O Novo Messias – Capítulo 11

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES

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CENA 01. CASA DA MARIA. COZINHA. INTERIOR. DIA:

Luana não acredita no que escuta.

LUANA     – Você ficou maluca?! Isso pode matar o Mariano. Eu nunca que vou ajudar com isso.

MARIA     – É só você tirar o Mariano de lá na hora que eu for explodir.

LUANA     – Eu não vou ser cúmplice da morte de várias pessoas. Isso é loucura!

MARIA     – Loucura é ser obrigada a aceitar que o meu marido tenha um caso com um traveco.

LUANA     – E da onde você tirou isso?

MARIA     – Eu sei que vai pra aquelas áreas há um tempo, mas agora caiu a ficha que o amante dele pode ser um homem.

LUANA     – O papai não é gay.

MARIA     – E como você sabe?

LUANA     – Eu não sei, mas eu conheço bem o papai

MARIA     – Eu quero matar a Iris e todo aquele povinho nojento. Que ódio!

LUANA     – Se vocês não estão felizes, acho melhor vocês terminarem.

MARIA     – E dá motivo pra esse pessoal falar? Nem morta! Eu vou sair na rua e eles vão dizer: “olha lá a mãe solteira” ou “coitada dela foi trocada por uma puta”

LUANA     – O seu problema é se preocupar demais com outros. Sabe o que precisa fazer? Erguer o dedo do meio e mandar todo mundo para aquele lugar.

MARIA     – Luana! Olha os modos!

LUANA     – É apenas a verdade mãe. Se você fizer isso pelo menos uma vez na vida, vai perceber como é maravilhosa essa sensação.

LUANA     – Obrigada filha.

Elas se abraçam, Maria emocionada.

 

CENA 02. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Mariano estar no bar, bebendo. Iris se aproxima e senta ao lado dele.

MARIANO   – Estava a conversar com a Gudea, é uma ótima pessoa.

IRIS      – Ela é uma filha pra mim. (pausa) Eu omiti uma coisa de você, mas acho que chegou a hora de lhe contar.

MARIANO   – Diga logo que fiquei curioso.

IRIS      – O real motivo de ter pedido que viesse pro cá foi que eu estou precisando da sua ajuda.

MARIANO   – E como eu posso ajudar?

IRIS      – Me dando apoio. Amanhã começa o comício para as eleições de prefeitos daqui de Vila e eu não posso perder a Lacanda.

MARIANO   – E o que eu devo fazer?

IRIS      – O maior candidato a ganhar é o Padre Jacobina, ele é um homem muito moralista e que deseja fechar a minha boate há tempos. Se ele ganhar eu estou perdida.

MARIANO   – Mas a maioria do povo não me conhece, como posso ajudá-la?

IRIS      – Eles não conhecem você pelo nome Mariano, mas conhecem pelo apelido que ganhou quando pequeno. (pausa) O novo Messias.

MARIANO   – Eu não acredito nisso! A senhora só me chamou aqui para me usar? Para usar a fé das pessoas? Isso é um absurdo, tia!

Ele levanta e sai andando.

IRIS      – Aonde você vai?

MARIANO   – Não lhe interessa.

Ele sai batendo porta. Iris pega o celular e disca números rapidamente.

IRIS      – Encontre o Mariano e faça ele ficar do meu lado. Não sei Luana. Dá o seu jeito!

Ela desliga e pede uísque pro barman.

 

CENA 03. IGREJA. SACRISTIA. INTERIOR. DIA:

Jacobina e Penéllope estão sentados conversando. Conversa já iniciada.

JACOBINA  – Amanhã é o comício. Não vejo a hora de ferrar com a Iris.

PENÉLLOPE – É o seu dia. Você precisa arrasar, mas como vai fazer isso sem a ajuda do Mariano?

JACOBINA  – Eu não vou precisar dele do meu lado, eu tenho um plano e na hora certa, ele vai estar do meu lado.

Penéllope curiosa.

 

CENA 04. RUA. EXTERIOR. NOITE:

Anoitece.

Luana e Mariano andam pela rua, aos beijos. Conversa já inciada.

LUANA     – Eu acho que o que sua tia fez é horrível, mas acho que é sua obrigação ajudá-la. Sua mãe foi praticamente criada por ela e quando seu avô a expulsou de casa foi a Iris que a abrigou. Acho que deve isso a ela.

MARIANO   – Eu sei disso, mas não aceito o fato que fui trazido aqui pra ser usado. Isso é imperdoável!

LUANA     – Ela não está pedindo perdão, está pedindo ajuda e acho que deve isso a ela. Mas essa é a minha opinião.

MARIANO   – Obrigado por dá-la, é importante pra mim. Eu acho que tomei minha decisão.

LUANA     – Espero que tenha tomado a certa.

MARIANO   – Eu também espero.

Eles se beijam e seguem a caminhar.

 

CENA 05. CASA DA MARIA. SALA. INTERIOR. NOITE:

Dario está sentado na mesa e Maria entra segurando uma jarra de suco.

MARIA     – Não vai sair hoje?

DARIO     – Não estou me sentindo muito bem para sair hoje.

MARIA     – Então não serei eu a jantar sozinha. Será você! Eu tenho um compromisso.

DARIO     – E com quem?

MARIA     – Você não me diz quem é o seu amante e eu não digo quem é o meu e assim vivemos felizes para sempre.

Ela beija a testa dele e sai.

 

CENA 06. IGREJA. INTERIOR. NOITE:

Maria entra na igreja e encontra o Jacobina rezando. Ela se aproxima.

JACOBINA  – A igreja estava fechada.

MARIA     – E desde quando isso me impede? Eu precisava falar com você.

JACOBINA  – O que foi?

MARIA     – Estava pensando em explodir a Lacanda com a Iris dentro, o que acha?

JACOBINA  – (ri) Ainda não é o momento. Afinal, o que seria do Coringa sem o Batman, não é mesmo? Nós podemos fazer o que quisermos depois que ganharmos a eleição, mas enquanto isso vamos esperar.

MARIA     – Está certíssimo. Mas não vejo a hora de ver a Iris sendo enterrada.

JACOBINA  – Imagina eu. (pausa) Reze comigo, temos muitas coisas para pedir ao nosso Senhor.

Eles começam a rezar.

 

CENA 07. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Iris está bebendo no bar. Gudea se aproxima.

GUDEA     – Amanhã é o grande dia.

IRIS      – Eu não vejo à hora de mostrar a todos aquela gravação.

GUDEA     – E o Mariano?

IRIS      – Ainda não voltou, mas acredito que a Luana o convenceu.

GUDEA     – Tomará que sim.

Iris dá um gole no uísque.

 

CENA 08. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

Iris sob o palco a falar. Salomé e Gudea olham pra ela. Mariano entra, mas fica afastado.

IRIS      – Hoje é o grande dia meus queridos, não serei eu que vou falar hoje e sim o Jacobina. Mas hoje começa o comício.

SALOMÉ    – E serve também para você e para o Herculano prepararem suas armas.

IRIS      – É claro.

Ela desce do palco ao ver o Mariano e se aproxima dele.

IRIS      – E então, pensou bem ou veio aqui me tacar pedras?

MARIANO   – É lógico que eu topo ficar do seu lado, mas se disser algo que não concordo!

IRIS      – Gudea, minha querida, pega uísque pra gente comemorar.

Gudea concorda e vai até o bar.

 

CENA 09. CASA DO HERCULANO. SALA. INTERIOR. DIA:

Penéllope desce as escadas e encontra o Herculano se arrumando frente ao espelho.

HERCULANO – Vai assistir ao comício comigo ou tem mais um dos seus encontros?

PENÉLLOPE – É claro que vou com você.

Ele a encara, mas nada diz. Eles saem.

 

CENA 10. RUA. EXTERIOR. DIA:

Jacobina e Maria sobem ao palco. Vários habitantes de Vila Redenção olham os dois.

JACOBINA  – Bom dia cidadãos de Vila Redenção. Acredito que boa parte da população já me conhece.

MARIA     – Eu e o Padre estamos aqui para abrir os comícios políticos.

JACOBINA  – E para mostrar ao povo quem é verdadeiro e quem zela pela família.

MARIA     – Nós dois representamos a verdadeira família tradicional brasileira. Eu sou uma dona de casa exemplar e ele um padre exemplar.

JACOBINA  – Nós somos as pessoas certas pra comandar essa cidade.

FIM DO CAPÍTULO

ESCRITO POR

Priscila Borges

COLABORAÇÃO POR

Yuri Neves

Realização
ADNTV Ficção 2016

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