FALSO HORIZONTE | Último Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu está a apontar a arma pro Marcos. Este último fecha os olhos, esperando.

Perseu    – Está pronto?

Marcos    – Estou.

Perseu continua a apontar, ambos tensos. E quando ia atirar, desiste.

Perseu    – Não posso fazer isso. Eu não consigo fazer isso.

Marcos    – O que?

Marcos abre os olhos. Perseu cai ajoelhado e larga a arma, ele desata a chorar.

Perseu    – (chora) Não posso, não sou capaz. (pausa) Eu te amo, Marcos. Você é meu filho! Tudo isso, tudo isso que eu fiz foi por raiva. (pausa) Rancor. Mas eu te amo e não posso fazer isso… não posso matar o meu próprio filho.

Marcos    – Pai…

Marcos ajoelha e fica perante o Perseu. Eles se abraçam e Marcos começa a chorar.

Marcos    – …obrigado. (pausa) Eu também te amo.

Perseu    – (chora) Eu não consigo entender você. Compreender. Não dá! Mas espero que você me perdoe por tudo o que eu fiz.

Marcos    – (chora) Não.

Perseu    – (limpa as lágrimas) Não?

Marcos    – (chora) Não! (limpa as lágrimas) Você matou a minha mãe, matou o César, destruiu a minha vida tudo por conta de um rancor? De uma raiva? Não! Cê fez tudo isso porque quis, pai. Você escolheu fazer tudo isso porque não tinha nada melhor pra você. (pausa) Cê é um monstro, pai. Um monstro! Então, não, eu não posso lhe perdoar nunca.

Perseu    – Marcos/

Marcos    – (corta) Não! Acabou, pai, acabou. A vida é um jogo, sabe? E pra você, o jogo acabou.

É rápido: Marcos pega o revólver e atira no peito do Perseu que cai pra trás, morto. Marcos toca no bolso do pai e pega uma chave de carro, saindo logo em seguida.

CÂM mostra o sangue saindo do corpo do Perseu e inundando o chão ao seu redor.

 

CENA 02. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai do galpão. Ele olha pros lados, encontra o carro e entra nele. Marcos dá partida e sai cantando pneu.

 

CENA 03. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Gina e Alberto sem entender, a encarar o povo que, em sua maioria, estão vaiando. Suzana, sorrindo, sai do palco.

Alberto   – Chega! Cês estão vaiando a Gina porque hein?

Divina    – (longe) Não é obvio? Ela não é ela, Alberto, é uma coisa.

Alberto   – A Gina é a minha mulher, é a minha vida, é o meu tudo. A Gina independente do que tem no meio das pernas, é uma mulher.

Gina      – (baixo) Tudo bem, eu saio do palco, Alberto. Não precisa disso não.

Alberto   – Precisa sim, Gina. Eu estou cansado dessa cidade hipócrita e cheia de preconceitos. (alto) Cês me querem como prefeito, mas não querem a Gina?

Divina    – (longe) É isso mesmo.

Alberto   – Pois bem: não vão ter nenhum dos dois. Sem a Gina ao meu lado, eu não sou capaz de comandar essa cidade.

Gina      – (baixo) Esse é o seu sonho, não pode abandonar tudo por conta de mim.

Alberto   – O meu sonho é você. (alto) Eu gostaria de recomendar uma pessoa para ser prefeita: a Nilda!

CÂM busca a Nilda. Ela fica surpresa.

Alberto   – Com vocês, a querida Nilda.

Nilda sobe no palco. O povo aplaude. Ela fica ainda mais surpresa. Alberto e Gina saem, e a ao passar pela Suzana e a encara.

Alberto   – (baixo) Até mesmo pra você, Suzana, isso foi golpe baixo.

Suzana    – (baixo) Gostou?

Ele não responde e sai com a Gina.

CÂM volta a Nilda que reage bem aos aplausos do povo.

 

CENA 04. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda a encarar a Leila e o Thiago.

Wanda     – É o que? Cê ficou maluca? Tu não vai ter esse filho não.

Leila     – Eu vou e vou tê-lo ao lado do Thiago.

Wanda     – Cê me dá nojo sabia? Nojo! Isso é nojento! Eu não te criei pra isso.

Leila     – Me criou pra ficar trocando de marido a cada cinco minutos igual você faz?

E Wanda dá um tapão na cara da Leila.

Wanda     – Me respeita!

Thiago    – Chega! A senhora já causou muita discórdia aqui. Tá na hora de ir embora.

Wanda     – E quem é você pra me mandar ir embora.

Thiago    – Não sou ninguém, dona Wanda. Mas pelo menos eu sou uma pessoa boa, não sou um babaca como você é.

Wanda     – (a Leila) Vai deixar ele destratar a sua mãe assim?

Leila     – Ele tá certo. Fora daqui, mãe. Fora!

Wanda     – Esta foi a última vez que você me viu, tá me ouvindo? Nunca mais volto a pisar nesse chão. Nunca mais!

Wanda sobe as escadas. Thiago abraça a Leila, dando conforto a ela.

 

CENA 05. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda ainda sob aplausos.

Nilda     – Gente, muito obrigada. Cê é o que vocês querem, eu aceito sim ser a prefeita dessa cidade.

Divina    – (longe) Você precisa escolher uma vice-prefeita, não acha?

Nilda     – Uma vice? Eu ainda não pensei nisso.

Divina    – (longe) Pois pense bem. Nós precisamos de uma que seja boa, uma que ficou ao seu lado durante horas enquanto estivemos sequestradas.

Nilda     – E depois você disse que eu sou uma assassina. Não vai ser você a minha vice, Divina. (pausa) Uma vice? Quem?

Nilda, tensa, a pensar.

CÂM corta pro Alberto e pra Gina que estão em frente à praça.

Alberto   – O que você acha da gente ir embora daqui?

Gina      – Ir embora? Pra onde, Alberto?

Alberto   – Não posso continuar aqui nessa cidade não. Vamos fugir.

Gina      – Mas pra onde criatura? Eu não conheço nenhum lugar além daqui e de Salvador.

Alberto   – Eu conheço um lugar no interior do Rio de Janeiro.

Gina sorri e eles saem juntos.

 

CENA 06.  DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha trabalhando, cheios de papel na mesa, mexendo nos computadores. Confusos.

Leonel    – Tá impossível! O Perseu não existe, não há rastros dele.

Agatha    – E nem do maldito carro preto. Se pelo menos o Mário tivesse ficado vivo.

Leonel    – Droga! Maldita hora que aquele filho da puta foi morrer.

Eles voltam a trabalhar.

 

CENA 07. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia vindo de um lado e Lauro de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Lauro     – Tá vindo da igreja? Não me diga que a dona Zélia lhe botou de castigo.

Nádia     – (ri) Não. Eu fui resolver o que fazer com o Mário.

Lauro     – Eu sinto muito. Como você está?

Nádia     – Bem, eu estou bem. (pausa) Mudando de assunto: preciso te contar uma coisa.

Lauro     – Diga.

Nádia     – Eu estou gostando do Tadeu e eu sei que vocês ficaram amiguinhos… ele disse alguma coisa sobre mim?

Lauro     – Talvez.

Nádia     – Talvez?

Lauro     – Quer um conselho? Vá! Não fique pensando muito, vá!

Nádia     – Tá certo. Eu vou!

Eles riem e seguem andando e conversando.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Nilda olha pra Suzana e sorri.

Nilda     – Está bem. Eu tomei a minha decisão sobre quem será a minha vice-prefeita.

Divina    – (longe) Fala logo.

Nilda     – É a Suzana. Antes que venham tacando pedra, ela é boa no que faz, só escolheu vice-prefeitas erradas. E podem ter certeza: eu sei fazer escolhas.

Suzana    – Tem certeza disso?

Nilda     – Tenho. Sobe aqui, vice-prefeita da cidade de Ilhabela.

Suzana sobe e fica ao lado da Nilda. O povo não aplaude muito, mas também não vaia.

 

CENA 09. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora, Iris, Nilda e Robson sentados – conversando.

Eleonora  – A Suzana? Ela foi a primeira a nos querer fora da cidade.

Nilda     – Ela fez isso por causa da Gina e do Alberto.

Iris      – É melhor ela do que a Zélia ou Divina.

Nilda     – Nós colocar essa cidade nos eixos, podem deixar.

Gina e Alberto descem segurando as malas e se aproximam deles.

Robson    – Então cês vão mesmo embora?

Gina      – É o melhor a se fazer.

Alberto   – Nós não podemos mais ficar nessa cidade não.

Eleonora  – Mantenham contato.

Nilda     – Eu preciso de um abraço bem apertado de vocês dois.

Ela os abraça.

Nilda     – (ao Alberto) Tudo o que aconteceu entre a gente… que fique pra trás. Eu nunca vou entender porque tomou aquela decisão, mas tomou e chega de falar sobre isso. (pausa) E é melhor que você trate bem a Gina se não…

Eles riem. Gina e Alberto se despedem de todos. Após, eles saem.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andando no corredor.

Nilda     – De todas, eu nunca esperaria que a Gina fosse embora.

Eleonora  – Mas ela foi, e foi feliz. Ela está feliz com o Alberto e é isso que importa.

Nilda     – É sim.

Elas seguem andando e conversando em off.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Thiago e Leila estão abraçados. Wanda desce as escadas com as malas e sai sem olhar pra trás.

 

CENA 12. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Tadeu vindo de um lado e Nádia de outro. Eles se aproximam.

Nádia     – Ei!

Tadeu     – Ei. Nós vamos falar sobre o que aconteceu?

Nádia     – Não.

Tadeu     – Não?

Nádia     – Eu gosto de você e você gosta de mim, certo? Então, é o que importa.

Tadeu     – Mas vai ter mais?

Nádia     – É claro que vai.

Eles se beijam e seguem andando.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Lauro sentado à mesa, jantando. Amparo o servindo.

Lauro     – Alguma novidade?

Amparo    – Nada.

É nesse momento que eles escutam o barulho da porta batendo. Lauro e Amparo saem.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos entra e fecha a porta. Lauro e Amparo saem da sala de jantar e se aproximam.

Amparo    – Marcos!

Lauro     – Marcos? Meu deus… cê tá todo machucado. O que aconteceu?

Marcos    – Eu… eu…

E ele desmaia. Antes que caia no chão, Lauro o pega. Amparo os encara.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha na mesma situação. O telefone toca e Leonel atende.

Leonel    – O que? Tô indo. (desliga)

Agatha    – O que aconteceu?

Leonel    – Era a Amparo. O Marcos chegou no rancho.

Eles levantam e saem correndo.

 

CENA 16. IGREJA/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra na igreja e se aproxima do altar. Ela ajoelha. O Padre surge e se aproxima.

Fagundes  – Eu estava fechando a igreja.

Zélia     – Oh, desculpe. Eu não sabia, estou indo então.

Fagundes  – Não, fique. Cê está passando por muito Zélia.

Zélia     – Estou mesmo, mas é bom pra eu aprender, sabe? Estou aprendendo com que estou passando.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Nós nunca fomos melhores amigos, né? A verdade é que você me irritava, mas eu gostava de ter por aqui todos os dias.

Zélia     – Com tudo isso que está acontecendo, acabei abandonando a minha fé. Mas estou voltando com ela, ela me faz bem.

Fagundes  – Deus faz bem a todos nós, Zélia.

Zélia     – Eu tô precisando de ajuda, padre. Não estou bem psicologicamente, meus filhos vão me botar pra fazer terapia.

Fagundes  – Isso é bom, é muito bom Zélia. É o que você precisa.

Zélia     – Eu preciso de deus também, padre. Será que ele é capaz de me perdoar?

Fagundes  – Deus ama a todos nós, Zélia. Ele é a capaz de perdoar a todos nós porque nós somos seus filhos.

Zélia     – Tomará que esteja certo.

Ela começa a rezar. E o padre, ao seu lado, a acompanha.

 

CENA 17. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda está sentada, fumando. Suzana se aproxima e senta ao seu lado.

Suzana    – Prefeita.

Nilda     – Vice-prefeita.

Suzana    – Eu vim perguntar se você vai querer ficar com a mansão.

Nilda     – Não. Eu quero é o meu bordel funcionando de novo.

Suzana    – Você é a prefeita agora. Você que manda.

Nilda     – Então pronto. Pode ficar com a sua mansão, que eu tenho a minha aqui.

Suzana sorri e sai.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Marcos deitado na cama, fraco. Lauro e Amparo perto dele, ajudando.

Lauro     – Fica comigo, Marcos. Fica bem e fica comigo.

Marcos    – Eu estou aqui.

Leonel e Agatha entram.

Leonel    – Nós queremos ficar a sós com ele, Lauro.

Lauro     – (ao Marcos) Estarei aqui fora, é só chamar qualquer coisa.

Lauro e Amparo saem.

Marcos    – Nunca pensei que fosse dizer isso, mas é bom ver vocês.

Agatha    – Marcos? O que aconteceu contigo e com o seu pai?

Marcos    – Senta que lá vem história. (pausa) O Mário estava me levando pra Minas ao encontro do meu pai, que estava ao lado do Mário na estrada.

Leonel    – E o carro do Mário capotou, e o seu pai tirou você de dentro antes que o carro explodisse.

Marcos    – Essa parte cês já conhecem? Certo. Quando eu cheguei lá, em Minas, o meu pai começou a se vingar de mim. Ele me bateu, me chutou, me xingou. Eu revidei.

Agatha    – E depois?

Marcos    – Nós ficamos fazendo isso durante todos esses dias que estive lá com ele. Foi estressante, exaustivo, mas foi bom ao mesmo tempo.

Leonel    – Ele disse alguma coisa sobre o César? Sobre o que fez e o que não fez?

Marcos    – Disse. Ele disse que matou a minha mãe, a Marília, mas não quis dizer onde estava o corpo. (pausa) O meu pai disse que entrou em contato com o Mário logo depois de eu ter vendido o rancho, mas não foi aí que começou os planos. Tudo começou quando ele soube que eu estava voltando a cidade. Ele precisava de alguém para me vigiar.

Agatha    – Certo. O que mais?

Marcos    – Ele mandou o Mário matar o César porque queria me provocar.  (pausa) E depois de tudo isso, ele disse que ia me matar.

Leonel    – Mas não matou. O que aconteceu?

Marcos    – Eu o matei e dessa vez, eu tenho certeza. Eu o matei! Foi por legitima defesa, eu juro, ele ia me matar.

Agatha    – Nós não temos dúvidas quanto a isso, Marcos.

Leonel    – Você não está bem. Descanse e se recupere, Marcos. Mas depois nós precisamos que você vá a delegacia, você cometeu crimes de falsidade ideológica.

Marcos    – Eu sei. Não vou fugir, podem ficar tranquilos.

Agatha    – Ótimo. Nós nos vemos daqui a alguns dias então.

Leonel e Agatha saem.

 

CENA 19. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Leonel e Agatha saem. Eles dão de cara com a Amparo e com o Lauro.

Amparo    – E aí?

Lauro     – O que vai acontecer com o Marcos?

Leonel    – Por enquanto nada, mas depois que ele se recuperar, preciso que ele vá a delegacia. Ele cometeu crimes e precisa ser preso.

Lauro     – Ok. Quem matou o meu pai?

Agatha    – O Mário a mando do Perseu, o pai do Marcos.

Leonel e Agatha saem. Lauro e Amparo se abraçam.

 

CENA 20. CREMATÓRIO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

O caixão com o corpo do Mário sendo posto no fogo. Nádia e Tadeu sentados, olhando. Padre Fagundes benzendo-os.

 

CENA 21. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

A polícia entra no galpão. Eles reviram o lugar e por fim, encaram o corpo do Perseu.

 

CENA 22. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Amparo, Leila e Thiago sentados no banco da praça, conversando.

Amparo    – Então cê vai ficar com o bebê?

Leila     – Não estou totalmente pronta, mas acredito que nenhuma mãe está totalmente pronta.

Amparo    – Felicidades ao casal então. E espero que eu seja a madrinha.

Thiago    – É claro que você vai ser.

Leila     – Amparo do céu! Conta tudo sobre o Marcos.

E eles continuam conversando em off.

 

CENA 23. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/DIA:

Marcos está deitado na cama. Lauro entra e senta ao lado dele.

Lauro     – Bom dia.

Marcos    – Bom dia.

Lauro     – Sei que não quer falar sobre isso, mas é importante. O que você vai fazer com o dinheiro do meu pai?

Marcos    – Eu não quero esse dinheiro, não sei o que fazer com ele.

Lauro     – O meu pai te deu esse dinheiro pra você fazer alguma coisa com ele.

Marcos    – Eu não quero. Fique com ele, pegue o dinheiro e use-o.

Lauro     – Tá certo, vou usá-lo.

Lauro, pensativo.

 

CENA 24. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Dias depois…

Tadeu cuidando do pasto, das pedras. Nádia e Lauro olhando, a primeira toda feliz.

 

CENA 25. FRENTE AO RANCHO DO MÁRIO/EXTERIOR/DIA:

Zélia e o padre Fagundes se aproximando do rancho. Eles riem.

Fagundes  – Como foi a sua primeira sessão na terapia?

Zélia     – Foi bom, foi bom falar sobre coisas e sobre as pessoas. Foi ótimo.

Fagundes  – Isso é bom. (pausa) Eu tomei uma decisão, Zélia.

Zélia     – Decisão? E que decisão foi essa?

Fagundes  – Eu vou me aposentar, está mais do que na hora de eu viver mais.

Zélia     – Abandonar a sua fé?

Fagundes  – Não vou abandonar a minha fé. Deus está comigo pra onde eu for, eu vou abandonar o cargo. Eu preciso viver.

Zélia     – Espero que saiba o que está fazendo, Fagundes.

Fagundes  – Eu sei.

Eles se abraçam e Zélia entra.

 

CENA 26. PREFEITURA/SALA DA PREFEITA/INTERIOR/DIA:

Nilda e Suzana trabalhando. Elas estão felizes, e conversam.

 

CENA 27. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Nádia, Tadeu, Zélia, Omar e Clara sentados no sofá. Além deles, Felippo.

Zélia     – Muito obrigada por vir aqui Felippo para essa leitura.

Felippo   – Não há de que. Eu peço é desculpas pela demora, muita coisa acontecendo em Brasília ultimamente.

Clara     – É mesmo.

Tadeu     – Pode começar. Nunca presenciei uma leitura de testamente antes. Estou ansioso.

Felippo   – É claro. (começa) O meu rancho, propriedade que adquiri com muito esforço, deixo para os meus dois filhos: Omar Almeida Souza e Nádia Almeida Souza. A minha querida esposa, deixou uma grande quantidade de dinheiro adquirida com os lucros que o rancho me deu com o passar do tempo. (termina) É rápido e claro.

Zélia     – Pelo menos ele lembrou de mim. Eu vou subir.

E Zélia sobe.

Nádia     – Então quer dizer que esse rancho todo…

Omar      – … é nosso?

E eles comemoram.

 

CENA 28. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Robson vindo de um lado e Iris de outro. Eles se aproximam e sem pensar duas vezes, Robson dá um beijão na Iris.

 

CENA 29. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha sentados, trabalhando. Marcos entra e os encaram. Os dois entendem.

 

CENA 30. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

O tempo passa…

Eleonora e Nilda juntas. Robson e Iris juntos. Eles estão sentados, conversando.

Eleonora  – Depois de tanto tempo trabalhando, não acredito que finalmente o bordel vai reabrir.

Nilda     – Nem eu. Seria ótimo se a Gina estivesse aqui para nos cantar uma música.

Iris      – Mas ela está bem onde está, Gina.

Robson    – Nós falamos com eles esses dias. Eles estão morando numa cidade no interior do Rio de Janeiro, chamada Prata. E eles estão felizes.

Eleonora  – É o que importa.

E Suzana entra.

Suzana    – Nós precisamos trabalhar, prefeita.

Nilda     – Aí estou atrasada. (a Eleonora) Prepare tudo para a chegada das novas meninas e também para a reabertura do bordel.

Eleonora  – Pode deixar. Elas já devem estar chegando.

Nilda     – Robson e Iris: ajudem!

Robson    – (fala junto com a Iris) Pode deixar chefia.

Iris      – (fala junto com o Robson) Pode deixar chefia.

Nilda dá um beijo na Eleonora e sai com a Suzana. Robson e Iris também se beijam.

 

CENA 31. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Zélia ao lado do Fagundes, Clara com o Omar – e sua filha -, Tadeu com a Nádia. Eles feliz, tomando café, é divertido.

CÂM vai passando pela mesa mostrando cada um com o seu par. Todos felizes.

 

CENA 32. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra e se aproxima da Agatha que está sentada.

Agatha    – A algum tempo atrás, eu estava dizendo que nada acontecia nessa cidade. E eu estava certa. Mas eu reclamei…

Leonel    – …e a tempestade veio. Nós nos arrependemos de ter chamado a tempestade, mas foi bom…

Agatha    – …foi muito bom! E agora a tempestade de foi novamente. Nós estamos sem dramas, sem coisas acontecendo.

Leonel    – Mas é melhor nem reclamar. Deixe que a tempestade chegue sozinha, porque ela vai chegar.

Agatha    – Ah se vai. Pode ter certeza que um dia, ela há de chegar.

Eles sorriem e seguem a trabalhar.

 

CENA 33. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Divina em frente à casa, esperando. Um táxi para e dele salta um homem vestido de padre, bonitão.

Padre     – Cê que é a Divina?

Divina    – Eu mesmo. E você que é o novo padre da cidade.

Padre     – Eu mesmo. É um prazer em conhecê-la.

Divina    – Digo o mesmo. Vamos entrar, eu fiz chá.

Eles entram.

CÂM se aproxima de uma das janelas da casa e mostra uma mulher sentada numa cadeira, de costas. A cadeira balança.

CÂM entra na janela e mostra que essa mulher é o corpo da Célia empalhado tal como a Norma Bates no filme Psicose

 

 

CENA 34. RUA/EXTERIOR/DIA:

Leila e Thiago andando juntos na rua com o filho (um menino negro, lindo). Eles estão felizes.

 

CENA 35. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Lauro e Amparo cuidando do pasto. Ele sendo replantado indicando que o rancho está aberto novamente.

Lauro     – Obrigado Amparo pela ajuda.

Amparo    – Não foi nada. Não se esqueça que isso aqui também é meu. E é ótimo poder reabrir o rancho.

Lauro     – É mesmo não é.

O celular dele toca e ele atende.

Lauro     – Alô.

Pérola    – (off) Lauro? Cê não me ligou mais e nem o Robson. Como estão as coisas.

Lauro não responde e desliga na cara dela. Amparo o encara.

Amparo    – Quem era?

Lauro     – Engano. (olha a hora) Meu deus! Está na hora de ir buscar o Marcos.

E ele sai correndo.

 

CENA 36. FRENTE À PRISÃO/EXTERIOR/DIA:

Marcos sai da cadeia. Ele não vê ninguém, mas olha pro lado e vê o Lauro. Ele sorri.

Lauro     – Marcos.

Marcos    – Lauro.

Lauro     – Estou morrendo de saudades de você.

Marcos    – Eu digo o mesmo.

Lauro     – Tenho uma surpresa pra você, querido.

Marcos    – Surpresa?

Lauro     – Sabe o dinheiro do pai? Então, montei um jornal aqui em Ilhabela e convidei uns funcionários seus pra vir pra cá.

Marcos    – (sorri) Obrigado. Obrigado por tudo, Lauro.

Lauro     – Não foi nada.

E eles saem em direção ao horizonte.

Lauro     – O dia hoje tá lindo. Olha só esse horizonte.

Marcos    – Lindo mesmo. É uma pena que ele é falso!

 

FIM!

 

NOTA DA AUTORA: 

ÚLTIMO CAPÍTULO!

É o último! Meu deus! Foram quatro meses escrevendo e eu acabei? Foi ótimo! “Falso Horizonte” termina do jeito que eu planejei desde o início, algumas coisas ficaram de fora – sempre fica –, mas o que importa foi ao ar. E foi ótimo!

Essa foi a obra com mais referências que eu já fiz. Teve referência a obra original, também chamada de Falso Horizonte, teve referência a Porto dos Milagres, uma das minhas novelas favoritas, e ainda deu tempo de fazer referência a novela “Família” – do Yuri, o meu coautor e escritor do original Falso Horizonte.

Aliás, obrigada Yuri por todo apoio e compreensão. Mesmo que a gente não tenha concordado com tudo, obrigada. Essa obra é uma homenagem a você, meu amigo e meu primo.

Por fim: obrigada a todos que leram até aqui, ao Vinny e ao ADNTV em geral. Obrigada!

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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