FALSO HORIZONTE | Capítulo 11

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Continuação imediata/

Mário escutando a conversa do Lauro com a Pérola do outro lado do muro.

Pérola    – Como assim?

Lauro     – Eu não posso ser contra ao meu futuro, Pérola. Esse rancho, essa terra, isso é o meu futuro! É a minha vida. A vida dos meus futuros filhos.

Pérola    – Eu não vou demolir o rancho, Lauro. Eu vou abrir uma parte das terras, só isso.

Lauro     – Não é isso. Nós não podemos contar com a sorte, Pérola. Esse ano está tudo ótimo pra gente, mas e no próximo? E se uma seca se abater contra essa cidade?

Pérola    – Não é possível! Eu vim do Rio pra cá atrás dessas malditas pedras preciosas e agora você me diz que não vai deixar eu fazer o meu trabalho? (pausa) Debaixo dessa terra tem diamantes, esmeraldas, rubis, eu sei que tem. Você viu aquele diamante, Lauro!

Lauro     – Pode ficar com ele, eu acho que ele pode ter sido só uma sorte do destino.

Lauro tira o diamante do bolso e entrega a Pérola.

Pérola    – Eu não quero só isso! Eu quero o resto, Lauro. Eu sei que tem mais aqui embaixo, acredita em mim.

Lauro     – Eu sinto muito.

Pérola    – Eu já entendi, amanhã mesmo eu estou indo pra longe daqui.

Lauro     – Não faz assim, eu não estou te expulsando.

Pérola    – Vá à merda!

Pérola entra na casa. Lauro pensa em ir atrás, desiste. CAM mostra Mário voltando pra casa.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Mário entra correndo. Zélia está saindo da cozinha e se aproxima.

Zélia     – Porque você saiu da mesa daquele jeito?

Mário     – Agora não, Zélia. (pausa) Você não vai acreditar no que eu acabei de descobrir. Tem uma menina no rancho do César, ela é do Rio. Ela é uma caçadora de joias raras, algo assim, não sei. O fato é que ela achou essas pedras preciosas nas terras do César.

Zélia     – Bom pra ele. O que a gente tem a ver com isso?

Mário     – Se lá tem, aqui também há de ter Zélia. E se eu estiver certo: nós estaremos ricos!

Zélia     – Ricos?

Mário     – Ela disse algo sobre diamantes, esmeraldas, isso deve valer uma fortuna! O César não está querendo deixar ela mexer nas terras dele, mas a gente vai deixar e ela vai achar tudo aqui.

Zélia     – E a gente vai perder as nossas terras?

Mário     – Não é tudo, é só um pedaço. E outra: nós não estamos produzindo nada esse ano mesmo, não vai fazer diferença.

Zélia     – Eu gostei da ideia. Vai falar com ela?

Mário     – Não. Ela vai me procurar, ela vai perceber que talvez aqui tenha o que ela precisa e o que a gente precisa.

Zélia     – Assim que souber mais sobre o assunto, me conte.

Mário     – É claro! E não é pra contar pra suas amiguinhas, nem pros nossos filhos e muito menos pro Thiago.

Zélia concorda e sobe as escadas. Mário sorri e sobe atrás.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Pérola, Robson e Marilda entram no quarto. Eles sentam na cama.

Marilda   – O que aconteceu? A gente estava esperando você e o Lauro pra ir jantar.

Robson    – Os pombinhos estavam namorando?

Pérola    – Isso é sério! Ele disse que não vai mais nos apoiar, que isso aqui é a vida dele e que não pode fazer isso.

Marilda   – E agora?

Pérola    – E agora que nós vamos embora. Nós vamos voltar pras nossas casas em São Paulo, esperar por uma nova oportunidade.

Robson    – Não! Eu estava prestes a ver a minha mãe de novo depois de tanto tempo, mas eu vim pra cá, pra esse fim de mundo. E agora nós vamos continuar com isso até o fim.

Marilda   – O Robson estava certo. Nós vamos achar outro rancho pra escavar ou até mesmo escavar esse aqui.

Os três sorriem, esperançosos.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Suzana caminhando na rua, apressada e tensa. CAM mostra que ela está chegando à prefeitura.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

César e Lauro estão sentados, jantando. Eles conversam.

César     – Contou pra ela do que a gente conversou?

Lauro     – Eu contei. (pausa) Mas não foi bem do jeito que eu queria.

César     – Como assim?

Lauro     – Eu queria que ela continuasse aqui, eu gostei dela pai. Eu não queria que ela ficasse triste.

César     – Eu fico é feliz! Eu não gostava dela, ela é estranha Lauro, não confio.

Lauro     – Pai, cala a boca. Eu não quero brigar com você.

Eles continuam comendo, em silêncio.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DOS HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Marilda, Robson e Pérola sentados na cama. Eles conversam.

Pérola    – Ideias?

Marilda   – Ainda não, mas eu vou pensar em algo. Nós não vamos sair daqui de mãos abanando.

Robson    – Eu tenho uma. Eu achei interessante isso de olhar outros ranchos. Se aqui tem, pode ter em outros.

Pérola    – Tem razão. O rancho vizinho, qual é o nome do dono?

Marilda   – Não sei, mas você pode descobrir amanhã.

Pérola    – Eu vou falar com ele amanhã de manhã, enquanto isso vocês vão pro bordel.

Robson    – Isso é música pros meus ouvidos!

Os três riem.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Música animada tocando. Nilda e Eleonora dançando, Iris e Nádia também, Clara e Omar estão sentados.

Clara     – Você está gostando da noite, Omar?

Omar      – Estou, mas é que nessa hora eu costumo estar dormindo.

Clara     – Ah desculpa eu ter insistido pra você vir, mas é que eu não tinha cliente hoje e não quis ficar sozinha.

Omar      – Não tudo bem, estar aqui é melhor do que estar em casa.

Clara sorri. Ela toca na mão dele e ele recua, com medo.

Omar      – Eu ainda não estou pronto, Clara.

Clara     – Tudo bem, eu quero respeitar o seu tempo. Vamos dançar?

Omar      – Vamos.

Eles levantam e dançam perto da Nádia e da Iris, felizes.

 

CENA 08. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Gina e Alberto estão deitados no chão, nus e cobertos por um lençol.

Alberto   – Gina (pausa) eu já disse que te amo hoje?

Gina      – Para com isso porque eu acredito nessas coisas.

Alberto   – E é pra acreditar porque é verdade. Eu te amo.

Gina sorri e Alberto a beija. E é nesse momento que Suzana vê pela porta entreaberta a cena, ela fica chocada.

 

CENA 09. FUNDOS DA MANSÃO DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Thiago, Leila e Amparo estão deitados no chão. Eles olham as estrelas.

Leila     – (aponta pro céu) Aquela dali é a mais bonita.

Thiago    – Não! (aponta) Aquela dali é a mais bonita, brilhante.

Leila     – E pra você, Amparo? Qual é a mais bonita?

Amparo    – Eu não sei.

Os três riem. Um grito é escutado e eles se assustam.

 

CENA 10. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIRO/NOITE:

Suzana entra aos berros, desesperada. Leila sai da cozinha e se aproxima.

Suzana    – Leila você não vai acreditar quem é a vadia. A filha da puta da amante do meu marido é a Gina, Leila. Ela é um homem! Ela… ela… ela não é ela! É ele! Eu não acredito que o homem com quem eu fui casada durante tanto tempo é gay. Isso não está acontecendo!

Leila desata de rir. Suzana a encara, preocupada.

Suzana    – O que está acontecendo? Isso não é engraçado. Para de ri Leila!

Leila     – (rindo) Desculpa.

Suzana    – (cheia) Você fumou maconha, Leila?

Leila     – Não?!

Suzana    – Oh deus! Vá dormir, some da minha frente e tira esses amigos maconheiros daqui.

Leila sai, rindo. Suzana bufa e senta no sofá, brava.

Suzana    – Eu vou esperar até ele chegar. Eu só vou sair daqui quando ele pôr os pés em casa. (pausa) Eu vou matar ele!

Ela cruza os braços e fica à espera.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Robson e Pérola estão andando pelo corredor. Marilda os alcança.

Robson    – Marilda, teve mais alguma ideia pro nosso problema?

Marilda   – Eu tive, eu concordo com você e acho que a Pérola deve ir conversar com o vizinho.

Pérola    – Mas?

Marilda   – Nós não podemos desistir dessas terras, é obvio que aqui tem algo gente. E se nas terras do vizinho não tiver? Nós não podemos sair daqui com as mãos vazias.

Robson    – Qual é o plano?

Marilda   – Eu conheço uma jornalista no Rio de Janeiro, ela trabalha num jornal importante, seria interessante ela saber de Ilhabela.

Pérola    – Isso! Essa notícia vai vender como água e rapidamente a cidade vai encher de jornais querendo notificar as pedras preciosas.

Marilda   – Essa é a ideia. Eu posso ligar pra ela.

Robson    – É uma ótima ideia. O César vai se sentir pressionado com todo esse povo aqui, ele vai deixar a gente fazer o nosso trabalho.

Marilda   – Eu espero que sim.

Pérola    – Eu também.

Eles seguem andando.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

César está passeando pelo pasto. Mário surge atrás dele e César se assusta.

César     – Deus! Como você apareceu aqui do nada?

Mário     – Você estava no mundo da lua que nem percebeu a minha chegada.

César     – O que quer?

Mário     – Eu vim dá oi pro meu vizinho querido. (pausa) Oi.

César     – Oi. Repetindo a pergunta: o que você quer?

Mário     – Eu escutei um boato que você está vivendo em cima de uma mina de ouro e eu queria saber se é verdade.

César     – Só se você estiver falando das minhas terras que estão produzindo maravilhas. E as suas? Como estão?

Mário     – Bem, obrigado. (pausa) Eu tenho que ir agora, César.

César     – É claro que tem.

Mário dá as costas e sai andando, bravo. César sorri e segue andando.

 

CENA 13. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/DIA:

Gina e Alberto estão deitados no chão. Eles começam a despertar.

Alberto   – Meu deus! Nós dormimos na prefeitura.

Gina      – Não! Isso não aconteceu. Eu tenho cliente pela manhã.

Alberto   – Suzana deve estar morta de preocupação ou de suspeitas.

Gina      – Nós precisamos correr!

Eles levantam, já pegam suas roupas e já vão se vestindo. Eles saem correndo.

 

CENA 14. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana está sentada no sofá de braços cruzados. Leila se aproxima.

Leila     – Senhora?

Suzana    – O que você quer, Leila?

Leila     – A senhora não sai daí desde ontem a noite, estou preocupada com a senhora. Não jantou, não dormiu. Está bem?

Suzana    – Bem? O meu marido está me traindo com uma mulher que não é mulher Leila. E eu não vou nem mencionar o fato de você ter fumando maconha no meu quintal.

Leila     – Desculpa senhora. Eu não deveria ter feito isso.

Suzana    – Está desculpada, mas não repita isso ou é rua!

Leila     – A senhora quer comer alguma coisa?

Suzana    – Eu quero comer os olhos, o nariz, os dedos, o pinto do Alberto. É isso que eu quero!

Leila, assustada, retorna pra cozinha. Suzana emburra a cara e continua de braços cruzados.

 

CENA 15. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Lauro está sentado à mesa. César entra e senta em frente a ele.

Lauro     – Está tudo bem, pai?

César     – Estou. É só o Mário me irritando, como sempre.

Lauro     – O que aconteceu?

César     – Nada não. É assunto de idosos chatos.

Lauro ri. Robson, Marilda e Pérola entram na sala de jantar, mas não se sentam.

Pérola    – Estamos indo embora. A Amparo nos ajudou com as malas.

Marilda   – Muito obrigada por nos receber, Lauro.

Robson    – Até mais.

Lauro     – Vocês podem ficar e tomar café se quiserem.

César     – Não podem não!

Lauro     – Pai!

Pérola    – Está tudo bem, Lauro. Nós nos vemos por aí.

Os três saem. Lauro encara o César que está sorrindo.

 

CENA 16. FRENTE AO RANCHO DO CÉSAR/EXTERIOR/DIA:

Pérola, Robson e Marilda saem da casa com as malas. Eles se encaram.

Pérola    – Eu vou falar com o vizinho agora mesmo.

Marilda   – Eu e o Robson vamos pro bordel, nós levamos a sua mala.

Robson    – Eu já disse que isso é música pros meus ouvidos?

Pérola    – Não esquece de ligar pra sua amiga hein.

Marilda   – Não vou esquecer, vou ligar assim que chegar lá.

Eles saem juntos, mas seguem caminhos diferentes. Marilda e Robson pra um lado e Pérola pro outro.

 

CENA 17. PRAÇA/INTERIOR/DIA:

Omar está sentado num banco. Nádia se aproxima e senta ao lado dele.

Nádia     – Me ligou?

Omar      – Eu sai cedo de casa pra dar uma caminhada, mas eu quero conversar contigo.

Nádia     – Pode falar.

Omar      – Eu e a Clara estamos ficando próximos. Eu gosto dela e ela gosta de mim. E vai ter um momento em que a gente vai ter que se beijar, certo?

Nádia     – Você está me dizendo que ainda não beijou ela?

Omar      – Eu não sei fazer isso. Eu nunca beijei alguém desse jeito. Eu não sei mexer a língua, eu não sei abrir a boca.

Nádia     – Ela sabe disso?

Omar      – Ela sabe, eu disse pra ela. Não com essas palavras, mas eu disse.

Nádia     – Isso já é uma coisa. E se ela não te largou é porque ela gosta de ti. Você só vai saber como é quando beijar ela.

Omar      – Alguma dica?

Nádia     – Não. Essas coisas de treinar em laranja não dão certo. A experiência do beijo você só vai ter na hora, irmão.

Omar      – E sexo?

Nádia     – (ri) A mesma coisa, irmãozinho. (pausa) Você nunca nem (faz gestos)

Omar      – Não! E eu não quero falar sobre coisas que eu fiz ou deixei de fazer com o meu pinto com a minha irmã.

Nádia     – Está certo. Quer ir pra casa?

Omar      – Não. Eu quero ficar aqui mesmo na praça.

Nádia     – Eu vou pro bordel falar com a Iris.

Omar      – Você gosta da Iris, quer dizer, vocês vivem grudadas.

Nádia     – Eu gosto dela, como amiga. Eu gosto é de homem, irmão.

Ela dá um beijo na bochecha dele e sai. Omar sorri e fica olhando o nada.

 

CENA 18. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Nilda está sentada na frente do bordel, fumando. Robson e Marilda se aproximam com as malas.

Nilda     – Vocês devem ser os amigos da Pérola, certo?

Robson    – Nós mesmo.

Nilda     – E cadê a Pérola?

Marilda   – Ela teve que resolver umas coisas, mas logo estará aqui.

Nilda     – Ah sim. Eu ajudo vocês com as malas, vem comigo.

Nilda levanta e ajuda eles. Os três entram no bordel.

 

CENA 19. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/DIA:

Suzana está na mesma posição que antes. Alberto entra na casa e dá de cara com ela.

Alberto   – Suzana?

Suzana    – (grita) Filho da puta! Nojento!

Ela levanta já tacando os sapatos nele que consegue desviar por pouco. Eles se encaram.

 

CENA 20. RANCHO DO MÁRIO/PASTO/INTERIOR/DIA:

Mário está sentando, fumando. Pérola se aproxima, ele levanta.

Pérola    – A sua esposa me deixou entrar, posso conversar com o senhor?

Mário     – Eu conheço essa voz. (pausa) Pérola?

Pérola    – Isso mesmo. O senhor me conhece?

Ela estranha e ele sorri, feliz. CAM se afasta e mostra que Amparo está escutando atrás do muro.

 

CENA 21. BORDEL PUTTANESCA/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Marilda e Robson sentados na cama. A primeira pega o celular e começa a discar os números.

Marilda   – Alô? Amiga, eu tenho uma notícia em primeira mão para lhe dar.

Marilda e Robson sorriem, esperançosos. Ela continua falando em off.

 

CENA 22. REDAÇÃO DE JORNAL/INTERIOR/DIA:

Rio de Janeiro

Mulher se aproxima do Marcos que está de costas. Ela o cutuca e ele se vira.

Mulher    – Eu tenho uma notícia exclusiva pra você, chefe.

Marcos sorri.

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s