FALSO HORIZONTE | Capítulo 5

 

FH Oficial

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES E  YURI NEVES

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10min

 

CENA 01. REDAÇÃO DE JORNAL/INTERIOR/DIA:

Rio de Janeiro

Uma típica redação agitada. Marcos anda pelo local, sorrindo. Uma mulher se aproxima dele.

Mulher    – Senhor Rafael? Eu preciso da sua aprovação de capa. (mostra um papel pra ele)

Marcos    – Aprovada, cês trabalharam bem nessa edição. Finalmente.

Mulher    – Obrigada, senhor. (ia sair, desiste) Rafael? Não acha melhor nós botarmos a notícia de Porto dos Milagres.

Marcos    – Não, é notícia velha. Todo mundo aqui sabe que eu gosto de trabalhar com exclusivas.

Mulher    – É claro, senhor.

Ela sai. Marcos, agora conhecido como Rafael, continua andando pelo local.

 

CENA 02. BORDEL PUTTANESCA/SALÃO/INTERIOR/DIA:

Ilhabela

Nilda (madura, cabelos loiros e pele clara) entra no salão. Ela encontra a Clara, Eleonora e a Iris (todas brancas, jovens e de cabelos pretos – exceto a Eleonora que tem cabelos loiros) sentadas. Ela se aproxima.

Nilda     – Onde é que tá a Gina? Não está no quarto, não está aqui. Onde é que ela se meteu?

Eleonora  – Saiu cedinho, antes mesmo do sol raiar e não voltou até agora.

Nilda     – E o que você estava fazendo acordada tão cedo, criatura?

Eleonora  – Cliente de madrugada, acredita? Dinheiro extra.

Clara     – Nilda? Eu não tenho cliente pela manhã, posso sair?

Iris      – Ah não! Eu ia pedir pra sair essa manhã, também não tenho cliente.

Nilda     – A única que tem cliente agora pela manhã é a Gina, por isso que estou louca atrás dessa criatura.

Clara     – Não respondeu a minha pergunta, posso sair?

Nilda     – Pode, criatura. (a Iris) E você também pode, mas não vá me arrumar problema com a Nádia.

Iris      – E como você sabe que eu vou sair com ela?

Nádia entra no bordel nesse exato momento. Nilda encara a Iris.

Iris      – Eu falei pra você esperar lá fora, Nádia.

Nilda     – Eu não tenho nada contra a essas amizades, mas a sua mãe Nádia é o capeta em pessoa e eu não quero mais problemas com ela, com as beatas e com o padre.

Nádia     – Pode ficar tranquila, dona Nilda. Não há problemas com a minha mãe.

Eleonora  – Na verdade, há sim. Eu soube que esse pessoal tá organizando algo contra nós.

Iris joga uma almofada na Eleonora.

Iris      – Fofoqueira!

Eleonora  – Não é questão de fofoca, é questão de ser a verdade.

Iris      – Ridícula!

Nilda     – Chega vocês! (a Nádia) Leva a Iris daqui logo. (a Clara) Você também, vaza!

Nádia, Iris e Clara saem. Eleonora levanta e se aproxima da Nilda.

Eleonora  – E a gente?

Nilda     – (sorri) Depois passa lá no quarto e nós conversamos sobre isso.

Eleonora  – Marcado, eu vou dormir agora. Estou cansada.

Nilda     – Vai sim, bom sono. (ela vê uma sombra passando na janela) Aí deus é a Gina, finalmente!

Nilda ia sair, mas a Eleonora pega no braço dela. Elas se encaram.

Eleonora  – Meu beijo?

Nilda     – Foi mal.

Nilda dá um selinho na Eleonora e sai. Eleonora sai do salão.

CENA 03. BORDEL PUTTANESCA/FUNDOS/INTERIOR/DIA:

Nilda sai do bordel e vê a Gina (baixa, pele clara, cabelos pretos) se aproximando segurando um jornal.

Nilda     – Onde foi criatura? Eu fiquei preocupada.

Gina      – Foi mal. O cliente da noite passada me tratou como lixo, me senti mal então fui andar por aí.

Nilda     – Mil desculpas por aquele idiota. Eu já impedi que ele entrasse aqui.

Gina      – Já é difícil viver numa sociedade que diz que você não é uma mulher mesmo que eu sinta como uma, aí eu tombo com uma pessoa dessas.

Nilda     – Eu já disse pra você que se você quiser não precisa mais fazer programa e só ficar na contabilidade.

Gina      – Mas eu gosto disso, é a minha vida e eu não consigo me imaginar fazendo outra coisa, mas obrigada. (elas sorriem) Eu te amo.

Nilda     – Eu também me amo.

Gina      – Nossa, obrigada pela parte que me toca.

Nilda     – Tô brincando, é claro que te amo criatura.

Gina      – Mudando de assunto: viu essa notícia de Porto dos Milagres? Eu estou pretérita, menina.

Nilda     – Eu vi, já pensou se isso acontece aqui? Ia ser maravilhoso! (pausa) Eu me lembrei de uma garota que eu conheci em Salvador, ela é uma dessas exploradoras sabe? Inclusive o nome dela é de joia, Pérola, se não me engano.

Gina      – Será que foi ela que achou essas pedras em Porto?

Nilda     – Não, não foi ela. Eu vi na TV que quem encontrou foi um homem.

Gina      – Aliás, Porto dos Milagres não é nome de novela?

Nilda     – Não é, menina? Eu acho que nome da cidade foi dado em homenagem a novela.

Gina      – Será?

Nilda     – Não sei, não importa. Sabe o que importa? Você tem cliente criatura!

Gina      – Aí deus! Tenho mesmo.

Elas entram no bordel, apressadas.

 

CENA 04. RUA/EXTERIOR/DIA:

Lauro anda na rua com a Amparo. Eles estão segurando sacolas plásticas cheias de coisas dentro.

Lauro     – A culpa não é minha Amparo, é a verdade.

Amparo    – Mas ele ficou triste quando você disse que vocês não tinham nada em comum.

Lauro     – Mas é a verdade. Nós não temos nada em comum a não ser o fato de cuidarmos do rancho.

Amparo    – Ele sabe, mas não precisa falar pra ele. (pausa) Nós vamos entrar ali no mercadinho.

Lauro     – Mais um? A gente já entrou em três mercadinhos.

Amparo    – Eu sei, mas cada mercadinho tem um preço diferente. Nós precisamos pesquisar.

Eles entram no tal mercadinho.

 

CENA 05. FRENTE À IGREJA/EXTERIOR/DIA:

Zélia se aproxima da igreja com o Omar. Célia e Divina (irmãs, gordinhas, cabelos pretos e pele clara) se aproximam deles.

Célia     – Omar! O padre andou nos falando que tá ótimo.

Divina    – Logo nós vamos ter um novo padre, pelo visto.

Omar      – Deus lhe ouça.

Zélia     – A missa não vai começar, gente? Tá na hora.

Célia     – O padre está arrumando o altar.

Omar      – Sozinho? Eu vou ajudá-lo, mãe. Depois a gente se fala.

Omar entra na igreja. Divina e Célia encaram a Zélia.

Divina    – Nós precisamos saber: a quantas anda o comício contra o bordel?

Zélia     – Eu ainda estou organizando as coisas, mas precisa ser feito numa noite movimentada.

Célia     – É claro, nós precisamos botar aquele bordel a baixo!

Zélia     – O padre está com a gente?

Divina    – Ele disse que sim…

Zélia     – Mas?

Célia     – Só se for sem violência, ele não quer compactuar com violência.

Divina    – E ele tá certo. Deus dizia que violência não é bom.

Zélia     – Eu sei, eu sei. E pode dizer pra ele que não vai ter violência.

Célia     – Vou dizer. Eu mal posso esperar por esse dia.

Divina    – Nem eu, estou até sem dormir de tão ansiosa.

Elas sorriem.

 

CENA 06. IGREJA/INTERIOR/DIA:

Padre Fagundes (típico padre, senhor e pele clara) está arrumando o altar. Omar se aproxima dele.

Omar      – Padre? Porque não me chamou? Eu poderia ajudar.

Fagundes  – já faz demais, Omar. Não quero exigir muito de ocê.

Omar      – É mais do que a minha obrigação, padre. E eu gosto de ajudar o senhor.

Fagundes  – Eu já terminei, filho. Pode ajudar pondo as pessoas pra dentro.

Omar      – É claro.

Fagundes  – Quer ficar no altar comigo, hoje? Eu quero que você tenha a sensação de ficar ali.

Omar      – É claro, padre. É sempre um prazer.

Omar se afasta, se aproximando da porta. Fagundes sorri.

 

CENA 07. HOTEL/QUARTO/VARANDA/INTERIOR/DIA:

Rio de Janeiro

Robson está fumando na varanda. Marilda entra e se aproxima dele.

Marilda   – Eu não gosto quando você fuma, Robson.

Robson    – E eu não gostei da ideia de ir pro fim do mundo, mas não reclamei.

Marilda   – Não reclamou? Se aquilo não é reclamar, imagina o que é.

Robson    – Eu só não quero voltar à estaca zero. Lembra de quando a gente começou? Escavando terras avulsas no interior do interior dos lugares. Agora nós estamos em outro nível, nós fomos pra África, trabalhamos com os melhores.

Marilda   – Eu não gostei de ir a África e sabe porquê? Porque lá a maioria das pessoas que trabalham em escavações são escravos, mas mesmo assim eu fui.

Robson    – Eu já estou lidando com isso Marilda. Eu entendi o seu ponto.

Marilda   – Pensa no dinheiro que podemos ganhar se encontrarmos pedras nesse lugar, foi o que você me disse quando estávamos indo pra África.

Robson    – Não precisa jogar isso na minha cara.

Marilda   – Eu jogo porque é a verdade, Robson.

Eles escutam barulho de porta batendo. Robson apaga o cigarro e eles entram.

 

CENA 08. HOTEL/QUARTO/INTERIOR/DIA:

Pérola entra no quarto, Robson e Marilda saem da varanda. Ela mostra a eles passagens de avião.

Pérola    – Eu já comprei as passagens e já avisei lá embaixo que estamos indo embora. Eles comemoraram.

Robson    – Ah que isso, só ficamos aqui por quase um mês.

Marilda   – Nós estamos tão animados, Pérola. Não é Robson?

Robson    – É claro que estou.

Pérola    – Eu sei que você não está, mas vai ficar quando chegarmos lá. Nós vamos encontrar uma mina de pedras preciosas, tenho certeza!

Marilda   – Eu também. (pausa) Mas eu preciso perguntar: onde nós vamos ficar lá?

Pérola    – Eu imagino que lá deva ter um hotel, pousada ou algo do tipo. Mas se não tiver, nós pedimos abrigo pra aquela amiga minha.

Robson    – A dona do bordel? Eu gosto disso.

Pérola    – Eu sei que sim, idiota.

Pérola se joga na cama, feliz. Robson e Marilda sorriem.

 

CENA 09. REDAÇÃO DE JORNAL/INTERIOR/DIA:

Marcos anda pela redação e se aproxima da mulher da cena 01.

Marcos    – Sabe quando você falou de Porto dos Milagres, eu me lembrei de Ilhabela. Eu sou de lá, é uma cidade que fica ao lado de Porto.

Mulher    – É mesmo, Rafael? Não sabia que o senhor era do interior da Bahia.

Marcos    – Eu sinto saudade lá, quero voltar um dia.

Mulher    – E porque o senhor saiu de lá?

Marcos    – Coisas aconteceram, e eu precisei seguir a minha vida. Eu vim pro Rio, me formei em jornalismo e montei esse jornal.

Mulher    – Tira umas férias um dia e vá visitar a cidade, tenho certeza que ainda tem amigos lá.

Marcos    – Poucos, quem sabe um dia. (pausa) Eu vou sair pra almoçar.

Marcos sai. A mulher continua a fazer o que estava fazendo.

 

CENA 10. RUA/EXTERIOR/DIA:

Nádia e Iris estão andando na rua, conversando. Lauro e Amparo estão saindo do mercadinho, com compras na mão. Lauro esbarra na Nádia.

Nádia     – Ei! Cuidado!

Lauro     – Desculpa, desculpa.

Eles se encaram.

 

 

FIM DO CAPÍTULO

Escrita por

Priscila Borges

Yuri Neves

Direção

Allan Sab

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