FALSO HORIZONTE | Capítulo 15

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Suzana já vai entrando. Zélia a encara.

Zélia     – Como assim? A gente não tem nada pronto Suzana.

Suzana    – Eu não posso mais olhar pra cara dele e dizer que está tudo bem. Eu preciso ter a minha vingança.

Zélia     – E o que você pretende fazer? Eu queria mais tempo.

Suzana    – Avisa pra todas as beatas e não é só a Célia e a Divina não, são todas as mulheres que frequentam a igreja e prezam pela moral dos bons costumes.

Zélia     – Eu vou avisar, mas só isso não vai te ajudar a ser eleita.

Suzana    – Eu sei que não e é por isso que eu vou fazer um comício na frente da igreja onde irei expor os meus ideais e minhas promessas.

Zélia     – O padre não vai permitir que você faça isso.

Suzana    – Eu sou a primeira-dama da cidade, ele não vai me impedir.

Zélia     – Eu estou contigo mesmo achando essa ideia louca demais.

Elas dão um aperto de mãos. E Suzana sai.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Nádia, Omar, Mário, Robson, Marilda e Pérola sentados à mesa, jantando. Zélia entra e senta, Thiago à parte.

Mário     – Está tudo dando certo, Zélia. Nós estamos animados.

Zélia     – Eu imagino que sim. E eu queria pedir desculpas pelo atraso do jantar, né Thiago?

Pérola    – Não se preocupa com isso, o jantar está ótimo.

Robson    – Está bem melhor que o jantar dos últimos dias.

Marilda   – É mesmo.

Omar      – O Thiago é um ótimo cozinheiro.

Zélia     – Mas tem um timing horrível. Eu vou comprar um relógio enorme pra ele.

Nádia     – Aí mãe foi só um atraso, siga em frente.

Zélia     – Desculpa se eu me preocupo com o horário em que o jantar saía.

Omar      – Mãe! Chega!

Pérola    – É melhor falarmos de outro assunto.

Nádia     – Eu vou me encontrar com a Iris, posso?

Mário     – É mesmo com a Iris, Nádia? Não está me escondendo nada?

Nádia     – Não! E nós vamos nos encontrar no pasto, pode até olhar se quiser.

Zélia     – Eu não confiava.

Mário     – E porque não?

Nádia     – Porque ela acha que eu estou com o Lauro, mas eu não estou. Depois que vocês botaram ele pra correr daqui.

Mário     – É bom que não esteja mesmo. Não gosto daquela família.

Marilda   – Porque? O Lauro é um menino legal, seu Mário.

Nádia     – Eu também acho.

Mário     – É coisa do passado e é melhor não revirarmos o passado essa noite.

Omar      – Eu posso subir? Acabei de jantar já.

Zélia     – Não vai encontrar com a sua putinha hoje?

Omar levanta e sai. Nádia e Mário encaram a Zélia.

Nádia     – Você não toma jeito, né mãe? É sempre a mesma coisa.

Mário     – Deixa o nosso filho ser feliz, Zélia.

Robson    – Putinha?

Zélia     – Ele namora uma puta e esses dois apoiam isso, vê se pode?

Todos se entreolham, meio sem ter o que falar. E eles voltam a jantar.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro e César acabando de jantar. Amparo já limpando a mesa.

Lauro     – Eu acho que vou dar uma andada pelo pasto e depois vou dormir.

César     – Ainda tá cedo, acho que vou assistir um pouco de TV.

Amparo    – Eu ia sair, mas se quiser eu fico César.

César     – Não deixe de sair por causa de mim.

Amparo    – Obrigada.

Lauro e César saem. Amparo continua limpando a mesa.

 

CENA 04. FUNDOS DO RANCHO DO MÁRIO/INTERIOR/NOITE:

Pérola, Robson e Marilda saem da casa, já conversando.

Pérola    – É engraçado como as coisas são tão apertadas aqui. O Omar namora uma puta, a Nádia é amiga da Iris que é uma puta.

Robson    – E eu dormi com a Iris.

Marilda   – Podemos falar sobre o que é interessante: as terras.

Robson    – Eu dei uma péssima ideia. Eu achei que pudesse ter algo aqui, mas não queria ficar esperançoso por isso falei aquilo de manhã.

Marilda   – Não foi uma péssima ideia, nós ainda não olhamos nada.

Pérola    – Não foi uma péssima ideia, mas também não foi boa. Não tem nada aqui, nenhum kimberlito foi encontrado e eu tenho certeza que no rancho do César tem vários.

Robson    – Se pudéssemos usar dinamite seria mais fácil.

Marilda   – É uma área residencial, não podemos fazer isso.

Robson    – Como eles fizeram lá na cidade vizinha?

Pérola    – Foi na base da inchada pelo que eu li e é por isso que demorou tanto. Mas o importante é: eles encontraram diamantes, esmeraldas e até um rubi na mesma terra.

Marilda   – Mas nós vamos ter essa mesma sorte? Essa é a questão.

Pérola    – Não sei, mas esperamos que sim. O bom é que nenhum geólogo sabe disso, ou seja, é tudo nosso.

Robson    – E eu espero que eles continuem não sabendo, lembra do que aconteceu na África?

Pérola    – Eles descobriram que nós não somos geólogos e nos expulsaram de lá.

Marilda   – Mas nós conseguimos pegar algum, é o que importa.

Eles riem e continuam conversando.

 

CENA 05. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Nádia está andando pelo pasto e Lauro surge atrás dela, surpreendendo-a.

Nádia     – Lauro! Que susto!

Lauro     – Desculpa, não foi a intenção te assustar. Eu ia invadir o seu quarto, mas você estava aqui.

Nádia     – E você assume a sua invasão de propriedade?

Lauro     – É brincadeira.

Lauro a beija e começar a tocar o corpo dela. Ela sorri e o afasta.

Nádia     – Não! Lauro, não! O pai está em casa e ele está de olho nisso, e a Iris está vindo me encontrar.

Lauro     – É rapidinho, pode ser? Eu sempre tive vontade de fazer aqui, mas se você não quiser/

Nádia     – (corta) Cala a boca.

Lauro e Nádia se beijam, já se agarrando. Eles deitam no chão, Lauro já tira a calça. Rápido.

 

CENA 06. FRENTE DO RANCHO DO CÉSAR/INTERIOR/NOITE:

Omar está sentado em frente ao rancho. Iris se aproxima.

Iris      – Está tudo bem, Omar?

Omar      – Estou sim, é só a minha mãe sendo a minha mãe.

Iris      – Ah, eu entendo. Posso dá um conselho? Ignora.

Omar      – Obrigado.

Iris      – A Nádia está aí?

Omar      – No pasto, eu acho, ela disse que ia te esperar lá.

Iris      – Obrigada.

Iris entra.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

César está deitado na cama, vendo TV. A campainha toca e ele bufa.

César     – Será que o Lauro esqueceu a chave? Droga!

César levanta e sai.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

César desce as escadas e abre a porta. Marcos entra, carregando as malas, e eles se encaram.

César     – Marcos?

Marcos    – César?

César     – Meu deus! Isso não está acontecendo.

Marcos    – Está surpreso ou chateado com a minha vinda?

César     – Chateado? Vem cá e me dá um abraço, idiota.

Eles se abraçam, emocionados.

 

CENA 09. PRAÇA/EXTEIOR/NOITE:

Amparo, Thiago e Leila estão sentados. Eles comem sanduiches e conversam.

Amparo    – E como estão as coisas da casa do prefeito?

Leila     – Uma confusão tremenda. Suzana está armando pra destruir o Alberto na política e o Alberto acha que ela tem um caso.

Thiago    – Essa história não deixa de ser interessante, né?

Amparo    – Nunca! E a trama das pedras preciosas?

Thiago    – Enrolada! O Mário está muito animado, mas pelo que eu ouvi o grupinho não achou nada.

Amparo    – Pelo visto só tem no rancho do César mesmo.

Leila     – Se você assumir esse amor pelo César logo, pode até ficar rica.

Amparo    – Eu não gosto dele!

Thiago    – Vai acabar perdendo o homem, ele é velho, mas ainda dá pro gasto.

Eles continuam conversando e Amparo fica pensativa.

 

CENA 10. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/NOITE:


Lauro e Nádia deitados não chão, o primeiro sem a calça, um em cima do outro. Iris se aproxima e vê a cena.

Iris      – Isso não está acontecendo. Que merda é essa?

Nádia     – Iris!

Lauro     – Oh deus.

Iris      – Não precisa se vestir, eu já cansei de ver isso, Lauro. (a Nádia) Cê é maluca?

Lauro     – A culpa foi minha.

Nádia     – A ideia foi dele.

Iris      – Lauro, sai de cima dela. (a Nádia) E você: nós temos que conversar criatura.

Lauro levanta e se veste. Nádia levanta e sai com a Iris, ele sorri.

 

CENA 11. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Iris e Nádia andam na rua e conversam. Nádia está rindo.

Iris      – Para de rir, maluca. Se o seu pai te pega ali, eu nem sei.

Nádia     – Desculpa.

Iris      – Como isso aconteceu?

Nádia     – Nós dois sempre tivemos essa vontade, aconteceu.

Iris      – Eu não vejo problema, sempre quis transar na rua, mas o seu pai iria te expulsar de casa.

Nádia     – Eu sei, mas chega de falar disso. O que você quer comigo?

Iris      – A sua mãe denunciou a boate na polícia, ela disse que a Clara abusou o Omar sexualmente.

Nádia     – Minha mãe é maluca! O Omar é o menino mais puro dessa cidade.

Iris      – Todo mundo sabe disso, por isso nem consideraram a denúncia. Mas isso mostra que ela está disposta a fazer qualquer coisa.

Nádia     – Eu vou falar com ela e com o meu pai, espero que ele controle ela.

Iris      – Obrigada, amiga. Eu tenho um cliente agora e você controla essa pepeca.

Nádia     – Pepeca? Está falando com uma criança?

Iris      – Não podemos falar a palavra com b, é o horário.

Elas riem e se despedem. Nádia volta pro rancho e Iris segue andando.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Marcos e César se abraçando. Eles se afastam e sentam no sofá. 

César     – Nós precisamos falar sobre aquela noite, Marcos.

Marcos    – Eu acabei de chegar, César. Podemos falar sobre outra coisa?

César     – Não, eu preciso saber o que aconteceu naquela noite. Eu estou com essa dúvida a vinte anos, Marcos.

Marcos    – O meu nome não é mais Marcos, é Rafael.

César     – Você vai ser sempre o Marcos pra mim, não importa qual é o seu nome agora. Me fala o que aconteceu!

Marcos    – O meu pai nos viu naquela noite, o abraço, lembra? Ele viu e deduziu algo, e quando eu cheguei em casa ele me agrediu e me ameaçou.

César     – Mas o que aconteceu foi só um abraço entre dois amigos.

Marcos    – Não para o meu pai. Ele viu algo a mais, algo que só era real pra mim e não pra você. (pausa) Ele me ameaçou e eu me defendi, peguei a arma e o matei.

César     – Matou? O seu pai não morreu naquela noite, Marcos.

Marcos    – O que? Não é possível! Ele estava morto! Eu vi que estava morto!

César     – Ele não morreu, Marcos. Ele estava vivo e pelo que eu lembre, ele disse que ia atrás de você pra se vingar.

Marcos    – Mas eu atirei bem no peito dele e eu jurei que ele estava morto. É por isso que fugi porque eu pensei que ele estava morto, César.

César     – Ele saiu daqui vivo e acho que continua, deve estar atrás de ti até hoje se estiver vivo.

Marcos    – Ou talvez ele já tenha me achado e tudo isso aqui seja um plano dele.

César     – Do que você está falando, Marcos?

Marcos    – Eu fui chamado pra cá, pra fazer uma matéria sobre pedras preciosas. Talvez tudo isso aqui seja um plano dele pra se vingar de mim e me matar.

César     – Não! Ele não faria isso, ele é seu pai, só estava com raiva.

Marcos    – Eu não esperava por isso, eu jurei que ele estava morto. Eu abandonei tudo por isso, eu abandonei você e o Lauro por causa disso.

César     – Vem cá.

César pega o braço de Marcos e o abraça. Marcos desata a chorar.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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