FALSO HORIZONTE | Capítulo 09

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E  YURI NEVES

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10min

 

 

CENA 01. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Continuação imediata/

Robson encarando o diamante. Pérola e Marilda encaram o Lauro.

Lauro     – Me devolve!

Pérola    – Onde você achou isso?

Lauro     – Não importa! É meu e eu quero de volta.

Robson devolve.

Marilda   – Nós somos exploradores de terras, nós caçamos pedras preciosas por assim dizer.

Pérola    – Isso. E o motivo da gente estar em Ilhabela é que nós ouvimos o que aconteceu na cidade vizinha e queremos achar pedras como essa que você tem.

Robson    – É muito importante pra gente saber onde você encontrou essa pedra.

Lauro     – O meu pai é dono de um rancho, eu encontrei lá. Mas eu não que tenha mais, acho que é só um.

Robson    – Não, normalmente quando há um é porque há um monte.

Marilda   – Você se importa de a gente ir olhar o rancho do seu pai amanhã pela manhã?

Lauro     – Não, sei lá, eu não conheço vocês. Mas não parecem criminosos então não me importo, mas o problema é o meu pai.

Pérola    – A gente pode conversar com ele, acho que ele vai entender.

Lauro     – Eu me chamo Lauro. Qual é o nome de vocês?

Pérola    – O meu é Pérola, esse é o Robson e essa é a Marilda.

Lauro     – Prazer. Eu acho que vou indo, mas me encontrem aqui amanhã de manhã e eu mostro a vocês onde é o rancho.

Pérola    – Ótimo! Pode me dizer onde fica o bordel da Nilda?

Lauro     – (aponta) Tá vendo aquela confusão? É ali que fica.

Marilda   – O que está acontecendo?

Lauro     – Alguma coisa das beatas contra o bordel.

Robson    – Isso significa que nós não temos onde dormir essa noite?

Pérola    – Droga!

Lauro     – Vocês podem ir lá pro rancho, tem um quarto de hóspedes.

Pérola    – Não vamos incomodar?

Lauro     – Não, é claro que não.

Robson    – Ótimo!

Lauro ajuda a Pérola com as malas e os quatros andam juntos, lado a lado.

 

CENA 02. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

As meninas do bordel mais a Nádia e o Omar de um lado, Zélia e as beatas de outro.

Zélia     – Os meus próprios filhos contra mim!

Nádia     – Você não pode impedir pessoas honestas de trabalhar, mãe.

Omar      – Eu continuo achando esse lugar péssimo pra mulheres, mas concordo com a Nádia.

Célia     – Isso é coisa do demônio! Não é do bem, irmãs.

Divina    – Não podemos permitir que essas coisas invadem a cabeça dos nossos filhos.

Zélia     – É isso mesmo!

Nilda     – Esse ódio que vocês sentem da gente é inveja.

Eleonora  – Enquanto vocês estão fazendo a janta, é aqui que os maridos estão.

Iris      – E eu garanto pra vocês: nós somos muito melhores e é por isso que eles vem pra cá.

Zélia    – Isso é mentira! Os rapazes que frequentam esses lugares não são pessoas do senhor e eu sei que nossos maridos são do senhor, né irmãs?

Os dois lados continuam gritando um pro outro, uma confusão.

 

CENA 03. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Padre Fagundes olhando a confusão da porta da igreja. Ele bufa.

Fagundes  – Não posso deixar essa palhaçada continuar. Eu vou fazer alguma coisa.

Ele sai andando, decidido.

 

CENA 04. PRAÇA/EXTERIOR/NOITE:

Thiago e Leila estão sentados no banco da praça. Conversa já iniciada.

Leila     – Eu tô falando sério! O casamento do Alberto e da Suzana não passa desse ano.

Thiago    – Mas ele precisa dela pra prefeitura, Leila.

Leila     – Ele admitiu que a traia! Ela deve tá doida atrás dessa mulher.

Thiago    – Quem será hein?

Leila     – Ela deve ser do bordel. Eu acho que pode ser aquela que anda sempre com a Nádia.

Thiago    – A Iris? Será que a Nádia sabe?

Leila     – Será que é a Nádia?

Thiago    – Não!

Leila     – Eu acho que é, só pode ser ela. Faz sentido.

Thiago    – Faz mesmo. (pausa) Mas deixa de falar disso, vamo falar da gente.

Leila     – E o que tem pra falar da gente, Thiago?

Thiago pela na mão dela. Leila sorri e o beija. Ele retribui.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/NOITE:

Amparo está sentada comendo uma maça. César se aproxima e senta ao lado dela.

Amparo    – Está sem sono?

César     – Está muito cedo, não quero dormir agora.

Amparo    – Quer que eu faça alguma coisa, senhor?

César     – Não, só quero conversar.

Amparo    – Fala que eu sou todos ouvidos.

César     – Eu ando pensando muito no passado, na Lúcia, em coisas que aconteceram quando o Lauro era só um bebê.

Amparo    – É como a minha mãe dizia: pensar no passado é bom, mas você não pode se prender a ele.

César     – A sua mãe estava certa. (pausa) Eu lembrei de um antigo amigo, ele morava no rancho ao lado antes do Mário comprar.

Amparo    – Eu ainda morava na capital, não sabia que antes do Mário morava outra família. (pausa) O que aconteceu esse amigo?

César     – Eu não sei. Ele fez uma merda e depois fugiu da cidade pra nunca mais voltar, eu sinto falta dele. Ele me ajudou um pouco com o Lauro e ele era amigo da Lúcia.

Amparo    – Quem sabe um dia ele não aparece, né mesmo?

Eles continuam conversando em off.

 

CENA 06. PREFEITURA/SALA DO PREFEITO/INTERIOR/NOITE:

Alberto está sentado na cadeira, mexendo em alguns papeis. Padre entra e se aproxima.

Alberto   – Padre! O senhor não pode ir entrando assim.

Fagundes  – Desculpa senhor prefeito, mas é importante.

Alberto   – O que aconteceu?

Fagundes  – As beatas se revoltaram de vez com o bordel e estão realizando um comício agora mesmo. E eu, mesmo sendo contra o bordel, não posso permitir que algo violento aconteça na cidade.

Alberto   – Há violência? Chama o delegado Leonel.

Fagundes  – O Leonel e a Agatha não podem controlar a Zélia, prefeito. Mas o senhor pode, ela te adora.

Alberto   – Eu vou até lá então.

Fagundes ia sair, mas percebe que o Alberto não está indo atrás. Ele encara o prefeito que levanta e o segue.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro, Pérola, Robson e Marilda entram na casa. Os três últimos olham em volta.

Pérola    – A sua casa é ótima.

Lauro     – Obrigado. (grita) Pai! Amparo!

César e Amparo entram na sala, já encarando o Robson, a Marilda e a Pérola.

César     – Quem são essas pessoas?

Amparo    – Eu nunca as vi pela cidade. São novos?

Robson    – Olá, muito prazer. O meu nome é Robson, essa é a Marilda e essa é a Pérola.

Pérola    – O Lauro nos abrigou só por hoje, amanhã mesmo estamos indo pra nosso outro lugar.

César     – Lauro! Onde você conheceu essas pessoas?

Lauro     – Não importa, pai. (a Amparo) Leve os três até o quarto de hóspedes e providencie tudo o que eles vão precisar.

Amparo, Robson, Marilda e Pérola sobem as escadas. César se aproxima do Lauro.

César     – Eu não gostei disso. Trazer estranhos pra minha casa, Lauro?

Lauro     – E quando é que você gostou de alguma coisa?

Lauro sobe as escadas. César bufa.

 

CENA 08. RANCHO DO CÉSAR/QUARTO DE HÓSPEDES/INTERIOR/NOITE:

Marilda e Pérola sentadas na cama, Robson sentado no chão sob uma caminha feita de lençóis.

Marilda   – Algo me diz que o velho não gostou muito da ideia da gente ficar aqui.

Pérola    – Espero que ele goste da gente, pelos menos. Nós precisamos dele pra explorar as terras.

Robson    – Não acredito que vou dormir no chão, isso é o cumulo!

Marilda   – Não reclama que é melhor do que dormir na rua.

Robson concorda. Pérola deita na cama, sorrindo.

 

CENA 09. RANCHO DO CÉSAR/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está andando no corredor e dá de cara com a Amparo. Eles param.

Amparo    – Que ideia é essa de trazer estranhos pra cá?

Lauro     – Aí não faz o meu pai, por favor Amparo.

Amparo    – Porque ajudar gente que você nem conhece?

Lauro     – Lembra do diamante? Tem a ver com isso, depois eu conto. E eu também gostei da Pérola.

Amparo    – É lógico que tinha que ter um rabo de saia como motivo.

Eles riem e seguem andando.

 

CENA 10. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

As beatas e as meninas do bordel discutindo. Alberto e padre Fagundes se aproximam.

Fagundes  – (grita) Chega! Parem com isso, gente.

Zélia     – Não se mete, padre. Não quis participar/

Alberto   – (corta) Ele está certo, Zélia! Isso é um absurdo! Você pode não concordar com a forma delas de viver, mas não pode fazer isso que está fazendo.

Divina    – Mas prefeito/

Alberto   – Eu não quero mais, eu não quero menos. Chega!

Fagundes  – Vão pra casar, vão dormir com deus. Chega disso!

As meninas do bordel entram no bordel, as beatas começam a sair também. Zélia, Nádia e Omar saem juntos. Fagundes e Alberto encaram.

Fagundes  – Obrigado, prefeito.

Alberto   – Não foi nada, mas eu não posso ficar a mercê das loucuras da Zélia. Na próxima vez chama o Leonel.

Alberto sai andando. Padre Fagundes também sai, em direção a igreja.

 

CENA 11. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Zélia, Omar e Nádia entram na sala. Zélia irritadíssima.

Zélia     – Eu não acredito que vocês foram contra mim! Os meus próprios filhos, meu deus.

Omar      – Mãe, nós não fomos contra você. Nós ficamos a favor de quem estava certo.

Nádia     – Isso mesmo. Você e as beatas estavam querendo destruir o bordel e porquê? Só por causa do Omar e da Clara?

Zélia     – Só? Aquela vagabunda quer e está levando o meu filho pro mal caminho. Ele tinha tanto futuro na igreja.

Omar      – E eu continuo tendo. Eu amo ajudar o padre, eu continuo amando ir nas missas. Eu só gosto da Clara, mãe.

Zélia     – Não! Eu não aceito isso! Você não pode gostar dela. Ela é puta, piranha, dormiu com todo mundo da cidade.

Mário surge na escada.

Mário     – Chega! Eu tô cansando de escutar as mesmas coisas todos os dias. Eu não quero mais! Deixa o Omar ficar com a Clara, ele é homem! Isso é normal! E a Nádia: nós não conseguimos controlar ela desde os dez anos, essa é a nossa filha e nós dois a amamos desse jeito. Para com isso! Eles são maiores de idade, Zélia. Eles podem pegar as coisas deles e saírem daqui a qualquer momento. E eu sei que eu não sou o melhor pai do mundo, mas eu não quero que os meus filhos se afastem de mim por causa de você. Então chega!

Zélia     – Eu/

Mário     – (corta) Chega!

Omar e Nádia sobem as escadas. Mário vai atrás, Zélia bufa e também sobe.

 

CENA 12. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

Suzana está sentada a mesa. Leila a servindo. Alberto entra e pega uma maçã na mesa.

Alberto   – Eu tenho uma reunião agora de manhã, é longa e eu não sei se eu venho pro almoço.

Suzana    – Boa reunião.

Alberto sai, comendo a maça.

Suzana    – Filho da puta! Eu sei bem que reunião é essa.

Leila     – Para de xingar, senhora, e faz e alguma coisa.

Suzana    – O que eu devo fazer?

Leila     – Siga ele e descubra quem é a mulher, ela deve ser do bordel. É só você conversar com a Nilda.

Suzana    – Aquelas vadias! Eu queria é que as beatas conseguissem botar aquilo a baixo ontem.

Leila     – Hoje o bordel não deve abrir por causa de ontem, então se ele for se encontrar com ela será na prefeitura.

Suzana    – É claro, Leila. Ela deve ir pra lá a noite, né?

Leila     – Eu era amiga da Eleonora antes dela entrar ali depois nós nos afastamos, mas pelo que parece a maioria dos clientes é a noite e de madrugada. Ainda mais se for alguém importante como o prefeito.

Suzana    – É claro. Muito obrigada, Leila.

Leila termina de servir e sai. Suzana sorri, pensativa.

 

CENA 13. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina está sentada fazendo as unhas da Nilda. Pérola entra.

Pérola    – Nilda?

Nilda     – Pérola? Meu deus! O que você está fazendo aqui?

Pérola sorri e se aproxima da Nilda que também está sorrindo.

 

CENA 14. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Robson, Marilda e Lauro estão andando pelo pasto. Conversa já iniciada.

Lauro     – E foi aqui que eu achei o diamante.

Marilda   – Me parece ser um bom lugar, pode haver vários aqui embaixo

Robson    – Mas nós só vamos ter certeza quando explorarmos.

Lauro     – Eu preciso falar com o meu pai sobre isso.

César surge atrás deles.

César     – Falar comigo sobre o que, Lauro?

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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