O Novo Messias – Capítulo 20 | Último Capítulo

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES

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ÚLTIMO CAPÍTULO

CENA 01. CASA. SALA. INTERIOR. DIA:

Volpina senta em sua poltrona. Gudea e Mariano sentam num sofá.

VOLPINA    – Então quer dizer que o você é o filho da Janete?

MARIANO    – A senhora conhecia a minha mãe?

VOLPINA    – Conhecer? Eu e sua avó éramos unha e carne. Eu criei a sua mãe.

GUDEA      – É por isso que eu o trouxe aqui. (pausa) Dona Volpina, está na hora do Mariano saber da verdade.

VOLPINA    – Entendo. (pausa) Eu prefiro falar com o Mariano sozinha.

MARIANO    – Eu quero a Gudea aqui.

GUDEA      – Tudo bem, eu tenho mesmo que ir

Ela sai.

VOLPINA    – Por onde devo começar? Ah sim, claro, pelo começo.

 

CENA 02. DELEGACIA. CELA. INTERIOR. DIA:

Penéllope na cela e Luana no corredor, curiosa.

PENÉLLOPE  – Eu só quero uma coisa de ti: eu peço que cuide bem do Mariano.

LUANA      – Obrigada por ter dito a verdade. Ele não merecia ser punido.

PENÉLLOPE  – Eu sei por isso que eu tô aqui. Eu achei que ele tinha morrido.

LUANA      – Por um tempo eu também pensei. Mas parece que a Gudea apareceu pra ajudá-lo.

PENÉLLOPE  – A Gudea? Interessante.

LUANA      – Se era só isso/

PENÉLLOPE  – (corta) Só mais uma coisa: desculpe por tudo o que eu fiz.

LUANA      – Sem problemas. Eu lhe desejo muita sorte e felicidade.

PENÉLLOPE  – Felicidade? Na cadeia?

LUANA      – É, tem razão, desculpe. Mas sei que logo você sairá.

PENÉLLOPE  – É, tem razão. Até mais ver Luaninha.

Luana sorri e sai.

 

CENA 03. CASA. SALA. INTERIOR. DIA:

Volpina serve o Mariano de uma xícara de chá. Ele bebe um pouco. Ela senta em seguida.

VOLPINA    – Onde eu estava mesmo? Ah sim. Como eu disse, eu e sua avó eramos grudadas! Naquela época ainda era comum casamento arranjado. Os pais dela conheceram os pais do seu avô e eles se casaram. Sua avó nunca o amou, mas do casamento surgiu a sua linda mãe. A Joana não queria mais, não aguentava mais o seu avô. Ela fugiu deixando sua mãe pra ele cuidar.

MARIANO    – Minha mãe me contou um pouco disso. Essa parte eu meio que sei.

VOLPINA    – Certo. Então vamos pular uma parte então. Como deve saber a sua mãe foi criada como uma santa tanto por mim quanto pelo Manoel, mas a Iris incentivava a garota a sair na noite, ir a festas encondidas. (pausa) Numa noite sua mãe voltava dessas festas regadas a álcool e drogas. Ela olhou pro céu e avistou uma grandiosa Lua Cheia e desmaiou logo em seguida. Ela foi encontrada pela Iris e elas foram logo ao hospital e lá se descobriu que ela estava grávida. Iris e Janete ficaram chocadas! Todos achavam que ela era uma santa e tiveram que manter isso até o fim e então elas inventaram isso do Messias.

MARIANO    – Mas quem é o meu pai?

 

CENA 04/FLASHBACK. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Janete a dançar com a Iris. Um homem alto, bonito se aproxima delas.

HOMEM      – Posso ter o prazer de dançar com você?

JANETE     – É claro que pode.

Eles começam a dançar juntos.

HOMEM      – Diga-me: qual é o seu nome?

JANETE     – Janete e o seu?

HOMEM      – Mário.

Ela sorri e eles dançam.

 

CENA 05. CASA. SALA. INTERIOR. DIA:

Mariano tomando o chá. Volpina a contar.

VOLPINA    – O seu pai era um homem lindo, alto, todas a mulheres o desejavam. E ele as desejava também. Mário era o nome dele. Ele se encantou pela sua mãe, mas ela não queria saber de ter apenas um homem. Ele terminou com ela antes dele pegar fama de corno, ele nunca soube que é pai.

MARIANO    – E ele ainda está vivo?

VOLPINA    – Não. Eu imagino que os únicos que sobreviveram pra contar a história fui eu e a Iris.

MARIANO    – E como a senhora sabe de tanta coisa?

VOLPINA    – Sua mãe antes de partir veio se despedir de mim. Ela disse toda a verdade e me fez prometer que não contaria nada, ela disse que sustentar a história de que você era um filho de Deus seria bom pra ela e pra você. Mas eu concordo com a moça que veio contigo: você possui o direito de saber.

MARIANO    – Eu agradeço por ter me contado tudo isso e pelo chá maravilhoso. (pausa) Agora eu preciso ir.

VOLPINA    – Eu vou junto. Faz tempo que não saio da minha casinha, quero ver como anda a cidade atualmente.

Eles levantam e saem.

 

CENA 06. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Gudea entra e encontra a Iris no bar. Ela se aproxima dela.

IRIS       – Meu Deus! Finalmente! Eu fiquei sabendo que você o levou daqui. Onde ele tá?

GUDEA      – Eu o levei até a verdade Iris. Estava na hora disso acabar e dele saber a verdade.

IRIS       – Não! Droga! Isso não podia ter acontecido! Eu ainda precisava da ajuda dele! Que merda você acha que fez? Idiota!

Ela levanta e entra num corredor. Salomé sai de um corredor e se aproxima da Gudea.

SALOMÉ     – O que aconteceu aqui?

GUDEA      – Nem queira saber.

Gudea chama o barman. Salomé sem entender.

 

CENA 07. DELEGACIA. CELA. INTERIOR. DIA:

Herculano entra e caminha até a cela da Penéllope.

HERCULANO  – Não deveria ter feito isso. Eu não vou saber viver sem você.

PENÉLLOPE  – Eu iria sair da casa de qualquer modo.

HERCULANO  – Mas pelo menos poderia ter ver todos os dias. Aqui não poderei.

PENÉLLOPE  – E eu não quero que me venha me ver. Nós precisamos manter distancia.

HERCULANO  – Não, por favor.

PENÉLLOPE  – Não digo eu. Eu preciso ser livre de você.

HERCULANO  – Eu (pausa) Eu te (pausa) Eu te amo Penéllope!

PENÉLLOPE  – (emocionada) Você demorou demais pra dizer essas três palavrinhas. Agora é tarde.

HERCULANO  – Por favor.

PENÉLLOPE  – Por favor, digo eu. Saia daqui! Eu preciso viver sem ti.

Herculano sai com lágrimas nos olhos. Penéllope desata a chorar.

 

CENA 08. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Mariano e Volpina entram na boate.

MARIANO    – (grita) Iris!

Iris sai de um corredor e corre até o Mariano. Eles se abraçam.

MARIANO    – Eu já sei de toda a verdade Iris. Eu já sei de toda a mentira.

IRIS       – Eu sei. (a Volpina) Bom te ver querida. Percebo que ainda está com tudo em cima.

VOLPINA    – Eu nunca estive pra baixo. Eu peço perdão se errei, mas era hora dele saber.

IRIS       – Tudo bem. O que importa é que o Mariano vai continuar me apoiando, não vai?

MARIANO    – Apoiar no que? Na política? Nunca! Nunca mais! Não quero mais saber de mentir pra esse povo. Eu quase fui morto por eles.

IRIS       – Você não pode fazer isso comigo!

MARIANO    – Não posso? Eu já fiz! Eu quero ir embora o quanto antes.

IRIS       – Não! (pausa) Quer saber de uma coisa? Não quer me apoiar, então vamos duelar.

Iris sai da boate em polvorosa.

 

CENA 09. PRAÇA PÚBLICA. EXTERIOR. DIA:

Iris sobe num banco e começa a gritar. Mariano e Volpina saem da boate.

IRIS       – Já que a nossa querida Maria teve a sua chance de falar eu também quero ter a minha.

Uma multidão começa a se formar em volta dela.

IRIS       – A essa altura vocês já devem saber que o Mariano não matou ninguém e quem matou foi a Penéllope. (pausa) Pois bem, eu estou cansada de mentiras e eu quero a verdade. Eu quero a prova! Eu quero saber se o Mariano é mesmo o novo Messias. Ele precisa provar pra gente!

Um burburinho começa. Volpina encara o Mariano e sobe no banco ao lado da Iris.

VOLPINA    – Fala que não quer mais a mentira, mas continua mentindo. A verdade é que o Mariano não é o Messias, nunca foi. Isso foi uma mentira inventada pela mãe dele.

HOMEM      – (distante) Então qual é a verdade? Nós estamos cansados de mentiras!

VOLPINA    – Eu sei a verdade e vou dizer a todos vocês. A Janete me fez prometer que não contaria isso, mas essa mentira está gerando mais mentira e mais confusão. Precisamos acabar com isso de uma vez por todas!

O povo euforico. Iris desce do banco e volta pra boate, irritada.

 

CENA 10. BOATE LACANDA. ESCRITÓRIO. INTERIOR. DIA:

Iris entra no escritório. Ela abre o cofre e pega um revólver. Ela sai com ele em punho.

 

CENA 11. PRAÇA PÚBLICA. EXTERIOR. DIA:

Volpina no banco, a falar.

VOLPINA    – E essa é toda a verdade. O Mariano foi tão enganado como vocês. Ele é uma vítima!

Iris sai da boate e aponta o revólver pra Volpina que percebe. Ela abre os braços.

IRIS       – Eu cansei de vocês! Eu cansei desse povo inútil! E principalmente: eu cansei de ti Volpina.

Iris dispara duas vezes no peito de Volpina que cai no chão morta. Mariano, assustado, corre até ela. O povo encara a Iris. Um homem toma a frente e ela aperta o gatilho, mas nenhuma bala sai. Ela larga a arma, assustada.

HOMEM      – (berra) Assassina!

Iris desata a correr. E toda uma multidão atrás dela. CAM vira e mostra o Mariano ajoelhado ao lado do corpo da Volpina.

 

CENA 12. ENTRADA DE VILA REDENÇÃO. EXTERIOR. DIA:

Iris a correr muito. Ela passa pela placa de entrada da cidade e cai no asfalto. Ela se vira e olha pra multidão que se aproxima. Uma ventania começa na cidade. O fantasma da Janete aparece atrás de Iris.

JANETE     – (ecoa) Nós erramos muito Iris! Eu já recebi a minha punição e tá na hora de você receber a sua.

IRIS       – E você subiu a escadaria do mundo dos mortos só pra me ver morrer? Me ajude!

JANETE     – (ecoa) Eu não vou te ajudar, mas Ele, o todo poderoso, é o seu Pai querendo você ou não. E como qualquer Pai, ele a perdoa por todos os seus crimes. 

IRIS       – E eu agradeço, mas o que isso significa? Que eu vou pro Inferno perdoada? Muito obrigada.

JANETE     – (ecoa)Cale-se e me dê sua mão.

Iris a encara. A multidão se aproxima.

JANETE     – (ecoa/grita) Agora!

Iris segura a mão dela e eles somem. A multidão para e fica sem entender.

 

CENA 13. CEMITÉRIO. INTERIOR. DIA:

Legenda: Tempos depois…

Maria, Gudea, Salomé, Dario, Mariano e Luana entre algumas pessoas. Todos usando preto.

PADRE      – Nesse dia triste perdemos o Herculano. Um homem que fora humano. Ele errou, ele acertou, ele fez o bem e fez mal. Herculano era um ser-humano acima de tudo e é isso que devemos lembrar.

O padre continua em off.

 

CENA 14. DELEGACIA. CELA. INTERIOR. DIA:

Mariano entra e se aproxima da cela da Penéllope. Ela está chorando.

PENÉLLOPE  – (emocionada) Eu ainda não acredito que ele se foi. Foi tudo tão de repente.

MARIANO    – Nem a polícia sabe direito o que aconteceu, parece que ele estava bêbado e caiu da escada.

PENELLOPE  – (limpa as lágrimas) E pensar que eu saio daqui alguns dias e ele morreu sem mim ao seu lado.

MARIANO    – Eu sinto muito.

PENÉLLOPE  – Obrigada (pausa) obrigada por todo o apoio e suporte que deu. Se não fosse você ele nem teria um enterro digno.

MARIANO    – Não foi nada. É como padre mesmo disse: ele era um ser-humano acima de tudo.

Mariano beija a bochecha da Penéllope e sai. Ela deita na cama, triste.

 

CENA 15. BOATE LACANDA. QUARTO. INTERIOR. DIA:

Ne me quitte pas – Maysa

Salomé entra no quarto e o encontra todo decorado com rosas. Dario se ajoelha frente a ela e mostra uma aliança. Ela sorri e o beija.

 

CENA 16. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Sonoplastia continua.

Gudea sentada numa cadeira, bebendo uísque. Umas meninas dançam no palco. Ela levanta e para a dança. Ela sobe no palco e começa a ensinar.

 

CENA 17. CASA DA MARIA. SALA. . INTERIOR. DIA:

Sonoplastia continua.

Maria está sentada no sofá assistindo a um filme e comendo pipoca, sozinha.

 

CENA 18. BOATE LACANDA. QUARTO. INTERIOR. DIA:

Music fade/

Luana entra e encontra o Mariano arrumando as malas. Ela o beija.

LUANA      – Pronto pra sair daqui?

MARIANO    – Eu não vejo a hora.

LUANA      – Eu passei ali pela Gudea e ela está adorando isso da boate ser toda dela.

MARIANO    – Eu soube que agora tem números de dança e que o sexo não vai mais ser obrigatório. Faz quem quer.

LUANA      – Isso que é moderno. Acho que era isso que faltava mesmo.

MARIANO    – E sua mãe?

LUANA      – Não quero saber mais dela não. Nós até se encontramos esses dias no mercadinho, mas ela não falou nada e eu também não.

MARIANO    – Ela é sua mãe e acho que precisa perdoá-la.

LUANA      – Eu não posso fazer isso. Eu não sou capaz! Entende?

MARIANO    – Claro meu amor. Mas agora vamos nos concentrar na nossa volta pro Rio de Janeiro.

LUANA      – Ansioso?

MARIANO    – Muito.

Eles se beijam e…

FIM!

ESCRITO POR

Priscila Borges

COLABORAÇÃO POR

Yuri Neves

Realização
ADNTV Ficção 2017

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