FALSO HORIZONTE | Capítulo 46 [Última Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. ESTRADA/EXTERIOR/NOITE:

Estrada fechada, engarrafamento, buzinas. Leonel com os policiais no meio da bagunça, um carro capotado e em cinzas. Curiosos olhando a tudo.                 

Leonel    – Precisamos ser rápidos com tudo isso. A estrada precisa ser aberta, o corpo do Mário ser levado e o carro precisa ser tirado daqui. Tudo isso o mais rápido o possível, pois precisamos ir atrás do Marcos.

Policial  – Certo.

Leonel    – Eu vou voltar pra cidade. Preciso comunicar a família, se precisarem me liguem.

Leonel sobe numa moto que está sendo pilotada por um policial e eles saem cantando pneu.

 

CENA 02. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Eleonora, Iris, Gina e Alberto reunidos, eles conversam.

Gina      – Como que isso aconteceu?   

Eleonora  – E eu sei? Ela saiu pra ir na padaria e sumiu, não voltou mais. Não atende o celular, não sei dela faz horas.

Iris      – E eu achei melhor comunicar a Agatha, vai que algo de ruim aconteceu?

Eleonora  – Vira essa boca pra lá.

Alberto   – Eu concordo com a Iris. O Marcos e o Mário estão soltos, não estão?

Eleonora se desespera e senta. Gina os encara, se aproximando dela.

Gina      – Não liga pro que esses idiotas estão falando não.

Eleonora  – Eles podem estar certos. A minha Nilda, Gina.

Gina      – Ela está bem. É a Nilda, Eleonora. Ela sobrevive.

Eleonora  – Tomará que esteja certa.

Elas se abraçam. Clara entra e se aproxima deles.

Clara     – Eu vim o mais rápido que pude. O que aconteceu?

Eleonora  – Tu não tinha que estar aqui. Está grávida e eu fiquei sabendo que foi pro hospital esses dias.

Clara     – Eu estou bem, Eleonora. Preciso estar aqui pra quando a Nilda chegar, ela praticamente me criou.

Iris      – Acho importante ter as meninas da Nilda reunidas aqui, por isso que te chamei.

Gina      – Fez bem. É isso que ela ia querer: todas nós juntas e reunidas.

Alberto   – Me sinto deslocado aqui.

Eleonora  – E é pra se sentir mesmo. Você e a Gina traíram a Nilda.

Iris      – Não era pra isso, Eleonora. Nós precisamos ficar unidos.

Ela concorda. CÂM mostra a preocupação de todos.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/NOITE:

Agatha e o padre entram. Ela senta frente ao computador e ele fica ao lado dela.

Fagundes  – Achei que a gente ia no bordel. Não temos que falar com as meninas?

Agatha    – Eu mandei a Suzana ir lá por isso. Antes eu preciso descobrir o que aconteceu.

Ela mexe no computador e acha as filmagens de segurança, dando play nelas.

 

CENA 04. FLASHBACK/FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/INTERIOR/NOITE:

Nilda sai do bordel e dá de cara com um carro. Da janela desse carro sai uma arma sendo segurada por uma mão. Nilda entra no carro e ele sai cantando pneu.

 

CENA 05. FLASHBACK/RUA/EXTERIOR/NOITE:

Divina andando na rua. O mesmo acontece com ela. Ela entra no carro e ele sai cantando pneu.

 

CENA 06. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

As mesmas da cena 02. Suzana entra e se aproxima.

Alberto   – Suzana?

Suzana    – Alberto. (a Eleonora) Eu vim conversar com vocês sobre a Nilda.

Eleonora  – O que você sabe sobre isso, Suzana?

Suzana    – Nilda foi, aparentemente, sequestrada pela Célia. E não foi só ela, a Divina também foi.

Iris      – Ela sequestrou a própria irmã? Isso é loucura.

Suzana    – Eu acredito que essa parte a Gina e o Alberto vão saber explicar bem.

Gina      – Como assim?

Suzana    – A Célia descobriu que a Divina e o Alberto estão trabalhando junto. Ela me disse que ia fazer alguma coisa, não achei que ela fosse sequestrar alguém. E depois ela foi se confessar com o padre. E então, descobrimos que a Divina e a Nilda sumiram.

Eleonora  – (desata a chora) Isso é tudo culpa sua, Alberto!

Alberto   – Eu sinto muito.

Eleonora  – (chora) Você vai sentir é a minha mão na sua cara.

Clara     – (grita) Acalmem-se! Brigar e gritar não vai adiantar nada. Calma! (pausa) O que a Nilda tem a ver com isso? Não seria melhor sequestrar o Alberto.

Gina      – Ei!

Clara     – Desculpa, mas é a verdade.

Iris      – Faz mais sentido sequestrar o Alberto e a Divina do que a Nilda, não faz?

Suzana    – Também acho, mas acredito que ela não está raciocinando muito bem.

Gina      – Cadê a Agatha?

Suzana    – Ela está sobrecarregada. O Leonel não está por aqui. Mas ela já está vindo pra cá.

Eleonora  – (limpa as lágrimas) Ok, o que eu posso fazer pra ajudar? Eu quero a minha Nilda de volta.

Clara     – Todas nós queremos a Nilda de volta e sair por aí não vai trazê-la de volta, Eleonora.

Eleonora  – Droga!

Eleonora, preocupadíssima. Assim como os demais.

 

CENA 07. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Leila levanta e fala ao celular com a Wanda. Thiago a encara.

Leila     – Oi, mãe.

Wanda     – (off) Filha, querida. É só para lhe avisar que eu casei de novo. Ele é um aristocrata italiano, riquíssimo. Estou indo até aí para que você o conheça, vai amá-lo.

Leila     – Mãe/

Wanda     – (corta; off) Nem me venha com desculpas. Você vai conhecê-lo e pronto. (pausa) Você ainda está com aquele rapaz?

Leila     – Estou, mãe.

Wanda     – (off) Não vou discutir com você sobre isso. Já sabe da minha opinião, mas por favor, não fique amostrando pele pra o seu novo padrasto. Esse seu namoradinho não é da mesma laia que ele, não acho correto.

Leila     – Então não venha, mãe. Fique por aí mesmo.

Wanda     – (off) Não posso, já estou em Salvador. Eu chego logo, querida.

Ela desliga e encara o Thiago. Ela volta a se sentar, frente a ele.

Leila     – Minha mãe. Ela está vindo pra cidade.

Thiago    – Era isso que queria falar comigo? Quer um tempo de novo?

Leila     – (pensa) Não, eu não quero um tempo contigo. (pausa) E sim, era o que eu queria falar contigo. (pausa) Minha mãe está voltando.

Thiago    – Só isso?

Leila     – É, só isso.

Thiago    – Nós sobrevivemos a primeira, e vamos sobreviver a segunda.

Ele a beija.

 

CENA 08. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Leonel vindo de um lado, Agatha de outro. Eles se aproximam.

Leonel    – Ei!

Agatha    – Ei. Estou enlouquecendo, muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo.

Leonel    – Que caso é esse que cê pegou?

Agatha    – A Célia enlouqueceu e sequestrou a Nilda e a Divina.

Leonel    – É o que?

Agatha    – É, pois é. Estou indo no bordel agora mesmo, conversar com as meninas.

Leonel    – Ok, boa sorte.

Agatha    – O que aconteceu na estrada?

Leonel    – Pra começar, o Mário capotou o carro. Depois, alguém conseguiu pegar o Marcos do carro antes que eu saísse do meu. O Marcos sumiu com esse alguém e o Mário morreu.

Agatha    – É o que?

Leonel    – Pois é. Estou tentando entender tudo até agora. (pausa) Preciso ir contar a Zélia sobre a morte dele.

Agatha    – Ok, vai lá.

Cada um segue o seu caminho.

 

CENA 09. BAR/EXTERIOR/NOITE:

Pérola e Robson estão sentados, bebendo. Eles conversam.

Robson    – O que será da gente agora?

Pérola    – Eu vou embora, Robson.

Robson    – Cê não pode fazer isso. Nós não podemos desistir assim tão fácil.

Pérola    – Não estou desistindo. É que pra mim chega dessa cidade, do Lauro, de tudo. Eu estou farta! Preciso do meu Rio de Janeiro de volta.

Robson    – E o último desejo da Marilda?

Pérola    – Eu realizo o desejo da Marilda em outros países, em outras minas. Não aqui, não quero mais.

Robson    – Nem pelo Lauro?

Pérola    – Muito menos por ele. Eu não o amo, Robson. O sexo é bom, ele é legal e é isso. O maior motivo de estar com ele é pelas pedras, e o filho da puta me traiu.

Robson    – Tá certo. Não há nada que eu possa fazer pra mudar de ideia?

Pérola    – Não! (pausa) Ocê não queria vir pra cá e agora não quer sair?

Robson    – Iris. Eu não posso sair daqui sem me resolver com ela, sem estar com ela.

Pérola    – Boa sorte pra vocês.

Ele bebe o último copo e sai. Robson a vê saindo e segue bebendo.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia abre a porta e Leonel entra. Eles se sentam no sofá.

Zélia     – A que devo a honra? Alguma novidade do Mário e do Marcos?

Leonel    – Na verdade sim, mas acho melhor que o Omar e a Nádia estejam presentes.

Zélia     – (estranha) Ok… (grita) Nádia! Omar!

Eles descem e se unem.

Omar      – Aconteceu alguma coisa?

Zélia     – Pelo visto sim.

Nádia     – Tem a ver com as pedras? Ou com o Mário?

Leonel    – Tem a ver com o Mário. (pausa) Nós descobrimos a localização dele e do Marcos. E eles também descobriram que a gente os descobriu.

Zélia     – Para de enrolar e conta logo o que aconteceu.

Leonel    – Certo. Nós os perseguimos pela estrada e o carro em que o Mário e o Marcos estavam capotou. O Marcos desapareceu, estamos tentando encontrá-lo.

Omar      – E o meu pai?         

Leonel    – Não consegui tirar o ele a tempo do carro e o carro explodiu… (pausa) Ele morreu. Eu sinto muito.

Nádia     – Oh, deus.

Omar      – (desata a chorar) Não! É o meu o pai. Ele… ele morreu? Não!

Nádia abraça o Omar, que está devastado. Zélia sorri e sai.

Leonel    – Está tudo bem com a Zélia? Ela não demonstrou nada.

Nádia     – Ela não está bem e isso não ajudou, com certeza.

Leonel    – Desculpa, eu não sabia.

Omar      – (grita; chorando) Sai daqui! Sai! Sai daqui!

Nádia     – É melhor você ir agora.

Leonel sai. Nádia agarrada no Omar, que está chorando, desesperado.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia entra, devastada. Ela derruba objetos e moveis no chão. Bagunça a cama. Zélia cai no chão, chorando muito.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está terminando de lavar a louça. Leila entra e se aproxima.

Leila     – Eu não tive coragem de contar pra ele, Amparo.

Amparo    – Leila!

Leila     – Sem sermão. Eu quero um pouco de amor e compreensão, Amparo.

Amparo a abraça. E Leila desaba a chorar novamente.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

As mesmas da 06. Padre e Agatha entram e se aproxima delas.

Eleonora  – Finalmente! É melhor você ter alguma ideia da onde a Nilda está.

Agatha    – Eu vou contar a vocês tudo o que eu sei e é pouco. Então nada de pânico.

Ela começa em off.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado no sofá, bebendo. Pérola entra e se aproxima.

Lauro     – Você sumiu.

Pérola    – Precisei sumir um pouco, mas está tudo certo agora.

Lauro     – Isso é bom, não é. Está tudo bem entre a gente?

Pérola    – Não, não está. (pausa) Eu estou indo embora Lauro. Amanhã mesmo eu volto pro Rio.

Ela dá as costas pra ele, subindo a escada. O ignorando. Lauro não entende.

 

CENA 15. CASA ABANDONADA/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Célia sentada numa cadeira, a encarar a Divina e a Nilda que estão amarradas em cadeiras.

Nilda     – (desperta) O que diabos está acontecendo aqui?

Divina    – (desperta) A gente está presa? (olha a Célia) Célia?

Célia     – Bom dia, donzelas.

Ela as encara, diabólica.

 

CENA 16. GALPÃO/INTERIOR/DIA:

Minas Gerais

Marcos está sentado no chão com os pés e mãos amarradas. Perseu andando frente a ele.

Perseu    – Se eu soubesse que o calmante seria tão forte, nem teria te dado. Merda!

Marcos    – (desperta) Pai?

Perseu    – Finalmente! Olá, filhinho querido.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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