FALSO HORIZONTE | Capítulo 12

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. REDAÇÃO DE JORNAL/INTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Marcos    – E que notícia exclusiva é essa?

Mulher    – Eu tenho uma amiga que trabalha com pedras preciosas e ela achou uma mina cidade vizinha a Porto dos Milagres.

Marcos    – E ninguém mais sabe disso?

Mulher    – Não! É uma exclusiva nossa, chefe.

Marcos    – A cidade é Serra Azul?

Mulher    – Não, é a cidade na qual o senhor cresceu. Ilhabela!

Marcos    – Ilhabela?

Ele sorri.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Ilhabela

Pérola e Mário seguem se encarando. CAM mostra a Amparo escutando tudo.

Pérola    – Então dá onde o senhor me conhece?

Mário     – Não lhe conheço, é a primeira vez que lhe vejo. Mas já escutei a sua voz, essas paredes são muito finas.

Pérola    – Imagino que seja mesmo. (pausa) Então, eu sou uma exploradora, eu acho pedras preciosas. E eu acredito que nessas terras, nas suas e nas terras do César possuem diamantes, esmeraldas e rubis.

Mário     – Oh é mesmo?

Pérola    – Sim e se o senhor permitir eu gostaria de olhar as suas terras.

Mário     – Pra começar não vamos usar o senhor, somente você.

Pérola    – Como quiser. (pausa) Então você deixa eu olhar as suas terras?

Mário     – Vamos conversar sobre isso lá dentro, como disse, esse muro é muito fininho.

Eles caminham pra casa. CAM mostra a Amparo que bufa e caminha pra casa do César.

 

CENA 03. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana e Alberto se encaram, ela com sangue nos olhos. Leila à parte, só observando.

Alberto   – O que é isso, Suzana? Esse sapato podia ter me machucado.

Suzana    – É pra machucar! (grita) Filho da puta! Nojento! Eu não acredito que você fez isso comigo.

Alberto   – O que foi que eu fiz pra você, Suzana?

Suzana    – E além de tudo é sonso. Eu vi! Eu fui na prefeitura e vi você com aquela coisa.

Alberto   – Eu não sei do que você está falando.

Suzana    – Nojento! Eu achava que você tinha um caso com uma putinha qualquer, mas era com a Gina. Com o Gina! E ela é a única que tem o negócio ali então eu imagino que ela seja a sua única puta. Durante todos esses anos e você me trai com um homem? Eu não posso acreditar!

Alberto   – A Gina não é um homem, Suzana. Ela é uma mulher! E eu gosto muito dela.

Suzana    – Está admitindo agora? Idiota! Cachorro! Eu odeio você!

Ela ataca um vaso nele e ele também consegue desviar deste.

Alberto   – Chega disso! Você sabia que eu te traia pra que essa algazarra toda? Só porque a Gina me satisfaz mais do que você?

Suzana    – É lógico que ela te satisfaz mais. Ela é um homem! E você é um viado! O prefeito da cidade é viado! Eu quero é falar isso pro povo, pra todo mundo ouvir. Isso sim.

Alberto   – Você não vai falar nada pra ninguém e sabe porquê? Porque a sua imagem também vai ser manchada! As pessoas vão comentar que você sabia desde o início ou que você também tem um pinto no meio das pernas. Então você vai ficar calada! E chega desse show!

Suzana    – Eu te odeio tanto. Eu nunca pensei que você seria capaz disso. (pausa) Por quanto tempo, Alberto?

Alberto   – Eu me encontro com a Gina faz mais de dois anos, mas a gente começou a fazer sexo a pouco tempo. Eu tinha medo dela, do que ela tem, mas aquilo é só um órgão. Ela é uma mulher! E eu gosto muito dela.

Suzana    – (grita) Ela não é uma mulher! Nunca vai ser uma! Eu sou uma! Eu tenho útero, eu tenho uma vagina e o que ela tem? Ela tem um pau!

Alberto   – Você está chocada que eu te traia e eu estou chocado com o seu preconceito. Eu não sabia que tinha se casado com a mulher mais asquerosa dessa cidade e olha que temos a Zélia aqui. Você me dá nojo! Esse preconceito seu me dá nojo!

Suzana    – Você que me dá nojo! Não ouse tocar em mim mais. Aquele cheiro de puta, cheiro de travesti. Nojento de merda!

Alberto sobe as escadas. Suzana senta no sofá, já desatando a chorar.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Pérola, Mário e Zélia sentados no sofá. Thiago entra trazendo uma bandeja com café pros três.

Thiago    – Aceitam mais alguma coisa?

Mário     – Não, Thiago. Pode se retirar, obrigado.

Thiago sai e cada um pega o seu copo de café, já bebendo.

Pérola    – Uma delícia esse café. Um dos melhores que já tomei.

Zélia     – O Thiago é ótimo!

Mário     – Deixamos de falar de café, vamos ao que interessa: se eu deixar você olhar as minhas terras quanto eu recebo?

Pérola    – Vinte e cinco por cento.

Zélia     – Mas é muito pouco!

Mário     – Eu também acho afinal as terras são minhas.

Pérola    – Não sou só eu, Mário. A Marilda e o Robson compõem a minha equipe, eles também merecem uma parte. É cem divido por quarto que dá vinte e cinco.

Mário     – E se for dez por cento cada pra Marilda e pro Robson, quarenta pra mim e quarenta pra você.

Pérola    – Não é justo! A Marilda faz todo o trabalho de pesquisa e foi o Robson que deu a ideia de vir falar com você.

Zélia     – Então nós ficamos com a primeira proposta mesmo.

Mário     – Ficamos?

Zélia     – Ficamos!

Pérola sorri e bebe mais um pouco de café. Mário e Zélia se encaram.

 

CENA 05. MANSÃO DO PREFEITO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/DIA:

Alberto está saindo do banheiro, enrolado na toalha. Suzana entra com um copo de uísque na mão, ela senta na cama.

Alberto   – Não são nem meio-dia ainda, Suzana.

Suzana    – (levemente embriagada) Você não tem o direito de me julgar pela bebida depois que eu descobri o que você anda fazendo.

Alberto   – Eu não quero ter essa discussão com você de novo.

Suzana    – Mas eu quero! Eu exijo saber detalhes, eu quero saber tudo!

Alberto   – Pergunta então.

Suzana    – Antes dela você outras experiências com pessoas como ela?

Alberto   – Não, nunca, e é por isso que eu estava com medo. Era tudo muito diferente e antes que pergunte: ela foi o meu primeiro caso, eu não te trai com nenhuma outra mulher além dela.

Suzana    – E com homem? (pausa) Brincadeirinha. Ela ia na prefeitura ou vocês também se encontravam no bordel?

Alberto   – Nos dois, depende do dia. Quando eu ia no bordel tinha que tomar cuidado, então a Nilda me ajudava. Eu e a Gina conversávamos em público normalmente como eu faço com qualquer outro eleitor, não nos tocávamos e nem nos beijávamos.

Suzana    – Vocês se beijam? Você beija uma puta travesti na boca. Eu estou com ainda mais nojo de mim mesmo.

Alberto   – Chega!

Suzana    – Uma última pergunta: você a ama? Você a ama, né?

Alberto   – Suzana/

Suzana    – (corta) Não precisa responder, eu sei.

Suzana sai do quarto. Alberto bufa e começa a se trocar.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está sentada. Lauro entra e se aproxima, sentando ao lado dela.

Lauro      – Amparo, que cara é essa? O que aconteceu?

Amparo     – Eu escutei a Pérola conversando com o Mário sobre as pedras. Ela acha que pode ter nas terras dele também.

Lauro      – Eu imaginei que ela fosse procurar ele mesmo.

Amparo     – Isso não te preocupa?

Lauro      – Um pouco porque pode ser que eu e o meu pai perdemos uma oportunidade, mas ao mesmo tempo não porque essa aqui é a minha vida como bem falou o meu pai.

Amparo     – Eu achei que ela agiu muito rápido, não está brincando em serviço ela.

Lauro fica pensativo.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Robson, Marilda e Pérola estão sentados na cama. Eles conversam.

Pérola    – Ele e a esposa toparam. Amanhã mesmo nós vamos lá.

Marilda   – Ótimo! Eu falei com a minha amiga e ela disse que o chefe dela topou.

Robson    – Eles vão vir quando?

Marilda   – Estão tão animados que estão vindo amanhã mesmo e parece que o chefe dela nasceu aqui.

Pérola    – Coincidência, talvez isso seja bom. Os pontos estão se ligando.

Robson    – Isso é ótimo! Tudo está dando certo afinal.

Eles sorriem, animados e felizes.

 

CENA 08. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Omar está sentado no banco. Clara entra e se aproxima, já sentando ao seu lado.

Clara     – A sua irmã me ligou e disse que você está aqui desde cedo, disse que você não comeu nada. O que aconteceu?

Omar      – Eu amo a igreja, Clara. Eu amo trabalhar para o senhor, eu amo isso. Eu ainda sonho em ser padre e sei que a minha mãe me influenciou, mas eu amo isso. É mais do que influência.

Clara     – Eu sei disso, Omar. Eu nunca te pedi pra deixar de seguir os seus sonhos ou deixar de frequentar a igreja até porque eu também gosto de ir.

Omar      – Eu sei, Clara. Mas é que eu não posso gostar de você e ao mesmo tempo querer ser padre.

Clara     – Você está terminando o que nem começou Omar?

Omar      – Não, não e não. Eu não posso e não quero ficar sem você, mas é que é tão complicado pra mim.

Clara     – Eu sei que é, mas eu estou aqui, conte comigo. Eu gosto muito de você e antes de mais nada, eu quero que você seja feliz.

Omar sorri e Clara pega na mão dele. Ele, calmamente, vai aproximando o seu rosto do dela. Ela percebe, ele a beija. No início um selinho, logo um beijão de língua.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/DIA:

Iris e Nádia andando na rua, elas já conversam.

Iris      – Não fica preocupado com o seu irmão não, amiga.

Nádia     – Eu fico sim porque eu amo ele e sinto que eu sou culpada por isso tudo que está acontecendo.

Iris      – Não é não. Não pira amiga, ele ia conhecer a Clara uma hora ou outra.

Iris abraça a Nádia e elas seguem andando. CÂM gira pra Célia e pra Divina.

Célia     – Será que a filha da Zélia é lésbica agora?

Divina    – Não! Será que a Zélia sabe disso?

Célia     – Aí era só o que faltava na vida dela.

Divina    – Irmã a vida da Zélia está de cabeça pra baixo, isso pode ser ruim pra gente.

Célia     – Como assim?

Divina    – Nádia cada vez mais puta agora lésbica, e ainda o Omar com a puta.

Célia     – Isso não é nada bom.

Célia e Divina continuam andando atrás da Iris e da Nádia, conversando.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda e Eleonora estão sentadas no sofá, elas se beijam. Gina entra e se aproxima.

Nilda     – Chegou a atrasada. O cliente ligou reclamando, sabia?

Gina      – Eu sei tanto que nem passei aqui, fui direto pra casa dele. Eu acabei dormindo na prefeitura, desculpa.

Nilda     – Não repita isso!

Gina      – Não vou.

Gina sobe as escadas. Eleonora encara a Nilda que não entende.

Nilda     – O que foi?

Eleonora  – Você passa a cabeça demais na cabeça dela.

Nilda     – Ciúmes?

Eleonora  – Não! É a verdade, Nilda. Você sabia que ela está pensando em parar de atender e ficar só com o Alberto?

Nilda     – Sim e eu dou o meu apoio, eles se amam.

Eleonora  – Ele não a ama, é só sexo e fetiche Nilda. Você sabe disso!

Nilda     – Não! Eu acredito no amor, Nilda, eu acredito.

Nilda levanta e sai andando. Eleonora bufa, irritada.

 

CENA 11. MANSÃO DO PREFEITO/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Suzana entra bebendo o copo de uísque. Leila está cozinhando, a primeira se aproxima.

Suzana    – Leila, eu tive uma ideia. Uma brilhante ideia!

Leila     – Vai parar de beber e seguir em frente?

Suzana    – Mas é claro que não! Eu quero é vingança e eu vou ter.

Leila     – O que a senhora pretende fazer?

Suzana    – Eu vou me aliar a uma pessoa tão forte quanto eu e nós vamos destruir o Alberto e aquele lugarzinho de merda.

Leila     – E que pessoa é essa?

Suzana    – Você e Ilhabela inteira vão saber quem é essa pessoa em breve.

Suzana sai da cozinha, bebendo. Leila fica curiosa.

 

CENA 12. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Gina está sentada, fumando. Alberto vem se aproximando, ela levanta.

Gina      – Já está com saudade?

Alberto   – Sempre, mas o assunto é sério Gina. A Suzana nos viu juntos e eu acho que é melhor nos afastamos por um momento.

Gina      – (triste) Está bem então.

Alberto   – Desculpa, Gina, eu te amo e você sabe disso. Mas é que eu preciso continuar casado com a Suzana.

Gina      – Eu sei que você precisa. Adeus.

Alberto   – Não faz assim.

Gina      – Está tudo bem, é sério. Adeus, Alberto.

Gina entra no bordel, Alberto bufa e sai andando.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Eleonora está sentada numa cadeira. Gina entra, começando a chorar.

Eleonora  – O que aconteceu?

Gina      – (chora) Pelo visto você estava certo. Ele não me quer, ele nunca vai me querer, ele vai continuar com a Suzana pra sempre. Eu sou idiota!

Eleonora  – Gina, não, não foi o que eu quis dizer.

Gina      – (chora) Mas é a verdade. Ele acabou de me dá um adeus, obrigado por ter tentado me avisar.

Gina sobe as escadas. Eleonora, arrependida, pensa em ir atrás, mas desiste.

 

CENA 14. FUNDOS DO RANCHO DO MÁRIO/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Thiago, Amparo e Leila estão sentados. Eles estão conversando.

Amparo    – Mentira que vai rolar vingança, Leila.

Leila     – É sério! Ela tá louca por causa da Gina e do Alberto, ela tá querendo matar os dois.

Thiago    – Também depois de tanto descobrir que o marido é gay.

Amparo    – O Alberto não é gay. A Gina é mulher! Ser mulher é mais do que um órgão, Thiago.

Thiago    – Aí desculpa, ainda estou aprendendo essas coisas.

Leila     – Precisa aprender mais, ninguém merece um namorado preconceituoso.

Thiago    – Desculpa.

Leila o beija. Eles continuam conversando em off.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE DO LAURO/INTERIOR/NOITE:

Lauro está deitado na cama, meio pensativo. Ele levanta e pega o celular, já discando.

Lauro     – Nádia? Eu estou com saudades. Vamos nos encontrar?

Ele sorri.

 

CENA 16. AEROPORTO/INTERIOR/NOITE:

Marcos no aeroporto, com as malas, ele entra na área de embarque. Ele está feliz.

 

CENA 17. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

A campainha tocando. Zélia se aproxima da porta e abre, Suzana entra.

Zélia     – Primeira-dama? A que lhe devo a sua ilustre presença?

Suzana    – Para com esse blá blá, nós crescemos juntas.

Zélia     – Mas foi você deu a sorte grande e se casou com o prefeito.

Suzana    – E é por causa desse filho da puta que eu estou aqui. Eu quero derrubar o Alberto e preciso da sua ajuda!

Elas se encaram.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s