, mas elas não vão conseguir tirar essa prefeitura de mim.

Ela sobe as escadas. Leila sorri.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Iris e Robson andam pelo corredor, conversando.

Robson    – Nem deu pra gente conversar sobre o que está acontecendo conosco.

Iris      – Não, muita coisa acontecendo. Mas vamos nos encontrar mais tarde.

Robson    – Marcado então.

Eles se beijam. Robson vai pra um lado e Iris pra outro.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Iris desce as escadas e é quando a Nádia entra. Elas se aproximam.

Iris      – O que aconteceu?

Nádia     – Tá tão obvio assim que eu estou mal?

Iris      – Está escrito na sua testa! Pode falar.

Nádia abraça a Iris e desata a chorar. Iris se assusta, mas a consola.

 

CENA 14. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Agatha e Leonel sentados mexendo em uns papeis. Zélia entra e se aproxima.

Agatha    – Zélia?

Leonel    – Nós íamos mesmo entrar em contato com o Mário.

Zélia     – Eu estou aqui para ajudar no que for preciso. Eu quero o meu marido na cadeia!

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 35

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, eles conversam sobre o caso. Marcos entra e se aproxima.

Leonel    – Rafael?

Marcos    – Eu matei o César. (pausa) Eu o matei! Eu!

Agatha    – É o que, Rafael?

Marcos    – Eu não sou o Rafael, eu sou o Marcos, eu sempre fui o Marcos. Eu atirei no meu pai, eu matei o César.

Leonel    – Senta, Marcos, respira e nos diga exatamente o que aconteceu.

Agatha    – Desde o início.

Marcos    – (senta) Eu sempre fui apaixonado pelo César, aí meu descobriu e me humilhou, me bateu por ser gay. Eu atirei nele pra me defender, achei que ele fosse me matar e depois que eu atirei, achei que tinha matado ele. Me desesperei e sai correndo, fugi. E só descobri que o meu pai estava vivo quando cheguei aqui e o César me contou. (pausa) Eu voltei pra cá pra poder voltar a ter uma relação com o César, eu o amo, e ele não retribui esse amor.

Leonel    – E você o matou por isso?

Marcos    – Não só por isso, ele estava tendo um caso com a Amparo. Eu descobri, me enfureci e o matei. Não era a minha intenção, eu juro.

Agatha    – E porque está assumindo tudo isso agora?

Marcos    – Porque eu vi a tristeza nos olhos da Amparo e do Lauro, não posso fazer isso com eles. A justiça precisa ser feita pelo César e é isso: eu o matei!

Leonel    – Você tem certeza disso? Assumindo tudo isso vai pegar anos de cadeia. Falsa identidade, tentativa de homicídio, assassinato.

Agatha    – Você tem certeza que matou o César, Marcos?

Ele abaixa a cabeça. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro está sentado no sofá assistindo um filme, Pérola entra e se aproxima.

Pérola    – Eu falei com o padre. Está tudo certo pra amanhã.

Lauro     – Ótimo! Muito obrigado por tudo, Pérola.

Pérola    – Não foi nada. Está assistindo o que?

Lauro     – O filme preferido do meu pai. Senta e vê comigo.

Pérola    – (senta) Não queria falar contigo sobre isso agora, mas acho que é preciso: eu posso trabalhar nas terras de seu pai?

Lauro     – O que?

Pérola    – Eu tô querendo voltar a trabalhar por mim e pela Marilda, e trabalhar nas terras de seu pai vai ser ótimo. Eu quero muito fazer isso.

Lauro     – Eu tinha até me esquecido dessas malditas pedras. Marilda morreu por isso e agora o meu pai, o Mário matou ele por inveja e você sabe disso.

Pérola    – Eu sei, mas esse é o meu trabalho e eu quero fazê-lo.

Lauro     – Está bem, pode sim. Mas deixa tudo isso do meu pai acabar.

Pérola    – É claro, eu entendo.

Ela encosta sua cabeça no ombro dele, sorrindo.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia e Nádia estão deitadas na cama, a primeira está bem triste. Mário entra.

Mário     – Nádia, eu preciso falar com a sua mãe a sois.

Nádia     – Está tudo bem, mãe?

Zélia     – Está. Não posso evitar o seu pai pra sempre mesmo.

Nádia dá um beijo nela e sai. Mário senta ao lado dela.

Mário     – Pode botar um sorriso no seu rosto. O verdadeiro assassino do César foi preso.

Zélia     – Você ainda está aqui.

Mário     – Eu não o matei, o Marcos sim. Ele foi preso, acabei de ver.

Zélia     – O que você fez pra ele ser preso?

Mário     – Nada, a justiça agiu sozinha sem a minha ajuda.

Zélia     – Não foi ele, Mário. Eu sei que você! Eu sei! Eu sei quando você mente, quando você faz merda.

Mário     – Você está errada porque não fui eu, Zélia.

Ele levanta e sai.

 

CENA 04. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Marcos está cabisbaixo. Leonel e Agatha se encaram, ele ergue a cabeça.

Marcos    – É claro que eu tenho certeza. Eu o matei!

Agatha    – Você não parece ter matado ele, Marcos.

Marcos    – Mas o que é isso? Estão duvidando de mim? Isso não existe! Eu estou falando que eu matei é porque eu matei e acabou.

Leonel    – Alguém pediu pra você falar isso, Marcos?

Ele levanta e se aproxima do Marcos.

Leonel    – Hein, está sendo ameaçado ou algo do tipo?

Agatha    – Nós queremos e podemos de ajudar. É só dizer quem está fazendo isso.

Leonel    – É o Mário?

Marcos começa a chorar, ele pega a arma da cintura do Leonel e aponta pra ele. Agatha aponta a dela pro Marcos.

Marcos    – (chora) agora vocês acreditam em mim? Hein? Eu o matei! Droga! Eu o matei!

 Ele derruba a arma e se desespera. Leonel encara a Agatha que abaixa a arma.

Leonel    – Está bem, Marcos. Você o matou.

Agatha    – Você está preso por falsa identidade, homicídio e tentativa de homicídio.

Ela levanta e algema o Marcos. Ela abre a porta, um policial leva ele. Agatha e Leonel se encaram.

Agatha    – Não foi ele.

Leonel    – É claro que não foi. Alguém está ameaçando ele.

Agatha    – Mário?

Leonel    – Provavelmente, mas ou ele conta a verdade ou não vamos pode fazer nada.

Leonel pega a arma do chão e bota na cintura. Agatha o encara.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro e Pérola estão sentados, assistindo TV. Amparo entra e se aproxima.

Amparo    – Estão sabendo?

Pérola    – Do que?

Amparo    – Estava na rua e começaram a comentar que o Rafael se entregou. Ele matou o César!

Lauro     – O que?

Amparo    – É o que estão falando e pelo visto, é verdade. Ele se entregou.

Pérola    – Mas faz sentido? Ele amava o seu pai.

Lauro     – Não, não faz sentido.

Amparo    Ele pode ter sido ameaçado a se entregar, mas sei lá, pode ter sido ele também. Ele também assumiu que o nome verdadeiro dele é Marcos.

Lauro     – Isso era obvio desde o início, mas não sei se ele realmente matou o meu pai.

Pérola    – Ainda acha que o Mário?

Lauro     – Sim, eu ainda acho.

Os três se encaram.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Pessoas se juntando numa passeata liderado pela Célia e pela Divina.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda, Iris, Robson, Clara, Gina e Alberto estão sentados, conversando. Eleonora entra e se aproxima.

Eleonora  – Ei! Estão sabendo que aquele amigo do César foi preso pelo assassinato dele.

Nilda     – Mentira!

Robson    – Eu ainda acho que é o Mário, a prisão do Rafael pode ter sido influenciada pela Zélia e a Suzana.

Alberto   – Concordo com ele.

Clara     – Por falar nisso, a manifestação da Célia e da Divina devem está pra começar.

Iris      – Eu vou assistir de camarote. Alguém vem comigo?

Clara     – Eu vou.

Robson    – Eu também.

Robson, Clara e Iris saem. Eleonora senta ao lado da Nilda.

Gina      – Não acho que foi tão fácil assim. O Mário tem algo a ver com essa morte.

Nilda     – Ele, a Zélia e a Suzana.

Alberto   – É claro.

Eleonora  – Nós precisamos ficar de olho nesses três para que o Alberto assuma logo a prefeitura

Gina      – Nós estamos de olhos bem aberto.

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOTIE:

Amparo entra e se aproxima do telefone. Ela disca os números.

Amparo    – Thiago? O Marcos foi preso pela morte do César, avisa a todos aí e a Leila.

Ela desliga e sai da cozinha.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago desliga o telefone e encara a Leila, que estranha.

Thiago    – O Marcos foi preso pelo assassinato do César.

Leila     – Mas não era obvio que tinha sido o Mário?

Thiago    – Pelo visto não. Eu preciso avisar o pessoal.

Leila     – E eu a Suzana.

Eles se beijam, ela sai por um lado e ele pelo outro lado.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, toda de preto, Mário, Nádia e Omar estão sentados à mesa, jantando. Thiago entra e se aproxima.

Thiago    – Não sei se vocês sabem, mas o Marcos foi preso pelo assassinato do César, então não foi o Mário.

Nádia     – O Marcos?

Omar      – É aquele amigo do César? Eu achei que fossem melhores amigos.

Nádia     – Eu também.

Mário     – As aparências enganam.

Zélia     – Não parece ser ele é porque não foi ele, gente. Não foi o Marcos!

Nádia     – E quem foi mãe?

Zélia     – O seu papai! Ele matou o César, ele deve ter armado pro pobre do Marcos ser preso.

Omar      – Foi você pai?

Mário     É claro que não! Isso é loucura da sua mãe.

Zélia     – Cansei de ficar no mesmo comado que você. (ao Thiago) Eu vou comer a sobremesa no meu quarto.

Ela sai, Omar e Nádia se encaram.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada a mesa, comendo. Leila entra e se aproxima.

Leila     – Suzana, não sei se você já sabe, mas o Marcos foi preso pelo assassinato do César.

Suzana    – Marcos é aquele amigo? Não foi ele, certeza que foi o Mário.

Leila     – Como tem tanta certeza?

Suzana    – Zélia está me evitando, não tem ido trabalhar, ela sabe que seu cargo está comprometido.

Leila     – E mudando de assunto: a passeata da Célia e da Divina começou e está vindo nessa direção.

Suzana    – Droga!

Ela levanta e sai. Leila vai atrás.

 

CENA 12. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Célia, Divina e várias pessoas se manifestando, gritando o nome da Zélia e da Suzana. O padre se aproxima.

Fagundes  – Vocês precisam se decidir. Querem ou não a Suzana no poder?

Célia     – Nós queremos a Suzana, mas não a Zélia.

Divina    – O marido dela matou duas pessoas, duas!

Fagundes  – Uma, é o que parece. Aquele amigo do César foi preso pelo assassinato dele essa manhã.

Célia     – É mesmo? Não me importa! Ele ainda matou a Marilda. Nós não podemos ter uma mulher que apoia assassinos no poder

Fagundes  – Concordo, mas também não podemos ter uma mulher que fecha um bordel só porque seu marido se apaixonou. Isso não existe!

Divina    – Você se vendeu, padre. Não é mais o mesmo de antes!

Fagundes  – Eu nunca fui igual a vocês. Eu sou contra o bordel por causa da exploração das meninas, mas não acho que as coisas devem ser feitas assim.

Célia     – Devem ser feitas assim sim e se não concorda: tchau!

Fagundes  – É isso que eu vou fazer mesmo. Ir embora e dormir, porque ao contrário de vocês, eu tenho um trabalho pra ser feito amanhã.

Ele sai. Célia e Divina continuam gritando palavras de ordem. Suzana sai e se aproxima.

Suzana    – O que vocês querem diabos?

Célia     – Nós queremos a expulsão da Zélia do cargo de vice.

Suzana    – É isso que vocês querem? Se eu fizer, vocês me deixam em paz?

Divina    – Deixamos! E queremos também a Célia como vice-prefeita.

Suzana    – Está certo.

Suzana entra em casa e fecha a porta. Célia e Divina se encaram.

 

CENA 13. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana entra em casa, pega o telefone e disca o número.

Suzana    – Zélia! Eu preciso de você aqui agora. Temos que conversar.

Zélia     – (off) Eu não estou em condições, Suzana.

Suzana    – É sério, Zélia.

Zélia     – (off) Eu imagino o que seja. Nós duas conversamos amanhã.

Ela desliga e bufa.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar entram no quarto. Eles sentam na cama.

Nádia     – Nossa! O que foi aquilo no jantar?

Omar      – O que acha? Pode ter sido o Marcos mesmo, mas ainda acho que pode ser o papai ainda mais pelo vejo da mãe.

Nádia     – Também. (pausa) Eu sei que a gente combinou de não falar mais sobre isso, mas preciso saber: e as pedras?

Omar      – No mesmo lugar de sempre, o pai não desconfia de nada.

Nádia     – Isso é bom.

Omar      – Será que ele matou o César por isso e nós somos o culpado?

Nádia     – Não. Se o pai matou o César o motivo é mais que diamantes. Tem a ver com a mãe, ela ainda não me contou tudo, mas sei que vai.

Eles se encaram, curiosos.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Lauro e Pérola se arrumando. Eles estão vestido de preto.

Lauro     – Amparo foi falar com o Marcos. Agora não é possível que seja ele.

Pérola    – Ela vai nos encontrar na missa?

Lauro     – Ela disse que sim. (pausa) Não sei se estou pronto pra ver o meu pai entrando numa cova.

Ela o abraça, ele começa a chorar. Pérola o consola.

 

CENA 16. DELEGACIA/CORREDOR DE CELAS/INTERIOR/DIA:

Marcos está sentado na cama. Amparo anda pelo corredor acompanhada de um policial. Ela se aproxima da cena do Marcos.

Marcos    – Amparo?

Amparo    – Foi você?

Marcos    – Foi! Eu o matei, me desculpa, eu fiz isso.

Amparo    – Tem certeza?

Marcos    – Sim, peça desculpas ao Lauro por isso e peça pra ele tomar cuidado com o Mário.

Amparo    – Com o Mário?

Marcos    – É, peça pra ele tomar cuidado com ele.

Amparo    – O enterro do César vai ser agora pela manhã.

Marcos    – Eu sei. Desculpas pelo que eu fiz, Amparo.

Ele levanta e se aproxima da grade. Ele se aproxima do ouvido da Amparo.

Marcos    – (baixo) Foi o Mário, o Mário ameaçou o Lauro. Olhos abertos nele.

Policial  – Ei! Ei! Chega disso.

Ele afasta a Amparo que sai andando encarando o Marcos. Ele volta a se sentar na cama.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Amparo entra e se aproxima da Agatha e do Leonel que estão sentados.

Amparo    – Não foi ele.

Leonel    – Ele disse isso?

Amparo    – Ele cochichou no meu ouvido que foi o Mário.

Agatha    – Porque diabos ele assumiu a merda da culpa?

Amparo    – O Mário ameaçou a vida do Lauro.

Leonel    – Nós temos que conseguir provas contra o Mário, nós precisamos descobrir quando e o que ele falou pro Marcos.

Agatha    – Nós vamos descobrir. (a Amparo) Muito obrigada.

Amparo sai. Agatha e Leonel se encaram.

 

CENA 18. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana está mexendo em uns papeis. Célia e Divina entram e se aproximam.

Suzana    – O que vocês querem agora?  

Célia     – Você ainda não tirou a Zélia do poder.

Suzana    – Ela vai vir aqui agora de manhã, nós combinamos.

Divina    – Tem certeza disso? Porque parece que ela foi conferir a missa pro César.

Célia     – Ela não vai vir aqui, Suzana. Ela foi na missa do César, depois ela vai no enterro e depois? Qual vai ser a desculpa?

Suzana    – Está bem, caramba. Eu vou até ela na igreja.

Suzana continua sentada, Célia e Divina a encaram.

Suzana    – O que foi?

Célia     – Levanta e vai.

Suzana    – Não vou agora, agora, tenho trabalho pra fazer. Daqui a dez minutos, eu vou.

Divina    – Nós vamos contar no relógio minuto a minuto.

Elas saem. Suzana bufa.

 

CENA 19. IGREJA/INTERIOR/DIA:

O caixão do César no canto. O padre no meio, recitando a missa. Amparo, Lauro, Pérola, Zélia sentados, de preto, tristes.

 

CENA 20. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

O caixão do César saindo, carregado por dois homens. Padre sai ao lado do Lauro, da Pérola e da Amparo.

Lauro     – Muito obrigado pela missa, padre.

Pérola    – Foi tão tocante quanto a da Marilda.

Fagundes  – Não foi nada, o César era um bom homem, vou sentir saudades dele.

Amparo    – Todos nós vamos.

Fagundes  – É claro. Eu vou acompanhar vocês até o cemitério.

Amparo    – Esse não é o assunto, mas o que a Zélia estava fazendo aqui?

Lauro     – Também não sei. Não a vejo falando com o meu pai a muitos anos por causa do Mário.

Pérola    – Talvez ela tenha ficado tocada com a morte dele.

Amparo    – É mesmo.

O padre, Amparo, Pérola e Lauro saem atrás do caixão. Zélia sai da igreja e é surpreendida pela Suzana.

Zélia     – Suzana?

Suzana    – Nós precisamos conversar, Suzana.

Zélia     – Eu disse que passaria na prefeitura mais tarde.

Suzana    – Não tem mais tarde, não queria fazer isso aqui na rua, mas você não me deu alternativas.

Zélia     – Suzana/

Suzana    – (corta) Não há mais o que conversar, Zélia. O seu marido continua fazendo merda e você o apoiando, não posso deixar isso acontecer. (pausa) Eu sinto em dizer isso, mas você está fora do cargo de vice-prefeita.

Zélia     – Você não pode fazer isso!

Suzana    – É claro que eu posso e está feito, o seu marido está ferrando o meu governo.

Zélia     – Você não pode fazer isso comigo agora. Eu acabei de perder o César e você faz isso?

Suzana    – Não sabia que vocês eram amigos. Eu sinto muito.

Zélia     – Eu botei você naquela prefeitura. Sem o meu nome você não conseguiria.

Suzana    – Não, não, as pessoas já conheciam o meu nome. Eu fui a mulher do prefeito, eu sou influente nessa cidade. O seu nome apenas me deu um empurrão, mas agora, está me ferrando e eu não posso deixar isso acontecer.

Zélia     – Judas! É isso que você é! Uma Judas! Na verdade, eu estou rodeada por judas. Eu estou cansada de gente como você na minha vida, Suzana.

Suzana    – Zélia, por favor/

Zélia     – (corta) Vá à merda!

Ela desfere um tapa na cara da Suzana e sai andando. Suzana, chocada, encara ela saindo.

 

CENA 21. RUA/EXTERIOR/DIA:

Zélia andando na rua completamente desnorteada. Ela esbarra nas pessoas, confusa e atrapalhada.

 

CENA 22. CEMITÉRIO/INTERIOR/DIA:

O caixão do César entrando na cova. Amparo, Lauro, Pérola e Padre olhando. Nádia se aproxima e toca o ombro do Lauro.

Nádia     – Eu sinto muito.

Lauro     – Obrigado.

Pérola a encara.

 

CENA 23. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia entra em casa, toda desnorteada. Ela derruba coisas no chão. Thiago e Mário saem da cozinha e se aproximam, Omar desce as escadas.

Zélia     – Eu estou tão cansada dessas merdas. Dessa vida!

Omar      – Mãe, o que aconteceu?

Zélia     – O seu pai aconteceu!

Thiago    – A senhora está bem?

Zélia     – Não, mas eu vou ficar. (sorri) Está na hora de todos saberem a verdade, Mário.

Mário     – Do que você está falando?

Zélia     – A verdade, Mário. Está na hora da verdade.

Mário     – Você não é nem maluca.

Zélia     – (ao Omar) Cadê a Nádia?

Omar      – No enterro do César.

Zélia     – Ela precisa estar aqui, ela é a principal pessoa da verdade. Foi ela que mudou tudo!

Todos encarando a Zélia. Mário começa a se aproximar, Zélia se afasta.

Mário     – Vamos conversar.

Zélia     – Não tem conversa! Está na hora, Mário. (ao Thiago) Segura ele!

Thiago o faz e Omar ajuda. Ela se aproxima, sorrindo.

Zélia     – Eu cansei de mentiras! Eu cansei de traições! Está na hora!

Todos se encaram.

 

CENA 24. FRENTE AO CEMITÉRIO/INTERIOR/DIA:

Lauro sai com a Pérola e encontra a Nádia. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Lauro     – Obrigado por ter vindo.

Nádia     – Apesar de tudo, eu sinto muito. O César não gostava muito de mim, mas ele tentava ser simpático.

Lauro     – O meu pai não gostava muito de ninguém.

Nádia     – É verdade.

Pérola    – A sua mãe estava na missa.

Nádia     – Eu ia me encontrar com ela aqui, mas parece que ela foi embora mais cedo.

Lauro     – Não sabia que ela ainda era amiga do meu pai.

Nádia     – Nem eu, mas parece que tem todo uma história no passado.

Lauro     – Quando descobrir, me conta.

Nádia     – Pode deixar. (pausa) Eu tenho que ir agora.

Ela abraça o Lauro e sai. Pérola a encara.

 

CENA 25. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Suzana entra e dá de cara com a Célia. Ela se aproxima, sorrindo.

Célia     – E aí?

Suzana    – Parabéns! Você é a nova vice-prefeita da cidade.

Célia     – Ain, obrigada, obrigada.

Ela comemora e Suzana faz que não com a cabeça.

Suzana    – No que eu fui me meter, senhor?

Ela senta na cadeira e espia a Célia comemorando.

 

CENA 26. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia, Thiago, Omar e Mário na mesma. Nádia entra e estranha a situação.

Nádia     – Porque diabos o pai está sendo segurado pelo Omar e pelo Thiago?

Zélia     – Porque chegou a hora da verdade, filhinha.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 34

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

O capítulo 34 é especial. Nele nós vamos mostrado o passado de três personagens: César, Mário e Zélia. O gancho do capítulo passado será continuado no capítulo 35.

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

Mário se aproxima e bate na porta. César abre e eles se encaram.

Mário     – Bom dia. O meu nome é Mário (pausa), estou aqui para anuncia que logo vamos ser vizinhos. Eu quero comprar o rancho do Perseu.

César     – Eu também quero comprar o rancho, Mário.

Mário     – Mas você já tem o seu, está na hora de eu ter o meu, não acha?

César     – Não.

Mário     – Bom, eu já fiz uma oferta e eu acho difícil o Perseu recusar. Então sinto muito. (pausa) Será que podemos ser amigos?

César     – Não!

César bate à porta.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Cômodo repleto de caixas. Mário e Zélia entram, segurando as malas. Eles ficam no meio do cômodo e se beijam, sorrindo.

Mário     – Esse é o nosso recomeço, Zélia. É aonde a gente vai criar a nossa família.

Zélia     – Nós vamos ser felizes aqui, mal posso esperar por ver nossos filhos por aqui.

Mário     – Eu também.

Zélia     – Passou no rancho vizinho? Como foi?

Mário     – Grosseiro. É isso que o nosso vizinho é: um grosso!

Zélia     – Mas falaram que ele tinha acabado de perder a esposa, deve ser por isso. O coitado deve estar tendo de cuidar do filho sozinho.

Mário     – Isso não justifica ele ter sido grosso comigo.

Zélia     – Enfim.

Ela anda pela sala e se aproxima de um canto e encara o marido.

Zélia     – Eles conseguiram limpar bem o piso, nem parece que um homem foi baleado aqui.

Mário     – Eu pedi que eles trocassem o piso, fizeram um bom trabalho.

Zélia     – O que aconteceu mesmo pra aquele homem ter sido baleado?

Mário     – O filho dele, Marcos, atirou nele e fugiu. Mas conseguiu sobreviver e vendeu a casa.

Zélia     – Que triste!

Mário     – Chega de falar sobre isso. Vamos arrumar as coisas.

Zélia     – Vamos!

Eles sorriem e começam a desempacotar as malas. Felizes.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DO LAURO/INTERIOR/DIA:

César ninando o bebê Lauro. César sorri e encara o bebê.

César     – Estamos sozinhos, Lauro. Mas tudo vai dar certo. Nós vamos passar por esses problemas e vamos vencer, filho.

Ele sorri e continua ninando o filho, que também sorri.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Mário entra na cozinha levando o seu prato. Zélia está lavando a louça, pega o prato dele e lava também. Eles se encaram.

Mário     – O bolo estava delicioso, amor. O melhor que já fez.

Zélia     – Você diz isso pra todos os meus bolos, Mário.

Mário     – Digo porque são todos uma delícia.

Zélia     – Acho que vou levar um pedaço pro vizinho, coitado, o que será que está comendo?

Mário     – Está se preocupando muito com ele. Não devia! É um grosso!

Zélia     – Nós precisamos ter amigos aqui, Mário. Não tem discussão! Eu vou acabar aqui e levar um pedaço pra ele.

Mário     – Cê que sabe.

Ele dá um beijo na esposa e sai. Zélia termina de lavar a louça.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César dando mamadeira pro Lauro, o bebê chorando. A campainha toca, ele abre e Zélia entra segurando um pote com o bolo.

Zélia     – Boa noite. Eu sou a nova vizinha, Zélia, um prazer.

César     – César, prazer. Posso te ajudar em alguma coisa?

Zélia     – Não. Só vim trazer um pedaço de bolo mesmo.

César     – Obrigado, mas eu não preciso de bolo. Eu preciso de ajudar pra ninar esse bebê que não para de chorar.

Zélia     – Eu posso tentar?

César faz que sim. Ela pega o bebê e dá mamadeira pra ele, Lauro para de chorar.

César     – Como você consegue?

Zélia     – Amor. Se você transmitir amor pro bebê, ele vai te responder com amor. Se você transmitir estar irritado, ele vai chorar.

César     – Obrigado. Eu estou tentando, não sabia que era tão difícil assim.

Zélia     – Eu estou aqui do lado se precisar de ajuda.

César     – Eu vou precisar. (ri) É casada com o Mário, né? Tem filhos?

Zélia     – Sou sim e não. (pausa) Eu fiquei grávida duas vezes e nas duas, não deu certo. Eu abortei espontaneamente.

César     – Eu sinto muito.

Zélia     – Tudo bem, está tudo bem agora. Nós dois viemos pra cá pra ter um recomeço. É uma cidade pequena, esse é o objetivo. Criar nossos filhos longe da agitação.

César     – É claro. Eu entendo e espero que vocês consigam.

Eles sorriem.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

César e Zélia deitados na cama, seminus. Eles se beijam, sorrindo.

Zélia     – Não acredito que você me convenceu a passar a noite aqui.

César     – Ah, você gostou.

Zélia     – Gostei, mas o Mário vai acordar e perceber que não estou lá. Que justificativa eu vou dá?

César     – Não fala do Mário pra mim, pelo amor de deus. Não estraga esse momento.

Zélia     – É sério: preciso ir!

Ela levanta e começa a se vestir. César levanta e a beija.

César     – Eu te amo.

Zélia     – Eu também.

César     – Termina com ele e fica comigo.

Zélia     – Não posso.

César     – Porque não?

Zélia     – Porque eu não posso.

Ela termina de se vestir e sai.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Mário acorda e não encontra a Zélia do seu lado. Ele levanta e sai.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Mário desce as escadas e encontra a Zélia entrando segurando uma sacola com pão.

Mário     – Onde foi?

Zélia     – Eu fui comprar pão.

Mário     – Não se mexeu na cama hoje, nem te senti.

Zélia     – Eu tomei remédio pra dormir, esqueceu? Devo ter ficado que nem pedra.

Mário     – Ah é.

Zélia     – Vem tomar café, criatura.

Zélia entra na cozinha e Mário vai atrás.  

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Zélia está sentada na cama, passando óleo na perna. Mário entra e se aproxima.

Mário     – Ei!

Zélia     – Ei.

Ele a beija e começa a tocar na perna dela. Zélia se afasta. Ele tenta de novo e ela levanta.

Zélia     – Hoje não. Estou com dor de cabeça, Mário.

Mário     – Está com dor de cabeça a dois seguidos, Zélia. Vai no médico, porra!

Zélia     – Eu só preciso descansar Mário e não posso descansar com você me tocando toda hora.

Mário     – Você não gosta que eu te toque, Zélia? Eu sou seu marido e não posso te tocar.

Zélia     – Não é isso. Eu só não estou muito bem esses dias.

Mário     – Nós nos mudamos pra cá pra construir uma família e não podemos fazer isso sem sexo, Zélia.

Zélia     – Eu sei, e nós vamos transar. Mas não hoje, não estou bem. Amanhã.

Mário     – Você ainda quer ter filhos? Ainda quer construir uma família?

Zélia     – (bufa) Não vamos discutir, Mário, por favor.

Mário     – Você não quer mais, não é? É por isso que está me evitando?

Zélia     – Saco! Não sei! Não sei, Mário! Droga!

Zélia sai batendo porta. Mário bufa.

 

CENA 10. LAGOA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia olhando pra lagoa. César se aproxima, ela percebe e sorri.

Zélia     – Chegou rápido.

César     – Você me ligou, parecia triste e disse pra vir pra cá. Estou aqui. O que aconteceu?

Zélia     – Eu discuti com o Mário, só isso. Não estamos bem.

César     – Isso bem. Você largar ele e ficar comigo, Zélia.

Zélia     – Não posso fazer isso agora, César. Já disse isso!

César     – Está bem. Não vamos falar sobre isso então.

Zélia     – Ótimo.

César     – Vamos falar sobre a gente. Sobre nós fazermos sexo aqui.

Zélia     – Aqui?

César     – É, aqui. Vai ser divertido, não vai?

Zélia     – Pode ser.

Eles se beijam.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Mário anda pelo corredor.

Mário     – Não deveria ter brigando com ela, droga.

Ele segue andando.

 

CENA 12. LAGOA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia e César transando. Eles gemem, se beijam, se arranham. Mário se aproxima e vê a cena. Ele sai correndo antes que o vêm.

 

CENA 13. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/NOITE:

César e Zélia se aproximam da porta da casa. Eles se beijam, Zélia entra e César sai.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra e dá de cara com o Mário. Eles se encaram.

Zélia     – Ainda está acordado, Mário? Vamos dormir.

Mário     – Eu vi!

Zélia     – Viu?

Mário     – Vocês dois na lagoa. Vocês dois estavam transando na lagoa pra todo mundo da cidade ver.

Zélia     – Mário/

Mário     – (corta) Não! Não! A quanto tempo, Zélia? A quanto vocês estão fazendo isso?

Zélia     – Pouco tempo, menos de três semanas. É só sexo, Mário/

Mário     – Cala a boca! Três semanas? Não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo. Você acabou com essa família. Está me escutando? Acabou!

Ela ajoelha, chorando. Mário se aproxima, a encarando.

Zélia     – (chora) Desculpa.

Mário     – Não!

Zélia     – Por favor, me perdoa. Eu errei! Me desculpa.

Ele desfere um tapa na cara dela. Ela levanta e o encara, limpando as lágrimas.

Zélia     – Porque você fez isso?

Mário     – É o que você merece! Um tapa!

Ele desfere outro.

Mário     – Dois tapas!

E outro.

Mário     – Três tapas!

Ela começa a chorar de novo e empurra ele antes de ele dá o quarto. Mário empurra ela na parede e ela cai. Zélia grita e chora.

 Zélia     – Socorro! Socorro! Meu deus! Socorro!

Mário     – Tá pedindo socorro pra quem? Pro seu namoradinho de merda? Filha da puta! Cachorra!

Eles se encaram.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

César saindo do terreno do Mário. Ele escuta os gritos e volta correndo.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário se aproximando da Zélia, César entra correndo e dá um soco nele.

Mário     – Filho da puta!

César     – Você bate na sua esposa e eu sou o filho da puta?

Mário revida o soco, César dá outro. Eles caem no chão, um socando o outro. Zélia levanta, chorando.

Zélia     – Parem! Parem pelo amor de deus. Parem! (grita) Eu estou grávida!

Eles param de se socar e encaram a Zélia.

Mário     – É o que?

Zélia     – Eu estou grávida e não sei quem é o pai.

Os três se encaram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Meses depois…

Zélia deitada na cama, de pernas abertas. Ela grita, a parteira no meio dela. Logo, é escutado o choro do bebê. Zélia sorri.

 

CENA 18. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

César e Mário esperando no corredor. Eles se encaram, sérios. A parteira sai do quarto e se aproxima.

Parteira  – É uma menina.

Eles sorriem.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

Zélia sentada no sofá, segurando a bebê Nádia, e César ao lado, segurando o Lauro. O áudio é off.

César     – (off) Mas ele te bateu.

Zélia     – (off) Ele se arrependeu e eu o amo. A filha é sua, mas o meu coração é dele.

César     – (off) Você não pode fazer isso, eu sou o pai dela!

Zélia     – (off) Pra todos os efeitos: é ele! E é assim que vai ser. Não vamos nos falar nunca mais, César. E acabou! Tudo o que aconteceu entre a gente. Termina aqui.

César     – (off) Não!

Zélia     – (off) Sim!

A cena se escurece.

 

CENA 20. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/DIA:

Zélia sai da casa, chorando. Ela se aproxima do Mário e ele pega a bebê.

Mário     – Isso foi o melhor pra gente, Zélia. Acredita em mim.

Zélia     – Pra gente não, nós dois nunca vamos ser felizes Mário. Eu fiz isso pela Nádia, minha filha com o César.

Mário     – Ela é minha filha agora!

Zélia     – Não de sangue.

Mário     – Chega! Chega! Vamos pra casa, nós temos uma bebê pra cuidar.

Zélia     – É claro.

Mário     – E vou querer uma filha só minha, Zélia.

Zélia     – E você vai ter, faz parte do acordo.

Eles andam pra fora do terreno. Mário feliz e Zélia, triste.

 

CENA 21. RANCHO DO CÉSAR/ESCRITÓRIO/INTERIOR/DIA:

César está sentado, chorando. Ele bebe uísque da garrafa e chora, triste.

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 33

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia está falando com o povo. Divina se aproxima.

Célia     – Demorou.

Divina    – Desculpa, então, qual é o plano?

Célia     – O plano era fazer o povo assinar um documento pedindo a saída da Zélia, mas agora que o Mário fez outra vítima: nós vamos fazer o povo se revoltar contra a família toda.

Divina    – É isso que está falando pra eles?

Célia     – Exato! Estou mostrando um folheto para que todos eles se unem e se revolvem contra a Zélia.

Divina    – Você vai ser a vice-prefeita dessa cidade.

Célia     – Eu sei e isso é só o começo, eu vou a prefeita da cidade e depois a presidenta do país.

Elas sorriem e continuam falando com o povo, entregando a eles uns folhetos.

 

CENA 02. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado, mexendo em uns papeis. Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – Bom dia, pai.

Leonel    – Bom dia. O corpo do César chegou e está com o legista, mas parece que foi um tiro certeiro no meio do peito que o matou.

Agatha    – Quem você acha que foi?

Leonel    – Minha mente diz o Mário, mas a minha sede por fechar o caso do Marcos, diz que foi o Rafael.

Agatha    – Eu nem sei, só sei que quero investigar esse caso direito para que ele nunca seja aberto novamente e nem arquivado.

Leonel    – Eu também.

Agatha    – E outra coisa: eu vi o vídeo de segurança da rua e das duas um: ou o assassino estava dentro de casa, ou ele entrou pelos fundos.

Leonel    – Não ninguém entrando na casa antes dos tiros?

Agatha    – Não pela porta da frente. Pérola e Lauro chegam no exato momento em que o tiro é disparado.

Leonel    – Então continuamos com os três suspeitos.

Agatha    – Ainda considera a Amparo?

Leonel    – Só porque ela não tem álibi, não foi ela.

Eles seguem conversando em off.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Nádia estão sentados à mesa. Mário entra e senta com eles. Thiago à parte.

Mário     – Bom dia.

Nádia     – Foi você que matou o César, pai?

Mário     – Não, pelo amor de deus, não. Não fui eu! Eu não faria isso.

Omar      – Você matou a Marilda sem mais nem menos.

Mário     – Ela é outra que eu não matei tanto que estou aqui, solto.

Zélia entra, vestida toda de preto, atrapalhando a conversa.

Zélia     – Por causa de mim. Você saiu da cadeia por minha causa. E você não sabe o quanto eu me arrependo disso, eu te tirei pra você matar o César.

Mário     – Nós já discutimos isso ontem e eu te garanti que não tinha matado ele.

Zélia     – Eu duvido. Você não estava em casa na hora, Mário.

Mário     – O Rafael e a Amparo estavam na casa na hora, pelo que eu sei, eles também são suspeitos.

Zélia     – E qual é o motivo que eles possuem, Mário?

Mário     – Não sei, isso é com o Leonel e com a Agatha, não comigo.

Nádia     – Mudando de assunto: está de luto, mãe?

Omar      – Não sabia que era amiga do César assim.

Zélia     – Nós dois fomos grandes amigos, até que o Mário resolveu virar inimigo dele e nós nos afastamos.

Nádia     – Engraçado, nunca vi vocês se falando por aí.

Zélia     – Foi antes de vocês nascerem, queridos.

Nádia estranha. Eles seguem tomando café, em off. Thiago só espiando.

 

CENA 04. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre está ajoelhado, rezando. Pérola entra e se aproxima.

Pérola    – Desculpa te atrapalhar, padre.

Fagundes  – Está tudo bem, minha filha. É amiga da Marilda, não é?

Pérola    – Isso mesmo, nem agradeci pela missa que realizou por ela.

Fagundes  – Não foi nada. Ela está no reino de deus agora.

Pérola    – Eu sei que sim, mas não vim falar sobre ela. (pausa) Sabe que o César morreu?

Fagundes  – Sei! O que está acontecendo com essa cidade ultimamente? Ela não era assim.

Pérola    – Não sei, mas estou aqui para marcar a missa e o enterro dele. O corpo está com a polícia, mas deve ser liberado hoje à noite.

Fagundes  – É claro, não tem nenhum enterro e nem missa marcados então temos horários disponíveis. Pode ser pra amanhã mesmo?

Pérola    – É claro, será perfeito. Muito obrigado por tudo novamente.

Fagundes  – Não é nada.

Pérola se benze e sai. O Padre a encara saindo e volta pra sua reza.

 

CENA 05. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Leila servindo a mesa. Suzana entra e se senta à mesa.

Leila     – O que pretende fazer depois do que aconteceu?

Suzana    E eu sei? Só sei que as beatas possuem mais um motivo para me fazer tirar a Zélia.

Leila     – E vai tirá-la?

Suzana    – Eu estou cogitando. Não posso ter ao meu lado a mulher de um assassino.

Leila     – Se prepare: de um lado duas beatas malucas por poder e de outro, a Zélia.

Suzana    – (ri) Eu sei.

Elas seguem conversando.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está sentada, triste. Thiago entra e senta ao lado dela.

Thiago    – Ei! Eu sei que essa pergunta é idiota, mas preciso fazê-la: como você está?

Amparo    – Bem, indo, mal, sei lá. É um mixe de sentimentos.

Thiago    – Imagino que sim. (pausa) Não queria falar sobre isso, mas acho que precisamos.

Amparo    – Tudo bem, pode dizer.

Thiago    – O assassino deve ser mesmo o Mário, até a Zélia tá achando isso.

Amparo    – Sabia! Filho da puta, nojento! Que ódio! Ele matou o César por causa de que? Por causa das pedras? Por causa de terras? Droga!

Ela desata a chorar e o Thiago a consola. Marcos, que estava escondido escutando, sai.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Marcos sai e fica encarando o nada. Ele senta no chão e chora.

 

CENA 08. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia e Divina entregando os folhetos, Iris passa e pega um deles.

Iris      – Que merda é essa?

Célia     – Iris, não é? Eu sei que você é do bordel e você tem mais um motivo para apoiar a gente.

Iris      – Zélia é uma filha da puta, mas a Suzana e vocês também fecharam o bordel.

Divina    – Quem sabe se a gente for eleita, nós não o abrimos de novo?

Iris      – Até parece que eu vou cair nesse papinho de promessas. Mas é bom saber que vocês estão se revoltando contra a Zélia.

Célia     – É bom porque?

Iris      – Porque eu gosto de ver o circo pegando fogo.

Iris sai andando. Célia e Divina se encaram.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Clara e Omar andam pela rua. Eles conversam.

Clara     – Como você está com tudo acontecendo?

Omar      – Estou bem e não quero falar sobre isso.

Clara     – Como quiser. (pausa) Eu quero lhe contar uma coisa.

Omar      – Fala.

Clara     – Eu atendi o meu último cliente agendado ontem e não tenho mais nenhum agendado por causa do fechamento do bordel.

Omar      – Eu sinto muito e já disse que posso te ajudar.

Clara     – Não quero o seu dinheiro, Omar, já disse isso. (pausa) E o que eu quero falar é que eu estou pensando em parar e começar a ter um emprego de verdade.

Omar      – Sério? E porquê?

Clara     – Porque eu te amo e quero me casar com você, quero ter uma família com você.

Omar      Eu também quero e fico muito feliz por você ter feito isso.

Eles se beijam.

Clara     – E eu tenho mais uma coisa pra te contar: nós não usamos camisinha, certo? E eu não comprei a pílula do dia seguinte.

Omar      – Isso quer dizer que?

Clara     – Pode ser, não sei. Eu estou no meu período fértil, então pode ser que sim. Mas é melhor não criar expectativa.

Omar      – Eu vou tentar.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola entra no quarto e encontra o Robson. Ela senta ao lado dele.

Pérola    – Eu soube sobre o Mário. Isso é horrível!

Robson    E eu soube sobre o César, também é horrível.

Pérola    – O Mário vai voltar pra cadeia, eu sei que vai.

Robson    – Eu espero que sim. A justiça precisa ser feita.

Pérola    – Como você está?

Robson    – Bem, preocupado, mas bem. (pausa) Iris tem me ajudo.

Pérola    – Iris? Vocês estão juntos?

Robson    – Nós nos gostamos. Será que a Marilda ficaria triste?

Pérola    – Não, ela ficaria feliz. Você está feliz então, ela está feliz.

Robson    – Obrigado.

Eles se abraçam.

 

CENA 11. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nilda e Eleonora andam pelo corredor. Elas conversam.

Nilda     – Estou começando a sentir o fechamento do bordel hoje.

Eleonora  – Eu também. Não temos mais nenhum cliente, Nilda.

Nilda     – Nenhum! Pra nenhuma delas. Eu não sei o que nós vamos fazer.

Eleonora  – Iris vai atender na rua, acho, mas e as outras?

Nilda     – Não sei, mas temos que dá um jeito nisso e quando digo dá um jeito: tem a ver com o Alberto.

Eleonora  – Precisamos dele no poder, mas como?

Nilda     – Nós vamos descobrir.

Elas seguem andando e conversando.

 

CENA 12.  BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina está sentada, Nilda e Eleonora se aproximam.

Gina      – Primeiro dia sem clientes, Nilda.

Nilda     – Eu sei, nenhuma de vocês tem mais nenhum.

Eleonora  – Não sabemos o fazer ainda, mas precisamos do Alberto no poder.

Gina      – O problema é como botar ele no poder?

Iris entra e se aproxima, mostrando o folheto da Célia.

Iris      – Célia e Divina estão se revoltando contra a Zélia.

Nilda     – Interessante.

Iris      – Há um conflito, Nilda. E se há um conflito…

Eleonora  – É a oportunidade do Alberto conseguir o poder de volta.

Iris      – Exato!

Nilda     – Preciso falar com ele. (a Gina) Onde ele está?

Gina      – Nos fundos, fumando.

Nilda sai. E as outras se encaram.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/DIA:

Alberto está sentado, fumando. Nilda se aproxima e senta ao lado dele.

Nilda     – Nós precisamos de um plano, Alberto.

Alberto   – Como assim?

Nilda     – Célia e Divina estão se revoltando contra a Zélia. Há um conflito e nós precisamos de um plano.

Alberto   – Entendi, mas eu prefiro seguir o plano inicial: deixa elas se matarem e quando elas estivem esgotadas e mortas, nós entramos e ganhamos o poder de volta.

Nilda     – Acha que vai dar certo?

Alberto   – Eu tenho certeza

Eles seguem conversando em off.

 

CENA 14. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra e encontra a Agatha, ele senta ao lado dela.

Leonel    – Chamou? Estava conversando com o legista, o que aconteceu?

Agatha    – Não tinha visto a câmera de segurança que mostra o rancho do Mário.

Leonel    – Achou algo?

Agatha    – Ele sai de casa pouco antes do tiro e vai pros fundos, se entrou na casa, deve ter entrado pelos fundos. E logo depois do tiro ser disparado entra no terreno de casa, correndo.

Leonel    – Correndo, assustado. Ou correndo com medo de ser pego.

Agatha    – Correndo com medo de ser pego, não estava assustado.

Leonel    – Dá pra ver ele segurando a arma no vídeo?

Agatha    – Não, nem antes de ir pros fundos e nem depois.

Leonel    – Então de quem é essa arma? E a onde ela está?

Agatha    – Não sei, mas ela é a resposta. Não podemos prender o Mário ainda, precisamos ter certeza antes.

Eles se encaram, sérios.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Nádia está andando pelo corredor. Ela escuta a mãe chorando no quarto, ela entra.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Zélia está sentada na cama, chorando. Nádia entra e senta ao lado dela. Zélia limpa as lágrimas.

Nádia     – Mãe, o que aconteceu?

Zélia     – O César morreu, Nádia. Foi isso que aconteceu.

Nádia     – Não sabia que gostava tanto dele assim. Porque vocês se afastaram por causa do pai?

Zélia     – Eu e o César nos apaixonamos logo após eu ter chegado aqui, Nádia. Nós tínhamos um caso, o seu pai descobriu e nós fizemos um acordo: eu nunca mais ia me encontrar com o César e ele ia esquecer isso. Mas ele não esqueceu e arranjou um outro motivo pra odiar o César.

Nádia     – E que motivo é esse?

Zélia     – As terras. Sempre que eu questionava ele sobre esse ódio ele dizia que não tinha nada a ver comigo e sim com as terras.

Nádia     – Você acha que ele o matou?

Zélia     – Eu sei que sim, eu tenho certeza que sim, Nádia.

Elas se abraçam e Zélia volta a chorar.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Mário está passando pelo corredor. Ele vê a Zélia e a Nádia abraçadas e a primeira chorando. Ele fica sério.

Mário     Está na hora de eu fazer alguma coisa.

Ele sai andando.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário invade o pasto e vê o Marcos sentado, triste. Ele se aproxima e Marcos levanta.

Marcos    – O que você está fazendo aqui? Sai daqui agora. Assassino!

Mário     – Nós precisamos ter uma conversa, Marcos.

Marcos    – Eu não quero conversar contigo. Você matou o César!

Mário     – Matei! Matei mesmo! Mas eu não vou ser preso: você vai.

Ele tira a arma da cintura e aponta do Marcos. Ele sorri.

Mário     – Está rindo?

Marcos    – Vai me matar? Pode me matar. Eu não tenho mais nada a perder mesmo

Ele abre os braços e fecha os olhos.

Mário     – Eu não vou te matar, idiota. Eu quero você vivo! Você vai se entregar pra polícia e dizer toda a verdade pra eles.

Marcos    – Que verdade?

Mário     – Que você matou o César, que o seu nome de verdade é Marcos e vai apodrecer na cadeia.

Marcos    – E porque acha que eu vou fazer isso?

Mário     – Porque se não fizer eu vou matar o Lauro e eu o César não vai gostar de saber que você não protegeu a única cria dele.

Eles se encaram. TENSÃO!!

 

CENA 19. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, eles conversam sobre o caso. Marcos entra e se aproxima.

Leonel    – Rafael?

Marcos    – Eu matei o César. (pausa) Eu o matei! Eu!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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FALSO HORIZONTE | Capítulo 32

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/NOITE:

Chuva ainda rolando. Leonel se aproximando, Agatha vem de outro lado e se aproxima dele.

Agatha    – E então?

Leonel    – O César levou um tiro certeiro no peito. Marcos e Amparo não possuem um álibi concreto e o Mário, é um suspeito.

Agatha    – Novidade. Está rezando para que ele não tenha um álibi?

Leonel    – É claro. Nós temos que prendê-lo, mas eu também ficaria feliz em botar o Marcos atrás das grades.

Agatha    – Rafael.

Leonel    – Ah, por favor, ele é o Marcos.

Agatha    – Não acha que pode ser a Amparo?

Leonel    – E qual motivo ela teria?

Agatha    – Tem razão.

Eles entram no rancho.

 

CENA 02. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado no sofá, Pérola se aproxima segurando um copo d’água e entrega a ele. Ela senta ao lado dele.

Pérola    – Porque não me contou do Mário?

Lauro     – Nós estávamos na praça, eu escutei as pessoas comentando. Não queria estragar o nosso momento.

Pérola    – Deveria ter me contado. Ele matou a Marilda esse filho da puta.

Lauro     – E agora matou o meu pai. Vontade de socar a cara dele no asfalto.

Pérola    – Violência não vai trazer o seu pai de volta e nem a Marilda. A justiça vai ser feita, Lauro.

Lauro     – Eu espero.

Pérola    – Não acha que o assassino do seu pai seja outra pessoa?

Lauro     – O Rafael ou Marcos, sei lá qual é o verdadeiro nome dele, ele ama meu pai. E a Amparo: anos ao lado dele, não tinha motivos.

Pérola    – Eu sinto muito.

Lauro     – Eu também. Ele fazia e falava muita merda, mas ele é o meu pai e não merecia morrer desse jeito.

Pérola o abraça, acalmando-o.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está sentada, cabisbaixa. Marcos entra e se aproxima.

Marcos    – Como você está?

Amparo    – Como você acha que eu estou? O César morreu!

Marcos    – Eu sei, não sabia o que perguntar, desculpa.

Amparo    – Tudo bem, eu também não sei o que falar.

Marcos    – A quanto tempo você trabalha aqui?

Amparo    – Faz mais de dez anos, a mais de dez anos que eu amo o César e cuido dele.

Marcos    – Nossa! Eu sai daqui faz vinte anos, pelo menos o César teve alguém pra cuidar dele enquanto isso.

Amparo    – Mas eu nunca substituí você e nem a Lúcia, nunca fui capaz. Tanto que assim que você chegou, ele mudou pra melhor. Ficou mais disposto.

Marcos    – Você não tinha que me substituir e nem a Lúcia e sabe porquê? Porque você foi especial na vida dele e na vida do Lauro sendo você mesma.

Amparo    – Obrigada por dizer essas coisas.

Marcos    – Não acostuma não.

Eles sorriem, Marcos sai.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia abrem a porta, e Leonel e Agatha entram. Eles se encaram.

Nádia     – O que o pai fez dessa vez, Leonel?

Leonel    – O César morreu e o Mário é um dos suspeitos.

Omar      – O César? Meu deus!

Agatha    – Poderiam chamar o pai de vocês, por favor?

Nádia     – (grita) Pai!

Mário desce as escadas e se aproxima.

Mário     – Eu escutei a campainha batendo e é claro que só podia ser notícia ruim.

Leonel    – Nós queremos conversar com você, Mário.

Mário     – Se for um interrogatório, eu quero chamar o meu advogado antes.

Agatha    – Não é um, é apenas uma conversa Mário.

Nádia     – Nós dois vamos subir e deixar vocês a sois.

Nádia e Omar sobem. Agatha, Leonel e Mário sentam no sofá.

Mário     – O que aconteceu?

Leonel    – O César morreu e você, como sempre, é um dos suspeitos.

Agatha    – E nós queremos saber onde você estava e com quem estava.

Mário     Em casa com a minha família, aproveitando o dia com eles.

Leonel    – Não saiu de casa nenhuma vez?

Mário     – Com essa chuva? É claro que não, fiquei em casa.

Eles se encaram.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia andando pelo corredor. Eles conversam.

Nádia     – Não acredito que o César morreu.

Omar      – Nem eu. E o pai mal acabou de sair da cadeia e já está sendo interrogado.

Nádia     – Eu nem sei quando ele foi se tornar esse tipo de pessoa.

Zélia sai do quarto e se aproxima.

Zélia     – Eu e o seu pai escutamos a campainha e ele desceu pra ver. Quem era?

Omar      – A polícia.

Zélia     – Eles não cansam de nos caçar. O que eles querem dessa vez?

Nádia     – O César morreu, mãe.

Zélia     – O que?

Omar      – Isso mesmo. Ele morreu e o pai é um dos suspeitos.

Omar e Nádia continuam andando. Zélia entra no quarto.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra no quarto. Ela encosta na parede, escorrega até o chão e chora. Zélia dá um berro e segue chorando.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Robson deitado na cama e Iris em cima dele. Ela sai de cima dele e deita ao seu lado.

Iris      – Foi bom?

Robson    – Foi ótimo.

Iris      – Dessa vez foi melhor que a primeira vez.

Robson    – É porquê dessa vez não era só sexo, não foi sexo pago. Foi mais.

Eles se beijam.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO 2/INTERIOR/NOITE:

Alberto e Gina deitados na cama, um dando carinho no outro. Felizes.

 

CENA 09. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago e Leila se beijam. Eles comemoram, riem, felizes.

Thiago    – Você não precisava ter feito tudo isso.

Leila     – É claro que precisava, nós temos que comemorar.

Thiago    – Não estou falando disso, estou falando da sua discussão com a sua mãe.

Leila     – Precisava sim. Eu te amo e não vou deixar ela te ofender. E nem ninguém.

Thiago    – Obrigado.

Leila     – Nada.

Eles se beijam. Amparo entra e se aproxima.

Leila     – Amparo?

Amparo    – Desculpa atrapalhar o momento de vocês.

Thiago    – Não tem problema. O que aconteceu?

Amparo    – O César morreu. Ele foi baleado e o maior suspeito é o Mário.

Leila     – Meu deus! Nós escutamos que tinha saído, eu sinto muito.

Thiago    – Nossa!

Leila e Thiago a abraçam.

Amparo    – Obrigada. Não estou bem, mas estou tentando. (pausa) Enfim. Eu vim aqui pra você poder avisar a Suzana.

Leila     – A Suzana?

Amparo    – Não sei a versão da fofoca que vocês ouviram, mas a versão que eu ouvi foi que a Suzana ajudou a soltarem o Mário.

Eles se encaram.

 

CENA 10. MANSÃO DA PREFEITA/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Suzana está dormindo. Leila entra e se aproxima, ela acorda a primeira.

Suzana    – Leila?

Leila     – Desculpa te acordar, mas é que aconteceu uma coisa.

Suzana    – O que aconteceu?

Leila     – O César morreu e o maior suspeito é o Mário.

Suzana    – Droga!

Leila     – E agora?

Suzana    – E agora que as irmãs vão perturbar a minha mente e o pior é que elas têm razão. Obrigada.

Leila sai e Suzana volta a dormir.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Omar e Nádia entram no quarto. Eles sentam na cama, já conversando.

Omar      – Será que foi o pai?

Nádia     – Não duvido de nada. Ele tinha motivos, Omar. Os dois nunca se gostaram.

Omar      – Não mesmo. (pausa) Será que o Alberto já sabe?

Nádia     – Acho que ele está ficando no bordel, vou ligar pra Iris.

Ela pega o celular e faz uma ligação. Omar a encara.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha próximos da porta. Mário sorrindo, sínico.

Leonel    – Nós vamos investigar.

Mário     – Eu garanto a vocês que não fui eu. Não faria uma burrada dessas.

Agatha    – Boa noite.

Leonel e Agatha saem. Mário fecha a porta e bufa.

Mário     – Droga!

Ele sobe as escadas.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Iris, Robson, Alberto, Gina, Nilda, Eleonora e Clara estão salão. Eles se encaram.

Eleonora  – Não está tarde demais pra reuniões, Iris?

Iris      – Desculpa acordar todos vocês, mas algo aconteceu.

Nilda     – O que houve?

Iris      – Nádia me ligou e o César morreu, e o Mário é o maior suspeito.

Robson    – Isso só prova que ele matou a Marilda também. É um grande filho da puta!

Clara     – O Omar deve tá péssimo com isso tudo acontecendo com ele.

Gina      – E eu nem consigo pensar em como o Lauro deve estar.

Nilda     – Eu sei que é triste, mas isso também é bom.

Eleonora  – Como assim?

Nilda     – Isso do Mário ter matado o César é bom. O Mário é assassino, logo a Suzana está defendendo um, logo o Alberto e eu merecemos a prefeitura e não ela.

Alberto   – A Nilda tem razão.

Gina      – E o que nós vamos fazer?

Alberto   – Nada.

Iris      – Como assim?

Alberto   – Nós não vamos fazer nada. Temos que deixar a Suzana e a Zélia se ferrarem sozinhas, e então nós vamos ganhar a confiança do povo.

Alberto sorri, os demais o encaram.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia está sentada no chão, chorando. Mário entra e ela levanta, se aproximando.

Zélia     – (chora) Eu te odeio! Filho da puta! Eu te odeio!

Mário     – Eu não matei o César. Eu não faria isso, não quero voltar pra cadeia.

Zélia     – (chora) Você estava fora de casa quando ele morreu. Você o matou!

Mário     – Zélia/

Zélia     – (corta/chora) Você me prometeu, Mário!

Mário     – E eu cumpri: não matei ninguém! E não vou matar mais ninguém.

Zélia     – Não estou falando dessa promessa. Estou falando da promessa que me fez a muito tempo atrás.

Mário     Não sei do que você está falando.

Zélia     – (limpa as lágrimas) Mário… (grita) Não! Esse não é o momento pra esquecer o passado. (pausa) Você me fez uma promessa: você ia esquecer tudo o que tinha acontecido e ia seguir em frente. Não ia fazer nada contra o César e nós íamos criar o Omar e a Nádia como uma família.

Mário     – E eu cumpri essa promessa. Eu esqueci tudo o que você fez a essa família, tudo o que você e o César fizeram. A minha única rixa com César era em relação a essa fazenda, não tinha problemas em relação a você e as crianças. Eu esqueci tudo!

Zélia     – Esse esquecimento não durou muito tempo, pelo visto. (pausa) Eu o amei! Eu amei o César! E você o mata?

Mário     – (grita) Eu não matei ele, caralho!

Ele segura a Zélia pelos braços, bruto. Ela consegue se soltar e o encara.

Zélia     – Nunca mais ouse tomar um dedo em mim.

Ela sai do quarto, batendo porta. Ele respira fundo, arrependido.

 

CENA 15. FRENTA AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/DIA:

Amanhece. Céu limpo, não chove mais.

O corpo do César sendo levado por policiais. Lauro e Pérola vendo, ele muito triste.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola e Lauro entram, eles dão de cara com o Marcos e com a Amparo.

Amparo    – E agora? O que será da gente?

Marcos    – Nós temos que continuar com a nossa vida, é o que César gostaria.

Lauro     – Acho melhor a gente encerrar a atividade do rancho por enquanto. Não quero olhar pros animais e lembrar do meu pai.

Amparo    – É claro.

Pérola    – Eu não queria ser a pessoa a falar disso, mas acho que é preciso. Eu posso cuidar dos preparativos envolvendo o enterro.

Lauro     – Obrigado.

Pérola    – Não é nada. Preciso ir no bordel, tomar um banho e depois eu passo na igreja.

Amparo    – Nós agradecemos.

Pérola dá um beijo no Lauro e sai. Lauro se aproxima do Marcos e da Amparo.

Lauro     – Eu queria agradecer vocês por cuidarem e darem amor ao meu pai.

Marcos    – Não foi nada.

Amparo    – Nós fizemos mais do que a nossa obrigação, Lauro.

Lauro     – Não, vocês foram tudo pra eles. Obrigado.

Ele sobe as escadas. Amparo e Marcos se encaram.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia e Omar entram. Eles sentam a mesa, Thiago os serve.

Omar      – Onde estão pai e mãe?

Thiago    – Estão descendo, mas a Zélia não dormiu com o Mário.

Nádia     – Será que a mãe abriu os olhos finalmente?

Omar      – Espero que sim.

Nádia     – Estou pensando em ir ver o Lauro. O que acha?

Omar      – Não acho uma boa ideia. O pai é o maior suspeito.

Nádia     Mesmo assim. Ele precisa de um pouco de amor nessas horas.

Eles tomam o café.

 

CENA 18. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Célia está falando com o povo. Divina se aproxima.

Célia     – Demorou.

Divina    – Desculpa, então, qual é o plano?

Célia     – O plano era fazer o povo assinar um documento pedindo a saída da Zélia, mas agora que o Mário fez outra vítima: nós vamos fazer o povo se revoltar contra a família toda.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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