FALSO HORIZONTE | Penúltimo Capítulo

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

Marcos    – Eu quero e preciso saber. Onde é que está a minha mãe?

Perseu    – A Marília morreu, Marcos. Morta! Ela está morta.

Marcos    – O que? (desata a chorar) Não é possível, não… como? Como ela morreu?

Perseu    – Eu a matei. Esse foi o meu primeiro passo da vingança, eu a encontrei e a estrangulei até o ar de seus pulmões acabar. (pausa) Foi ótimo! Eu me senti tão bem…

Marcos não aguenta, chora, cai no chão. E Perseu continua.

Perseu    – … me senti revigorado. Ela estava morando numa casinha em Penedo, não tinha se casado e nem tido novos filhos. (pausa) Eu a encontrei e fui até ela, nós conversamos, ela me reconheceu. Foi uma boa conversa, eu disse que tinha mudado, ela me perguntou de você. (pausa) Eu não respondi, não queria dar detalhes. Logo depois, eu segurei o braço dela e depois parti para o pescoço…

CÂM mostra o Marcos tentando não escutar, tapando os ouvidos, ele tenta se afastar; Perseu chega mais perto e continua.

Perseu    – … ela estava com tanto medo. Coitada. Eu estava com o sangue quente, doido para fazer o mesmo contigo logo logo. Não demorou muito para que ela morresse em minhas mãos, literalmente. Foi gracioso. Eu peguei o corpo e me livrei, ninguém o encontrou até hoje. (pausa) É claro que eu não vou lhe dizer onde ele está, é melhor que não saiba. Mas fique sabendo que eu cuidei bem dela, cuidei bem do corpo flácido e velho dela.

Marcos finalmente levanta e cheio de sangue nos olhos bate no Perseu, o derrubando no chão, arranhado o rosto dele.

Perseu    – (com dor, mas não demonstra) O que? Não queria os detalhes? Estou lhe dando!

Marcos    – Cala a boca! Cala a merda da boca!

E continua: batendo, arranhando, deixando o Perseu todo machucado tal como o Marcos está.

Marcos    – (ódio) porque? Ela não fez nada pra você. Porque?

Perseu    – (na mesma) Não entendeu ainda, né? Porque eu quis. Porque eu quero ver você sofrer, Marcos. (pausa) Eu gosto disso, eu gosto de ver você chorando, se definhando.

E então o Marcos para. Ele deita no chão, exausto e ainda chorando. Perseu, também exausto, ao lado dele – ambos ofegantes.

 

CENA 02. RUA/EXTERIOR/NOITE:

As pessoas cercando a Nilda e a Divina, essa última sendo encarada. Eleonora vem correndo e abraça a Nilda. Iris à parte.

Nilda     – Eleonora/

Eleonora  – (corta) Nunca mais ouse fazer isso comigo, ok? Eu não posso viver sem você.

Elas se beijam. E Divina dá outro berro.

Divina    – Será que eu vou ter que repetir? Essa mulher, a Nilda, é uma assassina.

Todos sem entender. CÂM mostra o Leonel e Gina saindo do bordel e se aproximando delas.

Leonel    – Eleonora. Divina. O que aconteceu? Cadê a Célia?

Divina    – É justamente disso que estou falando. (pausa) A Nilda matou a Célia!

Leonel    – Ok… eu preciso que vocês duas me acompanhem até a delegacia.

Gina      – Calma aê, a Nilda mal chegou e já querem levar ela?

Leonel    – É preciso.

Eleonora  – Não demore.

Nilda     – Não vou demorar, logo vou estar de volta no meu bordel.

Nilda dá outro beijo na Eleonora. E sai com a Divina e com o Leonel. Eleonora, Iris e Gina voltam pro bordel.

 

CENA 03. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Fagundes vendo toda a cena anterior. Suzana se aproxima.

Suzana    – Foram me avisar da volta delas. Alguém sabe da Célia?

Fagundes  – Eu escutei a palavra assassinato, alguma delas matou a Célia, acho.

Suzana    – Droga! Estou sem vice.

Fagundes  – Você estava sem vice desde que tirou a Zélia. Botar a Célia foi loucura, Suzana.

Suzana    – Era o certo a se fazer na época.

Fagundes  – De qualquer jeito. O que vai fazer agora?

Suzana    – Como assim?

Fagundes  – Não espera continuar sendo prefeita da cidade, espera? Exigiram a saída da Zélia por menos.

Suzana    – É, tem razão. Eu perdi a minha chance de mudar essa cidade.

Ela dá as costas pro padre e sai andando. Ele bufa e entra na igreja.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago se aproxima da Leila e a abraça.

Thiago    – Isso é ótimo, meu amor. É ótimo, é perfeito.

Leila     – Não, não é. Eu não sei se estou pronta para ser mãe Thiago.

Thiago    – Oh, entendi.

Leila     – Eu quero ter filhos, um dia. Não sei se eu quero agora. Quer dizer, é muita pressão. Muita coisa para se cuidar e tratar sobre. Não sei se/

Thiago    – (corta) Eu entendi. (pausa) Eu estou pronto para ter filhos, para casar… mas se você não estiver, eu espero. Eu quero fazer tudo isso com você e só com você.

Leila     – Minha mãe quer que eu aborte, mas eu também não quero abortar.

Thiago    – Então o que você pretende fazer?

Leila     – Não sei, preciso pensar sobre isso.

Thiago    – Tome o seu tempo, demore quanto tempo quiser para pensar sobre.

Eles se beijam e seguem abraçados.

 

CENA 05. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada. Leonel, Nilda e Divina entram; o primeiro senta ao lado da Agatha, e as outras em frente a eles.

Agatha    – Cês voltaram?

Nilda     – Nós voltamos.

Divina    – Será que dá pra vocês terem foco aqui? Essa mulher é uma assassina.

Leonel    – Eu preciso que vocês digam exatamente tudo o que aconteceu.

E elas começam a falar em off.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris e Gina entram. Elas se aproximam do Alberto, da Clara e do Robson.

Clara     – Eu cheguei aqui e eles disseram que a Nilda voltou. Cadê ela?

Eleonora  – Na delegacia. A louca da Divina está acusando ela de assassina, o Leonel levou as duas.

Gina      – Eles poderiam deixar a gente pelo menos falar com ela antes de levá-la.

Iris      – Ela vai voltar gente.

Robson    – A Iris tá certa. Se a Nilda matou a Célia foi pra se defender, ela vai voltar.

Gina      – Tô morta de sono, amanhã eu dou um abraço na Nilda.

Gina e Alberto sobem as escadas. Os demais seguem conversando em off.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Alberto e Gina entram no quarto. Eles sentam na cama.

Gina      – É ótimo que a Nilda esteja de volta.

Alberto   – Será que ela vai nos perdoar? Me perdoar, quero dizer.

Gina      – Espero que sim, é a Nilda. Ela não é assim.

Alberto   – Tomará.

O celular do Alberto toca e ele atende.

Alberto   – Alô.

Ligação continua na próxima cena.

 

CENA 08. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada no sofá, bebendo uísque e com o telefone na mão.

Alberto   – (off) Alô.

Suzana    – Você ganhou, parabéns. Eu vou renunciar amanhã, antes que exija que eu faça isso.

Alberto   – (off) Está desistindo?

Suzana    – Não se ache não. Estaria prontinha pra quando você estiver precisando de mim.

Ela desliga o telefone e continua a beber.

 

CENA 09. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Mesma situação da cena 05.

Divina    – E então? O que diabos vocês vão fazer?

Leonel    – Nada. Desculpa, Divina, eu sinto muito… mas não vamos fazer nada.

Agatha    – A Célia sequestrou vocês, a Nilda atirou nela para se defender e defender você.

Divina    – Minha irmã não mataria a gente. Ela não é maluca.

Leonel    – Ela não estava segurando uma arma? Não mantinha vocês amarradas? Então pronto.

Divina    – Isso é/

Nilda     – (corta) Posso ir?

Leonel    – As duas podem.

Agatha    – Aliás, podem nos dar o endereço da casa? Precisamos pegar o corpo.

Divina    – Cês não vão tocar no corpo dela. Eu dou um jeito!

Divina sai correndo. Os outros três a encaram saindo.

 

CENA 10. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Perseu arrasta o Marcos pra dentro e o amarra. E bota um silver tape na boca dele.

Perseu    – Chega por hoje! Aproveita essa noite que é a sua última. (pausa) Amanhã de manhã eu volto e nós terminamos com isso de uma vez por todas.

Ele ia embora, mas volta e encara o filho.

Perseu    – Nem posso acreditar que a hora está finalmente chegando. Minha vingança será concluída.

E ele sai. Marcos fecha os olhos.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/QUARTINHO DA EMPREGADA/INTERIOR/DIA:

Leila acordada, deitada ao lado do Thiago que aos poucos desperta.

Thiago    – Ei! Bom dia.

Leila     – Bom dia.

Thiago    – Conseguiu dormir? Eu percebi que de madrugada se mexeu um pouco.

Leila     – Não consegui dormi nada, fiquei pensando a noite toda. (pausa) Cheguei a uma decisão.

E fecha nela, decisiva.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Eleonora e Nilda andam pelos corredores. Elas estão agarradas e conversam.

Eleonora  – É tão bom que você estar de volta.

Nilda     – Não vou mais desgrudar de você.

Eleonora  – É melhor que não desgrude mesmo.

Elas seguem agarradas.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Alberto e Gina se arrumando.

Gina      – Está mesmo confiando que a Suzana vai renunciar?

Alberto   – Ela não parecia estar brincando e sinceramente, faz sentido. A carreira dela está acabada, Gina.

Gina      – A carreira pode estar acabada, mas me recuso a pensar que a Suzana vá desistir assim tão fácil.

Alberto   – Ela vai e sabe porque? Porque ela não tem alternativas. A Célia sequestrou duas pessoas, a própria irmã, e quase matou as duas. A Suzana está ferrada.

Gina      – Só estou dizendo para tomar cuidado, estou sentido que algo não está certo.

Alberto   – Vai dá tudo certo. Confia em mim.

Gina      – Eu confio em ti, meu amor. O problema é a Suzana.

Eles se beijam e saem.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Nádia estão deitados na cama, pelados. Eles começam a despertar.

Tadeu     – A gente…?

Nádia     – Nós transamos, sim, nós fizemos sexo.

Tadeu     – E nós vamos conversar sobre isso termos feito sexo?

Nádia     – Não agora, preciso fazer uma coisa e estou atrasada.

Nádia levantada da cama, já se vestindo, e sai do quarto. Ele sorri.

 

CENA 15. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Omar e Clara sentados à mesa, se servindo. Zélia entra e senta ao lado deles.

Omar      – Bom dia, mãe.

Zélia     – Bom dia. E onde é que está o Thiago?

Clara     – Ele saiu, disse que precisava dá uma saída.

Zélia     – Esses empregados hein. (pausa) Fiquei sabendo da Nilda, como ela está?

Clara     – Bem, na medida do possível.

Tadeu entra e senta com eles.

Omar      – Cadê a Nádia?

Tadeu     – Ela disse que precisava resolver umas coisas.

Omar      – Ah, o papai.

Zélia     – Omar, não quero mais falar sobre esse homem. Mudando de assunto: Tadeu, como vocês estão?

Tadeu     – Nós estamos? Nós quem?

Zélia     – Você e a minha filha. Nós escutamos tudo ontem, pelo menos eu escutei.

Clara     – Nós também escutamos.

Tadeu     – Não tem nada entre a gente, eu acho, não sei.

E Tadeu os ignora, comendo.

 

CENA 16. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro sentado à mesa. Amparo o servindo.

Lauro     – Fiquei sabendo da Nilda e da Divina. Como elas estão?

Amparo    – Não sei, mas acredito que bem. Eu só sei que a Nilda matou a Célia pra se defender.

Lauro     – Hm, interessante.

Amparo    – Lauro? Cê não quer saber da Nilda e da Divina, não é?

Lauro     – Não, eu quero saber do Marcos. Onde diabos ele está?

Amparo    – Não sei, mas agora que isso da Nilda acabou, o Leonel e a Agatha vão ter todo o seu foco no Marcos.

Lauro     – Espero.

E eles continuam a conversar em off.

 

CENA 17. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel está sentado. Agatha entra tomando café e senta ao lado dele.

Leonel    – Agora, nós precisamos focar em encontrar o Marcos.

Agatha    – É claro.

E eles começam a trabalhar.

 

CENA 18. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Marcos todo amarrado e com a boca tapada. Perseu e um homem entram.

Perseu    – Você está dispensado. Essa é a última vez que nós vamos nos ver. Pega o dinheiro que lhe dei e suma daqui.

Homem     – Foi um prazer trabalhar com o senhor, chefia.

O homem sai. Perseu se aproxima do Marcos e o desamarra, e tira a fita da boca dele.

Perseu    – Levante-se! Está na hora de você morrer.

Marcos    – E como você vai fazer isso?

Perseu    – Não se preocupe, não vai doer. Pelo menos, não muito.

Marcos levanta. E eles se encaram frente a frente.

 

CENA 19. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes está ajoelhado, rezando. Nádia entra e se aproxima.

Nádia     – Desculpa interromper padre.

Fagundes  – (levanta) Não está interrompendo a nada.

Nádia     – Eu vim aqui conversar sobre o meu pai.

Fagundes  – Oh, claro. O enterro pode ser amanhã mesmo, se quiser.

Nádia     – Não, não. Ele não vai ser enterrado, vai ser cremado. (pausa) É o certo a ser feito.

Fagundes  – Oh, entendo.

 

CENA 20. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Wanda está sentada no sofá. Leila e Thiago entram e se aproximam.

Wanda     – Leila. Thiago.

Leila     – Eu tomei a minha decisão, mãe.

Wanda     – Ele já sabe?

Thiago    – Já sei sim.

Wanda     – Ótimo. É ótimo que vocês dois tenham percebido que o aborto é a melhor coisa a se fazer agora.

Leila     – Eu não vou abortar, mãe! (pausa) Eu vou ter esse filho e vou criá-lo ao lado do Thiago.

 Os três se entreolham.

 

CENA 21. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Suzana em cima de um palanque. Pessoas em volta dela incluindo o Alberto, a Gina, a Divina e a Nilda.

Suzana    – Bom dia cidadãos de Ilhabela. Eu sei que vocês querem a minha opinião sobre o que aconteceu com a Nilda e com a Divina e aqui vai: eu repudio a atitude da Célia. Ela errou, e eu errei em ter posto ela como vice-prefeita. Ela pagou por isso, e eu vou pagar por isso também. (pausa) Eu estou renunciando à prefeitura.

Ela dá tempo para as pessoas reagirem, mas isso não acontece. E continua.

Suzana    – É a decisão certa a ser feita. Por conta disso, acredito que cês queiram o antigo prefeito de volta.

Alberto sorri e fica ao lado dela.

Suzana    – Com vocês, Alberto.

O povo aplaude.

Alberto   – Obrigado.

Suzana    – E a primeira-dama, Gina.

O povo começa a vaiar a Gina. Ela rapidamente fica envergonhada, Alberto encara a Suzana que sorri.

 

CENA 22. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Perseu e Marcos se encaram. Perseu pega o revólver e aponta pra ele, ele bota o dedo no gatilho pronto para atirar.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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