FALSO HORIZONTE | Capítulo 48 [Últimos Capítulos]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. GALPÃO/INTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Marcos está estirado no chão, todo machucado. Ele começa a despertar. Perseu entra e o encara, altivo.

Perseu    – Acordou? Ótimo porque a minha vingança está só começando.

Perseu se agacha e pega o maxilar do Marcos com força, obrigando ele a olhá-lo.

Perseu    – É pra me olha, filho da puta. Me olha!

Marcos    – (com dificuldade) É engraçado que você esteja falando de vingança quando na verdade eu deveria estar querendo isso.

Perseu    – (o solta) Você? E o que diabos eu fiz pra você hein?

Marcos    – Tá com memória fraca, pai? Pode deixar que eu lhe recordo.

Ele senta no chão. Perseu se afasta, mas ainda o encarando.

Marcos    – Pra começar que você me maltratava e a minha mãe. Ela me deixou porque você batia nela diariamente, e ainda proibiu ela de me ver.

Perseu    – (ri) Eu nunca levantei a mão pra sua mãe… pelo menos não sem motivo. Ela merecia. (pausa) E quanto a ter proibido ela de ir ver… era o certo a ser feito. (pausa) Se bem que eu me arrependo, se você tivesse ido com ela, a gente não estaria aqui hoje.

Marcos    – Você não me deixou ir com ela por puro machismo. Achava que me tornaria homem contigo, pai… eu sou homem! Eu sou homem!

Perseu    – É um homem incapaz de me dar um neto, incapaz de amar uma mulher. Não é um homem. Um homem de verdade não ama outro homem, Marcos.

Marcos    – Não vou entrar nessa discussão contigo novamente, porque não vale a pena. (pausa) E continuando com a minha lista: você quase me matou.

Perseu    – Eu não ia te matar, dramático. Era para te dar um susto, mas você não… você tentou me matar. Você queria fazer isso.

Marcos    – Não, não, eu queria me proteger de você. Era o único jeito de eu sair vivo dali era te dando um tiro… se eu não tivesse atirado em você… você ia me matar. Eu sei que ia.

Perseu    – Dramático.

Marcos    – E além de tudo isso, você destruiu a minha vida. Eu fui obrigado a sair de casa, ficar longe do Lauro e do César… você matou o César!

Perseu    – Eu não matei o César, o Mário fez por mim.

Marcos    – Você nem percebe, né? Nem percebe o quão horrível você é… Pai, no que foi que você se tornou?

Perseu    – (ri) No que eu?… (risada alta) Eu? (sério; grita) No que foi que VOCÊ se tornou? Tu era pra ser o meu filho homem, que ia herdar o meu rancho, que ia fazer e acontecer naquela cidade. Tu era pra ser o homem da família quando eu morresse, era pra ser o meu herdeiro. (grita) Você destruiu todos os meus planos! Acabou com todos eles! (pausa; ri) No que foi que eu me tornei? Idiota.

Marcos    – Pai/

Perseu    – (corta) E ao contrário de seguir todos os meus planos… o que é que cê faz? Se apaixona por um velho caquético, faz planos de criar o Lauro com ele como se fosse… (pausa; grita) Isso não é um conto de fadas! Idiota! (ri) Tu achou mesmo que ia criar o Lauro com o César como se fosse uma família? Idiota! Imbecil! É filho da sua mãe mesmo, tudo na mesma laia desgraçada.

Marcos    – (grita) Não fala assim da minha mãe/

Perseu    – (corta) E tu vai fazer o que comigo? (grita) Chega! Não aguento mais escutar a sua voz de merda.

Perseu pega uma silver tape e bota na boca do Marcos, o calando. Ele ia agredir o Marcos, mas desisti.

Perseu    – Eu preciso respirar. Cê me dá nojo, Marcos.

Ele dá as costas e sai. Marcos arranca a silver tape, sentido dor após fazê-lo.

 

CENA 02. CASA ABANDONADA/INTERIOR/NOITE:

Célia e Nilda a brigar pela arma, até que a mesma dispara no meio delas. Elas se encaram, tensão, é quando a Nilda levanta; vitoriosa, porém em choque.

Nilda     – (em choque) Eu… eu a matei? Oh deus! Eu a matei!

CÂM, então, mostra a Divina logo atrás ainda amarrada na cadeira. Ela desata a chorar.

Divina    – (chora) Você… você… você matou a minha irmã? Não!

Nilda     – Desculpas, eu não queria. Eu só quero sair daqui, desculpa.

É quando ela se solta da cadeira e ajoelha perante o corpo da Célia, a chorar. Nilda tenta ajudar.

Divina    – (chora) Eu não quero a sua ajuda, assassina.

Nilda     – A Célia ia nos matar, Divina. Por favor/

Divina    – (chora; corta) Cala a boca!

Divina agarra o corpo da irmã, chorando muito.

Nilda     – Eu sinto muito, mas nós precisamos sair daqui… eu estou indo. Fique se quiser.

Nilda dá as costas e sai. Divina a chorar e encarar o corpo da Célia, ela levanta e sai.

 

CENA 03. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda entra e percebe a presença da Amparo e do Thiago, dando um sorriso amarelo.

Leila     – Mãe.

Wanda     – Oi filha. (aos demais) Oi para vocês também.

Leila     – Não esperava que viesse hoje, tão rápido.

Wanda     – Eu sou rápida querida. (aos demais) Cês já estão de saída, certo?

Thiago    – Na verdade/

Amparo    – (corta) Estamos sim de saída, Wanda. É sempre um prazer.

Wanda     – Eu digo o mesmo, querida.

Amparo e Thiago levantam e sai.

Wanda     – Esses seus amigos hein, filha, jesus.

Leila     – Mãe!

Wanda     – Não está mais aqui quem falou, mas se sabe a minha opinião. (pausa) E sabe a minha opinião sobre trabalhar de empregadinha, meu deus, filha.

Wanda a olhar a casa do teto ao chão. Leila bufa.

 

CENA 04. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/NOITE:

Amparo e Thiago saem.

Thiago    – Cê deveria ter deixado eu responder aquela mulher.

Amparo    – Não se mete nessas coisas, ela vem e vai ir embora rápido. É melhor assim.

Thiago    – Eu não gosto dela.

Amparo    – Ninguém gosta, mas a presença dela é necessária… quem sabe assim a Leila conta a verdade logo.

Thiago    – Verdade?        

Amparo    – Aí esquece! Eu não falei nada não, isso é entre vocês e ela.

Thiago    – Do que você está falando?

Amparo    – Não estou falando de nada. Ela vai te contar, é só esperar.

Ela sai correndo. E Thiago, sem entender, sai pelo outro lado.

 

CENA 05. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda e Leila sentam no sofá.

Leila     – Achei que o seu marido ia vir junto.

Wanda     – Não, deus o livre dessa cidade. É melhor que ele fique em Salvador mesmo.

Leila     – Tudo isso é por causa do Thiago e da Amparo?

Wanda     – E por causa desse emprego de merda. É lógico que eu não contei pra ele que é empregada, imagina só um diplomata casando com a mãe de uma empregada.

Leila     – Mãe… eu desisto de você. Eu desisto.

Leila levanta do sofá, mas se sente mal, e volta a se sentar.

Wanda     – Meu deus! O que foi isso, Leila?

Leila     – Não foi nada.

Wanda     – É claro que foi alguma coisa. O que andou tomando hein?

Leila     – Nada, não foi nada. Me deixa!

Wanda     – Não deixo! O que foi isso, Leila?

Leila     – É que eu… eu estou grávida mãe.

E elas se encaram.

 

CENA 06. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina caminhando pela rua escura. Divina a chorar, Nilda ainda em choque; porém determinada.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Iris e Alberto sentados. Eles conversam, preocupados.

Eleonora  – Não estou aguentando mais, se eu tiver que passar mais uma noite sem a Nilda… eu nem sei. Eu vou enlouquecer.

Iris      – Pensamento positivo. O Leonel e a Agatha estão fazendo de tudo para encontrar a Nilda e a Divina.

Eleonora  – Espero que estejam mesmo.

Gina      – Não sei porque, mas sinto que esse pesadelo já está terminando Eleonora. A Nilda vai voltar pra gente.

Leonel entra e se aproxima.

Alberto   – Alguma novidade?

Eleonora  – Eu já mandei cê calar a boca. (ao Leonel) Alguma novidade?

Leonel    – Nós estamos tentando rastrear a Célia, mas tá difícil. Acredito que ela deva entrar em contato de novo, para pedir alguma coisa.

Robson desce as escadas e sai. Iris vê e vai atrás.

 

CENA 08. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/INTERIOR/NOITE:

Robson sai do bordel e senta, começando a fumar. Iris se aproxima.

Iris      – Ei.

Robson    – Como você tá?

Iris      – Na medida do possível, eu estou bem. Eu sei que a Nilda vai sair dessa, ela é uma sobrevivente.

Robson    – Estou na torcida por vocês. Isso que essa mulher fez é loucura.

Iris      – Todos nós sabíamos que a Célia era a mais louca de todas, mas não tínhamos ideia que iria sequestrar a Nilda.

Robson    – Ninguém poderia fazer ideia de uma coisa dessas.

Iris      – E você? Como está? Eu soube da Pérola.

Robson    – Estou bem, acho que foi melhor assim. Ela me pediu pra ficar de olho nas pedras e no Tadeu, mas não sei se vou fazer isso. Pra mim isso das pedras acabou com a morte da Marilda.

Iris      – Tá certo, eu te entendo. (pausa) E eu posso saber porque ficou?

Robson    – Tem uma mulher que me prende aqui.

Iris sorri. Robson compartilha o cigarro com ela e ela aceita.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/NOITE:

Clara e Omar deitados na cama, abraçados. Omar está bem melhor.

Clara     – Omar? Eu gostaria de ir no bordel, ver se tem alguma novidade.

Omar      – É claro, desculpa te prender aqui com tudo isso acontecendo.

Clara     – Não, cê estava precisando de mim e eu também estava. Obrigada.

Omar      – Eu que agradeço. (pausa) Vai lá, eu também preciso resolver uma coisa.

Clara     – As pedras, né?

Omar confirma com a cabeça. Ela dá um beijo nele e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DA NÁDIA/INTERIOR/NOITE:

Tadeu sentado na cama, Nádia encostada no ombro dele. Ela ergue a cabeça e esfrega os olhos.

Nádia     – Desculpa, desculpa por te chorado. Por ter chorado no seu ombro, desculpa/

Tadeu     – (corta) Ei, ei. Não precisa pedir desculpas, está tudo bem. (pausa) Chorar faz bem.

Nádia     – Eu sei, mas/

Tadeu     – (corta) Sem mas, Nádia. Eu sou seu amigo, não sou? É pra isso que eu estou aqui.

Nádia sorri, Tadeu também. Os seus rostos se aproximam até que eles se beijam. No começo é só um selinho, mas logo vira um beijão. Eles começam a tirar as roupas, ficando pelados.

 

CENA 11. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Wanda levanta de imediato. Ele encara a Leila que continua sentada.

Wanda     – Você está grávida? Grávida do… do… do Thiago?

Leila     – Estou, mãe.

Wanda     – Meu deus! O meu neto vai ser igual ao pai? Um negrinho… jesus!

Leila     – Chega mãe. Isso é racismo, é crime, e eu não vou admitir que fale mais essas coisas do Thiago.

Wanda     – Ele sabe?

Leila     – Não, ainda não.

Wanda     – Ótimo. Dá tempo de você fazer um aborto e tirar essa criança de dentro de você.

Leila     – Eu não vou abortar o meu filho, mãe.

Wanda     – O que? Vai me dizer que quer esse filho? Pelo amor, Leila. Cê não quer esse filho.

Leila     – E se eu quiser?

Wanda     – Você não quer! Tá na sua cara que você não quer esse filho.

Leila     – Mãe/

Wanda     – (corta) Eu vou pro quarto de hóspedes e amanhã a gente conversa sobre isso. Eu sei que você não quer esse filho, é o melhor a ser feito Leila.

Wanda sobe as escadas. Leila desata a chorar.

 

CENA 12. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu olhando a lua, fumando. Marcos sai, todo machucado, e se aproxima do pai.

Marcos    – Nós precisamos continuar com isso, pai.

Perseu    – Com isso o que, Marcos?

Marcos    – Com as verdades. Essa é a única vez em anos que fomos verdadeiros com nós mesmos… eu preciso saber de algumas coisas antes… antes de morrer.

Perseu    – Morrer?

Marcos    – Não é isso que vai fazer comigo? Me matar? Então, antes de fazer isso eu quero saber de algumas coisas, eu quero respostas.

Perseu    – Pergunta.

Marcos    – O Mário matou o César a sua ordem. Porque?

Perseu    – A verdade? É que eu queria te irritar, te fazer sofrer. Mas a mentira que eu contei pro Mário e pra mim mesmo era que a morte dele era necessária pra fazer as coisas girarem. Mas isso é mentira. Não tinha motivos pra matar o César, só queria te irritar.

Marcos    – (respira fundo) Eu pedi, eu recebei. Ok. Quando você entrou em contato com o Mário?

Perseu    – Logo depois que ele se mudou pra meu rancho, queria saber quem era o filho da puta. Depois me afastei, fiquei seguindo você pelo Rio… eu lia o seu jornal, é uma merda! E quando você foi pra cidade de novo, eu entrei em contato com o Mário. Ele me falou das pedras, parecia muito interessado, e usei isso pra que ele fizesse tudo o que eu pedisse.

Marcos    – Você me ama? Você sente alguma coisa por mim?

Perseu    – Não, eu parei de amar as pessoas. É uma fraqueza, uma idiotice.

Perseu se vira, entrando no galpão. Marcos se vira, olhando ele entrar.

Marcos    – Pai?

Perseu    – O que? Achei que já tivesse acabado com esse interrogatório de merda.

Marcos    – Não, ainda não. (pausa) E a minha mãe? Onde está a minha mãe?

Eles se encaram.

 

CENA 13. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha está sentada, trabalhando, um pouco enrolada. Omar entra segurando um saco.

Omar      – As pedras.

Ele bota o saco em cima da mesa. Agatha o abre e vê os kimberlito.

Agatha    – Obrigada.

Omar não responde, só dá as costas e sai.

 

CENA 14. MANSÃO DA PREFEITA/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila entra, chorando e bebendo uísque. Ela derruba uma colher e quando a pega, vê o seu reflexo. Ela solta o copo e a colher, saindo correndo.

 

CENA 15. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda e Divina entram na cidade, começando a passar pelas ruas. As pessoas as encaram, as rodeiam.

CÂM mostra a Iris e o Robson sentados frente ao bordel. Eles percebem a movimentação. Iris vê a Nilda e sorri.

Iris      – É a Nilda! Meu deus! Eu preciso falar com ela, entra e avisa as meninas.

Robson entra. CÂM acompanha a Iris que corre até a Nilda, e a abraça.

Iris      – Meu deus, Nilda.

Nilda     – (emocionada) Iris? É tão bom te ver, criatura. Cadê a Eleonora?

Iris      – O Robson foi chamá-la.

Iris beija a Nilda, toda sorridente. É quando a Divina dá um berro.

Divina    – Cês ficam dando amor pra essa aí… mas o que vocês não sabem é que ela é uma assassina. Assassina!

Todos a encarar a Divina.

 

CENA 16. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Gina, Alberto e Leonel sentados, conversando. Robson entra.

Robson    – A-a-a-a Nilda está de volta. Ela voltou!

Eleonora levanta de imediato, olhando o Robson, séria.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Thiago arrumando a cozinha. Leila entra, um pouco bêbada, e se aproxima.

Thiago    – Leila?

Leila     – Eu tô grávida!

CÂM mostra a reação do Thiago, surpreso.

 

CENA 18. FRENTE AO GALPÃO/EXTERIOR/NOITE:

Minas Gerais

Perseu a encarar o Marcos, e vice-versa.

Marcos    – Não vai me responder?

Perseu    – Não vou te responder porque eu não sei a resposta.

Marcos    – Você sabe, eu sei que você sabe. (pausa) Onde está a minha mãe, pai?

Perseu    – Cê quer mesmo saber?

 

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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Publicado em 4 de outubro de 2017, em ADNTV, ADNTV Dramaturgia, Falso Horizonte e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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