FALSO HORIZONTE | Capítulo 10

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E  YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Robson e Marilda se encaram. Lauro se vira e olha pro César.

Lauro     – Não é nada, pai. Mas nós precisamos conversar.

César     – Isso parece ser alguma coisa, algo importante.

Lauro     – Não é, não se preocupe.

César     – O que eles têm a ver com isso, Lauro?

Robson    – Nós não temos nada com isso, senhor. Só estávamos conversando.

Marilda   – Isso mesmo. (pausa) Nós vamos sair e vocês vão poder conversar em paz.

Robson e Marilda saem.

Lauro     – Vamos entrar, tomar café. Nós conversamos na mesa.

César     – Não me esconda nada, é sério. Eu não gosto de segredos!

Lauro     – Eu não estou escondendo nada, tanto que irei te contar lá dentro.

Lauro e César entram.

 

CENA 02. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Nilda levanta e, com cuidado, abraça a Pérola. Gina sorri e Nilda volta a se sentar, Gina continua a fazer a unha dela.

Nilda     – Faz muito tempo que não nos vemos, uns (pausa) deixa pra lá! Não é bom falar de idade.

Pérola    – É melhor mesmo. Respondendo à sua pergunta, eu vim aqui a trabalho.

Nilda     – É claro! Eu disse pra você Gina que tinha sido ela em Porto dos Milagres.

Gina      – Então foi você, nossa! Quanto você achou na cidade?

Pérola    – Na verdade não fui eu. Eu imaginei que se na cidade vizinha tem algo, nessa há de ter também.

Nilda     – Será? Ilhabela é uma cidade tão (pausa) sem graça.

Gina      – E por acaso Porto dos Milagres é um Rio de Janeiro, Nilda?

Nilda     – Não, mas qualquer cidade é mais interessante que essa.

Pérola    – Eu discordo. Eu cheguei ontem e fui recebida por um comício.

Nilda     – Aquilo? Não foi nada!

Pérola    – Parecia alguma coisa.

Nilda     – Depois eu te conto sobre isso. (pausa) Mas já achou alguma coisa?

Pérola    – Eu acho que sim, mas não tenho certeza de nada. Então é melhor não falar pra não dar azar.

Gina      – E você veio sozinha?

Pérola    – Não, na verdade, eu vim com uns amigos. (pausa) E, além de matar as saudades, eu vim pedir abrigo pra você Nilda.

Nilda     – Mas não precisa nem pedir. Isso aqui é um bordel! Espero que não se importe com isso, mas é uma casa também e eu sou mãe das meninas que trabalham aqui. E como toda casa de mãe: sempre cabe mais um!

Pérola    – Não sou só eu, como disse. Eu e mais dos amigos.

Nilda     – Onde cabe um, cabe três! Eu imagino que vocês não têm problema em dividir um quarto, né?

Pérola    – É claro que não, na verdade qualquer canto é melhor que nada.

Gina      – E aonde vocês passaram a noite?

Pérola    – No rancho do Lauro, conhecem?

Nilda     – Conhecemos. Ele é um ótimo garoto (pausa) e solteiro.

Pérola sorri. As três continuam conversando, animadas.

 

CENA 03. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

César e Lauro tomando café. Amparo os serve. Os dois se encaram.

César     – Então, o que tinha pra me contar?

Lauro     – Então… a Pérola e os amigos trabalham com pedras preciosas e eles viram o que aconteceu na cidade vizinha e acham que aqui pode ter alguma coisa.

César     – É só isso? Eu achei que fosse algo mais sério. (pausa) O que eu tenho a ver com isso?

Lauro     – É que o achado das pedras preciosas foi num rancho então eles acham que podem encontrar alguma coisa aqui.

César     – Aqui? Nesse rancho? No meu rancho?

Amparo    – (tenta mudar de assunto) Parece que hoje vai chover, é um milagre né?

César     – Não faz isso, Amparo! (ao Lauro) É isso o que você quer dizer?

Lauro     – É isso. Eles querem escavar as nossas terras pra ver se tem pedras.

César     – E quanto do meu terreno vai ser tirado, Lauro?

Lauro     – Quase o pasto inteiro, mas essas coisas crescem de novo pai. É só por um tempo!

César     – Isso é um assunto particular.

Amparo    – Eu saio.

César     – Não, nós saímos. Vamos subir, Lauro, e conversar sobre isso.

Eles saem. Amparo bufa e começa a tirar a mesa.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Mário, Zélia, Omar e Nádia a mesa. Thiago à parte.

Mário     – Então… vocês dormiram bem? Como foi a noite?

Omar      – Bem.

Nádia     – Bem, eu acho. Quer dizer, a mamãe armou um comício contra o bordel, mas bem.

Zélia     – Bem.

Mário     – Eu também dormi bem.

Nádia     – Isso é sério? Ontem estava toda cheia de ódio, vermelha de raiva, hoje está quieta e não fala nada. Nenhum sermão sobre o meu short ser curto demais?

Zélia     – Eu não tenho o direito de falar na minha própria casa sem ser agredida verbalmente pelo seu pai.

Mário     – Drama!

Zélia     – Quando vocês reclamam de mim não é drama, mas quando eu falo nossa! Eu sou uma atriz de novela.

Omar      – Mãe/

Zélia     – (corta) E é por isso que eu não vou falar mais nada nessa casa.

Nádia     – Ótimo!

Omar      – Nádia! (a Zélia) Não faz assim, mãe, nós te amamos. Mas aquilo ontem foi demais.

Zélia     – Proteger a minha família é demais, mas a minha filha sair de casa praticamente pelada não é nada? Ou o meu filho prestes a se tornar um padre frequentar um bordel também não é nada? Isso é injusto!

Mário     – Ela voltou.

Nádia     – Obrigada, Omar.

Zélia continua falando em off. Thiago só observando.

 

CENA 05. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/DIA:

Alberto entra e atrás dele, a secretária. Ele senta e a encara.

Alberto   – E antes que eu me esqueça: ligue pra Nilda e peça pra ela reservar a minha menina.

Mulher    – Nilda?

Alberto   – Nilda, do bordel.  

Mulher    – Oh, eu não sabia que você e a Suzana estavam passando por problemas.

Alberto   – (encara ela) É só isso!

Ela sai. Alberto começa a trabalhar.

 

CENA 06. RANCHO DO CÉSAR/SUÍTE DO LAURO/INTERIOR/DIA:

Lauro e César entram. O primeiro senta na cama e o segundo o encara.

César     – Não!

Lauro     – O que?

César     – Eu não vou deixar que aquela puta e a trupe dela quebre a minha terra. Eu demorei anos pra conseguir chegar até onde estou! Não vou perder tudo por causa de uma coisa que pode ou não ter.

Lauro     – Pai/

César     – (corta) Não é não! Assunto encerrado! Pode mandar aquela puta pra longe daqui.

Lauro     – O senhor só pensa em si mesmo. Não pensa na gente! Por mais que produção desse ano esteja magnifica, não podemos saber como vai ser ano que vem.

César     – Eu sei que isso é constante e nem sempre está maravilhoso. Mas nós nunca passamos dificuldades. Eu não posso deixar um trabalho de anos ser destruído por causa de umas pedrinhas.

Lauro     – Não é só umas pedrinhas. É diamante, esmeralda! Vale muito, pai.

César     – Eu não me importo!

César sai do quarto. Lauro bufa.

 

CENA 07. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Zélia e as beatas estão conversando em frente à igreja.

Zélia     – Ontem foi uma derrota, irmãs, mas não vai ficar assim.

Divina    – É lógico que não! Nós vamos botar aquele bordel a baixo.

Célia     – E eu mal posso esperar para que isso aconteça.

Omar vem se aproximando com a Clara. Zélia e as beatas se encaram.

Zélia     – Eu não acredito nisso! Ele só pode estar brincando comigo.

Omar      – Oi mãe.

Clara     – Olá, dona Zélia. Eu sou a Clara, acho que não nos conhecemos direito.

Divina    – Nós te conhecemos muito bem, vagabunda!

Célia     – Essa é puta da pior espécie. Vadia!

Clara     – Vocês me atacam assim na frente da casa do senhor? E ainda se dizem de bom coração.

Clara e Omar entram na igreja. Zélia os encara entrando, raivosa.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA;

Iris olhando as unhas da Eleonora. Nádia também olhando. Gina desce as escadas.

Iris      – Gina! Eu também quero fazer as unhas contigo.

Nádia     – Aí eu também. Ficou linda demais, melhor que muito profissional.

Gina      – Eu não sou a manicure particular de vocês, não. Eu até faço, mas vou cobrar.

Eleonora  – Tá querendo ganhar dinheiro extra?

Gina      – Eu tô pensando nisso mesmo. Estou pensando em ficar só fazendo programa pro Alberto.

Nesse momento o celular da Gina toca e ela atende.

Gina      – Nilda? Alberto? Eu não estava esperando fazer programa hoje, mas eu abro uma exceção pra ele. Tchau. (ela desliga)

Nádia     – Era a Nilda? Onde que ela tá?

Iris      – Tá mostrando a cidade pra uma amiga que vai morar aqui.

Nádia     – Puta nova?

Iris      – Não, ela só vai morar aqui mesmo.

Eleonora se aproxima da Gina.

Eleonora  – Pense bem antes de tomar essa decisão. Se está pensando que o Alberto vai largar a Suzana, mude de ideia.

Gina      – Eu sei que ele não vai, Eleonora, eu não sou burra.

Eleonora  – Eu espero mesmo que não seja. A Nilda passa a cuida demais desse romance, é só sexo Gina.

Gina      – Eu sei que é. Eu sei amor não existe pra pessoas como eu, não precisa me falar, eu sei!

Gina sai, quase que chorando. Iris e Nádia encaram a Eleonora.

 

CENA 09. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Missa acontecendo. Clara e Omar sentados juntos, cheios de chamego. Zélia e as beatas encarando os dois.

Zélia     – (baixo) Isso não está acontecendo.

Célia     – É só um pesadelo, Zélia, o Omar vai acordar.

Divina    – E ele vai perceber que a mãe dele estava certa.

Zélia     – Eu espero mesmo.

Fagundes  – Zélia! Silêncio!

Zélia     – Desculpa, padre.

O padre continua. Zélia encara o casal, raivosa.

 

CENA 10. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/TARDE:

Começo da tarde.

Amparo e Lauro estão conversando.

Lauro     – A Pérola é linda, né?

Amparo    – É sim, mas eu acho que a Nádia combina mais contigo. Ela é mais pé no chão, eu sinto que a Pérola é muito (pausa) rica.

Lauro     – E desde quando ser rica é um defeito?

Amparo    – Não é, mas é que também não é bom. Olha pra você Lauro! Você trocaria isso aqui pela cidade grande?

Lauro     – Não!

Amparo    – A Nádia também não, eu sei que não. Mas o problema da Nádia é o Mário, né?

César entra e se aproxima deles.

 César     – Eu não gosto que o nome do meu adversário seja dito na minha casa.

Amparo    – Desculpa.

César     – Eu posso conversar contigo, Lauro?

Lauro     – Podemos, pai.

César sai e Lauro vai atrás.

 

CENA 11. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/TARDE:

César e Lauro caminham pelo pasto.

César     – Olha pra isso, Lauro! Isso aqui é a nossa vida. Eu sei que eu não tenho sido o melhor pai do mundo, mas é que eu sei que não vou durar pra sempre. E sei que uma hora você vai precisar assumir isso aqui e eu quero que você saiba da importância disso nas nossas vidas.

Lauro     – O senhor ainda vai viver bastante tempo. Vaso ruim não quebra fácil.

César     – Eu mereci essa depois de tudo o que eu lhe disse. Mas é sério! Você precisa entender que isso aqui é importante pra nossa família. O leite que as vacas produzem, o queijo, a carne. Tudo isso!

Lauro     – Eu sei, pai.

César     – Eu sei que você sabe, mas as vezes parece que você se esquece. E que um rabo de saia fala mais alto! Você ia transar com a Nádia na casa dela e agora essa Pérola.

Lauro     – Pai/

César     – (corta) Não me diga que você só apoia a Pérola por causa das pedras. Eu sei que a apoia por ela ser bonita. (pausa) Você é homem! Eu entendo, é sério, mas as nossas vidas e o seu futuro é mais importante que isso.

Lauro     – Eu sei.

César     – Então?

Lauro     – Ok. Eu vou pedir pra ela procurar em outro rancho que não seja o nosso, mas eu ainda acho que estamos perdendo a nossa chance.

César     – Talvez. Mas isso aqui, tudo isso, vale mais que diamantes Lauro.

César sai. Lauro concorda e olha tudo à sua volta, ele sorri.

 

CENA 12. RUA/EXTERIOR/TARDE:

Nilda e Pérola andam na rua, conversando. Elas param e encaram a igreja.

Pérola    – Então quer dizer que tudo aquilo ontem foi por causa de um romance?

Nilda     – Não é um romance. Eles nem se beijaram ainda, é só uma atração.

Pérola    – Você não apoia?

Nilda     – Eu não posso impedir as meninas de namorar, mas eu não quero problemas com as beatas.

Pérola    – Eu entendo.

Nilda     – Enfim. Aquela ali é a igreja, mas você já conhece essa parte. A cidade acabou!

Pérola    – Eu achei que ela fosse pequena, mas até que é bem grandinha.

Nilda sorri. Elas continuam conversando em off.

 

CENA 13. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Suzana desce as escadas e se aproxima da Leila que estava à sua espera.

Leila     – A senhora está linda! Vestida pra matar.

Suzana    – Eu vou matar aquela vadia e o Alberto, tenha certeza.

Leila     – Não! A senhora não pode demonstrar isso a ele. Ele não pode saber que a senhora sabe e nem que está querendo se vingar.

Suzana    – Como assim?

Leila     – Faça como a senhora quiser, mas será melhor se ele não souber e for surpreendido.

Suzana    – Boa ideia, obrigada.

Leila     – Senhora? Uns amigos podem vir pra cá?

Suzana    – Divirta-se!

Suzana sai. Leila sorri e caminha pra cozinha.

 

CENA 14. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Alberto abre a porta e Gina entra. Eles se beijam.

Alberto   – Eu estou morrendo de saudades de você.

Gina   – Eu também.

Eles sorriem e se beijam.

 

CENA 15. FUNDOS DA MANSÃO DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Leila, Thiago e Amparo estão sentados fumando um cigarro suspeito. Eles conversam, riem, felizes em off.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Toda a família sentada a mesa, jantando. Zélia irritadíssima, Mário a encara.

Mário     – O que aconteceu, Zélia? Você parece está irritada com algo.

Zélia     – Algo? Além de tudo que está acontecendo com essa família, hoje o Omar levou a putinha dele pra igreja.

Omar      – Não fala assim da Clara.

Zélia     – Mas é o que ela é: uma putinha!

Nádia     – Você é mulher, mãe, deveria apoiar mais as mulheres.

Zélia     – E apoio! Mas não aquelas que são submissas ao diabo. Ela entrou na igreja, Mário.

Mário     – Nossa! Uma pessoa entrou na igreja, matem ela por isso.

Zélia     – Isso é sério!

Mário     – Eu imagino que seja.

Mário levanta e sai da mesa.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Pérola está andando no corredor. Lauro vem pelo lado oposto e se aproxima.

Lauro     – Pérola! Eu estava te procurando.

Pérola    – Eu estou indo jantar.

Lauro     – Antes disso, eu posso conversar com você lá fora?

Pérola    – Claro.

Eles saem.

 

CENA 18. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/NOITE:

Lauro e Pérola saem. Eles param no meio do pasto e se encaram.

Pérola    – O que quer comigo aqui fora? Não me diga que o seu pai concordou.

Lauro     – É exatamente o contrário, Pérola.

CAM começa a se afastar e mostra que do outro lado, Mário está escutando toda a conversa.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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