Paixão Proibida – Último Capítulo

UMA NOVELA DE ARTHUR FERRAZ

228 - Cópia - Cópia (6)

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CENA 1: RUA/ EXT/ MANHÃ

CONTINUAÇÃO DA CENA ANTERIOR. PEDRO FICA PERPLEXO COM A REVELAÇÃO QUE OUVE.

PEDRO – Candinha, você acaba de dizer que Marina não é minha filha?

MARINA SE SOLTA E VAI PARA PERTO DE ALVARO.

CÂNDIDA – Não. Ela não é sua filha. Esse homem foi meu primeiro namorado, quando éramos jovens. Ele tinha uma vida torta, eu queria me casar, ele acabou se envolvendo com gente errada e saiu fugido. Eu estava grávida, logo te conheci. Nos casamos, eu grávida e fiz você acreditar que a criança era sua.

OLGA – Só que agora, Indio apareceu e nem ele sabia dessa filha!

PEDRO – E você, sua velha desgraçada? Sabia de tudo também e nunca falou nada?!

OLGA – Não! Não falei pois não queria destruir o casamento de vocês. Você era completamente apaixonado pela Cândida, depois com o passar do tempo vi que tudo estava se desfazendo e você mostrou quem realmente era.

PEDRO – Vocês vão pagar caro pelo que fizeram, principalmente você Candinha! Você me traiu!

INDIO – Nem eu sabia que tinha essa filha. Então como você criou, você é o pai.

PEDRO – Cala essa sua boca, seu forasteiro. Nem sei quem você é, um tal de Indio que nem nome tem!

INDIO – Tenho sim. Me chamo Fernando Natali.

PEDRO – Continua sendo um bosta!

MARINA – Apesar do que o senhor fez comigo, te considero o meu pai. 

PEDRO – Marina, saiba que você não existe mais pra mim, pode ficar com esse paizinho que você arrumou agora. Cândida, pegue toda sua família e saia da minha fazenda já!

CÂNDIDA – Ângela e Beatriz são suas filhas!

PEDRO – Como posso saber se é verdade? Talvez tenha se deitado com outros.

CÂNDIDA DÁ UM TAPA NA CARA DE PEDRO.

PEDRO – Como se atreve?! Nunca levei um tapa, nem a mãe teve tamanha audácia!

PEDRO PEGA MARINA, SACA UMA ARMA E APONTA PARA A CABEÇA DA MOÇA.

CÂNDIDA – (aos prantos) Não, não faça isso Pedro! Perdão…

PEDRO – (frio) Perdão? Esse tapa vai lhe custar caro, sua meretriz!

PEDRO PEGA MARINA, PONTADA COM UMA ARMA E A LEVA PARA SEU CARRO.

PEDRO – Ninguém se mexe. Se não, dou um tiro, e acabou!

PEDRO ENTRA NO CARRO COM MARINA, PASSA UMA CORDA NA MÃO DELA. TODOS OLHAM APREENSIVOS, SEM PODER REAGIR. TOMADO PELA IRA, PEDRO ACELERA VEÍCULO PELA ESTRADA.

INDIO – Vamos a delegacia urgentemente!

CENA 2: DELEGACIA/ INT/ MANHÃ

CIPRIANO LIBERA LUIS COM UM POLICIAL ESCOLTADO PARA IR NA FÁBRICA. ALVARO E INDIO CHEGAM.

INDIO – (eufórico) Senhor delegado!  Houve um ocorrido e precisamos de apoio!

CIPRIANO – (intrigado) O que houve?

ALVARO – Marina foi sequestrada pelo pai na mira do revolver, ele a levou arrastada. Creio que eles foram para fazenda.

CIPRIANO – Vou chamar minha equipe e vamos agora.

CIPRIANO CONVOCA OS POLICIAIS QUE PREPARAM PARA IR. SAEM JUNTO COM INDIO E ALVARO.

CENA 3: PENSÃO/ INT/ MANHÃ/ SALA

WALKIRIA CONVERSA COM SEUS HÓSPEDES.

WALKIRIA – Tirando aquele atentado ontem, graças a Deus a inauguração foi um sucesso.

MACIEL – E nem imaginava que era Luis que estava por trás daquilo tudo.

WALKIRIA – Daquele homem não podemos esperar nada.

CARMELITA – Gente, ouviram passando na radio aqui da cidade? Haverá casamento comunitário no próximo mês.

WALKIRIA – Sei que vai chover gente para se casar.

CENA 4: FÁBRICA/ INT/ MANHÃ/ SALA DE LUIS

LUIS OLHA PARA SUA SALA, MUITO TRISTE. CENA CORTA PARA AREA DE PRODUÇÃO. POUCA ILUMINAÇÃO, NENHUMA PESSOA NO LOCAL. LUIS PEDE AOS POLICIAIS PARA ENTRAR SOZINHO.

LUIS – Podem ficar tranquilos, aqui não tenho como fugir. Só vim ver as máquinas.

LUIS CAMINHA PELO LOCAL, OLHANDO TUDO QUE POSSUI, CHEGA PERTO DE UMA MÁQUINA DE ASSAR, OLHA COM MUITO CARINHO. CONVERSA SOZINHO COM A MÁQUINA.

LUIS – Marinete… Quanto você já me deu. Minha primeira máquina que possui. Está tão acabada, não é para tanto né? Tão velhinha, coitada.(pausa) Mas tem que trabalhar, vamos lá!

LUIS LIGA A MAQUINA.

LUIS – Trabalha, trabalha, trabalha. Quero encher isso aqui de biscoitos, quero encher essa rua de biscoitos, quero encher essa cidade de biscoitos, quero encher esse mundo de biscoitos!  Isso aqui é tudo meu, tudo isso aqui é meu! Não quero ninguém na hora de minha partida, só minhas maquinas trabalhando para fazer dinheiro, pois eu gosto de dinheiro, o dinheiro faz bem. Vamos trabalhar minha gente (falando para as maquinas).

AS MAQUINAS COMEÇAM A DISPARAR MUITOS BISCOITOS EM GRANDE QUANTIDADE. O LOCAL VAI SE ENCHENDO DE BISCOITOS E LUIS SE ATOLA NO MEIO.

LUIS – Vamos, quero mais biscoitos. Muitos biscoitos para eu ganhar dinheiro.

O LOCAL VAI ENCHENDO DE BISCOITOS E LUIS FICA SOTERRADO, COM A CABEÇA VIRADA PARA CIMA. AS MÁQUINAS VÃO DISPARANDO BISCOITOS, LUIS VAI FICANDO SEM SAÍDA. AS MAQUINAS COMEÇAM A PIFAR. LUIS FICA SOTERRADO E MORRE ASFIXIADO.

CENA 5: CASA DE JOAQUIM/ INT/ MANHÃ

JOAQUIM CHEGA COM SUA FAMÍLIA PARA ARRUMAR AS COISAS.

JOAQUIM – Infelizmente tudo o que é bom dura pouco. Fiz boas clientelas aqui.

SÔNIA – É verdade. Só que não dá para continuarmos aqui depois do que aconteceu.

JOAQUIM – Vamos recomeçar nossa vida em outro lugar. Vamos voltar para nossa cidade, de onde nunca deveríamos ter saído.

INÁCIO – Pai, e meu irmão?

JOAQUIM – Até agora não apareceu, desde ontem. Mas vou deixar as coisas dele lá na pensão.

A FAMÍLIA TERMINA DE ARRUMAR AS MUDANÇAS.

CENA 6: CASA DE CÉLIO/ INT/ MANHÃ

TELMO CHEGA,ENTRA COM SUAS BAGAGENS.

MAGNÓLIA – Telmo, o que é isso?

TELMO – Vim morar com vocês.

CÉLIO – Mas o que houve lá?

TELMO – Infelizmente não deu certo, eu trai minha esposa, sei que errei.

MAGNÓLIA – Telmo, você errou, só que todos erramos. Vamos te abrigar aqui conosco, pois é irmão de meu marido.

CÉLIO – E o sitio ?

TELMO – Coloquei a venda, para dar a metade a Bárbara.

CÉLIO – Então agora, você vai ficar aqui em casa, vou arrumar um serviço para você na prefeitura.

TELMO – Muito obrigado meu irmão, jamais esquecerei o braço que estão me dando.

TODOS SE ABRAÇAM.

CENA 7: ESTRADA/ EXT/ MANHÃ

O CARRO DE PEDRO FURA O PNEU. ELE DESCE PARA TROCAR.

PEDRO – Droga, logo aqui!

MARINA TENTA SE DESFAZER DO LAÇO DA CORDA, AVISA O REVOLVER NO BANCO DO MOTORISTA. ELA SE SOLTA, E VAI LENTAMENTE AONDE PEDRO ESTÁ. PEDRO PERCEBE, VIRA PARA ELA, QUE DISPARA. NÃO SAI BALA.

PEDRO – Você é uma burra! Não sabe nem ver que o revolver não tem bala. Não adianta, você não vai escapar.

PEDRO A SEGURA COM OS DOIS BRAÇOS E FIRMA ENTRE O CARRO.

MARINA – Me solta, eu sou sua filha.

PEDRO – Seja o que for, vai pagar caro pelos erros da sua mãe.

DOIS CARROS AVISTAM A CENA E PARA UM POUCO ANTES, INDIO E CIPRIANO DESCEM E VÃO ATÉ ELES. CHEGAM SEM PEDRO PERCEBER.

INDIO – Solta minha filha!

CIPRIANO – Senhor Pedro, está preso.

TODOS SE APROXIMAM. PEDRO ESTÁ NA PORTA MALAS, VIRANDO COM A CARA PARA DENTRO DO CARRO. PEDRO PEGA UMA BOMBA SEM PERCEBEREM, UM ESQUEIRO E ACENDE. TODOS CORREM. PEDRO VAI CAMINHANDO EM DIREÇÃO A UM PEQUENO MORRO. VAI ATÉ O TOPO.

PEDRO – Já que vocês querem assim, eu vou acabar com ela, vou acabar com a vida de vocês todos. Eu digo, eu afirmo, eu não cheguei aqui sozinho não como vocês estão pensando. Foi ele! (Pedro se incorpora) – O arrenegado, beiçudo, bode preto, cão tinhoso, canhoto, compadre. Capeta, capiroto. Cocho! Diogo,turma do bar,mal encarado (risada lenta)… Porco, sujo, sarnento, sem gracejo. O rapaz! Pecador… O tristonho, aquele que nunca riu, aquele que nunca se viu! (pausa) Foi o diabo sim, o pactário!

TODOS OLHAM ASSUSTADOS COM A REVELAÇÃO.

PEDRO – Por que um dia, nos encontramos aqui nessa baixada, no meio de um redemoinho. Ele disse que eu seria dono de tudo, tudo, tudo, que nesse instante eu pudesse abarcar com os meu olhos. E ele disse que eu seria aquele, o filho predileto, o que ele escolheu. Por conta da maldade dele, eu nunca iria morrer! Nem descansar, embora também não pudesse viver. Mas é por isso que eu to aqui. E vocês não pensam que as coisas vão ser diferentes, pois é ele quem está aqui do meu lado, é ele quem tá mandando o que eu tenho que fazer. E ele tá dizendo que eu tenho que acabar com todos vocês!

PEDRO RISCA A BOMBA QUE ACENDE.

PEDRO – Ninguém vai ficar com aquilo que é meu! Ninguém vai tirar aquilo que já é meu!

A BOMBA EXPLODE. UM BARULHO EXTERNO QUE CHEGA NA CIDADE, LEVANTA MUITA POEIRA. AOS POUCOS, VÃO CAINDO PARTES DO CORPO DE PEDRO PELO CHÃO. VÁRIOS URUBUS CHEGAM EM VOLTA.

MARINA – Lá se foi um grande homem. Aprendi muita coisa com ele.

CÂNDIDA – Filha, a vida nos prega cada surpresa, não acha? Você perdeu aquele que te criou, mas aquele que te fez está aqui. Por que não tenta se aproximar dele?

INDIO OLHA PARA MARINA, ESTICA OS BRAÇOS, MARINA CHEGA PERTO E ABRAÇA INDIO.

INDIO – Agora teremos uma vida nova.

CENA 8: FAZENDA/ EXT/ TARDE/ QUINTAL

CÂNDIDA CHEGA COM SUA FAMILIA. INDIO DESCE DO CARRO.

INDIO – Candinha, sei que já fiz demais, mas tenho que ir.

CÂNDIDA – Ir para onde?

INDIO – Tenho que seguir meu caminho, esqueceu que sou um forasteiro?

CÂNDIDA – Indio, você não vai a canto nenhum. É com você que quero dividir minha vida, e é com você que quero ficar. Você vai ficar aqui, e vamos reviver essa grande paixão que um dia foi interrompida.

UM SENHOR SE APROXIMA DE TODOS.
– Boa tarde,me chamo Bernardo.É aqui que mora Pedro Leopoldo ?

MARINA – Morava.

BERNARDO – Mas por que? Se mudou?

CÂNDIDA – Sim, foi para bem longe, e não voltará nunca mais.

BERNARDO – É que vim dizer que sou o novo vizinho de vocês.

OLGA – Prazer, meu nome é Olga.

BERNARDO – Encantado com tanta beleza.

OLGA – Nunca é tarde para se apaixonar!

ALVARO – E viva o amor!

MARINA – Viva!

CENA 9: PLANO GERAL – UMA PASSAGEM DE UM MÊS, MOSTRA A IGREJA LOTADA, OS NOIVOS COMEÇAM A ENTRAR: ALVARO E MARINA, OLGA E BERNARDO, SETEMBRINO E LINDAURA, CIPRIANO E AMÉLIA, ALBERTO E BEATRIZ, MACIEL E ABIGAIL. TODOS SE AJOELHAM DIANTE DO PARDE E COMEÇAM A CERIMÔNIA. CENA CORTA PARA PORTA DA IGREJA, ONDE SÃO RECEBIDOS POR UMA MULTIDÃO, JOGANDO ARROZ.

CENA 10: CLUBE/ INT/ TARDE

LOCAL MUITO ARRUMADO COM ENFEITES, BOLOS, CONVIDADOS CONVERSANDO. OS CASAIS SE APROXIMAM DOS BOLOS, CORTAM E DISTRIBUEM. WALKIRIA SOBE AO PALCO.
– Atenção. Peço um minuto de atenção de todos vocês. (silêncio no local) É com muita alegria que estamos aqui hoje, celebrando reunidos o que há mais de melhor na vida: o amor! Passamos muitos momentos difíceis, passaram. Agora o que prevalece é a felicidade, a paz e a paixão que um dia despertou em cada um de vocês. Vamos cantar, dançar, pular e viver tudo que a vida nos permite de melhor. E quando a tristeza chegar, mande ela embora! Solta o som, minha banda predileta!

WALKIRIA SE APROXIMA DO MICROFONE.

Pedir esta música
Oh! oh! Cupido! 
Vê se deixa em paz 
(Oh! oh! Cupido!) 
Meu coração que 
Já não pode amar 
(Oh! oh! Cupido!) 
Eu amei há 
Muito tempo atrás 
(Oh! oh! Cupido!) 
Já cansei de 
Tanto soluçar 
(Oh! oh! Cupido!) 

Hei, hei, é o fim 
Alô, cupido! 
Pra longe de mim 
(Oh! oh! Cupido!) 

Eu dei meu coração 
A um belo rapaz 
(Oh! oh! Cupido!) 
Que prometeu me amar 
E me fazer feliz 
(Oh! oh! Cupido!) 
Porém, ele 
Me passou prá trás 
(Oh! oh! Cupido!) 
Meu beijo recusou 
E meu amor não quis 
(Oh! oh! Cupido!) 

Hei, hei, é o fim 
Alô cupido! 
Pra longe de mim 
(Oh! oh! Cupido!) 

Eu tivi um coração 
Cansado de chorar 
A flecha do amor 
Só trás 
Angústia e a dor 
(Oh! oh! Cupido!) 

Mas, seu cupido 
O meu coração 
(Oh! oh! Cupido!) 
Não quer saber 
De mais uma paixão 
(Oh! oh! Cupido!) 
Por favor 
Vê se me deixa em paz 
(Oh! oh! Cupido!) 
Meu pobre coração 
Já não agüenta mais 
(Oh! oh! Cupido!) 

Hei, hei, é o fim 
Alõ cupido 
Pra longe de mim… 

(Oh! oh! Cupido!) 
Mas, seu cupido 
Meu coração 
(Oh! oh! Cupido!) 
Não quer saber 
De mais uma paixão 
(Oh! oh! Cupido!) 
Por favor, vê se 
Me deixa em paz 
(Oh! oh! Cupido!) 
Meu pobre coração 
Já não agüenta mais 
(Oh! oh! Cupido!) 

Hei, hei, é o fim 
Alô cupido 
Pra longe de mim.. 
(Oh! oh! Cupido!) 
Hei, hei, é o fim 
Alô cupido 
Pra longe de mim… 
Oh, oh, cupido!Oh! oh! Cupido! 
Oh! oh! Cupido! 
Oh! oh! Cupido!

TODOS OS PERSONAGENS CANTAM E DANÇAM.

 

–  F I M  –

Amanhã, ESPECIAL Paixão Proibida.

TODOS OS BASTIDORES DA TRAMA E ENTREVISTA COM O AUTOR.

 

AGRADECIMENTOS SERÃO FEITOS EM UMA ENTREVISTA COM O AUTOR. CURIOSIDADES TAMBÉM SERÃO DITAS. É COM MUITA ALEGRIA QUE ENCERRAMOS ESSE MARAVILHOSO TRABALHO, ESSA LINDA VIAGEM QUE FOI A NOVELA. QUE VENHA A PRÓXIMA!

#ESTREIA DIA 18:

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Escrita por
Arthur Ferraz

Direção
Vinny Lopes

Realização
ADNTV Ficção

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