FALSO HORIZONTE | Capítulo 07

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E YURI NEVES

228-copia-copia-6-copia

10min

 

CENA 01. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Clara e Omar se encarando, ambos tímidos e envergonhados.

Clara     – O que você está fazendo aqui?

Omar      – Eu não sei, na verdade, foi um erro ter vindo aqui. Eu vou embora.

Clara     – Não! Fica.

Omar      – Eu nunca vim num lugar desses, não sei como agir. Eu não/

Clara     – (corta) Só seja você mesmo.

Omar      – Eu achei você uma menina interessante, é por isso que eu estou aqui.

Clara     – Eu também achei você interessante, Omar.

Omar      – Eu não sou igual a esses homens, os homens que você/

Clara     – (corta) Só seja você mesmo, é sério.

Omar      – Então eu serei eu mesmo.

Clara     – Aceita uma bebida?

Omar      – Tem café ou refrigerante? Eu não bebo nada com álcool.

Clara     – Eu imaginei que não bebesse, mas quis perguntar. Aqui não tem nada sem álcool. Desculpa.

Omar      – Não, tudo bem.

Eles sorriem, sem saber muito bem o que fazer e como agir.

 

CENA 02. RESTAURANTE/INTERIOR/NOITE:

Nádia e Lauro, jantando e conversando.

Lauro     – O seu pai sabe que você está jantando com o filho do César?

Nádia     – Não e nem a minha mãe, mas vai ser divertido quando eles descobrirem. E o seu sabe de mim?

Lauro     – Graças a Amparo, sabe.

Nádia     – Amparo! A maior fofoqueira da cidade.

Lauro     – Ela não é tão ruim assim, quer dizer, o Thiago também não é fácil.

Nádia     – E eu não sei? Foi ele que disse pro meu pai que nós tínhamos dormido juntos.

Lauro     – (ri) Porque que a gente não deu certo? Não é possível que seja só por causa dos nossos pais.

Nádia     – Não, não é só por isso. Eu queria mais, eu não queria casar e ter filhos com o primeiro homem que me apareceu. Eu queria experimentar todos os homens da cidade antes de casar e ter filhos com um. Minha mãe não teve nenhum outro homem a não ser o meu pai, não queria uma vida assim.

Lauro     – E eu não queria ter um relacionamento, queria cuidar do rancho e mostrar pro meu pai que eu sou competente.

Nádia     – E você conseguiu?

Lauro     – Ridícula!

Nádia     – Não é questão de ser ridícula, é questão de ser realista. O seu pai não dá a mínima pra você, ele só pensa no rancho.

Lauro     – Nós nunca nos demos bem.

Nádia     – Pelo menos você não tem uma mãe religiosa e chata.

Lauro não responde, Nádia percebe.

Nádia     – Aí desculpa! Sem piadas sobre mães, desculpa.

Lauro     – Não, tudo bem, já tá na hora de superar.

Nádia     – Não! Ela morreu assim que você nasceu, você não a conheceu, é normal. Desculpa mesmo.

Lauro     – Está tudo bem. É melhor mudarmos de assunto.

Nádia     – É claro. (pausa) O que vai fazer depois que sair daqui?

Lauro     – Ir pra casa, eu acho.

Nádia     – Que tal ir na minha casa?

Lauro     – (ri) O assunto passou da minha mãe morta pra sexo.

Nádia     – Foi a primeira coisa que eu pensei.

Lauro     – É claro que foi. (pausa) Eu gostei da ideia.

Eles sorriem.

 

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/SUÍTE/INTERIOR/NOITE:

Gina e Alberto estão deitados na cama. Eles estão nus, mas com o lençol cobrindo as partes.

Alberto   – Eu nunca tive uma mulher como você, meu querido.

Gina      – É claro que não. Eu tenho um pinto.

Alberto   – (ri) É mais do que isso, esse pênis é só um órgão. Você é linda, é mágica, é perfeita!

Gina      – Eu sei.

Alberto   – (ri) convencida!

Gina      – Um pouco.

Alberto   – Eu posso te pedir uma coisa? Cante pra mim.

Gina      – Será um prazer.

Gina sorri e Alberto beija a sua mão.

 

CENA 04. RANCHO DO MÁRIO/SUÍTE PRINCIPAL/INTERIOR/NOITE:

Zélia está dormindo ao lado do Mário. Um barulho é escutado e Zélia desperta.

Zélia     – Mário. (o cutuca) Mário! Eu escutei um barulho, Mário.

Mário     – (sonolento) Volta a dormir, Zélia, volta a dormir.

Zélia     – Eu tô dizendo… ah deixa eu vejo sozinha.

Ela levanta e sai do quarto.

 

CENA 05. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Alberto desce as escadas e se aproxima da Nilda que estava bebendo.

Alberto   – Nilda!

Nilda     – Alberto! Está mais feliz, mais radiante.

Alberto   – É a Gina que faz isso comigo, é a sua menina.

Nilda     – Ela é maravilhosa mesmo. (pausa) Aliás, cadê ela?

Alberto   – Está descendo, ela vai cantar pra nós.

Nilda     – Mentira! Faz muito tempo que ela não canta, obrigado por isso.

Alberto   – É sempre um prazer alegrar o meu amor.

Eleonora se aproxima e afasta a Nilda do Alberto.

Eleonora  – Vamos subir, Nilda. tá me devendo uma noite, lembra?

Nilda     – É claro que sim.

Elas sobem as escadas. E a Gina logo desce, já com um microfone na mão. Ela canta Street Life, e as pessoas começam a dançar incluindo o Alberto, o Omar e a Clara.

 

CENA 06. RANCHO DO MÁRIO/CORREDOR/INTERIOR/NOITE:

Zélia anda pelo corredor, cautelosa. Ela vê a Nádia e o Lauro aos beijos, encostado na parede. Ela se aproxima, irada.

Zélia     – Nádia!

Nádia e Lauro param com os beijos e encaram a Zélia. Nádia ri.

Lauro     – Para de rir Nádia.

Nádia     – Isso é tão clichê, desculpa. Desculpa mãe.

Zélia     – Você ficou maluca? Eu não estou vendo isso! Você enlouqueceu! Onde já se viu trazer esse homem pra cá? Quem é ele, Nádia?

Nádia     – É o Lauro, filho do César.

Zélia     – Do César? Não é possível que você esteja racionando! (pausa) Você já perdeu a virgindade, Nádia?

Nádia     – (ri) É sério que você está fazendo essa pergunta pra mim? Eu sou conhecida como rodada na cidade, mãe. É claro que já! Há muito tempo.

Zélia     – Meu deus! Eu achava que era só beijos, saídas e bebidas, mas sexo? Você não entrega isso tão fácil, Nádia, é só pro seu marido. Deus perdoe a minha filha.

Nádia     – Mãe, eu não tenho mais chance com deus. É só com o capeta mesmo.

Lauro     – Nádia!

Zélia     – Não fale o nome dessa coisa na minha casa nunca mais! Nunca mais!

Nádia     – Desculpa, mãe.

Zélia     – Meu deus, Nádia. Isso não pode está acontecendo! (olha pro Lauro) O que você está fazendo aqui? (grita) Mário! Mário!

Lauro     – Eu tô indo embora, não precisa chamar o Mário.

Zélia     – (grita) Mário! Mário!

Mário entra no corredor, sonolento. Ele vê o Lauro e se aproxima.

Mário     – O que esse cara tá fazendo na minha casa?

Zélia     – Ele estava se agarrando com a nossa filha, Mário.

Mário     – O que? Saia da minha casa agora! Agora!

Lauro sai correndo. Mário vai atrás. Zélia encara a Nádia.

Nádia     – Porque você chamou o papai? Ele vai machucar o Lauro.

Zélia     – O seu pai não é maluco de fazer algo com ele.

Nádia     – Você estragou a minha noite!

Zélia     – Você traz um homem pra casa e a culpada sou eu? Isso é imoral! É errado, Nádia!

Nádia     – É tão preocupada com quem eu durmo, mas esquece do seu filhinho predileto.

Zélia     – O Omar não me dá motivo de preocupação, ele será padre.

Nádia     – E você tem certeza disso, mamãe?

Zélia     – É claro que eu tenho. (pausa) O que você sabe?

Nádia     – Nada, esquece.

Zélia     – Agora eu quero saber, eu exijo saber.

Nádia     – Ele me fez perguntas sobre a Clara do bordel, eu sai de casa e ele saiu atrás. Eu vi ele entrando no bordel.

Zélia     – Isso é mentira! O Omar está no quarto dele que eu sei.

Nádia     – Acredite no que você quiser, você duvida de mim, mas do Omar…

Zélia     – (grita) Omar! Omar!

Ninguém responde e nem vem até elas. Zélia se preocupa.

Zélia     – Meu deus! Não, meu deus não! O meu filho foi corrompido! Meu deus! (grita) Mário! Mário!

Mário entra no corredor.

Mário     – Eu botei o Lauro pra fora e amanhã eu vou conversar com o César.

Nádia     – Machucou ele?

Mário     – Não! Ele não tem a metade da minha idade, não faria isso.

Zélia     – O Omar foi no bordel, Mário. Ele foi corrompido por aquela puta descarada!

Mário     – Ele é homem! Deixe ele ir no bordel, é bom porque ele aprende certas coisas que não se aprende na igreja.

Nádia     – Concordo pai.

Mário     – Você está encrencada! Trazer homem pra casa? Ficou maluca? Ainda mais filho do César!

Zélia     – Foco! Eu vou atrás do Omar antes que ele faça alguma coisa.

Mário     – A essa hora já deve ter feito mil e uma coisa. Ele é homem, Zélia!

Zélia     – Ele não é esse tipo de homem, Mário. Ele é de deus! Aí meu jesus, proteja o meu filho.

Zélia sai correndo. Nádia entra no quarto. E Mário bufa e volta pro quarto.

 

CENA 07. BORDEL PUTTANESCA/SUÍTE/INTERIOR/NOITE:

Eleonora e Nilda estão no quarto. Elas bebem, se beijam, riem, felizes.

 

CENA 08. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Omar e Clara dançando com a Gina canta Me Deixas Louca, Alberto observa sorrindo. Todos felizes. Zélia entra gritando, Gina para de cantar, todos encarando a Zélia.

Zélia     – (grita) Omar! Omar! Cadê você, meu filho?

CÂM mostra o Omar e a Clara.

Omar      – É a minha mãe, eu tenho que ir, desculpa.

Clara     – Não, tudo bem.

Omar      – Eu amei essa noite, obrigado.

Clara     – Eu também amei.

Omar se aproxima da Zélia.

Omar      – Oi mãe.

Zélia     – Meu deus! Vamo embora! Agora, meu filho.

Zélia vai embora puxando o Omar. Clara o encara e a Iris se aproxima.

Iris      – É o irmão da Nádia? O que ele estava fazendo aqui?

Clara     – Ele estava comigo.

Iris encara a Clara.

 

CENA 09. RUA/EXTERIOR/NOITE:

Zélia e Omar andando na rua. Ela está irada.

Zélia     – O que diabos você foi fazer naquele lugar, Omar?

Omar      – Eu quis conhecer a Clara, eu gostei dela. É só isso.

Zélia     – Isso é culpa da sua irmã! Ela que meteu você nisso.

Omar      – A Nádia não tem na a ver com isso. Eu perguntei e ela respondeu.

Zélia     – Eu não quero você mais perto daquele lugar, nunca mais!

Omar      – Como quiser, mãe.

Zélia     – E amanhã você vai conversar com o padre sobre isso.

Omar      – É claro.

Zélia     – Você fez algo com aquela menina?

Omar      – Não, mãe.

Zélia     – E com alguma outra menina?

Omar      – Não, mãe.

Zélia     – (grita) Menino?!

Omar      – Não, mãe. Eu sou virgem! Eu nunca transei com ninguém e nem beijei ninguém. Deus!

Zélia     – Eu precisava perguntar.

Eles seguem andando.

 

CENA 10. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/NOITE:

Nilda e Eleonora expulsando os homens do lugar, ficando só as meninas do bordel.

Nilda     – O que diabos aconteceu aqui?

Iris      – A santinha da Clara trepou com o filhinho da Zélia.

Eleonora  – E estragou a nossa noite.

Clara     – Eu não transei com ele! E a culpa não é minha se a Zélia é maluca.

Gina      – A culpa não é da Clara, gente. Nós sabemos o quanto a Zélia é louca.

Nilda     – Mas o que aquele garoto estava fazendo aqui? Ele é todo certinho, da igreja.

Eleonora  – A Clara me pergunto sobre ele hoje à noite. O que você queria com ele?

Clara     – Nada, caramba!

Nilda     – Explica, Clara, explica.

Clara     – Eu ia a igreja quando era pequena e eu estava sentido falta de ir, então eu fui e lá eu vi o Omar e achei ele bonito. Aí eu perguntei a Eleonora sobre ele, curiosidade e logo depois ele estava aqui. Ele disse me achou interessante e que veio aqui me conhecer melhor.

Eleonora  – Interessante? O que isso significa?

Gina      – Eleonora, cala a boca.

Eleonora  – Quem é você pra me mandar calar a boca?

Iris      – Gente chega! Tá tarde e eu quero dormir, tenho cliente logo cedo.

Nilda     – Eu quero todas indo dormir! E Clara: se afasta da Zélia, não quero problemas. E isso vale pra você também, Iris, se afasta daquela família.

Iris      – A Nádia vai continuar vindo aqui, Nilda.

Nilda     – Eu sei, não posso impedir ela de entrar aqui, mas não me vá na casa deles ou perto de lá.

Clara     – Eu posso pelo menos ir a igreja?

Nilda     – Eu não posso te impedir de ter uma fé, é claro que pode, mas espera a poeira abaixar.

Clara     – Está bem.

Todas elas levantam e saem.

 

CENA 11. MANSÃO DO PREFEITO/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE:

Alberto entra em casa e dá de cara com a Suzana que está sentada num sofá, esperando.

Suzana    – Onde você estava, Alberto?

Alberto   – Na prefeitura, é claro. Não poderia estar em outro lugar, Suzana.

Suzana    – Mentira! Eu liguei pra lá e eles disseram que você tinha saído a tempos.

Alberto   – Não me enche.

Suzana    – Onde você estava, Alberto? Estava naquele bordel infernal, né?

Alberto   – Quer saber? Estava! Posso dormir agora.

Alberto sobe as escadas. Suzana desata a chorar.

Suzana    – (chora) Eu vou descobri quem é essa puta e vou matar ela.

Suzana chora e grita, raivosa.

 

CENA 12. RANCHO DO CÉSAR/PASTO/INTERIOR/DIA:

Amanhece.

César está andando pelo pasto. Mário se aproxima.

Mário     – César!

César     – Mário? O que faz aqui?

Mário     – Você sabe o que o seu filho estava fazendo ontem à noite?

César     – Não faço ideia!

Mário     – Ele estava aos beijos com a minha filha, na minha casa. Isso é inadmissível!

César     – Jura?

Mário     – É melhor você falar com ele, não quero que isso aconteça de novo.

César     – Nem eu, eu vou falar com ele. (pausa) Aliás, como a sua produção? Porque a minha está ótima!

Mário     – A minha também está ótima! (entre os dentes) Filho da puta!

Eles se encaram.

 

CENA 13. RANCHO DO CÉSAR/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE:

Lauro está sentado à mesa, tomando café. Amparo o serve.

Lauro     – Onde está o meu pai?

Amparo    – Ele acordou cedo, tomou café e foi cuidar do pasto.

Lauro     – Milagre.

César entra e se aproxima do Lauro.

César     – Lauro! Eu não quero ter a ilustre presença do Mário nas minhas terras de novo, então faça o favor de não sair mais com a Nádia e muito menos pisar na casa dele.

Lauro levanta e encara o pai.

Lauro     – O que eu faço ou deixo de fazer não te importa.

César     – Me importa enquanto você estiver vivendo debaixo do meu teto.

Lauro     – Teto que eu sustento! Eu que cuido do rancho enquanto você finge ser o dono.

César     – Eu sou o dono dessa merda! Você só é um aprendiz e olhe lá.

Lauro     – Eu tô cansado de ti! Eu tô cansado dessa ladainha!

César     – Tá cansado? Então sai daqui! Sai da minha casa!

Lauro     – Se eu sair, essa merda vai a falência, pai. E outra: essa casa também era da minha mãe então eu não vou abandoná-la.

César     – Não ouse tocar no nome da sua mãe. Você a matou!

Lauro dá um soco na cara do pai. Eles se encaram, cheios de ódio.

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

cbzMni06ehPNGqA8TwlPCw_r

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s