FALSO HORIZONTE | Capítulo 08

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Continuação imediata/

Amparo entra no meio dos dois.

Amparo    – Chega! Chega! Lauro sai daqui!

Lauro     – Eu/

Amparo    – (corta/grita) Eu tô mandando! Sai daqui!

Lauro sai, irado. César senta na cadeira e Amparo o encara.

Amparo    – Que merda é aquela que você disse?

César     – Eu errei, eu sei.

O nariz do César começa a sangrar e Amparo o ajuda.

 

CENA 02. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Mário, Zélia, Omar e Nádia estão sentados à mesa. Thiago à parte, só observando.

Mário     – Eu fui falar com o César sobre o que aconteceu ontem e ele prometeu não controlar o filho dele.

Nádia     – Isso não vai adiantar de nada. Se eu quiser continuar vendo o Lauro, eu vou continuar.

Mário     – Eu sei disso, mocinha. Eu não quero te trancar dentro de casa não. Eu só quero que você respeite a minha casa e não traga rapazes pra cá, principalmente o Lauro.

Zélia     – Não é possível que eu seja a única aqui que não sabia que a Nádia não era mais virgem.

Omar      – Isso era óbvio, mãe.

Mário     – Ela perdeu a muito tempo, Zélia, você é a única da cidade que não sabia.

Zélia     – Porque você não me contou, Nádia?

Nádia     – Porque você ia surtar.

Zélia     – É claro que eu ia surtar! Eu esperava que você casasse primeiro pra depois pensar em sexo, é o normal.

Nádia     – Isso era normal nos anos vinte, mãe. As mulheres conquistaram a sua liberdade sexual a muito tempo, mas pessoas como você se recusam a perceber isso.

Zélia     – Chega de falar sobre sexo, o seu irmão não precisa de mais influências negativas.

Omar      – Para com isso! Eu não sou mais criança, mãe, para de me tratar como um.

Zélia     – Eu sei que você não é mais criança, mas desde pequeno você sempre quis ser padre então eu imaginei que sexo nunca fosse passar pela sua cabeça.

Omar      – Mãe, eu sou homem! Sexo passa na cabeça de todos os homens, é normal.

Mário     – É isso que eu tenho tentado falar pra ela.

Omar      – E eu tenho certeza que o padre pensava em sexo na adolescência.

Zélia     – Não diga isso do padre nunca mais! Ele é um homem de deus, sempre foi, isso nunca passou na cabeça dele.

Omar      – Aí eu cansei disso!

Omar sai da mesa. Mário e Nádia encaram a Zélia.

Zélia     – Isso aí, essa revolta toda, é culpa da Nádia! Ela é uma péssima influência pro irmão e não é possível que só eu veja isso.

Nádia     – Vai à merda, mãe!

Nádia sai da mesa. Mário bufa.

Mário     – Se você continuar com essas atitudes, você vai acabar afastando os dois da gente.

Zélia     – Eu só quero o melhor pra eles.

Mário     – O melhor pra eles é você parar de encher o saco deles.

Zélia não responde e Mário dá um gole no café. Thiago, só observando, sorri.

 

CENA 03. RANCHO DO MÁRIO/FRENTE À CASA/INTERIOR/DIA:

Omar está sentado na frente da casa. Nádia sai e senta ao lado dele.

Nádia     – Ei! Como você tá?

Omar      – Eu estou bem, eu acho. (pausa) Não sei.

Nádia     – Desculpa. Eu estava tão irritado com a mãe que acabei falando demais.

Omar      – Tudo bem, ela ia descobrir de qualquer jeito.

Nádia     – Eu não vou mais dedurar os seus encontros com a Clara, prometo.

Omar      – Eu não sei se vou me encontrar com ela mais.

Nádia     – Não deixe de viver por causa da Zélia. É isso que ela quer!

Omar      – Ela é a nossa mãe.

Nádia     – Ela era mais legal antes de entrar na igreja, nós saímos e nos divertimos, lembra?

Omar      – A culpa foi minha. Eu que disse a ela que queria ser padre e ela pirou.

Nádia     – Não! Toda criança sonha com essas profissões estranhas. A culpa não é sua! Ela que pirou.

Omar      – Obrigado.

Nádia     – Nada. Eu estou indo no bordel, tem algum recado pra Clara?

Omar      – Não e eu continuo não gostando de você naquele lugar, não é/

Nádia     – (corta) Não é bom pra mim porque eu sou mulher? Machismo não, Omar, não seja assim.

Nádia dá um beijo na bochecha do irmão, levanta e sai.

 

CENA 04. AEROPORTO/INTERIOR/DIA:

Rio de Janeiro

Pérola, Robson e Marilda entram na área de embarque. As meninas felizes e Robson não.

 

CENA 05. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Ilhabela

Lauro anda pelo pasto, bravo. Ele tropeça e cai no chão de terra. Lauro desata a chorar.

César     – (off) Não ouse tocar no nome da sua mãe. Você a matou!

Lauro     – (chora) Ele está certo! Eu a matei! Eu matei a minha mãe!

Ele começa a esmurrar o chão, irritado. Ele dá socos atrás de socos até que a sua mãe bate no que se parece com uma pedrinha.

Lauro     – Aí! Merda! Droga! Que merda é essa?

Ele pega a simples pedrinha, mas essa simples pedrinha se revela um pequeno diamante.

Lauro     – Isso é um diamante?

Ele levanta e sai, levando o diamante.

 

CENA 06. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes arrumando as coisas com a ajuda do Omar. O último para e se aproxima do padre.

Omar      – Padre?

Fagundes  – Fala, Omar. O que que aconteceu?

Omar      – Eu quero te fazer uma pergunta, padre.

Fagundes  – Pode fazer.

Omar      – O senhor já se apaixonou por alguém?

Fagundes  – Há muito tempo, sim, eu já me apaixonei.

Omar      – E como foi?

Fagundes  – Foi bom, antes de ser padre, eu tinha uma vida Omar. Eu me apaixonei, nós vivemos esse romance, mas eu larguei tudo pra ser padre.

Omar      – E foi uma boa escolha?

Fagundes  – Sim porque era o que eu queria fazer e ainda quero continuar fazendo. (pausa) Porque todas essas perguntas?

Omar      – Porque eu tô gostando de uma garota, pelo menos eu acho que estou. Nós não nos conhecemos direito.

Fagundes  – Entendi. Posso te dar um conselho? Viva esse romance, namore essa garota e depois você pensa se quer mesmo ser padre. Ser padre é mais do que uma simples profissão, é uma vida! É uma nova vida.

Omar      – Obrigado, padre.

Fagundes  – Nada. Agora volta a fazer a arrumação, a missa já está pra começar.

Eles voltam a arrumar.

 

CENA 07. RANCHO DO CÉSAR/COZINHA/INTERIOR/DIA:

Amparo está lavando a louça. Lauro entra e ela o encara.

Lauro     – Cadê o pai?

Amparo    – Está no quarto. Você arrebentou o nariz dele.

Lauro     – Ele falou/

Amparo    – (corta) Eu sei o que ele falou, mas isso não é motivo.

Lauro     – Depois eu falo com ele. (pausa) Olha o que eu encontrei no pasto.

Ele mostra e ela o diamante. Amparo fica chocada e encara o Lauro.

Amparo    – Isso é um/

Lauro     – É! Será que o pai sabia disso?

Amparo    – Não! Se ele soubesse, ele teria contado a ti ou a mim.

Lauro     – Então como isso surgiu?

Amparo    – Eu acho que isso já estava ali, sabe o caso de Porto dos Milagres?

Lauro     – Será? Eu acho que não, eu acho que é só esse mesmo. (pausa) Eu vou guardar isso por enquanto.

Amparo    – Eu acho que o seu pai deveria saber.

Lauro     – Eu vou falar pra ele depois. (pausa) Amparo, pelo amor de deus, não conte sobre isso a ninguém. Isso aqui não é uma simples fofoca, isso aqui é sério.

Amparo    – Eu sei, Lauro. Eu não vou contar ao Thiago e nem a Leila, prometo.

Lauro sai. Amparo volta a lavar a louça.

 

CENA 08. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE JANTAR/INTERIOR/DIA:

Alberto e Suzana estão tomando café, em silêncio. Leila os serve.

Leila     – Está tudo bem entre vocês? Não estão falando nada.

Suzana    – Esse filho da puta está me traindo e eu não quero falar com ele.

Alberto   – E eu não quero falar sobre isso porque hoje o dia vai ser longo na prefeitura.

Suzana    – Na prefeitura? O que que vai acontecer na prefeitura? Uma suruba de putas?

Alberto   – Você pode se retirar, Leila, muito obrigado.

Suzana    – Ela fica! Ela não pode saber dos nossos problemas conjugais?

Alberto   – Eu gostaria que não, nossos eleitores não podem saber dessas coisas Suzana.

Suzana    – Eu caguei pro seus eleitores!

Alberto   – Perdi a fome, tenho que ir trabalhar.

Suzana    – Vai! Vai! (grita) Sai daqui! (começa a chorar) Eu te odeio!

Alberto sai. Suzana desata a chorar e Leila a consola.

 

CENA 09. RANCHO DO MÁRIO/FUNDOS DA CASA/INTERIOR/DIA:

Thiago está sentado, fumando um cigarro suspeito. Amparo se aproxima e senta ao lado dele.

Amparo    – Isso é?

Thiago    – (traga) É sim, e é aquela das boas, sabe?

Amparo    – Passa pra cá.

Eles começam a dividir o cigarro.

Thiago    – E aí? Como foi o café da manhã na casa?

Amparo    – Chocante! O César chegou puto com o Lauro por ele ter vindo aqui. Eles discutiram até que o César disse que o Lauro matou a mãe.

Thiago    – Ele não disse isso!

Amparo    – Ele disse! E aí o Lauro deu um soco no César, saiu muito sangue do nariz dele.

Thiago    – Mentira! Chocante!

Amparo    – Chocante! E como foi o café da manhã aqui?

Thiago    – A mesma coisa de sempre. Parece que o autor dessa história recicla os diálogos.

Amparo    – Autor?

Thiago    – A gente tá numa novela, Amparo, isso é óbvio.

Amparo    – Não! Nada a ver. Você está chapado, Thiago.

Thiago    – Eu estou mesmo.

Eles riem.

Thiago    – Mais tarde eu e a Leila vamos se encontrar na praça, quer ir?

Amparo    – Não, é melhor não. Eu vou ficar sobrando, é melhor deixar os pombinhos sozinhos.

Eles riem e continuam fumando.

 

CENA 10. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Zélia, Célia e Divina andam até a igreja, já conversando.

Zélia     – É por isso que eu estou falando. Esse comício precisa acontecer hoje!

Célia     – Eu concordo. Essa Clara desonrou o seu filho e ela e aquele lugar asqueroso precisa pagar por isso.

Divina    – Então eu também concordo. Mas e o padre?

Zélia     – Ele não vai concordar, mas a gente não precisa dele. Nós nos juntamos com as outras beatas.

Célia     – Eu e a minha irmã cuidamos disso, Zélia.

Omar sai da igreja e se aproxima delas.

Omar      – O que vocês estão conversando?

Divina    – Nós vamos tomar uma providência contra o bordel nessa noite.

Omar      – O que?

Zélia     – Isso não importa, filho. Você conversou com o padre?

Omar      – Conversei.

Zélia     – E?

Omar      – Isso não importa, mãe.

Omar volta pra igreja. Zélia e as beatas se encaram.

 

CENA 11. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia está andando na rua. Iris corre até ela e a alcança.

Nádia     – Onde é que você estava? Fiquei te esperando no bordel e nada de aparecer.

Iris      – Cliente. Eu cheguei lá e a Eleonora disse que você tinha acabado de sair. (pausa) E como foi ontem?

Nádia     – Ótimo! Nós jantamos e foi muito legal, engraçado. Depois nós fomos pra minha casa e essa parte não foi tão legal assim.

Iris      – Você levou o Lauro, filho do César, pra casa do seu pai?

Nádia     – Eu não pensei direito. Eu só queria transar.

Iris      – Não! Não mente pra mim! Eu sei que você só levou o Lauro pra casa do seu pai porque você queria provocá-los.

Nádia     – Eu não consigo esconder nada de ti, não é mesmo?

Iris      – Não mesmo, querida.

Elas riem e seguem andando e conversando.

 

CENA 12. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Gina está sentada, retocando as suas unhas. Nilda se aproxima.

Nilda     – Tá ficando linda essas unhas! Depois faz as minhas.

Gina      – Entra na fila, Eleonora também pediu.

Nilda     – Sem problemas. E como foi ontem com o Alberto?

Gina      – Ótimo! Ele me deixa nas nuvens, Nilda.

Nilda     – Eu imagino que sim, mas eu vou falar pela enésima vez: não se apaixona!

Gina      – Eu sei, eu sei que nunca vai largar a esposa pra ficar com uma travesti prostituta.

Nilda     – Não fique assim. Você é uma pessoa maravilhosa, o que você é e o que você faz não diminui isso.

Gina      – Obrigada.

Nilda     – E a cantoria?

Gina      – Arrasei! Eu estava com saudades de cantar.

Nilda     – E eu com saudades de ver feliz, Gina.

Gina      – Eu vou tentar ficar mais feliz, prometo.

Nilda dá um beijo na Gina e sai. Gina continua pintando a unha.

 

CENA 13. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes realizando a missa. Omar ao lado dele, inquieto.

Omar      – (baixo) Padre? Desculpa atrapalhar, mas eu preciso dá uma saidinha.

Fagundes  – (baixo) Vá!

Omar sai. Zélia percebe e levanta.

Zélia     – Onde é que o meu filho foi, padre?

Fagundes  – Foi fazer um favor pra mim, Zélia. E para com essa mania de levantar no meio da missa!

Zélia     – Desculpa padre.

Zélia senta e o padre continua a missa.

 

CENA 14. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/DIA:

Clara está sentada no meio-fio. Omar se aproxima, correndo, ela levanta.

Clara     – Omar? O que você/

Omar      – (corta) Eu preciso voltar pra igreja então eu preciso ser rápido. Minha mãe e as beatas estão planejando algo contra o bordel.

Clara     – A gente sabe disso, Omar. E é por isso que a Nilda quer evitar problemas com a sua mãe

Omar      – Me escuta! Minha mãe e as beatas vão fazer algo hoje à noite e será grande, pelo visto.

Clara     – O que? Porque?

Omar      – Ela não disse, mas eu imagino que a gente seja o culpado disso. Eu preciso voltar.              

Omar sai correndo. Clara entra no bordel.

 

CENA 15. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Clara entra no bordel, desesperada.

Clara     – (grita) Meninas! Nilda! Gina! Meninaaaaas!

Nilda e Eleonora descem as escadas. Gina, que estava nos fundos, entra. Elas se aproximam da Clara.

Nilda     – O que aconteceu?

Clara     – A Zélia está planejando algo contra o bordel.

Eleonora  – Todo mundo sabe disso, Clara.

Gina      – Nós sabemos disso a, sei lá, dois meses.

Clara     – Não! Ela tá planejando fazer isso hoje à noite e deve ser grande.

Nilda     – E como você sabe disso?

Iris e Nádia entram no bordel.

Iris      – Que caras são essas? Quem morreu?

Eleonora  – Ninguém morreu. A Zélia está querendo fazer algo contra a gente hoje à noite, algo grande.

Nádia     – Minha mãe enlouqueceu!

Nilda     – Clara! Como você sabe disso?

Clara     – O Omar escutou a mãe dele dizendo isso e veio me contar. Nós dois somos os culpados disso acontecer hoje.

Gina      – Não são não. Ela ia fazer isso mais cedo ou mais tarde, vocês só aceleraram o processo.

Nilda     – E agora? O que a gente vai fazer?

Eleonora  – Calma! Ela não vai botar fogo no bordel. Vai?

Gina      – Não sabemos. Mas o fato é que ela e aquelas beatas tem poder de decisão na cidade.

Nádia     – A Gina está certa, o prefeito adora a minha mãe.

Iris      – E o que a gente pode fazer pra parar essa louca?

Nilda     – Parar? A gente não vai conseguir parar a Zélia.

Gina      – Nós não vamos conseguir parar, mas podemos enfrentar.

Eleonora  – Como assim?

Gina      – Ela vai atacar e nós vamos contra-atacar, simples assim.

Todas se encaram.

 

CENA 16. RANCHO DO MÁRIO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Anoitece.

Mário, Omar e Nádia estão sentados, assistindo TV. Zélia desce as escadas e se aproxima.

Zélia     – Eu estou indo me encontrar com as irmãs na igreja e eu ia adorar se o Omar fosse comigo.

Omar      – Você não quer me contar o que está tramando então não quero ir.

Nádia     – Eu sei o que ela está tramando, irmão.

Zélia     – Como assim?

Nádia     – Eu sei que você e as suas amiguinhas querem botar o bordel abaixo com um comício. Eu escutei você no celular com elas.

Zélia     – É isso mesmo. (ao Omar) Agora quer ir?

Omar      – Não! É óbvio que não.

Mário     – Eu achei que você já tinha chegado nos seus limites, Zélia, mas pelo visto eu errei.

Zélia     – Eu só estou começando.

Ela sai. Nádia e Omar se encaram e levantam. Mário os encara.

Mário     – O que vocês estão tramando hein?

Nádia     – Não se preocupa, pai.

Mário     – Eu me preocupo sim, Nádia, principalmente se tratando de você.

Omar      – Ela vai atacar, certo? Nós só vamos contra-atacar.

Omar e Nádia saem. Mário sorri e continua assistindo TV.

 

CENA 17. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

César está sentado à mesa, jantando. Amparo está à parte, Lauro entra e se aproxima do pai.

Lauro     – Pai? Nós podemos conversar? É sério.

César     – Não! Eu que preciso falar contigo. Eu errei hoje de manhã, mas eu continuo estando certo. Você não pode se encontrar com a Nádia! Ela não é mulher pra você, meu filho.

Lauro     – Para com isso! Para de querer mandar em mim. O seu assunto com o Mário só interessa a vocês dois, eu não tenho nada com isso.

César     – É lógico que tem! É o meu filho! Precisa me apoiar.

Lauro     – Eu ia conversar contigo, mas é impossível.

Lauro sai, irritado. Amparo encara o César.

César     – Não me olha assim.

Amparo    – O senhor sabe que está errado, mas persiste no erro.

César     – É pro bem dele que eu falo essas coisas.

Ele volta a jantar.

 

CENA 18. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia se aproxima da Célia, da Divina e de outras beatas. Padre Fagundes se aproxima.

Zélia     – Tudo pronto? Ótimo!

Divina    – Tudo como você pediu, tudo perfeito.

Célia     – Nós vamos acabar com aquele bordel de merda.

Zélia     – (olha pro padre) Resolveu se juntar a nós?

Fagundes  – Não! Eu sou contra o bordel, mas fazer isso contra o amor, eu não concordo.

Zélia     – Contra o amor?

Fagundes  – Quando o Omar me disse que estava gostando de alguém e depois isso, eu liguei dois mais um e imaginei que a menina fosse do bordel. Vocês não podem impedir o amor!

Zélia     – Nós não precisamos do seu apoio, padre.

As beatas começam a andar em direção ao bordel. Elas gritam palavras de ordem.

 

CENA 19. FRENTE AO BORDEL PUTTANESCA/EXTERIOR/NOITE:

Nilda, Eleonora, Clara, Iris, Gina, Nádia e Omar saem do bordel. Eles estão de mão dadas, impedindo alguém de chegar perto do bordel. Zélia e as beatas se aproximam.

Zélia     – Omar? Nádia? Isso não está acontecendo!

Todos eles se encaram.

 

CENA 20. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Pérola, Robson e Marilda andando na rua. Eles estão carregando as malas. Eles vêm a confusão no bordel.

Robson    – Nós pegamos um avião até Salvador e depois viemos de carro até aqui e é assim que a cidade nos recebe? Vamos embora!

Marilda   – Cala a boca!

Pérola    – O que será que está acontecendo ali?

Lauro vem andando, irritado. Ele acaba esbarrando na Pérola, ela derruba as malas e o esbarro faz com que o diamante saia do bolso do Lauro. Robson vê.

Pérola    – Meu deus!

Lauro     – Desculpa, mil desculpas. Eu te ajudo com as malas.

Lauro ajuda a Pérola. Robson se agacha e pega o diamante.

Robson    – É um diamante!

 

FIM DO CAPÍTULO

 

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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