O Novo Messias – Capítulo 08

UMA NOVELA DE PRISCILA BORGES

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CENA 01. BOATE LACANDA. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Mariano e Luana entram se beijando. Eles caem na cama, se agarrando.

 

CENA 02. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Gudea está sentada no colo de um homem. Eles conversam. Iris se aproxima e puxa a Gudea.

GUDEA     – O que é? Reclama de falta de cliente, mas quando tem me interrompe.

IRIS      – Desculpa. Eu não acho o Mariano em lugar algum.

GUDEA     – Ele entrou num dos quartos com a Luana

IRIS      – Não creio que a aquela vadia já botou a b***** pra trabalhar.

GUDEA     – Esse é o trabalho das vadias queridinha.

Ela sorri e volta a conversar com o homem. Iris senta no bar e chama o barman.

IRIS      – Dose dupla de uísque.

 

CENA 03. CASA DA MARIA. FRENTE. EXTERIOR. NOITE:

Maria e Jacobina estão conversando.

MARIA     – Você tinha que ter entrado lá a força.

JACOBINA  – E ser arrastado de lá por aqueles homens bêbados? Nunca!

MARIA     – Nós precisamos achar um jeito de achar o Mariano e convencê-lo de ficar do nosso lado.

JACOBINA  – Será que ela já falou com ele?

MARIA     – Acho que não. Ela deve estar tentando ganhar a confiança dele primeiro.

JACOBINA  – Droga! Eu odeio perder.

MARIA     – Eu também. (pausa) Onde é que a Luana se meteu?

JACOBINA  – Não queria falar nada, mas ela chegou na boate logo depois de mim.

MARIA     – E você não a impediu de entrar lá?

JACOBINA  – Ela não é a minha filha.

MARIA     – Eu vou matar a Luana!

Maria sai andando, raivosa.

 

CENA 04. BOATE LACANDA. INTERIOR. NOITE:

Iris no bar, bebendo uísque. Maria entra e anda até ela, firme. Gudea a parte.

MARIA     – Aonde que você enfiou a minha filha?

IRIS      – Eu não sei do que você está falando.

MARIA     – Eu sei que ela está aqui. (grita) _ Luana! Luanaaa!

IRIS      – Você está assustando os meus clientes.

MARIA     – Não vejo clientes aqui. Eu vejo você, um barman e aquele travesti asqueroso.

Iris levanta e encara a Maria.

IRIS      – Não fala da Gudea!

MARIA     – E você vai fazer o que? (ri) Travesti asqueroso e nojento.

Iris desfere um tapa na cara dela. Gudea levanta e se aproxima.

GUDEA     – Não vale a pena Iris.

IRIS      – Eu não deixo ninguém falar mal das minhas meninas.

GUDEA     – Eu sei, mas não vale a pena. (a Maria) A vadia da sua filha não está aqui.

MARIA     – Mentira! Eu sei que ela tá aqui.

GUDEA     – E eu sei que ela não está. (grita) Fora daqui! Saaai!

MARIA     – Eu só saio daqui com a minha filha.

GUDEA     – Então eu sinto muito porque ela não está aqui diabos.

Maria olha em volta e pousa a mão sob a cabeça, preocupada.

MARIA     – Eu vou, mas eu volto. (a Iris) Eu lhe devo um tapa.

IRIS      – Então vem dá o tapa.

Maria sorri e sai. Iris berra e taca o copo na parede. Iris pega as mãos dela.

GUDEA     – Calma. É isso que ela e aquele padre querem. Eles querem te deixar louca.

IRIS      – Eu estava quase entrando naquele quarto e pegando a Luana pelos cabelos.

GUDEA     – Se a Luana está interessada no Mariano, nós podemos usar isso.

IRIS      – Tenha sempre um informante.

Gudea beija a Iris e sai.

 

CENA 05. CASA DO HERCULANO. QUARTO. INTERIOR. NOITE:

Herculano e Penéllope estão deitados na cama. O primeiro dorme e a segunda está acordada.

HERCULANO – (off) E quem foi que lhe disse essa mentira hein? Eu nunca disse que eu era único seu.

Penéllope chora.

PENÉLLOPE – (off/pensamento) Você é meu Herculano! Meu e ninguém tira!

 

CENA 06. BOATE LACANDA. INTERIOR. DIA:

Amanhece.

Luana sai do corredor e se aproxima da Iris que está sentada numa cadeira.

LUANA     – Bom dia. Ninguém toma café aqui?

IRIS      – Tem uma padaria aqui do lado.

LUANA     – Aconteceu alguma coisa? Ontem estava mais animada.

IRIS      – Aconteceu.

Iris levanta e encara a Luana.

IRIS      – Você aconteceu. (pausa) Sua querida mãe entrou aqui ontem, raivosa. Ela xingou a Gudea e nós discutimos. Eu ia te entregar, mas a Gudea interviu a tempo.

LUANA     – Meu Deus! Desculpa, eu juro que isso não vai se repetir.

IRIS      – Não vai mesmo porque você vai me ajudar e eu vou te ajudar com o Mariano.

LUANA     – Eu não preciso de ajuda com ele. Nós nos gostamos e ponto.

IRIS      – Tem certeza disso? O Mariano é do Rio de Janeiro, ele deve ter o costume de transar e não ligar depois. Ele nem deve saber o seu nome.

LUANA     – Não. Ele é diferente.

IRIS      – É nesse pensamento que muitas caem na lábia dele. Quantos ele tem? Você acha mesmo que ele quer namorar podendo curtir a vontade?

LUANA     – Tá certo. O que eu preciso fazer?

IRIS      – Diga a sua mãe que você e o Mariano estão se gostando e que talvez ele seja o homem ideal.

LUANA     – Tá louca? Ela vai me matar se eu falar que transei com ele.

IRIS      – Não precisa dá todos os detalhes. Diga apenas o suficiente. Diga que vocês foram dá uma volta e que acabou dormindo aqui porque estava tarde demais. Eu tenho certeza que ela ficará feliz de saber que a filhinha dela está com junto com o santo.

LUANA     – De santo ele não tem nada.

IRIS      – Eu percebi. Topa?

LUANA     – Eu já topei, mas isso de usar o Mariano pra ganhar a eleição um ato horrível.

IRIS      – E quem se importa com sua opinião?

Luana concorda e sai.

 

CENA 07. CASA DA MARIA. SALA. INTERIOR. DIA:

Maria está sentada no sofá, impaciente. Luana entra e Maria levanta.

MARIA     – Onde é que você estava?

LUANA     – O cara que eu te falei é o novato. Nós marcamos de ver a lua ontem.

MARIA     – Vocês só viram a lua, né?

LUANA     – É claro mãe. Eu ainda sou pura como eu nasci e só pretendo deixar de ser depois que casar.

MARIA     – Eu fico tão feliz de ouvir isso. Mas porque diabos você não veio pra casa? Eu fiquei preocupada.

LUANA     – Desculpa mamãe, eu acabei dormindo lá na boate. (Maria arregala os olhos) Em quartos separados, mãe.

MARIA     – Eu estou tão feliz, mas você precisa de um banho. Precisa se lavar até o ranço daquele lugar sair. Temos que queimar essa roupa.

LUANA     – Mãe!

MARIA     – Deve estar cheio de bactérias filha. Nós não sabemos que tipos de germes andam por ali.

Luana ri e Maria a leva pelo corredor.

 

CENA 08. CASA DO HERCULANO. FRENTE. EXTERIOR. DIA:

Jacobina está em frente a casa. O celular dele toca e ele atende.

JACOBINA  – Fala rápido.

MARIA     – (off) Nós temos um aliado. A Luana parece está gostando do santo e ele dela.

JACOBINA  – Os tempos são outros mesmo.

MARIA     – (off) Nós estamos ficando velhos, mas o importante é que ela vai nos contar tudo.

JACOBINA  – Um ponto a nosso favor. Tenho que desligar.

Ele desliga e entra na casa.

 

CENA 09. RUA. EXTERIOR. DIA:

Mariano e Salomé estão andando pela rua.

SALOMÉ    – Ela está brava e com razão.

MARIANO   – Eu não tenho culpa que a carne é fraca

SALOMÉ    – Ela me pediu pra conversar com você sobre a Luana. É sério ou foi só um caso?

MARIANO   – Eu não pretendo namorar com ninguém.

SALOMÉ    – Não? Acho melhor você repensar isso porque agora a menina está querendo algo sério.

MARIANO   – Isso acontece com certa frequência.

SALOMÉ    – E você acha isso legal?

MARIANO   – Não, mas eu não posso fazer nada.

SALOMÉ    – Pode sim, seja homem e não um babaca.

Salomé vai na frente e Mariano não entende.

MARIANO   – Eu fiz alguma coisa?

SALOMÉ    – Quando você deixar de ser um babaca, a gente conversa.

Salomé vai e Mariano fica pra trás, sem entender.

 

CENA 10. CASA DO HERCULANO. SALA. INTERIOR. DIA:

Jacobina está conversando com o Herculano. Penéllope desce as escadas e se aproxima.

HERCULANO – Eu não sei do que está falando. Tem muito tempo que não falo com a Iris.

JACOBINA  – Eu preciso descobrir com quem ela tá armando. Não posso permitir que aquele prostíbulo continue aberto por mais tempo.

HERCULANO – O senhor tem razão. Eu tive os meus momentos, mas aprendi da pior maneira.

JACOBINA  – Deus lhe ajudou Herculano.

HERCULANO – Com certeza. Eu preciso subir agora. Com sua licença.

Jacobina concorda e Herculano sobe as escadas. Jacobina ia sair, mas a Penéllope segura sua mão.

PENÉLLOPE – Podemos conversar?

FIM DO CAPÍTULO

ESCRITO POR

Priscila Borges

COLABORAÇÃO POR

Yuri Neves

Realização
ADNTV Ficção 2016

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