FALSO HORIZONTE | Capítulo 43 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. LUGAR DESCONHECIDO/

Perseu (aparência conversada mesmo após tantos anos) anda de um lado para outro, ao telefone.

Perseu    – Eu não me importo se você está ansioso para agir. O que importa aqui é o que eu quero: você vai esperar as minhas ordens. (pausa) Certo. Como está o meu filho? Ótimo. Até mais.

Ele desliga o telefone, se aproxima de um interruptor e o desliga, escurecendo totalmente o lugar que estava.

 

CENA 02. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Mário desliga o telefone. E ao se virar dá de cara com o Marcos.

Mário     – Está aí a muito tempo?

Marcos    – Não, cheguei agora. Eu acordei e não te vi por perto.

Mário     – Estava falando com a chefia, ele disse que nós devemos esperar mais um pouco.

Marcos    – Quando eu vou poder conhecê-lo, Mário?

Mário     – Logo. (pausa) Estou indo comprar pão.

Marcos    – Cuidado. A essa hora já devem ter dado falta da gente.

Mário     – Eu sei, estou indo me livrar daquele carro também. Irei tomar cuidado, pode deixar.

Ele sai. Ao escutar a porta bater, Marcos pega um celular e faz uma ligação.

Marcos    – Leonel?

Diálogo continua na próxima cena.

 

CENA 03. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel ao celular com o Marcos.

Leonel    – Alô.

Marcos    – (off) Desculpa a demora, estava tentando conseguir mais informação com o Mário, mas tá difícil.

Leonel    – Diga o que conseguiu.

Marcos    – (off) Existe alguém por trás do Mário, estamos certos nisso. Esse alguém é provavelmente um homem e o Mário segue as regras desse alguém.

Leonel    – Não tem ideia de quem pode ser esse alguém?

Marcos    – (off) Pode ser qualquer pessoa que tem algo contra o César, ou seja, é um número bem pequeno de pessoas. (pausa) Pra mim, a maior possibilidade é o meu pai.

Leonel    – Faz sentido já que ele saiu daqui sedento por vingança. E se de fato ser ele, você deve tomar cuidado.

Marcos    – (off) Eu estou tomando. Não sei se tem mais coisa para lhe contar por hora.

Leonel    – Tem sim: onde é que cês estão?

Marcos    – (off) Numa casa dele e da Zélia afastados da cidade, mas ainda na cidade.

Leonel    – Ok. Consiga mais coisa pra mim, e entre em contato sempre.

Marcos    – (off) Ah, não sei se isso é útil, mas ele foi se livrar do carro que aquele policial deu. E ele ainda não fez contato com a Zélia.

Leonel    – Certo, obrigado.

Leonel desliga. Nesse momento, a Agatha entra e se aproxima.

Agatha    – O Marcos entrou em contato?

Leonel    – Entrou sim. Como sabe?

Agatha    – Você está sorrindo, pai. O que ele falou?

Leonel    – Ele falou que o Mário possui mesmo alguém mandando nele, e que esse alguém é provavelmente um homem.

Agatha    – Ele tem algum palpite de quem seja?

Leonel    – Ele acredita que seja o pai dela, o Perseu. E faz sentido.

Agatha    – Mas você não acha que seja ele, não é?

Leonel    – Não porque eu gosto do Perseu, ou ele parecia ser alguém legal. Lógico, com defeitos, mas ainda sim legal. E outra: esperar mais de vinte anos?

Agatha    – Você não convivia com ele igual o Marcos e a mãe dele. Ele devia ser uma pessoa totalmente diferente pra eles.

Leonel    – Tá certo. (pausa) Preciso mandar alguém ficar descobrir onde fica a exata localização da casa onde eles estão ficando.

Agatha    – Nem olha pra mim. Eu preciso começar a investigar o caso das pedras e nem sei por onde começar.

Leonel sorri e sai.

 

CENA 04. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Pérola a se encarar. Robson tenta se aproximar.

Pérola    – Eu não quero saber quem lhe contratou. Quem manda nesse rancho agora é o Lauro e a Amparo, não importa se foi o César ou não.

Tadeu     – Importa sim. Porque eles podem até ter herdado a fazenda, mas quem me contratou não foi eles.

Pérola    – Essas pedras são minhas e eu não vou deixar ninguém tocar nelas, tá me escutando?

Tadeu     – Eu não me importo se você vai deixar eu tocar nelas ou não. Elas não são suas! Elas pertencem a essas terras! E quem é o dono dessas terras?

Pérola    – O Lauro e a Amparo!

Tadeu     – Tá certo, já que insiste nisso. Vamos conversar com eles sobre quem eles vão apoiar.

Pérola    – Tá certo. Eu sei que eles vão estar do meu lado, então eu nem preciso me preocupar.

Tadeu     – É o que nós vamos ver.

Robson    – Ok! Chega vocês dois se brincarem de boneca. Isso aqui é trabalho sério, então, Tadeu até que você tenha permissão de trabalhar aqui, nós dois vamos continuar, ok?

Tadeu     – Então tá, nos vemos amanhã.

Tadeu sai. Robson e Pérola se encara, ela bufa – irritada.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Clara a encarar o Omar. Ele levanta e se aproxima da Clara.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) O que é isso, Omar?

Omar      – Não é nada, meu amor. Não é nada, eu juro.

Clara     – Você está querendo me fazer de idiota? O que é aquilo? São as malditas pedras do rancho vizinho, não é? Me responde!

Omar      – É isso mesmo…

Ele senta na cama e começa a contar toda a verdade em off.

 

CENA 06. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Nádia e Iris sentadas no banco da praça. A última mais calma.

Nádia     – Agora conta, com calma, o que aconteceu.

Iris      – Eu arrumei o quarto, preparei a cama, espalhei rosas por tudo. Era pra ser a nossa noite de amor, sexo, desejo.

Nádia     – Pula essa parte, por favor, não quero detalhes a mais.

Iris      – Desculpa. Ele me chamou de Marilda, Nádia. Ele ainda pensa nela… ele acha que eu sou ela?

Nádia     – Oh, entendi. Ele nunca vai esquecê-la, Iris. Isso é uma coisa que você não pode pedir pra ele.

Iris      – Eu sei disso.

Nádia     – Dito isso, ele deve estar confundindo as coisas. A Marilda morreu recentemente, ele precisa de um espaço, de um tempo para absorver as coisas. O Robson entrou nesse relacionamento contigo muito rápido.

Iris      – As coisas simplesmente aconteceram. Ele disse estar pronto e eu acreditei.

Nádia     – Ele não está e isso é obvio. Dê um tempo para ele pensar e quando ele se sentir pronto, vocês podem ter o melhor dos namoros. E, quem sabe, o melhor dos casamentos.

Iris      – (ri) Ok. Eu odeio quando você dá umas respostas claras e verdadeiras assim.

Nádia     – (ri) Dói, né?

Iris      – (ri) Dói.

Elas riem e seguem conversando em off.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Tadeu e dá de cara com o Lauro. Eles se aproximam.

Lauro     – O que está fazendo aqui?

Tadeu     – Eu vim tentar olhar as pedras do seu pai, mas a dona Pérola não permiti.

Lauro     – E ela não vai.

Tadeu     – A questão é que ela não é a dona do rancho. É você e a Amparo, deixem eu fazer isso pelo seu pai. Não quero receber nada em troca, só quero fazer o que ele me pediu antes de morrer.

Lauro     – Podemos conversar num lugar mais arejado?

Tadeu     – É claro. Pode escolher, não conheço nada nessa cidade mesmo.

Lauro     – Eu conheço o lugar perfeito.

Eles saem.

 

CENA 08. RANCHO DO MÁRIO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Leila e Amparo estão sentadas. É possível ver o Thiago no corredor, longe delas.

Amparo    – O que você queria falar comigo? Aproveita que o Thiago está distante.

Leila     – Minha menstruação não desceu, Amparo.

Amparo    – Não se preocupa, calma. Pode ser só um atrasinho normal.

Leila     – Minha menstruação não atrasa nunca. Ela é a mais regular do mundo, nunca atrasou um dia sequer.

Amparo    – Pra tudo tem uma primeira vez. Não pira! Você e o Thiago não usam camisinha?

Leila     – De vez em nunca. Usávamos no começo, quando o nosso relacionamento era aberto. Depois que fechamos, nunca mais.

Amparo    – Se não vier até amanhã, compro o teste pra você. Mas tenho certeza que não é nada, quer dizer, você quer que seja alguma coisa?

Leila     – Não estou pronta para ser mãe, Amparo.

Amparo    – Então, pensa assim: você não está grávida.

Thiago se aproxima, encerrando o assunto.

Thiago    – Desculpa, estava terminando de arrumar ali. (pausa) Vamos fofocar.

Eles começam a conversar em off.

 

CENA 09. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Célia sentadas no sofá, a conversar e tomando café.

Célia     – Então quer dizer que é tudo um plano do Leonel?

Suzana    – Isso mesmo. Mas não é pra espalhar por aí, é segredo.

Célia     – Tá certo, mas o que nós vamos falar para o povo?

Suzana    – Nada, eles esquecem e seguem em frente. (pausa) E cadê a Divina que tá aparecendo em nenhuma de nossas reuniões?

Célia     – Não sei, sabe que ela tá estranha? Não tem ficado muito tempo em casa, saindo a noite.

Suzana    – Ela tá namorando? Meu deus! Nunca imaginei vocês duas namorando.

Célia     – Não! Nós duas somos virgens, intactas e vamos morrer assim. (pausa) Ela não faria isso comigo.

Suzana    – Ela tem uma vida, Célia. Deve e pode namorar, eu hein.

Célia a encarar a parede, incrédula.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar sentado na cama, Clara a escutar.

Clara     – Não acredito nisso.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) Não! Essas malditas pedras mataram duas pessoas, Omar. E você e a sua irmã pegam as malditas pedras e escondem ao seu bel-prazer? Isso é ridículo!

Omar      – Eu sei. Eu quero explicar/

Clara     – (corta) Não tem explicação, Omar. Você pegou as pedras e as escondeu debaixo da sua cama porque quis. Não me importa o motivo que o fez, o que importa é que você fez.

Omar      – Eu sei.

Clara     – Eu preciso respirar, preciso de um ar porque isso… isso… eu nem sei.

Ela sai andando e Omar, levanta, e vai atrás.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Clara anda pelo corredor, brava. Omar vai atrás, ele pega o braço dela.

Clara     – Me solta!

Omar      – (solta) Por favor, me escuta, por favor… Clara.

Clara     – Não quero, Omar. Eu preciso pensar antes.

Ela sai andando e de repente, para. Ela se escora na parede, com dor. Omar corre até ela.

Omar      – Ei! Cê tá bem?

Clara     – Não… não… o bebê, Omar. O meu filho.

Ela, ofegante, sentindo dor. Omar não pensa duas vezes, a pega no colo e sai correndo.

 

CENA 12. CASA QUALQUER/FRENTE/EXTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Divina sai dessa casa, às escondidas. Célia sai logo atrás, a seguindo, sem que seja vista.

 

CENA 13. BAR/INTERIOR/NOITE:

Tadeu e Lauro sentados no bar. Eles estão bebendo e visivelmente bêbados.

Tadeu     – (confuso) Não, não. A Pérola parece ser legal, mas…

Lauro     – (completa) Mas a Nádia é mais.

Tadeu     – Isso mesmo. A Nádia é mais legal, é mais bonita.

Lauro     – Eu sei, mas agora eu sou o irmão dela, quer dizer… eu sempre fui o irmão dela! Isso é… estranho. (pausa) Tu gostou dela.

Tadeu     – Gostei e acho que ela gostou de mim, mas… não disse nada.

Lauro     – E nem vai dizer. A antiga Nádia teria te agarrado e transado contigo em qualquer lugar… na rua, no chão… mas ela mudou. A Nádia é uma nova mulher, ela parece pensar mais com coração e menos com a…

Tadeu     – (ri) Entendi. Eu espero que ela demonstre alguma coisa, assim eu posso saber.

Lauro     – Tenta. Tu não gostou dela? Então, tenta.

Eles continuam.

 

CENA 14. HOSPITAL/QUARTO/INTERIOR/NOITE:

Clara deitada na cama do hospital. Omar a seu lado, de mãos dadas. O médico entra.

Omar      – Doutor, finalmente.

Clara     – Aconteceu alguma coisa? O meu filho está bem?

Médico    – Está tudo bem, tanto você quanto o bebê. Mas você se estressou e deve evitar isso, fique mais calma, mais repouso.

Omar      – Que bom que está tudo bem, não é?

Médico    – Eu só vou acertar uns papéis e vocês já podem ir.

Ele sai. Clara agarra a mão do Omar com força, ele a encara.

Omar      – Tá doendo.

Clara     – É pra doer mesmo! Me escuta aqui: se você não for a polícia e se entregar, eu saio daquela casa e eu juro: você nunca mais vai me ver e nem ao meu filho.

Omar      – Clara/

Clara     – (corta) Não! O meu filho não vai ter um pai ladrão e muito menos um que motivou o assassinato de uma pessoa.

Omar      – Não diga isso.

Clara     – Mas foi isso que aconteceu. O Mário só matou o César por causa daquelas malditas pedras

Omar      – Tá certo, eu faço o que você quiser, Clara.

Ela o solta. Omar respira fundo, pensativo.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Iris entra e encontra o Robson sentado no sofá, bebendo uísque. Ela se aproxima.

Robson    – Iris.

Iris      – Nós precisamos conversar, Robson.

Eles se encaram.

 

CENA 16. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado, fumando. Divina se aproxima, o cumprimenta e senta ao seu lado. Célia vê tudo.

Célia     – Filha da puta!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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