O Novo Messias – Capítulo 15

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES

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CENA 01. IGREJA. INTERIOR. DIA:

Maria entra e Jacobina se aproxima dela.

JACOBINA  – O que é tão urgente?

MARIA     – Eu quero explodir a Lacanda!

JACOBINA  – Está louca? Não podemos fazer isso. Nós ainda não perdemos, ainda temos chance.

MARIA     – Se a gente matar a Iris, o Herculano fica destabilizado e temos ainda mais chance.

JACOBINA  – Não! Não ainda. Nós precisamos esperar, se tudo der errado nós começamos a pensar em morte. (pausa) O que deu em ti?

MARIA     – Ele está de caso com a putinha ruiva da Lacanda. Eu quero matá-la!

JACOBINA  – Você está na casa de Deus, por favor, respeite-O.

MARIA     – É isso que me dá ódio em você! Para de se esconder por trás dessa máscara de padre que segue os bons ensinamentos de Deus. Caí na real Jacobina! Nós não somos pessoas dignas de falar por Ele e nem de falar o nome d’Ele.

JACOBINA  – Ele, Maria, não existe.

Maria começa a gargalha.

MARIA     – Irônico que o padre não acredita na existência de Deus. (pausa) Quer saber? Isso é culpa sua! Tudo isso é culpa sua! Eu te odeio!

Ela ia sair, mas ele segura a mão dela.

MARIA     – Me solta!

JACOBINA  – Não pode me abandonar agora.

MARIA     – Não posso? E quem vai me impidir?

JACOBINA  – Eu!

Ele e a joga na parede. Jacobina se aproxima dela e Maria lhe dá um chute nas partes íntimas. Ele cai no chão, se retorcendo.

MARIA     – Não encoste mais em mim!

Ela sai batendo a porta.

 

CENA 02. CASA DO HERCULANO. SUÍTE DO CASAL. BANHEIRO. INTERIOR. DIA:

Penéllope está tomando banho. Herculano entra e ela se assusta.

PENÉLLOPE – O que está fazendo aqui?

HERCULANO – Nós precisamos conversar. Nós precisamos acabar com isso de uma vez por todas.

PENÉLLOPE – Nós só vamos acabar com isso quando reconhecer que eu sou a única mulher que lhe restou, a única que vai limpar a bunda quando não tiver velho demais pra fazer isso.

HERCULANO – Eu te amo!… mas não posso negar que preciso de mais mulheres na minha vida.

PENÉLLOPE – Você é maluco! Doente!

HERCULANO – Nós dois somos! (pausa) Eu só lhe fiz mal na vida, mas mesmo assim continua ao meu lado.

PENÉLLOPE – Porque eu sou burra! Eu sou idiota! (pausa) Tem razão. Nós dois somos loucos! E não acha que merecemos ficar juntos? Dois loucos juntos?

HERCULANO – Acho, mas eu também acho louco com louco dá atrito diarimente. Nós precisamos de alguém normal pra nos controlar.

PENÉLLOPE – Sai daqui!

Ele a segura.

HERCULANO – Você é uma vadia! Você está de acordo com o Jacobina que eu sei. O que ele te prometeu?

PENÉLLOPE – Ele não me prometeu nada.

HERCULANO – (grita) Diz!

PENÉLLOPE – (grita) Sai daqui! Me solta!

HERCULANO – Eu saio quando você me disser. Diga logo que você armou com ele.

PENÉLLOPÉ – Quer mesmo saber? Eu fiz um acordo com ele! Ele ganha a merda da eleição e você não consegue as meninas que tanto almeja. Vai ter que se contentar comigo!

HERCULANO – Idiota! Burra! Putinha de merda! Eu tenho nojo de você!

Ela desata a chorar. Ele a solta e sai do banheiro batendo porta.

PENÉLLOPE – (chorando) Você quer guerra? Então você vai ter guerra.

Ela se recomponhe e volta a se banhar.

 

CENA 03. CASA DA MARIA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Maria entra e encontra o Dario lhe esperando. Ela se aproxima dele.

MARIA     – Ainda me esperando?

DARIO     – Nós precisamos ter aquela conversa.

MARIA     – É a putinha ruiva, né?

DARIO     – O nome dela é Salomé.

MARIA     – Não é nome dela de verdade. É o nome de puta dela.

DARIO     – Eu só quero lhe avisar que brevimente estou saindo dessa casa pra me casar com ela.

MARIA     – Se casar com uma puta?

DARIO     – Sim. Eu vou me casar com uma prostituta sim e qual é o problema?

MARIA     – Aquela b***** já passou em muitos homens. Ela deve ser mais arrombada que a/

DARIO     – (corta) Cala a merda da boca!

MARIA     – Quer saber? Faz o que você quiser! Quer sair daqui e ir morar com a putinha? O problema é seu! Eu espero que ela não tenha nenhuma DST.

DARIO     – Obrigado pela sua compreenção.

MARIA     – Só mais uma coisa…

Ela desfere um tapão na cara dele.

MARIA     – E mais uma…

Outro tapão.

MARIA     – E outro…

Ela ia dá mais um tapa, mas ele segura a sua mão.

DARIO     – Chega por hoje.

Ela se solta e entra no corredor.

 

CENA 04. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Iris e Mariano estão sentados frente à televisão. Penéllope entra e se aproxima.

PENÉLLOPE – Mariano, podemos conversar?

IRIS      – Se querem conversar saem daqui que já vão dizer quem está na frente nas pesquisas e não quero barulho.

MARIANO   – Vamos falar no meu quarto.

IRIS      – No seu quarto? E a Luana?

MARIANO   – Eu e a Penéllope somos apenas amigos. A Luana não vai se importar.

IRIS      – Se você diz…

Mariano levanta e sai na frente. Penéllope vai atrás.

 

CENA 05. BOATE LACANDA. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Mariano e Penéllope entram. Ele a encara e percebe o pulso vermelho.

MARIANO   – O seu pulso (pausa) ele está vermelho. Aconteceu alguma coisa?

PENÉLLOPE – Aconteceu. O Herculano me machucou, não só fisicamente, mas emocionalmente.

MARIANO   – Que filho da p/

PENÉLLOPE – (corta) Não o xingue.

MARIANO   – E você ainda o defende?

PENÉLLOPE – Eu o amo, e vou lutar por ele. Mas por agora, preciso que faça um favor.

MARIANO   – Qualquer coisa. É só dizer.

PENÉLLOPE – Eu quero que você me ame.

Ela tira a roupa que veste, ficando nua. Ele hesita e dá uns passos pra trás.

MARIANO   – Não posso fazer isso.

PENÉLLOPE – Você disse qualquer coisa.

Ela se aproxima dele e começa a beijá-lo. Mariano se entrega e a joga na cama, já tirando sua roupa.

 

CENA 06. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Luana entra e se aproxima da Iris.

IRIS      – Meu Deus! Que entre-sai é esse? O que você quer Luana?

LUANA     – Quero falar com o Mariano. Ele está?

IRIS      – Está ocupado.

LUANA     – E com quem? Você está aqui.

IRIS      – Ele está com a Penéllope no quarto, estão namorando. Imagino que a vadia esteja montada nele nesse momento.

Luana sai correndo, chorando.

 

CENA 07. IGREJA. SACRISTIA. INTERIOR. NOITE:

Jacobina sentado frente à televisão. CAM mostra a jornalista na TV.

JORNALSTA – (off) O comício do atual prefeito foi mais tranquilo do que os anteriores. E saiu o resultado da nossa pesquisa. Ela mostra que o candidato Herculano continua na frente. Logo atrás vem o atual prefeito e por último o padre Jacobina.

Ele levanta atordoado. Jacobina sai quebrando e derrubando tudo.

 

CENA 08. CASA DO HERCULANO. SALA. INTERIOR. NOITE:

Iris entra e encontra o Herculano assistindo televisão. Ela senta ao lado dele.

IRIS      – Nós ganhamos!
HERCULANO – Nós ganhamos!

Eles caem na gargalhada, felizes.

 

CENA 09. CASA DA MARIA. QUARTO DA LUANA. INTERIOR. NOITE:

Luana entra chorando, ela deita na cama. Maria entra e senta ao lado dela.

MARIA     – Eu escutei a porta a bater. (repara no choro) O que aconteceu minha linda?

LUANA     – O Mariano me traiu mãe. Ele me traiu com a Penéllope.

MARIA     – De anjo ele não tem nada. Ele não te merece filha. (pausa) Acho que é de família ser corna. Você já deve saber.

Ela limpa as lágrimas.

LUANA     – Eu quero que ambos sejam felizes mãe. Ele não está sendo feliz contigo e nem você com ele. E eu não gosto disso.

MARIA     – Nem eu, mas meus pais morreram juntos. Meus avôs também. Não estou acostumada com isso.

LUANA     – Eu também mãe. Vai ser difícil, mas nós vamos superar. (pausa) Vamos fazer um trato? Eu lhe ajudo e você me ajuda?

MARIA     – Feito!

Elas se abraçam, emocionadas.

 

CENA 10. BOATE LACANDA. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Penéllope sai de cima do Mariano, exausta. Eles se encaram, cansados.

PENÉLLOPE – Duas vezes seguidas.

MARIANO   – Quer a terceira?

PENÉLLOPE – Não posso. Eu preciso ir. Me leva até a porta?

MARIANO   – Com certeza.

Ela levanta, veste suas roupas e sai. Mariano faz o mesmo, sorrindo.

 

CENA 11. IGREJA. SACRISTIA. INTERIOR. NOITE:

Muitas coisas caídas, quebradas. Jacobina abre uma gaveta e pega uma arma. Ele sai.

 

CENA 12. BOATE LACANDA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Penéllope e Mariano saem da boate, aos beijos. Jacobina se aproxima, tenso.

PENÉLLOPE – O que o padre faz aqui?

Mariano se vira e vê o Jacobina. Ele se aproxima e aponta a arma pros dois.

MARIANO   – O que está fazendo? Você é um padre!

JACOBINA  – Um padre de saco cheio dessa merda que anda acontecendo. Eu cansei!

Ele quebra a janela de um carro que estava estacionado na rua e entra.

JACOBINA  – Eu vou fazer uma coisinha aqui. Sem gracinha senão eu os mato.

Ele mexe nos fios do carro e o liga. Jacobina, ainda apontando a arma pros dois, os fazem entrar no carro. Ele entra por último e sai cantando pneu.

 

FIM DO CAPÍTULO

ESCRITO POR

Priscila Borges

COLABORAÇÃO POR

Yuri Neves

Realização
ADNTV Ficção 2016

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