FALSO HORIZONTE | Capítulo 44 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Robson levanta e fica frente a frente com a Iris. Eles se encaram.

Robson    – Iris/

Iris      – (corta) Deixa que eu fale primeiro. Eu sei que você acabou de perder a Marilda, e nem imagino pelo que está passando. Eu não deveria ter embarcado nessa relação agora, você ainda não está pronto.

Robson    – Iris… eu amo a Marilda e nunca vou poder deixar de amar. Mas a culpa não é sua. Eu deveria ter esperado, deveria ter sido franco contigo e dito que não estava pronto. (pausa) Eu ainda não estou pronto, desculpa.

Iris      – Está tudo bem. Eu estarei aqui assim que você estiver pronto, eu também vou estar. (pausa) Desculpa, desculpa se algum dia eu dei a entender que queria que você esquecesse a Marilda. Eu sei que não tenho o direito de pedir isso.

Robson    – Não tem que me pedir desculpa por nada.

Iris      – É isso, eu acho que é isso… eu te amo Robson.

Robson    – Eu também. (pausa) Um último beijo?

Iris      – Claro.

Ela dá um selinho nele, se afasta, e depois dá um beijão. Após, ela sorri e sai.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto e Divina sentados no meio-fio, eles conversam. Célia à parte, observando.

Alberto   – Não tem nada pra me contar sobre a Suzana e Célia?

Divina    – Elas não fizeram nada hoje, estavam focadas na fuga do Mário e do Marcos.

Alberto   – Eu soube que o povo ficou irritado com elas.

Divina    – A Célia deu um piti, mas nada demais não. Elas ainda estão bem.

Alberto   – Mas não por muito tempo. Eu sinto que ou a Célia ou a Suzana vai fazer alguma merda grande.

Divina    – Também estou sentido isso. (pausa) Tenho que ir agora, antes que a Célia dê falta de mim.

Ela se despede e sai. Célia, que estava de olho, vai atrás. Alberto entra no bordel.

 

CENA 03. HOSPITAL/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Omar está esperando no corredor. Nádia vem correndo.

Nádia     – Meu deus, Omar! O que aconteceu com a Clara?

Omar      – Nós dois discutimos e ela passou mal.

Nádia     – Omar!

Omar      – Ela descobriu das pedras, Nádia. Nós discutimos por isso. (pausa) E agora ela quer que a gente se entregue.

Nádia     – Como ela descobriu isso, Omar?

Omar      – O papai fugiu da cadeia, eu acho que vai vir atrás das pedras. Eu estava pensando no que fazer com elas, aí a Clara entrou no quarto.

Nádia     – Droga! E agora?

Omar      – Eu assumo a culpa, não precisa se preocupar.

Nádia     – Não, nós dois fizemos merda e vamos ser responsabilizados juntos.

Omar      – Não, é melhor que só eu seja preso. A mãe precisa de você, Nádia. Ela não está bem.

Omar e Nádia se encaram, pensativos.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Divina andando na rua. Célia vem atrás e a surpreende.

Célia     – Cretina! Mentirosa! Falsa! Traíra!

Divina    – Célia/

Célia     – (corta) É isso que você é. Judas! (pausa) Como você pode fazer isso comigo e com a Suzana, hein sua judas?

Divina    – Cê quer saber mesmo porque eu fiz isso? Porque você sempre me tratou como lixo, Célia. Você nunca se importo comigo, com os meus sentimentos. Eu nunca fui importante pra você, só servia pra ser a sua empregadinha. (pausa) Isso em cansou! Eu cansei!

Célia     – Mentira! Isso é mentira, Divina. Eu sempre me importante contigo, até demais. Eu sempre botei você antes de mim, sempre pensei no que a querida Divina quer, antes de pensar em mim mesma. Mentira sua!

Divina    – Eu que sou a mentirosa, Célia? Você está mentindo tanto desde o início que não sabe nem distinguir a verdade da ilusão que você criou pra si mesmo.

Célia     – Não! É isso que você sempre fez durante toda a minha vida. Botar a culpa pra cima de mim.

Divina    – Não estou botando a culpa em ti, estou dizendo a verdade. Você nunca se importou comigo e eu decidi agir, decidi ter uma vida.

Célia     – Mas é aí que está: você não tem uma vida, Divina. Quando era criança, vivia pelos nossos pais. Eles morreram, e passou a viver por mim. E agora, está vivendo pelo Alberto. (pausa) Você não tem uma vida, Divina, nunca teve.

Divina    – Eu tenho uma vida, Célia. E eu escolhi o Alberto a você. Eu escolhi apoiá-lo.

Célia     – Chega! (grita) Chega! Eu estou cansada dessa discussão inútil. Vamos pra casa, eu te perdoo.

Divina    – Não quero ser perdoada por você. Eu não vou pra casa.

Célia     – É o que?

Divina    – Eu estou tomando as minhas decisões, Célia. Eu quero viver a minha vida.

Divina dá as costas pra Célia. Ela dá um berro e Divina se vira.

Célia     – Você está morta, Divina. Morta! Eu vou acabar com a sua vida de merda. Judas! Cachorra!

Divina    – O que você vai fazer?

Célia     – Espere e verá. Morta! É isso que você está pra mim: morta!

Célia sai andando, puta. Divina ignora e segue andando pelo lado oposto.

 

CENA 05. CASA/SALA/INTERIOR/NOITE:

Marcos está sentado no sofá, sonolento. Mário entra e se aproxima.

Mário     – Ei! Acorda! Vá dormir na cama, Marcos.

Marcos    – Onde é que você estava, Mário?

Mário     – Na rua.

Marcos    – Você saiu pra comprar pão e esconder o carro, e sumiu. E só voltou agora, eu estava preocupado.

Mário     – Tive um compromisso, não pude faltar a ele.

Marcos    – Legal, e eu fiquei sem comer a merda do dia inteiro.

Mário     – Você não disse que queria comida, Marcos.

Marcos    – Vá a merda! E que compromisso é esse que durou o dia inteiro?

Mário     – Não lhe interessa, Marcos. Vá dormir.

Marcos levanta e se aproxima dele. Eles ficam frente a frente.

Marcos    – Você está fedendo a puta. A sabonete barato de motel de esquina. (pausa) Não acredito que me deixou sozinho pra comer uma puta.

Mário     – Deixei. Eu precisava fazer isso, eu sou homem ao contrário de você.

Marcos    – Filho da puta! Se isso aqui der errado, a culpa é sua, homão de merda.

Mário     – Nada vai dar errado.

Marcos    – É melhor que não dê mesmo.

Marcos sai. Mário sorri e acende um cigarro.

 

CENA 06. FRENTE À DELEGACIA/EXTERIOR/NOITE:

Agatha está saindo da delegacia e dá de cara com a Pérola.

Agatha    – Pérola?

Pérola    – Você não falou mais nada sobre as pedras. Descobriu alguma coisa?

Agatha    – Ainda estou investigando. Eu quero fazer isso direito, então, pode demorar. Mas amanhã mesmo pretendo ir no rancho da Zélia.

Pérola    – Ótimo. Me mantenha informada, por favor.

Agatha    – Pode deixar.

Pérola sai por um lado. E Agatha por outro.

 

CENA 07. HOSPITAL/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Omar com a Clara, eles conversam. O médico entra e se aproxima.

Médico    – Está tudo pronto para vocês iriem. (a Clara) Evite fazer esforço ou se estressa, hein.

Clara     – Pode deixar, doutor.

Ele sai.

Nádia     – Alguém avisou a mãe sobre a Clara?

Omar      – Eu tentei ligar pro celular dela e ela não atendeu, achei que já tivesse dormido.

Nádia     – Liga pro Thiago e avisa, então.

Omar faz que sim. Ele pega o celular e se afasta das duas.

Clara     – O Omar te contou?

Nádia     – Contou e isso é loucura, Clara. Nós fizemos o que fizemos por um motivo, e você não pode fazer isso com a gente.

Clara     – Não me importa se você tem um motivo ou não, Nádia. Essas pedras mataram duas pessoas e eu não quero que vocês sejam os próximos.

Nádia     – Não está fazendo pra nos proteger e sabe disso. Está fazendo isso pra manter esse seu ego limpo.

Clara     – Nádia/

Nádia     – (corta) Não! Você conseguiu o que quer, não venha dá uma de estou ajudando vocês, porque não está.

Omar desliga o celular e se aproxima.

Omar      – Podemos ir?

Clara     – Eu só preciso me trocar e podemos sim.

Nádia bufa e sai batendo porta. Omar, sem entender, encara a Clara.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Thiago entra no quarto e encontra a Zélia deitada na cama.

Thiago    – Zélia?

Zélia     – O que?

Thiago    – A Clara passou mal e teve que ir pro hospital, ela está bem e já foi liberada. O Omar e a Nádia estão com ela.

Zélia     – Ninguém mandou ela ficar comendo carne vermelha.

Thiago    – A senhora está bem?

Zélia     – Não, mas eu não quero falar sobre isso.

Thiago    – Se quiser falar algum dia, eu estou aqui.

Ele dá um beijo na testa dela e sai.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Tadeu e Lauro entram na sala, bêbados. Eles sobem as escadas com dificuldades.

 

CENA 10. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana está sentada, bebendo uísque. Célia entra e se aproxima.

Suzana    – Célia? Aconteceu alguma coisa?

Célia     – Aconteceu. A minha irmã, a Divina não está tendo um namoradinho. Ela está nos traindo, Suzana. Ela se aliou ao Alberto.

Suzana    – Sério? Ela estava passando informações pra ele?

Célia     – É! Aquela mentirosa, traíra, filha da mãe.

Suzana    – Calma, Célia. Isso é bom, é bom ter um concorrente. Deixa o Alberto achar que pode comigo.

Célia     – Isso não é bom. A gente confiou naquela vadia e ela nos traiu, Suzana.

Suzana    – Eu sei. É política, Suzana. É isso que a gente faz. Não fique assim, ela ainda é a sua irmã, só escolheu o lado dela.

Célia     – Não! Não posso aceitar isso. Eu tenho que agir, fazer alguma coisa.

Suzana    – E vai fazer o que?

Célia     – Não sei, mas eu vou fazer alguma coisa.

Célia sai, decidida.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Agatha entra e encontra o pai, sentado. Ela senta ao lado dele.

Agatha    – Bom dia, pai.

Leonel    – Bom dia. Cheguei cedo aqui pra ver se tínhamos alguma novidade sobre o Mário e o Marcos.

Agatha    – E temos?

Leonel    – Nós sabemos onde eles estão e pegamos o carro que o policial deu pro Mário.

Agatha    – Colocou alguém na cola deles?

Leonel    – O que você acha? Coloquei um policial à paisana na casa ao lado da deles.

Agatha    – Certo. (pausa) Eu vou no rancho do Mário hoje investigar as pedras.

Leonel    – Boa sorte com isso.

Agatha    – Obrigada.

Eles seguem conversando, em off.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola está sentada à mesa, tomando café. Lauro e Tadeu entram e se sentam.

Pérola    – O que ele está fazendo aqui, Lauro?

Lauro     – Nós saímos ontem pra beber e bebemos além da conta, trouxe ele pra cá.

Tadeu     – Bom dia, Pérola.

Pérola    – Não acredito nisso.

Lauro     – Cadê a Amparo? Eu preciso tomar um remédio pra dor de cabeça.

Pérola    – Ela saiu, disse que não ia demorar, mas caso demorasse: o almoço está pronto e é só esquentar.

Tadeu     – Hoje é o grande dia, não é Pérola?

Pérola    – O dia que você vai pegar as suas malas e voltar pro cu do conde: é sim.

Tadeu     – Não, é o dia em que você vai pegar as suas malas e ir pro inferno.

Eles se encaram, raivosos.

 

CENA 13. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Zélia, Nádia e Omar sentados à mesa. Thiago os servindo.

Zélia     – Se a senhorita tivesse me escutado não teria ido pro hospital. A partir de hoje, não vai mais comer carne vermelha nessa casa.

Clara     – Eu ter passado mal não tem nada a ver com a carne que eu comi, Zélia. É por outros motivos.

Zélia     – Que motivos?

Clara     – Pergunte ao seu filho.

Omar      – Não foi nada, nós tivemos uma discussão e ela passou mal.

Zélia     – É claro que vocês vão discutir: nunca vi uma namorada tão teimosa quanto essa.

Nádia     – Chega disso, mãe! Troca o disco! (ao Thiago) Cadê o Tadeu?

Thiago    – Ele não dormiu em casa.

Nádia     – Ótimo. Agora eu tenho que cuidar de um hóspede desaparecido.

Thiago    – Não disse que ele estava desaparecido. Eu disse que ele não dormiu aqui.

Nádia     – E onde é que ele dormiu, criatura?

Thiago    – No rancho vizinho. A Amparo disse que o Lauro chegou tarde da noite com um homem. Ambos bêbados.

Nádia     – Ninguém merece.

Omar      – Mudando de assunto: eu estou indo lá, Clara.

Nádia    – Eu também vou.

Omar     – Não precisa.

Ele levanta, dá um beijo na Clara e sai.

Zélia    – Que lugar é esse, Nádia?

Nádia    – Pergunte a sua nora.

Ela levanta e sai. Zélia encara a Clara.

 

CENA 14. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Célia frente à igreja, respirando fundo, bem pensativa.

Célia     – E que isso seja o que deus quiser.

Ela entra.

 

CENA 15. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel e Agatha estão sentados. Omar entra e se aproxima.

Leonel    – Omar?

Omar      – Eu desejo confessar um crime, Leonel. Agatha.

Agatha    – Você?

É nesse momento que a Nádia entra e se aproxima do irmão.

Nádia     – Eu também desejo confessar um crime.

Leonel    – Que merda está acontecendo aqui?

Os quatro a se encarar.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Clara está andando pelo corredor. Zélia se aproxima.

Zélia     – Clara!

Clara     – Oi, Zélia.

Zélia     – Eu quero saber a verdade. Que merda está acontecendo com os meus filhos?

As duas se encaram.

 

CENA 17. CASA/BANHEIRO/INTERIOR/DIA:

Mário tomando banho num chuveiro todo velho. Ele se banha, distraído.

 

CENA 18. CASA/SALA/INTERIOR/DIA:

O celular do Mário tocando. Marcos se aproxima e, sem pensar duas vezes, atende.

Perseu    – Mário?

Marcos    – Pai?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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