Gustavo Reiz autor de Dona Xepa fala sobre o que esperar nos capítulos finais da novela

Em entrevista ao R7.com Gustavo Reiz, conta o que se pode esperar do final de Dona Xepa. Confira. 

R7 - Dona Xepa foi sua primeira novela como autor principal aqui na Record. Qual é o balanço geral que você faz desse trabalho?

Gustavo Reiz - Um balanço muito positivo. É um trabalho muito especial para todos nós.Dona Xepa foi um grande desafio desde o início: desenvolver uma novela mais curta, com número reduzido de personagens e cenários, grande frente de capítulos, entre outros limitadores. A proposta era apresentar uma novela simples, sem o grande investimento das produções anteriores e das que estão por vir, revisitando a história de um personagem que já faz parte do imaginário do público. Foi um trabalho que, do início ao fim, exigiu muita criatividade e dedicação de todos os envolvidos. E eu tive a alegria de firmar uma parceria vitoriosa com o Ivan Zettel, que fez um grande trabalho e comandou a equipe com maestria. Já estamos com saudades da nossa feira!

R7 – Antes de Dona Xepa, você escreveu Sansão e Dalila, uma minissérie de 18 capítulos, e Fora de Controle, de apenas quatro. Para um autor, qual é a diferença entre escrever para uma minissérie e uma novela?
Reiz -
 São produtos bem diferentes. A minissérie já é desenvolvida para um número reduzido de capítulos, geralmente é uma obra fechada. Numa novela, a resposta do público também pode conduzir a história, a estrutura é aberta e pode se renovar constantemente.

R7 – No que você pensa quando está escrevendo os capítulos da novela?
Reiz - 
Temos que pensar em muitos fatores, que vão desde o número de cenas em externa até o tempo cênico, ganchos, continuidade etc. Mas no momento em que estou escrevendo cenas, penso apenas no desenvolvimento daquela situação. Se é uma situação cômica, eu preciso achar graça. Se é uma cena de emoção, eu preciso me emocionar, ir às lágrimas mesmo. Acredito que, assim, o ator vai se envolver mais e o telespectador também. Tanto nos capítulos de uma novela como nas páginas de um livro, pretendo sempre despertar os sentimentos e provocar emoções em quem está do outro lado. Nas cenas, também costumo escrever os diálogos em voz alta, para que as falas fiquem mais orgânicas para o ator. Se eu engasgo em alguma palavra, mudo na mesma hora.

R7 – Agora que a novela está acabando, conte-nos: qual é o seu personagem favorito?
Reiz - 
E qual pai faria diferença entre os filhos? Todos são meus favoritos! A verdade é que fomos muito felizes na escalação da novela. Todos os atores estão muito bem em seus personagens, o que ajuda bastante a criação e o desenvolvimento de suas tramas. Vibro com as performances dos atores, esse elenco foi um grande presente!

R7 – Impossível assistir a Dona Xepa e não rir com personagens como Feliciano, Terezinha, Graxinha e Inocência. O texto da novela sempre foi marcado por um humor leve e gostoso. Para você, Dona Xepa tem mais humor que outras novelas em geral?
Reiz -
 Sempre gostei de novelas mais caracterizadas pelo humor. Dona Xepa foi pensada para um horário mais cedo, o que possibilitava explorar bastante a comédia leve, os personagens-tipo. Com a decisão de exibi-la mais tarde, fiz algumas alterações, mas mantive o humor. A vida real já é tão cheia de problemas e dificuldades, que o telespectador merece dar boas risadas enquanto assiste à nossa história.

R7 – Apesar de ser uma adaptação de um texto de Pedro Bloch, você criou dezenas de personagens novos para a nova versão de Dona Xepa. Por quê?
Reiz -
 Não seria possível fazer uma novela seguindo fielmente uma peça de teatro. As linguagens são completamente diferentes. Uma peça de teatro conta com poucos personagens e a história se desenvolve em um pouco mais de uma hora, o que é insuficiente para uma novela.

R7 – É mais fácil escrever uma obra original ou uma adaptação?
Reiz -
 São diferentes desafios. Mas obra original permite uma maior liberdade de criação.

R7 – Como surgiu o bordão “Alerta glamour!” da Dafne?
Reiz -
 A Dafne é um tipo que está muito presente no meio artístico. É a pessoa que está sempre alerta para as oportunidades de ficar famosa. É como se ela ficasse o tempo todo com um radar ligado, por isso pensei nos variados “alertas” da Dafne. Também temos a Meg com seus bordões, a Xepa com seu vocabulário peculiar, entre outros. Além de gerar repercussão, os bordões criam uma identidade interessante para a novela. Recebi muitas mensagens dos atores e telespectadores dizendo que estavam com “tutupico” pela reta final da novela, ou que as cenas estavam “expressurosas”! É muito gratificante quando isso acontece.

R7 – Não é difícil detestar a Rosália. Mas também não precisa muito para se solidarizar com ela em seus momentos de dificuldade. Afinal de contas, que tipo de vilã é a Rosália?
Reiz - 
O tipo de vilã que existe no dia a dia, sem caricatura. Rosália é uma mulher ambiciosa, manipuladora, mas que também sofre, também tem suas angústias e carências. Ela é inteligente, perspicaz, mas também é impulsiva, passional. No caso do chá que mataria os bebês da Isabela, por exemplo, ficou claro que ela se surpreendeu com o resultado, ficou assustada, arrependida. Ela sofreu quando Isabela morreu, se emocionou quando renegou o amor da mãe, quando foi aceita pelo irmão. Não acho que a Rosália seja uma vítima, mas o fato é que todas as pessoas e histórias têm dois lados. Há uma grande torcida para Rosália ter final feliz, assim como também há torcida para ela pagar pelas maldades que fez. Não tenho dúvidas de que o excelente trabalho da Thais Fersoza fez com que a Rosália caísse tanto nas graças do público. O final dela será surpreendente, aguardem!

R7 – Antes da novela estrear, você disse que a Xepa era a mãe brasileira. Continua com essa afirmação?
Reiz - 
Mais do que nunca. Ao longo da novela, pudemos explorar diversas situações onde o amor dessa mãe passava por cima das dificuldades, das humilhações. Até o final, Xepa ainda vai enfrentar muitos desafios. Destaco o belíssimo trabalho da Ângela Leal, que nos emociona e nos diverte a cada capítulo, tornando ainda mais forte esse personagem tão encantador, símbolo da mãe brasileira.

R7 – A pergunta que todo telespectador quer fazer: por que você matou a Isabela?
Reiz -
 A morte da Isabela já estava prevista na sinopse e eu sabia que causaria esse choque. Tragédias acontecem na vida real. Quantas vezes somos obrigados a mudar completamente os rumos de nossa história por um imprevisto, por uma fatalidade? Foi o que aconteceu com os personagens da novela. O Vitor Hugo perdeu o chão, a Pérola decidiu ir em busca do filho perdido, Feliciano se sentiu castigado pelos atos do passado, Rosália recuou e tentou aceitar a vida mais simples, entre outros. Era grande a torcida por um retorno da Isabela, uma vingança, mas a vida nem sempre permite uma segunda chance.