FALSO HORIZONTE | Capítulo 42 [Penúltima Semana]

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. FRENTE À MANSÃO DA PREFEITA/EXTERIOR/DIA:

Suzana e Célia encarando o povo que as questiona, em polvorosos.

Suzana    – Acalmem-se! Nós queremos ajudar e entender vocês, acalmem-se.

Homem     – (distante) O povo quer respostas! Nós estamos cansados! Mário e Marcos estão nas ruas e ambos são assassinos.

Mulher    – (distante) Precisamos de segurança, senhora prefeita, e você precisa providenciar isso pra gente.

Suzana    – Eu sei, eu sei! E eu também quero entender como eles fugiram e que medidas o Leonel vai tomar. É justamente por isso que eu estou indo agora mesmo na delegacia.

Homem     – (distante) Estamos cansados de respostas prontas!

Célia     – Ah vá à merda!

O povo indaga.

Célia     – É isso mesmo que vocês ouviram. Vão todos à merda! Não escutaram que estamos fazendo o possível? Nós não somos deus não, caralho. Quer que o Mário e o Marcos sejam presos? Vá falar com o Leonel e com a Agatha, não podemos fazer nada não.

Célia entra na casa. O povo indignado.

Suzana    – Eu… eu…. eu estou sem palavras! As palavras ditas pela minha vice-prefeita, não me representam. Eu sinto muito e como já disse: todas as decisões serão tomadas. Obrigada.

Ela dá as costas e entra em casa. O povo ainda sem palavras, mas alguns a gritar palavras de ordem.

 

CENA 02. MANSÃO DA PREFEITA/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana entra e se aproxima da Célia. Elas se encaram. Leila à parte.

Suzana    – Qual é a merda do seu problema, Célia?

Célia     – Desculpa, Suzana. Eu me irritei com a aquela gentinha.

Suzana    – Eles estão fazendo o que você fazia quando não era você no poder. Eles têm o direito de fazê-lo assim como você também tinha. (pausa) Meu deus! Xingar o povo daquele jeito?

Célia     – Eu disse a verdade. Eles têm que ficar bravos com o Leonel e com a Agatha que deixaram a fuga acontecer. E não conosco.

Suzana    – Nós duas representamos o povo. Nós duas somos as donas desse barco e esse barco afunda, a culpa não é do faxineiro, a culpa é nossa!

Célia     – Eu sei.

Suzana    – Então acorda pra vida e para ficar putinha porque meia-dúzia de pessoas veio pra cá. Faça alguma coisa de útil!

Ela se afasta da Célia e se aproxima da Leila.

Suzana    – Eu vou na delegacia e vou sair pelos fundos que eu não sou maluca de encarar esse povo de novo.

Leila     – Ok, eu tentar enxotar eles daqui.

Suzana    – Tá certo, se alguma coisa acontecer cê me liga.

Leila     – O que mais tem pra acontecer?

Suzana    – É melhor nem dizer isso, vai que vem um terremoto.

Suzana pega a sua bolsa e sai. Leila entra na cozinha e Célia bufa, sozinha.

 

CENA 03. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Alberto e Divina sentados em frente ao bordel, conversando. Ele fuma.

Alberto   – O povo está enlouquecido na frente da mansão.

Divina    – Tem certeza que quer voltar a ter isso na sua cola?

Alberto   – Quando eu era prefeito não acontecia essas coisas. A cidade era quieta até demais comigo no poder.

Gina sai nessa hora e senta ao lado deles.

Gina      – E é exatamente por isso que você precisa voltar.

Alberto   – Eu sei, querida. E eu vou voltar, eu vou!

Alberto e Gina se beijam. Divina os encara com repulsa. CÂM mostra a Nilda os encarando.

 

CENA 04. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda na janela. Eleonora se aproxima e tira ela de perto da janela.

Eleonora  – Para de se torturar com isso, Nilda.

Nilda     – Até a Gina está metida nisso. Eu me sinto duplamente traída.

Eleonora  – Eu te admiro, sabia? Eu teria tirado eles daqui.

Nilda     – Não vou me rebaixar ao nível deles, Eleonora. Eu prometi moradia pra eles e é isso que eles têm. Mas, agora, a amiga e mãe aqui não existe mais pra eles.

Eleonora  – Não diga isso. A Gina vai ser sempre a sua filhinha querida.

Nilda     – Não mais! Ela me traiu e eu não perdoo esse tipo de traição. Eu nunca vou perdoar ela e muito menos o Alberto.

Eleonora  – Tá certo, mas para de ficar vigiando os dois. Vai ficar cada vez mais magoada.

Nilda     – Eu sei, mas eu não consigo deixar de olhar. A minha vontade é de… sei lá, deixa eles. Eu sei que eles vão precisar de mim.

Eleonora  – É claro que vão.

Eleonora pega na mão de Nilda e sai com ela.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Zélia está andando pelos corredores. Thiago a encontra.

Thiago    – Estava te procurando.

Zélia     – O que aconteceu, criatura?

Thiago    – Pelo que parece, Mário e Marcos se uniram e fugiram juntos. Os dois escaparam da cadeia ontem à noite.

Zélia     – É o que?

Thiago    – Isso mesmo que ouviu. A cidade toda já sabe e pelo que eu consegui ver pela janela, foram uma manifestação na frente da casa da Suzana.

Zélia     – Os outros já sabem?

Thiago    – Eu não vi eles saírem de casa, então acho que não.

Zélia     – Ótimo, eu terei que contar essa infelicidade. (pausa) Faz um favor?

Thiago    – Faço, é claro.

Zélia     – Fica de olhos abertos e me conta tudo. Era só que faltava ter que lidar com dois homens fugindo da polícia. Preguiça.

Zélia sai andando por um lado. E Thiago vai para o outro.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Clara, Omar, Nádia e Tadeu sentados à mesa. Eles conversam.

Tadeu     – Que bonito a relação de vocês dois.

Clara     – Obrigada. Quem diria que um namoro às escondidas iria acabar nisso.

Nádia     – Às escondidas nada. Isso de esconder da mãe durou dois dias, logo o Omar percebeu que isso era burrice.

Omar      – E era mesmo. Pra que esconder que eu amo essa mulher?

Eles se beijam.

Clara     – E você Tadeu? Namora?

Tadeu     – Estou sozinho, mas aberto para o amor.

Ele encara a Nádia que sorri. Zélia entra na sala encerrando a conversa.

Zélia     – Ótimo que estão todos aqui. Isso torna as coisas mais fáceis.

Omar      – O que aconteceu, mãe?

Zélia     – O Mário e o Marcos se uniram na cadeia e fugiram.

Nádia     – O que?

Zélia     – É isso mesmo que escutaram. E se eu conheço bem o Mário, e eu conheço, ele virá atrás da gente.

Clara     – O que faremos agora?

Zélia     – Nada!

Omar      – O que?

Nádia     – Mãe, não podemos não fazer nada. Temos que fazer alguma coisa.

Zélia     – Não! É isso que ele. Ele quer que a gente fique em pânico, que deixamos de viver a nossa vida. (pausa) Eu deixei de viver a minha vida por ele por mais de vinte anos, não quero que ninguém passe por isso. (pausa) Então, sim, não vamos fazer absolutamente nada. Nós vamos continuar com as nossas vidas normalmente.

Nádia     – Está certo. Faremos o que você acha melhor mãe.

Omar      – Estamos contigo.

Zélia     – Ótimo. Eu vou voltar pro quarto, perdi a fome.

Ela sai. Todos se encaram.

Tadeu     – Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Clara     – É claro, mas senta que lá vem história.

Eles começam a explicar.

 

CENA 07. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Leonel entra segurando um copo de café se aproxima da Agatha, que está sentada.

Leonel    – O Marcos já entrou em contato?

Agatha    – Nada.

Leonel    – Droga! A fofoca já está rolando e povo, perturbando.

Suzana entra e eles a encaram.

Suzana    – Nós precisamos conversar, não acham?

Suzana senta e os encara.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Lauro na pelos corredores, aflitos. Pérola o alcança.

Pérola    – Ei! Cê tá bem?

Lauro     – Eu quero entender porque diabos o Marcos fugiu se ele não é culpado.

Pérola    – E se ele for?

Lauro     – Não! Não! Eu me recuso a pensar nisso, Pérola. Ele não mataria o meu pai.

Pérola    – Olha…

A campainha toca.

Pérola    – O Robson chegou, nós vamos trabalhar. Se precisar de alguma coisa: chama!

Ela dá um beijo nele e sai.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu e Nádia andam pelo pasto.

Tadeu     – Eu nem sei pelo que você e o Omar passaram. Eu sinto muito.

Nádia     – Está tudo começando a dar certo agora, então…

Eles escutam barulho vindo do rancho vizinho. Tadeu a encara.

Tadeu     – O que é isso?

Nádia     – Robson e Pérola trabalhando. Eles estão pegando as pedras.

Tadeu     – Será que eu posso ir ver?

Nádia     – Você foi contratado pelo César por causa disso, não foi? É claro que pode ir.

Ele sorri e sai. O celular da Nádia toca e ela atende.

Nádia     – Alô.

Iris      – (off) Eu preciso de você, estou pra praça.

Nádia     – Estou indo.

Ela desliga e sai.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Pérola e Robson estão escavando o pasto. Eles conversam.

Pérola    – Como tá a Iris?

Robson    – Nós não estamos muito bem. (pausa) Eu a chamei de Marilda ontem à noite.

Pérola    – Robson!

Robson    – Eu sei, não tem desculpas pelo que eu fiz. Eu sei. Eu preciso arranjar um jeito dela me desculpar, se é que tem um jeito.

Pérola    – Você precisa se perguntar uma coisa: eu estou realmente pronto para começar uma relação séria com alguém?

Robson    – Eu não sei se estou.

Tadeu entra e se aproxima.

Pérola    – O que você está fazendo aqui?

Os três se encaram.

 

CENA 11. DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INTERIOR/DIA:

Suzana sentada frente ao Leonel e a Agatha. Os três a se olharem.

Suzana    – E então?

Leonel    – Tá certo, precisamos te dar explicações. Mas não podemos te falar tudo.

Agatha    – É confidencial.

Suzana    – Eu sou a merda da prefeita dessa cidade. Eu quero saber de tudo!

Leonel    – OK. O Marcos está trabalhando pra gente. Nós sabíamos que o Mário pretendia fugir então botamos o Marcos pra fugir com ele, assim ele entra em contato conosco e nos dá detalhes sobre ele e sobre quem está por trás do Mário.

Suzana    – Por trás do Mário?

Agatha    – É, não acha estranho que do nada ele se torne uma pessoa esperta, capaz de driblar a polícia e matar duas pessoas? Tem alguma mente por trás dele.

Suzana    – E vocês esperam que um assassino seja leal a vocês?

Leonel    – O Marcos não matou ninguém, Suzana.

Suzana    – Ele está preso pelo assassinato do César, não está? Então pronto!

Agatha    – Isso porque a gente não tem planos que foi o Mário.

Suzana    – Tá certo. Me mantenha informada sobre esse plano de merda. (pausa) Eu preciso arranjar um jeito de arrumar a confusão que vocês fizeram.

Ela levanta e sai.

Agatha    – Essa foi fácil.

Leonel    – Nós precisamos que o Marcos entre logo em contato.

Leonel, apreensivo.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Tadeu, Robson e Pérola a se encararem.

Tadeu     – Eu fui convidado pelo César a investigar essas pedras preciosas. Tenho todo direito de estar aqui.

Robson    – O que que está acontecendo aqui?

Pérola    – O César, antes de morrer, contratou o Tadeu a vir aqui investigar o nosso trabalho. (ao Tadeu) Mas eu e o Lauro já deixamos claro que não precisamos do seu serviço.

Tadeu     – Pois quem me contratou foi o César e só ele pode me demitir, mas eu acho que isso vai ser um tanto quanto impossível. (pausa) E além disso, eu sou o único aqui que é geólogo.

Pérola fuzila o Tadeu com o olhar.

 

CENA 13. PRAÇA/EXTERIOR/DIA:

Iris está sentada no banco da praça. Nádia entra e senta ao lado dela. Elas se abraçam e Iris desata a chorar.

 

CENA 14. RANCHO DO MÁRIO/QUARTO DO OMAR/INTERIOR/DIA:

Omar entra no quarto, preocupado. Ele se encosta na parede.

Omar      – O meu pai fugiu da cadeia porque ele quer essas malditas pedras. Droga!

Ele arrasta a cama, mostrando um piso-falso. Omar o abre e olha os kimberlito dentro do compartimento.

Omar      – O que eu faço com vocês hein?

Ele a encarar os kimberlito. Clara entra e de primeira, nem percebe.

Clara     – Omar/

E então ela olha. Clara o encara, sem entender.

 

CENA 15. FRENTE À CASA/EXTERIOR/DIA:

Mário a falar no telefone. Marcos, um pouco distante, a escutar.

Mário     – Eu sei, chefia, eu sei que as coisas precisam ser feitas na hora certa. Mas é que/ tá certo então.

 

CENA 16. LUGAR DESCONHECIDO/

Uma pessoa andando por esse lugar. Só é mostrado que ele está ao telefone. E assim que a ligação termina ele se vira, revelando ser o Perseu!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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